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Em Destaque

(R)evolução... As nossas histórias...

FICHA TÉCNICA: TÍTULO Sancho Notícias

sanchonoticias@gmail.com

PROPRIEDADE Escola Secundária D. Sancho I

Em diálogo... Construindo histórias...

PRESIDENTE CAP António Pereira Pinto

REDAÇÃO Prazeres Machado Carolina Martins Óscar Cardoso Abel Moreira

Histórias saudáveis... Histórias com letras...

DESIGN GRÁFICO Paula Ferreira DATA DE PUBLICAÇÃO Dezembro de 2010 NÚMERO 19

Histórias noutras línguas... Histórias do desporto...

PERIODICIDADE Trimestral TIRAGEM 1000 Exemplares DISTRIBUIÇÃO Gratuita MORADA Avenida Barão da Trovisqueira 4760-126 V. N. de Famalicão Tel: 252 322 048 Fax: 525 374 686 http://www.esds1.pt

E-mail: ce.es.d.sancho@mail.telepac.pt

Construíndo o futuro... Histórias com números...


Editorial Como toda a comunidade educativa já saberá a escola está em mudança física. Por agora, esta mudança física é fonte de problemas, mas brevemente será o ponto de partida para uma nova etapa na já longa história da Escola Secundária D. Sancho I. Lamentamos todos os inconvenientes e problemas que vão surgindo, especialmente ao nível da instalação eléctrica agora que o frio se instalou, lembrando o velho ditado “depois da tempestade vem a bonança”. Porque a história da nossa escola já é longa poderemos, também, enquadrá-la no tempo histórico que ora comemoramos, porque teve a sua origem no Estado Novo, numa época de opressão, de falta de liberdade, de subjugação a um poder político que não respeitava minimamente as pessoas. A escola, nessa altura, sempre funcionou como espaço de liberdade, como espaço onde se poderia pensar, apesar de toda a espécie de esbirros que, a troco do “segredo pidesco”, iam paulatinamente eliminando os seus adversários. Os ideais da república continuam hoje como ontem actuais e pelos quais vale a pena lutar. A República tem associado a si a ideia de revolução, de mudança, de igualdade, de responsabilidade, de solidariedade e de cooperação. Estes valores traduziam uma clara resposta a uma monarquia decrépita, incompetente, sustentada pelo compadrio, pela troca de favores, pela subserviência, em suma, sustentada por uma classe de corruptos que não olhavam a meios para se manterem no poder. Bem, mas isto não é novidade nenhuma! Se olharmos para a nossa história, facilmente encontramos exemplos de uma luta pelo poder que não respeita nada nem ninguém e que criou no povo um sentimento de impotência de tal ordem que, hoje como ontem, se espera pacientemente por um novo “D. Sebastião”, seja ele uma personagem que nos projecte para o futuro (um Infante D. Henrique) ou um pretenso salvador que nada fez quando esteve no poder, mas cuja retórica se enquadra perfeitamente no mito sebastiânico, ou uma personagem cinzenta que aparece com ares de seriedade e de que vai pôr tudo na ordem, como o fez Salazar. A partir daí todos sabemos o que acontecerá. A República surgiu, primeiro que tudo para mudar mentalidades, para mudar princípios e valores e para mudar políticas e promover o desenvolvimento social. Por isso, se introduz uma nova ética, uma ética da liberdade, da democracia, da igualdade, do respeito, da responsabilidade, do trabalho, do desenvolvimento, da educação, da competência. Será que assim foi? Basta olhar para a 1ª e a 2ª repúblicas para constatarmos que não, porque durante 40 anos amargamos e pagamos as consequências da nossa quase genética subserviência. Continuamos a pensar, sebastianicamente, nos intocáveis, nos insubstituíveis de que os cemitérios estão cheios, convencidos de que o país, as organizações não funcionam senão debaixo do seu manto protector. A República surge como grito de revolta, como espaço de liberdade, como espaço de afirmação pessoal e de desenvolvimento da comunidade. Não soubemos preservar esse espaço de liberdade e de democracia e acabamos no salazarismo, a mancha negra do Estado Novo que subverteu valores, princípios, regras elementares de cidadania, e promoveu a hipocrisia, a inveja, a incompetência associada à subserviência e a “bufaria”. Esses delatores eram conhecidos como “pides”, “bufos” e muitos outros nomes, que a coberto do anonimato, quais “ratos de esgoto”, alicerçavam a sua ascensão ao poder na destruição dos seus opositores, sendo eles amigos ou não. Estranho país este que alimentou e continua a alimentar este tipo de indivíduos que nada trouxeram ou podem vir a trazer à sociedade a não ser estagnação, miséria e subdesenvolvimento, indiferentes a tudo aquilo que possa vir a acontecer aos outros. Vivemos, em tempos idos, num país assim e parece que para lá caminhamos outra vez, esperando pacientemente o aparecimento de um Messias ou D. Sebastião, que bem pode ser um outro Salazar, porque, com a nossa postura, para isso estamos a contribuir. A liberdade, a democracia, a dignidade, o respeito, a autonomia e o civismo conquistam-se com a educação e o trabalho. Nunca a ignorância foi fonte de progresso. Aproveito a oportunidade para desejar a toda a comunidade educativa um Bom Natal e um próximo ano com sucesso, apesar dos maus ventos que sopram com a crise. Boas Festas! O Presidente da Comissão Administrativa Provisória António Pereira Pinto

Nota Redatorial A equipa redatorial da revista Sancho Notícias informa que, na redação dos textos da sua responsabilidade, adotou as alterações linguísticas introduzidas pelo novo acordo ortográfico. Nos artigos redigidos pelos nossos colaboradores, foi respeitada a opção gráfica dos autores. A todos os que connosco colaboraram e contribuíram para mais um número desta revista, o nosso MUITO OBRIGADO!

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(R)evolução...

Evoluindo...

Alzira Serra, Presidente do Conselho Geral

Estou sentada no quarto de trabalho e ouço a chuva e o vento que batem com força nas vidraças da janela. Logo a seguir, o silêncio retorna e o sol aparece como se, momentos antes, a chuva e o vento não me tivessem desviado o pensamento. E eu reflito. A passagem do tempo, a inconstância do tempo é parecida com a passagem do Homem, com a inconstância do Homem. E lembro… como há muitos anos atrás, na minha juventude, adolescente, “acabei” com a Terra; “acabei” com a Humanidade e chorei. Chorei, porque não queria que a evolução humana conduzisse à destruição de algo tão belo e tão perfeito como a Terra e o Homem. Não me dava conta que a evolução humana é tão natural como o ar que respiramos, a água que bebemos; tão natural como a própria natureza. Só que esta retorna sobre si mesma, enquanto o homem, porque naturalmente curioso, quer sempre mais e mais e mais. E é este desejo de ir mais longe que nos leva a progredir, a alcançar (ou pretender alcançar) o inimaginável, o impossível, enfim, o infinito. E é deste desejo que resultam as mudanças de atitude, de filosofia, de pensamento; as modificações políticas e sociais; as alterações dos objetivos, da educação, da Escola. No início do século XX, o grande objetivo da escola era o de uma instrução significativa – a quem pudesse, evidentemente – baseada em espaços físicos abertos, grandes e luminosas janelas, salas onde os alunos se sentissem confortavelmente

instalados, locais de lazer, campos para a prática de desporto e, sempre que possível uma piscina onde se destruíssem os medos e as fobias e onde se aquietasse o corpo e o espírito, depois de um longo dia de trabalho considerado árduo e cansativo. Sucessivamente, esses espaços foram sendo encurtados e a aprendizagem tornou-se lazer, compreender sem memória, momento brando de um saber alegre. Isto foi, é evoluir e não ficaremos por aqui! Descobriremos novas formas de aprendizagem, de conhecimento…uma escola diferente. É que hoje, como há cem anos, educação e instrução são significado de evolução mental e psíquica. Hoje, como há cem anos, a Res Publica pretende que o Homem evolua de forma positiva, agradável e com prazer. Obrigada pela vossa atenção.

Natal Nasce mais uma vez, Menino Deus! Não faltes, que me faltas Neste inverno gelado. Nasce nu e sagrado No meu poema, Se não tens um presépio Mais agasalhado. Nasce e fica comigo Secretamente, Até que eu, infiel, te denuncie Aos Herodes do mundo. Até que eu, incapaz De me calar, Devasse os versos e destrua a paz Que agora sinto, só de te sonhar. Miguel Torga (1987)

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(R)evolução... Queda das re(s)públicas... Domingos Manso de Araújo, prof. de Filosofia

O que se tem verificado nos regimes políticos contemporâneos em Portugal é a sua queda/substituição por incapacidade de auto-regeneração e não propriamente por habilidade e competência das respectivas oposições. Foi assim em 1910, em 1926 e 1974. As causas apontadas para a queda da monarquia foram instabilidade executiva, ingovernabilidade parlamentar, incapacidade reformista e inúmeros escândalos de corrupção, sem ignorar a difícil situação financeira em que o fontismo tinha deixado o país. “O Estado começou a sentir terríveis embaraços para acudir ao défice orçamental, para honrar os encargos da dívida e para socorrer alguns bancos e companhias (ferroviárias e coloniais) que andavam à beira da falência.”1 Mas o que é válido para a queda da monarquia é, na mesma proporção, válido para a queda da 1ª república, não sendo despiciendo e nem mesmo abusivo uma leitura para o futuro da nossa 3ª República. Relativamente à 2ª República, se é verdade que os factores não são os mesmos, não é menos verdade que houve também uma incapacidade do poder então dominante para se auto-regenerar e, acima de tudo, para acompanhar o ritmo de liberalização democrática e de criação do Estado Social, semelhante ao dos países mais desenvolvidos da Europa. Esta propensão para a autofagia dos regimes deve-se a uma tendência, muita nossa, para a estagnação em determinada fase do poder, avessos a mudanças, com medo de ser substituídos e ultrapassados. Quando as ramificações, hierarquias e regalias estão conservadoramente definidas e estabelecidas, nos regimes, nas organizações e nas instituições, os chefes rodeiamse de gente mais subserviente do que competente, de gente que, por via dos cargos que ocupam, julgam-se pertença de uma suposta elite aristocrática. E nesta perspectiva aristocrática julgam-se eleitos (escolhidos) pelas suas imensas capacidades naturais inatas e, como tal, carregadíssimos de talentos naturais para o exercício do cargo. “Na ética aristocrática, a virtude, entendida como excelência no seu género, não se opõe à natureza mas, pelo contrário, ela não é mais que uma actualização conseguida das disposições naturais de um ser, uma passagem, como diz Aristóteles, do poder ao acto.”2 O problema é quando esse ser virtuoso não funciona bem, se resigna e estagna na sua vaidade virtuosa e natural. Dir-se-ia que o problema é de defeito de fabrico, ou de determinadas circunstâncias que se impõem. Por estas ou outras razões, o certo é que a elite aristocrática é, repentina-

mente, destronada pela elite meritocrática, também designada por elite republicana. E, aqui, o mérito vale mais do que o talento. Assim, pelo trabalho, pela disciplina, pelo esforço, pela vontade, os deserdados do poder, os inconscientes dos seus poderes naturais ou divinos, os descamisados, os desterrados e alguns prescritos, tomam de assalto o poder e, atabalhoadamente ou não, destituem, rejeitam, nomeiam, cortam cabeças, qual Robespierre na sua sanha persecutória. Quem assiste de fora, não se enquadrando na ética aristocrática e desconfiando da ética meritocrática, espanta-se com a queda do rei, do regime, do presidente, do director, porque, ingenuamente, os julga intocáveis, inexpugnáveis e invencíveis; e, com o mesmo espanto, assiste à vontade avassaladora dos “conquistadores” do poder. Na mesma ingenuidade ou negligência, ver-se-á ultrapassado, prejudicado e esquecido no seu lugar, que não é absoluto nem relativo. Um espaço que deveria estar entre o absoluto aristocrático (este lugar é destinado por natureza) e o relativo republicano (este lugar é relativo a coordenadas circunstancias arbitrárias). Este terceiro espaço deveria ser o da verdadeira res publica. Um espaço onde, independentemente do talento e do mérito, as pessoas deveriam ser respeitadas, ouvidas, atendidas e responsabilizadas. Um espaço de todos e para todos. Um espaço de direitos e deveres equidistantes e proporcionais. Um espaço de rotatividade e alternância de poderes e funções. Só a partir deste espaço público, garantido e preservado por todos, será possível ter mais saúde, mais educação, mais segurança social, mais crescimento económico, mais direitos e mais deveres. Só a partir deste espaço será possível menos endividamento, menos “deficit”, menos desemprego, menos miséria, menos injustiças. Só a partir deste espaço serão possíveis melhores hospitais, melhores tribunais, melhor Estado, melhores escolas. Se alguém se julga ultrapassado pela elite aristocrática e usurpada pela elite republicana, terá que deixar de ser mero espectador e passar a ser mais activo. Se alguém se julga negligenciado na sua função ou na sua existência, terá que deixar de aceitar tudo na sua absoluta indiferença e passar a ser mais construtivo e solidário. Se alguém se julga fatalmente condenado como Édipo, o melhor será mudar de país, de república ou de escola, porque, definitivamente, este e todos os tempos não são os seus. 1 2

25 olhares sobre a I República, Do republicanismo ao 28 de Maio, Edições Público, p.27.

Luc Ferry, Jean-Didier Vincent, O que é o Homem?, Edições Asa, 2003, p.38.

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As nossas histórias...

O príncipio do fim… André Silva, antigo aluno

O golpe de estado que implantou a Ditadura Militar acabou por ser mais uma reacção simultânea de vários grupos do que um golpe realmente organizado. No entanto, é esse facto que nos mostra o quão caótica era a situação nacional a todos os níveis quando se dá o golpe de 28 de Maio de 1926. Para se perceber este golpe, é necessário recuar vários anos, pelo menos até 1910, apesar do período imediatamente anterior a essa data não estar isento de culpa. A Implantação da República em Portugal trouxe grandes alterações, mas as grandes reformas prometidas acabaram por não ser aplicadas devido à instabilidade política crónica, com governos a cair quase mensalmente. A esta instabilidade juntam-se os efeitos da I Guerra Mundial, na qual Portugal entra em 1916 e sofre perdas humanas terríveis, prejudicando ainda mais a economia, quer a nível de população activa com a morte de milhares de homens, quer com a inflação e défice cada vez maior. A entrada nos anos 20 vê esta situação piorar e os protestos por parte da população radicalizaram-se. Surge o Partido Comunista em 1921, os grupos anarco-sindicalistas, que promoveram sucessivas greves e ataques bombistas e a instabilidade aumenta em todos os sectores até níveis insuportáveis. Em 1926, cansados de tanta instabilidade, um grupo de militares parte de Braga com rumo a Lisboa, sendo recebido triunfalmente. Sem resistência, cai a I República, e os portugueses, na sua maioria, aceitam a ditadura como um mal necessário e até bem-vindo. Sentem que finalmente o país pode estabilizar. Após dois anos de governos militares, o General Óscar Carmona surge como figura de proa e organiza o governo com civis, convidando um jovem professor de Coimbra para o

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cargo de ministro das finanças, António de Oliveira Salazar. Austero e fortemente influenciado pelo Fascismo italiano, Salazar consegue colocar as contas públicas em ordem e é visto como um herói nacional. Caindo nas graças do povo e dos mais poderosos, Salazar chega a Presidente do Conselho, o equivalente a 1º Ministro, apesar de ser a figura dominante do regime, pondo Carmona em segundo plano. Salazar organiza, então, o governo rodeando-se de pessoas da sua confiança e elabora uma nova Constituição, a Constituição de 1933. Cria o Estado Novo, um regime totalitário de direita, baseado no modelo fascista italiano, mas com uma forte componente católica/conservadora, o que lhe garantia o apoio da Igreja – Deus, Pátria e Família são agora os valores que norteiam o regime. Explicitamente anti-comunista, garantia aos grandes proprietários o controlo sobre um país agrícola, essencialmente analfabeto, conservador e supersticioso/devoto. Além da componente religiosa e anticomunista, o Estado Novo promove a ruralidade e ignorância generalizadas, garantindo um controlo mais fácil e alargado. É criada a polícia política, mais tarde PIDE, os gabinetes de propaganda, a Mocidade Portuguesa, onde os jovens seriam educados na doutrina fascista desde cedo; foi igualmente criada a Legião Portuguesa, que seria a milícia paramilitar do regime, a censura e outros órgãos que permitiam vigiar, controlar e reprimir qualquer foco de oposição ao estado Novo. O Imperialismo, assente na crença de que as colónias eram portuguesas e não tinham direito à auto-determinação, o modelo de isolamento económico, ou seja, autárcico, que isolou ainda mais o país e asfixiou as possibilidades de haver um desenvolvimento real da economia (“Orgulhosamente sós”) foram apenas alguns dos aspectos mais visíveis de uma ditadura que no seu todo, prendeu Portugal por quase meio século, até 1974.


As nossas histórias... Educação Republicana... Joana Azevedo, 1002

Há cem anos, as diferenças sociais traduziam-se nos mais diversos campos, e particularmente na educação. As alternâncias sociais eram estabelecidas consoante o sexo a que os indivíduos pertenciam, mas também conforme o seu estatuto social, desde o povo inculto até aos filhos de famílias aristocratas com algum nível cultural. Pouco antes da implantação da República, D. Manuel II subiu ao trono. Estava preocupado com as questões sociais, nomeadamente com a taxa assustadora de alfabetização, em que cerca de 80% da população era analfabeta, não sabendo nem ler nem escrever. Contudo, o seu reinado foi tão curto que não teve tempo de pôr em marcha planos para inverter essa situação. Após a implantação da República, a 5 de outubro de 1910, foram tomadas medidas que teriam em vista um país mais desenvolvido, como: o ensino obrigatório entre os 7 e os 10 anos, a criação de jardins-de-infância, o aumento do número de escolas primárias, reformas no ensino, criação das Universidades do Porto e Lisboa e ainda, também muito importante, quem não soubesse ler ou escrever não poderia votar. Os problemas apontados antes da queda da monarquia, foram contemporâneos à Primeira República, apesar das medidas terem sido escolhidas, não foram totalmente adoptadas. As diferenças na educação entre géneros eram básicas. Para quem pertencia ao sexo feminino, a educação era quase rara. O ensino era obrigatório nos primeiros anos escolares, mas não havia grande controlo, portanto, a classe mais baixa, que normalmente vivia num meio mais rural, não frequentava a escola, é de salientar que a classe baixa constituía uma grande parte da população. As mulheres ficavam muitas vezes em casa a ajudar nos trabalhos do campo ou apenas a ajudar as suas mães com a lida de casa e a cuidar das suas irmãs e irmãos, tendo em conta que, naquela altura, havia uma alta taxa de natalidade. Iam também trabalhar muito cedo para conseguir ajudar a família nas suas despesas, o que as desviava do caminho escolar. As raparigas que pertenciam às classes mais altas, nomeadamente filhas de ministros e presidentes e doutras famílias também com vontade de ascender ao poder, tinham as suas aulas em casa, com professores veteranos e

7 pouco mais aprendiam que ler, escrever, cozinhar, saber coser ou fazer “ponto cruz”. Aprendiam todas e quaisquer regras de estética e de saber estar nas mais diversas situações, eram preparadas para casar com jovens de altos cargos políticos ou empresariais. Aquelas jovens que pertenciam à classe média, filhas de operários, seguiam o ensino obrigatório, mas posteriormente a isso, poucas eram aquelas que continuavam os estudos até ao ensino posterior, ficando assim, todos os cargos importantes para o sexo masculino. Os rapazes que viviam em meios rurais, muitos nem conheciam a existência de escolas, e ficavam condenados a ajudar os pais nos trabalhos necessários e forçados. Os que iam à escola, não seguiam um percurso normal, apresentavam imensas dificuldades, o que originava um enorme insucesso escolar. Já na classe média ou operária, tal como as raparigas, os rapazes seguiam o ensino obrigatório, mas o apoio em casa não era muito, o que fazia com que não se sentissem motivados para ir à escola, muito menos para seguir o ensino nos anos seguintes. Embora uma das leis proclamadas pela Primeira República ter sido a proibição do trabalho de menores de 16 anos, abandonando a escola, os rapazes rapidamente ingressavam no mundo do trabalho em fábricas. O ensino superior era reservado para aqueles cujas famílias pertenciam às classes média-alta e alta, filhos de advogados, juízes, ministros, médicos, e ainda apoiantes do regresso da monarquia. Há cem anos era assim. Não obstante, mesmo apresentando ideais generosos e, apesar do entusiasmo inicial, os republicanos foram incapazes de criar um sistema estável e plenamente progressista que findasse com todas estas divergências, tanto entre sexos como entre classes, fazendo com que a taxa de alfabetização pouco aumentasse.

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Uma carta...

Sara Pimenta e Rita Trovão, 1202

Querida Rita, Estou a escrever da minha bela cidade, pois sei que aí as noticias demoram mais a chegar em relação à capital. Acabei de chegar da minha longa viagem e nem sabes, aderi à última moda! Esta é verdadeiramente inesperada e irreverente! Imagina as tuas saias justas e os teus vestidos curtos, quase a ver-se os joelhos, e sem costas, praticamente todas as peças são sem costas, tudo se foca em dobras, decorações em renda e tecidos muito leves, a seda e o cetim regressaram. É tudo tão feminino! Até os penteados mudaram! Estou a deixar o meu cabelo crescer, é assim que agora se usa! Compridos, volumosos e encaracolados, eu adoro, e tu? A grande novidade é a maquilhagem! Um pó rosado que se põe na cara! Adoro ver-me com ele. Bem, na verdade a grande novidade é outra, mas tenho um pouco de vergonha em relação a ela. É um soutien! Provavelmente nem sabes do que se trata, pois eu também não sabia, mas é uma coisa nova que inventaram para o nosso peito. Faz-nos muito mais atraentes. Como sabes, estamos num tempo pouco favorável para o desenvolvimento da arte da moda e é graças a este tempo de guerra que as saias estão mais curtas para poupar mais tecido; contudo, esta necessidade provocou uma revolução também no mundo do calçado. Como agora os nossos sapatos se vêem, começaram a melhorá-los e a criar novas modas também. Por um lado até gosto, isto criou uma necessidade das mulheres evoluírem e se tornarem mais femininas. Adoro cada detalhe de cada peça, estou encantada. Aguardo ansiosamente por novidades tuas e espero que me venhas visitar brevemente. Um beijo, Sara.

A música há 100 anos... Christophe Pinto e Filipa Dias, 1202

Desde os primórdios da Terra que o mais simples passo de desenvolvimento ou o mais singelo movimento soam a uma batida musical. Já na pré-história, passando pela Antiguidade, voando da Idade Média, com as melodias trovadorescas, até ao Renascimento, a chamada Era dos Mecenas, do Barroco ao Classicismo e do Romantismo à Música Contemporânea, inovada através do Pop e do Rock, a música falou por muitos dos acontecimentos que fazem a História da Humanidade, sendo, por isso, considerada “tão antiga como o Homem”. Aquando do 5 de Outubro de 1910, sobre a influência do Romantismo e da Música Contemporânea, grandes compositores como Luís de Freitas Branco, considerado o Fernando Pessoa da música portuguesa, e Ruy Coelho, além de intérpretes como Armando Augusto Freire (“Armandinho”) deram expressão à revolução através das notas musicais. Na época, a música era caracterizada por ideais revolucionários, extremamente simbólicos entre a população portuguesa e que ganharam forma na emancipação e no desenvolvimento artístico, não só ao nível da música, mas também ao nível da pintura, escultura e literatura. O desenvolvimento destas vertentes, em complemento com ideias de ordem futurista, culminaram com a revolução de Outubro de 1910 e com tudo aquilo que esta permitiu conquistar. Alguns dos temas que acompanharam de perto os ideais desta revolução foram “Sonata para Violoncelo e para Piano”, de Luís Freitas Branco, “Almourol”, de Francisco Lacerda e “Dança da Menina Tonta”, de Frederico de Freitas. Estas melodias foram apenas alguns dos alicerces para uma nova forma de vida cultural, baseada nos princípios de liberdade conquistados pela revolução.

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A República e o divórcio... Daniela Marques e Renata Lobo, 1202

Dia 5 de Outubro de 1910: a luta de milhares de homens e mulheres pelos ideais da liberdade – igualdade – fraternidade culmina num dos mais importantes marcos da história portuguesa: a Implantação da República. Mais do que celebrar a alteração do regime político, devemos louvar a atitude do povo português, que se recusou a viver numa sociedade injusta, que apenas promovia o bem-estar de uns em detrimento dos outros. Nada nem ninguém podia garantir que esta mudança iria resolver os problemas do país, ainda assim, muitos portugueses, por desejarem uma vida melhor, ousaram tentar. Contudo, antes de mais avanços, recuemos um pouco no tempo, para nos concentrarmos num dos quadrantes dessa sociedade: a família e o casamento. O álbum de uma família clássica não requeria legendas muito específicas: pai, mãe e filhos de um mesmo casamento. O marido era o decisor supremo, o “chefe” de família, restando à esposa a submissão à autoridade marital. Uma vez casados, homens e mulheres encontravam-se “ligados” para toda a vida, já que o divórcio não era reconhecido na altura. A única possibilidade de dissolução do casamento era a desquitação (separação de corpos e bens, sem a quebra do vínculo matrimonial), processo moroso para ambas as partes: as mulheres perdiam a guarda dos filhos e eram fortemente estigmatizadas (não podiam frequentar a casa dos amigos nem eram convidadas para a casa das “boas famílias”); os homens, por não poderem casar novamente, acabavam por se entregar a uma vida de concubinato. Quinta-feira, 3 de Novembro de 1910: menos de um mês após o 5 de Outubro, entra em vigor a Lei do Divórcio, passando a ser dado “tratamento equivalente” à esposa e ao marido ao nível do casamento. A hierarquia, a obediência e o formalismo, que caracterizavam o casamento no passado, dão lugar à igualdade e ao respeito. O divórcio, tal como já foi referido, passa a ser aceite, no entanto, era necessária a existência de “causas legítimas”, das quais alguns exemplos são: adultério, injúrias graves, o abandono do domicílio conjugal por tempo não inferior a três anos e o vício inveterado do jogo de fortuna ou azar. Com a queda da República e, posteriormente, com a instauração do regime salazarista, a Lei do Divórcio sofre um duro golpe. Os ideais defendidos no Estado Novo (“Deus, Pátria e Família”) levam à sua proibição, em 1940, com a celebração da Concordata entre a Santa Fé e o Estado Português. O casamento tornou-se indissolúvel a partir de então, pelo que, todos os casados pela Igreja (a grande maioria) que se separavam, já não se podiam voltar a casar. Esta situação vigorou

até ao 25 de Abril, o que acabou por gerar inúmeras relações extra-matrimoniais não legalizadas e o aumentao do número de filhos ilegítimos. Em conclusão, podemos afirmar que, com a Implantação da República, se verificaram inúmeras alterações ao nível da sociedade portuguesa, sendo que todas elas foram importantes e, de certo modo, contribuíram para um Portugal melhor. O divórcio, por exemplo, pode ser considerado como uma grande vitória na luta pela igualdade de direitos entre o homem e a mulher. Na actualidade, a taxa de divórcios tem vindo a aumentar cada vez mais, o que se deve, em parte, à incapacidade de alguns casais lidarem com os problemas, partindo quase imediatamente para a dissolução do vínculo matrimonial. Por outro lado, continuam a existir, infelizmente, relações insustentáveis, baseadas no medo, desconfiança e falta de respeito pela dignidade humana.

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A nova moeda...

Filipa Gomes e Liliana Ribeiro,1202

Portugal foi, desde a sua origem, governado por reis. A essa forma de governo chamava-se Monarquia. No entanto, nos finais do século XIX, havia muitas pessoas que achavam que a Monarquia não era a melhor forma de liderar. Assim sendo, no final do século XIX, o nosso país estava a passar uma crise tanto a nível económico como social e político. O povo estava descontente com os preços dos produtos comerciais e, em geral, com as fracas condições de vida que se faziam sentir. A solução que se vislumbrou foi proclamar a República e pôr fim à Monarquia; considerava-se bastante mais vantajosa e justa uma acção governativa sob alçada de um presidente. Os símbolos da implementação da República foram uma nova bandeira, um novo hino e uma nova moeda. A bandeira Nacional substituiu a Bandeira da Monarquia Liberal e o nosso hino “A Portuguesa”, que usamos hoje em dia, substituiu também vários hinos daquela altura como o “Hino da Carta” e o hino “Hino Patriótico". Em relação à moeda, assistiu-se à extinção da moeda monárquica e ao consequente surgimento da nova moeda republicana, ou seja, deixou de se usar o Real, na altura considerada uma moeda "fraca", e passou-se a usar o Escudo, cuja designação provém da própria figuração nela representada: um escudo. Eram de ouro baixo, 18 quilates e valiam 50 marcos. Esta moeda esteve também para se chamar Luso . O real (no plural: reais, mais tarde popularizado como réis) foi a unidade de moeda de Portugal desde cerca de 1430 até 1910. Substituiu o dinheiro à taxa de 1 real = 840 dinheiros (unidade monetária antes do real) e foi substituído pelo escudo (como resultado da implantação da República em 1910) a uma taxa de 1000 réis = 1 escudo. No entanto, o termo "conto" sobreviveu à introdução do escudo, como sinónimo de 1000 escudos. Todavia, as primeiras notas de escudo só começaram a circular em 1914. Com a adesão de Portugal ao Euro, em 1999, consequência da entrada de Portugal na União Europeia, morreu a moeda portuguesa, como se tivéssemos regressado ao tempo dos romanos, quando uma única moeda circulava no vasto império.

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A nova bandeira... Juliana Oliveira,1202

Após a instauração da República, um decreto da Assembleia Nacional Constituinte aprovou a substituição da bandeira da Monarquia Constitucional pela Bandeira Nacional, tal como hoje a conhecemos. Bissectada verticalmente em duas cores principais, verde e vermelho, a Bandeira Nacional é dos elementos mais emblemáticos da nossa pátria. Sobreposto às duas cores, permanece o escudo das armas nacionais, que assenta sobre a esfera armilar Manuelina. A decisão das suas cores e dos elementos que a constituem não foi tranquila, originando polémica em torno das várias propostas anunciadas. No entanto, a sua explicação parece bem defendida por um relatório apresentado pela comissão ao Governo português. Na perspectiva da comissão, o branco caracteriza " uma bela cor fraternal, em que todas as outras cores se fundem, cor de singeleza, de harmonia e de paz " e sob ela " salpicada pelas quinas... se ferem as primeiras rijas batalhas pela lusa nacionalidade... Depois, a mesma cor branca avivada de entusiasmo pela cruz vermelha de Cristo, assinala o ciclo épico das nossas descobertas marítimas". Defendeu o vermelho, pois “ (…) É a cor da conquista, uma cor cantante, ardente, alegre... Lembra o sangue e incita à vitória.” Em relação ao verde, a comissão não conseguiu justificar claramente o seu envolvimento na bandeira, pois trata-se de uma cor sem tradição histórica. Porém, é do senso comum, a cor verde possuir um profundo significado de esperança. Também é comum a todas as mentes patriotas o orgulho neste Símbolo Nacional. Em resumo, a Bandeira Nacional é um aglomerado da história portuguesa com emoções e acontecimentos em tempos vividos. Não se trata apenas de símbolo nativo, mas de algo que nos distingue, é a nossa marca no globo.


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A casa portuguesa... André Pedrosa,1006

Há cem anos, a efeméride da Implantação da República era o assunto do dia na casa de qualquer português por esse país fora. Fosse ele o estereótipo do revolucionário republicano ou do tradicional monárquico, pouca diferença existia entre estas duas personagens sociais. Pelo menos assim era, no que dizia respeito ao seu quotidiano e diário modo de vida… Os seus ideais políticos são outra história. Ainda com características que lembram a sociedade feudal, a vida das camadas mais pobres, que trabalhavam para grandes proprietários, gozava de um sentido de monotonia capaz de fazer jus à expressão “trabalhar de sol a sol”. Face à quebra acentuada da mão-de-obra, com a abolição da escravatura, os patrões tiveram de arranjar maneira de compensar a produção, e essa maneira foi (evidentemente fiel ao espírito do bom português), sobreexplorar os seus subordinados. É certo que a estas famílias era facultado um pequeno salário, abrigo, alimentação, vestuário e tudo o mais, sem, contudo, haver qualquer preocupação com a formação/instrução de cada um – e daí, talvez, o nível de iliteracia da altura atingir uns assustadores 3/4 da população. Esta condição social era passada por testemunho aos seus filhos, “trabalhadores em expectativa”, já à sua nascença, sustentando um seio familiar de modesta educação; mas nem por isso com falta de sentido de contestação. Para um português da classe média a vida ante e pós republicana não era de facto mais do que um duro complexo existencial, uma casa onde existia o essencial, mas onde faltava o dispensável e o acessório, que tantas vezes acabavam por ser, por antítese, igualmente essenciais. No meio ostensivo, permanente residência da abundância e da eloquência exigida aos representantes desta categoria social, a situação é outra. Como, aliás, não poderia deixar de o ser: circunstâncias distintas exigem comportamentos distintos. E, neste caso em concreto, distinto será de facto a palavra. Aparte isto, será, de alguma forma, importante clarificar que em qualquer meio social a figura feminina e a sua condição não se mostram tão dissemelhantes assim (nas devidas proporções, claro está). Alguém diria que: “uma mulher já é bastante instruída quando lê correctamente as suas orações e sabe escrever a receita da goiabada. Mais do que isso seria um perigo para o lar”. Assim era, há cem anos, no rectângulo da Europa Ocidental.

Mas falávamos da família elitista. A alta society de inícios do século passado. O patriarca da casa pratica tiro ao alvo e dirige os negócios da família; a senhora desempenha o papel de boa anfitriã e mãe – um retrato familiar pintado de aristocracia e nobreza. Pintado de condição e privilégio. Com a República, passam a posar para este retrato os mais influentes do movimento. Portugal gosta de pinturas, gosta de arte. Os ricos deveriam ser praticantes activos da religião católica e assíduos filantropos. Fica bem na fotografia dar ajuda aos mais carenciados. O dia-a-dia de todas estas famílias não difere muito: às 7 horas, o grupo familiar junta-se para tomar o seu desjejum, onde beberica café com leite e trinca biscoitos – as crianças vão então para a escola, o homem da casa tratará de, como tão bem explicita a expressão popular, “ir à sua vida”; e a Srª Dona Fulana de Tal ficará em casa, rodeada pela criadagem e pela sua costureira, a folhear revistas de moda ou a instruir-se na arte de bordar. Às 10 horas, a família reúne-se uma vez mais, desta feita para almoçar, e a tarde é passada de modo semelhante ao decorrer da actividade matinal. Janta-se às 17 horas, e sucede-se a hora de serão, geralmente na companhia de parentes, e onde se dá azo aos dotes musicais e à poesia – poderá ser, de facto, a ocasião do dia em que a sensibilidade/saúde auditiva é testada ao nível mais extremo. Volvido este momento de descontracção, é hora de recolher na casa senhorial: com a excepção (in)discreta do homem da casa, mais uma vez vendo-se obrigado a cumprir o papel fundamental de “ir à sua vida”, uma “vida” que, note-se, não é mais que um conhecimento em pormenor da vida nocturna citadina. Inerente ao que se passa na casa de cada um, está inevitavelmente aquilo que cada um de nós é, e o papel que cada um de nós desempenha. Por isso, cada uma destas realidades coexiste com a outra – estamos a falar, portanto, duma identidade familiar, que quando equilibrada reflectirá de forma um tanto ou quanto transparente os seus constituintes. E repito: “Assim era, há cem anos, no rectângulo da Europa Ocidental”.

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12 Em diálogo... A Sancho Notícias, com a colaboração das alunas Beatriz Pereira e Francisca Santos, das turmas 1002 e 1007, ouviu a professora com mais tempo de atividade letiva na escola, a professora Conceição Rodrigues, de Educação Física, assim como um dos professores mais recentemente colocados, o professor Ricardo Pinto, de Eletrotecnia. O objetivo essencial desta conversa foi dar a conhecer perspetivas diferentes de sentir a escola, visões separadas por três décadas de distância.

“A escola tem uma dinâmica que não tinha no meu tempo de estudante.”

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eciona há menos de um ano. Como perspetiva a sua vida profissional? Não é o primeiro ano que dou aulas, no ano passado lecionei, nesta escola, os cursos noturnos. Esta é, no entanto, a primeira vez que trabalho com jovens, mas estou a gostar. O que o levou a enveredar pela profissão docente? Inicialmente, não pensava dar aulas. Licenciei-me em Engenharia Eletrónica e Informática e sempre me senti vocacionado para trabalhar na indústria, contudo proporcionouse lecionar e gosto. Tenho também uma ocupação paralela, trabalho no departamento de informática de uma empresa. Quais os principais obstáculos que tem sentido no desempenho da sua atividade profissional? A motivação dos alunos, ou melhor, a falta dela. Estes manifestam pouco entusiasmo pela escola e é difícil fazê-los entender a importância da conclusão do 12º ano. É jovem e, por isso, naturalmente mais próximo dos alunos. Isso facilita o processo ensino-aprendizagem? Creio que ajuda. Julgo que a proximidade das idades me permite compreendê-los melhor, mas a experiência também é muito importante. Os mais velhos conseguem impor mais respeito e disciplina. Aconselharia um aluno de 12º ano a enveredar por um curso do ramo do ensino? Eu gosto da indústria e acho que os meus alunos, que frequentam todos os cursos profissionais, também estarão mais vocacionados para esta área.

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O melhor e o pior da escola?… A escola tem uma dinâmica que não tinha no meu tempo de estudante. É muito positiva a interação que envolve toda a comunidade escolar. O pior da escola são as instalações. Mas o problema das más condições físicas está a ser resolvido com as obras em curso.

Sugestões … Um livro… A liderança segundo Jonh F. Kennedy, de Jonh A. Barnes Um filme… Braveheart Uma viagem… República Checa Uma boa forma de ocupar o tempo… Com a família e os amigos


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Em diálogo...

“... para se vencer no desporto é como para se vencer na vida, temos que trabalhar...”

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ecorridos 36 anos de serviço na escola, que balanço faz da sua vida profissional? Estou completamente satisfeita com a minha vida profissional. Acho que dei muito à escola e tenho mais para dar, sempre fui uma pessoa muito activa. Não me limitei apenas a dar aulas, mas trabalhei muito para a escola, passando a maior parte do dia cá. O ensino tem vindo a sofrer sucessivas reformas. Que leitura faz dessas mudanças? Se recuarmos no tempo, as reformas do ensino têm sido, na minha opinião, para pior. Os alunos de antigamente saíam da escola a saber. Nos dias de hoje, apoiam-se muito nas ajudas de memória. Trabalham para o imediato e não para o futuro, estudam, mas não entendem aquilo que estão a estudar, limitam-se a decorar o que, de certa forma, na altura lhes vai permitir alcançar os objectivos, mas não lhes vai criar competências para o futuro. Eu sinto isso com os meus alunos, pois quando vão pôr em prática as aprendizagens, não conseguem porque aprenderam no global, fora do contexto desajustado do que será a vida futura. Por isso, para mim, as reformas deveriam contribuir para que os alunos ganhassem mais competências para a vida e não o contrário. É coordenadora do desporto escolar há alguns anos. Considera que os jovens de hoje assumem uma atitude mais positiva em relação à prática desportiva? Não, porque os alunos, antigamente, iam para o desporto escolar quando não tinham aulas, aproveitavam mais as horas vagas para praticar desporto. Hoje, vão aos treinos, mas não com a motivação com que iam. Dantes, não tinham tantas actividades que os levassem a “fugir” do desporto. Hoje, os jogos de computador, a televisão e a vida social levam a que os jovens não pratiquem desporto, mas sim actividades que de saudável têm pouco. No desporto escolar, os alunos aderem bastante ao voleibol, mas a escola disponibiliza vários núcleos e não aparecem interessados. Para constituirmos núcleos de 15 alunos, que é o necessário para ter um professor, é preciso muita persistência. Muitos alunos acabam por ir para o ginásio, quando poderiam, efectivamente, praticar desporto a nível de escola. Vão para o ginásio, não pelo gosto de praticar atividade física, mas sim porque desejam tornar o seu corpo mais bonito.

Isto são coisas que eu tenho constatado ao longo do tempo. A D.Sancho tem conquistado lugares de reconhecido mérito em algumas modalidades. Qual tem sido o caminho para essas conquistas? Trabalho, trabalho e mais trabalho, para se vencer no desporto é como para se vencer na vida, temos que trabalhar muito para chegar a algum resultado. Com o voleibol e o atletismo, que foram as modalidades em que atingimos melhores resultados, os alunos não se limitavam aos dois treinos semanais, tinham três e quatro. Há professores na escola para trabalhar nisso, mas não temos a massa humana disponível. Quando os alunos querem, nós conseguimos que se autossuperem.

Que conselho(s) daria a um colega em início de carreira? Dir-lhe-ia para não se limitar apenas ao diploma, nós só conseguimos ser professores/educadores se fizermos uma licenciatura ao longo da vida, não nos podemos limitar a tirar o curso e a dar as aulas, temos que viver em permanente construção, em aprendizagem até ao final da vida. Portanto, um conselho que eu dou é que não se acomodem com o curso que tiraram, mas que se vão formando ao longo da vida. Só assim é possível atingir a plena realização profissional. O melhor e o pior da escola? O melhor da escola, na minha opinião, são as relações humanas entre alunos e professores. O pior é, sem dúvida, a falta de valores dos jovens, que leva à violência, ao egoísmo e ao desrespeito.

Sugestões … Um livro… A orquídea e o beija-flor - um dos últimos livros que li, sendo muito importante para orientar os alunos na adolescência. Outro livro... de que também gostei muito foi Vai Aonde Te Leva o Coração. Um filme… E tudo o vento levou. Uma viagem… Itália Uma boa forma de passar o tempo… Praticando desporto.

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As nossas histórias...

Hábitos de higiene e alimentação no século passado Diana Cavaleiro e Inês Gomes,1202

No século XX, as classes de rendimentos mais baixos, o povo e o recém-surgido operariado tinham por base da sua alimentação os frutos e legumes que, na maioria dos casos, eram de produção própria, dado que a agricultura, tanto para subsistência familiar como para comercialização, era uma actividade económica com muita extensão. Em relação às classes abastadas, a burguesia (que era a classe mais numerosa) e as famílias nobres e ricas incluíam na sua alimentação carne e peixe, para além dos frutos e vegetais presentes na alimentação das restantes classes. Neste século, ocorreu também uma evolução no que diz respeito à conservação dos alimentos: surgiram os primeiros frigoríficos e arcas congeladoras, desenvolveu-se a pasteurização e a secagem (surgiram os produtos em pó, de utilização instantânea), a conservação de alimentos em latas de alumínio e aço tornou-se bastante popular, principalmente aquando do aparecimento das aberturas fáceis e das bebidas em lata; denotou-se, também, uma grande evolução no âmbito da lavagem dos alimentos, que passou a ser valorizada e aplicada. De destacar o surgimento da organização dos alimentos em grupos de diferentes nutrientes nas primeiras pirâmides e rodas dos alimentos. Em relação a hábitos de higiene, convém sublinhar que, no final do século XIX e princípio do século XX, os mesmos sofreram uma grande revolução, pois, até então, a população menos abastada não tinha práticas de higiene regulares; havia uma maior proliferação de doenças infecciosas devido ao descuido dos profissionais de saúde em termos de proteção e prevenção, tanto em relação a eles próprios, como em relação aos seus pacientes. Assim, por esta altura, surgiram as primeiras práticas de esterilização nos hospitais e enfermarias, a par de uma maior comercialização de sabonetes, champôs, assistindo-se, também, ao surgimento das pastas dentífricas, sendo que estas se tornaram acessíveis à maior parte das pessoas. O aparecimento destes produtos, alguns deles ainda hoje conhecidos e apreciados como os sabonetes Ach Brito e a pasta medicinal Couto, proporcionou a aquisição de hábitos de higiene, nomeadamente, o banho e a escovagem diária dos dentes. Com o avançar dos anos, a população em geral desenvolveu os seus hábitos de higiene e tornou-os mais frequentes, contribuindo, assim, para a saúde dentro do seu núcleo familiar e a nível público.

Visita ao Douro Luisa Andrade profª. de Geografia e Mª João Lopes , profª. de Inglês

No passado dia 24 de Setembro, as turmas 1007 e 1108, acompanhadas das professoras Maria Luísa Andrade e Maria João Lopes, deslocaramse em visita de estudo ao Solar de Mateus em Vila Real. A visita a este solar setecentista, considerado o mais belo edifício do Barroco do país desenhado pelo arquitecto Nicolau Nasoni, revestiu-se de particular interesse pelas inúmeras curiosidades que professoras e alunos foram descobrindo no palácio, como que se de uma viagem no tempo se tratasse. Na parte de tarde, durante a viagem de camioneta em pleno Douro vinhateiro, os alunos apreciaram a inigualável beleza da paisagem e a premência da sustentabilidade na região. Na visita guiada à Quinta do Seixo, propriedade da Sandeman, os visitantes foram compreendendo a adaptação de técnicas e saberes específicos do cultivo da vinha em socalcos, aprenderam a distinguir métodos de cultivo, vinhos do Douro de vinhos do Porto, conhecendo simultaneamente todo o ciclo de produção do vinho nesta região demarcada. No percurso escolhido, puderam visualizar as marcas da adaptação de grandes casas em meio rural e que hoje estão vocacionadas para diferentes tipos de turismo, numa região desertificada, mas com inúmeras potencialidades nos domínios cultural e do lazer, bem como as marcas da influência Inglesa na região. Saliente-se o civismo e o clima de companheirismo demonstrado pelos participantes nesta visita. TEMOS FUTURO!

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Construindo histórias...

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Projetos europeus - A dimensão europeia da nossa escola Mª Antonieta Costa, Coordenadora de Projetos

Apostando na cooperação entre os sistemas de ensino e formação, a nossa escola continua empenhada em integrar projetos de qualidade que a mantenham permanentemente em contacto com outras comunidades educativas da Europa. Deste modo, os projectos Are We Masters or Slaves of Time?, Parents and Children Learning by Doing Together e Cultural Migration in Autobiography encontram-se na reta final, tendo levado as suas equipas a desenvolverem muitas e profícuas atividades, constantes dos respectivos programas de cada um dos projectos. Outro projeto entrou, entretanto, em curso, com a designação Strenghtening the Orientation From School to Job, o qual tem como objetivo melhorar as técnicas de ensino, no que respeita à formação profissional e à integração dos adultos no mercado de trabalho. Para uma ideia mais concreta do trabalho realizado, podem as comunidades escolar e local visitar o sítio da Coordenação de Projectos, alojado na página da escola, onde constam todas as atividades implementadas desde o seu início e respectivo público-alvo, além de outras informações.

A escola e a família - uma aposta a ganhar Mª Antonieta Costa, Coordenadora de Projetos

Dando seguimento ao compromisso assumido para com o projeto Parents and cildren – learning by doing together, os professores Artur Passos, Maria Antonieta Costa e Vanda Tavares estiveram presentes no encontro que se realizou na escola nº 194 Marin Sorescu, em Bucareste (Roménia). Da agenda de trabalhos constou a apresentação, por cada delegação, das atividades realizadas no âmbito deste projeto, que tem por principal missão reunir pais e filhos em torno das atividades escolares, sejam de carácter científico ou lúdico. Relativamente à escola D. Sancho I, o coordenador do projecto, Artur Passos, tem vindo a dinamizar o encontro da família na escola em atividades como a Comemoração do Dia Internacional dos Museus, realizada em Maio de 2010, em colaboração com o Museu da Indústria Têxtil, e através de outras iniciativas a nível de escola, como Plantar uma Árvore, em que os filhos têm sido chamados a participar na planificação e execução dos actos, juntamente com os respectivos progenitores. O grupo de trabalho deseja que estas iniciativas, que irão ocorrer até Junho de 2011, data em que o projecto chega ao fim, criem raízes e se mantenham, pois a escola pode e deve desempenhar um importante papel no fortalecimento dos laços familiares.

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Novo Projeto Comenius da Escola - Sustainability in Europe Isabel Costa, Coordenadora do Projeto

Sustainability in Europe é a temática do novo projeto Comenius Multilateral, a desenvolver no biénio 2011/13. Trata-se de uma parceria entre a nossa escola e as escolas Istituto Comprensivo di Preganziol de Itália, Burgardens Utbildningscentrum da Suécia, Sophie-Scholl-Berufskolleg da Alemanha, Kuressaare Ametikool da Estónia e Ali Akkanat Anadolu Lisesi da Turquia. O projeto procura estabelecer uma colaboração entre equipas de professores e estudantes dos países participantes, para a difusão de materiais de ensino e experiências educacionais sobre assuntos relacionados com o desenvolvimento sustentável a vários níveis: ecologia, saúde, desporto, estilos de vida, alimentação saudável, etc. Também contempla a visita de alunos às escolas parceiras, com o objectivo de promover o intercâmbio intercultural e a consciência de cidadania europeia. Entre os vários objectivos do projecto destacam-se: consciencializar os jovens para a adopção de um estilo de vida sustentável e promover a capacidade de comunicação linguística em Língua Inglesa. A visita preparatória realizou-se em Istambul, Turquia. As actividades centraram-se na planificação e preparação do projecto a ser submetido a posterior aprovação pela Agência Nacional. Do extenso programa de actividades e reuniões de trabalho constou a Comemoração do Dia do Professor, que se realizou no dia 24 de Novembro. Toda a comunidade escolar se mobilizou, num ambiente solene, principalmente enquanto esteve presente a bandeira nacional e se cantou o hino, para apresentar uma série de discursos, proferidos por alunos e dirigidos aos seus professores, não faltando também o tradicional discurso da directora. Neste dia, os professores estrangeiros presentes na escola também tiveram direito a uma menção honrosa, tendo sido condecorados com um pin de Atatürk, que foi um oficial do exército, estadista revolucionário e fundador da República da Turquia, assim como o seu primeiro presidente, sendo considerado um herói. Durante as sessões de trabalho, prepararam-se as principais etapas do projecto: objectivos, actividades a desenvolver, perfil de alunos a participar no projecto, produtos finais a apresentar, disseminação dos resultados, etc. De salientar a extrema hospitalidade e simpatia da escola anfitriã, que não se poupou a esforços para fazer sentir os seus hóspedes como se em casa estivessem.

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Construindo histórias...

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Comemoração do S. Martinho “No S. Martinho bebe o vinho e deixa a água para o moinho.” Uma vez mais, a D. Sancho vestiu as cores do Outono e lembrou o santo protetor dos mendigos, dos cavaleiros, dos soldados e dos produtores de vinho. Foi em ambiente de festa que, no dia 11 de novembro, toda a comunidade celebrou o S. Martinho, partilhando castanhas e alegria, e lembrando que a escola também é diversão, harmonia e comunhão de saberes e sabores. Por razões que se prendem com as obras de requalificação da escola e, consequentemente, com os condicionalismos de espaço, as atividades lúdicas que habitualmente se desenvolviam neste dia, foram, neste ano, suspensas, não impedindo, contudo, que se vivesse o encanto de um momento diferente.

Palestra sobre “Desenvolvimento Sustentável”

Luisa Andrade e Joaquim Sampaio, Profs. de Geografia, Mª João Lopes, Profª. de Inglês

Tendo em conta a pertinência desta temática que está na ordem do dia, os professores Maria Luísa Andrade, Maria João Lopes e Joaquim Sampaio promoveram, no passado dia 26 de Outubro, uma palestra na Biblioteca da nossa Escola. O orador convidado foi o Dr. Paulo Cunha, Professor Universitário e Vereador da Câmara Municipal de Famalicão, cujo currículo conta com vários estudos nesta matéria. No sentido de promover uma educação que respeite a sustentabilidade do planeta, através da sensibilização e responsabilização, o orador, após uma breve abordagem às formas e origens da degradação ambiental, alertou a audiência para a urgência de uma consciencialização proactiva, uma vez que cada indivíduo é uma pequena peça deste imenso puzzle que é o planeta Terra. De acordo com esta tomada de consciência, o Dr. Paulo Cunha enfatizou a importância do papel dos jovens, do poder público e das empresas, e insistiu na acção dos adultos, que não podem ficar de fora deste processo. Para que todos os factores se reajustem, as decisões emanadas dos governantes e dos agentes do poder político, nas suas múltiplas vertentes, devem ser objectivas, pertinentes e imediatas, sob pena de nunca completarmos o dito puzzle. A plateia encheu a biblioteca e mostrou o seu elevado interesse pelo assunto com as muitas questões colocadas ao orador.

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Histórias saudáveis...

Equipa de Educação para a Saúde

Lurdes Oliveira, Coordenadora da Equipa de Educação para a Saúde

Dia Mundial da Alimentação A Equipa de Educação para a Saúde, comemorou, no dia 15 de Outubro, o Dia Mundial de Alimentação com a concretização de diversas actividades para a comunidade escolar: - distribuição de um questionário a todos os alunos sobre os seus hábitos alimentares ao pequeno-almoço, dado que a Equipa tem sido confrontada com situações recorrentes de má disposição, dores de cabeça, desfalecimento..., em alunos que não tomam o pequeno-almoço; - distribuição, na cantina, de toalhetes para os tabuleiros enfatizando a mensagem de que “comer bem é sinónimo de viver melhor”; - embelezamento do átrio da Escola, com trabalhos alusivos a esta temática (cartazes, maquetes…) realizados pelas turmas 801 e 802 na disciplina de Área de Projecto; - conscientes de que uma alimentação saudável é um factor de extrema importância na protecção da Saúde e no Bem-estar Individual, a Equipa da Educação para a saúde procedeu à oferta de maçãs ao lanche da manhã e da tarde.

E…porquê a maçã? Visualmente muito atractiva e de sabor delicioso, quase ninguém resiste ao seu encanto. Eva e até mesmo a ingénua Branca de Neve não conseguiram evitar a tentação. Imagina se elas soubessem o bem que esta fruta do pecado faz ao organismo!… Saiba quais os benefícios desta fruta… • A maçã é excelente para o cérebro, porque contém ácido fosfórico; • Contribui para um sono tranquilo; • Regula o intestino e combate a diarreia; • Deixa a pele mais saudável e bonita; • Retarda o envelhecimento; • Depura o sangue, por conter ácido málico; • Favorece uma voz com melhor ressonância. • Morder e mastigar uma maçã ajuda a remover sujidades dos dentes, estimula as gengivas e aumenta a quantidade de saliva, evitando as cáries; • Reduz a possibilidade da pessoa ter cancro.

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Dia Mundial da Luta Contra a Sida Para assinalar o Dia Mundial da Luta Contra a Sida (1 de Dezembro) os alunos do 9º ano puseram a sua criatividade à prova e, utilizando diversos materiais, construíram laços alusivos a esta temática. Expostos no átrio da escola, estes laços, permitem que a comunidade escolar relembre a Sida como um problema que é de todos.


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Histórias saudáveis... Dia do Não Fumador Para assinalar o “Dia do Não Fumador” (17 de Novembro) a Equipa de Educação para a Saúde, mais uma vez, levou a cabo algumas actividades: - uma exposição de cartazes no átrio da escola e a passagem de diapositivos, em formato power point, durante todo o dia, no plasma do bar, com a finalidade de alertar para os malefícios do tabaco;

- alunos do 7º Ano de escolaridade percorreram todas as salas de aula apresentando uma pequena dramatização sobre esta temática; - como motivação/estímulo para abandonar o vício, outros alunos do 7º ano distribuíram na comunidade escolar “Os quinze passos para deixar de fumar”, sob a forma de cigarro; - durante a tarde decorreram duas formações no âmbito do Projecto PELT (Programa das Escolas Livres de Tabaco), uma para os assistentes operacionais e outra para os Directores de Turma que vão aplicar o programa “Querer é poder I” e “Querer é poder II” no 7º e 8º anos, respectivamente. As formadoras foram as enfermeiras Arminda Azevedo e Lurdes Marques da equipa da saúde escolar do Centro de Saúde de Vila Nova de Famalicão.

15 Passos para deixar de fumar 1. A motivação é o primeiro passo. Faça uma lista dos motivos que, para si, justificam a sua decisão de deixar de fumar. 2. Conheça melhor os seus hábitos tabágicos. 3. Fixe uma data para deixar de fumar. 4. Anuncie aos seus amigos e no local de trabalho que a partir dessa data não vai voltar a fumar. 5. Nas semanas anteriores ao dia escolhido para deixar de fumar, prepare-se para a mudança. 6. No dia por si escolhido para deixar de fumar… pare simplesmente de fumar! 7. A partir desse dia retire de perto de si todos os objectos relacionados com o hábito de fumar. 8. Nos momentos em que sentir uma forte vontade de fumar, respire profundamente. Aprenda a relaxar-se sem cigarros controlando a respiração. 9. Não pense que nunca mais vai voltar a fumar. Pense no dia de hoje e nas vantagens de não fumar. 10. Aumente o seu nível de actividade física diária. 11. Faça uma alimentação saudável. 12. Elimine ou reduza a ingestão de café e de bebidas alcoólicas. 13. Evite estar na proximidade de fumadores. 14. Tenha cuidado com os momentos “perigosos”- aqueles em que habitualmente fumava sempre um cigarro. Distraia-se com outras actividades ou mude alguns dos seus hábitos. 15. Guarde diariamente, num local visível, o dinheiro que teria gasto em tabaco. Gaste-o em algo que lhe dê prazer. Sem tabaco - Mais VIDA; mais SAÚDE, mais INDEPENDÊNCIA, mais VIGOR, mais ENERGIA, mais BEMESTAR, mais MOTIVAÇÃO, mais SUCESSO, mais RESISTÊNCIA, mais EQUILÍBRIO, mais PRAZER, mais DINHEIRO, mais LIBERDADE.

Primeiros-socorros em contexto escolar

Particularmente no espaço escolar, é comum a ocorrência de acidentes ou outras complicações resultantes do agravamento de doenças crónicas (ex. crise de hipoglicemia, epilepsia…). Neste sentido, a Equipa de Educação para a Saúde promoveu, no dia 13 de Outubro, uma Formação sobre "Primeiros-socorros em Contexto Escolar", desta vez dirigida ao pessoal não docente. A formação teve como formadoras as Enfermeiras Fátima Gomes e Sameiro Jorge da Equipa de Saúde Escolar do Centro de Saúde de Vila Nova de Famalicão. As formadoras transmitiram um conjunto de informações e procedimentos a seguir nas situações de emergência que são mais frequentes no espaço escolar, as quais se encontram disponíveis para consulta no Moodle, na discipina de Educação para a Saúde; foi também distribuído um documento, em suporte de papel, ao pessoal não docente. Partilharam-se experiências, esclareceram-se dúvidas e adquiriram-se técnicas básicas de primeiros socorros. Estas acções são uma mais-valia para aqueles que poderão ter no futuro de lidar com situações reais, num contexto escolar, e não só.

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Histórias com letras...

A língua portuguesa em evolução: os (des)acordos ortográficos A 16 de Maio de 2008, foi discutido e votado na Assembleia da República um protocolo modificativo ao Acordo Ortográfico. Neste momento, são quatro os países que ratificaram o acordo de 1990: Portugal, Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. A polémica a favor e contra este acordo tem sido significativa. Contudo, a questão dos acordos ortográficos de língua portuguesa não é recente, como demonstra a breve cronologia das reformas ortográficas que, a seguir, se apresenta. Nos séculos XV e XVI, à medida que Portugal criava o primeiro império colonial e comercial europeu, a língua portuguesa espalhou-se pelo mundo. Do século XVI até ao século XX, em Portugal e no Brasil, a escrita praticada era de cariz etimológico (procurava-se a raiz latina ou grega para escrever as palavras). Em 1907, a Academia Brasileira de Letras começa a simplificar a escrita nas suas publicações. Em 1910, com a Implantação da República em Portugal, foi nomeada uma Comissão para estabelecer uma ortografia simplificada e uniforme de modo a ser usada nas publicações oficiais e no ensino. Um ano depois, dá-se a primeira reforma ortográfica, mas que não foi extensiva ao Brasil. Em 1924, a Academia de Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras começaram a procurar uma grafia comum, porém, só em 1945 surge um acordo ortográfico que se tornou lei em Portugal, mas que no Brasil não foi ratificado pelo governo. Em 1971, foram promulgadas alterações no Brasil, reduzindo as divergências ortográficas em relação a Portugal. No nosso país, foram igualmente promulgadas alterações, mormente ao que à acentuação diz respeito. Em 1975, a Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras elaboraram um novo projeto de acordo que não foi aprovado oficialmente. Finalmente, em 1986, o presidente do Brasil promoveu, no Rio de Janeiro, um encontro dos sete países de língua portuNão tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Odeio com ódio verdadeiro a página mal escrita, a sintaxe errada, a ortografia sem ípsilon… (texto com supressões) Fernando Pessoa (a propósito da primeira reforma ortográfica de 1911)

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guesa (na altura Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe). Aí, foi apresentado o memorando sobre o acordo ortográfico da Língua Portuguesa. Assistiu-se a muitas críticas e observações de linguistas e de intelectuais, no geral e, em 1990, a Academia das Ciências de Lisboa convocou novo encontro, juntando uma nota explicativa do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Cada um dos estados envolvidos teria de apresentar os documentos de ratificação junto do governo português. Em 1996, esta condição verifica-se apenas em relação a Portugal, Brasil, e Cabo Verde. Dado o impasse que se verificava, em 2004, os ministros da educação da CPLP reuniram-se em Fortaleza, no Brasil, para propor a entrada em vigor do acordo ortográfico, mesmo sem a ratificação de todos os membros. As alterações previstas já começaram a entrar em vigor no Brasil em 2009, em período de transição, até à aplicação integral, no final de 2012; prevê-se que, em Portugal, tais alterações entrem oficialmente em vigor em 2011 e a sua aplicação integral ocorra até 2014.

Haverá facções contra e a favor, mas não é tanto importante como a língua se apresenta, mas o que diz, o que propõe.

José Saramago (a propósito do acordo ortográfico de 1990)


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Histórias com letras... Conto de Natal... Ana Rita Pinheiro Cruz, 701

O primeiro Natal Era dia 24 de dezembro, no palácio Rezingão, onde habitavam o Mestre Rezingão e todos os seus guardiões. Habitualmente, a corte não festejava o Natal. Aliás, a época natalícia era um assunto no qual não se devia tocar no dito palácio… Contudo, num ano indeterminado, enquanto tudo decorria normalmente, um sujeito bateu à porta do palácio. Era um senhor que andava a entregar folhetos acerca do Natal. Quando o Mestre Rezingão pegou no folheto e observou o seu conteúdo, começou, de imediato, aos berros e fechou a porta ao pobre homenzinho. Ouvindo tal alarido, os guardiões dirigiram-se à porta para perceber o que se estava a passar. Quando lá chegaram, avistaram o Mestre Rezingão gritando tremendamente e rasgando o folheto. O Mestre Rezingão explicou-lhes, muito furioso, o motivo da sua ira e mandou-os todos para o local de onde nunca deviam ter saído: a cozinha… E lá foram eles. Enquanto tratavam do serviço surgiu uma ideia ao guardião Bob. Pensou que o melhor era tentar falar com o Mestre Rezingão e fazê-lo ver quão importante era o Natal e o seu significado. Todos concordaram. Dirigiram-se ao escritório e pediram para conversar com o Mestre. Explicaram-lhe que o Natal era especial, uma

Plano Nacional de Leitura Equipa do PNL

festa de família e amigos onde se recorda o nascimento do Menino Jesus e onde as pessoas trocam prendas. E então, qual não foi o espanto dos guardiões? O Mestre não reagiu mal, até gostou da ideia que considerou ser ótima. Decidiu então criar uma espécie de gás que o levasse a todas as casas onde existissem crianças que tivessem medo dele. Após um trabalho árduo, assim foi! O gás foi criado pelos guardiões que trabalharam durante muito tempo e o Mestre estava prestes a ser lançado pelos ares… Eram 23 horas quando este se elevou pelo céu do reino e começou a deixar prendas em todas as chaminés das crianças que tinham receio dele. Em todos os presentes tinha sido colocado um cartão que referia o nome do Mestre. Após a entrega de todos os presentes, o Mestre dirigiu-se para sua casa com um sorriso nos lábios, atitude que os seus guardiões nunca lhe tinham visto. Mais espantados ficaram ainda quando este lhes deu um presente a cada. No dia seguinte, o Mestre acordou bem cedo com centenas de crianças à sua porta. Todas correram ao seu encontro e abraçaram-no, como nunca ninguém o tinha feito antes. Desde esse dia, o Mestre passou a ser um homem muito mais feliz e de Mestre Rezingão passou a Avô Natal.

Os premiados:

A Escola está inscrita no Plano Nacional de Leitura (PNL), 1º- Ana Rita Cruz, 701 tendo recebido uma verba para aquisição de livros destinados à leitura proposta no “Projecto Leitura em Acção”. 2º-Fernanda Mansilhas, 702 Do conjunto de actividades destinadas ao primeiro período, destaca-se o “Concurso Nacional de Leitura”, já divulgado nos espaços da escola, 3º- Gonçalo Bezerra, 701 no sítio da Web e em situação de sala de aula pela equipa dinamizadora. Com base na experiência bastante positiva do ano anterior, convidamos todos os alunos a exibir os seus talentos de leitor, inscrevendo-se no concurso até ao fim do 1º período, através do e-mail cnl.esds@gmail.com (nome, nº e turma). O concurso incidirá sobre a leitura das obras Para maiores de dezasseis, de Ana Saldanha e O rapaz do pijama às riscas, de Jonh Boyne (3º ciclo); O velho que lia romances de amor, de Luís Sepúlveda e O fim de Lizzie, de Ana Teresa Pereira (secundário). Os alunos poderão requisitar os livros na nossa biblioteca. O Inverno e o Natal são épocas convidativas à vida em espaços interiores e de recolhimento, criando ambientes favoráveis à leitura e ao encontro com o livro. Porque não aproveitar esta pausa natalícia para (re)ler e pensar no concurso?

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Histórias com letras...

Fernando Pessoa: Monárquico ou Republicano? Isabel Cunha, 1207

São muitos os que, ao longo das últimas décadas, se interrogam sobre o pensamento político de Fernando Pessoa. Muitos foram também os escritos que nos deixou sobre o assunto... Mas, à semelhança de outros textos seus, Pessoa não se dá totalmente a conhecer: as suas convicções surgem de forma incoerente e fragmentada. É necessário referir a importância dada por Fernando Pessoa ao sebastianismo na história do povo português e o papel do ocultismo no desenvolvimento do pensamento político do poeta. Numa carta a Adolfo Casais Monteiro, define-se como um “nacionalista místico, um sebastianista racional”. Na sua Nota Biográfica, assinada pelo próprio a 30 de Março de 1933, podemos ler: “Ideologia Política: Considera que o sistema monárquico seria o mais próprio para uma nação organicamente imperial como é Portugal. Considera, ao mesmo tempo, a Monarquia completamente inviável em Portugal. Por isso, a haver um plebiscito entre regimes, votaria, embora com pena, pela República. Conservador do estilo inglês, isto é, liberdade dentro do conservantismo, e absolutamente anti-reaccionário.” Já no livro Da República (1910-1935), Fernando Pessoa evidencia o seu mal-estar com o regime republicano, no qual pusera a esperança de regenerar Portugal, afirmando que “o país estaria preparado para a anarquia, para a República é que não estava”. O autor não se poupa em insultos contra o regime e chega mesmo a insultar os chefes políticos da época: “Vem o Senhor Afonso da Costa... aquilo é que é uma

besta!”. Expõe também a sua opinião sobre a bandeira nacional: “E o regime está, na verdade, expresso naquele ignóbil trapo que, imposto por uma reduzidíssima minoria de esfarrapados mentais, nos serve de bandeira nacional - trapo contrário à heráldica e à estética, porque duas cores se justapõem sem intervenção de um metal e porque é a mais feia coisa que se pode inventar em cor. Está ali contudo a alma do republicanismo português - o encarnado do sangue que derramaram e fizeram derramar, o verde da erva de que, por direito natural, devem alimentar-se.” Termina dizendo que, “este regime é uma conspurcação espiritual. A Monarquia, ainda que má, (…) é alguma coisa em comparação com o nada absoluto que a República veio (a) ser”. Essencialmente, o poeta preocupava-se com a decadência do país, e punha os interesses da nação acima dos interesses da Monarquia e da República. Fernando Pessoa foi, na verdade, um pensador dum Portugal mais culto e mais ousado na construção do futuro.

Duas Meninas Vestidas de Azul, Mary Higgins Clark

Este livro retrata um rapto, muito bem planeado, de duas gémeas, Kathy e Kelly, e a forte ligação afetiva entre

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elas. O rapto acontece no dia do seu terceiro aniversário. O raptor autointitulase Flautista e pede à família um resgate de oito milhões de dólares. No momento combinado para a entrega das meninas, apenas uma regressa ao seio familiar, já que Angie, a mulher que cuidou delas durante o período de aprisionamento, tem problemas psicológicos e não quer largar Kathy, que se encontra doente. Começa aí a evidenciar-se a forte ligação entre as gémeas que, mesmo à distância, conseguem comunicar. Este livro é também um exemplo de solidariedade, o país pára para ouvir

esta hitória e mobiliza-se para ajudar a recuperar as crianças. Duas Meninas Vestidas de Azul, para além de ser um interessante romance policial, é também uma história de emoções e afetos. Beatriz Oliveira, 1002


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Histórias noutras línguas... Dia do Inglês e “Thanksgiving”

Ana Azevedo, Coordenadora do Grupo Disciplinar de Inglês

No passado dia 25 de Novembro, Dia de Ação de Graças, Thanksgiving, o Grupo de Línguas Estrangeiras comemorou, também, o “Dia do Inglês”. A decoração alusiva ao Dia de Ação de Graças esteve a cargo da Turma 1216 do Curso Profissional de Eventos e as mensagens que decoraram as árvores no átrio foram de várias turmas do Ensino Básico e Secundário, bem como dos Cursos Profissionais e Notunos. Durante todo o dia, assistiu-se, no bar da escola, à confeção dos tradicionais scones , por alunos de diferentes turmas. Também se pôde saborear o típico bolo inglês e muffins, entre outros doces e bolos, acompanhados do tão British chá. Foi um dia animado, sendo de realçar o envolvimento e colaboração dos alunos nas diversas actividades, promovendo-se, assim, a interação entre toda a comunidade escolar.

Scones

Para 14 a 16 pessoas Ingredientes: 500 g de farinha 1 colher de chá de sal 1 colher de sopa de fermento em pó (bem cheia) 5 colheres de sopa de açúcar 40 g margarina Vaqueiro 1 chávena de leite 1 ovo (grande) Preparação: Ligue o forno e regule-o para os 200°C. Numa tigela misture a farinha com o sal, o fermento e o açúcar. Derreta a margarina no micro-ondas, ou sobre o lume, com o leite. Abra uma cavidade no meio da farinha e deite aí a margarina derretida com o leite e o ovo. Mexa rapidamente com uma colher de pau até os ingredientes estarem ligados. Deite a massa em montinhos, com a ajuda de uma colher sobre um tabuleiro de forno polvilhado com farinha e coza durante 10 a 15 minutos no forno.

Technologies are isolating us from the world Raquel Pastor and Sara Sousa, 902

We partly agree with the statement “Technologies are isolating us from the world”. We’ve got that opinion because on the one hand, with new technologies people have fewer physical meetings, they prefer to chat online and for example, when they need to say something to somebody, they text him/ her or send an email. But on the other hand, technologies allow people to meet new persons and cultures from all over the globe. For instance, my friend Laura met an Australian guy in a chatroom. They’ve never given their personal information (address, date of birth) but after talking with him for some weeks, she knows everything about Australia and her friend, Mark knows loads of things about Portugal, too. However, the excessive use of electronics can hamper teen’s social skills, specially their capacity to communicate and it may close you in a sort of bubble and while you’re using your favourite device, you ignore everybody around you. Besides, new technologies take the information to the entire world in a very fast way. A good example of it was the 11th September, when the planes hit the Twin Towers, the Internet, mobile phones and the TV spread the information in minutes. We still have the same opinion; new devices connect the world and are an essential part of our lives, but we’ve got to be moderated and do other things like reading and being with real friends. The new technologies only isolate us from the world if we want.

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Histórias noutras línguas...

Monarchy or Republic Tiago Costa, 801

In a democratic republic, we can vote to choose our government, which means that we, the citizens, can choose who is going to command our destiny; we can fight for our rights when something isn’t right, we have freedom and we can always ask for new elections. If we were in a Monarchy we’d never have that power. If the King/Queen wanted to do something he/she’d do and we couldn´t do anything but wait until he/she died. We could always kill him/her but that would be a bit difficult and has several risks. Another problem is that monarchs only think about themselves, if there’s anything with value, they’ll get it all or will get, at least, a part of it. The King/Queen has to rule the country from the moment they are crowned up to the moment they die - that’s a bad thing unless you’re the King/Queen or someone in his/her family. We also know that if the King/Queen dies the next King/ Queen will be his son/daughter, unless there’s a rebellion and the republic is established. In both case scenarios, I prefer the republic because it is not only better for the people but also more peaceful. Long live the Republic!

The Bra

Raquel Pastor, 902

Nowadays, women can’t imagine going to work without a bra. But does the majority of society know who the creator of this invention was? It all started when a young New Yorker, Mary Jacobs, revolted against the corset, which not only squeezed but also showed underneath the evening gowns. With the help of her maid, Mary made a kind of brassiere with two cloths, a pink ribbon and a cord, which was intended to accommodate the breast, allowing it to mould, decrease it, hide it or display it. After making a few copies for her friends, she decided to commercialize the invention and sold it to Warner Bros. In thirty years, the company earned 15 million dollars. For thousands of years women were looking for a raw material that challenged the low of gravity and that sustained the breasts. In 2000 B.C., in the Island of Crete, women wore strips of cloth to model them. Later, the Greek began to wrap them, so they wouldn’t swing. The Roman adopted another device to reduce them. In the Renaissance, came the corset that was used to fit the feminine silhouette in the aesthetic standards imposed by aristocracy. Sometimes, women were so squeezed that some of them fainted. The bra came to liberate women from that dictatorship. This garment has become an ally of beauty, comfort and seduction and is, undoubtedly, one of the most feminine objects used.

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My summer holidays Daniela Nogueira, 802

My best summer holidays ever were in Ibiza! I, my parents and my sister stayed in a hotel next to the beach… the view from our balcony was great. We could see the sunset and the sea…The food in our hotel wasn’t very different from the Portuguese one. I loved it anyway! The weather was always great. I and my family were the first ones to arrive at the beach in the morning! I and my dad played volleyball, tennis… after that, we had lunch in a restaurant close to the beach… After lunch we always drove somewhere to visit other beaches. There are beautiful beaches in Ibiza and they’re all very different from one another… in one of them, there was a man selling coconuts! At the end of the day, we always went for long walks. Ibiza has so many discos! There was a carnival and it was so much fun! So, my favourite holidays until today were in Ibiza!


Histórias noutras línguas...

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Environment ... Daniel Pereira, 1109

A few weeks ago I had a wake-up call with the visualization of the movie “An Inconvenient Truth”. I was faced with this truth and I was shocked with the pace at which we are destroying the planet. An environmental crisis is near and if we don’t take measures soon, we are going to be faced with the consequences of it real soon. We can observe this dramatic climate change if we compare records of the global temperature or the amount of ice in the north and south poles from nowadays to records from a century ago and we’ll notice a huge difference, all caused by the selfishness and the carelessness of humans. Yes, we are selfish because we always think about our interests, we want to live comfortably during our stay on Earth but we don’t think that by driving our car everywhere or spending a lot of water, we are reducing the longevity of our lives and our quality of life at the same time. Although we’ve been hurting the planet for a long time, there’s still a light at the end of the tunnel that we must follow if we want to live well and save the planet. There are little things we can change in our daily life that, if done by all the people around us, will help save the planet or at least make a difference, send out a message to other people so they can do the same. Here are some pieces of advice to reduce your consumptions and pollute less: use public transports, close the tap while brushing your teeth, keep your fridge and freezer closed as much as possible, unplug devices on stand-by mode, use compact fluorescent light bulbs, recycle your trash and last but not least tell your friends about this problem so they can help change the planet too! Don’t forget, little actions help saving the planet!

Navidad en Espanã Ana Claúdia, profª. de Espanhol

La Navidad se celebra a lo largo y ancho del mundo. En casi todas las casas hay un árbol de Navidad, una decoración navideña, una comida, algo que recuerda que estamos en plenas fiestas navideñas. Los niños escriben su carta a Papá Noel y/o los Reyes Magos para pedir sus regalos, y todo el mundo empieza a hablar de sentimientos de amor, fraternidad, solidaridad, etc. Pero, aunque con ingredientes comunes, cada país tiene sus tradiciones. La Navidad empieza en España con el Sorteo tradicional de lotería de Navidad del 22 de diciembre. Dos días después, la noche del 24 de diciembre, Nochebuena, se cena en familia. Lo más habitual es que se cocine cordero o pavo relleno y de postre haya una bandeja encima de la mesa repleta de todo tipo de turrones, mazapanes, polvorones. Y si Nochebuena y el Día de Navidad son momentos muy familiares, Nochevieja y año Nuevo se suele pasar con los amigos. El 31 de diciembre a las 00:00 horas se comen 12 uvas al compás de las 12 campanas del reloj de la Puerta del Sol. Se dice que si consigues comerte todas las uvas a tiempo y sin atragantarte, tendrás suerte los doce meses del año nuevo. La Navidad española llega a su fin con la llegada de los Reyes Magos. La noche del 5 de enero todos los niños con sus padres asisten a las Cabalgatas de Reyes que se celebran en todos los pueblos y ciudades mientras llega la tan esperada y mágica noche. Ya el Día de Reyes, el 6 de enero, una vez que se han abierto los regalos, se saborea el tradicional Roscón de Reyes. Texto adaptado de: www.guiainfantil.com

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Histórias do desporto...

A Evolução Táctico/Competitiva do F.C.Porto Actual Francisco Carvalho, prof. Ed. Física

A análise de jogo e caracterização de uma equipa num jogo de futebol tem como base duas fases distintas que caracterizam o jogo: o ter ou não ter a posse de bola. A qualidade de uma equipa observa-se pela forma como, na sua organização defensiva, consegue consolidar ordem, organização, segurança, equilíbrio e agressividade e, na sua organização ofensiva, consegue implementar criatividade/imprevisibilidade, risco, velocidade e profundidade. É, sem dúvida, na organização colectiva e na apreensão, compreensão e assimilação dos princípios do jogo, nas fases defensiva e ofensiva, que assentam os pilares da evolução táctico/estratégica registada pelo F.C.Porto actual. Partindo da estrutura táctica da época anterior de 4:3:3, o Porto actual opta, na sua organização ofensiva, em 1ª fase de construção, por sair a jogar em largura a partir de trás, com o apoio, inicialmente, do seu trinco (Fernando/Guarin) e, posteriormente, de um 2º médio, dependendo do corredor do terreno de jogo (Belushi/J.Moutinho). Esta saída é feita de forma lenta e elaborada, permitindo que todos os seus jogadores, particularmente os seus avançados, garantam largura e profundidade. Os médios interiores tentam receber a bola em zonas interiores, em espaços entre-linhas, para, a partir da sua recepção, jogarem preferencialmente em 2ª estação (saltando a linha de passe mais próxima), de forma a tirarem a bola da pressão defensiva do adversário, afastando as suas linhas defensivas e criando, desta forma, corredores de circulação de bola em largura e profundidade. A partir daqui, o ritmo cresce significativamente. Se a bola chega a Hulk ou Varela, estes conseguem fazer avançar a bola, conseguindo criar combinações simples através de desequilíbrios a partir de situações de 1x1. Paralelamente, a mobilidade táctica com trocas posicionais realizadas em velocidade (Hulk vem dentro privilegiando as acções com o seu melhor pé e Belushi ou o lateral asseguram largura em sobreposição; Varela vem dentro, absorvendo o espaço interior, assegurando A.Pereira que é rapidíssimo a projectar-se ofensivamente, em largura e profundidade). Se o corredor central estiver fechado, então o jogo é canalizado para um dos corredores laterais e, jogando no espaço negativo (para trás), voltam a uma 1ª fase de construção através dos centrais, assegurando amplitude na posse e circulação da bola. A grande referência e, na minha opinião, o jogador mais importante no processo ofensivo é Falcão, avançado muito móvel que vem atrás, iludindo ou fugindo às marcações, para depois aparecer em zonas frontais à baliza, atacando com eficácia as

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3 zonas de finalização. Tem qualidade técnica, objectividade e competência na finalização. Os extremos Hulk e Varela são muito fortes no 1x1 e perigosíssimos a criarem desequilíbrios nos espaços interiores entre os laterais e os centrais adversários. Os médios interiores (Belushi/J.Moutinho/R.Micael) são jogadores com uma capacidade técnico/táctica fabulosa, gerem a posse e circulação de bola, o ritmo de jogo, com elevadas capacidades para entrarem em 2ª vaga de ataque e poderosos na meia distância. O médio defensivo/trinco (Fernando/Guarin) desempenha funções de equilíbrio permitindo à equipa envolver 6 jogadores no processo ofensivo, sem correr grandes riscos na transição defensiva. Na fase ofensiva, é responsável, numa 1ª fase de construção, por fazer circular a bola em largura, de preferência em 2ª estação. Quanto aos laterais, Sapunaru realiza muito menos envolvimentos ofensivos que A.Pereira, que tenta receber sempre a bola em espaços ofensivos. Os centrais Rolando e Maicon são rápidos, o que lhes permite jogar numa linha mais subida, proporcionando um maior encurtamento entre os sectores, facilitando, desta forma, em 15/20 metros a projecção ofensiva da equipa. Quanto à organização defensiva, a equipa como perde a bola normalmente no último terço do campo, procura baixar o seu bloco para os 60 metros do campo, local onde começa a realizar pressão. Essa pressão tornase muito intensa sempre que a bola entra no seu meio-campo defensivo. Hulk raramente participa, não se desgastando desta forma, ficando como referência de saída para a transição ofensiva. O mesmo se passa com Falcão, que ajuda numa 1ª fase, tentando contrariar a entrada da bola no trinco adversário, procurando depois uma zona entre-linhas para ser referência para o 1º passe em transição ofensiva; Varela baixa, antecipando a projecção ofensiva do lateral adversário, fechando um espaço na largura; o médio interior do lado contrário da bola baixa para a linha da seu trinco, passando a dividir o espaço à largura, permitindo sempre coberturas interiores no espaço entre lateral e central, mantendo sempre uma pressão agressiva sobre o portador da bola e um apoio permanente ao jogador que estiver em defesa directa (1x1 defensivo), tentando criar uma superioridade numérica relativa, nas zonas de disputa da bola, evitando uma basculação exagerada para o centro do jogo. Estes são, na minha opinião, os aspectos fundamentais da evolução do seu sistema de jogo e que têm sido determinantes, numa 1ª fase, pela potenciação das características individuais dos seus jogadores, e, numa 2ª fase, pela elevação da cultura táctica (aspectos cognitivos) em que assentam os princípios de jogo colectivos.


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Histórias do desporto... Desporto Escolar - Voleibol António César, prof. Ed. Física

De momento, a treinar à segunda-feira, às 18.30, e à quarta-feira, às 17.00, estão já a trabalhar as equipas que no ano lectivo passado representaram, com grande sucesso, a nossa escola nos campeonatos de Voleibol do Desporto Escolar em Iniciados e Juvenis Femininos. De facto, na temporada 2009/10, ambas as equipas passaram à segunda fase dos respectivos torneios, mostrando que o Voleibol da D. Sancho continua fiel aos seus pergaminhos. Enquanto se aguarda o recomeço dos campeonatos do Desporto Escolar 2010/11, continuamos a aceitar novas atletas com vontade de aprender a jogar Voleibol e pertencer à equipa de uma Escola com grandes tradições na modalidade. Aceitas o desafio?

Histórias da Associação de Pais e E. Educação... Novos corpos gerentes da Associação de Pais e E. Educação Francisco Azevedo, Presidente da Direção

Recentemente eleita, a Associação de Pais da Escola D. Sancho I pretende, à semelhança dos mandatos anteriores, estabelecer uma interacção contínua com toda a comunidade escolar, através de um processo de envolvimento entre todos. O processo de aprendizagem dos nossos filhos e educandos será tanto mais eficaz quanto maior for a nossa intervenção neste processo, acompanhando-os momento a momento. Todos os pais e encarregados de educação têm o direito e o dever de participar no processo educativo do seu educando, quer seja de forma singular, enquanto encarregado de educação, quer seja colectiva enquanto participante activo da associação de pais. É, neste sentido, que enquanto presidente desta associação apelo a que todos sejam parte activa neste processo de crescimento. Pretendemos que esta associação seja reconhecida pelo seu empenho e não apenas consentida porque a lei assim o exige, queremos ser parte activa e colaborante, não entrando no espaço que é exclusivo dos professores, mas ser uma componente interventiva na vida diária da escola. Em meu nome pessoal e de toda a Associação, desejo a toda a comunidade escolar um Natal Feliz e um ano novo próspero.

Elementos que compõem a Associação de Pais para o biénio 2010/2012 Assembleia Geral

Presidente - Amelia Granja. Vogais - Maria Antonieta Simões, Ana Paula Paulino, Elisabete Fonseca, Laura Ribeiro, Ana Costa, Maria Manuela Silva, Ana Paula Ferreira,António Nogueira.

Direcção

Presidente – Francisco Azevedo. Vogais - Teresa Barroso, Rui Carvalho, Cristina Fonseca, Cacilda Correia, Maria Araújo, António Silva, Maria Costa, Teresa Costa

Conselho Fiscal

Presidente – António Jorge. Vogais - Claudia Mendonça, Paula Costa, Jorge Leite, Ana Costa, Eduardo Paiva, Maria Ferreira.

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Construíndo o futuro...

A “nova” escola... A nossa escola iniciou, no mês de outubro, obras de requalificação, que se prolongarão por dezoito meses. O custo total da obra é de treze milhões de euros. Ao edifício central, que manterá a traça original, sofrendo apenas melhoramentos no interior, somar-se-ão mais dois blocos construídos de raiz. Prevê-se que o primeiro esteja concluído no mês de junho de 2011. No bloco central, a intervenção será faseada e iniciar-se-á apenas quando os outros dois estiverem concluídos, pelo que não será necessário o recurso a contentores, nem interferirá com o regular funcionamento das atividades letivas. A entrada principal será deslocada para uma zona lateral, a fim de assegurar o acesso ao corredor que liga os blocos. A biblioteca, enquanto espaço cultural, promotor de estudo e investigação, adquirirá um lugar de destaque, ocupando a centralidade do bloco principal. Neste momento, apenas a ocupação dos campos interiores, destinados à prática da Educação Física, se apresenta como um constrangimento ao normal funcionamento da escola. A fim de garantir todas as condições de segurança, toda a área intervencionada foi devidamente protegida e proibido qualquer tipo de contacto com a zona e os funcionários da empresa responsável pela obra. A nova escola permitirá que se desenvolva uma orgânica de funcionamento mais eficiente, uma vez que terá o número de salas suficiente para garantir que as aulas possam decorrer apenas no turno da manhã, ficando o da tarde reservado às atividades de complemento curricular e extracurricular. Será também possível abrir os espaços à comunidade, cumprindo um dos objetivos primordiais da escola – a proximidade ao meio em que se integra. A “nova” D. Sancho trará, com certeza, um espaço físico renovado, mais acolhedor e que responderá satisfatoriamente às necessidades daqueles que aqui estudam e trabalham.

D. Sancho a melhor escola do ensino básico do concelho No passado dia 15 de outubro, foram divulgados os rankings das escolas face aos resultados obtidos nas provas de exame realizadas em junho de 2010. Em relação ao ensino básico, a Escola Secundária D. Sancho I, num universo 1302 escolas a nível nacional, posicionou-se no 74.º lugar. Das 14 escolas do concelho, obteve o melhor resultado (3.52). Se considerarmos o distrito, a nossa escola, num total de 96, posiciona-se em 4.º lugar, a par da Escola EB 2,3 de Lamaçães (Braga). Quanto ao ensino secundário, tendo em conta os oito exames com mais alunos inscritos (Português; Matemática A; Biologia e Geologia; Física e Química A; Geografia A; História A; MACS; Economia A), num universo de 488 escolas a nível nacional, a Escola Secundária D. Sancho I conseguiu a posição número 128, com uma média global de 10,9 valores. Das 27 escolas secundárias públicas existentes no distrito de Braga, a nossa posicionou-se em 7.º lugar. Considerando apenas o concelho de Vila Nova de Famalicão, a posição foi a segunda. O sucesso de uma escola é, obviamente, determinado pela conjugação de diversos factores: meio socioeconómico, área geográfica, condições pedagógicas e didácticas, empenho dos alunos, dos professores, da família. Será, pois, importante que cada elemento da comunidade escolar assuma efectivamente o seu papel com responsabilidade e dedicação para que, à saída da escola, os alunos tenham desenvolvido as competências desejadas a nível de educação, formação e preparação para a vida.

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Construíndo o futuro... Aprendizagem sustentável Ricardo Barroso, prof. de Biologia

A eficiência energética, a gestão sustentável dos recursos naturais, o recurso a fontes de energia amigas do ambiente, o ordenamento do território, a protecção dos solos, o desenvolvimento sustentável são conceitos que entraram, e bem, no nosso quotidiano. Já está, portanto, na altura de entrarem no processo de aprendizagem. Uma das metodologias de ensino mais em voga nas escolas dos nossos dias é o trabalho de pesquisa, podendo este ser divulgado e apresentado ao professor sob a forma de diapositivos ou em documento impresso. Neste caso, na maioria das vezes, é impresso na biblioteca da nossa escola e é neste momento que o aluno é surpreendido com uma despesa imprevisível, pois, aquando da realização do trabalho, não foram consideradas formas de minimizar os custos de impressão. Além do valor em dinheiro, acresce à despesa o consumo das folhas, que será tanto maior quanto a ideia dos alunos de que a nota do trabalho será proporcional ao número de páginas que este apresenta. Para não falar da área ocupada por folha, fotografias ou imagens. Um trabalho deste tipo, por aluno ou por grupo de alunos, põe em causa o nosso contributo para uma aprendizagem sustentável. A impressão de um trabalho não traz mais-valias para a avaliação, salvo raras excepções, como no caso das Provas de Aptidão Profissional (PAP’s) e das disciplinas artísticas. Façamos um pequeno “suponhamos”: numa turma de vinte e quatro alunos, um trabalho de pesquisa individual, numa qualquer disciplina, irá acarretar sempre um consumo superior a 4 folhas por aluno (se contarmos com capa, índice, introdução e bibliografia apenas). Arredondemos para um mínimo de 6 folhas/impressões. No total da turma, serão 144 folhas consumidas neste trabalho, 72, se os alunos optarem (quase nunca o fazem) por impressões frente e verso. Se multiplicarmos esse número pelo número mínimo de trabalhos que serão pedidos por ano à disciplina (à volta de 3, um por período), e este pelo número médio de disciplinas por ano de escolaridade (à volta de 8), isso dá uma total de 3456 folhas por turma, quase 7 resmas de folhas por ano. Um desperdício insuportável para os dias de hoje. Uma revolução, uma verdadeira mudança paradigmática, paira nas escolas quanto à forma como estes trabalhos são apresentados e enviados aos professores para avaliação. No entanto, esta mudança, enquanto não se tornar norma, não conseguirá travar o desperdício. A consciencialização da importância do trabalho de pesquisa na construção cognitiva do aluno deve ser acompanhada pelo reconhecimento de que

29 esta aprendizagem deve ser sustentável. Desta forma, estaremos a contribuir para a redução da nossa pegada ecológica. Esta opção já não é novidade para muitos professores. Blogs e contas de correio electrónico pessoais são a prática mais utilizada, mas necessariamente dispersa e isolada no contexto escolar. Os professores dispõem de uma plataforma, na escola, que lhes permite uma gestão mais organizada e centrada desta comunicação – o Moodle. Obviamente, as potencialidades desta plataforma vão muito para além da simples troca de documentação, assunto que não cabe neste artigo. Para iniciar a utilização desta ferramenta, os professores da nossa escola poderão contar com o apoio da Equipa PTE (Plano Tecnológico da Educação), que este ano abriu uma Oficina PTE, a funcionar na sala 108, aberta todo o ano, às quartas-feiras, das catorze horas e trinta minutos às dezassete. Os professores Pedro Santos e Ricardo Barroso estarão disponíveis para uma iniciação suave, mas eficaz, ajudando, assim, os docentes a caminhar no sentido de uma aprendizagem sustentável. Desta forma, disponibilizaremos aos alunos os conteúdos programáticos e proporcionar-lhes-emos o desenvolvimento de competências TIC, valorizando uma aprendizagem ecologicamente viável, minimizando o consumo de recursos, o que os preparará para a vida profissional futura fora da escola. Apareçam na sala 108!

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Histórias com números... Uma aula de Matemática diferente... Turma 801

Turma 802

A aula experimental com o sensor de voltagem CBL foi uma aula de Matemática diferente e mostrou-nos que esta disciplina se aplica a imensas situações da vida real. Na realização da experiência, medimos a voltagem de várias pilhas e comparámos os valores. Concluímos então que o estudo se aplicava à matéria sobre funções e proporcionalidade directa. A turma achou a experiência muito interessante e mostrou-se participativa e empenhada na realização da actividade. Foi uma experiência bastante positiva!

O trabalho experimental que fizemos na aula de Matemática foi interessante, pois assim pudemos confirmar a voltagem das pilhas e exercitámos os conteúdos que estávamos a dar: funções, proporcionalidade direta. Nesta experiência, bastava pegarmos nas “seringas”, uma do pólo positivo e outra do pólo negativo, encostá-las à pilha, para conseguirmos ver registado na calculadora, através do CBL, a voltagem que a pilha tinha. Depois, a professora Daniela foi acrescentando mais pilhas e repetimos o processo, até chegámos a medir a voltagem de 5 pilhas. Para terminar, vimos o gráfico desta função, a relação entre a voltagem registada nos diferentes conjuntos de pilhas e determinámos a constante de proporcionalidade.

A evolução da Matemática na escola Jorge Azevedo, Coordenador do Grupo Disciplinar de Matemática

Ao longo dos tempos, temos vindo a constatar o quão mal amada tem sido a Matemática. Contudo, as evidências mostram que a sua importância no dia-a-dia das pessoas não é incógnita, não só como disciplina de aplicação às ciências, mas também como disciplina que pode ser parceira de muitas outras disciplinas terapêuticas e recentemente desenvolvidas e investigadas, como é o caso da musicoterapia. Por isso, para o bem do nosso interior, há um conjunto de razões para invertermos esta tendência negativa. No ensino, para que a Matemática se torne interdisciplinar, o seu currículo tem evoluído periodicamente ao longo do tempo. Com o alargamento do ensino obrigatório, é óbvio que as novas didácticas e as pedagogias ligadas ao ensino e às aprendizagens de sucesso determinaram a necessidade de formação contínua por parte dos docentes, quanto mais não seja em prol dos alunos que, cada vez mais, precisam de ser ajudados a crescer. Aspectos determinantes foram igualmente o aparecimento das novas tecnologias e dos tratados de Bolonha, face aos quais a disciplina de Matemática não pode ficar alheia, caso contrário, somente um ínfimo subgrupo irá usufruir das suas potencialidades e perceber a importância da racionalidade dos denominadores comuns ou não comuns. Sentimentalmente, recordamos a Matemática desde tenra idade e, independentemente da percentagem de apreço que por ela tenhamos, admitimos que dos seus valores, relações e leis podemos modelar e fortalecer as relações de futuro. Pena é que, por vezes, da teimosia ou da ignorância, o risonho circular se transforma num exponencial pesadelo. Resta a esperança matemática de que quando “Deus quer, o homem sonha e a obra nasce”. A figura mostra uma fita de Möbius: espaço topológico obtido pela colagem das duas extremidades de uma fita, após efectuar meia volta numa delas. Deve o seu nome a August Ferdinand Möbius, que a estudou em 1858. Como propriedade, se num ponto da fita iniciarmos um caminho paralelo às margens, chegaremos ao ponto inicial com a particularidade de termos efectuado a curva passeando pelas duas faces da fita.



Revista Sancho Notícias nº 19