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A PSICOLOGIA POLÍTICA DO HOMEM QUE NÃO VIROU SUPER-HOMEM

GUSTAVO HENRIQUE DE AGUIAR PINHEIRO

2009


Foto do World Trade Center.

A José Raymundo Costa pela atenção e o carinho de publicar os textos de um leitor desconhecido. Ainda mais, por mandar ilustrá-los nos traços coloridos e perfeitos do Guabiras. A este, muito obrigado também.

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"BUSH, MEU FILHO, RESOLVE TUA CRISE1"

"Eu liguei para ele para falar: Bush, o problema é o seguinte, meu filho, nós ficamos 26 anos sem crescer. Agora que a gente está crescendo vocês vêm atrapalhar. Resolve, resolve a tua crise", afirmou.

“LULA SE COMPARA A JESUS CRISTO E DIZ QUE SOFREU PRECONCEITO NA SUA TRAJETÓRIA POLÍTICA2”.

"Me acusavam porque eu tinha barba mas não lembravam que Jesus Cristo tinha barba. Acusavam que a estrela do PT era comunista e depois me acusavam que eu não tinha diploma universitário”.

"Inteligência não tem nada a ver com conhecimento. Inteligência nasce dentro de nós. Eu tenho o maior conhecimento porque eu entendo o sentimento da alma do povo brasileiro".

MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES

No mesmo discurso, Lula cobrou uma ampliação dos negócios entre Brasil e México. O presidente falou também da importância do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para o aquecimento do mercado interno e comparou o Bolsa Família à multiplicação dos pães,

1 2

Uol Últimas Notícias, da redação em São Paulo, 27/03/2008. Folha Online, Giselli Souza, 27/09/2008.

3


um dos milagres atribuídos a Jesus Cristo. "A multiplicação dos pães que Cristo falava é justamente essa3”. OS PÃES QUE SE MULTIPLICAM

A ORDEM SUBVERTIDA

O FBI desenvolveu uma classificação simples relativa aos grupos de terroristas

quanto

aos

apoios

que

recebem

secreta

e

predominantemente. Assim teremos:

a) Terrorismo

apoiado

por

Estados

violadores

das

leis

internacionais (como o Irão, o Iraque, a Síria, Cuba e a Líbia). Neste caso o terrorismo é um instrumento de política internacional; b) Terrorismo apoiado por organizações independentes (quer financeira quer logisticamente). Nestes casos o financiamento recorre a actividades ilícitas como o tráfico de drogas, o 3

Uol Últimas Notícias, da redação em São Paulo, 27/03/2008.

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contrabando de produtos ilegais, os <impostos revolucionários> e outras extorsões diversas, e até a financiamentos ilegais provenientes de dinheiro branqueado por diversas formas; c) Terrorismo patrocinado por grupos específicos que financiam a maioria das acções subversivas. É o actual caso da Al Qaeda4

E AGORA? CHAMA O GUABIRAS:

Sobre o conceito de autoridade, tanto Hannah Arendt como Karl Jaspers

desenvolvem

longas

considerações

prevalecendo,

na

primeira, um tratamento eminentemente histórico. Mas os dois textos

4

Ciência Política: Estudo da Ordem e da Subversão, Antônio de Sousa Lara, Universidade Técnica de Lisboa, 2005.

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convergem no essencial, ou seja, no fato de que de nenhum modo se pode pensar em autoridade sem liberdade, embora conceitos tais como obediência e hierarquia se mostrem, por igual, essenciais. No caso de Hannah Arendt, seu enfoque revela-se fundamentalmente histórico, como ressaltamos acima, partindo do princípio que a Antiguidade desconheceu a autoridade, e da tese de que a autoridade enfraquece em grande medida no decurso do mundo moderno. Ambos estudam as causas desse enfraquecimento do conceito de autoridade e, ainda aqui, assumem posições semelhantes, no sentido de mostrarem o grande questionamento que atingiu suas bases de sustentação5. ENTENDEU? NÃO? ENTÃO CHAMA O GUABIRAS DE NOVO:

5

Introdução à Psicologia Política, Antônio Gomes Penna, Imago, 1995.

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A SÍNDROME DAS AUTORIDADES MIMADAS

A imprensa nacional noticiou recentemente vários casos de sinais e sintomas de autoridades públicas que tentam se valer de suas prerrogativas e carteiras para se livrar da fiscalização legítima do Estado, fenômeno conhecido como “carteirada”, que tem sido reavivado em todo país em virtude da aplicação indistinta da chamada “Lei Seca”. Foi assim no Distrito Federal (29/07/2008), onde agentes do Detran se queixaram na mídia de funcionários públicos que usaram do poder para tentar escapar da punição. Em Palmas, no Tocantins, (09/02/2009), um Procurador do Estado visivelmente embriagado ofendeu grotescamente a autoridade que lhe enquadrou, exibindo para a câmera cautelosa da polícia a sua carteira funcional e a sua indignação por estar sofrendo os limites da lei, da mesma lei que ele certamente um dia jurou defender. Mas os sintomas das autoridades mimadas podem ser vistos também nas filas, nos supermercados, nas salas de espera ou nas portarias dos cinemas, que para se protegerem das carteiradas das crianças crescidas sem limites, criaram diversas regras para admiti-las em suas salas, invocando o direito para limitar o abuso de autoridade silencioso (contra o guarda, a atendente, o porteiro, o vigia...), fenômeno cotidiano minimizado pela ciência política, que, apartada da psicologia, esqueceu os seus próprios princípios sobre a natureza humana e o abuso do poder, orientações antigas, segundo as quais “toda teoria política clássica é por natureza contemporânea” (J. A. Guilhon Albuquerque) e todo poder político, de origem mundana, nasce da 7


própria malignidade que é intrínseca à natureza humana (Maquiavel), o que revela “uma experiência eterna de que todos os homens com poder são tentados a abusar” (Montesquieu). Sem perda de tempo com filosofices, o mundo ocidental assiste a maior crise de autoridade entre pais e filhos de todos os tempos (v. A Autoridade em Crise – Luís Pellegrini – Revista Planeta/out/2008 e LAutorité expliquée Aux parents (A autoridade explicada aos pais) – Claude Halmos – Editora Nil/2009), simplesmente porque o exercício legítimo da autoridade perdeu seus próprios limites e as crianças, também sem limites, vão assistir em cadeia nacional as crises das autoridades mimadas, que de “pequenos príncipes” (de Exupéry) se transformam rapidamente em “Príncipes” (de Maquiavel), abusando do poder na sociedade, pois o mundo sempre tende a esquecer das lições do passado, não só porque o tempo passa, mas, sobretudo, porque as pessoas se recusam a aceitar a sua condição de humano incompleto e desejante, sempre a depender do outro para existir plenamente em direitos, deveres e subjetividades. A ciência política não resolverá suas questões complexas sem a interconexão com as demais disciplinas, como a psicologia, por exemplo, que já entendeu que “a criança que não aprende a ter limites para o seu querer, para os seus desejos e vontades, que tudo quer e tudo pode, tende a desenvolver....distúrbios de conduta, desrespeito aos pais, colegas e autoridades, incapacidade de concentração, dificuldades para concluir tarefas, excitabilidade, baixo rendimento” (Limites Sem Traumas – Tânia Zagury – Record – 2000).

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A síndrome das autoridades mimadas é, portanto, um conjunto de sintomas da crise de legitimidade da autoridade. A República precisa não só de leis, mas também de afeto6. E UM SAPATO TEM PODER?

6

A Síndrome das Autoridades Mimadas, Gustavo Henrique de Aguiar Pinheiro, 2009.

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Em Tarde, é bem sabido, a imitação é o princípio constitutivo das comunidades humanas. Por isso ele define a sociedade como “uma coleção de seres na medida em que estão se imitando entre si”. A imitação compulsória

ou espontânea,

eletiva ou inconsciente,

transforma a descoberta individual num fato social. A opinião, a idéia ou o desejo de um torna-se progressivamente a opinião, a idéia ou o desejo de um grande número. O futuro normal de uma inovação é sua propagação, seu futuro ideal é a propagação universal. À questão de saber sobre o que repousa esse fenômeno de imitação de um indivíduo por outro, depois por uma multidão, Tarde responde que ele provém da sugestão, que não é mais que uma forma de “hipnotismo”.

Desde sempre, o estado social é um estado hipnótico. Voltaremos a esse ponto. Se a idade moderna caracteriza-se pela generalização nos indivíduos do sentimento de autonomia, “embora, sem saber, eles seja autômatos”, em realidade as idéias, as opiniões ou os gostos não se tornaram mais espontâneos. Nascida de um “feliz cruzamento” num cérebro individual, a opinião irá propagar-se, com maior ou menor rapidez, durante mais ou menos tempo. Com efeito, a nova opinião pode ir no mesmo sentido de uma opinião existente já partilhada pelo grande número. Nesse caso ela acarreta um reforço da opinião existente. Tarde falará então de “interferência-combinação”. Mas a idéia nova também pode contradizer uma opinião dominante e produzir uma “interferência-luta”, A inovação poderá então expandir-se progressivamente e substituir pouco a pouco a opinião dominante, até tornar-se ela própria uma opinião dominante descartada futuramente por uma nova opinião. Aparecer e crescer, depois estagnar e 10


finalmente recuar diante do aparecimento de uma idéia nova, tal é a lei simples que caracteriza o movimento das idéias e das necessidades, dos gostos e ou das crenças7

02/10/2006 - 00h10 PERFIL-Carisma ainda é arma de Lula para o 2o turno

Extremamente hábil no contato com a massa, Lula parecia e resistir quase incólume às denúncias, como se estivesse desconectado do PT e dos fatos. Mas perdeu altitude na reta final e agora disputará a preferência do eleitorado com o adversário tucano, Geraldo Alckmin, ao longo de outubro.

Nada de que o cacife político do presidente não dê conta, na opinião do deputado Paulo Delgado (PT), aliado de longa data.

"Lula é um dirigente sindical que virou presidente. Ele se oferece como um igual e não como um líder", afirmou Delgado à Reuters.

Segundo analistas políticos, Lula soube aproveitar seu capital social e político para manter a calma e sobreviver aos escândalos. Mas, com o prolongamento inesperado do pleito que pode lhe dar mais um mandato e irritado com os "aloprados", como chamou os petistas

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Propagação das Opiniões, Dominique Reynié, na Introdução de A Opinião e as Massas, de Gabriel Tarde, Martins Fontes, 2005.

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envolvidos na compra de um dossiê contra tucanos, ele dá sinais de que pode abandonar sua versão "paz e amor".

"Quando ele entra em pânico e se irrita, ele faz coisas como essa, de se comparar a Jesus. Ele quer ter um papel messiânico. A cultura brasileira favorece isso, desenvolve o desejo pelo messias ou salvador da pátria", disse o cientista político Roberto Romano, professor emérito da Unicamp. "Ele também não gosta de ser contestado."

Delgado desmente a fama de autoritário do presidente. Para ele, Lula teria apenas uma "característica centralizadora".

"O Brasil precisa de um líder popular com características populares. É um país onde o presidente tem muita força e o Congresso não", afirmou.

PRESIDENTE "POP STAR"

A chegada de Lula ao Planalto alterou não apenas sua rotina, como a de todos aqueles que estavam acostumados a conviver com presidentes.

O Lula presidente sempre demonstrou pouca paciência com os ritos exigidos pelo cargo. Acostumado a comícios, não quis ficar preso entre quatro paredes. Desde o princípio, deixou claro que governaria em "contato com o povo".

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As centenas de viagens que faria nos quatro anos de governo comprovaram isso. Nelas, Lula posou para muitas fotos e foi reconhecido por multidões, o que lhe rendeu o apelido, pelos jornalistas que cobrem o Planalto, de "pop star". No exterior chamou a atenção por sua trajetória pessoal e pela pregação contra a fome no mundo.

O apelo popular de Lula fica evidente quando ele veste roupas típicas, coloca bonés, mostra descontração ao tomar uma cerveja. Sua naturalidade é um trunfo reconhecido por seus adversários políticos.

No início do governo, a informalidade de Lula desconcertava o cerimonial da Presidência. Certa vez decidiu ir a pé do Palácio do Planalto ao Congresso. Chegou a descer a rampa até a rua, mas acabou mudando de idéia diante da súplica desesperada dos assessores e seguranças.

Outro nítido desconforto são os discursos, que ele não gosta de ler. Prefere improvisar, o que sempre deixou tensa sua assessoria, com medo que ele fale demais.

Como candidato, decide seus discursos para os comícios em cima da hora. "Ele gosta de criar imagens, estabelecer um enredo que, muitas vezes, é criado no trajeto entre o aeroporto e o local do comício", afirmou o petista Fernando Pimentel, prefeito de Belo Horizonte.

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Lula também costuma se emocionar (e até chorar) nos discursos, principalmente quando lembra da mãe, dona Lindu, que morreu de câncer.

Foi com sua mãe e seus irmãos que este pernambucano de Garanhuns, prestes a completar 61 anos, mudou-se para São Paulo quando criança. Começou a trabalhar antes dos 14 anos e quando ingressou numa fábrica fez o curso de torneiro mecânico.

Apesar de gostar dos flashes, deu poucas entrevistas nos dois primeiros anos de governo. Em 2005, antes do escândalo do mensalão, estava mais acessível, mas com a ocorrência das denúncias voltou a se distanciar. No início de 2006, de olho na reeleição, o presidente retomou as conversas com a imprensa.

Antes de ocupar a Presidência, Lula tentou manter a vida pessoal longe da imprensa. Mesmo sua mulher, Marisa Letícia, com quem está casado há 32 anos, só passou a aparecer ao seu lado na campanha presidencial de 2002. Marisa, de 56 anos, era viúva quando casou com Lula, também viúvo. O casal tem três filhos, além de outros dois nascidos anteriormente.

Na Presidência, no entanto, foi difícil evitar o assédio à família. Vida pessoal e pública se misturaram ao ponto de provocar a ira do Congresso, que questionou o uso da máquina em benefício próprio. Até a cadela de Marisa, a fox terrier Michelle, virou motivo de bate-

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boca entre os parlamentares devido à carona que recebeu de um veículo oficial. MAS O VEÍCULO VEIO NA CARONA DE QUEM?

O POVO Online Política PSDB só apoiará Sarney com veto a 3º mandato de Lula A bancada do PSDB reúne-se hoje para fechar a lista de exigências políticas e de espaço de poder no Legislativo, que será encaminhada ainda hoje a Sarney, o preferido da bancada de 13 senadores.

28 Jan 2009 - 08h23min

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O PSDB só vai apoiar a candidatura de José Sarney (PMDB-AP) à presidência do Senado em troca do "boicote" a qualquer iniciativa de governistas em favor de um eventual terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A bancada do PSDB reúne-se hoje para fechar a lista de exigências políticas e de espaço de poder no Legislativo, que será encaminhada ainda hoje a Sarney, o preferido da bancada de 13 senadores. A mesma proposta será levada a Tião Viana

(PT-AC),

que

disputa

a

vaga

com

Sarney.

"Como temos sérias dúvidas sobre as intenções democráticas de vários setores do governo, queremos saber dos candidatos se tentativas golpistas teriam êxito", antecipou ontem o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). Ele e o líder no Senado, Arthur Virgílio (AM), se encarregarão de procurar Sarney e Viana. "Queremos um presidente com sinceros compromissos democratas e de respeito às minorias e ao direito à voz da oposição, que não pode ser mutilada no

Congresso",

insiste

Guerra.

Agência Estado.

O DILEMA DO PRISIONEIRO E A POLÍTICA Os políticos no Congresso estão geralmente jogando dois jogos simultâneos. Um com seus companheiros, e outro com os eleitores. O jogo entre os parlamentares tende a ser cooperativo devido à facilidade de identificação de traidores. Quando os competidores são

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os eleitores, a identificação dos desertores torna-se mais difícil e, via de conseqüência, diminui a cooperação. O “Dilema do Prisioneiro” pode ser aplicado à Teoria Política como uma excelente ferramenta para analisar situações nas quais a colaboração mútua oferece vantagens a ambas as partes, mas onde uma delas é fortemente incentivada a não cooperar, enquanto a outra continua a fazê-lo. A interação entre eleitores e eleitos sempre foi uma preocupação dos estudiosos, e a atitude dos legisladores que buscam reeleger-se é uma das facetas mais interessantes do problema. Como seria o comportamento destes legisladores diante da limitação às funções eletivas? Um dos argumentos mais usados pelos que defendem o instituto, conforme se assinalou, diz respeito às facilidades que o mandato proporciona aos parlamentares nele investido, facilidade que se reflete na quase certeza da reeleição. Seguros, os representantes tendem a ignorar os desejos de seus eleitores. Em contrapartida, aduzem os opositores que somente a ameaça de uma derrota eleitoral preservaria a honestidade dos legisladores, pois se eles se vissem impedidos de concorrer novamente violariam promessas de campanha contrárias à seus próprios interesses. O “Dilema do Prisioneiro” permite modelar a situação, confirmando que os adversários do terms limits tem razão ao adotar tal procedimento.

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Eis o cenário do jogo: de um lado, os eleitores que cooperam quando votam a favor da reeleição dos legisladores ou, não cooperam, quando se recusam a reelegê-los; do outro, os legisladores quando servem ao interesse público, ou não cooperam quando cobiçam apenas vantagens pessoais. Se os legisladores experientes cooperam, podem beneficiar seus eleitores com mais eficácia do que os novos e, se não cooperam, podem prejudicá-los com maior intensidade. Nestes termos, a relação entre eleitores e representantes configura-se como o “Dilema do Prisioneiro”8.

02/10/2006 - 00h10 PERFIL-Carisma ainda é arma de Lula para o 2o turno

"LULINHA PAZ E AMOR"

Durante anos, Lula tentou convencer o eleitorado de que um exmetalúrgico sem experiência administrativa estava pronto para assumir o cargo mais importante do país.

O discurso moderado durante a campanha de 2002 foi decisivo para a vitória, quando obteve o voto de 52,8 milhões de brasileiros. Lula se tornou o primeiro expoente da classe operária a chegar ao poder no Brasil. 8

Limitação dos Mandatos Legislativos, Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha, Sérgio Antonio Fabris Editor, 2002.

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A estratégia de ampliação de alianças para o centro foi decisiva para a vitória em 2002. Lula também evitou o conflito direto, característica das campanhas anteriores. Nasceu ali o "Lulinha paz e amor", como ele mesmo se definiu.

Desde que ajudou a criar o PT, em 1980, na esteira das grandes greves no ABC durante o período de ditadura, Lula tornou-se o nome mais popular da esquerda brasileira.

Lula veio de uma família pobre e teve a base de sua formação política justamente nas lutas sindicais. Seu apelo popular, no entanto, não foi suficiente para que vencesse as eleições anteriores a 2002. A imagem de "sapo barbudo" irracional, cunhada por adversários, foi mais forte.

Em 1998, praticamente foi ao "sacrifício" em um pleito favorável ao então presidente Fernando Henrique Cardoso. Naquele ano, Lula perdeu no primeiro turno, como já tinha acontecido em 1994 contra o mesmo adversário. Duas derrotas que deixaram para trás a disputa de 1989, quando perdeu uma eleição apertada no segundo turno para Fernando Collor de Mello.

A carreira política começou 20 anos antes, quando conseguiu uma suplência na diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Em 1975 já era o seu presidente.

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Nascido Luiz Inácio da Silva, teve que incorporar seu apelido ao nome para que, na eleição de 1982, os votos que tivessem escrito apenas "Lula" fossem válidos. Naquele ano ficou em quarto lugar na disputa pelo governo paulista.

Em 1986, foi o deputado federal mais votado no país, exercendo a liderança do PT na Câmara e na Assembléia Constituinte. A partir daí, deu início à trajetória que o levaria à cadeira mais cobiçada da República.

(Por Cláudia Pires).

MINI-ANTOLOGIA DE GEORGE W. BUSH9 Quarta-feira, 10 de setembro 2008

“As relações de fronteira entre o Canadá e o México nunca estiveram melhores’. George W. Bush, conferência de imprensa com o Primeiro Ministro Canadense Jean Chretien. Set. 24, 2001. “Uma ditadura seria bem mais fácil, não há dúvida”. George W. Bush, Jul 27, 2001.

9

Coletânea de tradução livre realizada por Idelber Avelar no site o Biscoito Fino e a Massa, http://www.idelberavelar.com/archives/2008/09/miniantologia_de_george_w_bush.php

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“Eles querem que o governo federal controle a Seguridade Social como se fosse lá um tipo de programa federal”. George W. Bush, Nov. 2, 2000. “É o seu dinheiro. Você pagou por ele”. George W. Bush, LaCrosse, Wis., Out. 18, 2000. “Se eu me tornar presidente, vamos ter atendimento de emergência, vamos ter ordens de mordaça”. -George W. Bush, terceiro debate presidencial, St. Louis, Missouri, Out.. 18, 2000. “Eu acho que se você sabe o que você acredita, fica muito mais fácil responder as perguntas. Eu não sei responder sua pergunta”. George W. Bush, sobre se ele desejaria voltar atrás em qualquer uma de suas respostas no primeiro debate, Reynoldsburg, Ohio, Oct. 4, 2000. “Eu sei o que acredito. Continuarei a articular o que acredito e o que acredito – eu acredito que o que acredito é certo”. George W. Bush, Roma, Julho 22, 2001. “Quero dizer, houve um sério esforço internacional para dizer a Saddam Hussein, você é uma ameaça. E os ataques de 11/09 extenuaram essa ameaça para mim”. --George W. Bush, Philadelphia, Dec. 12, 2005. “Uau! O Brasil é grande” --George W. Bush, depois que Lula lhe mostrou um mapa, Brasília, Nov. 6, 2005.

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“Eu ouvi alguém dizer, “Onde está Mandela?” Ora, Mandela está morto. Porque Saddam matou todos os Mandelas”. George W. Bush, Washington, D.C., Sept. 20, 2007 “Para cada disparo fatal, houve em volta cerca de três disparos nãofatais. E, amigos, isto é inaceitável na América. É simplesmente inaceitável. E vamos fazer algo para resolver”. -George W. Bush, Filadélfia, Penn., May 14, 2001 “Mais de duas décadas depois, é difícil imaginar a Guerra Revolucionária com qualquer outro resultado”. -George W. Bush, Martinsburg, W. Va., July 4, 2007 “Nesta mesma semana em 1989, houve protestos em Berlim Oriental e em Leipzig. No final do ano, todas as ditaduras comunistas da América Central já tinham caído”. -George W. Bush, Washington, D.C., Nov. 6, 2003. “Veja, as nações livres são nações pacíficas. As nações livres não atacam umas às outras. As nações livres não desenvolvem armas de destruição em massa”. George W. Bush, Milwaukee, Wis., Out. 3, 2003. ACHOU POUCO, QUER MAIS?

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A PSICOLOGIA POLÍTICA DO HOMEM QUE NÃO VIROU SUPERHOMEM

EPÍLOGO PROVISÓRIO

Sabemos já, por um outro lado, como à forma política do capitalismo avançado, por necessidades de autoconservação, corresponde um intencional debilitamento da participação. <Os direitos políticos fundamentais que se impõem no quadro da democracia de massas significam de um lado, a universalização do papel de cidadão; por outro, significam também que este papel é desligado do processo de decisão, que a participação política é esvaziada de conteúdos de participação. A pacificação do Estado Social exige que o papel de cidadão seja neutralizado, sendo esse objectivo conseguido mediante a valorização do papel de cliente que, em contrapartida, é hipertrofiado. 24


O Estado apresenta-se como uma empresa que tem por accionistas os cidadãos, necessariamente desiguais nos dividendos a receber, mas todos igualmente interessados numa boa gestão. Só desta estão dependentes a qualidade e a extensão dos serviços sociais a prestar pelo Estado, bem como os valores reais dos salários dos trabalhadores. Teoricamente, portanto, o exercício do poder relevará mais da técnica do que da ideologia e da política. < Se isto é assim, o controlo do Estado deve estar nas mão dos técnicos, dos especialistas: é a estes, e não aos políticos-ideológos, que compete tomar as decisões; a tecnocracia aparece assim inevitavelmente vinculada a um pretenso processo de desideologização>. As ideologias corresponderiam a uma fase ultrapassada do capitalismo, tendo perdido a sua razão de ser com o advento do industrialismo moderno. Na fase que precedeu este advento, ou seja, na fase do capitalismo clássico liberal, a sociedade caracterizar-se-ia por uma forte oposição de interesses entre os diversos grupos sociais e as ideologia serviriam então para justificar os interesses segundo a perspectiva particularizante de cada uma das partes em conflito. A situação, porém, mudaria de figura na fase actual da sociedade industrial: nesta as contradições sociais estariam definitivamente superadas. < As mudanças na vida política do Ocidente – afirma Lipset – refectem o facto de os problemas fundamentais da revolução industrial terem sido resolvidos: os operários obtiveram a cidadania industria e política>. Segundo este autor, tais mudanças significariam <um grande triunfo da revolução social democrática no Ocidente>, graças à qual (revolução) o regime capitalista contemporâneo se terá convertido numa <boa sociedade>; ou, como sustenta Raymond Aron, 25


numa sociedade <razoável>, sem outros problemas que não sejam os da produção e crescimento, pois – e esta é já a posição de Dharendorf – as sociedade industriais, escoradas numa forte classe média, estariam em condições de neutralizar os conflitos sociais imanentes ao seu desenvolvimento. Seria, assim, chegado o momento de declarar o fim das ideologias. <Na actual etapa do desenvolvimento – dizem do mesmo quadrante – as chamadas ideologias universais, quer dizer, as ideologias que mostram o mundo em todos os seus aspectos e estimulas as pessoas à acção política de massas, entraram em contradição com os requisitos da organização e da direcção racionais da sociedade e dos diversos componentes. Segundo as palavras de Elias Diaz, <o binômio tecnocraciadesideologização manifesta-se na zona concreta do Estado como burocracia-despolitização; a administração pretende substituir a política>. O resultado, em consonância com o que preconizam as teses justificativas do domínio da sociedade pelas elites (Schumpeter, Berelson, Dahl, Sartori, Lipset), traduz-se no demissionismo cívico das massas a partir de uma orientação privatística dos interesses10.

“A violência urbana é fruto do descontrole mental dos políticos”.

João Vitor Rocha

10

Os Limites do Poder Constituinte e a Legitimidade Material da Constituição, Luzia Marques da Silva Cabral Pinto, Coimbra Editora, 1994.

26


Gustavo Henrique de Aguiar Pinheiro Mestre em Direito Constitucional/UFC Especialista em Saúde Mental/UECE. Coordenador Geral da Escola Popular de Formação em Direito, Psicologia, Sociologia e Política.

gustavohap@uol.com.br

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A psicologia política do homem que não virou super homem