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Novembro de 2011

Volume 1, edição 1

Sociedade dos Cronistas Mortos C

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Crônicas Reflexivas

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Crônicas de Revista

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Nelson Rodrigues

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Martha Medeiros

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Crônica Esportiva

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Crônica a Seis Mãos

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Crônica de Jornal

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Editorial Caros leitores, É com imenso prazer que vos apresento a coletânea de crônicas “A Sociedades dos Cronistas Mortos”. Durante esse trimestre estudamos todos os aspectos da crônica, e com isso aprendemos como fazer uma. Esse trabalho tem como maior objetivo entreter leitores interessados com crônicas sobre temas atuais e polêmicos, e é claro com toda sagacidade, ironia e humor dos nossos autores. O convidamos para mergulhar nessa aventura literária, e perder-se no tempo, deliciando-se com desfechos inesperados e passeios através de lugares e situações inusitadas. Atenciosamente, Editor Chefe.

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Crônica Reflexiva Um Olhar Sobre A Cidade Reflexão O que te deixa feliz? O que te alegra? Que tal uma manhã ensolarada? Por que nós meros mortais, não nos saciamos com coisas simples, como algo que está em todo lugar, que esta “sobre a cidade’’, que tal uma manhã ensolarada? Essa pergunta por mais intrigante que seja não é tão simples assim, a resposta esta dentro de nós. E é necessário procurá-la para encontrá-la. Ela não virá facilmente. Em pleno mundo globalizado, informatizado e digitalizado, onde informações vão e vem, não é ético ter um conceito, uma base, uma ideia formada, ou concreta sobre algo. As tendências mudam, as coisas mudam. Tudo muda. O importante é dar tempo ao tempo e ter consciência de que o mundo gira e de que o sol nasce todo dia, dia após dia, pronto para nos iluminar e nos guiar na loucura dia a dia. Que tal agradecermos um pouco? E aproveitarmos as coisas simples da vida, as coisas que geralmente não damos muito valor, mas que todavia são as primeiras coisas que lembramos ao encostar a cabeça no travesseiro. Os valores mudaram... “Aproveite a vida, pois não temos um dia a mais na vida que não tenhamos nisso um dia a menos nela”. Chegamos ao um certo ponto em que, convenhamos, é necessário uma reflexão. Luca Cohen

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Crônica Reflexiva Um Olhar Sobre A Cidade O Menino e a Bola Era um dia como os outros. Estava indo pro clube, fazer minha academia, e o dia estava muito bonito. Um dia ensolarado e o céu sem nenhuma nuvem. Eu sempre passo por uma rua da favela, onde há uma quadrinha de futebol e sempre tem uns meninos batendo uma bolinha lá. Mas, nesse dia, algo estava diferente. O jogo estava mais bonito. Eu não piscava. Um menino, com 9 anos, cabelinho de Neymar, estava dando um show. Jogava com os meninos mais velhos, mas nem parecia. O menino estava descalço, com uma camisa rasgada e todo sujo, mas mesmo assim jogava muito. Parecia um mini Pelé. Infelizmente, os meninos mais velhos sempre ficavam irritando ele. Os mais velhos nunca tocavam a bola para ele e sempre falavam mal ele. Em minha opinião os meninos tinham inveja. - O Lucão, passa a bola ai!! - Xiu, seu moleque.... ninguém vai passar a bola pra você, retrucou o mais velho após uma gargalhada. - O Eugenio, você viu isso? Como aquele menino joga bem e é rejeitado?, perguntei pro meu motorista - Eu vi sim Pedro Tudo isso ocorreu em poucos minutos. Quando percebi já tava quase chegando no clube. Mas de uma coisa nunca vou esquecer: como aquele menino jogava bem e também como existem pessoas que são rejeitadas, não por terem algum defeito, mas sim por serem bom de mais em alguma coisa. Pedro Ramos

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Crônica Reflexiva Um Olhar Sobre A Cidade Cidade iluminada Um dia comum de trabalho acordei emburrado, com sono, e sem vontade de trabalhar. Tentava me animar, mas toda vez que eu olhava a cidade pela minha sacada do meu apartamento dava aquela desanimação. Tenho uma cobertura num prédio alto, mas com uma vista horrível, não era nem porque tinha vários prédios em volta, mas sim porque dificilmente batia luz quando acordava e a minha vista era uma favela gigante e tinham poucos prédios pequenos e abandonados. Logo depois de tomar meu café e ler o jornal desanimadamente, peguei o carro e fui pro trabalho. Meu caminho mais curto é passar por dentro da favela, mas como achava feias as favelas, essas casinhas de tijolo e etc., eu me assustava, então fui pela avenida que dava a volta por ela. Cheguei ao trabalho, e comecei a fazer meus deveres, totalmente desanimado. Quando deu o horário fiquei mais feliz, pois estava na hora de ir embora, arrumei tudo e fui pro carro. Na volta, o caminho mais curto era pela rua dos prédios abandonados e pelo mesmo motivo, eu não passava pela aquela rua, pois era toda pichada e escura Cheguei em casa, acabado e mais desanimado ainda por passar na frente dos prédios e acabei sentando na cadeira que tinha na sacada e fiquei observado a cidade e pensando: Como com um pais desse tem lugares tão feios ? Cansei de fica olhando e pensando, me troquei e fui dormir pensando em me mudar de cidade. No dia seguinte por incrível que pareça acordei animado, e quando fui ver, a sacada estava com um sol brilhando e sem nuvens, estranhei, pois a hora que eu normalmente acordo ta escuro ainda, sem sol, deixando a cidade escura e fazendo com que minha desanimação apareça. Fui olha quando olhei da onde viam essas luzes eram de restaurantes, bares, lojas, lá estava cheio de pessoas no relógio e eu estava 3 horas atrasado, mas pouco me importava porque depois de ver aquele sol, me esqueci de trabalhar, resolvi sentar na sacada e observar a cidade como todos os dias e estava cada vez mais animado. Então peguei o carro e já que estava atrasado peguei o caminho mais curto, pela favela, estava com pressa, então estava correndo por dentro das ruas da favela, só que além de aquele sol me animar, ele me ajudou enxergar o que aquela cidade realmente é, o que eu pensava daquela favela escura e feia, era uma o contrario. Ela era bonita, apesar de suas casas feitas pelos próprios donos, e ser um pouco abaixo no nível da cidade, ela era bonita. Ela era cheia de alegria varias crianças brincando de amarelinha e meninos jogando futebol, tudo isso me animou demais. Na hora de ir embora resolvi passar pela rua dos prédios pois queria descobrir como era la, quando entrei o começo da rua tava escuro, mas uns 500 metros depois, começava a brilhar, estava começando a ser iluminada e quando estava no meio da rua, ela estava totalmente iluminada e , adultos, crianças, adolescentes e avos, aquela é aruá mais animada para passar a noite com família e amigos. Finalmente cheguei em casa, estava muito animado depois de tantas descobertas, me deu vontade de abrir uma bebida e passar a noite sentado observando a cidade pela sacada. Enquanto estava observando e olhando, o que antes todos os dias, nunca enxerguei, percebi que aquela cidade era a melhor cidade do mundo. Pedro Canin

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Crônica Reflexiva Momento de descoberta Truman Verdade? Prefiro a mentira! Era um natal quente, abafado, a magia natalina estava no ar, minha família toda estava reunida na casa da minha avó para celebrar a festa como todo ano. Como toda criança ingênua, eu estava ansioso para receber meus presentes, não estava aguentando a tensão, queria logo abri-los... Foi então que eu desci rapidamente os degraus da casa da minha avó, só apara observar ao longe a linda arvore que estava ali parada intacta no canto direito da sala. Aparentemente Papai Noel já havia passado por lá, fui correndo até a árvore só para observar os presentes, todos lindos, intactos, perfeitos. Foi então que eu ouvi um barulho e subi correndo os degraus, não era para eu estar lá... As crianças tinham de ficar em cima. Fiquei observando atrás de uma cortina os movimentos aparentemente estranhos dos adultos, eles estavam mexendo nos presentes, botando etiquetas neles, embalando-os, tirando a magia pura e natalina, a perfeição não era mais perfeita. Era como se o mundo parasse, uma parte da minha linda infância fora arrancada a força! Papai Noel não existe nem nunca existiu. A magia acabou para mim naquele dia, minha infância foi cortada pela metade. Senti-me enganado. Era uma descoberta que desejava nunca ter descoberto. Infelizmente acabei descobrindo... A verdade ás vezes magoa... Muito. Luca Cohen 6


Crônica Reflexiva Momento de descoberta Truman A “real” fada do dente Antigamente, eu acreditava em muitas coisas. Vocês sabem, aquela idade em que Papai Noel, Coelhinho da Pascoa e ate a Fada Do Dente não eram imaginários para nos. Eu sempre fui um menino muito inocente e sempre acreditei em todos esse mitos, mas um dia , tudo isso que era real pra mim, acabou se tornando só parte da minha imaginação. Vamos voltar ao passado, mais especificamente em 2002, quando eu tinha 8 anos. Estava um dia lindo, e eu estava jogando um futebolzinho na escola, quando alguém, de repente, chutou a bola e ela bateu com força na minha cara. Nada grave, mas teve forca o suficiente para fazer meu dente, que já estava mole, cair. Fiquei muito feliz, esperando que naquela noite ia ganhar um dinheirinho ou ate um brinquedo da Fada Do Dente. Quando cheguei em casa, fui rapidamente e muito alegre, contar a noticia para minha mãe, na verdade, não só contei para ela, como contei para a casa inteira. Agora, faltava poucos dentes de leite na minha boca, porem o inicio do fim dos meus sonhos iria começar esta noite, e eu nem fazia ideia. Esta ansioso, coloquei meu dentinho embaixo do travesseiro e fui dormir, na verdade fiquei deitado na cama tentando dormir, mas por algum motivo não consegui. De repente, ouvi um barulho na maçaneta e fechei os olhos, fingindo que estava dormindo. Quando senti uma mão embaixo do meu travesseiro, esperei um tempo e depois abri os olhos, e vi minha mãe saindo do meu quarto. Fiquei sem reação e não sabia o que pensar. No dia seguinte, depois de uma longa noite de reflexão, eu não acreditava mais na Fada Do Dente. Fiquei chocado e ao mesmo tempo decepcionado, que uma das pessoas que eu mais gostava e admirava não era real. Eu sempre gostei muito da Fada Do Dente e achava ela fantástica. Eu era um grande fa, do modo em que ela fazia um dente se transformar em dinheiro ou brinquedo. Pelo menos, era nisso que eu acreditava. Não contei para minha mae que a tinha visto e que eu não acreditava mias na Fada Do Dente. Eu so fui contar para ela essa historia, quando eu já tinha meus 12 anos. Pedro Ramos

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Crônica Reflexiva Momento de descoberta Truman Sonhar para ganhar. Como costume, todo domingo vou ao Parque do Povo jogar bola com meus amigos, e todo dia quando chego ao portão, tem um garoto novo descalço, camiseta rasgada me olhando, sem nenhum sorriso. Um domingo fui para o parque e ele continuava como sempre no portão sentado me olhando, resolvi parar, para conversar com ele e falei primeiro: - Olá garotinho! Tudo bem com você? O garoto continuou me olhando, então perguntei outra coisa: - Você esta esperando algum amiguinho seu? Ele ficou me olhando, fechou o olho, abaixou a cabeça se levantou e saiu andando. Eu estranhei, pois não falei nada de errado, estão fui jogar futebol. Toda vez que eu jogava eu lembrava do rosto dele, mas não sabia porque ele estava daquele jeito. No outro domingo, fui para o parque de novo e novamente ele, com aquele rosto de um garoto triste. Ele estava sentado no portão, aquilo me deixava muito triste, porque queria ajudá-lo, mas não sabia como. Então naquele dia, quando passei por ele, ele abaixou a cabeça, estranhei de novo, mas fui para a quadra, porem, logo depois, percebi que ele estava me seguindo, mas tive a impressão que ele não sabia que eu o tinha visto atrás de mim. Continuei normal e joguei bola, ele tinha sumido. Quando acabou o jogo, eu fui embora, no carro lembrei que tinha esquecido a bola na quadra e quando fui buscar, eu o vi sozinho, jogando com a minha bola e se divertindo sorrindo, isso fez com que eu ficasse muito feliz, só que logo depois ele acabou chutando a bola e a furou, fiquei com muita dó dele, mas infelizmente não pude fazer nada. Passou uma semana, voltei pro parque no domingo, mas desta vez ele não estava sentado no portão e nem lugar por perto. Tudo bem, eu fui jogar com meus amigos e quando estava indo embora, passei no banheiro, quando voltei, o vi na quadra sozinho, parei pra olhar, e ele estava muito triste, com a minha bola furada, descalço e a sua camiseta rasgada. Parei e vi o porquê estava triste, não podia mais brincar do que mais queria, o futebol. De novo, voltei ao parque, só que desta vez ele estava no portão com a mesma roupa e com a minha bola furada abraçada. Só que desta vez, eu resolvi dar um presente a ele, então parei na frente dele com um saco de presente nas costas, e disse.: - Eu sei que sua bola furou e não consegue jogar mais futebol, mas me responde uma coisa : Que time você torce garotinho? Ele me olhou quase chorando e disse: - Pro Brasil... Ai eu falei: - Então tenho uma coisa pra você meu amiguinho. Nessa hora dei o saco de presente e ele todo curioso abriu muito rápido. Então ele viu que ganhou seus maiores presentes, uma bola, uma chuteira e o uniforme do Brasil. Ele deu um sorriso tão grande que disse: - Nossa!!!!! Muito obrigado tio!!!! Agora que eu tenho o que mais queria... Quer jogar futebol comigo??? Então eu comecei a rir de felicidade e respondi: - É claro meu amigo. Daí então todos os domingos ele me espera com o presente que dei a ele para jogar comigo e assim descobri sua paixão. Pedro Canin

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Cr么nica de Revista

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Crônica: Nelson Rodrigues O Bandeirinha Artilheiro Antigamente, o bandeirinha era um superfósforo apagado. Funcionava como uma espécie de gandula lateral. E era patético, era comovente, vê-lo correr atrás de uma bola e devolvêla. Esse marmanjo, esse barbado tinha uma grandeza na humildade de suas funções. Com o profissionalismo, o bandeirinha passou a ter uma súbita importância. Na pior das hipóteses, era um gandula remunerado. Continuava correndo atrás da bola, mas estava ganhando 25 mil-réis por jogo. Passa-se o tempo e, de uma maneira insidiosa, macia, o bandeirinha deixou de ser aquele são Francisco de alpercatas. Tinha voz ativa. Já não era recrutado entre os pés-rapados, os borra-botas do esporte. Vejamos: quem é o bandeirinha em nossos dias? Juízes de primeira categoria e, numa palavra, sujeitos qualificados, que entendem de futebol, de regra, que dão palpites a torto e a direito. Mas nunca, em toda a história do futebol carioca, brasileiro e mundial, houve um caso como o do Fla-Flu de anteontem. Amigos, o cronista esportivo é o cidadão mais convencional do mundo. Quando um time vence outro, o cronista repete, textualmente, o que vem dizendo desde a Guerra do Paraguai: "Vitória merecida". Nunca lhe ocorreou a hipótese, ainda que tênue, ainda que vaga, de uma vitória imerecida. Não. E mesmo quando o derrotado apresenta muito mais jogo e foi traído por um golpe de azar, o comentarista de futebol fala na "maior objetividade do vencedor". Ainda agora, no último Fla-Flu, o jornalista especializado finge não perceber a superioridade tão nítida do Tricolor. Por que venceu o Flamengo e por que perdeu o Fluminense? Para a imprensa, o Rubronegro foi mais objetivo e dominou no segundo tempo. É, como se vê, a imagem desfigurada do clássico. Até uma zebra no Jardim Zoológico perceberia a influência capital que teve, no resultado, um dos bandeirinhas. Mas a crônica não toma conhecimento deste fato sem precedentes ou, melhor, não atribui a este fato inédito uma importância fundamental. Amigos, pela primeira vez, em toda a minha experiência futebolística e, mais do que isso, em toda a minha experiência terrena, eu vejo um bandeirinha artilheiro! Pois foi o que aconteceu no Fla-Flu. Um bandeirinha decidiu o jogo e com que tranqüila e arrepiante desenvoltura! Segundo o meu colega Nei Bianchi, o simpático auxiliar de juiz tem o apelido de "Caixa Econômica". Ele é "Caixa Econômica", como poderia ser "Banco de Crédito Real de Minas Gerais", "Banco Boavista S.A.", "Prolar". Muita gente não foi ao campo e não pode formar uma idéia, mesmo aproximada, do que aconteceu. O fato é que, em dado momento, a bola chega ao bandeirinha e do bandeirinha parte para um jogador do Flamengo. O gol resultou, só e só, dessa intervenção que eu chamaria de sobrenatural. Toda a imprensa, com uma erudição marota, diz que, como o juiz, o bandeirinha é ponto morto. Ora, meus amigos, o senso comum é o que há de mais incomum. Porque se o árbitro da peleja possuísse um pingo de senso comum, teria achado o fato estranhíssimo. Das duas, uma: ou o bandeirinha estava fora do campo e a bola saiu, ou estava dentro do campo e, nesse caso, vamos perguntar: Por quê, senhores, Por quê? Amigos, vamos falar de coração para coração, de consciência para consciência. Os jornais passam por alto sobre o episódio, citam o bandeirinha como um detalhe. Não entra na cabeça dos meus confrades que o bandeirinha não está ali para passear dentro do campo. O juiz é ponto morto porque está obrigado, funcionalmente, a permanecer no coração mesmo do jogo. Mas o bandeirinha que, sem quê, nem para quê, entra em campo e serve de tabela, está praticando uma óbvia, uma clara, uma escandalosa ilegalidade. Escrevem os meus confrades que a lei não menciona a hipótese. E daí? Não menciona, porque a coisa é evidente por si mesma. Na ocasião, o Flamengo estava vencendo por 1x0, graças a um tiro de Henrique, desferido com incrível felicidade. Mas o Fluminense, muito bem armado, seguro de si e do jogo, perseguia o empate. E, súbito, vem o magistralíssimo passe do bandeirinha, passe tão exato, preciso, perfeito, que faria Didi, ou Zizinho, ou Domingos da Guia estourar de inveja. Enfim, uma coisa é certa: se as coisas continuam assim, hei de ver, em futuro próximo, bandeirinhas cobrarem pênaltis e correrem, com Pelé, no páreo dos artilheiros.

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Crônica: Martha Medeiros O mulherão Peça para um homem descrever um mulherão. Ele imediatamente vai falar do tamanho dos seios, na medida da cintura,no volume dos lábios,nas pernas,bumbum e cor dos olhos.Ou vai dizer que mulherão tem que ser loira,1,80m,siliconada,sorriso colgate.Mulherões,dentro deste conceito,não existem muitas:Vera Fischer,Leticia Spiller,Malu Mader,Adriane Galisteu,Lumas e Brunas.Agora pergunte para uma mulher o que ela considera um mulherão e você vai descobrir que tem uma a cada esquina. Mulherão é aquela que pega dois ônibus por dia para ir ao trabalho e mais dois para voltar,e quando chega em casa encontra um tanque lotado de roupa e uma família morta de fome.Mulherão é aquela que vai de madrugada para a fila garantir matricula na escola e aquela aposentada que passa horas em pé na fila do banco para buscar uma pensão de 100 Reais. Mulherão é a empresária que administra dezenas de funcionários de segunda a sexta, e uma família todos os dias da semana.Mulherão é quem volta do supermercado segurando várias sacolas depois de ter pesquisado preços e feito malabarismo com o orçamento.Mulherão é aquela que se depila, que passa cremes, que se maquia, que faz dieta,que malha,que usa salto alto, meia-calça,ajeita o cabelo e se perfuma,mesmo sem nenhum convite para ser capa de revista.Mulherão é quem leva os filhos na escola,busca os filhos na escola,leva os filhos para a natação,busca os filhos na natação,leva os filhos para a cama,conta histórias,dá um beijo e apaga a luz.Mulherão é aquela mãe de adolescente que não dorme enquanto ele não chega, e que de manhã bem cedo já está de pé, esquentando o leite. Mulherão é quem leciona em troca de um salário mínimo,é quem faz serviços voluntários,é quem colhe uva,é quem opera pacientes,é quem lava roupa pra fora,é quem bota a mesa,cozinha o feijão e à tarde trabalha atrás de um balcão.Mulherão é quem cria filhos sozinha, quem dá expediente de oito horas e enfrenta menopausa,TPM,menstruação.Mulherão é quem arruma os armários, coloca flores nos vasos,fecha a cortina para o sol não desbotar os móveis, mantém a geladeira cheia e os cinzeiros vazios.Mulherão é quem sabe onde cada coisa está, o que cada filho sente e qual o melhor remédio pra azia..

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Crônica Esportiva Os Tempos Mudaram Há quase uma década que o Brasil, potência futebolística mundial, não tem um craque de respeito um fenômeno, “o cara”. Eu nunca fui muito fã de futebol, porém como todo brasileiro não tenho como evitar saber as novidades, as trocas, as transferências, etc. Durante meus breves 15 anos de vida vivenciei um título mundial, na Copa de 2002, e só. Sei que provavelmente estou exigindo demais da conta, mas ao escutar histórias de copas passadas acho difícil acreditar que esse Brasil atual vá defender o feito de heróis passados, de verdadeiros deuses que faziam por merecer. Deuses imortais que conquistaram cinco títulos, tornando o Brasil a única nação com esse feito legendário. Heróis que viverão para sempre na cabeça e no coração de qualquer torcedor, por mais jovem que seja. A certeza que me resta é a de que os tempos mudaram, mudaram tanto que futebol virou negócio, as transações milionárias, a publicidade nos uniformes, as propagandas televisionadas e muito mais. E a magia? Sei que o futebol ainda sim é o principal esporte nacional e mundial, tenho consciência de que o futebol atual nunca foi tão visto como antes, concordo que o fanatismo nunca foi tão forte como é hoje. Todos esses fatores são indícios de que a essência futebolística não mudou, ainda há solução, afinal de contas o que importa é só e somente o futebol. Não é? Luca Cohen

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Crônica Esportiva Toliminado Antes, valente, perspicaz, menosprezado e injustiçado. Mas de um dia para o outro se tornou gigante e reconhecido no mundo inteiro. É assim que se deve caracterizar o grande time de futebol Tolima da Colômbia, após a espetacular vitória sobre o Corinthians na Copa Libertadores da América. E quando um time se torna gigante, o outro se torna pequeno. Foi assim que acabou o sonho do timão. Menos de um ano, para ser mais exato 8 meses, foi o tempo que o Corinthians foi eliminado pela penúltima vez da Copa Libertadores da América. Voltemos, ao início do fim. Dia primeiro de fevereiro, terça-feira, as 22h30. O jogo estava para começar, em Ibague, na Colômbia. O time paulista começou o jogo nervoso e sofreu pressão intensa dos colombianos nos primeiros minutos. Aos 2min de jogo, o time colombiano já havia chutado a gol. O sonho do Corinthians estava prestes a acabar, antes mesmo de começar. Corinthians, não conseguia dominar a bola, não conseguia bota-la no chão, enquanto Tolima atacava com bolas longas e jogava com dinâmica. Seu primeiro chute do timão a gol foi aos 15 min e o segundo só aos 35min. O pesadelo do Corinthians começou, realmente aos 20min do segundo tempo, quando Tolima marcou o primeiro gol. Adivinha? Corinthians perdeu a vontade de joga, errava passes e perdeu a estratégia de jogo, enquanto Tolima, estava explodindo de vontade e queria buscar mais gols. Para piorar as coisas, um jogador do Corinthians foi expulso após perder a cabeça e acertar uma cotovelada no jogador colombiano. Abalado com a desvantagem no placar e no número de jogadores, o time brasileiro não demorou a sofrer o segundo gol. Aos 33min O time paulista foi motivo de piada por muito tempo. O jogo mal tinha acabado e já tinham piadas circulando pela internet, do tipo: “Você sabe quando o Corinthians ganha a Libertadores? Só no Playstation!!!” Todos os corintianos abaixaram a cabeça, e não tinham nem o que falar. O time foi decepcionante e pareciam que estavam de brincadeira com seus torcedores fieis, aqueles que vão em todos os jogos e gritam, ate ficarem roco, pelo time. Mas e agora. Quando o Corinthians vai ergue a cabeça novamente em busca de novos títulos? E quando vai finalmente conquista o tão esperado titulo da Copa Libertadores? Pedro Ramos

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Crônica Esportiva Uniforme Ambulante Antigamente, uniformes não eram tão úteis, na verdade eram quase inútil, tinha importância apenas para diferenciar os times nos jogos. Era tudo muito simples, maioria com uma cor só e o símbolo do time bordado, mas hoje em dia tudo mudou, o uniforme virou o centro das atenções... Agora que os uniformes viraram o foco das torcidas, times e principalmente da imprensa, eles viraram uma propaganda ambulante, o que antes era pra ser só uma diferença entre os times, com uma cor e um símbolo para caracterizar o time, agora é mais uma forma de propaganda. Pergunte-se a si mesmo: O que é o uniforme no futebol ? Se você está pensando o mesmo que eu, que o uniforme é o que representa o time com o seu símbolo e cores, se você observar, não é mais isso, pode estar enganado. Observe seu próprio time, como o meu o Corinthians, o que no começo era uma camiseta branca com um símbolo do time e mais nada, era bonito e agora parece mais um talão de desconto, aquela coisa feia, cheia de propagandas, no uniforme na frente já tem 2, no ombro outra, embaixo do sovaco outra e no shorts já tem duas outras e observe, tem propagandas que nem são de esportes, como Batavo, uma propaganda de leite e Fisk uma escola de inglês. Onde esta aquele uniforme que era bonito e não tinha mais nada além de futebol ? Viu ? Não existe mais, se você olhar no uniforme do Corinthians ou Real Madrid, um time internacional, o menor desenho da camisa do time, é o símbolo e não só os uniformes mas sim estádios também cheios de propagandas. Sim, aquilo que antes não era tão útil, se tornou tão útil que chateia ao ver o nosso time jogar, o que antes era um esporte elegante, bonito, divertido e animado, agora é apenas mais uma propaganda ambulante. Pedro Canin

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De repente,adolescencia Mamãe, papai? Acho que cresci! “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Pois é, a adolescência não é nada mais nada menos do que um período de transformação, de amadurecimento, de incertezas, de burradas e principalmente de conflitos... Lembro-me de um período no qual a perfeição era diária, o amor era corriqueiro, e a palavra autoestima não existia nas nossas pequenas e ingênuas cabeças, um período pelo qual todos vocês, leitores já passaram, ou estão passando por: a infância. Não estou afirmando que crescer é ruim ou chato, muito pelo contrario, crescer é necessário, é preciso é fundamental. Temos que evoluir, adquirir conhecimento, experiência... Viver! Conhecer o mundo que nos cerca. Todavia esse processo é muito doloroso, não é fácil se desfazer de seus amados brinquedos. Crescer é difícil, é um árduo processo de “refracção cerebral”. O mundo não é como parece, nada é como parece. Até a infância éramos cercados não por mentiras, mas por ilusões, ilusões tão reais, que mergulhávamos tão fundo nelas fazendo com que as verdades parecessem ilusões e vice –versa. O que acabava causando conflitos por toda parte, baixa autoestima etc. O pior é que esse processo é tão rápido que nem nos damos conta “do quão adolescentes já somos”. Estamos em constante transformação, o que significa que estamos constantemente mudando, o tempo todo, todo o tempo sem cessar. O que deixa nós os adolescentes em uma posição confusa em relação ao resto da sociedade. Os pensamentos vão e vem e apenas uma frase ecoa em nossas cabeças que mais parecem labirintos de preocupações. ”Só sei que nada sei”. E o que nos resta é a lástima de que nada mais será como era.... Luca Cohen , Pedro Ramos e Pedro Canin

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Cr么nica de Jornal

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Contracapa 21MA5: Redação Luca Cohen - n° 12 Pedro Canin - n° 20 Pedro Ramos - n° 21 Professora: Erika 17

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