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DIA DO AUTOR PORTUGUÊS ANTOLOGIA DE POEMAS E ILUSTRAÇÕES


NOTA PRÉVIA

Para celebrar o Dia do Autor Português, a equipa PROL preparou-vos uma pequena antologia. O mote para as escolhas dos poemas foi dado pelas palavras-chave de "Canto Moço", a canção de José Afonso. Acrescentámos depois ilustrações sugestivas. Tentámos pensar em poemas e em ilustrações que usámos nas nossas sessões do PROL ao longo dos anos, autores antigos e recentes, alguns muito famosos, outros menos; incluímos textos populares e simples e textos longos e complexos. Quisemos que entre textos e entre textos e ilustrações houvesse ligações, mas que todas fossem diferentes e que pudessem dar pistas ou levar-nos por caminhos para outras descobertas. Por isso também decidimos incluir umas sugestões, que são ideias para brincar e partilhar mais um bocadinho em família, com os amigos, com os educadores e connosco. Uma antologia pequena para celebrar um dia, mas com grande dedicação, uma enorme saudade e a esperança de a lermos juntos.

A equipa PROL

COMPILAÇÃO DE POEMAS E ILUSTRAÇÕES Paula Pina e Ana Isabel Gonçalves PAGINAÇÃO Raquel Salgueiro CAPA André Diniz Moraes

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CANTO MOÇO

Somos filhos da madrugada Pelas praias do mar nos vamos À procura de quem nos traga Verde oliva de flor no ramo Navegamos de vaga em vaga Não soubemos de dor nem mágoa Pelas praias do mar nos vamos À procura da manhã clara

Ilustração 1 - André Diniz Moraes

Lá do cimo de uma montanha Acendemos uma fogueira Para não se apagar a chama Que dá vida na noite inteira Mensageira pomba chamada Companheira da madrugada Quando a noite vier que venha Lá do cimo de uma montanha

Ilustração 2 - André Diniz Moraes

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Onde o vento cortou amarras Largaremos pela noite fora Onde há sempre uma boa estrela Noite e dia ao romper da aurora Vira a proa minha galera Que a vitória já não espera Fresca brisa, moira encantada Vira a proa da minha barca José Afonso, álbum "Traz outro amigo também", 1970

Ilustração 3 - André Diniz Moraes

SUGESTÕES a) No vídeo e na canção “Canto Moço” estão representados os quatro elementos da natureza - Terra, Água, Ar e Fogo. Conseguem identificá-los? b) São várias as palavras que aqui estão, que nos agradam e que nos inspiram. Escolham uma palavra de que gostem mais. Podem depois tentar ver como se escreve (peçam ajuda a um adulto) e copiar as letras para uma folha de papel e/ou ilustrar com desenhos essa palavra favorita. Partilhem o resultado com a equipa do jardim-de-infância. Quais terão sido as palavras favoritas dos vossos amigos? Quantos amigos da sala terão gostado também da palavra que escolheram?

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NO TEU ROSTO COMEÇA A MADRUGADA No teu rosto começa a madrugada. Luz abrindo, de rosa em rosa, transparente e molhada. Melodia distante mas segura, irrompendo da terra, quente, redonda, madura. Mar imenso, praia deserta, horizontal e calma. Sabor agreste. Rosto da minha alma. Eugénio de Andrade

Ilustração 4 - Ana Ventura

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SUGESTÕES a) Fechem os olhos e toquem no vosso rosto. Usem os vossos sentidos! Podem sentir zonas mais moles e outras mais duras, onde se encontram ossos. Sentem alguma zona mais quente, ou mais fria? Molhada ou redonda?

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b)

Observem as fotografias destas crianças? O que estarão elas a fazer?

c)

Querem experimentar? É fácil: basta colar num espelho uma folha de acetato ou uma parte de embalagem transparente para reciclagem – podem usar bostik, patafix, ou fita-cola para fixar a folha. Depois, com lápis de cera, caneta de acetato, ou até batom, desenhem o vosso rosto. Também podem desenhar diretamente sobre o espelho e, no final, fotografar. Não se esqueçam que no final têm que limpar o espelho!


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MAR I De todos os cantos do mundo Amo com um amor mais forte e mais profundo Aquela praia extasiada e nua, Onde me uni ao mar, ao vento e à lua. Sophia de Mello Breyner Andresen

Ilustração 5 - Marta Monteiro

SUGESTÕES Arranjem um lençol, uma toalha ou uma manta, com as cores do mar. Escolham uma música calma (como Clair de Lune, de Claude Debussy). Deitem-se sobre esse mar e nadem. Se se sentirem cansados, flutuem apenas, de barriga para cima. Fechem os olhos e sintam como o corpo fica ora pesado, ora leve, ora pesado, ora leve...Sentem o calorzinho do sol, o arrepio do frio da lua? Ouvem o vento a assobiar?

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O CASTELO DE AREIA

Ilustração 6 – Ana Biscaia

Ilustração 7 – Bernardo Carvalho

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Fiz um castelo de areia Mesmo à beirinha do mar À espera que uma sereia Ali quisesse morar. Ó mar, Ó mar... Mas foi só um caranguejo Que ali me foi visitar. Ó mar, Ó mar... Mas foi só uma gaivota Que ali me foi visitar. Ó mar, Ó mar... Mas foi uma verde onda Que ali me foi visitar E levou o meu castelo, O meu castelo de areia Para no mar morar nele A minha linda sereia. Luísa Ducla Soares

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Ilustração 8- Fernanda Fragateiro

SUGESTÕES Que outras criaturas poderiam visitar o vosso castelo de areia? Um golfinho, uma estrelado-mar, um peixinho, um búzio, umas algas… Mais? Já são demais? Conseguem recordar os visitantes que foram dizendo, pela mesma ordem? Vejamos: o primeiro visitante foi o...caranguejo; a segunda visita foi…? E a terceira…?

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CANTIGA DAS FLORES DO MONTE

Ilustração 9 - Leonor Violeta

Ai flores do cimo do monte, que vedes por hi além! Dizei-me se sabeis novas, novas, novas do meu bem? Ai flores do monte florido, que vedes tudo em redor! Dizei-me se sabeis novas, as novas do meu amor? (...) “Teu amor, teu bem, menina, anda nas águas do mar, e não se passa um instante que não te esteja a lembrar. (...) Nós vemo-lo, o teu benzinho, nas ondas, verdes vaivens; mas só se lhe vê o corpo, que a sua alma, tu a tens.”

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Ó flores do cimo do monte que por hi além olhais: ai que Deus vos pague, flores, estas novas me dais! Afonso Lopes Vieira

Ilustração 10 - Leonor Violeta

SUGESTÕES Gostam do poema? Algumas palavras soam-vos estranhas porque foi escrito há mais de cem anos e naquela altura falava-se e escrevia-se de maneira diferente. Parece-vos original? Afonso Lopes Vieira (1878-1946) inspirou-se no aroma das flores, mas também na poesia de um outro autor. Um rei... Espreitem o poema que vem a seguir.

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AI FLORES, AI FLORES DE VERDE PINO

Ilustração 11 - Joana Estrela

- Ai, flores, ai, flores do verde pino, se sabedes novas do meu amigo? Ai, Deus, e u é? Ai, flores, ai, flores do verde ramo, se sabedes novas do meu amado? Ai, Deus, e u é? Se sabedes novas do meu amigo, aquel que mentiu do que pôs comigo? Ai, Deus, e u é? Se sabedes novas do meu amado, aquel que mentiu do que mi à jurado? Ai, Deus, e u é? - Vós me preguntades polo vosso amigo? E eu ben vos digo que é sano e vivo. Ai, Deus, e u é? Vós me preguntades polo vosso amado? E eu ben vos digo que é vivo e sano. Ai, Deus, e u é?

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E eu ben vos digo que é sano e vivo e seerá vosco ante o prazo saido. Ai, Deus, e u é? E eu ben vos digo que é vivo e sano e seerá vosco ante o prazo passado. Ai, Deus, e u é? D. Dinis, Rei de Portugal (9 Out 1261 - 7 Jan 1325. Rei Trovador/O Lavrador)

Glossário: v. 1 - pino: pinheiro. v. 3 – u é: onde está? v. 8 - do que pôs comigo: sobre aquilo que combinou comigo. v. 14 - sano: saudável, são. v. 20 - seera vosc’ant’o prazo saído: estará convosco antes de terminar o prazo.

SUGESTÕES Esta é uma cantiga de amigo, escrita por um Rei de Portugal chamado D. Dinis, há muito e muito tempo atrás. Já sentiram muitas saudades de alguém ou de alguma coisa de que gostam mesmo muito? Será que nesta cantiga as flores respondem às perguntas? Tens notícias do meu amigo? Será que ele está bem e vai voltar? Será que ele me mentiu e não vai aparecer como prometeu? (A nossa impressão é que as flores de verde pinho sabem muitas coisas ...e que sim, tudo vai ficar bem!) Vejam esta iluminura:

Ilustração 12 – Iluminura do Codex Manesse

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OLIVEIRINHA DA SERRA

Ilustração 13 - Cristina Valadas

Oliveirinha da serra, o vento leva a flor! Oliveirinha da serra, o vento leva a flor! Ó ió ai, só a mim, ninguém me leva! Ó ió ai, para o pé do meu amor! Ó ió ai, só a mim, ninguém me leva! Ó ió ai, para o pé do meu amor! Oliveirinha da serra, o vento leva a ramada! Ó ió ai, só a mim, ninguém me leva! Ó ió ai, para o pé da minha amada! Canção tradicional portuguesa

SUGESTÕES Hum! Este poema… é uma canção! Aposto que sabem cantá-la. Procurem em casa utensílios que possam servir de instrumentos de percussão. Por exemplo: uma garrafa de água de plástico, que possam reciclar, pode ser um reco-reco ou fazer assobio de vento; com dois recipientes de plástico conseguem-se umas congas; duas colheres de pau parecem mesmo clavas. Agora cantem e toquem “Oliveirinha da serra”! Podem escutar a voz única da fadista Amália Rodrigues a cantar aqui: https://www.youtube.com/watch?v=gUuwsdSlIwQ

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VEM O VENTO

Ilustração 14 - Ivone Ralha

Volta e meia vem o vento varrer tudo, vassourar. Vai-te, vento, diz a velha com o véu a voltejar.

Viva o vento diz a erva Verde, verde de verdade. Viva o vento, diz a vela. Volte, volte, não se atarde.

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Ilustração 15 - Ivone Ralha

Venha o vento diz a Vanda, com o vestido por secar. Vai-te vento, diz a Vânia, com a saia a levantar.

Venha o vento, diz o Vítor alteando o papagaio. Vai-te vento, diz a uva na videira, senão caio. Mas o vento

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não os ouve. Vai e vem, não faz vontades. Corre o mundo, Aqui, além sobre os campos as cidades. É o vento sem maldade tão contente de ser vento pensamento sentimento em movimento. Liberdade. António Torrado

Ilustração 16 - Ivone Ralha

SUGESTÕES

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Qual é o som que aparece mais vezes? Em que palavras está? Só aparecem palavras que têm o som /V/? Conseguem imitar o ruído que faz o vento com outros sons? Por exemplo: /F/; /S/; /Ch/ Mas cuidado, segurem-se bem, não vá o vento levar-vos pelos ares também!

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PELO MONTE ABAIXO

Ilustração 17 - Madalena Matoso

Pelo monte abaixo saltita o coelho, com uma mão no olho e outra no joelho. Pelo monte acima vai aquela ovelha, com uma mão nas costas e outra na orelha. Pelo rio abaixo vai um aprendiz, com uma mão na nuca e outra no nariz. Pelo rio acima vai uma donzela, com uma mão na anca e outra na canela. Pela praia fora vai o meu amigo, com uma mão no rosto e outra no umbigo. Pelo mar adentro vai a minha amiga, com uma mão na coxa e outra na barriga. Ana Isabel Gonçalves, a partir de um texto tradicional português - Antologia PROL

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SUGESTÕES Acham que este poema podia ser acompanhado por gestos? Experimentem e divirtamse! Comparem agora as Montanhas de Madalena Matoso, com esta paisagem da ilustração de Yara Kono. Há semelhanças? Há diferenças? Chegou a vossa vez de inventar. Olhem bem para a paisagem. Pelo monte abaixo, quem pode ir? O cão? A fazer o quê? E pelo rio abaixo, quem nada?

Ilustração 68 - Yara Kono

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AS PEDRAS

Ilustração 19 - Nic e Inês

As pedras falam? Pois falam mas não à nossa maneira, que todas as coisas sabem uma história que não calam. Debaixo dos nossos pés ou dentro da nossa mão o que pensarão de nós? O que de nós pensarão? As pedras cantam nos lagos choram no meio da rua tremem de frio e de medo quando a noite é fria e escura. Riem nos muros ao sol, no fundo do mar se esquecem. Umas partem como aves e nem mais tarde regressam.

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Brilham quando a chuva cai. Vestem-se de musgo verde em casa velha ou em fonte que saiba matar a sede. Foi de duas pedras duras que a faísca rebentou: uma germinou em flor e a outra nos céus voou. As pedras falam? Pois falam. Só as entende quem quer, que todas as coisas têm uma coisa para dizer. Maria Alberta Menéres

Ilustração 20 - Sérgio Condeço

SUGESTÕES Têm alguma pedra em casa? Imaginem que essa pedra encontra uma pedra preciosa. Ou imaginem uma pedrinha da praia e uma pedra da calçada de Lisboa. O que dirão uma à outra? Conseguirão ser amigas?

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O BERLINDE

Ilustração 21 - Ana Afonso

Era uma vez uma pomba Sem um ninho, sem um pombal, Era branca como a Lua E os seus olhos de cristal. Era uma vez uma pomba Que não sabia chorar: O seu choro trrru… trrru… Era um modo de cantar. Era uma vez uma pomba Que noite e dia voava: Fosse noite, fosse dia, Nunca a pomba descansava. Era uma vez uma pomba Que nos céus, longe, voava, Seu coração um berlinde Grande segredo guardava.

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Era uma pomba tão estranha Que voava noite e dia: Quanto mais alto voava Mais da terra ela se via. Era uma vez uma pomba Com penas de seda real: Era uma pomba do Mundo Com seus olhos de cristal. Seu coração um berlinde De vidros de sete cores, Que do sol tinha o brilhar, Um espelhinho de mil flores. Um dia longe nos céus, Viu um menino a chorar Sentadinho sobre um monte, Numa noite de nevar. Não era branco nem negro Assim na neve o menino, Seu chorar era triste, Tornava-o mais pequenino. E a pomba logo o viu Com seus olhos de cristal: Logo desceu para o monte – Era aquele o seu pombal. Poisou nas mãos do menino Com seu corpo, seu calor: Mãos por debaixo da neve, Ninguém lhes sabia a cor. Dorme, dorme, meu menino… Branco ou negro tanto faz: Meu coração é um berlinde, Tem o segredo da Paz. E o menino já ria, Podia dormir sem medo, Sonhava com o berlinde, Coração feito brinquedo. Há quem diga que uma estrela Fugiu do céu a correr, Atravessou todo o mundo Para o segredo dizer.

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Escutaram-na os meninos, Têm um berlinde na mão: Seja noite de Natal, Seja noite de S. João. Matilde Rosa Araújo

Ilustração 72 - Afonso Cruz

SUGESTÕES A pomba precisa de uma casa para os seus filhotes. Procurem materiais para construir um ninho confortável para a pomba: algodão, penas, folhas… E como fariam um ninho, confortável e fofinho, para vocês aí em casa? Com almofadas? Com uma mantinha e um peluche? Nesse ninho, muito bem resguardado num cantinho da casa, podem guardar os vossos segredos. E podem descansar, bem enroscadinhos… de olhos fechados… em paz. Bons sonhos!

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BRINQUEDO

Ilustração 23- Sarah Affonso

Foi um sonho que eu tive: Era uma grande estrela de papel, Um cordel E um menino de bibe O menino tinha lançado a estrela Com ar de quem semeia uma ilusão E a estrela ia subindo, azul e amarela, Presa pelo cordel à sua mão. Mas tão alto subiu Que deixou de ser estrela de papel. E o menino, ao vê-la assim, sorriu E cortou-lhe o cordel. Miguel Torga

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SUGESTÕES Reparem nesta ilustração. Parece um desenho inacabado. E se o completassem? De um lado, o menino. Do outro, o seu brinquedo. O que será? Um papagaio de papel, um pião, uma corda de saltar?

Ilustração 24 - Ricardo Jorge

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RECEITA PARA FAZER UMA ESTRELA

Ilustração 25- Teresa Lima

Primeiro misturam-se os ingredientes com redobrados cuidados: hidrogénio e hélio e alguns metais pesados Vai-se acrescentando massa (é como se fizesses pão) até que chega um momento em que esta entra em combustão e começa a brilhar E está a estrela pronta a usar Jorge Sousa Braga

SUGESTÕES Agora já sabem como se faz uma estrela. Afinal, até é fácil. E porque não uma receita para fazer um uma lua, uma árvore, um pássaro, ou um vulcão? De que ingredientes precisamos? Como os devemos juntar?

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Ilustração 26 - Susa Monteiro

Escrevam e/ou desenhem a vossa receita em família e partilhem-na com o/a vosso/a educador/a.

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NOITE

Ilustração 27 - Fatinha Ramos

Quando o sol tem medo do escuro acende as estrelas. Francisco Duarte Mangas e João Pedro Mésseder

SUGESTÕES Muitas pessoas, pequenas e crescidas, têm medo do escuro. Algum de vós tem medo do escuro? O que fazem quando chega a noite e ficam com medo? Chamam pelos pais? Agarram num peluche? Deixam uma luzinha acesa? Será que quem nos ajuda a perder o medo pode ser uma estrela?

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A CASA

Ilustração 28 - Maria Keil

Da casa via-se o mar. A casa tinha um jardim. Era casa de morar ou era só de sonhar assim estar dentro de um jardim de janelas para o mar? Se era casa de morar ou se era só de pensar certo é que tinha mar certo é que tinha jardim. Casa, deixa-me lembrar que és mesmo de se morar. Que és verdade. Que és assim. A casa de se sonhar. Mário Castrim

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Ilustração 29 - Maria Keil

SUGESTÕES O que veem da vossa janela? O que gostariam de ver da vossa janela? E reparem nas ilustrações. São alegres ou tristes? O que pensam aqueles meninos que vemos dentro da casa? E com o que sonha o menino que dorme?

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BARCA BELA

Ilustração 30 - Paulo Galindro

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Pescador da barca bela, Onde vais pescar com ela, Que é tão bela, Oh pescador? Não vês que a última estrela No céu nublado se vela? Colhe a vela, Oh pescador! Deita o lanço com cautela, Que a sereia canta bela... Mas cautela, Oh pescador! Não se enrede a rede nela, Que perdido é remo e vela Só de vê-la, Oh pescador! Pescador da barca bela, Inda é tempo, foge dela, Foge dela, Oh pescador! Almeida Garrett

SUGESTÕES a)

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Observa bem a ilustração. Que coisas se confundem? A barba do pescador e as ondas? O barco e a roupa? O nascer do sol e o lume do cachimbo? O céu e o mar? Onde está a sereia?


Ilustração 31 - Paulo Galindro

b)

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Que mensagem estará dentro desta garrafa? Desenha e/ou escreve tu uma mensagem e guarda-a dentro uma garrafa de plástico para reciclagem. Podes depois escondê-la e desafiar a tua família a ir procurá-la e a decifrar o que poderá estar escrito ou desenhado.


MISTÉRIOS DA ESCRITA

Ilustração 32 - João Caetano

Escrevi a palavra flor. Um girassol nasceu no deserto de papel. Era um girassol Como é um girassol. Endireitou o caule, sacudiu as pétalas e perfumou o ar. Voltou a cabeça à procura de sol e deixou cair dois grãos de pólen sobre a mesa. Depois cresceu até ficar com a ponta de pétala fora da Natureza. Álvaro Magalhães

SUGESTÕES Por que será que o girassol segue o sol? Mistério! Há, de certeza, uma explicação natural. Sabem qual é?

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Ilustração 33 - Rachel Caiano

SUGESTÕES FINAIS Agora que chegámos ao fim, que tal voltarmos ao início, desta vez com as vossas escolhas e ilustrações? Conhecem alguma canção ou poema de autores portugueses de que gostem? Peçam ajuda para a escrever e ilustrem o texto. A vossa avó sabe umas quadras? A vossa mãe conhece canções de embalar? A mana, lengalengas? O mano, destrava-línguas? O vosso pai conta anedotas divertidas? O vosso avô, adivinhas rimadas? Peçam-lhes para escrever e façam vocês os desenhos! Pensando bem, todos somos ou podemos ser autores! Partilhem e enviem-nos os vossos livros!

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Ilustração 34 - André Letria

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E OUTRAS FONTES POR ÍNDICE DE POEMAS: 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17.

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José Afonso, Traz outro amigo também (Álbum musical), Orfeu, 1970. Eugénio de Andrade, Os amantes sem dinheiro, Porto: Limiar, 1980. Sophia de Mello Breyner Andresen, Poesia, Lisboa: Assírio & Alvim, 2019. Luísa Ducla Soares, O planeta azul, Porto: Porto Editora, 2019. Afonso Lopes Vieira, Canções do vento e do sol, Parceria A. M. Pereira Lda., 1967. D. Dinis, Cancioneiro d’el Rei D. Dinis (Antologia), Álvaro Júlio Costa Pimpão (org.) Lisboa: Atlântida, 1960. Canção tradicional portuguesa (transcrição) e LP Amália Canta Portugal II, Amália Rodrigues, 1971. António Torrado, À Esquina da Rima Buzina, Lisboa: Caminho, 2006. Ana Isabel Gonçalves, a partir de texto tradicional português - Antologia PROL Maria Alberta Menéres, Conversas com versos, Porto: Porto Editora, 2014. Matilde Rosa Araújo, Mistérios, Lisboa: Livros Horizonte, 1988. Miguel Torga, Antologia poética, Lisboa: D. Quixote, 1999. Jorge Sousa Braga, Pó de estrelas, Lisboa: Assírio & Alvim, 2004. Francisco Duarte Mangas e João Pedro Mésseder, Breviário do Sol, Lisboa: Caminho, 2002. Mário Castrim, A moeda do sol, Porto: Campo das Letras, 2006. Almeida Garrett, Folhas Caídas, Biblioteca Digital Porto Editora. Álvaro Magalhães, O Limpa-Palavras e Outros Poemas, Porto: Asa, 2000.


Ilustração 35 - João Fazenda

ÍNDICE DE ILUSTRAÇÕES: 1, 2 e 3 - André Moraes Diniz (ilustrações originais - Antologia PROL), 2020. 4 - Ana Ventura, serigrafia da série “Os pensamentos não fazem barulho”, disponível no CPS, 2013. 5 - Marta Monteiro, Floating. 6 - Ana Biscaia, ilustração para Poucas Letras, Tanto Mar, João Pedro Mésseder, Porto: Xerefé, 2019. 7 - Bernardo Carvalho, Praia-mar, Carcavelos: Planeta Tangerina, 2011. 8 - Fernanda Fragateiro, ilustrações para A Menina do Mar, de Sophia de Mello Breyner Andresen, Porto: Porto Editora, 2019. 9 e 10 - Leonor Violeta, Tempo (colagens), 12º Encontro Internacional de Ilustração de S. João da Madeira. 11 - Joana Estrela, Girl. 12 – Iluminura do Codex Manesse. 13 - Cristina Valadas, ilustração para O Guarda-Rios, de Eugénio Roda, Vila Nova de Gaia: Gailivro, 2008. 14, 15 e 16 - Ivone Ralha, ilustrações para O Pastor de Ventos, de António Cabrita, Porto: Editora Exclamação, 2019. 17 - Madalena Matoso, Montanhas, Carcavelos: Planeta Tangerina, 2015. 18 - Yara Kono, ilustração para Imagem, de Arnaldo Antunes, Carcavelos: Planeta Tangerina, 2016. 19 - Nic e Inês, Exposição Ir ou ficar? 20 - Sérgio Condeço ilustração para A menina que queria desenhar o mundo, de Adélia Carvalho, Lisboa: Nuvem de Letras/Penguin Random House, 2020. 21 - Ana Afonso, ilustração para O menino dos pés frios, de Matilde Rosa Araújo, Lisboa: Horizonte, 2015. 22 - Afonso Cruz, A Contradição Humana, com o devido espírito de contradição, Lisboa: Caminho, 2010. 23 - Sarah Affonso, óleo sobre tela, A Estrela, 1937.

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24 – Ricardo Jorge, Quem conta um conto acrescenta um ponto, aguada sobre papel, painel realizado ao vivo Guimarães Noc Noc 2019. 25 - Teresa Lima, ilustração para António e o principezinho de José Jorge Letria, Porto: Ambar, 2004. 26 - Susa Monteiro, cartaz do festival de curtas-metragens de Clermont-Ferrand, 2020. 27 - Fatinha Ramos, Refugiados, ilustração para a Revista do Parlamento Europeu, 2018. 28 e 29 - Maria Keil, ilustração para O inverno é o tempo já velho, de Maria Isabel César Anjo, Lisboa: Sá da Costa, 1981; e ilustração para História de um rapaz, de Matilde Rosa Araújo, Lisboa: Livros Horizonte, 1973. 30 e 31 - Paulo Galindro, ilustrações para Pirilampo: o velho pescador de estrelas, de Carlos Canhoto, [s.l.] Garatuja, 2018. 32 - João Caetano, ilustração para A maior flor do mundo, de José Saramago, Lisboa: Caminho, 2019. 33 - Rachel Caiano, Mundo suspenso. 34 - André Letria, ilustração para Se eu fosse um livro de José Jorge Letria, Lisboa: Pato Lógico, 2011. 35 - João Fazenda, Reader.

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Dia do Autor Português - Antologia de Poemas e Ilustrações  

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