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Amelogênese imperfeita Relato deSeabra, Caso / B.G.M., Case Report et al

Amelogênese Imperfeita Imperfect Amelogenese Bárbara Gomes de Melo Seabra* , Cláudia Tavares Machado* *, Flávio Roberto Guerra Seabra* ** Luciana Silva Correia* ***, Roberta de Oliveira Lacerda**** *

Mestre em Dentística pela FOB-USP. Professora de dentística da Faculdade de Odontologia – Universidade Potiguar. ** Dra. em Dentística pela UFPC. Professora de dentística da Faculdade de Odontologia – Universidade Potiguar. *** Mestre em Periodontia pela FOB-USP. Doutorando em Patologia Bucal, UFRN. Professor de Periodontia da’ Faculdade de Odontologia – Universidade Potiguar. **** Concluintes do Curso de Odontologia da Universidade Potiguar.

Descritores

Resumo

Estética, distúrbio dental.

Com o avanço da tecnologia na área odontológica e modernização da humanidade, a estética vem sendo prioridade no cotidiano da população que almeja atendimento especializado. O objetivo deste trabalho é apresentar um caso clínico, cujo tema a ser relatado é um distúrbio dental, com envolvimento de esmalte e dentina, denominado como amelogênese imperfeita, utilizando como terapêutica reabilitadora restaurações diretas com resina composta.

Key-words

Abstract

The aesthetics, dental disturbance.

With the progress of the technology in the area dentist and the humanity’s modernization, the aesthetics comes being priority in the daily of the population that longs for specialized attendance. The objective of this work is to present a clinical case, whose theme to be told is a dental disturbance, with enamel involvement and dentina, denominated as imperfect amelogênese, using as therapeutic reabilitadora direct restorations with composed resin.

Correspondência para / Correspondence to: Bárbara Gomes de Melo Seabra Rua Praia dos Coqueiros, 2237 - Ponta Negra - Natal / RN - CEP 59052 150 E Mail: fbseabra@aol.com

Odontologia. Clín.-Científ., Recife, 3 (3): 209-215, set/dez., 2004 www.cro-pe.org.br

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INTRODUÇÃO A amelogênese imperfeita se refere a um grupo de doenças hereditárias de formação do esmalte, com manifestação similar nas duas dentições (MONDELLI, et al., 2001)3. Sabe-se que vários fatores diferentes podem causar tal doença, como: 1- deficiências nutricionais (carência de vitaminas A, C e D); 2- doenças exantemáticas (e. g. sarampo, varicela, escarlatina); 3- sífilis congênita; 4- hipocalcemia; 5- trauma por ocasião do nascimento, prematuridade, eritroblastose fetal; 6- infecção ou traumatismo local; 7- ingestão de substâncias químicas (principalmente fluoreto); 8- causas idiopáticas.7

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De acordo com RUELLAS; SAMPAIO (2000)6, a amelogênese imperfeita pode se apresentar com formas clínicas variadas. A amelogênese imperfeita hipoplásica caracteriza-se por esmalte fino, mas corretamente mineralizado. As formas com hipomaturação e hipocalcificacão são caracterizadas por esmalte macio e insuficientemente mineralizado. Segundo PITHAN; MALMANN; PITHAN (2002)5, este distúrbio pode levar sensibilidade por parte do paciente, à variação de temperatura. O mais evidente dos transtornos causados por este distúrbio é estética deficiente, que pode trazer problemas psicológicos ao paciente.

Figura 1

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Conforme JOHANNES, apud MEDINA, MORO (1997)2, o imenso avanço dentro da Odontologia estética, principalmente nos adesivos dentários, possibilita hoje restaurar a função e a estética até níveis aceitáveis clinicamente. O tratamento e prognóstico são altamente variáveis e referem-se ao grau de envolvimento de esmalte (NEVILLE, et al.)4. Apesar da existência de inúmeros tratamentos, que vão desde as coroas totais (fundidas, metalo-cerâmica, total metálica), até a exodontia de todos os dentes para confecção de próteses totais, o uso de adesivos e resinas compostas para o tratamento da amelogênese imperfeita; parece-nos a terapêutica mais coerente e indicada para este caso (PITHAN; MALMANN; PITHAN)5.

CASO CLÍNICO A paciente S.B.A. procurou o departamento de Dentística da Faculdade de Odontologia da Universidade Potiguar, solicitando resolução da problemática estética e funcional que envolvia seus dentes. Após anamnese criteriosa e exame clínico, observou-se manchas amareladas, com aspecto rugoso e desgaste exacerbado, principalmente nos elementos dentários inferiores anteriores, assim como sensibilidade dentinária e diastemas, gerando constrangimento ao sorrir. (Figura 1). A paciente apresentou-se com bom estado de saúde periodontal e sem atividade de cárie. É importante ressaltar que a análise genético-familiar foi comunicada a existência de lesões semelhantes em seus filhos, concluindo o diagnóstico da mesma, pois tal doença apresenta caráter hereditário. Diante do constatado pode-se diagnosticar o caso como sendo um quadro de amelogênese imperfeita. A paciente do sexo feminino, 35 anos de idade,


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raça branca, apresentou envolvimento dos elementos dentários anteriores, nas arcadas superior e inferior. Optou-se inicialmente pelo tratamento do arco inferior, devido a seu excessivo desgaste, envolvendo superficialmente a dentina, a qual apresentava sensibilidade. Após escolha de cor (Figura 2), realizouse o isolamento absoluto (Figura 3). Foram confeccionadas discretas ranhuras em todas superfícies dos dentes envolvidos, com a ponta diamantada 3195, com posterior bisel em área de esmalte sadio, melhorando retenção e estética, (Figura 4). Após o preparo foi utilizado o ácido fosfórico gel à 37% (Figura 5), 30 segundos em esmalte e 15 segundos em dentina, lavando abundantemente pelo dobro do tempo ao qual o esmalte/dentina foram condicionados e absorvendo o excesso de água com papel filtro, deixando a dentina levemente úmida. Em seqüência, aplicou-se uma camada do sistema adesivo do Single bond de 4ª geração simplificado, aguardando por 10 segundos, aplicandose então uma nova camada do mesmo e fotopolimerizando-a pelo tempo de vinte segundos, realizando uma posterior aplicação da terceira camada, fotopolimerizando-a pelo mesmo tempo, para melhor formação da camada híbrida (Figura 6). Iniciou-se a reanatomização dos elementos com resina composta híbrida Z250 e Z100 de matiz/croma: A3 e A2, de acordo com a necessidade de cor do elemento dentário (Figura 7). Optou-se pela utilização da resina composta híbrida devido à sua propriedade de resistência.

Primeiramente foram restaurados os caninos, seguido dos incisivos laterais e incisivos mediais inferiores. Concluindo-se a arcada inferior (Figura 8), iniciou-se os mesmos procedimentos na arcada superior, havendo, no entanto, a associação de técnica restauradora convencional nos elementos 11 e 21, os quais apresentavam restaurações defeituosas e infiltração marginal (Figura 9). Após 15 dias foi realizada a sessão de acabamento e polimento, onde se utilizou a seqüência de discos soflex de granulação decrescente, pontas diamantadas douradas e pontas siliconizadas (Figura 10). Ao finalizar cada sessão foram feitas recomendações quanto à higienização e dieta para preservação da cor das resinas. Orientou-se quanto à importância da preservação dos remanescentes restaurados com visitas regulares ao dentista e prescrição diária de bochecho com fluoreto de sódio, a 0,05% por um mês, com intuito de reduzir a sensibilidade dentinária nos demais elementos dentários.

DISCUSSÃO Com a comprovada eficácia dos sistemas adesivos para esmalte/dentina, e com o progresso cada vez mais marcantes, obtidos no campo dos polímeros dentários, a restauração de dentes anteriores pode ser realizada de forma mais rápida, conservadora, segura e agradável do ponto de vista estético (BARATIERI; et al)1.

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Figura 10

De acordo com o observado, o tratamento correspondeu às expectativas da paciente. Foi indiretamente feita a redução dos diastemas, assim como houve redução da sensibilidade dentinária. Após conclusão do tratamento, a paciente relatou melhora significante da auto-estima.

CONCLUSÃO

Amelogênese imperfeita: relato de caso clínico. JBO. Jornal Brasileiro de Ortodontia & Ortopedia Facial, Curitiba, V.6, n.31, jan/fev, apud MEDINA 2001. 3- MONDELLI, R.F.L. et al. Etiologia das alterações do esmalte dental. In: MONDELLI, Odontologia estética: fundamentos e aplicações clínicas. São Paulo: Santos, 2001. cap.3, p.13-47.

A amelogênese imperfeita é uma alteração que acomete esmalte e dentina, em uma ou ambas as dentições, acarretando problemas estéticos e sensibilidade, o que pode interferir na auto-estima dos pacientes. A utilização de resina composta na restauração dos elementos dentários envolvidos apresenta-se como uma opção de tratamento fácil, de baixo custo e bons resultados clínicos, permitindo ao paciente o retorno à alegria de sorrir.

4- NEVILLE, D.D.S., et al. Anomalias dos dentes. In: NEVILLE; Patologia oral e maxilofacial. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1995. cap. 2, p.43-92.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

7- Hipoplasia do Esmalte dentário: Amelogênese Imperfeita. Disponível em: <http://www.ufv.br/dbg/ trab2002/OUTRO/DVS001.htm> . Acesso em: 04 de novembro de 2003.

1- BARATIERI, L.N et al. Restauração direta com resina Odontologia composta em dentes anteriores. In: restauradora: fundamentos e possibilidades. São Paulo: Santos, 2001. cap.9, p.305-359.

5- PITHAN, J.C.; MALMANN, A.; PITHAN, S.A.; et al. Amelogênese Imperfeita: revisão de literatura e relato de caso clínico. ABO Nacional, v.x, n.2, abr/mai, 2002. 6- RUELLAS, A.C.; SAMPAIO, R.K. Amelogênese Imperfeita: revisão de literatura. Revista do CROMG, , v.6,n.3, set/dez, 2000.

Recebido para publicação em 14/12/2003 Aceito para publicação em 122/04/2004

2- MEDINA, A.A.JOHANNES, MORO, N.R.N.L.

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