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Memória Descritiva e Reflexão Crítica UFCD 2474: Conformação à roda – Formas cilíndricas baixas

Educação e Formação de Adultos Técnico de Cerâmica Criativa 1º Ano

Rúben António Amaral Gomes - CC1 2252 2010/11

carga horária: 25 horas formadora: Liliana Francisco

Este documento não pretende ser uma explicação detalhada nem exaustiva dos processos descritos mas sim um apontamento breve e conciso de alguns procedimentos que julguei serem importantes e fundamentais resultantes de uma experimentação prática dos ensinamentos transmitidos na formação. Como relatório individual, consta dele muita da minha visão e opinião pessoal sobre os assuntos e procedimentos abordados.


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Introdução Nesta UFCD idealiza-se criar um certo número de peças idênticas ou o mais similares possível com dimensões predeterminadas. É sempre através da repetição que se dominará a técnica, contudo é opcional uma exploração pessoal nos pormenores finais e acabamentos da peça que lhe definirá personalidade e singularidade. Pretende-se no geral um acabamento limpo e que prime na qualidade técnica. Especificamente deseja-se a execução de 5 peças com diâmetro de 8,5 cm por 10 cm de altura e 5 peças com diâmetro de 10 cm por 15 cm de altura. Em todas as peças é obrigatório a execução do frete, independentemente da forma deste desde que funcional, sendo opcional asas e bocas da peça.

Coeficiente de Contração Como em qualquer outro projeto iniciamos pela seleção e amassamento da pasta necessária. Para conseguirmos prever a quantidade de pasta necessária em quilogramas para estas peças, sendo que existem medidas específicas, devemos antes de mais realizar os cálculos de contração para definirmos que dimensões deverão as peças possuir antes da secagem. O exercício propõe que seja executado em barro vermelho e portanto facilmente acedemos ao website da empresa Sio-2 (www.sio-2.com) e consultamos a ficha técnica disponível do barro vermelho tradicional da gama PFE. Esta ficha técnica informa-nos que a argila em questão possui um teor de humidade de 22%, um coeficiente de contração por secagem de 5,5% e um coeficiente de contração por cozimento de 1,5%. Para 7% de contração total bastará que as nossas peças sejam à partida respetivamente 7% maiores. Por exemplo se quisermos que o nosso diâmetro final seja 8,5 cm, deveremos entender que essa é a medida final com menos 7% devido à contração. Portanto 100% - 7% = 93%. Utilizando a regra dos três simples:

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Uma simplificação e abreviação à regra dos três simples seria apenas multiplicarmos a medida 8,5 por 1,07 onde 1,07 corresponde à soma dos 100% e dos 7% (1,00 + 0,07). Realizados os cálculos apercebemo-nos que o diâmetro que devemos lançar na roda é de aproximadamente 9,1 cm e não de 8,5 cm.

A contração da peça vai afetar a própria espessura das paredes portanto devemos ter em atenção não executar paredes muito finas e frágeis. Só nos resta transferir estes valores para compassos que nos auxiliarão como referência durante o levantamento da peça.

Abertura da Pela Centrada a pela, antes sequer de decidirmos abri-la podemos à partida assegurar-nos que o seu diâmetro se ajusta à peça que vamos realizar. Agora sim estamos prontos para abrir a pela. Várias são, como sempre, as diversas formas de executar o mesmo procedimento mas passo a descrever o método que acabo por usar. Com os dedos indicadores e médio juntos exercer pressão no centro da pela com a outra mão sempre a dar apoio. Depois de criada uma pequena depressão no centro da pela, geralmente, coloco aí alguma água para que possa seguir com a abertura da pela sem ter que interromper o processo para humedecer. Deve-se ter em atenção não perfurar demasiado o centro da pela e manter uma espessura suficiente para a estrutura da peça bem como para a criação do frete. Com os dedos na mesma posição, puxar o barro no sentido 2


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das 5 horas lentamente e controladamente apenas até ao diâmetro necessário. É importante que o fundo fique liso, uniforme e com a correta espessura pois será muito complicado vir a corrigir o mesmo futuramente. Podemos ainda usar uma pequena esponja para comprimir o fundo e alisá-lo.

Levantamento da Peça Antes de levantarmos a peça devemos confirmar se o diâmetro da abertura da pela tem as dimensões corretas. Para a levantarmos usamos a mão esquerda pelo interior da peça e a direita pelo exterior sempre trabalhando do lado direito da peça desde que a roda gire no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. O levantamento da peça deve ser feito no mínimo de ações possíveis mas lentamente e gradualmente em várias tomadas. Exercendo pressão nas paredes laterais da peça pelo exterior mas sempre dando suporte interior ao movimento ascendente levantamos a peça até à altura pretendida. À medida que as nossas mãos se aproximam da boca da peça devemos reduzir a pressão. Um ponto importante ao levantar a peça é que devemos ir reduzindo a velocidade da roda à medida que a nossa peça vai sendo criada. A centrifugação causada com a rotação leva a que as peças tenham tendência para alargar.

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Bocas A boca tem um papel fulcral na totalidade da peça. Sempre que realizamos um levantamento da peça é importante certificar-nos que a boca se mantém nivelada, com a mesma espessura e centrada. Os diversos formatos da boca das peças definem em muito o seu aspeto bem como a função.

Asas As asas devem ser realizadas preferencialmente com a mesma pasta usada no resto da peça e podem ser coladas no momento ou mais tarde, contudo a secagem de ambas as partes deve acontecer ao mesmo tempo e de forma controlada. As asas podem ser ou não funcionais. 4


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Alpiota Alpiota é o nome pelo qual é conhecida a base de acabamento. Uma alpiota deve ser criada com o mínimo de água possível e se necessário deixada a secar um pouco antes de a usarmos. Podemos ainda colocar um plástico fino para que não danifique a peça que vamos colocar em cima. A alpiota pode ser reutilizada para fretar diversas peças e pode ainda ser preservada coberta para utilização noutra sessão. Podemos mesmo usar a mesma alpiota para peças de diâmetros diferentes desde que comecemos por aquelas de maiores dimensões.

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Frete Se assim foi apelidada esta particular zona da peça por ser um frete de realizar ou se pelo contrário o termo surgiu primeiramente na cerâmica, não sei. Contudo frete é o nome da zona inferior da peça que serve para prevenir que o vidrado escorra de forma a que se cole às placas refratárias danificando o trabalho. De modo algum fretar uma peça é um frete. O frete não deve cumprir apenas a função discutida anteriormente para os vidrados, mas é em si mesmo um pormenor do design e conceção da peça, como qualquer outro apontamento. É importante que o frete consiga suportar o peso da peça e não leve a que o fundo abale durante o cozimento por falta de apoio.

Usando a alpiota previamente preparada, o frete deve ser executado quando o barro se encontrar na consistência de couro. É nesta consistência que se deve trabalhar porque se a peça se encontrar demasiado húmida corremos riscos de a deformar e se a peça estiver demasiado seca torna-se complicado fretar sem exercer uma força excessiva que pode levar à fraturação.

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Outros Acabamentos Finais Temos disponíveis vários acabamentos que a peça poderia receber antes do cozimento mas alguns que devemos evitar são lixar a peça e humedecê-la depois de seca. Uma peça ao ser lixada acumula pequenas partículas de barro na sua superfície criando possíveis defeitos no vidrado. Agora resta apenas acondicionar as peças devidamente no forno.

Observações e Considerações Finais Foi um desafio tentar criar peças idênticas e em série, ainda que reduzida. Um desafio pessoal que coloquei a mim próprio foi tentar criar a peça seguinte com cada vez menos gramas de matéria-prima até ao momento que não conseguia levantar a peça por falta de material. Com o conselho e desafio que a professora lançou, ter como tempo limite máximo 30 minutos para a realização de cada peça, acabei por terminar a minha última sessão conseguindo lançar na roda os últimos 3 cilindros maiores no mesmo dia/aula mas apenas porque já possuía pelas suficientes preparadas com antecedência. Ainda que seja importante apreender a amassar a pasta, acredito que devemos aproveitar ao máximo o tempo na roda pelo que proponho que se use cada vez mais a fieira para preparar pasta. Quem sabe se não poderia ser uma tarefa executada por turnos rotativos por um grupo de duas pessoas.

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OLARIA - UFCD 2474 - Conformação à Roda - Formas Cilíndricas Baixas