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Um jornal a serviço do agronegócio

Associação Brasileira das Centrais de Abastecimento

Diretora Geral: Selma Rodrigues Tucunduva | ANO 12 - No 135 | agosto de 2011 | Circulação nacional | Distribuição autorizada no ETSP da Ceagesp | www.jornalentreposto.com.br

Brasileiros consomem mais frutas e menos hortaliças

Alimentação e saúde pública no Brasil: espaço para o marketing nutricional de FLV

pág. 16

pág. 14

Variedades de repolhos

pág. 20

Permissionários reivindicam revitalização das Ceasas

Frutas e hortaliças frescas na Bolsa Eletrônica de Compras de SP pág. 21 |Cá entre nós |

pág. 23

Abrinq e Nossa Turma selam parceria | Ceasas Brasil |

pág. 4

Reduzir gases do efeito estufa é o novo objetivo do setor agropecuário Programa de governança climática da CNA avança nas discussões sobre o tema e sinaliza desafios e oportunidades para o agronegócio brasileiro crescer e preservar os recursos naturais ao longo dos próximos anos.

págs. 6 e 8

Crédito rural

tem novas regras O novo percentual passou de 7% para 10% no caso dos recursos voltados ao Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural), e de 11% para 20%, nos valores destinados a cooperativas. pág. 10 Alta

-4,47%

Legumes Baixa -2,29%

0,87%

Frutas

Verduras Baixa -7,60%

Alta

Diversos Baixa -2,98%

Geral

Pescado

Índice Ceagesp - Julho 2011

Baixa -1,96%

pág. 26

Índice Ceagesp fecha julho com alta de 0,87% |Transporte|

pág. 28

Redução de IPI de caminhões é ampliada


Editorial

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agosto de 2011

É hora de amadurecer As pessoas passam muito tempo investindo seus recursos e esforços na solução de problemas enquanto deveriam estar fazendo isto para as oportunidades. As oportunidades não são milagres, apesar que os milagres acontecem às vezes, mas é preciso trabalhar tremendamente para que aconteçam, como disse Peter Drucker, pai do marketing.

Nesta edição, o Jornal Entreposto aproveita para comemorar o lançamento da 4ª edição do Anuário Entreposto, uma importante ferramenta de marketing para empresas e pessoas do negócio de hortifrutícolas. O óbvio e a simplicidade fazem deste guia uma grande

ideia para o mercado em desenvolvimento, que busca sua maturação por meio da troca de informações.

E por falar em informação, 28 de julho foi o Dia do Agricultor. Ele já foi chamado pelos mais variados termos: camponês, lavrador, agricultor de subistência, pequeno produtor, agricultor familiar. Hoje faz parte de uma nova situação, onde este trabalhador é considerado um empreendedor de negócios, fundamental para economia e desenvolvimento do país. A CATI - Coordenadoria de Assistência Técnica Integral, Secretaria de Agricultura e Abastecimento, do Governo do Estado de São Paulo, realizou um evento comemorar este dia e o Jornal Esntreposto esteve

lá para fazer uma cobertura fotográfica. Veja as imagens no caderno de agricultura.

As mudanças climáticas foram tema de reunião na sede da CNA, em Brasília. Algumas das propostas discutidas por especialistas poderão ser incorporadas ao Programa de Governança Climática para uma Agricultura de Baixo Carbono (PABC), lançado pela CNA em junho. O objetivo do programa é apresentar as contribuições do setor agropecuário para a redução da emissão de carbono, ajudando a mitigar os efeitos negativos do aumento da temperatura sobre a atividade rural.

Vamos dividir o conhecimento sobre estes temas e muito outros com você. Tenham uma boa Leitura!

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Editorial

março de agosto de 2011 2011

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Abastecimento

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“Revitalização das Ceasas só virá com união dos permissionários”

Neno Silveira De São Paulo

Palestra proferida pelo deputado federal Junji Abe (DEM/ SP), à convite do Sincaesp, contou com a participação de um grande número de permissionários e visitantes, que lotaram o auditório do sindicato na manhã do último dia 11 de agosto para ouvir o parlamentar discorrer sobre diversos temas, como “Ceasa - Distribuição de Hortifrutis”, “Novo Código Florestal” e “Discussão da Frente Parlamentar Pró-Horti”. O grande número de participantes tem explicação no fato de que o deputado sempre foi um tradicional aliado do setor de produção e distribuição de hortigranjeiros, podendo-se até mesmo afirmar que, no universo da política, ele é o único representante paulista nas últimas décadas a se posicionar sistematicamente a favor dos anseios de produtores e atacadistas da Ceagesp, desde os tempos em que atuou como deputado estadual, na década de 90. Na palestra, Abe, que também foi prefeito de Mogi das Cruzes por duas vezes, destacou a sua origem imigrante, de pais vindos do Japão, e o estreito vínculo da família com a produção

agrícola, atividade na qual chegou a se constituir na principal produtora nacional de alguns produtos, como a batata-doce. Apesar da militância na política, Abe nunca deixou o setor produtivo e ainda hoje permanece atuante como cultivador de orquídeas. Por conta da ligação com a produção de hortaliças, o Abe acompanhou a implantação e o crescimento da Ceagesp, desde o seu início, nos anos 60. Na época, segundo ele, diante das dificuldades que os produtores enfrentavam para comercializar seus produtos na região central da cidade de São Paulo, o surgimento do entreposto no Jaguaré representou um grande avanço. Ele destaca que o novo mercado podia ser comparado, em termos de modernidade, a um verdadeiro cadillac, veículo que na ocasião era considerado o principal símbolo de status e sofisticação entre os produtos da indústria em geral. No entanto, olhando hoje para o mercado, a impressão que se tem, conforme o deputado, é que a lataria do cadillac foi severamente corroída pela ferrugem, a pintura desbotou e os pneus ficaram carecas. E todos os demais itens também deixam claro que a manutenção do “veículo” ficou muito aquém do desejável e que ele está fi-

cando sem condições de uso, em grande parte por conta da negligência dos seus proprietários, inclusive os próprios permissionários. O sucateamento do entreposto paulistano deixa evidente que os permissionários nunca souberam entender a importância de se unirem na escolha de representantes que pudessem defender seus interesses e trabalhar pelo aperfeiçoamento do mercado nas esferas políticas. Quer queiramos ou não, desde o retorno da normalidade democrática é nessas esferas que são decididos os destinos das empresas públicas, com a escolha de seus dirigentes entre esta ou aquela facção políticopartidária. Se os permissionários não

se mobilizam para interferir nessas escolhas e se essas escolhas recaem sobre dirigentes despreparados e sem qualquer compromisso com o processo de abastecimento e com o avanço e a modernização do mercado, eles não têm nem como reclamar por atitudes que possam violar direitos que possuam sobre seus locais de trabalho, pelo tratamento desrespeitoso que recebem e pela deterioração constante das condições de comercialização. Deterioração essa que, por sua vez, reforça a argumentação daqueles que são contrários à permanência do mercado no seu local atual. Nas intervenções da plateia, foi lembrada por permissionários presentes a atitude lamentável de colegas seus em relação

à manutenção dos seus boxes e das áreas comuns do mercado, notadamente no que se refere às condições de limpeza e apresentação. Segundo os presentes, posturas como essa trazem descrédito para o mercado e justificam as fiscalizações e autuações que vêm sendo impostas pela Covisa (Coordenadoria de Vigilância Sanitária), da prefeitura. Na sua palestra, Junji Abe abordou ainda a votação do novo Código Florestal, destacando que o texto aprovado na Câmara atendeu às recomendações das lideranças ligadas à produção agrícola, restando esperar pela votação no Senado. Ele considera imprescindível destacar o reconhecimento, no texto aprovado, do direito de produtores que cultivam, há décadas, em APP’s (Áreas de Preservação Permanente), assim como em encostas de morro, e a manutenção das demais áreas como invioláveis. Outra medida que ele considerou vital para a sobrevivência dos pequenos produtores é a que permite a soma de APP’s no cálculo da reserva legal, desde que a área esteja conservada e que isso não implique mais desmatamentos. Como produzem em espaços modestos, se os pequenos produtores tiverem de manter invioláveis as APP’s e mais a reserva legal, praticamente não sobraria terreno para cultivo. O deputado revelou ainda que passou a compor recentemente a Frente Parlamentar em Defesa as Centrais de Abastecimento, lançada em julho na Câmara Federal, sob coordenação do deputado mineiro Leonardo Quintão (PMDB-MG). Disse também que convidou o colega mineiro para reapresentarem projeto do ex-deputado Silas Brasileiro, que institui o Plano Nacional de Abastecimento de Hortigranjeiros, que prevê a recuperação das Ceasas e a alteração do regime jurídico das mesmas. Nesse ponto, foi lembrado pelo presidente do Sincaesp, José Robson Coringa, que o referido projeto teve origem na própria Brastece, entidade que congrega os sindicatos e associações de permissionários das Ceasas brasileiras, tendo recebido posteriormente a adesão da Abracen (Associação Brasileira de Centrais de Abastecimento).


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Com dados atualizados e conteúdo renovado, Anuário Entreposto chega à sua 4ª edição Considerado o melhor instrumento de consulta de produtos hortifrutícolas do estado de São Paulo, o guia traz novidades para leitores e compradores de produtos in natura

C

omprar na Ceagesp ficou cada vez mais fácil com a utilização do Anuário Entreposto. O guia que está em sua 4ª edição traz informações técnicas detalhadas para uma boa compra e dados atualizados de todos os permissionários dos entrepostos de abastecimento do estado de São Paulo.

O objetivo da publicação é promover o comércio de produtos in natura através da consulta rápida e eficiente, com separação por Ceasas de cada cidade. As publicidades de permissionários valorizam o guia e facilitam a escolha por empresas.

Desde que foi criado, o Anuário Entreposto continua em crescente aceitação por parte de permissionários, transportadores, supermercadistas, feirantes, produtores e empresas que utilizam o entreposto para realizarem seus negócios. Hoje considerado ferramenta indispensável no mercado atacadista de hortifurtícolas, o Anuário Entreposto caminha para um futuro ainda melhor, onde irá agregar tecnologia digital ao produto editorial.

O site www.anuarioentreposto.com.br deverá conter versão online do guia, disponibilizando uma busca rápida de referência de produtos para todas Ceasas do estado de São Paulo. Já está aberta a oportunidade para participar da edição número 5 do Anuário Entreposto para 2012.

Para mais informações ligue no departamento comercial do Jornal Entreposto (11) 3831.4875 JORNAL ENTREPOSTO A maior mídia dirigida ao mercado de produtos hortifrutícolas do país

edição

Está chegando o maior guia de hortifrutícola do País. O Anúario Entreposto estará disponível até o final de agosto para todo mercado atacadista. São mais de 200 páginas com informações e dados atualizados de permissionários dos entrpostos do Estado de São Paulo. Garanta já o seu exemplar!

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Meio Ambiente

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Mudanças do clima pautam discussões na CNA Entidade organiza e desenvolve ações para fomentar o emprego de tecnologias mitigadoras das emissões de carbono no campo A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil está promovendo uma série de encontros com especialistas em mudanças climáticas para colher sugestões e propostas pertinentes à consolidação do PABC (Programa de Governança Climática para uma Agropecuária de Baixo Carbono). Por meio desse plano lançado em junho, a CNA pretende apresentar as contribuições do setor para a redução de emissões de poluentes agravantes do aquecimento global, ajudando a mitigar os efeitos negativos do aumento da temperatura sobre a atividade rural. Um dos convidados para falar no primeiro encontro, realizado no início do mês em Brasília, foi o professor Luiz Gylvan Meira Filho, do IEA/USP (Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo), que questionou a atual métrica utilizada para equivaler o metano ao dióxido de carbono. “A conversão do metano em CO2 pelo GWP [sigla em inglês para “potencial de aquecimento global”] superestima as emissões da pecuária”, disse, alertando que países que competem com o Brasil no mercado internacional podem utilizar como pretexto o volume de emissões de gases para defender interesses comerciais. Para que o segmento não corra o risco de sofrer mais barreiras não-tarifárias e mantenha sua competitividade, o especialista recomendou ao setor agropecuário continuar fazendo sua parte com a adoção de práticas que reduzam emissões de poluentes que interferem no clima do planeta e ter papel protagonista no debate sobre o tema. “A tendência é de que a OMC (Organização Mundial de Co-

FOTOS: PAULO FERNANDO

Integração entre lavoura, pecuária e floresta é uma das apostas do setor contra o aquecimento global

mércio) seja a grande arena para estas questões, caso outros países utilizem as emissões como desculpas para impor entraves não-alfandegários ao Brasil”, enfatizou. Impactos regionais

As mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global aprofundarão as desigualdades regionais e de renda no Brasil. Na região Nordeste, vai chover menos; no Sul, as chuvas serão mais intensas e as geadas diminuirão, enquanto no Centro-Oeste o clima ficará mais quente. Essas foram as principais 3Carolina Dubeux defende estímulos para produtores rurais manterem conclusões do estudo “Econoárvores em pé mia da Mudança do Clima no Brasil: Custos e Oportunidades”, apresentado por Carolina sofrerão mudanças com as con- essa redução são estimadas em Dubeux, do Centro de Estudos sequências do aumento da tem- R$ 6,8 bilhões. O milho é outro Integrados sobre Meio Am- peratura. produto que será fortemente biente e Mudanças Climáticas Segundo a especialista, a atingido, revela o estudo. Estão da UFRJ (Universidade Federal área propícia para o plantio previstas perdas de até R$ 1,5 do Rio de Janeiro), que também de soja, em 2050, será 34% bilhão por ano até 2050, por coordenou o levantamento. menor e as perdas anuais com causa da retração de 15% da A pesquisa projeta um cenário otimista e outro pessimista para a realidade da economia brasileira deste século. “Quando se constroem cenários, é possível imaginar qual o caminho a humanidade vai seguir e, dessa forma, medir os impactos dessa escolha”, explicou a pesquisadora, que também integra o Painel Intergovernamental de Mudança do Clima (IPCC, na sigla em inglês). Apesar dos problemas climáticos associados ao aquecimento global serem de longo prazo, o levantamento adotou o ano de 2050 como marco para o aumento da percepção dos efeitos das mudanças climáticas em curso. De acordo com o estudo, a 3Segundo o professor Gylvan Meira agricultura será uma das atiFilho, pecuária não é vilã das vidades econômicas que mais emissões de CO2

área plantada de milho. Com exceção da cana-deaçúcar, que deverá ter um aumento da área cultivada de até 147%, todas as outras culturas poderão sofrer redução de área até a metade deste século. “A produtividade cairia principalmente nas culturas de subsistência do Nordeste”, disse. Na região, diz o estudo, as chuvas tenderiam a diminuir 22,5 mm por dia até 2100, causando perdas agrícolas em todos os seus estados. O déficit hídrico reduziria em 25% a capacidade de criação de bovinos de corte e, assim, pode provocar um retrocesso à pecuária de baixo rendimento. Oportunidades

O levantamento também apontou medidas que ajudarão a mitigar os efeitos do aquecimento global. Entre elas, a taxação do preço médio da tonelada do carbono na Amazônia em US$ 3, ou US$ 450 por hectare. “Precisamos oferecer mecanismos para estimular os produtores rurais a deixarem as árvores em pé, e a melhor maneira de se fazer isso é remunerá-los”, defendeu Dubeux. A substituição dos combustíveis fósseis também é apontada no estudo como uma forma para mitigar o impacto das emissões de gases do efeito estufa. O uso de biocombustíveis poderia evitar emissões de 92 milhões a 203 milhões de toneladas de gás carbônico pelo Brasil até 2035. O crescimento da área plantada de 17,8 milhões a 19 milhões de hectares não causaria substituição de áreas destinadas às culturas de subsistência em nenhuma região, nem pressionaria o desmatamento da Amazônia, enfatiza o estudo.


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Entrevista

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Rumo à agropecuária de baixo carbono Garantir a segurança alimentar e a redução das emissões de gases do efeito estufa é o novo objetivo do setor responsável por 30% do PIB brasileiro PAULO FERNANDO

Paulo Fernando De São Paulo A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) entrou de vez na luta contra o aquecimento global. A entidade que representa o pujante setor da economia nacional lançou um plano de mitigação dos efeitos adversos provocados pelas emissões de dióxido de carbono, metano e outros gases que, segundo os relatórios do IPCC (sigla em inglês do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), interferem no clima e elevam a temperatura média do planeta. Elaborado pelo especialista em direito ambiental e em economia verde Flávio Menezes, o PABC (Programa de Governança Climática para uma Agropecuária de Baixo Carbono) se iniciará com a realização de um diagnóstico que pretende avaliar a real participação do setor nas emissões desses poluentes. “Esta etapa inicial servirá de suporte para as fases seguintes, que incluirão a discussão sobre as ações – o que já estamos fazendo – e a adoção de tecnologias menos intensivas em carbono”, diz. Durante entrevista ao JE, o advogado paulistano também informou que estão previstas no programa a criação de um fundo de pesquisa e desenvolvimento e a busca de parcerias para financiar os projetos junto a instituições como o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e o Bird (Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento). Outra iniciativa do PABC será a instalação do Observatório Tecnológico do Clima, instituição que irá centralizar informações sobre transferência de tecnologias. “Hoje, o grande desafio do agronegócio é assegurar a produção de alimento barato, em áreas menores e com alta produtividade, mas com um nível baixo de emissões. E é isso que esse programa se propõe a fazer”, resume.

Jornal Entreposto – Por que a CNA lançou um plano de governança climática? Flávio Menezes – Em conformidade com a Convenção do Clima e o Protocolo de Quioto, o Brasil tem uma Política Nacional de Mudança Climática. A partir de

ECONOMIA VERDE Desmatamento zero e redução de emissões estão na agenda do setor produtivo, afirma Menezes

seus inventários de emissões, cada setor da economia tem de lançar o seu plano para reduzilas. Essa regulamentação está a cargo da Casa Civil e, de todos os setores econômicos do país, o único que tem uma proposta – já elaborada pelo Ministério da Agricultura – é a agropecuária. A CNA está enxergando nisso uma grande oportunidade e, portanto, decidiu fazer o que tinha de ser feito, ou seja, uma política de governança climática.

JE – Quem vai bancar as ações previstas? Menezes – Não adianta ter um plano setorial se não há dinheiro para financiar as transações. O governo brasileiro criou uma linha de financiamento especial a partir do Fundo Nacional de Mudanças Climáticas, por meio do BNDES [Banco Nacional de

Desenvolvimento Econômico e Social]. O volume de recursos vai triplicar e, por isso, haverá muito dinheiro para isso. Embora ainda seja necessário treinar os agentes financeiros dos bancos repassadores, creio que as ações vão se dar numa velocidade maior do que imaginamos.

JE – Quais são as metas? Menezes – Precisamos entender que a mudança climática é um fato que vai impactar todos os setores da economia, especialmente o agronegócio, que é tido como um grande vilão nessa questão, seja pelo desmatamento ou pelo uso da terra. O setor discutiu muito pouco com relação ao inventário elaborado e ao plano setorial, mas todos entendem que é importante participar dessa discussão, principalmente para saber se

as metas são factíveis. O setor terá uma meta agressiva de redução de 24% de suas emissões em relação aos níveis de 1990. Ao mesmo tempo em que não poderá mais desmatar, porque a meta de desmatamento é zero, o setor vai ter de aumentar a produtividade. Em outubro, haverá sete bilhões de habitantes no planeta e, quando esse número chegar a nove bilhões, teremos de elevar a produção mundial de alimentos em pelo menos 40%. Nenhum país do mundo está tão preparado quanto o Brasil para fazer frente a essa demanda, garantindo a segurança alimentar e a diminuição das emissões de gases do efeito estufa. Por isso, queremos transformar esse plano numa grande vantagem competitiva para o setor produtivo e agregar valor à produção nacional. JE – O novo – e polêmico, por sinal – Código Florestal poderá fortalecer esse programa? Menezes – Bem ou mal, essa legislação resolverá a questão fundiária. Tirar os agricultores da informalidade ou o peso de cima daqueles que não tinham seus títulos regulamentados é uma grande vantagem para o país. Afinal de contas, não podemos nos esquecer que 30% do nosso PIB [Produto Interno Bruto] vêm dessa atividade. Os pequenos e médios produtores têm uma participação importante nessa história e, agora, também há uma movimentação interessante em relação ao REDD [Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal]. JE – Mas por que o mecanismo de REDD ainda não emplacou no Brasil? Menezes – O REDD está emplacando, sim. Há alguns projetos no Mato Grosso, há um importante na Amazônia e vários outros. Entretanto, do meu ponto de vista particular, o REDD não está funcionando do jeito que deveria funcionar porque todo mundo foi atrás do Fundo Amazônia, cuja metodologia é diferente.

JE – Voltando ao PABC, como vai funcionar o Observatório Tecnológico do Clima? Menezes – Tão logo concluamos a fase de diagnóstico do programa, a CNA criará esse centro para, entre outras fun-

ções, cuidar dos processos de mitigação, que englobam o tratamento de resíduos e efluentes, redução do consumo energético e outras ações que possam resultar num projeto gerador de créditos de carbono. A CNA pretende disponibilizar tecnologia e conhecimento, incentivar o pequeno produtor e fornecer assessoria técnica, porque também é objetivo do PABC criar e consolidar um mercado de serviços ambientais.

JE – Embora tenha transacionado mais de 140 bilhões de euros no ano passado, o mercado de créditos de carbono não está sob ameaça, já que ainda há muitas incertezas sobre os rumos de Quioto? Menezes – O mercado de carbono não vai acabar só porque o Protocolo de Quioto não será renovado. A ONU [Organização das Nações Unidas] continuará emitindo CERs [Certificados de Emissões Reduzidas], que, nesse novo cenário, só vão mudar de mãos. Não só a ONU, mas o Banco Mundial e outras instituições entrarão nesse mercado, e é aí que nós estamos enxergamos uma ótima oportunidade para a agropecuária brasileira, pois reter carbono nas propriedades rurais é um grande negócio e pode ser realizado por meio da integração lavoura-pecuária-floresta, o que também resulta em inúmeros serviços ecossistêmicos passíveis de remuneração. JE – Para finalizar, qual será o papel da biotecnologia? Menezes – A CNA, por meio desse projeto, está fazendo uma coisa genial ao criar um fundo de estímulo à produção de conhecimento. Hoje, nós só temos 180 bolsas de mestrado e doutorado na área de ciências agrárias, e isso é ridículo para um país como o Brasil. O que a entidade está tentando fazer é incentivar pesquisas em alguns setores que são essenciais para a agropecuária. Nesse sentido, os transgênicos são um grande apoiador dos programas de produção de baixo carbono. Ainda que haja a incerteza quanto ao longo prazo, isso é uma questão prática, já que temos de aumentar a nossa produção em 40%. Vamos ter de dar um salto grande em termos de produtividade agrícola, e isso passa, sem dúvida, pelo uso da biotecnologia.


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Agronegócio

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Governo aprova mudanças para crédito rural Para o médio produtor, novo aumento representa ampliação dos recursos financiados a juros controlados O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou no �inal de julho, o aumento do percentual dos depósitos bancários destinados ao crédito rural, a chamada subexigibilidade. O percentual passou de 7% para 10% no caso dos recursos voltados ao Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural), e de 11% para 20%, nos valores destinados a cooperativas. Na prática, a medida representa uma mudança na exigibilidade, isto é, dos 28% que os bancos são obrigados a destinar para o crédito rural, a partir de agora, 10% serão direcionados ao Pronamp e 20% para as cooperativas. No caso do crédito para o médio produtor, esse aumento representa uma ampliação dos recursos �inanciados a juros controlados. Com a decisão do CMN, 10% do valor obrigatório dos depósitos à vista serão repassados para essa �inalidade. A medida não terá impacto negativo para os bancos que, na safra passada, já vinham aplicando um percentual maior que os 6% obrigatórios. Para as cooperativas, antes da decisão, a subexigibildiade só atendia a duas modalidades de crédito: adiantamento e repasse a cooperados. Com a resolução do CMN, as restrições não valem mais e, na safra atual (2011/2012), os recursos poderão ser aplicados em todas as modalidades de crédito previstas no capítulo 5 do Manual de Crédito Rural. O �inanciamento pode ser destinado a custeio, investimento ou comercialização, bem como atividades próprias; suprimento de recursos para atendimento aos cooperados; integralização de cotaspartes; antecipação de recursos

de taxa de retenção e repasse a cooperados. Poupança Rural

No caso da Poupança Rural, a exigibilidade de aplicação em operações de crédito rural era de 68% dos recursos captados. Deste percentual, 40% poderiam ser destinados a bene�iciários do setor agroindustrial. Com a nova regra, a intenção do Ministério da Agricultura é destinar, em etapas, o valor total dos recursos dessa exigibilidade exclusivamente a produtores e cooperativas. Assim, dos atuais 40%, o percentual irá diminuir a cada safra e passando a ser de 30% na safra 2011/2012, 20% na safra 2012/2013 e 10% na safra 2013/2014 até que a totalidade desses recursos seja voltada às operações com produtores rurais e suas cooperativas a partir de 1º de julho de 2014. A exigibilidade é uma regra do governo que determina que um percentual mínimo dos depósitos bancários à vista e em Poupança Rural devem ser direcionados ao crédito rural. A subexigibilidade é um percentual da exigibilidade que deve ser destinado a um programa especí�ico. Criado na safra 2010/2011, o Pronamp dispõe de recursos para custeio e investimento aos médios produtores rurais. Até o ciclo agrícola atual, para acessar o crédito, o produtor precisava ter uma renda bruta anual de até R$ 500 mil. A partir da safra 2011/2012, o limite para enquadramento no programa aumentou para R$ 700 mil, favorecendo um maior número de produtores.

Laranja Em junho passado, o CMN já havia instituído algumas mudanças. Na parte de comercialização, por exemplo, aumentou o limite de crédito da Linha Especial de Crédito (LEC) passou de R$ 200 mil para R$ 650 mil, dependendo do produto, para R$ 1,3 milhão por produtor. Para as agroindústrias, o limite passou de R$ 30 milhões para R$ 40 milhões. O setor de laranja, um dos destaques do Plano Agrícola e Pecuário, terá condições especí�icas no �inanciamento da LEC, com limite de R$ 80 milhões para cooperativas e empresas de �inanciamento ou industrialização. A operações podem ser contratadas até 30 de setembro e devem ser pagas em até quatro parcelas, até fevereiro de 2013.

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Agronegócio

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Bancos estatais concedem mais crédito que instituições privadas Mais da metade do volume de crédito concedido está concentrada em bancos públicos

Um estudo elaborado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostrou que, desde 2008, os créditos concedidos por bancos estatais subiram acima de 30%, enquanto as intuições �inanceiras privadas reduziram o ritmo de aumento dos �inanciamentos de 25% para 10%. O levantamento analisou a concessão de crédito dos bancos federais para os setores industrial, agrícola e de habitação. Entre 2001 e 2004, o per-

centual de crédito em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) variava entre 25% e 26%. A partir de 2005, essa proporção foi aumentando até atingir 44% em 2009. Em 2010, o país disponibilizou em crédito valor correspondente a 46%, percentual já superado no acumulado até maio de 2011, quando o crédito já representava 47% do PIB. “O Brasil vive, desde 2004, um ciclo inédito de aumento ininterrupto do crédito. Até 2007, os [bancos] privados puxavam os �inanciamentos. Em 2008, a curva se inverteu, o crédito dos bancos privados desacelerou fortemente e o crescimento foi sustentado pela atuação anticíclica das instituições públicas”, explicou o técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea, Victor Leonardo de Araújo. Segundo ele, os bancos públicos atuam também em

segmentos que estão fora dos setores mais capitalizados do agronegócio, como a agricultura familiar. O Banco do Brasil, por exemplo, foi responsável por 73% dos créditos liberados para a agricultura familiar, 77% ao médio produtor e 40% à agricultura empresarial na safra passada. No primeiro trimestre deste ano, a instituição se manteve como líder do Sistema Nacional de Crédito Rural, com 61,2% de participação e carteira de R$ 77,4 bilhões. Para a safra 2011/2012, a instituição pretende destinar cerca de R$ 45,7 bilhões em operações de crédito rural. No anúncio feito no início de agosto, o banco informou que o valor é 17% superior ao do ciclo anterior. Na safra 2010/2011, foram liberados R$ 39 bilhões do total de R$ 42 bilhões dis-

VALTER CAMPANATO/ABr

ponibilizados. Segundo o vicepresidente de Agronegócios e de Micro e Pequenas Empresas do BB, Osmar Dias, as agências já estão fazendo operações de crédito para a nova safra desde 1º de julho e várias medidas foram tomadas para dar mais rapidez à liberação dos recursos.

De acordo com o Ipea, houve aumento da participação privada na concessão de crédito rural, provocado principalmente pela elevação dos preços das commodities. No entanto, 55% do volume total continuam concentrados em instituições estatais.

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Evento

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Dia do Agricultor é comemorado com grande sucesso Neno Silveira

Um grande evento, realizado no último dia 28 de julho, reuniu cerca de 700 pessoas, entre agricultores e familiares, para uma confraternização em homenagem ao Dia do Agricultor, tendo como sede a Associação dos Produtores de Morango e Hortifrutigranjeiros de Atibaia, Jarinu e Região. Estiveram presentes produtores rurais de diversos municípios das regiões de Campinas e Bragança Paulista. A idéia da comemoração veio da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, por meio da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI). Segundo o Engenheiro Agrônomo Paulo Namur Claro, da CATI Regional de Campinas, um dos responsáveis pela organização do evento, a iniciativa objetivou enaltecer o papel do produtor rural. Conforme ele enfatizou: “Valorizar o produtor rural é valorizar nossa própria vida, uma vez que toda a produção de alimentos depende deles”. A data em comemoração ao Dia do Agricultor, 28 de julho, foi instituída a partir do centenário da criação do Ministério da Agricultura, em 1960. Na época, o então presidente Juscelino Kubitschek foi responsável pelo decreto que aprovou a data, por considerar que o trabalho do agricultor era responsável pelo crescimento econômico do Brasil. Como destacou o engenheiro da CATI, o agricultor ou produtor rural é aquele que levanta com o nascer do sol para produzir o alimento que está na mesa do dia a dia das pessoas. Mas não é só isso, deles depende também a confec-

ção da maioria das roupas e do papel utilizados nas atividades diárias, o combustível ecologicamente correto dos carros e muitas outras coisas usadas constantemente por todos. Por esse motivo, muitas organizações, governamentais e particulares, desenvolvem pesquisas, produtos, serviços e políticas públicas para apoiar o desenvolvimento desse setor, que é de suma importância para o desenvolvimento do país. A importância da agricultura na vida e na economia das cidades da região ficou evidenciada pela presença de inúmeras autoridades, entre as quais o Prefeito de Atibaia, José Bernardo Denig, o vice-prefeito de Jarinu, prof. Ricardo dos Santos Antonio, vereadores, secretários e diretores municipais de agricultura, presidentes de associações, sindicatos rurais e conselhos municipais de desenvolvimento rural, além de lideranças do meio rural. O “Projeto Águas do Piracicaba” homenageou 33 produtores rurais e membros da sociedade que contribuem para a preservação ambiental da região Bragantina, Circuito das Águas e Campinas com a entrega do “Prêmio Roberto Mosso - Protetor das Águas”. O Prefeito de Itatiba, João Gualberto Fattori, também foi homenageado pela elaboração e aprovação da Lei Nº 4.296/2010 que “Autoriza o Poder Executivo a conceder subvenção econômica de até 40% do valor prêmio do seguro rural dos produtores rurais de caqui estabelecidos no Município de Itatiba”. A festa em homenagem aos

trabalhadores do campo contou com estandes de exposição de máquinas, implementos e veículos, insumos agrícolas, venda de produtos rurais, além de uma peça teatral e um show de música sertaneja universitária.

O público que prestigiou o evento também pôde provar o famoso prato de frango com polenta, que foi servido em um almoço oferecido pela organização. Em todo o Estado de São Paulo foram realizados eventos seme-

lhantes por todas as Regionais da CATI, com o apoio das prefeituras organizações rurais e empresas privadas. Você já se alimentou hoje? Então, agradeça a um produtor rural.


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Alimentação e saúde pública no Brasil: espaço para o marketing nutricional de FLV Antonio Hélio Junqueira

O brasileiro se alimenta mal: come muito; abusa do açúcar, das gorduras e do sal e não consome diariamente nem as quantidades mínimas recomendadas de frutas, legumes e verduras (FLV). O diagnóstico não é novo. Porém, mereceu forte destaque no mais recente estudo setorial realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado no final de julho passado. A “Análise do Consumo Alimentar Pessoal no Brasil”, de caráter inédito no rol de estudos periódicos da instituição, foi realizada em 13,5 mil domicílios visitados durante a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2008-2009 e envolveu 34 mil moradores. Estes anotaram, durante dois dias não consecutivos, tudo o que haviam ingerido de alimentos e líquidos, exceto água. Pelos indicadores obtidos, observou-se que apenas 10% dos brasileiros chegam a consumir o mínimo de 400 gramas diários de frutas, verduras e legumes recomendados pelo Ministério da Saúde. Por outro lado, constatou-se elevados níveis de ingestão de carboidratos, açúcar, gordura e sódio, em quantidades muito acima das desejáveis para uma saúde satisfatória e equilibrada. O principal fato preocupante que decorre deste quadro de consumo alimentar inadequado é que ao mesmo tempo em que se acentuam os fatores de risco para a saúde pública – obesidade, pressão alta, cardiopatias e doenças renais e degenerativas, como o câncer - decresce a ingestão dos elementos nutricionais construtores e protetores do equilíbrio e funcionamento do organismo humano, como as vitaminas, sais minerais e fibras. Estes últimos são encontrados principalmente nas frutas, legumes e verduras e devem, sempre que possível, serem consumidos em sua forma integral, crus e bem

higienizados. Porém, como constata a pesquisa do IBGE: apenas 16% dos entrevistados informaram ter comido algum tipo de salada crua. Em razão deste desequilíbrio, demonstrou-se a prevalência de elevados níveis de carência de cálcio, fósforo, ferro, zinco, além das Vitaminas A e C em grande parte da população brasileira, incluindo praticamente todas das faixas etárias e os diferentes estratos de renda. Segundo pesquisa telefônica anual do Ministério da Saúde (VIGITEL), em 2010, 48,1% da população do País apresentava sobrepeso, enquanto a obesidade já atingia 15%. A mesma instituição, em 2011, mostrou que uma parcela de 23% da população brasileira é cronicamente hipertensa, e que, portanto, se não tratada devidamente, vive sujeita a derrames, insuficiência renal e/ou problemas cardiovasculares. Sabe-se que se por um lado a diminuição nos índices de desnutrição representa um ganho social relevante para o País, por outro, o reverso, ou seja os males decorrentes da má nutrição e dos excessos da alimentação desequilibrada

constitui preocupação pública igualmente grave. Afinal, o tratamento das doenças originárias deste padrão alimentar deficiente é mais difícil e caro do que a correção das distorções decorrentes da pobreza. Neste contexto, as frutas e hortaliças representam uma das mais importantes respostas aos desafios alimentares contemporâneos, especialmente por serem simultaneamente pobres em carboidratos, gordura e sódio e ricas em micronutrientes e fibras. E, para contribuir para a tomada de consciência sobre a importância da boa alimentação e redução das doenças decorrentes de regimes alimentares inadequados, bem como para alavancar vantajosamente os negócios nas cadeias produtivas da horticultura, é que se deve lançar mão das ferramentas do marketing nutricional. Trata-se, neste caso, de um conjunto de ferramentas e estratégias relativamente recentes e inovadoras, que têm como principal objetivo fornecer ao consumidor informações adequadas, oportunas e eficientes sobre o valor nutricional e nutracêutico dos alimentos, favorecendo a adoção de estilos

de vida saudáveis e equilibrados. Mundialmente, e em especial nos países mais desenvolvidos do Hemisfério Norte, o reconhecimento da importância do consumo diário de frutas e hortaliças tem se refletido no planejamento e execução de projetos de marketing institucional, como por exemplo o “Five a Day – fruits and vegetables for better health”. Esse programa, surgido em 1991 nos EUA, visa conseguir que cada um consuma um mínimo de cinco porções diárias de frutas e hortaliças. Na América Latina, e no Brasil em particular, já se conta com um pequeno, porém significativo conjunto de iniciativas de natureza similar. Porém, frente aos novos dados e conhecimentos sobre a realidade alimentar e nutricional dos brasileiros, desenha-se um novo e oportuno momento para a orquestração de idéias, programas e projetos focados no Marketing Nutricional para o segmento FLV. Entre as ações que se podem desenvolver neste segmento estão: campanhas institucionais na grande mídia de massa (televisão, rádio, jornais e revistas,

sites etc.) que conscientizem sobre a importância do consumo diário de frutas e hortaliças; disponibilização de informações nutricionais e degustações nos pontos-de-venda; marketing viral em redes sociais; elaboração e envio de newsletters especializados para públicos segmentados; palestras, aulas e distribuição de manuais nas escolas e academias de ginástica e fitness, com envolvimento de médicos e nutricionistas; realização de eventos especiais em feiras profissionais das áreas de alimentação, saúde e nutrição, entre outras. Afinal, a incorporação de objetivos nutricionais nas políticas e estratégias de desenvolvimento econômico, a geração de empregos e a preservação da saúde e do meio ambiente figuram, seguramente, entre os principais desafios do mundo contemporâneo. E, as cadeias produtivas de frutas e hortaliças têm tudo para colaborar com a conquista dessas imprescindíveis metas sociais.

Engenheiro agrônomo, doutorando em Ciências da Comunicação (ECA/USP), mestre em Comunicação e Práticas de Consumo (ESPM), pós-graduado em Desenvolvimento Rural e Abastecimento Alimentar Urbano (FAO/PNUD/ CEPAL/IPARDES), sócio administrador da Hórtica Consultoria e Treinamento.


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Agrícola

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CATI lança manual técnico sobre goiaba A CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica integral), órgão da Secretaria de Agricultura paulista, acaba de lançar o “Manual Técnico de Goiaba do plantio à comercialização”. A publicação abrange todas as questões relacionadas ao cultivo dessa frutífera, abordando tópicos que vão da biologia floral, propagação vegetativa e principais cultivares a temas específicos, como controle de nematóides, principais doenças, podas, irrigação, colheita e pós-colheita, processamento

e um panorama dos cultivares de mesa no maior mercado atacadista do estado de São Paulo, a Ceagesp. Segundo o coordenador da CATI, José Luiz Fontes, a necessidade de publicação desse manual se deu em virtude do diagnóstico realizado pelos Conselhos Municipais e Regionais de Desenvolvimento Rural, com a participação dos agricultores, e que apontaram as necessidades da cadeia produtiva de fruticultura. Uma dessas foi a cultura da goiaba.

Pimentas mais produtivas

Atualmente as pimentas são a segunda hortaliça mais exportada no Brasil, atrás apenas do melão. Diante deste mercado em expansão, a Embrapa acaba de lançar três novas variedades da hortaliça: a pimenta BRS Mari, uma cultivar do dedo-de-moça, a BRS Moema, uma pimenta do

tipo biquinho, e a BRS Seriema, do tipo bode. Segundo a empresa, esses materiais, com melhores características agronômicas, foram desenvolvidos para atender um mercado em expansão e cada vez mais exigente. Mais em: www.jornalentreposto.com.br

Ele destacou a importância da integração de diversas instituições no preparo de um material completo, que tem por finalidade levar o conhecimento para o agricultor produzir com qualidade e assim obter lucro com a atividade. Para Aloisio Costa Sampaio, professor da Unesp de Bauru e um dos autores do manual de goiaba, essa iniciativa conjunta possibilita a transferência de conhecimento obtido através das instituições de pesquisa para o produtor rural. Ele de-

Cultivo protegido da uva

Aumento de 100% na produtividade e redução de 70% na aplicação de defensivos agrícolas. Esses são os resultados do uso do cultivo protegido em “Y” com cobertura impermeável para cultivo de videiras, técnica introduzida pelo Instituto Agronômico. A nova técnica melhora ainda a

qualidade dos frutos, gera cachos de uva maiores e protege a plantação contra chuvas de granizo e ataque de pássaros, que podem acabar com a produção ou prejudicar a qualidade das uvas atingidas. Mais em: www.jornalentreposto.com.br

staca que a publicação não é a primeira. “Começamos com o maracujá e a próxima será sobre o abacaxi. Nosso objetivo é levar aos pequenos agricultores as ações desenvolvidas pelas instituições de pesquisa visando sempre à qualidade na produção do campo”. O Manual Técnico sobre a cultura da goiaba pode ser adquirido através do site www. cati.sp.gov.br ou solicitado nas Casas da Agricultura, distribuídas na maioria dos municípios paulistas.

Novos tomates

Os produtores de tomate terão novas opções nos segmentos Cereja e Santa Cruz. Os três novos híbridos deverão chegar ao mercado no início de 2012 e são fruto de uma parceria entre a Embrapa Hortaliças e a fabricante de sementes Agrocinco, com contrato baseado na Lei de Inovação. Mais em: www.jornalentreposto.com.br

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16 Laranja e banana se mantêm como as frutas mais consumidas pela população

O

brasileiro está reduzindo o consumo de hortaliças como tomate, batata e cebola em casa. Na média geral das hortaliças, a redução foi de 1,93 quilo por pessoa entre os anos de 2002 e 2008, quando foram realizadas as edições mais recentes da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com base nesses dados, analistas de mercado do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, que trabalham com o setor de hortifrutícolas analisaram também a evolução do consumo de frutas nos lares brasileiros. Neste caso, o resultado é positivo. Houve aumento de 4,38 quilos por pessoa ingeridos em casa, com a laranja e a banana se mantendo como as mais consumidas. Os resultados detalhados desse estudo realizado por Juliana Silveira, Helena Galeskas, Rafael Tapetti e Isabella Lourencini com a coordenação da doutora Margarete Boteon estão na edição nº 103 da revista Hortifruti Brasil, do Cepea (distribuição gratuita). O consumo de hortaliças por pessoa/ano em casa era de 29 quilos em 2002, mas em 2008 passou a ser de 27,08 kg. A região Sudeste foi a mais representativa nesta queda, reduzindo seu consumo per capita em 4,43 kg/pessoa/ano, totalizando 28 kg/pessoa em 2008. O Centro-Oeste, ao contrário do Sudeste, foi a única região onde o consumo de hortaliças aumentou, 3,38 kg/pessoa a mais, totalizando 26,6 kg/pessoa em 2008. No caso das frutas, em 2002, a média consumida em casa era de 24,49 kg/pessoa e, em 2008, passou para 28,86 kg/pessoa. Todas as regiões brasileiras tiveram aumento significativo no consumo per capita de frutas, com grande destaque novamente para a região Centro-Oeste, que apresentou elevação de 8,61 kg/pessoa/ano em seis anos. O Nordeste ficou em segundo lugar em termos de crescimento. Na região Sul, que já era e continuou sendo a maior consumidora per capita de frutas, o aumento foi de 5,53 kg/pessoa/ano. O Sudeste é o segundo maior consumidor de frutas no Brasil, porém o avanço no consumo per capita foi menor que nas demais regiões brasileiras, de apenas 2,15 kg/pessoa entre 2002 e 2008. Analisando o consumo total por faixa de renda, pesquisadores do Cepea constatam que o principal mercado consumidor de frutas e hortaliças é a classe média. Em 2008, esse segmento da população brasileira representava 49% do consumo de hortaliças no Brasil e 48% do consumo de frutas, conforme dados da POF/IBGE.

Consumo

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Mais frutas e menos hortaliças na mesa do brasileiro

“É na classe média que se encontra a maior parcela dos brasileiros, o que explica a representatividade dessa classe para o setor. Se levarmos em conta que essa classe segue em ampliação, é provável que em 2011 já seja responsável por mais da metade do consumo de frutas e hortaliças”, avalia Margarete Boteon, coordenadora do estudo. Na média nacional, o consumo de hortaliças foi de 27 kg por pessoa em 2008. A classe baixa consumiu 19 kg/pessoa/ano, 8 quilos a menos que a média nacional, destaca o estudo do Cepea baseada em dados da POF/IBGE. Se consideradas apenas as pessoas que têm rendimento mensal de até 2 salários mínimos, esse consumo cai para 15,3 kg/pessoa/ano. O consumo per capita da classe média fica próximo ao do consumo nacional, com 29,8 kg/pessoa/ano. A classe alta é a grande consumidora: 39,7 kg/ pessoa/ano, quase 12 kg/pessoa a mais que a média nacional. Ao contrário de arroz e feijão, o consumo de batata, cenoura, cebola e toma-

te apresenta relação positiva com a renda – quanto maior a renda, maior o consumo. Os responsáveis por esse estudo explicam que algumas hortaliças respondem mais que outras ao aumento da renda. Considerandose as quatro hortaliças estudadas continuamente pelo Cepea, a aquisição per capita de tomate é a que mais cresce à medida que a renda sobe. Enquanto a classe baixa consumiu em média 3,7 kg/pessoa de tomate em 2008, as classes média e alta consumiram, respectivamente, 5,2 kg/pessoa/ano e 7 kg/pessoa/ano. Já em relação ao consumo de batata, a diferença entre as classes é maior entre a classe baixa e a média. A classe média consome 2 quilos a mais de batata que a classe baixa; por sua vez, a classe alta consome apenas 1 kg/pessoa/ano a mais que a classe média – dados de 2008. A batata in natura está cada vez menos presente nos lares brasileiros, principalmente nos de classe mais alta, uma vez que as opções

congeladas (pré-frita, smile, batata com queijo etc.) vêm sendo um meio mais prático e saboroso de se consumir o tubérculo. A aquisição de cenoura entre as classes de renda segue o mesmo padrão da batata. Já a diferença na aquisição de cebola entre as classes não é grande. A classe baixa consome cerca de 1 kg/pessoa/ ano a menos que a classe média, e esta consome também 1 kg/pessoa/ano a menos que a classe alta. “O consumo de hortaliças em casa reduziu em todas as classes de renda”, resume a pesquisadora Margarete Boteon. Ela avalia que a batata é a que está ganhando mais espaço na alimentação fora de casa ou o consumidor já a adquire de forma processada, como a batata pré-congelada – neste caso, a aquisição não é incluída na categoria hortaliças que só considera o produto fresco e consumido no domicilio. A menor queda de consumo entre 2002 e 2008 ocorreu no tomate, sustentado pelo ligeiro aumento do consumo da classe mais rica. “O tomate conseguiu agregar

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valor nas classes de renda mais alta e manter seu espaço nos lares, ofertando um produto diferenciado, como já comentado”, explica a pesquisadora. Em 2008, o brasileiro consumiu 28,86 quilos de frutas em média em casa. A classe baixa teve consumo de 17,3 kg/pessoa/ano, 11,5 quilos a menos que a média nacional. Na classe média, o consumo per capita em casa foi de 31,4 quilos naquele ano. A classe alta continua sendo a grande consumidora, com 50,27 kg/pessoa/ano, 21 quilos/pessoa a mais que a média brasileira. No grupo de maior renda no País, superior a 15 salários mínimos, o consumo de frutas foi de 59,2 quilos em 2008. Há uma correlação positiva entre renda e consumo de fruta. As frutas são consideradas caras dentro do grupo dos alimentos, sendo menos consumidas pelas classes mais baixas. Muitas vezes, um quilo de fruta é comparado com outros produtos mais calóricos e que “sustentam mais”, como um quilo de frango, por exemplo. Conforme os autores desse estudo, a aquisição, em quilos, de banana e laranja se destaca entre outras frutas em todas as classes de renda. No entanto, a diferença em quilos adquiridos entre as classes é grande. “Isso mostra um cenário promissor em termos de demanda para os dois produtos, já que, em todas as classes de renda, o consumo é grande e tende a aumentar conforme a renda aumenta”, destaca a coordenadora do estudo. Na classe baixa, além da menor ingestão de frutas nos lares, o consumo se concentra em apenas três: banana, laranja e maçã. Na classe média, destacam-se também essas três frutas, mas ganham representatividade ainda o mamão e a tangerina, cujo consumo é muito pequeno na classe baixa. Na classe alta, frutas como melão, limão, uva e também mamão passam a ter consumo mais significativo. O consumo per capita do mamão na classe alta em 2008, por exemplo, era 3 kg/pessoa, superior ao da classe média e 4,5 quilos acima do observado para a classe baixa. Analisando de forma agregada as três principais faixas de renda – baixa, média e alta –, os pesquisadores observam aumento do consumo de frutas em todas as classes entre 2002 e 2008. O incremento (total) per capita foi maior na classe alta. “O acesso a informação, a preocupação com a saúde, o marketing da fruta segura e com qualidade de origem são fatores que vêm colaborando para o aumento do consumo de frutas nas classes de maior poder aquisitivo”, comenta Margarete Boteon. No entanto, em termos relativos, o maior incremento entre 2002 e 2008 ocorreu na classe baixa, impulsionado pelo crescimento da banana, melancia, laranja e maçã. Nos seis anos entre uma pesquisa e outra, a classe média aumentou seu consumo tanto de frutas mais baratas e tradicionais, como maçã e laranja, como de frutas mais caras, como manga, melão e uva.


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Agrícola

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Contra doença, citricultores paulistas realizam pulverizações conjuntas A pulverização de dormência tem se tornado uma prática comum em outros países. “Os Estados Unidos, que também sofrem com a presença do greening, estão recomendando esse tipo de aplicação”, destaca Ayres. No ano passado, o Fundecitrus comprovou, por meio de pesquisa, que o manejo realizado em conjunto por vários citricultores é mais e�icaz contra o greening, podendo reduzir em até 15 vezes os níveis de incidência da doença. Desde então, a instituição apoia e dá suporte à formação de grupos regionais. Considerada a doença mais séria da atualidade na citricultura, o greening exige cuidados especí�icos. O manejo é baseado na identi�icação e eliminação de plantas doentes, controle do inseto vetor e uso de mudas sadias. Uma vez que o psilídeo se alimenta de uma planta contaminada, ele transmite, até o �inal de sua vida, a bactéria do greening para as demais árvores.

Na tentativa de combater a pior doença que afeta os pomares citrícolas, produtores de diversas regiões paulistas estão se organizando em grupos para realizar o manejo do greening. Aproveitando o inverno, período de dormência das plantas, os citricultores de Santa Cruz do Rio Pardo e Ibitinga realizarão pulverizações em conjuntas, na primeira semana de agosto, com o objetivo de diminuir as populações do inseto vetor do greening, o pslídeo Diaphorina citri. “É uma medida importante para evitar picos populacionais do inseto no período de brotação”, explica Juliano Ayres, gerente do Departamento Cientí�ico do Fundecitrus (Fundo de Defesa da Citricultura). A ação deve facilitar as atividades seguintes no período de brotações, quando naturalmente as populações do inseto tendem a aumentar, pois o psilídeo prefere se alimentar de brotos ou ramos novos.

Tecnologia melhora qualidade da banana Agência Sebrae de Notícias Desbastar, desfolhar, adubar, corrigir a acidez do solo e aterrar a bananeira são alguns dos conhecimentos técnicos repassados por técnicos da Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural) aos produtores de banana do distrito de União Bandeirantes, município de Porto Velho. O distrito é uma das comunidades localizadas no entorno da obra da UHE Jirau que receberão assistência para a viabilização técnica e econômica na produção e comercialização de frutas, especialmente o abacaxi, a banana e o açaí. Desde o segundo semestre de 2010, técnicos da Emater têm visitado propriedades de agricultores familiares e realizado dias de campo na região. O resultado é muiito positivo. Nos primeiros seis meses de assistência técnica, muitos agricultores aplicaram os novos conhecimentos em suas propriedades e

obtiveram frutos de melhor qualidade. Segundo o agricultor Agnaldo dos Santos, conhecido como Pedro Farinheiro, antes de melhorar a qualidade dos frutos que produzia em sua propriedade, ele vendia uma caixa de banana a R$ 7. Hoje, vende por R$ 15. “No meu sítio, não uso agrotóxicos e faço plantio consorciado, assim evito a proliferação das pragas que costumam aparecer na monocultura”, diz. Santos prossegue, satisfeito: “Com os técnicos da Emater, aprendi a fazer armadilhas ecológicas para capturar a broca da bananeira, que é um besouro que se desenvolve na planta e faz com que as folhas �iquem amarelas, os cachos se tornem pequenos e as plantas �iquem sujeitas a tombar. Ao usar a tecnologia, percebi que a qualidade e produtividade do meu plantio aumentaram, assim como o preço pago pelo meu produto”.

Mais recursos para controle de pragas Agência Câmara Palestrantes e deputados defenderam, durante reunião realizada no início de agostoo, o aumento de recursos destinados ao combate de pragas que podem comprometer as lavouras brasileiras, especialmente na região Norte. O tema foi discutido pela Comissão de Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional. O diretor do Departamento de Sanidade Vegetal do Ministério da Agricultura, Cósam de Carvalho Coutinho, disse que o órgão tem orçamento anual de R$ 50 milhões. Ele admitiu que os recursos são insu�icientes pra cobrir o país inteiro e que a região Norte é a mais vulnerável às novas pragas. “A região Norte é uma preocupação a mais porque é de acesso di�ícil, tem fronteiras imensas, cidades divididas entre dois países, e outras características que tornam

mais fácil a introdução de uma nova praga do que no sul do país, que é mais vigiado”, disse o diretor. São essas di�iculdades de locomoção, na avaliação do diretor da Defesa Agropecuária do Pará, Sálvio Freire, que justi�icariam mais recursos para a região. “Em determinadas regiões só se consegue chegar de avião. Por exemplo, em uma das nossas �iscalizações gastamos R$ 12 mil só para visitar uma fazenda”, disse. Sálvio enfatizou que o aumento do controle na região é necessário porque cabe aos estados do Norte, entre outros, o controle de uma praga que pode gerar prejuízos de pelo menos 150 milhões de dólares para o país. Segundo ele, caso a mosca da carambola avance pelo Pará, a exportação de frutas de vários outros estados será comprometida por barreiras sanitárias internacionais.


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Frente Parlamentar de Citricultura é criada em São Paulo Especialista traça cenário atual do setor e propõe soluções estratégicas de produção da fruta Uma comissão especial formada por deputados estaduais paulistas este mês, na Assembleia Legislativa de São Paulo, a Frente Parlamentar de Citricultura. Na plateia estavam produtores, fornecedores, empresários da indústria citrícola e representantes de cidades produtoras, como Jaboticabal, Dobrada, Araraquara, Araras e Rio Claro. O objetivo da Frente é elaborar, em dois anos, o Plano Estadual da Citricultura, uma proposta da Assembleia Legislativa que consiste na organização de uma agenda estratégica para a citricultura paulista visando a expansão do seu nível de competitividade internacional e tornando-a uma atividade propulsora da justiça e de desenvolvimento social. De acordo com esse objetivo, o professor da USP de Ribeirão

Preto Marcos Fava Neves fez uma apresentação do cenário atual da citricultura brasileira, seus desafios, problemas e possíveis soluções a serem aplicadas na cadeia produtiva. Entre suas sugestões, Fava Neves salientou a importância do planejamento para que a produção brasileira consiga alcançar um nível competitivo internacional: “recomendo que o foco dos debates dessa frente parlamentar esteja no plano estratégico do setor para os próximos anos”, comentou. Além disso, sua apresentação destacou a importância do papel do Brasil como um dos principais produtores de commodities do mundo, já que a população global vai precisar cada vez mais de alimentos e energia. Hoje, o Brasil é o maior pro-

dutor de laranja e o maior exportador do seu suco no mundo, com 85% de participação no mercado mundial. No entanto, 98% da produção total é exportada, ou seja, as laranjas produzidas no Brasil não são consumidas no país. Uma das sugestões destacadas por Marcos Fava Neves, o investimento na gestão dos estoques, foi amplamente elogiada pelos presentes na mesa de debate. Segundo o professor, esses estoques seriam importantes para o abastecimento contínuo do mercado interno, para o suprimento da merenda escolar e teriam efeitos benéficos até em controlar a inflação. Além disso, a ampliação dos estoques de segurança trariam mais renda e ainda uma redução na volatilidade do suco e da fruta.

Estudo orienta plantio de abacaxi

Diário Oficial da União publica zoneamento agrícola de risco climático para as culturas de abacaxi, milheto e sisal O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento publicou os estudos de zoneamento agrícola de risco climático para as culturas de abacaxi, milheto e sisal. A lista dos municípios que estão no estudo e os períodos mais adequados para o plantio consta das portarias de 303 a 328. O zoneamento agrícola indica o melhor período para se plantar em cada município do país, de acordo com a análise histórica do comportamento do clima. O objetivo é orientar os agricultores sobre os riscos de adversidades climáticas coincidentes com as fases mais sensíveis das culturas. O cultivo do abacaxi é indicado no Rio de Janeiro, São Paulo, Tocantins, Acre, Pará, Rondônia, Bahia, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Espírito Santo e Minas Gerais. A temperatura média anual adequada

para o cultivo da fruta está em torno de 24ºC. A cultura é muito sensível a geadas fortes, tendo crescimento bastante reduzido quando as temperaturas baixas prevalecem. A cultura do milheto adaptase bem a vários tipos de solos e apresenta ótima produtividade em solos de média a boa fertilidade. Os fatores climáticos que influenciam o desenvolvimento, a produção e a produtividade da cultura são a temperatura, o fotoperíodo (tempo de exposição à luz) e a precipitação pluviométrica. As condições ideais são encontradas na Bahia, Minas Gerais e Tocantins. O sisal apresenta bom rendimento na região do semi-árido nordestino, na Bahia, Paraíba e Rio Grande do Norte. A cultura tem grande importância econômica e social regional. As melhores condições para o plantio estão na Paraíba, Bahia, Maranhão e Ceará.

Frente Parlamentar em Defesa da Citricultura reúne-se na Alesp

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Grupos varietais de repolho comercializados na Ceagesp Pesquisa e Desenho: Bertoldo Borges Texto: Anita Gutierrez/Eng. Agrônoma CQH-Centro de Qualidade em Horticultura da Ceagesp

O repolho é da família das Brassicas, que compreende a couve, a couve-�lor, os brócolis, a mostarda. O repolho é o produto de maior volume e responde por 22% do movimento do setor de Verduras da Ceagesp, com 52.233 toneladas em 2010. Existem indícios de sua utilização como alimento pelos chineses desde os anos 4000 a.C e pelos gregos desde 650 a.C. O repolho se originou próximo ao mar, exposto ao vento salino. O desenvolvimento de uma camada de cera de proteção e a formação de uma cabeça, com a proteção das folhas internas, foram necessárias à sua sobrevivência e responsáveis pela resistência à seca e ao frio. A formação da cabeça do repolho começa com a cessão de crescimento do broto apical e das suas folhas internas. O broto terminal �ica no centro da cabeça, submerso dentro das folhas, que o rodeiam com �irmeza.

Os seus efeitos bené�icos são conhecidos na prevenção do câncer e doenças cardíacas, na redução de in�lamações e no estímulo do sistema imunológico. Uma porção de repolho (150 gramas) é su�iciente para suprir 92% da necessidade diária de vitamina K de um adulto, 50% das necessidades de vitamina C, 15% da necessidade de manganês e de vitamina B6, além de outros minerais e vitaminas. Os grupos varietais do repolho podem ser organizados de acordo com o formato (arredondado, achatado, e côni-

Variedades

Formato

Cor

Bobcat Fenix Fujitoyo Kenzan Nozomi Red Jewel Royal Vantage Astrus Plus Red Dinasty Coração de Boi 60 dias Akahana Chato de Quintal Chiaki Hibrido F1 Das 4 Estações Kami Híbrido E1 Louco de Verão Mini Yakko Híbrido F1 Red Rock Roxo Takami Roxo Suki Híbrido F1 Taishita Híbrido F1 Shinsei Vertus Red Vertus

Arredondado Arredondado Arredondado Arredondado Arredondado Arredondado Achatado Arredondado Arredondado Cônico Arredondado Arredondado Arredondado achatado Arredondado Arredondado achatado Arredondado achatado Arredondado achatado Arredondado Arredondado Arredondado Arredondado achatado Arredondado Arredondado a achatado Arredondado Arredondado

Verde Verde Verde Verde Verde Roxo Verde Verde escuro Roxo Verde Verde Verde Verde Verde Verde Verde escuro Verde escuro Verde Roxo médio Roxo Verde claro Verde médio Verde Verde Roxo

co), com a coloração da folha externa (verde e roxa), com a textura da folha(lisa e crespa) e com tamanho (grande, médio e pequeno). O formato é considerado arredondado quando a relação entre a altura e o maior diâmetro da cabeça é igual ou menor a 0,80; achatado quando esta relação for superior a 0,80; e cônico, quando o formato se assemelha a um cone ou coração. O tamanho é caracterizado pelo seu peso. Ele é considerado grande quando acima de 2,5 kg, médio de 2,0 a 2,5 kg e pequeno abaixo de 2 kg. Textura

Tamanho

Lisa Lisa Lisa Lisa Lisa Lisa Lisa Lisa Lisa Lisa Lisa Lisa Lisa Lisa Lisa Lisa Lisa Lisa Lisa Lisa Lisa Lisa Lisa Crespa Crespa

Médio Grande Grande Médio` Pequeno Pequeno Grande Médio a grande Médio a grande Pequeno a médio Médio Pequeno Pequeno Grande Pequeno Pequeno Pequeno Pequeno Pequeno Pequeno Grande Grande Médio a grande Grande Grande

Curiosidades sobre o repolho roxo Thiago de Oliveira CQH-Centro de Qualidade em Horticultura da Ceagesp

O repolho roxo, além de servir como alimento, também é utilizado em laboratórios químicos como indicador de pH (“acidez de uma solução”). A efusão de suas folhas produz uma solução que muda a cor com o pH, ou seja, pode se estimar se o produto a ser analisado está ácido (pH menor que 7) ou básico (pH maior que7), pela cor da solução. A utilização do extrato de

repolho roxo como indicador universal de pH tem sido muito recorrente em análises químicas qualitativas, onde não é necessário o valor exato do pH, e também em laboratórios didáticos e em aulas de química convencionais, uma vez que a solução de extrato de repolho roxo não apresenta nenhuma toxicidade e é muito fácil de produzir, pois, o extrato da folha do repolho é preparado como um “chá”.


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Frutas e hortaliças frescas na bolsa eletrônica de compras de São Paulo CQH é parceiro do pregão para compra de frutas e hortaliças Anita de Souza Dias Gutierrez Cláudio Inforzato Fanale CQH-Centro de Qualidade em Horticultura da Ceagesp

A BEC (Bolsa Eletrônica de Compras), sistema eletrônico de negociação e compras de produtos e serviços do governo do Estado de São Paulo, é revolucionária. Ela garante transparência nas negociações, permite que pequenos fornecedores especializados participem do fornecimento de bens e serviços para o governo e garante o pagamento em 30 dias. A compra de frutas e hortaliças frescas para o governo abrange as necessidades de presídios, hospitais, escolas, creches, restaurantes populares e outras instituições de governo que preparem alimento. O comprador tem a sua disposição um cardápio de produtos, que podem ser encontrados no item catálogo da página eletrônica da BEC. Ele insere o seu pedido e determina o local de entrega. O pedido só será aceito se o comprador tiver recursos no seu orçamento para comprar e o pagamento é empenhado no momento do pedido. O mesmo fornecedor pode se registrar para fornecer vários produtos, mas o sistema permite que o fornecedor ofereça somente um produto. Um atacadista ou um produtor que só trabalha com banana pode concorrer na BEC. O seu desempenho é monitorado e ele pode perder o seu cadastro como fornecedor se não entregar o produto ou entregar um produto de má qualidade. O sucesso do sistema exige uma boa descrição do produto na compra, um bom controle de qualidade no recebimento e a escolha do produto e da classi�icação de melhor custobene�ício, em cada época. A diversidade de frutas e hortaliças comercializadas pela BEC é grande – 72 produtos diferentes, o volume é grande 10.288 toneladas em 2010, e só tende a crescer.

A di�iculdade de compra de frutas e hortaliças pelo pregão eletrônico tornou possível uma parceria entre a BEC e o Centro de Qualidade em Horticultura (CQH) da Ceagesp. A descrição do produto para a BEC exige o estabelecimento das opções de escolha (tamanho e variedade), o estabelecimento de um padrão mínimo de qualidade (abaixo do qual não se recebe o produto), de obediência a exigências de embalagem, rotulagem, transporte, segurança alimentar, rastreabilidade. A decisão do que comprar exige o conhecimento da sazonalidade do produto, das suas variedades, do seu tamanho de melhor custo-bene�ício, das suas exigências de conservação e de manuseio. Um bom controle de qualidade no recebimento exige uma �icha do produto e uma �icha de entrega do comprador. Já foram desenvolvidos materiais de apoio para 15 produtos. O CQH está treinando os funcionários encarregados da compra e recebimento em cursos na Escola Fazendária. O primeiro aconteceu no dia último dia 9 de agosto, para o pessoal da Secretaria da Educação. Outros produtos estão sendo trabalhados e serão incorporados ao sistema BEC.

Aqui está um exemplo de uma das descrições de alho. Foram criadas diversas opções de compra de alho. Temos dois grupos varietais (branco ou roxo), dois tipos de preenchimento do bulbo (inteiro ou quebrado), dois tipos de presença de catá�ilo (com e sem) e três tamanhos (graúdo, médio e miúdo). Código: 3236927 alho, coloração roxa grande, diam. equatorial maior que 60 mm, inteiro Alho; coloração roxa; tamanho grande; com diâmetro equatorial maior que 60 mm; inteiro, sem perda de bubilho; sem estar brotado, choco, deteriorado, desidratado, queimado; sem polpa externa c/ perfuração por pragas, sem dano mecânico; devendo ser entregue em emb. paletizável; contendo identi�icação do produto, peso liquido, nome do fornecedor; endereço completo do fornecedor do produto e telefone; devendo obedecer as exigências da RES. ANVISA nº. 259/02, PORTARIA nº. 157/02 e RES. CVS nº.15/91, e informações contidas normas e padrões site www.bec.sp.gov.br Cadastre-se como fornecedor da BEC em http://www.bec.sp.gov.br/ publico/aspx/Home.aspx

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A agricultura e o futuro da humanidade A alimentação de uma população de nove bilhões de habitantes prevista para 2050 exige um crescimento de 70% na produção de alimentos. A possibilidade de crescimento da área de plantio é muito pequena e o aumento de produção deverá ser feito investindo na produtividade e na sustentabilidade da agricultura. Até o ano 2000 a produtividade cresceu anualmente

1,4%, agora será necessário um crescimento anual 25% maior – de 1,75%. Entretanto, diferente do aumento de produtividade que aconteceu nos anos 60 e 70 com a Revolução Verde, o aumento da produtividade precisa acontecer com menor utilização de água, fertilizantes e defensivos. Estudos mostram que os campos agrícolas fertilizados com nitrogênio, fósforo e potássio, perdem entre 50% e

65% das suas quantidades originais de carbono e nitrogênio em 50 anos. Os solos precisam ser reconstruídos. Rotação de culturas, sistema lavoura-pecuária e plantio direto são algumas das técnicas de reconstrução do solo. A expectativa é que a expansão da área seja de 10% até 2050. Novas áreas precisam ser preparadas para a produção,

como foi feito com o Cerrado brasileiro, que hoje responde por 70% da produção brasileira de soja, que passou de cinco milhões de toneladas em 1973 para 73 milhões de toneladas em 2011. O milho é um bom exemplo de aumento de produtividade no mundo, passando de dois para cinco toneladas por hectare. Nos Estados Unidos passou de 3,5 toneladas para 10 tone-

ladas por hectare, desde 1960 até hoje. A escassez das commodities agrícolas dará mais poder ao agricultor. •Fonte: Growing food demand in globalised agriculture: The rise of the rural entrepreneur www.rabobank.com/far • Tradução e adaptação: Anita de Souza Dias Gutierrez

Sistema de plantio direto garante fertilidade integral do solo Com a aproximação da safra de verão 2011/2012, chega o momento de os agricultores voltarem sua atenção para o solo. Enquanto alguns agricultores o revolvem, incorporando os restos de palha e vegetais, grande parte já opta pelo plantio direto, prática da agricultura conservacionista que, quando empregada corretamente, garante a saúde do terreno em longo prazo. Segundo o censo do IBGE de 2006, em 73% da área de grãos das regiões gaúchas de Erechim, Ijuí e Passo Fundo, no o plantio já era realizado por meio desta técnica. Com este método de semeadura, opta-se por manter os resíduos e revolver o solo apenas nos pontos onde são depositadas as sementes, de forma a evitar sua exposição direta à ação do sol e da chuva. “Em um terreno desnudo, em dias de sol, a temperatura da super�ície pode atingir até 55ºC, perdendo mais água por evaporação e chegando a dé�icits hídricos mais rápido do que no plantio direto. Além disso, com

a retirada da palha, a água escorre com mais facilidade, o que favorece a erosão”, alerta o engenheiro agrônomo e doutor em solos da Emater/ RS, Edemar Streck. O produtor Eivar Rissee, de Passo Fundo, conta que a produtividade da lavoura melhorou substancialmente depois que ele passou a empregar o plantio direto. Ele res-

salta a importância de se manter a cobertura vegetal. “A palha protege o solo e evita a erosão”, destaca. Apesar de aparentemente simples, para que seja efetivo e se perpetue ao longo dos anos, o plantio direto precisa ser acompanhado de uma série de cuidados especiais, como a rotação de culturas, o terraceamento, o plantio em contorno e

a manutenção da cobertura vegetal. “Para perpetuar o plantio direto, o agricultor deve adotar todo o sistema que permite manter a fertilidade integral do solo, química, �ísica e biologicamente”, frisa o pesquisador da Embrapa Trigo, José Eloir Denardin. Ele explica que, para se obter esta fertilidade, não basta fornecer somente os nutrientes às plantas: é preciso que o solo esteja �isicamente saudável, de forma que as raízes consigam penetrar em profundidade para retirar água e incorporar a matéria orgânica. Para que isto seja possível, o plantio direto deve ir além de seus dois preceitos básicos: revolver o solo apenas nos pontos onde serão depositadas as sementes e manter a cobertura vegetal. “É preciso que haja diversi�icação de espécies, por meio da rotação ou consorciação de culturas, minimização do intervalo entre colheita e semeadura, objetivando estabelecer um processo contínuo”, enumera Denardin. Com isso, o sistema sofre um menor grau

de perturbação, quando comparado a outras formas de manejo. Streck observa que, quando o produtor que opta pelo plantio direto não adota todos estes cuidados, o resultado pode ser a erosão do terreno. “O plantio direto realizado hoje no Rio Grande do Sul é de qualidade indesejada, com pouca palha e sem terraceamento, o que causa muita erosão”, avalia. Para reverter este quadro, reforça, é fundamental não restringir o plantio direto ao abandono do preparo do solo: ele precisa vir acompanhado da adoção de todo o sistema de uso, manejo e conservação de solo. Seguindo todos estes preceitos, pesquisador e técnico concordam que o sistema de plantio direto é uma ferramenta da agricultura conservacionista indispensável para garantir a sustentabilidade da produção. Através deste método, o solo é protegido contra agentes erosivos, o impacto da chuva e as variações de temperatura, viabilizando-se de modo contínuo a semeadura direta.

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CÁ ENTRE NÓS

Deus salve as crianças

Estou feliz! No dia 10 de agosto completei 60 anos, dos quais 40 vividos aqui na Ceagesp. Joguei bola onde hoje estão construídos os pavilhões HFN e HFO. Nessas quatro décadas, além de descarregar caminhões, vender frutas, apartar brigas, socorrer trabalhadores baleados e atropelados, contei história até na rádio Eldorado e a convite da dra. Anita Gutierrez fiz palestra sobre preço e qualidade na Apas. Mas no último dia 12 a emoção foi muito grande e na minha prece noturna agradeci a Deus por todas as pessoas que nos 13 anos de existência da Nossa Turma deram a sua contribuição, seja no campo das idéias, em dinheiro, material didático, hortifrutícolas, aconselhamento e orações ou em doações de roupas e brinquedos. E também por aqueles que nos ajudaram a inscrever projetos para a entidade ficar sólida. Mandamos projetos como a Escola do Sabor para a Petrobras, para a Fundação Salvador Arena e para os voluntários do banco HSBC, no qual fomos premiados. Agora inscrevemos a Nossa Turma no Fumcad e o processo está sendo apreciado. Se formos vitoriosos, as empresas do mercado e do entorno poderão destinar à escolinha parte do Imposto de Renda recolhido. Para coroar tudo isso, o descerramento da placa do Programa Nossas Crianças, da Fundação Abrinq, que por um ano manterá uma classe com 25 alunos. Durante a solenidade ocorrida no dia 12, fomos prestigiados pela empresa Tedecon, que disponibilizou o sinal de internet para a nossa sala com 20 computadores; pelo senhor João Aparecido Pacetti Neto e sua irmã, Sonia Maria Pacetti de Souza, representantes das marcas Red Nose e Everlast, que doarão os tênis utilizados nas competições de skate para as criança da Nossa Turma. Estiveram presentes também representantes do grupo SOS Amigos do Anhembi Tênis Clube, cuja entidade ajudará na realização do Dia das Crianças e Ivana Lemos da Silva, representando os funcionários da Ceagesp e a diretoria do Ciesp.

Sob o olhar das crianças do futebol, que estreavam o uniforme doado pela empresa Frugal e Hetros, foi descerrada a placa da da Abrinq, símbolo da luta das pessoas de bem contra o trabalho infantil. O descerramento foi feito pela voluntária da Nossa Turma, Luciana Pazim, que inscreveu o projeto, e por Michelly Antunes, do pro-

Por Manelão

grama Nossas Crianças. Após a cerimônia, que teve cobertura de diveros veículos da imprensa, cantamos parabéns pela parceria que vai capacitar nossos profissionais e saboreamos o bolo da tia Cida, da padaria Nativa e o pão de queijo doado pela empresa Rycco. Obrigado e que Deus abençõe a todos!


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A

produção agrícola é altamente dependente da qualidade dos recursos naturais. Assim, o sucesso de empreendimentos dessa natureza depende do manejo sustentável do ambiente. O solo dá suporte às plantas e fornece nutrientes; a água é essencial na formação de folhas, frutos e sementes, enquanto que a vegetação nativa contribui para o equilíbrio da fauna e no controle de pragas e doenças. Entretanto, a qualidade desses recursos tem sido comprometida devido ao uso inadequado das terras agrícolas, conforme comprovação de estudo realizado na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/Esalq), que busca uma proposta alternativa para a questão da largura da mata ciliar e verificar como ela interfere na qualidade do solo e da água. O trabalho, realizado por Renata Santos Momoli, doutoranda do programa de pós-graduação (PPG) em Solos e Nutrição de Plantas, sob orientação do professor Miguel Cooper, do Departamento de Ciência do Solo (LSO), relata que solos erodidos perdem sua fertilidade natural e modificam o equilíbrio dos ecossistemas. Sinaliza também que, águas contaminadas por agrotóxicos, sedimentos e esgoto se tornam inadequadas para o uso humano e, nascentes soterradas reduzem o volume dos rios e comprometem a oferta de água para seres humanos, animais e plantas. A pesquisadora explica que florestas degradadas tornam-se ambientes inóspitos para diversos animais importantes na cadeia alimentar, além de exporem o solo às intempéries do clima favorecendo a erosão do solo. Um conjunto de práticas de manejo conservacionistas (PMC), que visam à redução dos impactos causados pela erosão, são sugeridos no estudo. As PMCs englobam a cobertura do solo (por meio da palhada de plantio direto ou adubos verdes), o plantio em nível, a construção de terraços de infiltração e drenagem, o plantio de faixas ou cordões de vegetação para reduzir a velocidade da enxurrada e a preservação e recuperação da mata ciliar (áreas de proteção permanente - APPs de beira de rios e ao redor de nascentes). De acordo com a doutoranda, deve haver um esforço conjunto entre produtores rurais, pesquisadores e políticos no intuito de manter o equilíbrio do ecossistema para promover a perpetuidade da produtividade agrícola. “A proposta de redução

Meio Ambiente da largura das matas ciliares (APPs de beira de rio e ao redor das nascentes) implica no comprometimento da longevidade do sistema agrícola no país. A manutenção da floresta ao redor de rios e nascentes promove o aumento na qualidade de recursos naturais, como água e solo. A proteção dada pela copa das árvores, por exemplo, reduz o impacto da chuva sobre o solo, reduzindo a erosão. A presença de caules e raízes de árvores favorece a retenção da maior parte dos sedimentos na borda da mata, protegendo as nascentes que se encontram no interior da mata ciliar”. Para o desenvolvimento do estudo, a pesquisadora escolheu área do cerrado brasileiro por este ser considerado região de expansão agrícola onde, teoricamente, os níveis de erosão são baixos e os solos são aptos à agricultura. “O cerrado goiano, foco da pesquisa, é considerado uma importante fronteira de expansão agrícola. Porém, por tratar-se de uma região que sofre incidências de chuvas muito fortes e solos expostos pelo desmatamento, observou-se a perda da camada superficial e mais fértil do solo, abertura de voçorocas efêmeras e permanentes, deposição de sedimentos nas áreas mais baixas do relevo e assoreamento das nascentes pelo processo erosivo”, destaca Renata. O estudo da dinâmica da sedimentação numa mata ciliar da região sul do estado de Goiás resultou numa interpretação mais integrada do ambiente para a proposição das dimensões que a mata ciliar deve possuir para promover a interceptação dos sedimentos derivados da erosão das áreas à montante. Registros de 18 meses de observações revelaram que a maior parte da sedimentação ocorreu na borda da mata ciliar, sendo que em alguns pontos houve um aumento de mais de 35 cm no nível do solo, decorrente da deposição de sedimentos potencializada pela presença de grandes sulcos de erosão na área com cultivo agrícola. Além do mais, no interior da mata ciliar, alguns locais também apresentaram níveis acima de 30 cm de sedimentação, nesse caso, a sedimentação foi favorecida pela presença de árvores com raízes tabulares, as quais “barram” o fluxo de sedimentos, retendo ali, grande quantidade de material sólido transportado na enxurrada. Utilizando as árvores da mata ciliar como indicador da espessura do depósito de sedimentos ao longo do tempo foi possível a constatação de que grande parte de deposição

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Mata ciliar garante sustentabilidade do ambiente agrícola Qualidade dos recursos naturais disponíveis está atrelada à conservação desses ecossistemas Área de Preservação Permanente (APP) Zona protegida, cobertya ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar a água, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o solo e assegurar o bem-estar das pessoas. Pode ocorrer em áera rural ou urbana

Tipos de APPs Mata Ciliar O tamanho desta APP depende da largura do curso d’água: De 30 metros para os cursos d’água com menos de 10 metros de largura De 50 metros para os cursos d’água que tenham de 10 a 50 metros de largura De 100 metros para os cursos d’água que tenham de 50 a 200 metros de largura De 200 metros para os cursos d’água que tenham de 200 a 600 metros de largura De 500 metros para os cursos d’água que tenham largura superior a 600 metros

Ao redor das lagoas, ou lagos ou reservatórios d’água naturais ou artificiais

Nascentes Esta APP ocupa sempre um raio mínimo de 50 metros ao redor de nascentes

Restingas APP que cobre áreas de dunas ou estabilizadoras de mangues

de sedimentos (ao redor de 30 cm de altura) ocorreu nos últimos dez anos. O fato confirma a grande proporção do impacto negativo da ocupação agrícola em áreas sensíveis como as zonas ripárias. Já em projetos de restauração de APPs de mata ciliar deve ser considerado o uso de espécies arbóreas com raízes tabulares, pois as mesmas potencializam o efeito de filtro da floresta. O estudo ainda sinaliza que é interessante incluir no reflorestamento espécies que possuam

anéis de crescimento bem demarcados pois podem, futuramente, servir como indicadores de alterações ambientais como, por exemplo, a datação de processos de erosão/sedimentação com resolução anual. “Esse estudo comprovou que grande parte do sedimento que se deposita na borda da mata ciliar recobre as diversas nascentes que ali afloram. Esse processo de assoreamento propicia o secamento das nascentes e a redução na produção de água”, explica a pesquisadora.

Conclusão A pesquisa conclui que é essencial que seja mantida a legislação sobre largura da mata ciliar até que estudos mais detalhados sobre a interpretação integrada do ambiente possam ser produzidos. A aprovação da redução da largura das APPs provocará o acúmulo de sedimentos sobre as nascentes e permitirá o fluxo livre da enxurrada até o leito dos rios. Como conseqüência desse processo, aumenta a carga de sólidos em suspensão e aumenta


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Proprietário rural que recuperar APPs poderá receber pagamento Agência Câmara

Topos de morros, montes, montanhas e serras

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A Câmara analisa o Projeto de Lei 740/11, do deputado Luiz Otavio (PMDB-PA), que prevê a remuneração do proprietário rural ou detentor de posse rural pela recuperação ou manutenção de áreas de preservação permanente (APPs). De acordo com a proposta, os recursos �inanceiros para pagamento desse tipo de “serviço ambiental” serão provenientes de doações de pessoas �ísicas e de entidades nacionais e internacionais, sem ônus para

APP em regiões com declividade superior a 450

a sedimentação. A sedimentação tem como conseqüência o assoreamento dos rios e das nascentes. O assoreamento favorece a ocorrência de inundações severas nas margens dos rios, ou seja, a redução da largura da mata ciliar resultará em impactos negativos cada vez mais intensos, maiores inundações, maiores níveis de sedimentação soterrando nascentes. Por isso, reduzir a largura das APPs de beira de rios e nascentes resultará no comprometimento da qualidade do solo, da água e dos ecossistemas.

o Tesouro Nacional. O texto não de�ine o valor da recompensa aos agricultores. O projeto acrescenta artigo ao Código Florestal (Lei 4.771/65). A lei de�ine como áreas de preservação permanente espaços territoriais sob regime de proteção integral, entre os quais as áreas com vegetação natural situada ao longo dos rios, nos topos de morro e nas encostas com determinado grau de declividade. “Toda a população, direta ou indiretamente, é favorecida pelos

serviços ambientais decorrentes das APPs e, portanto, nada mais justo do que destinar recursos �inanceiros aos proprietários rurais que adotem práticas voltadas à recuperação e manutenção dessas áreas”, argumenta o autor. Também está prevista, na proposta, a alteração da Lei 6.938/81, que dispõe sobre a Política Nacional de Meio Ambiente, para incluir o pagamento por serviços ambientais como instrumento dessa política.

Tramitação O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Desmatamento da Amazônia aumenta em junho Agência Brasil

Depois de um recuo em maio, o desmatamento da Amazônia voltou a subir em junho, de acordo com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Em um mês, a �loresta perdeu 312,6 quilômetros quadrados, desmate 17% maior que o registrado em maio. Em relação a junho de 2010, quando o desmatamento foi de 243,7 km², houve aumento de 28% no ritmo da derrubada. O Pará liderou o desmate na região

Encostas

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Meio Ambiente

em junho, com 119,6 km² de novas áreas derrubadas, seguido por Mato Grosso, com 81,5 km², e por Rondônia, com 64 km². No Amazonas, as derrubadas atingiram 41,6 km² de �lorestas, no Maranhão, cerca de 5 km² e no Tocantins, 0,5 km². A cobertura de nuvens impediu a visualização de 21% da Amazônia Legal, segundo o Inpe. Os números são calculados pelo Sistema de Detecção do Des-

Estudo diz que desmatamento na Amazônia vai aumentar

Com base no padrão dos desmatamentos consolidados, o Imazon (Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia) traçou uma estimativa de novas derrubadas para a região e concluiu que a devastação vai aumentar entre julho deste ano e agosto de 2012. O levantamento alerta para a provável derrubada de 7.134 quilômetros quadrados (km²) de �loresta no período. A atual taxa de desmatamento, medida entre agosto de 2009 e julho de 2010, é 6.451 km². Para este ano, os dados ainda não estão fechados, mas os números dos alertas mensais apontam tendência de aumento da taxa. Em maio, por exemplo, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais registrou 268 km² de desmatamento, área 144% maior que no mesmo mês de 2010. De acordo com a projeção do Imazon, os estados do Pará e de Mato Grosso concentram as �lorestas com maior risco de desmatamento. As áreas com maior probabilidade de desmatamento estão ao longo da BR-320 (Transamazônica), na região da Terra do Meio, e ao longo da BR-163 (que

liga Pará e Mato Grosso), segundo o estudo. Entre os municípios, o risco de desmatamento é crítico na região onde será construída a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. Os três municípios com maior probabilidade de desmatamentos futuros estão na área de in�luência do empreendimento: Pacajá, Altamira e São Félix do Xingu. O modelo do Imazon usa informações sobre a localização da ocorrência de desmatamento no passado para calcular a possibilidade de novos desmates. A estimativa também considera variáveis como proximidade com estradas, rios, distância de áreas protegidas e alcance econômico. Na avaliação por situação fundiária da terra sob risco, o Imazon concluiu que a maior parte das áreas vulneráveis está em propriedades privadas ou em con�litos por posse: 65% do total. Os assentamentos de reforma agrária abrigam 24% das �lorestas sob risco. O restante está em unidades de conservação e terras indígenas, onde, teoricamente, não deveria haver nenhuma derrubada ilegal.

matamento em Tempo Real (Deter), que monitora áreas maiores do que 25 hectares e serve para orientar a �iscalização ambiental. Além do corte raso (desmatamento total), o sistema também registra a degradação progressiva da �loresta. Faltando um mês para o fechamento do calendário o�icial do desmatamento (que vai de agosto de um ano a julho do outro), os dados do Deter mostram tendên-

cia de aumento da taxa anual de desmate. Entre agosto de 2010 e junho de 2011, a derrubada acumulada foi de 2.429,5 km², frente a 1.810,8 km² registrados no período anterior (agosto de 2009 a junho de 2010), com aumento de 34%. Apesar da tendência, a taxa anual é calculada por outro sistema do Inpe, o Projeto de Monitoramento do Des�lorestamento na Amazônia Legal (Prodes), e só deve ser divulgada em novembro.


Ceasas do Brasil

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agosto de 2011

Índice Ceagesp fecha julho com alta de 0,87%

15,6%

Cebola

6,1%

as principais quedas nos preços foram do pimentão amarelo (-37,1%), do tomate (-22,55%) e do pepino caipira (-10,4%). E os aumentos foram da abobrinha italiana (35,2%), da berinjela (23,39%) e da beterraba (13,2%). Nos pescados, os preços das anchovas (-31,6%), do cação (-12,3%) e do salmão (-9,5%) foram os responsáveis pelas retrações no setor. As elevações �icaram por conta da cavalinha (23,8%), do robalo (15,8%) e do atum (11,9%). Para este mês de agosto, as bruscas mudanças climáticas nas regiões produtoras poderão ser fatores importantes para diminuição da qualidade e da quantidade ofertada dos hortifrutis. Como as geadas que podem prejudicar a oferta de hortaliças. “Caso não ocorram, a expectativa é de ainda queda dos preços praticados nos setores

Limão

peradas mais elevações nos preços do setor de frutas. “Mesmo com as altas em julho, o setor registra retração de 9,83% em 2011. Assim produtos como limão, maracujá, mamão, melão deverão apresentar recuperação dos preços nos próximos meses” avalia Godas. Desde de março, o setor de verduras computa retração nos preços. Em julho, o recuo foi de 7,60%. As baixas foram do coentro (-41,7%), da couve-�lor (-35,8%) e do brócolis (-24,5%). Já as altas foram da alface crespa (30,18%), da alface lisa (12,4%) e da escarola (9,55%). Os setores diversos (2,98%), legumes (2,29%) e pescados (1,96%) também registraram quedas nos preços praticados. Em Diversos, as baixas foram da batata comum (-15,6%), da batata lisa (-16,8%) e do amendoim (-12,44%). O único item a apresentar alta foi à cebola, com 6,1%. Já no setor de legumes,

Tomate

-22,55%

de Legumes e Verduras”, comenta Godas. Também as cheias no Vale do Ribeira poderão comprometer a quantidade ofertada de banana. Municípios agrícolas como Registro, Eldorado e Sete Barras apresentaram perdas acentuadas e alguns produtores perderam 100% da plantação. “Como a região é responsável por mais de 90% da oferta de banana nanica na Ceagesp, são esperadas reduções no volume ofertado e majorações nos preços praticados nas próximas semanas” prevê Godas. Índice Ceagesp julho 2011

Geral

-0,87%

Frutas

4,47%

Legumes

-2,29%

Verduras

-7,60%

Diversos*

-2,98%

Pescados

-1,96%

Fonte: Ceagesp

(*) cebola, batata, amendoim, coco seco e ovos

Em julho, o Índice Ceagesp apresentou ligeira elevação de 0,87% nos preços no atacado dos principais produtos comercializados na estatal. “Este aumento foi impulsionado pelo setor de frutas, o único do entreposto da capital a registrar elevação de preços. Todos os demais setores registraram retração dos preços praticados”, analisa o economista da companhia, Flávio Godas. No ano, o balizador de preços tem alta de 0,23%, e de 1,21%, nos últimos 12 meses. Principal item da cesta de 105 produtos frescos que compõe o Índice Ceagesp, o setor de frutas apresentou elevação de 4,47%. As principais altas foram do limão (15,6%), da atemoia (15,2%) e do abacate (14,7%). A melancia (-12,9%), o morango (-13,2%) e a banana maçã (-6,7%) registraram as principais quedas. Para o mês de agosto são es-

Salmão

-9,5%

Produtores da CeasaMinas já podem fazer consultas ao SPC sem sair do mercado Medida deve trazer mais segurança aos produtores Na manhã do dia 4 de julho, foram inaugurados dois totens no MLP (Mercado Livre do Produtor) com informações úteis para o trabalhador e também foi inaugurada a nova Central do Produtor no entreposto de Contagem da CeasaMinas. Os totens funcionam como

centrais de informação, nas quais os usuários podem fazer consultas online ao Detran-MG e ao SPC. De acordo como presidente da estatal, João Alberto Paixão Lages, a medida vai trazer mais segurança ao produtor. “Eu quero chamar a atenção dos nossos produtores rurais, para que eles não deixem que pessoas mal intencionadas os enganem. O produtor deve ir ao totem e consultar se o cheque que ele recebe tem algum impedimento ou foi roubado”, alerta. Informações institucionais da CeasaMinas, como os pro-

jetos sociais desenvolvidos e apoiados pela estatal, também são apresentadas nos totens. Para facilitar o deslocamento dos usuários dentro do entreposto, foram disponibilizadas informações sobre localização das lojas. Ao selecionar uma delas, o computador gera um mapa com a rota de acesso. Ainda, é possível encontrar produtores rurais, pesquisando pelo seu nome ou pelo produto vendido. A Central do Produtor é o espaço onde os produtores são credenciados para atuarem no MLP. Anteriormente, a Central

estava localizada no Pavilhão Shopping, distante do local de trabalho dos produtores rurais. Agora, ela �ica anexa ao plantão do MLP. Essa facilidade de acesso e a diminuição da burocracia fazem com que os produtores possam comercializar seus produtos com mais tranqüilidade. “Nossa rotina era muito di�ícil com a Central no Shopping. O tempo do produtor é muito curto. A transferência da Central para o MLP vai colocar �im a esse vai e vem. É uma melhoria inexplicável”, comemora Antônio Lopes, presidente da associação de produtores.

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Demanda chinesa deve sustentar preços agrícolas no Brasil

Liderança iminente da China pode ser ressaltada pelos níveis crescentes de consumo A continuidade do movimento de aumento nas importações chinesas de produtos básicos deverá garantir a sustentação dos preços das commodities por um bom tempo, bene�iciando o agronegócio brasileiro. A previsão foi feita pelo professor da Universidade de São Paulo (USP), José Eduardo de Morais Pinto Furtado, durante o Painel “O Mercado de Fertilizantes sob o Impacto da Nova Economia Mundial”, durante o 1º Congresso Brasileiro de Fertilizantes, que foi realizado no último dia 12 de agosto, em São Paulo. “Esta tendência tem fôlego para continuar por alguns anos. O crescimento da economia chinesa teve início há 32 anos e não há registro na história de um movimento tão longo sem crise”, destacou o economista, lembrando que a nova economia mundial criou um novo parâmetro. Atualmente, existe um peso crescente de economias com demogra�ia volumosa e dinâmicas. Além disso, explica o professor, o padrão de consumo está baseado em produtos básicos. “O deslocamento de demanda é muito grande e os preços não devem retornar aos níveis iniciais, mesmo com o ajuste da oferta”, completa. A liderança iminente da China pode ser ressaltada pelos níveis crescentes de consumo. No caso dos fertilizantes, por exemplo, o consumo americano se estabilizou na casa de 20 milhões de toneladas, contra mais de 40 milhões na China e com tendência de crescimento. “A China tem condições de garantir o crescimento durável e forte da economia mundial por um longo período. Os Estados Unidos conseguiram isso por 50 anos e as condições chinesas são ainda mais favoráveis”, aposta Furtado. Segundo Furtado, a grande questão para o Brasil e o agronegócio nacional é saber aproveitar este impulso chinês. Para ele, o Brasil precisa se preparar não só para aproveitar os bons preços, mas se favorecer dos efeitos estruturantes, investindo na amenização dos gargalos produtivos.


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Agronegócio

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Agronegócio brasileiro terá faturamento recorde de quase R$ 200 bilhões este ano Agência Brasil

O Valor Bruto da Produção das 20 principais lavouras do país deve chegar a R$ 199 bilhões este ano. A estimativa de faturamento, apurada com dados levantados até junho pelo Ministério da Agricultura, é 10,4% maior que o resultado de 2010, que ficou em R$ 180,38 bilhões, e representa um novo recorde. A melhor marca até agora foi atingida em 2008, quando o VBP ficou em R$ 183,61 bilhões. Segundo o coordenador de Planejamento Estratégico do Mapa, José Garcia Gasques, o resultado favorável vem, principalmente, pela junção de três fatores: melhores preços dos produtos agrícolas, maior produtividade e volume recorde da safra. De acordo com o Ministério, os produtos que mais aumenta-

ram o valor da produção foram algodão (67,7%), uva (46,3%), café (38%), milho (29,8%), soja (17,1%), mandioca (11%) e feijão (10,2%). A soja tem o

maior peso no faturamento das lavouras brasileiras, com R$ 55 bilhões, seguida pela cana-deaçúcar (R$ 30 bilhões), milho (R$ 23,5 bilhões) e café (22 bi-

lhões). O algodão, com a maior elevação do valor bruto, passou de R$ 3,2 bilhões, no ano passado, para R$ 5,3 bilhões este ano. Mas alguns produtos não

acompanharam essa valorização e apresentaram queda no VBP, como cebola (-62,4%), que deve faturar este ano R$ 752 milhões; batata inglesa (-24,6% e VBC de R$ 2,9 bilhões) e trigo (-16,8% e VBC de R$ 2,2 bilhões). O estudo do valor da produção é feito desde 1997, com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Fundação Getulio Vargas (FGV) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O VBP se refere à renda dentro da propriedade e leva em consideração as plantações de soja, cana-de-açúcar, uva, amendoim, milho, café, arroz, algodão, banana, batatainglesa, cebola, feijão, fumo, mandioca, pimenta-do-reino, trigo, tomate, cacau, laranja e mamona.


Transporte

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Redução de IPI de caminhões é estendida por mais um ano Agência Brasil

Com o slogan “Inovar para Competir. Competir para Crescer”, a presidente Dilma Rousseff lançou no início de agosto em Brasília, o Plano Brasil Maior. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o plano foi idealizado para o período 2011-2014 e tem o objetivo de aumentar a competitividade dos produtos nacionais a partir do incentivo à inovação e à agregação de valor. Uma das medidas é destinada a dar estímulo a investimento e a inovação, com desoneração tributária do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de bens de investimento. Ou seja, uma extensão por mais 12 meses da redução do imposto sobre bens de capital, materiais de construção, caminhões e veículos comerciais leves. Outra medida de desoneração tributária prevê a redução gradual do prazo para devolução dos créditos do PIS-Pasep/Cofins sobre bens de capital. Para o investimento, o plano prevê a extensão do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) até dezembro de 2012, com orçamento de R$ 75 bilhões. Foi mantido o foco em bens de capital, inovação, exportação e no programa Pró-Caminhoneiro. Foram incluídos novos setores como componentes e serviços técnicos especializados, equipamentos, tecnologia de informação e comunicação (informática), ônibus híbridos, Pró-Engenharia (programa para impulsionar a formação de novos engenheiros) e Linha Inovação Produção. São áreas consideradas prejudicadas pelo governo devido à concorrência de produtos estrangeiros. O plano concede estímulos ainda à ampliação do capital de giro para o Programa BNDES de Apoio ao Fortalecimento da Capacidade de Geração de Emprego e Renda com novas condições de crédito e prazo e a inclusão dos setores autopeças, móveis e artefatos. O orçamento chega a R$ 10,4 bilhões, a taxas de juro de 10% a 13% ao ano, com prazo de financiamento entre 24 e 36 meses. A vigên-

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cia foi prorrogada até dezembro do ano que vem. O governo vai relançar o Programa BNDES Revitaliza, que terá novas condições de �inanciamento ao investimento. O orçamento previsto para a nova fase, que passa a incluir o setor autopeças, é R$ 6,7 bilhões, com taxa �ixa de 9%, vigente, também, até dezembro de 2012. O objetivo do programa é �inanciar ações de revitalização das empresas que atuam nos setores de pedras ornamentais, bene�icia-

mento de madeira, de couro, calçados, confecção, móveis de madeira, frutas (in natura ou processadas), cerâmicas, softwares e prestação de serviços de tecnologia da informação, priorizando a agregação de valor ao produto nacional e a adoção de métodos de produção mais e�icientes. Outro programa, segundo o MDIC, que será criado é o Fundo do Clima, cujos recursos serão destinados à inovação e ao �inanciamento de projetos que reduzam emissões de gases de efeito estufa.

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A montadora Volvo está lançando no mercado europeu o modelo FM Metano-Diesel. O novo caminhão é movido por uma mistura de combustíveis com até 75% de gás. Segundo a montadora, a tecnologia de e�iciência de combustível amplia as possibilidades operacionais do veículo, tornando possível reduzir consideravelmente as emissões de gás carbônico em aplicações de transporte pesado, em longas distâncias. “Nosso modelo metanodiesel oferece novas condições para o mercado de caminhões movidos a gás. Com o uso de gás liquefeito, em um motor a diesel e�iciente, tornamos possível o uso de caminhões a gás em operações de transporte pesado e em grandes distâncias”, conta o presidente da divisão europeia da Volvo, Claes Nilsson. De acordo com a Volvo, o caminhão movido a gás natural gera 10% menos CO2, se comparada com o motor a diesel. No longo prazo, a empresa acredita no aumento do uso de gás natural como um passo importante em direção à uma maior disponibilidade e do uso do biogás, o que reduz ainda mais as emissões de CO2. “Estamos convencidos que o gás liquefeito é uma das mais importantes alternativas futuras para os combustíveis usados nos veículos atuais” a�irma Lars Mårtensson, diretor de assuntos ambientais da Volvo. A montadora diz que seu caminhão movido a bio-gás é capaz de reduzir a emissão de dióxido de carbono em até 70%, se comparado com o motor a diesel convencional. Uma vez que o preço do gás natural é, quase sempre, signi�icativamente menor que o preço do diesel, a economia também é um atrativo – e, muitas vezes, uma pré-condição para a aceitação mais ampla de uma nova tecnologia. As primeiras unidades do FM Metano-Diesel serão vendidas na Holanda, Grã Bretanha e Suécia, onde existe uma melhor infraestrutura para o fornecimento de gás. Os planos são de fabricar 100 caminhões até o �inal do ano. A produção em série será iniciada em agosto. “Se as coisas correrem como planejado, esperamos que as vendas sejam feitas em seis ou oito países europeus dentro de dois anos, com uma venda anual de cerca de 400 caminhões. As vendas futuras dependerão muito, naturalmente, da expansão dos postos de abastecimento de gás liquefeito, para veículos comerciais”, complementa Nilsson.


Apesp

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JORNAL ENTREPOSTO

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Um jornal a serviço do agronegócio

Espaço Apesp Espaço informativo da Associação dos Permissionários do Entreposto de São Paulo

Sacaria de batata: 25 kg ou 50 kg? A polêmica de troca de sacaria de batata de 50 por 25 quilos está esquentando. A batata é o único produto embalado e comercializado com um peso tão alto. Os citros e o repolho, com 27 e 25 quilos, respectivamente, são os produtos mais pesados depois da batata. A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) é antiga - de 1943 - e permite até 60 quilos de peso máximo no carregamento manual. Entretanto, a NR-17 Norma Regulamentadora do Ministério do Trabalho, coloca como obrigação do empregador: “Não se deve comprometer a saúde ou a segurança do trabalhador no transporte manual de cargas”. Alguns estudos estabelecem de 23 a 25 quilos como peso máximo para o transporte manual de cargas. A produção de batata no Brasil exige alta tecnologia e mecanização. Depois da colheita ela é encaminhada às máquinas de classificação para ser lavada e separada por tamanho e qualidade. Em todo o processo existe um grande cuidado para não ferir o produto e manter sua qualidade. O embalamento em sacaria de 50 kg rompe com o procedimento de manutenção de qualidade e com as operações mecanizadas. As operações de embalamento, de manuseio, de costura da sacaria e de car-

tata, facilidade de mecanização da carga e da descarga, melhor atendimento a pequenos compradores, maior facilidade de contratação de mão de obra. Os resultados mais detalhados das entrevistas foram apresentados aos atacadistas de batata e aos técnicos da Ceagesp em reunião realizada no último dia 26 de julho. Abaixo você confere o que ficou decidido.

ga e descarga são feitas manualmente, o que impede um manuseio cuidadoso e leva ao ferimento da batata. O grande esforço e investimento na produção e no beneficiamento podem ser destruídos nas operações posteriores. Ceagesp

Atacadistas, compradores e carregadores foram entrevistados no entreposto paulistano da Ceagesp com o objetivo de compreender a sua percepção na questão da troca de sacaria de 50 para 25 kg. A maior parte deles é favorável à adoção do embalamento em saco de 25 kg para batata - atacadistas (75%), compradores (80%), carregadores (67%).

A maior parte dos atacadistas (81%) já comercializa parte das suas vendas em sacarias de 25 kg e 31% em caixas plásticas. Uma embalagem especial, em saco de juta de 10 kg com etiqueta do fornecedor, foi encontrada em um dos atacadistas. A grande dificuldade para a adoção da sacaria de 25 kg é a adesão dos produtores. A justificativa é o aumento do custo no beneficiamento, em virtude da maior necessidade de mão de obra e de maior custo da embalagem, o que somando daria um aumento no preço pago ao produtor de R$ 0,02 por kg de batata. Os benefícios são reconhecidos por todos: preservação da saúde do trabalhador, preservação da qualidade da ba-

1. O encaminhamento pelos atacadistas da posição do corpo técnico da Ceagesp e da Ceasa Campinas aos produtores e beneficiadores de batata; 2. O encaminhamento de solicitação ao Ministério da Agricul-

tura de mudança do peso máximo das embalagens de batata de 50 para 25 kg, estabelecido no item 4 da Norma de Identidade, Qualidade, Acondicionamento, Embalagem e Apresentação – Portaria número 69, de 21 de fevereiro de 1995, que estabelece: “A batata para consumo será acondicionada em embalagem nova, seca, limpa e com capacidade máxima de até 50 kg (cinquenta quilogramas) líquidos”. 3. A divulgação aos compradores acerca dos benefícios da sacaria de 25 kg de batata. Autoria: Barbara Ludwig Navarro e Camila Klock de Lima

Programas exigidos por lei: Programa de Controle de Saúde Médico Ocupacional - PCMSO Programa de Prevenção de Riscos Ambientais - PPRA Laudo Técnico de Condições Ambientais de Trabalho - LTCAT Perfil Profissiográfico Previdenciário - PPP Exames médicos: Admissão, Periódico, Retorno ao trabalho, Demisssionais. Dra. Ana Maria Alencar (Diretora Médica) Leva Entre em contato com nossos representantes Fábio (11) 3832.4049 / 3835.9576 / 7871.2644 End. Edsed II sala 37(em cima da padaria Nativa)


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Turismo

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AMA

ZO NAS

Vista aérea do maior afluente do mundo

Bot Encont

ro das

Mariana G. Marques

O Amazonas é o maior Estado brasileiro, com uma área aproximada de 1,5 milhão de quilômetros quadrados, ou duas vezes a soma do tamanho da Bélgica, Hungria, Áustria e Portugal juntos. Seu portal de entrada �ica na capital, Manaus, cujo aeroporto internacional recebe diariamente cerca de 50 voos lotados de turistas de todas as regiões do país e do mundo. Ocupando grande parte do estado, está a �loresta amazônica, considerada o maior celeiro de biodiversidades da terra. Só para se ter ideia da grandiosidade de sua diversidade, num espaço de vinte centímetros quadrados, segundo os estudiosos, podem ser encontrados até 1,5 mil espécies vegetais e animais diferentes, somando-se fungos e microorganismos. Estima-se ainda que existam cerca de dois milhões de espécies espalhadas pelas matas de igapó, mata de terra-�irme e matas de várzea que formam a �loresta. Ao fazer um passeio pela �loresta é interessante reparar que a altura das árvores aumenta à medida que se distanciam dos rios. Existem algumas bem antigas que chegam a atingir até 50 metros de altura. Mas há também outros inúmeros tipos diferentes de espécies vegetais, prova disso é que 25% de todas as essências farmacêuticas utilizadas atualmente pela medicina moderna foram retiradas da Amazônia. A fauna da região também é bastante variada, e, assim como no reino vegetal, há muitas espécies que existem apenas lá. Somente na Amazônia é possível conhecer espécies em extinção como os macacos uacari branco e o pequeno sauim-de-coleira que somente são encontrados nas proximidades de Manaus. Apesar disso, o que mais faz sucesso com os turistas que vão até o Amazonas são os passeios noturnos para avistar jacarés e a pesca de piranhas, muito comum nos rios que cortam o estado. A bacia Amazônica é uma região muito plana, mas, em contraposição, abriga o maior pico do Brasil, o Pico da Neblina, com 3014 m. Quem visita o Amazonas encontra toda a infra-estrutura neces-

sária para a realização de roteiros seguros pela �loresta. É possível conhecer os encantos da selva com a companhia de guias altamente treinados, inclusive com cursos de especialização de sobrevivência na selva, ministrados pelo Exército Brasileiro. Assim, os visitantes têm oportunidade de conhecer, aprender e valorizar a importância da �loresta tropical e os habitantes que nela vivem e que são os responsáveis pela sua conservação. Em se tratando de hospedagem, é possível escolher entre os lodges, também conhecidos como hotéis de selva, geralmente mais rústicos e também mais próximos da natureza ou os hotéis mais confortáveis e luxuosos encontrados em Manaus. Outra opção é se hospedar no barco-hotel Iberostar Grand Amazon, uma embarcação 5 estrelas que passeia pelo rio Amazonas. Como já deu para perceber, a �loresta amazônica tem tudo aquilo que já ouvimos na escola, a diversidade da �loresta, a grandiosidade dos rios e a exuberância da fauna. Mas melhor do que ouvir falar é ver com os próprios olhos e conhecer de perto tudo isso. Passeios

Existem diversos tipos de passeios que podem ser feitos na região, mas a maioria dos pacotes oferecidos pelos hotéis ou agências de turismo aborda três temas em geral: Selva: com passeias pela mata, observação de espécies da fauna e �lora e visita a cachoeiras; os passeios podem ser feitos por terra ou pelo ar, com os famosos ultraleves. Cruzeiros: com passeios em variadas embarcações, visita a ilhas e praias ribeirinhas da região e pesca esportiva; Compras e cultura: normalmente feitos em Manaus e Parintins, com visitas a museus, igrejas, antigas construções, e ainda a participação em festas típicas, como por exemplo, a Festa do Boi em Parintins, entre outros.

Parque Ecológico do Lago Janauari Localizado no Rio Negro a uma hora de barco de Manaus, o parque possui uma área de nove mil hectares de matas de terra �irme, várzea e igapós (�loresta inundada). No local é possível fazer tour de canoas pelos lagos e igarapés da região e ainda vislumbrar a vitória-régia, planta que abre sua folha redonda sobre as águas rasas e sem correnteza e chega a medir 1,8 m de diâmetro. Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá

É umas das maiores reservas de área inundada do mundo, com 1,1 milhão de hectares, com até 80 quilômetros de �loresta alagada. Na reserva já foram catalogadas mais de 300 espécies de peixes, incluindo os ornamentais como o acará disco. Lá também vivem cerca de 400 espécies de aves e pelo menos 45 espécies de mamíferos. Dentre outros animais protegidos, o mais conhecido é o macaco uacari branco que só pode ser encontrado naquela região de várzea. Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Piranha

O local é um dos melhores para a pesca esportiva, pela variedade de peixes como o bodó, a piranha e o aruanã. Em seu hotel �lutuante com estação de tratamento de água e esgoto e um observatório de pássaros, desenvolvem com a comunidade locais programas que incluem caminhadas em trilhas interpretativas pela �loresta, a observação de jacarés e aves, passeios pelos lagos e tour fotográ�icos. Arquipélago de Anavilhanas/ Novo Airão

Cerca de 400 ilhas cobertas de �loresta virgem formam um verdadeiro labirinto natural, um dos mais belos exemplos de paisagem natural amazônica. No período de seca, a descida das águas revela inúmeras praias de areias brancas e interessantes formações naturais

ia

mazôn

da A o Rosa

águas

de raízes e troncos. No entanto, a maioria dos visitantes vai ao local para nadar com os botos cor de rosa e para alimentá-los em um dos bares na praia.

�ica no bairro da Chapada, apesar de oferecer menos opções, tem ar condicionado e mais conforto para suas compras. Parintins

Manaus

A capital conta com opções para todos os tipos de turistas, dos mais simples aos mais requintados. Muitos restaurantes oferecem culinária variada, mas o que faz mais sucesso entre os turistas são os pratos da cozinha regional que têm por base os peixes como o tambaqui, o pirarucu e o tucunaré. As frutas exóticas também encontradas facilmente são utilizadas no preparo de sucos e sobremesas. Uma boa maneira de iniciar o passeio por Manaus é ir até o centro. Lá, o visitante pode conhecer prédios históricos e museus sobre a Amazônia sem fazer muito esforço, já que eles estão espalhados por toda parte. Aproveite para visitar o mercado municipal e suas lojas de artesanato local e indígena. Vai ser impossível sair de lá sem comprar nada. Uma outra visita obrigatória é ao cartão postal da cidade: o Teatro Amazonas, inaugurado em 1896. A enorme construção tem capacidade para 700 pessoas e �ica aberto para visitação em horários especí�icos que devem ser consultados com antecedência. Um dos passeios mais procurados pelos turistas é o que leva até a con�luência dos rios Solimões e Negro, que formam o Amazonas. A diferença das cores no encontro das águas de cada um dos rios, dá a impressão de que eles não se misturam, causando um efeito muito interessante que pode ser fotografado para registrar sua visita. Esse e outros passeios com destino a variadas cidades são oferecidos no centro da cidade, no porto, de onde partem todos os barcos. Aproveite sua viagem e dê um pulinho até a Zona Franca, que �ica no centro da cidade. A área é formada por onze quarteirões repletos de lojas que vendem produtos eletrônicos nacionais com ótimos preços. O Amazonas Shopping que

A ilha �luvial �ica a 325 Km Manaus, com acesso por via �luvial ou aérea, está na margem direita do Rio Amazonas. A cidade é palco de uma das maiores manifestações de cultura popular do mundo, o Festival Folclórico de Parintins. A festa, que acontece em junho, é marcada pela presença de personagens místicos usando alegorias de lendas amazônicas, como o bumbameu-boi e a cobra grande. Um dos pontos altos do festival é a disputa dos bois-bumbá Garantido e Caprichoso, cada um com suas cores marcantes: vermelho para o boi e a torcida do Garantido e azul para o Caprichoso. Vence o boi que �izer o des�ile mais bonito e animado. Além do festival, a cidade dispõe de boa infra-estrutura, com bares, restaurantes e hotéis de excelente qualidade. Oferece também várias opções de lazer, como por exemplo, a praia de Uaicurapá que no verão atrai multidões. Constantemente a praia é transformada em palco para shows, festivais de música e concursos de beleza. Dicas • Antes de viajar para o estado do Amazonas, é necessário tomar vacinas contra a febre amarela, tétano, hepatite B e tifo. • Durante os passeios pela selva, tenha sempre à mão uma blusa de manga comprida. No �inal do dia a temperatura pode cair e também será útil na proteção contra os mosquitos. • Se for possível, o ideal é levar um binóculo para observar os animais, sem assustá-los. Não esqueça de levar a máquina fotográ�ica. Agências turísticas www.katerre.com www.cvc.com.br/Amazonia www.venturas.com.br www.manausjungletours.com www.ecoadventures.com.br


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agosto de 2011

JORNAL ENTREPOSTO Um jornal a servi莽o do agroneg贸cio

Jornal Entreposto | Agosto de 2011  

Um jornal a serviço do agronegócio

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