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uma verdadeira superação. E superar a alienação “no interior da alienação político-econômica” significa simplesmente não superála. (MÉSZÁROS, 2006, p. 115)

A palavra economia, em sentido estrito, significa o oposto de desperdício. Essa dimensão prática da noção, no que pese sua aparente banalidade, é fundamental e não deve ser esquecida quando se discute o assunto, pois remete ao caráter propriamente teleológico e humano das atividades econômicas, ou seja, à idéia singelamente sensata de que se deve fazer o melhor uso possível dos meios para que se atinja determinado fim. Remete também a um problema mais complicado: a dialética dos meios e dos fins, que por sua vez se desdobra em um conjunto intrincado de questões: quais são os fins? Por quê? Para quem? Quais são os meios mais adequados para atingi-los? Esses fins justificam esses meios? Para quem? Por quê? Numa acepção ao mesmo tempo mais dilatada e menos abstrata, economia refere-se ao conjunto dos processos de produção, circulação e consumo de bens, ou seja, de coisas úteis, que satisfaçam necessidades humanas, “do estômago ou da fantasia” (MARX, 1982, p. 57). Nos termos de Kosik: A economia não é apenas produção dos bens materiais: é a totalidade do processo de produção e reprodução do homem como ser humanosocial. A economia não é apenas produção de bens materiais; é ao mesmo tempo produção das relações sociais dentro das quais esta produção se realiza. (KOSIK, 2002, p, 191)

Esse processo ocorre, como não poderia deixar de ser, em algum território, físico ou virtual, cujos contornos vão da cidade ao planeta. Trata-se porém, como já sabiam os clássicos, de contornos não só geográficos, mas políticos. A economia é, assim, necessariamente economia política. A exclusão do segundo termo da expressão, que atribui uma autonomia fantasmática aos processos econômicos, é simplesmente um absurdo, ainda que sob a justificativa um tanto maliciosa de um “recorte metodológico”. Enfatizar este caráter imperativamente político da economia traz consigo algumas conseqüências epistemológicas, como a exigência de se

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