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Teresina


UDINO CIDADE

30 de junho a 30 de julho

NO ESTACIONaMENTO DO TERESINA SHOPPING


Índice Capa

Racionamento atinge 40 municípios do Piauí

08

Páginas Verdes Kássio Gomes

36

72

Atraso de salários não está descartado

Da internet para os livros

COLUNAS

48

08. Páginas Verdes Kássio Gomes concede entrevista à jornalista Cláudia Brandão

30. O que muda com a reforma trabalhista

16. Ponto de Vista Elivaldo Barbosa

42. Recessão produz efeito cascata sobre a construção civil

33. Chão Batido Cineas Santos

15. Palavra do leitor

56. Ameaça à saúde pública

40. Economia e Negócios Jordana Cury

18. Crise provoca fuga de investimentos

64. Alimentos que provocam gastrite

22. Da operação Mãos Limpas à Lava Jato

76. Artesãos do futuro

5. Editorial

80. Banda infantil canta Luiz Gonzaga

28. Indústria

79. Tecnologia Marcos Sávio 82. Playlist Rayldo Pereira 86. Perfil Péricles Mendel

Articulistas 14

Jeane Melo

61

Fonseca Neto

90

Tony Batista


foto Manuel Soares

O racionamento de água agora é oficial A seca no Piauí é tão antiga quanto a origem do estado. Em alguns ciclos, no entanto, ela se agrava, impingindo um sofrimento ainda maior a quem mora no semiárido, que se vê privado da colheita e até mesmo da água para beber. É o que está acontecendo agora no sétimo ano consecutivo de estiagem.

gem sem sofrer os seus efeitos mais dramáticos, como a falta de água. Mas a “indústria da seca” é forte e enraizada. Só ela pode explicar por que até hoje não se desenvolveu um plano definitivo para levar água até as regiões mais castigadas, pondo fim à famigerada operação carro-pipa.

Como não houve chuva com a regularidade e intensidade necessárias para encher os reservatórios de água, em muitos deles o volume está bem abaixo do esperado para esta época do ano. É o caso dos açudes Barreiras, Piaus e Petrônio Portela, que estão com capacidade inferior a 10%. A situação é tão grave que o governador Wellington Dias está decretando o racionamento de água em quarenta municípios. E olha que nós ainda nem chegamos ao segundo semestre, quando a seca costuma se agravar.

O racionamento de água nos municípios piauienses é desolador. Os detalhes estão descritos na reportagem de capa desta edição, assinada pela jornalista Caroline Oliveira.

O sofrimento de viver sem água potável em uma região quente e seca como o semiárido piauiense é imensurável. Além de viverem privados de um bem essencial, os moradores daquela região ainda ficam vulneráveis a vários tipos de doenças, provocadas pelo consumo de água contaminada; às vezes, a única opção existente para matar a sede. O mais triste nessa história é que, sendo um problema tão antigo, já deveria haver uma solução definitiva para que a população pudesse conviver com a estia-

Em outra reportagem especial, o jornalista Zózimo Tavares faz um paralelo entre a Operação Lava Jato, que vem expondo as entranhas da corrupção no Brasil, e a Operação Mãos Limpas, realizada na Itália, que serviu de inspiração para o juiz Sérgio Moro. Uma reflexão importante para entender como a história se repete, mesmo em continentes tão distantes. A Revista Cidade Verde mantém o compromisso de trazer sempre à tona assuntos de interesse do leitor, para que ele possa entender o que se passa à sua volta. Cláudia Brandão Editora-chefe

REVISTA CIDADE VERDE | 11 DE JUNHO, 2017 | 5


HOUS PUBLIC


SE D1 CIDADE


Entrevista POR CLÁUDIA BRANDÃO

Kássio Gomes

claudiabrandao@cidadeverde.com

O Quixote dos Livros foto Roberta Aline

O presidente da Fundação Quixote, professor Kássio Gomes, comemora a realização da 15ª edição do Salão do Livro do Piauí, um sonho partilhado com os apaixonados por leitura, como ele.

Com uma rotina incomum, o professor Kássio Gomes é um homem de muitas atividades e poucas horas de sono. Ele dorme, em média, três horas por dia. O restante do tempo é dividido entre as salas de aula (é professor de Literatura e História da Arte) de Teresina e de Picos. Além disso, é secretário municipal de Educação em Valença, onde fica durante três dias da semana. E, ainda por cima, preside há cinco anos a 8 | 11 DE JUNHO, 2017 | REVISTA CIDADE VERDE

Fundação Quixote, responsável, entre outras coisas, pela realização do Salão do Livro do Piauí. O Salipi é o maior evento cultural do estado e já faz parte do Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras. As madrugadas são reservadas à leitura dos clássicos da literatura. Kássio Gomes é também co-autor de um livro didático para candidatos ao Enem e, agora, se prepara para escrever a biografia do autor piauiense Permínio Asfora.

Em um raro momento de pausa, ele concedeu a seguinte entrevista à Revista Cidade Verde.

RCV - Segundo o IBGE, o Piauí possui 42.778 crianças e adolescentes fora da escola. Como o Salão do Livro do Piauí se sustenta em um cenário como esse? KG – O Salipi vem exatamente para

ser esse diferencial. É um desafio muito grande para o Salão se susten-


tar em uma comunidade que ainda não tem grandes hábitos de leitura. Mas é esse desafio que move a organização do evento para que nós possamos, em um espaço breve de tempo, ter a oportunidade de incluir essas pessoas no cenário da cultura nacional, no mundo dos livros, para que elas despertem cada vez mais o interesse e o gosto pela leitura.

RCV – A ideia de oferecer uma programação voltada para os futuros leitores está trazendo o resultado esperado? KG – Sim, sem dúvida alguma. O

Salipi, ao longo destas quinze edições, conseguiu formar tanto leitores, quanto escritores. Nós já tivemos livros lançados, aqui dentro , de crianças que visitaram o Salão. Eu acho que essa é a política que dá resultados. É o maior investimento que nós temos para o Piauí, porque investe na inteligência das pessoas. Se a gente tiver, ao longo desses anos, multiplicado, pelo menos naquelas crianças que visitaram o Salão, o gosto pela leitura, nós teremos alcançado nossa meta e nosso compromisso inadiável de fazer com que as pessoas saiam do isolamento cultural.

RCV – No seu 15° ano, o Salão do Livro do Piauí já consegue se manter financeiramente? KG – Infelizmente, não. O Salão do Livro ainda é muito dependente do governo do estado e da prefeitura de Teresina, diferentemente das feiras que se espalham pelo país. Eu fiz um levantamento recente e descobri que o Salipi tem o menor orçamento

O Salipi é o maior investimento que nós temos para o Piauí, porque investe na inteligência das pessoas. do Brasil e isso não reflete no tamanho do evento. Não é por termos o menor orçamento do país que nós temos a menor feira. Pelo contrário, nós temos uma das maiores feiras do país. Inclusive, recebi um comunicado recente do ministro da Cultura sobre o Salipi, dizendo que era um evento de grande destaque no cenário nacional e que ele queria fazer uma política voltada para o Nordeste, tendo escolhido o nosso evento para investir, pelos resultados que eles haviam colhido lá no Ministério. Só que tivemos essa turbulência política toda, o ministro terminou pedindo exoneração e isso não se viabilizou. Mas nós sonhávamos que isso pudesse acontecer. Algumas pessoas perguntam: e por que não obter recursos por meio das leis de incentivo à cultura, como a Lei Rouanet? Nós temos uma enorme dificuldade com relação a essa lei . Não é que nós não aprovamos o nosso projeto, nós já aprovamos diversas vezes. Deixamos de inscrever o projeto porque nós não conseguimos captar o dinheiro. Infelizmente, o Piauí não tem um grupo de empresários com volume para atender a Lei Rouanet. Ela ainda é uma lei para atender o Sul e o Su-

deste e aquela parte do Nordeste que é viável economicamente. O empresário só pode dar 4% do lucro real; e 6%, se ele for pessoa física. Então, para pegar um volume de R$ 100 mil, a empresa tem de ter um lucro real de milhões. Isso inviabiliza no caso do Piauí. Sem contar que a Lei Rouanet é abarcada pelos grandes nomes que estão na mídia. Se você pega uma Fernanda Montenegro, por exemplo, ela tem um poder de mobilização muito maior do que nós para captar recursos.

RCV – Quer dizer que o fato de o Salipi ter entrado para o Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras não se traduziu em aporte de recursos para o evento? KG – Absolutamente, nenhum. Até

o momento, nós não conseguimos chegar com nenhum volume de investimentos direto do Ministério da Cultura, por exemplo, para essa ação aqui no Piauí. O volume de recursos financeiros ainda não chegou ao Salipi. Eu creio que nós ainda não conseguimos, ao longo desses últimos três anos, ter nenhum recurso em nível federal do Ministério da Cultura aplicado diretamente no estado.

RCV – Como o livro vem disputando espaço com as mídias digitais? KG – Eu costumo dizer que ele vem

se harmonizando com essas mídias. Na verdade, não há uma disputa direta, pelo contrário, o que nós temos é uma possibilidade a mais de leitura. Inclusive, o Salão do Livro, este ano, apostou na conectividade. REVISTA CIDADE VERDE | 11 DE JUNHO, 2017 | 9


O nosso objetivo maior é fazer com que as pessoas leiam, independente de o livro ser físico ou digital. De modo que é intenção da Fundação Quixote, e isso depende muito do volume financeiro que a gente possa captar para os anos posteriores, criar concursos tanto para o livro digital como para o livro físico. A ideia é que em um ano o Salipi ofereça um concurso de contos, para ser lançado no Bate-Papo Literário do ano seguinte; no outro, o concurso contemple o romance, a crônica e, assim, sucessivamente, contemplamos todos os gêneros literários.

RCV – Fala-se que o e-book vai acabar com o livro físico. O senhor acredita nisso? KG – Não acredito. Eu acho que isso

já foi provado por diversas pessoas, inclusive por diversos intelectuais, mesmo aqueles que são adeptos da internet, como Mark Zuckerberg (um dos fundadores do Facebook) e o Bill Gates, todos eles são fascinados pelo livro físico. Em nenhum momento eles deixam o livro físico de lado e eu acho que a ferramenta tecnológica apenas amplia a possibilidade de leitura, mas não limita. Ela não transfere a responsabilidade apenas para o livro digital. Eu não acredito que nos próximos mil anos nós consigamos destruir o livro de papel.

RCV – As escolas de Teresina estão estimulando as crianças a frequentarem o Salipi? KG – Graças a Deus, sim. Eu creio

que, se não fossem as escolas, as famílias — o Salão do Livro é um salão para a família — nós não teríamos 10 | 11 DE JUNHO, 2017 | REVISTA CIDADE VERDE

Eu não acredito que nos próximos mil anos nós consigamos destruir o livro de papel.

atingido o sucesso absoluto que nós atingimos ao longo dessas quinze edições. Eu costumo sempre frisar isso: o Salipi não é feito pela Fundação Quixote, pela Universidade Federal do Piauí, pelo governo do estado ou pela prefeitura, mas pelo povo do Piauí, que tomou de conta do Salão e disse a que veio. Essa é a movimentação que nós percebemos hoje, com muitos alunos sentados no auditório, no Bate-Papo Literário, circulando pelos espaços, isso tudo garante a sobrevivência do Salão. É claro que, sem o recurso financeiro, em o aparato necessário para dar o oxigênio que permite que nós possamos trazer grandes nomes e investir nessa possibilidade de interação entre escritor e leitor, nós não conseguiríamos fazer o Salipi. Isso faz com que nós nos animemos cada vez mais. Ver a criança chegar aqui, sonhar com o livro, comprar o livro, isso move o espírito dos “quixotes”.

RCV – Qual a importância de ler para uma criança em casa? KG – É fundamental. A leitura não precisa ser apenas transmitida pelo pedido para que o filho leia. É preciso ler para ele também. Eu sempre

digo isso para meus alunos: nós ensinamos muito mais pelo que fazemos do que pelo que dizemos. É importante ler para a criança, viajar no mundo infantil. Você pegar um livro de estorinhas e começar a contá-las, e depois pedir para a criança recontá-las para os coleguinhas ou mesmo para a mãe, transporta a criança para o universo da leitura e, em pouco tempo, nós teremos uma geração de leitores mais sofisticada, digamos assim, porque não vai esperar que ninguém diga. Ela vai tomar esse gosto por si só.

RCV – Quais os benefícios adquiridos para quem toma a leitura como hábito ? KG – A pessoa que lê regularmente

tem a vantagem de ter um diferencial rumo ao conhecimento. Quando você se torna um leitor, você se torna independente, seja financeira ou intelectualmente. O leitor voraz passa a ter um juízo crítico mais apurado, a ter mais condições de participar de um debate de forma eficaz e, mais que isso, ele torna-se uma referência dentro da sociedade, no seu estado e no seu país. Ele se permite ser um exemplo.

RCV – Os livros de auto-ajuda são bombardeados pelos críticos. Na sua opinião, eles abrem as portas para o universo da leitura ou afastam os leitores da boa literatura ou da literatura clássica? KG – Nós não podemos colocar isso em choque. Assim como o livro digital não vai substituir o livro de papel, a leitura dos grandes clássicos não vai ficar de lado se o leitor começa pela auto-ajuda, pela subliteratura

Revista Cidade Verde 165  
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