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O que é uma crônica

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Crônica é uma narração, segundo a ordem temporal. O termo é atribuído, por exemplo, aos noticiários dos jornais, comentários literários ou científicos, que preenchem periodicamente as páginas de um jornal. Crônica é o único gênero literário produzido essencialmente para ser veiculado na imprensa, seja nas páginas de uma revista, seja nas de um jornal. Quer dizer, ela é feita com uma finalidade utilitária e prédeterminada: agradar aos leitores dentro de um espaço sempre igual e com a mesma localização, criando-se assim, no transcurso dos dias ou das semanas, uma familiaridade entre o escritor e aqueles que o lêem.


Volume 1, edição 1

ÍNDICE -A Sorte Entre o Bem e o Mal /página 4 -O Farol da Avenida /página 5 -Tempo Indefinido /página 6 -A CAMINHO DE uma vitória /página 7

-O Bandeirinha Artilheiro /página 8 -O Medo do Amor /página 9 -Manha de Sol na cidade /página 10 -O barulho /página 11

-O Conde e o Passarinho /página 12 -Torturas Estéticas /página 13

Editores: Gabriel Forster Souza Raphael Augusto de Paula Cardim Renato Dantes Faccirolli Filho

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A Sorte Entre o Bem e o Mal Raphael Augusto de Paula Cardim

Tenista com sorte

Quando a bola vem devagar,para dar uma boa cruzada,e após ter batido,a bola raspa no extremo alto da rede e sobe.De modo que quando a bola ainda subia,era incerto se abola fosse cair do seu lado ou do adversário,seria questão de sorte ou azar?

“Crônica dedicada a todos os que acreditam

A resposta é obviamente sim.Os esportes,como o tênis,estão cada vez mais dependendo da sorte para o resultado final.É sorte quando um jogador chuta errado e acaba acertando o ângulo do gol.è sorte quando um jogador arremessa para marcar 3 pontos,a bola bate na tabela e para em cima do aro,até cair dentro da cesta.De fato,o jogador não quis fazer a jogada de propósito.

na sorte” Raphael

Um jogo de tênis é composto por duas coisas essenciais:técnica e sorte.A técnica é algo ensaiado,treinado.É possível ver qual jogador tem mais técnica.Mas,o que aparece no meio do jogo é a sorte,e esta nunca se sabe de que lado está.Pode se manifestar de qualquer jeito:falta de atenção do adversário,se machuca,cometer erros não forçados ou até mesmo erro do juiz.

O dever,é rebater a bola e esperar o que o destino do jogo forneceu a você.


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Volume 1, edição 1

O Farol da Avenida Raphael Augusto de Paula Cardim

Estava eu numa manhã de domingo pela Avenida Morumbi ao lado do palácio do governo e assisti pelo vidro do carro a muitas viaturas da polícia estacionando nas extremidades.Logo lembrei da passeata que ocorreria na praça Vinícius de Moraes,naquela manhã.A greve seria contra a violência,violência que não houve no local. Violência uma coisa que não está tão distante da vida dos paulistanos,muitos já tiveram algum contato com a violência.Assaltos e assassinatos não são novidade.Mas para que tantos policiais em um protesto tão simples?Há lugares em que faltam policiais ou que não cumprem seus deveres.Moradores e trabalhadores,que vivem na região do Morumbi,que protestam contra a violência,cometeriam violência,algo que estão lutando contra? O farol abriu após a última moto da polícia parar de frente a praça.Segui em frente,com uma certa insegurança,numa manhã ensolarada de domingo.

Praça Vinícius de Moraes


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Tempo Indefinido Raphael Augusto de Paula Cardim

Jovem passando o tempo com o avô

Passava eu a noite por entro do bairro até encontrar a casa de meu avô,num lugar bem lassaonge do centro,numa part6e antiga da cidade.Desci do carro, apertei a campainha e entrei na casa.Sentei na poltrona indicada pelo meu avô,que começou a me fazer uma série de perguntas sobre minha vida,pois achava que era um dos temas mais amplos que existiam,e deveria ser muito abordado. Depois de um tempo,passou a contar histórias de sua vida,histórias que eu nunca imaginaria ser verdade - Uma vez,em 1982,vi um zoológico um homem sacar uma arma e atirar num leão -Nossa! Após ouvir muitas de suas histórias,ele me pediu que eu contasse algumas minhas.Porém não havia o que contar.Nunca havia presenciado acontecimentos semelhantes aos que havia ouvido,e isso me fez refletir sobre o tempo da vida. Já passava da meia-noite.Me despedi,sauí da casa e fui para a minha.Quando passei duas quadras adiante vi dois jovens,do outro lado da rua,sendo assaltados.Após o roubo,o homem de máscara e jaqueta preta os assassinou e percebeu minha presença. Nunca vou esquecer dos barulhos dos tiros no vidro quando acelerei o carro.Era o que havíamos conversado na cãs de meu avô.Dois jovens sem muito tempo de vida.Não estavam na hora de partir,como havia concluído anteriormente.Pensei bem,e decidi voltar a casa de meu avô,pois poderia aproveitar o meu avô o quanto antes,já que agora tenho uma história para contar,porque nem o tempo nem o destino dão misericórdia.


Volume 1, edição 1

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A CAMINHO DE UMA VITÓRIA Renato Dantes Faccirolli

Uma viagem para as montanhas no final do ano era o que eu sempre fazia com a minha família. São tantas, que às vezes você perde a conta. Hospedar-se sempre no mesmo hotel, fazer sempre as mesmas coisas começam a encher o saco. Queria que pelo menos uma vez fosse diferente. Falo com meus pais sobre isso. Chega uma hora que você não agüenta mais ficar parado vagabundeando por ai. Chega uma hora que você quer experimentar algo novo, que nuca tenha feito antes para deixar de ter uma vida monótona. Olhei para meus pais com um olhar de quem quer pedir alguma coisa. “Posso dar uma volta com o carro?” Parece uma pergunta meio estúpida vinda de uma criança de dez anos. “Já esta mesmo na hora de você aprender. Ou pelo menos tentar”, disse meu pai. Com as mãos trêmulas segurando o volante olhei para todos os lados para ver se alguém me via naquela situação.Minha mãe estava ao meu lado me guiando pela rua.Pessoas olhando para o carro.Tomado pelo desespero de bater fui encostando o veículo na guia depois de ter andando um quilometro.Saí do carro de minha mãe como um vitorioso. Estão sempre presentes nas nossas vidas,mas somente os que valem à pena são lembrados para sempre.


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Uma Crônica de Nelson Rodrigues... O BANDEIRINHA ARTILHEIRO

Antigamente, o bandeirinha era um superfósforo apagado. Funcionava como uma espécie de gandula lateral. E era patético, era comovente, vê-lo correr atrás de uma bola e devolvê-la. Esse marmanjo, esse barbado tinha uma grandeza na humildade de suas funções. Com o profissionalismo, o bandeirinha passou a

Banderinha

ter uma súbita importância. Na pior das hipóteses, era um gandula remunerado. Continuava correndo atrás da bola, mas estava ganhando 25 mil-réis por jogo. Passa-se o tempo e, de uma maneira insidiosa, macia, o bandeirinha deixou de ser aquele são Francisco de alpercatas. Tinha voz ativa. Já não era recrutado entre os pés-rapados, os borrabotas do esporte. Vejamos: quem é o bandeirinha em nossos dias? Juízes de primeira categoria e, numa palavra, sujeitos qualificados, que entendem de futebol, de regra, que dão palpites a torto e a direito. Mas nunca, em toda a história do futebol carioca, brasileiro e mundial, houve um caso como o do Fla-Flu de anteontem. Amigos, o cronista esportivo é o cidadão mais convencional do mundo. Quando um time vence outro, o cronista repete, textualmente, o que vem dizendo desde a Guerra do Paraguai: "Vitória merecida". Nunca lhe ocorreou a hipótese, ainda que tênue, ainda que vaga, de uma vitória imerecida. Não. E mesmo quando o derrotado apresenta muito mais jogo e foi traído por um golpe de azar, o comentarista de futebol fala na "maior objetividade do vencedor". Ainda agora, no último Fla-Flu, o jornalista especializado finge não perceber a superioridade tão nítida do Tricolor. Por que venceu o Flamengo e por que perdeu o Fluminense? Para a imprensa, o Rubro-negro foi mais objetivo e dominou no segundo tempo. É, como se vê, a imagem desfigurada do clássico. Até uma zebra no Jardim Zoológico perceberia a influência capital que teve, no resultado, um dos bandeirinhas. Mas a crônica


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O Medo do Amor Martha Medeiros

Medo de amar? Parece absurdo, com tantos outros medos que temos que enfrentar: medo da violência, medo da inadimplência, e a não menos temida solidão, que é o que nos faz buscar relacionamentos. Mas absurdo ou não, o medo de amar se instala entre as nossas vértebras e a gente sabe por quê. O amor, tão nobre, tão denso, tão intenso, acaba. Rasga a gente por dentro, faz um corte profundo que vai do peito até a virilha, o amor se encerra bruscamente porque de repente uma terceira pessoa surgiu ou simplesmente porque não há mais interesse ou atração, sei lá, vá saber o que interrompe um sentimento, é mistério indecifrável. Mas o amor termina, mal-agradecido, termina, e termina só de um lado, nunca se encerra em dois corações ao mesmo tempo, desacelera um antes do outro, e vai um pouco de dor pra cada canto. Dói em quem tomou a iniciativa de romper, porque romper não é fácil, quebrar rotinas é sempre traumático. Além do amor existe a amizade que permanece e a presença com que se acostuma, romper um amor não é bobagem, é fato de grande responsabilidade, é uma ferida que se abre no corpo do outro, no afeto do outro, e em si próprio, ainda que com menos gravidade. E ter o amor rejeitado, nem se fala, é fratura exposta, definhamos em público, encolhemos a alma, quase desejamos uma violência qualquer vinda da rua para esquecermos dessa violência vinda do tempo gasto e vivido, esse assalto em que nos roubaram tudo, o amor e o que vem com ele, confiança e estabilidade. Sem o amor, nada resta, a crença se desfaz, o romantismo perde o sentido, músicas idiotas nos fazem chorar dentro do carro. Passa a dor do amor, vem a trégua, o coração limpo de novo, os olhos novamente secos, a boca vazia. Nada de bom está acontecendo, mas também nada de ruim. Um novo amor? Nem pensar. Medo, respondemos. Que corajosos somos nós, que apesar de um medo tão justificado, amamos outra vez e todas as vezes que o amor nos chama, fingindo um pouco de resistência mas sabendo que para sempre é impossível recusá-lo.


Título do Boletim

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Manha de Sol na cidade Gabriel Forster Souza

Homens conversando,onde depois ocorreria um assassinato.

Numa manha de sol eu estava andando de carro pela cidade quando observei dois homens que estavam conversando,pelo menos era o que eu achava.Eles,na realidade estavam discutindo porque um dos dois havia cometido um erro no trabalho e o outro foi tirar satisfação. O homem que havia cometido o erro ficou irritado com o que foi tirar satisfação,sacou uma 9mm e deu um tiro na perna dele,porém ao executar o tiro passou uma viatura e ele foi preso. O homem ferido foi levado ao hospital mais próximo e passa bem. Ao chegar em minha casa pensei comigo mesmo: "Porque será que aquele cara atirou na perna do outro o que será que o ouro fez para deixar ele irritado daquele jeito,será que ele não bate bem da cabeça".Para encerrar,digo que não se deve atirar em ninguém simplesmente por um erro e sim ajuda -ló a corrigir aquele erro.


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Volume 1, edição 1

O barulho Gabriel Forster Souza

Um dia, eu estava dormindo e já era mais de duas horas da madrugada quando ouvi um barulho muito estranho vindo da sala de casa. A principio pensei que fosse apenas a geladeira velha que vira e mexe fazia um barulho estranho, mas logo percebi que não era,pois ia ficando cada vez mais alto e freqüente então assustado pensei: "Será que é um ladrão?" Assustado gritei tão alto que acordou ate o japonês que mora no fim da rua: "Tem alguém aí?" Um silencio tomou conta da casa, então desci e descobri que era apenas a janela que estava aberta e ficava batendo devido ao forte vento que havia do lado de fora.

Janela aberta


TĂ­tulo do Boletim

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Gabriel Forster 05 Raphael Cardim 22 Renato Dantes 23 2-1ma5 Érika Salgado

O melhor das crônicas  

Crônica é o único gênero literário produzi- do essencialmente para ser veiculado na imprensa, seja nas páginas de uma revis- ta, seja nas de...

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