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A perspectiva aqui adotada não vai tão longe a ponto de defender a tese de que vivemos em uma “sociedade estruturada e ambientada pela mídia”, mas a facticidade dos dados elencados demonstra de modo inquestionável a pregnância econômica e ideológica, portanto política, das ITCs, em uma sociedade (ainda) ambientada pelo capital.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Na trilha aberta por Marx, é nas categorias forças produtivas (tecnologia, ciência, força de trabalho) e relações de produção (relações de propriedade e comando), que juntas compõem a noção mais geral de modo de produção, que está contido o vínculo dinâmico e por assim dizer visceral entre economia e política. Este vínculo contempla desde as dimensões da macroeconomia e da macro-política aos “micropoderes”. É neste vínculo que Marx situa o fetiche do valor, tanto como a fonte de coesão do regime do capital quanto de sua dissolução potencial. Fetiche do valor é um conceito que designa tanto 1) o caráter cego, automático, de uma economia auto-centrada, isto é, cujo imperativo é a reprodução ampliada de capital, a despeito de todas as conseqüências catastróficas que isto acarreta, quanto 2) os processos inconscientes de ocultamento e legitimação ideológica das práticas de exploração que sustentam esse modelo econômico. O que tentamos defender aqui foi a pertinência deste quadro analítico para se pensar a economia política da comunicação hoje.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOLAÑO, César. Economia Política da comunicação e da cultura. Breve genealogia do campo e das taxonomias das indústrias culturais. In: BOLAÑO, César; GOLIN, Cida; BRITTOS, Valério (orgs.). Economia da arte e da cultura. São Paulo: Itaú Cultural; São Leopoldo: Cepos/Unisinos; Porto Alegre: PPGCOM/UFRGS; São Cristóvão: Obscom/UFS, 2010, p. 33-50. Documento eletrônico. http://www.itaucultural.org.br/bcodemidias/001719.pdf. Acesso em: jul 2010. BOURDIEU, Pierre, PASSERON, Claude. “A Reprodução”. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1975.

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