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empresarial, que se não tornam o conceito indústria cultural propriamente obsoleto, encolheram o campo fenomênico ao qual ele se referia: indústria editorial, rádio, cinema, tv. Nos termos de Moraes: Podemos unir os prefixos dos três setores convergentes (informática, telecomunicações e comunicação) em uma só palavra, que designa a conjunção de poderes estratégicos relacionados ao macrocampo multimídia: infotelecomunicação. Ela comporta as reciprocidades e interdependências entre os suportes técnicos, bem como as ações coordenadas para a concorrência sem fronteiras. O paradigma infotelecomunicacional constitui vetor decisivo para a expansão transnacional dos impérios mediáticos, tendo por escopo a comercialização de uma diversidade de produtos e serviços com tecnologias avançadas. Os conglomerados reconfiguram-se como arquipélagos transcontinentais, cujos parâmetros são a produtividade, a competitividade, a lucratividade e a racionalidade gerencial. Para tanto, buscam conferir escala a seus produtos, por intermédio de alianças e parcerias entre si e com grupos regionais; absorvem firmas menores ou concorrentes, diversificam investimentos em áreas conexas. O cenário daí resultante não poderia ser outro: uma brutal concentração de atividades nas mãos de poucas companhias (quase todas baseadas nos Estados Unidos da América) e uma aglomeração de patrimônios e ativos sem precedentes. (MORAES, 2000, 13-4)

Originalmente, as tecnologias e empresas de informática lidavam com o processamento de dados, ou signos; as de telecomunicações, com a transmissão destes dados ou signos à distância; e as de comunicações, as indústrias culturais, com a produção de dados, ou signos, a serem transmitidos ou processados. Hoje, graças à revolução digital, esses dispositivos tecnológicos, práticas produtivas e estruturas empresariais até então distintos se fundiram em um único e gigantesco complexo tecno-empresarial, cuja centralidade econômica e ideológica supera a de seus elementos constitutivos, quando tomados isoladamente. Antes de desenvolvermos este ponto, entretanto, é necessário que nos familiarizemos um pouco mais com a crítica da economia política de Marx.

CRÍTICA DA ECONOMIA POLÍTICA Partilhar “do ponto de vista da economia política” significa ser incapaz de desenvolver em termos concretos as condições de

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