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cial e p s ão E Edition ç i d E ecial Sp os! n a 10 ears! 10 y

escala

arquitetos + decoradores + designers + vips...

ano 10 nº34 dezembro de 2011

Sergio Dias + Sergio Rodrigues + Stefan Behnisch + Juan Ignacio López + Luiz Eduardo Indio da Costa + Guto Indio da Costa + Neil Durbach + Camilla Block + Ivo Mareines + Rafael Patalano + David Jaggers + Nick Rawcliffe + João Pedro Backheuser + Ignez Ferraz + Aïssa Logerot + Emanuele Magini + Patricia Mayer 1 + Patricia Quentel + Mircea Cantor + JVA + Fabio Memoria + Tabitha von Krüger


Editorial Feliz aniversário! Happy birthday!

T

er um adolescente em casa não é fácil! Isso é o que dizem meus amigos e primos. Nunca passei por esta experiência até hoje. Mas, como “mãe da ESCALA”, acho que começo a sentir os primeiros sinais. Afinal, ESCALA celebra o seu 10º aniversário este mês! E, hoje, as crianças crescem muito rápido. Having a teenager at home is not easy! This is what my friends and cousins say. I have never passed through this experience until today. But, as “ESCALA’s mother”, I think that I start to feel the first signs. After all, this month ESCALA celebrates its 10th anniversary! And nowadays children grow up very fast.

Como qualquer adolescente, ESCALA possui vontade e personalidade próprias. Às vezes, penso alguma coisa para suas páginas e, em breve, sinto uma resposta negativa dentro de mim. Like any adolescent, ESCALA has its own will and personality. Sometimes I think about something for its pages, and soon I feel a negative answer inside myself.

“Minha menina” cresceu e vocês verão isso. “Suas roupas” — isto é, páginas — não cabem mais. Tivemos que aumentá-las. “My girl” has grown up and you will see it. “Its clothes” — that is, pages — no longer fit. We had to increase them.

Nesta ocasião, só posso mostrar o meu zelo por ela, com esta edição especial (10 anos!!!). Feliz aniversário, querida! On this occasion, I can only show my zeal for it with this special issue (10 years!!!). Happy birthday, darling!

ESCALA é uma publicação da ESCALA is published by

Jornalista Responsável Responsible Journalist Andréa Magalhães MTb 17.287

Conselho Consultivo

Consultative Council Adriana Figueiredo, arquiteta/ architect Andréa Menezes, arquiteta/ architect Carlos Alcantarino, designer Carlos Fernando Andrade, arquiteto/ architect Carlos Murdoch, arquiteto/ architect Carolina Wambier, arquiteta/ architect Christiane Laclau, decoradora/ interior designer Franklin Iriarte, arquiteto/ architect Jorge Lopes, designer Jerônimo de Moraes Neto, arquiteto/ architect Lygia Niemeyer, arquiteta/ architect

Projeto Gráfico

Graphic Project Altherswanke Comunicação

Edição de Arte Art Edition Fernando Lima

Diagramação (assistente) Diagramation (coadjutor) Alexander Costa

Publisher de ESCALA Diretora da Director http://revistaescala.blogspot.com andrea@altherswanke.com.br

Consultor Financeiro Financial Advisor Peter Wanke

ESCALA não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos assinados. ESCALA is not responsible for the concepts emitted in the signed articles.

Publicidade/ Publicity +55 (21) 2284-9605/ +55 (21) 9919-2292 www.altherswanke.com.br altherswanke@altherswanke.com.br


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esde a edição passada, este é o espaço para as reportagens e entrevistas mais marcantes de ESCALA (10 anos!!!). Se você tem sugestões, será um prazer recebê-las (blog.escala@gmail.com).

ne zio Edi ciale S p eSalone ale

azion Intern Mobile 5 del 200 lano di Mi

arquiteto

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Since last issue, this is the space for ESCALA’s most striking reports and interviews (10 years!!!). If you have suggestions, it will be a pleasure to receive them (blog. escala@gmail.com). Mobiliário Urbano

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Bernard Tschumi Sérgio + Nann Roberto a Ditzel Parada Juliana + + Hill Jep Irmãos Camp Faria + ana + hson Ro Floren Castro Alexan ce Doléa + Mónic bb + Sh dre He a Cohe c ++ Hil uhei En Fritz Lan rchcov n + Valte zes n J. H. do + Ma g + Da o Korga Bahcivanel Herbert + Hu rcelo Go itch + isuke Warci cha ji + Ta s + Ma go Mar nzaga Mi aki tan De + ab ass ciana Sil e + Th + ioniz art + An drade Anast Bel an va M + Ma gelo de ndo An Geiahry Pitta + lini Demetre eierrcela na + nk d Fer Luciana + shi rlos + PieAlb ni + Fra uqJe A rim Ra ue We an issl rqu sal + Ca ra Miga llis Eliane rs -Pau + e+ Fai nd es + Ka ch l in lo S ssa ihu + ger KátiamFag Hense Luiz + Ale ul Kle Marce eringia l Gau + Iv nezes Norbert a Fe rragni + Berg + Josef Pa ni Me ltier +G Te es a an o pe rn Ana M ils + Bry sep Kleihu + + André Pau andes areines on Mar Irmão mi + Jan kel + Giu Crawford ndberg Sa Lu hin al la Sc + na s Hil h ti +R Gu Poliz n + An rtulli + Friedric afae ns + R Campan Jantze zo + stavo Chico Va + Karl onal l Pat a+ Mar oux + And deiros Fern ré Lo tins + alano do Sar + Nic Leh que Me nri and He aiva + Will mp Luiz o Ja + reta em Anton Fiuza + io C Nick E eger va +M + itteri ldri VRD n der dge Richar o+ Slu V+ d +W is M Tho ern rste + Hugo ónica er C nN olte Timm ohen + er +M arco mans + Mila zzo

ães

Por Andrea Magalh

Na terceira edição de ESCALA, uma matéria foi um sucesso absoluto: entrevistamos Guto Indio da Costa. Seu escritório (Indio da Costa Design) havia ganho 2002 Red Dot Award. In ESCALA’s third issue, a report was an absolute success: we interviewed Guto Indio da Costa. His practice (Indio da Costa Design) had won 2002 Red Dot Award.

n na cerimôn ia Nordrhe in Westfale grande catáno Design Zentrum te de um ão e farão par assim minha...”. Eu mandava oficial de premiaç k. Além disso, esta rua fosse s no Innovati ons Yearboo projetar postes, “Se esta rua, se logo, o Design os ficarão exposto arela de mão cheia e produto s premiad hos, visualmente uma equipe verde-am ente construí do como todos os quiosques e banquin de Essen, recentem . Uma equipe que abrigos de ônibus, orânea de design. Museu de Design is para suas calçadas coleção contemp a, o selo Red bonitos e funciona Essen, na Alemanh que abriga preciosa em tar s io acabou de conquis melhores designer lvidos, o mobiliár ão oferecida aos nos países desenvo registradas 1.479 os Dot 2002, premiaç estamos foram Mas pensarm . ano, “Se infância mundo. Este os com o ainda está na de produto do 300 os agraciad Guto Índio da urbano brasileir pouco mais de tantes”, avalia impor . vitórias inscrições, sendo projetos consegu indo adores dos dois o Red Dot. 33, um dos coorden ainda este ano todo mundo o foram Costa, e dando cer to, Design no concurs ana o quiosqu Quiosqu e - Tudo e Índio da Costa na Praia de Copacab de Copacab ana Os coringas da iniciadas , só faltam vai poder apreciar ente para a Praia que as obras sejam o quiosqu e transpar a empresa francesa premiad o. Para projetad o para exibidos o abrigo de ônibus estarão sendo 1° de julho, eles JCDecau x. Em

doch

Mur o e Carlos Figueired por Adriana k.com.br @openlin murdoch

“Cronos” (by Adriana Figueiredo e Carlos Murdoch) foi uma das seções mais prestigiadas de ESCALA. Suas ótimas matérias focam tópicos importantes da arquitetura e do design e têm sido usadas em universidades como leitura recomendada. “Cronos” (by Adriana Figueiredo and Carlos Murdoch) has been one of the most prestigious sections of ESCALA. Its great reports focus on important topics of architecture and design and have been used in universities as recommended reading.

O

42 agosto 2002

Cadeira Wassily

(Marcel Breuer):

Em Weimar,

a sede da Bauhaus

, projetada

Prellerhaus:

estrutura de

destaque para

tubo de aço

por Henry

van de Velde

as varandas

recurvado

43

e niquelad

o

por Andréa Magalhães

de urbanismo da ilha para recebê-los. Cheguei a desenhar uns templos, mesmo achando que aquilo tudo era uma grande maluquice. Sonhos dão prazer mesmo sem realizá-los”, filosofa.

O livro do Indio

O happy end passou longe do Sr. Ugolini. Advogados da União acabaram com a sua pretensão. O Brasil não quis vender a Ilha Grande. Outro “causo” engraçado da coleção aconteceu em 1965 e tem a ver com ursos himalaicos. E, para tornar ainda mais inusitada a história, tudo se passou no Rio 40 graus. “Li tudo sobre aqueles animais, e o meu projeto para o espaço deles no zôo foi executado”, Loja em Ipanema

conta. O único problema é que, em vez dos ursos himalaicos, colocaram macaquinhos no lugar. “As paredes de concreto para agüentar o peso dos bichos perderam a função. Uma cachoeira também. Enfim, foi um mico”, conta rindo. Correndo no tempo, chega-se ao “mico” do Governo Brasileiro. Em 1992, o Brasil participou da Expo Sevilha, mas não montou pavilhão próprio, mesmo tendo comprado um terreno para tal fim, segundo Indio. Participou apenas com um estande dentro do Pavilhão das Américas. Detalhe: deixou-se de executar um projeto de pavilhão premiado com menção honrosa pelo IAB-RJ. Pão de Açúcar — E nem o Bondinho escapou de ser engavetado. O projeto foi encomendado, em 1997, pela Caminhos Aéreos Pão de Açúcar, empresa que explora o negócio. Esta entrou em litígio com a prefeitura, e o projeto, pelo menos por enquanto, ficou no ar. “O bondinho entraria na rocha e as pessoas subiriam por escadas rolantes. Tudo mimetizado na paisagem. Feminino”, informa. No ar também está o projeto do circuito teleférico pelos morros da Floresta da Tijuca. “Mas tenho esperança de ainda vê-lo realizado”, sonha o arquiteto. Quando a pá de cal vem com o Guggenheim... É melhor nem falar. Em parceria com Ricardo

Projeto para o píer Mauá

E

ra uma vez um arquiteto que foi convidado a participar do projeto que transformaria a Ilha Grande num país independente. Não, não é história da carochinha. É história de Indio. Em outubro, esta e outras passagens da vida de Luiz Eduardo Indio da Costa, 64, poderão ser encontradas num livro, o primeiro da carreira do arquiteto, que, em 42 anos de profissão, guarda louros como ter ficado entre os finalistas do concurso Mies van der Rohe de Arquitetura Latino-Americana, em 1998, e, mais recentemente, o prêmio Destaque 2002/Rio de Janeiro, da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA).

apenas um arquiteto de mansões. Respondeu com premiações e classificações em concursos internacionais e nacionais. Livro e exposição provarão a excelência da obra do Indio”, desafia Ana Borelli, diretora do CAU e curadora do livro e da exposição.

Protagonista de livro, protagonista de exposição também. Na mesma época do lançamento da obra, será inaugurada no Centro de Arquitetura e Urbanismo (CAU), em Botafogo, uma exposição sobre o trabalho que o arquiteto vem realizando ao longo de quatro décadas. Outro debut de Indio da Costa.

“Meus colegas arquitetos não costumam gostar de falar sobre projetos que não foram realizados. Eu não vejo problema algum em falar sobre eles”, diz Indio.

“Ele já teve sua fase brutalista nos anos 70; depois, passou a criar obras menos rígidas. Já sofreu preconceito, por parte de quem o considera 30 abril 2003

defen dia uma refor ma geral comb inar no proce sso criaç ão ar de ensin o. tístic a com objet ivos princ Propu nha tecno logia ipais. O prime , para ating edifíc io do ir dois iro era ensin futuro (repr ar a produ esent ado por zir dral), onde Feinin ger como o arqui tetura , pintu ra e unida de. O escu ltura forma uma catesegu ndo era riam uma prepa rar um de enten der o para o ar a tista ar voltad comp leto, surgi u a palav te como um todo. Um Com o olhar capa z arqui teto-d ra desig n), do século XX. início no esign s. que apen er (aí não saíss e as uma mani da sociedade tempos antigo com exper Style. festa ção ar evocavam te o imaginário iência em e o Liberty tístic a. ecléticos, que u intensamen Osdstil workshops au, o Jugen de edifícios ainda povoo a Art Nouve naisus Bauha século XIX sem-número artesa s da eram verda desco rnidade, como ofício romântico do berta rução de um que os deiros labora de novos projet diam a mode inou a const pensamento . Alegavamcriava tórios para os para objeto entes, que defen s tradicionais m protótipos a burguesia patroc s do dia-aartísticos emerg passado, a feitos àis. as construtiva dia. Os aluno mento visan os movimentos socia mão, mas estudavam com as técnic s do à es passado e produção em o seu desen estava em divers entre as class de estilos do ncia mass volviada uso nico. distâ o a a (“stan Seu contraponto trializ er com Come çavam dartização” trabalho mecâ insatisfeitos truçã o indusprodu zindo ). só fazia cresc ditado pelo uma conspara etos estavam caro. Isso com ferram o novo ritmo as mais comp ês. Pens ar Alguns arquit to final, muito Industrial e lexas e o proce entas simp les, passa rio e ao burgu Revolução utiliza ção so ao produ vam sso culm inava negavam a esse ao operá de máqu inas tinha aces não atend nte com a indus triais alme ou lista, que . zia ar tesan rna e inspir tetur a socia O curso comp tetura Mode Quem produ er uma arqui leto Arqui de dividi nvolv dese a-se em três chamou meses), Técni is. Era preci so fases: nças socia ou o que se ca uir as difere mundo origin A última, apena (três anos) e Estrutural, Preparatória (seis para dimin ia mudar o com duraç s para aluno arquitetura ”. ão variável. cas no Depa s promissor indús tria Revolução que uma nova rtamento de es, incluía itetura ou imen to da A crença de aulas teóriPesquisa. sier: “Arqu over o cresc ius, de Le Corbu ndia prom Em diferentes Walte r Grop a máxima bund prete períodos, a cher Werk s, o arqui teto usava mate riais escola teve Feininger, Johan entre seus o alem ão Deuts al. Um dos seus lídere nes Itten, Moho proje tos, já professores O movi ment seus tesan ar Breue Em ly-Nagy, Walte Lyonel r, Kandinsky, ada. ao traba lho r Gropius, Marce Paul Klee e o indus trializ asso ciado colaborado Mies van der cons truçã a l dia res, Rohe. Divers uniformidad tamb ém defen eau na e o vidro . e na objetividad idade nos da Ar t Nouv como o aço Em seu prime e prática do e indus triais ensino. dos fundadores iro ano, a em interiores Bauh aus já cos. Como de Velde, um ecimentos sofria ataqu Henry van esco la do seus conh do edifício es ideol ógiEstad o, depe O arquiteto anha. Por do projeto para garan ndia tir sua existê para a Alem diretor e autor Bélgica, foi ncia. Em 1924 de aprov ação públi ca tornou-se o contr ílios, ato da esco la , por decis de utens Weimar. foi altera do, produção ão políti ca, para abril Ofícios de a anun ciand do ano segu de Ar tes e o sua disso e Ofícios com inte. da Escola lução no Escola de Artes Antes que isso a fusão da funcionando acontecess ar numa só, Em 1919, houve e, Gropius Municipal de Artes de Weim Por indicação deste, negociou com Dessau a “adoç o Conselho Escola de Belas de Velde. pal. No ano ão” da Bauha conado por van seguinte entrav us como escol r. Isso vinha prédio projet a em funcio projetado por a municiu-se seu direto torno uma name us m Gropi nto Gropi us (foto pág. o novo edifíc Walter de, mas també 42). io só uma amiza O Departame firmar não entre os dois. nto gica de Arquitetura ade ideoló coordenaçã foi instituído grande afinid o de em 1927, a como tas”, foi destit Hannes Meyer. Por suas sob u a nova escol uído do cargo “tendência ar, Gropius batizo s comunisfoi Ludwig três anos depo Bauhaus Weim mies is. Seu subst (= Das Staatliches dividiu o curso van der Rohe (indicado ituto nte, Bauhaus por Gropius), em cinco núcle ou, simplesme riores, tecela que os: construçã rução). Ele gem, fotog o, design de casa da const rafia e Belas inteArtes Sob a mesm . a alegação de “tendência tração de Dess s comunistas au decidiu ”, a adminisfecha para Berlim como um institu r a escola. Mies decid iu levá-la uma fábric to privado. a desativada Em outubro em Steglitz de 1932, tada ao uso foi escolhida da Bauhaus. para ser adapEm 1933, a Bauhaus foi interditada uma série de pelo regime intervençõe nazista, que s na funcionando exigia . A equipe decid sua estrutura para que continuasse iu por sua disso Boa par te lução em 20 dos profe ssore de julho. s, como Walte der Rohe e Marc el Breue r Grop ius, r, emig rou Mies van O sonh o da para os Estad Bauh os Unido s. o novo ar tista- aus acab ou, mas fez nasc er uma desig ner foi revol produ ção defin itivam ução : indus trial. ente incor n porad o à

Christina Serqueira

Exclusivo

Na cobertura do edifício da Bauhaus, Hinnerk Schep em Dessau , os professores Schmidt, Walter er, Georg Muche, László Josef Albers Gropius, Moholy-Nagy , , Herber Bayer, Feininger, GuntaMarcel Breuer, Wassil Joost y Kandinsky, Stölzl e Oskar Paul Klee, Lyonel Schlemmer, da esquerda para direita

Charme — Nem só de projetos realizados será feito o livro. Várias criações que não saíram da prancheta ganharão as páginas da obra. E, nisso, parece estar o grande charme da publicação, a ser editada e distribuída pela Casa da Palavra. Em entrevista exclusiva à Escala, Indio da Costa adianta o que, a partir de outubro, poderá ser lido no seu livro.

Por que não vê problema? Porque ele sabe muito bem quantos são os fatores envolvidos na aprovação e posterior realização de cada projeto: verba, aspectos políticos, cronograma... Lição de quem tem é experiência.

“Existem projetos fantásticos que não saíram da prancheta. Depois de um tempo, desenvolve-se uma armadura contra este tipo de decepção. É frustrante, mas não deve ser encarado como um fracasso profissional. Hoje, eu acho até graça de alguns casos”, ensina. Para rir, então, ele começa contando a história do projeto que transformaria a Ilha Grande, no Rio de Janeiro, num país independente. Capítulo de realismo fantástico no livro. Estamos no ano de 1966. O cliente era uma ordem religiosa italiana chamada Sovrano Ordine dei Cavalieri Del Santo Sepolcro. Giacomo Ugolini, o “chefe” dos cavalheiros, que vinha ao Rio com capa de veludo e séqüito. O objetivo da ordem era comprar a ilha, para transformá-la num território próprio (dela), independente do Brasil. “Eles queriam que eu fizesse toda a parte

Detalhe da esfera no projeto para o píer Mauá

Na edição 9 de ESCALA, entrevistamos Luiz Eduardo Indio da Costa — o pai de Guto. O arquiteto nos mostrou maravilhosos projetos que não tinham sido construídos. Precioso! In the 9th issue of ESCALA, we interviewed Luiz Eduardo Indio da Costa — Guto’s father. The architect showed us wonderful projects which had not been built. Precious!

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Abraham Moles + Achille Castiglioni + Adélia Borges + Adriana Figueiredo + Aïssa Logerot + Alan Parkinson + Alan Penn + Alberto Ferrero + Alberto Taveira + Alejandro Bahamón + Alessandra Caiado + Alessandra Kosberg + Alessandro Jordão + Alexandre Berthiaume + Alexandre Burmester + Alexandre Grimberg + Alexandre Herchcovitch + Alexandre Teixeira + Alfonso Vitale + Alissia Melka-Teichroew + Allard van der Hoek + Alrik Koudenburg + Álvaro Siza + Amélia Portela + Amit Axelrod + Ana Borelli + Ana Júlia Vinhal + Ana Lúcia Jucá + Ana Maria Indio da Costa + Ana Paula Polizzo + Ana Videla + André Corrêa do Lago + André Lompreta + André Marx + André Wagner + Andrea Fino + Andréa Knecht + Andréa Menezes + Andreas Strauss + Andrée Putman + Andrew Griffin + Angelo de Castro + Anna Kuczynska + Anna Luiza Rothier + Anna Lundberg + Anthony Lebossé + Antônio Agenor Barbosa + Antonio Bernardo + Antonio Citterio + Antonio Sant’Elia + Architecture-Studio + Arthur Casas + Arthur Erickson + Aviad Gil + Axel Thallemer + Ayala Serfaty + Barbara Wolff + Bart Bettencourt + Beat Mathys + Beltran Berrocal + Bernard Tschumi + Bernardo Schor + Bettina Pousttchi + Billie Lee + Branislav Hovorka + Brit Leissler + Britta Szorg + Brunete Fraccaroli + Bruno de Franco + Bruno Porto + Bruno Schwartz + Bryan Berg + Caco Borges + Camilla Block + Camilo Belchior + Canagé Vilhena + Carlo Contin + Carlos Alcantarino + Carlos Fernando Andrade + Carlos Murdoch + Carlos Salgado + Carolina Wambier + Célio Teodorico + Césare Peeren + Chaiyut Plypetch + Chean Yok + Chiara Lampugnani + Chicô Gouvêa + Chico Mendes + Chico Vartulli + Choon-Soo Ryu + Christiaan Oppewal + Christian de Portzamparc + Christian Liaigre + Christiane Laclau + Christien Meindersma + Christophe Pillet + Chul-Hee Kang + Claire Renard + Cláudio Aguiar + Claudio Labarca + Claudio Lamas de Farias + Cláudio Ramos + Clement Greenberg + Craig Dykers + Cristiana Mascarenhas + Cyprien Charbert + Daisuke Watanabe + Damien Hirst + Daniel Baumann + Daniel Libeskind + Daniela Luna + Daniela Ortiz + Dankmar Adler + David Bastos + David Brooks + David Cook + David Gerstein + David Kwok + David Lewis + Deger Cengiz + Demetre Anastassakis + Domingos Manfredi + Domingos Tótora + Doni Kiffmeyer + Doris Salcedo + Dorothée Boissier + Dorys Daher + Dzmitry Samal + Edgar Moura Brasil + Edouard François + Eduardo Baroni + Eduardo de Almeida + Eduardo Faraco + Eduardo Koatz + Eduardo Souto Moura + Einar Jarmund + Eleuza Lores + Eliane Amarante + Eliane Fiuza + Elisabeth Abduch + Emanuele Magini + Érico Costa + Erwan Bouroullec + Etel Carmona + Fabio Memoria + Fabio Novembre + Fatima Freire + Felipe Assadi + Felipe Memória + Félix Candela + Fermín Vázquez + Fernanda Bessone + Fernanda Marques + Fernanda Previato + Fernanda Salles + Fernando Acylino + Fernando Chacel + Fernando Jaeger + Fernando Meirelles + Fernando Mosca + Filippo Tomaso Marinetti + Filomena Padron + Firouz Esfandiari + Flávia Alves de Souza + Flavio Verdini + Florence Doléac + Francisca Pulido + Francisco Veríssimo + Frank Gehry + Franklin Iriarte + Fred Gelli + Frei Otto + Fritz Karpfen + Fritz Lang + Gabriel Joaquim dos Santos + Geoff Birkett + George Clark + Germán del Sol + Gerson Castelo Branco + Gert Wingårdh + Giancarlo Mazzanti + Gilles Jacquard + Gilmar Peres + Gilson Martins + Giovanni Gaidano + Gisela Bochner + Giuseppe Terragni + Gokhan Avcioglu + Graeme Findlay + Guilherme Scheliga + Gustavo Equi + Gustavo Martins + Gustavo Peres + Guto Indio da Costa + Håkon Vigsnæs + Helena Osterreich + Helio Pellegrino + Heloisa Righetto + Hemal Patel + Henning Stüben + Henrique Maurer Wolter + Hermann Kendel + Hilal Sami + Hill Jephson Robb + Hilzes Herbert + Hugo Denizart + Hugo Timmermans + Hwa-jin Jung + Ideias Plásticas + Ignez Ferraz + India Mahdavi Hudson + Iris van Herpen + Irmãos Campana + Itamar Medeiros + Ivan Rezende + Ivo Mareines + Ivo Nedeff + Jairo de Sender + James Irvine + Jamie Antoniades + Jan H. 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Acrilo + Air Show + Allight Design + Alquimia – Viagens e Turismo Cultural + Alta Fidelidade + American Airlines + AN.h – Le Crin + Astor + Atelier Monica Carvalho + Auding Idiomas + Bandeirantes Vidros + Banhart + Barrisol + Bisazza + Blindex + Blum Haus + Brentwood + Caixa Econômica Federal + Camaflage + Casas & Chalés + CasaShopping + Celina Design + Central da Construção + Centro de Design Paraná + Claris + Comunidade Shalom + Coza + Delli Design + De Plá + Dotto + Espaço Egomania + Falmec + Favo + Fernando Acylino Paisagismo + F. Quartilho + Freso + Fujiro + Futon Company + G² Atelier + Governo Federal (Brasil) + GR3 + Guardian + Hamatau Satori Construções + High End + Hotel do Frade + Hilzes Herbert Design Têxtil + Ideias Plásticas + Imagem & Som + Instituto de Arquitetos do Brasil + Instituto Nacional de Tecnologia + Ipanema Kravet + Isfahan Tapetes Persas + Kintamani + Italian Leather + La Lampe + Lartex + Mastercasa + Medabil + Melissa + ML Magalhães + MR. General Contractor + Mucki + New Temper + Novo Ambiente + Objeto Orb Brasil + Ornare + Paluana + Pluna + Prefeitura da Cidade de São Paulo + Punto + Rimadesio (Cinex) + Rupee Rupee + Samsung + Sayonara + Servi-Temper/Cristal Line + Shopping D & D + Suvinil + Tecto + TeleCarga Express + Todeschini + Três Meia Zero – Fotografia Imersiva + V³ Personal Solutions + Varig + V.I.B. – Very Important Baby + Vidraçaria Maracanã + Vidros Belem + Vidrospel + Vilaseca Assessoria de Arte + Víqua


2011

2010

2009

2008

2007

2006

2005

2004

2003

2002

escala

2001

Para todos os nossos anunciantes, o nosso “Muito obrigado!”

arquitetos + decoradores + designers + vips...

To all our announcers, our “Thank you very much!”

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VOCÊ SE INSPIRA,

A GENTE TRADUZ.


CASA DA CRIAÇÃO


Conteúdo por Adriana Figueiredo e Carlos Murdoch murdoch@openlink.com.br

O

Capa: foto principal de Juan Ignacio López (Casa H3, Chile). No destaque (acima), detalhe de Roslyn Street (Durbach Block Jaggers Architects, Austrália)

ecial o Esp ition Ediçãecial Ed s! Sp 10 ano rs! 10 yea

escala

arquitetos + decoradores + designers + vips...

Sergio Dias + Sergio Rodrigues + Stefan Behnisch + Juan Ignacio López + Luiz Eduardo Indio da Costa + Guto Indio da Costa + Neil Durbach + Camilla Block + Ivo Mareines + Rafael Patalano + David Jaggers + Nick Rawcliffe + João Pedro Backheuser + Ignez Ferraz + Aïssa Logerot + Emanuele Magini + Patricia Mayer 1 + Patricia Quentel + Mircea Cantor + JVA + Fabio Memoria + Tabitha von Krüger

04 Editorial/ Editorial

46 Exclusivo/ Exclusive

05 ESCALA 10 anos!/ ESCALA 10 years!

30 Reportagem/ Report 52

pensamento romântico do século XIX ainda povoou intensamente o imaginário da sociedade no início do século XX. Com o olhar voltado para o passado, a burguesia patrocinou a construção de um sem-número de edifícios ecléticos, que evocavam tempos antigos.

Seu contraponto estava em diversos movimentos artísticos emergentes, que defendiam a modernidade, como a Art Nouveau, o Jugendstil e o Liberty Style.

Alguns arquitetos estavam insatisfeitos com o uso de estilos do passado e com as técnicas construtivas tradicionais. Alegavam que os ofícios artesanais negavam a Revolução Industrial e o novo ritmo ditado pelo trabalho mecânico.

Quem produzia ar tesanalmente não tinha acesso ao produto final, muito caro. Isso só fazia crescer a distância entre as classes sociais. Era preciso desenvolver uma arquitetura socialista, que atendesse ao operário e ao burguês. Pensar uma construção industrializada para diminuir as diferenças sociais. A crença de que uma nova arquitetura ia mudar o mundo originou o que se chamou de Arquitetura Moderna e inspirou a máxima de Le Corbusier: “Arquitetura ou Revolução”. O movimento alemão Deutscher Werkbund pretendia promover o crescimento da indústria associado ao trabalho ar tesanal. Um dos seus líderes, o arquiteto Walter Gropius, também defendia a construção industrializada. Em seus projetos, já usava materiais industriais como o aço e o vidro. O arquiteto Henry van de Velde, um dos fundadores da Ar t Nouveau na Bélgica, foi para a Alemanha. Por seus conhecimentos em interiores e produção de utensílios, tornou-se diretor e autor do projeto do edifício da Escola de Ar tes e Ofícios de Weimar. Em 1919, houve a fusão da Escola de Artes e Ofícios com a Escola de Belas Artes de Weimar numa só, funcionando no prédio projetado por van de Velde. Por indicação deste, Walter Gropius tornou-se seu diretor. Isso vinha confirmar não só uma amizade, mas também uma grande afinidade ideológica entre os dois.

Arquitetura em boa forma Architecture in good shape

“Nuvem” premiada Prize-winning “cloud” por (by) Jean Fontes

Gropius batizou a nova escola como Das Staatliches Bauhaus Weimar, ou, simplesmente, Bauhaus (= casa da construção). Ele

42 agosto 2002

ano 10 nº34 dezembro de 2011

30 Exclusivo/ Exclusive 14

30 Exclusivo/ Exclusive 56

30 Exclusivo/ Exclusive 20

30 Exclusivo/ Exclusive 62

30 Exclusivo/ Exclusive 26 20 Viagens de designer

30 Artigo/ Article 70

Gool! Goal!

Uma colher de simplicidade A spoon of simplicity por (by) Suzy Castañeda

Designer’s trips

Mareines e Patalano em 2012 – e 13 Mareines and Patalano in 2012 — and 13

“Quem não acredita não progride” “One who does not believe does not progress”

por (by) Ignez Ferraz, Fabio Memoria e (and) Tabitha von Krüger

32 Exclusivo/ Exclusive

30 Reportagem/ Report 76

30 360° 36 20 por (by) Taciana de Abreu e Silva

30 Exclusivo/ Exclusive 80

30 Exclusivo/ Exclusive 38

30 ArqNow 86

Pop-up em Londres é cool Pop-up in London is cool por (by) Heloisa Righetto

Em termos concretos In concrete terms

CasaShopping terá hotel boutique CasaShopping will have a boutique hotel

2 em 1 2 in 1

por (by) Suzy Castañeda


V

Laura Fantacuzzi

ocê algum dia imaginou a sua casa decorada com objetos que lembram um campo de futebol? Emanuele Magini diz, “Sim”. Ele não só imaginou, mas também criou tais objetos. Projetando uma cadeira com uma rede (“Lazy football”) e uma luminária que traz à mente a iluminação do campo (“Extra time”), o objetivo de Magini é simples: se a pessoa não vai ao estádio, o estádio irá para a casa dela. Ele não nega: adora o esporte e personifica a inspiração para os dois produtos. Na verdade, é fácil perceber que o jovem designer é a origem de todas ou quase todas as suas criações. Para nós, no campo da criatividade, Magini joga um bolão!

! l o Go 14 dezembro 2011

Lazy football


Emanuele Magini

ESCALA: Qual é o principal goal, objetivo, do seu design? Magini: Eu acho que os nossos objetos, a estrutura e o design deles, representam a nossa visão do mundo. Quando eu desenho novas formas, eu tento descrever ou, talvez, somente encorajar novos hábitos e comportamentos. Tudo com o objetivo de promover uma vida mais simples, irônica e engraçada. ESCALA: Como você teve a ideia de “Lazy football”? Magini: Quando eu era criança, minha paixão por futebol não podia ser totalmente preenchida jogando durante o dia todo em parques públicos da minha cidade natal. Por esta razão, à noite, eu costumava continuar a jogar em casa com todo tipo de bolas, para a grande “alegria” da minha mãe que via nossa casa constantemente em perigo. Infelizmente, enquanto eu crescia, comecei a assistir aos jogos no sofá, mais frequentemente do que jogar no campo. Este fato foi a inspiração para “Lazy football”. ESCALA: Então, o que a cadeira simboliza para você? Magini: Ela é o símbolo da minha paixão intermitente por futebol, materializada em um móvel confortável para ser usado em casa. ESCALA: Pensando em “Siesta”, conte-nos sobre sua inspiração. Magini: Quando eu vou ao parque, eu frequentemente sento em bancos. Gosto de observar nuvens correndo. Um dia, eu me dei conta de que os bancos eram duros demais. ESCALA: “Sosia” tem tantas funções. O que podemos fazer com o produto? Magini: Uma cama confortável para uma visita, um sofá, duas poltronas etc. Quando eu vi o primeiro protótipo, comecei a brincar com as várias configurações possíveis. O usuário é convidado a descobrir e organizar o seu “palco” pessoal. ESCALA: Ele é perfeito para o estilo de vida atual, não é? Magini: Sim, perfeito para uma época em que situações e necessidades são sempre mutáveis. E perfeito para pequenos espaços. A própria ideia do produto começou a partir de uma necessidade muito pessoal. Minha casa em Milão é bem pequena e eu precisava de uma acomodação confortável, privativa e inteligente para convidados. ESCALA: Como você escolheu o seu nome? Magini: Eu buscava uma palavra relacionada ao conceito de duplicidade. Então, o nome “Sosia” apareceu. ESCALA: Qual é a sua característica favorita de “Simple Chair”? Magini: Eu penso que uma meta para todos os designers seja projetar algo com o mínimo. “Simple Chair” é uma tentativa nesta direção: uma cadeira quase produzida com apenas uma linha.

15

Extra time


Emanuele Magini

Calendarlamp

ESCALA: “Simple Chair” ganhou um prêmio, não? Magini: Ela ganhou o primeiro prêmio na Promosedia International Design Competition — Caiazza Memorial Challenge 2009. ESCALA: “Extra time” é um outro projeto seu ligado a futebol. Magini: Sim, “Extra time” é uma luminária desenhada para aquelas noites quando assistimos às partidas de futebol pela TV. A casa torna-se um estádio. ESCALA: Um grande dia para marcar na “Calendarlamp”? Magini: O dia do próximo projeto.

ESCALA: E quem convidaria para jogar futebol com você, usando as suas cadeiras “Lazy football”? Magini: O rei, claro: Pelé! n

Simple Chair

Ezio Prandini

ESCALA: Você tem em casa e usa qualquer um de seus projetos? Magini: Somente o cinzeiro “Oscar”, que também serve para colocar guarda-chuvas. Eu estou sempre disposto a parar de fumar.

ESCALA: O que você pensa sobre o design italiano hoje em dia? Magini: O design italiano está quase na mesma condição que todo o meu país: uma grande história, um know-how enorme, mas uma forte incapacidade de planejar para o futuro.

16 dezembro 2011

Siesta


Laura Fantacuzzi

! l Goa H

ave you ever imagined your house decorated with objects that resemble a soccer field? Emanuele Magini says, “Yes”. He has not only imagined, but also created such objects. Designing a chair with a net (“Lazy football”) and a lamp that brings to mind the lighting of the field (“Extra time”), Magini’s goal is simple: if the person does not go to the stadium, the stadium will go to his/her house. He does not deny: he loves the sport and personifies the inspiration for both products. In fact, it is easy to perceive that the young designer is the origin of all or almost all of his creations. For us, in the field of creativity, Magini is an ace! ESCALA: What is the main goal of your design? Magini: I think that our objects, their structure and design, represent our vision of the world. When I design new shapes, I try to describe or, maybe, just encourage new habits and behaviors. All with the objective of promoting a more simple, ironic, and funny life.

Lazy football

ESCALA: How have you had the idea of “Lazy football”? Magini: When I was a child, my passion for soccer could not be completely fulfilled by playing all day in the public parks of my hometown. For this reason, in the evening, I used to keep on playing at home with all sort of balls for the great “joy” of my mom that saw our house constantly in danger. Unfortunately, while I grew up, I started to watch the games on the sofa more often than playing on the field. This fact was the inspiration for “Lazy football”. ESCALA: So, what does the chair symbolize to you? Magini: It is the symbol of my unstoppable passion for soccer, materialized in a comfortable piece of furniture to be used at home. ESCALA: Thinking about “Siesta”, tell us about your inspiration. Magini: When I go to the park, I frequently sit on benches. I like to observe clouds running. One day, I realized that the benches were too tough. 17


Ezio Prandini

ESCALA: “Sosia” has so many functions. What can we do with it? Magini: A comfortable bed for a guest, a sofa, two armchairs etc. When I saw the first prototype, I started playing with the various possible configurations. The user is invited to discover and arrange his/her personal “stage”. ESCALA: It is perfect for the current lifestyle, isn’t it? Magini: Yes, perfect for a time in which situations and needs are always changing. And it is perfect for small spaces. The idea of the product itself started from a very personal need. My house in Milan is quite small and I needed a comfortable, private, and smart accommodation for guests. ESCALA: How have you chosen its name? Magini: I have searched a word related to the concept of duplicity: so, the name “Sosia” has come. ESCALA: What is your favorite characteristic of “Simple Chair”? Magini: I think that one goal for all designers is to design something with the minimum. “Simple Chair” is an attempt in this direction: a chair almost produced with only one line. ESCALA: “Simple Chair” has won a prize, hasn’t it? Magini: It won first prize at Promosedia International Design Competition — Caiazza Memorial Challenge 2009. ESCALA: “Extra time” is another project of yours which is linked to soccer. Magini: Yes, “Extra time” is a lamp designed for those nights when we watch soccer matches on TV. The house becomes a stadium. ESCALA: A great day to mark on “Calendarlamp”? Magini: The day of the next project. ESCALA: Do you have and use at home any of your projects? Magini: Only the ashtray called “Oscar”, which also serves to keep umbrellas. I am always in the mood to stop smoking. ESCALA: What do you think about Italian design nowadays? Magini: Italian design is almost in the same condition as all my country: a big history, a huge know-how, but a strong inability to plan for the future.

Sosia 18 dezembro 2011

ESCALA: Who would you invite to play soccer with you, using your “Lazy football” chairs? Magini: The king, of course: Pele! n


por Suzy Castañeda

Uma colher de simplicidade

Nesta entrevista exclusiva à ESCALA, Logerot conversa sobre algumas outras criações suas — “Spoonplus”, “Sur les Rivages”, “Extensions”, “XY” e “Bookcase”. E ele conta aos nossos leitores sobre sua fantástica vivência no Camboja — uma experiência de vida simples com pessoas muito simples. Com “Extensions”, Logerot ganhou “Red Dot Award 2009” antes de ser indicado ao “Audi Talents Awards”. Ele também venceu “Cinna Design Competition 2010” com sua “Lamp Posh” e “Grand 20 dezembro 2011

Prize of the City of Paris 2010”, na categoria jovem designer. “Meu trabalho levanta questões sobre eco-design e as ligações que possam existir entre design e artesanato”, diz o designer, graduado pela Ensci e um ex-estudante de marcenaria da Ecole Boulle. Apenas para os curiosos sobre a origem do seu nome (Aïssa), ele vem do norte da África. ESCALA: Um bom prato para comer com os pauzinhos do seu “Spoonplus”? Logerot: Chirashi e todos os pratos asiáticos servidos em tigelas de arroz. ESCALA: E com a colher? Logerot: Miso soup. Talvez, corn flakes. Poderia ser engraçado!

Amandine Chhor

S

i “Madame est servie”, Aïssa Logerot est très content. O designer francês deseja servir e contentar as pessoas com produtos simples. Um bom exemplo é a tábua de passar roupa que também é um espelho. O nome da criação representa a pura filosofia dele: “Madame est servie”. Ele diz: “Como designer, eu não penso que haja uma estética ideal. Eu aprecio especialmente a simplicidade de formas refletindo a evidência de uma função, de um uso específico”.

ESCALA: Como você teve a ideia deste produto? Logerot: Eu queria criar um novo tipo de talher dedicado às refeições asiáticas, respeitando a ordem cronológica dos pratos em restaurantes japoneses, por exemplo. As refeições geralmente começam com uma sopa (Miso soup). Depois, eles servem sushi, sashimi, uma tigela de arroz etc. Eu amo comida asiática. ESCALA: Pensando em “Extensions”, quantas peças de mobiliário podem ser geradas a partir da peça básica? Logerot: “Extensions” é uma linha de móveis pronta para montar. As peças vêm em pacotes planos. É possível montar seis móveis: mesa para café, banco, estante, console, mesa de escritório e mesa de jantar — todos feitos de madeira maciça. E há também uma luminária. Spoonplus


Véronique Huyghe

ESCALA: O que você pensa sobre mobília em kit? Você acha que é algo a se tornar mais e mais adotado? Logerot: Pode ser mais e mais adotado, porque é prático. ESCALA: Quais são os requisitos para isso? Logerot: A forma de montar este tipo de produto tem que ser extremamente simples e intuitiva. E ele tem que ser feito com materiais de boa qualidade e duráveis e ser barato e fácil de guardar. ESCALA: Conte sobre “Sur les Rivages”. Logerot: Amandine Chhor me convidou para participar do projeto. Propusemos reavaliar o ofício de tecelagem de jacintode-água no Camboja. Esta planta aquática é prejudicial porque causa muitos problemas ambientais, sanitários e econômicos. Trabalhando de dezembro de 2009 a março de 2010, em colaboração com a associação Osmose e as mulheres da Saray Cooperative (da aldeia flutuante de Prek Toal), a ideia deste projeto era experimentar este material orgânico e as técnicas de tecelagem a fim de encontrar novas aplicações para a planta invasora.

Madame est servie

Lindo demais. É um bom lugar para trabalhar e encontrar inspiração. ESCALA: Conte-nos um fato inesquecível. Logerot: As mulheres da Saray Cooperative sempre nos recebiam com um sorriso em seus rostos.

ESCALA: E o Camboja? Logerot: Ele é um país em reconstrução, que vem tentando reviver ofícios tradicionais que desapareceram durante o genocídio. O design pode ajudar a atualizar algumas dessas habilidades e se tornar a ligação entre técnica, forma e uso.

ESCALA: Uma grande oportunidade. Logerot: Tivemos a chance de descobrir a floresta inundada e a oportunidade de navegar por entre as árvores habitadas pelas últimas grandes aves migratórias. Era uma área protegida, não muito longe da aldeia de Prek Toal.

ESCALA: E o resultado do projeto naquele país? Logerot: No final do projeto, desenvolvemos uma nova gama de produtos, como cestas, bolsas, almofadas, luminárias, cadeiras, cadeiras de balanço e banquinhos.

ESCALA: Qual foi sua inspiração para “Madame est servie”? Logerot: O desejo de lincar em um único produto duas ações consecutivas: passar roupa e vestir-se.

Amandine Chhor

ESCALA: Qual foi sua experiência mais impressionante no Camboja? Logerot: Olhar a vida na aldeia flutuante de Prek Toal. As casas flutuam na superfície da água e os moradores do local se deslocam por barco. O ambiente é muito bonito. ase

Bookc

21


Véronique Huyghe

ESCALA: Quais são os seus aspectos favoritos de “XY” e “Bookcase”? Logerot: “XY” é fácil de usar. Com um gesto simples, uma cadeira se transforma em uma mesa para café. E um detalhe importante: a superfície da mesa é diferente da superfície onde o usuário se senta. Pensando sobre “Bookcase”, eu gosto de sua simplicidade formal e de seu grande volume. Quando eu a projetei, eu queria sugerir a forma de um tronco de árvore cortado em pranchas. ESCALA: Como você analisa o design francês hoje em dia? Logerot: Podemos dizer que há uma atual emulsão criativa impulsionada por uma nova geração motivada. Todo mundo quer encontrar seu lugar no mercado, o que é normal, mas, hoje em dia, existem mais fornecedores do que demanda. ESCALA: Você acha que hoje em dia existem mais eventos de design na França? Logerot: Sim, desde 2006, o número de eventos de design vem crescendo. Há também novos fabricantes de design e galerias que dão oportunidades para jovens designers. ESCALA: Qual é o big point? Logerot: Propor produtos de boa qualidade de forma que os consumidores percebam que eles não são apenas uma tendência. ESCALA: Sobre seu design, ele tem uma boa colher de... Logerot: Simplicidade para a vida cotidiana. n

Extensions

Véronique Huyghe

22 dezembro 2011

Extensions


by Suzy Castañeda

A spoon of simplicity

Amandine Chhor

Spoonplus

S

.i “Madame est servie”, Aïssa Logerot est très content. The French designer wants to serve and please people with simple products. A good example is the ironing board which is also a mirror. The name of the creation represents his pure philosophy: “Madame est servie”. He says: “As a designer, I do not think that there is an ideal aesthetics. I especially appreciate the simplicity of forms reflecting the evidence of a function, of a use”. In this interview to ESCALA, Logerot talks about some other creations of his — “Spoonplus”, “Sur les Rivages”, “Extensions”, “XY”, and “Bookcase”. And he tells our readers about his fantastic experience in Cambodia — an experience of simple life with very simple people. With “Extensions”, Logerot won “Red Dot Award 2009” before being nominated for “Audi Talents Awards”. He also won “Cinna Design Competition 2010” with his “Lamp Posh” and “Grand Prize of the City of Paris 2010”, in young designer category. “My work raises questions on ecodesign and the links that may exist between design and handicraft”, says the designer, graduated from Ensci and a former joinery student at Ecole Boulle. Just for the ones who are curious about the origin of his name (Aïssa), it comes from the north of Africa.

ESCALA: A good, special, dish to eat with the sticks of your “Spoonplus”? Logerot: Chirashi and all Asian dishes served in rice bowls. ESCALA: And with the spoon? Logerot: Miso soup. Maybe corn flakes. It could be funny! ESCALA: How have you had the idea of this product? Logerot: I wanted to design a new kind of cutlery dedicated to Asian meals, respecting the chronological order of the dishes in Japanese restaurants, for example. The meals usually start with a soup (Miso soup). Then, they serve sushi, sashimi, a bowl of rice etc. I love Asian food. ESCALA: Thinking about “Extensions”, how many pieces of furniture can be generated from the basic piece? Logerot: “Extensions” is a line of ready-to-assemble (flat-pack) furniture. It is possible to assemble six pieces of furniture: coffee table, bench, bookcase, console, desk, and dining table — all made of solid wood. And there is also a lamp. ESCALA: What do you think about furniture in kit form? Do you think it is something to become more and more adopted? Logerot: It can be more and more adopted, because it is practical. ESCALA: What are the requirements to this? Logerot: The way to assemble this kind of product must be 23


Véronique Huyghe

houses float on the surface of the water and the inhabitants move by boat. The environment is very beautiful. It is a nice place to work and find inspiration. ESCALA: Tell us an unforgettable fact. Logerot: The women of Saray Cooperative always welcomed us with a smile on their faces. ESCALA: A great opportunity. Logerot: We had the chance to discover the flooded forest and the opportunity to sail through the trees inhabited by the last great migratory birds. It was a protected area, not so far from the village of Prek Toal. XY

extremely simple and intuitive. And it must be made of good quality and durable materials and be cheap and easy to store. ESCALA: Tell us about “Sur les Rivages”. Logerot: Amandine Chhor invited me to take part in the project. We proposed to revaluate the weaving craft of water hyacinth in Cambodia. This aquatic plant is harmful because it causes many environmental, sanitary, and economic problems. Working from December 2009 to March 2010, in collaboration with Osmose association and the women of Saray Cooperative (from the floating village of Prek Toal), the idea of this project was to experiment this organic material and the weaving techniques in order to find new applications for the invasive plant. ESCALA: And what about Cambodia? Logerot: It is a country undergoing reconstruction which has been trying to revive traditional crafts that have disappeared during the genocide. Design can help to upgrade some of these skills and become the link between technique, form, and use. ESCALA: And the result of the project in that country? Logerot: At the end, we developed a new range of products, like baskets, bags, cushions, lamps, chairs, rocking chairs, and stools. ESCALA: What has been your most impressive experience in Cambodia? Logerot: To see the life on the floating village of Prek Toal. The 24 dezembro 2011

ESCALA: What has been your inspiration to “Madame est servie”? Logerot: The desire to link in a single product two consecutive actions: ironing clothes and dressing up. ESCALA: What are your favorite characteristics of “XY” and “Bookcase”? Logerot: “XY” is easy to use. With a simple gesture, a chair becomes a coffee table. And one important detail: the surface of the table is different from the surface where the user sits. Thinking about “Bookcase”, I like its formal simplicity and its large volume. When I designed it, I wanted to suggest the shape of a tree trunk cut into planks. ESCALA: How do you analyze French design nowadays? Logerot: We can say that there is a current creative emulsion driven by a new motivated generation. Everyone wants to find his place in the market, which is normal, but nowadays there are more suppliers than demand. ESCALA: Do you think that nowadays there are more design events in France? Logerot: Yes, since 2006, the number of design events has been growing. There are also new design manufacturers and galleries which give opportunities to young designers. ESCALA: What is the big point? Logerot: To propose good quality products in a way consumers perceive they are not only a trend. ESCALA: Thinking about your design, it has a good spoon of… Logerot: Simplicity for daily life. n


Viagens de designer

N

a Índia, ele trabalhou com artesãos de bambu num workshop. O que o designer inglês Nick Rawcliffe desejava era produzir com eles peças de melhor qualidade. “Era difícil para eles compreender as diferenças entre os nossos produtos e os deles, principalmente no acabamento”, diz ele. Lembra a inesquecível Janete Costa, não? Na Letônia, foi jurado do “Young Design Entrepreneur Award/ 2011”, patrocinado pelo Consulado Britânico, e conduziu um workshop de design sustentável com cerca de 30 jovens designers, que deveriam criar uma nova peça de mobiliário, uma escultura ou uma instalação a partir de coisas inúteis.

ESCALA: O que você ganha experimentando culturas tão diferentes? Rawcliffe: Eu recebo muita inspiração, vendo o que as pessoas possuem, o que elas valorizam e, mais importante, o que elas vêem como supérfluo. Trabalhar na Índia, por exemplo, faz você questionar o seu desejo de projetar coisas que são essencialmente desnecessárias à vida humana. Ver as pessoas realmente felizes em um estado que chamaríamos de pobreza abjeta me faz querer ser mais holístico no meu processo de criação. ESCALA: E o que você dá para elas? Rawcliffe: Eu não tenho ideia alguma. Talvez, um pouco de pensamento criativo ou uma visão de alguém de uma cultura diferente, quem sabe. ESCALA: Como você viu o design na Índia? Rawcliffe: Pode-se pensar que o design na Índia se resume à utilidade e à necessidade, com a família média não possuindo muitas “coisas” em comparação com uma família inglesa. Contudo, olhando mais de perto, você vê coisas surpreendentes, como as pinturas nos tradicionais rickshaws e a maneira como elaborações em estilo vitoriano ainda são fabricadas em metal, o que há muito tempo já morreu no Ocidente.

Na Rússia, Rawcliffe participou de uma exposição mostrando as suas criações. “Infelizmente, eles pensam que design se resume a uma etiqueta dourada brilhante de uma casa de moda italiana. Disseram a mim que, lá, não há uma palavra para ‘sustentabilidade’”, ele lembra. Nos três países, o nosso entrevistado ensinou e aprendeu. O mais importante: trocou experiências com pessoas de culturas diferentes. E gostou tanto que, neste final de ano, seguirá para Tripura, na Índia, de novo. Em sua segunda entrevista para ESCALA, Rawcliffe nos conta um monte de histórias deliciosas. Souvenirs de um viajante.

ESCALA: E na Rússia? Rawcliffe: Eu penso que o design não teve importância na vida cotidiana dos russos durante muito tempo. A conscientização sobre o design de produto na Rússia está atrás da nossa pelo menos dez anos. Eles gostam de produtos com partículas brilhantes, Rickshaw, Índia

26 dezembro 2011


Cortesia de Nick Rawcliffe Workshop de bambu, Índia

partes douradas... Para mim, é um retrocesso no design e na evolução dos produtos. Pensei que estava lá para participar de uma exposição, com chances de vender algumas peças. Mas acabou mais parecido com uma exposição de educação pública a respeito desse “estranho conceito novo” chamado “design”! ESCALA: E o design na Letônia? Rawcliffe: Enxerguei-o como algo importante. A vencedora do “Young Design Entrepreneur Award/ 2011” foi anunciada no noticiário nacional do horário nobre! ESCALA: Os empresários desses países investem em design? Rawcliffe: Mais uma vez, dos três países, o mais atrasado em design parece ser a Rússia. Fui a uma palestra muito interessante em Moscou, dada por um pesquisador acadêmico, cuja pesquisa havia mostrado que apenas 10% das empresas que ele analisou tentariam usar o design para melhorar seu negócio. O mesmo pesquisador também mencionou que “é impossível encontrar um designer com mais de 35 anos na Rússia”. A coisa mais positiva é a nova onda de jovens designers, que são mais livres em seu pensamento. ESCALA: O que você diz, de forma geral, dos designers desses países? Rawcliffe: Na Letônia, a população é pequena. Os designers

exportam ou, pelo menos, tentam exportar suas criações para a Europa Ocidental. Estranhamente, eles não parecem pensar em construir um nome nos outros ex-estados da União Soviética. Talvez, porque a consciência de design do russo médio esteja alguns anos atrás da consciência de design média na Letônia. Eles têm um forte sentimento de orgulho nacional. Na Rússia, muitos designers com os quais eu falei tinham a impressão de que a indústria de transformação do país estava quebrada e não poderia ser recuperada. Na Índia, designers podem ajudar a melhorar as vidas dos artesãos locais. ESCALA: Nomes especiais de designers? Rawcliffe: Na Índia, Siddhartha Das, que, altruisticamente, vem tentando ajudar os artesãos a criar novos mercados (lojas de produtos de design, hotéis,...) para as peças deles. Na Letônia, Elina Dobele, a vencedora do “Young Design Entrepreneur Award/ 2011”. Ela é uma arquiteta que se tornou designer de sapatos. Sua coleção é fantástica — a marca é ZoFa —, mas o mais inspirador é o trabalho dela para dar aos artesãos da sua empresa uma vida melhor. ESCALA: Na Rússia, alguém relacionado ao mundo do design? Rawcliffe: Dina Popova, que vem desenvolvendo uma revista tentando aumentar a conscientização a respeito da ecologia e da sustentabilidade. 27


Cortesia de Nick Rawcliffe

ESCALA: Quais as coisas mais importantes que você aprendeu nesses países? Rawcliffe: Na Índia: projete coisas necessárias! Na Letônia: a herança cultural é realmente poderosa para o design. Na Rússia: produtos podem transmitir uma mensagem forte somente com a história por trás dos materiais utilizados, e podem fazer as pessoas pensarem. ESCALA: Uma história engraçada. Rawcliffe: No workshop sobre bambu, havia muitos participantes e nenhum bambu. Vou enviar uma foto mostrando como nós carregamos a matéria-prima, do vendedor para o workshop.

Bota by Elina Dobele (Letônia)

ESCALA: Outra história? Rawcliffe: Não tem a ver com design, mas é uma história inesquecível. Tripura, na Índia, não é um local seguro. Há regras de toque de recolher e não há pontos de venda de álcool. Mas Manu, um dos organizadores do nosso workshop, queria que eu experimentasse algumas das cervejas de arroz locais. Numa noite, fomos a um mercado e Manu desapareceu, voltando 15 minutos depois com uma garrafa reciclada de água. Dentro dela, estava um líquido “claro”, com umas partículas. Quando eu abri a garrafa, algum tipo de gás nocivo, instantaneamente, encheu o carro. Foi louco e o mais louco é que ainda tive coragem de beber o líquido, que pareceu queimar o meu esôfago inteiro.

28 dezembro 2011

ESCALA: Que história maluca! Rawcliffe: Sim. Quando eu estava voltando para casa, fiquei muito frustrado pois não me permitiram levar o líquido misterioso para dentro do avião. Eu queria que os meus amigos britânicos pudessem experimentar aquele líquido misterioso.

Exibição na Rússia

ESCALA: Quais são as suas novas aventuras? Rawcliffe: No final do ano, irei para Tripura de novo. Outro workshop. Também quero fazer algo relacionado com veículos elétricos. E eu acabei de comprar uma pequena CNC — uma máquina que usa programas para automaticamente executar uma série de operações, aumentando a produtividade — para colocar alguns dos meus projetos em produção. É hora de começar a vender mais produtos. ESCALA: Eu li que seu “The Ribbon Stool” vem ajudando fundações de caridade. Como? Rawcliffe: Nós vendemos o produto e parte do dinheiro vai para fundações de caridade. Eu gosto de pensar que estou fazendo minha parte ajudando essas instituições a arrecadar mais dinheiro. ESCALA: O que é caridade para você? Rawcliffe: Trabalhei para uma instituição de caridade antes, fazendo cadeiras de rodas em Bangladesh. Eu acho que caridade é mais do que apenas dar dinheiro. Boas ideias podem ajudar instituições de caridade. ESCALA: Como você teve a ideia do produto e da campanha? Rawcliffe: Eu estava pensando sobre a forma de fita e se essa forma poderia ser usada para algo útil. Não demorou muito para ter a ideia do banquinho. Em um avião, claro. n


Designer’s trips

Courtesy of Nick Rawcliffe

Bamboo workshop, India

I

n India, he has worked with bamboo artisans in a workshop. English designer Nick Rawcliffe has wanted to produce better quality pieces with them. “It was hard for them to understand the differences between our products and theirs, principally in the finish”, he says. It reminds us Janete Costa — an unforgettable Brazilian architect (1932 – 2008) who worked beautifully with Brazilian craftsmen —, doesn’t it? In Latvia, he has been a judge in the “Young Design Entrepreneur Award/ 2011”, sponsored by the British Council, and has conducted a sustainable design workshop with a group of about 30 young designers, who should create a new piece of furniture, a sculpture, or an installation from useless things. In Russia, Rawcliffe has participated in an exhibition showing his own creations. “Unfortunately, they think design is all about a shiny gold label of an Italian fashion house. I was told that there is not actually a word for ‘sustainability’ there”, he remembers.

In all three countries, our interviewee has taught and learned. Most importantly, he has exchanged experiences with people from different cultures. He has liked it so much that at the end of the year he will go to Tripura, in India, again. In his second interview to ESCALA Magazine, Rawcliffe tells us a series of delightful stories. They are souvenirs of a traveler. ESCALA: What do you gain experiencing such different cultures? Rawcliffe: I get so much inspiration, seeing what people have, what they value and, more importantly, what they see as superfluous! Working in India, for instance, makes you question your desire to design things that are essentially unnecessary to human life. Seeing people really happy in a state we would call abject poverty makes me want to be more holistic in my creation process. ESCALA: And what do you give to them? Rawcliffe: No Idea. Maybe, a bit of creative thought or a view from someone of a different culture. ESCALA: How have you seen design in India? Rawcliffe: One might think that design in India is all about utility 29


and necessity, with the average family not really owning that many “things” compared to an English family. But looking closer, you see amazing things, like the paintings on the rickshaws and the way that Victorian-style elaborations are still manufactured into metalwork, which has long since died out in the west. ESCALA: And in Russia? Rawcliffe: I think that design has not had importance in the everyday life of Russians for a long time. Russia’s product design awareness is at least ten years behind us. They like products with sparkling bits, gold parts… To me, it is a move backwards in design and in the evolution of products. I thought I was there to take part in an exhibition, with a view to being able to sell some pieces. But it ended up more like a public education exhibition about this “strange new concept” called “design”! ESCALA: And what about design in Latvia? Rawcliffe: I have seen it as something important. The winner of “Young Design Entrepreneur Award/ 2011” has been announced on the primetime national news! ESCALA: Do the businessmen of these countries invest in design? Rawcliffe: Again, among the three countries, the one lagging behind in design seems to be Russia. I went to a really interesting talk in Moscow by an academic researcher, whose research had showed that only 10% of the companies he looked at would try to use design to improve their business. The same researcher also mentioned that “it is impossible to find a designer over 35 years old in Russia”. The most positive thing is the new wave of young designers, who are freer in their thinking. ESCALA: What do you say, in general, about the designers of these countries? Rawcliffe: In Latvia, the population is small. Designers export or,

30 dezembro 2011

at least, try to export their creations to Western Europe. Strangely, they don’t seem to think about building a name in the other exstates of the USSR as somewhere for themselves to build a name. Perhaps, because the design awareness of the average Russian is a few years behind the average design awareness in Latvia. They have a strong feeling of national pride. In Russia, many designers with whom I spoke were under the impression that the manufacturing industry of the country was broken and couldn’t be fixed. In India, designers can help improve the lives of local artisans. ESCALA: Special names of designers? Rawcliffe: In India, Siddhartha Das who, unselfishly, has been trying to help the artisans to create new markets (design stores, hotels,...) for their pieces. In Latvia, Elina Dobele, the winner of “Young Design Entrepreneur Award/ 2011”. She is an architect who became a shoe designer. Her collection is great — the brand is ZoFa —, but the most inspiring thing is her work to give a better life to the craftsmen of her company. ESCALA: In Russia, anybody related to the design world? Rawcliffe: Dina Popova, who has been developing a magazine trying to raise awareness about ecology and sustainability. ESCALA: What are the most important things that you have learned in these countries? Rawcliffe: In India: design necessary things! In Latvia: cultural heritage is really powerful to design. In Russia: products can convey a strong message just by the story behind the materials used and make people think. ESCALA: A funny story. Rawcliffe: At the bamboo workshop, there have been a lot of participants and no bamboo. I will send you a picture showing

Bamboo workshop, India


Sustainable design workshop, Latvia

how we have carried the raw material from the seller to the workshop — see it in the beginning of this report. ESCALA: Another one? Rawcliffe: Tripura (India) is not a safe place. There are curfew rules and there are no places selling alcohol. But Manu, one of the organizers of our workshop, wanted me to try some local “rice beer”. One night, we went to a market and Manu disappeared, coming back 15 minutes later with a recycled water bottle. Inside it, there was a “clear” liquid, with some “bits” in it. When I opened the bottle, some kind of noxious gas instantly filled the car. It was crazy and the craziest thing was that I had the courage to drink the liquid, which seemed to burn my esophagus. ESCALA: What a crazy story! Rawcliffe: Oh, yeah! When I was returning home, I became frustrated because they didn’t allow me to take the mysterious liquid into the plane. I wanted my British friends to try it. ESCALA: What are your new adventures? Rawcliffe: At the end of the year, I will go to Tripura again. Another workshop. I also want to do something related to

electric vehicles. And I have just bought a small CNC — a machine that uses programs to automatically execute a series of operations, increasing productivity — to get some of my designs into production. It is time to start selling more products. ESCALA: I have read that “The Ribbon Stool” has been helping charity foundations. How? Rawcliffe: We sell the product and part of the money goes to charity foundations. I like to think that I am doing my bit by helping these institutions raise more money. ESCALA: What is charity for you? Rawcliffe: I’ve worked for a charity institution before, making wheelchairs in Bangladesh. I think charity is more than just giving money. Good ideas can help charity foundations. ESCALA: How did you have the idea of the product and the “campaign”? Rawcliffe: I was thinking about the ribbon shape and whether this shape could be used in something useful. It didn’t take long to have the idea of the stool. On a plane, of course.n 31


por Heloisa Righetto Direto de Londres

Cortesia de Damian Griffiths e Bold Tendencies

Pop-up em Londres é cool

Three Genetic Drifts

T

urista não vai, não. Mas a verdade é que, atualmente, Peckham — bairro na parte sul de Londres — é uma das regiões preferidas dos londoners descolados, que conhecem a cidade de ponta a ponta e não costumam frequentar os mesmos lugares que os turistas. Não é à toa que a exposição de arte contemporânea “Bold Tendencies”, que ocorre no bairro há cinco anos, “bombou” este ano, apresentando, entre outras atrações, dois ratos infláveis gigantes no topo/terraço de um antigo estacionamento. Pouco divulgado na imprensa, mas com muita propaganda boca a boca, o evento, com entrada franca, virou visita obrigatória para a turma cool da cidade. A edição deste ano, finalizada em 30 de setembro, reuniu 15 artistas participantes — vindos de várias partes do mundo — em um estacionamento abandonado, quase em frente à principal estação de trem de Peckham. Cada artista contribuiu com uma escultura ou instalação, exibida em um dos quatro andares do estacionamento semiaberto. 32 dezembro 2011

Se, para a turma descolada, o bairro é tudo de bom, para outros tipos de moradores e turistas, merece o imperativo “don’t go”. Este ano, no início de agosto, Peckham foi palco de uma série de distúrbios que colocaram Londres nas manchetes dos jornais do mundo todo. Violência e pobreza que parecem não assustar quem quer estar “antenado” com o que há de mais moderno em arte e design. Atrações — Uma das principais atrações da “Bold Tendencies 2011” foi, sem dúvida, uma dupla de ratos infláveis gigantes. Criação do coletivo nova-iorquino The Bruce High Quality Foundation, eles eram acompanhados por uma trilha sonora quando inflados, alternadamente. A música? “Stay With Me Baby” — o mesmo nome da instalação. Outra obra-chave deste ano foi a instalação luminosa “More Cheeks Than Slaps”, do artista romeno Mircea Cantor. Colocada em uma das fachadas do prédio, podia ser vista desde a estação de trem, como um cartão de boas-vindas para quem chega a Peckam pela primeira vez.


David Brooks (EUA) criou a instalação “Three Genetic Drifts”. O que costumamos ver em praias na Europa — passeios de tábuas de madeira — foi parar no topo do prédio do estacionamento. Ele propôs um “urban boardwalk”, com flutuações que podem ser interpretadas como as flutuações observadas em nossas vidas. Os outros artistas que participaram da mostra foram: Kitty Kraus (Alemanha), Lilah Fowler (Inglaterra), Rachael Champion (EUA), Bettina Pousttchi (Alemanha-Irã), Eva Berendes (Alemanha), Camille Henrot (França), James Capper (Inglaterra), Jess Flood-Paddock (Inglaterra), Matt Keegan (EUA), James Richards (País de Gales), Mamiko Otsubo (Japão) e Michael Dean (Inglaterra).

Inovação — Além de todas as obras bacanas, os organizadores da “Bold Tendencies 2011” montaram um espaço para palestras e saraus (inteiramente revestido de palha, para uma melhor acústica), em parceria com o escritório Practice Architecture. Repetindo o sucesso do ano passado, o bar/restaurante Frank’s Cafe funcionou durante todo o período da exposição e impressionou por sua arquitetura. A estrutura simples, de madeira e teto de tecido retrátil, valorizou a vista da cidade e combinou perfeitamente com a paisagem e o clima descontraído do evento. Para obter informações sobre “Bold Tendencies 2012”: http:// www.facebook.com/boldtendencies. n

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Stay With Me Baby


by Heloisa Righetto Direct from London

Pop-up in London is cool Courtesy of Damian Griffiths and Bold Tendencies

Three Genetic Drifts

More Cheeks Than Slaps

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ourists do not go there. But the truth is that, currently, Peckham — neighborhood in the southern part of London, UK — is one of the favorite areas for hip Londoners, who know the city from end to end and are not accustomed to visit the same places that tourists visit. It is not by chance that “Bold Tendencies”, a contemporary art exhibition which has been taking place in the neighborhood for five years, was a success this year, showing two giant inflatable mice at the top/terrace of an old parking lot, among other attractions. Little reported in the press, but with much word-of-mouth advertising, the free-admission event has become an obligatory visit for the cool Londoners. This year’s issue, ended on September 30, brought together 15 participating artists — from several parts of the world — in an abandoned parking lot, almost opposite the main train station in Peckham. Each artist contributed with a sculpture or an installation, displayed on one of the four floors of the semi-open parking lot. If, for the cool crowd, the neighborhood is amazing, for other types of residents and tourists, it deserves the imperative “don’t go”. This year, in early August, Peckham was the scene of a series of disturbances that put London in the headlines around the world. Violence and poverty which seem not to scare anyone that wants to be up-to-date with the latest in art and design. Attractions — One of the main attractions of “Bold Tendencies 2011” was undoubtedly a pair of giant inflatable mice. Created by the New York artist collective The Bruce High Quality Foundation, they were accompanied by a soundtrack when inflated alternately. The soundtrack? “Stay With Me Baby” — the same name of the installation. 34 dezembro 2011

Untitled (Osaka)

Economies of Scale

Another key-work was the installation called “More Cheeks Than Slaps”, by Romanian artist Mircea Cantor. Placed on one of the facades of the building, it could be seen from the train station, as a welcome card for those arriving at Peckam for the first time. David Brooks (USA) created “Three Genetic Drifts”. What we usually see on beaches in Europe — wooden boardwalks — ended up on the top of the parking lot building. He proposed an “urban boardwalk” with fluctuations that can be interpreted as the fluctuations observed in our lives. The other artists who took part in the exhibition were: Kitty Kraus (Germany), Lilah Fowler (England), Rachael Champion (USA), Bettina Pousttchi (Germany-Iran), Eva Berendes (Germany), Camille Henrot (France), James Capper (England), Jess Flood-Paddock (England), Matt Keegan (USA), James Richards (Wales), Mamiko Otsubo (Japan), and Michael Dean (England). Innovation — Besides all the cool works, the organizers of “Bold Tendencies 2011” set up a space for lectures and balls (fully covered with straw for better acoustics) in partnership with Practice Architecture. Repeating last year’s success, Frank’s Cafe (bar/restaurant) worked during the entire exhibition and impressed by its architecture. The simple wooden structure, with retractable fabric roof, gave value to the view of the city and combined perfectly with the landscape and the relaxed atmosphere of the event. For information on “Bold Tendencies 2012” just look at http:// www.facebook.com/boldtendencies. n


1010

Festejando os 10 anos da ESCALA e dando as boasvindas aos próximos 10, a coluna brinca com este incrível par de números, elevando o código binário a ícone fashion. O primeiro produto must-have é o “Binary Door Mat”, da Think Geek. Um jeito cool de dizer “Welcome” aos vizinhos! Celebrating ESCALA’s 10th anniversary and welcoming the next 10 years, the column plays with this amazing pair of numbers, promoting the binary code to a fashion icon. The first must-have product: “Binary Door Mat” (by Think Geek). A cool way to say “Welcome” to the neighbors!

5:44

E que tal um relógio binário? Existem “milhões” de modelos e, eu confesso, alguns são quase impossíveis “de ler”! De todos os que eu já vi, o modelo “THE ONE”, da Time Mode, é o meu preferido — aqui, em edição especial by Joseph Bauer, com Che. O slogan do relógio? “Time for Wise Heads”! Mas que horas são?

8 BIT

Você teve videogames com processadores de 8 bit? Se teve, provavelmente, vai amar este cabideiro da imagem (www.meninos.us). Have you had videogames with 8-bit processors? If so, you will probably love this hanging rack (www.meninos.us).

36 dezembro 2011

YES/ NO

And what about a binary watch? There are “millions” of models and, I confess, some are almost impossible “to read”! From all I have ever seen, “THE ONE” model (Time Mode) is my favorite — here, in special edition by Joseph Bauer, with Che. The slogan of the watch? “Time for Wise Heads”! But what time is it?

“YES or NO, God Damnit! I won’t take any other answer!” Palavras perfeitas (by George Boole) para finalizar esta coluna. “YES or NO, God Damnit! I won’t take any other answer!” Perfect words (by George Boole) to finish this column.


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ANOS

Construindo pisos industriais, lajes nível zero, estacionamentos, quadras de esporte e pisos intertravados

Rua 24 de Fevereiro, 7 – Bonsucesso – Rio de Janeiro – RJ – CEP 21040-300 Tel.: 21 3866-8866 / 8861-9414 / 8744-5760 / 7882-1957 / 7882-1959 e-mail: hamatau@hamatau.com.br – claudio.ccr@hotmail.com www.hamatau.com.br


n o c os

m r e t m

E

s o t cre

Juan Ignacio López

Casa H3

É

concreto: a arquitetura chilena vem ganhando importância internacional, contando com algumas instituições, como universidades, que sabem como criar talentos. Da Pontificia Universidad Católica de Chile, um professor atrai a atenção de ESCALA pela segunda vez: Juan Ignacio López, por sua arquitetura que traz a variável estrutural do projeto para “sua parte mais digna”, como ele diz. López realmente sabe como explorar as possibilidades do concreto. “Isso não é apenas uma decisão estética, 38 dezembro 2011

mas corresponde à necessidade de encontrar meios contemporâneos de expressão artística”, diz ele. Este foco na estrutura fica evidente nos projetos Casa H3 e Casa HA1, que apresentamos nesta entrevista exclusiva — o arquiteto é formado pela Pontificia Universidad Católica de Chile (onde, hoje, é professor) e tem mestrado em arquitetura pela Universidad Politécnica de Cataluña. Nas duas construções, assim como no projeto de habitação social que seu escritório vem desenvolvendo para o governo, o concreto é o material-chave.


Casa HA1

ESCALA: Há cinco anos, ESCALA o entrevistou. De lá para cá, o que mudou no cenário da arquitetura no Chile? López: Numerosos arquitetos chilenos — tais como Alejandro Aravena, Smiljan Radic, Cecilia Puga e Matías Klotz — ganharam ressonância internacional. Esta arquitetura de “qualidade reconhecida” significa melhores obras para os nossos ambientes, natural e urbano. Projetos relacionados com a paisagem — geralmente, em áreas extremas do país — aumentaram em número.

ESCALA: Com relação à sustentabilidade, conte-nos a coisa mais falsa que você já viu. López: Em Santiago e outras capitais, as enormes torres de escritórios nos distritos financeiros, totalmente envoltas em vidro — através do uso inconsciente da parede de cortina de vidro. Tais construções estão profundamente distanciadas da ideia de sustentabilidade. Hoje, muitos arquitetos não se contentam com isso. Eles incorporam inúteis brise-soleils aos projetos.

ESCALA: O que mudou na sua arquitetura? López: Minha arquitetura está sempre em um processo de purificação e redução — e isso não é só uma questão econômica. Meu interesse reside em uma arquitetura neutra e silenciosa, onde a vida do usuário e suas “coisas” completam a leitura do espaço.

ESCALA: Na sua opinião, qual a característica mais positiva dos seus alunos hoje? Um aspecto negativo? López: As escolas de arquitetura têm sido capazes de apresentar as vantagens da tecnologia contemporânea aos alunos. Quando começam a trabalhar como profissionais, eles já estão familiarizados com ela. Mas eles deveriam arriscar mais, inovar mais em seus projetos.

ESCALA: Sobre sustentabilidade e sua arquitetura. López: Trabalho principalmente com a “espessura das fachadas”, com coberturas prolongadas, persianas, painéis isolantes de vidro, que diminuem o calor e o ruído dentro da construção.

ESCALA: Você conhece arquitetos chilenos que pretendem criar projetos para as Olimpíadas no Brasil? López: No Chile, não há grandes expectativas a respeito das Olimpíadas no Brasil. Até agora, eu não conheço arquiteto chileno trabalhando para isso. 39


ESCALA: Pensando em arquitetura e urbanismo, qual é o desafio do Rio neste momento pré-Olimpíadas? López: O exemplo de Barcelona 92 é emblemático. Arquitetos e urbanistas catalães foram capazes de transformar os enormes investimentos financeiros dos Jogos Olímpicos em obras de infraestrutura urbana. O desafio do Rio de Janeiro, portanto, é considerar transformações radicais pensadas para as próximas décadas. ESCALA: Voltando à sua arquitetura, grandes volumes parecem flutuar. López: É uma espécie de valorização dos conceitos básicos cunhados pelo Movimento Moderno. A ideia é fazer da estrutura a parte mais nobre da obra. ESCALA: Em arquitetura, o que o leva para o céu? López: Projetos que levam em conta as características dos seus ambientes específicos. ESCALA: Onde está o inferno? López: O diabo mora nos projetos automatizados e nos que perseguem uma determinada fisionomia através de artifícios. ESCALA: Você usa muito bem o concreto. O que ele oferece a seus projetos? López: O concreto, através de suas qualidades, nos oferece múltiplas oportunidades. A coisa fundamental é a sua função estrutural, em termos de resistência estática e dinâmica. Em

um país sísmico como o Chile, o uso do concreto armado tem mostrado um excelente desempenho durante os terremotos mais recentes. Arquitetonicamente, ele oferece a possibilidade de tensionar a estrutura de uma obra e de controlar a expressão através do uso de determinados moldes, mas, principalmente, resgata a qualidade de ser um material de apoio e de finalização. ESCALA: Outro material tem atraído sua atenção recentemente? López: Ultimamente, tenho tido a oportunidade de explorar o aço — que é fundamentalmente diferente do concreto armado — em vários projetos. ESCALA: O que mais o emociona na Casa H3? López: A dialética entre o pesado e o leve. Este projeto exigiu muita colaboração com o engenheiro calculista. ESCALA: E na Casa HA1? López: O aço foi introduzido como material complementar. Isto responde à necessidade de coberturas com uma espessura mínima — novamente, na busca pela leveza. Neste caso, a integração e o jogo entre aço e concreto são as coisas mais emocionantes. ESCALA: Você falou sobre um projeto de habitação social. López: É um projeto interessantíssimo. Juntamente com um grupo de engenheiros da Pontificia Universidad Católica de

Marcelo Cáceres

40 dezembro 2011

Casa HA1


de serviços. Assim, seus habitantes têm que investir muito tempo e dinheiro para ir para o trabalho. ESCALA: O que você vem projetando recentemente com a sua equipe? López: Três projetos de habitação social e vários centros comerciais e casas particulares.

Habitação Social Casa Dúplex

Chile e do Instituto del Cemento y el Hormigón, obtivemos um importante fundo do governo para desenvolver um projeto de reconstrução, pós-terremoto de 27 de fevereiro de 2010. Este projeto é focado na concepção de um protótipo de habitação social básica (quatro pavimentos) — “zero de dano, zero de deterioração”. Evidentemente, as construções serão feitas de concreto armado, com uma arquitetura inovadora e tecnologia contemporânea em termos de isolamento sísmico, habitabilidade e sustentabilidade. Em setembro passado, entregamos o anteprojeto ao Estado e, atualmente, temos estado desenvolvendo o projeto completo. O nosso objetivo final é dar ao Estado o projeto completo e vê-lo implementado por terceiros em todo o país.

ESCALA: Quando você projeta, quais as cinco questões que estão sempre na sua cabeça? López: Como conseguir mais com menos?; como estabelecer o desafio espacial e formal para uma determinada obra, respeitando o seu contexto?; como articular o programa arquitetônico?; o que o cliente espera?; o que é preciso para dar uma resposta que supere as expectativas? — eis as questões que estão sempre na minha cabeça. ESCALA: O que gostaria de me dizer daqui a cinco anos? López: Eu gostaria de poder dizer que nosso projeto de habitação social foi uma contribuição importante para o país, com moradia bem-localizada, digna, sólida, segura e duradoura para muitas famílias pobres; casas que aumentem o seu valor através do tempo. n

ESCALA: Qualquer outra oportunidade ligada a isso? López: Paralelamente, a organização Un Techo para Chile nos contratou para desenvolver um projeto emblemático de habitação social básica, baseado no projeto do Estado. Seu objetivo é a erradicação da última favela de uma comuna com alta renda per capita. Haverá 380 casas, parques, praças,... ESCALA: Na sua opinião, qual o maior erro quando se pensa e se constrói habitação popular? López: O grande problema é que essas construções são, geralmente, localizadas em áreas periféricas, longe dos centros Habitação Social Edifício


Juan Ignacio López

s m r e t t e r c n o c In

Casa H3

I

t is concrete: Chilean architecture has been gaining international importance counting with some institutions, such as universities, which know how to raise talents. From Pontificia Universidad Catolica de Chile, a professor draws ESCALA’s attention for the second time: Juan Ignacio López for his architecture which brings the structural variable of the project to “its most worthy part”, as he says. Lopez really knows how to exploit the possibilities of concrete. “This is not just an aesthetic decision, but 42 dezembro 2011

corresponds to the need of finding contemporary means of artistic expression”, he says. This focus on the structure is evident in Casa H3 and Casa HA1 that we present in this exclusive interview — the architect is graduated from Pontificia Universidad Catolica de Chile (nowadays, he is a professor there) and has a master’s in architecture from Universidad Politecnica de Cataluna. In both buildings, as well as in the social housing project that his office has been developing for the government, the concrete is the key material.


ESCALA: Five years ago, ESCALA interviewed you. Since then, what has changed in the architectural scenery in Chile? López: Numerous Chilean architects — such as Alejandro Aravena, Smiljan Radic, Cecilia Puga, and Matias Klotz — have gained international resonance. This architecture of “recognized quality” means better projects for our natural and urban environments. Projects related to the landscape — generally in extreme areas of the country — have increased. ESCALA: What has changed in your architecture? López: My architecture is always in a process of purification and reduction — and this is not only an economical matter. My interest lies in a neutral and silent architecture, where the user’s life and his “stuff” complete the reading of space.

towers in the financial districts, totally enveloped in glass — through the unconscious use of the glass curtain wall. Such constructions are deeply away from the idea of sustainability. Today, many architects do not content themselves with this. They incorporate useless brise-soleils to the projects. ESCALA: In your opinion, which is the most positive characteristic of your students today? A negative feature? López: The schools of architecture have been able to present the advantages of contemporary technology to students. When they start working as professionals, they are already familiarized to it. But they should take more risks, innovate more in their projects.

ESCALA: On sustainability and your architecture. López: I work principally with the “thickness of the facades”, with extended coverage, blinds, thermo glass panels, which reduce heat and noise inside the building.

ESCALA: Do you know Chilean architects who intend to create projects for the Olympic Games in Brazil? López: In Chile, there are no great expectations concerning to the Olympic Games in Brazil. Until now, I do not know any Chilean architect working for this.

ESCALA: Concerning sustainability, tell us the falsest thing that you have already seen. López: In Santiago and other capitals, the enormous office

ESCALA: Thinking about architecture and urbanism, what is Rio’s challenge in this pre-Olympic Games moment? López: The example of Barcelona 92 is emblematic. Catalan

Juan Ignacio López

43

Casa H3


Juan Ignacio López

Casa H3

architects and urbanists were able to transform the huge financial investments of the Olympic Games into urban infrastructure works. Rio’s challenge, therefore, is to consider radical changes thought for the next decades. ESCALA: Returning to your architecture, large volumes seem to float. López: It is a kind of valorization of the basic concepts coined by the Modern Movement. The idea is to make the structure the noblest part of the work. ESCALA: In architecture, which takes you to heaven? López: Projects that take into account the characteristics of their specific environments. ESCALA: Where is the hell? López: The devil lives in the automated projects and in those which pursue a determined face through artifices. ESCALA: You use concrete very well. What does it offer your projects? López: Concrete, through its qualities, offers us multiple op44 dezembro 2011

portunities. The fundamental thing is its structural function in terms of static and dynamic resistance. In a seismic country like Chile, the use of reinforced concrete has shown an excellent performance during the most recent earthquakes. Architecturally, it offers the possibility of tightening the structure of a work and controlling the expression through the use of certain molds, but, mostly, it rescues the quality of being a support and finishing material. ESCALA: Currently, has some other material attracted your attention? López: Lately, I have had the opportunity to explore the steel — which is fundamentally different from the reinforced concrete — in various projects. ESCALA: What excites you the most in Casa H3? López: The dialectic between heavy and light.This project has required a lot of collaborative work with the structural engineer. ESCALA: And in Casa HA1? López: Steel has been introduced as a complementary ma-


terial. This responds to the necessity of covers with a minimum thickness — again in the search for lightness. In this case, the integration and the game between steel and concrete are the most exciting things. ESCALA: You have told me about a social housing project. López: It is a very interesting project. Together with a group of engineers from Pontificia Universidad Catolica de Chile and Instituto del Cemento y el Hormigon, we have gotten an important government fund to develop a reconstruction project after the earthquake of February 27 (2010). This project is focused on the design of a prototype of a basic social housing (four floors) — “no injury, no decay”. Of course, the constructions will be made of reinforced concrete, with an innovative architecture and contemporary technology in terms of seismic isolation, livability, and sustainability. Last September, we delivered the anti-project to the State and currently we have been developing the whole project. Our final goal is to give the State the whole project and to see it implemented by third parties throughout the country. ESCALA: Any other opportunity linked to this? López: In parallel, the organization Un Techo para Chile has contracted us to develop an emblematic basic social housing project, based on the State project. Its goal is the eradication of the last slum of a district with high per-capita income. There will be 380 houses, parks, squares,…

ESCALA: In your opinion, what is the biggest mistake when one thinks and builts popular housing? López: The big problem is that these buildings are usually located in peripheral areas, away from the service centers. So, their inhabitants must invest much time and money to go to work. ESCALA: What have you recently been designing with your team? López: We have been designing three social housing projects and several commercial centers and private homes, for example. ESCALA: When you design, what are the top five issues that are always on your mind? López: How to achieve more with less?; how to establish the spatial and formal challenge to a particular work, respecting its context?; how to articulate the architectural program?; what does the client expect?; what is needed to give a response that exceeds the expectations? — these are the issues which are always on my mind. ESCALA: What would you like to tell me in five years? López: I wish I could say that our social housing project was an important contribution to the country, with well-located, dignified, solid, safe and lasting housing for many poor families; houses that increase their value over time. n 45


Peter Bennetts

Arquitetura em boa forma

R

oslyn Street é um prédio “atlético”. Parece ter músculos que se distendem ou se contraem. Fachada ágil. Corpo bem esguio. Um campeão que já ganhou dois prêmios importantes em arquitetura: 2010 AIA Harry Seidler Award for Commercial Architecture e 2010 AIA NSW Chapter Sir Arthur G Stephenson Award for Commercial Architecture, do American Institute of Architects. Isso sem falar em futuras competições na área e bons resultados, que certamente virão. 46 dezembro 2011

Por outro lado, para projetar e construir prédio comercial tão criativo, é preciso ser “atleta”. Neil Durbach, Camilla Block e David Jaggers, os autores, sabem disso. Os sócios do Durbach Block Jaggers Architects, um dos escritórios mais prestigiados na Austrália, tiveram que driblar regulamentos infinitos, pular outros obstáculos, correr muito... O belo e único resultado é o maior prêmio, que desfrutam como autores e ocupantes. O escritório de Durbach, Camilla e Jaggers fica no Roslyn Street, no bairro de Potts Point, em Sidney.


Anthony Browell

Roslyn Street

ESCALA: Então, o escritório de vocês tem sede no Roslyn Street? Durbach: Sim, no segundo piso.

biente. As janelas com estrutura de aço são casualmente desalinhadas. Uma arquitetura cheia de movimento.

ESCALA: O que este projeto ensinou a vocês? Camilla: Durante o desenvolvimento do prédio, nós fomos expostos às imprevisíveis forças políticas que podem esmagar qualquer projeto. Roslyn Street nos ensinou a valorizar persistência, flexibilidade e estabilidade, necessárias para concluir qualquer projeto.

ESCALA: Qual a importância do contextualismo na obra? Durbach: Nós queríamos que o prédio se assentasse facilmente no seu terreno e reconhecesse os traços da arquitetura dos seus vizinhos. Ele explorou uma forma sincopada de contextualismo, se adequando, mas de uma forma não-convencional.

ESCALA: Qual foi a sua inspiração? Durbach: Sydney tem um enorme número de terrenos triangulares. Roslyn Street é uma opção escultural para um terreno triangular, com menos de 200 metros quadrados de área.

ESCALA: Quais empresas funcionam no prédio? Camilla: O edifício tem quatro níveis, mais uma área de serviço no porão. O térreo e o porão são ocupados por um restaurante, Gastro Park. No nível 1, há um bar. Nos níveis 2 e 3, escritórios comerciais, endereços para um número de firmas de design, arquitetura e paisagismo: Durbach Block Jaggers Architects, Neeson Murcutt Architects, Joseph Grech Architects, Gaetano Palmese Architects e Sue Barnsley Design.

ESCALA: Ele é um prédio “atlético”, não é? Jaggers: “Atlético” é uma ótima palavra para descrever o prédio. Ela sugere agilidade, elasticidade e leveza. Sua forma exagera a perspectiva; a área pequena amplifica a percepção da altura da construção. ESCALA: Quais são os seus principais materiais? Jaggers: O prédio é construído a partir de um número limitado de materiais, principalmente concreto, azulejos cerâmicos e aço. ESCALA: A fachada é constituída por um grande mosaico feito de azulejos. Jaggers: Sim. Azulejos craquelados, brilhantes e foscos, brancos e amarelados (biscuit), refletem e refratam o am-

ESCALA: Vocês poderiam nos dar exemplos de sua eficiência energética? Jaggers: O prédio observa os princípios fundamentais de eficiência energética e bom design para um prédio urbano de escala média: paredes sólidas de alvenaria proporcionam isolamento de temperaturas externas, enquanto janelas recuadas fornecem luz natural sem um ganho de calor excessivo. Pésdireitos altos contribuem para uma boa ventilação natural. Janelas que podem ser abertas reduzem a dependência em ar condicionado. Um toldo de rua, no lado norte, protege da luz toda a área envidraçada do restaurante. 47


Anthony Browell

ESCALA: E há um jardim no terceiro piso. Camilla: O terceiro piso é parcialmente descoberto e conta com um jardim no terraço, cercado por paredes curvas e esquadrias de janela de aço. O jardim tornou-se um espaço charmoso para plantas e pássaros. ESCALA: Eu li uma reportagem que comparava a construção às obras de Gaudí. Camilla: Gaudí é ótimo, e nos sentimos honrados de ser comparados a arquitetos maravilhosos. ESCALA: Curvas ou retas? Durbach: A linha da beleza é a curvilínea, nem a reta nem a curva. ESCALA: Uma palavra que tem tudo a ver com este projeto. Durbach: Ruptura. Camilla: Craquelet. Jaggers: Pop. ESCALA: Vamos imaginar uma coisa: Roslyn Street não foi desenhado pelo escritório de vocês. O que vocês pensariam sobre o prédio? Durbach: Nós pensaríamos que ele é um prédio corajoso, misterioso e alegre. n

Peter Bennetts

48 dezembro 2011


Neil Durbach

Architecture in good shape

Roslyn Street

R

oslyn Street is an “athletic” building. It seems to have muscles that are stretched or contracted. Agile facade. Thin body. A champion that has already won two important awards: 2010 AIA Harry Seidler Award for Commercial Architecture and 2010 AIA NSW Chapter Sir Arthur G Stephenson Award for Commercial Architecture, of the American Institute of Architects. Not to mention future competitions and good results that will certainly come. On the other hand, to design and build such a creative commercial building, it is necessary to be an “athlete”. Neil Durbach, Camilla Block, and David Jaggers, the authors, know it. The partners of Durbach Block Jaggers Architects, one of the most prestigious practices in Australia, have had to dribble infinite regulations, jump other obstacles, run a lot... The beautiful and unique result is the biggest prize that they enjoy as authors and occupants. Durbach, Camilla, and Jaggers’ office is based in the building, in Potts Point neighborhood, Sydney, capital of Australia.

ESCALA: So, your office is based in Roslyn Street building? Durbach: Yes, on the second level. ESCALA: What has this project taught you? Camilla: During the development of the building, we were exposed to the unpredictable political forces which can overwhelm any project. Roslyn Street taught us to value persistence, flexibility, and steadiness needed to realize any project. ESCALA: What has been your inspiration? Durbach: Sydney has a huge number of triangular sites. Roslyn Street is a sculptural option for a triangular site, less than 200 square meters in size. ESCALA: It is an “athletic” building, isn’t it? Jaggers: Athletic is a great word to describe the building. It suggests agility, suppleness, and lightness. Its shape exaggerates the perspective; the small area amplifies the perception of height. ESCALA: What are its main materials? Jaggers: The building is constructed from a limited number of materials, primarily concrete, ceramic tiles, and steel. 49


ESCALA: The facade consists of a large mosaic made of tiles. Jaggers: Yes. Cracked tiles, glossy, and opaque, white and buff (biscuit), reflect and refract the environment. The steelframe windows are casually misaligned. An architecture full of movement. ESCALA: What is the importance of contextualism in this project? Durbach: We wanted the building to sit easily in its site and recognize the architectural traits of its neighbors. It explored a syncopated form of contextualism, fitting in, but in an offbeat way. ESCALA: What companies/services operate in the building? Camilla: The building has four levels plus a basement service area. The ground and basement floors are home to a restaurant, Gastro Park. On level 1, there is a bar. On levels 2 and 3, commercial offices, home to a number of design, architectural, and landscaping firms: Durbach Block Jaggers Architects, Neeson Murcutt Architects, Joseph Grech Architects, Gaetano Palmese Architects, and Sue Barnsley Design. ESCALA: Could you give us examples of its energy efficiency? Jaggers: The building observes the fundamental principles of energy efficiency and good design for a medium scaled city building: solid masonry walls provide insulation from outside temperatures, while recessed windows provide natural light without excessive heat gain. High floor-to-ceiling heights

contribute to good natural ventilation. Windows which can be opened reduce the reliance on air conditioning. A street awning, on the north side, shades the full height glazing of the restaurant. ESCALA: And there is a garden on the third level. Camilla: The third level is partially uncovered and has a garden on the terrace, surrounded by curved walls and steel window frames. The garden has become a charming space for plants and birds. ESCALA: I have read a report that compared the construction to Gaudi’s works. Camilla: Gaudi is great, and we feel honored to be compared to wonderful architects. ESCALA: Curves or straight lines? Durbach: The line of beauty is the curvilinear line, neither straight nor curved. ESCALA: A word that has everything to do with this project. Durbach: Snap. Camilla: Crackle. Jaggers: Pop. ESCALA: Let’s imagine: Roslyn Street has not been designed by your practice. What would you think about the building? Durbach: We would think that it is a brave, mysterious, and joyful building. n

Anthony Browell

50 dezembro 2011


Reportagem

por Jean Fontes

“Nuvem” premiada

Sabine Schmalfuss

Speed Skating Stadium Inzell

M

ais um prêmio que não caiu do céu para o prestigiado escritório alemão Behnisch Architekten. Depois de muito trabalho dedicado ao projeto — em colaboração com Pohl Architekten —, a recompensa: o estádio de patinação de velocidade “Max Aicher Arena”, em Inzell, Alemanha, ganhou o “World Sports Building of The Year 2011”. O importante prêmio foi recebido no dia 4 de novembro, o último dia do World Architecture Festival 2011, em Barcelona, Espanha. Na verdade, desde 1965, havia uma pista de patinação de velocidade ao ar livre no local, mas era preciso modernizá-la e transformá-la em uma pista indoor para o “2011 World Single Distant Speed Skating Championships”, realizado em março deste ano. Os dois escritórios, então, uniram suas habilidades para atingir esses objetivos. O resultado é um estádio para competições mundiais de grande escala, bem como treinamentos sazonais regulares, com capacidade para 7.000 espectadores. 52 dezembro 2011

O elemento mais impressionante é, sem dúvida, o telhado. Parece uma nuvem. Sua aparência é tão marcante, que o estádio transformou-se em atração visual e um marco no sopé da bela Falkenstein mountain. Mas, além da beleza, o telhado excede em alta performance e inteligência, que proporcionam as melhores condições climáticas e de iluminação para espectadores e atletas. Planejado como uma estrutura independente, feita de madeira e aço e livre de colunas internas, o telhado é coberto por um material termoplástico reciclável — é o que vemos do lado de fora do estádio. Na parte de baixo (ou seja, internamente), o telhado é equipado com uma membrana “Low-E” esticada. A função deste tecido é refletir a própria radiação fria do gelo de volta para a pista de velocidade, mantendo, assim, a temperatura baixa necessária sobre a superfície do gelo e prevenindo as superfícies de madeira na parte de baixo do telhado de arrefecimento e de atrair excessiva condensação.


Meike Hansen

Em outras palavras, o telhado encapsula um conceito de climatização interna muito preciso, que garante uma operação de otimização energética da pista de gelo — isso significa economia e sustentabilidade. A membrana “Low-E” — a dimensão total da membrana é equivalente ao tamanho de dois campos de futebol — também contribui para as condições acústicas da arena, diminuindo a reverberação no espaço. Ao mesmo tempo, esta membrana, juntamente com 17 claraboias, maximiza a quantidade de luz do dia que flui para dentro do estádio. Além disso, o estádio incorpora várias outras medidas sustentáveis. Por exemplo, pellets de madeira com um balanço energético neutro são utilizados para produzir a energia necessária para o aquecimento do espaço. O calor de exaustão do equipamento que produz o gelo é, então, reaproveitado para fornecer calor nas arquibancadas do estádio. Ou seja, a construção é equipada com energia inteligente. Com fachada de vidro transparente e arquibancadas de concreto, a arena possui 200 metros de comprimento e 90 metros de largura. Os atletas e espectadores podem desfrutar de vistas panorâmicas dos Alpes bávaros através da fachada contínua de vidro, e transeuntes, do lado de fora, podem olhar para dentro do estádio e ver o que acontece. Uma série de edifícios auxiliares existentes no local também foram renovados, a fim de integrá-los ao conceito geral de otimização energética da arena. Estes edifícios abrigam escritórios administrativos para o diretor do estádio e a equipe de treinamento, workshops e equipamentos para manutenção do gelo. Os escritórios Behnisch Architekten são dirigidos, em diversas combinações, por Stefan Behnisch e seus sócios: David Cook, Martin Haas, Robert Hösle, Christof Jantzen, Robert Matthew Noblett e Stefan Rappold. Pohl Architekten tem como sócios Prof. Göran Pohl e Gabriele Julia Pohl. “A localização de cortar a respiração ao pé dos Alpes, em uma pequena cidade bávara tradicional, foi um desafio fascinante. Enquanto nos esforçávamos para melhorar a qualidade técnica do estádio e alojávamo-no em uma concha protetora, também focávamos em preservar e reforçar a estreita relação com o entorno. Em última análise, este projeto está alinhado com nosso principal objetivo: projetar edifícios que respeitem o ambiente e criar um lugar onde as pessoas se sintam bem”, diz Stefan Behnisch para ESCALA. n 53


Report

by Jean Fontes

Prize-winning “cloud”

David Matthiesen

Speed Skating Stadium Inzell

O

ne more award which did not fall from the sky for Behnisch Architekten, one of the most prestigious German architectural practices. After much work dedicated to the project — in collaboration with Pohl Architekten —, the reward: the speed skating stadium “Max Aicher Arena” in Inzell, Germany, won “World Sports Building of The Year 2011”. The important prize was received on November 4, the last day of 2011 World Architecture Festival in Barcelona. In fact, since 1965, there was an outdoor speed skating track on the site, but it had to be modernized and turned into an indoor track for “World Single Distant Speed ​​Skating Championships 2011”, held in March. The two offices joined their skills to achieve these goals. The result is a stadium for large-scale world class competitions, as well as regular seasonal trainings, with capacity for 7,000 spectators. 54 dezembro 2011

The most impressive element is, without doubt, the roof. It looks like a cloud. Its appearance is so striking that the stadium became a visual attraction and landmark at the foot of the beautiful Falkenstein mountain. But beyond the beauty the roof exceeds in high-performance and intelligence, which provide the best lighting and climatic conditions to spectators and athletes. Designed as an independent wide-span timber and steel structure, free of interior columns, the roof is covered by a recyclable thermoplastic material — it is what we see from the outside of the stadium. On the underside (i.e., internally), the roof is fitted with a stretched “Low-E” membrane. The function of this fabric is to reflect the ice’s own cold thermal radiation back onto the speed track, thus maintaining the low temperature necessary on the surface of the ice and preventing wooden surfaces on the underside of the roof from cooling down and attracting excessive condensation.


In other words, the roof itself encapsulates a very precise, interior climate concept that ensures optimized energetic operation of the ice track — this means economy and sustainability. The “Low-E” membrane — the overall dimension of it is equivalent to the size of two soccer fields — also contributes to the acoustical conditions of the arena by decreasing the reverberation in the space. At the same time, this membrane, together with 17 skylights, maximises the quantity of daylight that streams into the stadium. In addition, the stadium incorporates several other sustainable measures. For example, wood pellets with a neutral energy balance are utilized to produce the necessary energy for space heating. The exhaust heat from the machinery that produces the ice is then repurposed to provide heat in the grandstands of the stadium. That is, the building is equipped with an intelligent energy. With transparent glass facade and concrete grandstands, the arena has 200 meters of length and 90 meters of width. The athletes and spectators can enjoy panoramic views of the Bavarian Alps through the continuous glass facade, and

passers-by, from the outside, can glance into the stadium and see what happens. A number of existing ancillary buildings on the site were also refurbished in order to integrate them into the arena’s overall concept of optimized energy performance. These buildings house administrative offices for the stadium director and the training staff, workshops, and ice maintenance equipment. The Behnisch offices are directed, in varying combinations, by Stefan Behnisch and his partners: David Cook, Martin Haas, Robert Hösle, Christof Jantzen, Robert Matthew Noblett, and Stefan Rappold. Pohl Architekten is directed by Prof. Göran Pohl and Gabriele Julia Pohl. “The breathtaking location at the foot of the Alps, in a small traditional Bavarian town, was a fascinating challenge. While striving to improve the technical quality of the stadium and housing it in a protective shell, we also focused on preserving and enhancing the close relationship to the surroundings. Ultimately, this project is in line with our main goal: to design buildings that respect the environment, and create a place where people feel well”, says Stefan Behnisch to ESCALA Magazine. n

Meike Hansen

55

Speed Skating Stadium Inzell


Mareines e Patalano em 2012 — e 13

Casa Itanhangá

Q

uem conhece o colégio MOPI, no Itanhangá, sabe que Ivo Mareines e Rafael Patalano não são da escola da arquitetura fácil e com ar de déjà vu. Para esta edição especial de ESCALA, o escritório carioca apresenta, em primeira mão, seus novos projetos, entre eles uma nova unidade do MOPI, provavelmente, para 2013. Se, no Itanhangá, os alunos são recebidos por uma grande árvore estilizada na fachada, nesta outra unidade — com bairro ainda mantido em segredo —, contarão com um telhado verde, com captação de energia fotovoltaica. Entre os outros projetos, estão: o novo studio da Tycoon no Rio, uma casa em Campos do Jordão, um pavilhão de massagem em Paraty, uma casa na Chapada dos Veadeiros em Goiás, um apartamento no Leblon, uma casa em Paraty e uma casa no Itanhangá. Isso sem falar no resort que os arquitetos vêm criando no Acre. Entusiasmados, eles começam a falar a respeito, mas param. O projeto ainda está em fase de sigilo total.

Eles projetaram o pavilhão de massagem de uma casa no Condomínio Laranjeiras, em Paraty (RJ). No meio da mata, a construção tem em torno de 30m² e parece um ninho. Feito com ripas de madeira de tamanhos variados, o telhado lembra galhos de árvores, também irregulares em suas dimensões. “O projeto possui curvas em várias direções. Em geometria, nós as chamamos superfícies complexas. Geometria nãoeuclidiana”, explica Patalano.

Várias escalas — Com 30m² ou 5.000m² de área construída, não importa. “Nós fazemos qualquer escala”, diz Mareines, sendo complementado por Patalano: “Se for ‘maneiro’ a gente fará”.

Para Mareines, essa obra no Condomínio Laranjeiras simboliza o processo de trabalho do escritório. “Nós sempre pensamos tridimensionalmente. Este projeto é pequeno em área, mas enorme em significado para o nosso escritório”, diz.

56 dezembro 2011


Cortesia Mareines + Patalano Arquitetura

Casa Itanhangá

Outro projeto mignon: um apartamento com 37m², no bairro do Leblon. O desejo do cliente era um espaço compacto e de bom gosto, com tecnologia ultramoderna. Os arquitetos entregaram-lhe isso. O contraponto desses dois projetos é a nova unidade do Grupo Educacional Mopi, para alunos da 5ª série até o Vestibular. Ao todo, 5.000m² de área construída, distribuídos por 15 volumes. Eles comunicar-se-ão graças a passarelas e rampas. Não haverá escadas e os blocos serão pré-fabricados. Outra obra com área generosa: uma casa, com volumetria prismática, no Itanhangá. O terreno tem 3.000m². “O alumínio polido da fachada refletirá a paisagem e haverá um jardim suspenso, que fará uma curva suave e descerá, se integrando a um campo ajardinado”, adianta Patalano.

Contextualismo — Uma casa retorcida, retorcida como a vegetação local. Onde? Em plena Chapada dos Veadeiros, no cerrado de Goiás. “Trata-se de um lugar com um ambiente sensacional. Fizemos, portanto, uma composição harmônica entre orgânico — olhem a natureza local — e um modernismo mais clássico. A parte social da casa será muito orgânica. A parte do escritório do cliente, assim como do seu deck para observar as estrelas, será modernista”, explica Mareines. Na fachada, aço Corten (SAC 40) — aço com cobre em sua liga; com o passar do tempo, o cobre vem para a superfície, gerando um efeito oxidado (e esta oxidação é a própria proteção do aço). A obra será concluída em 2012. Em Campos do Jordão, São Paulo, uma outra casa que tem tudo a ver com o seu ambiente natural. Toda envidraçada, a construção permite às pessoas ver as araucárias preservadas

57

MOPI


Pavilhão de massagem/ Paraty

da região. “Você entra no corredor estreito e vê uma sala com parede de vidro e com pé-direito triplo — mais de 10m de altura. Parece que estamos saindo do útero — a adega, no subsolo; do escuro para o claro demais”, ilustra Mareines. A estrutura da casa é feita em aço. “Ela não possui escadas, porque os pais dos nossos clientes são pessoas idosas. Todos usarão rampas suaves, o que consideramos uma característica legal desta casa, que será concluída no início de 2012”, comenta Patalano. De novo no Condomínio Laranjeiras, mas, desta vez, em uma casa medindo cerca de 600m². Segundo os arquitetos, tratase de uma construção com certos princípios modernistas. “Porém, mais orgânica”, compara Patalano. No mezanino, o

58 dezembro 2011

piso é levemente abaulado. O deck da piscina integra-se à casa. “A casa vira um grande terraço”, ele analisa. Versatilidade — De colégio a pavilhão de massagem; de amplo resort a microapartamento. Isso sem falar em todas as casas, cada qual com suas particularidades. A versatilidade do escritório fica evidente. Para completar a lista, selecionamos o novo studio da Tycoon, em Jacarepaguá, no Rio. Conforme os arquitetos se referem ao projeto, trata-se de uma grande caixa com 10 caixas coloridas dentro. A estrutura é feita completamente de metal. “Felizmente, temos projetos interessantes, não só no Rio, mas também em outros estados. Esquecendo os voos de helicóptero, é tudo o que queremos”, brinca Mareines. n

Casa Chapada dos Veadeiros


Courtesy of Mareines + Patalano Arquitetura

Mareines and Patalano in 2012 — and 13

Casa Condomínio Laranjeiras

P

eople who know MOPI, a prestigious school in Itanhanga — district in Rio de Janeiro near Barra da Tijuca —, understand that Ivo Mareines and Rafael Patalano come from a creative architectural school. Their architecture is not easy; it is not déjà vu. For this special issue of ESCALA Magazine, the practice — based in Rio — shows in first-hand its new projects, among them a new unit of MOPI, probably to be finished in 2013. If in Itanhanga the students are greeted by a large stylized tree on the facade, in this other unit — with neighborhood still kept secret — the students will have a green roof with photovoltaic energy harvesting. Among the other projects are: the new Tycoon studio in Rio, a house in Campos do Jordao (Sao Paulo), a massage pavilion in Paraty (Rio), a house in Chapada dos Veadeiros (Goias), an apartment in Leblon (Rio), a house in Paraty, and a house in Itanhanga — not to mention the resort which the architects have been creating in Acre — Brazilian state situated in the southwest of the Northern Region. Excited, they start talking about it, but stop. They keep quiet about the project. Several scales — It does not matter if the built area is 30m² or 5,000m². “We do any scale”, says Mareines, being complemented by Patalano: “If it is cool, we will do it”.

They have projected the massage pavilion of a house in Condominio Laranjeiras, in Paraty city, Rio de Janeiro state. In the woods, it has around 30m² and looks like a nest. Made of wooden slats of various sizes, the roof resembles tree branches — also irregular in their dimensions. “The project possesses curves in various directions. It geometry, we call them complex surfaces. Non-Euclidean geometry”, explains Patalano. In Mareines’ opinion, this work in Condominio Laranjeiras symbolizes the work process of the office. “We always think three-dimensionally. This project is small in size, but huge in meaning to our office”, he says. Another tiny project: an apartment (37m²) in Leblon neighborhood, Rio. The client’s desire has been a compact and fashionable space, with ultramodern technology. The architects have given it to him. These two projects contrast to the new unit of Grupo Educacional Mopi — a traditional school in Rio. There will be 5,000m² of built area; 15 volumes. They will communicate to each other thanks to walkways and ramps. There will be no stairs and the blocks will be prefabricated. Another work with generous area: a house with prismatic volumetry in Itanhanga. The site is 3,000m². “The polished aluminium of the facade will reflect the landscape and there 59


will be a suspended garden, which will make a smooth curve and fall, integrating itself to a landscaped field”, adds Patalano. Contextualism — A twisted house, twisted as the local vegetation. Where? In Chapada dos Veadeiros, in the scrub of Goias. “It is a place with an amazing environment. We have done, therefore, a harmonic composition between organic — look at the local nature — and a more classical modernism. The social part of the house will be very organic. The part of the client’s office, as well as of his deck to observe the stars, will be modernist”, explains Mareines. On the facade, Corten steel — steel with copper in its league; as time passes by, copper comes to the surface, generating an oxidized effect (and this oxidation is the self-protection of steel). The work will be completed in 2012.

Casa Campos do Jordao

In Campos do Jordao, Sao Paulo, another house which has everything to do with its natural environment. All glazed, the construction lets people see the preserved pines of the region. “You enter the narrow corridor and see a room with glass wall and high ceiling — more than 10m in height. It seems that we are getting out of the womb — the wine cellar in the basement; from the dark to the extremely light”, illustrates Mareines. The structure of the house is made of steel. “It does not have stairs, because the parents of our clients are old people. Everybody will use gentle ramps, which we consider a nice feature of this house, which will be finished in 2012”, comments Patalano. Again in Condominio Laranjeiras, but, this time, in a house measuring around 600m². According to the architects, it is a building with certain modernist principles. “But more organic”, compares Patalano. On the mezzanine, the floor is slightly curved. The pool deck integrates itself to the house. “The house becomes a large terrace”, he analyzes.

Casa Campos do Jordao

Versatility — From school to massage pavilion; from large resort to tiny apartment. Not to mention all the houses, each with its peculiarities. The versatility of the practice is evident. In order to complete the list, we have selected Tycoon’s new studio in Jacarepagua district in Rio. As the architects refer to the project, it is a big box with 10 colored boxes inside. The structure is completely made of metal. “Fortunately, we have interesting projects, not only in Rio, but also in other states. Forgetting the helicopter flights, it is all we want”, jokes Mareines.n 60 dezembro 2011

Tycoon


Conheça o concreto diferente, com textura e cor

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“Quem não acredita não progride”

Andréa Magalhães

A

os céticos, risos. Em entrevista exclusiva à ESCALA, Sergio Dias, secretário municipal de urbanismo, afirma que a cidade do Rio de Janeiro mudará radicalmente nos próximos anos. Segundo ele, este processo de transformação — em termos de mobilidade, equipamentos urbanos, revitalização de áreas degradadas e paisagismo, entre outros aspectos — já começou e será o grande legado da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 para os moradores da cidade. Durante a entrevista, Dias fala sobre os principais projetos/programas para este novo Rio: Porto Maravilha, Transcarioca, Transolímpica, Transoeste, Transbrasil, Linha 4 do metrô, Bairro Carioca, Morar Carioca e Parque de Madureira (veja o box para conhecêlos). Perguntado sobre o que diria para pessoas que não acreditam nessa nova cidade, o engenheiro ri. “É importante abrir olhos e mente para enxergar as mudanças que já começaram a aparecer. Quem não acredita não progride”, conclui. ESCALA: Pensando no urbanismo da cidade do Rio de Janeiro hoje, no que merecemos medalha de ouro? Dias: Ganharemos medalha de ouro no legado urbano da Copa e das Olimpíadas. A população receberá melhorias no transporte viário, ferroviário e via metrô, na infraestrutura urbana, nos equipamentos etc. Ainda não ganhamos a medalha de ouro, porque a prova final ainda não ocorreu. ESCALA: Separando por zonas, quais os principais desafios em termos de urbanismo nesse período pré-Copa e pré-Olimpíadas? Dias: Na Zona Portuária, o grande desafio é provar que uma área industrial abandonada pode ser uma excelente área residencial e de negócios. Para isso, serão necessárias obras importantes, como a demolição do Elevado da Perimetral. A parceria público-privada investirá bilhões de reais para a revitalização da região. 62 dezembro 2011

Sergio Dias

ESCALA: Outras intervenções no Centro? Dias: O projeto de maior impacto é mesmo o Porto Maravilha, mas haverá intervenções no corredor da Presidente Vargas, Sambódromo, na Lapa, Cidade Nova e Saara. ESCALA: E os principais desafios na Zona Norte? Dias: A Zona Norte é a alma do Rio. Na minha opinião, os cariocas típicos são os que vivem lá. Lembro-me do grande Noel Rosa. A região já conta com infraestrutura instalada — trens, metrô, ônibus, Av. Brasil —, mas ela é subaproveitada. O grande desafio é estimular o seu uso. E dar a essa infraestrutura um patamar desejável de qualidade. ESCALA: Quais são os principais projetos para esta área? Dias: A Transcarioca, a Transbrasil, o Parque de Madureira e o projeto Bairro Carioca, entre outros.


Cortesia de BLAC Arquitetura e Cidade

Projeto vencedor do Concurso Porto Olímpico

ESCALA: Pensando em Zona Oeste, qual será a maior transformação? Dias: Diferentemente da Zona Norte, a Zona Oeste não conta com infraestrutura urbana. O nosso grande desafio é dar infraestrutura para a região. Para isso, o governo fará grandes investimentos, como a Transoeste. ESCALA: E o maior desafio na Barra da Tijuca? Dias: A Barra é uma exceção na Zona Oeste, pois ela tem infraestrutura. O bairro é a Zona Sul dos anos 20. Naquela época, a população descobriu o hábito de ir à praia em Copacabana graças aos túneis. Graças a novos túneis, a população descobriu a Barra. Lá, o desafio é melhorar o transporte. Para isso, teremos corredores expressos importantes, como a Transcarioca, a Transolímpica e a Transoeste, além da Linha 4 do metrô. ESCALA: E o maior desafio na Zona Sul? Dias: Manter e cuidar do que já existe. ESCALA: O que podemos esperar para as favelas em termos de urbanismo? Dias: O grande projeto é o Morar Carioca. Bilhões de reais serão investidos nas comunidades. Os objetivos são controlar o crescimento das favelas e melhorar a infraestrutura — saneamento, iluminação, serviços etc. Já começamos a expedir habite-ses para os moradores — 200 por mês.

ESCALA: E o Bairro Carioca? Dias: É um empreendimento de grande porte, em Triagem, que vai beneficiar vítimas das chuvas e pessoas que vivem em áreas de risco. Será composto por vários prédios, mais de 2.000 apartamentos. É um projeto muito interessante, porque é integrado ao tecido urbano. Não é um Nova Sepetiba, isolado de tudo. ESCALA: De todos os projetos atuais, há algum que seja a menina dos olhos do secretário Sergio Dias? Dias: O Porto Maravilha.


Cortesia de BLAC Arquitetura e Cidade

Projeto vencedor do Concurso Porto Olímpico

ESCALA: O que você diria para uma pessoa que está cética em relação a todas essas melhorias urbanísticas? Dias: (Risos). É importante abrir olhos e mente para enxergar as mudanças que já começaram a aparecer. Quem não acredita não progride. ESCALA: Qual é a melhor coisa que o engenheiro dá para o secretário municipal de urbanismo? Dias: O cargo inclui missões importantes, como propor, planejar, controlar, fiscalizar, coibir, incentivar etc. Conhecer o mercado é a bagagem que eu trago. 64 dezembro 2011

ESCALA: Qual a maior lição, o maior aprendizado, que o secretário municipal de urbanismo da cidade do Rio de Janeiro deixará para o engenheiro? Dias: Prefiro dizer para o homem. Certamente, um aprendizado pessoal enorme, uma experiência de vida fantástica, principalmente em termos de relacionamento humano. A minha equipe possui quase 500 pessoas. Trabalhar com tantas pessoas de forma harmônica é um grande exercício. Quando o secretário sair de cena, certamente, o meu conhecimento profissional e a minha compreensão da cidade serão muito maiores. n


Conhecendo os projetos/programas Porto Maravilha: revitalização da área portuária do Rio de Janeiro (5.000.000m²). O projeto envolve: a construção do Museu do Amanhã (by Santiago Calatrava); Museu de Arte do Rio de Janeiro (Mar)/ by Thiago Bernardes e Paulo Jacobsen; reconstrução de 700km de redes públicas (água, esgoto, drenagem, eletricidade, gás e telecomunicações); construção de túneis; reurbanização de 70km de ruas e 650km² de calçadas; ciclovias; plantio de 15.000 árvores; três novas estações de tratamento de esgoto; e a demolição do Elevado da Perimetral. O principal projeto é by BLAC Arquitetura e Cidade Transcarioca: corredor expresso que ligará a Barra da Tijuca ao Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão). Ônibus articulados (Bus Rapid Transit/ BRT) circularão nos seus 41 quilômetros. O projeto envolverá a construção de 46 estações de BRT, quatro túneis, 10 viadutos e nove pontes. Transoeste: é um corredor expresso que ligará Barra da Tijuca e Santa Cruz. Terá 32 quilômetros de extensão e 30 estações de BRT. Espera-se que a via diminua pela metade o tempo médio de viagem entre os dois bairros. Ônibus articulados circularão nela. O projeto duplicará a Av. das Américas no Recreio e abrirá o Túnel da Grota Funda. Transolímpica: corredor expresso que fará a ligação entre Deodoro (Zona Oeste) e Barra da Tijuca. Diferentemente da Transoeste e Transcarioca, servirá também como uma via expressa para carros — e BRTs. O projeto envolve a duplicação de avenidas importantes, como a Salvador Allende, a abertura de novas estradas e a construção de quatro túneis e novas ruas. Transbrasil: corredor expresso de BRTs (20 quilômetros) que ligará o Centro da cidade a Deodoro. Seguirá o traçado da Avenida Brasil, umas das principais artérias de trânsito do Rio. Linha 4 (metrô): ligará a estação da Praça General Osório (Ipanema) a outras seis novas estações: Praça Nossa Senhora

da Paz (Ipanema); Jardim de Alah, entre Ipanema e Leblon; Antero de Quental (Leblon); Gávea; São Conrado; e Jardim Oceânico (Barra da Tijuca). Bairro Carioca: 11 condomínios, com 112 prédios de cinco andares, cada um com 20 apartamentos, em Triagem (Zona Norte). Os imóveis (60m²) terão sala, dois quartos, banheiro, cozinha e área de serviço. Os condomínios terão a infraestrutura urbana necessária (água, drenagem, esgoto, pavimentação, iluminação), escola, complexo esportivo, creche e posto policial. Vítimas das chuvas na cidade e moradores de áreas de risco viverão no Bairro Carioca. Morar Carioca: um programa — para ser implementado de agora até 2020 — que objetiva a melhoria (em termos de urbanização e progresso social e econômico) das favelas do Rio de Janeiro e a integração da cidade como um todo. Parque de Madureira: será a terceira maior área de lazer municipal do Rio (113.000m²), perdendo apenas para o Aterro do Flamengo e a Quinta da Boa Vista. O parque terá fontes, riachos, ciclovias e pista de skate, entre outras atrações. Novo Sambódromo: recuperará o projeto arquitetônico original, assinado por Oscar Niemeyer. Haverá 192 novos camarotes privados, além de um bloco de arquibancadas semelhante ao que já existe do outro lado da Sapucaí. Com a remodelação, a Prefeitura estima que 17.800 mais pessoas vão poder assistir aos ensaios técnicos previstos para acontecer no final deste ano, bem como os desfiles das escolas de samba de 2012 Nova Avenida Presidente Vargas: a Transbrasil trará impacto significativo ao trânsito do Centro do Rio. O corredor expresso para ônibus articulados ao longo da Avenida Brasil se estenderá até a Avenida Presidente Vargas, passando pela Avenida Francisco Bicalho.

Fontes: www.cidadeolimpica.com; www.rio.rj.gov.br; www.transparenciaolimpica.com.br; www.portal2014.org.br; www.brazilinvestmentguide.com 65


“One who does not believe does not progress”

T

. o skeptics, laughs. In an exclusive interview to ESCALA Magazine, Sergio Dias, Municipal Secretary of Urbanism, affirms that Rio de Janeiro city will change radically in the coming years. According to him, this process of transformation — in terms of mobility, urban equipments, revitalization of degraded areas, and landscaping, among other aspects — has already begun and will be the great legacy of 2014 World Cup and 2016 Olympics to the city’s residents. During the interview, Dias talks about the major projects/programs: Porto Maravilha, Transcarioca, Transolimpica, Transoeste, Transbrasil, Line 4 (subway), Bairro Carioca, Morar Carioca, and Parque de Madureira (see box to know them) — for this new Rio. Asked about what he would say to people who do not believe in this new city, the engineer laughs. “It is important to open eyes and minds to see the changes that have already begun to appear. One who does not believe does not progress”, he concludes. ESCALA: Thinking about the urbanism of Rio de Janeiro city today, for what do we deserve the gold medal? Dias: We will win the gold medal for the urban legacy of 2014 World Cup and 2016 Olympics. The population will receive improvements in transport systems (bus, train, and subway), in urban infrastructure, equipments etc.. We still have not won the gold medal because the final competition has not occurred yet. 66 dezembro 2011

Andréa Magalhães

Sergio Dias

ESCALA: Separating into zones, what are the main challenges in terms of urbanism in this time of pre-World Cup and preOlympics? Dias: In the Port Zone of Rio, the big challenge is to prove that an abandoned industrial area can be an excellent business and residential area. To do so, important works will be needed, such as the demolition of Elevado da Perimetral. The public-private partnership will invest billions of reais to revitalize the region. ESCALA: Other interventions in downtown Rio? Dias: Porto Maravilha — the project for the Port Zone of Rio — is the biggest one indeed, but there will be interventions in Avenida Presidente Vargas, Sambodromo, Lapa, Cidade Nova, and Saara. ESCALA: And the main challenges in the North Zone? Dias: The North Zone is the soul of Rio. In my opinion, the typical cariocas are the ones who live there. I remember Noel


Rosa. The region has infrastructure — railways, subway, buses, Avenida Brasil — but it is underutilized. The big challenge is to encourage its use. And give it a desirable quality level. ESCALA: What are the main projects for this area? Dias: Transcarioca, Transbrasil, Parque de Madureira, and Bairro Carioca, among others. ESCALA: Thinking about the West Zone, what will be the biggest change? Dias: Unlike the North Zone, the West Zone lacks urban infrastructure. Our big challenge is to provide infrastructure for the region. The government will make big investments, such as Transoeste express corridor. ESCALA: And the biggest challenge in Barra da Tijuca? Dias: Barra da Tijuca is an exception in the West Zone, because it has infrastructure. The district is like the South Zone of the 20’s. At that time, the population discovered the habit of going to the beach in Copacabana thanks to the tunnels. Thanks to new tunnels, the population discovered Barra da Tijuca. There, the challenge is to improve transportation. For this, we will have important express corridors, such as Transcarioca, Transolimpica, and Transoeste, besides Line 4 of the subway. ESCALA: And the biggest challenge in the South Zone? Dias: It is to maintain and take care of what already exists. ESCALA: What can we expect for the slums in terms of urbanism? Dias: The big project is called Morar Carioca. Billions of reais will be invested in the communities. The goals are to control the growth of the slums and to improve infrastructure — sanitation,

lighting, services etc. We have started giving residents urban licenses — 200 licenses (habite-ses) per month. ESCALA: And Bairro Carioca? Dias: It is a large enterprise, in Triagem, which will benefit victims of the rains and people living in risk areas. It will consist of several buildings, more than 2,000 apartments. It is a very interesting project because it is integrated into the urban fabric. It is not New Sepetiba, isolated from everything. ESCALA: Of all the current projects, do you have a favorite one? Dias: Porto Maravilha. ESCALA: What would you say to a person who is skeptical of all these urban improvements? Dias: (Laughs). It is important to open eyes and mind to see the changes that have already begun to appear. One who does not believe does not progress. ESCALA: What is the best thing that the engineer gives to the Municipal Secretary of Urbanism? Dias: The position includes important missions, such as proposing, planning, controlling, monitoring, preventing, encouraging etc. Knowing the market is the baggage that I bring. ESCALA: What’s the biggest lesson, the biggest learning, that the Municipal Secretary of Urbanism will let to the engineer? Dias: I would rather say to the man. For sure, a great personal learning, a fantastic life experience, mainly in terms of human relationship. My team has almost 500 people. Working with so many people in harmony is a great exercise. When the secretary leaves the scene, certainly, my professional knowledge and my understanding of the city will be much bigger. n

Courtesy of BLAC Arquitetura e Cidade

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Winner of Porto Olimpico Contest


Knowing the projects/programs Porto Maravilha: revitalization of the port area (5,000,000 square meters). The project involves: the construction of Museu do Amanha (by Santiago Calatrava); Museu de Arte do Rio de Janeiro (Mar)/ by Thiago Bernardes and Paulo Jacobsen; reconstruction of 700km of public networks (water, sanitation, drainage, electricity, gas, and telecom); construction of tunnels; reurbanization of 70km of streets and 650km² of sidewalks; bike paths; plantation of 15,000 trees; three new plants for sanitation treatment; and the demolition of Elevado da Perimetral. The main project is by BLAC Arquitetura e Cidade. Transcarioca: express corridor that will connect Barra da Tijuca (West Zone of Rio city) to Tom Jobim International Airport (North Zone). Articulated buses (Bus Rapid Transit/ BRT) will circulate on its 41 kilometers. The project will involve the construction of 46 BRT stations, four tunnels, 10 viaducts, and nine bridges. Transoeste: express corridor that will connect Barra da Tijuca and Santa Cruz, two big districts of Rio city (West Zone). It will be 32 kilometers long and have 30 BRT stations. The route is expected to halve the average travel time between the two districts. Articulated buses will circulate on it. The project will duplicate Avenida das Americas in Recreio dos Bandeirantes and open a tunnel called Grota Funda. Transolimpica: express corridor that will connect the neighborhood of Deodoro (West Zone of Rio City) to Barra da Tijuca. Differently from Transoeste and Transcarioca, it will also serve as an expressway for cars — and BRT vehicles. The project involves the duplication of important avenues, such as Salvador Allende, the opening of new routes, and the construction of four tunnels and new streets. Transbrasil: Express BRT corridor (20 kilometers) that will link downtown to Deodoro. It will follow the route of Avenida Brasil, one of the main traffic arteries of the city. Line 4 (subway): it will link Praça General Osorio station

(Ipanema) to the other six new stations: Praça Nossa Senhora da Paz (Ipanema); Jardim de Alah, between Ipanema and Leblon; Antero de Quental (Leblon); Gavea; Sao Conrado; and Jardim Oceanico (Barra da Tijuca). Bairro Carioca: 11 condominiums, with 112 five-story buildings, each with 20 apartments, in Triagem (North Zone). The apartments (60m²) will have living room, two bedrooms, bathroom, kitchen, and service area. The condominiums will have the necessary urban infrastructure (water, drainage, sanitation, paving, lighting) school, sports complex, nursery, and police station. Victims of the rains in the city and people who live in areas of risk will live in Bairro Carioca. Morar Carioca: a program — to be implemented from now until 2020 — which aims the upgrade (in terms of urbanization and social and economical progress) of the slums of Rio de Janeiro and the integration of the city as a whole. Parque de Madureira: it will be the third largest municipal recreational area (113,000m²), losing only to Aterro do Flamengo and Quinta da Boa Vista. The park will have fountains, streams, bike paths, and skate area, among other attractions. New Sambodromo: it will recover the original architectural project, signed by Oscar Niemeyer. There will be 192 new private boxes, in addition to a block of grandstands similar to that which already exists on the other side of Sapucai. With the remodeling work, the City Government estimates that 17,800 more people will be able to watch the technical rehearsals set to take place at the end of this year, as well as the samba school parades of 2012. New Avenida Presidente Vargas: Transbrasil will bring significant impact to traffic in downtown Rio. The express corridor for articulated buses along Avenida Brasil will extend to Avenida Presidente Vargas, passing through Avenida Francisco Bicalho.

Sources: www.cidadeolimpica.com; www.rio.rj.gov.br; www.transparenciaolimpica.com.br; www.portal2014.org.br; www.brazilinvestmentguide.com 68 dezembro 2011


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Artigo

por Ignez Ferraz, Fabio Memoria e Tabitha von Krüger

Arquitetura contemporânea: estilos e linguagens

Museu da Imagem e do Som

E

m arquitetura, falar em estilo é, na certa, suscitar polêmica. Em algumas épocas mais, em outras, menos. A divulgação dos projetos vencedores dos concursos para a construção da nova sede do Porto Olímpico (João Pedro Backheuser) e do Museu da Imagem e do Som (Diller Scofidio + Renfro/ imagem acima), no Rio de Janeiro, evidenciou que estamos em alta temporada de discussão. O impacto desses novos edifícios na paisagem da cidade logo causou polêmica — uns amaram, outros odiaram —, assim como aconteceu por ocasião da divulgação do projeto da Cidade da Música (Christian de Portzamparc), na Barra, e do Guggenheim (Jean Nouvel) para o Píer Mauá, cancelado posteriormente. E as discussões mais acaloradas sempre ficam em torno dos estilos arquitetônicos dessas construções. 70 dezembro 2011

Neste artigo, “conversaremos” um pouco sobre grandes ícones contemporâneos da arquitetura mundial e sobre dois caminhos antagônicos, que estão muito em voga nos dias atuais: o desconstrutivismo e o minimalismo. Falaremos também de duas tendências bem marcantes de linguagem: o contextualismo e a sustentabilidade. Na nova sede do Museu da Imagem e do Som (MIS), em Copacabana, e na Cidade da Música, na Barra, foi adotado o desconstrutivismo. O escritório austríaco Coop Himmelblau foi um dos seus precursores na década de 70, ao lado dos arquitetos Bernard Tschumi (Suíça) e Peter Eisenman (EUA). Uma das características marcantes é a complexidade formal e de execução, viável somente com a utilização de tecnologias avançadas de programas computacionais.


Além deles, o canadense naturalizado norte-americano Frank Gehry, o polonês Daniel Libeskind — que também participou do concurso do MIS —, a iraquiana Zaha Hadid e o escritório norte-americano Morphosis são grandes nomes do estilo desconstrutivista. Um bom exemplo é o Museu Guggenheim de Bilbao, projetado por Gehry. Ele transformou-se em um símbolo e redefiniu o status de Bilbao no mapa mundi. Outro exemplo é o projeto do novo campus da escola de design Cooper Union, assinado pelo Morphosis. Enfim, são apenas duas concepções e há muito mais para ser analisado e admirado. Levando ao extremo o conceito de que “menos é mais”, do alemão Mies van der Rohe, ícone do modernismo, o minimalismo, por sua vez, baseia-se na pureza das formas. Os japoneses são mestres nessa arte e possuem nomes muito representativos, tais como Tadao Ando, Shigeru Ban, Toyo Ito e o escritório SANAA. Mas existem também seguidores no Ocidente, principalmente nos Países Baixos, nórdicos, ibéricos e sul-americanos. Em Nova York, The New Museum (imagem na página seguinte), projetado pelos arquitetos Sejima + Nishizawa (SANAA), espelha bem esta ideologia. O edifício remete a uma mera pilha de meras caixas desencontradas. Na fachada, grades de alumínio, que proporcionam um efeito sólido e industrial. Sem ter um nome específico, existe ainda um estilo intermediário (nem por isso menos instigante), que vem ganhando força entre arquitetos como o holandês Rem Koolhaas, líder do escritório OMA. Suas principais características são: formas de fácil compreensão e uma complexidade tecnológica e construtiva de última geração. Exemplos não faltam, desde as Olimpíadas de Pequim, entre eles, o “Cubo d’Água”, como ficou conhecido o estádio aquático, idealizado pelo escritório australiano PTW, e o es-

Centro Cultural Jean-Marie Tjibaou

tádio olímpico “Ninho de Pássaro”, dos suíços Herzog & De Meuron. As concepções do inglês Sir Norman Foster são rotuladas como high tech, mas suas formas são altamente legíveis. O projeto do OMA para a nova sede da CCTV foi uma das primeiras torres a ser construída no novo Centro de Negócios (CBD) de Beijing. Apesar da altura (230m), não é um arranha-céu tradicional — seu desenho contínuo cria uma espacialidade tridimensional, mais do que uma afirmação de verticalidade. A amarração por um grid irregular representa os esforços distribuídos pela estrutura. Independentemente destes estilos, há duas tendências de linguagem que aparecem na maioria das construções atuais: a sustentabilidade e a contextualidade. Ambas estão presentes na maioria dos projetos citados neste artigo. A sustentabilidade é o paradigma recorrente da arquitetura hoje. Este ideal tornou-se um pré-requisito para qualquer 71


grande obra. Seja na execução, na economia de recursos dos equipamentos, no uso da edificação ou, até mesmo, no destino final de suas partes após a destruição. A preocupação com a diminuição do impacto da construção civil sobre o planeta é a principal meta estabelecida para o futuro desde a ECO 92. Se analisarmos atentamente os projetos exemplificados neste artigo, repararemos que a maioria deles busca inspiração e/ ou faz referência ao contexto e à cultura do país — e utiliza materiais típicos da sua região. Isso é o que chamamos de contextualismo.

No projeto do MIS, por exemplo, a volumetria do museu foi concebida como algo que, abstratamente, promovesse uma continuidade ao calçadão da praia de Copacabana, segundo os arquitetos do Diller Scofidio + Renfro. Na Cidade da Música, a matéria-prima mais utilizada foi o concreto, típico da arquitetura brasileira. Além disso, o prédio faz clara alusão ao nosso movimento modernista: o edifício é elevado em relação ao piso e mescla curvas e retas. Esta busca por um gancho local virou rotina, tornando-se um artifício comum nos tempos da globalização — justifica o projeto e contribui para uma leitura artística do espaço. Nas referências ilustradas, quase sempre o arquiteto é de um país e a obra, de outro. Este intercâmbio, causado principalmente pelos concursos internacionais, é essencial para o progresso arquitetônico. Em nossa opinião, entre tantos criadores renomados, há um que consegue conjugar estes dois conceitos como ninguém: Renzo Piano, um mestre da sustentabilidade e um camaleão no que se refere à contextualidade — tanto que não somos capazes de, facilmente, identificar sua obra tão diversificada. No Centro Cultural Jean-Marie Tjibaou (imagem na página anterior), na Nova Caledônia (arquipélago da Oceania situado na Melanésia), Piano conseguiu inserir no projeto características referentes ao seu contexto: a sensibilidade ao ambiente natural, a capacidade de diálogo social e o respeito intelectual a uma cultura tão diferente da europeia. Uma reflexão sobre a técnica construtiva e a cultura material da habitação Kanak (povo indígena da região) conduziu Piano a uma morfologia que nos remete às cabanas locais de madeira ripada, aliada ao respeito pela extensa vegetação e à superfície líquida do Oceano Pacífico. Tudo isso muito diferente do seu projeto no Marais, em Paris. Neste artigo, abordamos estilos e linguagens da arquitetura contemporânea. Sabemos que são temas que instigam opiniões divergentes. Nesses anos pré-Olimpíadas e pré-Copa no Brasil, vale pensarmos que toda metrópole deveria possuir pelo menos um ícone construtivo imponente e que polêmicas têm seu lado positivo, pois provocam discussões que ajudam a formar opinião e cultura arquitetônicas. n

72 dezembro 2011

The New Museum


Contemporary Architecture: styles and languages Courtesy of BLAC Arquitetura e Cidade

Porto Olimpico

I

In this article, we will “talk” a bit about great icons of contemporary world architecture and two opposing paths which are in vogue these days: deconstructivism and minimalism. We will also talk about two remarkable trends of language: contextualism and sustainability.

The impact of these new buildings in the city’s landscape has immediately caused controversy — some people have loved them, some have hated them —, similar to the reaction towards Cidade da Musica (Christian de Portzamparc), in Barra da Tijuca, and Guggenheim Museum (Jean Nouvel) for Pier Maua, later canceled. And the strongest discussions are always around the architectural styles of these constructions.

Deconstructivism has been adopted in the new headquarters of Museu da Imagem e do Som (Copacabana) and in Cidade da Musica (Barra da Tijuca). The Austrian practice Coop Himmelblau was one of its pioneers in the 70’s, together with Bernard Tschumi (Switzerland) and Peter Eisenman (USA). The complexity of forms and implementation — feasible only with the use of advanced technologies of computer programs — is one of its features.

.n architecture, style is a controversial subject. In some times more, in other times less. The disclosure of the winning projects of two important contests in Rio de Janeiro — the new headquarters of Porto Olimpico (Joao Pedro Backheuser/ image above) and of Museu da Imagem e do Som (Diller Scofidio + Renfro) — has shown that we are in high season for discussions.

73


Besides them, Frank Gehry (Canada), Daniel Libeskind (Poland) — he has also created a project for Museu da Imagem e do Som, but he hasn’t won —, Zaha Hadid (Iraq), and Morphosis (USA) are great names of the deconstructivist style.

the shares after the destruction) has become a requirement for any major work. The concern with the reduction of the impact of construction on the planet has been the main target for the future since ECO 92.

An example is Guggenheim Museum Bilbao, by Gehry. It has become a symbol and has redefined the status of Bilbao on the world map. Another example is Cooper Union’s new campus of the Design School, projected by Morphosis. They are just two concepts and there is much more to be analyzed and admired.

If we analyze carefully the projects exemplified in this article, we will realize that the majority of them searches for inspiration and/or makes reference to the context and culture of the country — and uses typical materials of its region. This is what we call contextualism.

On the other hand, minimalism is based on purity of form. Japanese architects (Tadao Ando, Shigeru Ban, Toyo Ito, and SANAA) are masters in this art. But there are followers in the West too, mainly in the Netherlands, Nordic, Iberian, and South American countries. Minimalism takes to extreme the “less is more” concept (Mies van der Rohe, German icon of Modernism). In New York, The New Museum, designed by Sejima + Nishizawa (SANAA), reflects this ideology. The building resembles a mere pile of mere non-aligned boxes. On the facade, there are aluminum bars which provide a solid and industrial effect. Without a specific name, there is an intermediate (also provoking) style which has been gaining strength among Dutch architects like Rem Koolhaas (OMA). Its main features are: forms that are easy to understand and a technological and constructive complexity. Since the Olympic Games in Beijing, there have been a lot of examples, such as The National Aquatic Center, also known as “Water Cube”, projected by PTW (Australia),and Beijing Olympic Stadium (known as “Bird’s Nest”), by Herzog & De Meuron (Switzerland). Sir Norman Foster’s conceptions are labeled as high-tech, but their forms are highly readable. OMA’s project for the new CCTV’s headquarters has been one of the first towers to be built in the new Beijing Central Business District (CBD). Despite the height (230m), it is not a traditional skyscraper — its continuous design creates a three-dimensional spatiality, rather than a statement of verticality. The mooring for an irregular grid represents the efforts distributed through the structure. Besides these styles, there are two trends of language which appear in the majority of the constructions nowadays: contextualism and sustainability. Both are present in most of the projects cited in this article. Sustainability is the recurrent paradigm of architecture today. This ideal (in execution, economy of resources and equipment, use of the building, or even in the ultimate destiny of 74 dezembro 2011

In the project of Museu da Imagem e do Som, for instance, the volumetry of the museum has been conceived as something to abstractly promote a continuity to Copacabana’s boardwalk, according to the architects (Diller Scofidio + Renfro). In Cidade da Musica, they have used concrete — typical of Brazilian architecture — a lot. Besides, the building makes clear reference to our modernist movement: the building is elevated from the floor and mixes curves and straight lines. This search for a local hook has become routine, a common stratagem in times of globalization — it justifies the project and contributes to an artistic reading of space. In the illustrated references, the architect is almost always from a country different from the country where the construction is located. This exchange, caused mainly by international competitions, is essential to the architectural progress. In our opinion, among many reputable architects, there is one who manages to conjugate these two concepts as no one else: Renzo Piano, a master of sustainability and a chameleon when it refers to contextualism — so much that we are not capable of easily identify his so diversified work. Piano has managed to insert in Jean-Marie Tjibaou Cultural Center, in New Caledonia (archipelago located in Melanesia), characteristics related to its context: the sensibility to the natural environment, the ability of social dialogue, and the intellectual respect for a culture so different from the European. A reflection on the construction technique and the material culture of Kanak housing (indigenous people of the region) has conducted Piano to a morphology that leads us to the local ripped wood huts, allied to the respect for the extensive vegetation and the liquid surface of the Pacific Ocean. All this very different from his project in Marais, in Paris. In this article, we have discussed styles and languages of contemporary architecture. We know that they are controversial issues. In these years pre-Olympic Games and pre-World Cup in Brazil, we think that every big city should have at least one impressive architectural icon and that controversies have their positive side, because they provoke discussions that help to form architectural opinion and culture. n


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Reportagem

por Andréa Magalhães

CasaShopping terá hotel boutique

Cortesia CasaShopping

Expansão

O

Art CasaShopping não existe mais, mas a história do shopping daria um bom filme. No enredo, o início da Barra da Tijuca, o empreendedorismo de um empresário, lojas que saíram (assim como o cinema), outras que entraram no mix, anos difíceis, anos bons, a transformação do centro comercial em referência no setor da decoração e o que mais nos interessa nesta matéria: a expansão do CasaShopping, que, atualmente, possui 41.000m² de área bruta locável (ABL) e que, em 2012, deverá possuir 59.948m² de ABL, com a primeira fase da expansão. Com a segunda fase, em 2016, deverá estar com 82.803m² de ABL, contando, inclusive, com um hotel boutique, com vista para a Lagoa da Barra e Pedra da Gávea.

Hochtief do Brasil, em 10 de maio deste ano, e com a aquisição do terreno (12.725m²) anexo ao shopping, necessário para viabilizar todas essas transformações. Outras inovações previstas são um centro de convenções, um teatro, uma área de estacionamento subterrâneo, mais três blocos de escadas rolantes com início no subsolo e um elevador panorâmico na entrada principal. Até 2016, deverão estar concluídos. Diante de tantas mudanças e, com certeza, tantos desafios a vencer, uma brincadeira surge inevitavelmente: seriam “Os 12 Trabalhos de Grabowsky”? A alusão ao herói grego Hércules

Já para 2012, é prevista a inauguração de mais quatro blocos, com novas lojas especializadas em decoração, um ou mais restaurantes, delicatessen, livraria e farmácia. Hoje, são 12 blocos. Ao todo, deverão ser mais 130 novas lojas — hoje, são 120 lojas. “Haverá muitas novidades nos próximos anos. Vamos dobrar de tamanho, diversificando o mix com novas operações, sem perder a especialização em decoração e atualizando constantemente nossos equipamentos”, diz à ESCALA Francisco Grabowsky, diretor geral do CasaShopping. Obras — O pontapé inicial das obras de expansão já foi dado, com a assinatura de contrato com a construtora 76 dezembro 2011

Expansão


(“Os 12 Trabalhos de Hércules”), da mitologia greco-romana, e às difíceis tarefas que ele teve que cumprir provoca no diretor geral do shopping uma reação modesta: “Ser diretor geral de um shopping como o CasaShopping não é fácil, mas não é preciso ser um Hércules para tal”. Na visão de Grabowsky, o importante é manter o completo equilíbrio do empreendimento comercial, maximizando o seu retorno financeiro e a satisfação dos clientes e lojistas. “Temos que garantir ao mesmo tempo a qualidade de serviços aos consumidores e tornar viável o sucesso dos mais diversos negócios aqui instalados”, analisa. Com a expansão total, a expectativa é atrair ao centro comercial mais 5.000 pessoas, por dia, em média. Atualmente, o shopping recebe, em média, 100.000 automóveis/mês. Para Gilda Antoniazzi, são muitos os desafios para quem trabalha no departamento de marketing do mall, entre eles, “realizar uma comunicação eficiente, seduzir o consumidor a buscar nele o que deseja para sua casa, conciliar os interesses de mais de 120 lojistas e retribuir a parceria dos arquitetos e decoradores”. História — Em 28 de setembro do ano de 1984, nascia o CasaShopping, com 18.000m² de ABL e o objetivo de reunir lojas especializadas em decoração e arquitetura. Ainda era uma época de muitos terrenos livres na Barra da Tijuca, cenário que foi sendo transformado, culminando com a explosão demográfica do bairro ainda na década de 80 e nas se-

Antes do shopping

guintes. A decisão de Luiz Paulo Marcolini (Marcon Empreendimentos Imobiliários) de construir um shopping na Av. Ayrton Senna mostrava a visão de um empresário que enxergava o potencial comercial da Barra da Tijuca. Ao longo dos anos, o mall passou por mudanças visíveis. A entrada com estruturas com tecidos tensionados impressos — primeiramente, com móveis e objetos decorativos e, depois, com atrações turísticas do Rio — foi “aposentada” em 2009, quando o centro comercial comemorou o seu 25º aniversário: as lonas e estruturas foram retiradas. “O shopping precisava aparecer, mostrar a sua cara, por isso, decidimos mudar a fachada frontal inteira”, explica Grabowsky. Os blocos frontais passaram a ter revestimento de vidro espelhado em suas fachadas e foi instalado um grande letreiro com o nome do shopping no chão, paralelamente à calçada — projeto de Ricardo Bruno. A nova logomarca do CasaShopping foi apresentada no mês do seu aniversário, ainda em 2009. Em consonância com o conceito de sustentabilidade, o centro comercial vem trocando o sistema de iluminação das áreas comuns — lâmpadas LED são a escolha (também para a área da expansão). A alteração começou no ano de 2009 e está em sua fase final. Em 2010, foi inaugurado o Espaço Casa, um auditório multiuso para locação. n

Hoje

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Report

by Andréa Magalhães

CasaShopping will have a boutique hotel

Courtesy of CasaShopping

Expansion

A

rt CasaShopping movie theater no longer exists, but the story of the mall (CasaShopping) would make a good movie. In the plot, the beginning of Barra da Tijuca — a sophisticated and elegant district in Rio de Janeiro city —, the entrepreneurship of a businessman, stores that have left (as well as the movie theater), others that have come to the mall, difficult years, good years, its transformation in a reference shopping center in the decoration sector, and what interests us the most in this report: the expansion of CasaShopping, which today has 41,000m² of gross leasable area (GLA) and, in 2012, is expected to have 59,948m² of GLA, with the first phase of the expansion. With the second phase, in 2016, it is expected to be with 82,803m² of GLA, counting even with a boutique hotel, overlooking Lagoa da Barra and Pedra da Gavea — beautiful natural places in Rio.

Works — The kickoff of the expansion works has already been given, with the signing of contract with Hochtief do Brasil on May 10 and with the acquisition of the land (12,725m²) beside the mall — necessary to enable all these transformations. Other expected innovations are a convention center, a theater, an underground parking area, three new blocks of escalators beginning on the underground, and a panoramic elevator at the main entrance. By 2016, they are expected to be completed.

For 2012, it is planned the inauguration of four new blocks, with new stores specialized in decoration, one or more restaurants, delicatessen, bookstore, and drugstore. Today, there are 12 blocks. The plan is to have 130 new stores — today, there are 120 stores.“There will be many new features in the coming years. We will double in size, diversifying the mix with new operations without losing the specialization in decor and constantly updating our equipments”, says Francisco Grabowsky, CEO of CasaShopping, to ESCALA Magazine. 78 dezembro 2011

Expansion


Works

With the total expansion, the expectation is to attract to the mall more 5,000 people per day, in average. Currently, the mall receives 100,000 cars (in average) per month. According to Gilda Antoniazzi, there are many challenges for those working in the marketing department of the mall, among them, “to develop an efficient communication, to entice the consumer to get what he wants to his home in it, to conciliate the interests of over 120 storekeepers, and to retribute the partnership with architects and decorators”.

Beginning

2000’s

With so many changes and, of course, so many challenges to overcome, a joke arises inevitably: would they be “The 12 Labors of Grabowsky”? The allusion to the Greek hero Hercules (“The 12 Labors of Hercules”), from the GrecoRoman mythology, and to the difficult tasks which he had to fulfill evokes a humble response from the general director of the mall: “Being a CEO of a shopping mall as CasaShopping is not easy, but it is not necessary to be a Hercules to do so”. In Grabowsky’s view, the important thing is to keep the complete balance of the commercial enterprise, maximizing its financial return and customers’ and storekeepers’ satisfaction. “We must ensure both the quality of services to consumers and make feasible the success of the several businesses set up here”, he analyzes.

History — On September 28, 1984, CasaShopping was born with 18,000m² of GLA and the objective of gathering stores specialized in decoration and architecture. It was still a time of so much free land in Barra da Tijuca, a scene that was being transformed culminating with the demographic explosion of the neighborhood still in the 80’s and in the following decades. Luiz Paulo Marcolini’s decision (Marcon Empreendimentos Imobiliarios) to build a mall on Avenida Ayrton Senna showed the vision of an entrepreneur who saw the commercial potential of Barra da Tijuca district. Over the years, the mall has undergone visible changes. The entry with printed tensioned fabric structures — first, with pieces of furniture and decorative objects and, then, with Rio’s tourist attractions — was “retired” in 2009, when the mall celebrated its 25th anniversary: the canvas and structures were removed. “The mall needed to appear, to show its face, therefore, we decided to change the entire front facade”, explains Grabowsky. The front blocks won a mirrored glass coating on their facades and a large sign with the name of the mall was installed on the ground, parallel to the sidewalk — project by Ricardo Bruno. The new logo of CasaShopping was presented in the month of its anniversary, still in 2009. In line with sustainability, the shopping center has been changing the lighting system of the common areas — LED lamps are the choice (also for the expansion area). The alteration started in 2009 and is in its final phase. In 2010, Espaço Casa, an auditorium for lease, was inaugurated. n 79


D

uas “Patricias” em um evento. Quem nunca se referiu a Patricia Mayer (na foto, à dir.) e Quentel, as organizadoras da Casa Cor Rio, deste modo? Se a marca do evento é forte, pode-se dizer o mesmo da marca que as duas sócias construíram ao longo dos quase 25 anos em que estão juntas. E o mais impressionante é que a parceria de sucesso foi prevista por uma numeróloga, conforme Quentel conta à ESCALA, neste momento histórico da revista. Entrevistamos Mayer e Quentel separadamente e o resultado foi incrível. Na pauta, edições marcantes, outras que pareciam não engrenar, o que uma admira na outra, como veem o setor da decoração no Brasil e no Rio, locações dos sonhos e a Casa Cor Rio 2012 etc. Concordando ou divergindo, é bacana ver como duas individualidades se somam para formar uma dupla bem-sucedida. Há aproximadamente dez anos, a marca Casa Cor foi comprada por um fundo de investimentos. Há cerca de três anos, a marca foi novamente vendida: 50% para o Grupo Abril e os outros 50% para Doria Associados, de João Doria Júnior. O escritório central fica em São Paulo e o presidente da Casa Cor é Angelo Derenze. A marca Casa Cor atua desde 1987. Atualmente, as exposições ocorrem no Brasil, Peru, Panamá, Chile e Uruguai. Patricia Mayer e Patricia Quentel são as franqueadas da Casa Cor Rio. 80 dezembro 2011

Patricia Quentel + Patricia Mayer

ESCALA: Há 25 anos, se uma cartomante falasse “Você organizará a mostra de decoração mais prestigiada do Rio de Janeiro”, o que você diria? Mayer: Eu acharia difícil e não conseguiria ver como isso aconteceria. Sou jornalista e sempre tive o objetivo de seguir a carreira. Nunca imaginei que seria encaminhada para essa área na minha profissão de jornalista e que eu estaria à frente da Casa Cor Rio. Quentel: Engraçado você fazer esta pergunta. Quando já era sócia da Patricia e da Lucia (Brito, ex-sócia da 3Plus), fui a uma numeróloga. Na época, não dei atenção ao que ela disse, mas, quando me mudei, achei o papel com as anotações dela. Sem me conhecer, ela afirmou que o nome “Patricia” teria muita importância na minha vida. Quando eu disse que tinha uma sócia chamada Patricia, ela respondeu que nós duas ficaríamos juntas e ainda mais fortes. E isso aconteceu. Nós fizemos um nome — em 2012, vamos comemorar 25 anos juntas. Não por acaso, somos conhecidas como “as Patricias”. ESCALA: No que a sua vida mudou com a Casa Cor? Mayer: Aprendi que tudo passa num passe de mágica, mas, nesse processo, temos que ser intensos e engajados e temos que procurar tirar o melhor desse empenho.


Quentel: Sou designer e sempre tive o olhar voltado para o design de interiores. Trabalhei com design gráfico e de produto. Mas pensei em estudar arquitetura também. A Casa Cor trouxe para mim este universo que eu adoro. E me deu a possibilidade de viajar pelo Brasil. ESCALA: Pensando nesses 21 anos de Casa Cor Rio, o que o evento dá de melhor para você? Quentel: É um trabalho subjetivo; não há fórmula, porque você lida com gente: operários, fornecedores, arquitetos, jornalistas, público. Isso é mágico. Acho que me faz uma pessoa melhor. É um exercício constante em busca do equilíbrio, que é a palavrachave para tudo, junto com a prática da generosidade. Mayer: Com o evento, aguço a minha inteligência emocional, fundamental para qualquer tipo de relacionamento, inclusive, as relações profissionais. ESCALA: O que você não gosta de fazer, mas é preciso para o funcionamento da estrutura da mostra? Quentel: Eu gosto de realizar. Adoro tudo até o momento em que fica pronto. My cup of tea não é o dia-a-dia do evento depois que ele começa.

Mayer: Lidar com assuntos relacionados à montagem e à desmontagem, obras, o que minha sócia faz muito bem. ESCALA: Quando acaba um evento, como você se sente: como no Carnaval, já começa a pensar na edição do ano seguinte, ou só quer descansar? Mayer: Sinto um vazio tremendo e fico perdida. Depois, conecto de novo. É sempre assim. Quentel: Não precisa nem acabar o evento. Logo que ele começa, já estou olhando para frente, pensando na edição seguinte. ESCALA: O que você mais admira na sua sócia? Quentel: Patricia é muito gentil ao tratar com as pessoas — arquitetos, parceiros, jornalistas etc. Ela faz muito bem o relacionamento do dia-a-dia e isso é muito importante quando se trabalha com eventos. Mayer: Sem dúvida, a objetividade e a clareza para lidar com muitas situações diferentes. ESCALA: Uma edição inesquecível? Mayer: 2001, Casa de Cultura Julieta de Serpa.

Daniel Plá

Casa Cor Rio 2010 81


Carlos Anjos

Casa Cor Rio 2011

Quentel: 1995, Largo do Boticário, pela natureza local. Mas eu também diria a edição de 2002, na casa projetada pelo Niemeyer. Foi a primeira vez em que fizemos uma área de entretenimento no evento. Depois, todas as Casa Cor fizeram áreas de lazer, com restaurante, loja, livraria etc. E outros eventos também adotaram a ideia. Mas fomos nós que a lançamos na Casa Cor Rio. ESCALA: Essa área é muito importante na mostra. Quentel: Ela é fundamental para manter o visitante no evento, o que é o nosso interesse. A pessoa vai lá fora, toma um café, limpa a mente e volta para a exposição, para ver alguns espaços de novo. Ah, uma outra edição inesquecível: a primeira. Foi em uma casa da tradicional família Catão, na Urca. As pessoas iam até o evento, porque queriam conhecer a casa onde Lourdes Catão havia morado. E foi interessante porque Lourdes assinou uma sala de jantar, junto com sua filha Bebel Klabin. Neste primeiro evento, eu recebia os visitantes na porta. ESCALA: Uma edição que parecia não engrenar? Mayer: 2002, Casa das Garças, no Leblon. Quentel: 1997, na Barrinha. Eram três casas num terreno. Mas acabou ficando bacana. Luiz Eduardo Indio da Costa ajudou na implantação. Ele foi muito generoso conosco. Foi o nosso primeiro ano na Barra. ESCALA: Como você vê o setor da decoração no Brasil hoje e, em particular, no Rio? Quentel: Crescendo enormemente e com muita tecnologia. Eu nem sou tão ligada em tecnologia, mas gosto de novos materiais — tecidos, revestimentos. E o que me satisfaz mais: o design brasileiro está ganhando importância no mundo. Vide Carlos Motta, Sergio Rodrigues... A indústria nacional tem que enxergar isso. O Brasil tem tudo para bombar neste setor e, em especial, o Rio. Mayer: Analiso-o como um setor que se movimenta muito, cresce e melhora a cada ano. 82 dezembro 2011

ESCALA: O que poderíamos fazer para desenvolver ainda mais o setor? Mayer: Em minha opinião, uma feira internacional de produtos de acabamento de decoração e um maior reconhecimento do design nacional. Quentel: A Casa Brasil, no Sul, é uma feira bacana, mas poderia haver mais uma feira assim. Quando grandes designers e arquitetos vêm ao Brasil, precisamos otimizar isso. Eles têm que falar para mais pessoas. Eu estou pensando em palestras, workshops. Trocar experiências é sempre ótimo. ESCALA: Como a Casa Cor Rio ainda pode crescer? Mayer: Várias ideias podem existir para o crescimento do evento, mas nós sempre dependemos do espaço disponível para cada edição. Mas há também o aspecto de crescimento profissional, amadurecimento e vontade de acertar. Quentel: O evento evoluiu muito e pode crescer mais. Com equilíbrio e não perdendo a bossa carioca, ele pode dar espaço para mais profissionais. Isso tem tudo a ver com a sua principal missão: mostrar o trabalho de arquitetos e designers de interior para muita gente. ESCALA: Um lugar que você sempre pensa para o evento, mas que ainda é um sonho? Mayer: O Alto da Boa Vista, com suas casas maravilhosas. Quentel: A zona portuária é um lugar para uma futura Casa Cor Rio. ESCALA: Pensando na Casa Cor Rio 2012, o que você pode adiantar? Quentel: Por enquanto, quase nada. A gente ainda nem tem o tema. A convenção anual da Casa Cor será em dezembro. Nós começaremos a visitar possíveis locações. Sempre temos quatro, cinco, seis possibilidades. É um garimpo. Às vezes, visitamos um local durante anos. A casa deste ano estava nas nossas cabeças há muitos anos. Todo ano, eu ligava. Uma coisa que já é certa para 2012 é aumentarmos a nossa comunicação através das redes sociais. A gente teve uma resposta excelente; o evento rejuvenesceu. ESCALA: O que você gostaria de me dizer daqui a cinco anos? Mayer: Estou realizada por tudo o que já fiz, mas ainda tenho muuuuito a fazer na minha vida! Quentel: Eu gostaria de te dizer, Andréa, que a Casa Cor está trazendo novos talentos, âncoras e profissionais consagrados e que o evento continua com sua essência. Gostaria de dizer que a nossa indústria está forte e que o design brasileiro está super em alta. n


Mayer

T

..wo “Patricias” in one event. Who has never referred to Patricia Mayer (on the left) and Quentel, the organizers of Casa Cor Rio, this way? If the brand of the decoration event is strong, we can say the same for the brand that the two partners have built up over the nearly 25 years they have been together. And the most impressive is that the successful partnership has been predicted by a numerologist, as Quentel tells ESCALA in this historical moment of the magazine. We have interviewed Mayer and Quentel separately and the result has been amazing. Among the discussing issues, there are: the most outstanding exhibitions, the others that seemed not to catch on, what one admires in the other, how they see the decoration sector in Brazil and in Rio de Janeiro, dreamed locations, and 2012 Casa Cor Rio. Agreeing or diverging, it is nice to see how two individualities combine to form one successful duo. About a decade ago, Casa Cor brand was bought by a mutual fund. Three years ago, approximately, the brand was sold again: 50% to Grupo Abril and the other 50% to Doria Associados, by Joao Doria Junior.

Quentel

The headquarters are in Sao Paulo and the chairman of Casa Cor is Angelo Derenze. Casa Cor brand has been operating since 1987. Currently, the exhibitions occur in Brazil, Peru, Panama, Chile, and Uruguay. Patricia Mayer and Patricia Quentel are the franchised of Casa Cor Rio.

ESCALA: Twenty-five years ago, if a fortune teller spoke “You will organize the most prestigious decoration exhibition of Rio de Janeiro”, what would you say? Mayer: I would find it hard and would not be able to see how this could happen. I am a journalist and I have always intended to follow this career. I have never imagined that I would be sent to this area in my profession as a journalist and that I would be ahead of Casa Cor Rio. Quentel: It is funny you asked this. When I was already partner of Patricia and Lucia (Brito, a former partner of 3Plus), I went to a numerologist. At that time, I paid no attention to what she said, but, when I moved, I found the paper with her notes. Without knowing me, she affirmed that “Patricia” would be a very important name in my life. When I said that I had a partner named Patricia, she replied that the two of us would be together and even stronger. And this happened. We made a name — in 2012, we will celebrate 25 years together. Not by chance, we are known as “Patricias”. 83


Mayer + Sergio Rodrigues + Quentel

ESCALA: In what aspects has your life changed with Casa Cor? Mayer: I have learned that everything changes very quickly, but in this process, we must be intense and committed and we must take the best things from this effort. Quentel: I am a designer and have always had a penchant for interior design. I have worked with graphic and product design. But I have thought about studying architecture too. Casa Cor brought me this universe that I love. And it has given me the possibility of traveling throughout Brazil. ESCALA: What is the best thing Casa Cor Rio gives to you? Quentel: It is a subjective work; there is no formula, because you deal with people: workers, suppliers, architects, journalists, public. This is magical. I think that it makes me a better person. It is a constant exercise in search of balance, which is the key word for all, together with the practice of generosity. Mayer: With the event, I sharpen my emotional intelligence, key to any relationship, even professional relationships. ESCALA: You do not like to do, but it is necessary for the functioning of the structure of the exhibition. Quentel: I like to accomplish. I love everything by the time it is ready. My cup of tea is not the day-to-day of the event after it begins. Mayer: Dealing with issues related to the assembly and disassembly, works, which my partner does very well. 84 dezembro 2011

ESCALA: When an event ends, how do you feel: like in Carnival, you start thinking about next year’s edition, or you just want to rest? Mayer: I feel a tremendous emptiness and I feel lost. Then, I connect again. It is always this way. Quentel: It is not necessary to wait the event ends. Once it starts, I am already looking ahead, thinking about the next one, the next issue. ESCALA: What do you most admire in your partner? Quentel: Patricia is very gentle in dealing with people — architects, partners, journalists etc. She does the day-to-day relationship very well and this is very important when working with events. Mayer: No doubt, the objectivity and clarity to deal with many different situations. ESCALA: An unforgettable edition? Mayer: 2001, Casa de Cultura Julieta de Serpa. Quentel: 1995, Largo do Boticario, for the local nature. But I would also say the 2002 edition, in the house designed by Niemeyer. It was the first time we developed an entertainment area at the event. Then, all Casa Cor exhibitions (of other states) have developed entertainment areas, with restaurant, store, bookstore etc. And other events have adopted the idea as well. But we launched it at Casa Cor Rio.


ESCALA: This area is very important in the exhibition. Quentel: It is essential to keep the visitor at the event, which is our interest. The person goes outside the exhibition itself, drinks a cup of coffee, relaxes, and returns to see some spaces again. Ah, another unforgettable edition: the first. It was in a house of a traditional family (Catao), in Urca district. People went to the event because they wanted to know the house where Lourdes Catao had lived. And it was interesting because Lourdes signed a dining room, together with her daughter Bebel Klabin. In this first event, I received the visitors at the door. ESCALA: An edition that seemed not to catch on? Mayer: 2002, Casa das Garças, in Leblon district. Quentel: 1997, in Barrinha neighborhood. There were three houses on a land. But it becomes good. Luiz Eduardo Indio da Costa helped in the deployment. He was very generous to us. It was our first year in Barra da Tijuca district. ESCALA: How do you see the decoration sector in Brazil today, and particularly in Rio? Quentel: It has been increasing enormously, and with great technology. I am not so tied to technology, but I like new materials — textiles, coatings. And what satisfies me the most: Brazilian design has been gaining importance all over the world. See Carlos Motta, Sergio Rodrigues... The domestic industry has to see it. Brazil has everything to become a reference in this sector, and in particular Rio de Janeiro. Mayer: I analyze it as a sector that moves a lot, grows, and improves every year. ESCALA: What could we do to develop even more the sector? Mayer: In my opinion, an international fair of decorative finishing products and a greater recognition of the national design. Quentel: Casa Brasil, in the South part of the country, is a cool fair, but there could be one more fair like it. When great designers and architects come to Brazil, we need to optimize this. They have to talk to more people. I am thinking about lectures, workshops. Sharing experiences is always great.

growth, maturity, and willingness to make it right. Quentel: The event has evolved a lot and it can grow more. With balance and not losing Rio’s mood, it can give room for more professionals. This has everything to do with its main mission: to show the work of architects and interior designers for many people. ESCALA: A place you always think about for the event, but it is still a dream? Mayer: Alto da Boa Vista neighborhood, with its wonderful houses. Quentel: The port area is a place for a future Casa Cor Rio. ESCALA: Thinking about 2012 Casa Cor, what can you anticipate? Quentel: So far, almost nothing. We do not even have the theme. The annual convention of Casa Cor will be in December. We will start visiting possible locations. We always have four, five, six possibilities. It is a gold rush. Sometimes we visit a place during years. This year’s house has been in our minds for many years. Every year I called them. One thing that is already certain for 2012 is to increase our communication through social networks. We had an excellent response; the event rejuvenated itself. ESCALA: What would you like to tell me in five years? Mayer: I am fulfilled for what I have already done, but I still have a lot to do in my life! Quentel: I would like to tell you, Andrea, that Casa Cor is bringing in new talents, prestigious companies and professionals, and that the event continues with its essence. I would like to say that our industry is strong and that Brazilian design is a hit. n

Daniel Plá

ESCALA: How can Casa Cor Rio still grow? Mayer: Several ideas may exist for the growth of the event, but we always depend on the available space for each edition. But there is also the aspect of professional Casa Cor Rio 2010


Criatividade na escola/ Creativity at school Esta é a expansão da Fitzroy High School, em Melbourne, Austrália. O projeto, by McBride Charles Ryan, tem como objetivo expressar a progressiva visão de educação da escola através do seu design. This is the expansion of Fitzroy High School, in Melbourne, Australia. The project, by McBride Charles Ryan, aims to express the school’s progressive education vision through its design.

Minimalismo da Polônia/ Minimalism from Poland O projeto (“Single Hauz”, by Front Architects/ Polônia) foi desenvolvido para pessoas que moram sozinhas. O slogan do escritório é excelente: “P, M, G, GG: projetos de todos os tamanhos”. Faz sentido, não? The project (called “Single Hauz”, by Front Architects/ Poland) has been developed for people who live alone. The slogan of the practice is excellent: “S, M, L, XL: projects of all sizes”. It makes sense, doesn’t it?

De Portugal/ From Portugal Em primeira mão para ESCALA: o arquiteto português Alexandre Burmester está a fazer o projeto de um hotel em Recife e cinco casas. Ele assina o projeto com Sidnei Tendler. In first-hand for ESCALA Magazine: Portuguese architect Alexandre Burmester has been developing a project of a hotel and five houses in Recife, Brazil. He signs the project with Sidnei Tendler.

Fábrica aberta/ Open factory Que telhado!/ What a roof! Há alguns anos, ESCALA entrevistou um dos mais prestigiados escritórios da Noruega: JVA. Agora, mostramos a vocês “The Dune House”, com seu telhado tão diferente. Some years ago ESCALA Magazine interviewed one of Norway’s most prestigious practices: JVA. Now, we show you “The Dune House” with its so different roof. 86 dezembro 2011

A Celina convida arquitetos e interior designers a visitar sua fábrica, a partir de janeiro de 2012. A ideia é uma tendência de grifes europeias: mostrar sua linha de produção. Há um motorista para apanhar os profissionais – (21) 2597-7772. Celina store invites architects and interior designers to visit its factory from January 2012. The idea is a trend that many European brands have been adopting: to show their production line. There is a driver to pick up the professionals.


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Revista ESCALA 34  

ESCALA (Scale, in English) is a Brazilian magazine specialized in architecture and design. It is written both in Portuguese and English. It...

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