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Mês Maio nº 23

Uma história profunda sobre o sofrimento e a prisão dos sentimentos

Uma história sobre o carinho e o amor por alguém

A forma de amor que sustenta o ser

Uma crítica sobre a segurança nos bares de Ponta Delgada


Índice e destaques

Índice Editorial………………………….……...3

As Nossas Sugestões………….…..4

Pequenas Histórias Em forma de coração…………...14  Sangue derramado...............16 Que mais me parecem lágrimas minhas…………………………………….21  Silêncio………………………………..23 Lirismos

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Destaques Histórias Narrativas  Sangue derramado – uma história sobre as mágoas difíceis de curar  Que mais me parecem lágrimas minhas – as lágrimas que escondem as dores

Histórias Poéticas  Bom dia meu amor – Um poema sobre a alegria do amor

Críticas e Maldizeres  Segurança em Ponta Delgada – Uma crítica à segurança bares de Ponta Delgada

Bom dia meu amor.....………….27

Críticas e Maldizeres

Ficha Técnica:

 Segurança em Ponta Delgada…………………………….……28

Mês de Maio 2012 n.º23 via internet – ebook Editora: Marta Sousa Revisora: Patrícia Lopes Redacção: Marta Sousa, Pedro Menezes, Tiago Sobral, Diogo Cabral Grafismo: Paula Salgado (logótipo), Marta Sousa imagens de “Em forma de Coração” e “Que mais me parecem lágrimas minhas” foram enviadas por Pedro Menezes Interdita a reprodução para fins lucrativos ou comerciais dos textos e interdita a outros que não o autor e a reprodução sem a indicação do respectivo nome do autor.

Regras para Trabalhos Enviados………………………………….30

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Editorial

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Mais um mês com uma revista muito criativa! Este mês temos a rúbrica As Nossas Sugestões cheiinha de livros em língua portuguesa. Agradecemos a parceria com a Editora Universus e Isabel Fontes. Neste mês reflecte-se os males e bens do coração, com os seus amores e desamores, vale a pena ler. Na rúbrica Pequenas Histórias temos “Em Forma de Coração” uma história sobre a alegria da aventura de amar, para demonstrar a outra face do amor temos “Sangue Derramado”, “Que mais me parecem lágrimas minhas” e “Silêncio” sobre mágoas, desgostos e sobre uma fuga aos sentimentos. Nos Lirismos temos “Bom Dia Meu Amor” que nos convida à alegria do amor. Por fim, temos a crítica que nos alerta sobre a segurança nos bares de Ponta Delgada. Agradecemos o apoio e divulgação dos nossos participantes e leitores e aguardamos as vossas opiniões no Facebook e no nosso blog. Podem também enviar as vossas opiniões e participações para asnossahistorias@hotmail.com. Marta Sousa

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As Nossas Sugestões Escutando o Murmúrio da Brisa De Eulália Simões

Sinopse: "...E algumas vezes, embrenhado no meu isolamento, deixo-me possuir pela fascinação do murmúrio da brisa, procuro entender os mistérios da plenipotência da natureza, em todas as suas manifestações e experimento um estado de alma em que a minha percepção das coisas se me afigura muito clarividente, como um sonho fantástico. Sonhar

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5 acordado é descobrir fenómenos que passam despercebidos aos outros que só sonham a dormir..." Autor: Eulália Simões nasceu na aldeia do Marquinho, freguesia e concelho de Ansião, distrito de Leiria, mas reside há muitos anos em Lisboa. "Escutando o Murmúrio da Brisa" é o terceiro livro da autora. Conforme afirma no seu primeiro livro "Mercadoria em Trânsito", editado em Outubro de 1995: "Escrever, tal como falar, rir, respirar, etc., é um acto de estarmos vivos. É sobretudo a prova de que estamos atentos aos acontecimentos do meio onde nos achamos inseridos, cujas impressões nos motivam a fazê-lo. Com mais ou menos interesse, as palavras escritas, melhor que as verbais, ficam a perdurar por algum tempo no silêncio do papel. Muito embora também sujeitas ao efémero, inevitavelmente. Eulália Simões "

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Principio de um Vazio De Gilberto Russa Sinopse “Princípio de um Vazio é o tema abordado nesta obra pelo Gilberto Russa, pedindo inspiração à Musa do Silêncio, só que aqui começa a dualidade de conceitos de Vazio e Silêncio. Na Musa do Silêncio vai tentar encontrar um espaço/tempo para o repouso e tranquilidade espiritual e mental nesse local tão especial que é LEÇA DA PALMEIRA; dum lado o Rio Leça a inspirar paz e tranquilidade, por outro o Mar a transmitir muita energia e vitalidade. Assim vai evocando poetas, pensadores e outros que nesse espaço o inquietaram. É nesta inquietação que o Autor se questiona ou busca a solução das muitas preocupações que o afligem, na saúde, política, nos problemas sociais, culturais...do passado, do presente e do futuro.

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7 Mas a energia que esse local transmite é tal que as inquietações e ideias vêm em tal quantidade que o levam a continuar a sua busca de soluções e respostas, deixando também para os leitores a possibilidade de as encontrar. O Princípio de um Vazio para o Autor é mesmo um princípio do princípio do princípio de um vazio porque o vazio é estar em tranquilidade, paz e serenidade para com todos os problemas que afligem o Homem e o Autor. Ora o Autor nesse Princípio de um Vazio não se encontra quanto mais o silêncio que gostaria que a Musa do Silêncio lhe transmiti-se É nesta inquietude e intranquilidade espiritual e mental que a Musa do Silêncio continuará a inspirar o Autor para o Princípio de um Vazio” Jorge Manuel Magalhães Autor: Nasci em Matosinhos 24 de Junho de 1959 CV em Reflexos… sou pintor escritor e poeta. Assim se descreve a minha simples vida Só. Só pelas palavras e pelo caminho de Deus na escrita universal.

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8 No livro da Atlântida, descreve-se o meu caminho. No livro da tempestade descreve-se a liberdade. No pequeno guerreiro descreve-se afirmação humana. No clube dos violinistas mortos descreve-se a alma do violino. Na miserável vida…Droga Assassina e Oculta descreve-se o sentimento da alma para além da vida. Na verdade suprema…descreve-se a raiz da vida. No beijo da morte descreve-se…o amor e o ódio. Na maldição de titãs El Greco o político descreve-se a podridão política e o mundo de pandora. No livro dos miseráveis espíritos que criam os filhos do dinheiro…descreve-se o poder e a miséria do dinheiro. Na poesia os livros Hinos da liberdade, e o amor de poeta. Descrevese poesia de sentimentos.

Por fim Só: Na arte das palavras cromáticas, sinto que sou um vagabundo do tempo, e assim se descreve uma nova forma de escrita na paleta cromática do meu silêncio.

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O Silêncio das Almas De Hugo Girão e Isabel Fontes “Até parece que foi hoje. Levantou-se, fez as malas... E sempre em silêncio, apenas saiu…” “Nove anos de uma vida em comum e acordei com a sensação de que, à parte de termos compartido os lençóis da mesma cama e algumas horas de alguns dias das nossas vidas, não partilhámos absolutamente mais nada...” Esconder, silenciar, abdicar do ser próprio para nos moldarmos ao ser amado... O medo de ferir, abrir diálogos passados para não por em causa um futuro incerto, quase sempre com os dias contados... O espelho do quarto, o nosso melhor confidente; o corpo que se arrasta sem forças para mais... o silêncio... Há sempre um dia em que a alma diz “BASTA” ,como um grito fechado numa gaveta empoeirada pelo peso do tempo; há sempre um dia em que acordamos fartos de viver o que ainda não existe e

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10 queremos fugir do que já vivemos, fugir de nós, fugir de tudo e de todos... “ O Silêncio das Almas” fala desses dias em que o mundo caí sobre as nossas costas sem que o possamos mais suster; esse mundo onde o silêncio e o amanhã são almas gémeas que acabam por sacrificar tudo o que ficou para trás, tudo o que foi bom, tudo o que deixou de ser, hoje, aqui e agora. “O Silêncio das Almas” é uma história contada a duas vozes, uma história sobre os desencontros que caminham na mesma direcção à procura da mesma coisa, de maneira diferente... em silêncio. Os Autores

Autores

Hugo Girão Sexo: Masculino Ocupação: ESCRITOR Local: ZAMORA, CASTILLA Y LEON, Espanha Introdução: Tento ser hoje melhor que ontem e amanhã tentarei ser melhor que hoje... Interesses: Tudo o que seja feito com alma... Filmes Favoritos: Há tantos... Música Favorita: Toda a que é feita com alma... Livros Favoritos: O Principezinho... até hoje!

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11 Isabel Fontes Isabel Fontes está sempre envolvida em projectos culturais, quer como autora, quer como organizadora. Considerada uma Mulher dinâmica, pela forma como se entrega a todos os projectos, tomando a seu cargo toda a organização, coordenação e dinamização dos mesmos. Detesta a monotonia e está sempre a pensar em novos Projectos e novas Ideias para Dinamizar a Cultura Portuguesa. Tem por hábito dizer "quem corre por gosto, não cansa", adora tudo o que faz e tem pena de o dia ter só 24 horas! O seu mote na vida é “Mudar a mentalidades!”. À CONVERSA COM... Organiza e Coordena o Projecto`"À conversa com...", onde já estiveram presentes personalidades de diferentes áreas e bem conhecidas do público geral, desde José Fanha, Pedro Paixão, Daniel Sampaio, Carlos Pinto Coelho, Paulo de Carvalho, Valter Hugo Mãe, Nilton, Nuno Nodin, Joaquim Evónio, Filipe Papança, Pedro Pinto, Mário Correia, Professor José Moura, Clara Pinto Correia, Carlos Castro, entre outros. Um Projecto que teve o seu início em Janeiro de 2010 e se ainda continua o seu percurso. HAPPY HOUR Criou o Projecto “Happy Hour” onde levou figuras públicas a fazer o lugar dos funcionários no atendimento e poetas e alguns aurores a lerem pelas salas do Palácio Galveias-Biblioteca Municipal de Lisboa, que festejava os seus 75 anos juntamente com a Biblioteca Hermeteca, culminando com o “À conversa com...” Ruy de Carvalho. Que foi um enorme sucesso! Editora Universus Fundada em Julho de 2011. Um acaso que se tornou realidade, mentes que pensam e agem da mesma forma e assim formando uma única família. Foi criada com o intuito para a edilção e promoção de novos

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12 autores que não têm oportunidade de ver as suas obras publicadas, tendo-as nas suas gavetas. As obras podem abranger diversas temáticas: poesia, romance, conto, ensaio, infantil, infanto-juvenil, arte, auto-ajuda, viagens, entre outros géneros. Todos os trabalhos apresentados estão sujeitos à nossa linha Editorial e a uma reunião para apreciação da obra e qualidade da mesma. O que pode esperar da Editora Universus é Profissionalismo, Qualidade, Dedicação. MODULUS Arte: Múltiplos cujos princípios e o fins nos são totalmente desconhecidos. Forma de actuação na sociedade actual: Isolada como que diversos navios à deriva num colossal oceano. Impacto: Débil pelo motivo acima descrito Longetividade: Curtíssimo prazo Papel de enriquecimento cultural: quase nulo A nossa locomotiva Modulus tem tudo o que é necessário, pois assenta num modelo de gestão eficaz: a globalização: tanto faz ser o músico X, como o pintor Y, o encenador Z ou o fotografo AB, pois a abordagem será a mesma sempre: -Qualidade do trabalho -Impacto na sociedade -Divulgação -Promoção Com a nossa visão, temos automaticamente como que uma máquina de selos de qualidade, de promoção artística e acima de tudo uma máquina de selos de qualidade culturais, independentemente de termos em mente algo monetariamente extremamente arrojado, o facto de podermos vir a ser a única “casa” de prensagem de vinyl em solo Português, Ibérico e do Mediterrâneo.

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13 Seguido do modelo de distribuição, teremos efectivamente que ter, um papel fundamental de apoio a todos os artistas que se interessem pelo nosso modelo de gestão, ou pela nossa visão. Unir esforços pequenos. Sermos independentes de forma grandiosa. Publicações em Co-Autoria: Em 2004 edita em co-autoria com a Poetisa Malubarni o livro de Poesia e Prosa “Pensamentos de um Diário”; também em coautoria com Hugo Girão publica o Romance “O Silêncio das Almas” pela Fronteira do Caos Editora; em 2008 faz a Organização e Coordenação juntamente com a autora Susana Custódio uma Obra Póstuma de Manuel de Lima "O Rebelde" através da Edium Editores; em 2009 publica em co-.autoria com o Poeta Zé Albano "Poesia Erótica"pela Temas Originais, onde recebe uma crítica no Diário de Notícia muito positiva chegando a verificar comparações das suas palavras e co-autor com as da saudosa Natália Correia. Publicações Colectivas: A convite do projecto Abralli entra na Antologia Internacional “Terra Lusíada” em 2004; Continuando a convite pelo Projecto Abralli participa em 2006 em duas Antologias Internacionais “ Cantos do Mundo” e Margens do Atlântico; em 2008 Idealiza, Coordena e Organiza a Antologia com o nome "Antologia do Amor" que com o apoio da U.L.L.A. foi editada pela Tecto das Nuvens. Participação em Concursos: Através da AG Edições entra no concurso na categoria de Contos, ficando em 3º lugar entre os cerca de 7500 participantes, de 5 países resultando daí uma Antologia chamada “Agreste Utopia” em 2005; A convite da Editora Komedi entra na Antologia com o nome de "VII Nau Literária" em 2005; Através da Editora Arte Literária entra no concurso “Contos para Viagem” em 2007, sendo uma das vencedores, entrando na Antologia com o mesmo nome do concurso"Contos para viagem".

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Pequenas Histórias

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Em forma de coração 06h28m da madrugada de um indeterminado futuro Domingo quente. Ele conduz o seu carro descapotável numa estrada deserta, que rompe pela floresta dentro. O céu desvenda tonalidades avermelhadas e laranjas, próprias do nascer do Sol.

Ele olha pelo canto do olho e vê o rosto de uma mulher linda com os seus longos cabelos ao vento. Ela esboça um sorriso ao olhar para aquele céu maravilhoso, como se o visse pela primeira vez. O que não estava muito longe da verdade. Ela sentia, dentro de si, que pela primeira vez, via realmente as coisas. As sentia no seu coração. Esse estado de felicidade que já muitos poetas tinham tentado retratar nas suas palavras.

Agora ela desvia o olhar para ele, vendo-lhe uma pequena lágrima no canto do olho. Não são precisas palavras porque, às vezes, são simplesmente supérfluas. Ela sabe que aquele é o momento por que esperaram, é exactamente ali que devem estar. Com o seu dedo indicador, ela apanha a lágrima dele e devolve-lhe um grande sorriso.

Em forma de Coração

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15 Um grande sorriso por ambos, vivendo os seus sonhos. Ela coloca os seus óculos de Sol, levanta os braços e solta uma sincera gargalhada. Procura a mão direita dele, que está livre do volante e entrelaça os dedos nos dele.

Tudo o que ela agora queria ver era uma nuvem no céu, em forma de coração. O céu com uma nuvem em forma de coração.

Hoje o dia é nosso, o Sol já nasceu, vamos deixá-lo brilhar...

Pedro Daniel Afonso Menezes

Em forma de Coração

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Sangue derramado

Partindo a madrugada e enfrentando a manhã, sofro por mais um desgosto. Deixaste a nossa morada, abandonaste o meu paraíso sofredor, mas deixaste um rasto ténue da tua presença. O teu ar ficou comigo. O teu coração queria regressar atrás, mas decidiste por nós. Foste uma recordação que agora guardo. O teu cheiro marcava o ar que eu respirava. O meu corpo embebia na tua vontade destrutiva de me amar, mas fugiste para não sentir o meu cheiro no teu corpo. Eu era o teu porto seguro, mas fechaste a porta da nossa estrada com uma intensidade brutalista. Depois dela, não sabia o que podia acontecer, apesar de sentir que não passaste muito além da porta. Atirei-me contra a porta, contra o pouco que podia dar, para suplicar o teu regresso. Do teu lado para o meu, senti o cair do mundo, evacuando para o meu lado as tuas lágrimas perdidas e invasoras do meu sofrimento. Estas mesmas lágrimas impediam a minha felicidade. Destruíam todos os meus passos, balançavam os meus pesadelos e rasgavam a minha pele. Uma pele invadida pelo reflexo invasivo na minha perpétua e derrotada vida. Uma vida que balançou com a tua partida, porque decidiste deixar de me amar, quando os teus olhos sorriem a cada Que mais me parecem lágrimas minhas

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17 vez que me vêem. Agora sei que o destino foi cruel connosco. Agora sei que quero respirar a tua presença. Mas também sei que tudo não passará de ilusões da minha amargurada tristeza. Uma tristeza abalada e sentida, comprometedora e ferida. Quando esse nosso amor chegou ao “fim”, não pude deixar de resguardar os teus últimos segredos. Embalei no meu corpo os teus desejos. O nosso amor tornou-se um capítulo que jamais terá um fim premeditado. Ambos sabemos que teremos um lugar ferido nas trevas. O sol agora esconde-se. Termina mais um dia de verdadeiras lutas contra o tempo. Luto para que não fujas, como queres, porque dependo de um breve sorriso para que o meu corpo fique abalado, para que a tua presença em mim seja mais forte e para que te possa amar, como te amo verdadeiramente. Passeando pelo mar, desde a madrugada cristalina, a noite devolve-me a tua presença. Por onde ando, a areia encontra-se marcada pelo teu rasto violento, pela tua marca constante e pela tua surpreendente forma de me abandonares. Abriste-me o caminho para não me perder, mas, cansado de o percorrer, percebeste que o meu esforço para te alcançar era insuficiente. Mas nessa mesma noite, na minha escuridão, deixaste um suave relâmpago do teu amor ferido.

Que mais me parecem lágrimas minhas

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18 Parei no tempo! Relembrei todas as vezes que demos sorrisos perdidos, mas sinceros e verdadeiros. Lembrei-me de todas as vezes que caímos juntos, mas, neste instante, emergiam em mim todas as memórias de como nos levantámos juntos. De todos os pedaços de gelo que ultrapassámos. Mas, ainda hoje, não me sai da cabeça o dia em que me deixaste. Vi nos teus olhos o sentimento com que partiste. Eu entrei num luto temeroso. Queria ter-te, mas o meu sangue derramou com a tua partida. O meu oásis secou. Os peixes no mar morreram, quando os nossos mundos se afastaram. Capacitei-me naquele momento de que, quando fechasses a porta, eu iria cair num fogo ardente, onde ardia de uma forma vagabunda e sem fuga possível. Após tantas tentativas do vento em me transportar até ti, o meu corpo fragilizou. A minha alma ficou doente e o meu sorriso caiu numa ravina esquivada pela vida. Simplesmente caí em mais uma desilusão perigosa. Em mais uma dor profunda. Levavas uma mala enorme. Vestimenta misturada com recordações. Levavas todas as confusões, mas deixavas atrás a tua vida. Deixaste-me atrás para sofrer a tua partida. Queimaste o meu corpo. A minha doença tornou-se incurável. Amo-te tanto. Amo-te tanto! És a minha fonte de sobrevivência.

Que mais me parecem lágrimas minhas

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19 Queria tanto devolver-te a alma, mas precisava da tua presença. Queria tanto sentir o abrir da porta e mergulhar pelos teus medos. Mas isto era um atentado à minha paixão, porque jamais sabia viver sem ti. O tempo começava a esgotar-se. A minha capacidade de amar aumentava a cada instante do teu desaparecimento. Queria respirar o mundo, mas afogava-me com as palavras que me agrediam. Começava novamente a amanhecer. Passei mais uma noite em claro, recordando a forma como me deixaste. Recordando as lágrimas que tinhas no canto dos teus olhos, quando forçaste um sorriso para te despedires de mim. Senti que o mundo era tão insensato e as pessoas cada vez mais frias, aparentemente. Mas, como querias trancar esta fechadura de vez, eu também queria enterrar o passado, através de um momento sangrento e incalculável. Rasguei a minha pele e dei uma paz definitiva ao meu golpeado coração. Usei o teu nome para abrir o meu frágil ser. Tirei-o para fora do meu corpo, para poder dar-lhe uma paz tanto ansiada. Que injustiça fiz eu!

Que mais me parecem lágrimas minhas

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20 Coloquei-o no centro da areia. Escrevi uma palavra carinhosa à sua volta. Eu passava a viver sem motor, objectivando no meu futuro um destino baseado nas nossas palavras. Naquele instante, naveguei num coma, quando me apercebi de que estavas atrás de mim, vendo-me maltratar aquele pobre ser, enterrando-o na areia, mergulhado no meu sangue vermelho, quando querias abrir a porta da nossa realidade. Mas o meu sangue, efectivamente, derramou para assinalar o teu nome e a tua promessa vaiada pelo sabor do tempo, mas o que mais queria era arrepender-me da verdade mais pura que foi traída.

Diogo Cabral

Que mais me parecem lágrimas minhas

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Que mais me parecem lágrimas minhas Pensava que seria mais fácil. Julgava que bastaria deixar de pensar em ti, tirar-te da minha vida. Como quem apaga um amigo virtual do facebook. Um clique e pronto, já está. No princípio, foi a sensação de liberdade de ti. A calma da ausência dos teus mares agitados, sempre tempestuosos. Aprendi a esperar e a viver com o mar calmo e plano como um espelho. Dediquei-me a outras coisas, aprendi a olhar o céu, para não olhar o teu mar, que me lembrava de ti e onde me senti à deriva. Mas a sensação está cá. O sentimento de que me observas constantemente. E o céu torna-se assombrado, o teu fantasma reside nele, vejo a tua forma nas nuvens. Lembro-me dos dias nublados em que te ia ver, em que me fazia à estrada para ti. Atravessei mil tempestades para ir ter contigo. Porque será que, agora que o Amor se foi (?), surge o teu fantasma em mim? Quererei eu salvar-te (e de quê)? Tirar-te daquilo que considero ser o teu cativeiro? E para quê? Para que desertasses de mim, logo de seguida? Dar-te-ia tudo aquilo que pensaste que me deste a mim?

Que mais me parecem lágrimas minhas

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22 Estou tão perto de ti e mesmo assim, tudo o que tenho são estas gotas de água que caem do céu, que mais me parecem lágrimas minhas. Que estranha és tu, que estás nas minhas lágrimas e na chuva que cai. Que essas gotas de água corram para bem longe, para que nunca as vejas.

Pedro Daniel Afonso Menezes

Que mais me parecem lágrimas minhas

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Silêncio

No meio das palavras gastas, jamais podia ouvir os melros a cantar pela manhã. Estavam pelo nascer do dia. Eles saiam dos seus ninhos, aventuravam-se pelo mundo, procuravam comida, porém alimentavam-se de felicidade, mas o seu destino era sempre voar. Era levar as cartas da vida numa só direcção. Eles sabiam como começavam o dia, mas à noite, o silêncio podia ser algo fatal e tão perturbante. Eles nunca sabiam se a palha do seu aconchego seria a mesma, se seria queimada pelo despertar dos sentimentos dos homens ou se seria a outra cama dos outros pássaros que queriam ver a Luz do dia, o raiar da tarde ou o chover da noite. Os pássaros nunca sabiam como seria o seu fim. Eles cantavam tantas músicas. Elas entravam pelos nossos ouvidos e saiam pelas nossas bocas. E assim nunca ficávamos no silêncio. Entretanto, o inverno chegou. Os viajantes dos ares calaramse. Ou estavam tristes ou o tempo não permitia a sua viagem. Mas entre esta a estação perigosa e, sobretudo, fria, fico sem saber como se alimentavam aquelas coisas que davam vida ao céu. Talvez morriam! Coitados! Davam vida ao céu e alguém decide tirá-los de lá. O relógio para eles não parava. Tudo era inventado. Eles iam buscar a sua comida, aventuravam-se com as respostas invertidas da Que mais me parecem lágrimas minhas

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24 vida, corriam o mundo, choravam no seu silêncio, mas davam respostas com o seu cantar. Quando estavam calados, não sei se dormiam ou se decidiam ficar sem falar e comunicar através do seu olhar. Mesmo sabendo que estavam cantando, sei que há sempre alguém que os quer calar. Os pássaros são felizes a cantar. Os homens apenas são meras espingardas que tentam eliminar a luz do seu inferno. Não vá o destino virar o feitiço contra o feiticeiro. Um dia… um daqueles dias tão queimados pela tristeza sonhei com um pássaro. Era azul pelas costas e acastanhado no seu peito. O seu bico era extremamente pontiagudo. Era o viajante perfeito. O jeito dele abandonar o céu era fascinante. Fazia um rodopio triunfante. Era um autêntico malabarista. Corria riscos, mas nunca se magoava. Quem me dera ser como ele. Sonhei que ele estava a preparar-se para uma aterragem, porém nem levantado voo tinha. Vi que levava uma mensagem. Ele transportava uma folha dobrada em pedaços, estava tão cansado, mas pelo que percebi ele não desistiu. Sonhei ainda que estava na lua e que havia aquele pássaro na janela da lua à espera que eu acordasse. Entretanto acordei com um estrondo violento, mas voltei a abraçar a almofada que acolhia o meu sono imperfeito. Voltei a sentir um toque magoado na janela do meu quarto. Passado pouco tempo, os toques

Que mais me parecem lágrimas minhas

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25 insistiram e magoavam a janela, mas era como se fosse em mim aquela picadela insistente. Esqueci o sabor do momento e, zangado, fui ver o que se passava. Nem no meu cómodo sofrimento podia estar. Abri a janela e ela partiu-se nas minhas mãos. Instantaneamente, parei ao ver um rebelde melro. Era aquele que tinha sonhado. Ele cantou perante mim e deixou-me um bilhete. Queria rasgá-lo, mas não o fiz. Abri e aparecia, apenas, frases ocas: “O meu pior defeito: existir”. Não liguei a este bilhete triste. Coloquei-o no chão. O meu quarto estava impaciente a tanta angústia. A janela tinha-se partido com o bater do animal e eu não pretendia arranjá-la. Eu era um mendigo dentro daquele espaço e de mim mesmo. A casa caía e eu deixava. Não havia forças para mais. Nos dias seguintes recebi mais 2 bilhetes. Dessa vez foram deixados dentro da casa sem janela. Um deles dizia: “A minha maior desilusão: eu” e o outro vinha a acrescentar: “A minha derrota: ter-te deixado”. Era completamente um jogo de palavras estragadas. O campeonato ia no fim, mas, sinceramente, a dor ia no inicio. O amor ainda nem tinha começado e a derrota já estava assumida. O meu olhar não te conseguiu alcançar, mesmo vendo estas palavras. Perguntava-me até quando ia durar esta dor. Mas eu voltava atrás e

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26 fazia tudo de novo contigo: dava-te o meu ombro, desfazia-me dos meus olhos, gritava pelo teu silêncio e pedia o teu regresso. Mas isso, cada vez mais, eram verdades no passado e feridas no presente. Eu era capaz de atormentar o meu corpo, para ser sacrificado por ti. Ficar no silêncio para dar-te a minha voz. Preferia não ter de comer e beber para colocar na tua boca. Dava-te tudo para que me pudesses amar. Mais valia terminar isto tudo. Fechar a janela da vida. Matarme e fazer com que a minha dor morra. Mas tudo fazia prever que ia receber uma nova mensagem. E recebi mesmo. Dizia: “O meu maior ferimento: a tua morte”. Guardei todos aqueles recados vindos do céu. Eu sei que me maltratei com a voz, mas a minha tortura era silenciada. O teu silêncio fazia-me mal. Destruía a minha vida, aumentava o meu amor, mas nunca subtraia a minha dor. Há muito que chegou o meu fim: no meio da casa dolorosa, o tecto caiu sobre mim. O meu corpo parou, a minha cabeça entrou em espiral, a minha boca disse o teu nome e o meu coração parou. Agora vejo a dor de outro sítio, mas vejo e sinto em silêncio, contudo assisto à minha dor na morte.

Diogo Cabral

Que mais me parecem lágrimas minhas

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Lirismos

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Bom dia meu amor A alegria concertante de mais um dia que me abraça, flutua um sorriso em minha mente, a certeza do teu amor e novo abraço que me dás, novo beijo que se solta dos teus lábios dormentes, distantes... Contemplo o teu sabor, a tua cor, a tua alma. É amor que derramas em mim e em que me banho. Os sonhos teus e o teu calor. E depois, quando tudo o que restar for o momento em que nossos olhares, nossas mãos, nossos lábios e nossos corpos se tocarem, eu estarei para sempre do teu lado, e sou teu, e tu és minha. Anjo, alma sagrada, luz que ilumina a minha estrada. És a mão que se estende para me segurar sempre que eu cair. O meu coração é a tua casa meu amor. Sinto a tua falta noite e dia.

Tiago Sobral

Bom dia meu amor

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Críticas e Maldizeres

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Segurança em Ponta Delgada

Após alguns incidentes ocorridos na passada madrugada do dia 26 de Maio, fico perplexo e questiono-me por onde anda a segurança nos bares de Ponta Delgada? Para perceberem do que falo, passo a expor toda a situação e o que foi feito perante os danos causados a jovens que tentavam aproveitar um pouco da noite. Após um jantar de curso, o nosso grupo de amigos saiu para confraternizar. Quando dois dos jovens entram num bar, deparam-se com uma cena de violência, protagonizada por um senhor (rondando os 30 anos de idade). Embora não se tivesse envolvido na discussão, um deles acaba por ser agredido com dois murros na cara, ficando com o olho negro. Sem se perceber porquê, o segurança do bar em questão fecha os dois jovens dentro do estabelecimento e deixa o agressor sair sem qualquer responsabilização ou penalização pelos distúrbios provocados. Perante esta situação, fico sem saber como se pode ir para um bar, sabendo que ocorrências desse género podem acontecer e

Segurança em Ponta Delgada

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29 tanto as autoridades como seguranças não tomam medidas para combater isto. Isto mostra que algo precisa de ser feito, para que as pessoas possam desfrutar dos locais de convívio em segurança. Fica este registo da falha deste bar em relação à segurança de quem o frequenta como alerta, a fim de evitar facilitismos no incumprimento das regras de civismo e da partilha dos ambientes públicos.

Diogo Cabral

Segurança em Ponta Delgada

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Regras para Trabalhos Enviados

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- A Escrita Criativa não se responsabiliza pelo conteúdo que é publicado a responsabilidade é única e exclusivamente dos seus autores. - A Escrita Criativa publica os trabalhos dos autores tendo como o limite a capacidade da revista, caso haja demasiados trabalhos enviados alguns poderão não ser publicados ou poderão ser publicados no número seguinte. - O limite de tamanho dos trabalhos recebidos é de vinte páginas A5 com letra a tamanho 11, se os trabalhos não respeitarem estas indicações poderão não ser aceites. - A Escrita Criativa não aceita trabalhos com conteúdo sexual explícito. - Por norma só será publicado um trabalho por pessoa em cada número, podendo haver excepções por falta de trabalhos. - A Escrita Criativa não corrige erros ortográficos nem faz alterações às obras enviadas, se for enviado algum trabalho com erros ortográficos poderá ser enviado de volta para correcção ou não ser aceite. - A Escrita Criativa só aceita trabalhos escritos em português.

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- Trabalhos com expressões noutras línguas deverão ter uma nota no fim a dizer o seu significado, caso isto não aconteça poderão não ser aceites. - Trabalhos com direitos de autor registados na Sociedade Portuguesa de Autores deverão informar a SPA antes de enviar os seus textos para a Revista Escrita Criativa. A Revista Escrita Criativa publica somente textos autorizados pelos autores.

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Escrita Criativa nº23  

É uma revista literária que publica histórias de todos que gostam de escrever e para todos aqueles ler histórias novas de escritores novos t...

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