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exportação de equipamentos da TV digital. Já no que se refere à inclusão digital, a meta é democratizar a informação e criar uma rede universal de educação à distância. Neste contexto, destaca-se a penetração alta dos celulares no país e o crescente incentivo à comercialização de laptops com preços populares, como uma possível solução para o problema da inclusão. Estes, integrados à TVD, fariam do Brasil o primeiro a utilizar a TV para a inclusão. Porém, convém ressaltar que não só o acesso à tecnologia será o suficiente. Renato Cruz acrescenta que para a efetivação desse processo é necessário: infra-estrutura disponível a todos; preços acessíveis; educação; treinamento; conteúdo relevante; integração do uso das Tecnologias de Informação e Comunicação no dia-a-dia. No último capítulo, alerta-se para o interesse das empresas de mídia em mudar a legislação vigente e se apresentam críticas aos projetos de lei e propostas de alteração da Constituição coordenadas por políticos. Chega-se a conclusão de uma real necessidade de transformação do Código Brasileiro de Telecomunicações – ainda de 19623, tendo sofrido alterações durante a ditadura militar. O problema regulatório é analisado no livro, em detalhes, no governo Fernando Henrique Cardoso (Lei de Comunicação Eletrônica de Massa) e no atual cenário Lula (Lei da Comunicação Social). Sob este prisma, interessante notificar que o autor considera as alterações legislativas um problema, face ao fato já mencionado de muitos parlamentares serem acionistas das empresas de radiodifusão, concluindo que se o debate não for bem direcionado, podem-se comprometer direitos constitucionais de acesso à informação. Por fim, TV digital no Brasil: tecnologia versus política é uma leitura obrigatória não só para os profissionais da Comunicação que lidarão com uma nova mídia, como também para todo e qualquer cidadão esquivado desse processo de transição. Com um prefácio conduzido por Ethevaldo Siqueira, a obra é bem fundamentada e consistente, descrevendo experiências e aplicações desenvolvidas e fornecendo dados relevantes. Cabe mencionar que na elaboração do livro, cerca de 120 pessoas – de envolvidos na elaboração do Ginga4 ao ministro Hélio Costa – foram entrevistadas, o que dá credibilidade às enunciações. 1

Doutoranda em Comunicação (PPGCOM/UFPE). Mestra em Comunicação e Culturas Midiáticas (PPGC/UFPB). Graduada em Jornalismo (UFPB) e em Telecomunicações (Cefet-PB). Como colaboradora do Laboratório de Aplicações de Vídeo Digital (Lavid/UFPB), desenvolveu pesquisas e

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