Issuu on Google+


Eric Rahal Bacharel em Fotografia (Senac-SP) e Mestre em Poéticas Visuais (ECA-USP), Rahal desenvolve em seu trabalho artístico pesquisas sobre as intersecções entre processos artesanais e meios tecnológicos de produção de imagem. Já expôs seu trabalho em diversas coletivas, como "Luzenças" (2003), no Anexo da Pinacoteca, e "olhareSPaulistanos" (2005), no Paço das Artes. Em 2010, foi ganhador do prêmio ProAC/Artes Visuais, com o trabalho “Autenticidades”, um livro de artista feito com resina e imagens digitais. Atualmente, dirige a produtora Célula Rítmica Prod. e se dedica a projetos de fotografia e cinema documental, tendo produzido diversos vídeos institucionais, documentais e musicais, além de desenvolver seu trabalho autoral de artes visuais.

Experiência Profissional 2000/2002 – Editor Assistente REVISTA PAPARAZZI PHOTO ART São Paulo, SP 2000/2002 – Produtor PAPARAZZI GALERIA DE ARTE FOTOGRÁFICA São Paulo, SP 2002 – Organizador ACERVO PARTICULAR “RUBENS MANO” São Paulo, SP 2002 / 2007 – Editor REVISTA FOTOFAGIA São Paulo, SP 2008/2010 - Programação de Artes Visuais - Sesc Santana SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO SESC-SP São Paulo, SP

2010/Atual - Diretor CÉLULA RÍTMICA PROD. São Paulo Exposições e projetos 1997 – First Expressions Annual “Mother Nature” – Fotografia P&B First Expressions Gallery Boston, E.U.A. 1998 – Annual Exhibit “Organic” – Fotomontagem P&B Gallery of the School of the Museu of Fine Arts Boston, E.U.A. 2002 (Janeiro/Fevereiro) – Foto São Paulo Coordenador do Grupo “Homens-Caixa” Estação Julio Prestes São Paulo, SP


2002 – fotografiaQUASE “Fotoscans” – Série de 03 plotters (4 de Fevereiro / 30 de Março) Galeria do Centro de Comunicação e Artes – SenacSP São Paulo, SP (9 de Maio / 8 de Junho) Espaço Cultural Henfil São Bernardo do Campo, SP

2008/2010 - SESC VITRINE Idealizador e Curador Exposições do Trabalho Autoral dos Fotógrafos: Ricardo Teles, Walter Carvalho, Carlos Moreira, Mariana Tassinari, Tiago Santana, Miguel Chikaoka, entre outros. (março 2008 a março 2010) SESC Santana São Paulo, SP

2002 (Abril) – UNAMA Pequenos Formatos 8 “Fotoscans” – Série de 03 Fotografias (c-print) Galeria de Arte da UNAMA Belém, PA

2008 - Kasato Maru Produtor Exposição Coletiva: Titi Freak, Hana-Bi, Paulo Ito, Whip e outros. Curadoria: Raquel Brumana. SESC Santana São Paulo, SP

2003 – Luzenças “S/ título” – Instalação: Fotografia e vidro (22 de Maio a 29 de Junho) Museu do Imaginário do Povo Brasileiro / SESC – Pompéia São Paulo, SP 2004 – olhareSPaulistanos Curador (20 de Janeiro a 20 de Março) 100 outdoors espalhados pela cidade São Paulo, SP 2005 – olhareSPaulistanos Curador (19 de Maio a 17 de Junho) Paço das Artes São Paulo, SP 2005 – Tripé “Empório das Almas” (22 de Junho a 31 de Julho) SESC – Pompéia São Paulo, SP

2009 - Fotoativa Pará Co-produtor com Simone Wicca Panorama da Fotografia Paraense com 45 artistas. Curadoria: Orlando Maneschy, Mariano Klautau Filho e Patrick Pardini. (21 de maio a 05 de julho) SESC Pompéia e SESC Santana 2009 – OLHO TÁCTIL Direção e edição Curta-metragem semifinalista do Prêmio Claro Curtas 2010 São Paulo, SP 2010 - Todos Nós Co-Direção com Ana Carolina Rolim Domumentário longa-metragem (90min) sobre o impacto da Copa FIFA sobre a cultura brasileira. Rodado em 13.000km por 17 estados do Brasil 2010 – CÉLULA RÍTMICA PROD. Direção, montagem e produção de videos institucionais, documentais e musicais. www.celularitmica.com São Paulo, SP


A utilização da fotografia, do scanner e de outras ferramentas tecnológicas também estão fortemente presentes em meu processo criativo. O ato lúdico e curioso de escanear diferentes materiais, objetos, plantas ou insetos me levou a fazer retratos de pessoas com seus rostos apoiados diretamente sobre o vidro do aparelho, em um processo bem semelhante ao que experimentou o artista Hudinilson Jr. nos anos setenta no Brasil, com a arte-xerox. Desconhecedor do trabalho de Hudinilson e de outros artistas que se utilizaram de máquinas copiadoras no passado, imagino ter experimentado uma mesma sensação de encanto que eles, ao descobrir novas qualidades estéticas da imagem em aparelhos produzidos para as práticas funcionais do dia a dia. O processo de retratar com o scanner, que inclui o gesto particular de cada retratado, imóvel por mais de um minuto em uma posição nada confortável, e a intervenção precisa do acaso, pode ser gerador de imagens fortes e misteriosas, como o caso de retrato de Felipe Lampe (fig.1), onde um movimento de corpo gerou uma mancha semelhante a um fluido aquoso, que só fiz reforçar ao alterar a tonalidade da imagem da metade inferior do retrato. Como as imagens resultantes desse processo trazia evidentes indícios da presença do vidro, o passo seguinte aconteceu naturalmente: procurar por uma maneira de dar saída a essas imagens digitalizadas, de forma que o vidro sugerido se materializasse. Foi a primeira vez que trabalhei com objetos interagindo com imagens fotográficas, e o resultado foi utilizado inicialmente em uma montagem para a capa da edição de no 02 da revista Fotofagia (2002), em uma homenagem especial aos primeiros Bacharéis em Fotografia formados no Brasil, pelo Centro Universitário Senac, de São Paulo. Todos os formandos foram escaneados e engarrafados digitalmente quando concebi a composição de capa para a revista (fig.2).

Fig. 1. Retrato de Felipe Lampe

Fig. 2. Capa da revista Fotografia #2


A visão das garrafinhas e os recorrentes questionamentos quanto à sua existência física, me levaram a criá-las de fato, em uma instalação intulada "Empório das Almas", exposta no Anexo da Pinacoteca em 2003, no Sesc Pompéia em 2005, e no Sesc Consolaçao em 2011. Nesta exposição, procurei

representar

compartimentação

o

vivida

isolamento pelas

e

pessoas

a que

habitam os grandes centros urbanos, realçando os comportamentos e reações individuais aos padrões impostos pelo sistema.

Nesse trabalho, onde as fotografias são simplesmente

encaixadas

na

face

frontal

da

garrafinha, eu já sentia a falta de um material que preenchesse o oco interno de forma a reforçar a materialidade construída. Algo que lembrasse os ambientes líquidos e suas transparências, mas que também pudesse congelar o tempo como nas fotografias.

Pensava

na

resina,

aquela

das

manoplas de caixas de câmbio de fuscas antigos, com caranguejos e cabeças de macaco dentro, recurso frequente na obra de Farnese de Andrade, por exemplo.

Fig.4. Instalação "Empório das Almas", dentro da exposição Luzenças, no Anexo da Pinacoteca, São Paulo, 2003.


O resultado foi a obra, “Autenticidades”, fruto da pesquisa apresentada

ao

Programa

de

Pós-Graduação

em

Artes,

Área

de

Concentração Artes Plásticas, Linha de pesquisa Poéticas Visuais, da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, como exigência parcial para obtenção do título de Mestre em Artes, sob a orientação do Prof. Dr. Geraldo Souza Dias, e vencedor do prêmio Proac Artes Visuais 2010 da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. "Autenticidades" é fruto de uma pesquisa que teve por objetivo investigar a “zona de atividade” na qual operam poeticamente os chamados Livros de Artista, seu potencial de inserção dentro do universo artístico e da sociedade contemporânea em geral. A pesquisa foi guiada por dois objetivos específicos, a saber: a) Levantar questões sobre a formatação e construção de linguagem em obras bibliomórficas, além de investigar a intersecção de diferentes disciplinas, campos e ideias formadoras da poética dos Livros de Artista. b) Desenvolver, simultaneamente à pesquisa teórica sobre o tema, um Livro de Artista homônimo envolvido pela áura da autenticidade.


Os elementos que utilizamos contemporaneamente no processo criativo quase sempre fazem parte de um grande banco de dados, uma coleção formada ao longo do tempo, constituída de imagens (desenhos, gravuras, filmes e fotografias) e processos (instalações, performances, etc.) É na edição, no tratamento, na combinação de informações, que se encontra o espaço de fruição estética e de produção artística. A mesma informação, depois de recombinada, transformada, rematerializada ou simplesmente ressignificada, pode ganhar contornos insuspeitados para se converter em experiência estética, em objeto de contemplação, e, principalmente, de reflexão. Digo isso apenas para ressaltar o quão natural me parece ser essa abordagem em nossa cultura atual, onde todos somos simultaneamente criadores, editores e espectadores de imagens. Sobre tal banco de dados, e sobre as questões em torno da autenticidade na criação artística, o filósofo Vilém Flusser tece uma interessante reflexão ao entender que o problema central da sociedade contemporânea é o da produção de informações novas, ressaltando que:

No passado, rotulava-se esse problema como “criação e criatividade” porque as informações novas, as situações imprevistas, improváveis, aventurosas, parecem surgir como que do nada. Daí viria a crença em um Criador divino, em um demiurgo, daí também a divinização do criador humano, do “artista”.

1

1

 FLUSSER, Vilém (2008). O Universo das Imagens Técnicas ‐ O Elogio da Superficialidade. São Paulo: Annablume. 


Para o filósofo, o problema da produção das informações novas deve se afastar desse contexto mitificador se desejamos captar as virtualidades revolucionárias que o modo de vida atual nos oferece. Para Flusser, o nosso desafio não é uma sociedade de deuses ou de artistas inspirados, mas sim uma sociedade de jogadores (FLUSSER, 2008, p.91). Tal pensamento encontra eco na forma como muitos artistas contemporâneos operam, produzindo informações novas a partir da síntese de informações precedentes. Um artista menos criador e mais jogador, que brinca com pedaços disponíveis de informação e com as ferramentas disponíveis com o mesmo interesse que uma criança descobre as potencialidades de uma nova máquina. Partindo dessas questões, proponho a utilização de um elemento central, um frasco, um container, algo que possa compartimentar as informações que desejamos expressar com a identidade visual escolhida, mimetizando os conceitos propostos pela curadoria. Ao mesmo tempo, proponho que tanto o container como a materia que o envolva sejam transparentes, como as garrafinha de vidro e a resina. A partir dessa escolha, decidiríamos quais imagens, objetos e informações textuais desejamos transmitir em nosso discurso, desenharíamos o layout eletronicamente, e faríamos seu arranjo final em camadas de forma artesanal no atelier para depois fotografá-las e/ou escaneá-las, lembrando que essa ida-e-volta do analógico para o digital, e vice-versa, pode ser realizada tantas vezes quanto considerarmos necessário, chegando a um resultado híbrido e difícilmente alcançável apenas trabalhando os processos (digital e analógico) separadamente.


Por se tratar de um processo coletivo, realizado pelos doze artistas selecionados para participar do workshop, e uma vez que a curadoria propõe como leitmotiv da mostra a idéia de constelação e poéticas que se sobrepõem, se desagregam, se assimilam, se parasitam, se absorvem, se digerem, se condensam, se fazem divergentes a partir de fontes similares e convergentes, a partir de fontes divergentes, gostaria apenas de trazer para o grupo minha experiência com os processos híbridos resultantes da exploração da matéria em processos artesanais e tecnológicos, contribuindo para a criação dessa identidade visual mais coletiva do que nunca. O processo que proponho que seja desenvolvido durante o workshop pode ser melhor compreendido assistindo-se ao vídeo “Autenticidades”, no endereço http://vimeo.com/14963223. Constelações em camadas e transparência, em um processo de produção imagética que mescla matéria e virtualidade, e, de preferência, com os textos todos flutuando em espaços brancos de descanso e devaneio. Sugiro também que todas as versões gráficas sejam reproduzidas o mais fielmente possível nas interfaces da web, e que pensemos tanto a parte impressa como a virtual de forma espelhada. Mas tenho certeza que o conjunto das ideias geradas no grupo do workshop tende a ser muito mais rico do que qualquer imagem que eu tente formar aqui e agora.


Camadas