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Mês Maio nº 11

Uma história que leva a reflexão sobre a vida e a morte

Uma reflexão sobre a passagem do tempo na vida

Um poema que homenageia a cidade de Guimarães e a sua marca histórica

Uma história cheia de simbologia e com um realce histórico

Um poema profundo onde a dor toma destaque.


Índice e destaques

Índice Editorial………………………………..…3 As Nossas Sugestões……………….5 Histórias Narrativas O Trem da Morte………..…………6 Jogo de Damas..……………………14 Jornada sem Prazo……………….16 Histórias Poéticas Um abismo por vez……….……..18 Quando as nuvens aparecem no Céu …………………………………..19  O Toural……..……….………………21 Aqui Nasceu Portugal.…………23 Ilusão de te ter Matado...……25 Ponto Final………….………………17 Críticas e Sátiras Gosto pela Profissão ………...28

Regras para Trabalhos Enviados………………………………….34

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Destaques Histórias Narrativas O Trem da Morte - uma história cheia de simbologia e com um realce histórico. Jogo de Damas - uma história sobre a solidão e a profundidade dos sentimentos Jornada sem Prazo - uma história que leva a reflexão sobre a vida e a morte

Histórias Poéticas Um abismo por vez – Uma reflexão sobre a passagem do tempo na vida. Aqui Nasceu Portugal - um poema que homenageia a cidade de Guimarães e a sua marca histórica. Ilusão de te ter Matado - Um poema profundo onde a dor toma destaque.

Críticas ou Sátiras Gosto pela profissão - Uma crítica que incentiva a pensarmos no trabalho de outra forma

Ficha Técnica: Mês de Maio n.º11 via internet – ebook Editora e Proprietária: Marta Sousa Revisora: Patrícia Lopes Redacção: Marta Sousa, Ruy Crespo Filho, Munique Duarte, José Silva, Ana Maria Teixeira, Filipa Borges, Adoa e Sofia Rosa Grafismo: Marta Sousa, imagens de “O Toural” e “Aqui Nasceu Portugal” fornecidas por Ana Maria Teixeira Interdita a reprodução para fins lucrativos ou comerciais dos textos e interdita a outros que não o autor e a reprodução sem a indicação Escrita Criativa do respectivo nome do autor.


Editorial

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A Revista Escrita Criativa nº11 chega ainda a festejar a Páscoa com uma capa a condizer. Temos boas notícias no inicio deste mês mais de 15000 leitores que leram a revista número 2 e mais de 1000 que leram a revista número 9 . Neste mês contamos com as participações de Ruy Crespo Filho, Munique Duarte, José Silva, Ana Maria Teixeira, Filipa Borges, Sofia Rosa e Adoa. Ruy Crespo Filho traz-nos uma história cheia de simbologia e com um realce histórico, Munique Duarte escreve-nos uma história sobre a solidão e a profundidade dos sentimentos e também um poema sobre uma reflexão sobre a passagem do tempo na vida. José Silva escreve sobre uma história que leva a reflexão sobre a vida e a morte, Ana Maria Teixeira escreve mais uma vez sobre a cidade de Guimarães com a sua história e as suas mudanças com os poemas “Toural” e “Aqui Nasceu Portugal”, Filipa Escrita Criativa


4 Borges traz-nos um poema profundo onde a dor toma destaque. . Adoa traz-nos um texto lírico cheio de profundidade e sentimento. Por fim, temos uma crítica de Sofia Rosa que escreve-nos uma argumentação sobre como encarar o trabalho. Deixo ainda a nota que há textos publicados na Revista Escrita Criativa de acordo com Acordo Ortográfico como os trabalhos de Ruy Crespo Filho e Munique Duarte. Agradecemos a todos os nossos participantes. Esperemos que gostem da Revista Escrita Criativa de Maio e que nos enviem as suas opiniões para asnossashistorias@hotmail.com Pedimos a vossa divulgação e agradecemos a todos os nossos leitores e participantes o vosso apoio.

Marta Sousa

Escrita Criativa


As Nossas Sugestões

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Brida De Paulo Coelho

Quando falamos o nome de Paulo Coelho identificamos um género de leitura e uma série de livros de sucesso, podemos até dizer que a sua obra fala por si. Brida é um livro fascinante que faz seguimento ao livro “Diário de um Mago” que conta a história de uma jovem há procura

de

desenvolver

a

sua

espiritualidade e talvez procurar o seu eu interior e a sua razão de viver. O desenvolvimento desta é em cada etapa uma descoberta e uma emoção. Muito mais que um desenvolvimento pessoal ou um livro de auto-ajuda é também uma história com um enredo que nos enlaça. Para quem leu o “Diário de um Mago” e gostou é sem dúvida Brida é um livro aconselhado. Para todos os supersticiosos para os cépticos para as pessoas que gostam de livros de auto-ajuda e para aqueles que gosta de uma simples e boa história. Escrita Criativa


Histórias Narrativas O TREM DA MORTE Alemanha-1932

A forma mais comum usada para a criação de uma obra clássica é a sonata. Ela é a base de quase todas as sinfonias. Consiste em três partes principais:

1- A exposição ou abertura.

As pequenas ideias e temas são lançados e apresentados uns aos outros.

2- O desenvolvimento.

Ideia e motivos são explorados, sendo expandidos de maior para menor. E, voltando, evoluem entrelaçados em uma linda complexidade.

3- Finalmente vem a recapitulação ou finalização.

O Trem da Morte

Escrita Criativa

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Nessa existe uma representação, uma gloriosa expressão de uma maturidade plena e rica que as pequenas ideias alcançaram através do processo da evolução com alegrias e tristezas.

Passamos primeiro pela abertura. Na sonata é a parte da fantasia e do prazer. É o tempo da canção em que nos mostramos em nosso melhor estado: divertidos, encantadores, excitados, interessantes. Tudo está aparentemente no compasso certo.

É por isso, que tantos seres humanos podem viver até o fim das suas vidas intermináveis aberturas sucessivamente. Tive uma visão de algo no meio dessa trágica guerra nazista de algo maravilhoso que nos aguarda daqui a 77 anos, quem sabe? Uma porta de saída, não de entrada. Fomos separados como tantos pela Imbecilidade. Eu estarei contigo onde você estiver. A nossa estrela será a guia em nossos renascimentos. Lembra amor do nosso selo sagrado em X 8/5 e 1/12? Guardai tudo no seu código 956 o tempo em que passamos juntos e escrevemos no livro dos Magos de Santa Ana. Deixo-te uma rosa.

O Trem da Morte

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8 Beijos

Jean Anael di Santa Ana

Anos depois... 1942 - Alemanha

Era final da tarde. O céu de um amarelo avermelhado dava lentamente lugar a noite. Os trilhos da linha do trem sugeriam um final imprevisível. A fumaça e o tic-tac-tic-tac da maquina apontou em uma curva trazendo os passageiros vitimas da intolerância. Em um dos vagões uma faixa de Adolfo Hitler:

‘’O horóscopo de hoje não indica paz, mas guerra’’.

Ao ataque!

RAPHAEL

Em meio a tudo isso como posso reconhecer o ser do mal?

O Trem da Morte

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O MAGO ANAEL

O ser do mal deseja sempre fazer da sua mentira uma verdade. O mal só existe porque não tem o princípio. Ele tem ódio da verdade. Quando pede perdão é para enganar mais uma vez. O enganador nunca aprende sua lição. A lei do amor para ele é a tirania. Essa guerra será considerada uma mentira. Ele sempre negará seus holocaustos.

Diga o que viste em tudo isso de verdade que eu escreverei cada ato covarde do ser inaceitável?

RAPHAEL

Na verdade fui procurar por Ana nos massacres. Olhei por dentro da vala e vi os corpos de homens e mulheres se contorcendo com suas cabeças raspadas repousando calmamente fazendo dos cadáveres seus travesseiros. O sangue escorria dos seus corpos e se misturava com as lágrimas dos que se preparavam para o ultimo adormecer. Quando o trem parou em outra vala centenas de judeus desceram dos vagões; homens, mulheres e crianças.

O Trem da Morte

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10 Um oficial da SS empunhava gritando com um chicote do tipo rebenque, e, de acordo com suas indicações canalhas os soldados separavam os grupos. Sem lágrimas, essas criaturas silenciosamente se despiam. Um pai segurava a mão de seu filho de mais ou menos 10 anos e cantava carinhosamente uma canção de dormir. O menino abria e fechava os olhos rapidamente, nervosamente para conter as ultimas lágrimas que não desciam. Uma jovem passou por mim de boina quadriculada... acho que ela conseguiu me ver como anjo e disse: -Eu tenho apenas 24 anos... dos 12 +1.... Mas acredito nos anjos e em Deus. Nunca digo a DEUS. Só escuto a DEUS na hora de chegar e partir. Era a nossa PALAVRA! Olhou para o menino e disse: -Repita comigo: ’’Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã’’.Era o salmo 30.

Abriu os braços e as pernas como uma estrela na frente do garoto tentando protege-lo e foi metralhada com o grupo. Em suas mãos Mestre encontrei sua carta. Era sua Ana que não pude salvar. Fiquei junto a ela e ao grupo e orei: Por ti, Senhor, clamei,

O Trem da Morte

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11 Ao Senhor implorei. Que proveito obterás no meu sangue, Quando baixo à cova? Louvar-te-á, porventura, o pó? Em seguida fiquei em silencio até ao amanhecer. No meio dos mortos percebi que o garoto estava vivo repetindo a oração que tua Ana ensinou.

RAPHAEL -Mestre como é ser um verdadeiro mago?

O MAGO -É fazer fortes encantamentos nos seres humanos e no universo. RAPHAEL

-Qual é a fórmula poderosa dessa encantamento?

O MAGO

-Praticar todos os dias a magia do bem em tudo para evitarmos guerras insanas como essa. Mas o ato de Ana criou um paradoxo... eu terei que ser justo e perfeito para não errar.

O Trem da Morte

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O MAGO ANAEL

Quando eu partir será dado a ela mais 10 anos de vida.

RAPHAEL

Isso vai alterar a relação tempo e espaço do reencontro com ela em outras vidas! O Mestre conseguirá alterar essa relação de tempo entre os dois nos renascimentos? Poderá estar mais velho...isso já é um paradoxo de tempo!

O MAGO ANAEL

O verdadeiro amor não tem tempo, não tem fronteiras.

A hora será sempre agora!

Hitler, o grande inquisidor esperava para a segurança do Reich, um massacre em torno de 11 milhões de judeus, no entanto mais de 5 milhões foram executados. Era a inquisição nazista.

O Trem da Morte

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Uma sinfonia de Wagner, Crepúsculo dos deuses, tocava nos autofalantes do trem da morte que partia. No céu as aves de rapina de penas brancas com as cabeças louras dançavam dando voos rasantes nos corpos inertes escrevendo a cruz suástica em uma rosa caída.

TEXTO DOS ´´MAGOS DE SANTA ANA´´´DE RUY CRESPO FILHO.

O Trem da Morte

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Jogo de damas Era noite na meia luz do abajur. Alice não pensava nem no ontem, nem no amanhã. Era o agora que a capturava em arapuca certeira. Com o indicador, empurrava para frente e para trás uma peça escura do tabuleiro de damas. O adversário nunca completava a jogada. O refrigerante cola sobre a mesa de centro estava morno e as batatas fritas geladas. Os ponteiros passeavam no tic-tac barulhento e Alice nem notava a infindável fileira de carros que passava dia e noite em sua rua. Buzinaço constante. Ansiedade citadina. Movendo as peças do tabuleiro, sentia-se fria, só, carcomida pelas horas, pelo medo. Sua vida era previsível e confortável demais. Livros e discos são boas companhias, mas não retrucam, não brindam, não espirram, não dizem boa noite. A lâmpada do abajur piscou, e Alice no sobressalto acendeu o interruptor e desligou a luminária. Naquela noite se sentia estranha. Tinha a sensação volta e meia de um coração apertado, mas não era angústia. Era um pressentimento de algo, que nunca acontecia. Talvez fosse o resultado do planejar constante da vida de Alice, que nunca dava resultados. Vida previsível e confortável demais. Vestiu uma blusa de lã, calçou botas, colocou um cachecol e saiu para ver o movimento da rua. Buzinaço constante. Ansiedade de Alice.


15 Sempre quando saía de casa, tinha a ideia de que alguma coisa importante pudesse acontecer. Um encontro repentino que trouxesse felicidade ou uma notícia boa vinda de algum amigo encontrado por coincidência. Alice nunca teve um sorriso no rosto marcado por uma deliciosa coincidência. Andou metros e metros da rua, debaixo de um sereno meio espesso. A calçada estava molhada e lembrava cenas de Londres em filmes antigos. Alice viu pessoas animadas conversando em bares, namorados se despedindo na calçada, vizinhos trocando desejos de boa noite e boa semana de trabalho, pessoas se arriscando a passear com seus cachorros, apesar do frio. Alice deu a volta em quatro quarteirões e voltou para casa. Na sala, tirou o cachecol e o abrigo e olhou atenta o jogo de damas com algumas peças mexidas. Há jogos que não podemos jogar sozinhos. Se escolhemos as peças escuras, não há o outro para reclamar que queria as mesmas peças escuras. E as claras sempre ficam nas mãos de ninguém. Não há como traçar planos e estratégias. Não há sensação de vitória. E que bom seria a sensação da derrota frente a alguém de carne, osso e ideias, mesmo que fossem contraditórias. Se esse jogo é de damas, o jogo de cavalheiros deve ser o xadrez. Alice empurrava com o indicador a peça escura para frente e para trás. Agora tinha coragem. O jogo parecia fácil. Em jogos de damas não existe o xeque-mate. Munique Duarte Jogo de Damas

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Jornada sem Prazo… ... Olhei nessa mesma direcção, imposta, sem saber o que procurar de verdade, e nessa direcção marchei, aguardando algo encontrar...

... A noite está a cair... A Lua, desta vez vem chegando de páraquedas, feito com recortes da escuridão do cosmos remoto... O asfalto que se desdobra diante da visão, é uma simples linha recta que se perde de vista...

... Sigo caminhando.

Um pouco à frente, vejo o que parece um cadáver no chão... lentamente me aproximo, e confirmo... Um pobre veado com sinais visíveis de ter sido mais uma vitima de atropelamento, perdera a vida não há muito tempo... seu hálito ainda emana o cheiro fresco de pasto meio moído por entre os dentes, o sangue que ornamenta o piso tem ainda aquela tonalidade viva... Uma sensação me avassala, e sem tocar me afasto...

... Coloco um pouco de música, absorvendo-a em minha mente...

Jornada sem Prazo

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... Afasto-me daquela encenação da vida, e continuo, estrada fora, percorrendo em busca de alguma resposta encontrar... ... Um pouco mais à frente, avisto luzes na escuridão, o luar hoje, encontra-se demasiado fraco para me ajudar nesta mesma viagem...

Cansado, sento-me na berma desta longa estrada, e consumo um cigarro, enquanto reparo na vegetação que por aqui nasce, de diversas cores e tons, mas que no escuro mal se diferenciam, fazendo uma grande barreira para o lado de lá...

... Enquanto sentado, tento pensar naquilo que realmente aqui se passa, tentando numa realidade camuflada por um asfalto já exausto de ser macerado, e sobre quem as vezes a morte se derrama, por uma lua que nem sempre transmite a luz por ela recebida, por uma flora que nasce, preenchendo todos os pequenos orifícios de terra que consegue, descobrir algo... Estará a verdade desta jornada, exposta nesta viagem?

... Ou simplesmente eu, estou apenas de passagem?

José Silva

Jornada sem Prazo

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Histórias Poéticas Um abismo por vez Grito seco no emaranhado de sonhos Gesto obscuro no desfazer da madrugada Desejo insano no vazio do horizonte Ancorado no tanto fez e no tanto faz Disfarçado de maio Encoberto de junho Arregalando os olhos ao ver que o último setembro não volta mais que caímos em abismo somente uma vez, um abismo por vez A sombra engolirá feriados santos Penas de ganso Não abafarão gritos de anos passados De 50 chegados Rugas estaladas Arrependimentos breves, breves... Glórias aos tempos idos Misérias aos tempos chegados. Munique Duarte Um Abismo por Vez

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Quando as nuvens aparecem no céu

Quando as nuvens aparecem no céu, Algo aperta o coração, O quê? Não é razão, E não há razão. É o mundo distante, Da insensibilidade (ou talvez sensibilidade demais?) Aquele não sentir Que se procura… E o mundo, As pessoas a falar, Os problemas, As falhas, Estão enubladas. A única coisa que se sente É aquele aperto. Ele aperta, E por vezes faz chover… A chuva se esconde, E os guarda-chuvas tapam Quando as nuvens aparecem no Céu

Escrita Criativa


20 O que não tem razão de ser. Mas esta nuvem Pode existir em todos os corações? Ou naqueles indisciplinados às suas razões? Terá lugar na vossa mente? Na psicologia? Na astrologia? Num mundo feito de economia e razão? Não? Mas no entanto chove.

Marta Sousa

Quando as nuvens aparecem no Céu

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O Toural A linda praça do Toural Tantas cirurgias já fez, Teve fontes tirou fontes Fez jardins, jardins desfez.

Em 1923 tinha árvores majestosas Pediram à câmara os 34 moradores, Num acto de grande nobreza, Que as derrubassem Pois prejudicavam da praça a beleza!

Está de novo em remodelação Esta nossa linda praça Faz doer o coração Ao vê-la nesta desgraça!

Sei que linda vai ficar Mais limpa, mais arejada Mas sem árvores para albergar Das intempéries a passarada!

Toural

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22 Aos turistas de dois mil e onze Venho pedir toler창ncia E que voltem em dois mil e doze Para ver beleza em abund창ncia.

Ana Maria Teixeira

Toural

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AQUI NASCEU PORTUGAL

Quem por cá passa regista e espalha Ao deixar fotografado Este pedaço de muralha Que tem um especial significado.

Com orgulho nós afirmamos Que aqui nasceu Portugal! Quem por cá passa confirma Dá-nos razão afina!

Neste pedaço de muro Muita vida acontece, De manhã há um ardina Que as noticias nos fornece.

Há um engraxador residente Para os sapatos nos assear, Até os nossos presidentes Gostam de lá seus pés pousar!

Aqui Nasceu Portugal

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Esta muralha é património De Portugal e da humanidade É o orgulho dos vimaranenses Um ex-libris da cidade!

Ana Maria Teixeira

Aqui Nasceu Portugal

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Ilusão de te ter matado… Num sonho longínquo, Matei Satanás! Matei a dor que me envolvia Na escuridão de teu olhar. Matei todas as palavras Que me disseste sem pensar. Matei o Amor! Matei a mágoa! Matei a presença Da pessoa que eu amava. Matei-te a ti! Oh sim... Matei-te! Libertei-me do calor… Calor dos teus braços envolventes Sobre o meu corpo, a minha alma. Matei-te a ti, meu Satanás Maldição que devora Cada segundo da minha paz. Acordei!

Ilusão de te ter matado

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26 Puro sonho, ilusão fugaz... Nunca meu acordar foi tão cruel. Nada mudou! Oh! Nada mudou... A dor ainda dilacera, As palavras ainda me assombram A mágoa ainda vive Na melancolia de meu olhar. Não te matei! Não matei meu Satanás E o que mais me assusta É que na cruel ironia do Destino Revejo em pensamentos meus Satanás... disfarçado de Deus.

Filipa Borges

Ilusão de te ter matado

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27 Ponto Final No princípio era o fim e tudo se tornou no que era antes de ser. Foi o caos. A luz terminou com o riso da infância e abriu o Inferno das almas. Desci ao meu cais subaquático. A podridão precisava da sua rega diária. Conheci o amor. Ou seria a MORTE. São tão parecidos... O que é 1 ou o que é a outra e onde estou eu. 3 linhas convergentes num único ponto, final por sinal. E sempre o Fim de Tudo. O fora e o dentro não são partes do mesmo ser nem do mesmo corpo. O Tao perdeu-se algures no infinito do seu começo e término. Acabei também. Fui embora já há muito tempo. Ninguém deu por nada. Às vezes tenho a impressão de que só eu tenho conhecimento disso. Só eu procuro por mim. Ponto final.

Adoa

Ponto Final

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Críticas ou Sátiras

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Gosto pela profissão

Eu sou portuguesa. E como portuguesa vejo o meu país e penso… talvez veja mais porque nunca vi outro antes mas eu gosto de pensar que vejo mais porque me identifico com ele e porque gosto dele (sem desgostar dos outros). Ao ver o meu país, vejo também os seus costumes e a sua forma de pensar. É sobre a sua forma de pensar que eu vou falar neste pequeno texto. Claro que por muito que gostemos da nossa terra temos sempre defeitos a lhe apontar, o que eu considero normal e porque nada é perfeito neste mundo, e eu tenho a apontar o pensamento dos portugueses na questão do trabalho. Poderia falar sobre o típico pensamento português sobre outros temas mas, por agora, fiquemos pelo tema do trabalho. Primeiro, temos que falar dos pais, eles são a base de tudo, muito mais até do que a escola. Quando pensamos em futuro dos nossos filhos o que eles dizem acerca do que querem ser? Médico, advogado, economista… O que ele quiser mas de preferência que a escolha seja alguma das primeiras referidas, não é?

Gosto pela Profissão

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29 Se o filho disser “eu quero sapateiro” o que o pai/mãe lhe dizia? “Sapateiro? Isso quase já não existe e não dá dinheiro! Arranja outro trabalho! Mais vale teres uma sapataria!” Estou errada? Estamos numa sociedade consumista em que o trabalho é bom em ser bem pago com pouco esforço quase na mesma relação das coisas são boas e baratas (principalmente baratas). Agora vamos passar para a escola. A escola dá-nos uma melhor visão do trabalho ou do “trabalho que nós gostavamos “ numa altura que nada sabemos nem sequer temos ideia do que é o trabalho porque a maioria dos alunos nem sequer se aproximou de tal coisa. Não estou a dizer para que pôr-se as crianças a trabalhar, longe disso, mas talvez uma pequena apresentação ou visita sobre as diferentes profissões e um maior desenvolvimento dos clubes extraescolares com maior apoio da escola e com mais incentivos para os alunos como vantagens a nível do currículo escolar ou ajuda na subida da média das notas, etc. Uma experiência que permitisse os alunos escolher algumas áreas que gostassem de desenvolver o seu conhecimento. Mas isto nem o mais importante aliás são apenas sugestões. Algumas escolas a escolha de cursos/ áreas de especialização são dados por testes psicotécnicos e pelas notas que temos dos

Gosto pela Profissão

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30 alunos, ou seja, por aquilo que eles tem mais jeito. Mas não por aquilo que mais gostam, certo? Além disso a maioria das vezes os cursos não enquadram apenas uma profissão (o que é bom) mas isso é preciso ver também que há muitas profissões que apesar de ser da mesma área podem ser bastante insuportáveis. Isto é se tivermos a sorte de trabalhar na área que escolhemos na escola e se quisermos trabalhar nela (mas isso já é outra questão). Finalmente, temos um trabalho fomos escolhidos porque temos competências para tal e é um pouco chato mas aguenta-se. Estamos bem. Ganhamos razoavelmente. Trabalhamos muito. Temos cerca de quatro horas diárias pelas quais ansiamos longamente e no entanto quando estas chegam parece que há um vazio frio no âmago. Porquê? Não posso dizer porquê, talvez dependa de cada um mas também pode ser pelas razões que vou indicar, as razões que eu acho que podem ser porque já estive nesse lugar. Então a minha opinião é que cada um deve fazer o que é certo fazer, ou seja, cada um deve trabalhar naquilo que acha correcto fazer. Muito complicado? Eu explico. O que é o trabalho para nós, portugueses?

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31 É uma actividade económica que fazemos durante oito horas por dia que satisfaz as mínimas (pelo menos) necessidades económicas para viver. Oito horas por dia… o dobro das horas de lazer que em média temos para nos divertir, certo? Pensando que o dia tem 24 horas e passamos oito horas a dormir e mais oito a trabalhar. Isso já dá dezasseis então sobram oito para comer (e fazer a refeição) fazer as coisas necessárias ao dia-adia e ainda se distrair que todos merecem. Pensando desta forma não acham que é muitas horas a trabalhar? Quando pergunto isto não é porque quero mudar a legislação laboral, deixo isso para quem mais entende sobre esse assunto, mas sim que se vamos passar a maior parte do nosso dia, das nossas vidas a trabalhar não é melhor que seja em algo que se gosta? Deixo esta resposta para vocês. Agora vamos supor que temos um trabalho que gostamos, fazemos pouco e recebemos bem e não é muito chato. Bom muito bom. Quando se gosta realmente do trabalho faz-se as coisas sempre com vontade sorrimos mais e é mais fácil aguentar os dias maus. Sim, há sempre dias maus ou menos bons mesmo nos melhores trabalhos.

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32 É sempre bom acreditar que se deve fazer o trabalho e saber porque ele deve ser feito, ou seja, saber para nós qual é o objectivo final deste trabalho e acreditar nele como correcto. E isto nada tem a ver com gosto mas sim com motivação. Quando erramos e não percebemos o que fazer para corrigir ou quando algo corre mal é nesta crença ou filosofia de trabalho que pode nos ajudar a responder e seguir em frente sem desmotivar. Voltando ao exemplo que atrás dei quando se encontra um trabalho que se gosta mas algo corre mal é a filosofia do trabalho que pode melhorar esse trabalho ou fazer-nos mudar de rumo se preciso for. Parece complexo mas é na realidade simples, por exemplo: Um homem que é segurança e tem como filosofia de trabalho que este serve para proteger as pessoas do perigo. Trabalha num local sossegado onde pode não fazer nada a não ser aborrecerse de morte e vigiar ou ver câmaras de vigilância. Ele pode manter-se sempre a fazer o mesmo e aborrecer-se todos os dias ou pode seguir a sua filosofia de trabalho e ao ver todos os locais do prédio/ empresa/ local trabalho pode reparar nos locais mais desprotegidos e sugerir melhoras para a protecção desses locais e assim garantir mais eficazmente a segurança das pessoas. No entanto, pode também seguir a sua filosofia e sentir que naquele local as pessoas não precisam ser protegidas e ir trabalhar noutro local de trabalho.

Gosto pela Profissão

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33 Considero a filosofia do trabalho como indissociável para se ligar e apreciar o trabalho que se faz e como se faz. Quando começamos a encarar o trabalho desta forma é mais fácil saber o que se quer fazer e/ou gostar mais do trabalho que se tem. Por último, para aqueles trabalhos ou objectivos que são mais difíceis de obter como por exemplo ser cantor, actor reconhecido etc., requerem mais esforço e trabalho e não se obtém no momento que começamos a trabalhar, não é verdade? A este considero que devem tentar conseguir um trabalho que os ajudem a desenvolver na área de preferência e trabalho árduo após trabalho e prepararem-se para muitas derrotas antes do sucesso. Se o coração estiver na filosofia do trabalho que desejam obter podem ter muitos caminhos mas todos vão convergir no mesmo objectivo mas para isso é preciso muito trabalho mas poucas desistências. Assim, o trabalho deixa de ser um fardo quando entendermos o que o trabalho realmente significa para nós ou o que realmente queremos fazer para ser uma ocupação que nos preenche, aumenta o nosso bem-estar interior e a nossa produtividade.

Sofia Rosa

Gosto pela Profissão

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Regras para Trabalhos Enviados

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- A Escrita Criativa não se responsabiliza pelo conteúdo que é publicado a responsabilidade é única e exclusivamente dos seus autores. - A Escrita Criativa publica os trabalhos dos autores tendo como o limite a capacidade da revista, caso haja demasiados trabalhos enviados alguns poderão não ser publicados ou poderão ser publicados no número seguinte. - O limite de tamanho dos trabalhos recebidos é de vinte páginas A5 com letra a tamanho 11, se os trabalhos não respeitarem estas indicações poderão não ser aceites. - A Escrita Criativa não aceita trabalhos com conteúdo sexual explícito. - Por norma só será publicado um trabalho por pessoa em cada número, podendo haver excepções por falta de trabalhos. - A Escrita Criativa não corrige erros ortográficos nem faz alterações às obras enviadas, se for enviado algum trabalho com erros ortográficos poderá ser enviado de volta para correcção ou não ser aceite. - A Escrita Criativa só aceita trabalhos escritos em português.

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35 - Trabalhos com expressões noutras línguas deverão ter uma nota no fim a dizer o seu significado, caso isto não aconteça poderão não ser aceites. - Trabalhos com direitos de autor registados na Sociedade Portuguesa de Autores deverão informar a SPA antes de enviar os seus textos para a Revista Escrita Criativa. A Revista Escrita Criativa publica somente textos autorizados pelos autores.

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Escrita Criativa

Escrita Criativa nº11  

A Revista Escrita Criativa é uma revista literária que publica histórias de todos que gostam de escrever e para todos aqueles ler histórias...

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