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CLAU

PUBLIC


UDINO

CIDADE


Índice

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Capa

As 15 melhores empresas para trabalhar no Piauí

Páginas Verdes Socorro Cerqueira

Compliance: a nova realidade empresarial

05. Editorial

28. Indústria

08. Páginas Verdes Socorro Cerqueira concede entrevista à jornalista Cláudia Brandão

34. Trainee: um atalho para a liderança

11. Palavra do leitor

48. Noite da premiação 55. Perfis das empresas vencedoras

14. Empregos em alta 22. Uso legal da Cannabis para tratamento médico no Brasil

84. Comércio Piauí

30

Pessoas X robôs

13. Cidadeverde.com Yala Sena 20. Ponto de Vista Elivaldo Barbosa

40. Economia e Negócios Jordana Cury 57. Chão Batido Cineas Santos 79. Tecnologia Marcos Sávio 86. Perfil Péricles Mendel

Articulistas 71

Fonseca Neto

36

COLUNAS

42

90

Tony Batista


foto Manuel Soares

Satisfação no trabalho traz felicidade Trabalhar com o que se gosta e em um ambiente favorável, onde se é estimulado e reconhecido pelo o que produz, é um dos maiores motivos de satisfação na vida de qualquer profissional. O Instituto Great Place to Work, uma empresa internacional de pesquisa que atua em quase 60 países de todos os continentes, realiza anualmente uma pesquisa entre os funcionários das empresas para identificar aquelas que se apresentam como os melhores lugares para se trabalhar. Aqui no Piauí, a pesquisa já vem sendo feita há três anos, em parceria com a Revista Cidade Verde e a ABRH-PI, como forma de estimular e dar visibilidade às boas práticas de gestão que ajudam a formar um ambiente de trabalho no qual as pessoas tenham prazer em exercer sua atividade. As empresas participam de forma espontânea e gratuita da pesquisa e são avaliadas em critérios como: credibilidade, respeito, imparcialidade, orgulho e camaradagem. O resultado é divulgado em uma bonita cerimônia de premiação, momento que os vencedores comemoram os resultados obtidos junto aos seus funcionários. Nesta edição especial, você vai conhecer quais são as 15 melhores empresas para trabalhar no Piauí e o que elas fizeram para conquistar essa posição. Vai ver ainda as fotos com os melhores momentos da festa de premia-

ção, que consagrou as empresas que investem em boas práticas de gestão de recursos humanos. Ainda nesta edição, uma reportagem sobre como a automação está entrando com força total no mercado de trabalho, diminuindo, e até mesmo extinguindo, algumas profissões. Já há até um site que calcula a probabilidade de desaparecimento de determinadas profissões. Com a ameaça da força de trabalho das máquinas, sobressaem-se as profissões que exigem criatividade, poder de decisão e liderança. Em outra reportagem, você vai ficar sabendo tudo sobre compliance. Mais do que uma tendência, uma necessidade nesses tempos de denúncias de propinas apuradas pela Lava Jato. Na prática, significa estar em absoluta sintonia com normas, controles internos e externos para desenvolver um ambiente de negócios dentro da ética, da transparência e da sustentabilidade. A Revista Cidade verde está recheada de informações interessantes sobre o mundo dos negócios e também sobre o uso científico da Cannabis para fins terapêuticos no tratamento de doenças como a epilepsia. Boa leitura! Cláudia Brandão Editora-chefe

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SE D1 CIDADE


Entrevista POR CLÁUDIA BRANDÃO

Socorro Cerqueira

claudiabrandao@cidadeverde.com

A nova realidade do mercado de trabalho Diante de um cenário de imprevisibilidade e incertezas, o mercado vai optar pelos profissionais com maior capacidade de resiliência. Estas e outras conclusões fazem parte da conversa com a presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos-Piauí, Socorro Cerqueira, na entrevista a seguir.

RCV – Qual o desafio atual do líder nesse cenário de crise brasileira? SC – O cenário atual é de incertezas e, quando a gente vivencia uma rea-

lidade como essa por muito tempo, tem reflexos dentro de todas as organizações, sejam elas públicas ou privadas. Cada um dos funcionários e colaboradores que trabalham nesse ambiente é também impactado, passando a apresentar quedas no processo de criatividade e de empatia, com consequência direta na produtividade. Nesse cenário, o líder tem de estimular um ambiente de confiança foto Wilson Filho

O mundo corporativo está mudando a uma velocidade jamais vista. Algumas profissões estão simplesmente desaparecendo, enquanto outras que nem se imaginavam vão surgindo e exigindo um novo comportamento dos colaboradores. Tudo isso misturado a um cenário de crise que torna o mercado ainda mais desafiador.

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com os seus colaboradores, mesmo que o cenário externo seja de incertezas. Nossos líderes precisam olhar para o futuro e construir essa ruptura, porque não dá mais para esperar um ambiente de previsibilidade.

RCV – E como fica o papel do colaborador diante dessa realidade? SC – Eu costumo dizer que o profis-

sional deve ter sempre claro qual é o seu talento. Ele precisa fazer essa viagem interior para tomar a decisão de escolher corretamente em qual empresa esse talento vai ser desenvolvido. Por exemplo, muitos dos postos de trabalho que existem hoje não vão mais existir. O profissional tem que rever algumas crenças e saber exatamente o que ele não quer fazer. O espaço será destinado àqueles que estão preparados e em movimento, buscando o autoconhecimento.

RCV - Pessoas criativas, que têm iniciativa e sabem trabalhar em equipe, têm mais chance de obter boas colocações no mercado de trabalho? SC – Sim. A iniciativa é muito importante. As empresas querem o profissional que tome a dianteira e tenha ação para resolver os problemas, antes mesmo de ser cobrado. Com a rapidez com que as coisas acontecem hoje, os líderes não têm mais condições de ficar fiscalizando o funcionário o tempo inteiro para saber se ele está fazendo ou não o seu trabalho, por isso, ele vai optar por pessoas que tenham valores e que estejam aptas para resolver os problemas que surgirem a partir de uma

Cada dia mais, nós vamos estar nesse ambiente de instabilidade. Por exemplo, muitos dos postos de trabalho que existem hoje não vão mais existir.

Agora, vamos ver como as organizações, e o próprio governo, vão gerir essa reforma.

RCV – O que se pode esperar do profissional que para de estudar depois da graduação, ou mesmo da pós, porque acredita que já está pronto para atuar no mercado? SC – O aprendizado tem de ser permanente para que o profissional se fortaleça no mercado.

iniciativa própria. O líder é quem vai repassar os valores que geram esses comportamentos de iniciativa, de criatividade e de resiliência, que são fundamentais hoje no Brasil.

RCV – Qual o impacto que a Reforma Trabalhista trouxe para as organizações? SC – Nós ainda estamos no proces-

so de compreensão dessa reforma. Inicialmente, como em toda ruptura e novidade, vem a etapa da acomodação. É a fase de compreender que alguém vai ter que ceder para obter alguns benefícios. Ambas as partes vão ter que pensar no coletivo. Nós ainda temos que avançar muito na reforma trabalhista, mas, nesse momento, a gente reconhece que o cenário já estava requerendo algum tipo de intervenção.

RCV – Em sua opinião, a reforma abriu oportunidade para novas vagas no mercado de trabalho? SC – Parte da reforma vem propor

isso: a desburocratização, a facilitação dos processos, a sintonia com outras demandas mundiais e os modelos já existentes fora do Brasil.

RCV – De que forma a automação está mudando a realidade da força de trabalho? SC – Está havendo uma mudança

imensa. A automação já é fato. Só para ilustrar, por conta da diminuição do número de abelhas, já existem máquinas que fazem o papel de polinizar as flores. A verdade é que muitos empregos vão desaparecer e nós teremos muita gente desempregada. As pessoas precisam estar sintonizadas com essas mudanças.

RCV – De que forma, essas pessoas que realizam, hoje, trabalhos manuais poderiam ser reaproveitadas? SC – Essas pessoas devem procurar

se encaixar nos novos empregos que vão surgir, por exemplo, nas áreas de serviço e de tecnologia. Há profissões que nós nem imaginamos hoje e que vão existir no futuro. Por isso, o empregado não pode se prender à crença de que só sabe fazer determinada atividade. Ele precisa estar aberto para realizar novas funções.

RCV – Ainda vai haver espaço para profissionais que estejam

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Os pais têm que entender que é preciso dizer não ao filho, porque o mundo vai dizer não várias vezes para ele.

distantes do mundo digital? SC – Não dá para ir contra a revo-

lução digital. De uma forma ou de outra, nós temos que estar conectados com o mundo digital. Isso é inevitável. O fantástico é que tudo deve estar ancorado na capacidade que o homem tem de realizar, mesmo dentro desse cenário tecnológico. Mais importante do que a tecnologia é o uso que o homem fará dela. É necessário um gerenciamento ético desse conhecimento.

RCV – Como deve ser a comunicação dentro da empresa entre os líderes e seus funcionários? SC – A comunicação é o diferencial

dentro de qualquer organização. Retomando o que eu falei no início da entrevista, para que eu possa gerir um cenário de complexidade eu preciso de confiança e, para isso, o líder precisa se comunicar de forma clara e transparente com seus colaboradores. Recentemente, eu estava lendo uma reportagem sobre a Microsoft que dizia que a empresa está investindo muito em teleconferências. O presidente da empresa faz reuniões pontualmente para transmitir confiança aos seus colaboradores. Só assim, eles poderão arriscar no ambiente dos negócios.

RCV – A senhora falou da necessidade de arriscar. Ousadia é, hoje, fundamental para quem quer se sobressair na sua área de atuação? SC – É preciso arriscar, sim. O que é diferente de “correr risco”. Quem arrisca tem conhecimento. Ele pode até se enganar durante o processo, mas é a oportunidade de repensar

sobre aquele equívoco que leva ao aperfeiçoamento, até atingir o acerto desejado. Por outro lado, se eu ficar parada, eu vou ser dominada ou atropelada pelos acontecimentos.

RCV – O erro, então, pode ser uma oportunidade de crescimento? SC – Sim. É um processo de aprendi-

zagem, até porque tudo depende da forma como você encara a situação. Nosso olhar é fundamental. Ele pode nos permitir crescer ou ficar estagnado. Se eu ficar apático, esperando o que vai acontecer, minha empresa vai falir. Eu tenho que aprender com o que deu errado, em vez de ficar reclamando do erro.

RCV – A experiência profissional passou a ser mais valorizada nesse momento de incerteza? SC – Atualmente, as grandes em-

presas e as multinacionais estão reverenciando esses profissionais que têm mais experiência e conhecimento, por meio da mentoria (tutoria). Há determinadas situações em que só o tempo me prepara para tomar decisões desafiadoras e mais asserti-

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vas. Nesse caso, os profissionais mais jovens têm sessões com esses mentores mais experientes para que as soluções possam andar mais rápido. É o reconhecimento de que quem já viveu muito tem o que ensinar. Nosso país precisa entender isso e começar a reverenciar os mais experientes a partir da nossa família e em todos os ambientes que frequentamos. Se alguém construiu uma história, deve ser respeitado por isso.

RCV – Nós vivemos um paradoxo atualmente, com um mundo que apresenta situações desafiadoras, por um lado, e, por outro, uma geração de jovens mimados e superprotegidos. De que forma esse modelo de criação pode prejudicar o futuro profissional deles? SC – Eles podem ser muito prejudicados no futuro porque será exigido deles uma alta dose de resiliência. Os pais têm que entender que é preciso dizer não ao filho, porque o mundo vai dizer não várias vezes para ele. O jovem vai precisar tomar decisões desafiadoras e elas nem sempre são as mais saborosas. O menino mimado vai ter mais dificuldade de se adaptar à realidade.

RCV – As escolas brasileiras estão preparando alunos para tomar decisões e resolver problemas ou continuam como meras repetidoras de conhecimento? SC – A educação no mundo está sen-

do repensada para se adequar ao novo modelo. Os jovens têm acesso a tudo na palma da mão. Por isso, as escolas têm que ensinar os alunos a pensar e a ter discernimento. Em algumas escolas, até mesmo o layout das salas está sendo modificado para permitir maior interação entre alunos e professores.

Revista Cidade Verde 173  

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