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PeriĂłdico Online

EntomoBrasilis

eISSN 1983-0572 doi:10.12741

v. 9, n. 3

2016

Publicado pelo projeto Entomologistas do Brasil Volume 9 . NĂşmero 3 . Setembro - dezembro de 2016


Periodicidade: Quadrimestral Direitos Autorais: Copyright © 2008-2016, Entomologistas do Brasil Isenção de Responsabilidade Legal: As opiniões técnico/científicas e mesmo pessoais, constantes nos artigos e/ou comunicações científicas publicados no EntomoBrasilis são de inteira responsabilidade de seus respectivos autores. Projeto Gráfico (Editoração): William Costa Rodrigues Capa: Ismarus capixabae sp. nov. Comério, Perioto & Lara. Local: Atlantic Rainforest at Estação Biológica de Santa Lúcia, Santa Tereza municipality, Espírito Santo State, Brazil in October 2010 (19°58’25.0”S/40°31’44.6”W). Artigo: Comério, E.F., N.W. Perioto & R.I.R. Lara, 2016. A New Species of Ismarus Haliday (Hymenoptera: Ismaridae) from Brazil and a New Occurrence Record for Ismarus gracilis Masner. EntomoBrasilis, 9 (3): 197-201. Revisão do Português/Inglês/Espanhol: Corpo de Consultores Composição: Fonte: Georgia, variando de 7 a 26 pts., em estilo normal, itálico, negrito, sublinhado, podendo haver contorno e coloração preta ou verde (texto), azul (links) Site: www.periodico.ebras.bio.br e-mail: periodico@ebras.bio.br Distribuído e licenciado segundo a Creative Commons Licence http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 Produzida no Brasil

Indexação

Latindex, SEER/IBICT, Dialnet, Agrobase - Literatura Agrícola, Sumários de Revistas Brasileiras, DOAJ, CABI Abstracts, LivRe!, RCAAP, Diadorim, Electronic Journals Library, WorldCat, Eletronic Journals Index, Fonte Academica - EBSCO, Zoobank, Zoological Records, Agro Unitau, Universal Impact Factor, Directory of Research Journals Indexing (DRJI), BASE

Apoio


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períodico online EntomoBrasilis fundado em 2008 pelo projeto Entomologistas do Brasil, tem como objetivo de publicar artigos originais, de forma rápida, das mais diversas áreas da Entomologia Brasileira e Mundial, tais como: Bionomia; Comportamento; Ecologia; Entomologia Forense; Entomologia Geral; Fisiologia; Modelos Ecológicos Aplicados à Entomologia; Morfologia; Revisões; Saúde Pública; Taxonomia e Sistemática e demais áreas afins à Entomologia Brasileira e Mundial. he online periodical EntomoBrasilis founded in 2008 by Entomologistas do Brasil project, aims to publish original articles, quickly, from various areas of the Brazilian and World Entomology such as: Bionomics; Behavior; Ecology; Forensic entomology; General Entomology; Physiology; Applied to models Ecological Entomology; Morphology; reviews; Public health; Taxonomy and systematics and other areas related to Brazilian and World Entomology.

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Expediente Editor Chefe

William Costa Rodrigues Entomologistas do Brasil / Methodos Consultoria Agronômica e Ambiental

Editores Adjuntos

Jeronimo Augusto Fonseca Alencar - Instituto Oswaldo Cruz - FIOCRUZ - RJ. Anderson Gonçalves da Silva - Universidade Federal Rural da Amazônia - UFRA, Brasil

Editor Assistente

Ricardo Andreazze - Universidade Federal do Rio Grande de Norte, Brasil Editores Científicos

Consultores Adhoc deste Número

Adão Valmir dos Santos, Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, Brasil Alexandre Ururahy Rodrigues, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, Brasil Ana Tereza Araujo Rodarte, Universidade Federal do Rio de Janeiro - Museu Nacional, Brasil Anderson Gonçalves da Silva, Universidade Federal Rural da Amazônia - UFRA, Brasil Arlindo Serpa Filho, Instituto Oswaldo Cruz, Brasil Cleber Galvão, Instituto Oswaldo Cruz, Brasil Eduardo José Ely Silva, Universidade Federal de Pelotas, Brasil Eloy Guillermo Castellón Bermúdez, INPA - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Brasil Hélcio Reinaldo Gil-Santana, Fundação Oswaldo Cruz, Brasil. Gisele Luziane de Almeida, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Museu Nacional, Brasil Herbet Tadeu de Almeida Andrade, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil Maria Christina de Almeida, Universidade Federal do Paraná, Brasil Maria José do Nascimento Lopes, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Brasil Marliton Rocha Barreto, Universidade Federal do Mato Grosso Campus SINOP, Brasil Nataly Araújo de Souza, Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Oswaldo Cruz, Departamento de Entomologia, Brasil Nicolas Dégallier, Institut de Recherche pour le Développement, França Ricardo Andreazze, Universidade Federal do Rio Grande de Norte, Brasil Roney Rodrigues-Guimarães, Universidade Iguaçu / Universidade Estácio de Sá, Brasil Rubens Pinto de Mello, Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Oswaldo Cruz, Brasil Ruberval Leone Azevedo, Casa Civil - Governo do Estado de Sergipe, Brasil Tatiana Chrysostomo Santos, Museu Nacional - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil Victor Py-Daniel, Universidade de Brasília, Brasil Viviane Zahner, Fundação Oswaldo Cruz, Brasil. Wedson Desidério Fernandes, Universidade Federal da Grande Dourados, Brasil. Wesley Dáttilo - Universidad Veracruzana, México.

Adelita Maria Linzmeier, Universidade Federal da Grande Dourados, Brasil Anderson Gonçalves da Silva, Universidade Federal Rural da Amazônia, Brasil André Barbosa Vargas, Centro Universitário de Volta Redonda, Brasil André Rinaldo Senna Garraffoni, Universidade Estadual de Campinas, Brasil Danilo Pacheco Cordeiro, Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia, Brasil Denise Lange, Universidade Federal de Uberlândia, Brasil Edilberto Giannotti, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Brasil Elidiomar Ribeiro da Silva,Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Brasil. Fábio Souto Almeida, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Brasil José Arturo Casasola González, Universidad de la Sierra Juárez, México Julianne Milléo, Universidade Estadual de Ponta Grossa, Brasil Leandro Juen, Universidade Federal do Pará, Brasil Márcio Luís Leitão Barbosa, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Brasil Marcus Alvarenga Soares, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Brasil Maria Emilene Correia-Oliveira, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Brasil Marliton Rocha Barreto, Universidade Federal de Mato Grosso, Brasil Mateus Aparecido Clemente, UNESP/Rio Claro, Brasil Paschoal Coelho Grossi, Paschoal Coelho Grossi, Brasil Patrik Luiz Pastori, Universidade Federal do Ceará, Brasil Ricardo Andreazze, UFRN Universidade Federal do Rio Grande de Norte, Brasil Rodrigo Souza Santos, Embrapa Acre, Brasil Ruberval Leone Azevedo, Casa Civil - Governo do Estado de Sergipe, Brasil Wesley Dáttilo, Instituto de Ecología A.C., México

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Sumário Fórum / Review Armadilhas Atrativas como Ferramenta de Amostragem de Vespas Sociais (Hymenoptera: Vespidae): Uma Meta-Análise. Attractive Traps as a Sampling Tool of Social Wasps (Hymenoptera: Vespidae): a Meta-Synthesis. Tatiane Tagliatti Maciel, Bruno Corrêa Barbosa & Fábio Prezoto.................................................................................................................................................................150-157

Bionomia e Comportamento/ Bionomy and Behavior Comportamento de Cópula em Cyclocephala verticalis Burmeister (Coleoptera: Scarabaeidae). Mating Behavior in Cyclocephala verticalis Burmeister (Coleoptera: Scarabaeidae). Carlos Aparecido Ferreira Barbosa & Sérgio Roberto Rodrigues............ ......................................................................................................................................................................................................... 158-162

Ecologia/ Ecology Abundância, Distribuição Espacial de Ninhos de Abelhas Sem Ferrão (Apidae: Meliponini) e Espécies Vegetais Utilizadas para Nidificação em um Fragmento de Floresta Secundária em Rio Branco, Acre. Abundance and Spatial Distribution of Nests of Stingless Bees (Apidae: Meliponini) and Plant Species Used in the Nesting in Secondary Forest Fragment in Rio Branco-Acre. Francisco Cildomar da Silva Correia, Rui Carlos Peruquetti, Marcos Gonçalves Ferreira & Yuri Karaccas de Carvalho.......................................................................................................................................................................................... 163-168 Checklist de Vespas Sociais (Vespidae: Polistinae) em Duas Áreas Verdes Urbanas no Município de Barra Mansa, Rio de Janeiro, Brasil. Checklist of Social Wasps (Vespidae: Polistinae) in Two Green Urban Areas in the Municipality of Barra Mansa, Rio de Janeiro, Brazil. Carlos Alberto Santos Souza, Ana Clara Gonçalves Vale & Bruno Corrêa Barbosa..........169-174 Onde os mais Adaptados Permanecem: Comunidade de Abelhas sem Ferrão (Hymenoptera: Apidae, Meliponini) em Áreas Urbanas do Município de Ubá, Minas Gerais, Brasil. Where the most Adapted Remain: Stingless Bees Community (Hymenoptera: Apidae, Meliponini) in Urban Areas of the City of Uba, Minas Gerais, Brazil. Gustavo Júnior Araújo, Yasmine Antonini, Luíza Santos Silva & Georgina Maria Faria-Mucci.......................................................................................................................175-179

Entomologia Geral/ General Entomology Percepção Entomológica de Graduandos da Universidade Federal do Espírito Santo, ES, Brasil. Entomologic Perception by Undergraduate Students of Federal University of Espírito Santo, ES, Brazil. Gabriella Carvalho Hermogenes, Fabrícia Gonçalves Lacerda, Giulianna Rondinelli Carmassi & Leydiane Nunes Rodrigues...................................................................180-186 Análise da Ocorrência de Seis Grupos de Coleoptera em Dois Ecossistemas Perturbados Ecologicamente. Analysis of the Occurrence of Six Groups of Coleoptera in Two Ecologically Disturbed Ecosystems. Tatiana Galdino-da-Silva, Henrique Trevisan & Acacio Geraldo de Carvalho............................................................................................................................................................187-192 Efeito de Diferentes Tipos de Injúrias Causadas nos Estádios Iniciais de Desenvolvimento da Soja. Effect of Different Types of Injury Caused During the Early Soybean Development Stages. Eires Tosta Fernandes & Crébio José Ávila.............. 193-196

Taxonomia e Sistemática/ Taxonomy and Systematics A New Species of Ismarus Haliday (Hymenoptera: Ismaridae) from Brazil and a New Occurrence Record for Ismarus gracilis Masner. Uma Nova Espécie de Ismarus Haliday para o Brasil e novo Registro de Ocorrência de Ismarus gracilis Masner. Emerson Fraga Comério, Nelson Wanderley Perioto & Rogéria Inês Rosa Lara....................................................................... 197-201 The Mantodea (Insecta: Dictyoptera) of Rio Grande do Norte, Brazil: First List of Species and Geographical Records. Os Mantodea (Insecta: Dictyoptera) do Rio Grande do Norte, Brasil: Primeira Lista de Espécies e Ocorrências Geográficas. Raphael Aquino Heleodoro, Antonio Arnovis Agudelo & Ricardo Andreazze............................................................................ 202-206

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Comunicação Científica/ Scientific Note Primeiro Registro de Afídeos (Hemiptera: Aphidoidea) em Carambola (Averrhoa carambola L.) no Brasil. First Record of Aphids (Hemiptera: Aphididae) on Starfruit (Averrhoa carambola L.) in Brazil. Suzan Beatriz Zambon da Cunha & Carlos Roberto Sousa e Silva....................................................................................................................................................................207-208 Ischnocodia annulus (Fabricius) (Coleoptera: Chrysomelidae: Cassidinae): Primeiro Registro para a Mata Atlântica Brasileira, Novas Plantas Hospedeiras e Considerações sobre o Período de Ocorrência. Ischnocodia annulus (Fabricius) (Coleoptera: Chrysomelidae: Cassidinae): First Record for Brazilian Atlantic Forest, New Host Plants and Considerations about Period of Occurrence. Marta Custodio Lopes & Nicanor Tiago Bueno Antunes.................................................................... 209-211 Mecistogaster linearis (Fabricius) (Odonata: Coenagrionidae): First Record from Mato Grosso do Sul State, Brazil. Mecistogaster linearis (Fabricius) (Odonata: Coenagrionidae): Primeiro Registro para o Estado de Mato Grosso do Sul, Brasil. Marciel Elio Rodrigues, Ricardo Koroiva, Eric Ragalzi-da-Silva² & Emanuelle Batista de Moura...........................................212-215 Priva lappulacea (L.) Pers. (Verbenaceae): Nova Hospedeira de Tetranychus gigas Pritchard & Baker (Acari: Tetranychidae) no Brasil. Priva lappulacea (L.) Pers. (Verbenaceae): New Host of Tetranychus gigas Pritchard & Baker (Acari: Tetranychidae) in Brazil. Rodrigo Souza Santos, Gilberto José de Moraes, Fátima Regina Gonçalves Salimena & Cleidiane de Andrade Ferreira............................................................................................................................................................................ 216-219 A Storage Method for ‘Psocoptera’ (Insecta: Psocodea) in “CD Box”. Um Método de Armazenamento para Psocoptera (Insecta: Psocodea) em Caixa de CD. Alberto Moreira Silva-Neto, Alfonso Neri García Aldrete, José Albertino Rafael. ........... ........................................................................................................................................................................................................ 220-223 Volume 9, número 3 - Set. - Dez. 2016 *************

ISSN 1983-0572 doi:10.12741/ebrasilis.v9i3

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Publicações 2016 Volume 9, número 1

Magnetoreception in Social Wasps: An Update Magnetoreception in Social Wasps: An Update. Magnetorrecepção em Vespas Sociais: Uma Atualização. Maria da Graça Cardoso Pereira-Bomfim, William Fernando Antonialli-Junior & Daniel AcostaAvalos................................................................................................................................................................................................. 01-05 Repertoire of Defensive Behavior in Africanized Honey Bees (Hymenoptera: Apidae): Variations in Defensive Standard and Influence of Visual Stimuli. Repertório do Comportamento Defensivo em Apis mellifera L. africanizada (Hymenoptera: Apidae): Variações nos Padrões Defensivos e Influência de Estímulos Visuais. Fábio de Assis Pinto, Paula Netto, Kleber de Sousa Pereira & Terezinha Maria Castro Della Lucia............................................................................................................... 06-09 Invertebrate Colonization During Leaf Decomposition of Eichhornia azurea (Swartz) Kunth (Commelinales: Pontoderiaceae) and Salvinia auriculata Aubl. (Salvinales: Salvinaceae) in a Neotropical Lentic System. Colonização por Invertebrados Durante a Decomposição foliar de Eichhornia azurea (Swartz) Kunth (Commelinales: Pontoderiaceae) e Salvinia auriculata Aubl. (Salvinales: Salvinaceae) em um Sistema Lêntico Neotropical. Lidimara Souza da Silveira, Renato Tavares Martins & Roberto da Gama Alves................................................................................................................................................................... 10-17 Dinâmica Populacional de Mosca-Branca, Incidência do Mosaico Dourado do Feijoeiro e Alternativas de Controle da Praga no “Cultivo das Secas” no Cerrado. Population Dynamics Whitefly, Golden Mosaic Effect of Feijoeiro and Pest Alternatives Control in “Drought Cultivation” in the Cerrado. Luciana Claudia Toscano, Washington Marques Aguirre, Germison Vital Tomquelski, Wilson Itamar Maruyama, Geraldo Candido Cabral Gouveia & Pamella Mingotti Dias........................................ 18-25 Fungos Filamentosos Associados às Espécies Atta sexdens (Linnaeus) e Atta laevigata (F. Smith) (Hymenoptera: Formicidae). Filamentous Fungi Associated With Atta sexdens (Linnaeus) and Atta laevigata (F. Smith) (Hymenoptera: Formicidae). Aline Silvestre Pereira Dornelas, Renato de Almeida Sarmento, Gil Rodrigues dos Santos, Mariela Otoni do Nascimento & Danival José de Souza............................................................................................................................................... 26-30 Tisanopterofauna Associada à Plantas Ornamentais e Cultivadas no Sudoeste Baiano. Thysanopterofauna Associated with Ornamental and Crop Plants in Southwest Bahia. André Luiz Santos Mascarenhas, Silvia Marisa Jesien Pinent & Juvenal Cordeiro Silva Junior......................................................................................................................................................................... 31-35 Herbicidas e Reguladores de Crescimento de Plantas Utilizados na Cana-de-Açúcar e sua Ação sobre Adultos de Trichogramma galloi Zucchi (Hymenoptera: Trichogrammatidae). Herbicides and Plant Growth Regulators Used in Sugarcane and their Action on Adult Trichogramma galloi Zucchi (Hymenoptera: Trichogrammatidae) Marina de Rezende Antigo, Eduardo Mitio Shimbori, Daniele Fabiana Glaeser, Harley Nonato de Oliveira& Gerado Andrade Carvalho........................... 36-40 Biodiversidade e Sazonalidade de Cigarrinhas (Hemiptera: Membracidae) em Cacaueiros. Biodiversity and Sazonality of Treehoppers (Hemiptera: Membracidae) in Cocoa. Vera Lúcia Rodrigues Machado Benassi, Fabrício Iglesias Valente, Carlos Alberto Spaggiari Souza, Antonio Carlos Benassi & Albino Morimasa Sakakibara........................................................... 41-46 Marcação de Diatraea saccharalis (Fabr.) com Diferentes Corantes em Dieta Artificial. Marking of Diatraea saccharalis (Fabr.) with Dyes in Artificial Diet. Jael Simões Santos Rando, Laila Herta Mihsfeldt, Franciele Paulette Lial de Souza & Fernanda Venancio Soares................................................................................................................................................................47-50 Eficácia de Ovitrampas com Diferentes Atrativos na Vigilância e Controle de Aedes. Effectiveness of Ovitraps with Different Attractives in the Monitoring and Control of Aedes. Priscila Aparecida Claro Depoli, João Antonio Cyrino Zequi, Kauani Larissa Campana Nascimento & José Lopes..................................................................................................................................... 51-55 First Record of Pseudomyrmex acanthobius Emery in Brazilian Pantanal. Primeiro Registro de Pseudomyrmex acanthobius Emery no Pantanal Brasileiro. Rodrigo Aranda, Renan Olivier & Alexandre Ferraro...........................................................56-58 Survey and New Distributional Records of Nocturnal Social Wasps Apoica (Hymenoptera, Vespidae, Epiponini) Along Madeira River, Rondônia, Brazil. Levantamento e Novos Registros de Vespas Sociais Noturnas Apoica (Hymenoptera, Vespidae, Epiponini) ao Longo do Rio Madeira, Rondônia, Brazil. Bruno Gomes, Caio Lourenço Assunção da Silva, Marjorie da Silva & Fernando Barbosa Noll...................................................................................................................................................................59-61 Primeiro Registro do Gênero e Espécie Neblinagena doylei Kodada & Jäch (Coleoptera: Elmidae: Larainae) no Brasil. First Record of Genus and Species Neblinagena doylei Kodada & Jäch (Coleoptera: Elmidae: Larainae) in Brazil. Jaime de Liege Gama Neto & Mahedy Araujo Bastos Passos........................................................................................................62-64 Bulb Mites Rhizoglyphus echinopus (Fumouze and Robin) Associated with Subterranean Termite (Isoptera) in Brazil. Ácaros do Bulbo Rhizoglyphus echinopus (Fumouze and Robin) Associados com Cupim Subterrâneo (Isoptera) no Brasil. Ademar Ferreira Silva, Zeneida Teixeira Pinto, Rebecca Leal Caetano, César Carriço, Tayra Pereira Sato, Marinete Amorim & Gilberto Salles Gazeta.........................................................................................................................................................................65-68

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Infestação de Tetranychus ogmophallos Ferreira & Flechtmann (Acari: Tetranychidae) em Amendoim Forrageiro (Arachis pintoi Krapov. & Greg.) os Estados do Acre e Minas Gerais. Infestation of Tetranychus ogmophallos Ferreira & Flechtmann (Acari: Tetranychidae) in Plants of Forage Peanut in Acre and Minas Gerais States, Brazil. Rodrigo Souza Santos........................................................................................................................................................................69-72

doi:10.12741/ebrasilis.v9i1 Volume 9, número 2 Checklist and Notes on Behavior of Horse Flies (Diptera: Tabanidae) from Marambaia Island, Rio de Janeiro, Brazil, with New Records for the State. Inventário e Notas Sobre o Comportamento de Mutucas (Diptera: Tabanidae) na Ilha da Marambaia, Rio de Janeiro, com Novos Registros para o Estado. Ronald Rodrigues Guimaraes, Ronald Rodrigues Guimarães Júnior, Ronald Storti Harlan-Rodrigues, Roney Rodrigues Guimarães & Raimundo Wilson Carvalho.................................................. 73-80 Hábitos de Nidificação de Polistes canadensis (Linnaeus) (Hymenoptera: Vespidae) em Área Urbana. Nesting habits of Polistes canadensis (Linnaeus) (Hymenoptera: Vespidae) in Urban Areas. Francisco Virgínio, Tatiane Tagliatti Maciel & Bruno Corrêa Barbosa.................................................................................................................................................................................. 81-83 Eficiência da Armadilha “R. Bianco” para Captura do Percevejo Leptoglossus zonatus Dallas (Hemiptera: Coreidae), na Cultura do Milho. Trap Efficiency “R. Bianco” for Capture the insect Leptoglossus zonatus Dallas (Hemiptera: Coreidae) in Maize Crop. Marliton Rocha Barreto & Ledonir Geovani da Silva............................................................................................. 84-88 Diversity of Soil Beetles (Hexapoda, Coleoptera) in an Area at the Pantanal of Poconé, Mato Grosso, Brazil. Diversidade de Besouros de Solo (Hexapoda, Coleoptera) em uma Área no Pantanal de Poconé, Mato Grosso, Brasil. Marinêz Isaac Marques, Ana Maria de Figueiredo, Geane Brizzola dos Santos², Wesley Oliveira Sousa, Sérgio Ide & Leandro Dênis Battirola..... ............................................................................................................................................................................................................ 86-96 Ocorrência de Hypsipyla grandella Zeller (Lepidoptera, Pyralidae) no Sul do Estado de Roraima. Occurrence of Hypsipyla grandella Zeller (Lepidoptera, Pyralidae) in the South of Roraima State. Luiz Fernandes Silva Dionisio, Antonio Cesar Silva Lima, Tatiane Marie Martins Gomes de Castro, Ruy Guilherme Correia, Walmer Bruno Rocha Martins & Valdemir Silva Abreu................................................................................................................................................................................................ 97-100 Surface-Floating Pupal Exuviae of Chironomidae (Diptera) in Urban Streams: is There a Best Time of Day to Sample Them? Exúvias de Pupa de Chironomidae (Diptera) em Riachos Urbanos de Cerrado: Existe um Melhor Horário do Dia para Amostrar? Herick Soares de Santana, Vanessa Araújo Lima & Juliana Simião-Ferreira.......................................................101-107 Avaliação Proteica e Parâmetros Populacionais de Cynaeus angustus (LeConte) (Coleoptera: Tenebrionidae). Protein Evaluation and Static life Table Cynaeus angustus (LeConte) (Coleoptera: Tenebrionidae). Pedro Gomes Peixoto, Renato Ventresqui Oliveira, Vanessa Silva Miranda, Tony de Paiva Paulino, Rodrigo Magrin de Andrade & Afonso Pelli...................................108-113 Abundância e Diversidade de Staphylinidae (Coleoptera) em Fragmento e Reflorestamento no Norte do Paraná. Abundance and Diversity of Staphylinidae (Coleoptera) in Fragment and Reforestation in Northern Paraná. Kelly Cristina Comar, Thais dos Santos Vicente, Thaciana Lopes Coppo, José Lopes & João Antonio Cyrino Zequi..................................................... 114-119 Predators of the Alfalfa Aphids Acyrthosiphon pisum (Harris), Aphis craccivora Koch, and Therioaphis trifolii (Monell) (Hemiptera: Aphidoidea) as Determined by the Serological Technique. Determinação de Predadores dos Pulgões da Alfafa Acyrthosiphon pisum (Harris), Aphis craccivora Koch e Therioaphis trifolii (Monell) (Hemiptera: Aphidoidea) por meio da Técnica Serológica. Suzan Beatriz Zambon da Cunha, Carlos Roberto Sousa e Silva, Flávio Henrique Góis Diniz & Evôneo BertiFilho................................................................................................................................................................................................. 120-123 Survey of Insects that Attack Stored Bean Grains Vigna unguiculata (L.) and Phaseolus vulgaris L. in Porto Velho, Rondônia, Brazil. Levantamento dos Insetos que Atacam os Grãos de Feijão Armazenado Vigna unguiculata (L.) e Phaseolus vulgaris L.em Porto Velho, Rondônia, Brasil. Thiarles Tezolim Silva¹ & Fábio Medeiros da Costa.............................. 124-128 Gonatocerini Ashmead (Hymenoptera, Mymaridae) na Região Central do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil: Novos Registros e Chave de Identificação. Gonatocerini Ashmead (Hymenoptera, Mymaridae) in the Center of Rio Grande do Sul State, Brazil: New Records and Identification Key. Marina Rauber, Andreas Köhler, Cleder Pezzini & Vinícius Ferreira..... 129-136 Teste de Voo como Critério de Avaliação da Qualidade de Palmistichus elaeisis Delvare & LaSalle (Hymenoptera: Eulophidae). Flight Test as Evaluation Criteria of the Palmistichus elaeisis Delvare & LaSalle (Hymenoptera: Eulophidae) Quality. Elidiane Feltrin-Campos, Priscila Laranjeira Rôdas, Daniele Fabiana Glaeser, Fabrício Fagundes Pereira & Harley Nonato de Oliveira.............................................................................................................................................................................................137-139 Immatures of Wyeomyia (Tryamyia) aporonoma (Diptera: Culicidae) Collected in Artificial Breeding in the South Brazil. Imaturos de Wyeomyia (Tryamyia) aporonoma (Diptera: Culicidae) Coletados em Criadouro Artificial no Sul do Brasil. Allan Martins da Silva, Roderlei Araújo & Enéas Cordeiro Souza Filho..................................................................................... 140-142 vii


New Records of Distribution for Protomydas coerulescens (Olivier) (Diptera: Mydidae). Novos Registros de Distribuição de Protomydas coerulescens (Olivier) (Diptera: Mydidae). Tiago Kütter Krolow & Rodrigo Vieira.............................143-145 Análise Faunística de Insetos Associados à Cultura do Quiabeiro [Abelmoschus esculentus (L.) Moench] em Plantio Comercial, no Município de Canindé de São Francisco, SE, Brasil. Insect Faunal Analysis Associated with the Commercial Cultivation of Okra [Abelmoschus esculentus (L.) Moench] in Canindé do São Francisco, SE, Brazil. Daniele Cristina de Oliveira Lima da Silva, Marcelo Alves Ramos, Henrique Costa Hermenegildo da Silva, Ângelo Giuseppe Chaves Alves..................... 146-149

doi:10.12741/ebrasilis.v9i2 Volume 9, número 3 Armadilhas Atrativas como Ferramenta de Amostragem de Vespas Sociais (Hymenoptera: Vespidae): Uma Meta-Análise. Attractive Traps as a Sampling Tool of Social Wasps (Hymenoptera: Vespidae): a Meta-Synthesis. Tatiane Tagliatti Maciel, Bruno Corrêa Barbosa & Fábio Prezoto.................................................................................................................................................................150-157 Comportamento de Cópula em Cyclocephala verticalis Burmeister (Coleoptera: Scarabaeidae). Mating Behavior in Cyclocephala verticalis Burmeister (Coleoptera: Scarabaeidae). Carlos Aparecido Ferreira Barbosa & Sérgio Roberto Rodrigues............ ......................................................................................................................................................................................................... 158-162 Abundância, Distribuição Espacial de Ninhos de Abelhas Sem Ferrão (Apidae: Meliponini) e Espécies Vegetais Utilizadas para Nidificação em um Fragmento de Floresta Secundária em Rio Branco, Acre. Abundance and Spatial Distribution of Nests of Stingless Bees (Apidae: Meliponini) and Plant Species Used in the Nesting in Secondary Forest Fragment in Rio Branco-Acre. Francisco Cildomar da Silva Correia, Rui Carlos Peruquetti, Marcos Gonçalves Ferreira & Yuri Karaccas de Carvalho.......................................................................................................................................................................................... 163-168 Checklist de Vespas Sociais (Vespidae: Polistinae) em Duas Áreas Verdes Urbanas no Município de Barra Mansa, Rio de Janeiro, Brasil. Checklist of Social Wasps (Vespidae: Polistinae) in Two Green Urban Areas in the Municipality of Barra Mansa, Rio de Janeiro, Brazil. Carlos Alberto Santos Souza, Ana Clara Gonçalves Vale & Bruno Corrêa Barbosa..........169-174 Onde os mais Adaptados Permanecem: Comunidade de Abelhas sem Ferrão (Hymenoptera: Apidae, Meliponini) em Áreas Urbanas do Município de Ubá, Minas Gerais, Brasil. Where the most Adapted Remain: Stingless Bees Community (Hymenoptera: Apidae, Meliponini) in Urban Areas of the City of Uba, Minas Gerais, Brazil. Gustavo Júnior Araújo, Yasmine Antonini, Luíza Santos Silva & Georgina Maria Faria-Mucci.......................................................................................................................175-179 Percepção Entomológica de Graduandos da Universidade Federal do Espírito Santo, ES, Brasil. Entomologic Perception by Undergraduate Students of Federal University of Espírito Santo, ES, Brazil. Gabriella Carvalho Hermogenes, Fabrícia Gonçalves Lacerda, Giulianna Rondinelli Carmassi & Leydiane Nunes Rodrigues...................................................................180-186 Análise da Ocorrência de Seis Grupos de Coleoptera em Dois Ecossistemas Perturbados Ecologicamente. Analysis of the Occurrence of Six Groups of Coleoptera in Two Ecologically Disturbed Ecosystems. Tatiana Galdino-da-Silva, Henrique Trevisan & Acacio Geraldo de Carvalho............................................................................................................................................................187-192 Efeito de Diferentes Tipos de Injúrias Causadas nos Estádios Iniciais de Desenvolvimento da Soja. Effect of Different Types of Injury Caused During the Early Soybean Development Stages. Eires Tosta Fernandes & Crébio José Ávila.............. 193-196 A New Species of Ismarus Haliday (Hymenoptera: Ismaridae) from Brazil and a New Occurrence Record for Ismarus gracilis Masner. Uma Nova Espécie de Ismarus Haliday para o Brasil e novo Registro de Ocorrência de Ismarus gracilis Masner. Emerson Fraga Comério, Nelson Wanderley Perioto & Rogéria Inês Rosa Lara....................................................................... 197-201 The Mantodea (Insecta: Dictyoptera) of Rio Grande do Norte, Brazil: First List of Species and Geographical Records. Os Mantodea (Insecta: Dictyoptera) do Rio Grande do Norte, Brasil: Primeira Lista de Espécies e Ocorrências Geográficas. Raphael Aquino Heleodoro, Antonio Arnovis Agudelo, Ricardo Andreazze.............................................................................. 202-206 Primeiro Registro de Afídeos (Hemiptera: Aphidoidea) em Carambola (Averrhoa carambola L.) no Brasil. First Record of Aphids (Hemiptera: Aphididae) on Starfruit (Averrhoa carambola L.) in Brazil. Suzan Beatriz Zambon da Cunha & Carlos Roberto Sousa e Silva....................................................................................................................................................................207-208 Ischnocodia annulus (Fabricius) (Coleoptera: Chrysomelidae: Cassidinae): Primeiro Registro para a Mata Atlântica Brasileira, Novas Plantas Hospedeiras e Considerações sobre o Período de Ocorrência. Ischnocodia annulus (Fabricius) (Coleoptera: Chrysomelidae: Cassidinae): First Record for Brazilian Atlantic Forest, New Host Plants and Considerations about Period of Occurrence. Marta Custodio Lopes & Nicanor Tiago Bueno Antunes.................................................................... 209-211 Mecistogaster linearis (Fabricius) (Odonata: Coenagrionidae): First Record from Mato Grosso do Sul State, Brazil. Mecistogaster linearis (Fabricius) (Odonata: Coenagrionidae): Primeiro Registro para o Estado de Mato Grosso do Sul, Brasil. Marciel Elio Rodrigues, Ricardo Koroiva, Eric Ragalzi-da-Silva² & Emanuelle Batista de Moura...........................................212-215

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Priva lappulacea (L.) Pers. (Verbenaceae): Nova Hospedeira de Tetranychus gigas Pritchard & Baker (Acari: Tetranychidae) no Brasil. Priva lappulacea (L.) Pers. (Verbenaceae): New Host of Tetranychus gigas Pritchard & Baker (Acari: Tetranychidae) in Brazil. Rodrigo Souza Santos, Gilberto José de Moraes, Fátima Regina Gonçalves Salimena & Cleidiane de Andrade Ferreira............................................................................................................................................................................ 216-219 A Storage Method for ‘Psocoptera’ (Insecta: Psocodea) in “CD Box”. Um Método de Armazenamento para Psocoptera (Insecta: Psocodea) em Caixa de CD. Alberto Moreira Silva-Neto, Alfonso Neri García Aldrete, José Albertino Rafael. ........... ........................................................................................................................................................................................................ 220-223

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doi:10.12741/ebrasilis.v9i3.644 e-ISSN 1983-0572 Publicação do Projeto Entomologistas do Brasil www.ebras.bio.br Distribuído através da Creative Commons Licence v4.0 (BY-NC-ND) Copyright © EntomoBrasilis Copyright © do(s) Autor(es)

Armadilhas Atrativas como Ferramenta de Amostragem de Vespas Sociais (Hymenoptera: Vespidae): Uma Meta-Análise Tatiane Tagliatti Maciel, Bruno Corrêa Barbosa & Fábio Prezoto Laboratório de Ecologia Comportamental e Bioacústica - Universidade Federal de Juiz de Fora, e-mail: tatitagliatti@hotmail.com (Autor para correspondência), barbosa.bc@outlook.com, fabio.prezoto@ufjf.edu.br.

_____________________________________ EntomoBrasilis 9 (3): 150-157 (2016)

Resumo. Dado o reconhecido papel das vespas sociais no equilíbrio dos ecossistemas é clara a importância de estudos sobre a diversidade desses insetos e, para isso, é essencial o uso de um método apropriado. Assim, o objetivo do presente trabalho foi realizar uma análise detalhada dos estudos de diversidade em vespas sociais conduzidos em Minas Gerais avaliando o uso das armadilhas atrativas. Palavras-chaves: Diversidade; iscas; método; Minas Gerais; revisão de literatura.

Fórum/Review

Attractive Traps as a Sampling Tool of Social Wasps (Hymenoptera: Vespidae): a Meta-Synthesis Abstract. Studying social wasp diversity, with special concern regarding the chosen study method, is of increasing importance due to the acknowledgement of this group’s role in keeping the balance of ecosystems. The objective of this study, therefore, was to assess the using of bait traps in social wasp diversity studies in the Minas Gerais state, southeastern Brazil. Keywords: Baits; diversity; literature review; Minas Gerais; method.

_____________________________________ s vespas sociais são popularmente conhecidas como marimbondos ou cabas (Prezoto et al. 2008) e fazem parte da família Vespidae. É estimado que no Brasil ocorram 22 gêneros e 346 espécies de vespas sociais (Carpenter & Andena 2013), sendo que dessas, 235 espécies estão registradas em trabalhos de diversidade (Barbosa et al. 2016). O crescente interesse em estudos de diversidade de vespas sociais no Brasil se deve à reconhecida importância ecológica que esses insetos apresentam atuando no equilíbrio trófico dos ecossistemas (Prezoto et al. 2008; Prezoto et al. 2016) como predadores de insetos praga (Prezoto & Machado 1999), polinizadores (Clemente et al. 2012) e como bioindicadores de qualidade ambiental (Souza et al. 2010). Segundo Somavilla (2012), em estudos de diversidade, variáveis como tipo de vegetação e clima da região onde são realizados podem interferir nos resultados finais, sobretudo o método empregado pode subestimar os índices de diversidade e riqueza de vespas sociais. São vários os métodos de coleta descritos na literatura para estudos de diversidade de vespas sociais. Os mais utilizados são a busca ativa (e.g. Santos et al. 2007; Silva et al. 2011; Souza et al. 2014a, b), uso de armadilhas atrativas (e.g. Lorenzato 1985; Santos 1996; Souza & Prezoto 2006; Souza et al. 2015d) e armadilhas de interceptação de voo do tipo malaise (e.g. Morato et al. 2008; Auad et al. 2010; Coró 2010; Andena & Carpenter 2014). Em especial, a armadilha atrativa para captura de vespas sociais teve seu início no Brasil com o trabalho pioneiro de Lorenzato (1985), seguido por Santos (1996) e Souza & Prezoto (2006). As armadilhas são facilmente elaboradas a partir de garrafas de Polietileno Tereftalato (PET) com aberturas laterais e

preenchidas com alguma substância atrativa, geralmente suco de frutas, e penduradas em árvores por barbante. Dada a facilidade de confecção e instalação das armadilhas aliada ao baixo custo de produção, esse método é hoje um dos mais utilizados. A partir do reconhecimento do papel ecológico das vespas sociais, fica clara, portanto, a relevância da elaboração de inventários faunísticos desses insetos, já que estes estudos atuam como ferramentas para embasar e caracterizar trabalhos sobre biologia e ecologia, taxonomia integrativa e biogeografia, assim como entender melhor a estrutura social das vespas. Assim, o objetivo do presente trabalho foi realizar uma análise detalhada dos estudos de diversidade em vespas sociais conduzidos em Minas Gerais avaliando o uso das armadilhas atrativas.

Material e Métodos Método e Critério de Busca dos Dados. Para este estudo foram seguidos os passos propostos pela metodologia de PRISMA para estudos sistemáticos e de meta-análise (Moher et al. 2009) adaptada por Moher et al. (2015). A abordagem metodológica incluiu o desenvolvimento de critérios de seleção, definição de estratégias de busca, avaliação da qualidade do estudo e extração de dados relevantes. Os critérios para seleção e inclusão das publicações foram: publicações que tratam do assunto; publicações indexadas nas bases de dados Google Acadêmico, Scientific Electronic Library Online (SciELO), Scopus e Web of Science; artigos publicados em periódicos dentro do período de tempo definido de 2000 a maio de 2016. As palavras-chave utilizadas para a busca nas bases de dados foram: vespas sociais, social wasps, diversidade, diversity, Minas Gerais, armadilhas atrativas, attractive traps. Publicações

www.periodico.ebras.bio.br


Armadilhas Atrativas como Ferramenta de Amostragem de…

como monografias, dissertações, teses e livros foram adicionados através do refereciamento cruzado.

Maciel et al.

esteve presente em 71% (n=15) dos estudos sempre em consórcio com alguma isca à base de frutas.

De cada publicação foram registradas as seguintes informações: local, duração, métodos de coleta e número de espécies de vespas sociais identificadas. Para a análise da variação no método com armadilhas atrativas e da percentagem geral de espécies amostradas foram analisados todos os trabalhos que utilizaram armadilha atrativa; já para avaliação das espécies exclusivas capturadas por cada método e constância dessas espécies foram avaliados apenas os trabalhos que especificaram em seus resultados quais espécies foram registradas por quais métodos e estarão representados na Tabela 2. Análise dos dados. A constância das espécies registradas pelos estudos em que os autores utilizaram armadilhas atrativas e separaram seus resultados por método foi calculada pela fórmula: C = P x 100/N, onde: P = Número de trabalhos em que houve registro de determinada espécie e N = Número total de trabalhos. Segundo Bodemheimer (1955) o resultado pode ser enquadrado nas seguintes categorias: Espécie constante: registrada em mais de 50% dos trabalhos; Espécie acessória: presente entre 25% a 50% dos trabalhos; Espécie acidental: presente em menos de 25% do total de trabalhos. A comparação entre as faunas de vespas sociais nas áreas de Minas Gerais foi feita pela análise de agrupamento (UPGMA) por meio do coeficiente de similaridade de Jaccard, que leva em consideração a ocorrência das espécies em cada área. A representação gráfica com a localização das cidades em que foram realizados os estudos de diversidade em Minas Gerais foi gerado pelo ArcGIS v 10.4.

Resultados e Discussão Foram encontrados 27 estudos de diversidade de vespas sociais em Minas Gerais (Tabela 1), dos quais, seis foram dissertações e 21 foram publicações em periódicos. Desses, 57% (n=12) foi em periódicos internacionais, o que mostra um interesse de âmbito global em trabalhos de diversidade sobre vespas neotropicais brasileiras. Os estudos que utilizaram armadilhas atrativas representaram 78% (n=21) do total, os outros métodos de coleta de vespas sociais utilizados foram busca ativa (n=25), busca em flores (n=04), armadilha malaise (n=02), quadrante (n=02) e busca por ninhos (n=01) (Tabela 2). Seis estudos utilizaram apenas um método de coleta de vespas sociais, sendo quatro com busca ativa, um com armadilha atrativa e um com armadilha malaise, todos os demais (78%) utilizaram consórcio de dois ou mais métodos.

151

O primeiro estudo de diversidade de vespas sociais em Minas Gerais foi conduzido por Lima et al. (2000) no Campus da Universidade Federal de Juiz de Fora, região sudeste do estado, onde os autores utilizaram apenas busca ativa e objetivaram inventariar os gêneros de vespas sociais ocorrentes no campus, assim como avaliar o número de colônias e os substratos utilizados para nidificação. Seis anos depois, o segundo estudo no estado foi realizado. Souza & Prezoto (2006) realizaram um levantamento em uma área de Cerrado, no Município de Barroso, também na região sudeste de Minas Gerais. A partir daí houve publicações de trabalhos de diversidade de vespas sociais em todos os anos (Tabela 1). A Figura 1 apresenta as áreas do estado que possuem estudos, onde nota-se grande concentração na região sul que predomina o bioma Mata Atlântica e onde residem ainda as duas instituições de pesquisa de Minas Gerais com núcleo voltado para estudos com vespas sociais (Juiz de Fora e Inconfidentes). Os estudos que utilizaram armadilhas atrativas apresentaram variações quanto à altura de instalação e distância entre as armadilhas, quantidade de isca e, principalmente, tipo de isca. Todos os trabalhos utilizaram iscas à base de fruta, compostas por maracujá, laranja, goiaba, manga, mamão, banana e abacaxi. A única isca à base de proteína apresentada foi a de sardinha, que

Figura 1. Representação gráfica de Minas Gerais, Brasil, e seus biomas, com as áreas do Estado que possuem estudo de diversidade de vespas sociais. ▲ – Capital do Estado; ● – Cidades com estudos; ○ – Núcleos – Bioma Cerrado; – Bioma Mata de pesquisa com vespas sociais; Atlântica; – Bioma Caatinga.

Em relação ao desempenho das iscas, temos, pelos trabalhos que separaram seus resultados por isca, que a atratividade da isca de sardinha se concentrou em apenas dois gêneros, Agelaia e Polybia, representados por espécies conhecidas por serem necrófagas (Moretti et al. 2011). Já a isca de maracujá, foi a que capturou maior riqueza (n=28) e também a mais utilizada, estando presente em 18 trabalhos, seguida por goiaba com 22 espécies e utilizada em oito trabalhos, laranja com 12 espécies em apenas um trabalho e manga com duas espécies em dois trabalhos. Dessa forma podemos apontar uma maior atratividade das vespas sociais por iscas a base de fruta (carboidrato), que apresentam maior concentração de açúcares e, consequentemente, maior taxa de fermentação. A duração dos estudos também apresentou alterações. O estudo mais longo foi o de Barbosa (2015) com 36 meses de duração e os mais breves foram os de Jacques et al. (2012) com três meses e Alvarenga et al. (2010) com dois meses. O período de 12 meses foi o mais utilizado pelos autores representando 44% (n=12) do total (Tabela 1). A grande vantagem de um estudo com duração de um ano é a avaliação estacional da população de vespas sociais, já que as coletas contemplam todas as estações do ano, sobretudo anos atípicos, muito secos ou muito chuvosos, o que evita ainda uma subestimativa das espécies do local. As armadilhas atrativas amostraram 56% (n=45) das espécies registradas por todos os trabalhos de diversidade que separaram seus resultados por metodologia (Tabela 2). Além disso, Polybia lugubris Ducke e Synoeca surinama (Linnaeus) foram registradas somente por essa metodologia, o que por si só já justifica seu uso, uma vez que a possibilidade do acréscimo de uma única espécie vale qualquer esforço em um estudo de diversidade. Os gêneros menos amostrados foram Mischocyttarus e Polistes o que pode ser justificado pelo fato de serem de fundação independente e apresentarem, naturalmente, uma menor população quando comparadas à gêneros com espécies enxameantes (Carpenter & Marques 2001). Quanto à constância, das 80 espécies registradas, 14 foram consideradas constantes, 19 acessórias e 47 acidentais. Dessas, as armadilhas atrativas registraram todas as constantes, 79% (n=15) das acessórias e 28% (n=13) das acidentais, ou seja, a metodologia de armadilhas atrativas conseguiu registrar todas as categorias de constância (Tabela 2). e-ISSN 1983-0572


e-ISSN 1983-0572 4 meses 24 meses 11 meses 22 meses

Freitas et al. (2015)*

Jacques et al. (2015)*

Souza et al. (2015a)*

Souza et al. (2015b)*

24

25

26

27

AA, BA

AA, BA

AA, BA

AA

AA, BA, BN

BA

BA

BA

AA, BA

AA, BA

AA, BA

AA, BA

AA, BA

AA, BA

AA, BA

AA, AM, BA

AA, BA

AA, BA, BF

AA, BA

AM

AA, BA

AA, BA, BF

AA, BA, BF, Q

AA, BA

AA, BA

AA, BA, BF, Q

BA

Métodos utilizados

Remanescente de Mata Atlântica

Remanescente de Mata Atlântica e campo de Altitude

Agrossistema

Cafezal

Floresta Estacional Semidecidual Montana (Ecossistema Emergente)

Floresta Semidecidual Montana

Floresta Semidecidual Montana, Mata Ciliar, Campo Cerrado

Floresta Semidecidual Montana, Mata Ciliar, Campo Cerrado

Floresta Estacional Semidecidual

Pomar, Fragmento, Eucaliptal

Floresta Tropical

Mata Semidecidual Montana

Área verde (UFV)

Ribeirinha e Cerrado

Eucaliptal

Mata Ciliar e Cerrado

Eucaliptal

Campo Rupestre, Floresta Semidecidual Montana, Mata Ciliar, Campo Cerrado e Brejos

Mata Ciliar e de Campo Rupestre (Ibitipoca)

Pasto

Área verde

Mata Ciliar e de Campo Rupestre (Ibitipoca)

Floresta Semidecidual Montana, Mata Ciliar, Campo Cerrado

Eucaliptal

Cerrado

Cerrado e Floresta Semidecidual de montanha

Área verde (Campus UFJF)

Fitofisionomia

152

Legenda: AA - Armadilha atrativa; AM - Armadilha malaise; BA - Busca ativa; BF - Busca em flor; BN - Busca por ninhos; Q - Quadrantes. Em destaque (*) os trabalhos que utilizaram armadilhas atrativas. Em negrito os trabalhos que separaram seus resultados por tipo de metodologia.

36 meses

Barbosa (2015)*

12 meses

Souza et al. (2012)*

17

23

12 meses

Silva (2012)*

16

9 meses

3 meses

Jacques et al. (2012)*

15

Albuquerque et al. (2015)

12 meses

Henrique-Simões et al. (2012)*

14

22

6 meses

Silva (2011)*

13

23 meses

11 meses

Henrique-Simões et al. (2011)*

12

Souza et al. (2014b)

12 meses

De Souza et al. (2011)*

11

21

12 meses

Souza et al. (2010)*

10

12 meses

12 meses

Prezoto & Clemente (2010)*

9

Souza et al. (2014a)

23 meses

Auad et al. (2010)

8

20

2 meses

Alvarenga et al. (2010)*

7

4 meses

12 meses

Clemente (2009)*

6

12 meses

24 meses

Souza et al. (2008)*

5

Silva et al. (2013)*

12 meses

Ribeiro-Junior (2008)*

4

Brugger (2014)*

12 meses

Elpino-Campos et al. (2007)*

3

19

15 meses

Souza & Prezoto (2006)*

2

18

12 meses

Tempo de duração do trabalho

Lima et al. (2000)

Autor e ano da publicação

1

Referênciado artigo

Tabela 1. Lista detalhada dos estudos de diversidade de vespas sociais realizados em Minas Gerais.

Setembro - Dezembro 2016 - www.periodico.ebras.bio.br EntomoBrasilis 9 (3)


Maciel et al.

Armadilhas Atrativas como Ferramenta de Amostragem de…

O registro de espécies exclusivas aliado à fácil confecção das armadilhas e ao baixo esforço de campo faz dessa metodologia uma vantajosa ferramenta para amostragem de vespas sociais nos mais diversos tipos de estudos. É importante salientar ainda o fato de que as armadilhas são feitas de garrafas PET, ou seja, não geram nenhum impacto ou resíduo em seu processo de fabricação e descarte, como as armadilhas comerciais, podendo ser consideradas assim como sustentáveis.

Sobre a fauna total de vespas sociais de Minas Gerais, Richards (1978) utilizando como base material depositado em várias instituições e algumas coletas de campo registrou, no primeiro Checklist, 65 espécies para o estado. Trinta anos mais tarde, Souza & Zanuncio (2012) atualizaram a listagem anterior, onde acrescentaram 31 espécies, ampliando o Checklist para 96 espécies.

Tabela 2. Lista das espécies registradas pelos trabalhos de diversidade em Minas Gerais que separaram seus resultados pelos tipos de metodologias utilizadas. Métodos em que foram registradas

Referência dos artigos da Tabela 1

Constância

Agelaia angulata (Fabricius)*

AA, BA

17

Acidental

Agelaia centralis (Cameron)*

AA, BA

17, 25

Acidental

Agelaia multipicta (Haliday)*

Q, BP, AA, BA, AM, BN

Espécies

Agelaia pallipes (Olivier)*

AA, BA

Agelaia vicina (Saussure)*

Q, BP, AA, BA, AM, BN

Apoica gelida Vecth*

Constante

15, 16, 22, 23, 24, 25 3, 22, 24

Acidental

2, 4, 6, 11, 13, 15,

Constante

16, 18, 19, 23, 24

AA, BA, BN

14, 21, 22, 24, 25

Acessória

BP, AA, BA, BN

3, 4, 6, 11, 15, 17, 23

Acessória

BA, BN

2, 17, 19, 21, 22, 23

-

BP, AA, BA

2, 3, 6, 11, 14, 15, 16, 17, 19, 22, 23, 25

Constante

Chartergellus communis Richards

BA

3

-

Clypearia angustior Ducke

BA

17, 19

-

Epipona tatua (Cuvier)

BA

17

-

Metapolybia cingulata (F.)

BA

17

-

BA, BN

2, 21, 23

-

Mischocyttarus artifex (Ducke)

BA

21

-

Mischocyttarus bahiae Richards

BA

25

-

Mischocyttarus bahiaensis Zikán

BA

17

-

Q, BP, AA, BA, AM, BN

2, 3, 4, 6, 8, 14, 16, 19, 21, 22, 23, 25

Constante

AA, BA

2, 3, 22, 25

Acidental

BP, BA, BN

6, 14, 21

-

BP, AA, BA, AM, BN

2, 3, 4, 6, 8, 11, 13, 14, 15, 16, 17, 19, 21, 22, 23, 24, 25

Constante

BA, BN

17, 23

-

Mischocyttarus fluminensis Zikán

BA

17

-

Mischocyttarus frontalis Fox

BA

17

-

Mischocyttarus funerulus Zikán

BA

2

-

Mischocyttarus ignotus Zikán

BA

25

-

Mischocyttarus iheringi Zikán

BA, BN

23

-

BA

3, 14, 25

-

AA, BA

3, 14

Acidental

Mischocyttarus matogrossensis Zikán

BA

25

-

Mischocyttarus mourei Zikán

BA

22

-

Mischocyttarus nomurae Richards

BA

25

-

Mischocyttarus paraguayensis Zikán

BA

22, 25

-

AA, BA

15

Acidental

Apoica pallens (Fabricius)* Brachygastra augusti (Saussure) Brachygastra lecheguana (Latreille)*

Mischocyttarus araujoi Zikán

Mischocyttarus cassununga (Ihering)* Mischocyttarus cerberus Ducke* Mischocyttarus confusus Zikan Mischocyttarus drewseni Saussure * Mischocyttarus flavosculletatus Zikán

Mischocyttarus latior (Fox) Mischocyttarus marginatus (Fox)*

153

2, 4, 6, 8, 11, 13,

Mischocyttarus parallellogrammus Zikán *

Continua...

e-ISSN 1983-0572


Setembro - Dezembro 2016 - www.periodico.ebras.bio.br

EntomoBrasilis 9 (3)

Métodos em que foram registradas

Referência dos artigos da Tabela 1

Constância

BA

17

-

AA, BA, BP, BN

2, 14, 16, 17, 19, 22, 23, 25

Acessória

BA, BN

2, 3, 14, 15, 17, 21, 22, 23

-

BA

2, 14

-

BA, BN

2, 17, 21, 22, 23

-

AA, BA, BN

13, 14, 15, 21, 22, 23

Acessória

BA

3

-

AA, BA, BN

2, 4, 11, 14, 15, 17, 19, 21, 23, 25

Acessória

BP, AA, BA, BN

2, 3, 6, 14, 16, 18, 21

Acessória

Polistes canadendis (L.)

BA

17

-

Polistes carnifex (Fabricius)

BA

17

-

Q, BP, AA, BA, BN

2, 3, 6, 14, 16, 21, 22, 23, 24

-

Q, BP, AA, BA

2, 3, 6, 14, 22

Acessória

BA

14

-

Polistes lanio (Fabricius)*

AA, BA

4, 14, 23, 24

-

Polistes occipitalis Ducke

BA

17

-

AA, BA, BN

2, 21, 22, 23

Acidental

Polistes satan Bequaert*

AA, BA

25

Acidental

Polistes similimus Zikán*

AA, BA, BN

2, 3, 4, 6, 11, 15, 16, 21, 22, 23, 24, 25

Constante

BP, BA

2, 3, 14, 16

-

Polistes versicolor (Olivier)*

BP, AA, BA, BN

2, 3, 4, 11, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 21, 22, 23, 24, 25

Constante

Polybia bifasciata Saussure*

BP, AA, BA, BN

2, 14, 15, 17, 19, 21, 23, 25

Acessória

AA, BA, BN

2, 14, 17, 19, 21, 22, 23, 25

Acessória

AA, BA

17

Acidental

Polybia erythrothorax(Richards)

BA

25

-

Polybia fastidiosuscula Saussure*

BP, AA, BA, BN

2, 6, 14, 15, 19, 22, 23, 24

Acessória

Q, BP, AA, BA, AM

2, 3, 6, 8, 11, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 22, 23, 24, 25

Constante

BP, AA, BA, BN

2, 3, 4, 15, 16, 17, 19, 21, 22, 23, 24, 25

Constante

AA

23

Acidental

AA, BA

2, 14, 22, 24

-

AA, BA, BN

2, 3, 11, 14, 16, 17, 19, 22, 23, 24, 25

Constante

Q, BP, AA, BA, BN

2, 3, 6, 14, 15, 16, 21, 22, 23, 24, 25

Constante

AA, BA, BN

2. 3. 10. 14. 15. 16. 18. 19. 21. 22

Acessória

BA

22

-

AA, BA

17, 25

Acidental

BA

3

-

AA, BA, BN

2, 3, 11, 18, 21, 22

Acessória

BP, AA, BA, AM, BN

2, 3, 4, 6, 8, 11, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 21, 22, 23, 24, 25

Constante

BA

17

AA. BA, AM

3, 8, 17, 19, 23

Acessória

BP, AA, BA, BN

2, 6, 11, 14, 15, 16, 19, 21, 22, 23, 24

Constante

AA, BA, BN

11, 15, 23

Acidental

Espécies Mischocyttarus punctatus (Ducke) Mischocyttarus rotundicollis (Cameron)* Mischocyttarus socialis (Saussure) Mischocyttarus tricolor Richards Mischocyttarus wagneri (Buysson) Parachartergus fraternus (Gribodo)* Parachartergus pseudoapicalis Willink Polistes actaeon Haliday* Polistes billardieri Fabricius*

Polistes cinerascens Saussure* Polistes ferreri Saussure* Polistes geminatus Fox

Polistes pacificus Fabricius*

Polistes subsericius Saussure

Polybia chrysothorax (Lichtenstein)* Polybia dimidiata (Olivier)*

Polybia ignobilis (Haliday)* Polybia jurinei Saussure * Polybia lugubris Ducke* Polybia minarun Ducke* Polybia occidentalis (Olivier)* Polybia paulista (Ihering)* Polybia platycephala Richards* Polybia punctatadu Buysson Polybia rejecta (F.)* Polybia ruficeps Schrottky Polybia scutellaris (White)* Polybia sericea (Olivier)* Polybia signata Ducke Polybia striata (Fabricius)* Protonectarina sylveirae (Saussure)* Protopolybia exigua (Saussure)*

Continua...

e-ISSN 1983-0572

154

Tabela 2. Continuação


Setembro - Dezembro 2016 - www.periodico.ebras.bio.br

EntomoBrasilis 9 (3)

Tabela 2. Continuação Espécies Protopolybia sedula (Saussure)* Pseudopolybia vespiceps (Saussure)* Synoeca cyanea (Fabricius) * Synoeca surinama (Linnaeus)*

Métodos em que foram registradas

Referência dos artigos da Tabela 1

Constância

Q, AA, BA, BN

2, 19, 21, 22, 23, 24, 25

Acessória

AA, BA, BN

2, 3, 14, 21, 22

Acessória

AA, BA, AM, BN

2, 4, 6, 8, 11, 13, 14, 15, 17, 21, 22, 23, 24, 25

Constante

AA

3

Acidental

Legenda: AA - Armadilha atrativa; AM - Armadilha malaise; BA - Busca ativa; BF - Busca em flor; BN - Busca por ninhos; Q - Quadrantes. Em destaque (*) as espécies que foram coletadas por armadilhas atrativas. Em negrito as espécies que foram coletadas exclusivamente por armadilhas atrativas.

Quando avaliada a similaridade das faunas entre as áreas estudadas a partir da análise da similaridade de Jaccard (Figura 2) podemos observar que a fauna de vespas sociais é definida pela formação fitofisionômica das áreas e pelo impacto antrópico sofrido por elas, o que é confirmado pelo fato de que 38% (n=30) das espécies registradas pelos trabalhos de diversidade que separaram seus resultados por metodologia foram exclusivas de algum trabalho.

Figura 2. Dendograma de similaridade entre a fauna de vespas sociais registrada pelos trabalhos de diversidade realizados em Minas Gerais.

É importante salientar que, com a elaboração dessa revisão, ficou clara que a falta de informações apresentada pelos trabalhos dificulta a análise e interpretação dos resultados e ainda a comparação entre os dados, salientando assim a necessidade da elaboração de um protocolo para o uso das armadilhas atrativas, visto que, além da defasagem no conteúdo dos trabalhos, a metodologia apresentou muitas variações na sua utilização de acordo com cada autor. e-ISSN 1983-0572

Agradecimentos Os autores agradecem ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (F. Prezoto 310713 / 2013-7) pelo apoio financeiro e a M. Paschoalini e M. Detoni por suas contribuições na elaboração do trabalho.

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Hoje, a listagem mais recente é a de Souza et al. (2015c) que, em seu trabalho sobre a Coleção de vespas sociais do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas, acrescentou mais cinco espécies, registrando um total de 101 espécies de vespas sociais para o estado de Minas Gerais, ou seja, quase um terço do total de espécies estimadas para todo o país. Apesar de ser o estado com maior número de estudos, publicações com novos registros de espécies de vespas sociais são frequentes (Prezoto et al. 2009; Coelho et al. 2013; Souza et al. 2015b; Barbosa et al. 2016), demonstrando o grande potencial do estado em relação a fauna de vespas sociais.


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Como citar este artigo:

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Maciel, T.T., B.C. Barbosa & F. Prezoto, 2016. Armadilhas Atrativas como Ferramenta de Amostragem de Vespas Sociais (Hymenoptera: Vespidae): Uma Meta-Análise. EntomoBrasilis, 9 (3): 150-157. Acessível em: doi:10.12741/ebrasilis.v9i3.644

e-ISSN 1983-0572


doi:10.12741/ebrasilis.v9i3.581

Bionomia e Comportamento/ Bionomy and Behavior

e-ISSN 1983-0572 Publicação do Projeto Entomologistas do Brasil www.ebras.bio.br Distribuído através da Creative Commons Licence v4.0 (BY-NC-ND) Copyright © EntomoBrasilis Copyright © do(s) Autor(es)

Comportamento de Cópula em Cyclocephala verticalis Burmeister (Coleoptera: Scarabaeidae) Carlos Aparecido Ferreira Barbosa & Sérgio Roberto Rodrigues Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, e-mail: carlosferreira_agro@hotmail.com, sergio@uems.br (Autor para correspondência).

_____________________________________ EntomoBrasilis 9 (3): 158-162 (2016)

Resumo. O gênero Cyclocephala possui grande quantidade de espécies distribuídas nas várias regiões do Brasil, entretanto, poucos são os estudos relacionados ao comportamento de cópula, assim o presente trabalho teve como objetivo estudar o comportamento de cópula de Cyclocephala verticalis Burmeister. Com uma armadilha luminosa instalada ao lado de área de pastagens, foram realizadas coletas de adultos de agosto a setembro de 2013. Em laboratório machos e fêmeas foram mantidos em recipientes separados e ao anoitecer, foram formados casais para observações das etapas que envolvem o comportamento de cópula. De 28 de outubro a 4 de novembro de 2013, para determinar o horário de voo, recolheu-se os insetos coletados na armadilha luminosa a cada 60 min, iniciando os estudos as 18:00 h e encerrando as observações as 6:00 h do dia seguinte. Ao saírem do solo os adultos realizaram ativamente o voo, em seguida pousaram, e o macho ao localizar a fêmea, se aproxima e a toca com o primeiro par de pernas e antenas. Se a fêmea aceita o macho, ocorre à cópula a qual durou 12,5 + 1,3 min em média, e ocorreu entre 19:00 h e 02:00 h. Em algumas ocasiões as fêmeas não aceitaram os machos para a cópula, indicando que os estes provavelmente não estavam aptos a se reproduzirem, ou a própria fêmea não estava apta a se reproduzir, havendo nesse momento reconhecimento químico entre os adultos para a formação do casal. Os adultos revoaram em campo em maiores quantidades das 20:00 h as 23:00 h. Palavras-Chave: Atividade de voo; Comunicação química; Cyclocephalini; Dynastinae; Scarabaeoidea.

Mating Behavior in Cyclocephala verticalis Burmeister (Coleoptera: Scarabaeidae) Abstract. The genus Cyclocephala has a large number of species distributed in various regions of Brazil, however, there are few studies related to mating behavior of this group, so this paper was to study the behavior of copulation Cyclocephala verticalis Burmeister. With a light trap installed next to the pasture area, being performed collections of adults from August to September 2013. In laboratory males and females were kept in separate containers and at dusk, couples have been formed to observations of steps involving the behavior of copula. From October 28 to November 4 of 2013, to determine the time of fly, was collected the insects on the light trap, every 60 minutes, starting the studies the 18:00 pm and closing remarks at 6:00 am, from the following day. Upon leaving the soil adults actively performed the flight then landed, and the male to find the female, approaches and touches it with the first pair of legs and antennae. If the female accepts the male, to copulate occurs which lasted 12.5 + 1.3 min on average, and occurred between 19:00 pm and 02:00 am. Sometimes the females did not accept males for copulation, indicating that these probably were not able to reproduce, or female herself was not able to reproduce, with that time chemical recognition among adults for the formation of the couple. Adults fluttered on the pitch in larger quantities 20:00 pm to 23:00 pm. Keywords: Chemical communication; Cyclocephalini; Dynastinae; flight activity; Scarabaeoidea.

_____________________________________ o Brasil são extensas as áreas utilizadas com a agricultura e associadas às plantas ocorrem algumas espécies de Scarabaeidae que podem causar danos (Oliveira et al. 2007; Cherman et al. 2011; Coutinho et al. 2011; Cherman et al. 2014). Na Subfamília Dynastinae os representantes de Cyclocephala Dejean são encontrados associados com diferentes espécies vegetais. Sobre o comportamento alimentar das fases imaturas de Cyclocephala, algumas informações são conhecidas. Em raízes de cana-de-açúcar foram encontradas larvas de Cyclocephala lunulata Burmeister (Aragón-García & Morón 2000), Cyclocephala parallela (Casey) (Cherry 1985) e Cyclocephala forsteri Endrodi (Coutinho et al. 2011). Segundo Morón et al. (2014) larvas de Cyclocephala barrerai Martínez, Cyclocephala sinaloae Howden & Endrödi, C. lunulata e Cyclocephala faciolata Bates se alimentam de raízes de milho, cana-de-açúcar e outras gramíneas. Larvas de C. forsteri foram encontradas em raízes de plantas de soja (Santos & Ávila 2007). O hábito alimentar saprófago foi registrado para larvas de C. flavipennis Arrow (Salvadori & Pereira 2006) e Cyclocephala paraguayensis Arrow (Albuquerque et al. 2014).

Os adultos de Cyclocephala são observados associados com inflorescências de plantas. Dieringer et al. (1998) verificaram que adultos de Cyclocephala caelestis Delgado & Ratcliffe se alimentam de flores de Magnolia tamaulipana Vazquez. Cavalcante et al. (2009) em seus estudos encontraram que os visitantes florais Annona crassiflora Mart. são Cyclocephala atricapilla Mannerheim, Cyclocephala latericia Hohne e Cyclocephala octopunctata Burmeister, sendo considerados importantes polinizadores. Adultos de Cyclocephala melanocephala (Fabricius) foram encontrados se alimentando de flores de girassol por Camargo & Amabile (2001). Adultos de C. forsteri Endrödi foram encontrados se alimentando de inflorescências de Acrocomia aculeata (Jacq.) Lodd. ex Mart. (Oliveira & Ávila 2011). Sobre o comportamento de cópula, poucas são as informações disponíveis para esse grupo. Em C. lunulata a cópula tem duração de 15 a 20 min (Stechauner-Rohrínger & Pardo-Locarno 2010). As cópulas de C. distincta foram observadas das 18:00 h as 20:00 h (Souza et al. 2015) e para Cyclocephala celata Dechambre, Souza et al. (2013) verificaram que os adultos copulam durante o dia e a noite.

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Comportamento de cópula em Cyclocephala verticalis…

Cyclocephala verticalis Burmeister tem ampla distribuição na América do Sul, sendo relatada na Guiana Francesa, no Equador, no Peru, na Bolívia e em alguns estados do Brasil como Pará, Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina (Andreazze & Fonseca 1998; Andreazze 2001; Rodrigues et al. 2010a). As larvas de C. verticalis podem se nutrir de raízes de cana-de-açúcar (Coutinho et al. 2011) e de A. aculeata (Puker et al. 2009). De ovo a adulto o ciclo completa-se em 228,6 dias (Rodrigues et al. 2010a), entretanto, não são conhecidas as informações sobre o comportamento de cópula. Assim, o presente trabalho teve por objetivo estudar as etapas relacionadas ao comportamento de cópula dessa espécie.

MATERIAL E MÉTODOS Os estudos foram desenvolvidos na fazenda experimental da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), na Unidade Universitária em Aquidauana, MS (20° 28’ S; 55° 48’ W). Para obtenção de adultos de C. verticalis, foi instalada diariamente uma armadilha luminosa modelo “Luiz de Queiroz” provida com lâmpada fluorescente (20 W) ao lado de área de pastagem e de culturas de agosto a dezembro de 2013.

Barbosa & Rodrigues

Figura 1. Adultos de Cyclocephala verticalis expondo o clípeo na superfície do solo, momentos antes de realizar o voo. Foto: C.A.F. Barbosa.

Uma vez fora do solo os adultos voam ativamente, e transcorridos em média 6 + 2,1 min (2-13,3 min), cessam o voo e, caminham ou permanecem pouco móveis com as antenas erguidas e as lamelas abertas. Após essa atividade de voo, foram formados 75 casais, dos quais, 51 apresentaram várias etapas relacionadas ao comportamento de cópula (Figura 2).

Os adultos obtidos foram levados para o laboratório de entomologia, separados por sexo e individualizados em recipientes de plástico de 1.000 mL, contendo a metade do seu volume com solo e fechado em sua superfície com tecido de voile e nesse recipiente permaneciam durante o dia. Em espécies de Cyclocephala os machos apresentam as garras pró-tarsais dilatadas permitindo a diferenciação das fêmeas (Ratcliffe & Cave 2002), sendo utilizada essa característica para separação dos adultos. No início do escurecer, eram realizadas as vistorias nos recipientes, observando-se o momento em que iniciavam a saída do solo, e nesse momento formavam-se os casais de C. verticalis. Foi possível formar 75 casais e realizar as observações sobre as etapas que envolvem o comportamento de cópula. Para os adultos foram fornecidos como alimento, pedaços de bananas maduras colocadas sobre a superfície do solo. A sala de observação de cópulas foi mantida no escuro, de acordo com a metodologia adaptada de Facundo et al. (1999). Para visualização e registro do comportamento apresentado por machos e fêmeas, foi utilizada uma câmera filmadora Sony®, modelo DCR-SX21 STD. Para estudar o horário de voo dos adultos, de 28 de outubro a 04 de novembro, recolheram-se os insetos coletados na armadilha luminosa em intervalos de 60 min, os quais foram levados para laboratório e quantificados, segundo a metodologia utilizada por Rodrigues et al. (2010a). Os dados referentes à captura de adultos foram transformados em x + 1 , submetidos à análise de variância (ANOVA) e as médias comparadas pelo teste de ScottKnott (P<0,05), utilizando-se o software Assistat (Silva & Azevedo 2002). Dados de temperatura média (ºC) e radiação solar (KJ/ m2) de Aquidauana, MS, foram obtidos do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).

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RESULTADOS Com os casais formados em laboratório, várias etapas relacionadas ao comportamento de cópula foram observadas. Os adultos durante o dia permanecem no solo dentro de câmaras construídas no interior dos recipientes de plástico. Ao anoitecer, momentos antes de saírem do solo, machos (n=63) e fêmeas (n=59), expuseram uma porção do clípeo, próximo a superfície do solo e movimentaram as lamelas das antenas em diferentes direções (Figura 1), em média por 9,47 + 5,54 min (2-35 min), quando então, saem completamente do solo e realizam o voo. Alguns machos (n=12) e fêmeas (n=16), projetaram o clípeo próximo à superfície do solo, saíram rapidamente e iniciaram o voo.

Figura 2. Etograma do comportamento de cópula de Cyclocephala verticalis (n=75 casais), em laboratório. Números são as quantidades de casais que procederam as etapas do comportamento de cópula.

Ao se unir machos e fêmeas, o macho vai ao encontro desta, tocando-a por trás (n=40) na placa anal ou porção final dos élitros com suas antenas e protarsômeros, ou tocando-a lateralmente (n=11). Quando o macho é aceito pela fêmea (n=41), este segura à fêmea com as garras tarsais anteriores por 1,4 + 0,43 min (1-5 min), posteriormente sobe na fêmea e a segura com dois pares de pernas, e alinha o seu corpo sobre o da fêmea. Na etapa seguinte o macho aproxima a porção final do seu abdome, próximo ao pigídio da fêmea, e inicia movimentos rítmicos para trás e para frente, expondo o edeago (Figura 3), iniciando a cópula. A cópula durou 12,5 + 1,3 min (2,5-39 min) em média. Durante a cópula as fêmeas permanecem imóveis (n=31) ou caminham de 2 a 3 centímetros (n=10). e-ISSN 1983-0572


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de detecção de feromônio sexual que possa estar sendo liberado pelas fêmeas. Comportamento semelhante foi observado em machos de Anomala testaceipennis Blanchard (Rodrigues et al. 2014) e Anomala orientalis (Waterhouse) (Facundo et al. 1999). Nas antenas dos adultos de Scarabaeidae vários sensilos antenais estão presentes, sendo estes os responsáveis pela detecção de feromônio sexual liberados por fêmeas, como observados para Anomala cuprea Hope (Leal & Mochizuki 1993), Phyllophaga obsoleta Blanchard (Romero-López et al. 2004) e Phyllophaga ravida Blanchard (Romero-López et al. 2010). Assim, a movimentação intensa das antenas dos machos, provavelmente seria para detecção de feromônio sexual liberado pelas fêmeas. Figura 3. Início das etapas do comportamento de cópula de Cyclocephala verticalis. Foto: C.A.F. Barbosa.

Com o término da cópula os machos recolhem o edeago em 17 + 1 seg (5-40 seg). Após a cópula, vários machos (n=37) permaneceram sobre as fêmeas, por 22,3 + 3 min (3 -72 min) em média, enquanto que alguns machos (n=4) se separaram rapidamente das fêmeas. Os casais ao se separarem caminham no solo para lados opostos. As cópulas ocorreram entre 19:00 h e 02:00 h, sendo observada uma única cópula por fêmea. A maior quantidade de cópulas ocorreram das 22:00 h às 23:00 h (Figura 4).

A

B

Algumas fêmeas não aceitaram os machos para a cópula (n=10). O macho normalmente se aproxima da fêmea e a toca com antenas e pró-tarsomeros, e ao subir na fêmea, esta caminha ou rola no solo, se soltando do macho, não permitindo a cópula e se afasta do mesmo. Nessas situações os machos não extroverteram o edeago. Os adultos de C. verticalis iniciaram as atividades de voo a partir das 19:00 h, sendo coletados até as 04:00 h do dia seguinte (Figura 5A). Das 18:00 h as 19:00 h, a luminosidade é de 728 KJ/ m2 e nenhum adulto foi coletado na armadilha, porém, a partir das 19:00 h, a luminosidade diminui para 90 KJ/m2 e os adultos começaram a ser coletados. A partir das 20:00 h a luminosidade é de 0 KJ/m2 e a maior quantidade de adultos é obtida das 20:00 h até as 23:00 h, diferindo significativamente das quantidades de adultos coletados nos demais horários. Pode-se entender que o início do escurecer indica o início das atividades dos adultos no campo. A temperatura média durante o horário de voo dos adultos variou de 33,7 ºC até 23,3 ºC entre as 18:00 h e 05:00 h (Figura 5B).

DISCUSSÃO Os adultos de C. verticalis no início do escurecer realizam o voo, em seguida pousam e permanecem com as lamelas das antenas movimentando ativamente. Provavelmente, esse comportamento apresentado pelos machos tenha a finalidade e-ISSN 1983-0572

Figura 5. A) Quantidade de adultos de Cyclocephala verticalis, coletados com armadilha luminosa (Dados transformados em x + 1 , e analisados pelo teste de Skott-Knott). B) Temperatura média (ºC) e radiação (KJ/ m²), obtidos de estação meteorológica (INMET). Dados obtidos de 28 de outubro a 04 de novembro de 2013. Aquidauana, MS, Brasil.

Em várias ocasiões as fêmeas não aceitaram os machos para a cópula, sendo possível que estas também utilizem os sensilos antenais para detectar se os machos estão aptos a realizar a cópula. Sobre esse assunto, Fávila (1988) ao estudar o comportamento reprodutivo de Canthon cyanellus cyanellus LeConte (Scarabaeidae, Scarabaeinae) considerou que existe três etapas de comportamento reprodutor, e na fase um (não reconhecimento sexual), tanto macho como fêmea não aceitam o membro do sexo oposto, independente do estado de maturação sexual e, fêmeas sexualmente desenvolvidas, reconhecem quimicamente machos imaturos, não os aceitando para cópula. Diante do exposto, é possível que a formação de casais em C. verticalis, esteja relacionada com a maturidade sexual do casal a ser formado, o que explica a não aceitação de alguns machos pelas fêmeas para a cópula. Após a etapa de reconhecimento entre os adultos de C. verticalis, foram observadas várias cópulas sendo realizadas entre 19:00 h e 02:00 h. Em C. distincta as cópulas foram observadas das 18:00 h às 20:00 h (Souza et al. 2015), enquanto que em C. caelestis foram observadas cópulas a partir das 21:00 h e uma cópula foi registrada durante o dia (Dieringer et al. 1998). Assim, em

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Figura 4. Quantidade de cópulas de Cyclocephala verticalis em diferentes horários, em condições de laboratório.


Comportamento de cópula em Cyclocephala verticalis…

Cyclocephala as cópulas podem ocorrer nos períodos noturnos ou diurnos. No presente experimento as cópulas duraram 12,5 min em média, entretanto, para C. verticalis, Rodrigues et al. (2010a) haviam registrado para a cópula à duração média de 19,20 min. Em C. melanocephala a cópula apresentou duração de 7 min (Nogueira et al. 2013). Com o término da cópula, vários machos não se soltaram das fêmeas e permaneceram sobre as mesmas, provavelmente, para impedir que outro macho tente copular com esta. O comportamento de proteção da fêmea após o término da cópula foi observado para C. melanocephala (Nogueira et al. 2013) e A. testaceipennis (Rodrigues et al. 2014). Após o macho de C. verticalis soltar-se da fêmea, esta caminhava ou se enterrava no solo, e não voltava mais a superfície do solo. Os adultos de Cyclocephala signaticollis Burmeister copulam na superfície do solo e logo em seguida as fêmeas se enterram no solo para oviposição (Mondino et al. 1997), o mesmo comportamento foi observado para A. orientalis (Facundo et al. 1999). Os adultos foram coletados em maior quantidade das 20:00 h as 23:00 h, entretanto, Rodrigues et al. (2010a) em seus estudos com C. verticalis não encontraram diferenças significativas entre a quantidade de adultos coletados das 18:00 h as 06:00 h. Adultos de Leucothyreus dorsalis Blanchard foram coletados a partir das 19:00 h e revoaram até às 05:30 h, e o horário em que foram encontradas as maiores quantidades de adultos no campo, foi entre as 19:30 h e 23:00 h (Rodrigues et al. 2010b). Pode-se verificar que para algumas espécies de Scarabaeidae o início da atividade de voo está relacionado ao inicio do escurecer. No presente experimento relatam-se as várias etapas relacionadas ao comportamento de cópula de C. verticalis, havendo evidências de comunicação química entre os adultos antes da formação do casal para realização da cópula, além de se evidenciar os horários de voo e de cópula para essa espécie, acrescentando-se assim valiosas informações para o entendimento do comportamento desse importante grupo de insetos.

AGRADECIMENTOS A CAPES pela concessão de bolsa de mestrado ao primeiro autor. Esse trabalho foi financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (Processo No. 478617/2012-7). Ao CNPq pelo fornecimento de bolsa a Sérgio Roberto Rodrigues (Processo No. 305260/2014-6).

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Como citar este artigo:

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Barbosa, C.A.F. & S.R. Rodrigues, 2016. Comportamento de Cópula em Cyclocephala verticalis Burmeister (Coleoptera: Scarabaeidae). EntomoBrasilis, 9 (3): 158-162. Acessível em: doi:10.12741/ebrasilis.v9i3.581

e-ISSN 1983-0572


doi:10.12741/ebrasilis.v9i3.613 e-ISSN 1983-0572 Publicação do Projeto Entomologistas do Brasil www.ebras.bio.br Distribuído através da Creative Commons Licence v4.0 (BY-NC-ND) Copyright © EntomoBrasilis Copyright © do(s) Autor(es)

Abundância, Distribuição Espacial de Ninhos de Abelhas Sem Ferrão (Apidae: Meliponini) e Espécies Vegetais Utilizadas para Nidificação em um Fragmento de Floresta Secundária em Rio Branco, Acre Francisco Cildomar da Silva Correia, Rui Carlos Peruquetti, Marcos Gonçalves Ferreira & Yuri Karaccas de Carvalho Centro de Ciências Biológicas e da Natureza, Universidade Federal do Acre (UFAC), e-mail: cildomar12@hotmail.com (Autor para correspondência), rcperuquetti@yahoo.com.br, mgfbio2009@gmail.com, ykaracas@yahoo.com.br.

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Ecologia/ Ecology

EntomoBrasilis 9 (3): 163-168 (2016) Resumo. Foi realizado estudo de abundância e distribuição de ninhos de abelhas sem ferrão (Apidae: Meliponini) e espécies vegetais utilizadas para nidificação em um fragmento de floresta secundária em Rio Branco-Acre. Os levantamentos de campo ocorreram no mês de agosto de 2015, em uma área de floresta medindo 137 ha. Os substratos de nidificação (árvores) foram identificados e sua localização registrada por GPS, sendo também verificadas as medidas de CAP (circunferência à altura do peito) e altura da entrada dos ninhos em relação ao solo. No total, foram encontrados 25 ninhos de abelhas sem ferrão distribuídos em três gêneros, sendo Melipona eburnea Friese a espécie mais abundante (n=14), seguida por Scaptotrigona sp. (n=7), Melipona crinita Moure & Kerr (n=2) e Tetragona sp. (n=2). As espécies botânicas que mais forneceram cavidades para fundação dos ninhos foram Eugenia jambolana Lam. (Myrtaceae) com sete ninhos (28%) em um único indivíduo, seguida por Spondias lutea L. (Anacardiaceae) e Castilla ulei Warb. (Moraceae), ambas com três ninhos (12%). A densidade de ninhos foi consideravelmente baixa (0,18 ha) quando comparada com outros estudos realizados na região neotropical, o que pode estar relacionado com tamanho do fragmento e o grau de perturbação já que se caracteriza por ser uma floresta em processo de regeneração. Palavras-chave: Abelhas, fragmento florestal, processo de regeneração, substratos de nidificação, riqueza.

Abundance and Spatial Distribution of Nests of Stingless Bees (Apidae: Meliponini) and Plant Species Used in the Nesting in Secondary Forest Fragment in Rio Branco-Acre Abstract. Was conducted a study of the abundance, distribution of bee nests stingless (Apidae: Meliponini) and plant species used for nesting in a fragment of secondary forest in Rio Branco-Acre. The field surveys took place in August 2015 in a forest area measuring 137 ha. The nesting substrates (trees) were identified and their location recorded by GPS, and also checked the CAP measures (circumference at breast height) and height of entry of the nests from the ground. In total, we found 25 nests of stingless bees distributed in three genera, with Melipona eburnea Friese the most abundant species (n=14), followed by Scaptotrigona sp. (n=7), Melipona crinita Moure & Kerr (n=2) and Tetragona sp. (n=2). The botanical species most provided cavities for foundation of the nests were Eugenia jambolana Lam. (Myrtaceae) with seven nests (28%) in an only individual, followed by Spondias lutea L. (Anacardiaceae) and Castilla ulei Warb. (Moraceae), both with three nests (12%). The density of nests was significantly lower (0.18/ ha) when compared to other studies in the Neotropics, which may be related to fragment size and the degree of disturbance since it is characterized by being in a forest regeneration process. Keywords: Bees, forest fragment, nesting substrates, regeneration process, richness.

____________________________________ s abelhas sem ferrão estão organizadas na superfamília Apoidea, família Apidae, subfamília Apinae e tribo Meliponini. São conhecidas como abelhas sem ferrão por possuírem ferrão atrofiado, sendo incapazes de ferroar. Este grupo de abelhas apresentam hábitos sociais avançados e estão distribuídas nas regiões tropicais e subtropicais do planeta, sendo encontradas em maior quantidade na América Neotropical (Nogueira-Neto 1997). Atualmente, mais de 400 espécies são conhecidas, e estão distribuídas em quatro continentes, sendo aproximadamente 300 espécies nas Américas, 60 no sudoeste da Ásia, 50 na África, quatro na Ilha de Madagascar e 10 na Austrália (Velthuis 1997). A fauna de abelhas sem ferrão, conhecida atualmente no Brasil, é de 244 espécies válidas e cerca de 90 formas não descritas, filiadas a 29 gêneros, sendo que 87 espécies e dois gêneros são endêmicos. Esse total corresponde a cerca de 20% das espécies estimadas de abelhas sem ferrão neotropicais (Pedro 2014). No Acre são conhecidas 53 espécies de abelhas sem ferrão (Camargo & Pedro

2013), muitas delas precisam de cavidades pré-existentes para abrigar suas populosas colônias, preferindo galhos ou troncos de árvores vivas com diâmetros superiores a 30 cm (Kerr et al. 1996; Eltz et al. 2003), mas também podem construir ninhos em árvores mortas de espécies e dimensões diversificadas. No entanto, algumas espécies preferem ocupar outros substratos, tais como: solo, cupinzeiros e formigueiros (abandonados ou ativos) e ninhos de pássaros desativados (Camargo 1970; Roubik 1989; Nogueira-Neto 1997), sendo que algumas espécies preferem construir ninhos expostos (Silva et al. 2013). Os ninhos de abelhas sem ferrão podem ser pequenos ou grandes e conter de poucas centenas a milhares de indivíduos (Wille & Michener 1973; Sakagami 1982). Caracterizam-se por sua alta longevidade e baixa fecundidade (Eltz et al. 2003), sua dinâmica de forrageio é baseada no sistema de refúgio, no qual as abelhas operárias forrageiam a partir de um ponto fixo, o ninho (Hubbell & Johnson 1977) e apresentam densidade que pode chegar a 600 ninhos/km2 (Roubik 1989). Porém, ainda não se tem conhecimento

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Correia et al.

Abundância, Distribuição Espacial de Ninhos de Abelhas Sem…

se a elevada diversidade e baixa densidade populacional de árvores em florestas tropicais, que pode ultrapassar 400 espécies por hectare, favorecem a ausência de seletividade dos locais de nidificação (Silva & Ramalho 2014). No entanto, as abelhas podem selecionar árvores que apresentam cavidades que atendam às necessidades de crescimento e desenvolvimento de suas colônias, relacionando-as às características do oco préexistente ao tamanho do seu corpo, ao número de indivíduos que ocuparão o ninho a ser construído e à espessura da madeira, que favorece a termorregulação da colônia. Contudo, NogueiraNeto et al. (1986) afirmam que algumas espécies de abelhas sem ferrão podem ter especificidades na utilização de árvores para construção de seus ninhos, o que corrobora para a hipótese de que a disponibilidade de substratos para nidificação seria maior do que a densidade de ninhos de abelhas sem ferrão nos habitats florestais (Hubbell & Johnson 1977). Neste contexto, este estudo teve como objetivo conhecer a riqueza e abundância de abelhas sem ferrão em um fragmento de floresta secundaria em processo de regeneração em Rio Branco, Acre. Permitindo, assim, comparar a densidade encontrada com outros estudos realizados para a região neotropical.

MATERIAL E MÉTODOS O estudo foi conduzido em uma área de floresta secundária situada ao norte de Rio Branco-Acre, (09°52’34”S; 67°51’26”W) (Figura 1). Caracterizada como típica de floresta tropical úmida, medindo 137 ha, apresentando solo do tipo “latossolo”, com o relevo plano e levemente ondulado, em processo de regeneração que vem ocorrendo há aproximadamente 20 anos. O clima da região, de acordo com a Classificação de Köppen, é do tipo equatorial, quente e úmido, com temperaturas médias anuais variando entre 24,5 ºC e 32 ºC e umidade relativa do ar próximo de 90%, durante todo o ano. A estação chuvosa ocorre de novembro a abril, sendo caracterizada por chuvas constantes e abundantes, com índices pluviométricos que variam de 1.600 mm a 2.750 mm/ano. A localização e contagem dos ninhos foram realizadas durante o mês de agosto de 2015, que teve o auxilio de um mateiro, o qual atuou como guia acompanhando todo trabalho de campo. Os ninhos localizados foram numerados e marcados com fita de advertência. Após, com o auxilio de trena, tomou-se às medidas de CAP (circunferência a altura do peito) das espécies botânicas (árvores) que apresentavam ninhos de abelhas sem ferrão. As plantas foram cuidadosamente vistoriadas e fotografadas, sendo posteriormente identificadas com auxilio de material bibliográfico. A localização das árvores foi definida por GPS. Além disso, foi registrada a altura da entrada dos ninhos em relação ao solo utilizando-se trena.

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Para a identificação das abelhas, cinco operárias de cada colônia foram coletadas nas entradas dos ninhos, com auxílio de rede entomológica para posterior identificação. As abelhas capturadas foram conservadas em tubos eppendorf, contendo álcool 70%, os quais foram etiquetados, de forma a conter as informações de local, data, número do ninho e substrato de nidificação (caule ou galho). Assim foram verificados os parâmetros de riqueza e abundância relativa de abelhas sem ferrão, permitindo, assim, quantificar a densidade de ninhos presentes na área de estudo. Para determinar a similaridade e a frequência das espécies botânicas que apresentavam ninhos de abelhas sem ferrão foi realizada a análise de agrupamento de cluster (método de Coniss) associado a um diagrama de frequência, gerados a partir do programa R (R Development Core Team 2013). A análise de correlação entre altura dos ninhos e medidas de CAP foi feita utilizando o programa PAST (PAleontological STatistics) versão 2.17c (Hammer et al. 2001).

Figura 1. Local de estudo, vista aérea do fragmento florestal mostrando a distribuição espacial dos ninhos de Meliponíneos. (Fonte: Google Earth).

Resultados Foram localizados 25 ninhos de abelhas sem ferrão pertencentes a quatro espécies distribuídas em três gêneros (Tabelas 1 e 2). A espécie Melipona eburnea Friese foi a mais comum com 14 ninhos, representando 56% do total, seguida por Scaptotrigona sp. com sete ninhos (28%), Melipona crinita Moure & Kerr com dois ninhos (8%) e Tetragona sp. com dois ninhos (8%). Dos 25 ninhos encontrados em 14 espécies de plantas, 22 deles estavam em árvores vivas e três em árvores mortas. A espécie botânica que abrigava o maior número de ninhos foi Eugenia jambolana Lam./Myrtaceae com sete ninhos (28%) todos em uma única árvore, seguida por Spondias lutea Engl. (Anacardiaceae) com três ninhos (12%), Castilla ulei Warb. (Moraceae) em árvore morta, também com três ninhos (12%), ambos também em uma única árvore e Ficus sp. (Moraceae), com dois ninhos (8%). As demais abrigavam apenas um ninho, são elas: Senna multijuga Irwin & Barneby (Fabaceae), Tabebuia serratifolia Nicholson & George (Bignoniaceae), Acacia polyphylla Clos (Fabaceae), Lafoensia sp. (Lythraceae), Tabernaemontana heptaphyllum Aubl. (Apocynaceae), Calliandra sp./Fabaceae, Dipteryx odorata Auble (Fabaceae), Apeiba echinata Gaertn. (Malvaceae), Cocos nucifera Becc. (Arecaceae) em árvore morta; Tabebuia impetiginosa Standl. (Bignoniaceae) (Tabela 1). O diagrama de frequência por abelhas identificadas (Figura 2) mostram que o maior valor foi obtido por Scaptotrigona sp. (20%) verificado em uma única árvore de E. jambolana, essa espécie botânica também abrigou um ninho de M. eburnea (2%), essa abelha apresentou maior riqueza quanto a nidificação, tendo maior preferência pela espécie S. luttea (12%), seguida pelas espécies C. ulei (8%) e Ficus sp. (8%), ambas representantes da família Moraceae. Com base na preferência de nidificação, as abelhas foram agrupadas formando basicamente dois clusters, sendo um formado pela espécie M. eburnea na extremidade e mais distante das espécies centrais, M. crinita e Tetragona sp., as quais foram mais semelhantes. O grupo dois, formado particularmente por Scaptotrigona sp., ficou isolado sendo mais distante, evidenciando a grande preferência dessa abelha por árvores de E. jamboalana e particulermente por A. echinata e C. nucifera as quais não foram procuradas por nenhuma outra abelha.

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Tabela 1. Riqueza de espécies de abelhas sem ferrão e espécies vegetais utilizadas para nidificação. Circunferência na altura do peito (CAP) e altura da entrada dos ninhos em relação ao solo. Ninho 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25

Abelha Melipona eburnea Melipona eburnea Melipona eburnea Melipona crinita Melipona eburnea Melipona eburnea Tetragona sp. Melipona eburnea Melipona eburnea Melipona eburnea Melipona eburnea Melipona eburnea Melipona eburnea Melipona eburnea Melipona eburnea Scaptotrigona sp. Tetragona sp. Meipona eburnea Melipona crinita Scaptotrigona sp. Scaptotrigona sp. Scaptotrigona sp. Scaptotrigona sp. Scaptotrigona sp. Scaptotrigona sp.

Planta Tabebuia serratifolia Senna multijuga Acacia pollyphylla Lafoensia sp. Tabernaemontana heptanphyllum Calliandra sp. Castilla ulei Ficus sp. Ficus sp. Castilla ulei* Castilla ulei * Dipteryx odorata Spondias lutea Spondias lutea Spondias lutea Apeiba echinata Tabebuia impetiginosa Eugenia jambolana Eugenia jambolana Eugenia jambolana Eugenia jambolana Eugenia jambolana Eugenia jambolana Eugenia jambolana Cocos nucifera*

CAP 175 cm 125 cm 96 cm 144 cm 110 cm 88 cm 150 cm 110 cm 110 cm 89 cm 89 cm 280 cm 130 cm 130 cm 154 cm 90 cm 175 cm 90 cm 270 cm 90 cm 90 cm 90 cm 90 cm 270 cm 70 cm

Entrada do ninho (altura) 60 cm 3,0 cm 70 cm 26 cm 120 cm 13 cm 200 cm 160 cm 82 cm 4,0 cm 5,0 cm 140 cm 66 cm 130 cm 60 cm 180 cm 88 cm 380 cm 150 cm 320 cm 50 cm 280 cm 250 cm 55 cm 20 cm

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*Árvores mortas

Figura 2. Diagrama de frequência das plantas nidificadas com agrupamento de clusters apresentando a preferência das abelhas, utilizando-se o método de Coniss.

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Correia et al.

Abundância, Distribuição Espacial de Ninhos de Abelhas Sem…

Discussão

Quanto a altura dos ninhos não foi observado um padrão, sendo o menor valor (3 cm) verificado para a abelha M. eburnea em árvore de S. multijuga e o maior valor (380 cm) verificado também para a abelha M. eburnea em árvore de E. jambolana, a qual teve a maior concentração de ninhos em um único individuo, além de abrigar ninhos de uma maior riqueza de espécies de abelhas sem ferrão (Tabela 1). Em contrapartida, o menor valor de CAP verificado (70 cm) foi para espécie C. nucifera em uma árvore morta, a qual abrigava um único ninho de Scaptotrigona sp., por outro lado o maior valor (280 cm) foi registrado em D. odorata, que abrigava um único ninho de M. eburnea (Tabela 1). A correlação linear obtida foi negativa (r = -0,095, p = 0,652), não mostrando relação significativa entre CAP e altura dos ninhos, contudo, evidencia diferentes alturas de nidificação que varia de 0 a 400 cm, preferencialmente entre as faixas de CAP de 60 a 200 cm (Figura 3).

Por não haver uma relação entre CAP e altura dos ninhos nesse estudo, acreditamos que o baixa densidade pode ser explicada por se tratar de um fragmento de floresta, o que reduz o numero de abelhas e consequentemente a presença de cavidades naturais. Pois em alguns estudos apresentando uma área menor tem mostrado uma maior quantidade de ninhos e obviamente uma maior densidade (Carvalho & Marchini 1999; Souza et al. 2005; Siqueira et al. 2007). As preferências na utilização de espécies vegetais por abelhas sem ferrão em florestas em processo de regeneração pode ser explicada pela longevidade distinta das espécies e tamanhos relativamente maiores de CAP, além de a maioria apresentar também preferência por espécies botânicas vivas, o que concede às abelhas maior tempo de permanência no substrato, garantindo o crescimento e desenvolvimento das gerações futuras. De acordo com Aquino et al. (2007) não apenas a longevidade contribui para uma maior frequência de nidificação em uma dada espécie de árvore, mas também as taxas de crescimento. Outra razão é que a nidificação, em uma determinada espécie arbórea, pode depender da densidade da fibra da madeira, pois algumas espécies possuem fibras altamente resistentes, sendo menos susceptíveis à formação de cavidades (Serra et al. 2009). Os mesmos autores sugerem que o padrão de distribuição de ninhos de abelhas sociais possa estar relacionado a diversos fatores, tais como: distribuição e densidade de substratos adequados para nidificação, predação, interferência antrópica, disponibilidade de recursos florais e competição por alimento. A baixa densidade de ninhos encontrada não está relacionada à disponibilidade de pólen, néctar, resina e outros recursos utilizados para manutenção e desenvolvimento dos ninhos das espécies de abelhas sem ferrão presentes na área estudada, uma vez que existe abundância de diferentes espécies vegetais típicas da floresta tropical amazônica, as quais são amplamente utilizadas como fonte de recursos por esse grupo de insetos. No entanto, pode estar relacionada à ausência de substratos adequados para nidificação, considerando-se que o local estudado trata-se de uma área de floresta secundária, em processo de recuperação, corroborando com os estudos de (Eltz et al. 2002; Batista 2003; Slaa 2006), que verificaram que áreas florestais afetadas por pressões antrópicas apresentam riquezas de espécies e densidades de ninhos de meliponíneos menores que em

Figura 3. Diagrama de dispersão mostrando a correlação linear entre CAP e altura dos ninhos das diferentes abelhas sem ferrão.

A densidade de ninhos encontrada no levantamento feito neste estudo foi de 0,18 ninhos por hectare. Este número pode ser considerado baixo, se comparado com densidades obtidas por outros autores na região neotropical (Tabela 2).

Tabela 2. Estudos sobre densidade de ninhos de abelhas sem ferrão realizados no Brasil e em outros países da região neotropical. Autores

Estado

Área (ha)

N° de Ninhos

Densidade (ha)

Este estudo

Acre

137

25

0,18

Souza (2014)

São Paulo

4,2

14

3,33

Silva et al. (2013)

Bahia

5,4

35

6,5

Witter et al. (2009)

Rio grande do Sul

250

60

0,24

Serra et al. (2009)

Maranhão

185,5

73

2,6

Siqueira et al.(2007)

Minas Gerais

50,4

21

2,4

166

Souza et al. (2005) Antonini & Martins (2003) Teixeira (2001) Carvalho & Marchini (1999) Henriques (1997)

Bahia

57

94

1,6

Minas Gerais

171,4

48

0,28

Bahia

5,0

147

29,4

São Paulo

18

97

5,4

Brasília

1,5

2,0

1,33

Rêgo & Brito (1996)

Manaus

5,0

25

5,0

Oliveira et al. (1995)

Amazônia

100

54

0,15

Taura & Laroca (1991)

Paraná

5,7

23

4,0

Slaa (2006)

Costa Rica

60,6

64

1,06

Roubik (1983)

Panamá

6,0

30

5,0

Fowler (1979)

Paraguai

25,1

93

3,7

Hubbell & Johnson (1977)

Costa Rica

36,7

67

1,8

Michener (1946)

Panamá

64,7

141

2,2

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florestas que não apresentam grau de perturbação. Ressaltando que espécies sensíveis à pressão e que costumam nidificar exclusivamente em ocos de árvores investem na longevidade das colônias, preferindo áreas de floresta naturais (Silva et al. 2013), o que reforça a hipótese de Cane (2001), em que a modificação ou perda de substratos específicos, utilizados por algumas espécies de meliponíneos, pode acarretar na destruição de umas e na proliferação de outras espécies, que conseguem sobreviver em ambientes perturbados. Outro fator que podemos considerar, é que, em se tratando de abelhas que nidificam em cavidades pré-existentes, a baixa ocorrência observada neste estudo, pode estar relacionada com o ambiente de terra firme característico de locais mais altos, os quais não sofrem influência de inundações e consequentemente os processos de apodrecimento e surgimento de ocos em arvores são mais lentos. Já que em vegetações de áreas de várzea, as quais sofrem periódicas inundações, estão mais propensas ao surgimento de um maior numero substratos de nidificação para abelhas que utilizem ocos pré-existentes (Moure & Kerr 1950). Os resultados obtidos neste estudo mostraram a predominância da espécie M. eburnea, porém, um grande número de substratos de nidificação foram verificados em poucas espécies botânicas, sendo E. jambolana a que abrigava o maior número de ninhos, levando a crer que existe carência espacial de substratos, e consequentemente, menor assentamento das abelhas nesse fragmento quando comparado com outros estudos. Visto que a disponibilidade de substratos para nidificação pode determinar a composição de comunidades de abelhas com prováveis efeitos para todo um habitat. Nesse sentido, sugere-se que a riqueza e a abundância de espécies de abelhas sem ferrão, que nidificam em plantas com cavidades pré-existentes, relacionam-se com o nível de degradação ambiental de áreas fragmentadas. Assim, não só a preservação, mas a recuperação desses ambientes pode contribuir para o crescimento da densidade de ninhos dessas abelhas.

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Correia et al.

Abundância, Distribuição Espacial de Ninhos de Abelhas Sem…

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Como citar este artigo:

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da Silva Correia, F.C., R.C. Peruquetti, M.G. Ferreira & Y.K. de Carvalho, 2016. Abundância, Distribuição Espacial de Ninhos de Abelhas Sem Ferrão (Apidae: Meliponini) e Espécies Vegetais Utilizadas para Nidificação em um Fragmento de Floresta Secundária em Rio Branco, Acre. EntomoBrasilis, 9 (3): 163-168. Acessível em: doi:10.12741/ebrasilis.v9i3.613

e-ISSN 1983-0572


doi:10.12741/ebrasilis.v9i3.620 e-ISSN 1983-0572 Publicação do Projeto Entomologistas do Brasil www.ebras.bio.br Distribuído através da Creative Commons Licence v4.0 (BY-NC-ND) Copyright © EntomoBrasilis Copyright © do(s) Autor(es)

Checklist de Vespas Sociais (Vespidae: Polistinae) em Duas Áreas Verdes Urbanas no Município de Barra Mansa, Rio de Janeiro, Brasil Carlos Alberto Santos Souza¹,², Ana Clara Gonçalves Vale¹ & Bruno Corrêa Barbosa² 1. Departamento de Zoologia e Ecologia Aplicada. Centro Universitário de Barra Mansa (UBM), e-mail: seteorus@yahoo.com.br (Autor para correspondência), anabio11@hotmail.com. 2. Laboratório de Ecologia Comportamental e Bioacústica (LABEC), Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), e-mail: barbosa.bc@outlook.com.

_____________________________________ EntomoBrasilis 9 (3): 169-174 (2016)

Ecologia/ Ecology

Registrado no ZooBank: urn:lsid:zoobank.org:pub: 5FFD90BE-C710-409F-BFBC-8BD00B72CDDC Resumo. Novos conceitos sobre o planejamento e urbanização das cidades têm incentivado cada vez mais, a criação e manutenção de áreas verdes públicas ou privadas, que consequentemente, representam importantes zonas de alimentação e abrigo para diversas espécies de vespas sociais. Mas apesar dos esforços e da representatividade da região Sudeste, o conhecimento sobre a riqueza e abundância de vespas sociais no Estado do Rio de Janeiro ainda é limitado. O presente estudo visou avaliar a composição da fauna de vespas sociais em fitofisionomias urbanas no centro da cidade de Barra Mansa-RJ, área compreendida pelo campus Barra Mansa UBM. Duas áreas foram amostradas durante 12 meses, campo antrópico e área reflorestada, através de busca ativa com rede entomológica, armadilhas Möericke e armadilhas aromáticas. Foram coletados 148 espécimes pertencentes a três tribos, quatro gêneros e 17 espécies. A busca ativa registrou 70,7% das espécies amostradas. A tribo Epiponini apresentou a maior riqueza de espécies, sendo Polybia chrysothorax Lichtenstein e Polybia erythrothoraxla Richards registradas pela primeira vez para o Estado do Rio de Janeiro. No campo antrópico foi observada maior diversidade (H’ = 1,890), equabilidade (J = 0,7605) e menor dominância (D(1/D) = 0,2124), enquanto a área reflorestada obteve-se H’ = 1,582, J = 0,6366 e D(1/D) = 0,3465. A configuração e o tamanho da área reflorestada no campus Barra Mansa do UBM são elementos insuficientes para restringir o trânsito de espécies ou segregar comunidades quando considerado o campo antrópico, desta forma permitindo ainda, que as espécies possam ser igualmente amostradas entre as áreas. Palavras-chave: Diversidade; ecossistemas emergentes; heterogeneidade ambiental; marimbondos; Médio Vale do Paraíba do Sul.

Checklist of Social Wasps (Vespidae: Polistinae) in Two Green Urban Areas in the Municipality of Barra Mansa, Rio de Janeiro, Brazil Abstract. New concepts on city planning and urbanization have progressively encouraged the creation and maintenance of public or private green areas, which are important feeding and shelter zones for several species of social wasps. However, in spite of the sampling effort and representativeness of southeastern Brazil, knowledge of richness and abundance of social wasps in Rio de Janeiro is still poor. The present study aimed at inventorying the fauna of social wasps in urban phytophysiognomies in downtown Barra Mansa, state of Rio de Janeiro, within the campus of Barra Mansa University. We sampled two areas for 12 months - a human-modified grassland and a reforested area, through active search with insect nests, Möericke traps, and aromatic traps. We collected 148 wasps of three tribes, four genera, and 17 species. Through active search we recorded 70.7% of the species sampled. The tribe Epiponini showed the highest species richness, and Polybia chrysothorax Lichtenstein and Polybia erythrothoraxla Richards were recorded for the first time in the state of Rio de Janeiro. In the anthropic field it was observed greater diversity (H’ = 1,890), equitability (J = 0,7605), and minor dominance (D(1/D) = 0,2124), while in the reforested area was obtained H’ = 1,582, J = 0,6366 e D(1/D) = 0,3465. The configuration and size of the reforested area in the campus Barra Mansa (UBM) are insufficient elements to restrict the movement of species or segregate communities when considering the anthropic field, thereby still allowing that species could also be sampled between the areas. Keywords: Diversity; emerging ecosystems; environmental heterogeneity; hornets; Medium Paraíba do Sul Valley.

_____________________________________ s representantes de Vespidae são popularmente conhecidos como vespas, marimbondos ou cabas (Prezoto et al. 2008) e se destacam por atuarem no equilíbrio trófico dos ecossistemas, já que, por apresentarem hábitos alimentares generalistas, coletam além de carboidratos como néctar, exsudados de coccídeos e afídeos, água, fragmentos de frutas maduras (Hunt 2007; Clemente et al. 2012; Barbosa et al. 2014), proteínas obtidas através da predação de outros insetos (Prezoto et al. 2006; Elisei et al. 2010; Herdina et al. 2016) ou de carcaças animais (O’Donnell 1995; Moretti et al. 2011). Vespas sociais apresentam ainda grande potencial para controle de populações de outros insetos em ambientes de agrossistemas (Elisei et al. 2010; De Souza et al. 2011) além de atuarem como bioindicadoras de qualidade ambiental (Urbini et al. 2006; Souza et al. 2010). Ademais, esses insetos podem exercer importante

função no transporte do pólen, fazendo parte da comunidade de polinizadores de algumas espécies vegetais (Hermes & Köhler 2006; Clemente et al. 2012; Somavilla & Köhler 2012; Melo et al. 2015). Apesar de serem consideradas cosmopolitas, a maior diversidade de espécies de vespas sociais é encontrada na região Neotropical (Carpenter 1982; Carpenter & Marques 2001), sendo importante destacar ainda, o alto grau de sinantropismo de algumas espécies encontradas em áreas urbanas (Alvarenga et al. 2010; Castro et al. 2014; Barbosa 2015). Mesmo considerando a elevada riqueza de espécies e a habitual ocorrência na Região Neotropical, seja em ambientes alterados ou preservados, o conhecimento sobre a diversidade e biologia desse táxon para o Estado do Rio de Janeiro ainda é bastante

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precário. Neste contexto, o estudo visou relatar pela primeira vez, a composição da fauna de vespas sociais em fitofisionomias urbanas no município de Barra Mansa (Estado do Rio de Janeiro), assim como contribuir com novos registros para o Estado.

Material e Métodos Área de estudo. O município de Barra Mansa localiza-se na Região Sul Fluminense do Médio Vale do Paraíba (22°32’25.19”S e 44°10’35.33” O, 381 – 1.305 m a.n.m.), Estado do Rio de Janeiro, Brasil (IBGE 2013). Em geral, as formações florestais encontradas na região apresentam sua cobertura original descaracterizada devido aos diversos ciclos econômicos históricos do município. Assim, os fragmentos mais preservados de Floresta Atlântica exibem características de transição entre floresta ombrófila densa e floresta estacional semi-decídua, sendo a Floresta do Cafundó, a Mata do Pavão e a Floresta da Cicuta, os fragmentos mais representativos (PMBM 2013). Além destes remanescentes florísticos, diversos outros pequenos fragmentos de menor expressão fitofisionômica estão compreendidos na área de estudo. No contexto urbano, as principais formações florestais encontradas são parques e jardins municipais ou áreas reflorestadas de empresas ou indústrias privadas. Para Maciel & Barbosa (2015) estas formações florestais representam ecossistemas emergentes.

O campo antrópico é definido como a área do campus UBM não reflorestada ou edificada, coberta predominantemente por vegetação pioneira herbácea (e.g. Imperata brasiliensis Trin e Panicum maximum Jacq. CV) e arbustiva em uma área de 11,3 ha aproximadamente (Figura 1). Excetuando duas pequenas manchas mais adensadas de Eucalyptus sp. e Pinus sp., em geral, o componente arbóreo encontra-se ralo e totalmente descaracterizado, imperando espécies frutíferas e exóticas de importância econômica e/ou paisagística [Artocarpus heterophyllus Lam., Clitoria fairchildiana R.A. Howard, Delonix regia (Hook.), Ficus sp., Leucaena leucocephala (Lam.), Mangifera indica L., Prunus sp. e Roystonea oleracea (Jacq.) O. F. Cook)] entre as poucas espécies remanescentes de Mata Atlântica (Aegiphila integrifolia (Jacq.) Moldenke, Cecropia sp., P. cauliflora, Syagrus romanzoffiana (Cham.) Glassman e Trema micranta (L.). Para reconhecimento e delimitação espacial das áreas amostradas foram marcados pontos com uso de GPS digital portátil para construção dos perímetros, e posteriormente, dos polígonos. As informações registradas em GPS consideraram a calibragem para o Sistema UTM e norma WGS84. Após o georrefereciamento das informações em campo foi realizado o upload dos pontos e superposicionados sobre imagem DigitalGlobe no software Google Earth Pro®. Coleta de dados. Incursões quinzenais ocorreram de janeiro de 2014 a janeiro de 2015 perfazendo um montante de 312 h de esforço efetivo entre as duas áreas amostradas. Em cada área foram empregados três métodos de coleta: busca ativa com rede entomológica, Armadilhas Möericke e Armadilhas Aromáticas. As armadilhas Möericke e Aromática foram elaboradas seguindo as metodologias propostas por Möericke (1951) e Dodson et al. (1969). As buscas ativas com rede entomológica ocorreram ao longo de transectos em cada área de estudo, em dias alternados, das 8 às 12 h (totalizando 96 h/área, ou seja, duas amostras/área/mês). As armadilhas Möericke (pratos-armadilhas) foram instaladas no solo ao longo de dois transectos em cada área estudada (quatro pratos/transectos equidistantes a 5 m um do outro) ficando ativos durante sete dias consecutivos por quinzena (duas amostras/ área/mês). Foram instaladas 10 armadilhas aromáticas à base de salicilato de metila em cada área, dispostas à 1,5 m de altura do solo e distanciadas a cerca de 5 m entre si. As armadilhas

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O estudo foi conduzido em duas áreas no campus Barra Mansa do Centro Universitário de Barra Mansa (UBM), sendo: área reflorestada e campo antrópico. A área reflorestada, conhecida por Horto Florestal Professor Élio Gouvêa, possui cerca de 3,0 ha (Figura 1) e compreende um fragmento reflorestado com idade aproximada de 25 anos, sendo composto predominantemente por espécies nativas de Mata Atlântica, como: Caesalpinia echinata Lam., Caesalpinia ferrea Mart. ex Tul., Caesalpinia pluviosa DC., Ceiba speciosa (A. St.-Hill.) Ravenna, Dalbergia nigra (Vell.) Allemão ex Benth., Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong., Eugenia subterminalis DC., Guarea guidonia (L.) Sleumer, Heliconia rostrata Ruiz & Pavon, Lafoensia glyptocarpa Koehne, Mollinedia schottiana (Spreng.) Perkins, Nectandra membranacea (Sw;) Griseb., Piptadenia gonoacantha (Mart.) J. F. Macbr., Plinia cauliflora (Mart.) Kausel, Senna speciosa Roxb. e Schizolobium parahyba (Vell.) Blake entre outras.

Souza et al.

Figura 1. Delimitação espacial das áreas amostradas no campus Barra Mansa do UBM. Polígono em verde: área reflorestada; Polígono em vermelho: campo antrópico.

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aromáticas permaneceram em campo por 48 h em condições climáticas estáveis e também totalizaram duas amostras/área/ mês.

de espécies aleatorizando a ordem das amostras; assim, cada ponto da curva corresponde à média de riqueza acumulada nas 5000 curvas e está associado a um desvio-padrão.

Os indivíduos coletados foram acondicionados em recipientes com solução preservativa (álcool 70%), etiquetados e encaminhados para análise e identificação em laboratório. Quando possível, os exemplares foram identificados ao nível taxonômico mais específico com o uso das chaves propostas por Richard (1978), Hermes & Köhler (2004), Silveira (2008) e Köhler & Lemes (2014), do contrário, os espécimes coletados foram registrados apenas como morfoespécie. Parte do material coletado foi encaminhado para a Coleção de Hymenoptera do Laboratório de Ecologia Comportamental e Bioacústica (LABEC) da Universidade Federal de Juiz de Fora, enquanto as demais réplicas foram montadas em via seca na Coleção de Invertebrados do Centro Universitário de Barra Mansa, para compor a caixa testemunho.

Resultados e Discussão

Análise dos dados. A análise da diversidade alfa foi realizada para cada área amostrada, utilizando-se os índices de diversidade de Shannon (H’) e o de equabilidade de Pielou (J baseado em H’), enquanto a dominância foi calculada pelo índice de Simpson (D(1/D)) (Magurran 2004). Diferenças significativas na riqueza de espécies entre as áreas amostradas foram calculadas pelo Teste t ao nível de significância α = 0,05. Os índices de diversidade juntamente com o Teste t foram calculados através do software PAST® (Hammer et al. 2011). A constância das espécies encontradas nas 13 coletas (armadilha aromática e busca ativa) foi calculada pela fórmula: C = (P x 100)/N, sendo P = número de coletas contendo uma determinada espécie e N = número total de coletas efetuadas. De acordo com este índice, as espécies podem ser agrupadas nas seguintes categorias: constante – presente em mais de 50% das coletas; acessória – presente entre 25% a 50% das coletas; e acidentais – presente em menos de 25% das coletas (Silveira-Netto et al. 1976). Para analisar a riqueza de espécies de vespas sociais nos locais de estudo, foram confeccionadas curvas de rarefação de espécies (sensu Gotelli & Colwell 2001) com o programa EstimateS® (Colwell 2013) e 5000 aleatorizações. Os estimadores não paramétricos Jackknife de 1ª e 2ª ordem foram utilizados para projetar a riqueza de espécies máxima de cada local de estudo poderia alcançar. O programa gera 5000 curvas de acumulação

Durante o período de estudo, 17 espécies de vespas sociais distribuídos em quatro gêneros foram registradas, sendo a tribo Polistini representada por apenas uma espécie, a tribo Mischocyttarini por cinco espécies e Epiponini com 11 espécies. Destacamos as espécies Polybia chrysothorax Lichtenstein e Polybia erythrothoraxla Richards, que foram registradas pela primeira vez no Estado do Rio de Janeiro (Tabela 1). A alta riqueza registrada pela tribo Epiponini pode ser justificada pelo fato dessas espécies serem enxameantes, ou seja, apresentam grandes ninhos contendo uma grande quantidade de indivíduos (Jeanne 1991; Carpenter & Marques 2001), tornando-as, deste modo, mais facilmente amostradas. Em relação às metodologias utilizadas, somente a busca ativa é comumente encontrada em trabalhos com vespas sociais; armadilhas Möericke foram utilizadas somente duas vezes (Auko & Silvestre 2014; Silvestre et al. 2014) e armadilhas aromáticas nunca foram utilizadas. Assim, temos que a busca ativa foi a que apresentou melhor desempenho, registrando todas as espécies do estudo, seguida pelas armadilhas Möericke, com 23,5% do total de espécies e as armadilhas aromáticas com apenas 5,8% do total de espécies registradas pelo estudo. O total de espécies encontradas é satisfatório quando comparado a outros estudos em áreas perturbadas (e.g. Auad et al. 2010; De Souza et al. 2011; Klein et al. 2015). Vale destacar que somente o método de busca ativa foi considerado eficiente quanto à captura das espécies vespas sociais, assim mesmo, o presente estudo se encontra entre os 24 estudos de diversidade de vespas sociais no Brasil dos 78 encontrados na literatura (Cf. Barbosa et al. 2016) que mais registraram espécies de vespas sociais. Os estimadores de riqueza Jackknife 1ª e 2ª ordem mostraram que a riqueza no campo antrópico deve ser de 17 a 19 espécies e 16 e 17 espécies para a área reflorestada. Assim, para o campo antrópico foi registrada 70% da riqueza estimada e para área reflorestada foi 75% (Figura 2). Mao & Colwell (2005) e Coddington et al. (2009) afirmaram que estimadores não paramétricos só mostram

Espécies Tribo Mischocyttarini Mischocyttarus cassununga (Von Ihering) Mischocyttarus drewseni Saussure Mischocyttarus garbei (Zikán) Mischocyttarus rotundicollis (Cameron) Mischocyttarus sp. Tribo Polistini Polistes versicolor (Olivier) Tribo Epiponini Agelaia multipicta Haliday Polybia bifasciata Saussure Polybia chrysothorax (Lichtenstein)* Polybia erythrothoraxla Richards* Polybia fastidiosuscula Saussure Polybia ignobilis (Haliday) Polybia occidentalis (Olivier) Polybia paulista Ihering Polybia platycephala Richards Polybia scutellaris (White) Polybia sericea (Olivier)

Método

Campo Antrópico

Área Reflorestada

Constância

BA BA BA BA BA

X X X -

X X X X

▲ ▲ ■ ■ ■

BA

X

-

AM, BA AM, BA AM, BA BA BA BA BA BA AA, AM, BA BA BA

X X X X X X X X

X X X X X X X X

■ ■ ▲ ■ ■ ■ ■ ■ ● ■ ■

Legenda: AA = Armadilha Aromática; AM = Armadilha Möericke; BA = Busca; ● = Constante (C>50%); ▲ = Acessória (25% <C< 50%); ■ = Acidental (C<25%). * = Primeiro registro para o estado do Rio de Janeiro, Brasil.

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Tabela 1. Lista de espécies de vespas sociais, seus métodos de coletas e constância de captura nas áreas de Campo Antrópico e Área Reflorestada no campus UBM, município de Barra Mansa, Rio de Janeiro, Brasil.


Souza et al.

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A

B

Figura 2. Curvas de rarefação dos estimadores de riqueza de espécies e curva de acúmulo de espécies obtidas nas áreas estudadas no campus Barra Mansa do UBM, município de Barra Mansa, Rio de Janeiro, Brasil no período de Janeiro de 2014 a Janeiro de 2015: A = Curva representado o campo antrópico e B = Curva representado a área reflorestada.

valores reais da riqueza após dois terços ou quatro quintos das espécies terem sido observadas. Polybia platycephala Richards, foi a única espécie classificada como constante, ou seja, presente em mais de 50% das coletas. Mischocyttarus cassununga Von Ihering, Mischocyttarus drewseni Saussure e P. chrysothorax foram consideradas espécies acessórias, e o restante, que perfaz 76% das espécies amostradas, foram consideradas acidentais, o que parece ser padrão comum em vespas sociais, como proposto por Souza et al. (2015a) e Souza et al. (2015b). No total, as duas áreas amostradas somaram 17 espécies. Contudo, tanto a área reflorestada quanto o campo antrópico registraram 12 espécies cada, sendo que cinco espécies foram exclusivas para cada área (Tabela 1). Apesar dos índices ecológicos apresentarem resultados distintos para cada área (campo antrópico: H’ = 1,890, J = 0,7605 e D(1/D) = 0,2124; área reflorestada: H’ = 1,582, J = 0,6366 e D(1/D) = 0,3465), não foi encontrado diferença significativa na riqueza de espécies entre as áreas amostradas (t = 1,6397; Gl = n-1; p = 0,1034). A diferença nos valores de diversidade alfa baseado em Shannon (H’) para áreas com mesma riqueza de espécies observadas, se devem ao peso que este índice coloca sobre espécies pouco abundantes nas coletas (infrequentes ou raras). Além disso, Shannon (H’) também considera as abundâncias proporcionais das espécies. Logo, estas peculiaridades poderiam justificar os valores encontrados por Shannon (H’) para o campo antrópico (n=78, 12 spp.) e para a área reflorestada (n=70, 12 spp.). Já a variação nos valores do índice de Pielou (J) sugerem que o campo antrópico possui menor dominância entre as espécies (maior uniformidade) em relação à área reflorestada (Magurran 2004).

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O índice de dominância de Simpson é uma expressão do número de vezes que se teria que coletar um par de indivíduos aleatoriamente e estes pertencerem a mesma espécie (Brower & Zar 1984), sendo influenciado pela abundância das espécies mais comuns (dominantes) (Magurran 2004), ou seja, quando D(1/D) aumenta a diversidade diminui, confirmando as tendências registradas pelos outros índices de diversidade quando comparado os valores encontrados para o campo antrópico e área reflorestada. Quando comparada a riqueza das duas áreas podemos observar que a área reflorestada do campus Barra Mansa do UBM pode ser considerada uma “micro ilha” circundada pelo campo antrópico. Mesmo considerando a existência de distintos substratos para construção de ninhos (riqueza de espécies de árvores e o adensamento de plantio), e possíveis, alterações estruturais no solo e no microclima advindos da deposição de matéria orgânica, atenuação luminosa e da temperatura, bem como elevação da umidade relativa do ar entre as áreas amostradas.

A configuração e a dimensão limitada da área reflorestada ainda são insuficientes para garantir melhor qualidade ambiental ou diferenças substanciais em termos de complexidade fitofisionômica (i.e., heterogeneidade ambiental), permitindo, dessa forma, que as espécies transitem igualmente tanto na área reflorestada quanto no campo antrópico. Em outras palavras, a semelhança na riqueza observada de vespas sociais entre as áreas indicam a inexistência do efeito turnover pela substituição de espécies entre as áreas amostradas (geralmente registrado entre áreas relativamente diferentes, heterogêneas). Os resultados sobre a diversidade de vespas sociais neste estudo, também sugerem a necessidade de futuras intervenções nas áreas do campus Barra Mansa do UBM, seja através do enriquecimento florístico e ampliação da área reflorestada. Este é o primeiro estudo de média duração focando catalogar a riqueza de vespas de um município do Estado do Rio de Janeiro, registrando 17 espécies em duas áreas, representado 17,7% das 98 espécies já registradas para o Estado, sendo que destas, duas espécies são novos registros para o Estado, contribuindo assim, para o avanço do conhecimento da fauna de vespas sociais no sudeste do Brasil. Podemos salientar que, apesar da região Sudeste ser a mais bem estudada do país, os dados apresentados sugerem que muitas espécies ainda são desconhecidas para os Estados, deixando clara a importância de outros estudos.

Agradecimentos À equipe do Laboratório Multidisciplinar do Centro Universitário de Barra Mansa, em especial Profa. Sylvia Eileen Cartes Cabezas, pelo apoio material no desenvolvimento do estudo e aos revisores anônimos pelos preciosos comentários, sugestões e críticas.

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Setembro - Dezembro 2016 - www.periodico.ebras.bio.br


Souza et al.

Checklist de Vespas Sociais (Vespidae: Polistinae) em Duas…

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Como citar este artigo:

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Souza, C.A.S., A.C.G. Vale & B.C. Barbosa, 2016. Checklist de Vespas Sociais (Vespidae: Polistinae) em Duas Áreas Verdes Urbanas no Município de Barra Mansa, Rio de Janeiro, Brasil. EntomoBrasilis, 9 (3): 169-174. Acessível em: doi:10.12741/ebrasilis.v9i3.620

e-ISSN 1983-0572


doi:10.12741/ebrasilis.v9i3.640 e-ISSN 1983-0572 Publicação do Projeto Entomologistas do Brasil www.ebras.bio.br Distribuído através da Creative Commons Licence v4.0 (BY-NC-ND) Copyright © EntomoBrasilis Copyright © do(s) Autor(es)

Onde os mais Adaptados Permanecem: Comunidade de Abelhas sem Ferrão (Hymenoptera: Apidae, Meliponini) em Áreas Urbanas do Município de Ubá, Minas Gerais, Brasil Gustavo Júnior Araújo¹, Yasmine Antonini², Luíza Santos Silva³ & Georgina Maria Faria-Mucci³ 1. Universidade Federal do Mato Grosso, Departamento de Biodiversidade. Laboratório de Ecologia de Comunidades, e-mail: gustavojraraujo@gmail.com (Autor para correspondência). 2. Universidade Federal de Ouro Preto, Departamento de Biodiversidade, e-mail: antonini.y@gmail.com. 3. Universidade do Estado de Minas Gerais, Departamento de Ciências Biológicas, e-mail: luizavrb@hotmail.com, gfariamucci@gmail.com.

_____________________________________

Ecologia/ Ecology

EntomoBrasilis 9 (3): 175-179 (2016) Resumo. A urbanização tem causado a fragmentação de vários ambientes naturais, levando à perda de muitos processos ecológicos como a polinização, realizada principalmente por abelhas, em especial as espécies de Meliponini, que tem reduzido drasticamente as suas populações devido à perda de habitat pela expansão urbana. O objetivo deste estudo foi realizar um levantamento das espécies de abelhas sem ferrão em áreas urbanas do município de Ubá - MG, Brasil, relacionar a riqueza e abundância das espécies encontradas com a taxa de ocupação das variáveis estruturais da paisagem das áreas urbana e relacionar a presença das espécies obtidos com estas variáveis. Foram encontrados 28 ninhos pertencentes a quatro espécies, Tetragonisca angustula (Latreille), Trigona spinipes (Fabricius), Nannotrigona testaceicornis (Lepeletier) e Friesella schrottkyi (Friese). Não houve relação significativa entre a riqueza e abundância de Meliponini e variáveis estruturais de vegetação analisadas, possivelmente devido a valores baixos no número de ninhos e espécies encontrados. Somente T. spinipes se mostrou relacionada com a presença de vegetação. Os resultados mostram que a comunidade Meliponini é composta por espécies generalistas capazes de utilizar cavidades artificiais e plantas ornamentais como uma fonte alternativa de recursos, comuns em áreas urbanas. Os resultados obtidos neste estudo servem de alerta para atuais condições dos remanescentes vegetais em áreas urbanas na cidade de Ubá, além de também poderem ser usados como material de apoio na tomada de decisão sobre projetos de conservação e recuperação de áreas degradadas, tendo como foco sobre as abelhas e sua importância para a sustentabilidade destes ecossistemas. Palavras-Chave: Mata Atlântica; Conservação; Nidificação; Polinização; Urbanização.

Where the most Adapted Remain: Stingless Bees Community (Hymenoptera: Apidae, Meliponini) in Urban Areas of the City of Uba, Minas Gerais, Brazil Abstract. The urbanization has caused the fragmentation of various natural environments, taking to loss of many ecological processes in which includes pollination, realized mainly by bees, in special Meliponini species, which has drastically reduced their populations due to loss of habitat for urban expansion. The aim of this study was to survey the species of stingless bees in urban areas of the municipality of Ubá - MG, Brazil, relate the richness and abundance of species found with the percentage of occupation of the structural variables of the urban landscape and relate the presence of the species obtained with these variables. Were found 28 nests belonging to four species, Tetragonisca angustula (Latreille), Trigona spinipes (Fabricius), Nannotrigona testaceicornis (Lepeletier) and Friesella schrottkyi (Friese). There was no significant relationship between richness and abundance of Meliponini and structural variables of vegetation, possibly due to low values in the number of nests and species obtained. Only T. spinipes showed related to the presence of vegetation. The results show that the Meliponini community is composed by generalist species able to use artificial cavities and ornamental plants as an alternative source of resources, common in urban areas. The results obtained in this study is a warning to current conditions of the plant remaining in urban areas in the city of Ubá, besides may also be used as support in taking-decision on projects for the conservation and recovery of degraded areas, focusing on bees and their importance to the sustainability of these ecosystems. Keywords: Atlantic forest; Conservation; Nesting; Pollination; Urbanization.

_____________________________________ o último século a expansão das atividades humanas sobre os habitats naturais levou a degradação e a fragmentação de grande parte dos biomas brasileiros, onde se destaca a Floresta Atlântica (Lewinsohn & Prado 2002). Considerada um dos 34 hot spots mundiais a Mata Atlântica é uma área prioritária para a conservação da biodiversidade, devido ao seu alto grau de endemismo e por apresentar apenas 7% da sua cobertura original (Morellato & Haddad 2000; Myers et al. 2000). Dentre os fatores responsáveis pela redução deste bioma destacase a expansão das áreas urbanas (Lewinsohn & Prado 2002). Estima-se que 70% da população brasileira viva sobre sua área de distribuição, levando a formação de inúmeros microecossistemas, fato que tem refletido diretamente na fauna local (Mendonça & Anjos 2005). O processo de urbanização modifica a estrutura dos

habitats, tanto na sua estrutura física quanto na sua biodiversidade, afetando diversos serviços ecológicos que envolvem a fauna e a flora destes ambientes (Gonçalves & Brandão 2008). Dentre os serviços ecossistêmicos afetados destaca-se a polinização (Mendonça & Anjos 2005). Além de contribuir com a reprodução das espécies vegetais, os agentes envolvidos neste processo se beneficiam dos recursos fornecidos por elas, como os grãos de pólen e o néctar utilizados pelas abelhas na alimentação de sua prole. Isto faz com que sejam consideradas como as principais polinizadores (Kerr et al. 2001). Estes insetos são de extrema importância ambiental, pois dentro do processo de polinização eles também contribuem com o aumento da variabilidade genética das espécies vegetais envolvidas, fato atribuído ao seu comportamento de visitar

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Araújo et al.

Onde os mais Adaptados Permanecem: Comunidade de…

diversas flores, o que promove a dispersão dos grãos de pólen (Constanza et al. 1997).

usado para estimar as porcentagens de cada estrutura, seguindo a metodologia de Zanette et al. (2005).

Entretanto, em função da perda de ambientes naturais as espécies de abelhas vêm sendo drasticamente afetadas, em especial as espécies da subtribo Meliponini, conhecidas também como abelhas nativas ou sem ferrão (Kerr et al. 1996). Muitas das espécies que compõe este grupo além dos recursos florais necessitam também de cavidades preexistentes em árvores para a construção de seus ninhos, recursos estes cada vez mais escassos em regiões antropizadas, o que tem levado a uma redução drástica destes polinizadores em tais ambientes (Kerr 1994; Lewinsohn & Prado 2002).

Análise dos dados. Para verificar o efeito da estrutura da paisagem sobre a riqueza e abundância de Meliponini foi utilizada uma análise Linear de Modelos Generalizados (GLM). Os valores de abundância de ninhos das espécies amostrados em relação às variáveis estruturais da paisagem foram examinadas utilizando uma Análise de Correspondência Canônica (CCA), onde foi gerado um gráfico mostrando a relação entre as variáveis analisadas e as espécies que ocorreram em pelo menos três unidades amostrais, excluindo as espécies que pudessem estar nidificando nas SU ao acaso. Variáveis correlacionadas também foram excluídas da análise a fim de obter um modelo mais ajustado. A CCA é uma análise exploratória que agrupa os sítios em função da abundância das espécies e indica potenciais relações entre essas espécies e as variáveis analisadas (Strieder et al. 2006). As análises estatísticas foram realizadas usando o Software R (R Development Core Team 2013).

Embora sejam cada vez mais intensas as pressões sobre as espécies de abelhas sem ferrão em ambientes urbanos, ainda é possível encontrar espécies do grupo presentes nestes ambientes utilizando cavidades artificiais, como: fendas em paredes de alvenaria, padrões de energia, dentre outros (Antonini et al. 2012). O objetivo deste trabalho foi realizar o levantamento de ninhos desse grupo de abelhas na área urbana do município de Ubá, localizado na Zona da Mata Mineira, no estado de Minas Gerais e relacioná-los com a estrutura das paisagens da região. Buscando responder as seguintes perguntas: 1. A riqueza e abundância de Meliponini estão relacionadas com a estrutura das paisagens nas áreas urbanas da cidade de Ubá-MG? 2. A presença das espécies de Meliponini está relacionada às características estruturais das paisagens urbanas na cidade de Ubá-MG?

Material e Métodos O presente estudo foi desenvolvido na cidade de Ubá, Minas Gerais (21º12’10” S, 42º94’10” O). O município está inserido no domínio do bioma de Mata Atlântica, sendo a Floresta Estacional Semidecidual a fitofisionomia dominante. Com altitudes que variam entre 295 a 875 metros, o município encontra-se inserida na bacia do rio Paraíba do Sul com 96,18% de sua população vivendo na área urbana (IBGE 2010). A área delimitada para o estudo possui 111,8 ha e engloba sete unidades amostrais (SU). As SU’s são caracterizadas pela presença de vegetação fragmentada intercalada com áreas pavimentadas (construções de alvenaria e ruas pavimentadas) e solo exposto (pastagens e áreas desaterradas).

176

Amostragem dos ninhos de Meliponini. As amostragens foram realizadas entre março de 2011 e janeiro de 2012, duas vezes por semana, entre os horários de 09:00 até as 16:00, período de maior atividade das abelhas, o que facilita a localização dos seus ninhos (Macedo & Martins 1999). Dentro das SU’s foram realizadas buscas ativas dos ninhos, vistoriando muros, edificações, calçadas e áreas jardinadas, locais considerados comuns para nidificação destes insetos (Nogueira-Neto 1997). Depois de localizado, cada ninho foi georreferenciado, fotografado e coletados 10 espécimes com auxílio de rede entomológica para identificação taxonômica. Moradores da região foram entrevistados com a finalidade de obter informações sobre a presença de ninhos. Caracterização estrutural da paisagem. Nas imagens obtidas do Google Earth (escala 1: 25 metros), foram plotadas quadrículas de 625 m² sendo cada uma numerada segundo os seguintes critérios: 1- Vegetação 2- Superfície pavimentada (ocupada com construções ou áreas pavimentadas) e 3- Solo exposto (áreas de pastagens ou solo exposto). A categoria foi atribuída a cada quadrícula se ela ocupava mais de 50% da área. O número total de quadrículas pertencentes a cada categoria foi

Resultados Composição da fauna de Meliponini. Foram encontrados vinte e oito ninhos pertencentes a quatro espécies: Trigona spinipes (Fabricius), Nannotrigona testaceicornis (Lepeletier), Tetragonista angustula (Latreille) e Friesella schrottkyi (Friese) (Tabela 1). A espécie abundante, T. angustula (n = 21), representou 75% do total de ninhos encontrados, seguida de T. spinipes (n = 3) e N. testaceicornis (n = 3), 10,71% cada e F. schrottkyi (n =1), 3,57%. Dentre as unidades amostrais, SU1 foi a que apresentou maior abundância de ninhos, SU2 e SU3 apresentaram maior riqueza. A espécie F. schrottkyi foi encontrada apenas em SU6, já T. angustula esteve presente em todas as áreas amostradas. N. testaceicornis e T. spinipes foram encontrados em três SU’s (Tabela 1). Tabela 1. Relação dos ninhos das espécies de Meliponini encontrados nas áreas urbanas amostradas no município de Ubá – MG. Espécie

Locais SU1

SU2

SU3

T. angustula

SU4

SU5

SU6

SU7

6

2

3

2

3

1

4

N. testaceicornis

1

1

1

0

0

0

0

F. schrottkyi

0

0

0

0

0

1

0

T. spinipes

0

1

1

0

1

0

0

Total

7

4

5

2

4

2

4

Estrutura da paisagem. Superfície pavimentada se mostrou como a estrutura dominante nas áreas estudadas, chegando a alcançar 71,43% de ocupação (SU1), seguida de solo exposto, com 64,86% (SU6). Para a estrutura de vegetação, sua maior taxa de cobertura foi de 36,67% (SU2), SU6 e SU7 apresentaram apenas 12,64% e 13,52% de ocupação, respectivamente, sendo esta estrutura a menos abundante (Figura 1).

Figura 1. Taxa de ocupação da estrutura da paisagem mensurada nas áreas urbanas amostradas no município de Ubá – MG.

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EntomoBrasilis 9 (3)

Substrato de nidificação. Foram encontrados cinco ninhos em árvores, dezesseis em paredes de alvenaria, cinco em padrão de energia, um em móvel de madeira e um em mourão de cerca (Tabela 2). Tabela 2. Substratos de nidificação utilizados pelas espécies de Meliponini encontradas nas áreas urbanas amostradas no município de Ubá – MG. Substrato Espécie

Árvore

Padrão de energia

Mourão de cerca

Móvel de madeira

15

0

4

1

1

N. testaceicornis

1

2

0

0

0

T. spinipes

0

3

0

0

0

F. schrottkyi

0

0

1

0

0

T. angustula

Parede de alvenaria

Não foram encontradas relações significativas entre as estruturas das paisagens analisadas e a riqueza e abundância de ninhos de Meliponini encontrados. O resultado da CCA mostrou que vegetação explicou 94% da variação dos dados no eixo 1 e superfície pavimentada explicou 99% no eixo 2. Solo exposto se mostrou correlacionado com superfície pavimentada, ficando fora do modelo. T. spinipes demonstrou está relacionada com a presença de vegetação. Nenhum padrão foi observado com T. angustula e N. testaceicornis (Figura 2).

Figura 2. Representação gráfica da Análise de Correspondência Canônica (CCA) mostrando relação entre a abundância de ninhos de Meliponini encontrados e as variáveis estruturais da paisagem das áreas urbanas amostradas no município de Ubá – MG.

Discussão O número de ninhos registrados no presente trabalho foi extremamente baixo se comparado a outros levantamentos de Meliponini em regiões sobre influências humanas (Souza et al. 2005; Aidar et al. 2013; Oliveira et al. 2013). Além de apresentar uma baixa riqueza de espécies em relação a levantamentos semelhantes (Carvalho & Marchini 1999; Sousa et al. 2002; Zanette et al. 2005). O que demonstra a escassez de recursos nas áreas estudadas para estes polinizadores, extremamente importantes, seja do ponto de vista econômico ou ecológico (Witter & Blochtein 2003). O fato de não ser encontrada uma relação significativa entre a riqueza e abundância de Meliponini e as variáveis estruturais das paisagens analisadas pode estar relacionado aos baixos valores obtidos sobre os mesmos nas áreas estudadas, além das características que compõem as espécies da comunidade local. Segundo Nogueira-Neto (1997) T. angustula, N. testaceicornis e T. spinipes são espécies conhecidas pelo hábito generalista quanto a utilização dos recursos. De acordo Imperatriz-Fonseca et al. (1984) e Piva (1994), espécies como T. angustula e N. testaceicornis se adaptaram muito bem aos ambientes urbanos, pois suas colônias podem se abrigar em e-ISSN 1983-0572

cavidades pequenas, além de necessitar de uma baixa quantidade de grãos de pólen e néctar para abastecer seus ninhos. No entanto, neste trabalho foram encontrados apenas três ninhos de N. testaceicornis. Diferente dos resultados obtidos por Carvalho & Marchini (1999); Sousa et al. (2002); Souza et al. (2005); Ribeiro et al. (2009); Aidar et al. (2013). Este fato pode estar relacionado com falta de conhecimento da população. Durante o desenvolvimento do trabalho foram comuns relatos dos moradores sobre a destruição de alguns ninhos, por acreditarem que a presença destes insetos pudessem trazer algum perigo, entretento não é de conhecimento dessas pessoas, que esses insetos não possuem ferrão. A elevada abundância de T. angustula entre os Meliponini em regiões urbanas já é largamente sabida (Imperatriz-Fonseca et al. 1984; Carvalho & Marchini 1999; Antonini et al. 2012). Além de apresentar plasticidade quanto a utilização do substrato de nidificação (Araújo & Antonini 2016). Esta espécie é eficiente no uso de recursos ofertados pelas plantas ornamentais comumente encontradas em ruas, praças e residências, sendo muitas vezes a única fonte de alimento para estes insetos em centros urbanos (Roubik 1992; Zanette et al. 2005). A espécie T. spinipes foi a única relacionada com a presença de vegetação. Sua baixa abundância possivelmente está relacionada com falta de locais adequados para construção de seus ninhos. Registros de ninhos dessa espécie já foram feitos a 15 metros de altura na vegetação (Werneck & Faria-Mucci 2014). Outro fator que pode ter influenciado na abundância dessa espécie é a baixa disponibilidade de alimento para suportar um maior número de colônias. Por serem consideradas agressivas na defesa de seus recursos (Johnson & Hubbell 1974; Imperatriz-Fonseca 1984), colônias desta espécie podem ter sido excluídas pela competição de recursos, o que poderia explicar baixa abundância obtida no presente estudo. A espécie F. schrottkyi (gênero monotípico) (Silveira et al. 2002), foi representada por apenas um ninho, encontrado em um padrão de energia. De comportamento muito manso, indivíduos dessa espécie medem cerca de 3 mm (Nogueira-Neto 1970; Imperatriz-Fonseca & Kleinert 1998). Esta espécie não é comum em levantamentos urbanos, possivelmente por sua sensibilidade as perturbações comuns nestes locais. Algumas espécies de Meliponini são bem seletivas com relação ao substrato de nidificação, escolhendo ambientes pouco perturbados. A redução de áreas verdes em centros urbanos pode causar significativa diminuição nas populações de várias espécies desse grupo, que antes eram encontradas com mais frequência nestas regiões (Souza et al. 2005). Isto poderia explicar a baixa riqueza obtida, visto que, vegetação foi a estrutura que apresentou os menores valores de distribuição nas áreas amostradas. Da categorização das áreas foi possível observar que a paisagem e a região encontram-se fortemente impactadas pelas ação antrópica. Áreas consideradas de preservação, como a matas ciliares (Martins 2001), deveriam estar presentes nas margens do ribeirão Ubá, que banha todo o centro urbano da cidade, inclusive as áreas de estudo. Estes remanescentes são de extrema importância para a fauna local, pois, servem como fonte de alimento e abrigo, em especial para as abelhas as quais são responsáveis pela manutenção de grande parte das espécies vegetais, através de seus serviços de polinização (Mcgregor 1976; Kearms et al. 1998; Roubik 1995). Entretanto, pouca vegetação arbórea foi encontrada nestes ecossistemas, sendo os mesmos dominados por vegetação herbácea e gramíneas no perímetro urbano. A comunidade de abelhas Meliponini levantada na região estudada é composta por espécies de ampla distribuição geográfica, ocorrendo em vários biomas e capazes de suportar mudanças na estrutura das paisagens onde vivem, como as causadas pelo

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homem. Entretanto, a escassez de recursos nestes ambientes pode levar a significativa diminuição na abundância de seus ninhos, como encontrado no presente trabalho. Certamente os resultados obtidos neste estudo permitem alertar para atuais condições dos remanescentes vegetais das áreas urbanas do município de Ubá, além de material de apoio na tomada de decisão de futuros projetos que visam recuperação destes ambientes, tendo como foco as abelhas e sua importância para a sustentabilidade dos ecossistemas.

Agradecimentos Os autores agradecem à Universidade do Estado de Minas Gerais, à Universidade Federal de Viçosa e à Universidade Federal de Ouro Preto pelo apoio logístico e à FAPEMIG pelo apoio financeiro.

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EntomoBrasilis 9 (3)

Recebido em: 04.vii.2016 Aceito em: 03.xi.2016 **********

Como citar este artigo:

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Araújo, G.J., Y. Antonini, L.S. Silva & G.M. Faria-Mucci, 2016. Onde os mais Adaptados Permanecem: Comunidade de Abelhas sem Ferrão (Hymenoptera: Apidae, Meliponini) em Áreas Urbanas do Município de Ubá, Minas Gerais, Brasil. EntomoBrasilis, 9 (3): 175-179. Acessível em: doi:10.12741/ebrasilis.v9i3.640

e-ISSN 1983-0572


doi:10.12741/ebrasilis.v9i3.590 e-ISSN 1983-0572 Publicação do Projeto Entomologistas do Brasil www.ebras.bio.br Distribuído através da Creative Commons Licence v4.0 (BY-NC-ND) Copyright © EntomoBrasilis Copyright © do(s) Autor(es)

Percepção Entomológica de Graduandos da Universidade Federal do Espírito Santo, ES, Brasil

Entomologia Geral/ General Entomology

Gabriella Carvalho Hermogenes¹, Fabrícia Gonçalves Lacerda², Giulianna Rondinelli Carmassi³ & Leydiane Nunes Rodrigues4 1. Universidade Estadual de Santa Cruz - Programa de Pós-Graduação em Zoologia, e-mail: gabriellahermogenes@hotmail.com (Autor para correspondência). 2. Universidade Federal do Espírito Santo - Centro de Ciências Agrárias, e-mail: lacerdafg@gmail.com. 3. Universidade Federal de São Carlos - Centro de Ciências da Natureza, e-mail: giulianna.rondineli@gmail.com. 4. Universidade Estadual de Santa Cruz - Programa de PósGraduação em Sistemas Aquáticos Tropicais, e-mail: leydianerodrigues@hotmail.com.

_____________________________________ EntomoBrasilis 9 (3): 180-186 (2016)

Resumo. O objetivo deste trabalho foi avaliar e comparar o nível de percepção dos estudantes dos cursos de graduação do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Espírito Santo (CCA/UFES) em relação aos insetos. Os dados foram coletados por meio do preenchimento de questionários pelos estudantes entre os meses de junho e agosto de 2013. A hipótese testada e comprovada foi a de que os estudantes dos cursos de Agronomia, Ciências Biológicas Bacharelado, Ciências Biológicas Licenciatura, Engenharia Florestal e Zootecnia teriam um maior índice de acertos e maior nível de conscientização, já que apresentam, em sua grade curricular, disciplinas em que o grupo dos insetos é abordado. Os estudantes, em geral, demonstraram percepções ambíguas em relação aos insetos, como sentimentos de “medo”, “nojo” e “curiosidade”, que foi a principal sensação que os insetos causam nos alunos entrevistados. A principal fonte de conhecimento sobre os insetos citada pelos alunos foi a “escola”. Além disso, os discentes estão conscientes dos malefícios e benefícios trazidos pelos insetos, sendo a importância ecológica o benefício mais citado. Portanto, apesar de alguns equívocos na classificação de certos seres vivos como insetos, tendo como base a classificação lineana, os alunos entrevistados, em geral, mostraram-se conscientes da importância desses animais no ecossistema. Palavras-Chave: Benefícios; Conscientização; Estudantes; Etnoentomologia; Insetos.

Entomologic Perception by Undergraduate Students of Federal University of Espírito Santo, ES, Brazil Abstract. The objective of this study was to evaluate and compare the level of students’ perceptions of the various graduation courses at the Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Espírito Santo (CCA/UFES) in relation to insects. Data were collected by completing of a questionnaire by the students between the months of June and August 2013. The tried and tested hypothesis was that students of Agronomy, Bachelor in Biological Science, Biological Science Teacher Education, Forest Engineering and Zootechny have a higher hit rate and a higher level of awareness, since they have in their curriculum, disciplines they the group of insects is discussed. The students generally demonstrated ambiguous perceptions of the insects, as feelings of “fear”, “disgust” and “curiosity” which was the main feeling that insects cause in the students interviewed. The main source of knowledge about insects cited by students was the “school”. In addition, are aware of the harms and benefits brought by the insects, and the ecological importance, the most cited benefit. Therefore, despite some mistakes in the classification of certain living being like insects, based on the Linnaean classification, the students interviewed, in general, were shown to be aware of the importance of these animals in the ecosystem. Keywords: Awareness; Benefits; Ethnoentomology; Insects; Students.

_____________________________________ classe Insecta, pertencente ao filo Arthropoda, constitui o grupo animal mais abundante da Terra. Provavelmente, um pouco mais de um milhão de espécies desse grupo já foram descritas (Gullan & Cranston 2012). Esses animais desempenham importantes funções ecológicas para a manutenção da estrutura da maioria dos ecossistemas, entre elas, ciclagem de nutrientes, polinização, dispersão de sementes, manutenção da estrutura e fertilidade do solo, controle das populações de organismos e fonte de alimento para inúmeras espécies animais (Fisher 1998). Devido à sua abundância e distribuição, os insetos estão presentes na vida das pessoas nas mais variadas situações, e são tais experiências particulares que possivelmente afetam suas percepções sobre esses animais. O acúmulo dessas percepções e a troca das mesmas entre os indivíduos direcionam a atitude a ser estabelecida em relação aos insetos (Ellen 1997). Os trabalhos da área de Etnobiologia visam a caracterização de espécies e etnoespécies (Begossi 1993). Uma etnoespécie refere-

se a uma categoria taxonômica etnobiológica que pode ou não ser equivalente à espécie científica lineana (Costa-Neto & Pacheco 2005). O ramo da Etnobiologia que estuda o conhecimento, uso e classificação dos insetos pelo homem é a Etnoentomologia (Posey 1987 apud Costa-Neto & Carvalho 2000). Apesar do crescente número de estudos etnoentomológicos no Brasil, existem poucos registros sobre como os insetos são percebidos no ambiente universitário. Portanto, este trabalho buscou analisar como os estudantes do ensino superior de cursos de diferentes áreas, do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Espírito Santo (CCA/UFES) percebem e categorizam os insetos. A hipótese testada foi de que estudantes dos cursos de Agronomia, Ciências Biológicas Bacharelado, Ciências Biológicas Licenciatura, Engenharia Florestal e Zootecnia teriam um maior índice de acertos e maior nível de conscientização sobre o tema em comparação aos estudantes de outros cursos, já que apresentam em sua grade curricular algumas disciplinas em que o grupo dos insetos é abordado.

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Material e Métodos O CCA/UFES oferece 17 cursos de graduação distribuídos em cinco diferentes áreas: Ciências Biológicas (Ciências Biológicas - Bacharelado e Ciências Biológicas - Licenciatura), Ciências da Saúde (Farmácia e Nutrição), Ciências Agrárias (Agronomia, Engenharia de Alimentos, Engenharia Florestal, Medicina Veterinária e Zootecnia), Ciências Exatas e da Terra (Ciência da Computação, Física Licenciatura, Geologia, Matemática Licenciatura, Química Licenciatura e Sistemas de Informação) e Engenharias (Engenharia Química e Engenharia Industrial Madeireira). Os dados foram coletados no período de junho a agosto de 2013 por meio do preenchimento de questionários pelos estudantes, os quais não foram identificados e eram informados sobre os detalhes da pesquisa por meio do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. O modelo do questionário, antes de ser aplicado, foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal do Espírito Santo (Número do Parecer: 114.501). Tal modelo seguiu o exemplo daquele confeccionado por Modro et al. (2009) com algumas modificações. Foram aplicados 30 questionários em cada curso com questões sobre informações pessoais, como sexo, idade e escolaridade e também sobre a percepção dos insetos por parte dos alunos. Na questão “Qual (is) desses animais, para você, é um inseto?”, o estudante tinha 40 opções de organismos para serem marcados, dos quais apenas 24 são classificados como insetos de acordo com a classificação científica lineana. Essa questão buscou saber se os alunos conseguiam identificar corretamente os insetos de acordo com tal classificação. Os estudantes foram questionados também em relação à principal fonte de conhecimento sobre os insetos, em relação às sensações despertadas por esses animais e sobre os possíveis benefícios e malefícios que os insetos causam, podendo, dessa forma, ser avaliado o nível de conscientização dos alunos a respeito do tema.

Hermogenes et al.

opção “outros” e escreveram que a sensação “depende do inseto” (3,0%), que se sentem “indiferentes” ao ver um inseto (6,1%), que “sentem vontade de matar” (2,2%) ou não escreveram nada (5,9%). O curso de Agronomia apontou “curiosidade” com maior frequência (67,6%), enquanto que o curso de Física Licenciatura apontou com menor frequência (23,5%).

Figura 1. Distribuição percentual dos erros e acertos em relação aos organismos marcados como insetos por estudantes dos diferentes cursos do CCA/UFES; N=510. Ciências Biológicas Bacharelado (BioB); Ciências Biológicas Licenciatura (BioL); Agronomia (Agro); Zootecnia (Zoot); Engenharia Florestal (EngFlo); Farmácia (Farm); Nutrição (Nutri); Engenharia de Alimentos (EngAli); Medicina Veterinária (MedVet); Ciência da Computação (CieCom); Física Licenciatura (FisiL); Geologia (Geol); Matemática Licenciatura (MateL); Química Licenciatura (QuiL); Sistemas de Informação (SisInf); Engenharia Química (EngQui) e Engenharia Industrial Madeireira (EngMad).

Aplicou-se o teste de χ2 com nível de significância a 5%, com auxílio do programa estatístico PAST (Hammer et al. 2001), sobre os dados obtidos a partir da pergunta “Qual (is) desses animais, para você, é um inseto?”. O teste verificou se a proporção de acertos na identificação dos insetos diferiu do esperado. Em relação às demais questões contidas no questionário foi realizada uma análise descritiva.

Resultados Verificou-se que a proporção de acertos observados diferiu entre os cursos (p<0,001). O curso de Engenharia Florestal apresentou maior frequência de acertos (93,7%) em relação à primeira questão, demonstrando assim maior discernimento entre insetos e não insetos de acordo com a classificação científica lineana, seguido dos cursos de Agronomia, Zootecnia, Ciências Biológicas - Bacharelado e Ciências Biológicas - Licenciatura (Figura 1). Já o curso de Farmácia apresentou menor frequência de acertos (72,7%). Todas as opções de organismos foram marcadas como insetos (Tabela 1) e animais como camarão, sapo e cobra foram assinalados com menor frequência.

181

Em relação à fonte de conhecimento sobre os insetos, a mais citada pelos alunos foi a “escola” (44,7%), seguida pelos “livros” (17,1%), “televisão” (13,0%), “internet” (11,3%), “revistas” (7,9%) e “outros” (6,0%) (Figura 2). O curso de Engenharia de Alimentos apontou a escola com maior frequência (60,0%), e o curso de Ciências Biológicas Bacharelado apontou a escola com menor frequência (33,8%). Dentre as sensações despertadas pelos insetos nos estudantes, a mais assinalada foi “curiosidade” (41,3%) (Figura 3). Esta questão contava também com a opção “outros” na qual o estudante poderia escrever sensações diferentes das opções presentes no questionário. Dos estudantes entrevistados, 17,2% assinalaram a

Figura 2. Distribuição percentual das fontes de conhecimento sobre os insetos por estudantes dos diferentes cursos do CCA/UFES; N=510. Ciências Biológicas Bacharelado (BioB); Ciências Biológicas Licenciatura (BioL); Agronomia (Agro); Zootecnia (Zoot); Engenharia Florestal (EngFlo); Farmácia (Farm); Nutrição (Nutri); Engenharia de Alimentos (EngAli); Medicina Veterinária (MedVet); Ciência da Computação (CieCom); Física Licenciatura (FisiL); Geologia (Geol); Matemática Licenciatura (MateL); Química Licenciatura (QuiL); Sistemas de Informação (SisInf); Engenharia Química (EngQui) e Engenharia Industrial Madeireira (EngMad).

Os benefícios citados pelos estudantes foram agrupados em seis categorias (Figura 4). A categoria “benefício ecológico” foi a mais citada pelos estudantes (65,3%) e foi subdivida em categorias específicas: “aeração do solo”, “cadeia alimentar”, “ciclagem de nutrientes”, “controle biológico”, “dispersão de sementes” e “polinização”. Em seguida, foi citado o “benefício nutricional” (16,1%), subdividido em “alimentação humana” e “produção de mel”, “benefício medicinal” (8,4%) e “pesquisa científica” (5,4%). Os benefícios menos citados foram “benefício econômico” (4,2%), subdividido em “benefício financeiro”, “indústria alimentícia” e “produção de seda” e “análise forense” (0,6%) (Tabela 2). O curso de Engenharia Florestal foi o único que citou todas as categorias de benefícios.

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Foram citados pelos estudantes do CCA/UFES sete tipos de danos causados pelos insetos (Figura 5). A “transmissão de doenças” foi o dano mais citado (71,8%). Os estudantes escreveram também que os insetos “são pragas agrícolas” (16,8%), que causam “reação alérgica” (5,7%), “dano material” (2,0%), que possuem “veneno” (2,0%), “contaminam alimentos” (0,8%) e causam “incômodo” (0,8%). O curso de Matemática Licenciatura apresentou a maior frequência da categoria “transmissão de doenças” (86,4%).

Discussão Estudantes de graduação dos diversos cursos do CCA/UFES não conseguiram distinguir totalmente insetos de não insetos. O número observado de acertos foi diferente do esperado para todos os cursos (p<0,001). Entretanto, os cursos de Engenharia

EntomoBrasilis 9 (3)

Florestal, Agronomia, Zootecnia, Ciências Biológicas Bacharelado e Licenciatura apresentaram as maiores frequências de acertos. Esse resultado confirma a hipótese do presente trabalho, pois tais cursos apresentam em sua grade curricular algumas disciplinas em que é abordada a classe Insecta. O fato dos estudantes de Engenharia Florestal, Agronomia e Zootecnia cursarem três disciplinas que abordam os insetos, dando ênfase ao estudo de organismos que causam danos às plantações, pode ter contribuído para que tivessem bom conhecimento acerca desses animais e consequentemente maior frequência de acertos que os estudantes de Ciências Biológicas Bacharelado e Licenciatura, que possuem apenas uma disciplina. Há uma gama de ofertas de sub-temas e áreas de interesse na Biologia, que vão desde Zoologia e Botânica até Ecologia, Genética, Bioquímica, Biofísica, etc. Sendo assim, estudantes que optam por se aprofundar em

Tabela 1. Organismos percebidos como insetos pelos estudantes do CCA/UFES. Classe*

Fungi Animalia

* Nomenclatura científica.

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Etnocategoria Taxonômica Fungo do ar

Marcações (%) 1,4

Amphibia

Sapo

0,4

Arachnida

Ácaro

12,5

Aranha

21,2

Carrapato

37,8

Escorpião

11,8

Chilopoda

Lacraia

26,9

Diplopoda

Piolho de cobra

29,4

Gastropoda

Caramujo

4,1

Insecta

Abelha

77,6

Barata

83,7

Besouro

90,2

Borboleta

71,8

Cigarra

89,8

Cupim

70,6

Esperança

88,4

Formiga

84,5

Gafanhoto

89,6

Grilo

94,3

Joaninha

89,8

Lagarta

35,7

Louva-deus

87,5

Maria Fedida

67,5

Marimbondo

79,2

Mariposa

80,8

Mosca

90,0

Mosquito

91,8

Mutuca

62,4

Percevejo

78,4

Pernilongo

87,6

Piolho

39,8

Pulga

48,4

Varejeira

66,7

Malacostraca

Camarão

0,4

Mammalia

Rato

0,8

Tatu-bola

3,7

Oligochaeta

Minhoca

4,7

Reptilia

Calango

2,2

Cobra

0,4

Lagartixa

4,1

182

Reino*


Hermogenes et al.

Percepção Entomológica de Graduandos da Universidade…

Figura 3. Distribuição percentual das sensações provocadas pelos insetos aos estudantes dos diferentes cursos do CCA/UFES; N=510. Ciências Biológicas Bacharelado (BioB); Ciências Biológicas Licenciatura (BioL); Agronomia (Agro); Zootecnia (Zoot); Engenharia Florestal (EngFlo); Farmácia (Farm); Nutrição (Nutri); Engenharia de Alimentos (EngAli); Medicina Veterinária (MedVet); Ciência da Computação (CieCom); Física Licenciatura (FisiL); Geologia (Geol); Matemática Licenciatura (MateL); Química Licenciatura (QuiL); Sistemas de Informação (SisInf); Engenharia Química (EngQui) e Engenharia Industrial Madeireira (EngMad).

Figura 4. Distribuição percentual dos benefícios dos insetos para os estudantes dos diferentes cursos do CCA/UFES; N=510. Ciências Biológicas Bacharelado (BioB); Ciências Biológicas Licenciatura (BioL); Agronomia (Agro); Zootecnia (Zoot); Engenharia Florestal (EngFlo); Farmácia (Farm); Nutrição (Nutri); Engenharia de Alimentos (EngAli); Medicina Veterinária (MedVet); Ciência da Computação (CieCom); Física Licenciatura (FisiL); Geologia (Geol); Matemática Licenciatura (MateL); Química Licenciatura (QuiL); Sistemas de Informação (SisInf); Engenharia Química (EngQui) e Engenharia Industrial Madeireira (EngMad).

Tabela 2. Benefícios trazidos pelos insetos, subdivididos em categorias, de acordo com os estudantes do CCA/UFES. Categorias

Categorias Específicas

Análise Forense Benefício Ecológico

Benefício Econômico

0,6 Aeração do solo

1,0

Cadeia alimentar

28,7

Ciclagem de nutrientes

1,5

Controle biológico

15,9

Dispersão de sementes

0,2

Polinização

18,0

Benefício financeiro

1,7

Indústria alimentícia

1,0

Produção de seda

1,5

Benefício Medicinal Benefício Nutricional Pesquisa Científica

Citações (%)

8,4 Alimentação humana

9,6

Produção de mel

6,5 5,4

183

outras áreas, passam a ter pouco contato com a Zoologia e com o tempo perdem algumas informações relacionadas aos insetos. De modo geral, apesar de todos os organismos do questionário ter sido marcados, observa-se que alguns estudantes restringem a definição de insetos aos artrópodes, pois a porcentagem de organismos marcados pertencentes às classes Arachnida (83,3%), Chilopoda (26,9%) e Diplopoda (29,4%) foi bem representativa (Tabela 1). Resultado semelhante foi observado por Modro et al. (2009) em um estudo sobre a percepção entomológica de docentes e discentes do município de Santa Cruz do Xingu (MT), em que os docentes citaram animais das classes Insecta e Arachnida como “insetos”, porém os discentes incluíram também representantes do Reino Fungi, e das classes Amphibia, Reptilia, Mammalia, Chilopoda, Diplopoda, Gastropoda e Oligochaeta. Em estudos realizados por Costa-Neto & Carvalho (2000) sobre a percepção dos insetos pelos graduandos da Universidade Estadual de Feira de Santana, os estudantes também citaram animais que não pertenciam à classe Insecta, tais como aranha, carrapato e escorpião.

Figura 5. Distribuição percentual dos danos dos insetos para os estudantes dos diferentes cursos do CCA/UFES; N=510. Ciências Biológicas Bacharelado (BioB); Ciências Biológicas Licenciatura (BioL); Agronomia (Agro); Zootecnia (Zoot); Engenharia Florestal (EngFlo); Farmácia (Farm); Nutrição (Nutri); Engenharia de Alimentos (EngAli); Medicina Veterinária (MedVet); Ciência da Computação (CieCom); Física Licenciatura (FisiL); Geologia (Geol); Matemática Licenciatura (MateL); Química Licenciatura (QuiL); Sistemas de Informação (SisInf); Engenharia Química (EngQui) e Engenharia Industrial Madeireira (EngMad).

Mesmo animais vertebrados foram assinalados pelos estudantes do CCA/UFES como insetos. Esse resultado também foi observado por Costa-Neto & Pacheco (2004) e Costa-Neto & Magalhães (2007) em estudos com diferentes comunidades tradicionais no Estado da Bahia, em que os entrevistados citaram como sendo insetos: lagartixa, rã, rato, cobra, sapo, morcego, entre outros vertebrados. Em alguns casos, as sensações negativas causadas por determinados animais, são suficientes para colocá-los dentro da etnocategoria “inseto”, como observado por Ulysséa et al. (2010) em pesquisa realizada com moradores de Ribeirão da Ilha (SC), que agruparam 16 animais dentro dessa etnocategoria, entre eles animais das classes Insecta, Arachnida, Mammalia e Reptilia. Questionados sobre a fonte de conhecimento sobre os insetos, estudantes de todos os cursos do CCA/UFES citaram a “escola” com maior frequência, seguida por “livros”, assim como observado em um estudo feito por Modro et al. (2009). Apesar desse resultado, o presente estudo demonstrou que 17,9% dos estudantes não fixaram os conhecimentos aprendidos no Ensino Fundamental e Médio, ou que a escola não reproduz um conhecimento coerente com o aprendizado acadêmico, pois agruparam organismos não e-ISSN 1983-0572


sistematicamente relacionados na etnocategoria “inseto”. Isso pode ser o resultado de uma aprendizagem mecânica, na qual os alunos recebem as informações e não conseguem relacioná-las com o cotidiano (Ausubel 2003). Modro et al. (2009) ao questionarem docentes de Ciências Naturais sobre os insetos, observaram um viés no entendimento dos professores, seja por definir os insetos de forma incoerente com a classificação lineana ou por considerarem os insetos sem importância positiva. Diante disso, surge a preocupação sobre as informações que são transmitidas pelos professores aos estudantes. O domínio do conhecimento transmitido pelos docentes é de extrema importância, por isso há necessidade da formação dos professores em relação ao conteúdo acadêmico, para que colaborem de forma correta com o aprendizado dos alunos. Em relação às sensações provocadas pelos insetos aos estudantes do CCA/UFES, a maioria assinalou a opção “curiosidade”. Modro et al. (2009) observaram que com o avanço nas séries escolares do Ensino Fundamental e Médio, os discentes apresentam uma tendência a reduzir a percepção negativa sobre os insetos. Aqueles autores supuseram que as atividades escolares contribuem parcialmente para a construção de um conhecimento sobre tais animais, coerente com o saber acadêmico, destacando, nesse sentido, a importância ecológica e econômica desses organismos, sua atuação como agentes de controle biológico, polinizadores, pragas da agropecuária e vetores de doenças (Silva et al 2006). Sensações como “medo”, “nojo”, “indiferença” e até mesmo “vontade de matar” foram citadas com maior frequência pelos estudantes cuja grade curricular não apresenta disciplinas relacionadas aos insetos. Resultado similar foi obtido no estudo de Trindade et al. (2012), em que estudantes do ensino médio também mencionaram expressões depreciativas, como nojo e medo em relação aos insetos. Segundo Costa-Neto (2004), o modo como a maioria das sociedades percebe e se expressa com relação tanto aos insetos quanto a outros animais, identificando-os como “insetos”, evidencia as atitudes e os sentimentos negativos que os seres humanos geralmente demonstram pelos invertebrados em geral. Provavelmente, as sensações negativas são frequentes porque a maioria das pessoas está muito mais informada sobre os danos que os insetos causam do que os benefícios que os mesmos trazem (Borror & Delong 1969). Entre as seis categorias de benefícios que os insetos podem trazer aos seres humanos, o benefício “ecológico” apresentou o maior número de citações em todos os cursos (65,3%). Tal resultado demonstra que, apesar dos estudantes cometerem equívocos quanto à classificação de certos seres vivos como insetos, em geral possuem conhecimento sobre a importância ecológica desses animais. Vale ressaltar, que alguns insetos são considerados como espécies-chave para a conservação de habitat e muito importantes nas interações ecológicas, como por exemplo, a polinização (Begon et al. 2007). Por esses e outros motivos, eles poderiam ser integrados nos estudos sobre conservação e programas de manejo, atuando como indicadores de riqueza das espécies, diversidade e endemismo. Um conjunto de informações valiosas referentes aos conhecimentos tradicionais sobre os insetos, como tinturas, óleos, corantes inseticidas, essências naturais, remédios, comidas, repelentes, além de outros temas de interesse econômico podem ser aprendidos com pessoas de comunidades tradicionais (Posey 1986). Diante disso, a Etnoentomologia é um campo que agrega importantes valores, visto que é rica em conhecimentos sobre os comportamentos e as interações que ainda são desconhecidas pela ciência para a maioria dos insetos (Santos-Fita & Costa-Neto 2007). Quando questionados se os insetos causam danos ao ser humano, a maioria dos estudantes do CCA/UFES respondeu que “sim”. e-ISSN 1983-0572

EntomoBrasilis 9 (3)

Desses, a maior parte escreveu que os insetos “transmitem doenças” (71,8%) e que são “pragas agrícolas” (16,8%), pois devastam plantações e causam perdas econômicas para os produtores. Malefícios como “transmissão de doenças”, “dano material” e “pragas agrícolas” também foram citados em estudos realizados por Costa-Neto (2004), Costa-Neto & Resende (2004) e Silva & Costa-Neto (2004). Os resultados do presente estudo reforçam o fato de que a categoria etnozoológica “inseto” é construída de acordo com o ambiente em que o ser humano se insere, os meios de conhecimento e aprendizagem, e as experiências particulares. Todos esses fatores possivelmente afetam a percepção das pessoas em relação aos insetos. De modo geral, os estudantes do CCA/UFES citaram que os insetos causam mais benefícios que malefícios, o que pode indicar que as disciplinas relacionadas aos insetos e outras fontes de conhecimento como a escola contribuíram positivamente para um nível de conscientização dos estudantes quanto à importância desses animais. Ao considerar que a Etnoentomologia agrega importantes conhecimentos acumulados de acordo com a percepção, as experiências vividas e a troca de informação entre os indivíduos de uma sociedade em relação aos insetos, pode-se esperar que esses conhecimentos complementem e ampliem o conhecimento científico. A atribuição de valores positivos aos insetos pode contribuir para uma ação conservacionista bem-sucedida, já que os fatores emocionais são essenciais para este tipo de ação.

Agradecimentos Aos graduandos do CCA/UFES que participaram da pesquisa.

Referências Ausubel, D.P., 2003. Aquisição e retenção de conhecimentos: Uma perspectiva cognitiva. Plátano, Lisboa, Portugal, 226 p. Begon, M.C.R., C.R. Townsend & J.L. Harper, 2007. Ecologia de Indivíduos a Ecossistema. 4. ed. Porto Alegre, Artmed, 752 p. Begossi, A., 1993. Ecologia Humana: Um enfoque das relações homem-ambiente. Interciência, 18: 121-132. Disponível em: <www.interciencia.org/v18_03/art01/>. [Acesso em: 17.vii.2013]. Borror, D.J. & D.M. Delong, 1969. Introdução ao estudo dos insetos. São Paulo, Edgar Blücher, 653 p. Costa-Neto, E.M. & H.F. Magalhães, 2007. The ethnocategory “insect” in the conception of the inhabitants of Tapera Country, São Gonçalo dos Campos, Bahia, Brazil. Anais da Academia Brasileira de Ciências, 79: 239-249. doi: http://doi.org/10.1590/s0001-37652007000200007. Costa-Neto, E.M. & J.J. Resende, 2004. A percepção de animais como “insetos” e sua utilização como recursos medicinais na cidade de Feira de Santana, Estado da Bahia, Brasil. Acta Scientiarum. Biological Sciences, 26: 143-149. doi: http://doi.org/10.4025/actascibiolsci.v26i2.1612. Costa-Neto, E.M. & J.M. Pacheco, 2004. A construção do domínio etnozoológico “inseto” pelos moradores do povoado de Pedra Branca, Santa Terezinha, Estado da Bahia. Acta Scientiarum. Biological Sciences, 26: 81-90. doi: http://doi.org/10.4025/actascibiolsci.v26i1.1662. Costa-Neto, E.M. & J.M. Pacheco, 2005. Utilização medicinal de insetos no povoado de pedra Branca, Santa Terezinha, Brasil. Biotemas, 18: 113-133. Costa-Neto, E.M. & P.D. Carvalho, 2000. Percepção dos insetos pelos graduandos da Universidade Estadual de Feira de Santana, Bahia, Brasil. Acta Scientiarum, Biological Sciences, 22: 423-428. Costa-Neto, E.M., 2004. Os insetos que “ofendem”: Artropodoses na visão dos moradores da região da Serra da Jibóia, Bahia, Brasil. Sitientibus, 4: 59-68.

184

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Hermogenes et al.

Percepção Entomológica de Graduandos da Universidade…

Ellen, R.F., 1997. Indigenous knowledge of the rainforest: perception, extraction and conservation, p. 87-100. In: Maloney, B.K. Human Activities and the Tropical Rainforest: Past, Present and Possible Future. Editora Kluwer Academic. Cap. 5. Disponível em: <www.lucy.ukc.ac.uk/rainforest/ malon.html>. [Acesso em: 17.06.2013]. Fisher, B.L., 1998. Insect behavior and ecology in conservation: preserving functional species interactions. Annals of Entomological Society of America, 91: 155-158. doi: http://doi.org/10.1093/aesa/91.2.155. Gullan, P.J. & P.S. Cranston, 2012. Os insetos: um resumo de entomologia. 4. ed. São Paulo, Roca. 480 p. Hammer, O., D.A.T. Harper, P.D. Ryan, 2001. PAST: Paleontological Statistic software package for education and data analysis. Paleontologia Eletronica, 4: 1-9. Modro, A.F.H., M.S.de. Costa, E. Maia, F.H. Aburaya, 2009. Percepção entomológica por docentes e discentes do município de Santa Cruz do Xingu, Mato Grosso, Brasil. Biotemas, 22: 153-159. doi: http://doi.org/10.5007/21757925.2009v22n2p153. Posey, D.A., 1986. Etnobiologia: teoria e prática. In: Ribeiro, D. (Ed.) Suma etnológica brasileira: etnobiologia. Petrópolis, Vozes/Finep, 1: 15-25. Santos-Fita, D. & E.M. Costa-Neto, 2007. As interações entre os seres humanos e os animais: a contribuição da etnozoologia. Biotemas, 20: 99-110. Silva, E.R.L., L.F.A. Alves, S.M. Giannotti, 2006. Análise do conteúdo de artrópodes em livros didáticos de biologia do

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Como citar este artigo:

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Hermogenes, G.C., Fabrícia Gonçalves Lacerda, G.R. Carmassi & L.N. Rodrigues, 2016. Percepção Entomológica de Graduandos da Universidade Federal do Espírito Santo, ES, Brasil. EntomoBrasilis, 9 (3): 180-186. Acessível em: doi:10.12741/ebrasilis.v9i3.590

e-ISSN 1983-0572


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EntomoBrasilis 9 (3)

QUESTIONÁRIO 1. Faixa etária ( ) 10 a 13 anos

( ) 31 a 40 anos

( ) 14 a 18 anos

( ) 41 a 50 anos

( ) 19 a 22 anos

( ) acima de 50 anos

( ) 23 a 30 anos

2. Sexo: M ( )

F( )

3. Escolaridade ( ) Ensino Fundamental Incompleto

( ) Ensino Fundamental Completo

( ) Ensino Médio Incompleto

( ) Ensino Médio Completo

( ) Ensino Superior Incompleto

( ) Ensino Superior Completo

4. Qual (is) destes animais, para você, é um inseto?

( ) Grilo

( ) Camarão

( ) Joaninha

( ) Cigarra

( ) Fungo do ar

( ) Percevejo

( ) Aranha

( ) Escorpião

( ) Besouro

( ) Cupim

( ) Esperança

( ) Formiga

( ) Lacraia

( ) Caramujo

( ) Piolho de cobra

( ) Sapo

( ) Gafanhoto

( ) Ácaro

( ) Abelha

( ) Lagarta

( ) Borboleta

( ) Rato

( ) Carrapato

( ) Louva-deus

( ) Borboleta

( ) Maria-Fedida

( ) Cobra

( ) Pulga

( ) Mariposa

( ) Varejeira

( ) Mosca

( ) Piolho

( ) Mosquito

( ) Mutuca

( ) Minhoca

( ) Calango

( ) Pernilongo

( ) Marimbondo

( ) Tatu-bola

( ) Lagartixa

5. De onde vem seu conhecimento sobre os insetos? ( ) escola

( ) livros

( ) revistas

( ) televisão

( ) internet

( ) outros ___________________________________________________

6. Quando você vê um inseto, qual é a sua sensação? ( ) medo

( ) nojo

( ) curiosidade

( ) beleza

( ) outro

_____________________________________________________________

( ) Sim

( ) Qual (is) ___________________________________________________________________________________________________

( ) Não

Por qual(is) motivo? _________________________________

8. Você acha que os insetos podem causar danos ao ser humano? ( ) Sim

( ) Qual (is) ______________________________________

_____________________________________________________________ ( ) Não

e-ISSN 1983-0572

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7. Você acha que os insetos podem trazer benefícios ao ser humano?


doi:10.12741/ebrasilis.v9i3.612 e-ISSN 1983-0572 Publicação do Projeto Entomologistas do Brasil www.ebras.bio.br Distribuído através da Creative Commons Licence v4.0 (BY-NC-ND) Copyright © EntomoBrasilis Copyright © do(s) Autor(es)

Análise da Ocorrência de Seis Grupos de Coleoptera em Dois Ecossistemas Perturbados Ecologicamente

Entomologia Geral/ General Entomology

Tatiana Galdino-da-Silva, Henrique Trevisan & Acacio Geraldo de Carvalho Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, e-mail: tatgaldinolm@gmail.com (Autor para correspondência), hentrevisan@gmail.com, acacio@ufrrj.br.

_____________________________________ EntomoBrasilis 9 (3): 187-192 (2016)

Resumo. Embora os insetos sejam considerados relevantes nos processos ecológicos, esses organismos constituem um dos grupos menos registrados entre os animais levantados na fauna brasileira. Também são entendidas como insuficientes às pesquisas que investigam sua ocorrência em ambientes com características ecológicas distintas. Nesse contexto, o objetivo deste trabalho é analisar a ocorrência de seis táxons de insetos (Scolytinae, Platypodinae, Bostrichidae, Cerambycidae, Curculionidae e Nitidulidae) em duas áreas com características ecológicas distintas, pastagem e fragmento florestal. Objetiva-se também proporcionar uma discussão que fomente o entendimento da ocorrência destes insetos em relação às características do ambiente, gerando dados que sinalizem a possibilidade de bioindicação em trabalhos futuros com estes organismos. As coletas foram realizadas semanalmente em Ipiabas, distrito de Barra do Piraí, RJ, através da instalação de oito armadilhas de impacto, modelo semifunil, sendo quatro armadilhas em cada ecossistema, distantes 50 metros uma da outra. As amostras foram obtidas no período de maio de 2012 a maio de 2013. Coletouse 4.796 coleópteros, sendo que 3.275 (67,9%) indivíduos foram capturados no fragmento florestal e 1.521 (32,03%) em área de pastagem. A subfamília Scolytinae foi mais freqüente no pasto durante o período seco, enquanto a família Nitidulidae apresentou maior freqüência no fragmento florestal e no período chuvoso. Dentre os grupos avaliados, os nitidulídeos demonstraram ocorrer distintamente entre os ambientes, indicando que esta família responde de forma mais evidente às mudanças ambientais entre os ecossistemas avaliados, em relação aos outros grupos taxonômicos identificados neste levantamento. Palavras-chave: Armadilha de impacto; flutuação populacional; fragmento florestal; insetos; pastagem.

Analysis of the Occurrence of Six Groups of Coleoptera in Two Ecologically Disturbed Ecosystems Abstract. The aim of this study was to analyze the occurrence of six groups of insects (Scolytinae, Platypodinae, Bostrichidae, Cerambycidae, Curculionidae and Nitidulidae) in a pasture area and forest fragment, in order to provide a discussion that fosters the understanding of the occurrence of these insects in function of the assessed ecosystem, generating data that signal the possibility of bioindication in future work with these organisms. The samples were obtained weekly in Ipiabas, a district of Barra do Pirai, RJ, by the installation of eight impact traps, semifunil model, in the study areas, being four traps in the pasture´s area and four in the forest fragment, respecting the distance of 50 meters between them. Samples were collected from May 2012 to May 2013. A total of 4,796 beetles were collected, of which 3,275 (67.9 %) individuals were captured in the forest fragment and 1,521 (32.03%) in the pasture. The subfamily Scolytinae was more frequent in the pasture and during the dry season, while the Nitidulidae family showed higher frequency in the forest fragment and in the rainy season. Among the studied groups, the nitidulídeos had greater variation in occurrence’s patterns, indicating that this family has the potential to be used as an indicator of environmental quality. Keywords: Forest fragment; insects; impact trap; pasture; population dynamics.

_____________________________________ s insetos têm uma grande importância ecológica, entretanto segundo Batista (2003), esses organismos são um dos grupos menos documentados entre os animais terrestres, constantemente omitidos dos diagnósticos e levantamentos de fauna do Brasil. Ainda, também são consideradas parcas, ou não conclusivas, as informações e pesquisas pertinentes ao estudo da ocorrência e dinâmica desses organismos em ecossistemas impactados pela ação do homem. Nesse contexto, discute-se que o isolamento, fragmentação ou mesmo a antropização do ambiente alteram a estrutura florestal, ocasionando, portanto, a interrupção de processos biológicos que mantêm a biodiversidade e o funcionamento do ecossistema, como a polinização, dispersão de sementes e reciclagem de nutrientes. Como grande parte destes processos é mediada pelos artrópodes, verifica-se que a fragmentação florestal afeta não só a abundância e a diversidade de insetos como também modifica, direta e indiretamente, as interações ecológicas com outros organismos (Murcia 1995). Dentre os invertebrados, observam-se alguns estudos, em que os insetos têm sido investigados com o intuito de encontrar subsídios, para que não apenas se conheça a sua diversidade,

mas também gerem informações que possam servir de base para discussões que avaliem condições de perturbações ecológicas, face às atividades antrópicas (Humpherey et al. 1999). Sendo assim, o estudo destes organismos pode ser considerado adequado em pesquisas que objetivam a avaliação de impacto ambiental e de efeitos de fragmentação florestal. Pois, além de ser o grupo de animais mais numerosos do globo terrestre, possuem elevadas densidades populacionais, apresentam ampla diversidade de espécies e de habitats, bem como grande variedade de habilidades para dispersão e seleção de hospedeiros e de respostas à qualidade e quantidade de recursos disponíveis (Thomazini & Thomazini 2000). Diante desses fatos, o uso de insetos como indicadores biológicos tem sido sugerido como um meio eficiente para se investigar o quanto o ecossistema Mata Atlântica está sendo afetado pelas atividades antrópicas (Freitas et al. 2003). Neste sentido, torna-se oportuno e necessário considerar pesquisas que analisem a dinâmica populacional desses organismos em ambientes que sofreram processos de perturbação ambiental, visando à geração de informação que possa fomentar

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Galdino-da-Silva et al.

Análise da Ocorrência de Seis Grupos de Coleoptera em Dois…

discussões sobre bioindicação nestes habitats, face aos padrões de ocorrência observados. Sobre esse raciocínio, convém levar em consideração nestas pesquisas, às características peculiares de cada grupo. Nesse sentido, a ordem Coleoptera é considerada a mais expressiva dentre a classe Insecta, pois compreende cerca de aproximadamente 360 mil espécies descritas, sendo 40% dos insetos e 30% dos animais (Lawrence & Newton 1995). Portanto, diante desses atributos, este grupo em especial, é considerado importante indicador da qualidade do ambiente, além, também, da ampla quantidade de nichos ecológicos que ocupam (Costa 1999). Perante o exposto, este trabalho objetivou avaliar a ocorrência de seis grupos de coleópteros (Scolytinae, Platypodinae, Bostrichidae, Cerambycidae, Curculionidae e Nitidulidae) em dois ecossistemas com características ecológicas distintas, pastagem e de fragmento florestal de Mata Atlântica, ambos localizados no município de Barra do Piraí, distrito de Ipiabas, RJ.

Material e Métodos A pesquisa foi realizada em uma área de fragmento de mata e de pastagem situadas a 22°21’ de latitude e 43°52’ de longitude, distrito de Ipiabas, município de Barra do Piraí no estado do Rio de Janeiro. Trata-se de uma área de Floresta Estacional Semidecidual e faz parte de uma região considerada pelo Ministério do Meio Ambiente como área prioritária para conservação de invertebrados (Brasil 2000). Foram instaladas, a 1,30 m do solo, quatro armadilhas de impacto em cada ambiente, oito no total, distando 50 m uma da outra, conforme recomendações de (Bossoes 2011). O modelo deste equipamento, denominado semifunil (Figura 1, 2 e 3), foi construído com material reciclável seguindo as orientações de (Carvalho & Trevisan 2015).

188

Cada armadilha foi iscada com álcool 96 ºGL (Figura 1f), substância também utilizada no frasco armazenador (Figura 1d), para conservação dos indivíduos que foram atraídos e capturados. Os equipamentos permaneceram no campo no período de maio de 2012 a maio de 2013. As coletas foram realizadas semanalmente, momento o qual a substância atrativa era renovada nas armadilhas.

Figura 1. Vista frontal: (a) prato protetor; (b) painel interceptador “semifunil”; (c) funil coletor; (d) frasco armazenador; (f) mangueira porta isca; (e) Arame fixador.

Os insetos coletados foram levados ao Laboratório de Entomologia Florestal, do Departamento de Produtos Florestais da UFRRJ, onde foram tabulados por data, local de coleta e grupo taxonômico (Scolytinae, Platypodinae, Bostrichidae, Cerambycidae, Nitidulidae e Curculionidae) e de morfoespécies no caso da família Nitidulidae. A escolha para monitoramento destes grupos taxonômicos foi realizada em função de serem insetos atraídos pelo etanol utilizado como isca nas armadilhas, sendo, portanto, uma especificidade do modelo de armadilha utilizada neste levantamento (Bossoes 2011; Carvalho & Trevisan 2015). Ainda, sobre Scolytinae, Platypodinae, Bostrichidae e Cerambycidae, estes grupos são considerados os principais que proporcionam danos tanto em florestas nativas como exóticas no Brasil, sendo, portanto, necessários mais estudos a cerca desses táxons, no que tange, inclusive, o conhecimento sobre sua ecologia (Monteiro & Garlet 2016). A ocorrência dos grupos de coleópteros em cada área de estudo foi avaliada através dos cálculos de frequência e constância, seguindo a classificação de Silveira Neto et al. (1976), que consideram indivíduos constantes, os que estão presentes em mais de 50% das coletas; acessórios, entre 25 e 50%; e acidentais, em menos de 25% das coletas. Os valores absolutos, utilizados nos cálculos percentuais de ocorrência, foram comparados pelo teste de qui-quadrado a 5% de significância. Ainda, para os dois grupos, Nitidulidae e Scolytinae, cuja ocorrência demonstrou-se mais expressiva que os demais, adotou-se também o teste de Mann-Whitney (5% de significância) para a análise de variâncias. Teste adotado pelo fato dos valores não terem assumido distribuição normal (Lilliefors 5% de significância) e serem provindos de dois grupos amostrais. A diversidade de morfoespécies da família Nitidulidae foi analisada através dos índices de Shannon-Weaver e de Simpson, segundo Magurran (1988), com o auxílio do programa Bioestat, versão 5.0. E a similaridade entre as áreas estudadas, no que se refere a esta família, foi discutida através do índice de similaridade de Jaccard. A análise da sazonalidade, no que se refere à ocorrência de Nitidulidade e Scolytinae, foi realizada pela confecção de gráficos de linha, onde se relaciona o número médio de indivíduos capturados com a época do ano em que foram capturados em cada ambiente.

Figura 2. Vista lateral das peças: (b) Painel interceptador; (e) Arame fixador; (f) Mangueira porta isca; (d) Frasco armazenador.

Figura 3. Vista lateral da armadilha montada: (e) eixo fixador (arame rígido). Fonte: Carvalho & Trevisan (2015)

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Resultados e Discussão Foram coletados 4796 coleópteros, sendo que 3275 (67,9%) indivíduos foram capturados em fragmento de mata e 1521 (32,03%) em ambiente de pasto. Estes resultados estão de acordo com Medri & Lopes (2001) que, observaram no norte do Paraná, em ambiente de mata, um número de besouros quase três vezes maior do que o número destes insetos na pastagem. Cabe ressaltar que Medri & Lopes (2001) realizaram os levantamentos no mesmo bioma avaliado neste trabalho, a Mata Atlântica. No entanto discordam de Thomazini (2002) que ao avaliarem a entomofauna em ambientes de floresta, capoeira e pastagem no sudeste acreano, bioma Amazônico, registraram maior número de coleópteros no pasto. Sendo assim, essa análise pode sugerir que variações na ocorrência de insetos, em florestas e pastagem, podem ser influenciadas pelo bioma onde estão sendo realizados os levantamentos. Cabendo a essas colocações pesquisas suplementares. Scolytinae e Nitidulidae foram os grupos mais coletados dentre os demais, no entanto somente para Nitidulidae registrou-se diferença significativa no número total de indivíduos para cada ambiente (Figura 4). Valores seguidos de mesma letra, entre barras do mesmo táxon, não diferem pelo teste de qui-quadrado (p<0,05)

EntomoBrasilis 9 (3)

espécies e que as espécies classificadas como constantes estão de fato estabelecidas dentro da comunidade. Diante da argumentação de Clemente (1995), pode-se supor que no fragmento de mata, os escolitíneos e os nitidulídeos estão estabelecidos. Já no ambiente de pastagem, apenas os escolitíneos conseguiram se estabelecer. Ainda, pode-se supor também, que o ambiente de pastagem oferece à família Nitidulidae algum tipo de resistência que não ocorre no ambiente de mata. O número médio de indivíduos da subfamília Scolytinae não apresentou diferença significativa em relação a sua ocorrência na mata e no pasto. Já para a família Nitidulidae observou-se um número médio de indivíduos significativamente superior no fragmento de mata em comparação ao pasto (Tabela 2). Tabela 2. Número médio de indivíduos, ± desvio padrão, de Scolytinae e Nitidulidae m armadilha semifunil no período de maio de 2012 a maio de 2013, no distrito de Ipiabas, RJ. Grupo

Ambiente Fragmento de mata

Pasto

Scolytinae

4,21±4,06 a

4,0±4,80 a

Nitidulidae

9,25±8,59 a

1,3±2,24 b

Valores seguidos de letras diferentes, na linha, diferem estatisticamente pelo teste de Mann Whitney a 1% de significância. A família Nitidulidae demonstrou-se ocorrer de forma mais abundante na área de fragmento de mata. Este registro corrobora Gonçalves (2005) que ao pesquisar a estratificação vertical de coleópteros em diferentes fragmentos no sul de Minas Gerais, constatou que a família Nitidulidae ocorreu em maior abundância em todos os fragmentos avaliados.

Em relação à constância, no fragmento de mata, a subfamília Scolytinae e a família Nitidulidae demonstraram-se constantes e a subfamília Platypodinae e as famílias Bostrichidae, Cerambycidae e Curculionidae foram classificadas como acessórias. No ambiente de pasto apenas a subfamília Scolytinae apresentouse constante, e as famílias Bostrichidae e Nitidulidae foram qualificadas como acessórias. Platypodinae, Cerambycidae e Curculionidae foram classificadas como acidentais (Tabela 1). Tabela 1. Constância dos grupos capturados com armadilha semifunil no período de maio de 2012 a maio de 2013, no distrito de Ipiabas, RJ. Grupo

Constância Fragmento de mata

Pasto

Scolytinae

82,21% constante

76,44% constante

Platypodinae

29,80% acessória

17,31% acidental

Bostrichidae

39,42% acessória

25,97% acessória

Cerambycidae

35,58% acessória

24,04% acidental

Nitidulidae

72,11% constante

37,50% acessória

Curculionidae

25,00% acessória

23,08% acidental

Sobre esses registros, Clemente (1995) argumenta que a alta porcentagem de espécies acidentais, em comunidades florestais, indica que o ambiente oferece resistência à proliferação dessas e-ISSN 1983-0572

Devido a essa constatação, a ocorrência de indivíduos dessa família também foi analisada em nível de morfoespécie. Sobre essa estratégia, Oliver & Beattie (1996) relatam que inventários de morfoespécies podem ser utilizados substituindo o inventário das espécies, para viabilizar a comparação da riqueza entre as áreas ao longo do tempo e do espaço. Dessa forma, foram registradas oito morfoespécies da família Nitidulidae, totalizando 1961 indivíduos no fragmento de mata e 280 indivíduos no ambiente de pasto. As morfoespécies sp.5, sp.7 e sp.8 foram registradas tanto no fragmento de mata como no ambiente de pasto e as morfoespécies sp.1, sp.2, sp.3, sp.4 e sp.6 ocorreram exclusivamente no fragmento de mata (Tabela 3). Sendo assim, observa-se que nenhuma morfoespécie ocorreu exclusivamente no ambiente de pastagem. A diversidade de morfoespécies pode ser estudada com base na existência de dois componentes: a diversidade inventarial, que aborda a riqueza de espécies na sua simples expressão e a diversidade diferencial mede as diferenças na composição de espécies entre dois ou mais ambientes, ou em um mesmo ambiente ao longo do tempo (Marinoni & Ganho 2006). Nesse sentido a diversidade inventarial, ou diversidade alfa da família Nitidulidae é discutida através do índice de Simpson e de Shannon. Já a diversidade beta é analisada através do índice de Jaccard.

189

Figura 4. Porcentagem de indivíduos, por grupo, capturados com armadilha semifunil, no fragmento de mata e no pasto no período de maio de 2012 a maio de 2013, no distrito de Ipiabas, Barra do Piraí, RJ.

Sendo assim, dentre as famílias da ordem Coleoptera consideradas nesta pesquisa, a família Nitidulidae foi a que apresentou maior capacidade em responder às mudanças ecológicas entre os ambientes avaliados. Isso sugere que este grupo demonstrouse com potencial para ser levado em consideração em pesquisas de bioindicação no que tange a avaliação de ecossistemas perturbados ecologicamente.


Análise da Ocorrência de Seis Grupos de Coleoptera em Dois…

Galdino-da-Silva et al.

Tabela 3. Número de morfoespécies de Nitidulidae capturadas em fragmento de mata e pasto no período de maio de 2012 a maio de 2013 em Ipiabas, RJ. Morfoespécie

Número de morfoespécie Fragmento de mata

Pasto

Sp.1

71

-

Sp.2

102

-

Sp.3

107

-

Sp.4

126

-

Sp.5

203

13

Sp.6

40

-

Sp.7

802

150

Sp.8

510

117

Total

1961

280

Desta forma, o índice de Similaridade de Jaccard foi igual a 0,37 demonstrando que a composição da família Nitidulidae no fragmento de mata e no pasto, é pouco similar. A baixa similaridade na composição dos nitidulídeos entre as duas áreas, muito provavelmente tem relação com a diferença de microclima e de espécies vegetais presentes nos dois ambientes. Nesta explicação, pode residir o respaldo para a hipótese, anteriormente mencionada, sobre a resistência oferecida pelo ambiente de pasto, ao estabelecimento de Nitidulidae. A análise dos índices de diversidade de morfoespécies de Simpson e Shannon para a família Nitidulidae indica que pelo índice de Simpson, a diversidade no ambiente de pasto é maior que a diversidade no fragmento de mata. Já o índice de Shannon, aponta que a diversidade no fragmento, é maior que no pasto (Tabela 4).

Figura 5. Número médio de indivíduos dos coleópteros capturados com armadilha semifunil no ambiente de mata e pasto, no período seco e chuvoso, em Ipiabas, RJ.

No entanto, referente à sazonalidade da família Nitidulidae no fragmento de mata, observou-se evidente frequência superior no período chuvoso (outubro a março) quando comparado com o período seco (abril a setembro), tendo o pico populacional ocorrido em janeiro (Figura 6). Contudo, Azevedo et al. (2011) na floresta nacional do Araripe, observaram resultados diferentes, pois a família Nitidulidae ocorreu com maior freqüência no período seco. Em Scolytinae não foi observada influência evidente do período seco e chuvoso em sua ocorrência neste ambiente, sendo o padrão sazonal semelhante em ambos os períodos (Figura 6). Esse registro concorda com Gusmão (2011), que ao quantificar o número de escolitíneos no cerrado, também não encontrou diferença significativa do número de indivíduos em relação à época do ano.

Tabela 4. Análise faunística da família Nitidulidae capturada com armadilha etanólica, em fragmento e ambiente de pasto no distrito de Ipiabas, RJ, no período de maio de 2012 a maio de 2013. Parâmetro

Fragmento de mata

Pasto

Riqueza (S)

8

3

Índice de Simpson

0,7428

0,5363

Índice de Shannon

0,7118

0,3655

190

Diante dessa aparente contradição, MELO (2008) explica que um determinado índice de diversidade pode indicar que a comunidade A é mais diversa que a B, enquanto outro índice indica o oposto. Isto ocorre devido ao fato de um índice ter dado maior relevância para riqueza de espécies enquanto o outro índice de diversidade ter dado maior relevância para equabilidade. Entendendo equabilidade como uma medida de ponderação, relacionando a distribuição de indivíduos amostrados com o número de espécies. Comunidades com alta equidade possuem baixa dominância entre as espécies (Cullen et al. 2006). Esse padrão foi observado neste trabalho. O número médio de insetos coletados no período chuvoso (outubro a março) e seco (abril a setembro) percebe-se que os coleópteros não apresentaram grande variação em termos de número médio de indivíduos por período (Figura 5). Esse registro contrasta com Teixeira et al. (2009), que na Mata do Mergulhão (RJ) registrou 61,8% dos indivíduos no período chuvoso e 38,2% de indivíduos no período seco. Discorda também de Azevedo et al. (2011), que na Floresta Nacional do Araripe observaram maior número de coleópteros no período seco. Dorval (2002) observou também no Mato Grosso, menor atividade de coleópteros em períodos de maior pluviosidade.

Figura 6. Sazonalidade de indivíduos da subfamília Scolytinae e família Nitidulidae coletados no fragmento de mata no período de maio de 2012 a maio de 2013 no distrito de Ipiabas, Barra do Piraí, RJ.

No pasto verificou-se padrão de frequência diferente em relação ao observado no fragmento de mata. A família Nitidulidae revelou manter uma população inferior durante todo o período analisado, em relação à Scolytinae. Neste ambiente, Scolytinae ocorreu com evidente frequência superior durante o período seco, apresentando pico populacional no mês de julho (Figura 7). Gusmão (2011) obteve o mesmo resultado em povoamento de eucalipto, no Mato Grosso. Diante dos resultados registrados nas condições ambientais nas quais esse levantamento foi realizado, conclui-se que os grupos Scolytinae, Platypodinae, Cerambycidae, Bostrichidae e Curculionidae demonstra ocorrer com padrão populacional semelhante entre o fragmento florestal e a pastagem. Já a família Nitidulidade demonstra ser mais sensível às variações ecológicas entre os habitats estudados, revelando claro padrão de ocorrência distinto entre ambientes, sugerindo, desta forma, que este grupo e-ISSN 1983-0572


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Figura 7. Sazonalidade de indivíduos da subfamília Scolytinae e família Nitidulidae coletados no ambiente de pasto no período de maio de 2012 a maio de 2013 no distrito de Ipiabas, Barra do Piraí, RJ.

Referências Azevedo, F.R, M.A.R. Moura, M.S.B. Arrais & D.R. NERE, 2011. Composição da entomofauna da Floresta Nacional do Araripe em diferentes vegetações e estações do ano. Revista Ceres, 58: 740-748. doi: http://dx.doi.org/10.1590/s0034737x2011000600010. Batista, M.A., 2003. Distribuição e dinâmica especial de abelhas sociais Meliponini em um remanescente de Mata Atlântica (Salvador, Bahia, Brasil). Dissertação (Mestrado em Ciências). FFCLRP-USP, 159 f. Bossoes, R.R., 2001. Avaliação e adaptação de armadilhas para captura de insetos em corredor agroflorestal. Dissertação (Mestrado em Fitossanidade de Biotecnologia Aplicada), Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, 34 f. Brasil, 2000. Ministério do meio ambiente, Fundação SOS Mata Atlântica, Fundação Biodiversistas, Instituto de pesquisas ecológicas, Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, SEMAD/Instituto Estadual de Florestas MG, Avaliação e ações prioritárias para a conservação da biodiversidade da Mata Atlântica e Campos Sulinos por Conservation International do Brasil, Brasília, 40 p. Carvalho, A.G. & H. Trevisan, 2015. Novo modelo de armadilha para captura de Scolytinae e Platypodinae (Insecta, Coleoptera). Revista Floresta e Ambiente, 22: 575-578. doi: http://dx.doi.org/10.1590/2179-8087.105114. Clemente, A.T.C., 1995. Análise da população de Lepidoptera em comunidades florestais de Araucaria angustifolia, Eucalyptus grandis e Pinus taeda. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais), Universidade Federal do Paraná, 75 f. Costa, C., 1999. Coleoptera, p 115-122. In: Brandão, C.R.F. & E.M. Cancelo (Eds.). Invertebrados terrestres. Biodiversidade do Estado de São Paulo. São Paulo, FAPESP, 279 p. Cullen Jr., L., R. Rudran & C. Valladares-Padua (Eds.), 2006. Métodos de estudos em biologia da conservação e manejo da vida silvestre. Curitiba, Universidade Federal do Paraná, p. 169-179. Dorval, A., 2002. Levantamento populacional de coleópteros com armadilhas etanólicas em plantios de eucaliptos e em uma área com vegetação de cerrado no município de Cuiabá, Estado de Mato Grosso. Tese (Doutorado em Engenharia Florestal), UFPR. Curitiba, 143 f. Freitas, A.V.L., R.B. Francini & K.S. Brown Jr. 2003. Insetos como Indicadores ambientais. p. 125-151. In: L. Cullen Jr, R. Rudran & C. Valladares-Padua (Eds). Métodos de Estudos em Biologia da Conservação e Manejo da Vida Silvestre. Curitiba, UFPR, 652 p. Gonçalves, P.P. & J.N.C. Louzada, 2005. Estratificação vertical de coleópteros carpófilos (Insecta: Coleoptera) em fragmentos e-ISSN 1983-0572

florestais do Sul do estado de Minas Gerais, Brasil. Ecologia Austral, 15: 101-110. Gusmão, R. S., 2011. Análise faunística de Scolytidae (Coleoptera) coletadas com armadilhas etanólicas com e sem porta isca em Eucalyptus ssp em área de cerrado no município de Cuiabá M.T. Dissertação. (Mestrado em Ciências Ambientais e Florestais), Universidade Federal de Mato Grosso, CuiabáMT, 47 f. Humphrey, J.W., C. Hawes, A.J. Peace, R. Ferris-Kaan & M.R Jukes, 1999. Relationships between insect diversity and habitat characteristics in plantation forests. Forest Ecology and Management, 113: 11-21. doi: http://dx.doi.org/10.1016/ s0378-1127(98)00413-7. Lawrence, J.F. & E.B. Newton, 1995. Families and subfamilies of Coleoptera (with select genera, notes, references and data on family-group names). p. 779-1006. In: Papaluk J.F. & Slipinski S.A. (Eds). Biology, phylogeny, and classificattion of Coleoptera. Varsóvia, Museum i Institut Zoologii, PAN, 1092p. Magurran, A.E., 1988. Ecological Diversity and its Measurement. Princeton. Princeton University Press, 192 p. Marinoni, R.C. & N.G. Ganho, 2006. A diversidade diferencial beta de Coleoptera (Insecta) em uma paisagem antropizada do Bioma Araucária. Revista Brasileira de Entomologia, 50: 64-71. doi: http://dx.doi.org/1.0.1590/s008556262006000100009. Medri, I. M. & J. Lopes, 2001. Coleopterofauna em floresta e pastagem no Norte do Paraná, Brasil, coletada com armadilha de solo. Revista Brasileira de Zoologia, 18: 125-133. doi: http://dx.doi.org/10.1590/s0101-81752001000500010. Melo, A.S., 2008. O que ganhamos ‘confundindo’ riqueza de espécies e equabilidade em um índice de diversidade? Biota Neotropica, 8: 21-27. doi: http://dx.doi.org/10.1590/s167606032008000300001. Monteiro, M. & J. Garlet, 2016. Principais coleobrocas de espécies florestais no Brasil: Uma revisão bibliográfica. Espacios, 37: 5p. Disponível em: <http://revistaespacios. com/a16v37n25/16372505.html> Murcia, C., 1995. Edge effects in fragmented forests: implications for conservation. Trends in Ecology & Evolution, 10: 58-62. doi: http://dx.doi.org/10.1016/s0169-5347(00)88977-6. Oliver, I. & A.J. Beattie, 1996. Invertebrate morphospecies as surrogates for species: a case study. Conservation Biology, 10: 99-109. doi: http://dx.doi.org/10.1046/j.15231739.1996.10010099.x. Silveira Neto, S., O. Nakano, D. Barbin & N.A. Villa Nova, 1976. Manual de Ecologia dos Insetos. São Paulo, Agronômica Ceres, 419 p. Teixeira, C.C.L., M. Hoffmann & G. Silva-Filho, 2009. Comunidade de Coleoptera de solo em remanescente de Mata Atlântica no estado do Rio de Janeiro, Brasil. Biota Neotropica, 9: 91-95. doi: http://dx.doi.org/10.1590/s167606032009000400010. Thomazini, M.J., 2002. Flutuação populacional e intensidade de infestação da broca-dos-frutos em cupuaçu. Scientia Agrícola, 59: 463-468. http://dx.doi.org/10.1590/S010390162002000300009. Thomazini, M.J. & A.P.B.W. Thomazini, 2000. A fragmentação florestal e a diversidade de insetos nas florestas tropicais úmidas. Rio Branco: Embrapa Acre, (Embrapa Acre. Documentos, 57), 21 p. Recebido em: 10.v.2016 Aceito em: 03.xi.2016 ********** 191

taxonômico responde às variações ecológicas dos ambientes de forma mais evidente em relação aos demais táxons considerados neste levantamento.

EntomoBrasilis 9 (3)


Análise da Ocorrência de Seis Grupos de Coleoptera em Dois…

Galdino-da-Silva et al.

Como citar este artigo:

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Galdino-da-Silva, T., H. Trevisan & A.G. Carvalho, 2016. Análise da Ocorrência de Seis Grupos de Coleoptera em Dois Ecossistemas Perturbados Ecologicamente. EntomoBrasilis, 9 (3): 187-192. Acessível em: doi:10.12741/ebrasilis.v9i3.612

e-ISSN 1983-0572


doi:10.12741/ebrasilis.v9i3.643 e-ISSN 1983-0572 Publicação do Projeto Entomologistas do Brasil www.ebras.bio.br Distribuído através da Creative Commons Licence v4.0 (BY-NC-ND) Copyright © EntomoBrasilis Copyright © do(s) Autor(es)

Efeito de Diferentes Tipos de Injúrias Causadas nos Estádios Iniciais de Desenvolvimento da Soja Eires Tosta Fernandes & Crébio José Ávila

Entomologia Geral/ General Entomology

Embrapa CPAO (Agropecuária Oeste), e-mail: eires_bio@hotmail.com (Autor para correspondência), crebio.avila@embrapa.br.

_____________________________________ EntomoBrasilis 9 (3): 193-196 (2016)

Resumo. A soja, Glycine max (L.), é uma cultura que pode ser prejudicada por insetos-praga durante todo o ciclo fenológico, principalmente nos estádios iniciais desta cultura. O objetivo deste trabalho foi avaliar a resposta da cultura da soja a diferentes tipos de injúrias artificiais causadas nos seus estádios iniciais de desenvolvimento. O experimento foi conduzido na área experimental da Embrapa Agropecuária Oeste, utilizando-se as cultivares FTS Campo Mourão e BRS Potência, as quais foram submetidas aos seguintes tipos de injúrias iniciais: 1) Remoção de um cotilédone; 2) Remoção de dois cotilédones; 3) Remoção de dois cotilédones e uma folha unifoliolada; 4) Remoção de dois cotilédones e duas folhas unifolioladas; 5) Remoção de uma folha unifoliada; 6) Remoção de duas folhas unifolioladas; 7) Corte abaixo das folhas unifolioladas; 8) Corte do broto trifoliado; 9) Testemunha (sem injúria). A altura das plantas, o número de vagens/planta e o peso verde da parte aérea da cultivar FTS Campo Mourão foram menores quando comparado com os valores desses parâmetros obtidos na cultivar BRS Potência. Foi também constatado redução na altura das plantas de soja nos tratamentos 3, 4, 6 e 7 quando comparado à testemunha. O rendimento de grãos (Kg ha-1) foi semelhante nas duas cultivares e não foi influenciado pelos diferentes tipos de injúrias causados nas plantas. Já o peso de 100 sementes (g) foi maior na cultivar FTS Campo Mourão quando comparado a cultivar BRS Potência. Independente dos tipos de injúrias que são causadas, as plantas apresentam capacidade de recuperação ao dano. Palavras-chave: Altura de plantas; Injúria artificial; desenvolvimento e danos; Fabaceae; Rendimento de grãos.

Effect of Different Types of Injury Caused During the Early Soybean Development Stages Abstract. The soybean, Glycine max (L.), is a crop that can be damaged by insect pests throughout its phonological cycle, particularly in the early stages of development of this culture. The aim of this study was to evaluate the response of soybean to different types of artificial injuries caused in its early stages of development. The experiments were carried out at Embrapa Agropecuária Oeste using the cultivars FTS Campo Mourão and BRS Potência. These cultivars were submitted to nine treatments of artificial injuries, as follow: 1) removal of one cotyledon; 2) removal of two cotyledons; 3) removal of two cotyledons and one unifoliate leaf; 4) removal of two cotyledons and two unifoliate leaves; 5) removal of one unifoliate leaf, 6) removal of two unifoliate leaves; 7) cut below the unifoliate leaves; 8) cut below the trifoliate bud; 9) untreated (without injury). The plant height, the number of pods/plant and fresh weight of aerial part in Campo Mourão cultivar were lower than that observed with the Potência cultivar. There was also reduction of the plant height in the treatments 3, 4, 6 and 7 when compared to the control (without injury). The grain yield (Kg ha-1) was similar in both cultivars and was not influenced by the different types of injuries applied in plants of both cultivars. The weight of 100 seeds (g) was higher in cultivar Campo Mourão when compared to Potência cultivar. Regardless of the types of injuries that are caused, the plants have resilience to damage. Keywords: Artificial injury; Development and damage; Fabaceae; Grain yield; Plant height.

_____________________________________ soja, Glycine max (L.) Merrill (Fabaceae), é considerada uma cultura de grande importância econômica, sendo o Brasil o segundo maior produtor mundial dessa leguminosa (FIESP 2016). Dentre os organismos que proporcionam perdas de produtividade na soja, destacam-se as pragas iniciais, que ocorrem durante os primeiros estádios de desenvolvimento da cultura (Ávila & Grigolli 2014) e que podem causar destruição das sementes e/ou de plântulas, consumo de raízes, destruição dos cotilédones ou das folhas unifolioladas, corte dos ponteiros ou dos brotos das folhas trifoliadas, danos esses que podem afetar o rendimento de grãos da cultura (Ribeiro & Costa 2000; Hoffmann-Campo et al. 2012). Thomas & Costa (1993) afirmaram que a remoção dos cotilédones após a emergência das plantas de soja pode resultar em diminuição do rendimento de grãos. Dentre as principais pragas que causam danos nos estádios iniciais da soja, destacam-se várias espécies de corós e de percevejos-castanho que atacam as raízes das plantas, bem como Sternechus subsignatus Beoheman (Coleoptera: Curculionidae), Myochrous armatus Baly (Coleoptera: Chrysomelidae), Crocidosema aporema (Walsingham) (Lepidoptera: Tortricidae), Elasmopalpus lignosellus (Zeller) (Lepidoptera: Pyralildae) e

Spodoptera frugiperda (J.E. Smith) (Lepidoptera: Noctuidae), que causam danos em plântulas (Hoffmann-Campo et al. 2000; Degrande & Vivan 2010). Outros organismos como lesmas e caracóis, além dos piolhos-de-cobra também são relatados atacando plântulas de soja (Hoffmann-Campo et al. 2012). Essas pragas são classificadas como “pragas iniciais” e podem ser de importância primária, regional ou secundária, em função da sua frequência, abrangência de ocorrência e do potencial de danos que podem causar na cultura da soja (Ávila & Grigolli 2014). As plantas de soja quando submetidas à desfolha têm normalmente a arquitetura do dossel modificado, o que pode causar redução da área foliar efetiva, diminuição da intercepção da luz e do acúmulo de massa seca e, consequentemente, afetar o número de vagens, o número de sementes por vagem e a produtividade da cultura (Parcianello et al. 2004). Existem vastas informações na literatura sobre a resposta da soja à desfolha causada por pragas desfolhadoras na fase vegetativa e reprodutiva da cultura (Gazzoni & Moscardi 1998; Barros et al. 2002), porém, pouca informação é disponível sobre a resposta da cultura às injúrias causadas por pragas nos seus estádios iniciais de desenvolvimento (Gazzoni & Moscardi 1998). O estudo de

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Efeito de Diferentes Tipos de Injúrias Causadas nos Estádios…

danos causados por insetos na cultura da soja pode ser realizado através da simulação de injúrias artificiais nas estruturas das plantas uma vez que a reação da planta de soja ao desfolhamento artificial é muito semelhante à reação causada pelos insetos desfolhadores (Gazzoni 1974). Esse trabalho foi conduzido com o objetivo de avaliar a resposta de cultivares de soja a diferentes tipos de injúrias artificiais aplicadas nos estádios iniciais de desenvolvimento das plantas.

MATERIAL E MÉTODOS Os ensaios foram conduzidos em condições de campo, instalado durante a safra de 2012/2013, iniciando-se no mês de outubro e finalizando em março na área experimental da Embrapa Agropecuária Oeste, em Dourados, MS. (21º 56’S, 53º 59’O). A cultura foi instalada no sistema de plantio convencional, sendo as sementes de soja previamente tratadas com os fungicidas Carboxin + Thiram e inoculadas com o rizóbio Bradyrhizobium, nas doses recomendadas pelo fabricante. Durante a semeadura realizou-se também a adubação de plantio empregando-se 350 Kg ha-1 de adubo da fórmula 00-20-20 (N-P-K). No experimento foram utilizadas duas cultivares de soja, as quais são as mais cultivadas pelos agricultores na região, sendo uma de crescimento determinado e de ciclo precoce (FTS Campo Mourão) e outra de crescimento indeterminado e de ciclo semi-precoce (BRS Potência). Injúrias artificiais foram realizadas nas plântulas de soja das duas cultivares, nos estádios fenológicos VC, V2 e V4 dependendo do tipo de injúria considerado, consistindo os ensaios dos seguintes tratamentos: 1) Remoção de um cotilédone; 2) Remoção de dois cotilédones; 3) Remoção de dois cotilédones e uma folha unifoliada; 4) Remoção de dois cotilédones e duas folhas unifolioladas; 5) Remoção de uma folha unifoliada; 6) Remoção das duas folhas unifolioladas; 7) Corte abaixo das folhas unifolioladas; 8) Corte do broto da folha trifoliada; 9) Testemunha (sem injúria), tratamentos estes baseados na descrição realizada por Bueno et al. (2010). O delineamento experimental foi o de blocos ao acaso alocado no esquema fatorial 2 (duas cultivares) x 9 (nove tipos de injúrias) em quatro repetições. As unidades experimentais foram constituídas de cinco fileiras de soja de 4,5 m de comprimento, espaçadas de 45 cm na entrelinha, tendo como área útil as três fileiras centrais da parcela. Foram realizadas aplicações semanais dos inseticidas Flubendiamida (24 g i.a. ha-1) e Tiametoxam + Lambda-Cialotrina (35,2 + 26,5 g i.a. ha-1), respectivamente, para o controle de lagartas e percevejos nas cultivares da soja para prevenção das injúrias causadas naturalmente por insetos, e assim evitar alteração na intensidade das injúrias impostas nos diferentes tratamentos (Embrapa Soja 2013). Da mesma forma, o fungicida Azoxistrobina + Ciproconazol (100 + 40 g i.a. ha-1) foi aplicado na cultura para o controle de doenças e o herbicida Glifosato (1.440 g i.a. ha-1) aplicado para o controle de plantas invasoras nos ensaios, quando necessário (Embrapa Soja 2013). Ao final do ciclo da cultura foram determinados os seguintes parâmetros agronômicos: 1) Altura de plantas, 2) Peso verde da parte aérea, 3) Número médio de vagens/planta, 4) Peso de 100 sementes (g) e 5) Rendimento de grãos (Kg ha-1), à semelhança do realizado por Bueno et al. (2010). A altura e o peso verde da parte aérea, bem como o número de vagens/planta foram determinados

Fernandes & Ávila

tomando-se vinte plantas amostradas, ao acaso, na área útil da parcela. Para a avaliação do rendimento de grãos, colheu-se a soja produzida nas três fileiras de plantas de cada parcela, que depois de trilhada, limpa e pesada em uma balança de precisão, determinou-se o rendimento de grãos em Kg ha-1 e o peso médio de 100 sementes da soja colhida nos diferentes tratamentos. Os valores das variáveis avaliadas nos ensaios foram submetidos à análise de variância pelo teste F, e quando verificado efeito significativo de tratamento, as médias foram comparados pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

RESULTADOS Não foi constatada interação significativa entre os fatores cultivar e tipos de injúrias artificiais aplicados nos estádios iniciais da soja, evidenciando que os efeitos desses fatores expressaram de forma independente para as diferentes variáveis estudadas. Dessa forma, os efeitos das cultivares foram comparados considerando-se o efeito médio dos diferentes tipos de injúrias artificiais. Semelhantemente, os efeitos dos diferentes tipos de injúrias artificiais sobre as plantas de soja foram comparados considerando o efeito médio nas duas cultivares para as diferentes variáveis estudadas. Com relação à altura média de plantas das cultivares, verificou-se que a cultivar BRS Potência apresentou significativamente maior altura quando comparada à altura de plantas da cultivar FTS Campo Mourão (Tabela 1). Já para os diferentes tipos de injúrias aplicados nas plantas de soja, a altura foi menor nos tratamentos em que os dois cotilédones foram removidos juntamente com a remoção das duas folhas unifolioladas. O mesmo ocorreu quando as plantas foram submetidas ao corte abaixo da folha unifoliada bem como com a remoção de dois cotilédones + uma folha unifoliada e com a remoção apenas das duas folhas unifolioladas, quando comparada com a altura de plantas observado no tratamento testemunha (Tabela 2). O número médio de vagens por planta e o peso verde da parte aérea foi também maiores na cultivar BRS Potência quando comparado aos valores desses parâmetros obtidos na cultivar FTS Campo mourão (Tabela 1). Porém, as diferentes injúrias iniciais aplicadas nas plantas de soja não interferiram no número de vagens por planta, no peso verde da parte aérea das plantas, no rendimento de grãos e no peso de 100 sementes (Tabela 2). O rendimento de grãos de soja (kg ha-1) foi também semelhante nas duas cultivares estudadas, porém, o peso de 100 sementes (g) foi maior na cultivar FTS Campo Mourão quando comparado ao obtido na cultivar BRS Potência (Tabela1).

DISCUSSÃO A soja de crescimento indeterminado BRS Potência teve um porte maior quando comparada à soja de crescimento determinado FTS Campo Mourão, evidenciando-se que a altura da planta desta leguminosa está relacionada ao tipo de crescimento da cultivar. Bueno et al. (2010) também verificaram que a cultivar de crescimento determinado BRS 294 RR apresentou menor altura de plantas quando comparado com o crescimento da cultivar de crescimento indeterminado BMX Turbo RR, à semelhança do constatado neste trabalho.

Tabela 1. Valores médios da altura de plantas (AP), número de vagens/planta (NVP), peso verde da parte aérea (PV), rendimento de grãos (RG) e peso de 100 sementes (PCS) observados nas cultivares FTS Campo Mourão e BRS Potência. Dourados, MS. Safra 2012/2013.

194

Cultivar

AP (cm)

NVP

PV (g)

RG (kg ha-1)

PCS (g)

Campo Mourão

70,8 b

31,8 b

671,3 b

3036 a

16,6 a

Potência

91,4 a

47,9 a

773,4 a

2880 a

12,3 b

15,7

18,0

9,2

6,6

CV (%)

4,5

Médias seguidas de mesma letra, na coluna, não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

e-ISSN 1983-0572


Setembro - Dezembro 2016 - www.periodico.ebras.bio.br

EntomoBrasilis 9 (3)

Tabela 2. Valores médios da altura de plantas (AP), número de vagens/planta (NV), peso verde da parte aérea (PV), rendimento de grãos (RG) e peso de 100 sementes (PCS) observados nas cultivares de soja Campo Mourão e Potência quando submetidas a diferentes de tipos de injurias nos estádios iniciais de desenvolvimento das plantas. Dourados, MS. Safra 2012/2013. Tratamento

AP (cm)

NV

PV (g)

RG (kg ha-1)

PCS (g)

Retirada de 1 cotilédone

83,6 ab

38,2 a

698,7 a

2616 a

14,8 a

Retirada de 2 cotilédones

82,9 abc

42,8 a

720,6 a

2796 a

14,6 a

Retirada de 2 cotilédone + 1 unifoliada

77,8 bcd

35,8 a

708,1 a

2328 a

14,6 a

Retirada de 2 cotilédone + 2 unifoliada

72,7 d

43,0 a

729,3 a

2430 a

14,1 a

Retirada de 1 unifoliada

85,5 a

38,0 a

713,7 a

2724 a

14,4 a

Retirada de 2 unifolioladas

79,3 bc

37,9 a

719,3 a

2688 a

13,9 a

Corte abaixo da unifoliada

77,6 cd

41,9 a

721,2 a

2772 a

14,2 a

Corte do broto Trifoliado

83,6 ab

41,1 a

752,5 a

2676 a

14,7 a

Testemunha (sem injúria)

86,5 a

40,2 a

738,1 a

2802 a

14,8 a

4,5

15,7

8,0

90,2

6,6

CV (%)

Médias seguidas de mesma letra, na coluna, não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade

Oliveira & Morais (1999) estudando plântulas de Vigna unguiculata (L.) Walp (Fabaceae), observaram também que a remoção de ambos os cotilédones das plantas afetou significativamente o seu crescimento e diminuiu a sua sobrevivência. Quando apenas um cotilédone foi removido, as plantas não tiveram sua altura reduzida, provavelmente porque as reservas energéticas não foram esgotadas devido à presença ainda de um cotilédone remanescente. Segundo Thomas & Costa (1993) os cotilédones da soja têm função de reserva e apresentam atividade fotossintética mínima, mas essas reservas mantêm o crescimento da plântula até ocorrer a expansão das folhas primárias, quando então o crescimento passa depender apenas da fotossíntese dessas folhas. As folhas unifolioladas são básicas para os processos iniciais de fotossíntese, podendo durar de quatro a seis semanas a partir da sua formação (Câmara 1992). No tratamento em que foram removidas as duas folhas unifolioladas e com corte abaixo das folhas unifolioladas tiveram seu crescimento reduzido quando comparado à testemunha, evidenciando-se que os as folhas unifolioladas têm importância fundamental para o desenvolvimento inicial das plantas de soja. Moscardi et al. (2012) também verificaram que nos tratamentos em que as duas folhas unifolioladas foram retiradas, a altura das plantas foi significativamente menor que nos demais tratamentos avaliados, à semelhança do observado neste trabalho. O número de vagens da Cultivar BRS Potência foi relativamente maior em relação à cultivar FTS Campo Mourão, característica esta provavelmente inerente ao genótipo da planta. Segundo Parcianello et al. (2004) e Bárbaro et al. (2006), o caráter número vagens por planta é um dos componentes mais importantes para a produtividade de grãos, podendo a planta se ajustar a diferentes condições de manejo. A cultivar BRS e-ISSN 1983-0572

Potência também teve um maior peso verde da parte aérea, em comparação a cultivar FTS Campo Mourão, porém, Perini et al. (2012) argumentaram que nem sempre as plantas que apresentam maior massa são mais produtivas. A soja possui uma grande capacidade natural de recuperar-se de danos causados nos estádios iniciais de desenvolvimento (HoffmannCampo et al. 2012), o que possivelmente explica os resultados de recuperação das plantas observados neste trabalho, uma vez que os parâmetros de rendimento e de qualidade dos grãos não foram afetados considerando-se as duas cultivares e os diferentes níveis de injúrias testados. Esses resultados evidenciam que os componentes de rendimento não estão associados com o tipo de crescimento da planta, e que as cultivares de soja responderam de forma semelhante aos diferentes tipos de injúrias, provavelmente devido à grande capacidade de recuperação que as mesmas apresentam após a ocorrência desses danos iniciais (Silva et al. 2003). No entanto, Bueno et al. (2010) verificaram que injúrias iniciais mais drásticas como a remoção de dois cotilédones e as duas folhas unifolioladas ou o corte da planta abaixo das folhas unifolioladas foram capazes de reduzir a produtividade da soja, quando comparado à produtividade das plantas sem injúria, diferentemente do encontrado neste trabalho, embora Bueno et al. (2010) tenha trabalhado com cultivares diferentes das utilizadas neste trabalho. O peso de 100 sementes da cultivar de Crescimento determinado FTS Campo Mourão superou ao observado com a cultivar BRS Potência, à semelhança do observado por Perini et al. (2012). Esse maior peso de 100 sementes na cultivar FTS Campo Mourão, seja talvez para compensar o menor número de vagens por planta obtido nessa cultivar, uma vez que o rendimento de grãos não diferiu daquele verificado com a cultivar BRS Potência. Nas condições em que o presente estudo foi conduzido, concluiuse que as cultivares BRS Potência e FTS Campo Mourão apresentam diferenças entre os componentes de rendimento, como altura de plantas, peso verde da parte aérea, número de vagens por planta e peso de 100 sementes, porém o rendimento de grãos é semelhante nessas duas cultivares. Quando diferentes tipos de injúrias são causadas, as plantas apresentam grande capacidade de recuperação ao dano, não afetando o rendimento de grãos da soja, embora a altura das plantas possa ser afetada dependendo do tipo de injúria aplicada nos estádios iniciais de desenvolvimento da cultura.

AGRADECIMENTOS Aos técnicos e estagiários do setor de Entomologia da Embrapa Agropecuária Oeste pela colaboração na condução dos ensaios no campo.

195

As plantas em que foram removidos ambos os cotilédones, acrescido da remoção de uma ou duas folhas unifolioladas, apresentaram um menor crescimento. Segundo Amarante et al. (1995), quando os cotilédones são artificialmente destruídos no início do desenvolvimento das plântulas, pode ocorrer reduções significativas no crescimento da planta, pois logo após a emergência, os cotilédones são responsáveis por iniciar uma fase de alta taxa de expansão associada à produção de clorofila. No entanto, quando os cotilédones são destruídos mais tardiamente não ocorre esta redução no crescimento, provavelmente porque nestes estádios, as plantas já apresentam capacidade fotossintética adequada proveniente de outras estruturas para suprir a perda dos cotilédones (Hanley & May 2006; Hanley & Fegan 2007). As injúrias precoces na cultura da soja podem afetar o rendimento de grãos da cultura. Glier et al. (2015) verificaram que desfolhas da soja realizadas no estádio V4 acarretam em menor produtividade do que quando realizadas no estádio V9.


Efeito de Diferentes Tipos de Injúrias Causadas nos Estádios…

REFERÊNCIAS Amarante, C.V.T., D.A Bisognin & P.C. Canci, 1995. Contribuição das folhas cotiledonares para o crescimento inicial de plantas de abóbora híbrida cv. Tetsukabuto. Ciência Rural, 25: 17-21. doi: http://dx.doi.org/10.1590/S010384781995000100004. Ávila, C.J. & J. F. J. Grigolli, 2014. Pragas da soja e seu controle. In: Lourenção, A.L.F., J.F.J. Grigolli, A.M. Melotto, C. Pitol, D. de C. Gitti & R. Roscoe (Ed.). Tecnologia e produção: soja 2013/2014. Maracaju: Fundação MS. Disponível em: <http:// www.fundacaoms.org.br/tecnologia-producao-soja-20132014>. [Acesso em: 19.iv.2016]. Bárbaro, I.M., M.A.P. da C. Centurion, A.O. Di Mauro, S.H. Unêda-Trevisoli, N.H.C. Arriel & M.M. Costa, 2006. Path analysis and expected response in indirect selection for grain yield in soybean. Crop Breeding and Applied Biotechnology, 6: 151-159. doi: http://dx.doi.org/10.12702/1984-7033. v06n02a06. Barros, H.B., M.M. dos Santos, J.M. Peluzio, R.N.C. Rocha, R.R. da Silva & J.B. Vendrusco, 2002. Desfolha na produção de soja (Glycine Max ‘M-SOY 109’), cultivada no Cerrado, em Gurupi-TO, Brasil. Bioscience Journal, 8: 5-10. Bueno, A.F, M.J. Batistela, F. Moscardi, R.C.O. de F. Bueno, M. Nishikawa, G. Hidalgo, L. Silva, A. Garcia, E. Corbo & R.B. Silva, 2010. Níveis de desfolha tolerados na cultura da soja sem a ocorrência de prejuízos à produtividade. Londrina: Embrapa-CNPSo, (Embrapa Soja. Circular Técnica, 79), 12 p. Câmara, G.M.S., 1992. Ecofisiologia da cultura da soja, p. 129142. In: Câmara, G.M.S., J. Marcos Filho & E.A.M. Oliveira (Eds.). Simpósio sobre cultura e produtividade da soja, Anais, Piracicaba, SP: ESALQ/USP – Departamento de Agricultura. Degrande, P.E. & L.M. Vivan, 2010. Pragas da soja, p. 155-206. In: Tecnologia e produção: soja e milho 2010/2011. Maracajú: Fundação MS. Disponível em: <http://www.fundacaoms.org. br/publicacao-1>. [Acesso em: 28.iii.2016]. Embrapa Soja, 2013. Tecnologias de produção de soja - Região Central do Brasil 2014. Londrina: Embrapa Soja, 265 p. (Sistemas de Produção/Embrapa Soja, n.16). Disponível em: <http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/ item/95489/1/SP-16-online.pdf> Gazzoni, D.L & F. Moscardi, 1998. Effect of defoliation levels on recovery of leaf area, on yield and agronomic traits of soybeans. Pesquisa Agropecuária Brasileira, 33: 411-424. Gazzoni, D.L., 1974. Avaliação de efeito de três níveis de desfolhamento aplicados em quatro estádios de crescimento de dois cultivares de soja (Glycine max (L.) MERRILL), sobre a produção e a qualidade do grão. Porto Alegre, RS. Dissertação (Mestrado em Agronomia: Fitotecnia) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 70 f. Glier, C.A.S., J.B.D. Júnior, G.M. Fachin, A.C.T. Costa, V.F. Guimarães & C.R Mrozinski, 2015. Defoliation percentage in two soybean cultivars at different growth stages. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, 19: 567573. doi: http://dx.doi.org/10.1590/1807-1929/agriambi. v19n6p567-573. Hanley, M.E. & E.L. Fegan, 2007. Timing of cotyledon damage affects growth and flowering in mature

Fernandes & Ávila

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Como citar este artigo:

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Fernandes, E.T. & C.J. Ávila, 2016. Efeito de Diferentes Tipos de Injúrias Causadas nos Estádios Iniciais de Desenvolvimento da Soja. EntomoBrasilis, 9 (3): 193-196. Acessível em: doi:10.12741/ebrasilis.v9i3.643

e-ISSN 1983-0572


doi:10.12741/ebrasilis.v9i3.589

Taxonomia e Sistemática/ Taxonomy and Systematics

e-ISSN 1983-0572 Publicação do Projeto Entomologistas do Brasil www.ebras.bio.br Distribuído através da Creative Commons Licence v4.0 (BY-NC-ND) Copyright © EntomoBrasilis Copyright © do(s) Autor(es)

A New Species of Ismarus Haliday (Hymenoptera: Ismaridae) from Brazil and a New Occurrence Record for Ismarus gracilis Masner Registered in ZooBank: urn:lsid:zoobank.org:pub: 9A3945F1-5904-485D-A593-E3B605A552F4 Emerson Fraga Comério¹, Nelson Wanderley Perioto¹,² & Rogéria Inês Rosa Lara¹,² 1. Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias de Jaboticabal UNESP/FCAV, e-mail: emersoncomerio@hotmail.com (Corresponding author). 2. Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios - APTA Centro Leste, e-mail: nerioto@ gmail.com, rirlara@yahoo.com.br.

_____________________________________ EntomoBrasilis 9 (3): 197-201 (2016)

Abstract. A new species of Ismarus Haliday (Hymenoptera: Ismaridae) from Brazil is described, illustrated and a key to females of Ismarus of the New World is given. The geographic range of Ismarus gracilis Masner, 1976, is extended about 5,200 km farther to southeast. Keywords: Atlantic Rainforest; Diaprioidea; Ismarinae; Neotropic; Rex Species-group.

Uma Nova Espécie de Ismarus Haliday para o Brasil e novo Registro de Ocorrência de Ismarus gracilis Masner Resumo. Uma nova espécie de Ismarus Haliday (Hymenoptera: Ismaridae) do Brasil é descrita, ilustrada e é fornecida chave de identificação para fêmeas de Ismarus do Novo Mundo. A distribuição geográfica de Ismarus gracilis Masner, 1976 é estendida por cerca de 5.200 km em direção ao sudeste. Palavras-Chave: Diaprioidea; Ismarinae; Floresta Atlântica; Grupo de espécies-rex; Neotrópico.

_____________________________________ smaridae is small family of Diapriidae (Diaprioidea) characterized by the rather low insertion of antennae, transverse head, reduced notauli, fore legs with a peculiar combing apparatus, fore tibiae with a false second spurand carapace-like metasoma (Masner 1976). Masner (1976) reviewed the Ismarinae (which was raised the family by Sharkey et al. 2012) of New World and organized species Ismarus in four species groups: rugulosus, halidayi, rex and dorsiger, the last two includes species occurrences reported to Brazil. Subsequently, only three species of Ismaridae been described by Liu et al. (2011), from samples collected in China. Masner (1995) stated that ismarids are rare and infrequent in samplings and there are few of them in entomological collections. Ismaridae includes only a widespread genera, Ismarus Haliday, 1835, with 32 species described (Masner 1976; Liu et al. 2011), of which 12 are known to occur in the Neotropics and two of those, Ismarus neotropicus Masner, 1976 and Ismarus varicornis Masner, 1976, in Brazil (Masner 1976; Johnson, 1992; Liu et al. 2011; Sharkey et al. 2012). Adults of Ismarus act as secondary parasitoids of Dryinidae (Hymenoptera) larvae; Ismarus flavicornis (Thomson) is secondary parasitoids of Anteon flavicorne (Dalman), Ismarus halidayi Förster, 1850 of Anteon sp. is Ismarus dorsiger (Haliday), year Aphelopus sp. (Chambers 1955; Nixon 1957; Jervis 1979; Chambers 1981). Here, a new species of Ismarus from Brazil is described, illustrated and a key to females of Ismarus of the New World is given; it is also reported the expansion of the geographic range of Ismarus gracilis Masner, 1976.

Material and methods One exemplar of a new species of Ismarus was collected with Moericke trap by M. T. Tavares in area of Atlantic Rainforest at Estação Biológica de Santa Lúcia, Santa Tereza municipality, Espírito Santo State, Brazil in October 2010 (19°58’25.0”S/40°31’44.6”W). The exemplar was identified using a key of identification proposed by Masner (1976). One female of I. gracilis was collected in October 2010, with a Townes’ style Malaise traps (Townes 1972) at Parque Estadual Intervales (PEI) (24°16’23.6’’S/48°25’21.8’’W). The exemplar was identified using a key of identification proposed by Masner (1976). Morphological terminology follows Masner (1976) and the integument sculpture follows Eady (1967). Observations and descriptions were made using a Leica MZ 9.5 stereomicroscope with a fluorescent light source. Color images were obtained with a Leica DFC295 digital camera attached to a Leica M205C APO stereomicroscope; the specimen was illuminated with high diffuse dome illumination Leica LED5000 HDI. The serial images from different layers were combined with Helicon Focus software (version 5.3). The figures were prepared using Adobe Photoshop (version 11.0). Abbreviations used in the species descriptions: An = antenomere (n = number of antenomere); POL (postocellar line) =the shortest distance between the inner margins of lateral ocelli; OOL (ocularocellar line) =the shortest distance from outer margin of lateral

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A New Species of Ismarus Haliday (Hymenoptera: Ismaridae)…

Comério et al.

ocellus to margin of compound eye; Tn = metasomal tergum (n = number of metasomal tergum).

Description. Holotype female (Figure 1). Body length 1.7 mm; fore wing length 1.6 mm.

Repositories

Body black except: scape and pedicel yellow; A3 and A4 yellowish brown, A5-15 blackish brown; palpi, labrum and tips of mandibles yellowish brown; legs yellowish brown, hind coxae apically dark brown; hind femur and incrassate part of hind tibia dark brown; last tarsomeres dark brown; tegulae yellowish brown. Wings hyaline, veins yellowish brown.

Coleção de Hymenoptera da Universidade Federal do Espírito Santo, UFES, Espírito Santo, Brazil. M.T. Tavares, curator. Coleção Entomológica do Laboratório de Sistemática e Bioecologia de Parasitoides e Predadores, LRRP, Ribeirão Preto, SP, Brazil. N.W. Perioto, curator.

(Figures 1-5)

Head. In dorsal view 2.2 X as wide as long, smooth and shiny; fronts along inner orbits, temples, cheeks and area below antennal insertion with abundant silvery hairs; POL only distinctly longer than OOL (12.5:7.5); antennae 0.5 X as long as body length, A1 (17:5.5), A2 (9.5:4.5) A3 (8.5:3) A4 (7:5.4) A5 (7:4) A6 (5.5:4) A7 (7.5:6) A8 (5.5:5.5) A9 (5:6) A10 (6:6.5) A11 (6.5:6.5) A12 (6:6.5) A13 (6:6.5) A14 (6.5:6.5) and A15 (10:6).

Diagnose. Antennae distinctly short, POL strongly longer than OOL, anterior scutellar pit tranverse, crenulate inside, divided into two parts by fine median keel petiole slightly transverse and radiall cell 2.1 X longer than marginal vein.

Mesosoma. In dorsal view 1.4 X as long as width (Figure 2); sides of pronotum with irregular rugulosity and fine hairs; notauli reduced to small pit anteriorly; scutellar rim strongly cut off posteriorly, posterolateral corners of scutellum acute

Taxonomy Ismarus capixabae Comério, Perioto & Lara sp. nov.

1

2

3

4 Figure 1. Ismarus capixabae sp. nov. Female. Habitus (scale: 1.0 mm). Figure 2. Ismarus capixabae sp. nov. Mesossoma, dorsal view (scale: 0.5 mm). Figure 3. Ismarus capixabae sp. nov. Fore wings (scale: 0.5 mm).

198

Figure 4. Ismarus capixabae sp. nov. Hind leg (scale: 0.5 mm).

5

Figure 5. Ismarus capixabae sp. nov. Metassoma, dorsal view (scale: 0.5 mm).

Nomenclatural Act Registered in ZooBank: urn:lsid:zoobank.org:act: 3CFCDE11-F139-4820-9253-881703C1F145 e-ISSN 1983-0572


and projecting; anterior scutellar pit tranverse, crenulate inside, subdivided into two parts by fine median keel; mesopleuron below wing insertion with strong longitudinal striation, lower half of mesopleuron smooth and shining; metapleuron and propodeum reticulate-rugose, setose. Wings. Veins of fore wing tubular radial cell 2.1 X as long as marginal vein (Figure 3). Legs. Fore and middle legs slender; hind tibia strongly incrassate (Figure 4). Metasoma. Petiole slightly transverse, 1.2 X as wide as long, with irregular longitudinal carinae (Figure 5); T2 smooth and shiny, with median groove not exceeding the basal third of tergite and small longitudinal sulcus above; sutures between T2 and T3, and T3 and T4 incompletes, weakly indicated medially, obsolete at sides; T3 with scattered punctures, T4 and T5 dorsally punctured, T6 dorsally punctured with distinct lateral keels; sternites with sparse hair.

EntomoBrasilis 9 (3)

posteriorly with weak striation near pro-mesopleural suture; median furrow on T2 very deep, extending to T3 of the tergite; Europe, Canada, U.S.A. . ................... I. flavicornis (Thomson) - Lower half of mesopleura smooth and shining except for a minute patch of punctures situated in extreme anteroventral corner; sides of prothorax anteriorly with strong band of longitudinal wrinkles; median furrow on T2 very shallow, almost nonexistent; U.S.A. ...................... I. nevadensis Kieffer 6. Pro and mesopleura and T2 mat and not shining due to very dense microsculpture composed of microcupules; scutellar rim moderately excised posteriorly, posterolateral corners slightly protruding; Mexico ...................................... I. masoni Masner - Pro- and mesopleura and T2 lustrous, without microsculpture, predominantly smooth except for some setigerous punctures or crenulae; scutellar rim not excised posteriorly, posterolateral corners not prominent; Europe, Canada, U.S.A. . ..................... ..................................................................... I .halidayi Foerster

Male. Unknown.

7. Scutellum posteriorly truncate, straight cut, or moderately excavate, with posterolateral corners more or less pointed and protruding ............................................................................... 8

Distribution. Espírito Santo State, Brazil.

- Scutellum posteriorly rounded, posterolateral corners hence not developed ......................................................................... 11

Material examined. Holotype female. BRAZIL / E[spírito] S[anto], Santa Tereza, E[stação] E[cológica] S[anta] L[úcia], 19°58’25.0”S/40°31’44.6”W, Moericke trap, 19.X.2010, M.T. Tavares and team. (UFES).

8. Suture between T2 and T3 incomplete, consisting of interrupted shallow line, metasoma thus with 1 incomplete and 4 distinct sutures after large T2; scutellar pit divided by strong median keel into two parts; very large species 3.5-4 mm; Mexico ........ .............................................................................. I. rex Masner

Etymology. The specific name refers to the gentilic of Espírito Santo State, where the species was collected. Comments. This species belongs to Ismarus rex species-group (sensu Masner 1976) and is similar to Ismarus helavai Masner, 1976, which differs from the smaller body and antennae, by the proportion POL:OOL, morphology of scutellum and scutellar pit, length of petiole and radial cell and marginal vein. Key to species of Ismarus (females) of the New World, adapted of Masner (1976). 1. Metasoma after large T2 with 5 distinct sutures, i.e. suture between T2 and T3 as complete and well impressed as the following sutures ..................................................................... 2 - Metasoma after large T2 with at most 4 distinct sutures (or fewer), i.e. suture between T2 and T3 incomplete or obliterate, in some species metasoma after T2 with only 1 distinct suture .................................................................................................. 7 2. Posterior part of scutellum (after the pit) finely coriaceous; pleura coriaceous rugulose; metasoma deeply scaly-reticulate, the only smooth parts of body being the upper part of head, mesoscutum, and tegulae; Europe, Canada, U.S.A ................... .................................................................. I. rugulosus Foerster - Posterior part of scutellum (after the pit) perfectly smooth, sculptureless, and highly shining; pleura predominantly smooth; metasoma without reticulation ................................. 3 3. Scutellum distinctly truncate posteriorly, with hind margin straight cut, posterolateral corners acute; scutellum divided by strong median keel into two square pits; metasoma perfectly smooth, shining, without microsculpture; Brazil . .................... ................................................................ I. neotropicus Masner - Scutellum rather rounded posteriorly; if posterolateral corners moderately prominent then scutellar pit without median keel and T2 with distinct microsculpture ...................................... 4 4. Antennae uniformly bright golden-yellow ............................. 5 - Antenna1 segments 1-3 orange-yellow, rest of flagellum dark brown . ..................................................................................... 6 5. Lower half of mesopleura with a continuous zone of sculpture (mainly longitudinalwrinkles) extending from its anteroventral corner up to meso-metapleural suture; sides of prothorax e-ISSN 1983-0572

- Suture between T2 and T3 completely obsolete or indicated at most by series of scattered punctures, metasoma thus with at most 4 (or fewer) distinct sutures after large T2; scutellar pit usually undivided or median keel not well developed; smaller species well under 3 mm ......................................................... 9 9. Upper part of mesopleura longitudinally striate; antennae very short, dark; 3 distinct sutures after large T2 ......................... 16 - Upper part of mesopleura not longitudinally striate; antennae very long and slender, light colored at least in basal part; scape as long as A4 or nearly so; 4 distinct sutures after large T2...... ................................................................................................ 10 10. Antennal segments 1-7 as well as hind coxae bright yellow; metasoma dorsally smooth, shining, without distinct microsculpture; Mexico ............................. I. flavicrus Masner - Antennae (except for yellow scape and pedicel) and hind coxae dark brown; metasomadorsally with very fine dense micropunctures; Mexico ......................... I. mexicanus Masner 11. Body predominantly stramineous whitish yellow, with only a few darker areas such as mesoscutum and scutellum . ......... 12 - Body predominantly dark, brownish or black ........................ 13 12. Scutellum and whole mesoscutum uniformly dark chestnutbrown; hind femora uniformly yellow; ocelli wider apart, POL = OOL; Canada . ........................................... I. clarkae Masner - Scutellum and only posterior part of mesoscutum at meson dark brown, most of mesoscutum yellow; hind femora yellow with distinct dark band sub apically; ocelli closer together, POL < OOL (8: 13); Mexico . .................................... I. orion Masner 13. Sides of prothorax smooth and polished with no punctures on its anterolateral corners (in front of tegulae); antennae contrastly varicolored, A1-A9 bright yellow, AIO-A15 dark brown; Brazil ........................................... I. varicornis Masner - Sides of prothorax and particularly its anterolateral corners (in front of tegulae) coarsely punctured; antennae not contrastlyvaricolored, light brown except for lighter scape and pedicel or uniformly yellow ................................................... 14 14. Metasoma varicolored, dark brown with wide yellow band across middle of T2 and yellow apex (T7); A3 and A4 equally long; propodeum medially with irregular wrinkles; POL = OOL; all sutures between tergites obsolete but the one separating T6

199

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A New Species of Ismarus Haliday (Hymenoptera: Ismaridae)…

and T7; Canada, U.S.A. ................................. I. gibsoni Masner - Metasoma uniformly dark brown or black, without lighter bands; A3 always shorter than A4; propodeal carinae meeting diagonally at meson to form a tiny point . ............................. 15 15. Petiole distinctly slender, as long as wide, attenuate anteriorly; A4 only slightly longer than A3 (14: 12); body always ebonyblack; Mexico, Panama................................. I. gracilis Masner - Petiole more robust, transverse (13:19), not distinctly attenuate anteriorly; A4 distinctly longer than A3 (16:11); body sometimes dark brown; Canada, U.S.A. . .................. I. americanus Fouts 16. Scutellar rim slightly cut off posteriorly; petiole strongly transverse (12:19); POL slightly longer than OOL; Panama ..... ....................................................................... I. helavai Masner - Scutellar rim strongly cut off posteriorly; petiole slightly transverse (10.5:12.5); POL strongly longer than OOL; Brazil . ........................ I. capixabae Comério, Perioto & Lara sp. nov. Ismarus gracilis Masner, 1976 Report of expansion of the geographic range

Figure 6. Ismarus gracilis Masner, 1976. Female. Habitus (scale: 0.5 mm).

Ismarus gracilis (Figure 6) was described by Masner (1976) based on three females and five males from Mexico (Type locality: San Cristobal de Las Casas, Chiapas State, 2,200 m above sea level - asl); apart from the type locality there are records of their occurrence to Yerba Buena (1,700 m asl), and Cuauhtemoc, Chiapas State and to Panama (Chiriqui, 1,720 masl). The specimen examined matches the description of I. gracilis. Ismarus from area of the Atlantic Rainforest of São Paulo State, Brazil, were sampled at Parque Estadual Intervales (PEI) (24°16’23.6’’S, 48°25’21.8’’W), located in the municipality of Ribeirão Grande municipality, São Paulo State, Brazil, between October 2009 and March 2011. Habitats of the PEI include phytophysiognomies of Ombrophilous Dense Forest, secondary forest derived from Ombrophilous Montanae and Submontanae Dense Forest; the climate at PEI is classified as Cwa (Köpen): subtropical climate characterized by hot, humid summers and generally mild to cool winters; with annual average temperatures between 15 and 22°C (Bonadio 2013). The surveys were authorized by the Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade (SISBIO), permanent license #10632-1. Five Townes’ style Malaise traps (Townes 1972) were set at PEI to collect continuously. The insects were removed every two weeks. One female of I. gracilis was collected in October 2010.

Comério et al.

Material examined. 1 female, BRAZIL / S[ão] P[aulo], Ribeirão Grande, P[arque] E[stadual] I[ntervales], 24º16’28.7’’S/48º25’21.8’’O, Malaise, 22.X.2010, N.W. Perioto and team. (LRRP).

Acknowledgements We are grateful to Dr. Lubomir Masner (Agriculture and AgriFood Canada, Ottawa, Canada) for their help during the study; to Dr. Marcelo Teixeira Tavares (Universidade Federal do Espírito Santo) for providing study material and, to Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia dos Hymenoptera Parasitoides da Região Sudeste Brasileira (Hympar/Sudeste – CNPq/Fapesp/Capes) for the financial support.

References Bonadio, I.C., V.M. Bacani, W.K. Sunagawa, S.A. Furlan, S. Leite, M. Marinho & G. Limnios, 2013. Descobrindo Intervales: atlas ambiental. Available on: <http://www.geografia.fflch.usp.br/ mapas/Atlas_Intervales/index.html>. [Access: 17.xii.2013]. Chambers, V.H., 1955. Some hosts of Anteon spp. (Hym. Dryinidae) and a hyperparasite Ismarus (Hym. Belytidae). Entomologist’s Monthly Magazine, 91: 114-115. Chambers, V.H., 1981. A host for Ismarushalidayi Foerst (Hym, Diapriidae). Entomologist’s Monthly Magazine, 117: 29. Eady, R.D., 1967. Some illustrations of miscrosculpture in the Hymenoptera. Proceedings of the Royal Entomological Society, 42: 66-73. doi: http://dx.doi.org/10.1111/j.13653032.1968.tb01029.x. Jervis, M.A., 1979. Parasitism of Aphelopus species (Hymenoptera: Dryinidae) by Ismarus dorsiger (Curtis) (Hymenoptera: Diapriidae). Entomologist’s Gazette, 30: 127-129. Johnson, N.F., 1992. Catalog of world species of Proctotrupoidea, exclusive of Platygastridae (Hymenoptera). The American Entomological Institute, 51: 1-792. Liu, J., H. Chen & Z. Xu, 2011. Notes on the genus Ismarus Haliday (Hymenoptera, Diapriidae) from China. ZooKeys, 108: 4960. doi: http://dx.doi.org/10.3897/zookeys.108.768. Masner, L., 1976. A revision of the Ismarinae of the New World (Hymenoptera, Proctotrupoidea, Diapriidae). The Canadian Entomologist, 108: 1243-1266. doi: http://dx.doi.org/10.4039/ent1081243-11. Masner, L., 1995. The proctotrupoid families, p. 222-228. In: Hanson, P.E. & I.D. Gauld (Eds.). Hymenoptera of Costa Rica. London, Oxford University Press, 893 p. Nixon, G.E.J., 1957. Handbooks for the identification of British insects: Hymenoptera, Proctotrupoidea, Diapriidae subfamily Belytinae. Royal Entomological Society, 3: 1-107. Sharkey, M.J., Carpenter, L. Vilhelmsen, J. Heraty, J. Liljeblad, P.G.A. Dowling, S. Schulmeister, D. Murray, A.R. Deans, F. Ronquist, L. Krogmann & W.C. Wheeler, 2012. Phylogenetic relationships among superfamilies of Hymenoptera. Cladistic, 28: 80-112. doi: http://dx.doi.org/10.1111/j.10960031.2011.00366.x. Townes, H.A., 1972. A light-weight Malaise trap. Entomological News, 83: 239-247. Received in: 01.ii.2016 Accepted in: 01.vii.2016 **********

200

The distribution range of I. gracilis is extended about 5,200 km to the southeastfrom the previous records. The examined specimen was deposited at the Coleção Entomológica do Laboratório de Sistemática e Bioecologia de Parasitoides e Predadores (LRRP) of APTA Ribeirão Preto, Ribeirão Preto, SP, Brazil (N.W. Perioto, curator). e-ISSN 1983-0572


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Suggestion citation:

201

ComĂŠrio, E.F., N.W. Perioto & R.I.R. Lara, 2016. A New Species of Ismarus Haliday (Hymenoptera: Ismaridae) from Brazil and a New Occurrence Record for Ismarus gracilis Masner. EntomoBrasilis, 9 (3): 197-201. Available on: doi:10.12741/ebrasilis.v9i3.589

e-ISSN 1983-0572


doi:10.12741/ebrasilis.v9i3.637

Taxonomia e Sistemática/ Taxonomy and Systematics

e-ISSN 1983-0572 Publicação do Projeto Entomologistas do Brasil www.ebras.bio.br Distribuído através da Creative Commons Licence v4.0 (BY-NC-ND) Copyright © EntomoBrasilis Copyright © do(s) Autor(es)

The Mantodea (Insecta: Dictyoptera) of Rio Grande do Norte, Brazil: First List of Species and Geographical Records Registered in ZooBank: urn:lsid:zoobank.org:pub:AB29472A-65A4-4B95-AF3F-E89551DAB63B Raphael Aquino Heleodoro¹, Antonio Arnovis Agudelo¹ & Ricardo Andreazze² 1. Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, e-mail: raphaelnatal36@gmail.com (Corresponding author), antonioarnovis@yahoo.com. 2. Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e-mail: randreazze@gmail.com.

_____________________________________ EntomoBrasilis 9 (3): 202-206 (2016)

Abstract. This study presents a list of the mantis species from the Brazilian state of Rio Grande do Norte and their distribution within the state. The records are derived from specimens deposited in the “Adalberto Antonio Varela Freire” Entomological Collection at the Federal University of Rio Grande do Norte. This collection holds a total of 1,816 specimens, representing 30 species distributed in 16 genera distributed in 44 localities. There are two new records to Brazil, 10 to the Northeastern region of Brazil (and Caatinga biome) and 25 to the Rio Grande do Norte. Keywords: Atlantic Forest; Caatinga; Entomology; Neotropics; Praying mantis.

Os Mantodea (Insecta: Dictyoptera) do Rio Grande do Norte, Brasil: Primeira Lista de Espécies e Ocorrências Geográficas Resumo. Este trabalho apresenta a primeira lista de espécies de louva-a-deus do Rio Grande do Norte, bem como sua distribuição dentro do Estado. Os registros das espécies são oriundos de espécimes depositados na Coleção Entomológica “Adalberto Antonio Varela Freire”, localizada na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Essa coleção possui um total de 1.816 espécimes de Mantodea depositados, representando 30 espécies distribuídas em 16 gêneros. Palavras-chave: Entomologia; Caatinga; Floresta Atlântica; louva-a-deus; Neotrópico.

_____________________________________ ists of species are extremely important for many different Material and methods

fields of biological research, such as conservation, ecology, and taxonomy. These lists can be used to plan collecting schedules and provide historical information on the local fauna and flora, as well as providing a baseline for future research. Despite recent efforts, the diversity of the Brazilian Mantodea is still poorly known. Only three species lists are available for the 26 Brazilian states – one for the state of Rio Grande do Sul (Dorneles et. al. 2005), one that documents the mantids of the Museum of Zoology of the University of São Paulo (Rodrigues & Cancello 2013), and other for the Parque Nacional da Serra das Confusões, in Piauí (Menezes et al. 2013). Menezes & Bravo (2014) provided a list of Mantodea species of the semi-arid area of Brazil containing records from the States of Alagoas, Ceará, Paraíba Pernambuco, Piauí and Rio Grande do Norte. Menezes (2015) made a short list of the Reserva Biológica de Pedra Talhada (ranging from the States of Alagoas and Pernambuco). More general lists of Neotropical mantises are provided by Agudelo et al. (2007) and Ehrmann & Koçak (2009). The Brazilian state of Rio Grande do Norte encompasses two critically endangered biomes, the Brazilian Atlantic Forest and the Caatinga, although no species lists of any insect group are available for the Rio Grande do Norte, despite the importance of this information for the planning of conservation strategies. There are only few records available are from Bravo & Calor (2014). Given this situation, the present study aimed to provide a list of the species of Mantodea from the Rio Grande do Norte, using material deposited in the “Adalberto Antonio Varela Freira” Entomological Collection (CAAVF) of the Federal University of Rio Grande do Norte.

The preserved specimens were all from the CEAAVF, and were either pinned or stored in vials containing 70% alcohol. We also collected mantodean specimens in the field to increase the number of taxa recorded. These specimens were collected between November 2011 and October 2013 (24 hours per month) consecutively by active searching with a flashlight, together with one light trap composed of a vertical sheet illuminated by a 250 W mercury lamp. This light trap was set in clearings or near the edge of the forest to improve the range of the illumination, and was turned on at 17:00 h and then turned off at 05:00 h, coinciding with the crepuscular periods at the end and beginning of the day, respectively. At least two collectors were present at each collect expedition. The specimens collected were euthanized with 70% alcohol and stored in Falcon tubes with 90% alcohol, and then catalogued and deposited at the CEAAVF. Specimens were collected in the following municipalities (with GPS coordinates): Açu (05º34’36” S 36º54’31” W), Canguaretama (06º22’48” S 35º07’44” W), Ceará-Mirim (05º38’04” S, 35º25’32” W), Galinhos (05º05’26” S, 36º16’31” W), Jucurutu (06º02’02” S, 37º01’13” W), Macau (05º06’54” S, 36º38’04” W), Martins (06º05’16” S, 37º54’40” W), Nísia Floresta (06º05’28” W, 35º12’31” S), and Pau dos Ferros (06º06’36” S, 38º12’16” W). The specimens were identified based on the descriptions and identification keys of Burmeister (1838); Giglio-Tos (1929); Beier (1942); La Greca & Lombardo (1989); Terra (1995); Lombardo (2000); Agudelo & Chica (2003); Lombardo & Ippolito (2004)

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Heleodoro et al.

The Mantodea (Dictyoptera: Insecta) of Rio Grande do Norte,…

and Roy & Ehrmann (2009). Identifications were based on the external morphology of the body and the genitalia. The genitalia were extracted using a featherweight tweezer, and treated with 10% KOH whenever necessary. The geographic coordinates were acquired from Google Earth™ based on the data provided by the specimen labels, and maps were produced from these coordinates on the http://www.simplemappr.net website. All the specimens have a voucher code with prefix namely “MAN” and a suffix number ranging from 01 to 773 (Annex 1 - Metadata).

Results We analyzed a total of 1816 mantodean specimens, of which 1713 were deposited in the CAAVF and 103 were collected during fieldwork. Based on the analysis of these specimens, we identified 30 species distributed in 16 genera and eight families (Table 1). These specimens were recorded at 44 localities (Figure 1).

Table 1. List of the insect species of the order Mantodea recorded in Rio Grande do Norte, Brazil according to classification of Rivera & Svenson (2016). Taxon

Geographical Record ACANTHOPIDAE

Acanthopinae Decimiana hebardi Lombardo, 2000 (♂9)

Ceará-Mirim (12); Monte Alegre (26); Natal (28); Serra Negra do Norte (41).

Decimiana rehni (Chopard, 1913) (♂1)

Macaiba (23).

Acontistinae Acontista sp. (♂ 304)

Alto Rodrigues (1); Mossoró (27); Pendências (34); Serra Negra do Norte (41). CHAETEESSIDAE

Chaeteessa caudata Saussure, 1871 (♂19)

Açu (3); Macau (24); Mossoró (27); Natal (28); Serra Negra do Norte (41). COPTOPTERYGIDAE

Brunneria brasiliensis Saussure, 1870 (♂58)(♀1)

Alto Rodrigues (1); Carnaubais (11); Jucurutú (20); Natal (28); Pedro Avelino (33); Serra Negra do Norte (41).

Brunneria gracilis Giglio-Tos, 1915 (♂58)

Goianinha; Jucurutú (20); Parnamirim (31); Pendências (34); Santa Maria (39); Serra Negra do Norte (41).

Brunneria subaptera Saussure, 1869 (♂11)

Caicó (8); Serra Negra do Norte (41). LITURGUSIDAE

Liturgusa annulipes (Serville, 1839) (♂7)

Ceará-Mirim (12); Nísia Floresta (29).

Liturgusa maya (Saussure & Zehntner, 1894)(♂1)(♀1)

Natal (29); Nísia Floresta (29).

Liturgusa parva Giglio-tos, 1915 (♂2)

Nísia Floresta (29). MANTIDAE

Stagmatopterinae Oxyopsis sp. 1

Barra de Cunhaú (5); Parnamirim (31).

Oxyopsis sp. 2

Ceará-Mirim (12).

Parastagmatoptera unipunctata (Burmeister, 1838) (♂57)

Alto Rodrígues (1); Ceará-Mirim (12); Extremoz (14); Macaíba (23); Martins (26); Mossoró (27); Natal (28); Serra Negra do Norte (41).

Stagmatoptera hyaloptera (Perty, 1832) (♂53)(♀3)

Carnaubais (11); Ceará-Mirim (12); Jucurutú (20); Lagoa Pintada (21); Macaíba (23); Natal (28); Nísia Floresta (29); Serra Negra do Norte (41).

Stagmatoptera pia Saussure & Zehntner, 1894 (♂11)(♀3) Stagmatoptera precaria Linneaus, 1758 (♂20)(♀5)

Ceará-Mirim (12); Macaíba (23); Natal (28); Nísia Floresta (29); Parnamirim (31); São José de Mipibú (40); Serra Negra do Norte (41). Ceará-Mirim (12); Macaíba (23); Mossoró (27); Natal (28) Nísia Floresta (29); Parnamirim (31); Santa Cruz (38); São José de Mipibú (40); Serra Negra do Norte (41).

Vatinae Phyllovates brasiliensis Piza, 1982 (♂3)

Carnaubais (11); Macaíba (23); Serra Negra do Norte (41).

Phyllovates stolli (Saussure & Zehntner, 1894) (♂16)

Carnaubais (11); Ceará-Mirim (12); Macaíba (23); Serra Negra do Norte (41).

Zoolea descampsi Ehrmann & Roy (♂3)

Ceará-Mirim (12); Parnamirim (31); Santa Cruz (38). MANTOIDIDAE

Mantoida argentinae La Greca & Lombardo, 1989 (♂10)(♀1)

Macaíba (12); Mossoró (27); Natal (28); Serra Negra do Norte (41.)

Mantoida brunneriana Saussure, 1871 (♂81)(♀2)

Alto Rodrigues (1); Açu (3); Carnaubais (11); Mossoró (27); Nísia Floresta (29); Parnamirim (31); Serra Negra do Norte (41).

Mantoida luteola Westwood, 1889 (♂15)

Alto Rodrigues (1); Extremoz (14); Macaíba (23); Serra Negra do Norte (41). PHOTINAIDAE

203

Cardiopterinae Cardioptera brachyptera Burmeister, 1838 (♂424)

Açu; Alto Rodrigues (1); Arês (2); Baía Formosa (4); Bom Jesus (7); Ipueira (17); Macaíba (23); Martins (25); Mossoró (27); Natal (28); Nísia Floresta (29); Parnamirim (31); Pendências (34); Poço Branco (35); Santa Maria (39); Serra Negra do Norte (41); Upanema (43).

Cardioptera squalodon Werner, 1932 (♀6)

João Câmara (19); Serra Negra do Norte (41).

to be continued...

e-ISSN 1983-0572


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EntomoBrasilis 9 (3)

Table 1. Continuation... Taxon

Geographical Record

Photiomantinae

Photiomantis planicephalla (Rehn, 1916) (♂354)(♀8)

Alto Rodrigues (1); Arês (2); Açu (3); Caicó (8); Caraúbas (10); Carnaubais (11); Ceará-Mirim (12); Currais Novos (13); Extremoz (14); Jardim do Seridó (18); Lajes (22); Macau (24); Martins (25); Mossoró (27); Natal (28); Parelhas (30); Parnamirim (31); Pendências (34); Riacho de Santana (36); Riachuelo (37); Serra Negra do Norte (41); Severiano Melo (42); Vera Cruz (44).

Photinainae (Orthoderellini) Paraphotina caatingaensis (Menezes & Bravo 2013) (♂47)

Caicó (8); Ceará-Mirim (12); Mossoró (27); Serra Negra do Norte (41). THESPIDAE

Musoniellini Musoniella brasiliensis Giglio-Tos, 1916 (♂91)(♀4) Musoniella chopardi Giglio-Tos, 1916 (♂13)(♀3)

Açu (3); Martins (25); Natal (28); Nísia Floresta (29); Serra Negra do Norte (41). Alto Rodrigues (1); Açu (3); Carnaubais (12); João Câmara (19); Lajes (22); Macaíba (23); Martins (25); Mossoró (27); Natal (28); Nísia Floresta (29); Parnamirim (31); Serra Negra do Norte (41).

Thespini Thesprotia brevis Giglio-Tos, 1915 (♂76)(♀1)

Mossoró (27); Natal (28); Nísia Floresta (29); Parelhas (30); Parnamirim (31); Serra Negra do Norte (41).

Thesprotia infumata Audinet-Serville, 1839 (♂30)

Carnaubais (11); Lagoa Salgada (21); Serra Negra do Norte (41).

Discussion The relatively small number of female specimens (38 of the total of 1816) found in the present study can be attributed to the principal methods using by the collectors of the specimens available in the CAAVF, i.e., light traps, which do not attract the females of many apterous or brachypterous species (Terra & Agudelo 2012). In this case, females can only be collected using active searches, which are hampered by the cryptic coloration of these insects. The distribution patterns of the different mantodean taxa varied considerably in this study. The species of the genus Liturgursa, for example, were only found in fragments of Atlantic Forest in coastal areas. This is probably because of the microhabitat occupied by these insects – tree bark covered with lichen – e-ISSN 1983-0572

from which their common name of “bark mantises” is derived (Svenson 2014). This type of microhabitat is common in the relatively humid interior of the Atlantic Forest, but not in the more arid Caatinga which has a prolonged dry season, when the lichen tends to disappear from the trees, together with the animals that occupy this substrate. However, there are humid areas in Caatinga, in example of the city of Martins (25), in Rio Grande do Norte, which probably have specimens of Liturgusidae living there, but so far were not found. The species of the genus Oxyopsis were also found exclusively in coastal area, not only in fragments of Atlantic forest, but also in environments dominated by dunes. Photiomantis planicephala (Rehn) is the most common and widespread species in the collection, being present in both humid and arid areas, and at all elevations, recorded in 23 areas. Cardioptera brachyptera (Burmeister) and Parastagmatoptera unipunctata Burmeister are also found in all areas between sea

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Figure 1. Distribution of the collecting localities of Mantodea in Rio Grande do Norte, Brazil, registered in the Coleção Entomológica Adalberto Antonio Varela Freire. Figure made by authors. Black dots represents the city registered and the number on the left to the dot or following a line refers to name of the location. Numeration and naming in alphabetical order = 1: Alto Rodrigues; 2: Arês; 3: Açu; 4: Baía Formosa; 5: Barra de Cunhaú; 6: Boa Saúde; 7: Bom Jesus; 8: Caicó; 9: Canguaretama; 10: Caraúbas; 11: Carnaubais; 12: Ceará-mirim; 13: Currais Novos; 14: Extremoz; 15: Galinhos; 16: Goianinha; 17: Ipueira; 18: Jardim do Seridó; 19: João Câmara; 20: Jucurutú; 21: Lagoa Salgada; 22: Lajes; 23: Macaíba; 24: Macau; 25: Martins; 26: Monte Alegre; 27: Mossoró; 28: Natal; 29: Nísia Floresta; 30: Parelhas; 31: Parnamirim; 32: Pau dos Ferros; 33: Pedro Avelino; 34: Pendências; 35: Poço Branco; 36: Riacho de Santana; 37: Riachuelo; 38: Santa Cruz; 39: Santa Maria; 40: São José de Mipibú; 41: Serra Negra do Norte; 42: Severiano Melo; 43: Upanema; 44: Vera Cruz.


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A very large proportion of all the specimens were collected at two localities, Natal and Serra Negra do Norte. Natal is the state capital of Rio Grande do Norte, and its federal university (UFRN) has an entomology course, for which students are continually collecting new insect specimens. The second site, Serra Negra do Norte, located in the semi-arid region in Caatinga biome, was the main area in which professor Adalberto Antonio Varela Freire (in memoriam) collected specimens over a 30-year period. The eastern portion of the state is the least well sampled. This area encompasses highlands with a number of waterfalls and a mosaic of Atlantic forest habitats. It seems likely that additional mantodean species adapted to different elevations will be found in this area, and in other parts of the state, and further research into the distribution of the mantises throughout the region is clearly needed. Our list includes two new records for Brazil (Decimiana hebardi Lombardo, 2000, and Thesprotia brevis Giglio-Tos, 1915), and 10 for the country’s Northeast region, including the Caatinga biome (Brunneria subaptera Saussure, 1869, Brunneria gracillis Giglio-Tos, 1915, Liturgusa maya (Saussure and Zehntner, 1894); Liturgusa parva Giglio-Tos, 1915; Musoniella brasilliensis Giglio-Tos, 1916; Musoniella chopardi Giglio-Tos, 1916; Phyllovates brasilliensis Piza, 1982; Phyllovates stolli (Saussure and Zehntner, 1894) and Thesprotia infumata Audinet-Serville, 1839). With the exception Brunneria brasiliensis Saussure, 1870; C. brachyptera; Mantoida brunneriana Saussure, 1871; P. planicephalla, and Stagmatoptera hyaloptera (Perty, 1832) the remaining 25 species are new records for Rio Grande do Norte. Menezes & Bravo (2014) identified specimens of C. brachyptera from CEAAVF as Cardioptera parva Beier, 1942. However, by comparing these specimens with type specimens photos and through genitalia analyzes, we determined these specimens as C. brachyptera. We hope that this list will provide a useful database for the development of further ecological and zoogeographic research by students in Rio Grande do Norte, and further afield in Brazil, given the scarcity of data on the mantodeans of this country. A short term contribution of this list is to the Catalogo Taxonômico da Fauna do Brasil, which is a catalog of all Brazilian animals’ species. This catalog currently lists 244 valid species of Mantodea to Brazil (Agudelo 2016). Less than 15% of the original cover of the Atlantic Forest now remains (Ribeiro et al. 2009), although there is no reliable estimate of deforestation rates in the Caatinga. Worse still, less than 2% of the total area of the Caatinga is currently protected in conservational units (Tabarelli et al. 2000). This facilitates deforestation in Rio Grande do Norte, and while are knowledge of the state’s mantodean diversity is still incipient, ongoing habitat clearance may result in the loss of species before they have even been identified. In this case, our species list is not only an important contribution to the understanding of the diversity of the order Mantodea, but also to the conservation of these biomes.

Acknowledgements We would like to thanks the Laboratory of Entomology from UFRN for the space and material granted, the CNPq for the funding, to the Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia for they laboratory usage and to José Albertino Rafael and Caroline Maldaner for their help. This work is dedicated to Professor Adalberto Antonio Varela Freire, founder of the UFRN collection and responsible for the most part of insects housed there.

e-ISSN 1983-0572

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205

level and the state’s highlands, but only in humid habitats with a well-defined rainy season.

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Setembro - Dezembro 2016 - www.periodico.ebras.bio.br

Liturgusini). ZooKeys, 390: 1-214. doi: http://dx.doi. org/10.3897/zookeys.390.6661. Tabarelli, M., J.M.C. Silva, A.M.M. Santos & A. Vicente, 2000. Análise de representatividade das unidades de conservação de uso direto e indireto na Caatinga: análise preliminar. In: J.M.C. Silva & M. Tabarelli, Workshop Avaliação e identificação de ações prioritárias para a conservação, utilização sustentável e repartição de benefícios da biodiversidade do bioma Caatinga. Petrolina, Pernambuco. Avaliable on: <www.biodiversitas. org.br/caatinga> [Accessed in: 16.viii.2016]. Terra, P.S., 1995. Revisão sistemática dos gêneros de louva-adeus da região Neotropical (Mantodea). Revista Brasileira de Entomologia, 39: 13-94.

EntomoBrasilis 9 (3)

Terra, P.S. & A. Agudelo, 2012. A Ordem Mantodea, p. 13-94. In: Rafael, J.A., G.A.R Melo, C.J.B. Carvalho, S.A. Casari & R. Constantino (Eds.), Insetos do Brasil: Diversidade e Taxonomia. Holos Editora, São Paulo, 296 p. Received in: 16.viii.2016 Accepted in: 26.x.2016 **********

Suggestion citation:

206

Heleodoro, R.A., A.A. Agudelo & R. Andreazze, 2016. The Mantodea (Dictyoptera: Insecta) of Rio Grande do Norte, Brazil: First List of Species and Geographical Records. EntomoBrasilis, 9 (3): 202-206. Available on: doi:10.12741/ebrasilis.v9i3.637

e-ISSN 1983-0572


doi:10.12741/ebrasilis.v9i3.XXX e-ISSN 1983-0572 Publicação do Projeto Entomologistas do Brasil www.ebras.bio.br Distribuído através da Creative Commons Licence v4.0 (BY-NC-ND) Copyright © EntomoBrasilis Copyright © do(s) Autor(es)

Primeiro Registro de Afídeos (Hemiptera: Aphidoidea) em Carambola (Averrhoa carambola L.) no Brasil Suzan Beatriz Zambon da Cunha & Carlos Roberto Sousa e Silva Universidade Federal de São Carlos - UFSCar, e-mail: suzanbio@yahoo.com.br (Autor para correspondência), dcrs@ufscar.br.

Comunicação Científica/ Scientific Note

_____________________________________ EntomoBrasilis 9 (3): 207-208 (2016)

Resumo. A carambola (Averrhoa carambola L.) árvore de origem Asiática foi introduzida no Brasil em 1817, desde então vem aumentando sua área de cultivo no país. A planta é atacada por poucos insetos como as moscas e percevejos. Este trabalho relata a presença de Aphis gossypii Glover em A. carambola pela primeira vez no Brasil. Palavras-chave: Aphididae; Aphis gossypii; Inseto; Praga; Oxalidaceae.

First Record of Aphids (Hemiptera: Aphididae) on Starfruit (Averrhoa carambola L.) in Brazil Abstract. The starfruit (Averrhoa carambola L.) has origin Asiatic and was introduced in Brazil in 1817, since then has increased its cultivation area in the country. The plant is attacked by few insects like flies and bugs. This work reports the presence of Aphis gossypii Glover on A. carambola for the first time in Brazil. Keywords: Aphididae; Aphis gossypii; Insect; Pest; Oxalidaceae.

_____________________________________ carambola (Averrhoa carambola L.) (Oxalidales: Oxalidaceae) é uma árvore frutífera de origem asiática. Segundo Woodson et al. (1980) a família Oxalidaceae engloba, aproximadamente, 950 espécies, distribuídas em 6 gêneros: Dapania e Sarcotheca ocorrendo no velho mundo, Hypseocharis endêmica da região Andina, Oxalis considerada cosmopolita e Biophytum e Averrhoa ocorrendo em regiões tropicais. A carambola foi introduzida no Brasil em 1817, e atualmente o país é um dos principais produtores da fruta no mundo (Natale et al. 2008). Além do consumo in natura os frutos e também as folhas das plantas são muito utilizados por apresentarem propriedades medicinais (Lorenzi & Matos 2008). A cultura é alvo de poucos insetos nos quais se destacam as moscas das frutas Ceratitis capitata Wied e Anastrepha fraterculus Wied (Diptera: Tephritidae) e os percevejos Leptoglossus stigma Herbst e Leptoglossus zonatus (Dallas) (Hemiptera: Coreidae) ambos causando danos diretos nos frutos (Gallo et al. 2000; Pires et al. 2011). Os únicos relatos de afídeos em Averrhoa foram feitos por Peña & Duncan (1999) que mencionam a ocorrência de Toxoptera aurantii (Boyer de Fonscolombe) em cultivares de carambola na Flórida e Blackmam & Eastop (2016) que mencionam a ocorrência de T. aurantii e Aphis gossypii Glover (Hemiptera: Aphididae) em A. carambola e Averrhoa bilimbi L., sem informação da localidade. No presente trabalho, ninfas e adultos de A. gossypii foram coletados diretamente nas inflorescências, pedúnculos, flores e botões florais de A. carambola (Figura 1), em março de 2016, em São Carlos, São Paulo, S 21° 54’ 39.00”, W 047° 48’ 02.47”. Observou-se também, junto as colônias, a presença de sirfídeos (Diptera: Syrphidae) e coccinelídeos (Coleoptara: Coccinellidae), inimigos naturais de afídeos.

Figura 1. Uma das inflorescências de carambola (Averrhoa carambola L.) infestadas com ninfas e adultos do afídeo A. gossypii no município de São Carlos, SP. (Foto: Cunha, S.B.Z).

A espécie A. gossypii é polífaga e cosmopolita, tendo sido relatada pela primeira vez no Brasil na década de 20 (Moreira 1925). É vetora de diversos vírus aos seus hospedeiros, sendo esta característica a causa mais grave das consequências dos seus ataques. São conhecidos cerca de 50 vírus que A. gossypii pode veicular às plantas (Blackman & Eastop 2016). Há registros do afídeo atacando diversas plantas de importância agrícola tais como algodão, batata, berinjela, café, caju, citros, ervilha, feijão, jiló, pêra, pepino, pimentão, tomate e diversas outras plantas ornamentais. Sousa-Silva & Ilharco (1995) relacionam este afídeo a mais de 67 hospedeiros diferentes no Brasil. Este é o primeiro registro de A. gossypii em A. carambola, no Brasil, e reforça a alta polifagia desta espécie de afídeo.

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Primeiro Registro de Afídeos (Hemiptera: Aphidoidea) em …

Agradecimentos Agradecemos ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelo apoio financeiro.

Referências Blackman, R.L. & V.F. Eastop, 2016. Aphids on the world’s plants. An identification and information guide. Disponível em: <http://www.aphidsonworldsplants.info>. [Acesso em: 08.iii.2016]. Gallo, D., O. Nakano, S. Silveira R.L.P. Carvalho, G.C. Batista, E. Berti Filho, J.R.P. Parra, R.A. Zucchi, S.B. Alves & J.D. Vendramim, 2000. Manual de entomologia agrícola, pragas das plantas e seu controle. Ed. Agronômica Ceres, 920 p. Lorenzi, H. & F.J.A. Matos, 2008. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas, 2ª ed., Instituto Plantarum, 544 p. Moreira, C., 1925. Pulgões do Brasil. Boletim do Ministério da Agricultura Industria e Comércio. Instituto Biológico de Defesa agrícola. RJ, 2: 34 p. Natale, W., R.D.M. Prado, D.E. Rozane, L.M. Romualdo, H.A.D. Souza, & A. Hernandes, 2008. Resposta da caramboleira à

Cunha & Sousa e Silva

calagem. Revista Brasileira de Fruticultura, 30: 1136-1145. doi: http://dx.doi.org/10.1590/S0100-29452008000400048. Peña, J.E. & R. Duncan, 1999. Seasonality and control of arthropods on carambola cultivars in Southern florida. Florida State Horticultura Society, 112: 210-212. Pires, E.M., S.M. Bonaldo, J.A.M. Ferreira, M.A. Soares & S. Candan, 2011. New Record of Leptoglossus zonatus (Dallas) (Heteroptera: Coreidae) Attacking Starfruit (Averrhoa carambola L.) in Sinop, Mato Grosso, Brazil. EntomoBrasilis, 4: 33-35. doi: http://dx.doi.org/10.12741/ebrasilis.v4i1.114. Sousa-Silva, C.R. & F.A. Ilharco, 1995. Afídeos do Brasil e suas plantas hospedeiras (lista preliminar). Edufscar, 85 p. Woodson, R.E., R.W. Schery & A. Lourteig, 1980. Flora of Panamá. Part IV. Family 84 Oxalidaceae. Annals of the Missouri Botanical Garden, 67: 823-850. doi: http://dx.doi.org/10.2307/2398959. Recebido em: 30.iii.2016 Aceito em: 13.ix.2016 **********

Como citar este artigo:

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Cunha, S.B.Z. & C.R. Sousa e Silva, 2016. Primeiro Registro de Afídeos (Hemiptera: Aphidoidea) em Carambola (Averrhoa carambola L.) no Brasil. EntomoBrasilis, 9 (3): 207-208. Acessível em: doi:10.12741/ebrasilis.v9i3.599

e-ISSN 1983-0572


doi:10.12741/ebrasilis.v9i3.601 e-ISSN 1983-0572 Publicação do Projeto Entomologistas do Brasil www.ebras.bio.br Distribuído através da Creative Commons Licence v4.0 (BY-NC-ND) Copyright © EntomoBrasilis Copyright © do(s) Autor(es)

Comunicação Científica/ Scientific Note

Ischnocodia annulus (Fabricius) (Coleoptera: Chrysomelidae: Cassidinae): Primeiro Registro para a Mata Atlântica Brasileira, Novas Plantas Hospedeiras e Considerações sobre o Período de Ocorrência Registrado no ZooBank: urn:lsid:zoobank.org:pub:C233B116-ACA9-474A-8F23-B10D68F244B3 Marta Custodio Lopes & Nicanor Tiago Bueno Antunes Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, e-mail: marta.mcl@hotmail.com (Autor para correspondência), tiagobueno.a@hotmail.com.

_____________________________________ EntomoBrasilis 9 (3): 209-211 (2016)

Resumo. O objetivo deste trabalho foi realizar novo registro de ocorrência para Ischnocodia annulus (Fabricius), além de fornecer informações sobre plantas hospedeiras e período de ocorrência da espécie. Os besouros foram observados em um fragmento florestal no Oeste do Paraná; tratase do primeiro registro da espécie para a região Sul do Brasil e para a Mata Atlântica brasileira. Foram notificadas duas novas plantas hospedeiras para a espécie: Cordia trichotoma Vell. Arráb. ex Steud e Cordia eucalyculata Vell. (Boraginaceae). Os imaturos emergiram na segunda quinzena de setembro e os últimos adultos foram observados no início de dezembro. A emergência dos imaturos ocorre na mesma época que plântulas de C. trichotoma germinam em grande quantidade. Palavras-chave: Cordia; Boraginaceae;Distribuição geográfica; Mata atlântica; Registros alimentares.

Ischnocodia annulus (Fabricius) (Coleoptera: Chrysomelidae: Cassidinae): First Record for Brazilian Atlantic Forest, New Host Plants and Considerations about Period of Occurrence Abstract. The objective of this study was making new record of Ischnocodia annulus (Fabricius) and provides information about host plants period of occurrence. The beetles were observed in a forest fragment in Paraná western and this is the first record of I. annulus for the southern region of Brazil and for the brazilian Atlantic Forest. Two new host plants were notified: Cordia trichotoma Vell. Arráb. ex Steud and Cordia eucalyculata Vell. (Boraginaceae). The immatures emerged in the second half of September and the last adults were observed in early December. The emergence of immature occurs at the same time that C. trichotoma seedlings germinate aplenty. Keywords: Atlantic Forest; Boraginaceae; Cordia; Food records; Geographic distribution.

_____________________________________ assidinae é segunda maior subfamília de Chrysomelidae e compreende aproximadamente 16% das espécies desta (Chaboo 2007). São exclusivamente herbívoros e caracterizam-se pelo corpo com formato arredondado, geralmente convexo dorsalmente e achatado ventralmente, com as margens do pronoto e élitros expandidas e a cabeça retraída sob o élitro (Costa Lima 1955).

de consumo para Cordia alliodora (Ruiz & Pav.) e Cordia panamensis (L. Riley) (Flowers & Janzen 1997; Borowiec 1998).

Os Cassidinae têm distribuição mundial, com grande diversidade nos trópicos, sendo que a maior parte das espécies tem sido notificada para a região Neotropical (Chaboo 2007). No Brasil são registradas 1.477 espécies distribuídas em 140 gêneros (Sekerka 2016).

Os adultos de I. annulus foram observados no Parque Municipal Diva Pain Barth (24°43’31.2”S; 53°44’43.0”W), localizado na área urbana do município de Toledo, no Oeste do Paraná. O Parque é um fragmento de Mata Atlântica, com uma área de 8.94 ha, que possui vegetação classificada como Floresta Estacional Semidecidual (Maack 1950).

O gênero Ischnocodia é representado pelas espécies Ischnocodia succincta Boheman, e Ischnocodia annulus (Fabricius), ambas com distribuição exclusivamente Neotropical. A espécie I. annulus (Figura 1) tem registros de ocorrência para Argentina, Colômbia, Costa Rica, Guiana Francesa, Guatemala, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Trinidad e Tobago e Equador (Borowiec 1998). No Brasil a espécie ocorre nos estados do Amazonas, Goiás, Mato Grosso e Pará (Sekerka et al. 2016). Os registros alimentares para I. annulus indicam que a espécie consome plantas de duas famílias: Lauraceae, com registro para Ocotea veraguensis (Meisn.) e Boraginaceae, com registros

Este estudo objetivou registrar, pela primeira vez, a ocorrência de I. annulus para a Mata Atlântica brasileira, além de notificar novas plantas hospedeiras e fazer considerações sobre o período de ocorrência da espécie.

Os indivíduos de I. annulus foram observados entre setembro e dezembro de 2011 e durante o mesmo período do ano seguinte (2012). Observou-se que os indivíduos consomem folhas de Cordia trichotoma Vell. Arráb. ex Steud., planta muito abundante no Parque. Em condições de laboratório os besouros foram acondicionados individualmente em caixas transparentes, contendo folhas intactas de Cordia eucalyculata Vell., durante 24 horas. Após este período observou-se que houve o consumo das mesmas. Estas duas espécies de Boraginaceae, nativas da Mata Atlântica, são novas plantas hospedeiras para I. annulus.

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Ischnocodia annulus (Fabricius) (Coleoptera: Chrysomelidae:…

Lopes & Antunes

Nos dois anos em que o ciclo de vida da espécie foi observado os imaturos emergiram na segunda quinzena de setembro e os últimos adultos foram observados no início de dezembro. A emergência dos imaturos ocorre na mesma época que plântulas de C. trichotoma germinam em grande quantidade.

Provavelmente os indivíduos de I. annulus possuem alguma estratégia para superar as defesas de C. trichotoma, e utilizar esta como sua planta hospedeira no local, uma vez que, entre as plantas hospedeiras registradas anteriormente para a espécie, nenhuma possui tricomas em suas folhas.

Os besouros imaturos são facilmente encontrados na superfície abaxial das primeiras folhas de C. trichotoma, onde se alimentam e se abrigam de predadores. Este comportamento de alimentar-se de folhas jovens é de extrema importância para a sobrevivência das larvas nos primeiros instares, pois evita a debilidade e esgotamento energético dos insetos e a perda da hemolinfa causada pela ação física dos tricomas (Medeiros & Moreira 2005). Quando adultos os besouros consomem folhas maduras de C. trichotoma, que são rígidas e ricas em tricomas.

Este é o primeiro registro de I. annulus para a região Sul do Brasil e o primeiro para a Mata Atlântica brasileira. A Figura 2 ilustra um mapa da distribuição da espécie na Região Neotropical com destaque para o novo local de ocorrência. Este trabalho é relevante, pois expande a distribuição geográfica de I. annulus, além de contribuir para o aumento do conhecimento sobre os hábitos alimentares e biologia da espécie.

210

Figura 1. Adulto de Ischnocodia annulus (Fabricius) (Coleoptera: Chrysomelidae) vista dorsal. Fonte: Antunes, N.T.B. (segundo autor).

Figura 2. Mapa de distribuição de Ischnocodia annulus (Fabricius) (Coleoptera: Chrysomelidae). Fonte: Antunes, N.T.B. (segundo autor).

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Agradecimentos A bióloga responsável pelo Parque Municipal Diva Pain Barth Lilian Kelly Ferreira Cardoso e a professora Dra. Geuza Cantanhêde da Silva pelas contribuições.

REFERÊNCIAS Borowiec, L., 1998. Review of the Cassidinae of Ecuador, with a description of thirteen new species (Coleoptera: Chrysomelidae). Genus, 9: 155-246. Chaboo, C.S., 2007. Biology and Phylogeny of the Cassidinae Gyllenhal sensu lato (tortoise and leaf-mining beetles) (Coleoptera: Chrysomelidae). Bulletin of the American Museum of Natural History, 305: 1-250. doi: http://dx.doi. org/10.1206/0003-0090(2007)305[1:bapotc]2.0.co;2. Costa Lima, A. 1955. Insetos do Brasil – Coleópteros. Tomo 9. Rio de Janeiro. Escola Nacional de Agronomia. 289 p. Flowers, R.W. & H. Janzen, 1997. Feeding records of Costa Rican leaf beetles (Coleoptera: Chrysomelidae). The Florida Entomologist. 80: 334-366. doi: http://dx.doi.org/10.2307/3495768 Maack, R. 1950. Mapa fitogeográfico do Estado do Paraná. Curitiba: IBPT. 1:750.000. Disponível em: <http://esdac.jrc. ec.europa.eu/images/Eudasm/latinamerica/images/maps/ download/PDF/br13002_2.pdf >. [Acesso em: 19.vii.2016]. Medeiros, L. & G.R.P. Moreira, 2005. Larval feeding behavior of Gratiana spadicea (Klung.) (Coleoptera,

EntomoBrasilis 9 (3)

Chrysomelidae, Cassidinae) on its host plants, Solanum sisymbriifolium Lamark (Solanaceae): interaction with trichomes. The Coleopterist’s Bulletin. 59: 339-350. doi: http://dx.doi.org/10.1649/778.1. Sekerka L; A.M. Linzmeier, L.A Moura, C.S Ribeiro-Costa, F. Agrain, M.L. Chamorro, D. Manfio & G.E. Morse, 2016. Ischnocodia annulus. In: Catálogo taxonômico da fauna do Brasil. Disponível em: <http://fauna.jbrj.gov.br/fauna/ faunadobrasil/116201>. [Acesso em: 19.vii.2016]. Sekerka, L. 2016. Cassidinae. In: Catálogo taxonômico da fauna do Brasil. Disponível em: <http://fauna.jbrj.gov.br/fauna/ faunadobrasil/115857 [Acesso em: 19.vii.2016]. Recebido em: 04.iv.2016 Aceito em: 04.ix.2016 **********

Como citar este artigo:

211

Lopes, N.C. & N.T.B. Antunes, 2016. Ischnocodia annulus (Fabricius) (Coleoptera: Chrysomelidae: Cassidinae): Primeiro Registro para a Mata Atlântica Brasileira, Novas Plantas Hospedeiras e Considerações sobre o Período de Ocorrência. EntomoBrasilis, 9 (3): 209-211. Acessível em: doi:10.12741/ebrasilis.v9i3.601

e-ISSN 1983-0572


doi:10.12741/ebrasilis.v9i3.637 e-ISSN 1983-0572 Publicação do Projeto Entomologistas do Brasil www.ebras.bio.br Distribuído através da Creative Commons Licence v4.0 (BY-NC-ND) Copyright © EntomoBrasilis Copyright © do(s) Autor(es)

Mecistogaster linearis (Fabricius) (Odonata: Coenagrionidae): First Record from Mato Grosso do Sul State, Brazil Registered in ZooBank: urn:lsid:zoobank.org:pub:82853DCE-79CF-428A-9515-644F820C93F6

Comunicação Científica/ Scientific Note

Marciel Elio Rodrigues¹, Ricardo Koroiva², Eric Ragalzi-da-Silva² & Emanuelle Batista de Moura² 1. Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul -UEMS, e-mail: rodrigues.mbio@gmail.com (Corresponding author). 2. Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, e-mail: ricardo.koroiva@gmail.com, ericragg@gmail.com, emanuelle.bdm@gmail.com.

_____________________________________ EntomoBrasilis 9 (3): 212-215 (2016)

Abstract. Commonly called “helicopter damselflies”, Mecistogaster species (Coenagrionidae) are recognized by their large body size in comparison with other Odonata species, ability to flap both anterior and posterior wings in opposite directions, and preference for dense forest. These species feed on spiders and require trunks or plants that can accumulate water, like bromeliads, for laying eggs. This relationship with phytotelm environments makes the Mecistogaster species sensitives to forest fragmentation and habitat changes. In Brazil, there are records of seven species, mainly in Amazon forest regions. Mecistogaster linearis (Fabricius) has a wide distribution reported in the Brazilian states of Acre, Amazonas, Roraima, Pará, Rondônia, Mato Grosso, Rio de Janeiro, and São Paulo. Herein, we report the first record of M. linearis in the state of Mato Grosso do Sul with specimens sampled from the municipality of Corumbá, in the Pantanal. Keywords: Damselflies; Distribution; Pantanal; Phytotelmata; Zygoptera.

Mecistogaster linearis (Fabricius) (Odonata: Coenagrionidae): Primeiro Registro para o Estado de Mato Grosso do Sul, Brasil Resumo. Conhecidas como “libélulas helicóptero”, as espécies do gênero Mecistogaster (Coenagrionidae) são caracterizadas pelo grande tamanho quanto comparado as outras espécies de Odonata, pela habilidade de bater as duas asas anteriores e posteriores em sentidos opostos e preferência por habitats de interiores de matas. Estas se alimentam de aranhas e dependem principalmente de troncos de árvores ou plantas, como bromélias, capazes de acumular água para a postura dos ovos. A relação com ambientes de fitotelmatas faz com que as espécies deste gênero sejam sensíveis a fragmentação florestal e a alterações em seu habitat. No Brasil há registros de sete espécies, com ocorrências principalmente em regiões de floresta amazônica. Mecistogaster linearis (Fabricius) tem uma ampla distribuição, sendo reportada, até então no país, para os estados do Acre, Amazonas, Roraima, Pará, Rondônia, Mato Grosso, Rio de Janeiro e São Paulo. Nesta comunicação, reportamos o primeiro registro desta espécie para o estado de Mato Grosso do Sul, Brasil, coligida no município de Corumbá, região do Pantanal. Palavras-Chave: Distribuição; Fitotelmata; Libélulas; Pantanal; Zygoptera.

_____________________________________ ecistogaster is a genus characterized by its large- there is significant potential for the discovery of new species due sized compared with other Odonata species (60 their preference for dense forests, where they lay their eggs in - 155 mm; Garrison et al. 2010) and is commonly trunks, as Mecistogaster jocaste (Hagen), Mecistogaster linearis known as “helicopter damselflies” (Hedström & Sahlén 2001). (Fabricius) and Mecistogaster ornata (Rambur), on bamboo The species of this genus lay eggs in plants and feed mainly on stalks, as Mecistogaster asticta (Selys) and Mecistogaster jocaste spiders. This relationship with phytotelm environments makes (Hagen), or in leaves and bracts of plants as bromeliads that the Mecistogaster species sensitive to forest fragmentation and accumulate water, as Mecistogaster modesta (Selys). In Brazil, habitat changes (Srivastava et al. 2004; Fincke 2008), while seven species were registered: Mecistogaster amalia Burmeister, such food preferences may result from the species’ ability to M. asticta, Mecistogaster buckleyi McLachlan, M. linearis, flap the forewings in one direction and the latter in another, Mecistogaster lucretia (Drury), M. ornata and Mecistogaster which allows these damselflies to make reverse maneuvers pronoti Sjöstedt (Dalzochio et al. 2011). Within the genus, M. (Garrison et al. 2010). Mecistogaster species have exclusive asticta and M. pronoti are in the IUCN Red List of threatened morphological characteristics (Garrison et al. 2010), such as a species (IUCN 2016), being classified as Vulnerable and Critically cell line between the CuA (Cubital anterior) and the edge of the Endangered statuses, respectively. wing; also, in males, the paraproct is vestigial. The wings are hyaline, long, and narrow; the pseudostigma can vary in shape M. linearis is considered an effective predator of web-builder and color. Commonly, Mecistogaster are sexually dimorphic in spiders (Price et al. 2011) and has been reported in countries their abdomen size and pseudostigma shape. Male sieges are like Argentina, Bolivia, Colombia, Costa Rica, Ecuador, French long, linear, and curved medially, and are ventrally angulated Guyana, Guyana, Panamá, Peru, Suriname and Venezuela in some species; in females, the ovipositor does not exceed the (Hedström & Sahlén 2001; Lencioni 2005). In Brazil, it has end of sieges (Garrison et al. 2010). The genus consists of 10 been identified in the states of Acre, Amazonas, Roraima, Pará, species, which are distributed across the New World (Neiss 2012; Rondônia, Mato Grosso, Rio de Janeiro and São Paulo (the last Garrison & von-Ellenrieder 2016). According to Garrison et al. of which was cited by Heckman (2008) but without coordinates (2010), there are few studies of the Mecistogaster species and www.periodico.ebras.bio.br


Mecistogaster linearis (Fabricius) (Odonata: Coenagrionidae):…

or references for the sampling site) (Hedström & Sahlén 2001; Lencioni 2005; Heckman 2008; GBIF 2016). We collected two male adults and one female adult of M. linearis in Corumbá, Mato Grosso do Sul state, Brazil, from two areas during a field trip on August 03, 2014 (19º16’43.96”S and 57º34’21.11”W, 194 m of altitude and 19º10’53.18”S and 57º37’42.29”W, 324 m of altitude). These sites are located in a region called “Morraria do Urucum” which lies in the surrounding part of the Pantanal plain. This region is comprised of deciduous and semi-deciduous forests, with seasonal floods with in the plains. All the specimens were identified as M. linearis (Figure 1), according to the characteristics indicated by Hedström & Sahlén (2001) and Lencioni (2005), like the dark brown body color with light or whitish marks; veined dark wings with a brown pseudostigma, and a single line on the latter wings; males have long upper appendages, which are shaped like forceps, dark in color with lighter areas, and abdomens of females that mesure approximately two-thirds the size of male abdomens. Also, specimen photos were sent and their identification confirmed by Dr. Jürg De Marmels (Central University of Venezuela, Caracas, Venezuela). The three specimens were deposited in the Zoological Reference Collection of the Federal University of Mato Grosso do Sul (ZUFMS) in Campo Grande, Mato Grosso do Sul (in deposit) and this note is considered the first record of the species for this state.

213

In order to create the M. linearis distribution map in Brazil (Table 1, Figure 2), we used the registers published by Heckman (1998, 2008), Lencioni (2005), Machado et al. (1991), Neiss (2012),

Rodrigues et al.

Raimundo et al. (2003), Monteiro-Júnior et al. (2014, 2015), as well as records deposited in the Global Biodiversity Information Facility data platform (GBIF 2016). Considering the presence of records without georeferenced coordinates and more than one sample site in the same municipality, these points were located in the center of the city mentioned on the specimen collection card. The region where the specimens were collected still has large areas of preserved vegetation; it is considered a priority area for conservation due to the composition and richness of species (Conservation International 1999). However, the region has high geo-economic value in the Paraguay River Basin as a result of the large reserves of iron and manganese. Consequently, increasing exploitation of these resources have caused cause a change in these environments, due to forest fragmentation and anthropic activities (Porfirio & Bordignon 2015). Given this, it is worth reiterating that M. linearis is a species that is sensitive to environmental changes and depends on adequate forest conditions to complete their reproductive cycle. The conservation of some of these areas is essential to preserve the species. Considering the distance to the nearest collection point (about 470 km from Poconé, Mato Grosso state), the limited sampling area in the state of Mato Grosso do Sul (Vianna & De Marco 2012) could have impacted the collection of this species, until now; this reality suggests that identifying and recording new species may still be possible, especially with several current projects about Odonata in this state (Koroiva et al. 2016).

A

B

C

D

E

F

Figure 1. Mecistogaster linearis (Fabricius): (A) male (above) and female (below) specimens; (B) lateral overview of head and sinthorax of the male (right) and female (left) specimens; (C) male caudal appendices: dorsal view; (D) male caudal appendices: lateral view; (E) male lateral view; (F) female ovipositor: lateral view (author: RK).

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EntomoBrasilis 9 (3)

Table 1. Geographic information for sampling sites and the reference for each register. Sites 1

Barcelos, AM

2

Novo Airão, AM

3

Presidente Figueiredo, AM

4

Manaus, AM

Latitude

Longitude

0.873507

-63.4546

Neiss (2012)

Reference

-2.84567

-60.9158

Neiss (2012)

-2.06094

-59.8525

Neiss (2012)

-3.09512

-59.9877

Neiss (2012); Monteiro-Junior et al. (2014); Monteiro-Junior et al. (2015)

Poconé, MT

-16.0558

-56.6395

Heckman (1998)

Reserva Extrativista Alto Jurua, AC

-8.77974

-72.1202

Raimundo et al. (2003)

7

Reserva Biológica Ilha de Maracá, RR

3.40354

-61.7008

Machado et al. (1991)

8

Rio Xingu Camp, Altamira, PA

-3.65

-52.37

GBIF (2016)

9

Ariquemes, RO

-9.90529

-63.0314

GBIF (2016)

10

Porto Velho, RO

-8.76146

-63.9013

GBIF (2016)

11

Rio de Janeiro, RJ

-22.907

-43.1817

GBIF (2016)

12

Jacareí, SP

-23.3036

-45.9757

Lencioni (2005)

214

5 6

Figure 2. Map with the known distribution of Mecistogaster linearis (Fabricius) in Brazil, where black dots and dark-grey area represent previously known localities and Brazilian states with M. linearis registers (literature records), respectively, and the red point is the new record (author: RK).

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Acknowledgements This research was supported by the Project “Redes de redes: interações ecológicas e suas implicações para gestão de biodiversidade” (FUNDECT- nº 23/200.578/2012). Thanks to Hannah Lois Doerrier (State University of New York) for help with the text and Dr. Ulisses Gaspar Neiss (INPA) and Dr. Jürg De Marmels (Central University of Venezuela, Caracas, Venezuela) for the confirmation of specimen identity. We also thank the Frederico Lencioni and Leandro Juen for his information about the specimens registered in other states and to two anonymous reviewers. CAPES provided the scholarship to R.K. and CNPq to E.B.M.

REFERENCES Conservation International, 1999. Ações prioritárias para a conservação da biodiversidade do Cerrado e Pantanal. Ministério do Meio Ambiente, FUNATURA, Fundação Biodiversitas, Universidade de Brasília. Brasília, DF. 1: 1-37 p. Available on: <http://www.mma.gov.br/estruturas/sbf_ chm_rbbio/_ arquivos/Sumario%20Cerrado-Pantanal.pdf>. [Accessed in: 09.ix.2016]. Dalzochio, M.S., Y. Urakami & I.F. Machado, 2011. Mecistogaster amalia (Burmeister) Odonata: Pseudostigmatidae: First Record from Rio Grande do Sul State, Brazil. EntomoBrasilis, 4: 78-79. doi: http://dx.doi.org/10.12741/ebrasilis.v4i2.130. Fincke, O.M., 2006. Use of forest and tree species, and dispersal by giant damselflies (Pseudostigmatidae): their prospects in fragmented forests, p. 103-125. In: Cordero-Rivera, A. (Ed.). Forests and Dragonflies. Sofia, Pensoft Publishers, 299 p. Garrison R.W. & N. von Ellenrieder, 2016. A synonymic list of the new world Odonata - Revised version of 18 February 2016. Available on: <http://www.odonatacentral.org/docs/NWOL. pdf>. [Accessed in: 23.v.2016]. Garrison, R.W., N. von Ellenrieder & J.A. Louton, 2010. Damselfly Genera of the New World. An Illustrated and Annotated Key to the Zygoptera. Baltimore, The Johns Hopkins University Press, 490 p. GBIF (Global Biodiversity Information Facility), 2016. Search occurrences. Available on: http://www.gbif.org/occurrence/ search?taxon_key=1421911. [Accessed in: 23.v.2016]. doi: http://dx.doi.org/10.15468/dl.m87tjt. Heckman, C.W., 1998. The Pantanal of Poconé. Dordrecht, Springer, 622 p. Heckman, C.W., 2008. Encyclopedia of South American Aquatic Insects: Odonata - Zygoptera. Illustrated Keys to Known Families, Genera, and Species in South America. Dordrecht, Springer, 694 p. Hedström, I. & G. Sahlén, 2001. A key to the adult Costa Rican “helicopter” damselflies (Odonata: Pseudostigmatidae) with notes on their phenology and life zone preferences. Revista de Biologia Tropical, 49: 1037-1056. IUCN, 2016. The IUCN Red List of Threatened Species. Version 2016-2. Available on: <http://www.iucnredlist.org>. [Accessed in 18.ix.2016].

EntomoBrasilis 9 (3)

Koroiva, R., F. Valente-Neto, M.E. Rodrigues & F.O. Roque, 2016. As reveladoras libélulas da Bodoquena. Ciência Pantanal, 2: 26-27. Lencioni, F.A.A., 2005. Damselflies of Brazil. An illustrated guide. 1 – Non-Coenagrionidae families. São Paulo, All Print Editora, 154 p. Machado, A.B.M., H.G. Mesquita, P.A.R. Machado, 1991. Contribuição ao conhecimento dos odonatos da Estação Ecológica de Maracá - Roraima. Acta Amazonica, 21: 159-173. doi: http://dx.doi.org/10.1590/1809-43921991211173. Monteiro-Júnior, C.S., L. Juen & N. Hamada, 2014. Effects of urbanization on stream habitats and associated adult dragonfly and damselfly communities in central Brazilian Amazonia. Landscape and Urban Planning, 127: 28-40. DOI: http://dx.doi.org/10.1016/j.landurbplan.2014.03.006. Monteiro-Junior, C.S., L. Juen & N. Hamada, 2015. Analysis of urban impacts on aquatic habitats in the central Amazon Basin: adult odonates as bioindicators of environmental quality. Ecological Indicators, 48: 303-311. doi: http://dx.doi. org/10.1016/j.ecolind.2014.08.021. Neiss, U.G., 2012. Taxonomia de Odonata (Insecta), com ênfase na caracterização morfológica e biologia de larvas, na Amazônia Central, Brasil. Tese (Doutorado em Ciências Biológicas: Entomologia) - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. 389 f. Porfirio, G. & M.O. Bordignon, 2015. Phyllostomid bats and their diets at Urucum Massif, Mato Grosso do Sul, Brazil. Chiroptera Neotropical, 21: 1332-1337. Price, P.W., R.F. Denno, M.D. Eubanks, D.L. Finke & I. Kaplan, 2011. Insect Ecology. Behavior, Populations and Communities. Cambridge, Cambridge University Press, 829 p. Raimundo, R.L.G., A.V.L. Freitas, R.N.S. Costa, J.B.F. Oliveira, A.F.L Lima, A.B. Melo & K.S. Brown Jr., 2003 Manual de Monitoramento Ambiental usando Borboletas e Libélulas. Reserva Extrativista do Alto Juruá Marechal Thaumaturgo, Acre. V1. Campinas, CERES/ Laboratório de Antropologia e Ambiente, 36 p. Srivastava, D.S., M.C. Melnychuk & J.T. Ngai, 2005. Landscape variation in the larval density of a bromeliaddwelling zygopteran Mecistogaster modesta (Odonata: Pseudostigmatidae). International Journal of Odonatology, 8: 67-79. doi: http://dx.doi.org/10.1080/13887890.2005.97 48244. Vianna, D.M. & P. De Marco Jr, 2012. Higher-taxon and crosstaxon surrogates for odonate biodiversity in Brazil. Natureza & Conservação, 10: 34-39. doi: http://dx.doi.org/10.4322/ natcon.2012.006. Received in: 09.vi.2016 Accepted in: 13.x.2016 **********

Suggestion citation:

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Rodrigues, M.E., R. Koroiva, E. Ragalzi-da-Silva & E. B. de Moura, 2016. Mecistogaster linearis (Fabricius) (Odonata: Coenagrionidae): First Record from Mato Grosso do Sul State, Brazil. EntomoBrasilis, 9 (3): 212-215. Available on: doi:10.12741/ebrasilis.v9i3.637

e-ISSN 1983-0572


doi:10.12741/ebrasilis.v9i3.642 e-ISSN 1983-0572 Publicação do Projeto Entomologistas do Brasil www.ebras.bio.br Distribuído através da Creative Commons Licence v4.0 (BY-NC-ND) Copyright © EntomoBrasilis Copyright © do(s) Autor(es)

Priva lappulacea (L.) Pers. (Verbenaceae): Nova Hospedeira de Tetranychus gigas Pritchard & Baker (Acari: Tetranychidae) no Brasil

Comunicação Científica/ Scientific Note

Rodrigo Souza Santos¹, Gilberto José de Moraes², Fátima Regina Gonçalves Salimena³ & Cleidiane de Andrade Ferreira4 1. Embrapa Acre, e-mail: rodrigo.s.santos@embrapa.br (Autor para correspondência). 2. Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ/ USP), e-mail: moraesg@usp.br. 3. Universidade Federal de Juiz de Fora, e-mail: frsalimena@gmail.com. 4. Agência de Defesa Agropecuária do Estado de Tocantins (ADAPEC), e-mail: cleidiane.agro@gmail.com.

_____________________________________ EntomoBrasilis 9 (3): 216-219 (2016)

Abstract. An infestation of Tetranychus gigas (Acari: Tetranychidae) was observed on Priva lappulacea plants in anthropized areas in the municipality of Paraíso do Tocantins, Tocantins state, Brazil. Mites were found in large colonies mainly on the underside of the leaves. This observation confirms P. lappulacea as a new host of T. gigas in Brazil, in addition to confirming the first records of P. lappulacea and T. gigas for Tocantins state. Keywords: Arachnida; Bur; Phytophagous mite; Ruderal plant; Tetranychoidea.

Priva lappulacea (L.) Pers. (Verbenaceae): New Host of Tetranychus gigas Pritchard & Baker (Acari: Tetranychidae) in Brazil Resumo. Relata-se a infestação de Tetranychus gigas (Acari: Tetranychidae) em plantas de Priva lappulacea em área antropizada no município de Paraíso do Tocantins, Estado de Tocantins. Os ácaros foram observados em numerosas colônias, principalmente na face inferior das folhas. Após confirmação, registra-se, portanto uma nova planta hospedeira para T. gigas no Brasil, além do primeiro registro de P. lappulacea e de T. gigas para o Estado de Tocantins. Palavras-chave: Ácaro fitófago; Arachnida; Carrapicho; Planta ruderal; Tetranychoidea.

_____________________________________ família Verbenaceae é representada por ervas e arbustos e, excepcionalmente, por árvores e lianas (Rennó 1963). Algumas espécies são utilizadas na medicina popular por suas propriedades digestivas, antimaláricas, antidiabéticas e anti-inflamatórias (Agra et al. 2008; Dornas et al. 2009; Leitão et al. 2009; Mariath et al. 2009; Jesus et al. 2009). Dentre os gêneros incluídos na família Verbenaceae, Priva abrange espécies anuais e/ou perenes, eretas ou ascendentes, quase sempre pubescentes e ásperas ao tato, com tricomas (incluindo tricomas uncinados) e inflorescências dispostas em racemos mais ou menos espiciformes, terminais e/ou axilares (Lima & França 2007). O gênero Priva reúne cerca de 20 espécies e algumas variedades, com distribuição nas regiões tropicais e subtropicais (Davidse et al. 2012), ocorrendo como plantas espontâneas em áreas antropizadas (Lima & França 2007; Salimena et al. 2016). No Brasil são encontradas duas espécies: Priva bahiensis A. DC. e Priva lappulacea (L.) Pers., nos domínios fitogeográficos da Floresta Atlântica e da Caatinga (BFG 2015). São plantas conhecidas popularmente pelos nomes de “mãe Isabel”, “carrapicho” ou “pega-pega” (Metcalfe & Chalk 1988), devido aos frutos possuírem estruturas adesivas (espinhos ou ganchos). Em abril de 2016 observou-se um ataque de ácaros de coloração vermelha causando intensa injúria em plantas de ocorrência espontânea, localizadas em área antropizada no Município de Paraíso do Tocantins, Estado de Tocantins (09°26’45.2”S; 49°53’4.42.9”O). A infestação foi visualizada a olho nu e os ácaros se encontravam em ambas as faces das folhas das plantas, mas predominantemente na face inferior das mesmas. As folhas

das plantas infestadas apresentavam aspecto prateado, devido à perda de área fotossintetizante (Figura 1A e B). Uma amostra dos ácaros foi coletada, sendo montados em meio de Hoyer em lâmina de microscopia, para posterior identificação sob microscópio óptico. Ademais, três amostras de plantas com flores foram coletadas para identificação. O material coletado (ácaros e plantas) foi identificado pelos taxonomistas Dr. Gilberto José de Moraes (ESALQ/USP, Piracicaba, SP) e Dra. Fátima Regina Gonçalves Salimena (Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, MG). A espécie botânica foi identificada como P. lappulacea, cujas exsicatas foram depositadas no Herbário Leopoldo Krieger (CESJ), da Universidade Federal de Juiz de Fora, sob número de tombo CESJ 67518. Essa espécie é encontrada nos Estados Unidos (Califórnia), Guatemala e América do Sul (Nash & Nee 1984). No Brasil já foi registrada nos Estados do Acre, Amazonas, Pará, Alagoas, Bahia, Pernambuco, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Goiás (Schauer 1851; Lima & França 2007; Braga et al. 2009; BFG 2015; Salimena et al. 2016) (Tabela 1). A espécie P. lappulacea apresenta características de planta daninha, com florescimento e frutificação durante todo o ano, sendo mais evidente após as primeiras chuvas do período de inverno - abril a julho (Braga 2007). Ocorrem na Floresta Atlântica, Amazônia e Pantanal em áreas antropizadas, florestas de terra firme e florestas ombrófilas (BFG 2015). Apesar de alguns estudos fitoquímicos realizados (Braga et al. 2009), pesquisas envolvendo espécies do gênero Priva são escassas, especialmente sobre a ocorrência de artrópodes a estas associados.

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Priva lappulacea (L.) Pers. (Verbenaceae): Nova Hospedeira …

Santos et al.

B A Figura 1. Detalhe do início de infestação por Tetranychus gigas em folhas de Priva lappulacea (A). Prateamento e necrose de folhas de P. lappulacea causados por infestação de T. gigas (B). (Crédito das imagens: C.A. Ferreira). Tabela 1. Locais de ocorrência de Priva lappulacea no Brasil.

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Localidade Ilhéus Itaparica Itapebi Lençóis Mascote Porto Seguro Salvador Rio Branco Manaus São Raimundo Ibateguara Tapirapoã Corumbá Ipanema Jataí Recife

Estado BA BA BA BA BA BA BA AC AM PA AL MT MS MG GO PE

Referência Lima & França (2007) Lima & França (2007) Lima & França (2007) Lima & França (2007) Lima & França (2007) Lima & França (2007) Lima & França (2007) BFG (2015) BFG (2015) BFG (2015) BFG (2015) BFG (2015) BFG (2015) BFG (2015) Salimena et al. (2016) Braga et al. (2009)

Os espécimes de ácaros encontrados em P. lappulacea foram identificados como Tetranychus gigas Pritchard & Baker (Acari: Tetranychidae) cujas lâminas foram depositadas na Coleção Acarológica da ESALQ/USP, Piracicaba, SP. Os ácaros dessa espécie são popularmente conhecidos como “ácaro-vermelho” (Moraes & Flechtmann 2008) e foram originalmente descritos por Pritchard & Baker (1955) de exemplares coletados em plantas de algodão (Gossypium sp., Malvaceae) nos Estados do Arizona e Texas, EUA. Posteriormente, a espécie foi registrada no México associada a uma espécie de planta de ocorrência espontânea conhecida por “mariola”, Parthenium incanum Kunth (Asteraceae) em Torreón, México (Tuttle et al. 1974). Devido à antiguidade da descrição original, a espécie foi redescrita por Navia & Flechtmann (2004), com base em espécimes coletados em plantas de soja (Glycine max (L.) Merril., Fabaceae) cultivadas no Estado do Rio Grande do Sul e está amplamente distribuída, associada à cultura da soja, em vários municípios desse Estado (Guedes et al. 2007; Roggia et al. 2008) (Tabela 2).

Tabela 2. Locais de ocorrência e planta hospedeira de Tetranychus gigas no Brasil Localidade

Estado

Planta Hospedeira

Referência Roggia et al. (2009)

Santa Maria Canguçú

Roggia et al. (2009)

Tronqueiras

Navia & Flechtmann (2004)

Alegrete Nonai São Pedro do Sul Victor Graeff

RS

Soja

Roggia et al. (2008) Roggia et al. (2008) Roggia et al. (2008) Roggia et al. (2008)

As fêmeas de T. gigas apresentam coloração vermelho-carmim, formato oval e setas finas, medindo de 0,55 mm a 0,67 mm de comprimento. Os machos apresentam coloração alaranjada, possuem formato triangular e pares de pernas mais alongados em relação às fêmeas, medindo de 0,36 mm a 0,48 mm (Navia & Flechtmann 2004). Tetranychus gigas é facilmente confundível com outras espécies de ácaros-vermelhos associados à soja como Tetranychus desertorum Banks e Tetranychus ludeni Zacher (Acari: Tetranychidae), somente distinguíveis à partir de preparações microscópicas para observação do edéago (SosaGómez et al. 2010). Os tetraniquídeos compreendem uma família relativamente grande de ácaros fitófagos e produzem quantidade variável de teia sobre as plantas hospedeiras, reduzindo a produtividade e causando a mortalidade das plantas, quando o ataque é intenso, principalmente em culturas anuais (Moraes & Flechtmann 2008). Considerando a ocorrência de T. gigas no estado de Tocantins, a expressividade da área plantada de soja no Estado (887.500 ha para a safra de 2015/2016) (CONAB 2016), com perspectivas de se quadruplicar esta área na próxima década (Canal Rural e-ISSN 1983-0572


2015), pode-se inferir que T. gigas venha a se estabelecer nessa cultura, aumentando os problemas fitossanitários da mesma em Tocantins, principalmente no que tange aos insetos e ácaros. Segundo Moraes & Flechtmann (2008) podem ocorrer migrações massais de tetraniquídeos pelo vento, disseminando-os para outras regiões. Uma vez que T. gigas tenha sido encontrado em P. lappulacea, uma planta daninha que também pode estar presente em áreas produtoras de soja no Estado de Tocantins, há um risco real de essas plantas servirem como fonte de inóculo nestas áreas. Caso T. gigas atinja áreas de cultivo de soja em Tocantins, atualmente não há produtos registrados no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) para o controle de T. gigas nesta cultura (AGROFIT 2016). No entanto, há produtos químicos e biológicos registrados para o ácaro-rajado, Tetranychus urticae Koch (Acari: Tetranychidae), também associado a esta cultura (AGROFIT 2016). No que tange aos inimigos naturais, o fungo Neozygites floridana (Weiser & Muma) Remaudière & Keller (Entomophthorales: Neozygitaceae) e os ácaros predadores Phytoseiulus macropilis Banks e Neoseiulus californicus (McGregor) (Acari: Phytoseiidae), já foram relatados associados a T. gigas na cultura da soja, no estado do Rio Grande do Sul (Roggia et al. 2009). Ademais, insetos dos gêneros Geocoris, Nabis, Podisus e Orius também podem ser predadores de ácaros fitófagos em soja (Roggia & Sosa-Gómez 2012). O trabalho registra uma nova planta hospedeira para T. gigas no Brasil, além dos primeiros registros de P. lappulacea e de T. gigas para o Estado de Tocantins. Considerando a importância de T. gigas na cultura da soja e sua disseminação, considera-se importante o exame de presença de P. lappulacea nas proximidades de áreas de produção, a fim de verificar a possível ocorrência deste ácaro, bem como antecipar possíveis surtos populacionais em áreas produtoras de soja no Estado do Tocantins.

AGRADECIMENTOS À Profa. Ma. Luciana Maira de Sales Pereira (Instituto Federal do Acre – IFAC), pela revisão do texto e Abstract.

REFERÊNCIAS Agra, M.F., K.N. Silva, I.J.L.D. Basílio, P.F. França & J.M. Barbosa-Filho, 2008. Survey of medicinal plants used in the region Northeast of Brazil. Revista Brasileira de Farmacognosia, 18: 472-508. doi: http://dx.doi.org/10.1590/ s0102-695x2008000300023. AGROFIT, 2016. Sistema de Agrotóxicos Fitossanitários, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Disponível em: <http://agrofit.agricultura.gov.br/agrofit_ cons/principal_agrofit_cons>. [Acesso em: 20.x.2016]. BFG - The Brazil Flora Group, 2015. Growing knowledge: an overview of seed plant diversity in Brazil. Rodriguésia, 66: 1085-1113. Braga, J.M.F., 2007. Estudo farmacognóstico de duas espécies de Priva de ocorrência em Pernambuco. Dissertação (Mestrado em Ciências Farmacêuticas: Química de Produtos Naturais). 142 f. Braga, J.M.F., R.M.M. Pimentel, C.P. Ferreira, K.P. Randau & H.S. Xavier, 2009. Morfoanatomia, histoquímica e perfil fitoquímico de Priva lappulacea (L.) Pers. (Verbenaceae). Revista Brasileira de Farmacognosia, 19: 516-523. doi: http://dx.doi.org/10.1590/s0102-695x2009000400002. Canal Rural, 2015. Tocantins deve quadruplicar área plantada na próxima década. Disponível em: <http://www. projetosojabrasil.com.br/tocantins-deve-aumentar-areaplantada-em-25-mi-hectares-na-proxima-decada>. [Acesso em: 20.x.2016].

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CONAB - Companhia Nacional de Abastecimento, 2016. Acompanhamento da safra brasileira de grãos, v.10 – safra 2015/16. Disponível em: <http://www.conab.gov.br/ conteudos.php?a=1253&>. [Acesso em: 20.x.2016]. Davidse, G., M. Sousa Sánchez, S. Knapp & F. Chiang Cabrera, 2012. Rubiaceae a Verbenaceae. 4, part 2. In: Davidse, G., M. Sousa Sánchez, S. Knapp & F. Chiang Cabrera (Eds.). Flora Mesoamericana. Saint Louis, Missouri Botanical Garden Press, 552 p. Dornas, W.C., T.T. Oliveira, R.G.R. Dores, M.H.A. Fabres & T.J. Nagem, 2009. Efeitos antidiabéticos de plantas medicinais. Revista Brasileira de Farmacognosia, 19: 488-500. doi: http://dx.doi.org/10.1590/s0102-695x2009000300024. Guedes, J.V.C., D.N.M. Ferreira, A.C. Lofego & S.T.B. Dequech, 2007. Ácaros associados à cultura da soja no Rio Grande do Sul. Neotropical Entomology, 36: 288-293. Jesus, N.Z.T., J.C.S. Lima, R.M. Silva, M.M. Espinosa & D.T.O. Martins, 2009. Levantamento etnobotânico de plantas popularmente utilizadas como antiúlceras e antiinflamatórias pela comunidade de Pirizal, Nossa Senhora do Livramento-MT, Brasil. Revista Brasileira de Farmacognosia, 19: 130-139. doi: http://dx.doi.org/10.1590/s0102-695x2009000100023. Leitão, F., V.S. Fonseca-Kruel, I.M. Silva & F. Reinert, 2009. Urban ethnobotany in Petrópolis and Nova Friburgo (Rio de Janeiro, Brazil). Revista Brasileira de Farmacognosia, 19: 333-342. doi: http://dx.doi.org/10.1590/s0102695x2009000200026. Lima, A.B. & F. França, 2007. Flora da Bahia: Priva Adans. – Verbenaceae. Sitientibus Série Ciências Biológicas, 7: 32-35. Mariath, I.R., H.S. Falcão, J.M. Barbosa-Filho, L.C.F. Sousa, A.C.A. Tomaz, L.M. Batista, M.F.F.M. Diniz, P.F. AthaydeFilho, J.F. Tavares, M.S. Silva & E.V.L. Cunha, 2009. Plants of the American continent with antimalarial activity. Revista Brasileira de Farmacognosia, 19: 158-192. doi: http://dx.doi.org/10.1590/s0102-695x2009000100026. Metcalfe, C.R. & L. Chalk, 1988. Anatomy of the dicotyledons vol. 1. 2th ed., Oxford University Press, London, 389 p. Moraes, G.J. de & C.H.W. Flechtmann, 2008. Manual de acarologia: acarologia básica e ácaros de plantas cultivadas no Brasil. Ribeirão Preto: Holos Editora, 288 p. Nash, D.L. & M. Nee, 1984. Verbenaceae, Flora de Veracruz. 41: 1-51. Navia, D. & C.H.W. Flechtmann, 2004. Rediscovery and redescription of Tetranychus gigas (Acari, Prostigmata, Tetranychidae). Zootaxa, 547: 1-8. doi: http://dx.doi.org/10.11646/zootaxa.547.1.1. Pritchard, E. & E.W. Baker, 1955. A revision of the spider mite family Tetranychidae. Pacific Coast Entomological Society Memoirs, 2: 1-472. Rennó, L.R., 1963. Pequeno dicionário etimológico das famílias botânicas. Belo Horizonte, Imprensa da Universidade Federal de Minas Gerais, 186 p. Roggia, S., D.R. Sosa-Gómez, 2012. Manejo de ácaros-praga em soja. Londrina: Embrapa-CNPSO (Folder), 2 p. Roggia, S., J.V.C. Guedes, R.C.R. Kuss, J.A. Arnemann & D. Navia, 2008. Spider mites associated Roggia, S., J.V.C. Guedes, R.C.R. Kuss-Guedes, G.J.N. de Vasconcelos, D. Navia & I.D. Junior, 2009. Ácaros predadores e o fungo Neozygites floridana associados à tetraniquídeos em soja no Rio Grande do Sul. Pesquisa Agropecuária Brasileira, 44: 107-110. doi: http://dx.doi.org/10.1590/ s0100-204x2009000100015. Salimena, F.R.G., S.C. Ferreira, P.H. Cardoso & V.I.R. Valerio, 2016. Verbenaceae. In: Rizzo, J.A. (Org.). Flora dos estados de Goiás e Tocantins. Goiânia: CEGRAF-UFG, 157 p. Schauer, J.C., 1851. Verbenaceae. Flora Brasiliensis, 9: 169-308. Sosa-Gómez, D.R., B.S. Corrêa-Ferreira, C.B. Hoffmann-Campo, I.C. Corso, L.J. Oliveira, F. Moscardi, A.R. Panizzi, A. de F. Bueno & E. Hirose, 2010. Manual de identificação de insetos e outros invertebrados da cultura da soja. Londrina: EmbrapaCNPSO (Documentos, 269), 90 p.

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to soybean in Rio Grande do Sul, Brazil. Pesquisa AgropecuĂĄria Brasileira, 43: 295-301. doi: http://dx.doi.org/10.1590/ s0100-204x2008000300002. Tuttle, D.M., E.W. Baker & M. Abatiello, 1974. Spider mites from northwestern and north central Mexico (Acarina: Tetranychidae). Smithsonian Contributions to Zoology, 171: 1-18. doi: http://dx.doi.org/10.5479/si.00810282.171.

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Recebido em: 15.vii.2016 Aceito em: 26.x.2016 **********

Como citar este artigo:

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Santos, R.S., G.J. Moraes, F.R.G. Salimena & C.A. Ferreira, 2016. Priva lappulacea (L.) Pers. (Verbenaceae): Nova Hospedeira de Tetranychus gigas Pritchard & Baker (Acari: Tetranychidae) no Brasil. EntomoBrasilis, 9 (3): 216-219. AcessĂ­vel em: doi:10.12741/ebrasilis.v9i3.642

e-ISSN 1983-0572


doi:10.12741/ebrasilis.v9i3.656 e-ISSN 1983-0572 Publicação do Projeto Entomologistas do Brasil www.ebras.bio.br Distribuído através da Creative Commons Licence v4.0 (BY-NC-ND) Copyright © EntomoBrasilis Copyright © do(s) Autor(es)

A Storage Method for ‘Psocoptera’ (Insecta: Psocodea) in “CD Box”

Comunicação Científica/ Scientific Note

Alberto Moreira Silva-Neto¹, Alfonso Neri García Aldrete², José Albertino Rafael¹ 1. Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA, CPEN – Programa de Pós-Graduação em Entomologia, e-mail: bio.alberto@gmail.com (Corresponding author), jarafael@inpa.gov.br. 2. Departamento de Zoología, Instituto de Biología, Universidad Nacional Autónoma de México, e-mail: anga@ib.unam.mx.

_____________________________________ EntomoBrasilis 9 (3): 220-223 (2016)

Abstract. The use of a “CD box” adapted to the storage of slides, and other body parts of dissected psocopterans was proposed. Keywords: Bark-Lice; Book-lice; Entomological collection; Paraneoptera; Psocids.

Um Método de Armazenamento para Psocoptera (Insecta: Psocodea) em Caixa de CD Resumo. O uso de uma caixa de CD adaptada para o armazenamento de lâminas e outras partes dissecadas do corpo de psocópteros foi proposto. Palavras-chave: Coleção entomológica; Paraneoptera; Piolhos de cascas de árvores; Piolho de livros; Psocídeos.

_____________________________________ socoptera (psocids, booklice, barklice) is the paraphyletic non-parasitic component of order Psocodea (Psocoptera + Phthiraptera) (Yoshizawa & Johnson 2006). They range from 1 to 10 mm in length and are characterized by a large and mobile head, bulbous postclypeus, asymmetric mandibles, reduced labial palps, maxillae with free elongated laciniae, reduced prothorax, well-developed pterothorax , wings when present, membranous, kept roof-shaped or flat over the abdomen when at rest, tarsi with two or three segments (García Aldrete & Mockford 2012). The taxonomic study of Psocoptera requires the dissection of some structures (head, mouthparts, antennae, right wings and legs, and genitalia). To be properly studied, these structures need to be mounted on slides in Canada balsam or Euparal, resulting in long-lasting preparations. It may be difficult to extract a structure for more detailed study after it is mounted. The slides are then stored in slide boxes, or in slide sheets. The thorax and remaining parts of the dissected specimen are stored in a small glass capsule with 80% ethanol, placed in a glass vial, also filled with 80% ethanol, and kept in a different location from the slide. This practice may result in the loss of the remaining parts of the specimen, or in failure to associate them with the corresponding slide. At the Insect National Collection, Institute of Biology (CNIN), Universidad Nacional Autónoma de México, in México City, the remains of dissected specimens are stored as indicated above in wooden boxes (Figure 1). At the Invertebrate Collection of the Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), in Manaus, Brazil, the remains of dissected specimens are stored in glass vials as indicated above, placed in large pots with 80% ethanol (Figure 2). The problem with both methods is the association of the remains with the respective slide that may be time consuming. We here recommend the storage of the slides and remains of the dissected specimens in a single compartment of the “CD box” described below. Rafael et al. (2003) were the first to use a “CD box” for entomological storage. They used the “CD box” for layering and storing small dried insects. The “CD boxes” (Figure 3) are made of acrylic with the following dimensions: 10 mm thick, 125 mm

wide and 143 mm long. The box is divided in the following parts: “CD box” itself with a lower part (base), upper part (lid) that are movable between them and the “tray” (Tray or cradle CD) internal and embedded in the base, which has a central crown with teeth which serves to fix the CD. Our method consists in using the base and lid of the “CD box” to store slides and thorax of Psocoptera. It requires six easy steps to be made: 1- exclusion of the internal tray (Figure 4); 2- fixing of a foam sheet or a piece of polystyrene with the same width, length and thickness of the “CD box” (Figures 5 and 6); 3- drawing the slide shape over the foam sheet or a piece of polystyrene (Figures 7 and 8); 4- extract the demarked area thus generating a mold to be filled by the slide (Figures 9, 10 and 11); 5- drawing the micro container or capsule shape over the foam sheet or piece of polystyrene (Figure 12); 6- extract the demarcated area thus generating a mold to be filled by the capsule (Figures 13 and 14). Steps 3 and 4 can be done up to three times on a single “CD box” for storing even 3 specimens in a single CD box (Figure 15). On the spine of the CD box we add a label with the species name to facilitate its location during a search (Figure 16). For the capsules with the remains of the dissected specimens we suggest the use of glycerin instead of ethanol, because it evaporates and requires a constant surveillance to replace it. The CD box can be stored in cabinets adapted for the purpose (Figure 17). Preserving Psocoptera in CD boxes may prevent the loss of the remains of the body, because they will not be stored separately. It also eliminates the harsh work of association of a slides and body remains. Storage in “CD boxes” may have the disadvantage of taking up more space than storing in slides boxes, but it has the advantages mentioned above and can be used at least for type series, for their taxonomic significance. This new method can also be adopted to other insects in which slides and other body parts (placed in some type of preservative liquid) are generally stored separately.

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A Storage Method for ‘Psocoptera’ (Insecta: Psocodea) in “CD Box

Silva-Neto et al.

Figure 1. Psocoptera stored in the Mexican Insect National Collection, Institute of Biology, Universidad Nacional Autónoma de México.

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Figure 3. “CD box”.

Figure 2. Psocoptera stored in the Invertebrate Collection of Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia

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Figures 4-15. Description step by step of the adaptation to “CD box” to storage of the slides and body remains of dissected specimens of Psocoptera. 4. Exclusion of the internal tray. 5-6. Fixing of a foam sheet or a piece of polystyrene. 7-8. Drawing the slide shape. 9-11. Extract the cut area to slide shape. 12. Drawing the capsule shape. 13-14. Extracting the cut area to capsule shape. 15. “CD box” with three psocopteran types stored.

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Figure 16. Label with the species name on spine of “CD box”.

Acknowledgements ANGA thanks to the Institute of Biology, Universidad Nacional Autónoma de México, for continuous research support. AMSN thanks to the Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) and Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico of Brazil (CNPq) for research support.

References García Aldrete, A.N. & E.L. Mockford, 2012. Psocoptera, p. 423437. In: Rafael, J.A., G.A.R. Melo, C.J.B. Carvalho, S.A. Casari & R. Constantino (Eds.). Insetos do Brasil: Diversidade e Taxonomia. Brasil, Editora Holos,795 p. Rafael, J.A., A.L. Henriques & J.F. Vidal, 2003. Armazenagem de pequenos insetos secos em bandeja-manta adaptada de “cdbox”. Revista Brasileira de Entomologia, 47: 469-471. doi: http://dx.doi.org/10.1590/s0085-56262003000300018. Yoshizawa, K. & K.P. Johnson, 2006. Morphology of male genitalia in lice and their relatives and phylogenetic implications. Systematic Entomology, 31: 350-361. doi: http://dx.doi. org/10.1111/j.1365-3113.2005.00323.x. Received in: 17.ix.2016 Accepted in: 20.x.2016

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Suggestion citation:

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Silva-Neto, A.M., A.N. García Aldrete & J.A. Rafael, 2016. A Storage Method for ‘Psocoptera’ (Insecta: Psocodea) in “CD Box” . EntomoBrasilis, 9 (3): 220-223. Available on: doi:10.12741/ebrasilis.v9i3.656

Figure 17. Cabinets adapted for the storage of “CD box”.

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EntomoBrasilis volume 9, número 3  

Volume 9, número 3 (set. - dez. 2016), da EntomoBrasilis - Publicação do Projeto Entomologistas do Brasil - DOI: http://dx.doi.org.br/10.12...

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