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A quantidade da informação ofertada cresceu. A inserção de questões sociais na agenda da mídia parece, portanto, ser resultado de um círculo de influências mútuas, mais que de efeitos em cascata, que fluem do alto para baixo. A transferência programada desses temas das ONGs para a agenda da mídia ao longo dos últimos anos pode ter estimulado a sociedade a pressionar por novas políticas públicas. A implementação dessas políticas reverberou na campanha presidencial e, somado ao agendamento imediato, resultou numa cobertura jornalística relativamente mais qualificada, embora haja ainda muitas resistências e vícios arraigados na prática do jornalismo brasileiro que impedem uma virada de qualidade mais significativa, já que as informações necessárias para isso estavam facilmente disponíveis para os jornalistas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

VIVARTA, Veet (2003): Que país é este?, ANDI-UNICEF, Cortez Editora, São Paulo. CANELAS, Guilherme (2005). Cobrindo políticas públicas sociais – a importância da agenda da infância e adolescência, m ENTMAN, Robert M (2004). Projections of power - framing news, public opinion and U.S foreign policy, University of Chicago Press, Chicago. JORGE, V. Lombardo (2003): A cobertura do Congresso Nacional pelos jornais brasileiros 1985-1990, Estudos Históricos No. 31, págs. 64-82. McCOMBS, Maxwell (2006): Estableciendo la agenda – El impacto de los médios em la opinión publica y em el conocimiento, Paidós, Barcelona MOTTA, Luiz G. (2005): Crise política – a mídia pode mais que os partidos? Observatório Mídia&Política. THOMPSON, John B. (1998). A mídia e a modernidade – uma teoria social da mídia, Vozes, Petrópolis WINTER, James e EYAL, Chaim (1981). Agenda setting for the civil rights issues, Public Opinion Quarterly, 45, pagina 376-383. i

Luiz G. Motta é doutor pela Universidade de Wisconsin, professor-titular da Faculdade de Comunicação e coordenador do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política da Universidade de Brasília (UnB). Railssa Peluti Alencar é mestre em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP) e foi coordenadora do Núcleo de Monitoramento de Mídia e Estatísticas da Agencia de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI). Os autores agradecem a Manoela Hartz, pela assistência na tabulação e análise, e a Vitor Aratanha, Luiz A. Guerra, Elisa Mendes, Maria A. Amorim, Leandro Andrade, Hermes Pena, Rodolfo Ribeiro, Daisy

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