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Um jornal a serviço do agronegócio

Associação Brasileira das Centrais de Abastecimento

Diretora Geral: Selma Rodrigues Tucunduva | ANO 14 - No 157 | junho de 2013 | Circulação nacional | Distribuição autorizada no ETSP da Ceagesp | www.jornalentreposto.com.br

Cultivar

Femetran 2013

Nova abóbora é opção agroecológica

O bom desempenho do setor de frutas e a alta dos preços de boa parte dos produtos agrícolas impulsionaram a aquisição de novos veículos comerciais na 12ª edição da Feira dos Meios de Transporte, Movimentação e Logística de Produtos Hortifrutícolas.

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Piauí mostra sua força na Ceagesp 70% dos carregadores são de cidades como São José do Piauí e interior do estado Zé Pinheiro, presidente do Sindicar, recebeu a comitiva da cidade de São José do Piauí na celebração da missa de Corpus Christi.

67%

Piauí

15%

Ceará

Piauí

Ceará

6%

São Paulo São Paulo

3%

Pernambuco

9%

Outros Estados

Pernambuco

Outros Estados

Em qualquer lugar que estejam, eles fazem a diferença. Os piauienses representam a maioria da força de trabalho desta categoria. É um contingente maior do que 15 municípios do próprio estado. O Piauí não é aqui, como dizem, mas certamente muitos se sentem em casa. PÁGINA 4

Mandioca:

Internacional

México vai produzir mais tomate

o alimento do século 21

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Benassi e Castanhal se unem para estimular o uso de sacos de juta Índice Ceagesp - maio 2013 Baixa -2,45 %

Geral

Embrapa |

Pesquisadores informatizam análises de risco de pragas agrícolas

Frutas

Alta

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1,73 %

Legumes

Embalagem |

Baixa -12,42 %

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Qualidade |

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Estudo do CQH define quem são os clientes do Entreposto SP

Verduras

Comunicação entre os integrantes da cadeia de abastecimento facilita o escoamento da raiz no ETSP. Encurtar o elo entre os setores reduz o desperdício de alimento e movimenta o mercado. PÁGINA 6

Baixa -15,89 %

Diversos

Ciência |

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Estudo da Esalq busca prolongar vida útil da dedo-de-moça

Baixa 3,13 %

Pescado Alta

1,17 %

WUWM |

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Paixão Lages é o novo diretor da organização de mercados atacadistas

 Eventos >>> PÁGINA 22


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JORNAL ENTREPOSTO

Homenagem

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PARABÉNS! おめでとう 18 DE JUNHO 105 ANOS DA IMIGRAÇÃO JAPONESA NO BRASIL FOTO: HERMAN BREDEHORST

A habilidade dos japoneses em lidar com a terra já estava provada desde que começaram a cultivar café nas fazendas do interior paulista. Daí a se envolverem com o comércio foi um caminho natural. Em São Paulo, passaram a comercializar seus produtos agrícolas no Mercado Central da Cantareira. Na década de 1960, com a enchente que atingiu a região, os comerciantes foram enviados para o recém-criado Ceasa paulistano e ajudaram a moldar o que viria a ser o maior centro de abastecimento da América Latina. Presentes desde a inauguração do entreposto paulistano da Ceagesp, em 1966, hoje eles estão em grande número no mercado e dominam setores como hortaliças e flores. Parabéns a todos os japoneses e descendentes que ajudaram o Brasil a se tornar uma potência agrícola.

O futuro começa neste instante! Precisamos definir o que deve ser feito neste momento e como estabelecer uma firme base. No exato local em que estamos, é importante vencer aqui e agora!

Paulo Fernando Costa / Carolina de Scicco / Letícia Doriguelo Benetti / Paulo César Rodrigues

Daisaku Ikeda

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Sindicato dos Carregadores

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Comitiva de São José do Piauí visita Ceagesp Representantes da cidade de São José do Piauí (PI), estiveram no entreposto na última semana de maio para agradecer aos cidadãos que ajudaram a eleger o prefeito Atiano Bezerra. Na Ceagesp, 70 % dos carregadores vieram do Piauí e a maioria são do município de São José. Não se sabe ao certo o momento e nem o motivo pelo qual os piauienses escolheram o mercado atacadista para oferecer sua mão-de-obra. Segundo o presidente do Sindicato dos Carregadores da Ceagesp, José Pinheiro, ainda existem carregadores do Piauí que começaram no Mercado da Cantareira e migraram para o bairro da Leopoldina junto com as empresas permissionárias e continuam na função. “A comitiva de São José do Piauí veio para agradecer os cidadãos que viajaram nas últimas eleições para votar e apoiar o prefeito eleito Atiano Bezerra”, explica Pinheiro. “Aproveitamos para convidá-los a participar da missa de Corpus Christi e prestigiar a Banda Chocalho”, completou. José Pinheiro, que foi o anfitrião da visita, também é piauiense e defende os direitos dos carregadores do entreposto. “Nosso próximo projeto é qualificar e especializar a categoria”, adianta o presidente do Sindicar. Comitiva da cidade de São José do Piauí

Prefeito: Atiano Bezerra Vereador: Manoel Nelson Vice-Prefeito: Alacide Borges Ex-Prefeito: Ademar Bezerra Vereador e presidente da Câmara – Renavan José Silva Ademaelton Bezerra Souza – Secretário municipal de Finanças

SÃO JOSÉ DO PIAUÍ

São José do Piauí tem cerca de 7 mil habitantes e a Ceagesp mais de 4 mil carregadores. Um estudo calcula que cerca de 70% destes trabalhadores são do Piauí, em sua grande maioria da cidade São José. Se levarmos em conta que muitos vieram com mais alguém da família, isto significaria que se todos voltassem hoje para a terra Natal, a cidade de São José do Piauí quase dobraria sua população. Os números são especulativos, mas representativos, fazendo valer a expressão "O Piauí é aqui!". A fé é uma riqueza do povo piauense, que celebrou missas de Corpus Christi aqui na Cegesp e no seu estado, onde 90 % da população é católica. A festa teve sua origem litúrgica ainda na Idade Média, sendo universalizada na igreja pelo papa Urbano IV, no ano de 1264. A origem de São José do Piauí iniciou-se no mesmo contexto de quase todas as povoações piauienses. Onde hoje é São José existia uma propriedade de criação de gado, chamada fazenda Monte Alegre.

O primeiro a comercializar produtos nesta região, como sal e querosene, foi o Sr. Antônio Pedro Bezerra. Ele era dono da maioria das terras de São José. Com recursos próprios ele construiu uma capela, onde dois padres trouxeram a imagem do santo. O povoado foi batizado de São José da Tapera. São José da Tapera era um povoado da cidade de Picos. O vereador de Picos, Sr. Francisco Vicente Pacheco, e representante de São José, com a ajuda de outras pessoas conseguiu elevar em dezembro de 1963 o povoado São José da Tapera ao status de município, com o nome de "São José do Piauí", sendo instalado em 12 de abril de 1964. A 5 km de São José, temos o povoado Malhada Redonda. Local de grande beleza natural, principalmente com suas vistas para o "Morro Chapéu" e os "Picos dos Três Irmãos", conhecida também como "Cidade Encantada", onde podemos encontrar fósseis entre seus "caldeirões" (pequenas valas naturais na rocha) e seus cânions, além de pinturas rupestres. Ao redor da cidade há diversos morros com pinturas rupestres ainda não exploradas pelo homem.

Com uma cultura muito conservadora, se destacam na cidade e nos municípios vizinhos os festejos do Padroeiro, desfiles, reisados, movimentos estudantis, aniversário da cidade, entre outros. A cidade de São José do Piauí se transformou em terra do cinema. A única cidade do estado que possui seis filmes produzidos por gente da terra. O cineasta Roberto Borges já dirigiu seis filmes longas-metragens e tem ganhado boa aceitação do público em todo Brasil. O ultimo filme da saga Raízes do Sertão foi veiculado pela TV PICOS, que realizou a primeira minissérie televisiva piauense, dirigido pelo cineasta. No dia 11 de novembro de 2012, Roberto Borges foi homenageado pelo festival nacional de cinema e vídeos dos sertões como cineasta destaque piauiense, recebendo a insígnia Cacto de Ouro e, no mesmo festival, dois de seus filmes foram escolhidos na exibição das amostras do festival. A UFPI (campus de Picos) também homenageou o cineasta Roberto Borges, certificando-o por suas obras que engradecerem a cultura regional. Mais : www.saojosedopiaui.pi.gov.br/

EUCARISTIA

Ex-carregador celebra missa de Corpus Christi no entreposto Para celebrar o Sacramento do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, o Sindicato dos Carregadores da Ceagesp (Sindicar) recebeu a Missa de Corpus Christi no Galpão dos Carregadores Autônomos, no dia 30 de maio. O Frei Décio Pacheco Bezerra veio de Piracicaba para abençoar trabalhadores do entreposto e seus familiares. O religioso também foi carregador na Ceagesp e lembrou dos tempos em que colaborava para

o FLV chegar até a mesa dos brasileiros. “Manusear alimentos é um trabalho sagrado. Parabéns a todos os carregadores e colaboradores da Ceagesp. Que Deus os abençoe”. Descendente de piauienses, Frei Décio também homenageou os representantes do estado que “empresta” grande parte da mão-de-obra utilizada no entreposto. “O Piauí representa uma grande força no mercado atacadista de São Paulo”, destacou.


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Qualidade

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Mandioca, alimento nutritivo e indispensável à dieta brasileira Cozinhar ou não cozinhar? Eis a questão! A qualidade da raiz in natura apresenta grande variação Thiago Oliveira Melo Viviane Oliveira Amanda Camargo Roston Centro de Qualidade em Horticultura da Ceagesp A mandioca é a quarta cultura agrícola mais importante no mundo e a principal nas regiões tropicais. A sua raiz e seus subprodutos são consumidos por mais de 800 milhões de pessoas, segundo a FAO. Em algumas regiões do mundo, como no Nordeste brasileiro, em Gana e na Nigéria (África) e em algumas ilhas da Indonésia (Ásia), mais de 70% das calorias consumidas diariamente pela população vêm da mandioca. A qualidade culinária das raízes de mandioca adquiridas in natura apresenta grande variação, o que acaba afastando os consumidores do produto. Outro problema é o escurecimento da polpa que pode ocorrer de duas maneiras - fisiológica (transformação causada por enzimas da mandioca) e secundária (de ordem microbiana) que limita o período de comercialização e a aceitação do produto no mercado. A deterioração enzimática ocorre em torno de 48 horas após a colheita, acarretando descoloração e aparecimento de veias azuladas na polpa e a microbiana é provocada por microrganismos que penetram nas lesões e se manifestam 05 a 07 dias após a colheita. A melhor conservação das raízes exige alguns cuidados - colheita na época correta, prevenção de danos físicos de umidade nas raízes, retiradado excesso de solo e secagem ao ar livre. As estimativas de perdas na pós-colheita sejam de 23%, devido ao uso de tecnologias inadequadas na conservação. O CQH (Centro de Qualidade em Horticultura) da Ceagesp fez no final de 2012 diversos testes físico-químicos visando compreender com maior clareza as características da mandioca na comercialização – o tamanho das raízes, qualidade e valor de diferentes classificações nas caixas, o fenômeno de escurecimento de polpa e o seu comportamento após a cocção. A homogeneidade de tamanho das raízes na embalagem é fator de diferenciação de valor

– caixas com mandiocas muito finas misturadas com mandiocas muito grossas valem 25% menos que caixas com maior homogeneidade de tamanho. As raízes muito finas (diâme-

tro < 2,5 cm) cozinham melhor (ficam mais macias após cozimento), mas são mais suscetíveis ao escurecimento que as mais grossas. A variação de peso entre

as raízes chega 94% - em uma mesma embalagem foram encontradas raízes com 1.125 e 65 gramas. Lotes com tamanho desuniforme são sempre vendidos por preços menores. As raízes menores são colocadas no fundo da caixa, sofrendo danos mecânicos, o que as torna ainda mais suscetíveis ao escurecimento -enzimático e microbiano (os danos mecânicos são a porta de entrada de micro-organismos oportunistas). Os testes físico-químicos realizados no laboratório do Centro de Qualidade em Horticultura da Ceagesp demostraram que uma relação direta entre o teor de matéria seca, a firmeza da polpa pós-cozimento e a densidade ao não ‘amolecimento’ da polpa depois do cozimento. Existe alta correlação (84%) entre matéria seca (matéria seca é o peso do produto sem água) e densidade (relação entre peso e volume). A maior densidade e maior teor de matéria seca podem ser explicados pelo ‘empacotamento’ das fibras na mandioca – as fibras ficam mais juntas e agregadas. A compactação das partículas (fibras e amido principalmente) dificulta a entrada da água e o amolecimento das fibras, mesmo depois de um longo tempo de cocção. A correlação (78%) entre a firmeza da polpa e a densidade também é alta. Os cultivares de mandioca para mesa devem ter um ciclo

mais curto entre o plantio e a colheita. As diferentes variedades de mandioca apresentam um determinado tempo de seu ciclo “sem cozinhar”, um fator crítico para o mercado “in natura, segundo a Embrapa. As cultivares tardias apresentam baixa qualidade culinária no fim do ciclo – mesmo quando cozinham, a qualidade é ruim principalmente pela presença de fibras. A proposta do trabalho dos técnicos do Centro de Qualidade em Horticultura da Ceagesp é estabelecer características de fácil mensuração que podem ser utilizadas na determinação do que possam ser mensuráveis para a determinação da qualidade culinária da mandioca sem a necessidade de cocção. A qualidade culinária é inversamente proporcional à densidade. O conhecimento da densidade máxima que uma mandioca deve ter para garantir qualidade culinária permitirá a utilização de um teste simples no campo, utilizando um líquido de densidade conhecida (que pode ser produzido com água e sal). Os estudos mostraram que a mandioca com densidade abaixo de 1,13 g/cm³ apresentou boa qualidade culinária. É preciso testar na prática. Faça uma solução com 82 gramas de água e 18 g de sal ou múltipla e coloque um pedaço de mandioca descascado nela. Se a mandioca flutuar ela deverá ter boa qualidade culinária.


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Qualidade

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A mandioca e as hortaliças feculentas Fabiane Mendes da Camara; Marcela Moretti Roma; Natália Ruza; Bertoldo Borges Filho Centro de Qualidade em Horticultura da Ceagesp

O Brasil é o país da mandioca (ManihotesculentaCrantz) antes mesmo do seu descobrimento. Ainda hoje, a mandioca tem grande importância na alimentação humana e animal, na indústria alimentícia (farinhas, féculas, espessantes, geleificantes, emulsificantes,) e não-alimentícia (têxtil, papel, plástico, adesivos, mineradora, petrolífera, álcool,).

Aipim ou macaxeira são outras denominações da mandioca para consumo in natura, que é também conhecida em outras regiões como: aipi, candinga, castelinha, macamba, mandioca-doce, mandioca-mansa, maniva, maniveira, moogo, mucamba, pão-da-américa, pão-de-pobre, pau-farinha, uaipi, xagala. A mandioca é uma excelente fonte de energia, fibras, minerais, potássio, cálcio, fósforo e vitaminas do complexo B. Uma mandioca de boa qualidade culinária deve apresentar baixo tempo de cozimento, ausência

de fibras na massa cozida e facilidade de descascamento. A mandioca também é objeto de estudo do projeto Projeto HortiEscolha, realizado pelo Centro de Qualidade em Horticultura da Ceagesp em parceria com a Esalq – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Processo FAPESP 2010/52337-0). O projeto HortiEscolha apresenta entre os seus objetivos, orientar os serviços de alimentação no processo de aquisição dos produtos de melhor custo-benefício. A mandioca é utilizada em pequeno volume ou nem

é utilizada na maioria dos cardápios da alimentação escolar, não sendo considerada como uma alternativa para a elaboração de um cardápio de melhor custo-benefício e mais diversificado, em cada época. Existem muitas opções de hortaliças feculentas que armazenam reserva nos seus órgãos subterrâneos. As mais comercializadas estão ilustradas abaixo. O estudo realizado para estabelecer a hortaliça feculenta (batata, mandioca, mandioquinha-salsa, cará, inhame e batata doce) de melhor custo-benefício para utilização no mês de junho

de 2012, mostrou a mandioca como uma das opçõesde melhor custo-benefício. A utilização da mandioca no lugar da batata significou, neste estudo, uma economia de 30%. Os principais grupos varietais de mandioca comercializados no ETSP da Ceagesp são: o Branco e o Amarelo que estão ilustradas no quadro de variedades de mandioca. A quase totalidade da mandioca (99%) aqui comercializada é produzida no Estado de São Paulo, sendo os maiores municípios de origem: Capela do Alto, Mogi Mirim, Porto Feliz e Artur Nogueira.

As hortaliças feculentas e os principais grupos varietais da mandioca comercializadas na Ceagesp Ilustrações: Bertoldo Borges Filho Centro de Qualidade em Horticultura da Ceagesp


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Mercado

Gramado aposta em produtos inovadores e diferenciados

Ao se aproximar do consumidor final, atacadista agrega modernização e responsabilidade ambiental

Atenta às mudanças de hábito de consumo dos brasileiros, a Gramado, que atua no setor alimentício desde 1993, oferece produtos diferenciados e inovadores. O extenso catálogo de frutas, verduras e legumes tem garantia de qualidade, sabor e maior durabilidade. Além disso, a seção de hortifrutis “gourmet”, com os babys e minis, ajuda a dar o toque final no preparo e na degustação de pratos sofisticados. David Secarelli, vendedor, explica que a atacadista sempre buscou se aproximar do consumidor final inovando e introduzindo outros produtos. “Foi assim que nasceu a Go Green, empresa do Grupo Gramado que cultiva e comercializa produtos orgânicos, se dedicando, assim, a responsabilidade ambiental”, esclarece. “Acreditamos que essa é a tendência do mercado e nos esforçamos para acompanhá-la”, acrescenta o funcionário.

Os hortifrutis chamados convencionais também são selecionados por processo automatizado que reduz o manuseio e prolonga a durabilidade do FLV. Além disso, a Gramado trabalha em parceria com os agricultores, fornecendo as sementes para o cultivo. “Às vezes, financiamos alguma roça para incentivar o trabalhador rural a produzir com mais qualidade”, afirma David. Dessa maneira, além de colaborar

com o produtor, a distribuidora consegue manter a qualidade ao longo das safras. Segundo o funcionário, para facilitar as atividades do setor varejista, a Gramado oferece diversos produtos prontos para serem colocados nas prateleiras de supermercados e sacolões. “Aqueles que não vão em bandejas, são colocados em caixas apropriadas, seguindo as determinações dos órgãos fiscalizadores”, afirma.

Issao dá feedback para produtores se destacarem no mercado

Iniciativa ainda ajuda a reduzir perdas e satisfazer os clientes A atacadista Issao está na Ceagesp há quase 40 anos e se diferencia por trabalhar com uma grande variedade de legumes, todos de excelente qualidade. Segundo Jair Clementino de Souza, vendedor, a tradição da empresa não permite enganos ou produtos que estão fora do padrão. “A Issao foi fundada há muito tempo e tem forte presença no mercado. O esforço é para manter a agilidade no manuseio do alimento perecível”, explica.

A maneira mais fácil encontrada pelos administradores para reduzir perdas e satisfazer o cliente foi o contato com os produtores. Sempre que um produto não vem nos padrões da atacadista, o agricultor responsável é contatado. Clementino acredita que essa feedback gera uma evolução na cadeia. “Avisando o produtor onde ele deve melhorar, ajudamos a posicioná-lo melhor no mercado”, analisa. Durante a safra de

mandioca, a Issao comercializa cerca de duas mil caixas por semana vindas das cidades de Capela do Alto, Artur Nogueira e Avaré, interior do estado de São Paulo. Além da mandioca tradicional ou “suja”, como é conhecida no mercado, a empresa também vende a raiz já limpa, descascada e embalada a vácuo. “Supermercados e restaurantes estão cobrando essa praticidade e estamos aqui para atendê-los”, completa Jair.

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Contato com produ varejistas garante nas vendas da Nas Há 12 anos no mercado da Ceagesp, a atacadista Nascente mantém o foco na qualidade dos hortifrutis que coloca a venda. Para não haver surpresas na hora do recebimento da mercadoria, funcionários e produtores estão sempre em contato. “Depois de um tempo de relacionamento, os agricultores já sabem o que exigimos e têm se esforçado para manter um determinado padrão”, avalia Hessione Borges de Souza, vendedor. Além de alertar o produtor sobre as preferências dos varejistas, a Nascente também se dispõe a embalar os legumes de acordo com o pedido do cliente. Dessa maneira, mantendo um bom relacionamento com os outros agentes da cadeia, Hessione considera mais fácil administrar as vendas. “Assim, não estamos à deriva. Sabemos o que vamos receber da roça e já sabemos como entregar ao comprador. É a melhor maneira para ter produto de qualidade o ano inteiro”, explica. Nessa época do ano, as vendas de mandioca aumentam e Hessione destaca a qualidade da raiz. “O mercado está aquecido e o clima tem ajudado. Temos recebido mandiocas que derretem quando cozinham”, garante o funcionário.


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Mercado

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utores e e bom resultado scente

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Dois Cunhados trabalha em parceria com outros integrantes da cadeia

Promotores espalhados pelas redes varejistas são responsáveis pela exposição e reabastecimento das gôndolas A distribuidora de frutas e legumes Dois Cunhados está no setor hortifrutigranjeiro há 26 anos e continua confiante no mercado, que cresce a cada ano. Atualmente, a empresa participa de todos os processos que envolvem a cadeia de abastecimento de FLV no Brasil, desde o plantio até o varejo: colheita, processos industriais, armazenamento, embalagem, transporte, movimentação e distribuição. Focada no bom relacionamento com os outros integrantes do setor, a atacadista afirma que nos estados mais desenvolvidos, já e possível trabalhar em parceria com supermercados, sacolões e demais clientes, utilizando técnicas de gerenciamento para definir o sortimento dos produtos mais adequados ao perfil do consumidor. Inicialmente o esforço na comercialização e na produção própria estimulou o desenvolvimento de parcerias entre produtores, fornecedores, varejistas e atacadistas. Assim, criou-se um conjunto de medidas de padronização como transporte, entrega e recebi-

Porto Novo se especializa no atendimento a supermercados

Bom manuseio e disponibilidade dos produtos facilitam o relacionamento com as redes varejistas Quando os supermercados começaram a dominar o comércio varejista de frutas, verduras e legumes, a atacadista Porto Novo percebeu que um novo filão estava surgindo e, aos poucos, se especializou no atendimento desse setor. “Atualmente, nossos principais clientes são os supermercados. Mesmo assim, conseguimos atender todo o público da Ceagesp, desde marreteiros, passando por restaurantes, até revendedoras”, afirma o vendedor George Higashi, que trabalha no entreposto desde 1988.

Para lidar com supermercadistas, considerado o cliente mais exigente do entreposto, a Porto Novo utiliza critérios que auxiliam no controle da qualidade depois que o hortifruti sai do campo. “Muitos varejistas são categóricos no pedido. Se necessário, reembalamos de acordo com o padrão seguido pela loja”, esclarece George, acrescentando que a empresa dispõe de uma ampla variedade de produtos e, por isso, nunca fica em falta com o cliente. A atacadista, fundada há 13 anos, comercializa cerca de

cem caixas de mandioca por dia, equivalente a 20 mil quilos. Higashi explica que muitos varejistas já conseguem comprar FLV diretamente com o produtor, mas que a mandioca é um produto difícil de ser encontrado (no atacado) fora do Entreposto Terminal de São Paulo. “A Ceagesp ainda é referência na oferta desse alimento. E a Porto Novo recebe mandiocas frescas diariamente e tem uma lista completa para atender o mercado varejista”, destaca o vendedor.

mento, contribuindo com higiene e minimizando perdas. Cerca de 70% das lojas varejistas parceiras contam com um promotor da Dois Cunhados, que ficam responsáveis pela exposição do hortifruti e ajudam a definir quais gôndolas devem ser reabastecidas. “Esse serviço de pós-venda é um grande diferencial já que trabalhamos com produtos perecíveis que não podem apodrecer nas prateleiras”, explica Fábio Cristiano,

vendedor. “Os promotores são os nossos olhos no mercado varejista”, compara. A proximidade com o consumidor final levou a Dois Cunhados a investir em frutas e legumes “bandejados”. A mandioca, por exemplo, já chega embalada. “Somos responsáveis por mantê-las na temperatura ideal para não estragarem”, comenta Fábio. “Essa área está evoluindo e estamos preparados para atender as demandas”, avalia.


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Artigo

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Venda de flores no dia dos namorados em 2013 Antonio Hélio Junqueira * Marcia da Silva Peetz **

O Dia dos Namorados, como já se sabe, representa uma das mais importantes datas de venda para o setor varejista no Brasil, em especial para o comércio de flores. Diferentemente de boa parte do mundo, especialmente dos EUA e de muitos países europeus, por aqui, esta comemoração não ocorre no Dia de São Valentin (14 de fevereiro). Entre nós, a instituição do Dia dos Namorados, no mês de junho, se deveu a uma jogada de marketing criada e implementada por João Dória (19192000), em 1949, através da agência Standard Propaganda. A necessidade de criar um estímulo para as vendas varejistas tradicionalmente fracas na metade do ano, levou à ideia de criar uma nova data que impulsionasse o consumo, logo muito bem recebida e incentivada pelo mercado. A data escolhida coincide com a véspera do dia consagrado a Santo Antônio, considerado o santo casamenteiro e o padroeiro do enamoramento, do amor e da paixão. Segundo as pesquisas da Serasa Experian sobre as Ex-

pectativas de Vendas para o Dia dos Namorados, as flores têm significado, em média, 12% das intenções de compras para presentear nesta data. Pela série histórica de dados destas pesquisas, é possível constatar que em anos nos quais o endividamento dos consumidores no cartão de crédito e as taxas de inadimplência andam mais elevadas, a participação das flores entre as opções de compra aumentam significativamente, como ocorreu em 2008 e 2009, quando a intenção de presentear com flores elevou-se para 16% e 18%, respectivamente. Em 2013, tal fato voltou a se repetir, haja vista que o endividamento e a inadimplência dos consumidores encontram-se em alta. Entre as flores preferidas para compra nesta data, as rosas vermelhas dominam completamente o mercado, tanto em unidades, quanto em buquês de seis ou 12 hastes. No Brasil, há pouca flexibilidade do consumidor para incluir rosas cor-de-rosa ou de outras colorações nesta data, diferentemente do que ocorre no mercado norte-americano, por exemplo, onde estas encontram larga penetração. Tentativas anteriores de importadores em trazerem rosas nestas colora-

ções alternativas (cor-de-rosa, branca, mistas e outras) resultaram em grande fracasso de vendas. Para o ano de 2013, a falta, já prevista, de rosas para o adequado abastecimento do mercado no Dia dos Namorados acabou provocando forte pressão de preços em toda a cadeia, que resultou em elevação das cotações da ordem de 30% sobre o mesmo período do ano anterior, impactando o mercado global da floricultura. As principais razões para a queda na oferta de rosas para a data foram as seguintes:

1) Redução da oferta de rosas oriundas do mercado interno, em função de importantes problemas climáticos ocorridos nas regiões produtoras do Ceará e de Minas Gerais ao longo dos primeiros cinco meses do ano (especialmente em abril e maio). No Ceará, a forte seca que atingiu a região da Serra de Ibiapaba fez despencar a produção de flores, especialmente a das rosas, para apenas 132 mil hastes, ante a previsão anterior de 188 mil que deveriam ser obtidos nos 70 hectares cobertos com estufas presentes na região. Já em Minas Gerais,

na região de Andradas, os problemas foram devidos ao frio e ao excesso de chuvas, que chegou a reduzir a produção em cerca de 35%. Com a presença de muitos dias nublados, faltou calor e luz, fatores essenciais para a produção e a qualidade das rosas. 2) Redução da oferta e da qualidade das rosas disponíveis para a importação brasileira no mercado internacional (da Colômbia e Equador), em função da relativa recuperação do mercado norte-americano, para onde as rosas são dirigidas com prioridade;

3) Endividamento do consumidor brasileiro no cartão de crédito e aumento da inadimplência, o que provocou menor procura por presentes duráveis e de maior valor unitário, comprados a prazo, abrindo, assim, maior espaço para a entrada das flores.

Além disso, a proximidade das duas principais datas de consumo: Dia das Mães (segundo domingo do mês de maio) e Dia dos Namorados (12 de junho), deixa pouca margem para a organização estratégica de produção e de abastecimento por parte dos produtores.

Em decorrência de fenômenos como estes, que atingem notadamente a oferta de rosas, os mercados para flores alternativas, especialmente os vasos de orquídeas (Phalaenopsis) e de antúrios, vêm, ano a ano, se expandido para a data, tendência que deverá se acentuar já no futuro próximo. Em 2014, poderão voltar a ocorrer, ou não, problemas de abastecimento semelhantes a esses. Porém, uma coisa já está decidida: será um Dia dos Namorados muito diferente e que provavelmente reduzirá o foco nos presentes, pois coincidirá com a partida inaugural da Copa do Mundo de Futebol, no Brasil.

*Engenheiro agrônomo, doutorando em Ciências da Comunicação (ECA/USP), mestre em Comunicação e Práticas de Consumo (ESPM), pós-graduado em Desenvolvimento Rural e Abastecimento Alimentar Urbano (FAO/PNUD/CEPAL/IPARDES), sócio administrador da Hórtica Consultoria e Treinamento. **Economista, pós-graduada em Comercialização Agrícola e Abastecimento Alimentar Urbano, sócia-administradora da Hórtica Consultoria e Treinamento.


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Agrícola

INVESTIMENTO

Plano Agrícola e Pecuário 2013/14 disponibilizará R$ 136 bilhões As prioridades do novo plano são armazenagem, irrigação, médio produtor, seguro rural, desenvolvimento sustentável e cooperativismo. Defesa agropecuária e assistência técnica rural também serão fortalecidas O Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2013/14 é o mais abrangente e maior em volume financeiro já lançado no Brasil. Anunciado em 4 de junho pela presidente Dilma Rousseff e pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Antônio Andrade, o total de recursos liberados para a próxima safra é de R$ 136 bilhões, sendo R$ 97,6 bilhões para financiamentos de custeio e comercialização e R$ 38,4 bilhões para os programas de investimento. Em relação ao crédito disponibilizado na temporada que termina no dia 30 de junho deste ano, a alta é de 18%. Durante o lançamento do PAP, o ministro ressaltou ainda o fortalecimento do sistema de defesa agropecuário brasileiro e da assistência técnica rural. Dos R$ 136 bilhões previstos para a nova safra, R$ 115,6 bilhões serão com taxas de juros controladas, crescimento de 23% sobre os R$ 93,9 bilhões previstos na temporada 2012/13. A taxa de juros anual média é de 5,5%, sendo que serão menores em modalidades específicas: de 3,5% para programas voltados à aquisição de máquinas agrícolas, equipamentos de irrigação e estruturas de armazenagem; de 4,5% ao médio produtor rural; e de 5% para práticas sustentáveis. Para o cooperativismo, R$ 5,3 bilhões estarão disponíveis pelos programas de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor à Produção Agropecuária (Prodecoop) e do e Capitalização de Cooperativas Agropecuárias (Procap-Agro). Também foram reduzidos os juros para capital de giro das cooperativas, de 9% para 6,5% ao ano. De acordo com Antônio Andrade, a elaboração do plano atual dá uma atenção extra para logística e infraestrutura no Brasil. O governo federal vai disponibilizar R$ 25 bilhões para a construção de novos armazéns privados no país nos próximos cinco anos – sendo R$ 5 bilhões na temporada 2013/14. O prazo será de até 15 anos para pagamento. Além disso, serão investidos mais R$ 500 milhões para modernizar e dobrar a capacidade

WILSON DIAS/ ABr

de armazenagem da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Pelo Programa de Sustentação de Investimento (PSI-BK), para o financiamento de máquinas e equipamentos agrícolas, serão R$ 6 bilhões, enquanto para a agricultura irrigada, R$ 400 milhões. O médio produtor também foi destacado no novo PAP. Foram disponibilizados R$ 13,2 bilhões pelo Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) para custeio, comercialização e investimento. O valor é 18,4% superior aos R$ 11,15 bilhões previstos na safra 2012/13. Os limites de empréstimo para custeio passaram de R$ 500 mil para R$ 600 mil, enquanto os de investimento subiram de R$ 300 mil para R$ 350 mil. O financiamento ao desenvolvimento sustentável da agricultura brasileira continua prioritário entre as modalidades de crédito fomentadas pelo governo federal. Pelo Programa Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC), que financia tecnologias que aumentam a produtividade com menor

impacto ambiental, o volume de recursos saltou de R$ 3,4 bilhões para R$ 4,5 bilhões. Uma das principais novidades do plano é o aumento da subvenção ao prêmio do seguro rural. “O governo elevou em 75% os valores para este ano, passando de R$ 400 milhões para R$ 700 milhões”, anunciou o ministro Antônio Andrade. Do total, 75% serão aplicados em regiões e produtos agrícolas prioritários, com subvenção de 60% do custo da importância segurada. A expectativa é segurar uma área superior a 10 milhões de hectares e beneficiar 96 mil produtores. Já o limite de financiamento de custeio, por produtor, foi ampliado de R$ 800 mil para R$ 1 milhão, enquanto o destinado à modalidade de comercialização passou de R$ 1,6 milhão para R$ 2 milhões. Em ambos os casos, a variação foi de 25%, mas o contrato de custeio pode ser ampliado em até 45%, dependendo das condições de contratação ou de uso de determinadas práticas agropecuárias (como adesão ao seguro agrícola ou a mecanismos de

proteção de preços, utilização do Sistema Plantio Direto, comprovação de reservas legais e áreas de preservação permanente na propriedade e adoção do sistema de identificação de origem). Para apoiar a comercialização, o novo Plano Agrícola e Pecuário terá R$ 5,6 bilhões. Deste total, R$ 2,5 bilhões se destinam à aquisição de produtos e manutenção de estoque e R$ 3,1 bilhões para equalização de preços, de maneira a garantir o preço mínimo ao produtor. Defesa agropecuária e assistência técnica

O evento de lançamento do PAP marcou também o anúncio de iniciativas para aprimorar o sistema de defesa agropecuário do Brasil. Serão R$ 120 milhões para ampliação e modernização dos seis Laboratórios Nacionais Agropecuários (Lanagros) do Governo Federal. Esse valor será utilizado ainda para oferecer diagnósticos mais rápidos e ainda mais precisos. Quanto ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de

Origem Animal (o Sisbi-POA), será criada uma coordenação que garantirá a consolidação do sistema, facilitando o acesso dos estados e municípios ao Programa. “Outra grande preocupação da defesa agropecuária será com a tipificação das carcaças bovinas, incentivando os produtores na melhoria e padronização da carne”, explicou Antônio Andrade. A criação do Serviço Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural foi lembrada pelo ministro. “A criação desse serviço será um marco significativo para o aumento da produção, da produtividade e do bem-estar do produtor brasileiro”. O ministro citou ainda o Programa Inovagro, que tem o objetivo de impulsionar a produtividade e a competitividade do agronegócio brasileiro por meio da inovação tecnológica. “O governo vai destinar R$ 3 bilhões para o agronegócio, sendo R$ 2 bilhões para pesquisa e desenvolvimento de máquinas e equipamentos e R$ 1 bilhão para que os produtores rurais possam incorporar tecnologias”, afirmou o ministro.


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Embalagem

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PARCERIA

Benassi e Castanhal se unem para estimular o uso de sacos de juta Para aumentar vida útil do produto e diminuir perdas, Grupo Benassi vai passar a exigir que seus fornecedores entreguem a batata apenas em sacos de juta mento, causado pela exposição à luz solar, da batata armazenada em sacos de 50 kg. Após 10 dias ensacadas, apenas 0,725 kg das batatas armazenadas em juta estavam com um leve esverdeamento. Por outro lado, no clone esse índice era 1,111 kg e no nylon 1,475 kg. O estudo mostrou ainda que mesmo após 30 dias de armazenamento, o saco de juta mantinha as batatas praticamente sem esverdeamento considerado inaceitáveis pelo consumidor.

A Castanhal, maior fabricante de produtos de juta das Américas, acaba de firmar uma parceria com o Grupo Benassi, importante atacadista de hortifruti. As empresas vão estimular os produtores de batata a embalarem seus produtos apenas em sacos de juta. O objetivo é diminuir o índice de perda de batata durante as fases de armazenamento e transporte e aumentar a lucratividade de toda a cadeia produtiva do tubérculo. Ao mesmo tempo, a produção de juta, cultivada de forma sustentável por ribeirinhos na Amazônia, deve ganhar um novo aliado na competição com as fibras sintéticas. “O saco de juta protege mais a batata do que outras embalagens feitas de plástico, já que o formato macio e arredondado do fio de juta amortece os impactos provocados durante o transporte”, diz Hélio Meirelles, presidente da Castanhal. A afirmação é baseada em um estudo realizado pelo Instituto de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Uberlândia (MG), que mostrou ainda que a embalagem de juta é mais eficaz na proteção da batata contra problemas como o esverdeamento. “Nós já percebíamos na prá-

tica que o saco de juta protege melhor as batatas, mas depois de vermos os dados do estudo ficamos definitivamente convencidos e passamos a exigir de nossos fornecedores regulares que passem e entregar a batata apenas em sacos de juta”, diz Bruno Benassi, gerente do grupo responsável pela unidade de São Paulo. De acordo com Benassi, a batata tem um dos maiores índices de perda e desperdício do segmento de FLV. O executivo explica que todo o processo de seleção, lavagem, armazenamento e transporte é muito agressivo e reduz a vida útil do tubérculo. Hoje os sacos de nylon e clone, apesar de serem cortantes e ferirem com freqüência a pele da batata, são os mais utilizados para embalar o produto porque a fibra sintética reflete melhor a luz e passa a impressão para os compradores que a batata é mais clara, uma exigência dos consumidores. “Porém, isso não funciona para nós porque todos os grandes distribuidores sabem comprar batata e não são influenciados por esses fatores. Preferimos receber a batata em uma embalagem que nos ofereça um índice maior de aproveitamento do produto”, diz Benassi.

Na parceria firmada, a Castanhal ficará responsável por fazer um trabalho de divulgação e acompanhamento em toda a cadeia produtiva e ajudar a convencer os produtores e os lavadores de batata a migrarem definitivamente para o saco de juta. “Não será um trabalho difícil porque o saco de juta tem um preço competitivo em relação nylon e é mais barata que o clone, além de proporcionar uma rentabilidade maior para toda a cadeia produtiva”, diz Meirelles. O estudo O Instituto de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Uberlândia, em Minas Gerais, realizou uma experiência com sacos de batata de 50 kg para verificar o índice de perda do produto durante o transporte e o armazenamento. O resultado mostrou que, na média, os sacos de juta apresentavam apenas 1,25 kg de batata com danos inaceitáveis após o transporte, enquanto que o clone tinha 2,37 kg de perdas e o nylon chegava a 3,87 kg de desperdício. O estudo foi financiado pela Castanhal. O teste verificou ainda o índice de perda por esverdea-

Juta, a fibra sustentável A juta é uma fibra natural cultivada principalmente nas áreas de várzea dos Rios Solimões e Amazonas. São áreas nas quais o ciclo anual de cheia do rio impede o crescimento natural da floresta ou a prática de alguma cultura permanente. O cultivo garante a renda de cerca de 15 mil famílias de ribeirinhos nos Estados do Amazonas e do Pará. Isso faz com que essas famílias de ribeirinhos não precisem se envolver em atividades que agridam a Floresta Amazônica, como a caça, a pesca ou o desmatamento. A alternativa de renda gerada por essa cultura também ajuda a fixar o homem no campo e evita o êxodo para engrossar as favelas e periferias das grandes cidades da Região Norte. Para o plantio da juta não é necessária queimada para limpar o terreno, à medida que a cheia do próprio rio se encarrega disso. A lama deixada após a vazante serve de fertilizante natural e torna desnecessária a utilização de adubos químicos. A Castanhal compra a fibra dos ribeirinhos e a transforma em tecido em sua fábrica na cidade de Castanhal, no interior do Pará. No processo de confecção do tecido são utilizados apenas aditivos orgânicos e os óleos vegetais. Isso, associado às características naturais da planta, faz com que os produtos de juta, além de serem retornáveis, também sejam totalmente biodegradáveis. Ou seja, quando descartados se desintegram rapidamente sem deixar qualquer resíduo ou dano ambiental.

Castanhal lança saco de juta “fecha fácil” Nova sacaria com fecho vai melhorar a produtividade da mão-de-obra empregada na embalagem de batata e cortar outros custos deste processo A Castanhal lançou uma nova linha de sacaria para embalagem de batata com o exclusivo sistema “fecha fácil”. Disponíveis nos tamanhos 10kg, 25kg e 50kg, a nova embalagem alia praticidade à conhecida proteção ao tubérculo proporcionado pelo fio de juta, que por ser macio e natural, diminui agressões à pele da batata. “O fecha fácil vai dobrar a produtividade das pessoas empregadas no processo de embalagem da batata, além de eliminar custos como o de fios utilizados para costurar os sacos atuais, compra e manutenção de equipamentos de costura e energia elétrica utilizada neste processo” diz Flávio Junqueira Smith, presidente da Castanhal. A idéia da nova linha de sacaria surgiu a partir de uma sugestão dos próprios lavadores de batata em virtude da proibição iminente da utilização dos sacos de 50kg. O Projeto de Lei 5.467 vai alterar um artigo da Consolidação das Leis do Trabalho e o peso máximo que será permitido ser carregado por homens são sacos de 30kg, e não mais de 60kg como é hoje. Essa mudança iria obrigar as lavadoras de batatas, que utilizam sacos de 50kg, a dobrar suas equipes de trabalho para embalar os tubérculos em sacos de 25kg. Porém, com a utilização da embalagem fecha fácil, a produtividade da equipe é duplicada e as empresas conseguem manter o mesmo número de funcionários mesmo com a alteração no processo de embalagem.


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Produção

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Agricultura familiar é a mais afetada pelas mudanças do clima, aponta Embrapa

Agência Brasil

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Eduardo Assad, um dos palestrantes do seminário Caminhos para uma Agricultura Familiar sob Bases Ecológicas: Produzindo com Baixa Emissão de Carbono, que ocorreu nos dias 13 e 14 de junho, na sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O evento dicutiu as formas de produção agrícola familiar de forma sustentável nos diversos biomas brasileiros. Sobre os efeitos do clima na produção agrícola, o pesquisador da Embrapa, Eduardo Assad, explicou que a chuva é um dos fatores mais importantes. No caso do Brasil, a quantidade total de chuvas não tem tido alterações, mas a intensidade das precipitações, sim. Isso resulta no aumento da erosão, na perda de fertilizantes e em inundações de áreas produtivas - como em áreas ribeirinhas, ocupadas, principalmente, por pequenos produtores. Assad também explicou que, em relação ao aumento das temperaturas, deverá haver uma mudança na geografia das produções agrícolas no Brasil, com o desloca-

mento de algumas plantações para o sul, onde o clima é mais ameno. No caso dos agricultores familiares, esse deslocamento ocorre em menor escala, pois a maioria das famílias está fixada em local determinado. Para elas, portanto, o prejuízo é mais intenso - também por ser, em muitos casos, a única fonte de subsistência. Os exemplos de prejuízos são as produções de laranja e do café. Picos de temperatura, tanto para o quente quanto para o frio, alteram a floração da lavoura - o que faz com que as frutas e os grãos percam qualidade. De acordo com o pesquisador da Embrapa, em 2010, só o estado de São Paulo perdeu 250 mil hectares de café por causa das alterações de temperaturas. Atualmente, muitas plantações no estado foram substituídas por seringueiras, o que fez com que São Paulo tenha ultrapassado o Acre, como o maior produtor de borracha no país. Para tentar minimizar os impactos do clima sobre a produção agrícola familiar, Assad citou o Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), que

propõe ações que minimizem as emissões de gases causadores do efeito estufa. Essas medidas têm o objetivo de evitar e, sobretudo, não intensificar os problemas já existentes, decorrentes das mudanças climáticas. O programa tem vigência de 2010 a 2020 e oferece linhas de crédito. Para o pesquisador, o programa parte da adoção de sistemas agrícolas (aplicação de técnicas e tecnologias), que podem ser conduzidos tanto por agricultores empresariais quanto por familiares - variando a escala das iniciativas. Segundo ele, no caso da agricultura familiar, é importante a participação de atores estratégicos, no sentido de conscientizar as famílias para a adoção desses sistemas. Entre esses atores estão cooperativas (só de grão, carnes e leite são mais de 900 no Brasil), produtores de sementes (mais de 700 entrepostos), postos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Aters) e universidades com cursos de ciências agrárias (atualmente, há mais de 400, considerando zootecnia e medicina veterinária).

Os agricultores familiares são os produtores agrícolas mais intensamente afetados pelas mudanças do clima, como

a alteração do ciclo das chuvas e o aumento das temperaturas causado pelo efeito estufa, informou o pesquisador da

ESTOQUES PÚBLICOS

AGRONEGÓCIO

Conab reforma 3 armazéns em SP

Batata-inglesa, laranja e tomate lideram alta do valor da produção brasileira

A Companhia Nacional de Abastecimento vai investir cerca de R$ 1,8 milhão na reforma de três Unidades Armazenadoras (UAs) em São Paulo. Em todo o país, serão investidos R$500 milhões para melhorar a armazenagem dos estoques públicos. Serão reformadas 84 unidades e construídas outras 10. A medida foi anunciada durante a divulgação do Plano Agrícola e Pecuário2013/2014. Serão modernizados em São Paulo os armazéns de Bauru, Garça e Bernardino de Campos. A soma da capacidade passível de utilização dessas unidades atualmente é de 83 mil toneladas e, com a reforma, ela atingir pelo menos 140 mil toneladas.

O Valor Bruto de Produção (VBP) das lavouras brasileiras neste ano deve somar R$ 271 bilhões, valor 9,8% superior aos R$ 246,9 bilhões registrados em 2012. A estimativa foi divulgada nesta em 10 de junho pela Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (AGE/Mapa). “Como a safra de grãos 2012/13 está praticamente concluída, restando apenas informações das lavouras de inverno e do milho de segunda safra, o valor da produção daqui em diante tende a se estabilizar, a menos que haja eventos não esperados que possam mudar essa tendência”, explicou o coordenador de gestão estratégica do Mapa, José Garcia Gasques. A maior parte dos produtos pesquisados apresentou aumento real do valor da pro-

dução neste ano. Os maiores destaques são a batata-inglesa (31%), a laranja (30,1%) e o tomate (82,3%). Um grupo de sete produtos tem perspectiva de crescimento menor, mas também expressivo: banana (8,9%), arroz (7,9%), cana-de-açúcar (9,4%), feijão (10,3%), fumo (18,2%), milho (11,8%) e soja (17,1%). Os resultados dos valores da produção regionais mostram uma ligeira tendência de queda do valor da região Norte, com redução de 0,7% em relação ao ano passado, e de aumento no Centro Oeste (2,3%), Sul (27%), Sudeste (14,1%) e Nordeste (9,7%). “Importante destacar que os aumentos de valor da produção esperados no Sul e Sudeste devem-se principalmente ao desempenho desfavorável dessas regiões no ano passado”, ressalta Gasques. Ainda de acordo com ele, o re-

sultado do Nordeste deve-se às perdas na região devido à seca, principalmente em relação ao milho. O resultado leva em conta os levantamentos da safra de março realizados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Esta-

tística (IBGE), além dos preços pagos aos produtores. Como o VBP mede a evolução do desempenho das lavouras ao longo do ano, é normal que as mudanças dos preços dos produtos e as quantidades previstas de produção afetem os valores do estudo feito mensalmente.


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Desligamento da TV analógica começa em março de 2015 O cronograma de desligamento do sinal analógico de TV no Brasil começará em março de 2015 e vai se estender até 2018. O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, informou que a Presidência da República concordou com a proposta e a publicação do de-

ESALQ

Syngenta

recebe palestras promovidas pelo Cepea na 20ª Hortitec A Syngenta participa da 20ª Hortitec, de 19 a 21 deste mês, em Holambra (SP), com duas novidades em seu estande de frutas e vegetais: a presença da área de Lawn & Garden (jardinagem e manejo de pragas urbanas) da empresa e a realização em seu espaço do Hortifruti Brasil, tradicional evento de capacitação promovido pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da ESALQ-USP (Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”) da Universidade de São Paulo. O objetivo é ampliar a oferta de informações e serviços em um mesmo espaço, otimizando o atendimento de uma série de demandas do público visitante, sobretudo agricultores envolvidos com culturas como tomate, cebola, batata, milho doce, pimentão, alface e melancia. “Além de produtos e soluções para hortaliças e frutas, mostraremos novidades de Lawn & Garden, como a linha de jardinagem doméstica Resolva. O Hortifrúti Brasil, do Cepea, por fim, terá uma programação de palestras sobre tendências do mercado hortifrutícola”, explica Tércio Tosta, gerente de Marketing de Frutas e Vegetais da Syngenta.

creto deve ocorrer ainda este mês. A previsão inicial era de que o desligamento do sinal analógico e a migração para o sinal digital ocorreria integralmente em 2016. E o ministro garantiu que flexibilização do calendário de desligamento da TV analógi-

ca não afetará o leilão da frequência de 700 MHz, que será destinada à tecnologia 4G. “A televisão tem de ser digitalizada para sobrar a frequência de 700 MHz. Vamos antecipar a liberação da faixa nos grandes centros e depois, gradativamente, nas outras cida-

des. Na maior parte dos municípios, cerca de 4,2 mil, não tem nenhuma emissora ocupando essa faixa. Já nas grandes cidades, o espectro está completamente tomado”, destacou. Depois da publicação do decreto, o Ministério das Comunicações vai divulgar uma

portaria com detalhes sobre o cronograma do desligamento. A migração para o sinal digital vai começar pelos grandes centros urbanos. A previsão é de que tenha início em Brasília, em março de 2015, e na sequência inclua São Paulo (abril) e Rio de Janeiro (maio).


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INFRAESTRUTURA

Revolução Logística Inflação diminui sob a influência da queda de preços de hortaliças e legumes Agência Brasil

O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) teve alta de 0,43%, na segunda prévia de junho, o que representa um recuo de 0,05 ponto percentual sobre o resultado da apuração anterior (0,48%). A pesquisa, feita pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), mostra que cinco dos oito grupos pesquisados indicaram queda no ritmo de correções. O principal decréscimo foi registrado em alimentação (de 0,65% para 0,41%), que teve influência das hortaliças e dos legumes (de -0,78% para -3,01%). Também houve elevação média dos preços com taxa inferior à medição passada nos grupos vestuário (de 1,12% para 0,73%) com destaque para as roupas (de 1,23% para 0,82%); saúde e cuidados pessoais (de 0,60% para 0,53%) sob efeito dos medicamentos em geral (de 0,54% para 0,33%); educação, leitura e recreação (de 0,35% para 0,27%), com o impacto da redução no valor cobrado em ingressos para show musical (de 1,23% para -0,83%) e comunicação (de 0,27% para 0,20%), com os pacotes de telefonia fixa e internet (de 1,03% para 0,39%). Nos demais grupos ocorreram avanços: transportes (de 0,01% para 0,19%), puxado pela tarifa de ônibus urbano (de -0,13% para 1,12%); habitação (de 0,59% para 0,63%), com a tarifa de eletricidade residencial (de -0,70% para -0,23%) e despesas diversas (de 0,01% para 0,05%), com o serviço religioso e funerário (de -0,71% para -0,15%). Os cinco itens de maior influência na variação do IPC-S desse período (semana encerrada em 15/06) foram: mamão papaya (de 30,83% para 18,77%); aluguel residencial (de 0,89% para 0,87%); tarifa de ônibus urbano (de -0,13% para 1,12%); refeições em bares e restaurantes (de 0,64% para 0,50%) e leite tipo longa vida (de 3,68% para 3,58%).

COMPRAR OU VENDER PARA O MERCADO DE HORTIFRUTI JÁ NÃO É UM ABACAXI A SER DESCASCADO. DESDE QUE FOI LANÇADO, HÁ SEIS ANOS, O ANUÁRIO ENTREPOSTO TEM DESEMPENHADO UM PAPEL FUNDAMENTAL NA REALIZAÇÃO DE NEGÓCIOS ENTRE PERMISSIONÁRIOS, COMPRADORES E FORNECEDORES. O GUIA CONTÉM A RELAÇÃO DE MAIS DE 10 MIL EMPRESAS EM TODAS AS CEASAS DO ESTADO DE SÃO PAULO E INFORMAÇÕES TÉCNICAS DO CENTRO DE QUALIDADE EM HORTICULTURA - CQH - DA CEAGESP. A DISTRIBUIÇÃO É GRATUITA PARA PROFISSIONAIS DO SETOR, EM FUNÇÃO DA PARCERIA COM A REVISTA SUPER VAREJO, PUBLICAÇÃO EDITADA PELA APAS - ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE SUPERMERCADOS.

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Enquanto a capacidade de armazenagem nas fazendas dos EUA gira em torno de 55%, Brasil tem apenas 15%

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Da mesma forma que o Brasil fez uma revolução na agricultura, com aumento médio anual de 3,7% na produtividade nos últimos 20 anos, agora é necessária uma revolução na parte de logística e infraestrutura para resolver os gargalos que dificultam o escoamento da safra e faz com que um container de grãos posto no porto custe US$ 1.790,00, contra US$ 690,00 dos nossos concorrentes mundiais.

A avaliação é de Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), e foi feita durante o seminário “Os Caminhos do Agronegócio – Oportunidades de Investimento”. “Nós, da Abag, estamos trabalhando para que 2013 seja o ano da ruptura dos problemas de logísticas que tanto tem prejudicado o agronegócio brasileiro. Exatamente por esse motivo, queremos debater como promover uma revolução na área de logística semelhante a que conseguimos fazer com o aumento da produção e da produtividade no agronegócio”, afirmou Carvalho. Apesar de estar mais esperançoso em razão das recentes medidas anunciadas pelo governo, como por exemplo, os investimentos programados para a construção de ferrovias, rodovias e armazéns, assim como com a recém-aprovada Lei dos Portos, Carvalho não espera solução no curto prazo. “Acredito que, se todos os investimentos se concretizarem, começaremos a ver resultados positivos a partir de 2015”, afirmou. “A recente mudança no marco regulatório dos portos deve acelerar as transformações e incentivar uma maior participação da iniciativa privada no setor”, comentou Olivier Girardi, sócio da Macrologística Consultoria Empresarial, que falou sobre Investimento em Infraestrutura de Transporte durante o seminário. Os debates contaram ainda com as participações de Edeon Vaz Ferreira, coordenador executivo do Movimento Pró-Logística da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja). Ele chamou a atenção para a enorme deficiência em termos de armazéns, sobretudo nos estados produtores de grãos. “Só no Mato Grosso, temos um déficit de 29% em armazenagem”, afirmou Ferreira. A avaliação crítica sobre os problemas de armazenagem do País foi referendada também por outro palestrante, Carlos Alberto Nunes Batista, secretário executivo da Câmara Temática de Infraestrutura e Logística do Agronegócio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Segundo Batista, enquanto a capacidade de armazenagem nas fazendas dos Estados Unidos gira em torno de 55%; no oeste canadense chega a 85% e na Argentina alcança o nível de 45%, no Brasil não passa dos 15%. “Para corrigir essa situação, nós do Ministério da Agricultura estimamos que hoje serão necessários investimentos da ordem de R$ 16 bilhões”, informou.


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Internacional

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Produção de tomate deve crescer 5% no México Duras negociações com os EUA resultam em embarques-piloto para o Brasil, Argentina, Chile e Uruguai A produção mexicana de tomate na safra 2013-14 deve crescer moderadamente. Contudo, mudanças no status do acordo de suspensão firmado entre produtores dos EUA e México podem arruinar essa previsão. Lançado no início deste mês, o relatório anual do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) sobre as perspectivas para o tomate mexicano prevê que sua produção crescerá 4,5%, atingindo 2,3 milhões de toneladas. A área plantada é estimada em 52,5 mil hectares, um aumento de 3% em relação à safra anterior, e uma queda de 1% em relação à safra 2011-12. Segundo o documento, as exportações continuarão estáveis e devem chegar a 1,4 milhão de toneladas. “As estimativas publicadas indicam que a produção será boa e os agricultores terão mais certeza em relação ao mercado norte-americano e ao funcionamento do Acordo de Suspensão do Tomate”, escreve Dulce Flores no relatório do USDA. Os produtores mexicanos assinaram um novo acordo do gênero com o Departamento

PAULO FERNANDO

de Comércio dos EUA, em vigor desde março, para a fixação de preços mínimos mais elevados para os embarques de tomates ao país vizinho. Esse novo acordo também remove a ameaça de uma ação antidumping dos agricultores norte-americanos contra o México. Entretanto, a Bolsa de Tomate da Flórida questiona sua legalidade na Corte de Comér-

cio Internacional dos EUA. “É muito cedo para especular sobre a área plantada e a produção de tomate no México”, avalia Geoge Gotsis, dono da Omega Produce, no Arizona. “O novo preço mínimo de US$ 8,40 por caixa – acima dos US$ 5,95 previstos no acordo anterior – pode deixar os exportadores mexicanos vulneráveis à subcotação dos preços pelos

comerciantes da Flórida na próxima safra”, alerta o empresário, lembrando que o plantio do tomateiro começará na segunda quinzena de julho. A campanha de comercialização do tomate mexicano na safra 2012-13 foi caracterizada pela redução da área plantada e problemas climáticos, aponta o relatório do USDA. A produção foi de 2,2 milhões de

toneladas, ante as 2,6 milhões de toneladas produzidas no período 2011-12. Segundo o documento, a queda da área plantada se deve, em parte, à incerteza sobre o futuro do Acordo de Suspensão do Tomate. Nos últimos anos, a produção mexicana vem caindo, mas os lucros dos produtores seguem em linha ascendente, por causa da intensificação do cultivo protegido. Plantações em estufas e áreas sombreadas estão concentradas em Sinaloa, Baixa Califórnia e Jalisco, mas também existem operações dessa natureza nos estados de Colima, México, Hidalgo, Michoacán, Querétaro, San Luis Potosí, Sonora e Zacatecas. Em função das duras negociações com os EUA, o relatório do governo norte-americano diz que os agricultores mexicanos procuram novos mercados. Os exportadores têm fornecido tomate para a China, Hong Kong e Panamá. Eles também estão realizando embarques-piloto para o Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e outros países asiáticos.

VAREJO

Walmart quer ‘cortar o intermediário’ de FLV PAULO FERNANDO

Entretanto, nova política de compras da multinacional não deixa atacadistas fora do rol de fornecedores Para reduzir o trânsito de mercadorias e melhorar a qualidade dos produtos frescos ofertados em suas lojas, a rede varejista Walmart decidiu ampliar a aquisição direta de FLV do produtor. A ordem na companhia é “cortar o intermediário”. O anúncio a respeito do aprofundamento dessa política de compras adotada nos últimos anos foi feito em 3 de junho durante teleconferência. Todavia, o supermercado diz que não pretende prescindir totalmente dos atacadistas. Segundo o vice-presidente de produtos de mercearia do Walmart nos EUA, Jack Sinclair, a empresa planeja trazer da roça 80% das frutas, hortaliças e legumes ofertados em seus milhares de estabelecimentos. “Os outros 20% serão supridos por atacadistas locais, pois eles desempenham um papel muito

importante para nós nas áreas em que atendemos”, disse. Danit Marquardt, diretor de comunicação corporativa da empresa, lembrou que a série de esforços realizados recentemente e nos últimos anos inclui a abertura de escritórios de compras nas regiões produtoras e melhorias em transporte e logística. O executivo também ressaltou que a companhia não tem intenções de alterar a forma atual de relacionamento com os atacadistas. “Estamos trabalhando mais diretamente com os produtores para reduzir o tempo de trânsito dessas mercadorias e estimular a produção mais rápida”, explicou. Recentemente, a multinacional lançou uma nova campanha de marketing – Fresh Over – para suas operações com produtos frescos, na qual reforça a garantia de 100% de satisfação

para o consumidor que adquire FLV em suas lojas. Em caso de insatisfação com a qualidade do produto, o cliente só precisa devolver sua embalagem para receber o dinheiro de volta. O Walmart também instituiu um programa de formação para 70 mil gerentes e outros colaboradores enfatizando as boas práticas de manuseio e merchandising de hortifrutícolas. De acordo com empresa, a Escola de Produtos Frescos vai ajudar os funcionários a identificar itens que precisam ser removidos das prateleiras. “Nós estamos tentando garantir que cada nível de gestão tenha esse treinamento, para que nossos colaboradores possam verificar a qualidade dos alimentos frescos e retirá-los das áreas de vendas quando isso for necessário”, acrescentou Sinclair.


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Evento

JORNAL ENTREPOSTO junho de 2013

Um jornal a serviço do agronegócio

Mercado aquecido favorece negócios na Femetran Feira traz à Ceagesp caminhões mais econômicos e menos poluidores para o transporte FLV O bom desempenho setor de frutas e a alta dos preços de boa parte dos produtos agrícolas impulsionaram a aquisição de novos veículos comerciais na 12ª edição da Feira dos Meios de Transporte, Movimentação e Logística de Produtos Hortifrutícolas.

A avaliação é do diretor de marketing do evento, Alexandre das Neves, para quem o resultado positivo da Femetran, realizada de 21 a 24 de maio no entreposto de São Paulo da Ceagesp, também se deve às políticas governamentais de

estímulo à renovação da frota nacional.

“Além dos caminhões pesados e semipesados, as vendas de modelos VUCs (Veículos Urbanos de Carga) movimentaram a feira”, diz o executivo, ao ressaltar que o volume estimado de negócios fechados na mostra anual é R$ 20 milhões.

“Muitas vendas também são prospectadas durante a semana da Femetran e acabam sendo fechadas no decorrer do ano, tanto em São Paulo quanto em outras localidades, já que o

nosso público visitante é proveniente de todo o Brasil e outros países do Mercosul”, acrescenta.

Com o objetivo de mostrar as mais modernas tecnologias de transporte e manutenção de veículos, a Femetran exibiu, mais, todas as inovações necessárias ao correto escoamento da produção agrícola brasileira.

Segundo as indústrias, 2013 deverá ser o segundo melhor ano da história para o mercado de caminhões no Brasil. “Incentivar a renovação da frota sem-

pre foi a meta principal da exposição realizada na Ceagesp. Ao longo de suas 12 edições, a feira vem criando novas possibilidades de investimentos para a aquisição de veículos modernos e menos poluidores”, lembra o diretor comercial do evento, Felipe de Jesus. Os expositores da edição deste ano mostraram produtores, permissionários, supermercadistas, feirantes e transportadores de frutas, legumes, verduras, flores e pescados que operam em Centrais de Abastecimento (Ceasas) os mais re-

centes avanços do setor, como os veículos menos poluentes e mais econômicos com motorização Euro 5. E todas as montadoras saíram satisfeitas com os resultados obtidos na Ceagesp. “Tivemos um público maior em relação aos anos anteriores e todas as marcas que expuseram suas tecnologias na feira já manifestaram interesse em participar da próxima edição”, informa.

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Controle

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Pesquisas sobre greening rendem reconhecimento a fitopatologista Renato Bassanezi, do Fundecitrus, é homenageado durante a Semana da Citricultura Cristina Rappa Do Sou Agro

Estudos sobre a epidemiologia, ou seja, o comportamento da maior ameaça atual à citricultura mundial, a doença greening, e de seu inseto vetor deram ao jovem fitopatologista Renato Beozzo Bassanezi, pesquisador científico do Fundo de Defesa da Citricultura, o Fundecitrus, o título de Engenheiro Agrônomo Destaque da Citricultura 2013. A homenagem foi feita em 6 de junho, durante a 35ª Semana da Citricultura, realizada pelo Centro de Citricultura Sylvio Moreira (CCSM), em Cordeirópolis (SP).

As pesquisas de Bassanezi mostram como a doença está progredindo, o que permite elaborar as estratégias de manejo para reduzir seu ritmo de crescimento. “Como ainda não se tem cura para o greening, o objetivo é diminuir o ritmo de sua expansão, para que se tenha um pomar rentável até certa idade e, como isso, menos perdas”, explica o especialista. Doença transmitida pelo psilídeo Diaphorina citri, o greening veio da Ásia (daí a origem de seu outro nome, Huanglongbing) e desde meados da década passada causa prejuízos aos pomares dos dois maiores produtores de citros do mundo:

os estados da Flórida, EUA, e de São Paulo, no Brasil. Levantamento amostral realizado pelo Fundecitrus indica que 6,9% das árvores e 64% dos talhões dos pomares paulistas estão infectados. Instituições como o CCSM/ IAC e o Fundecitrus têm desenvolvido pesquisas para o desenvolvimento de uma planta transgênica resistente à doença, mas, até que se chegue a resultados positivos e que ela seja aprovada para cultivo comercial pelos órgãos regulatórios, o manejo adequado é a única forma de controle de sua expansão. E esse manejo deve ser coletivo e regional, destaca Bassane-

zi, pois de nada adianta um citricultor controlar a infestação dos insetos vetores, os psilídeos, em seu pomar, se seus vizinhos não o fizerem. Outra recomendação para a eficácia desse controle é que todos os vizinhos atuem no controle do psilídeo ao mesmo tempo, para evitar que alguns pomares se tornem áreas de refúgio do inseto. “Nessa hora, agir coletivamente é a única solução”, ensina o especialista. Reduzir a população de psilídeos antes que haja condições favoráveis para sua multiplicação, ou seja, durante o período de dormência das plantas, antes do início das brotações,

tem sido eficaz para evitar que as populações do inseto cresçam rapidamente. E as inspeções têm apontado que janeiro e agosto são os meses-chaves para o controle do inseto por meio de pulverizações com inseticidas químicos e biológicos. Outras medidas de controle da doença são o plantio de mudas sadias e a eliminação das árvores muito afetadas para não servirem de fonte de contaminação de plantas saudáveis, afirma Bassanezi, que classificou a homenagem recebida como “muito motivadora”. “É sempre gratificante saber que seu trabalho está sendo reconhecido e aplicado”, diz.

EVENTOS

Bio Brazil Fair Feira Internacional de Produtos Orgânicos e Agroecologia De 27 a 30 de junho, a Bienal do Ibirapuera vai abrigar a nona edição da feira Bio Brazil Fair | BioFach América Latina e receber a visita de profissionais ligados a farmácias, lojas especializadas, supermercados, clínicas, hospitais, spas, resorts, restaurantes, agrônomos e outros. Nos dois últimos dias, 29 e 30, o evento será aberto também ao público, com possibilidade de comprar os produtos diretamente dos expositores. Data: 27 a 30 de junho Horário: 27 a 29/06 das 11h às 20h | 30/06 das 11 às 19 horas Local: Pavilhão da Bienal do Ibirapuera Twitter: @biobrazilfair Facebook: BioBrazilFair

Julho: 22º Enflor e 10ª Garden Fair

3º Curso de Tecnologia

Feira de negócios

Pós-Colheita em Frutas e Hortaliças

Além de cursos, palestras, oficinas e eventos exclusivos, o 22º Enflor e a 10ª Garden Fair contarão com uma ampla feira de negócios, na qual os participantes poderão conferir tendências e conhecer o que há de mais inovador em flores e plantas ornamentais, embalagens, presentes, ferramentas, acessórios de arte floral em geral, gramas, mudas, sementes e forrações, jardineiras, móveis para jardins, pisos, pedras e seixos ornamentais, piscinas, vasos, luminárias, mangueiras, ferramentas, máquinas, sistemas de irrigação, defensivos, adubos e miniestufas.

A Embrapa Instrumentação promove em São Carlos, no interior de São Paulo, a terceira edição do Curso de Tecnologia Pós-Colheita em Frutas e Hortaliças, entre os dias 19 e 23 de agosto. O curso busca a integração de produtores, atacadistas, varejistas, técnicos e especialistas na cadeia produtiva. A programação prevê atividades teóricas e práticas, incluindo excursões técnicas. O objetivo é contribuir na capacitação desse público visando à aplicação de tecnologias que minimizem perdas e ampliem a aplicação de melhorias no setor.

Data: 14 a 16 de Julho Local: Recinto da Expoflora / Al. Maurício de Nassau, 675, Holambra – SP - Fone: (19) 3802-4196 www.enflor.com.br/2010/index.asp

Data: 19 a 23 de agosto Local: São Carlos – SP / Fone: (16) 2107-2801 Site: poscolheita.cnpdia.embrapa.br Email: cnpdia.secretariapd@embrapa.br


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Fitossanidade

A síndrome dos agrotóxicos Eng. Agr. Tulio Teixeira de Oliveira Diretor Executivo da AENDA

Ao menos desde 1962, com a publicação do livro Silent Spring, de Rachel Carson, os pesticidas vêm sendo atacados implacavelmente por ambientalistas de toda ordem. Correntes médicas aos poucos foram fazendo coro. Para os meios de comunicação tem sido um prato cheio para promoção de discussões. Nesse contexto, prevalece a desinformação em detrimento da ponderação científica. Sobressai uma postura fundamentalista. No Brasil a exacerbação chegou a tal ponto que esses produtos deixaram de significar agentes controladores das pragas que diminuem nossas colheitas de alimentos e passaram a ser chamados pejorativamente de “tóxicos do agronegócio”, e o Poder Legislativo entrou na onda e criou a Lei 7.802/1989, a Lei dos Agrotóxicos. No seio da sociedade, toda essa catarse transformou-se em abjeção aos agrotóxicos, com tal intensidade que o terror imaginado estremece os neurônios e afeta

sensivelmente a capacidade de raciocínio lógico, e, a reação psicossocial resultou no surgimento de uma nova doença, a síndrome dos agrotóxicos. A sintomatologia da nova doença ainda não está descrita oficialmente nos meios acadêmicos da medicina, mas foram relatados casos de confusão mental (a pessoa fala e ninguém entende), histerismo (agressividade de causa desconhecida), isolamento social, medos inexplicáveis e até desjunhos em eventos correlacionados ao tema. Leiam a seguir situações que corroboram a tese dessa síndrome. Reserva terra grande-pracuúba:

O ICMBio ao editar a Portaria 153/2013 para elencar as atividades de gestão desta Reserva instituída no interior do Pará, estabeleceu regras para a abertura de roças de até 20 tarefas (mais ou menos, 3.700m2), e, entre elas, a proibição do uso de agrotóxicos nessas roças. O(s) autor(es) de tal norma ainda complementou(aram): “Em casos

LOGÍSTICA REVERSA

Cresce recolhimento de embalagens de agrotóxicos

O Sistema Campo Limpo encaminhou para o destino ambientalmente correto, entre janeiro e maio, 17.250 toneladas de embalagens vazias de agrotóxicos em todo o país. A quantidade representa um crescimento de 4% em relação ao mesmo período de 2012. Segundo o inpEV (Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias), a expressividade dos índices, bem como a forte integração dos elos da cadeia produtiva, colocam o sistema de destinação de embalagens vazias de defensivos agrícolas como um exemplo de sucesso na gestão de resíduos sólidos no país. De acordo com o levantamento do instituto, os estados que mais encaminharam para a destinação final foram: Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul, que juntos correspondem a 70% do total retirado do campo no Brasil. O Rio Grande do Norte, Piauí e Rondônia obtiveram os maiores crescimentos percentuais no período analisado. “Esse setor pioneiro já retirou do meio ambiente mais de 250 mil toneladas do material em pouco mais de dez anos de operação”, destaca o presidente da entidade, João Cesar Rando.

extremos de surtos de pragas em que há risco de perda total da lavoura, sempre buscar alternativa de produtos naturais e em último caso, usar agrotóxicos, desde que autorizado previamente pelo ICMBio”. É ou não é um transtorno delirante? Reunião de pesquisadores de agrotóxicos:

Curitiba, 29 a 31 nov 2012 – pesquisadores de empresas prestadoras de serviços de pesquisa e de estações experimentais tiravam dúvidas com técnicos do Ministério da Agricultura sobre as regras a que estão condicionados pela Instrução Normativa Conjunta 25/2005 e pela Instrução Normativa 36/2009 (modificada pela IN 42/2011), quando surgiu a questão do fracionamento do produto de sua embalagem original para frascos com quantidades a serem usadas em parcelas no campo, conforme desenho do experimento. Pesquisadores informaram que já foram até autuados por fiscais do MAPA por promoverem esse lógico e necessário fracionamento. O MAPA informou

que não era possível fracionar, em razão de dispositivos do próprio Decreto 4074/2002. Aqui a doença, presente em forma latente, ressurgiu como transtorno neurótico e confusão mental. O Decreto 4074 não permite o fracionamento para comercialização de produtos; e, mesmo que impedisse para pesquisa, a atitude socialmente sensata seria propor alteração na legislação, por erro material. Mesa de controvérsia sobre agrotóxicos - consea:

Nos dias 20 e 21set2012 o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, órgão assessor da Presidência da República, subscrito por 19 Ministros e apenso ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome do Brasil, organizou esse evento, onde desfilaram palestrantes com enfoque previamente conhecido contra os agrotóxicos e nenhum a favor. Durante o evento foram distribuídos documentos, como “Os Impactos dos Agrotóxicos na Segurança Alimentar e Nutricional – CONSEA”, “Agrotóxicos no Brasil – Um Guia para

Defesa da Vida”, Dossiê Abrasco – Um Alerta sobre os Impactos dos Agrotóxicos na Saúde”, “Cordel – A Maldição dos Agrotóxicos” e “Uma Compilação de Matérias Contra os Agrotóxicos – CONSEA”. Ou seja, uma importante reunião governamental organizada de forma unidirecional e secretariado pela própria Ministra Tereza Campelo. Com certeza foi um surto da doença ocorrido em Brasília, onde as pessoas acometidas manifestaram transtornos delirantes. RIO + 20: Durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, ocorrida em 2012 no Rio de Janeiro/RJ, um grande grupo de ativistas do MST e da VIA CAMPESINA invadiu e depredou parte do estande da CNA, justamente onde as informações sobre insumos agrícolas estavam expostas, inclusive os agrotóxicos. Claramente, o grupo sofria de transtorno de conduta que levou ao histerismo e conseqüente violência. www.aenda.org.br aenda@aenda.org.br abr.2013

EMBRAPA

Pesquisadores informatizam análises de risco de pragas agrícolas

Um sistema integrado de banco de dados desenvolvido pela Embrapa Informática Agropecuária para o Departamento de Sanidade Vegetal (DSV), da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), busca facilitar os processos de análises de risco de pragas que atacam os produtos vegetais. O BD Pragas e o WikiPragas gerenciam os dados levantados, em nível mundial, das pragas associadas às principais culturas de interesse do agronegócio brasileiro. A importação de produtos vegetais que são potenciais disseminadores de pragas é normatizada pela Convenção Internacional de Proteção dos Vegetais (CIPV), a qual está vinculada ao Comitê de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias (SPS, sigla em inglês) da Organização Mundial do Comércio (OMC). As Análises de Risco de Pragas (ARP) são procedimentos legais aprovados por todos os países integrantes da CIPV, e nacionalmente executadas pela Organização Nacional de Proteção Fitossanitária do País. Os objetivos são conhecer o risco de introdução de pragas perigosas associado à importação de produtos vegetais e indicar medidas para baixar o risco a um patamar aceitável.


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JORNAL ENTREPOSTO

Qualidade

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de modernização

Lisandro Michel Barreiros Centro de Qualidade em Horticultura

Existem muitas ferramentas de automação comercial e elas estão sendo adotadas por empresas de todo o mundo. O setor de produtos hortícolas frescos (frutas, hortaliças, flores e plantas ornamentais) utiliza muito pouco estas ferramentas. Está claro que não existe volta no processo de automação comercial e que temos que nos adequar. O setor de flores é a ‘ponta de lança’ na adoção da automação comercial. É possível observar a utilização de diferentes tecnologias de automação comercial como código de barras, RFID e QR Code. O RFID é um chip implantado na embalagem que permite a gestão do retorno de embalagens reutilizáveis e uma participação menor da embalagem no custo do produto. O QR Code permite a aproximação do consumidor com o produtor. Uma fotografia do código pelo celular (smartphone) remete o consumidor à página eletrônica do produtor, com fotografias, informações sobre o produto – propriedades e cuidados.

Maiores informações podem ser obtidas na página eletrônica da GS1.

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NOSSOS CLIENTES?

Sabrina Leite Oliveira Cláudio InforzatoFanale Anita de Souza Dias Gutierrez Centro de Qualidade em Horticultura da Ceagesp O estudo dos clientes da Ceasa paulistana - Entreposto Terminal de São Paulo fez parte dos trabalhos desenvolvidos pelo Centro de Qualidade em Horticultura da Ceagesp em 2005, 2008 e 2011. A Secretaria de Logística e Transportes de São Paulo fez a pesquisa em 2012 com o apoio da Ceagesp. Foram entrevistados 561 compradores em 2005, 218 em 2008 (parceira com a SECME), 113 em 2011 e 673 em 2012. Os equipamentos de destino foram divididos em: varejo tradicional, varejo de rua, atacadista, distribuidor, serviço de alimentação e outros. O varejo tradicional é composto pelo varejo especializado (varejões, sacolões, quitandas e frutarias) e pelos supermercados. O varejo de rua é composto por ambulantes e feirantes. O setor de alimentação abrange bares, restaurantes, lanchonetes, casas de suco, hotéis, refeições coletivas e navios. Aqui estão algumas conclusões:

O código de barra permite a automação das operações comerciais – controle de estoque, de destino, rastreabilidade e prevenção de problemas. Através dessas ferramentas os produtores que enviam suas flores para a Ceagesp tem como saber como, quando, onde e por quem seu produto está sendo comercializado dentro do Entreposto Terminal de São Paulo, fazer o controle do retorno das suas embalagens e se comunicar com ocliente final dos seus produtos.

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Flores dão exemplo

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• Crescimento da participação do varejo tradicional de 35% em 2005 para 49% em 2012

• Diminuição da participação do varejo de rua (feirantes e ambulantes) de 35% em 2005 para 26% em 2012

• Crescimento da participação do atacado de 3% em 2005 para 6% em 2012 • Diminuição da participação no número de compradores do serviço de alimentação e distribuição de 23% em 2005 para 16% em 2012 • Os supermercados representaram no varejo tradicional 54% em 2005 e 51% em 2012. A participação do varejo especializado cresceu.

• As feiras representaram 91% do

varejo de rua em 2005 e 83% em 2012. A participação dos ambulantes cresceu.

• A origem dos compradores mudou ao longo dos anos. O principal destino dos clientes continua sendo o Município de São Paulo, seguida pelos outros municípios da Região Metropolitana de São Paulo, que perderam participação de 79% em 2005 para 74% em 2012. Houve um crescimento daparticipação das cidades do Interior de São Paulo de 11 para 15% e de outros estados brasileiros de 9% em 2005 para 11% em 2012.

• A participação de compradores que retornam com caixa vazia caiu de 90% em 2005 para 38% em 2012. • O número médio de dias de compra não variou entre 2005 e 2012 – 3,5 dias. O número médio de horas de estadia cresceu de 6 horas em 2005 para 7,5 horas em 2012.

• O perfil das reclamações dos compradores mudou muito entre 2005 e 2011.

A infraestrutura deficiente continua em 1º lugar, mas caiu de 68% para 49% do número de reclamações e a sujeira passou de 0,5% para 22%. A falta de segurança que, em 2005, participou com 17% das reclamações – não foi citada em 2011, o transito e a falta de organização não citados em 2005, foram respectivamente para 11% e 5% em 2011. Não houve reclamações da portaria que em 2005 teve 11% de participação e o horário de funcionamento foi responsável por 2% das reclamações em 2005 e por 6% em 2011. Foram realizados também levantamentos com os atacadistas e os resultados serão publicados no próximo mês.

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Um jornal a serviço do agronegócio

BCA

APAE de Cajamar recebe doações do BCA Fundada em 1984, a APAE de Cajamar atende 113 alunos com idades entre 6 e 60 anos e oferece ensino nos níveis infantil, fundamental, educação para jovens e adultos, além de oficina profissionalizante. Com sede própria em uma área de mais de três mil metros quadrados, a instituição também presta serviços ambulatoriais como: fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional e acompanhamento com neurologista. A APAE de Cajamar atende pessoas com deficiência intelectual e diversas síndromes associadas. Os alunos recebem lanche da manhã, almoço e lanche da tarde. Os familiares também são assistidos pela entidade. Informações: Telefone: (11) 4447-4555 E-mail: apaedecajamar@ig.com.br Seja um doador Banco Ceagesp de Alimentos

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Cinco alimentos mais doados 1. Melão 2. Laranja 3. Tomate 4. Alface 5. Abobrinha

Cinco maiores doadores 1. Pauli Comércio Imp. 2. TF 3. Shin 4. Santo Antonio 5. Minas Douradas

Volume de doações recebidas: 163.035 toneladas Descarte BCA: 13.021 toneladas

Volume de doações distribuídas: 150.014 toneladas

Total de Permissionários doadores: 41 Total de Entidades beneficiadas: 113


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Ciência Agrícola

JORNAL ENTREPOSTO junho de 2013

Um jornal a serviço do agronegócio

Estudo busca prolongar vida útil da dedo-de-moça

Uso da técnica de irradiação é eficiente e resulta em alterações mínimas na qualidade sensorial e nutricional Uma das pimentas mais apreciadas pelos brasileiros, de picância e aroma suaves, é foco de pesquisa que está sendo realizada na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ) e no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (USP/CENA). A qualidade e os fatores que afetam a conservação da Capsicum baccatum var. Pendulum, conhecida popularmente como ‘Dedo-de-Moça’, ainda são pouco conhecidos, embora seu valor nutricional, econômico e social no Brasil e no mundo seja de grande importância. O estudo, que tem como objetivo prolongar a vida útil da pimenta in natura e em polpa pelo uso da irradiação, trabalha com a hipótese de que a técnica de irradiação, com aplicação da radiação gama é eficiente para aumentar a vida útil, com alterações mínimas na qualidade sen-

sorial e nutricional de pimenta. “As pimentas do gênero Capsicum estão entre as especiarias mais consumidas e mais valorizadas na culinária mundial como temperos. Pesquisas tem indicado a irradiação como uma técnica economicamente viável, bem como fisicamente segura para a conservação de alimentos”, explica a doutoranda Regina Célia Rodrigues de Miranda Milagres. Dois fatores influenciaram a pesquisa desenvolvida por ela. O primeiro, é que as pimentas são comercializadas, geralmente, na forma de conservas, molhos e desidratadas. Esses produtos são, normalmente, adicionados de sal ou outros conservantes químicos que, se consumidos em grandes quantidades, podem ser nocivos à saúde. Dessa forma, a utilização de polpa de pimenta pura será uma alternativa para o consu-

midor que busca por produtos mais saudáveis. Um segundo, se deu por conta de que as conservas e os molhos de pimenta, geralmente, passam por proces-

samento térmico, o que pode contribuir para a redução do valor nutricional e sensorial. Assim, espera-se que o uso da técnica de irradiação prolongue a vida útil da polpa de pimenta sem causar grandes perdas nutricionais. Foram realizados testes para determinar a dose ideal de irradiação a ser empregada na pimenta in natura e em uma polpa elaborada a partir da pimenta dedo-de-moça pura. “Os frutos recém-colhidos foram selecionados, embalados, irradiados com as doses de 0,00; 0,25; 0,50; 0,75; 1,00; 1,25 e 1,50 kGy (unidade de radiação), armazenados a 5ºC e 25ºC por 15 dias e avaliados quanto às suas características físico-químicas (teor de sólidos solúveis, pH, acidez total, titulável, ratio, cor, perda de peso e umidade) e visuais (incidência de doenças, turgidez e cor).

A radiação gama, nas doses estudadas, não foi promissora para conservação da pimenta Dedo-de-Moça in natura. “O fator que mais contribuiu para manter a qualidade das pimentas durante a estocagem foi a refrigeração”, justificou a pesquisadora. Diante desses resultados, outro foco da pesquisa foi testar a técnica de irradiação na polpa da pimenta, onde foram realizados testes com doses entre 1 e 20 kGy e armazenamento à temperatura de 25º. “Os resultados indicaram que as doses de 7,5 a 10 kGy apresentam uma boa resposta quanto a conservação de polpa de pimenta”, complementou. Um próximo passo da pesquisa será a realização das análises físico-químicas, nutricionais, microbiológicas e sensoriais nas amostras que obtiveram os melhores resultados durante esta primeira fase.

ALIMENTAÇÃO

CEAGESP

Cozinha do Sesi é instalada na Ceasa Campinas

Inverno chega com novidades no Festival de Sopas

A unidade móvel onde funciona a cozinha do Serviço Social da Indústria (Sesi) foi instalada no dia 10 de junho, na Centrais de Abastecimento de Campinas (Ceasa). Nela estão sendo recebidas as quase 400 pessoas que vão participar dos cursos gratuitos de alimentação saudável. As aulas começaram no dia 11 e vão até 5 de julho e fazem parte da comemoração do aniversário do Banco Municipal de Alimentos de Campinas que está completando 10 anos. O transporte da cozinha, que estava na cidade de São Roque (SP), foi feito por meio de parceria com um permissionário da Ceasa, a Alfa Citrus, que cedeu um caminhão.

Canjica, todas as quartas, Creme de Pinhão com CreamCheese, todas as quintas, e Sopa de Chocolate com Frutas, todos os domingos, são as novidades que o Festival de Sopas Ceagesp traz para o inverno, que começa oficialmente na sexta, dia 21. As Sopa de Cebola e Sopa de Cebola Gratinada continuam disponíveis todas as semanas no cardápio do Festival. Três novos sabores, semanalmente, também continuam substituindo os do período anterior. Nesta semana, por exemplo (de 19 a 23 de junho - quarta a domingo), entram no cardápio a Sopa de Bacalhau com Taioba, Sopa de Mandioca com Costela e Sopa de Tomate com Macarrão, que serão trocadas na semana que vem por outros sabores. Quem quiser acompanhar mais detalhes e informações sobre o evento pode acessar o site www.festivaldesopasceagesp.com.br. O Festival de Sopas funciona de quarta a domingo nos seguintes horários: às quartas, quintas e domingos, das18h à meia-noite, e às sextas e sábados, das 18h às 2h. Os visitantes podem servir-se à vontade (apenas das sopas) por R$ 26,90. Também há uma mesa de antepastos (cobrados à parte), várias opções de vinhos de diversas nacionalidades, e de outras bebidas, incluindo sucos e refrigerantes. Café e sobremesa complementam o cardápio.

13 turmas

Ministradas por nutricionistas do Sesi, as aulas são todas práticas e incluem o preparo de receitas e degustação. São quatro temas de cursos com 10 horas de aulas cada, num total de 13 turmas. Os participantes recebem certificado no final do curso. As vagas esgotaram-se na primeira semana de inscrição. Por isso, o Banco de Alimentos e o Sesi programaram uma nova turma do curso de alimentação saudável nos dias 5, 12 e 19 de agosto, na cozinha experimental da Ceasa. A Ceasa Campinas fica na rodovia Dom Pedro I, km 140,5, em Campinas/SP.


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Nova abóbora é opção agroecológica

Ricos em carotenoides, frutos maduros também podem ser utilizados para decorar ambientes Destacar a cultura da culinária italiana é uma das opções para quem tiver interesse em produzir a nova cultivar de abóbora lançada pela Embrapa Clima Temperado durante a realização da 21ª Feira Nacional do Doce (Fenadoce), em Pelotas (RS).

A BRS Tortéi, como foi denominada, é apropriada para o preparo de tortéi – um tipo de massa recheada com creme de abóbora, feito por descendentes da Itália – e também para preparo de vários pratos salgados. “Cada planta pode produzir até 50 abóboras pequenas,

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Agrícola

com polpa alaranjada, de consistência firme e rica em carotenoides”, explicou a pesquisadora Lia Barbieri. Ela destacou o tamanho do fruto – com 10 a 15 cm de diâmetro – uma excelente opção para consumidores que moram sozinhos ou têm famílias pequenas, por fornecer quantidades correspondentes ao consumo. “A BRS Tórtei também é ideal para o consumo do fruto inteiro, recheado, em porção individual”, lembrou. Inclusive pelo tamanho reduzido, a nova cultivar de abóbora possui um formato achatado com gomos salientes e a coloração é variada. “A cor da casca dos frutos varia ao longo do tempo após a colheita, desde verde-acinzentado até rosado e alaranjado”, informou. Segundo a especialista, os frutos maduros também podem ser utilizados para decorar ambientes, ser colocados em cestas, recipientes de madeira, vidro ou cerâmica, sobre mesas e aparadores, enfeitando salas, cozinhas e restaurantes. “A durabilidade dos frutos podem ser até um ano”, disse.

FAO defende mandioca como alimento do século 21

Um alimento bem conhecido dos brasileiros e nem sempre valorizado, a mandioca pode se transformar em um dos principais produtos agrícolas do século 21, se for cultivada em um modelo de agricultura sustentável que satisfaça o aumento da demanda, defendeu recentemente a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Segundo a entidade, que é presidida atualmente pelo brasileiro José Graziano, a produção mundial de mandioca aumentou 60% desde 2000,

sendo opção nutricional para cereais como trigo e milho, cujos preços aumentaram muito nos últimos anos, tornando-se pouco acessíveis a populações carentes de países em desenvolvimento. Com a mandioca é possível produzir uma farinha de alta qualidade, que pode ser usada para substituir à de trigo, por exemplo. Cultivada tradicionalmente por grupos indígenas na América Latina, ela espalhou-se pelo mundo e agora faz parte da dieta cotidiana em alguns países.

VÍDEO

LEITURA ESPECIALIZADA

O documentário Mandioca – Raiz do Brasil investiga usos e influências da mandioca

Livro Cultivo e Produção de Mandioca

Filmado nos municípios de Santo Antônio de Jesus, Tancredo Neves, Vitória da Conquista, Entre Rios e Banzaê, além de Salvador, o documentário Mandioca – Raiz do Brasil, mostra como os índios Kiriris de Mirandela – município de Banzaê – invocam a lenda indígena de Mani do surgimento da raiz e sua presença entre os povos indígenas, primeiros consumidores da mandioca em forma de beiju.

A mandioca, mostra o documentário, comparece na mesa de todo brasileiro, seja sob a forma de farinha, beiju ou biscoito, seja como iguarias sofisticadas ou regionais, a exemplo da maniçoba, ou mesmo na versão pizza, “a pizzaioca”. A apropriação do vegetal e seus derivados pela culinária dos colonizadores europeus, que antes só conheciam e consumiam o trigo, também está

entre os aspectos abordados. Através dos historiadores Ricardo Carvalho e Rui Medeiros e do engenheiro agrônomo Joselito Motta, com depoimentos que pontuam todo o documentário, o espectador conhecerá o relato de como a mandioca fez, desde os tempos coloniais, e faz parte da história social dos brasileiros. Assista: www.irdeb.ba.gov. br/component/mediaz/media/ view/2084

A mandioca é um produto com múltiplos usos e da qual toda a planta pode ser utilizada com diferentes finalidades, servindo de alternativa de renda, de base alimentar, e que se cultivada de forma adequada permite uma maior sustentabilidade dos sistemas de produção. No entanto, a reduzida tecnificação, o uso de áreas impróprias para o cultivo e os baixos preços obtidos pelos produtores são dificuldades que limi-

tam a produção. A obra Cultivo e Produção de Mandioca, da Coleção Apontamentos e escrita por Jean Carlos Cardoso, fornece informações sobre o cultivo de mandioca, de interesse de alunos de graduação e pós-graduação em ciências agrárias, além de produtores rurais. Disponível por R$ 7,00 no site da Editora da Universidade Federal de São Carlos (EdUFSCar):www.isthmus.com. br/edufscar


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Ceasas do Brasil

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Secretário do Mapa é o novo Projeto leva energia diretor da organização de sustentável à Ceasa-RJ mercados atacadistas SUSTENTABILIDADE

Paixão Lages foi indicado para representar a América Latina na União Mundial de Mercados Atacadistas O secretário de Produção e Agroenergia, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SPAE/ Mapa), João Alberto Paixão Lages, foi indicado para representar a América Latina na diretoria da União Mundial de Mercados Atacadistas (WUWM, na sigla em inglês). Os novos diretores escolhidos foram empossados no dia 25 de maio, em Helsinki, na Finlândia. Entre os convidados estavam os dirigentes e técnicos da Associação Brasileira das Centrais de Abastecimento (Abracen). De acordo com Paixão Lages, “o Brasil é um dos maiores produtores do mun-

do no segmento atacadista, e poderá ser em breve, também, um dos maiores fornecedores, bastando para isto, a apropriação das tecnologias que garantam a qualidade e padrões de fornecimento estipulados pelo mercado mundial.” Ele reforçou “o interesse do país em reorganizar os sistemas Ceasas, modernizando-os e construindo novas centrais. Desta forma, estará garantido espaço ao produtor rural, para se fazer o equilíbrio entre a oferta, a demanda e os preços; evitando o que ocorreu, recentemente, no caso do tomate [alta de preço e baixa oferta]”.

Telecentro abre inscrições para curso de informática na CeasaMinas

Estão abertas as inscrições para o curso de informática do telecentro para o segundo semestre deste ano. O projeto capacita gratuitamente alunos a partir de 14 anos na utilização de computadores com disciplinas que incluem digitação, internet e uso de programas como word e excel. As aulas acontecem de segunda à sexta-feira, de 8h às 20h, sendo seis turmas com capacidade para 22 alunos cada. Imaculada Alves participa do projeto desde fevereiro do ano passado e está satisfeita com os resultados. “Quando comecei as aulas, não sabia absoANUNCIO entreposto.pdf

C

M

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1

lutamente nada relacionado a computador, hoje estou quase 100%. Claro que ainda tenho algumas dificuldades, mas estou superando aos poucos. A sensação que tenho hoje é de independência”, conta. “O curso está fazendo muito bem pra mim, estou aprendendo muitas coisas e o próximo passo que vou dar é comprar um computador pra deixar na minha casa”, afirma o carregador, José Heleno Oliveira. O curso é dividido em quatro módulos concluídos em um semestre, sendo eles:

05/03/2013

13:03:11

Redes e Contentores

• 1° módulo- Informática básica- digitação e internet • 2° módulo Word e internet • 3° módulo Power Point e internet • 4° módulo Excel e internet

A Ceasa-RJ iniciou em maio um sistema experimental de iluminação por energia solar. Serão instaladas oito placas que vão gerar 150 watts de potência cada uma por dia para abastecer 11 refletores a LED no entorno do prédio administrativo. As baterias receberão carga durante o dia e serão utilizadas a noite das 18h às 5h. Cinco horas de insolação diária são suficientes para carregar as baterias. O projeto de energia sustentável com o uso da energia solar fotovoltáica – energia limpa e racional, que não utiliza combustível e não requer constantes manutenções – é fruto de uma parceria da Ceasa com a empresa Solar Eco Energy. O projeto está em fase de teste e serve de exposição desta tecnologia para que seja avaliada a aquisição destes equipamentos para ser implantada uma iluminação de segurança, aumentando a área iluminada em toda a Ceasa-RJ. A inauguração do sistema experimental de utilização de energia solar na Ceasa-RJ contou com a presença do secre-

As inscrições devem ser feitas no prédio do telecentro, localizado no pavilhão 3 do entreposto de Contagem. O projeto de Inclusão Digital é uma parceria entre o Instituto CeasaMinas, Ministério das Comunicações, Fundação Banco do Brasil e CeasaMinas.

tário de Estado de Desenvolvimento Regional, Felipe Peixoto, que acredita no potencial do projeto. “Hoje nós temos a oportunidade de dar exemplos simples e sustentáveis. Além de iluminar, trazendo melhorias na área de segurança, esse projeto de eficiência energética é mais uma iniciativa da Ceasa-RJ focada na sustentabilidade”, afirmou o secretário. O presidente da Ceasa-RJ, Leonardo Brandão, explica que o projeto de energia solar torna a Ceasa-RJ pioneira no Brasil com a implementação de um sistema de energia sustentável deste porte. “ Apesar de ainda estar em fase de testes, o projeto poderá, no futuro, ser expandido para todas as áreas do mercado de Irajá e também para outras unidades da Ceasa-RJ no estado”, acredita o presidente. Energia Solar Fotovoltáica

Por ser considerada renovável, pois é obtida de uma fonte considerada inesgotável, a Energia Solar Fotovoltáica ainda pode ser implantada em diversos locais e tipos de empreendimentos. Apesar do custo dessa tecnologia ser muito alto, o Brasil ainda não tem muitas usinas de energia solar, pois demanda de alto investimento, é possível perceber o retorno em alguns anos, porque além de diminuir o custo gasto com energia, os locais que têm essa tecnologia implantada contribuem com a energia limpa, sustentável, que não utiliza combustíveis e não requer constantes manutenções. Nesse ponto o custo x benefício precisa ser levado em conta.

Acesse o site: Programas exigidos por lei: Programa de Controle de Saúde Médico Ocupacional - PCMSO

CM

Programa de Prevenção de Riscos Ambientais - PPRA

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Laudo Técnico de Condições Ambientais de Trabalho - LTCAT

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Perfil Profissiográfico Previdenciário - PPP Exames médicos: Admissão, Periódico, Retorno ao trabalho, Demisssionais.

CMY

Dra. Ana Maria Alencar (Diretora Médica)

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MATRIZ: Rua Lourival Sales, 501 Jabuti | Eusébio - CE - 85 3216.8100 FILIAL: Rua do Manifesto, 2501 - Ipiranga | São Paulo - SP - 11 2063.0635 FILIAL II - CEAGESP: Av. Gastão Vidigal, 1946 - Portão 3 - Quiosque 0 (zero) - (em frente ao Banco Itaú) - 11 9 8522 2426

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Ceasas do Brasil

ECONOMIA

Índice Ceagesp recua 2,45% em maio Com retrações acentuadas, legumes e verduras influenciaram a queda do indicador. No acumulado dos últimos 12 meses o índice registrou aumento de 14,59%

Mamão papaya 145%

alface lisa (-23,9%), couve (-23,6%) e agrião (-23,6%). Entre as principais altas do setor estão as do repolho (20,4%) e salsa (10,4%). A seguir, o setor de legumes recuou 12,42%. As principais quedas foram jiló (-41,2%), pimentão verde (-40,2%), ervilha torta (-38,95), pepino japonês (-36,9%) e tomate (13,7%). Não houve altas significativas no setor de legumes. Já o setor de frutas apresentou elevação de 1,73%. As principais altas foram mamão papaya (145%), limão (35%) e manga Tommy (18,5%). Principais quedas: morango (-33,7%), laranja lima (-24,1%), uva niagara (-18,1%), caju (-17,5%), maracujá doce (13,7%) e maçã estrangeira (-12,8%). O setor de diversos foi o

Pimentão verde - 40,2%

que registrou a maior elevação, de 3,13%. Com destaque para batata comum (14,9%), batata lisa (12,9%), milho de pipoca (6,8%) e alho (4,3%). As principais quedas foram da cebola nacional (-5,4%), ovos (3,9%) e amendoim (-1,7%). Por fim o setor de pescados com alta de 1,17%. Os principais aumentos foram do atum (59%), corvina (15,2%), lula (14,1%) e espada (11,6%). E quedas em destaque de pescada tortinha (-38,4%), pescada (-25%), robalo (-25%), abrotea (-21,7%) e polvo (-15,1%).

Tendência: Caso as condições climáticas permaneçam inalteradas, a expectativa é de que haja mais redução de preços em junho. Além de legumes e verduras, a

Em maio, o Índice de preços Ceagesp recuou 2,45%. Os setores de legumes e verduras registraram forte redução e impulsionaram a desaceleração de preços no atacado. “Os preços praticados de legumes e verduras recuaram, principalmente, em razão do aumento da quantidade ofertada. As condições climáticas satisfatórias nas regiões produtoras, com temperaturas mais amenas e pouca incidência de chuva trouxeram melhora também na qualidade da maioria dos produtos destes setores de comercialização” explica FlávioGodas, economista da Ceagesp. O setor de verduras apresentou a maior queda, de 15,89%. Com destaque para espinafre (-29,9%), rabanete (-28%), alface crespa (-25,8%),

Alface crespa -25,8%

queda deve se estender também nos demais setores de comercialização. É natural a retração no consumo nessa época do ano. Como as condições climáticas devem continuar propícias à produção, a expectativa é de mais elevação no volume ofertado, ótima qualidade e redução dos preços praticados da maioria dos produtos comercializados.

Índice Ceagesp Como objetivo de traduzir melhor a situação do mercado, em 2012, o Índice Ceagesp passou por uma revisão e foram acrescentados mais produtos à cesta, que agoracontabiliza 150 itens. Pera, atemóia, abóboras, inhame, cará, maxixe, cogume-

Batata comum 14,9%

lo, berinjela japonesa, hortelã, moyashi, orégano, ovos vermelhos, além das verduras hidropônicas como alfaces, agrião, rúcula, são os novos produtos acompanhados pelo Índice, pois tiveram entradas regulares durante todos os meses de 2011. Primeiro balizador de preços de alimentos frescos no mercado, o Índice Ceagesp é um indicador de variação de preços no atacado de Frutas, Legumes, Verduras,Pescado e Diversos. Divulgados mensalmente, os itens da cesta foram escolhidos pela importância dentro de cada setor e ponderados de acordo com a sua representatividade. O Índice foi lançado em 2009 pela Ceagesp, que é referência nacional em abastecimento.

Atum 59%


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Cá entre nós

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A plantação de batatas da Nossa Turma No próximo dia 6 de julho, vamos ter a festa julina, que será o arraiá da Nossa Turma na arena de eventos da Ceagesp, no pavilhão PBCF, a partir das 14h. As crianças da instituição já estão ensaiando a quadrilha caipira sob o comando da puxadora Tia Renata, que está dando uma roupagem nova para conduzir a apresentação. O Sebastião, da Comitiva Capiau, vai comandar a barraca do churrasco e ir se preparando para, em Agosto, ir a Barretos cozinhar defendendo a família Ceagesp. Com a nossa torcida e o entusiasmo da Comitiva ele vai tirar nota máxima e trazer o troféu de campeão.

Por Manelão A plantação da cultura de batatas no canteiro da Nossa Turma está uma beleza! As crianças ficam extasiadas quando perguntamos aos nossos visitantes se eles conhecem aquela planta. Ninguém acertou e muitos afirmaram que é pé de tomate. O batateiro João Barossi nos orientou que do plantio até a colheita, são aproximadamente 100 dias. A nossa plantação está na meia vida, pois chegou a 50 dias de plantada sendo observada pela garotada. No mercado, o preço da batata caiu. Mas está em alta a manifestação popular no Largo da Batata.

Venha saborear milho cozido, curau, bolo, pastel, mini pizza, caldos variados, quentão e vinho quente. Teremos muitas brincadeiras, pescaria, toca do coelho, boca do palhaço e bola na lata. Tudo isso embalado por bandas de forró, duplas caipiras, grupos de pagode, samba e, no final, a apresentação da Escola de Samba Império Lapeano. As 20h, teremos uma rodada de bingo valendo um televisor. Ah, vamos ter batata frita da mesma qualidade que as nossas crianças ajudaram a plantar. A renda total será revertida para a entidade social Nossa Turma. Venha curtir!

Ceagesp recebe 2º Encontro dos Amigos do Charada No dia 19 de maio, a Ceagesp recebeu belíssimos caminhões que coloriram as ruas do entreposto Caroline Del Vecchio e seu marido Julio Cesar Petrassi, realizaram o 2° Encontro dos Amigos do Charada. O evento tem a finalidade de apresentar aos leigos que caminhoneiros podem, sim, ter o seu objeto de trabalho impecável e muito mais bonito que outros veículos. Os visitantes do mercado puderam apreciar caminhões customizados ou apenas muito bem tratados por seus donos. O caminhoneiro Pica Pau, por exemplo, defende a ideia de que o caminhão não é apenas uma ferramenta de trabalho. É também um abrigo e um lugar que deve ser mantido limpo. “Aqui é onde a gente dorme e come. Precisa ter higiene”, afirmou. Além dos veículos utilizados diariamente para trabalhar, outros expositores apresentaram raridades. São colecionadores apaixonados por jóias antigas, como o senhor Edson, proprietário

de um lindo Kenworth 1973. “No Brasil, existem apenas três como este”, conta orgulhoso. O caminhão tem cama, geladeira, televisão, ar condicionado. É um motor home completo sobre o chassi de um pesado. Estima-se que mais de 400 pessoas estiveram no local e funcionários da Ceagesp elogiaram a organização e a educação dos presentes. Além dos que vieram pessoalmente, contamos com o apoio dos nossos parceiros da Cowboys do Asfalto, que mandaram diretamente de Itajaí/SC, algo muito bacana para representá-los, o MAD MAX! Muitos caminhoneiros que vieram do sul, comentaram que já o viram no Parque Beto Carrero World! A maioria que compareceu são nossos amigos da capital e grande São Paulo, porém, pudemos conhecer uma família super especial que veio diretamente de Chapecó/RS para nos prestigiar

e nos conhecer pessoalmente. Isto é muito gratificante! Os proprietários dos caminhões levaram sua família, seus amigos, isto abrilhantou ainda mais o evento. Fazemos questão de agradecer também aos jovens que administram os Flogões e outras redes sociais. Como sempre, eles foram os primeiros a chegar e os últimos a irem embora. O encontro já está bombando nas redes e principalmente no Youtube. Agradecemos a todos pelo carinho, pela amizade e confiança! Isto é a base de uma grande família. Charada Film Som - Acessórios - Suspensão a ar Av. Eng. Caetano Álvares, n° 2850 - Bairro do Limão CEP: 02546-000 - São Paulo Telefone: (11) 2256-3442 E-mail: charada_film@hotmail.com


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Transporte

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Volvo testa no Brasil caminhão movido a GNL que emite 10% menos CO2 Os testes com o modelo estão sendo realizados em parceria com a White Martins A montadora Volvo está testando um caminhão movido a gás natural liquefeito (GNL) que emite 10% menos CO2 se comparado com os caminhões de tecnologia Euro 5 movidos exclusivamente a diesel. Segundo Sérgio Gomes, diretor de estratégia de caminhões do Grupo Volvo América Latina, os resultados dos primeiros testes mostraram um excelente índice de substituição do diesel pelo GNL nas condições de estrada em que está rodando, com topografia ondulada. O índice de substituição do diesel pelo GNL nos primeiros meses de testes no Brasil é de cerca de 65%. No teste, o caminhão, um FM 460cv, circula 580 quilômetros por viagem, em um trajeto de ida e volta de Paulínea a Avaré, no interior de São Paulo. O veículo roda carregado com 15 toneladas de GNL em uma operação real de transporte à distribuição de gás natural feita por meio de gasodutos. O modelo possui um tanque de diesel com capacidade para 330

Sérgio Gomes, diretor de estratégia de caminhões do Grupo Volvo América Latina

Alberto Neumann, gerente de estratégia e desenvolvimento de negócios

litros e um tanque de GNL com 290 litros. “Os primeiros resultados são animadores e temos potencial para viabilizar a comercialização de caminhões GNL no Brasil num futuro próximo. A aplicação da tecnologia já se mostrou viável na Europa e a oferta de GNL no Brasil é muito boa”, destaca Gomes. Este projeto faz parte da estratégia da Volvo de colocar no mercado veículos com combustíveis alternativos, menos poluentes e ao mesmo tempo vantajosos aos clientes da marca do ponto de vista econômico. “Em comparação com os motores convencionais a gás com vela de ignição, a tecnologia com GNL desenvolvida pela Volvo oferece 30 a 40% a mais em eficiência, o que, por sua vez, reduz o consumo de combustível em 25%”, observa Alberto Neumann, gerente de estratégia e desenvolvimento de negócios. Outra vantagem é que o gás em estado liquefeito permite armazenar mais combustível nos tanques em comparação com o combustível comprimido. Isto proporciona ao caminhão GNL uma autonomia muito maior do que a dos caminhões tradicionais movidos a gás que fazem uso da tecnologia de velas de ignição.

Agrale inicia produção de tratores na Argentina Empresa planeja ampliar fabricação de chassis para ônibus e caminhões no país vizinho

A Agrale iniciou, em maio, a produção de tratores em sua planta localizada na cidade de Mercedes, na província de Buenos Aires. A primeira unidade fabricada foi do modelo BX 6.110, da Linha 6000, a de maior potência da marca. A comercialização desses produtos começa agora em junho nos concessionários da marca naquele país. A produção de tratores na Argentina faz parte da estratégia de internacionalização da Agrale e é resultado do plano de investimentos de US$ 12,5 milhões, anunciado em dezembro do ano passado, que incluía a instalação de uma segunda linha de montagem de veículos. O objetivo é agregar, na planta de Mercedes, a produção de tratores e ampliar a de chassis para ônibus e caminhões, para atendimento da crescente demanda dos produtos Agrale pelo mercado local. A fábrica da Agrale na Argentina começou a operar no final de 2008 para produção de chassis para ônibus, acrescida em 2009 de caminhões leves, e já ultrapassou a fabricação de

4.000 unidades. A empresa tem mais de 40 anos de presença no mercado argentino, onde alcançou expressiva participação e conceito. Segundo Hugo Zattera, diretor-presidente da empresa, as primeiras unidades fabricadas já superam 50% de índice de nacionalização de componentes. “Nossa meta é superar os 70% de conteúdo local e assim colaborar para o fortalecimento da indústria automotiva do país”, destaca o executivo. Os tratores da Linha 6000 da Agrale são indicados para utilização em grandes áreas de cultivo. Com modelos com potência entre 110 e 168 cv, a Linha 6000 dispõe também de cabine desenvolvida para proporcionar maior conforto e espaço interno para o operador e são bem conceituadas no mercado pelo bom desempenho econômico, operacional e pela facilidade de manutenção. No Brasil, a Agrale, além da Linha 6000, também produz a Linha 5000, de 65 até 105 cv de potência, e a Linha 4000 de microtratores, de 15 até 36 cv, voltados especialmente para a agricultura familiar.


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