Issuu on Google+

RO

AR

IA

DÁR CUN

VEL DE A

TE BRO

º 13 :: N

014

A

L2 BRI

A SE

OL ESC

Destaque

Aikuna Gomez, 2013

40 Anos do 25 Abril

Mentes e Corpos À Sombra das Palavras (En)Cantos da nossa Escola


Editorial ::

13

Índice ::

Breves 3 Parlamento dos Jovens Os Lusíadas, de Luís Camões, por António Fonseca 4 Programa Leonardo Da Vinci Tecla 2014 - Fase final do torneio 10º Campeonato Nacional Jogos Matemáticos 5 Visita à Exposição Insetos em Ordem Exposição Olho humano em grande plano Roteiro Pedagógico 6 Educação e Poder Encantos 8 (En)Cantos da nossa escola Tema de capa Mente e corpo A mente está no cérebro Mens sana in corpore sano Agora, logo e já O “rei vai nu” e as mentes vazias Corpos e almas Cultura e Lazer 17 Pensamentos filosóficos À má-língua Coimbra Corpo de mulher Destaque: 40 anos do 25 Abril 28 da memória 19 António Lopes Grupos Disciplinares 22 O pensamento que “com vida” a pensar - parte II 24 Dia mundial dos direitos humanos 25 Dia internacional da filosofia Biblioteca 26 Há poesia na escola 27 Segurança na Net 28 Concurso Nacional de Leitura na ESAB 29 Exposição Anne Frank 30 Amor, poesia e valores no dia de S. Valentin 31 À sombra das palavras 32 Projeto Ler+ Jovem 35 À sombra das palavras Pedro Guilherme, encontro com o escritor 37 Oficina de escrita criativa Atividades 38 1º Ranking de Badminton 2º Ranking de Badminton 39 Torneio de Badminton aberto 41 Corta-Mato distrital 42 Concursos “Streaming” e “Mente Sã em Corpo São” 10 11 12 13 15 16

Abril de 2014 jornaldabrotero@esab.pt

2 Jornal da Brotero Abril 2014

Mente(s) e Corpo(s) «[…]uma evolução tecnológica acelerada, que não nos deixa tempo para uma reflexão mais humanizada sobre a nossa razão de viver» O tema deste jornal é interessante, porque interliga dois aspetos da identidade de cada pessoa. Não há dúvida de que “mente sã e corpo são ” não se podem dissociar. Atualmente, descura-se esta abordagem, em detrimento de uma evolução tecnológica acelerada, que não nos deixa tempo para uma reflexão mais humanizada sobre a nossa razão de viver. A Escola tem como missão a formação de jovens, tanto do ponto de vista físico como do ponto de vista mental. Este é o principal objetivo da nossa Escola, que proporciona a aprendizagem, interligada à prática desportiva e cultural. Assim, deverá a Comunidade Escolar envolver-se em atividades (extracurriculares) que permitam fortalecer amizades, melhorando a integração na Escola. A qualidade de vida depende, ainda, da adoção de um estilo de vida saudável. No entanto, os alunos não devem descurar o estudo, dado que um bom sucesso escolar contribui, também, para que se sintam bem. Para terminar, desejo a toda a Comunidade Educativa uma Páscoa Feliz.

Manuel Carlos Esteves da Fonseca Diretor da Escola Secundária de Avelar Brotero

Equipa de Redação António Marques (Coordenador) Emília Melo Fernanda Madeira Hélia Marques Isabel Sá Pedro Falcão

José Vieira Ana Rita Castanheira (12-2B) Carolina Félix (12-2B) Francisca Marques (12-2B) Inês Sena (12-2B)

Nota da redação: As fotografias que acompanham os artigos são da responsabilidade dos respetivos autores


:: Breves

Os Lusíadas,

de Luís Vaz de Camões, por António Fonseca

Dá-se notícia de que no Auditório da nossa escola, no dia 20 de janeiro de 2014, às 14h20min, teve lugar o debate sobre o tema escolhido pelos jovens do Parlamento dos Jovens do ano anterior, a saber, “Crise demográfica: emigração, natalidade e envelhecimento”, com a presença do deputado da Assembleia da República - este ano pertencente ao partido Socialista -, Rui Pedro Duarte. O tema suscitou a participação interessada dos alunos, uma vez que a temática em questão está próxima da experiência dos estudantes e das respetivas famílias, de tal modo que esta sessão ultrapassou o tempo previsto, tendo finalizado às 16h10m. O senhor deputado Rui Pedro Duarte partilhou não só os seus conhecimentos e a sua informação, mas também as dúvidas e manifestas posições céticas e reticentes dos nossos jovens alunos. Destaca-se que alguns destes estudantes entusiastas foram os que disputaram as eleições na escola, formando as suas listas, e ainda se salienta que, com cordialidade e saudável competição, se prepararam para a sessão escolar que foi levada a cabo no dia seguinte. Deixamos aqui o nosso agradecimento ao senhor deputado Rui Pedro Duarte, aos alunos e respetivos professores acompanhantes, e, ainda, à Direção da nossa escola, pelo apoio prestado a este projeto, promovido pela Assembleia da República.

No dia 5 de dezembro de 2013, esteve presente na Escola Secundária de Avelar Brotero para recitar a tão conhecida e grande obra Os Lusíadas, António Manuel Ferreira da Fonseca. Ele é um dos grandes atores e encenadores portugueses, que tem desenvolvido projetos entre o Teatro e a Educação. A sessão de Os Lusíadas foi bastante útil e pertinente, uma vez que esta obra faz parte dos conteúdos programáticos do 12º ano, mas também foi uma sessão divertida e bem-disposta. António Fonseca conseguiu despertar a atenção dos alunos com a sua boa disposição e com a sua personalidade. Ele foi tão expressivo que muitas vezes os alunos davam gargalhadas verdadeiras. António Fonseca diz que a nossa epopeia “é um livro para ser entoado por recitadores e não analisado por gramáticos” e foi isso que ele nos veio mostrar. Muitos alunos comentaram certas palavras que este grande ator usou durante a sessão, mas também muitos admitiram que foi todo aquele à-vontade que lhes chamou a atenção e os fez estar mais atentos e interessados. Para terminar, refiro que António Fonseca veio ao encontro da nossa geração, quer pela linguagem, quer pela forma como recitou diferentes “Reflexões do Poeta”, quer, ainda, pela forma como evidenciou a intemporalidade da obra, recorrendo a situações da atualidade, o que nos fez valorizar mais esta grande obra que Luís Vaz de Camões nos deixou. Sara Portugal 12º PM

Clube do Parlamento dos Jovens, Helena Gonçalves, Fernando Barroso e a colaboração de Luís Felino Abril 2014 Jornal da Brotero 3


Breves ::

Programa

Leonardo Da Vinci Decorrido o período de seleção dos candidatos a estágio no estrangeiro, ao abrigo do Programa Leonardo da Vinci, foram selecionados os seguintes alunos: França: Tiago Marques – 12º PER Cristiano Freitas – 12º PFC David Santos – 12º PMA2

Holanda: Miguel Almeida – 12º PA23D Carlos Simões – 12º PER Leonardo Francisco – 12º PFC Ruben Pereira – 12º PIE

República Checa: Daniela Cação – 12º PDM Mónica Antunes – 12º PDM Alexandre Mendes – 12º PM João Pimentel – 12º PM

* O período de estágio decorrerá entre 22 de abril e 31 de maio. P’ A Equipa de Projetos Europeus Manuela Areias

TECLA 2014

Fase final do Torneio Após o apuramento online (1ª Fase do Torneio Estudantil de Computação multi-linguagem de Aveiro - TECLA), efetuado no dia 19 de fevereiro, num conjunto de 231 equipas pertencentes a escolas de vários distritos do país (desde Setúbal a Braga), no dia 12 de março, duas equipas da ESAB deslocaram-se às instalações da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda (ESTGA) para efetuar a sua participação na Fase Final deste Torneio de Programação. A Prova, composta por 6 problemas, teve a duração de 2 horas e 30 minutos. Participaram 33 equipas. No final, cada equipa foi classificada pelo número de problemas resolvidos e pelo tempo total despendido na resolução dos mesmos. As equipas da ESAB obtiveram as seguintes classificações: Equipa: ESAB No Name | Alunos: Pedro Silva e Vitaliy Sochynskyy | Turma: 11.º PSI | Classificação: 11º Equipa: ESAB TRUE Coders | Alunos: João Simões e Leonardo Franja | Turma: 11º PSI | Classificação: 19º

A primeira classificada foi a equipa “Bit Team”, do Instituto de Educação Técnica, de Lisboa, com 5 problemas resolvidos. Os professores dinamizadores agradecem a todos os que possibilitaram esta participação. José Carlos Martins, Pascoal Albuquerque, Pedro Costa 4 Jornal da Brotero Abril 2014

10º Campeonato

Nacional de Jogos Matemáticos

Com a participação de cinquenta e oito alunos, teve lugar no dia 27 de fevereiro a eliminatória de escola do 10º Campeonato Nacional de Jogos Matemáticos com vista a apurar os nossos representantes na final nacional, a realizar no dia 14 de Março no pavilhão Municipal do Fundão. A competição foi muito forte, tendo ficado apurados para as finais os seguintes alunos: no Avanço, Alexandre Rodrigues (11º1B), Ricardo Rainho (10º PAC), Diogo Graça (11º1B) e António Rodrigues (11ºPAC); no Hex, João Ferreira (12º1E), Gonçalo Paredes (10º1B), Efim Zhidkov (12ºPFC) e Moisé Lopes (10º2ª); no Produto, Luís Faria (12º1E), Paulo Coelho (11ºPMA), Inês Bailão (10º2A) e Pedro Silva (11ºPSI). Após a realização das finais, foi apurada a equipa que representará a nossa escola na final nacional, constituída pelos vencedores Alexandre Rodrigues (Avanço), João Ferreira (Hex) e Luís Faria (Produto). Desde já os parabéns a todos os participantes e… até para o ano! José Miguel, Pedro Cabo, Helena Gomes


:: Breves

VISITA

Exposição Insetos em Ordem No dia 23 de janeiro, deslocámo-nos ao Museu da Ciência da Universidade de Coimbra. Fomos visitar a exposição “Insetos em Ordem“, que apresentava a enorme diversidade de insetos da fauna europeia pertencentes a mais de 50 espécies. Cada visitante escolheu, à entrada da exposição, um inseto (borboleta, libélula, besouro, gafanhoto, etc.) conservado em resina com o objetivo de identificar a ordem a que pertence e conhecer as suas características. Para o fazer, utilizámos uma chave de identificação, construída no espaço, como se estivéssemos num grande labirinto, onde era preciso ir fazendo escolhas até chegar à identificação final. O labirinto tinha caminhos que ligavam as mesas de identificação das 14 maiores ordens de insetos. No final, foi possível conhecer as características de cada ordem, o nome específico do inseto e outras curiosidades sobre o grupo. Adorámos a exposição porque pudémos manipular e jogar seguindo as diversas pistas para identificar os diferentes insetos. Os Professores e os alunos de CEI Daniela, Tomás, Tiago, Raquel, Jorge, Ana e Ivo

EXPOSIÇÃO

Olho humano em grande plano Está patente nas instalações do centro cirúrgico de Coimbra, uma exposição de trabalhos realizados pelos alunos do 12º 2A na disciplina de desenho A subordinada ao tema “Olho humano em grande plano”. Graça Claro

Abril 2014 Jornal da Brotero 5


Roteiro Pedagógico ::

Educação e Poder Quando o meu colega e amigo Joaquim Pintassilgo me disse que o tema do ISCHE 35 (International Standing Conference for the History of Education) era a Educação e o Poder, já sabia que o meu espírito crítico em relação ao Poder, que sempre nos desgovernou, iria analisar o assunto com maior empenho e, até, com prazer. Também o acaso me permitiu encontrar em Torre de Moncorvo os elementos base para o estudo das “Reformas do Ensino Secundário na Ditadura Militar e o Estado Novo” e assim preparei-me para ir ao ISCHE 35, em Riga. Tinha também outras razões para lá ir: saber o que se tinha passado em 1932 num Congresso Internacional do Ensino Secundário, pois José Júlio Bettencourt Rodrigues, um professor de química que ando a biografar, disse não ter lá ido por falta de financiamento. Acabei por descobrir que esta razão era falsa, uma vez que o Congresso foi em 1933, e ele nesse ano tinha sido exonerado de professor e de Reitor do Liceu de Faro, na sequência de uma canalhice de um colega. Também em Riga ninguém sabia desse Congresso e fui eu que pus os meus colegas da Universidade da Letónia e os seus estudantes de doutoramento a investigar o sucedido. Estava curioso sobre este país e quando cheguei a Riga notei logo a existência de muitos museus e a qualidade e monumentalidade dos edifícios desta cidade, calma e bonita. Contudo, o hotel, que tinha escolhido através do mapa para estar perto Universidade, tinha nas traseiras ruínas que a Natureza ocupava já com árvores e arbustos. Procurei no Google o que havia sobre este fenómeno de degradação urbana e vi 6 Jornal da Brotero Abril 2014

que era assumido como um ponto fraco de Riga. Como é habitual em mim passeei à deriva e assim descobri uma cidade cheia de flores, que contrastava com a decadência dos seus edifícios. O edifício da Ópera era belo e majestoso e aí se realizou a receção do Congresso. Também aí reparei na forma como homenageiam os seus artistas, quando vi um tapete de flores, que admiradores anónimos lá tinham colocado, e a razão é o amor à música que este povo tem. Soube ainda que a Ópera enche em dias de espetáculo. Vi também as esplanadas cheias, onde todos os dias se pode ouvir música ao vivo. Numa delas, à noite, comi uma sopa siberiana saborosíssima enquanto ouvia música. Comi ainda outras sopas, assim como refeições requintadas, pois a gastronomia criativa é a marca assumida do país. Tenta-se, assim, ultrapassar a crise que, para desgosto profundo dos seus habitantes, os faz emigrar, tal como acontece em Portugal. Visitei, com o guia do passeio Taste Riga, o mercado que mostra abundância e, ainda, fui ensinado, infelizmente sem grande sucesso, por um MasterChef a cozinhar a minha refeição, inserido num grupo de estudantes internacionais, todos meus companheiros de Congresso. No Congresso, estiveram presentes estudantes de mais de trinta países. Todos vinham falar das suas instituições educativas. Nas representações dos países bálticos (Letónia, Estónia e Lituânia) pude ainda observar como estes pequenos países se juntam para publicar livros sobre a Educação. Foi os que li com atenção, para tentar, sem muito êxito,


:: Roteiro Pedagógico

encontrar algo sobre Ensino Experimental. Com um rico programa cultural tivemos ainda uma receção no Museu da Navegação e da História de Riga. Visitei sozinho o Museu da Ocupação: alemã e soviética. Contudo, o enviesamento ideológico desvaloriza a primeira e sobrevaloriza a segunda. De facto, é estranho pois a ocupação nazi dizimou os judeus em Riga; sabemos que dos 80000 que aí viviam antes da ocupação nazi, restavam apenas 140 aquando da libertação da cidade (Pimentel e Ninhos, 2013, p. 836). Também foi visível no Congresso o empenho de alguns elementos em levantar a questão do Holocausto, mas o facto de estarem inseridos num grupo onde estavam espanhóis que iam falar de Freinet e da ditadura de Franco, prejudicou a discussão do tema.

Nas atividades culturais, tivemos ainda um jantar no Museu Etnográfico ao Ar Livre e, após o final do Congresso, um passeio à praia de Jurmala, onde nos foi servido um lanche e pudemos ver e sentir o mar Báltico, suave e tranquilo. Foi com pena que não vi muitos dos museus e que conversei tão pouco com este povo amigo, mas como o texto da minha comunicação vai ser publicado em 2015, num livro a editar pela Universidade da Letónia, penso, ou melhor sonho, num regresso em breve para assistir ao seu lançamento e completar então as minhas pesquisas. Referências: Irene Flunser Pimentel e Cláudia Ninhos – Salazar: Portugal e o Holocausto, Círculo de Leitores, Lisboa, 2013. Aires Antunes Diniz

Abril 2014 Jornal da Brotero 7


Encantos ::

(En)Cantos da nossa escola II por Maria Emília Melo

Que conforto nos proporciona a nossa biblioteca! É um prazer (re)descobrir os nossos escritores, as suas histórias e “estórias” no aconchego destes sofás ...

8 Jornal da Brotero Abril 2014

Painel criado por Monsenhor Nunes Pereira (grande homem da cultura conimbricense, artista, eclesiástico e antigo professor de Educação Moral e Religiosa Católica na nossa escola) e executado por professores e alunos da Brotero.

Uma biblioteca “viva”! Aqui, até o trabalho se pode tornar bem agradável.


:: Encantos

O átrio da antiga entrada.

Belíssimos tetos e candeeiros…

Grandes paineis de azulejos Abril 2014 Jornal da Brotero 9


Tema de capa ::

Inês Sousa, 12-2B, 2013

Mente e corpo O problema mente e corpo é uma questão filosófica tratada no campo da metafísica. Existem algumas teorias principais para a resolução do problema: o dualismo, de Descartes, é a teoria que diz que a mente e o corpo são duas substâncias diferentes. A mente é uma “res cogitans” e o corpo uma “res extensa”, que se encontram separadas substancialmente. Outra teoria é o monismo que diz que a mente e o corpo são, na realidade, uma única substância. Os monistas materialistas ou fisicalistas dizem que ambas são matéria e os monistas idealistas apoiam que ambas estão situadas na mente. Entre os defensores do dualismo encontramos os filósofos René Descartes e John Locke. No dualismo, o conceito de mente pode ser aproximado aos conceitos de intelecto, pensamento, espírito e de alma do ser humano. Para Descartes, o espírito e o corpo seriam nitidamente distintos. Espírito e matéria constituiriam dois mundos irredutíveis e assim nunca seriam uma só substância. Espírito seria do mundo do pensamento, da liberdade, e matéria seria do mundo da extensão e do determinismo. O espírito, com o seu pensamento, estaria para o corpo como a mente estaria para a alma. Para ele, a glândula pineal (localizada atrás da terceira cavidade do cérebro – tálamo) era o ponto central da interação mente-corpo. A capacidade de pensamento separa a mente de todo o mundo físico. Para estudar a mente é necessário saber separar as reações físicas das emocionais. Como a mente possui as capacidades 10 Jornal da Brotero Abril 2014

de pensamento, perceção e vontade ela influencia o corpo e é por ele influenciada. Por exemplo, quando pensamos em executar alguma ação, essa decisão influencia os músculos para a execução da ação desejada. Também, quando o corpo recebe algum estímulo, como a luz, por exemplo, a mente capta esse estímulo e interpreta-o determinando uma resposta adequada. Descartes foi o primeiro a assimilar o espírito – substância imaterial – à consciência e a distingui-lo do cérebro, que seria o suporte da inteligência. Foi, então, Descartes quem primeiro formulou o problema do corpo-espírito do modo como se apresenta modernamente. A ideia do dualismo aparece na filosofia ocidental já nos escritos de Platão – século V a.C. – baseados nos ensinamentos de Sócrates, que afirmam que a inteligência do Homem (uma faculdade do espírito ou da alma) não pode ser assimilada ao seu corpo, nem entendida como realidade física. Também, na primeira metade do século XVIII, Christian Wolff (1670- 1754) aplicou o termo dualismo à relação entre o corpo e a alma, opondo o dualismo ao monismo. Segundo ele, “são dualistas aqueles que admitem a existência de substâncias materiais e de substâncias espirituais”. Em suma, todas as filosofias tradicionais da mente podem ser divididas em duas grandes categorias: as teorias dualistas e as teorias materialistas. Segundo uma abordagem dualista, a mente é uma substância não física. Para as teorias materialistas, o mental não é diferente do físico. Todos os estados, propriedades e processos mentais são


:: Tema de capa idênticos a estados, propriedades e processos físicos. Desde Descartes, o problema mente-corpo é um dos grandes enigmas da filosofia. Com as novas descobertas científicas, o pensamento contemporâneo tem-se esmerado em tentativas de responder a esta intrigante questão. Atualmente, alguns materialistas, conhecidos como behavioristas ou comportamentalistas, afirmam que a discussão sobre causas mentais pode ser eliminada da linguagem da Psicologia e substituída pela discussão dos estímulos ambientais e das respostas comportamentais: o comportamento é explicado pela reação a estímulos ambientais. Outros materialistas, os teóricos da identidade, defendem a existência de causas mentais e a identidade dessas causas com acontecimentos neurofisiológicos no cérebro. Nos últimos quinze anos, surgiu uma filosofia da mente chamada de funcionalismo.

Essa filosofia, que não é nem dualista nem materialista, é o resultado de uma reflexão filosófica sobre os desenvolvimentos da inteligência artificial e da teoria computacional. O funcionalismo reconhece a possibilidade de sistemas diversos como os seres humanos ou as máquinas de calcular poderem ter estados mentais. Segundo a visão funcionalista, a psicologia de um sistema não depende da matéria a partir da qual ela é feita (células vivas, energia mental ou espiritual) mas sim do modo como ela é arranjada. O problema das relações mente-corpo é um dos grandes problemas filosóficos da atualidade a que a evolução das ciências tenta dar resposta havendo díspares interpretações e, nesse sentido, mantém-se sempre como um problema em aberto a qualquer solução. Pedro Falcão

A mente não está no cérebro É frequente pensar na mente como sinónimo de cérebro, tal como é comum estabelecer um dualismo mente-corpo. Do ponto de vista humano, ou de forma mais ampla, do ponto de vista animal, o corpo corresponderia ao nosso hardware, enquanto a mente ao nosso software. Esta é, no entanto, uma concepção cada vez mais difícil de justificar. Sustentados em António Damásio, neurocientista português mundialmente reconhecido, que participou recentemente na conferência “Fronteiras do Pensamento 2013”, em Porto Alegre, no Brasil, onde concedeu uma entrevista ao jornalista e sociólogo Mário Mazzilli, registamos pensamentos fascinantes.

Nesta entrevista, disponível em vídeo a partir do endereço http://wwww.youtube.com/watch?v=SIj3hOMaIIM, António Damásio acrescenta ideias de valor ímpar. São algumas dessas ideias que aqui trazemos, conjugadas com outras inspiradas também em obras do autor, como o conhecido Erro de Descartes, O Livro da Consciência ou Ao Encontro de Espinosa, numa interpretação que aqui faço livre e conjugação descuidada. Os problemas humanos não se esgotam na mente, menos no cérebro, embora passem necessariamente por estes. Os problemas humanos são inúmeros, variados e de importância relativa, mas talvez todos se possam resumir a um único: a sobrevivência, a manutenção

Abril 2014 Jornal da Brotero 11


Tema de capa :: da vida. A vida que se faz de emoção, a vida que usa a razão. A razão que não existe sem emoção, a emoção que depende da razão. A vida que há em nós não resulta da ciência, ainda que a ciência ajude a explicá-la, a vida que há em nós não existe para fazer ciência, ainda que a ciência possa fazer vida, a vida não é a ciência, a ciência não é a vida. A vida que há em nós não resulta da arte, ainda que a arte ajude a compreendê-la, talvez às vezes até a superá-la. A vida que há em nós não existe para fazer arte, ainda que a arte se possa fazer vida. A vida não é a arte, e a arte não é a vida. A ciência também não é arte, e a arte não é ciência. Mas a ciência faz-se através da arte e a arte faz-se através da ciência. É a mente que faz ciência e que faz arte, mas é também, ela própria, feita pelas ciências e pelas artes. A mente é um todo feito de partes, mas é também parte de outros todos. Tudo em contínua e permanente reconfiguração.

Admitindo, então, que a mente é una, unidade de todas as [nossas] partes, de todos os elementos e relações do corpo, incluindo o órgão a que chamamos cérebro, surgem novas e mais desafiantes perguntas...Poderemos considerar cada mente, cada indivíduo, como uma célula de organismos sociais? Seremos neurónios de uma [maior] mente social, a qual observamos a partir de dentro, pela janela onde chegam sinais emitidos nas suas manifestações? O que é a Cultura, como se cria, transforma, molda e é moldada pelas mentes que somos? Por tudo isso, e talvez por mais, precisamos de memória. Olhemos então para a História. Precisamos de pensar, estudemos Filosofia. Precisamos de comunicar, aprendamos Línguas. Precisamos de tecnologia, criemos Ciência. Precisamos de sentir, façamos Arte. Tudo se faz cultura, a cultura que se faz com tudo. Cultura é de onde vimos. Cultura é para onde vamos… João Sá (Não escreve de acordo com a nova grafia)

Mens sana in corpore sano Mais uma vez tinha tido um sonho estranho. Acordei com a sensação de ter percorrido um caminho conhecido, mas já perdido nas memórias da infância. Não sou dada a epifanias, mas respeito todos aqueles que acreditam em presságios ou indícios divinatórios e conseguem orientar o seu dia a dia tendo em vista um destino previamente traçado. Eu não sou assim. Tento ser organizada, planear os meus deveres ou as minhas atividades de modo a não introduzir ansiedade desnecessária no meu quotidiano sem, no entanto, viver obcecada por essa rigidez comportamental que me tiraria a alegria da surpresa e do inesperado, que tantas vezes surgem ao dobrar de cada esquina. Todavia, este tipo de sonho indiciava alguma incerteza quanto às possíveis explicações que estariam na base das deambulações do meu cérebro na noite passada. Sentia-me invadida por um persistente desconforto, mais físico do que psíquico, sem poder determinar com precisão a sua origem. No espelho, observava o mesmo rosto, inteiramente familiar, que me tem acompanhado ao longo de tantos anos. Não descortinava expressões, ritos, tremuras ou qualquer outra sintomatologia que pudesse servir de alerta e me levasse a recorrer à médica de família. Atuava com naturalidade, como se os movimentos quase de autómato que efetuo todas as manhãs não tivessem sido afetados pelo que recordava daquele sonho. Contudo, estava ainda presente no meu corpo o cansaço e o esforço despendido na busca incessante de uma saída 12 Jornal da Brotero Abril 2014

do labirinto onde me perdera. Tinha consciência de queumapartedemimficarateimosamenteagarrada aos locais que revisitara nessa incursão noturna, sem conseguir determinar exatamente se tudo o que vivera fora exclusivamente desagradável ou incluíra também uma quota-parte de momentos felizes. Persistia no meu íntimo a convicção de que se tratara de uma experiência não traumática, mas, ainda assim, bastante forte, despertando sentimentos confusos: um misto de alegria e tristeza, inexplicável para quem não partilhara o meu sonho. Recordava vislumbres de rostos vagamente identificáveis com um passado longínquo,


:: Tema de capa ao mesmo tempo que reconhecia vozes que me rodeiam presentemente. Escapava-me a lógica da existência de reminiscências juvenis com vivências de adulta. Como interpretar a perceção das cores, dos sons e dos sabores que me despertavam os sentidos, enquanto percorria espaços idílicos, para, logo de seguida, soçobrar em veredas sombrias pejadas de murmúrios assustadores? As imagens que recordava, agora já pouco nítidas, remetiam-me para uma sucessão caótica de “flashes” sem sequência. Decididamente, terei de colocar um ponto final na busca de uma interpretação. Espera-me um dia de trabalho com jovens entusiastas, interessados, inquiridores… e também apáticos, distraídos, introvertidos… Irei encontrar colegas e amigos sorridentes, dinâmicos, empreendedores e… outros deprimidos, cansados, frustrados. Teremos, em conjunto, de encontrar soluções que nos permitam arrostar com a desilusão e a revolta de vermos a educação tão mal tratada. Por muito que nos custe, faremos mais um esforço, esqueceremos o cansaço que nos invade o corpo e a mente e continuaremos a encarar cada dia como uma etapa

na construção de um edifício maravilhoso que é o ser de cada jovem. Esta é a minha realidade. Viver em sintonia com o meu corpo e a minha mente. Enfrentar as sombras ameaçadoras que me fazem temer pelo futuro do meu país e acreditar que haverá manhãs de sol para aquecer todos aqueles que olhem de frente para o horizonte ao entardecer. “Deve-se pedir em oração que a mente seja sã num corpo são. Peça uma alma corajosa que careça do temor da morte, que ponha a longevidade em último lugar entre as bênçãos da natureza, que suporte qualquer tipo de labores, desconheça a ira, nada cobice e creia mais nos labores selvagens de Hércules do que nas satisfações, nos banquetes e camas de plumas de um rei oriental.” Juvenal -Sátira X ( tradução livre) 2 de março de 2014 Manuela Areias

Beatriz Martins, 12-2B, 2013

AGORA, LOGO E JÁ Assim que me deparei com a proposta para o atual número do Jornal da Brotero, não pude deixar de pensar nas sapatilhas “ASICS”(passe a publicidade), não por ser a minha marca de calçado desportivo de eleição, mas porque se trata de um acrónimo derivado da frase em latim “Anima Sana In Corpore Sano” e que condensa uma premissa fundamental para mim: mente sã em corpo são. Muito tardiamente acordei para essa realidade, pois só na idade adulta adquiri o gosto, e quase a necessidade, de incluir atividade física na

minha rotina diária. Recordo-me do enfado que sentia ao ir para as aulas de Educação Física, especialmente em modalidades desportivas que requeriam alguma estatura (que eu não tinha), ou força (pois … também não) ou resistência (pois … ainda menos). Com o aproximar dos 40 anos, assumi que teria de mudar os meus hábitos de vida para entrar com outra genica nesta “segunda idade”. Além das corridas pelo calçadão da Figueira e das idas semanais ao ginásio, interesso-me naturalmente por novas modalidades, como, por exemplo, Abril 2014 Jornal da Brotero 13


Tema de capa :: o Zumba Fitness, que alia dança a exercício cardiovascular, ou outras formas de treino como o “Tabata workout”, também denominado HIIT (“High-Intensity Interval Training”). Esta última, e relativamente recente, atividade surgiu quando, em 1996, um cientista japonês, de nome Izumi Tabata, levou a cabo um estudo com dois grupos distintos de atletas: um primeiro grupo fazia exercícios intensos de curta duração intervalados com pequenos períodos de repouso, repetindo um circuito de exercícios por um período de tempo que poderia ir até ao máximo de 30 minutos; o segundo grupo fazia exercícios cardiovasculares tradicionais, menos intensos, de maior duração, como, por exemplo, jogging, por períodos mais longos de treino (de uma a uma hora e meia). Os resultados deste estudo provaram que os atletas do primeiro grupo melhoram consideravelmente a sua condição física relativamente aos do segundo grupo, quer a nível aeróbico, quer anaeróbico e metabólico. Efetivamente, o treino “Tabata” é ideal para quem tem pouco tempo disponível e pretende ver resultados rápidos, sem ter de passarhoras a fio na passadeira ou na elíptica… Ora esse imediatismo fez-me pensar e repensar no próprio imediatismo. Refiro-me ao imediatismo das gerações mais jovens que querem tudo agora, logo e já. A minha filha, ainda bebé, sofria desse mal quando chegava a hora de beber o leite: o micro-ondas era demasiado lento nesses momentos de choro momentâneo que, rapidamente, desvanecia entre golpadas sôfregas na tetina do biberão. Mas o imediatismo não fica no berço… Não querendo generalizar (pois graças a Deus nem todos são iguais), vejo jovens adolescentes quererem tudo de uma vez, nomeadamente relacionamentos sérios e adultos quando, pela inerência da sua imaturidade, não os podem ter. Vejo jovens desesperados a olhar para o relógio, ansiosos pelo próximo intervalo porque têm mesmo, mesmo, mesmo, mesmo de fumar um cigarro.

14 Jornal da Brotero Abril 2014

Vejo alunos que querem ter sucesso escolar, notas altas e módulos feitos, sem que para isso trabalhem e revelem esforço, empenho, vontade, nem, tão pouco. material necessário (e refiro-me a papel e caneta!). E o meu discurso tem um leve trago amargo que escorre por esta página simplesmente porque nas várias aulas de OPTE que tenho dado, assisto invariavelmente ao mesmo cenário: um terço dos alunos a realizarem as tarefas propostas, outro terço a valer-se do trabalho dos primeiros e um último grupo que opta por não fazer absolutamente nada do que é proposto, olhando-me em jeito de desafio e tentando fazer o que não devem numa sala de aula: ouvir música, usar o telemóvel ou mesmo namorar (!). Questiono-me: o que esperam estes alunos da vida? Será que pensam que lhes vão dar o diploma só porque estão inscritos num curso? Ou simplesmente porque respiram? E será que, perante a conjuntura atual, não lhes passa pela cabeça que terão de ser mais competitivos e lutarem pelo que querem? Ou será que não querem mesmo nada? Na linha da minha teoria imediatista, Boss AC entoa “Alguém me arranje emprego bom bom bom bom Já já já já”. E eu acrescento “E este estado de coisas já mudava, não?” Mónica Sebastião


:: Tema de capa

O “rei vai nu” e as mentes vazias Na área da educação, nas últimas duas décadas, os professores portugueses tiveram quase adaptar às mais variadas reformas do sistema educativo, mais pela força da lei, “dura lex, sed lex”, do que pela adesão destes profissionais. Apesar de sempre realizarem tarefas, para além de ensinarem, isso não significava que o fizessem com prazer e entusiasmo. Tarefas, aliás, efémeras, como a Área Escola, Estudo Acompanhado, Área de Projeto, aulas de substituição, provas de recuperação, onde, por vezes, o nome variava, consoante mudava o ministro, mas o objetivo era o mesmo e as políticas sucessivas foram de mal a pior, dado que nenhuma recentrava o verdadeiro problema do ensino. O alvo principal com estas medidas nunca foi atingido e, tal como a avestruz, foi-se ocultando o problema ou varrendo para debaixo do tapete. Para que a finalidade das ditas reformas fosse atingida, começou-se, de uma forma desenfreada, a afogar os docentes no preenchimento estéril de papéis inúteis, nos momentos de avaliação, bem como a obrigatoriedade de apresentar justificações e mais justificações sobre o insucesso dos alunos. Sentia-se um mal-estar entre os docentes, fruto de um conteúdo acumulado, muito latente e recalcado, que demonstrava o desacordo e a desmotivação perante reformas para as quais quase ninguém tinha sido consultado. Com estes procedimentos procuravam-se, assim, as causas dos problemas do ensino onde elas não estavam e sentia-se, simultaneamente, a necessidade imperiosa de recentrar o problema fundamental do nosso sistema educativo. No passado dia 24 de Fevereiro, no programa “Olhos nos olhos”, da TVI 24, o investigador do ISCTE, professor Gabriel Ribeiro, identificou e recentrou este problema do nosso ensino e ajudou a trazer ao consciente, de uma forma clara, o que os professores sentiam de modo latente. E a tese que defendeu foi pura e simplesmente a seguinte: “É o conhecimento e não o aluno que deve estar no centro do ensino”. E o referido professor, pela experiência que teve no ensino básico e secundário, disse alto e bom som que o centro do nosso ensino é o aluno/indisciplina, quando devia ser o contrário, isto é, o conhecimento. Isto, dito desta maneira, parece não ter grande sentido para os teóricos e românticos das novas pedagogias e respetivos responsáveis das ditas reformas, dado que alguns chegaram mesmo a fazer circular a ideia de que não era necessário marcar trabalhos de casa aos alunos, bastava o que o aluno aprendia na escola. Os próprios alunos foram vítimas destas reformas dado que foram bombardeados com uma excessiva carga horária e com um número exagerado de disciplinas que se foram criando em detrimento das disciplinas nucleares. Quanto mais o aluno adoecia e menos tempo

tinha para estudar, brincar ou namorar, mais se lhe botavam em cima apoios, estudos acompanhados,

aulas de recuperação e outras atividades de duvidosa eficácia tais que não resolveram o

problema do insucesso escolar, objetivo, aliás, que se desejava combater. Mas pela justificação que o referido professor deu, não parece ser, assim, uma ideia tola, bem pelo contrário. É que, infelizmente, e disto todos temos vasto conhecimento, a grande maioria dos professores vai para a sala de aula com a grande preocupação de combater a indisciplina, de gerir conflitos e comportamentos de alunos mal-educados, de tentar motivar alunos que não têm qualquer apetência para aprender, de tentar ajudar alunos que chegam a determinados anos de escolaridade, nomeadamente o secundário, em que mal sabem ler e escrever e, pior que isso, mal compreenderem o que leem. Perante esta calamidade, secretários e ministros botaram medidas sobre medidas, apoios sobre apoios, centrando cada vez mais o ensino no aluno/indisciplina e o verdadeiro núcleo central de ensino, o conhecimento, muitas vezes, não chegou a entrar, ou entra muito mal, na sala de aula. Ora, o verdadeiro papel do professor é ensinar e orientar o aluno na sua aprendizagem. O centro do ensino deve ser, por isso, o conhecimento e os alunos com dificuldades devem ser integrados em turmas constituídas por níveis de conhecimento, turmas homogéneas, por exemplo, nível 1, 2 e 3. O professor no nosso sistema de ensino, dentro do paradigma centrado no aluno/indisciplina e com turmas muito heterogéneas, ao fazer um ensino diferenciado, integrador, inclusivo, em que se fazem contratos com os alunos e estes se autoavaliam, está a fazer um esforço hercúleo, em que tenta salvar os alunos todos, mas sem conhecimento, acaba por os condenar coletivamente, porque os interessados e os que desejam singrar em sabedoria são fortemente prejudicados pelos alunos que desestabilizam constantemente as aulas. Quando se entra para uma sala de aula é para o professor e os alunos concentrarem a sua atenção e capacidades no conhecimento. Mas, infelizmente, passa-se o tempo a fazer a gestão de conflitos e a controlar os indisciplinados e, depois deste trabalho inglório e desgastante, os professores, quando chegam a casa, têm que pensar e preparar estratégias diferenciadas, atividades de recuperação, medidas e tarefas individuais para motivar os vândalos no dia seguinte, em vez de se dedicarem à investigação para o enriquecimento da sua disciplina e, consequentemente, dos seus alunos, bem como aperfeiçoarem práticas pedagógicas para melhor transmitirem esse saber. Se no nosso sistema de ensino não houver mudança de paradigma, continuaremos a ver passar o corpo muito enfeitado de “o rei vai nu” e a maioria das “mentes “a saírem vazias. José Armando Saraiva Abril 2014 Jornal da Brotero 15


Tema de capa ::

Corpos e Almas que inicialmente nem conhecia, a Ana e a Marta, para fazer umas fotografias subordinadas à temática “Corpos e Almas”. Elas foram fotografadas em estúdio com objetos que nem lhes pertenciam, são objetos que têm entre 20 e 150 anos, e gostava que as julgassem atendendo à pose das mãos, ao cabelo, à sensibilidade, ao toque visual; pelo que são fotografias sem rosto. Tanto a Ana como a Marta foram tão naturais, tão simples, tão realistas que nestas imagens mostram muito do que elas não são, com isto podemos perceber que um corpo bonito só é bonito pelo que vemos e não pelo que conhecemos. Olhemos para elas e pensemos se elas serão assim tão simples e humildes quanto parecem nas fotografias. Sara Portugal 12º PM

© Sara Portugal

Somos seres complexos. O Homem não é fácil, nem de se entender, muito menos de se explicar, somos o dentro e o fora, o recheio e a carapaça, a mente e o corpo. Somos a história e a capa de um livro. O corpo considerado o mais belo pelo “público”, que nos olha diariamente, pode não ter a história mais interessante para nos contar, enquanto aquele corpo que passa e é criticado e, por vezes, humilhado pelo mesmo “público”, porque não é tão bonito quanto o outro, pode ter a personalidade mais fantástica e o romance mais encantador para nos contar. Já dizia Claudiney Ribeiro “Não digas mal da capa sem antes ler o livro”. Geralmente somos julgados pela nossa carapaça, pelo que usamos, ou pelo que temos. Assim, posso dizer que somos julgados por objetos que usamos diariamente, pelo que resolvi pedir a duas raparigas,

© Sara Portugal 16 Jornal da Brotero Abril 2014


:: Cultura e Lazer Pensamentos

À Má-língua

1 - O sábio não se aflige por não ser conhecido dos homens, ele aflige-se por não os conhecer. (Confúcio)

De deusa benfazeja travestida Com um harém de amantes tu conspiras, Brilhas, suja, no ódio sem medida Teces vidas de intrigas e mentiras.

Filosóficos

2 - As injúrias são as razões dos que não têm razão. (Jean-Jacques Rousseau) 3 - Nunca ande pelo caminho traçado, pois ele conduz somente até onde os outros foram. (Alexandre Graham Bell) 4 - Os homens não conhecem o que conhecem os deuses. O que, às vezes, os homens consideram como uma verdadeira desgraça, nada mais é que um verdadeiro bem para o seu aperfeiçoamento moral. (Sócrates) 5 - Não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas, ao contrário, o seu ser social que lhe determina a consciência. (Karl Marx) 6 - A viagem da descoberta consiste não em achar novas paisagens, mas em ver com novos olhos. (Marcel Proust) 7 - Se não podes ser o que és, sê com sinceridade o que podes. (Ibsen)

Julgas tão mal! Com a mente corroída Por amores e desamores suspiras Por imperfeições naturais da vida, Em troca, a um reino e a um trono aspiras. Narcisa, olha-te no charco da peste Vê-te nua, feia, fraudulenta, Traiçoeira, hipócrita, para o mal fadada. As tuas vestes esfarrapadas veste Prostitui-te na inveja lamacenta Se queres ser rainha mal-amada. Graça Alves

8 - Ninguém comete erro maior do que não fazer nada porque só pode fazer pouco. (Edmund Burke) 9 - A verdadeira riqueza não consiste em ter grandes posses, mas em ter poucas necessidades. (Epicuro) 10 - O oposto do amos não é o ódio, mas a indiferença. (Madre Teresa de Calcutá) Seleção de Pedro Falcão

Coimbra Coimbra é Isabel e D. Dinis É História e coração, lenda e verdade É tradição, do saber a matriz É Pedro e Inês, amor e saudade. Coimbra são pregões, imperatriz Cheira a Lapa, a Choupal, a majestade A capas, laranjais, boémia feliz Escritores, guitarras, fado, Faculdade. Do alto das colinas é visível O Mondego secular e incomum Que deixa nos que passam os seus traços. Coimbra é um poema indizível Que se canta no olhar de cada um E também cheira às marcas dos meus passos. Graça Alves

Corpo de mulher Quando o amanhã For construído a partir do ontem E nunca como promessa vã de futuro, Teremos a força de seguir o sonho, De entrar pela vida e conseguir vencer. Os filhos dos filhos serão os ramos Da árvore mais forte E das águas do corpo Crescerão flores a abrir no calor do sol. Não haverá um fim incerto Mas um caminhar feliz ao encontro do amor março / 2014 Manuela Areias

Abril 2014 Jornal da Brotero 17


Destaque: 40 anos do 25 Abril ::

da memória Encontrei a senhora Gracinda sentada, muito direita, na cadeira que ficava mesmo à porta da sala de jantar. Olhou para mim, abanou levemente a cabeça como se não tivesse percebido muito bem o “boa tarde, senhora Gracinda”, que eu lhe atirei já do primeiro degrau das escadas que levam ao primeiro andar, e continuou a olhar muito fixamente para a mesa, já posta, como se a ver se ali não haveria pretexto para mais uma sarrafusca com a criada de dentro que, coitada, ainda não atinava com os garfos sempre à esquerda e as facas sempre à direita. Pareceu-me ouvir barulho no andar de cima e apressei o passo mas, pelo canto do olho, ainda vi a Maria (eram todas Marias…), a criada de dentro que me tinha ido abrir a porta, puxar de um lenço com dois coraçõezinhos muito tortos bordados a vermelho, assoar-se ruidosamente e escapulir-se para a cozinha. No patamar do quarto dos meus pais, uma nesga de luz cegou-me momentaneamente e, quando olhei para dentro do quarto, por momentos, só vi sombras. Reconheci primeiro a minha avó, também ela, tal como a velha criada que a ajudara a criar o filho e a filha, muito direita, sentada numa cadeira, as mãos cruzadas em cima do colo, os olhos semicerrados como se estivesse a dormitar. A meio da cama, debruçada para a frente, com os cotovelos apoiados nos joelhos e a cara tapada pelas mãos, a minha mãe nem me ouviu quando, a medo chamei: “Mamã! Mamã!” No chão, meias, cuecas, camisolas, soutiens, camisas e lenços misturavam-se com livros, revistas, cartas, postais e um desenho de uma galinha pedrês toda catita e de uma metade de uma galinha castanha, com um ovo muito branco e redondinho a sair-lhe do rabo 18 Jornal da Brotero Abril 2014

que, na véspera, eu tinha desenhado de propósito para o meu pai. Estávamos a jantar e alguém usou a palavra estatística. Como ainda estava a recuperar do choque de saber que, ao contrário do que eu pensava, não havia em todas as equipas de futebol um jogador chamado esférico de quem eu ouvia falar, todos os domingos, no relato radiofónico, perguntei ao meu pai o que era aquilo. Encostou-se para trás, na cadeira, poisou os talheres, pensou um bocadinho e perguntou-me: “Quantas galinhas tem a avó Cacilda no galinheiro do terraço?” “Agora são três. – disse eu.” “E a vizinha? Quantas galinhas tem a vizinha?” “Não tem nenhuma. Ela nem tem um galinheiro como nós!” “Pois não tem. No entanto, estatisticamente, aqui nesta ponta da rua, há uma galinha e meia por casa.” E riu-se. Não me lembro, mas devo ter feito qualquer barulho porque a minha mãe levantou a cabeça, puxou-me por um braço e apertou-me com tal força que me caiu um sapato, mesmo em cima do desenho que ficou um bocadinho sujo, mesmo ao pé do ovo muito branco e redondinho. A minha avó levantou-se da cadeira e, sempre em silêncio, começou a apanhar, uma a uma, as camisas do meu pai. Foi há 51 anos e, durante muito tempo, pensei que aqueles homens que tinham vindo buscar o meu pai, a meio da manhã, e o tinham levado, num comboio, para Lisboa, para aquela espécie de castelo de onde ele nos dizia adeus com um lenço muito branquinho, tinham sabido da história da galinha e meia e não tinham gostado mesmo nada da ideia. Maria Helena Dias Loureiro


:: Destaque: 40 anos do 25 Abril

António Lopes Encontrei-me com António Lopes no Centro de Trabalho do PCP em Braga, sito na Rua de Santo André, nº 15, tal como tínhamos combinado. Sabia que tinha sido professor na Brotero, tendo passado à clandestinidade, enquanto membro do PCP, algum tempo antes do 25 de Abril. Como professor, procurou dignificar o ensino da Educação Física, sendo um ativista dos Grupos de Estudo, que foram o embrião dos Sindicatos de Professores, e da renovação pedagógica portuguesa, através da revista “O Professor”, a cuja redação também pertenci posteriormente. Natural de Guidões, era filho de um agricultor esclarecido que tinha formação técnica comercial, sendo membro ainda de várias tertúlias e leitor de jornais e revistas, leitor fiel e apaixonado de Aquilino Ribeiro e de Torga, com quem ocasionalmente trocava correspondência. António Lopes tinha tido, por isso, um ambiente familiar solidário e culto que o marcou. Como formação profissional, fez o curso de instrutor de Educação Física, que começou em 1964 e acabou em 1967 (equivalente à formação de professor do ensino primário e funcionava como este, em termos de anos de formação). A habilitação mínima para o frequentar era o quinto ano dos liceus, que tinha tirado no liceu da Póvoa do Varzim. Tinha a duração de dois anos e ele frequentou-o na modalidade de curso noturno, pois trabalhava então nas Caixas de Previdência da Indústria Têxtil. Este curso era lecionado no antigo liceu D. Manuel II, cujas aulas começavam às 18:00H e terminavam às 23:00H. Fez estágio na Escola Técnica Infante D. Henrique, situada no Largo Januário de Sá. Foi depois para Coimbra, efetivando em abril de 1967 na Brotero, numa secção perto do Mercado Municipal que se tornou, mais tarde, na Escola Secundária Jaime Cortesão, onde deu aulas até abril de 1968, indo depois cumprir o serviço militar, pois tinha nascido em 1947. Viveu durante este tempo em várias Repúblicas de Estudantes, nomeadamente na Real República Trunfé-Kopos, na Ay-O-Linda e num quarto no Quebra-Costas. Conta que já estava ligado ao PCP quando foi cumprir o serviço militar, Partido que tinha como linha política a não deserção dos seus quadros e, por isso, acabou por não desertar como fizeram muitos outros jovens. Fez então o curso de Sargentos nas Caldas da Rainha, indo depois para a Arma de Cavalaria, tirando a especialidade de Polícia Militar. Como era professor de Educação Física ficou sempre classificado à frente dos outros colegas do curso de sargentos milicianos, o que lhe valeu não ser mobilizado para a guerra colonial. Beneficiou ainda do facto de os seus camaradas de curso terem ligações à hierarquia do regime, o que acabou também por contribuir para a continuidade da prestação do serviço militar no Continente

Foi destacado para a Polícia Aérea e, nesta qualidade, esteve nas bases de Tancos, Ota e S. Jacinto, Aveiro, onde desenvolveu atividade conspirativa, dando conta do profundo descontentamento dos militares do quadro e milicianos, ouvindo muitas críticas ao Regime e conspirando sempre, organizando células do Partido em todos os quartéis, distribuindo o Avante e ouvindo as Rádios, tanto a Rádio Portugal Livre como a Rádio Argel. Sofreu também a influência da Crise Académica de 1969 em Coimbra. Voltou à Brotero em 1 de abril de 1971. Foi preso no 1º de Maio desse ano, no Porto, com sete outros jovens, tendo estado nesta situação durante um mês na célebre prisão da Rua do Heroísmo. Por esta ocasião, foi espancado e espancou os polícias e só foi preso por o célebre e famigerado Inspetor Regadas, ligado à PIDE e depois a Grupos Terroristas anti-25 de ABRIL, lhe ter encostado uma pistola à cabeça. Foi absolvido por força do grande Movimento de Solidariedade Nacional e Internacional, então desenvolvido, onde estavam vários prémios Nobéis, e ainda pela disponibilidade demonstrada por cerca de duzentos advogados em serem os seus defensores. Voltou de novo à Brotero e deu aulas já nas instalações do Calhabé, onde foi ativista pela mudança educativa, juntamente com outros colegas, que recorda com amizade. Nesse sentido, pediu ao então Diretor da Escola, Antonino Henriques, autorização para reunir colegas de todo o País que pertenciam aos Grupos de Estudo. De facto, Coimbra, estando a meio caminho entre o Norte e o Sul, era, por isso, ponto estratégico nesta renovação pedagógica. Recorda o anterior Diretor como um homem que, apesar de ligado ao regime, manteve sempre uma posição de grande respeito, ilibando-o de qualquer perseguição política e da sua passagem à clandestinidade. Abril 2014 Jornal da Brotero 19


Destaque: 40 anos do 25 Abril :: Entretanto, já casado e com a sua situação política conhecida pela PIDE, ponderou entre o exílio e a clandestinidade, optando por esta hipótese. Ainda na Brotero, começou a faltar muito, pois já estava numa atividade intensa de organização. Também, para despistar os seus perseguidores, foi mudando de casa e alterou hábitos de vida. Foi depois para Viseu onde, nos arredores, tinha a sua casa clandestina. Só avisou a família no natal de 1972 e uma colega, Natércia Lopes, já falecida, que era a sua cúmplice mais direta nos trabalhos dos Grupos de Estudo. Por consideração para com o Diretor da Escola, enviou uma carta de demissão, invocando problemas pessoais, da qual, infelizmente, não tem cópia. Ficou, entretanto, membro do Comité Regional das Beiras com mais dois camaradas e responsável pela Organização do Partido na Guarda, Castelo Branco e Trás-os-Montes, parte da Beira Alta e ainda parte do distrito de Coimbra. Conta que pouco antes do 25 de Abril o Partido tinha dado conta de uma inusitada adesão dos portugueses à luta antifascista, em particular após o famoso golpe das Caldas em 16 de março.

20 Jornal da Brotero Abril 2014

Assim, no dia 25 de Abril de 1974, esperando por outros camaradas num restaurante então muito conhecido na Malaposta, no concelho de Anadia, presenciou uma agitação enorme da população local, que logo foi avisando um Legionário de que os dias felizes dele tinham acabado. Incrédulo, voltou a Coimbra para reunir com o comité regional do PCP. Ainda clandestino, viu as manifestações de regozijo da população de Coimbra, entre a qual muitos dos seus amigos que não o reconheceram. Mas, alguns dias depois, no 1º de Maio, foi ele quem falou em nome do PCP. Seguiu-se a Revolução Democrática em que participou ativamente. Agora, afastado das lides executivas, é membro da Direção da Organização Regional de Braga, onde procura dar o seu contributo e apoio à atividade do partido, sobretudo junto dos quadros mais jovens, “existindo uma grande estima mútua”, como ele diz com orgulho, recordando os seus tempos de Professor, assim como os colegas da Brotero, com muita Saudade. Aires Antunes Diniz


:: Destaque: 40 anos do 25 Abril

Pesquisa e recolha de imagens da responsabilidade de Aires Antunes Dinis Abril 2014 Jornal da Brotero 21


Grupos Disciplinares ::

Este espaço destina-se a apresentar breves notas de ideias alimentadas por obras, filósofos, correntes teóricas, pensadores, textos, extratos de textos que estimulam o pensamento. Não pretende ser exaustivo sobre as temáticas apresentadas, mas apenas incentivar, levar a pensar, pôr em demanda (no sentido de K. Jaspers, “estar a caminho…”). São pequenos reflexos de reflexões mais desenvolvidas de outros filósofos. Desta vez com Eugenio Trías.

O pensamento que “com-vida” a pensar…

parte dois

( Continuação do artigo do jornal anterior – Obra “O artista e a cidade”.) Na continuidade do artigo do número anterior deste jornal, apresentamos, nesta segunda parte, a proposta de que a arte constitui um elemento mediador fundamental entre o homem e o espaço citadino e, sendo assim, a análise das obras artísticas é reveladora dessa mesma relação, como entende o filósofo espanhol Eugenio Trías. Desta vez, trata-se de aplicar à modernidade esta abordagem. Destaca-se que, em filosofia, quando se fala de idade moderna, esta tem por início o século XVII, que tem por expoente o filósofo Descartes, em virtude de ter sido ele que postulou a dualidade entre o sujeito pensante (eu, cogito, consciência) face ao mundo (res extensa, natureza). Assim, à luz da proposta da arte como objetivação e transfiguração da vivência humana na cidade (esta tomada como espaço público, por excelência, na linha da polis grega), o filósofo analisa as obras da época moderna, realçando o elemento fraturante entre o homem e a sociedade, o desencontro entre o artista e a cidade. Esta rutura está sintetizada na seguinte expressão: “na modernidade, desde o romantismo – que é o correlato necessário da «civilização industrial-burguesa» – este duplo momento [da via mística e da via cívica] aparece cindido e quebrado” 1. A dicotomia sujeito-objeto expressa, simultaneamente, uma relação dicotómica público-privado, a relação dual entre a esfera íntima e pessoal perante a esfera social e cultural (donde provém a célebre ― e aparente ― oposição do individual face ao social), que terá reflexos na representação do real pelo sujeito, sobretudo, na sua relação com a experiência 22 Jornal da Brotero Abril 2014

vivida face aos limites. O sujeito da modernidade que contempla as ideias concebe “a loucura e a morte [que] deixam de ser meio para passarem a ser fim (…) e do mesmo modo surgem uma arte e uma estética desligadas de qualquer princípio produtivo e vital, de toda a conexão cívica, social, mundana” 2. Esta separação do sujeito moderno face ao mundo, gerada pelo isolamento mental, está expressa também na produtividade da era industrial, a qual assenta numa conceção de trabalho alienada, estando o sujeito distanciado quer da natureza quer do trabalho, deixando este de ser um ofício, uma arte (como a obra para o artesão), para passar a ser o trabalho em série, destituído de personalização. Por isso, Eugenio Trías mostra que é simultâneo ao romantismo: “correlativamente, a produção perde a sua função fecundadora com a paixão erótica e com a Beleza, degenerando em trabalho alienado que produz uma obra sem qualidade” 3. O desejo da alma pela transcendência da antiguidade clássica, em que a morte constituía um meio, um caminho a percorrer de elevação ou superação, libertação corpórea – tal como a morte para o filósofo na obra de Platão “Fédon” – converte-se, doravante, em um fim em si mesmo, na modernidade, alterando a relação do homem com os limites da sua existência. Isto porque, segundo a análise do autor da obra O artista e a cidade, “a síntese platónica de Eros e Poiesis foi destruída, dando lugar a uma dupla esfera separada: esfera privada do amor, esfera pública da produção; âmbito espiritual da arte, âmbito “material” da sociedade civil – económica, trabalhadora; área subjetiva de desejo, área objetiva da praxis produtiva” 4.


:: Grupos Disciplinares Entende-se, assim, que a unidade homem-cidade, perdida na antiguidade (também percebida como o correlato entre o pensar e o ser que é quebrada após o Renascimento), seja adiada e projetada, na modernidade, para um tempo longínquo, para uma sociedade futura, como destaca Eugénio Trías: “a síntese será numa sociedade póstuma; a utopia concreta em Marx ou sonho racional de Nietzsche” 5. A sua análise prossegue relativamente a Wagner, Goethe, Nietzsche, Thomas Man, entre outros. Um apontamento breve acerca de Nietzsche, no qual se encontra uma subjetividade que, se, por um lado, realiza o ideal renascentista do homem (que consiste em o homem ser “um pouco de todas as coisas”, como o microcosmos que contém, numa escala reduzida, o macrocosmos), por outro lado, deparamo-nos com a imagem do homem perante o seu próprio abismo. Isto porque o sujeito pensante, levado a sério com rigor e em última análise, constitui um “eu” que, ao perder as mediações perante o mundo, entra num trajeto de relação com a cidade em que a representação mental substitui a experiência do mundo, o que em última instância conduz ao registo do delírio ou da alucinação. Este tipo de relação está patente num filósofo como Nietzsche, que, na sua fase de enfermidade mental, revela este processo mental de separação do eu face ao mundo de forma nítida. Uma subjetividade que perdeu a mediação com o mundo, os elementos subjetivos e objetivos estão dissociados, desencontrados

(nomeadamente quando expressa nas suas cartas a perda de identidade pessoal, da sua ipseidade, e refere-se a si próprio como sendo, ao mesmo tempo, outras pessoas, possuindo outras identidades 6, inclusive de sujeitos com papel relevante na História, como se ele se autorrepresentasse como sendo alguém que comanda mentalmente a História humana). Aqui assiste-se ao abismo do sujeito, que tem as suas representações mentais do real, mas não a concreção, nem a densidade e resistência da experiência do homem na sua totalidade, e de uma subjetividade que perdeu as “pontes” com a realidade: “ Em Nietzsche, portanto, a cidade interioriza-se, interioriza-se o conflito. O próprio Adversário aparece sob forma alucinatória, denunciando a cada aparição a sua natureza proteiforme” 7. Esta ausência de um elemento mediador entre a subjetividade e o espaço social citadino repercute-se nas dicotomias que caraterizam o pensamento moderno entre sujeito e objeto, corpo e mente, homem e natureza ― como são postuladas pelo filósofo Descartes que leva à deificação do sujeito

Trías, Eugenio – “O artista e a cidade”, editora Fim de Século, 2010 (tradutor Miguel Serras Pereira), p.49. 2 Idem, ibidem. 3 Idem, ibidem. 4 Idem, p.50. 5 Idem, ibidem. 6 Idem, p. 164, ver nota 3. 7 Idem, p. 174. 1

Abril 2014 Jornal da Brotero 23


Grupos Disciplinares :: moderno enquanto sujeito da Natureza ―, e que irão ser, por sua vez, duplicadas entre o domínio do privado e o domínio do público, o pessoal e o social, o eu e os outros, resultante de um racionalismo mecanicista crescente no pensamento moderno e que deixa um lastro nas artes, nomeadamente na literatura. Segundo a reflexão do filósofo espanhol, é “Através da sua experiência que Nietzsche abre o horizonte de vida e de reflexão ao qual, queiramo-lo ou não, nós, homens do século XX, nos achamos circunscritos”. E acrescenta: “neste horizonte surge uma cultura que exige, como tributo necessário de passagem, a imolação, através da morte, da loucura, do silêncio ou renegação do sujeito – e da correlativa conversão em signo reconhecido e compartilhado. Artaud e Van Gogh selam o contrato por meio de recurso à demência, Rimbaud através da deserção, Marllarmée, tal como a vanguarda plástica e musical, através do silêncio e da página em branco, Joyce através do discurso disparatado, esquizofrénico, no qual as obscuras palavras «terrivelmente inumanas» pelo seu esoterismo deixam de ser chaves escondidas e passam a constituir o próprio texto. E justamente com esta conivência entre a literatura e a cultura e o Mal, a filosofia infletirá a sua especialização no sentido das «formas malditas» da tábua platónica das categorias: o não-ser, a diferença, cujos delegados visíveis são a Morte e a Loucura” 8. Porém, deparamo-nos também com outras linhas de expressão e de desenvolvimento do sujeito moderno, como é o caso de Goethe, e que contrasta com os artistas anteriores. Goethe, na sua obra literária, e mediante a sua própria arte de escrita, encontra a cura dos seus próprios males, das suas paixões, frustrações e obsessões. Como afirma Eugénio Trìas, Goethe

é o exemplo acabado daquele que mediante a obra artística foi o médico dele próprio: ” Foi o seu próprio terapeuta. Pôs-se a si próprio no divã ” 9. Outra linha de desenvolvimento da problemática do sujeito na modernidade é apresentada com a obra de Thomas Man. Nesta, o filósofo dá conta de uma experiência do mundo de tal modo ordenada racionalmente – e que corresponde à era industrial –, que distancia o sujeito de tudo o que lhe é exterior, afasta-o de tudo o que o transcende – seja o real, ou o domínio social ou espiritual. Dá conta da vivência de um “eu” monádico, não relacional, o sujeito típico da sociedade burguesa: a produtividade e a riqueza excessiva e o consequente alheamento de si próprio, expresso na obra que tem por título Buddenbrook. Nesta obra, que, como esclarece Trías, é também a arqueologia da família do próprio Thomas Mann, está patente o exagero da racionalidade reduzida à dimensão do cálculo na cultura alemã e os seus reflexos no sujeito ensimesmado e empobrecido interiormente, que irá procurar compensar esta dualidade dos elementos subjetivos e objetivos, de forma exagerada, na caridade religiosa ( o que denota a nova dicotomia correspondente à mentalidade burguesa na sua conceção do mundo e que o filósofo Erich Fromm sintetiza como sendo o primado do “ter” sobre o “ser”). Helena G. Gonçalves (Professora do Grupo de Filosofia)

8 9

Idem, p.177-178 Idem, p.122

Dia Mundial dos Direitos Humanos A exposição de comemoração do Dia Mundial dos Direitos Humanos realizou-se na Biblioteca da nossa escola e decorreu entre os dias 10 e 18 de dezembro de 2013 (final do primeiro período). Teve por base os trabalhos de alunos de diferentes turmas dos 10º e 11º anos, desenvolvidos e dinamizados nas aulas de Filosofia com o propósito de assinalar a data. A exposição ficou a cargo dos professores Helena Gonçalves, Paula Quaresma e Paulo Ferreira. O texto é de autoria de Helena Gonçalves. As violações dos Direitos Humanos existem em diferentes latitudes do planeta e a sua gravidade e extensão são de tal ordem que só uma tomada de posição ampla, o apelo a uma consciência cívica com dimensões globais, uma espécie de sujeito coletivo, e uma opinião pública esclarecida podem travar e impedir os abusos. 24 Jornal da Brotero Abril 2014


:: Grupos Disciplinares Quem na História das Ideias introduziu uma dimensão cosmopolita de cidadania foi a escola de pensadores, os estoicos, que fundaram a ideia de “cidadão do mundo” no séc. IV a. C. como sendo aquele que está aberto às diferenças, cidadão para além das fronteiras nacionais, regionais, e que faz da solidariedade e da igualdade uma ética, a ética do sábio estoico. Este acredita no logos (na razão universal que preside a tudo,

ao cosmos que para o grego significava harmonia), daí serem os primeiros a introduzir a noção cosmopolita de cidadania. Por isso, colocamos este pensamento relacionado a uma das imagens da cidadania global, que está na ordem do dia. Helena Gonçalves (Grupo de Filosofia)

Dia Internacional da Filosofia

A nossa escola assinalou o Dia Mundial da Filosofia com uma palestra subordinada ao tema

“Filosofia e o Cinema”, proferida pelo professor dr. Abílio Hernandez Cardoso, que muito nos honrou com a sua presença e diálogo animado com os alunos sobre um dos seus realizadores preferidos, Akira Kurosawa. As turmas participantes visualizaram oportunamente e previamente à conferência o filme do realizador japonês intitulado Rashomon (em português designa-se Às Portas do Inferno), filme de 1950. O Dia Mundial da Filosofia foi também objeto de uma Exposição realizada pelas turmas, no âmbito da disciplina de Filosofia do 10º ano, sobre os mais diferentes filósofos, pensadores e escolas filosóficas da

tradição ocidental, ao longo da história até ao séc. XX. Os desenhos de corujas e do sol da autoria de alunos das Artes, na exposição que decorreu no piso superior da Biblioteca, merecem uma nota explicativa. Trata-se de símbolos referentes ao pensamento e à razão. A coruja, por ser um símbolo da meditação, desde a antiguidade clássica, uma vez que a experiência ou vivência são anteriores ao pensar, isto é, primeiro o homem vive e só posteriormente reflete. Daí que o “dia” representa a experiência vivida – plena de cor, contrastes, diversidade, movimento - e a reflexão é conotada pela “noite”- o silêncio, o recolhimento, a pausa, o pensamento, sendo a coruja uma ave notívaga, que vê no escuro. Hegel interpreta o símbolo da coruja no sentido de que o pensamento chega sempre tardiamente. Para os gregos antigos, era símbolo de sabedoria e de conhecimento. Quanto ao sol, desde Platão que constitui um símbolo da razão humana, já que só pelo uso da razão, quer analítica quer a razão intuitiva, o homem alcança o verdadeiro mundo das ideias. O sol será também símbolo apropriado pelo movimento do Iluminismo, na idade moderna, séc. XVIII, com a dupla significação de razão e progresso (que combate os preconceitos, dogmas, arbitrariedades e mitos). Professora: Helena Gonçalves Gonçalves

Abril 2014 Jornal da Brotero 25


Biblioteca ::

Há Poesia na Escola Concurso RBC 2013/14 A Rede Concelhia de Bibliotecas de Coimbra (constituída pela BMC e as escolas do concelho de Coimbra integradas na Rede de Bibliotecas Escolares) promoveu um Concurso de Poesia designado “HÁ POESIA NA ESCOLA”, com o objetivo de dinamizar os hábitos de leitura e de escrita e estimular o gosto pela poesia entre os alunos dos diferentes ciclos de ensino. Os docentes de Português da Escola Secundária de Avelar Brotero realizaram com os alunos atividades motivadoras, nomeadamente oficinas de escrita e leitura de poesia, de modo a estimular a sua imaginação e o ato de escrever poesia. O tema proposto para o concurso foi “A Liberdade”, correspondendo este tema a um repto lançado a professores e alunos para a comemoração dos 40 anos do 25 de Abril (1974 – 2014). O poema vencedor, que se apresenta de seguida, foi enviado à Biblioteca Municipal de Coimbra para a fase concelhia. Liberdade Liberdade é mais do que um viajar sozinho, Um ter dinheiro, um ser feliz. É a oportunidade de soltar palavras, Formar ideias, Expor opiniões, Exprimir sentimentos reprimidos. É um ir e voltar, sem justificações. Liberdade é o desejo de cresceres, É o seguires firme, nos teus próprios pés, É o saber que poderás perder tudo, E, no entanto, nunca desistires. É o medo de que talvez um dia sejas aprisionado, Ou que talvez dês início a alguma revolução. É o querer conquistar. É o ser ou não ser, É o estar ou não estar, É o ir ou o ficar. É o desejo de amar. Liberdade é um mar de emoções, Destrói corações, Cria ilusões e até gerações. Em Portugal já muitos viveram a liberdade Saramago, Pessoa e Camões, São tão verdadeiros como os que conquistaram legiões. E agora falo de mim, De um sentimento que me domina. Que morra eu agora, Se um dia não terei de volta, a liberdade de menina. Flávia Jesus, 11º Ano - Curso Profissional de Design de Moda. (Professora Fernanda Madeira)

26 Jornal da Brotero Abril 2014

Seguidamente, são apresentados os poemas que ficaram em 2º e 3º lugar, respetivamente, os quais mereceram uma menção honrosa. Liberdade é uma forma de nos sentirmos sem regras Mas com limites, para vivermos e nunca tristes, Ficarmos felizes, mas aos poucos, porque a nossa Liberdade termina quando começa a dos outros. Vamos, aos poucos, saindo debaixo das asas dos pais, os tais que te apoiam, quando cais te dizem um Cuidado, quando sais ou te castigam, quando abusas demais Tu dizes o que queres, tens liberdade de expressão Pois a verdade entre os homens e mulheres Nunca será levada em vão. Então pensa e reflete naquilo que fizeste Para não te arrependeres do que disseste Faz as tuas escolhas, tens um mar de opções Quando tiveres liberdade, tomarás as decisões Se quiseres ser livre, como impões, Segue as regras impostas Mais tarde terás liberdade E estarás com quem gostas. Micael Garrido, 10º PING (Professora Isabel Cruz)


:: Biblioteca

Segurança na Net

A biblioteca escolar e a promoçao da Segurança na Net Liberdade Minha liberdade, Longínqua luz que invade A minha escuridão. Escondida navegas, sem rumo … Talvez um dia regresses mais forte Para me libertar Desta vida que me transforma Naquilo que não sou. Então guiar-me-ás neste trilho Sem caminho definido Onde o futuro se cria, A cada passo. Espero a liberdade Na esperança de não sucumbir A esta vida miserável. Vem liberdade, E fica eternamente comigo E que, quando eu morrer, Te enterrem comigo Para que mais ninguém Passe por aquilo que passei. Carlos Miguel Antunes Simões, 12ºPER (Professora Irene Figueiredo) Os prémios serão entregues aos alunos na Tertúlia de Poesia, a realizar na Biblioteca Escolar, a 20 de março, véspera do Dia Mundial da Poesia. Carla Fernandes (Professora Bibliotecária)

A Semana da Internet Mais Segura decorreu de 10 a 14 de fevereiro, associada ao tema ”Juntos vamos criar uma Internet melhor”. A utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) tem transformado profundamente a maneira como as pessoas vivem – como aprendem, trabalham, ocupam os tempos livres e interagem, tanto nas relações pessoais como nas organizações. A par de todas as possibilidades e benefícios da utilização das TIC, nomeadamente no acesso ao conhecimento, na colaboração entre pessoas e organizações, na inclusão social e na criação de riqueza, é necessário assegurar, como para qualquer outro meio de interação, mecanismos e estratégias apropriados para minimização de eventuais abusos ou ilegalidades que ocorram com a utilização destas tecnologias. Neste âmbito, a Prof.ª Doutora Teresa Pessoa, docente da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, esteve na ESAB, no dia 13 de fevereiro, para proferir uma palestra subordinada ao tema “O que não se deve nem há direito que se faça na e com a Internet”. Foi uma sensibilização sobre as questões do uso dos recursos web e dos comportamentos a adotar no meio virtual, com particular incidência no fenómeno do Cyberbullying. Tambémnodia26defevereiro,pelas15h30,teve lugar, na Biblioteca Escolar da ESAB, uma ação de sensibilização sobre Cyberbullying, dinamizada pela Dr.ª Susana Pereira, professora do grupo de informática, tendo como público-alvo docentes, pessoal não docente e pais/encarregados de educação. Salientamos ainda a parceria deste trabalho com o projeto E.N.T.R.Y. (European Network of Trainers for Nonviolence and Resilience of Young People) financiado pelo Projeto Europeu Grundtvig - Lifelong Learning Programme. Carla Fernandes (Professora Bibliotecária)

Abril 2014 Jornal da Brotero 27


Biblioteca ::

Concurso Nacional de Leitura na ESAB A Biblioteca Escolar, em articulação com o grupo disciplinar de Português, realizou, no dia 08 de janeiro, a fase de escola do Concurso Nacional de Leitura. As provas foram realizadas pelos alunos inscritos e foram apurados os seguintes vencedores: 1º Lugar - Margarida Santos, 10º PM2; 2º Lugar - André Calhau, 10º 2ª; 3º Lugar - Telma Cardoso, 12º PAS.

28 Jornal da Brotero Abril 2014

No dia 30 de janeiro, por ocasião do encontro com o escritor Pedro Guilherme-Moreira, foram entregues os prémios relativos ao Concurso. Divulgamos as fotos desse momento. Parabéns aos vencedores! No próximo dia 06 de maio, estes alunos representarão a Escola Secundária de Avelar Brotero na fase distrital, a realizar na Biblioteca Municipal de Arganil. Carla Fernandes (Professora Bibliotecária)


:: Biblioteca

Exposição Anne Frank Uma história para hoje Na semana de 27 a 31 de janeiro, esteve patente, na Biblioteca da Escola Secundária de Avelar Brotero, a Exposição Anne Frank: uma história para hoje. A Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti e o Projeto Aprender Direitos Humanos: Passado e Presente organizaram, em 2011, esta exposição. Nela conta-se a história de Anne Frank através de uma linha temporal, situando-se, por um lado, na História da 2ª Guerra Mundial e do Holocausto, e, por outro, na vida pessoal de Anne Frank. Desta forma, os visitantes conseguem construir uma visão geral de como a história pessoal se relaciona com os eventos ocorridos a nível mundial. A exposição narra a história de como a família Frank foge para Holanda, deixando para trás a Alemanha Nazi e de como foi obrigada a esconder-se durante cerca de dois anos num “anexo secreto”, nas traseiras de um edifício de escritórios. Também contempla os pormenores de como as pessoas os ajudaram, assim como à outra família

que se escondeu com eles. Vemos ainda o momento da traição que os conduz aos campos de concentração e à inapelável morte. A comemoração, a 27 de janeiro, do Dia Internacional das Vítimas do Holocausto, deu mote à abertura desta iniciativa, que acolheu os visitantes desde o átrio da escola, com os painéis de apresentação, e se estendeu até à Biblioteca Escolar, desenhando um percurso temporal e simbólico de uma época histórica de que convém guardar memória, para que não se repita. A história, a literatura, a educação para os valores e as línguas portuguesa e espanhola (visto tratar-se de uma exposição com legendagem bilingue) cruzaram-se nesta iniciativa, que contou com agrado de professores e alunos. Carla Fernandes (Professora Bibliotecária)

Abril 2014 Jornal da Brotero 29


Biblioteca ::

Amor, Poesia e valores no Dia de S. Valentin O Gabinete do Aluno e a Biblioteca Escolar da ESAB uniram-se para promover a atividade “Há amores assim!” aliando a poesia às questões da saúde e à prevenção da violência no namoro. Aconteceu no passado dia 14 de fevereiro de 2014 e o objetivo foi celebrar os afetos associados aos comportamentos nas relações interpessoais de cariz amoroso. De uma forma simples e subtil, no refeitório, no bar dos alunos, no bar dos professores e na biblioteca, puderam ler-se mensagens de amor em poesia e, simultaneamente, slogans relativos aos comportamentos positivos a adotar numa relação de namoro. Alguns alunos foram brindados com um vale especial, que puderam levantar no Gabinete do Aluno onde puderam esclarecer as suas dúvidas e ao mesmo tempo manifestar muita satisfação com a atividade realizada. A Promoção da Saúde em meio escolar ganha, atualmente, cada vez mais sentido. O trabalho dos profissionais de Educação no sentido da prevenção de comportamentos de risco é, comprovadamente, um investimento com bons resultados. A comemoração do Dia dos Namorados foi o mote perfeito para o tratamento desta questão que, embora de uma forma pouco habitual, possibilitou a muitos alunos a tomada de consciência para uma problemática com grande relevo na sociedade em que vivemos: a violência. A violência é entendida como “um fenómeno de grande abrangência e complexidade em que o conceito de condutas aceitáveis e não aceitáveis é influenciado pela cultura e sujeito a uma constante transformação” (Ventura, Ferreira & Magalhães, 2013). Nas últimas décadas, as estratégias de prevenção dirigidas à violência nos relacionamentos íntimos (referenciada na literatura como partner violence

30 Jornal da Brotero Abril 2014

ou intimate partner violence) adotaram uma linha de intervenção sobretudo reativa, contudo a violência no namoro tem mais recentemente chamado a atenção de muitos profissionais e investigadores, não apenas pela frequência que parece assumir dentro dos relacionamentos íntimos e pelo impacto que causa nas suas vítimas mas, sobretudo, por ser considerada um forte preditor da violência nas relações de conjugalidade. Assumindo a função de preparação do aluno para cuidar de si, a Educação para a Saúde é uma ferramenta importante e indispensável para que o aluno possa encontrar o estilo de vida saudável que possibilite o seu desenvolvimento nas diferentes dimensões da vida e que permita, também, a autonomia necessária para cuidar dos que o rodeiam. No Dia dos Namorados o Gabinete do Aluno e a Biblioteca encontraram um equilíbrio entre as linhas da poesia, o significado das palavras e os caminhos das relações amorosas que, muitas vezes, não terminam amorosas. Citando Joaquim Pessoa: “O amor é o início. O amor é o meio. O amor é o fim. O amor faz-te pensar, faz-te sofrer, faz-te agarrar o tempo, faz-te esquecer o tempo. O amor obriga-te a escolher, a separar, a rejeitar. O amor castiga-te. O amor compensa-te. O amor é um prémio e um castigo (…) O amor é um pássaro. Uma armadilha. Uma fraqueza e uma força.” O amor é tudo isto e muito mais, o amor está presente em quase toda a nossa vida e chega, muitas vezes, camuflado, parecendo amor, mas enganando os que não arriscarem defender-se. Carla Fernandes (Bibliotecária da Escola) Daniela Martins (Estagiária do Gabinete do Aluno na Área da Educação para a Saúde)


:: Biblioteca

À Sombras das Palavras O Projeto “Ler+ Jovem”, promovido pelo Plano Nacional de Leitura, em articulação com a Rede de Bibliotecas Escolares do Ministério da Educação e Ciência, desafia as escolas a procurarem estratégias que reaproximem os jovens do ensino secundário da leitura e que ajudem o público adulto a descobrir o prazer de ler, levando os alunos a fazerem promoção de leitura junto das comunidades locais. A Escola Secundária de Avelar Brotero, com o seu Projeto À Sombra das Palavras, tem desenvolvido um conjunto de ações em prol da promoção da leitura entre os jovens, nomeadamente os alunos de duas turmas do 10º ano (10º 2A e 10º PMDM). Foram dinamizadas seis sessões, com o Centro Social São José e o Estabelecimento Prisional de Coimbra, subordinadas aos temas “Papéis de Acaso” (cartas), “O Fio de Ariadne” (biografias e livros de memórias) e “Costurando Palavras” (com base no romance “O Tempo entre Costuras”, de María Dueñas). Para além dos alunos e das professoras dinamizadoras, têm colaborado nas sessões os membros da Equipa da Biblioteca Escolar e a Voluntária de Leitura agregada à ESAB. Em janeiro, esteve na biblioteca escolar, para um encontro com as turmas envolvidas no Projeto, o escritor Pedro Guilherme-Moreira, apresentando a sua obra “A Manhã do Mundo”. Os alunos visitaram a exposição dedicada ao ataque terrorista de 11 de Setembro de 2001. O conflito interior das personagens do livro de Guilherme-Moreira – os jumpers – fez despertar um conjunto de reflexões muito interessantes no grupo. Da parte da tarde, o autor deslocou-se ao Estabelecimento Prisional de Coimbra para um encontro com os reclusos, que se revelou um momento profícuo de

Projeto Ler + Jovem análise e também de troca de emoções, conforme atesta a missiva publicada pelo autor no seu Blogue IGNORÂNCIA, disponível em http://ignorancia.blogspot.pt/2014/01/da-luz-da-avelar-brotero-as-asas-do.html. A Cooperativa de Teatro Bonifrates desenvolveu dois Workshops sob o título “Dar Voz às Palavras”. O primeiro foi destinado apenas aos alunos inscritos no projeto, o segundo alargou-se à totalidade de alunos das duas turmas. O objetivo é preparar os alunos para a leitura em voz alta, constatada a clara inibição que têm demonstrado nas sessões presenciais com a população adulta. Paralelamente, a colaboração com a Rede de Bibliotecas de Coimbra, no âmbito do Plano de Ação Concelhio, em atividades específicas e pontuais, dirigidas à comunidade em geral, faz aportar ao projeto uma dimensão mais ampla, proporcionando o contacto com espaços e gentes. A atividade “Dar Poesia a Coimbra”, a desenvolver na Praça Heróis do Ultramar e no Centro Comercial Dolce Vita, no dia 21 de março, Dia Mundial da Poesia, a partir das 14h30, insere-se neste eixo. Os alunos são “Passeurs de Poésie” e declamam, pontualmente, alguns poemas aos transeuntes. Neste mesmo dia, os alunos assistem à apresentação da obra “Livro sem Ninguém”, recentemente editada por Pedro Guilherme-Moreira, na Livraria Bertrand, com apresentação do Doutor José Carlos Seabra Pereira, da Faculdade de Letras na Universidade de Coimbra. Está prevista a leitura de alguns poemas do autor, em louvor a esta data especial. Carla Fernandes (Professora Bibliotecária)

Abril 2014 Jornal da Brotero 31


Biblioteca ::

Projeto Ler + Jovem No âmbito do Projeto Ler+ Jovem – À sombra das palavras, os alunos do 10º2A elaboraram alguns trabalhos, nomeadamente, cartas e pinturas subordinadas ao tema das atividades: ‘Papéis de acaso’ e ‘O fio de Ariadne’. As cartas foram entregues ao grupo de reclusos que integram este projeto, durante uma das sessões que estão a ser desenvolvidas no Estabelecimento Prisional, e as pinturas foram expostas, na biblioteca, daquela instituição. Os alunos leram obras relacionadas com a escrita intimista e traduziram para a tela os episódios que mais lhes tocaram. Já as cartas foram o pretexto para o arranque do projeto e um convite para a leitura. Isabel Monteiro (Professora de Português)

João Soares in Alta Definição de Daniel Oliveira

Rafaela Faria inODiáriosecretodeAdrianMole,SueTownsend

Inês Baião in Manucure de Mário de Sá Carneiro

Joana Mateus in O mundo segundo Bob de James Bowen

Moisés Lopes in O Diário Secreto de Adrian Mole

Maria Maranha in Adrian Mole na idade do cappucino, Sue Townsend

32 Jornal da Brotero Abril 2014

Maria Brito in O Diário secreto de Adrian Mole, Sue Towsend

Maria Brito in Manucure de Mário de Sá Carneiro


:: Biblioteca

Abril 2014 Jornal da Brotero 33


Biblioteca ::

34 Jornal da Brotero Abril 2014


:: Biblioteca

À Sombras das Palavras Temos vindo a desenvolver, conforme o programado, as atividades que constam no projeto. A parceria com o Estabelecimento Prisional tem corrido bem. Foi selecionado um grupo de reclusos que se vai mantendo ao longo das sessões. Estes têm sido muito recetivos às atividades propostas e participam nas mesmas, com entusiasmo. Os alunos da turma do 10º ano 2A têm produzido materiais que vão sendo apresentados aos reclusos, na biblioteca do estabelecimento. Estes, por sua vez, também têm elaborado trabalhos, ao longo das sessões. Os livros lidos pelos alunos são levados para os reclusos, num vaivém constante, onde o objetivo principal é o incentivo e a divulgação da leitura. Têm sido realizadas diferentes atividades subordinadas aos vários temas, nomeadamente, leitura e audição de textos, oficina de escrita, projeção de powerpoints, encontro com escritor, apresentação de trabalhos dos alunos e exposições. A professora Orlanda Moreira tem sido uma presença constante nas diferentes sessões, presenteando-nos com a sua eloquência na apresentação das obras. A professora Carla Mendonça brindou-nos com a Autobiografia, de Nelson Mandela e a D. Cristina, funcionária da biblioteca, propôs-nos uma leitura muito interessante do livro: O Tempo entre Costuras, de María Dueñas.

O logótipo do projeto nasceu das mãos e da criatividade do professor Antonino Neves que o irá reproduzir, durante a próxima sessão, no Estabelecimento Prisional, no dia 28 de março. Ficam, aqui, sugestões de leitura de alguns dos livros selecionados, de acordo com os temas desenvolvidos: ALCOFORADO, Soror Mariana - Cartas Portuguesas, Assírio & Alvim PEREIRA, Ricardo Araújo - Boca do inferno, Tinta-da-China MOREIRA, Pedro Guilherme - A manhã do mundo, D. Quichote MOREIRA, Pedro Guilherme - Livro sem ninguém, D. Quichote DUEÑAS, María - O Tempo entre Costuras, Porto Editor Isabel Monteiro (Coordenadora do projeto no EP)

Pedro Guilherme Moreira Encontro com o escritor No âmbito do projeto Ler+ Jovem - À sombra das palavras -, convidámos o escritor Pedro GuilhermeMoreira para falar um pouco do seu livro A manhã do mundo. Este encontro integrou-se na atividade ‘O mundo entrelinhas’ que visava a divulgação de textos dos media. A manhã do mundo é um romance que fala de todos aqueles que saltaram das torres gémeas, na fatídica manhã do 11 de setembro. Da realidade da notícia, à ficção do romance, eis o percurso que nos uniu, no dia 30 de janeiro do corrente ano, pelas 11:30 Horas, na Biblioteca da Escola Secundária de Avelar Brotero. Estiveram presentes as turmas que integram o projeto, o 10º 2A e 10º PMPDM. Num ambiente descontraído, os alunos foram fazendo perguntas sobre o livro e sobre o escritor e as horas passaram rapidamente. Depois, partimos ao encontro dos reclusos do Estabelecimento Prisional de Coimbra, que também são nossos parceiros no projeto. No dia seguinte, fomos brindados com este belo texto de Pedro Guilherme-Moreira, que relata, com mestria, os pormenores da sua visita à escola e ao estabelecimento prisional:

«Da luz da Avelar Brotero às asas do Pessoa 1884. 1884 é da minha vida porque é o ano de nascimento deste meu bisavô. 1884 é da minha vida porque é a data de fundação e o nome do livro com que dezenas de alunos me comoveram na Xico d’Holanda.

Abril 2014 Jornal da Brotero 35


Biblioteca :: 1884 é o ano de fundação do Estabelecimento Prisional de Coimbra, onde hoje estive eu e agora está outro Pessoa, que já teria chegado a este parágrafo montado em números cabalísticos. 1884 é da minha vida porque também é a data da fundação da Escola Secundária de Avelar Brotero, em Coimbra Félix de Avelar Brotero, o grande botânico português cuja primeira publicação, em 1793, é o curioso “Princípios de Agricultura Filosófica” -, escola onde, no dia 30 de Janeiro do ano da graça de 2014, recebi a luz coada pelas vidraças da bilblioteca e pelo sorriso e empenho das professoras Carla e Isabel e pelo entusiasmo controlado, mas eficiente, de duas corajosas turmas. À chegada tinha a Ucrânia, a Rússia e o Uzbeqistão corporizados por três belas meninas chamadas, respectivamente, Oleksandra, Sasha e Ksenia, que, tendo Portugal como casa, estão a tentar reforçar o seu português. Eu é que aprendi. Aprendi que o agá, em uzbeque, se lê como em hebraico, com o céu da boca, e mostrei a capa d’ ”A manhã do mundo” em Macedónio, pelo menos para que todas pudessem reconhecer o seu alfabeto, o cirílico, porque o meu nome, Педро ГиљермеМореира, escreve-se da mesma forma em todos os lados do cirílico. Nesta altura já a responsabilidade da luz deixara de ser apenas das vidraças para se virar para as pessoas. Foram as primeiras três dedicatórias. Havia uma exposição muito bonita sobre “A manhã do mundo” - excertos em fotografias, alguns pedaços de prosa de que me esquecera. Um sobre a beleza da morte, a morte azul. Vieram as turmas e a Rafaela começou por aí. Eu não me poupei aos detalhes e aos passos que me levaram lá. Voltei a entrar nas torres imortais. O Bruno, coitado, tinha a cabeça tapada pelo projector, com o Ângelo voltámos à morte azul, a Joana leu a primeira parte da senda que leva Teresa a quase descobrir o corpo em queda, a Ana falou do momento da morte dos saltadores, o André trouxe-me de volta o meu amigo o Solomon. Nessa altura perguntei o nome à Margarida. Margarida, ela disse. A ideia era explicar aqui que há sempre um centro, uma cara a receber a maior parte das nossas respostas no público, e ela teve hoje esse papel, o centro do público para o qual eu falava. Minutos depois percebi que talvez houvesse um fundamento: a Meggy fora o 1º prémo do concurso de leitura. O André, que me trouxera o Solomon e tinha um ar-de-deixa-me-estar-quieto-no-meu-canto, foi o 2º, a Telma o 3º. Ainda vieram a inês, a Rita - com a segunda parte da “Criação e Adão” - e um André-espantado com a expressão mais deliciosa da plateia. A inês era vibrante e fez-nos sorrir várias vezes, porque, sentindo a sessão a esvair-se, saltava na cadeira para que percebêssemos que não se ia dali sem dizer ao que viera. E não foi, e disse, e fez aliás parte da turma que ficou para lá da ordem do dia, e eu deixei a mesa e fui-me sentar no meio deles. A Micaela - o caso especial. O tipo de caso que eu não perderia por nada, que eu temo tantas vezes poder ficar nas cordas, não dar o passo em frente por timidez, por pudor, por sentir que não pertence ou não tem lugar. 36 Jornal da Brotero Abril 2014

O livro marcado de forma meticulosa, o livro lido, passagens que marcaram, despedidas. A primeira que a Micaela leu - a da mãe que se despede do filho pequenino - pareceu comovê-la particularmente, mas tudo na Micaela, o mapa gestual, o sorriso humilde, a candura, essa vergonha bonita de se expor, gritava leitora exemplar. Escritora exemplar. Por baixo d’”A manhã do mundo” tinha (posso dizer, Micaela?) “O Boneco de Neve”, de Jo Nesbo, que algumas vezes nos serviu de refúgio durante a conversa. E no ar aquele perturbante sentido do “Dream on girl” para o drama de Alice no livro. Vem o almoço nas mesas corridas da escola, bacalhau à gomes de sá, o café e é hora de, tantos anos depois, eu passar para dentro dos mais altos muros da prisão de Coimbra, muros que rondei durante anos enquanto cursava direito, da dias da silva para baixo, da universidade para cima, pelo jardim da sereia ou por outro lado qualquer, ainda mandei encadernar muitos livros na cadeia, mas isso acabou. O EP de Coimbra é imponente, arquitectonicamente belíssimo, a biblioteca difícil de explicar, porque é sumptuosa, algo que não se espera ali. Como esse poeta Mário Pessoa, que estava sempre a voar dali para fora, fosse das páginas d’ ”A manhã do mundo”, fosse do seu próprio peito. Ele leu o meu “Dominó”, que a Isabel trouxe e eu lhe ofereci, eu abri a absoluta excepção das leituras públicas para ler - quase me obrigava a cantar - o “convento do vitral” dele, que ele me ofereceu e eu tenho aqui entre as páginas de um projecto de poesia que me impressinou profundamente pela qualidade: o Zé Eduardo vem de fora, da liberdade, como nós, para lhe dar ferramentas para construir poemas, e conseguiu chegar a um compromisso estratosférico. Não vale a pena fazer revistas, eles, pela mão do Zé Eduardo, saem dali. Maravilhoso. E fica o sorriso desarmante do Lelo, cigano bonito, do riquíssimo Pessoa, do incisivo Roberto, do doce Bruno, do Silva, do Oliveira, do Nogueira - somos quase um pomar -, do Marques e de tantos que estão sempre desassombrados e de coração aberto: nunca há mentira


:: Biblioteca numa conversa sobre literatura de atrás de grades. Há uma dignidade inquebrantável para lá dos ferros, uma sensação de verticalidade, não de engano, que nos inunda. É quase irónico que cá fora se sinta mais volatilidade do que lá dentro, mas é assim, e essa liberdade áspera, dura, faz bem à alma. E descemos e subimos Coimbra por tantos lados que eu subia e descia há vinte anos. Minutos depois estou no comboio de regresso ao Porto, eléctrico, entrecortado, suado, difuso, tusso, a menina no bar ofercece-me dois rebuçados, eu peço-lhe o penúltimo café do dia e, da luz da Avelar Brotero às asas do Pessoa, a vida mais alta, tão interior e intensa em cada um dos sujeitos do dia que sim, mais alta, maior do que os homens, do tamanho dos poemas que deixamos por dizer ou, maior ainda, do silêncio da Micaela e da agricultura filosófica, mais do que de um Brotero, do Pessoa.» PG-M 2014 Mas, o entusiasmo não ficou por aqui e a turma do 10º 2A achou por bem responder ao nosso escritor, com uma mão cheia de palavras, que ele resolver publicar no facebook, fazendo-o desta forma:

«- Orgulho-me, sim senhor, que uma turma me dedique estas palavras. Porque acredito que cada sessão, em cada escola, não é sobre nós, escritores, mas sobre eles. Interessa que eles percebam que são o centro do nosso mundo, e não nós o centro do deles. É por isso que eu trago um guião único de cada escola e o escrevo sempre. Para eles. E o que eles me treplicaram no blogue foi isto: “Gostámos de ser personagens da sua história. Ficámos encantados com os pormenores e com o carinho com que nos retratou. Adorámos ter como narrador uma pessoa com humor, com humildade e com sensibilidade, a contar um episódio singular das nossas vidas. Nunca tínhamos tido a oportunidade de falar tão aberta e tão proximamente com um escritor. Da manhã do mundo para uma manhã muito especial na biblioteca da escola Avelar Brotero. Somos com muito carinho e apreço a turma do 10º 2A (a turma da Micaela). Beijinhos e até ao livro sem ninguém! “» PG-M 2014 Isabel Monteiro (professora de Português da turma da Micaela)

Oficina de Escrita Criativa A Oficina de Escrita Criativa voltou a acontecer na escola.Realizou-se, na biblioteca, nos dias 13, 18 e 20 de fevereiro, envolveu oito turmas do 10º ano: 1C, 1D, 1E, 1F, 2A, PSI, PFCMA, PMDM e duas turmas do 11º ano: PMA e PS. Os professores dinamizadores do grupo de Português: Ana Ribeiro, António Marques,Carla Fernandes, Carla Mendonça, Edite Pimentel, Emília Melo, Fernanda Madeira e Isabel Monteiro acompanharam os seus alunos, ao longo das diferentes atividades propostas. A palavra foi rainha. Desde a associação de palavras a objetos, passando pela reconstrução do símbolo, puxando uma palavra a uma sílaba, preenchendo um texto-fenda, fazendo perguntas com respostas (des) encontradas, construindo um lipograma ou um comboio de palavras, elaborando inventários fúteis, metamorfoseando, criando poemas visuais, até ao processo de desfamiliarização, estes foram alguns passos para construir textos criativos. Eis um dos exemplares aí produzidos, pela aluna Júlia do 10º 2A, que nos leva nas asas do vento. “Se eu fosse o vento, voaria. Voaria tão alto, que cairia no mar e aí, no meu berço,renasceria. Viajaria pelo mundo e ouviria as palavras daqueles que apenas a mim as confiariam. Iria cantar para que todos me ouvissem e soubessem que eu estava lá, para alegrar os corações tristes.

Não sei o que sentiria, talvez felicidade, pois conheceria novas pessoas e novos sítios… Talvez, solidão, pois poderia ouvir e ver toda a gente, mas ninguém me veria, nem me ouviria. Quando estivesse cansado, voltaria ao meu mar e dormiria até todos sentirem a minha falta e, então, tudo recomeçaria, como se de um círculo a minha vida se tratasse.” Isabel Monteiro (professora de Português)

Abril 2014 Jornal da Brotero 37


Atividades :: série F

série F

1º Ranking de Badminton

2º Ranking de Badminton

73 alunos estiveram no dia 22 de janeiro no Pavilhão Municipal de Miranda do Corvo, disputando o primeiro de 3 torneios de “rankings” de Badminton da série F. Estes rankings servem para apurar os alunos para os Torneios Distritais nos diferentes escalões e géneros. A série F inclui alunos dos Grupos Equipa de Desporto Escolar de Badminton da Escola Secundária de Avelar Brotero, Coimbra, da Escola Básica Professor Doutor Ferrer Correia, Senhor da Serra, Miranda do Corvo, da Escola Básica Poeta Manuel da Silva Gaio, Santa Clara, Coimbra e da Escola Básica e Secundária José Falcão, Miranda do Corvo. Neste torneio, apenas se disputaram os jogos de singulares. Os jogos por Equipas (juvenis) e Pares Mistos (juniores) ficaram destinados para o último ranking, no dia 12 de março. Os jogos decorreram a bom ritmo, mérito da organização do professor Francisco Borges da Escola Básica e Secundária José Falcão e do facto de o Pavilhão Municipal dispor de 9 campos com as dimensões regulamentares. Datas dos rankings seguintes: 19 de fevereiro e 12 de março, ambos a realizar no mesmo local.

75 alunos estiveram no dia 19 de fevereiro no Pavilhão Municipal de Miranda do Corvo, disputando o segundo de 3 torneios de “rankings” de Badminton da série F. Estes rankings servem para apurar os alunos para estarem presentes nos Torneios Distritais, nos diferentes escalões e géneros. A série F inclui alunos dos Grupos Equipa de Desporto Escolar de Badminton da Escola Secundária de Avelar Brotero, da Escola Básica Professor Doutor Ferrer Correia, no Senhor da Serra, Miranda do Corvo, da Escola Básica Poeta Manuel da Silva Gaio, em Santa Clara, Coimbra, e da Escola Básica e Secundária José Falcão, em Miranda do Corvo. Neste torneio, apenas se disputaram os jogos de singulares. Os jogos por Equipas (juvenis) e Pares Mistos (juniores) ficaram destinados para o último ranking, no dia 19 de março. Os jogos decorreram a bom ritmo, com ajuda de um grupo de alunos do curso de “Desporto” da Escola Básica Professor Doutor Ferrer Correia.

Miranda do Corvo, 22 Janeiro 2014

Resultados mais relevantes da ESAB: 2º lugar de juvenis femininos (Sara Assunção) 2º lugar de juvenis masculinos (Miguel Gomes) 1 e 3 º lugares de juniores masculinos (Eduardo Andrade e João Ferreira) 1, 2 e 3 º lugares de juniores femininos (Mariana Matos, Yuliya Palishchuk e Joana Coimbra) Professor responsável: Teresa Silvano

Equipa da ESAB: João Ferreira, Eduardo Andrade, Miguel Gomes, Viktoriya Shkatova, Yuliya Palishchuk, Joana Simões, Joana Coimbra, Bárbara Cardoso, Madalena Portugal, Sara Assunção, Sarah de Amorim, Diana Cristo, Inês Pereira, Mariana Godinho e Mariana Matos 38 Jornal da Brotero Abril 2014

Miranda do Corvo, 19 Fevereiro 2014

Resultados mais relevantes do Grupo-Equipa da ESAB neste torneio: JUVENIS: Quadros competitivos não concluídos, mas: Sara Assunção, Mariana Godinho, Inês Pereira, Maria Madalena Portugal e Miguel Gomes irão disputar os quartos e meias-finais do 2º ranking no dia 19 de março JUNIORES: 1º lugar de masculinos (Eduardo Andrade) 1 e 3 º lugares de femininos (Mariana Matos, Yuliya Palishchuk) Data do próximo ranking: 19 de março, a realizar no mesmo local, uma vez que este pavilhão alberga 9 campos com dimensões regulamentares. Professor responsável: Teresa Silvano

Equipa da ESAB: Mª Madalena Portugal, Joana Coimbra, Madalena Albuquerque, Yuliya Palishchuk , Miguel Gomes, Mariana Matos, Eduardo Andrade, Sarah de Amorim, Diana Cristo, Sara Assunção, Viktoriya Shkatova e Mariana Godinho


:: Atividades Torneio de Badminton Aberto Serpins, 8 Março 2014

A convite da Associação Desportiva de Serpins, o Grupo Equipa de Badminton esteve presente no primeiro torneio organizado por esta associação, num pavilhão excelentemente remodulado pela junta de freguesia de Serpins. De referir que este Pavilhão foi há pouco tempo homologado pela Federação Portuguesa de Badminton, que prontamente calendarizou 2 das suas provas para este espaço, a realizar em 18 de abril e 1 de maio. Atualmente, tem vários praticantes de vários escalões e géneros treinados por um alienado pela modalidade de badminton e um ex-atleta da modalidade, que jogou em clubes de Lisboa.

Pena foi o facto de apenas dois alunos do Grupo Equipa da ESAB se prontificarem a estar presentes: Eduardo Andrade (praticante da modalidade nesta associação e grande impulsionador) e João Dinis Ferreira. A circunstância de ocupar uma tarde de um sábado não aliciou alunos já habituados a realizar os seus torneios às quartas-feiras. Pena foi, porque só jogando se consegue evoluir mais rápidamente, ganhar ritmo de jogo e aprender mais ― técnica e táticamente; para além, como é óbvio, do momento de convívio e troca de experiências tão salutar, tanto para os jovens como para os responsáveis por estes. Professor responsável: Teresa Silvano

Torneio de Badminton Aberto Seis alunos da ESAB conquistaram ontem o apuramento para os Torneios Distritais de juvenis e juniores. Em jogos singulares de juvenis, a Sara Assunção

e o Miguel Gomes conseguiram o 2º e 1º lugar, respectivamente, e irão disputar os Distritais a 2 de abril, no Pavilhão Municipal de Miranda do Corvo:

Abril 2014 Jornal da Brotero 39


Atividades ::

Em juniores, a Mariana Matos e o Eduardo Andrade conseguiram ambos o 1º lugar. A Yuliya e João Ferreira alcançaram o 2º e 3º lugar e estão também

seleccionados para disputar os Distritais do seu escalão, a 29 de maio, nas escolas E. B. 2, 3 Alice Gouveia e Eugénio de Castro em Coimbra:

Na prova de Pares Mistos, os pares 1 e 2 da ESAB alcançaram o 1º e 3º lugar. Apenas o 1º lugar irá prosseguir em prova nos Distritais de juniores, a realizar no mesmo dia e local.

Professora: Teresa Silvano 20 Março 2014

40 Jornal da Brotero Abril 2014


:: Atividades Corta-Mato Distrital

Maiorca, 17 Fevereiro 2014

Decorreu, no passado dia 17 de Fevereiro de 2014, a fase distrital da CLDE de Coimbra de mais uma edição do Corta-Mato Escolar. As provas tiveram lugar em Maiorca, no Parque do Lago, contando com a participação de alunos oriundos de diversos estabelecimentos de ensino do distrito, nos escalões que iam dos infantis aos juniores para ambos os géneros, tendo competido um total de 1692 participantes. A ESAB fez-se participar com um total de 17 alunos, divididos pelos escalões de juvenis femininos e masculinos e juniores femininos e masculinos. Como tem vindo a ser prática da escola, os alunos apresentaram uma exemplar ética desportiva durante todos os momentos das provas, tal como um espírito de “fair-play” com os restantes participantes do Corta-Mato. Na prova de juvenis femininos, participaram 4 alunas da ESAB, de que se destaca Ana Beatriz Costa que se classificou no 15º lugar entre as 97 participantes. De notar, também, atitude louvável e o espírito de sacrifício da Cíntia Fernandes que, apesar da entorse contraída ainda na 1ª volta, terminou a prova para que a escola pudesse pontuar na classificação coletiva.

No escalão de juniores femininos, destaca-se a aluna Júlia Russo que obteve o 1º lugar na classificação geral individual. Realça-se, ainda, o notável segundo lugar conseguido a nível coletivo, feito para o qual contribuíram também as alunas Ana Sofia Portela, Joana Marques e Catarina Gonçalves. No escalão de Juvenis masculinos, o destaque vai para os alunos Mauro Pereira e Ângelo Júlio, em 11º e 14º, respetivamente, entre os 200 participantes. Em termos coletivos, a nossa escola obteve um honroso 5º lugar. Por último, no escalão de juniores masculino, em termos individuais, evidencia-se o aluno João Gandarez que alcançou o pódio, terminando em 3º lugar, vitória que teve o contributo dos seus colegas José Galvão, Fábio Marques e Ricardo Monteiro, o que resultou em mais um 1º lugar em termos coletivos para a nossa ESAB. Os alunos da escola foram acompanhados pelo coordenador de Desporto Escolar e professor de educação física Fausto Pinto Ângelo e pelo professor estagiário de educação física Hugo Mariano. Hugo Mariano

Abril 2014 Jornal da Brotero 41


Atividades :: Concursos “Streaming” e “Mente Sã em Corpo São” Durante o 1º período, foram realizados dois concursos,noâmbitodadisciplinadeOficinaMultimédiaB do 12º Ano: o primeiro, para o design da capa da revista “Streaming” (uma revista de videoarte promovida pelo festival “Fonlad” (www.fonlad.net); o segundo, de fotografia, alusivo à temática “Mente Sã em Corpo São”, para a capa do nº 13 do “Jornal da Brotero”. Em ambas as atividades participaram as turmas 12-2A e 12-2B, num total de 50 alunos. Para a capa da revista saiu vencedor o trabalho de Inês Martins, do 12-2A. Para a capa do Jornal, a fotografia vencedora é da autoria de Aikuna Gomez, do 12-2B. José Vieira

Lisa Cosme, 12-2A

Vanessa Neves, 12-2A 42 Jornal da Brotero Abril 2014

Inês Martins, 12-2A

Joana Souto, 12-2A

Soraia Martins, 12-2A


:: Atividades

Aikuna Gomez 12-2B, “Florecita Rockera”

Ana Rita Castanheira 12-2B, “Devaneio”

Francisca Marques 12-2B, “Impossible State”

Ana Santos 12-2B, “Não é preciso parecer bem para se estar bem”

Pedro Cruz 12-2B, “Retrato” Abril 2014 Jornal da Brotero 43


ESCOLA SECUNDÁRIA DE AVELAR BROTERO RUA D. Manuel I, 3030-320 Coimbra, Portugal http://www.brotero.pt | http://issuu.com/esab125 O Jornal da Brotero também já está disponível na plataforma “Jornais Escolares”, do Ministério da Educação e Ciência, em: http://jornaisescolares.dge.mec.pt/2013/06/19/jornal-da-brotero


Jornal da Brotero N º 13 - abril 2014