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Acadêmicos: Erick Gustavo de Oliveira Alcântara e Marta Heupa Klozouski

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao curso de Design Digital da Pontificia Universidade Católica do Paraná, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Design Digital. Orientadores: Frederick Van Amstel e Marcus Vinicius Brudzinski.


Gostaríamos de agradecer aos nossos pais, que estiveram ao nosso lado ao longo de todo este caminho pelo qual trilhamos, pois sem seu suporte, não chegaríamos aonde chegamos. Aos amigos, pois sempre estiveram ao nosso lado auxiliando e motivando a continuar. Aos envolvidos com o projeto por suas contribuições, sem as quais não conseguiríamos desenvolver e evoluir ricamente este projeto. Ao Profº Gláucio pois graças a sua ajuda, disposição, e ensinamentos incentivou a nos apaixonar ainda mais pelo vídeo, e desejar o desenvolvimento de um trabalho com garra e empenho. Ao Profº Rodrigo Gonzatto, pelas diversas dicas e questionamentos os quais nos fizeram refletir pontos os quais eram fundamentais para este projeto, e que sem os conselhos e referências não conseguiríamos desenvolver a linguagem de hipermídia com a certeza de estarmos indo pelo caminho correto. E também aos orientadores Fred e Marcus, que nos deram suporte, ajudaram nas dúvidas, nos tranquilizaram e nos fizeram botar os pés no chão nos momentos certos. E é claro agradecer um ao outro, pois sem o empenho de ambos, sem a parceria, companheirismo, e a mesma vontade de fazer algo além de “mais um trabalho acadêmico”, nos uniu e nos impulsionou a elevar um ao outro e desenvolver este trabalho ao qual nos deixa orgulhosos do resultado.


Resumo/Abstract............................................................01 Introdução.........................................................................02 Justificativa......................................................................03 Pesquisa : Cyberbullying......................................................................05

Pesquisa de Campo Aula Expositiva............................................................................08 Resultado Formulário................................................................09 Entrevistas....................................................................................12 Vídeo Interativo...........................................................................13

Desenvolvimento : Metodologia...................................................................................16 Processos de desenvolvimento............................................17 Público.............................................................................................18 Diferenciais....................................................................................19 Personagens.................................................................................21 Fluxograma...................................................................................23 Roteiro............................................................................................25 Photoboard...................................................................................27


Processo de Produção: Gravações......................................................................................30 Edições............................................................................................31 Identidade visual..........................................................................31 Distribuição e licenças.............................................................33

Desafios................................................................................34 Considerações....................................................................35 Anexos: Anexo I - Entrevista Debora....................................................37 Anexo II - Entrevista vitimas..................................................40 Anexo III - Roteiro.........................................................................50 Anexo IV - Photoboard................................................................62

Referencial Bibliográfico...................................................69 Assista ao vídeo................................................................70


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Este memorial descritivo foi criado com o objetivo de relatar e registrar o processo de concepção, criação, desenvolvimento e finalização do projeto “Deixe-me”, curta-metragem interativo sobre cyberbullying. Apresenta-se toda a concepção de geração das ideias, e definições principais do projeto, passando por toda pesquisa (bibliográfica e de campo) e aplicação do curta-metragem. Abordando o tema “Cyberbullying” e as possíveis consequências na vida de todos os envolvidos, com a finalidade de trazer reflexão e questionamentos ao público adolescente, público-alvo principal desta pesquisa.

This descriptive memorial was created with the purpose of reporting and recording the process of conception, creation, development and conclusion of the project “Leave me,” interactive short film about cyberbullying. It presents the whole conception of ideas generation, and main settings of the project, through all research (bibliographical and fieldwork) and application to digital artifact mentioned. Addressing the theme “Cyberbullying” and the possible consequences in the lives of everyone involved with the aim of bring reflection and questioning the teen audience, the main target of this research.


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Vivemos atualmente em uma sociedade dependente de rapidez, com acesso e compartilhamento de informações a uma velocidade que, comparada há 30 anos atrás, seria considerada distante e futurista. O maior fator por trás deste fenômeno é a Internet, a qual conecta milhares de pessoas independente de suas localizações, e em grupos de interesse em comum, assim como seus derivados e dependentes, como as redes sociais, aplicativos, chats, bate-papos, blogs, vlogs e outros. Neste cenário, percebe-se uma enorme dependência da internet no cotidiano da população em geral, sendo o público de faixa etária entre 14 a 34 anos, os maiores utilizadores, representando cerca de 88% da população atual brasileira. A maior parte das interações desses jovens com outras pessoas são mediadas pela tecnologia, sempre levando em consideração padrões sociais onde os mais populares ditam regras e padrões a serem seguidos, excluindo os que não se encaixam nessas regras. Expondo-se excessivamente, na tentativa de aumentar a popularidade através de “likes”, “curtidas” e “compartilhamentos”. Tais atitudes acabam gerando conflitos dentro destes espaços cibernéticos que, na maior parte dos casos, acabam gerando crimes virtuais. Isso porque esta prática, devido à falta de um controle rígido e efetivo, acaba gerando impunidade na maioria dos casos que foram relatados. Tendo como principal alvo, adolescentes e jovens, sendo, principalmente meninas, as principais vítimas dos crimes cibernéticos. O projeto “Deixe-me” foi desenvolvido para proporcionar reflexão e reconhecimento à seu público devido ao conteúdo abordado. Criando empatia nos usuários e mostrando as etapas enfrentadas por uma pessoa que sofre o cyberbullying, como também na rotina e vida dos agressores, professores e pais, os quais estão envolvidos dentro deste contexto. O conteúdo visa impactar os jovens, dentro redes sociais através da internet utilizando de recursos para prender e chamar a atenção do público. Através da integração com interatividade, que possibilita a quem estiver assistindo se tornar um expectador ativo e tomar decisões, escolhendo os caminhos a serem seguidos, e trazendo uma semelhança aos jogos interativos, aos quais é um produto muito consumido pelos usuários.


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Entre os adolescentes e jovens, se tornou “normal” a prática de zombar e tirar sarro de pessoas que não se encaixam nos padrões da grande maioria, costume esse que ficou conhecido como bullying. Este que se tornou crime recentemente no Brasil com a Lei nº 13.185, de 6 de novembro de 2015. Evoluiu ao longo dos últimos anos, passando a ser exercido também através da internet, tornando-se cyberbullying. O principal motivo de desenvolvimento deste tema se deu principalmente pelo histórico vivido anteriormente pelos integrantes deste projeto com tal prática criminosa, a qual tem se agravado com perfis falsos encontrado dentro da internet. Isso porque devido a imaturidade do público, a qual o projeto é destinado, o exercício do cyberbullying atinge, diariamente, milhares de pessoas, expondo suas atividades virtual privadas, ridicularizando, e causando humilhação pública, o que é agravado com a velocidade de reprodução e compartilhamento entre a população. O curta-metragem tem como objetivo principal mostrar essa realidade em que a grande maioria da população se encaixa, sendo como vítima ou agressor. Expondo esta prática que normalmente não é vista como crime, mas sim como “brincadeira”, o material desenvolvido visa provocar reflexão e conscientização sobre o efeito desta prática criminosa na vida de todos os envolvidos, que incluem agressor, vítima, pais, professores e amigos.


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Por definição:

“Cyberbullying é um tipo de violência praticada contra alguém através da internet ou de outras tecnologias relacionadas. Praticar Cyberbullying significa usar o espaço virtual para intimidar e hostilizar uma pessoa (colega de escola, professores, ou mesmo desconhecidos), difamando, insultando ou atacando covardemente. Em geral, o cyberbullying é praticado entre adolescentes, mas também ocorre com frequência entre adultos.” Rodrigo Wasem Galia – Site Empório do direito – 08/10/2015

Em uma pesquisa do site Cyberbullying Research Center com mais de 4.500 pesquisados (que incluem jovens de ensino fundamental e médio, pais, educadores e policiais), fica evidente o crescimento e a popularização de intimidações e agressões online. Os dados relatados mostram que 34 % dos estudantes tinham experimentado cyberbullying na vida. Quatro em cada cinco estudantes vítimas de cyberbullying disse ter sido alvo de comentários publicados online, enquanto 70% tiveram boatos espalhados sobre eles online. Além disso, cerca de dois terços dos alunos (64%) que sofreram cyberbullying, declarou ter sua capacidade de aprender e se sentir seguro na escola comprometida. Enquanto isso, 12% dos estudantes admitiram já haviam sofrido cyberbullying anteriormente, sendo as meninas que tiveram maior probabilidade de ter sido intimidadas on-line em algum momento de sua vida. Enquanto os rapazes eram mais propensos a intimidar pessoas online. Os comportamentos mais comumente relatados incluíram espalhar boatos on-line (60%), postar comentários maldosos e vexatórios on-line (58%), ou ameaçando ferir alguém on-line (54%).


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Por conta de tais atitudes, muitos jovens acabam deixando suas escolas, cidades, em busca de um lugar o qual se sintam novamente a vontade longe do passado o qual os causou sofrimento através das ofensas online. Mas em casos extremos, diversos adolescentes acabam cometendo suicídio por não conseguirem lidar com este tipo de superexposição ao qual acabam passando. Um exemplo de cyberbullying trágico, o qual tomou grandes proporções, foi o caso de Amanda Todd. A jovem canadense tirou sua vida após sofrer agressões e ser alvo de um cyberstalker que a chantageou e divulgou vídeos íntimos a amigos e familiares da garota, repetindo a ação por mais de uma vez, que levando, consequentemente, a jovem à morte. O caso ganhou repercussão em setor mundial com o vídeo de despedida da garota, no qual ela contava sua história e os motivos que fizeram chegar a tal ponto. Em uma apostila contra o cyberbullying, criada com a parceria do canal Cartoon Network, a Visão Mundial, Rain Barrel Communications e outros, somos apresentados a um conteúdo atualizado, e voltado não só para os adolescentes, mas também aos pais e educadores, expondo informações de como proceder, definições, entre outras dicas que podem ajudar a identificar, prevenir e combater a esta prática ilegal.


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O informativo aponta que os danos causados pelo bullying virtual atingem não somente a quem é agredido, mas também as testemunhas do crime intimidando-as a se omitir por medo de represálias, exclusão social de seu grupo ou sentimento de impotência por não saber como proceder. Podendo causar depressão, baixa-estima, e sentimento de vergonha duradoura em quem se torna vítima da prática. O Material Anti Cyberbullying mostra quais os limites entre uma agressão e o cyberbullying, diferenciando, como exemplo, uma exclusão ou não-aceitação em um grupo virtual ou a criação de um grupo destinado a denegrir e/ou humilhar determinado indivíduo. Mostrando também medidas e atitudes que podem ser tomadas em casos de cyberbullying, principalmente denunciando e prestando queixa nas delegacias de crimes virtuais.


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Aula expositiva

Para dar coerência ao projeto, achamos que seria interessante realizar uma apresentação do tema ao nosso público-alvo e analisar reações, relevancia e comportamento deles em relação ao tema. Então realizamos esta pesquisa de campo, como uma análise etnográfica do nosso público. Resolvemos desenvolver uma aula expositiva, em parceria com o Colégio e Curso Decisivo, com a autorização da Coordenadora Pedagógica do 1º e 2º do Ensino Médio, faixa etária definida como público-alvo deste projeto. A aula tinha como objetivo verificar padrões e comportamentos em comum nos jovens e como eles utilizam a internet como meio de interação interpessoal.

Apresentação do tema superexposição, colégio Decisivo (turma 2º ano.)


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Iniciou-se o desenvolvimento da atividade com a exposição do tema em questão, na época definido como “superexposição na internet”, revelando em seguida o motivo da aula expositiva e o projeto a ser desenvolvido. Após as apresentações, u m bate papo com os alunos sobre suas opiniões e modos de agir na internet foi criado; ao término da discussão foi exibida a série “Invasão de Privacidade”, série produzida pela TV TEM Itapetininga, filiada da Rede Globo. A série aborda justamente a exposição pessoal na internet e seus impactos diversos na vida dos usuários, trazendo consequências que afetam diretamente o ambiente fora do Virtual. Ao término da exibição, os alunos compartilharam algumas experiências sobre alguns casos de cyberbullying, exposição na rede, e até de agressões virtuais, porém interpretando como brincadeiras inofensivas. Todos os alunos participantes disseram não pensar na consequência do modo que se expõem online, sem pensar nas consequências que seu modo expositivo na rede pode afetar seu cotidiano fora da rede.

Resultados da pesquisa

Com o término da aula expositiva, aplicamos um formulário para identificar o padrão de comportamento dos alunos dentro das redes sociais. Na época da aplicação, o projeto tinha o foco somente na superexposição na internet, então as perguntas realizadas focaram mais no modo como se eles se expõem e o impacto das redes sociais em seu cotidiano. A maior parte dos entrevistados foram alunos do 1º e 2º ano do Ensino Médio, do Colégio e Curso Decisivo (Sede Comendador Araújo), cuja faixa etária varia entre 14-17 anos, num total aproximado de 90 alunos (30 e 60 respectivamente de cada ano).

O cotidiano dos jovens dentro das redes sociais, segundo foi informado em pesquisa, são intensos e constantes, tornando o Whatsapp o primeiro colocado na lista de consumo desses adolescentes, como forma de comunicação.


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Gráfico de redes sociais mais usadas pelos estudantes

O Segundo lugar da utilização é da rede social Facebook, a qual arrecada 24% dos participantes, sendo seguida de perto pelo Snapchat, Instagram e o YouTube, sendo o último uma plataforma de vídeos e não especificamente um canal de comunicação, porém aonde os jovens se comunicam por comentários nos vídeos visualizados, e compartilham seu conteúdo dentro de outras redes sociais que oferecem o suporte. Em uma conversa informal com diversos alunos, os mesmos afirmaram não terem marcado a Plataforma de vídeos por não a tratar como Rede Social, porém acessam diariamente e constantemente em seu cotidiano. Levando isto em consideração, o YouTube passaria a somar percentuais a mais que o segundo lugar indicado no gráfico. O formulário aplicado possuía 10 questões objetivas, para que os jovens identificassem as redes sociais que mais utilizavam, e como era a rotina de acesso a elas. Apurado os dados, 99% possuem uma rede social a qual acessa incontáveis vezes ao longo do dia e é utilizado para expor informações sobre eventos sociais, momentos que “merecem ser compartilhados”, ou simplesmente costume de informar aos contatos da rede o que a pessoa está fazendo em determinado instante. Quando perguntado qual a maior vantagem em se ter uma rede social, a unanimidade está em duas respostas, a fácil e rápida


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troca de informações, e a possibilidade de criar novas amizades, mesmo que desconhecidas no cotidiano fora da internet. Em relação ao risco, muitos deles não demonstraram qualquer tipo ou receio de uma superexposição e suas respostas retratam somente informações as quais a mídia noticia, como sequestros, pedofilia, divulgação de dados pessoais. Quando indagados em relação ao comportamento dentro das redes sociais, quase nenhum dos voluntários informaram pensar ou estar consciente do impacto que suas publicações podem ter fora da internet. Isso demonstrou uma imaturidade e uma necessidade de se expor para sua rede de contatos, inconsciente de qualquer consequência que possa ocorrer. Isso é comprovado pela pergunta a qual buscava saber se algum dos adolescentes já sofreram algum impacto negativo dentro das redes sociais, ou se conheciam alguém que tenha passado por uma experiência desagradável, mostrado no gráfico a seguir:

Gráfico de impactos negativos

Somados quem já presenciou e quem vivenciou, temos cerca de 89% de pessoas as quais tem conhecimento sobre situações dentro da rede que acabaram trazendo algum malefício fora da rede. Isto porque todos os envolvidos nas perguntas afirmam ou acreditam que as redes sociais influenciam e possam influenciar a opinião de seus usuários.


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Entrevista Debora (Pedagoga)

Após a participação dos alunos, na época, resolvemos conversar um pouco com a coordenadora pedagógica dos mesmos para nos informarmos de casos sobre cyberbullying devido a superexposição. Entramos em contato via e-mail e realizamos uma entrevista sobre Cyberbullying dentro do ambiente escolar e como a Instituição trata (ou deveria tratar) tais casos. Descobrimos que o colégio tem recebido diversas transferências justamente por causa de cyberbullying e os antigos colégios não interferiam no problema destes alunos. A pedagoga ainda nos conta que é papel da escola investigar estes casos e tomar medidas junto à familia, evitando situações críticas que possam prejudicar a saúde destes alunos. E também que, infelizmente, nem todas as escolas estão preparadas para lidar com estes casos, tanto pela falta de preparo e informação, como pela falta de um material adequado para ser trabalhado com os alunos. A entrevista completa encontra-se nos anexos (Anexo I) deste memorial.


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Entrevistas vítimas e colegas

Realizamos também entrevistas, via áudio e gravações em vídeo, com colegas e familiares que concordaram em contar seus causos sobre cyberbullying e que pudessem ser utilizados neste memorial como base de pesquisa. O nome dos entrevistados foram mantidos em sigilo em comum acordo, afim de não os expor. Das cinco entrevistas realizadas, houveram casos em que o cyberbullying afetou as vítimas de maneira a prejudicar sua saúde e seu psicológico de maneira severa. As vítimas relatam semelhantemente o mesmo processo, a paranóia, a baixa-estima, e um estado psicológico bastante abalado devido ao cyberbullying sofrido. Todas as entrevistas encontram-se anexadas neste documento.

Vídeo interativo

Desde o início do projeto, tínhamos em mente que o produto deveria ser em formato audiovisual, tanto pelo nosso envolvimento com o vídeo, como o consumo deste produto pelos jovens. Porém, uma narrativa linear que deixe o usuário somente passivo, não seria uma maneira interessante de trazer diferencial ao projeto ou se afastar de seus semelhantes. Para isso, tivemos a ideia, a partir de referenciais, de criarmos pontos de decisão na qual o usuário pudesse escolher o rumo a qual a história deveria seguir, segundo seu entendimento da narrativa. Em um estudo da Revista Anagrama, Sérgio Ricardo Santos, graduando de Comunicação Social, pontua em seu artigo que entende-se por vídeo interativo o artefato gerado com a finalidade de proporcionar, ao


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chamado espectador/usuário, certa “participação” dentro da narrativa proposta. Santos ainda pontua, que tal tipo de produção demanda conhecimentos que vão além do audiovisual, como por exemplo o conhecimento e aplicação da lógica de raciocínio. Com essa definição, inteiramos que o Vídeo Interativo será o produto/Artefato Digital gerado a partir da associação entre o audiovisual, a linguagem de hipertexto, somados de uma interatividade. Queremos transformar o espectador passivo, ao qual consome o produto sem qualquer tomada de decisões, em um usuário ativo, que tem o poder de tomar decisões pré-determinadas dentro da narrativa, causando uma sensação de domínio sobre o desenrolar da estória, com o objetivo principal de causar empatia e interesse.


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Como todo projeto em design, buscamos inicialmente definir um problema de grande relevância. Através de pesquisa e análise chegamos ao tema superexposição na internet e suas consequências. Porém o tema definido precisou ser reapropriado devido a sua amplitude, mudando para cyberbullying. Após esta etapa, partimos de um Briefing para gerar ideias e analisamos ideias similares do tema para compor a ideia central que trouxesse diferenciação dos similares. Traçamos os objetivos do projeto, e geramos os principais conceitos a serem desenvolvidos, como mostrado nas pesquisas específicas. Sempre utilizando de pesquisa, análise e experimentação para que o produto fosse um artefato coerente. Como o produto definido se trata de um audiovisual, utilizamos de metodologias específicas, como as encontradas no livro Criação de Curta Metragem em Vídeo Digital (Alex Moletta, 2009), das quais planejamos, desenvolvimento do roteiro e cronograma de gravações. Tudo isso adaptado a necessidade de uma história em linguagem de hipertexto que trouxesse pontos aos quais fossem inseridas as interações. E um método fundamental aplicado a esse trabalho foi a prototipação, pois verificamos os pontos que necessitavam de modificações ou serem adaptados para coerência da estética desejada.


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No princípio do projeto, revelou-se pertinente tratar algum tema que envolvessem as tecnologias atuais, a internet e seus meios de comunicação e o impacto que ela causa na vida de seus usuários. E partindo dessa premissa começamos a desenvolver e gerar ideias através das técnicas lecionados durante a graduação de Design Digital. Devido ao contato com jovens e adolescentes, definimos esse grupo como público alvo principal, porém abrangendo o alcance para outro públicos, que será relatado no tópico a seguir. Isso porque, em pesquisas sobre o tema e análise de alguns espaços virtuais, o bullying virtual tem afetado jovens de tal maneira, que muitos acabam chegando ao suicído. Sem contar os danos psicológicos que afetam essas pessoas afetando principalmente seu convívio em sociedade. Tendo definido os usuários a alcançar com o projeto, diversos pontos ficaram eminentes devido as pesquisas anteriores, as quais mostram comportamentos em comum, padrões, ficando evidente um uso exagerado e inconsequente por parte de seus utilizadores. Aproximando a pesquisa do tema anteriormente definido como principal “Superexposição na internet e as consequências na atualidade”. Ao longo deste desenvolvimento, ficou evidente a importância em trazer aos jovens e adolescentes essa discussão sobre seus modos e discussões sobre a exposição exagerada na rede, e possíveis consequências que as ações exercidas poderiam trazer. Comprovado posteriormente pela pesquisa de campo anteriormente citada, ao qual o relato dos jovens expõe a imaturidade da utilização da internet e seus recursos. Porém, ao decorrer do desenvolvimento, evidenciava-se uma abrangência a qual abria inúmeras portas de possibilidades possíveis a serem exploradas. Levando em consideração que a criação da história a ser contada seria em formato de hipertexto (que possibilita diversos caminhos possíveis de ser traçado), o tema mostrou-se complexo, apesar de relevante, e raso caso não focasse em determinado seguimento. Passando, consequentemente, a ter como tema principal “O Cyberbullying e impacto na vida dos envolvidos “. A partir desta definição, o andamento da pesquisa mostrou-se rico, complexo e com profundidade relevante, não afastando-se das premissas primordialmente definidas ao início desta pesquisa.


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Definimos a faixa etária de 14 -18 anos com um público-alvo, mas abrangendo para um público secundário de faixa etária entre 12 - 26 anos devido a padrões de comportamento em comum localizados em ambos.

Painel Semântico sobre o comportamento do público-Alvo

O painel semântico criado, mostra o comportamento comum dos jovens atuais, os quais estão sempre conectados às redes sociais. Sempre noticiando e postando tudo sobre seu cotidiano, utilizando exageradamente de fotos, principalmente quando estão em grupo.


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Como todo projeto, um ponto importante em planejamento trata-se de afastar da fórmula comum encontrado na maior parte dos produtos existente. Devido a gigantesca diversidade de conteúdo criado para a web atualmente, o conteúdo a ser transmitido não pode cair na “mesmice” já existente. Para isso, foram analisados conteúdos audiovisuais pertinente à pesquisa, sejam curtas-metragens, longas metragens ou que tivessem seus temas semelhantes. A maior parte dos longas analisados possuíam elementos comuns, seja na linguagem visual, na linearidade da história, no desenvolvimento do personagem ou no clímax. Como não foram encontrados produtos interativos dentro do cinema, a análise dos filmes limitou-se somente em elementos que causem impacto e identificação nos adolescentes. Em segundo momento, realizamos a análise de curtas-metragens interativos ou jogos interativos similares ao que o projeto visa desenvolver.

Curta-Metragem interativo Projeto Multimidia Lilian


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O projeto multimídia Lílian se tornou uma forte referência devido ao seu desenvolvimento ser feito diretamente dentro do YouTube. Inicialmente o projeto “Deixe_Me” seria realizado com notas de suspense/terror, baseado no clima de mistério e artifícios de câmera subjetiva encontrados no Lílian, porém por melhor adequação do tema ao produto, o Deixe_me passou a ser um curta dramático. O projeto multimídia criado pelos alunos do SENAC não dispõe de muitos diálogos, oferecendo somente pequenas interações simples, as quais redirecionam para outros cenários que podem ajudar a identificar o criminoso envolvido na trama.

Jogo Interativo Choose Your Own Murder

Em relação ao Jogo interativo “Choose Your Own Murder”, utilizado na divulgação da série Scream (releitura do clássico Pânico), o modo com que é apresentado (interação, Identidade visual, e modo narrativo) também serviram como base de desenvolvimento ao projeto. Porém, como se trata de um jogo, e não de um vídeo, alguns pontos como o tempo de transição de telas, a escolha automática de situação ao fim do tempo disponibilizado ao jogador, e também o mesmo desfecho, em cenários diferentes, foram descartados como referencial por não se adequar às necessidades do nosso curta.


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Para o início da construção narrativa, foi preciso desenvolver as características dos personagens inseridos. Como consequência, ficou definido a inserção de 4 personagens fundamentais na trama, sendo uma vítima do cyberbullying, a mãe da vítima, a agressora (cyberbully), e o professor. A escolha de cada personagem se dá pelo nível de envolvimento de cada um em uma situação de Cyberbullying, dentro do ambiente familiar. Mostrando assim, cada um dos personagens de forma real e possível, de acordo com os relatos e entrevistas realizados nas pesquisas iniciais. Com a intenção de torna-los críveis e reconhecíveis na sociedade atual e aproximando mais ainda a todos do produto final. • VÍTIMA (personagem principal) - Assim como todos, gosta de usar as redes sociais: postar fotos, falar sobre seu dia, expor seus sentimentos. Para as pessoas ao seu redor, ela é considerada diferente por não seguir o comportamento “padrão” no grupo social ao qual está inserida. Padrão esse que todas as meninas da sua sala acompanham: uma maneira de se vestir, poses (para fotos) predeterminadas, interesses e conversas em assuntos incomuns. Assim como suas colegas a protagonista também possui seus incontáveis “amigos” online, mas é possível notar uma clara diferença. Um post seu atinge o ápice de 20 curtidas, já as fotos de suas colegas chegam facilmente em 100 ou até mais curtidas. Isso nunca a impediu, ou desmotivou o uso das redes, pelo contrário, quando consegue chegar a um nível de visualização um pouco maior do que o normal, isso a motiva. • AGRESSORA – A agressora é uma menina popular, sai todo final de semana, tem muitos amigos e usa e abusa das redes sociais. Uma menina muitas vezes arrogante, grossa e patricinha, mas nada disso diminui sua popularidade. E a prova disso são os números de suas redes sociais, publicações, selfies e comentários, sempre com altos índices de aprovações. O que para a protagonista é motivo de animação, para suas colegas é motivo de “zuação”. Suas 22 curtidas e fotos despadronizadas são motivos de risadas, piadas e comentários maldosos no grupo da agressora. O padrão que a personagem principal não segue, a agresso-


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ra reproduz inteiramente. Suas roupas, seu modo de se posicionar, suas palavras (legendas de fotos), e até mesmo suas palavras podem ser facilmente confundidas com as de diversas outras meninas na internet. • MÃE - Os pais possuem a maior autoridade sobre os adolescentes (ou deveriam), são pessoas ocupadas com seus empregos e vidas corridas. Sempre buscam o melhor para seus filhos, seus maiores desejos são de que seus filhos sejam felizes, e fazem o que julgam certo para que isso se concretize. Acreditam estar a par de toda a vida de seus filhos, de saber todos os seus passos e de os conhecerem 100%. De maneiras diferentes, procuram sempre manter uma conversa com os adolescentes, sempre tentam orientá-los quanto a assuntos delicados. Não querendo com que eles se sintam invadidos ou superprotegidos. • PROFESSOR - O professor é aquele que está em contato todos os dias com os adolescentes, que possui um papel de importante em suas vidas e representam uma autoridade que não a dos pais. Observa cada aluno individualmente e conhece um pouco da personalidade de cada um dentro de seus grupos sociais, fora do ambiente familiar. Está sempre por dentro dos assuntos que circundam a escola e os alunos. Acaba ouvindo e presenciando momentos de certa relevância entre os adolescentes e, por consequência, acabam enxergando o verdadeiro “eu” desses jovens, que muitas vezes não é notado por um pai ou uma mãe.


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Antes de criar um roteiro técnico para a realização das filmagens, viu-se necessário a criação de um fluxograma, um diagrama com ramificações. Tendo como função ser inserido em pontos estratégicos dentro da história para que haja tomada de decisões e mudança de pontos de vista, que pudessem se tornar interações com a história. A história terá pontos de decisão que possibilitam, por exemplo, o usuário entender o motivo por trás da agressão, conhecendo os motivos que causaram o crime. Com esse pensamento, o planejamento de interações através do fluxograma ajudou a identificar pontos estratégicos (associado ao roteiro) para estas inserções, evitando pontos desnecessários de interação na história.

Fluxograma de ações


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Fluxograma de cenas


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Conforme as imagens acima exemplifica,m todos os pontos estão interligados, ciclicamente, possibilitando o usuário seguir diversas linhas narrativas e oferecendo pontos de vista diferentes, causas ou “porquês”. Explicitando também a necessidade não se tratar de uma narrativa linear, pois dificultaria mais ainda, o fluxo independente das decisões caso houvesse uma linearidade de fluxo.

Antes de começar a produção efetiva do produto, construímos a história principal a ser desenvolvida que parte do ponto o qual a protagonista, em um momento delicado de sua vida, tomará uma decisão que afetará a vida de todos os envolvidos na história. Porém, a personagem volta em seus pensamentos e nos mostra uma visão dos acontecimentos passados, que a levaram a tal situação, passando por diversos caminhos possíveis, os quais levarão (ou não) a um fim trágico. A narrativa ainda mostra pontos de decisão ao qual todos os agredidos do Cyberbullying passam, tornando a história uma espécie de “diário pessoal” que narra todas as etapas enfrentadas. Visando a diversificação de pontos de vista sobre o cyberbullying, decidimos criar na história mudanças de ponto de vista, que irão proporcionar ao usuário experimentar, além da visão de oprimido, a visão de opressor, e também de mediador. Com o objetivo de mostrar as razões, mesmo que frívolas, que estão afetando a vida da jovem protagonista, e também colocar o usuário no lugar de alguém que tem o poder interferir na vida da protagonista, ajudando-o a enfrentar a situação, ou omitindo-se.


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Apesar de planejada, a narrativa ainda se manteve, de certo modo, obscura, pois como o roteiro se trata de um material linear, fica difícil compreender a dinâmica a qual a história irá ser realizada. Mesmo associado ao fluxograma, a visualização do material só se fez possível com a construção de um photoboard, que traz uma explicação visual dos momentos de virada de ponto de vista. Um ponto muito importante a ser explicitado aqui, é que a narrativa, apesar de ficcional, se baseia inteiramente das pesquisas e entrevistas realizadas, fortalecendo ainda mais a premissa de aproximar o público do conteúdo desenvolvido. As ideias expressadas nas falas, em comportamentos, atitudes e decisões a serem tomadas partem da realidade encontrada. Para testar a arquitetura de decisões do curta, foi realizado um protótipo na ferramenta Twinery 2, que possibilitou criar um arquivo HTML com textos interativos. Com este teste, verificamos os possíveis finais narrativos e a ciclicidade criada no fluxograma, confirmando todos os caminhos sem deixar pontos vagos a serem seguidos pelo espectador.


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Neste photoboard, que é um storyboard realizado com fotografias, apresentamos um teste de cena para definir prioridades em cena, aplicando o design para expressar através do vídeo, sensações e ideias principais. Visando a identificação de um drama com notas de suspense logo no início do vídeo, trazendo cenas simples, porém competentes em relatar a dor, sofrimento, paranoias e dúvidas nos personagens. O material possui fotos demonstrativas, que simulam ambientes, enquadramentos de câmera, relação de ângulos, relação dos planos com o ator em cena, expressões faciais, focos e todos os passos para facilitar na gravação das cenas.

Photoboar das cenas


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A representação dos personagens, cenários, não serão os mesmos utilizados nas fotos acima, porém servem como medida ilustrativa para a construção e gravação das cenas finais. Percebemos com este photoboard que alguns enquadramentos anteriormente imaginados precisaram ser adaptados e readequados para expressar melhor o significado da cena. Mesmo assim, haverá a possibilidade de mudanças estéticas em relação aos planos e ângulos descritos, que irão depender das transições e continuações de cena possíveis de visualizar somente nas filmagens.


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Buscamos participantes disponíveis à atuar e interpretar os 4 personagens da trama, mas para isso, procuramos pessoas que já tivessem sofrido cyberbullying, com o objetivo de trazer coerência, já que todos os participantes projeto estão envolvidos com o tema. Parte das gravações aconteceram em Guarapuava e outra parte em Curitiba. Em Guarapuava, as gravações foram gravadas as cenas da protagonista, em aproximadamente 5 dias, seguindo os enquadramentos e cenas dispostas do roteiro e photoboard desenvolvidos. Foi preciso alterar, em alguns momentos, as antigas definições do projeto principalmente pelo espaço do cenário, ou disposição de materiais em cena, o que atrasou as gravações, diferente do planejado. As filmagens residenciais ocorreram na casa dos membros envolvidos ao projeto o que gerou um orçamento baixo para a produção, e praticidade na montagem do cenário. Outro ponto crítico foi a iluminação, a qual resultou em alguns atrasos e contratempos, pois fatores climáticos e também a falta de um aparato técnico adequado atrapalhou o pleno desenvolvimento. Tais problemas citados serão corrigidos (ou amenizados) durante a pós-produção do vídeo. Em Curitiba, as gravações foram realizadas na casa de um dos atores, e na PUCPR. As gravações foram realizadas com equipamentos próprio, não sendo necessário a locação de aparatos técnicos. Utilizamos duas câmeras, Nikon d3100 e Canon 70D, microfone para câmera, lentes 18-55mm e 55-200mm, Tripé para cenas externas, assim como steadycam para a estabilização da imagem em movimento.


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Antes de realizar os cortes e ajustes finais, realizamos as edições de maneira simples, com poucas transições e efeitos, criando assim um protótipo funcional da narrativa desenvolvida. Dentro das edições, muitos pontos precisaram de correção como a fotografia, pois os fatores climáticos acabaram interferindo nas gravações. Vale ressaltar que o objetivo principal do vídeo se trata da narrativa audiovisual adaptada para um conteúdo interativo através da linguagem hipermidiática, não focando exclusivamente para a estética visual do produto.

Para este memorial descritivo, desenvolvemos uma Identidade Visual, baseada em todos os passos, dados e definições criados para o projeto, que visa ser um diário vivido por uma vítima de Cyberbullying. O design desenvolvido para este projeto gráfico, trará como proposta toda textura, e informação idênticas a um caderno, folhas, como no Pôster desenvolvido anteriormente para a sabatina avaliativa, a qual representamos a essência do projeto. A representação gráfica do projeto traz uma forma Clean, minimalista, trazendo somente os elementos importantes como a protagonista, o notebook e o celular, meios os quais estão mais que diretamente ligados a jovens, conforme a imagem inserida nos anexos deste documento.


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Poster do curta-metragem


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Para o projeto, temos em vista que todos os recursos, todos os usos de imagens, precisam ter suas devidas liberações e licenças de uso. A partir disso definimos que todas as trilhas sonoras, todos os efeitos de sons, estão de acordo com as políticas de licença Creative Commons por atribuição. Foram utilizadas políticas de livre distribuição ou distribuição mediante atribuição ao vídeo produzido, criando um vídeo passivel de remixagem e reprodução. Os áudios e trilhas a serem inseridos posteriormente na versão do vídeo também estarão de acordo com as políticas de distribuição de acordo com a plataforma a qual será disponibilizado. Em relação a distribuição, definimos que o YouTube trata-se da plataforma de vídeos com maior visibilidade e acesso por parte do público alvo. Como uma plataforma híbrida e difícil definição, este meio de distribuição associa a criação livre de vídeos, os quais podem ser hospedados sem custos, com a associação a empresas interessadas em anunciar seu conteúdo, gerando lucro aos colaboradores. Com a hospedagem no site, o conteúdo pode ser facilmente incorporado a qualquer outra plataforma web, fácil disseminação via link, acessível de diversos dispositivos (smartphones, tablets, notebooks e outros). A plataforma dispõe de meios que ajudam na interatividade de forma simples, porém efetiva, a qual dá ao usuário a escolha de redirecionamento referente a opção do caminho ao qual será seguido. Dentro da plataforma, existem recursos os quais disponibilizam opções de vídeos que podem ser acessados ao fim do que foi assistido. Desta maneira, as opções que levarão aos caminhos da narrativa serão inseridas e disponibilizadas no fim de cada capítulo visto. Possibilitando ao espectador interagir de maneira simples com o vídeo, seja no celular ou em Smart Tv, cumprindo a premissa prevista neste projeto. O único empecilho fica por conta a versão do software utilizado pelo usuário, porque em versões mais antigas, alguns recursos não estão disponíveis, desabilitando a funcionalidade desejada para o vídeo.


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O maior desafio a ser vencido no projeto foi o cronograma em relação ao tempo de entrega, pois o projeto demonstrou um nível de complexidade elevado. O vídeo interativo ainda trata-se de um tipo de mídia que vem começando a ser desenvolvido, porém, como se trata de algo recente, ainda não se consolidou entre as mídias e os estudos existentes não são conclusivos. No âmbito acadêmico, o artefato digital torna-se mais desconhecido ainda, pois o desenvolvimento do mesmo (principalmente dentro do Design) mostrou-se algo ainda raro. Mesmo com o déficit de referenciais adequados a realidade deste projeto e após muitas experimentações, conseguimos desenvolver um material de qualidade. A interatividade poderia ser melhor explorada e a história ser mais complexa revelando novos caminhos, como prevíamos mas ,devido ao tempo para o desenvolvimento, a escolha por uma narrativa mais enxuta e interação simples tornou-se o caminho mais viável a ser seguido para este projeto.


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Desafios a parte, o projeto mostrou-se viável e coerente com as pesquisas realizadas, como o fato de a maior parte das vítimas do cyberbullying serem meninas, ou o fato da família/escola se omitirem, podendo ocasionar o suicídio dos jovens, estão presentes na pesquisa. O tema é de grande relevância visto o modo expositivo dos jovens na internet e seu aumento exponencial. É visível a necessidade de um material sobre cyberbullying criado inteiramente para jovens que possa ser distribuído de maneira acessível para os mesmos. O projeto possui ainda planos futuros para a criação de uma plataforma própria, um site Web e página promocional abordando o conteúdo, a qual terá maior profundidade sobre o tema. Os planos futuros ainda buscam a otimização da interação, envolvendo um pouco a interface e interatividade presente em jogos, como as referências citadas anteriormente. Como exemplo, o vídeo desenvolvido a princípio conta com um único espectador tomando decisões, a partir de seu computador pessoal, e, como proposta futura, desenvolver o audiovisual com sistema de contagem, visando a exibição em grupos, a qual a contagem definirá o caminho a ser seguido.


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R.: Tenho 54 anos, sou formada em PedaI. Conte um pouco sobre gogia com especialização em psicopedavocê/sua profissão. gogia e mediação em aprendizagem. Iniciei minha carreira como professora de educação infantil, assumindo posteriormente a coordenação pedagógica e direção de colégio no Colégio Martinus e Colégio Positivo. Trabalhei ainda em creche assistencialista e na Prefeitura como professora. Isso soma mais de 30 anos de profissão.

R: Amo trabalhar com adolescentes. II. Como é o seu envolvimento e Consigo estabelecer com eles uma re- trabalho com os adolescentes ? lação amorosa, respeitosa e de respeito. Sou estudiosa sobre a neurociência que explica o funcionamento do cérebro dos adolescentes e isso ajuda muito na relação com eles.

III. Quais os casos de cyberbullying que já viu em ambiente escolar?

R.: Alguns adolescentes possuem certa ingenuidade e outros maldade. Tive o caso de aluna que confiou no menino que gostava e cedeu a sua insistência e enviou nudes a ele, que divulgou aos colegas da turma e a meni-

na ficou exposta. A menina saiu do colégio e o menino recebeu as sanções possíveis, uma vez que aconteceu fora da escola, mas consegui lidar afirmando que veio para dentro dela [Colégio], quando ele compartilhou essas fotos sem a autorização da menina. Já tive caso da mãe processar a família do agressor que cometeu o cyberbullying e ganhou a causa.


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IV. Quais as medidas normalmente tomadas?

R.: Conversa com os envolvidos e suas famílias. E fazemos palestras, bate-papo sobre o assunto, demonstrando a eles que é crime e suas possíveis consequências. Informamos o máximo possível sobre a seriedade e gravidade do assunto.

V. Você já soube de profesR.: Infelizmente, sim. sores, ou instituições que se Recebo anualmente alunos omitiram em tomar qualquer que vem com histórias sérias providencia contra esses casos? de bullying (e Cyberbullying) e que a escola ou os pais se omitiram. Essa semana, em entrevista com um aluno novo, isso se revelou. As consequências são muito sérias, pois alguns entram em depressão séria e grave.

VI. Acha que as escolas estão preparadas para lidar com esses casos?

R.: Nem todas. Algumas estão buscando soluções, mas creio que ainda falta muito. Infelizmente até professores já cometeram insultos e desrespeito a alunos, dentro da internet.

VII. Caso não, o que falR.: Capacitação constante com especialista para ajudar na pretas no assunto para que todos se conscienvenção contra o cybertizem e saibam separar o bullying [e cyberbullying? bullying] de brincadeiras e tratar isso. Quando entra a opressão, xingamento, desrespeito, apelidos inadequados e tantas outras coisas que afetam a autoestima e magoam profundamente, é necessário instrumentalizar o agredido não o deixando permitir a agressão, mesmo que para ser aceito isso seja condição e também tratar do agressor que passa uma mensagem através dessas atitudes e palavras utilizadas. São sinais muito importantes que não devem ser ignorados. A consequência pode até ser suicídio, como temos visto. Quanta dor ignorada e silenciosa!!!


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VIII. Na sua opinião pessoal e profissional, qual o papel da instituição de ensino em situações dessa?

R. : Criar um canal de comunicação com os alunos para que se sintam protegidos. Deixar clara as normas da escola nesse sentido. Valorizar a ética e a verdade, tratando o erro como um processo de aprendizagem que deve ser enfrentado e tratado. Até mesmo os estudiosos, são às vezes ironizados e rotulados como nerds, caxias ou cdf, como se fosse problema ser estudioso e responsável. A escola deve ficar atenta a todo e qualquer sinal, como aluno que falta muito, que adoece, que não quer mais vir ao colégio, que está muito retraído ou agressivo, por isso, a importância de capacitação e diálogo constante com os professores que poderão observar mudanças de comportamento de cada aluno, pois convivem com eles mais de perto. E também os alunos podem procurar um dos professores para pedido de ajuda ou desabafo e não podemos perder essa oportunidade jamais e nem subestimar o sofrimento do adolescentes. Ter a porta da sala da coordenação aberta para acolher sempre que sentirem necessidade. Felizmente com essas ações, temos reduzido bastante os casos que acontecem, pois até mesmo briguinhas entre eles são tratadas na coordenação para que cheguem a um acordo. Com as famílias, nas reuniões com os pais e atendimento individual, isso deve ser conversado e tomada atitudes que eliminem esse mal.


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R. : Eu uso o Facebook, Snapchat, Whatsapp e o Instagram. Quando acordo, entro no Whatsapp primeiro, respondo mensagem se tiver, abro as solicitações do Face, se tiver, e o Insta é muito de vez em quando. O Snapchat eu uso o dia inteiro, junto com o Whatsapp, e o Facebook é de manhã e de noite, não é o dia todo. I. Quais as suas rotinas em redes sociais, e qual mais usa?

Não sei ao certo quantos amigos eu tenho, mas creio que seja uns 1000. Eu adiciono quem eu conheço, ou pessoas próximas, que são amigos de amigos, pessoas sem nenhuma ligação eu não aceito. III. Você realiza postagens com regularidade? Na hora de tirar fotos você utiliza algum critério?

II. Você tem noção de quantos amigos você tem nas redes sociais? E tem algum critério para adicionar pessoas novas?

R.: Eu sou bem chata para foto, então só posto as que eu gosto de verdade, e geralmente quando eu saio. Antigamente eu postava uma foto por semana, hoje em dia posto uma por mês. IV. Em relação as pessoas que

Se for uma pessoa que eu não não seletivas que postam aquelas fotos mais “zuadas”, você gosto, eu comento com as micomenta com as suas amigas, nhas amigas, mas para pessoa ou comenta para a pessoa que publicou? não. A menos que seja minha melhor amiga e eu não gostar [da foto], mas geralmente elas pedem minha opinião antes de postar, então nunca comentei não.


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V. Já viu alguma briga no Facebook por conta de alguma postagem, comentários maldosos nas fotos, ou coisas do tipo?

Que eu me lembre não! Os meus amigos comentam as vezes, xingando, mas não passa de brincadeira entre amigos, mas, “de verdade”, não.

R.: Que eu me lembre, nunca aconteceu isso não.

VII. E você já recebeu comentários ofensivos em postagens, que acabaram te deixando mal?

VI. Você disse que comenta com as suas amigas, das pessoas que você não gosta. Já parou para pensar como a pessoa se sentiria se ouvisse os comentários?

R.: Que eu me lembre, nunca aconteceu isso não.

R.: Caso eu visse isso, ou a pessoa viesse me falar, eu iria sim tentar impedí-las de continuar fazendo isso.

IX. Você soube do caso de meninas sofreramcyberbullying, e suicidaram-se. O que você faria se estivesse no lugar delas?

VIII. Caso você visse suas amigas cometendo cyberbullying, ficaria do lado delas, ou não ?

Olha, eu não conhecia a história dessas meninas. Acho que elas tomaram atitudes bem drásticas mesmo! Eu sei que falar é fácil, mas eu tentaria dar um jeito de resolver, enfrentar o problema, não chegaria a esse ponto não.


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eu uso mais o Whatsapp, Facebook, Snapchat, Twitter... A que eu mais uso é o Whatsapp, eu não demoro para responder, a menos que eu esteja fazendo algo muito importante. Eu vou direto na mensagem normalmente, e as outras redes sociais eu uso diariamente. I. Quais as suas rotinas em redes sociais, e qual mais usa?

Tenho, sempre eu fico olhando isso. Antes eu adicionada qualquer pessoa, mas hoje em dia eu adiciono somente quem eu conheço mesmo.

III. E você sempre posta nas redes sociais, marca aonde você está, comenta fotos, ou você se mantém mais reservada?

II. Você tem noção de quantos amigos você tem nas redes sociais? E tem algum critério para adicionar pessoas novas?

Não (risos), eu estou online quase 24h por dia (risos). Eu estou sempre postando, comentando, e tudo mais.

Então, eu não sou de postar muitas fotos não, mas quando eu posto, eu gosto sim de receber curtidas (risos).

IV. E você gosta de postar fotos, receber curtidas, essas coisas? Você tem algum padrão pra postagem ou se uma foto ficar “mais ou menos” você posta ela mesmo assim?


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V. E o Snapchat como vc usa ele? Vc tem um critério de seleção pras fotos, ou se a foto não ficar boa vc se recusa a postar?

O Snapchat eu uso bastante. Ah, eu não tenho um critério, mas se a foto não ficou boa eu não posto não.

Com foto no facebook não, só quando tem política, essas coisas. Já sim só que mais pelo Whatsapp, pelo grupo.

VII. E você já recebeu comentários ofensivos em postagens, que acabaram te deixando mal?

VI. E você já presenciou no Facebook ou outra rede, brigas ou comentários maldosos em postagens? Ou alguém que teve suas fotos expostas na internet sem essa pessoa querer?

Que eu me lembre, nunca aconteceu isso não.

Comigo não, só se foi pelas minhas costas, mas não fiquei sabendo.

X. Você soube do caso de meninas sofreramcyberbullying, e suicidaram-se. O que você faria se estivesse no lugar delas?

IX. E você já recebeu algum comentário maldoso, que acabou de afetando de alguma forma?

Acho que cada um tem que aguentar com a consequência dos seus atos, se a menina mandou fotos, e acabou vazando ela tem que saber lidar, mas se eu fosse essa pessoa, não sei, eu acho que eu poderia entrar em depressão, mas depende muito da situação.

(risos), acho que sim. Se nós não gostamos da pessoa, comentamos né!.

XI. Ah, e se tem aquela pessoa que posta uma foto que não ficou boa, você comenta com as suas amigas?


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I. Qual a sua idade atual e com quantos anos sofreu cyberbullying?

Eu tenho 19 anos, e sofri CB com 14 anos.

II. Conte-nos um pouco Com 14 anos, eu participava de sobre sua experiência. um grupo de amigos que resolveu fazer algumas brincadeiras comigo, através do ask.fm do Tumblr para mandar mensagens em anônimo. E eu não sabia que eram eles. Eles começaram a tirar sarro, a princípio de coisas pequenas, mas depois chegou a um nível que começou a interferir muito na minha vida, aonde eles começaram a fazer ameaças, “brincando”, mas isso me deixou numa situação muito ruim, porque eu me sentia perseguida, eles falavam que iam ao meu encontro durante a noite, e eu acabava acordando no meio da noite por conta que eu não tirava isso da cabeça. Isso parou quando eu cheguei e contei para eles o que estava acontecendo (não sabendo que eram eles) e falei para coordenadora do meu colégio e ela foi na nossa sala e apresentou o Cyberbullying, falou que a minha situação se enquadrava, e daí eles ficaram com medo né, porque eles descobriram que as pessoas poderiam identificar eles, pelo computador deles. Eu descobri mais tarde que eram eles. Hoje eu não tenho mais contato com eles, e um ano depois eles trocaram de colégio, ao entrar no ensino médio.


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III. E você continuou no colégio ?

Sim, porque isso aconteceu no final do ano, e daí logo depois eles saíram né.

IV. Você contou para a co-

ordenadora do colégio, Contei, mas... (pausa) a minha mas você contou para os mãe não entendeu a realidade da coiseus pais? sa, ela disse que como eram mensagens em anônimo deveria ser brincadeira de colégio sabe, então não sabia a gravidade. E os próprios colegas da turma me falaram para procurar a coordenação. E teve uma hora que eu comecei a desconfiar desses “colegas” (Cyberbullys), porque as brincadeiras que eles faziam batiam com as perguntas, e muitas vezes eu ia na casa de uma amiga eu recebia mensagem dizem que sabia aonde, e com quem eu estava, então eu deduzi que era alguém próximo.

V. Você se sentiu perseguida fora da internet, no seu cotidiano?

Medo

VII. Um recado para quem sofre o Cyberbullying

Ah eu senti, porque alguém me cutucava pra comentar alguma coisa, e eu já ficava toda na defensiva. Antes eu já me sentia assim por sofrer o Bullying mesmo, e o Cyberbullying só agravou isso. E ficou até um tempo depois que eu já tinha descoberto quem era, com essas manias de perseguição.

VI. Um sentimento que defina Cyberbullying?

Buscar ajuda, e saber que o Cyberbullying é uma coisa grande, porque por ser pela internet as pessoas acham que não dá em nada, não vão ser descobertos. E qualquer coisa que você lê, é pior. Porque não sai da sua cabeça, fica ali grudado e não te deixa esquecer.


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I. Qual a sua idade atual e com quantos anos sofreu cyberbullying?

Eu tenho 22 anos, e sofri CB com 21 anos.

II. Conte-nos um pouco R. : Ano passado acabei sosobre sua experiência. frendo um acidente de carro. Não tive culpa nem nada, e chegando em casa me deparei com uma página na internet com o “Morte…” e meu nome e sobrenome e recebi mensagens de ameaças. E a pessoa sabia meu endereço, nome, dados pessoais, aonde estudo, com todos os detalhes. E ameaçando também meus familiares. E mandando mensagem para todos os meus amigos do Facebook, e compartilhando a página. Fui até a Delegacia, fiz um boletim de ocorrência, mas....

III. Qual foi sua reação com a situação?

Ameaça.

Foi pânico, porque eu mais ou menos sabia quem poderia ser, porém não tinha provas concretas, e a pessoa sabia aonde eu morava e tudo mais.

IV. Um sentimento que defina Cyberbullying?


47 V. fora do ambiente virtual, você se sentia perseguida ou ficou com essa sensação ?

Não...

VII. Qual recado você daria para quem sofre Cyberbulying?

Sim, eu não conseguia nem vir para a PUC, ficava achando que tinha alguém me seguindo, não conseguia mais ficar em casa sozinha.

VI. Você se sentiu acolhida quando buscou ajuda?

Cão que late, não morde, se você for ameaçada, não sentir medo porque ninguém vai fazer nada. Então denuncie e não se intimide.


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I. Qual a sua idade atual e com quantos anos sofreu cyberbullying?

Eu tenho 21 anos, e sofri CB com 14 anos.

II. Conte-nos um pouco

Eu tinha duas amigas na 8ª sésobre sua experiência. rie, aquela virada para o ensino médio, então fizemos aquela viajem que acaba ocorrendo. E eu fiquei no mesmo quarto que elas, só que elas corriam demais atrás dos meninos das outras escolas, e eu não queria isso para mim, eu queria ir para a piscina, para curtir o momento com as minhas amigas, mas eu aguentei aquilo na viajem, normal, sem criar nenhuma discussão por conta disso. Quando voltamos eu tive uma conversa com elas que não era aquilo que eu queria para mim, que eu estava buscando outra coisa para mim naquele momento. Naquele momento ficou tudo certo, mas daí começou o Cyberbullying. Na época era o Orkut e o MSN. Elas não se preocuparam em ser anônimas, e a todo momento, elas se reuniam para ficar a tarde inteira enchendo o meu saco, me xingando, ofendendo, comentando minhas fotos, isso até o final do ano. No fim do ano, indo para o ensino médio, uma delas saiu do colégio, mas a outra continuou até fim do 3º ano do Ensino Médio, que foi quando eu me mudei.


49 Eu sentia muito medo, muita vergonha, e que ninguém ia me entender, então, eu não tive muita reação. Eu contei “meio por cima” para a minha mãe, adquiri mania de perseguição, achando que todos estavam rindo de mim a todo momento, que havia alguém me perseguindo. E ao contar isso para minha mãe, ela não entendeu muito bem. Ela inclusive riu, e não deu muita importância, falou que era somente coisa da minha cabeça. E acabei não contando na escola, por medo deles não tomarem qualquer atitude, e eu ficar como a menina que dedurou as outras. E como eu tinha poucos amigos, fiquei com medo de perder os poucos que eu ainda tinha. Eu aguentei quieta e sozinha. III. Com tudo isso, qual foi a sua reação com a situação?

IV. Como você descre Incapacidade. Porque você se veria o Cyberbullying sente incapaz de fugir, incapaz de toem um sentimento? mar uma atitude correta, e eu achava injusto eu ter que sair das redes sociais, sendo que eu não deveria estar sofrendo aquilo, e me isolar de um ambiente aonde, tecnicamente, todo mundo pode se divertir.

VI. Você não se sentiu acolhida ao buscar ajuda, certo?

Não! Quando eu contei para minha mãe, e ela não deu muita importância, eu fiquei com medo de no colégio os professores, orientadores, terem a mesma reação e me ignorarem também, então acabei omitindo para eles também.

Principalmente não ficar calado, igual eu VI. Um sentimento que defina Cyberfiz. Eu guardei aquilo por muito tempo, então fobullying? ram praticamente 4 anos, tempo demais [para ficar calada]. E isso afetou toda minha vida escolar, porque eu não tinha vontade de ir para a escola, não tinha vontade de assistir as aulas, tinha medo de fazer novos amigos. Então a todos que sofrem com isso, busquem ajuda, de verdade, se sua mãe não te ouviu, se na escola não te ouvirem, alguém com certeza te amará o suficiente para te ajudar.


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CENA 1 -INTRODUÇÃO - INT/QUARTO

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(SOM AMBIENTE, QUIETUDE NO QUARTO) (QUARTO ESCURO, MEIA LUZ) Uma luminária pisca uniformemente.​ M ​ enina digita em seu computador. Ao seu lado um frasco de remédio. Do lado do frasco o celular acende e notifica diversas mensagens recebidas. Olhos fixos na tela. VÍTIMA NARRA Instagram, snapchat, twitter, facebook...Seguidores, retweets, likes e curtidas. Precisamos compartilhar, porque queremos ser vistos. Já imaginou as consequências ? Os dedos escrevem no teclado a todo momento. Sua respiração sai rápida e às vezes ofegante de ansiedade. (CUT TO) TELA DO COMPUTADOR Um texto não identificável vai sendo escrito. A menina agitada digita freneticamente. VÍTIMA NARRA É como uma dor que se espalha silenciosamente. No começo você tenta lutar contra, mas como o tempo você prefere ignorá-la, na esperança de que algum dia, todos se esqueçam, e que essa dor finalmente desapareça. A menina termina de escrever. Levanta suas mãos a cabeça e a inclina para frente. Segundos depois vira o rosto em direção ao frasco de remédio ao seu lado. VÍTIMA NARRA Se antes o desejo era ser notado, agora o que você mais quer é ser esquecido... Esse é o meu pedido. A menina encosta-se na cadeira, e seus músculos vão relaxando até ficarem soltos.


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Programa Bullying e Cyberbulling - http://bullyingcyberbullying.com.br/bullying/o-que-e-cyberbullying/ - acesso em 17/10/2016. Apostila para a prevenção do cyberbullying dirigida a adolescentes - Acesso em 17/10/2016 http://www.chegadebullying.com.br/pdf/pt/Basta_CyberbullyingPamphlet.pdf Cyberbullying Research Center – acesso em 17/10/2016 - http://cyberbullying.org/new-national-bullying-cyberbullying-data Cyberbullying: conceito, caracterização e consequências jurídicas - Por Rodrigo Wasem Galia – acesso em 17/10/2016 - http://emporiododireito.com.br/cyberbullying-conceito-caracterizacao-e-consequencias-juridicas-por-rodrigo-wasem-galia/ Lei nº13.185. Presidência da República - Casa Civil– acesso em 17/10/2016 - http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13185.htm Num Piscar de Olhos - A edição de filmes sob a ótica de um mestre - Walter Murch, 2004, Zahar,1ª Edição; O Labirinto da Hipermídia - Arquitetura e Navegação no Ciberespaço , Lucia Leão, 1999, Iluminuras; Story - Substância, Estrutura, Estilo e os Príncipios da Escrita de Roteiro – Robert Mckee, 2006, Arte & Letra Editora; A Estética da Montagem - Vincent Amiel, 2010, Texto & Grafia; Criação de Curta Metragem em Vídeo Digital - Alex Moletta, 2009, Summus Editorial; Projeto Multimídia Lilian - https://www.youtube.com/user/ProjetoLilian - Acesso em 31/10/2016; YouTube e a Revolução Digital - Como o maior fenômeno da cultura participativa transformou a mídia e a sociedade - Jean Burgess e Joshua Green - http://www.editoraaleph.com. br/site/media/catalog/product/f/i/file_32.pdf - Acesso em 31/10/2016; Nascidos Na Era Digital: entendendo a primeira geração de nativos digitais. John Alfrey , Urs Gasser , Artmed, 2011. Os Vídeos Interativos E Suas Modalidades - Sergio Ricardo Santos, Revista Anagrama, Edição 4, 2011. - Http://www.usp.br/anagrama/Santos_VideosInterativos.pdf - acesso em 31/10/2016


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