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Amêijoas


Agradecimentos Resta-nos agradecer ao professor Norberto que disponibilizou algum do seu tempo, para nos levar ao seu viveiro de amêijos e explicar a cultura desses moluscos. À Drª Domitila Matias, do IPIMAR de Tavira, que disponibilizou toda a documentação para a realização desta pequena revista e a todos aqueles que connosco colaboraram nesta iniciativa, contribuindo para a reflexão e debate sobre o Nosso Património de modo a criar formas de intervenção integradas.

Ficha Técnica Núcleo do Ambiente Alunos responsáveis: Bárbara Tavares Duarte Santos Filipe Carralves Fotocomposição e Montagem: Bárbara Tavares Duarte Santos Filipe Carralves Produção executiva: Bárbara Tavares Prof. Alberto Mascarenhas

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Introdução A cultura de moluscos bivalves é, desde longa data, um importante complemento às pescarias portuguesas (Ruano, 1997). A principal produção é de amêijoa-boa (Ruditapes decussatus) que representa cerca de 34% do total da produção aquícola e 80% da produção moluscícola (DGPA, 2006). Uma das zonas mais produtivas é a região algarvia, ecossistema Ria Formosa, especialmente no que se refere à produção extensiva de amêijoaboa (R. decussatus) e ostra (Crassostrea spp.). A moluscicultura constitui uma das actividades de maior significado económico no quadro da exploração dos recursos vivos naturais da zona da Ria Formosa e Ria de Alvor. A importância económica e ecológica dos moluscos filtradores justifica os numerosos estudos que se têm sido desenvolvidos para uma melhor compreensão dos mecanismos que controlam a qualidade biológica dos bivalves. Estudos que determinem densidades óptimas, crescimento e sobrevivência, em cada local de cultura, são essenciais para a avaliação da viabilidade económica de uma cultura. A avaliação da qualidade biológica e fisiológica dos organismos pode contribuir para identificar, explicar e prever a variação natural dos ambientes aquáticos (Rhodes & Widman, 1984).

A cultura de amêijoa-boa (R. decussatus) ainda é efectuada de um modo empírico e processa-se fundamentalmente com base em juvenis (10 a 20 mm) capturados nos bancos de recrutamento natural da laguna. Antes de proceder ao cultivo (aproximadamente de dois em dois anos), os produtores preparam o terreno, adicionando areia e/ou calhau rolado para permitir a oxigenação e a transferência de alimento entre a interface água/sedimento e as amêijoas (condições que favorecem a qualidade/crescimento dos bivalves). Os juvenis são, posteriormente, distribuídos pelo sedimento dos viveiros. Após um período de um ano e meio a dois anos, dependendo do tamanho da semente utilizada e da localização do viveiro, é efectuada a recolha das amêijoas com um comprimento de 30-35 mm.

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Quem sou?

Sou um molusco, tenho o corpo mole. E sou um molusco bivalve porque o meu corpo é coberto por uma concha com duas valvas.

Como sou formada? Tenho um sifão exalante por onde sai água com as minhas fezes.

Te n h o u m s i f ã o inalante por onde entra a água com a minha comida e oxigénio para respirar

Te n h o d o i s músculos p a r a fecharem a minha concha.

Tenho uns palpos labiais que servem para empurrar a comida para a boca.

Tenho brânquias para respirar.

Tenho um pé para escavar o sedimento.

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Onde nos podem encontrar? Enterradas no sedimento (areia ou lodo) Na zona que fica entre a maré alta e a baixa, ou seja na zona entre marés.

Onde gostamos de viver? Sistemas Lagunares Ria Formosa

Estuário

Estuário do Tejo

Rias

Ria Aveiro

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A nossa cor? Eu sou amarela, vivo na areia, por isso sou da cor dela.

Nós vivemos no lodo, por isso somos cinzentas.

Sabem ... Mas nós não vivemos sempre enterradas no sedimento. Então vou contar-vos a história da nossa vida. (ciclo da Vida).

Quando a água está mais quente e existe alimento, libertamos os gâmetas sexuais.

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A fecundação ocorre na água: Fecundação ocorrre na água:

+

Ovúlos

Espermatozóides

Ovos

Passados 2 dias já temos concha e andamos na água ao sabor das correntes

Com esta coroa de cílios nado e apanho a minha comida.

Passado um mês o meu corpo transforma-se e fico com um pé e dois sifões, Já não posso nadar ...

Agora vou para o fundo e com o meu pé vou escavar o sedimento e ficar na

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Agora no sedimento vou comer muito e crescer para chegar a adulto e poder reproduzir-me... será que me vão deixar? Ou vou ser comida pelos caranguejos e pelo homem.

O que comemos?

Microalgas- são plantas muito pequenas de cor verde e castanha que vivem na água, por isso é que a água salgada apresenta muitas vezes cor.

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Como crescemos?

A nossa concha vai crescendo através da deposição de anéis no seu bordo: estrias de crescimento. No Verão quando há muita comida crescemos muito depressa. No Inverno quando há pouca comida quase não crescemos.

Assim, é possível saber a nossa idade.

Bom...Assim ficaram a saber como nós somos...

Mas ainda vos quero contar mais uma coisa, o homem também interfere na nossa vida...

Ta m b é m

somos

artificialmente, institutos

IPIMAR.

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de

nos

produzidas laboratórios

investigação

como

e o


Vamos ver como isso acontece...

Colocam-nos em sĂ­tios quentes com muita

comida

para

ficarmos

gordinhas...

O nosso alimento ĂŠ produzido em laboratĂłrio.

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Dão-nos banho com água fria para que libertemos os nossos produtos sexuais.

Em intervalos ±

17ºC

Separam os machos das fêmeas.

Fêmea

10

30ºC

1h.


Controlam a nossa fecundação...

+

100 espermatozóides por ovócito

1 hora Ovos fecundados

Fazem-nos crescer até chegarmos a juvenis.

Juvenis

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Depois de sairmos do laboratĂłrio,

vamos para os

viveiros do meio natural, para crescermos e sermos colhidas pelo homem.

Sabem ... Mas nem sempre ĂŠ assim.. o mais comum ĂŠ:

Apanharem-nos

pequenas,

nos

bancos

naturais ... E levarem--nos para os viveiros...

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Mas antes de nos porem nos viveiros o homem trata a nossa nova casa...

Ancinho

Remove as macroalgas.

Motocultivadora

transporta areia para o viveiro

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Depois do viveiro tratado, somos semeadas todas juntinhas...

Depois, ficamos no viveiro atĂŠ estarmos grandes. Entretanto o homem vai continuando a tratar do seu viveiro.

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Passados 2 anos, estamos prontas para sermos usadas e vendidas.

E assim termina a nossa hist贸ria ...

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Alunos do 12ยบ B no viveiro do Professor Norberto

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(8) Amêijoas  

Amêijoas Filipe Carralves Fotocomposição e Montagem: Bárbara Tavares Duarte Santos Filipe Carralves seu tempo, para nos levar ao seu viveiro...

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