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considerar a historicidade de seu objeto, que consiste no conjunto de atividades relacionadas de produção, circulação e consumo de bens, com todas as conseqüências sociais e culturais aí implicadas. Essas atividades são mais ou menos conscientemente orientadas a partir de opções políticas de pessoas reais, e isto por sua vez implica em levar em conta não somente o caráter histórico e geográfico do objeto da análise econômica, mas seu conteúdo classista – em se tratando de sociedades de classes. A orientação dessas atividades é “mais ou menos conscientemente orientada” porque a complexidade das inter-relações entre as diversas atividades e agentes econômicos, sobretudo se consideramos o caráter caótico da economia capitalista globalizada, torna a possibilidade de um controle plenamente consciente uma impossibilidade prática. Entretanto, se um controle consciente do conjunto das atividades econômicas, sob quaisquer circunstâncias atualmente concebíveis, só pode ser parcial, isso não significa que estejamos eternamente condenados aos imperativos inconscientes e caóticos da economia capitalista, pois esta carrega em si, se análise histórica de Marx está correta, desde o início, as contradições que permitiram que fosse concebida a sua superação efetiva. Mészáros esclarece bem este ponto, ao rebater as críticas de “determinismo econômico” usualmente feitas ao método de Marx: Como se sabe, os críticos burgueses de Marx nunca deixaram de o acusar de „determinismo econômico‟. Porém, nada poderia estar mais distante da verdade. Isto porque o programa marxiano é formulado exatamente como uma emancipação da ação humana do poder das implacáveis determinações econômicas. Quando Marx demonstrou que a força bruta do determinismo econômico, desencadeada pelas desumanizadoras necessidades da produção do capital, impera sobre todos os aspectos da vida humana, demonstrando ao mesmo tempo o caráter inerentemente histórico – ou seja, necessariamente transitório – do modo de reprodução predominante, ele tocou a ferida da ideologia burguesa: o vazio de sua crença metafísica na „lei natural‟ da permanência das relações de produção vigentes. E, ao revelar as contradições inerentes a este modo de reprodução, ele demonstrou a necessária ruptura de seu determinismo econômico.” (MÉSZÁROS, 2002, p. 1009)

Assim, se a própria economia política é uma ciência que se desenvolveu em grande parte como discurso ideológico apologético da burguesia em seu

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