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uma publicação da Biolab exclusiva para médicas e médicos n. 03 | MAI / JUL | 2011

A força da leveza Bailarinas deficientes dão lições de vida

Avós modernas Aos 60 anos, elas esbanjam energia

Trabalho em família Mães e filhas cumprem juntas o expediente

Tempo de

acreditar

sa ca ção a em per des s re su ida he bre as l u o s m is s da s a ve to l d rdí ara e p pe p pa im ios O s c + bra rcí O e + Ex +

O poder da mente move montanhas? Conheça histórias de quem nunca desiste e saiba como a ciência explica a esperança


Mais AMOR

Mais TRABALHO

Mais FELICIDADE Todo mundo tem um projeto de vida. O nosso é cuidar da saúde humana. Para realizá-lo, antecipamos a medicina do futuro para que você tenha mais saúde hoje. Afinal, é com saúde que transformamos projetos em sorrisos, qualidade de vida e mais alegria. Em 13 anos de história, lançamos mais de 100 produtos inovadores a um preço justo. Outros estão a caminho, para honrar nosso compromisso com a pesquisa e a inovação no Brasil. Isso é fazer diferente. É sonhar com vidas melhores, com mais saúde. Sonhe. Inspire-se. Realize seus projetos.

Saúde ao Alcance de Todos www.biolabfarma.com.br


Editorial DIRETORA EDITORIAL Roberta Faria DIRETOR EXECUTIVO Rodrigo Pipponzi

Editora-chefe Roberta Faria Editora Ana Luísa Vieira Repórteres Cristina Casagrande, Karina Sérgio Gomes e Rita Loiola Estagiários de texto Flávio Carneiro e Juliana Dias Diretora de arte Claudia Inoue Editora de arte Larissa Ribeiro Designers André Rodrigues, Mariana Bolzani e Paula Bittar Estagiário de design Anderson Borges Pesquisa e produção Claudine Luz Estagiária de produção Carina Barros Atendimento Beatriz Torres

COLABORADORES Fábio Fujita, Paula Rodrigues, Roberta de Lucca e Sheyla Miranda (reportagem), Eduardo Toaldo (revisão), Felipe Gressler (tratamento de imagem) FALE COM A GENTE: entenderamulher@editoramol.com.br Telefone (11) 3024-2444 Rua Andrade Fernandes, 303, loft 3, São Paulo/SP, CEP 05449-050

Entender a Mulher é impressa em papel couché 90g

tiragem

40 mil exemplares

impressão

Plural

CEO Cleiton de Castro Marques Vice-presidente Comercial S.C. Capelli Diretor de Marketing / Comunicação Jailson Bispo Marketing Ana Claudia Aguiar, Beatriz Sabino Valdivia Bravo, Giselle Schuster

Marques, Maria Eugenia Caetano, Roni Moreira da Silva e Vulmeron Borges Marçal Neto Diretoria Médica Dra. Egle Oppi e Dr. Fernando Fernandes Anúncios Artgraphic Publicidade REALIZAÇÃO

uma publicação da Biolab exclusiva para médicas e médicos n. 03 | MAI / JUL | 2011

Avós modernas Aos 60 anos, elas esbanjam energia

A força da leveza Bailarinas deficientes dão lições de vida

Trabalho em família Mães e filhas cumprem juntas o expediente

Tempo de

acreditar

O poder da mente move montanhas? Conheça histórias de quem nunca desiste e saiba como a ciência explica a esperança

TUDO PODE

dar certo A professora Fernanda Bianchini é exigente e não hesita

em cobrar o melhor desempenho de suas alunas durante as aulas de balé clássico. A coreografia deve ser impecável – caso contrário, a bronca é inevitável. Tanto rigor garante a excelência de apresentações que colecionam aplausos Brasil afora. Fernanda coordena um grupo de bailarinas que, a despeito da cegueira, se recusam a abrir mão dos sonhos e almejam nada menos que a plenitude. “Não é porque somos deficientes que as pessoas têm de dizer: ‘Ah, deixa assim mesmo que está bom’. Nunca está bom. Temos sempre de melhorar”, ensina a aluna Marina Guimarães. Histórias assim, de superação, marcam esta edição Ao longo de nossas páginas, reunimos exemplos de brasileiras que não se intimidaram diante dos percalços e tiveram força para perseverar – baseadas naquela esperança permanente que nos faz seguir adiante, sempre. Como explicar a influência do pensamento positivo em nosso cotidiano? O poder da crença, antes visto como mero misticismo, é cada vez mais estudado pela ciência, como nos mostra a matéria de capa. Já em Tipos, descrevemos as trajetórias de mulheres que desdenham dos limites supostamente impostos pela idade e esbanjam vitalidade e alegria aos 60 anos. Na nova seção, Prontuário, contemplamos os profissionais de medicina, tratando de assuntos recorrentes no dia a dia da profissão. Nesta estreia, falaremos sobre moda branca, com sugestões para incrementar o visual. Esperamos que as reportagens a seguir sirvam de inspiração para vocês, médicos, médicas e outros profissionais da saúde. Sugiram temas, ideias de entrevistas, indiquem livros e filmes... Continuem a construir a revista conosco. Aguardamos seu contato. Boa leitura!

o çã ra pe asa su c des m a bre s e id s so is ere s a íve ulh da rd m to pe as ara d s impel s p bra pa ício O + + O xerc E +

Foto de capa Ketlyn Woelfer (Agência L’Agence) foi fotografada

por Rodrigo Braga. Assistente de fotografia: Felipe Chaves. Beleza: Elcio “Maisena” Aragão (Agência First). Produção de moda: Marcela Falcão. Tratamento de imagem: Felipe Gressler AGRADECIMENTOS Capa Accessorize (11) 3061-5136, Renner www.lojasrenner.com.br, Victoire Femme (11) 3081-1825 Tipos A Casa de Alice (41) 3022-3241, Renner Saúde & Emoções Costume (11) 3032-2197, Emme (11) 3038-2542, Nem (11) 3845-3199, Renner.

Equipe Entender a Mulher

Sobre a Biolab A Biolab está entre os maiores laboratórios brasileiros. Desenvolvemos medicamentos e dermocosméticos e nos orgulhamos em ser referência na área de inovação em saúde. Buscamos sempre soluções para melhorar a qualidade de vida das pessoas: investimos em estudos e desenvolvimento por meio de parcerias com universidades e centros de pesquisa. Nosso foco são os medicamentos sob prescrição médica nas especialidades de cardiologia, ginecologia, reumatologia, ortopedia, clínica médica, pediatria, endocrinologia, geriatria e dermatologia. Com um trabalho sério e contínuo junto a você e seus colegas, oferecemos mais de 100 produtos que viabilizam tratamento seguro à população. Ao longo da revista, em publieditoriais, você irá conhecer melhor algumas de nossas marcas.

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ENTENDER A MULHER

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Qu e

O que tem nesta edição:

m

somos? As

mulheres representam

4 EM CADA 10

médicos registrados no

Conselho Federal de Medicina.

ELES

somam 215.830

profissionais, enquanto chegam a

elas

140.863.

Nos CONSELHOS ESTADUAIS de medicina a maioria também é dos médicos. No Rio Grande do Sul, por exemplo, os homens

representam 62%.

Mas em SÃO PAULO o número de

médicas superou

06 NA MÉDIA

De donas de casa a chefes da família: o papel das mulheres nos novos arranjos domésticos

Com os filhos criados, as vovós modernas querem realizar seus sonhos e encarar outros desafios

No h

o de homens: elas são 51,2% dos recémformados registrados.

10 TIPOS

pital s o O Brasil

conta com o

MENOR NÚMERO DE LEITOS em

33 anos. Em 1976, eram 443.888 leitos, contra 431.996 em 2009. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil precisa de

2,5 a 3 leitos hospitalares por mil

32 AOS 20, 30, 40, 50, 60

Praticar exercícios vai além da vaidade. Especialistas indicam os melhores para cada fase da vida

4

ENTENDER A MULHER

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38 HISTÓRIAS DE MÃES

Trabalhando juntas, mães e filhas driblam o excesso de convivência e desfrutam do companheirismo

habitantes. O número atual é de apenas 2,3. Desses, 1,6 está no SUS e 0,7 em hospitais particulares.


18

GUERREIRAS Para esse grupo de bailarinas deficientes, o impossível é apenas um ponto de vista

24 CAPA

Elas nunca deixaram de acreditar em si próprias, mesmo nos momentos mais críticos. O que a ciência diz sobre a força da mente?

Mais c

dado ui

A taxa de

MORTALIDADE INFANTIL no Brasil

diminuiu em 61,7%, nos últimos 20 anos. O valor era de 52,04 mortes por mil nascimentos em 1990 e caiu

para 19,88

46 PRONTUÁRIO

Acessórios e novos tecidos ajudam a dar graça ao guardaroupa repleto de peças brancas

48 PARA ENTENDER

em 2010. Anualmente morrem 7,7 MILHÕES de crianças no mundo. A meta da ONU é diminuir a mortalidade em dois terços Apesar da até 2015. queda, o Brasil

está em

90º LUGAR no RANKING DA ONU.

Inspiradoras histórias de superação registradas em filmes, discos e livros

Fontes: Conselho Federal de Medicina, IBGE, Ministério da Saúde e Revista The Lancet (www.thelancet.com)

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Na média: mulheres em números

Álbum de família

SOZINHAS, ELAS ADOTAM FILHOS OU CHEFIAM A CASA. QUANDO CASADAS, SÃO TÃO RESPONSÁVEIS QUANTO OS HOMENS NAS QUESTÕES DOMÉSTICAS Texto Flávio Carneiro e Juliana Dias Ilustração Catarina Bessell

Como são as casas no Brasil

17,4%

47,3% casal com filhos

mãe solteira

11,5%

unipessoal (pessoas que moram sozinhas)

6,2%

With Love Photography / GettyImages

parentes que moram juntos

Como pais

0,2%

sem parentesco

17,4%

(amigos/pensões)

casal sem filhos

em 1cada

3

1,94

famílias é

chefiada por mulheres

É O NÚMERO MÉDIO DE FILHOS POR MULHER

e filhos se transformaram ao longo do tempo

1

2

3

4

5

Final do século 19

1940 a 1960

1970 e 1980

1990

2000

Começam os estudos sobre crescimento populacional e, para contê-lo, surge o diafragma (1870). A média é de 8 filhos por família. O pai trabalha, e a mãe cuida exclusivamente da casa.

A pílula anticoncepcional surge, e o desquite é implantado no Brasil (1962). São 6 filhos por família. O movimento feminista aumenta os direitos da mulher.

Elas ganham o mercado de trabalho. Com o direito ao divórcio, aumentam as famílias chefiadas por um pai ou uma mãe, e elas podem casar outras vezes. Média de filhos: 4.

Regula-se a guarda compartilhada dos filhos. Aumenta a preocupação com o assunto ao surgir o Estatuto da Criança e do Adolescente. A média de filhos cai para 2,9.

Uma em cada três famílias é chefiada por mulheres. E a lei implantada em 2010 permite que elas adotem sozinhas os filhos. O Censo passa a classificar as famílias de uma só pessoa.

Fontes: A maternidade e a mulher no mercado de trabalho (FEA-RP/USP), Datafolha, Data Popular, Dieese, GFK/Exame-Você S/A, Families and Work Institute (FWI), História da Vida Privada no Brasil (Companhia das Letras), IBGE, Instituto Nacional de Pesquisa de População e Seguridade Social, Instituto Pró-Livro, Ipea, Ministério da Saúde, Organização Mundial da Saúde (OMS), ONU, Pesquisa Eurostat, PNAD, Revista Crescer, Revista Época, Sophia Mind - Marketing Feminino, Universidade Columbia (EUA), Universidade Cornell (EUA), Universidade de Queensland (Austrália)

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Felizes para sempre?

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é a idade em que ELAS costumam se

casar

ANOS

Enquanto

esperam

até os

EM 10 ANOS, UMA MULHER ENGORDA

5

7

KG

solteira

KG

numa relação séria

ANOS

11 ,5 anos

9

KG

29

ELES

casada e com filhos

É A MÉDIA DE DURAÇÃO DAS UNIÕES NO BRASIL

CASAIS BRIGAM

312

Entre as principais causas estão

controle remoto toalha molhada no chão xícaras pela casa

VEZES POR ANO

divórcio:

1 em cada 3

jovens

75%

dos pedidos são feitos por elas

é filho de pais separados

Hora da maternidade

OITO

mulheres em cada brasileiras usam anticoncepcional

DEZ

28%

20

TÊM FILHOS ENTRE

&

ANOS

Quanto

mais anos

de estudo, mais tarde é a gravidez O tempo de amamentação

24 ANOS

subiu

de 296 em 1999 para

342 dias

em 2008

Incentivos e responsabilidades

10

em 7cada

crianças

dizem que as mães são as que mais estimulam a leitura

70 %

82% DAS MULHERES SÃO RESPONSÁVEIS PELAS COMPRAS DE ALIMENTOS PARA A CASA

CONTROLAM OS GASTOS COM A EDUCAÇÃO DOS FILHOS

3

ASSISTIR A FILMES EM DVD E NA TV

TOP

[1] Marina Avila/stock.xchng [2] W. L. Castleman [3] Peter Galvin [4] Marina Dyakonova /iStockphoto [5] Kevin Rohr/ stock.xchng

dias

IR AO SHOPPING

Atividades preferidas da família

VIAJAR NO FIM DE SEMANA

brasileira

Dupla jornada

Mulheres com filhos recebem salário/hora

9 ENTRE 10 BRASILEIRAS

FAZEM TAREFAS

DOMÉSTICAS

APENAS 37,7%

DOS HOMENS

AJUDAM COM OS

AFAZERES EM CASA

76%

das mulheres

trabalham fora

Elas contribuem com

renda 40% da familiar

27 % MENOR

das executivas ACREDITAM QUE DEVERIAM PASSAR

MENOS TEMPO

do que as sem filhos MAI/JUL 2011

84%

NO TRABALHO |

ENTENDER A MULHER

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Especial Publicitário

BIOLAB apresenta

Feliz todos os dias Para algumas mulheres, é um desafio driblar os inconvenientes da TPM. Bons hábitos e orientação médica ajudam a atenuar os sintomas.

ajuda emocional, uma vez que a prática foca no autocontrole da mente e das emoções.

Bem-estar Tudo o que der prazer e deixar a mulher mais calma é válido para combater os sintomas da TPM. Vale desde assistir a uma boa comédia até receber uma massagem relaxante ou uma drenagem linfática para eliminar os líquidos retidos pelo organismo.

C

erca de 75% das mulheres do mundo sofrem com a tensão pré-menstrual (TPM). “É um transtorno cíclico que ocorre antes da menstruação, com sintomas físicos e emocionais de leves a intensos, que muitas vezes precisam de acompanhamento médico”, diz o Dr. Nilson Roberto de Melo, presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Muitos sintomas da TPM decorrem do acúmulo de água pelo organismo, que causa inchaço do corpo, abdômen e mamas, além de dores na panturrilha e na região pélvica. As alterações hormonais também interferem na produção dos neurotransmissores serotonina, endorfina e dopamina, ligados ao bem-estar. O resultado pode ser enxaqueca, ansiedade, irritabilidade, desânimo e até depressão. Para algumas mulheres, é um desafio driblar esses inconvenientes. Mas buscar o auxílio do ginecologista e basear a rotina em bons hábitos pode atenuar bastante os efeitos da TPM.

Relacionamentos Alimentação Diminua a ingestão de sal. Ele contribui para a retenção de líquidos e aumenta o desconforto do inchaço na TPM. O álcool e a cafeína devem ser consumidos com moderação. Em contrapartida, dê vazão à vontade de comer chocolates – eles ajudam a liberar serotonina e dopamina, aumentando a sensação de prazer.

Atividade física É comum os níveis de endorfina (neurotransmissor que regula o humor) caírem durante a TPM. Para estimular sua produção, faça atividades físicas aeróbicas, como corrida e pedalada. A ioga pode ser outra ferramenta de

Algumas mulheres sofrem muito na TPM, ficando irritadas e emotivas por qualquer coisa. Muitas vezes esse estado interfere no trabalho e nos relacionamentos familiares e sociais. Converse com seu ginecologista sobre esse impacto no dia a dia.

Tratamento Para conviver bem com a TPM, conte com a ajuda do ginecologista. Ele poderá prescrever medicamentos para aliviar o desconforto físico e as alterações de humor, tão comuns nesse período. Suplementos vitamínicos e minerais como cálcio e magnésio melhoram a ação da serotonina, dopamina e endorfina, atenuando os sintomas.


Tipos: mulheres de hoje

ESQUEÇA A IMAGEM DA VOVÓ TRICOTANDO NA CADEIRA DE BALANÇO: AS NOVAS MULHERES DE 60, CHEIAS DE ENERGIA E DISPOSIÇÃO, QUEREM MAIS É ENCARAR NOVOS DESAFIOS Texto Karina Sérgio Gomes Ilustração Bárbara Malagoli Fotografia Léo Caldas, Renata Chéde e Daniela Toviansky

estido branco, festa, lua de mel. Valdira está animada com os preparativos de seu casamento. Ela conheceu Luiz em 2006 e, até hoje, antes de dormir, o casal troca mensagens apaixonadas pelo celular. A professora de corte e costura de Curitiba (PR) diz se sentir como uma adolescente – a despeito da data de nascimento que aparece em seu RG: 21 de julho de 1944. A noiva de 66 anos parte, em setembro, para o segundo matrimônio – desfrutando de cada detalhe como se fosse a primeira vez. Valdira Pavaneli simboliza as novas mulheres de 60. Nessa etapa da vida, com os filhos já criados, elas têm condição de realizar seus sonhos e encarar novos desafios. “Ser chamado de velho chega a ser preconceito. O termo significa algo que não tem mais valor, e essas pessoas estão cheias de vida”, afirma o sociólogo Antônio Jordão Neto, idealizador da Universidade Aberta à Maturidade da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. “A partir dos 60, é hora de pensar mais em si mesmo”, completa a professora de psicologia clínica Patrícia Ribeiro, da PUC do Paraná. Para ela, o momento é o mais oportuno para aproveitar a sabedoria adquirida. “Até os anos 1960, a função da mulher era quase que exclusivamente ser mãe. Com o movimento feminista, elas descobriram novos papéis e hoje, quando ultrapassam a meia-idade, fazem questão de reconstruir suas identidades”, explica. »


Valdira Pavaneli, 66. Hรก quatro anos, o namoro comeรงou ao som de Besame Mucho. Em setembro, ganharรก nova trilha: a marcha nupcial


Maria Venância, 68. Ela descobriu os ringues durante o tratamento contra o câncer. Venceu a doença e golpeou a depressão


A BUSCA PELO AMOR MAIOR Redescobrir a alegria era a meta de Valdira depois da separação. Casada por 30 anos com o primeiro namorado, aos 54 ela decidiu pedir o divórcio. O desfecho foi amigável e, com os três filhos criados, a curitibana aprendeu a ser feliz sozinha. A receita? Dedicar-se mais ao ateliê de costura e sair com as amigas para dançar. Numa certa noite, ao som dos primeiros acordes de Besame Mucho, um distinto senhor a convidou para o bolero. Os passos se encaixaram perfeitamente. Trocaram telefones e o flerte evoluiu para o namoro. Em novembro de 2010, Luiz, aos 64 anos, pediu Valdira em casamento. Hoje, entre idas ao cinema e outros tantos passeios, o casal cuida da organização da festa, que vai reunir filhos dos casamentos anteriores e amigos de toda a vida. A paixão é tão avassaladora que o futuro marido não se contém. “Às vezes, ele ameaça abrir a janela para gritar que me ama”, conta Valdira. E assim como a paixão, o desejo também volta à juventude. Apesar de a menopausa diminuir a produção dos hormônios femininos, o que pode alterar as funções cognitivas e a libido, isso não significa, porém, que o sexo deve ser relegado ao segundo plano. Valdira é a prova de que o romance fica longe dos beijinhos inocentes. “Nosso relacionamento é muito caliente”, brinca. “O sexo na terceira idade é saudável, claro”, afirma Vicente Bagnoli, ginecologista do Hospital das Clínicas, em São Paulo, especialista em climatério. “Ainda mais quando você conhece bem seu parceiro. A intimidade e o carinho são grandes, e o respeito pelas preferências também. O mais importante é a qualidade, não a frequência”, diz. “Casar novamente nessa idade é uma afirmação de que a pessoa ainda pode ser feliz, porque tem tempo e vai aproveitá-lo da melhor maneira”, explica a psicóloga Patrícia. “As pessoas estão percebendo que o amor não é apenas para jovens. A sociedade está se abrindo”, complementa o sociólogo Antônio Jordão. Segundo o IBGE, o número de matrimônios nos quais os noivos têm mais de 60 anos aumentou 44% desde 2003. O recomeço da vida amorosa é resultado do crescimento da expectativa de vida das mulheres, que, na última década, passou de 73,9 anos para

MEU NOIVO NÃO SE CONTÉM: ÀS VEZES, AMEAÇA ABRIR A JANELA PARA GRITAR QUE ME AMA

77 anos. “A longevidade é uma somatória da boa saúde e da vida social”, explica o geriatra Mauro Piovezan. “As mulheres passaram a se preocupar bem mais com a saúde. Elas cuidam dos exames preventivos anuais e se preocupam em fazer reposição hormonal”, aponta. DEPRESSÃO NOCAUTEADA Foi graças aos exames preventivos que a aposentada Maria Venância dos Santos Oliveira, de 68 anos, descobriu um câncer na mama esquerda em estágio inicial. A cura se deu seis anos depois do tratamento, e até hoje ela faz acompanhamento. “Fiquei careca. Usava turbante, mas demorei a me acostumar”, relembra. Para ajudar na recuperação, os médicos lhe pediram para buscar atividades que a fizessem retomar o prazer pela vida. Vênancia descobriu os ringues enquanto frequentava um grupo da terceira idade de Rio Grande da Serra, região metropolitana de São Paulo. “Foi engraçado quando contei ao cardiologista que estava fazendo as aulas. Ele arregalou os olhos e disse: ‘Dona Venância, a senhora tem certeza de que quer lutar boxe?’”, rememora, entre risos. O médico se recuperou do susto quando a aposentada explicou que simplesmente aprendia os golpes, sem se expor às lutas. Aos poucos, Venância venceu a depressão e cultivou amizades. Ela não falta às aulas em que dança hip hop e ganhou mais disposição para aproveitar a companhia do marido e do filho. “O boxe me ensinou a encarar a vida com coragem”, diz. “Atualmente, as pessoas de 60 anos têm uma vida muito mais ativa do que há três décadas, graças à rotina mais saudável que levam”, afirma Edmundo Drummond, coordenador do Grupo de Envelhecimento e Atividade Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “É cientificamente comprovado que a maioria dos idosos »

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ficam doentes por efeitos psicossomáticos (fatores psicológicos que se refletem no corpo humano)”, diz Antônio Jordão. “O convívio social é um antidepressivo natural”, completa o sociólogo.

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VIAJAR É PRECISO E onde fazer amigos e ganhar novos conhecimentos depois de certa idade? Viajar foi a escolha da pedagoga Marcione Bandim logo após comemorar o aniversário de 60 anos. Sozinha, cruzou o oceano para conhecer a Espanha. A ideia surgiu depois do primeiro passeio internacional, em 2000, ao fazer um curso de especialização em pedagogia na Argentina. Apaixonou-se pelo castelhano e decidiu, a partir dali, desbravar a cultura hispano-americana. O próximo destino é o Chile. Desde 2007, Marcione volta a Buenos Aires anualmente para acompanhar festivais de tango, paixão que também trouxe na mala. Faz aulas de dança há dois anos. “O tango deixou meu corpo e minha mente mais flexíveis”, garante. E não é só em terras portenhas que a pedagoga se diverte: basta pintar uma folga entre as aulas ministradas no curso de pós-graduação em pedagogia da Universidade Salgado de Oliveira, em Recife, que ela embarca com o marido para algum destino nacional. “Ele prefere viagens mais curtas. Muitas vezes, passeamos pelo Nordeste”, diz ela, casada há 41 anos e mãe de três filhos. Marcione e o marido, Severino, fazem parte da turma que viaja cada vez mais depois dos 50: representam 25% dos clientes das agências e movimentam R$ 20 milhões, por ano, no Brasil. “Conhecer novos lugares e aprender novas culturas é importante para estimular uma vida mais saudável. O aprendizado não deve parar com o avançar dos anos”, afirma a psicóloga Patrícia.

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JORNADA DUPLA Em Florianópolis, Arlete Zago, de 65 anos, também não para em casa. Diferentemente de Marcione, viaja mundo afora a trabalho. “Vovó é muito viageira”, reclama o neto, de 4 anos. Formada em direito, Arlete se aposentou aos 45 como chefe do setor de informática da Secretaria da Educação de Santa Catarina. Do descanso, desfrutou apenas os primeiros meses. Ao voltar de um passeio na praia com os filhos, ouviu do marido, também advogado, o pedido de ajuda temporária no escritório. Começava ali a segunda etapa da carreira de Arlete – agora como advogada. “Estava no auge dos meus 40 anos. Quando voltei ao trabalho, ninguém me segurava”, relembra. O caso de Arlete mostra a necessidade de planejar a vida após a aposentadoria. “As mulheres que têm 60 anos hoje formam a primeira geração com a oportunidade de seguir adiante”, opina Carmelina Nickel, especialista em gestão de carreira. Funções mais braçais, formação menos qualificada e menor qualidade de vida faziam da aposentadoria um tempo de repouso compulsivo. “Mulheres de gerações anteriores estavam esgotadas fisicamente quando se aposentavam”, diz. Manter-se em constante atividade, no entanto, é prática da sociedade atual. “Quando a gerontologia (estudo do envelhecimento) foi criada, existiam duas linhas”, explica a antropóloga Myriam Barros. “A do desapego, na qual se deveria reconhecer que chegou o momento de sair de cena, era a principal e acabou sendo abandonada. E a linha do ‘mantenha-se ativo’, segundo a qual quanto mais tarefas melhor, ganhou força e segue predominando hoje.” O Brasil tem mais de 22 milhões de pessoas na faixa dos 60 anos, das quais 6,5 milhões trabalham normalmente. No pós-carreira, Arlete encontrou a segunda profissão. Vieram convites para colaborar no Conselho Estadual de Direito das Mulheres e para fundar a filial da ONG Business and Professional Women (BPW) em São José (SC), em 2005. Aos 63 anos, assumiu a presidência da BPW Brasil. Não tirou mais férias. Espera, quando terminar seu mandato, em maio, ter mais tempo para a família e para o escritório. “Quer saber? Acho que não vou parar nunca!”, diz. Alguém duvida?


Marcione Bandim, 63. Logo ap贸s completar 60 anos, a pedagoga cruzou sozinha o oceano para conhecer a Espanha


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eres Mulhs devem a adulot mar ao t s três menode leite s copo or dia p

a medicina oferece mais suporte para garantir a qualidade de vida para a turma da melhor idade. Em uma década, a expectativa de vida dos brasileiros passou de 70,1 para 73,1 anos, e muitos continuam ativos, tanto no lado pessoal quanto no mercado de trabalho. Daí a importância de a saúde estar bem cuidada, principalmente quando o assunto é a osteoporose. Para as mulheres, ela geralmente se manifesta após a menopausa (com exceção de herança genética e casos específicos). A doença decorre das alterações do metabolismo nessa etapa da vida, quando aumentam a perda de massa óssea e o risco de fraturas. Isso, contudo, pode ser evitado com acompanhamento médico e atenção a pontos fundamentais, como orienta o Prof. Dr. César Eduardo Fernandes, do departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina do ABC paulista.

Os segredos do leite

Caminhar vale ouro

Olhar clínico

Uma boa estrutura óssea está relacionada à farta ingestão de cálcio ao longo da vida. Mulheres adultas devem tomar ao menos três copos de leite por dia (de preferência desnatado), o que equivale a cerca de 1 grama diário de cálcio, e abusar de seus derivados. Mas a absorção do cálcio fica muito prejudicada se a paciente é fumante, pois o cigarro compromete bastante a reserva de vitamina D (essencial ao desenvolvimento ósseo) do organismo.

Quem tem osteoporose precisa realizar atividades físicas para ganhar e fortalecer a massa muscular que protege os ossos. A caminhada é uma das modalidades mais eficazes, devido ao impacto moderado. Além disso, a atividade permite que a pessoa fique exposta ao sol, para absorver vitamina D. Nesse caso, é importante usar roupas confortáveis, como bermudas e blusas decotadas, de mangas curtas ou alças, sem esquecer do filtro solar.

A ida anual ao ginecologista permite que o médico aponte a necessidade de exames para o diagnóstico da osteoporose, como a densitometria, que verifica os ossos por meio de escaneamento. Conforme o resultado, o ginecologista define se o tratamento implica mudança de hábitos, ingestão de suplementos de cálcio para repor as necessidades diárias ou se a paciente precisa de medicamentos que atuem sobre o metabolismo ósseo para reduzir o risco de fraturas.


Guerreiras: causas que valem a pena

CADEIRANTES E DEFICIENTES VISUAIS E AUDITIVAS TESTAM AS PRÓPRIAS LIMITAÇÕES FÍSICAS EM BUSCA DO SONHO DE SE TORNAR BAILARINAS Texto Fábio Fujita | Ilustração Daniella Domingues | Foto Marcelo Trad e Anna Fischer

Fernanda Bianchini (rodeada por Marina, Aldenice e Verônica, da esq. para dir.) desenvolveu um método pioneiro de percepção corporal


xerga, por se basear em imitação – para isso existe o espelho em sala de aula”, explica. Mas balé clássico, oras, era o que interessava a Fernanda. Logo na primeira aula, ela tentou ensinar o échappé sauté, passo que consiste em saltar abrindo as pernas como se estivesse saindo de dentro de um balde, e saltar fechando as pernas como se estivesse entrando de volta no balde. Uma das alunas ficou confusa e perguntou o que era um balde. “Naquele momento, percebi que precisava entrar no mundo do deficiente visual, entender suas limitações, para conseguir ensinar o balé clássico.” Ela desenvolveu um método pioneiro, por meio do toque e da percepção corporal, patenteado e publicado numa tese de mestrado em 2005. Turmas de professores já foram formadas em Manaus e no Rio de Janeiro dentro dessa metodologia. Mas o caminho foi, por vezes, espinhoso. Quando tentava participar de festivais de arte pelo país, o grupo era sempre vetado. “Eu dizia: ‘Meninas, temos que nos superar para que da próxima vez eles é que se sintam constrangidos por não terem nos aceitado’.” Até que Fernanda começou a omitir nas inscrições o detalhe da deficiência visual. Era uma forma, também, de testar se suas alunas poderiam ser aplaudidas pelo talento, não por piedade. A repercussão do trabalho não demorou. As bailarinas cegas dançaram com Ana Botafogo, com a orquestra de

João Carlos Martins e na novela América (2005), da Globo. “Quando a gente começou, imaginava que fosse dançar apenas para os pais e parentes, nunca para um Brasil todo”, conta Fernanda, com um sorriso largo. Ela disse Brasil, mas até um certo letão chamado Mikhail Baryshnikov já as visitou. Marina Alonso Guimarães, de 24 anos, é uma das que estão no grupo desde o seu início, no Instituto Padre Chico (Fernanda Bianchini montou uma sede própria em 2002). Tem deficiência visual congênita, resultado de um nascimento prematuro. Ela lembra que, nos primeiros passos de balé, o uso de piso de linóleo (material emborrachado colado ao chão) facilitava a localização espacial. Até que um dia foram se apresentar num colégio. Não havia linóleo. Uma delas ficou nervosa e chegou a cair. Mas, amparada por um bailarino vidente, voltou à cena e terminou a apresentação. Marina, por sua vez, diz não sentir insegurança para dançar, desde que se faça o devido reconhecimento prévio do palco. Ela é uma referência do grupo, até pela maneira com que sempre lidou com as limitações impostas pela cegueira. “Meus pais sempre me deixaram fazer tudo, eu brincava, caía, me cortava. Mas foi superimportante. A criança deficiente é acostumada que façam tudo por ela”, observa Marina, que é graduada em nutrição, namora e recentemente realizou o sonho de viajar à Disney. Ela, inclusive, já é »

À

s 19 horas do dia 14 de dezembro, um grupo de meninas vestidas de collant se movimentava no palco do Teatro Vivo, em São Paulo. Defronte a elas, do lado de fora do tablado, Fernanda Bianchini conduzia o trabalho. Parecia um pouco tensa – ou seria rigidez de professor mesmo? Fato é que não estava satisfeita com o que via: “Denise, você está lenta, dois tempos atrás várias vezes”, “Não é necessário abaixar tanto assim”, “O que está acontecendo, Marina? Você parece fora do eixo!”, “Já estão de férias?”, disparava para as bailarinas. O ensaio seguiu assim até as 20h30, quando as meninas deixaram o palco em direção aos camarins – precisavam se concentrar. Às 21 horas, o espetáculo aberto ao público transcorreu preciso, sem erros. O pas de deux encaixou, harmônico. O gesto antes largo veio na medida exata. Denise recuperou o tempo perdido, Marina entrou no eixo. Só pela grandeza do balé, os aplausos já seriam esperados. Mas reverberaram com especial entusiasmo porque todos na plateia sabiam, afinal, que aquelas coreografias haviam sid0 protagonizadas por bailarinas cegas. Tudo começou quando Fernanda Bianchini tinha apenas 15 anos. Seus pais eram voluntários do Instituto Padre Chico, entidade católica que cuida de deficientes visuais na capital paulista. Uma das freiras da instituição admirava a postura empertigada de Fernanda, bailarina desde os 3 anos de idade, e a convidou a ensinar a arte do balé para as meninas deficientes, invariavelmente corcundas. Fernanda consultou suas professoras, que a aconselharam a se limitar a ensinar expressão corporal. “Porque balé clássico, de sapatilha de ponta, seria impossível para quem não en-

QUANDO A GENTE COMEÇOU, IMAGINAVA QUE FOSSE DANÇAR APENAS PARA OS PAIS E PARENTES, NUNCA PARA UM BRASIL TODO MAI/JUL 2011

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professora de balé para a turma das iniciantes (na faixa dos 6 anos de idade). “Mesmo sem ter noção completa do que é o corpo dela no espaço”, orgulha-se a professora Fernanda. SONHOS EM CONSTRUÇÃO Se dançar sem enxergar soa como exemplo de superação, não menos comovente é a capacidade de dançar sem ouvir a música das coreografias. Esse foi o desafio a que se impuseram, em 2006, as deficientes auditivas de uma instituição de São Luiz Gonzaga, no interior do Rio Grande do Sul, sob a batuta da bailarina Lísia di Primio. “O mais difícil para mim era conseguir explicar por que uma música ia até oito tempos. Elas não entendiam o que era tempo, o que era ritmo”, relembra Lísia, que começou a fazer mudanças no tablado, descartando o piso de laje e substituindo por um de madeira, com 3 milímetros de distância do chão. Isso potencializava as sensações táteis. “Assim, elas poderiam sentir as vibrações da música, os ecos, perceber ainda melhor o compasso e seus batimentos cardíacos.” Em 2010, o grupo foi desativado por falta de apoio da prefeitura (principalmente com transporte) e por desestímulo das próprias famílias das alunas, que não viam na dança a perspectiva de um futuro melhor na vida das surdas. A expectativa é por uma retomada em 2011. Mesmo que não se confirme, Lísia tira lições da experiência. “A dança era a nossa linguagem. Era mais

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NINGUÉM NUNCA ME DISSE QUE EU NÃO PODERIA DANÇAR POR CAUSA DA CADEIRA DE RODAS

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fácil ‘falar’ com elas dançando do que quando as encontrava na rua.” Paraplégica desde os 4 anos de idade, quando foi vítima de um acidente de carro, a carioca Renata Carvalho, hoje com 28 anos, nunca soube que não poderia dançar. E foi em vista dessa “ignorância” que ela transformou a própria vida – e a de Rosangela Bernabé – numa história digna de folhetins épicos. Em 1988, Rosangela havia deixado de lado a paixão pela dança para se dedicar à graduação em fisioterapia. Estagiava numa clínica quando soube de uma paciente de 6 anos de idade, em reabilitação, que sonhava em ser bailarina. Era Renata. “Como toda menininha dessa idade, tudo o que ela queria era colocar um collant e dançar”, explica Rosangela, que só desejava ter a certeza de que a pequena não veria a dança como um caminho para voltar a andar. “Não vou falar que na cabeça das pessoas da minha casa nunca passou essa ideia de voltar a andar – porque sei que passou”, admite Renata, com a ressalva: “Mas ninguém, em hora nenhuma, falou para mim: ‘Olha só, Renata, você não vai poder dançar nunca por causa da cadeira de rodas’.” Como colocar uma cadeirante para dançar, Rosangela não sabia. Procurou seguir sua intuição. “No começo, era uma coisa até teatral: a gente ficava encenando historinhas. Ela fazia, eu repetia. Só que fomos percebendo que eu não fazia exatamente igual a ela, e isso abria novas possibilidades”,

recorda Renata. Rosangela acrescenta que foi na base de tentativa e erro que pôde oportunizar as condições oferecidas – ou negadas – pela cadeira de rodas. “A cadeira é sinônimo de estabilidade. Mas, se ao girar dava uma instabilidade, a Renata descobria outros pontos de equilíbrio”, conta a professora. Aos poucos, Rosangela começou a ser procurada por mães de meninas com deficiências diversas: amputação, encefalopatia crônica, paralisia infantil. Todas queriam dançar. Por causa delas, fundou o Grupo Giro, em Niterói (RJ) – que participou da cerimônia de abertura dos Jogos Parapan-Americanos de 2007. O contato com outras meninas foi profundamente agregador para Renata. Quando criança, ela era tão tímida que só conversava com quem conhecia. “A dança, de um jeito às vezes nada sutil, mas também nada traumático, me levou a fazer contatos com outras pessoas. Eu tinha de interagir”, afirma a bailarina. Já Rosangela estendeu academicamente, numa tese de mestrado, a relação entre fisioterapia e dança, embora tenha sido combatida na faculdade por seus mestres teóricos. “Porque tinham a visão clássica da dança: de uma pessoa em pé, girando, fazendo piruetas”, diz. Renata considera que o trabalho de Rosangela vai muito além do palco, pois integra a dança à vida e valoriza aspectos como linguagem, movimento, ritmo e equilíbrio, benefícios bem maiores do que podia esperar de seu sonho de infância. Formada em psicologia, Renata também faz pilates, depois de ter experimentado esportes como corrida e capoeira. “A paralisia é muito mais emocional do que física”, define Rosangela. Para elas, o impossível é apenas um ponto de vista.


Rosangela Bernabé (entre Ana, Elisabeth e Renata, da esq. para dir.) estendeu a relação entre dança e fisioterapia para uma tese


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Vida saudável

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TODO MUNDO DEVE comer pouca gordura animal. O ideal é ingerir carnes vermelhas (ricas em gordura) duas vezes por semana, em média, e abusar dos peixes (menos gordurosos).

mirabolante para ter saúde. “Alimentar-se corretamente e praticar atividade física ainda são as chaves para viver bem”, afirma o Dr. Raul Santos, diretor do Instituto do Coração de São Paulo (InCor). Segundo o médico, basta adotar pequenas atitudes cotidianas que, somadas, ajudam a manter distância das doenças – e, futuramente, podem fazer toda a diferença.

PEIXES TÊM MUITO ômega 3, que diminui os níveis de triglicerídeos do sangue. Salmão, sardinha e atum são ideais: não aumentam o colesterol ruim.

QUER SER SAUDÁVEL? Então não fume. O cigarro causa problemas do coração, risco de diabetes, câncer e ajuda no surgimento da osteoporose. Também está associado ao aparecimento precoce da menopausa.

A CAMINHADA ATENUA os efeitos da osteoporose – seu impacto moderado fortalece os ossos e a musculatura. A atividade física também diminui o estresse, pois libera endorfina, dando a sensação de leveza e felicidade.

QUEM NÃO TEM HÁBITO de comer peixe mais de duas vezes por semana pode se valer de suplementos à base de ômega 3. Mas sua ingestão não deve ser feita indiscriminadamente. Antes de usar, procure um médico.

TODAS AS PESSOAS deveriam caminhar pelo menos meia hora por dia, ou uma hora, de três a quatro vezes por semana. A prática só traz vantagens: ajuda a controlar a pressão arterial, diminui as chances de diabetes e colabora na manutenção do peso.

A DIETA IDEAL tem pouca oferta de gorduras saturadas (queijos amarelos, leite gordo e carnes vermelhas) e privilegia as poliinsaturadas (peixes e óleo de girassol, milho, soja) e as monoinsaturadas (azeite de oliva, óleo de canola e algumas nozes).

LIVRE-SE DA IDEIA de que arroz com feijão engorda. Rico em fibras, o feijão diminui a resposta glicêmica do arroz, absorvendo seu carboidrato, que é responsável pela elevação abrupta da glicose. Inclua os grãos no cardápio ao menos três vezes por semana.

s no eixe ão, p a u Incl io: salm m áp tu card nha e a s i i sard os idea são


Saúde & Emoções: o corpo fala

“Nunca deixei de acreditar. Devo uns 90% da minha recuperação à fé”, garante Cristina


ACREDITAR EM SI, NOS OUTROS E NO MUNDO FAZ DIFERENÇA EM MOMENTOS DIFÍCEIS – E EM TODOS OS OUTROS DIAS. DESCUBRA COMO CULTIVAR A ESPERANÇA PODE MUDAR A SUA VIDA Texto Paula Rodrigues e Roberta Faria, com a colaboração de Rita Loiola Foto Rodrigo Braga e Anna Fischer


A

Marcela ficou três meses em coma. E Marcia mantém sua crença inabalada na melhora contínua da filha

inda não se descobriu exatamente como ela funciona, nem onde fica. Por certo, só se sabe que ela mora em algum lugar, dentro de cada um. Quando acionada, é capaz de transformar o corpo, mudar a mente e – dizem por aí – até mover montanhas. Chamada de fé, mais conhecida como esperança e parecida com o pensamento positivo, essa força não tem a ver com nenhuma religião. Antes de qualquer filosofia ou instituição, ela é uma capacidade de acreditar no impossível, no invisível e no incerto inata aos seres humanos. E que influencia bem mais do que o nosso jeito de ver o mundo, com maior ou menor otimismo. A prática da esperança também é capaz de proteger contra resfriados e câncer, reduzir o risco de doenças cardiovasculares, superar limites e, principalmente, nos fazer viver melhor e por mais tempo. Não é promessa milagrosa: é ciência. Na última década, a relação entre fé e saúde foi investigada por mais de 6 mil pesquisas publicadas em todo o mundo. Sob diferentes recortes, elas analisam o impacto da esperança, do pensamento positivo e de hábitos religiosos na longevidade, no sistema imunológico, na eficácia de tratamentos, na recuperação e prevenção de doenças, entre outras tantas perspectivas. Por séculos relegado ao campo do misticismo, o tema ganhou centros de estudos acadêmicos próprios e virou disciplina em faculdades de medicina das maiores universidades, na tentativa de responder a uma pergunta persistente: acreditar que vai dar certo faz diferença?

TUDO PODE ACONTECER Como pedagoga, Marcia Marzocchi, de 46 anos, sempre achou que somos capazes de qualquer coisa. “O ser humano só precisa que acreditem nele”, afirma ela. A frase ganhou um novo sentido em sua vida em maio de 2008, quando o telefone de sua casa, em São Paulo (SP), tocou no meio da noite, e Marcia recebeu a notícia: sua filha Marcela, então com 19 anos, havia sofrido um grave acidente de carro e estava em coma profundo. “O médico que a atendeu no pronto-socorro me recomendou que não tivesse esperanças”, lembra Marcia. A primeira tomografia mostrava uma lesão no tronco cerebral de Marcela, que parecia irreversível e a faria viver em estado vegetativo. Assim, de pronto, a reação foi de desolamento. “Fiquei perdida. Péssima. Mas, pouco depois, um residente chegou e me disse: ‘O caso é grave, mas ela melhorou muito nas últimas horas’. Aí recuperei minha crença”, conta Marcia. As horas – e dias – seguintes foram de montanha-russa. “Eu me abalava em alguns momentos, mas algo sempre trazia a minha fé de volta. Uma fé raciocinada, onde apostava que, se eu fizesse minha parte, receberia ajuda também.” Acreditar, como Marcia fez, é parte da vida. Mesmo sem provas, mesmo diante do descrédito alheio, nós acreditamos: que o time vai ganhar a partida, que vamos encontrar o amor, que os filhos nascerão perfeitos, que dessa vez – o que quer que seja – vai dar certo. É uma fé que independe da religião ou da ausência dela: trata-se de crer no »

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Os números da fé ESTUDOS COMPROVAM: QUEM ACREDITA PODE TER MAIS CHANCES

» Quem segue alguma religião Vive de

2 a3 anos a MAIS

DO QUE AQUELES QUE DECLARAM NÃO TER UMA CRENÇA

REDUZ O RISCO DE PRESSÃO ALTA EM

40%

» Quem mantém o otimismo REDUZ EM

25% A PROBABILIDADE DE DESENVOLVER

C ÂNCER DE MAMA TEM

9cardíacos PROBLEMAS % MENOS

TEM

&

14% MENOS

POSSIBILIDADE DE MORRER DEVIDO A OUTRA DOENÇA

3 VEZES MENOS CHANCES

de contrair resfriados » Quem pratica exercícios

AUMENTA A EXPECTATIVA DE VIDA DE

3A 5 ANOS

Independentemente da religião, 97% dos brasileiros dizem acreditar em Deus Fontes: Datafolha, IBGE, International Journal of Psychiatry in Medicine, Universidade Carnegie Mellon, Universidade Duke, Universidade de Pisa, Universidade de Pittsburgh, Universidade de Neguev

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O TRABALHO É FAZER COM QUE AS PESSOAS NÃO DEIXEM QUE AS FRAQUEZAS ENCUBRAM AS VIRTUDES

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mundo. “Acreditamos em um futuro sobre o qual temos pouca certeza, e é isso que nos move”, explica Antonio Carlos Magalhães, especialista em ciência das religiões da Universidade Estadual da Paraíba. “É o que chamamos de fé antropológica. Não há ser humano que não a manifeste.” DE DENTRO PARA FORA Até porque, é inevitável: nosso cérebro é programado para ir além do que está diante dos olhos. “A fé se manifesta nos lobos frontais, onde se forma o pensamento abstrato, que nos leva a elaborar sistemas filosóficos, éticos e religiosos”, conta o neurocirurgião Raul Marino Jr., no livro A Religião do Cérebro. “Essas funções nos fazem perceber o passado e o futuro, avaliar causa e efeito, planejar metas e analisar o sentido das coisas, como espiritualidade, tempo e eternidade – orquestrando o que nos torna verdadeiramente humanos”, atesta. Sem saber de nada disso – mas sentindo em cada célula que as coisas poderiam mudar –, Marcia acreditou. E, mais do que isso, transformou sua fé em esforço. “Comecei a usar o meu tempo com Marcela na UTI para estimulá-la”, conta. Todos os dias, colocava as músicas favoritas da filha para tocar e lhe fazia massagens com o creme de morango com champanhe que Marcela adorava. Quando amigos ligavam oferecendo seus sacerdotes para visitar, a mãe aceitava, independentemente de suas religiões. “A energia positiva, vinda de onde viesse, seria

bem-vinda”, relembra Marcia. “Ocupei meu tempo em vez de chorar.” E, após três meses em coma profundo e três meses em semicoma, Marcela reagiu. Aos poucos, começou a dar sinais de que reconhecia o mundo e as pessoas ao redor. Hoje, fala e se move com alguma dificuldade – ela perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo –, mas sai com as amigas, estuda e consegue realizar várias tarefas com autonomia. “Quando a Marcela fica mal, faço com que se lembre de como estava seis meses antes e o quanto evoluiu”, diz Marcia, que mantém sua crença inabalada na melhora contínua da filha. “Não há reabilitação se não houver fé. Você precisa de algo em que possa colocar seu otimismo.” A CAUSA DO EFEITO Ao contrário do que ocorre com medicamentos ou dietas, a esperança não pode ter suas doses medidas nem seus efeitos calculados com precisão. “Estabelecer uma relação direta entre fé e saúde é difícil, senão impossível”, afirma Richard Glickman-Simon, médico e diretor de um programa de pesquisa da dor na Universidade Tufts, nos Estados Unidos. Supervalorizar essa conexão pode até ser perigoso – se a crença cega for usada como substituta para o acompanhamento médico, por exemplo. Como explicar, então, melhoras como a de Marcela, e todas as pesquisas que apontam a fé como o elemento que faz diferença entre quem supera limites e quem fica para trás? (se você duvida, veja os números ao lado). “Só podemos esperar encontrar uma associação entre fé e saúde, não uma relação de causa e efeito. Ou seja, pessoas que acreditam tendem a experimentar mais benefícios em suas vidas”, diz Richard. Para ele e muitos outros pesquisadores, há três possibilidades


para explicar o que às vezes se vê como milagre. A primeira são as emoções positivas provocadas pela esperança e pela espiritualidade. “Há evidências de que experimentar sentimentos como segurança, altruísmo e serenidade influencia a produção de endorfinas, que combatem os hormônios do estresse e estimulam o sistema imunológico”, diz. Como pessoas de fé tendem a cultivar mais emoções positivas como essas, o resultado é mais intenso. Outra explicação possível é o efeito placebo. Como a ciência já provou, quem tem altas expectativas sobre a eficácia de um medicamento costuma se sair melhor do que os pouco otimistas. A surpresa é que, quando se trata de fé, a melhora acontece mesmo que a esperança esteja depositada em outro lugar, e não nos resultados do tratamento. “Ter uma grande crença em qualquer coisa pode produzir esse efeito. A fé pode ser considerada um

placebo particularmente poderoso, por mecanismos biológicos que pouco conhecemos – mas que provavelmente são similares aos efeitos das emoções positivas no organismo”, diz Richard. Ou seja, acreditar faz bem por si só – seja no médico, em um Deus ou simplesmente que amanhã será outro dia. A terceira possibilidade está no círculo de relações que a espiritualidade pode alavancar. Contar com o suporte de uma comunidade e se sentir conectado aos outros ajuda a cultivar a força interior, explica o pesquisador. “Os benefícios de ter um ‘capital social’ forte são tanto físicos – como ter mais cuidados quando se está doente, por exemplo –, quanto psicológicos, como a sensação de segurança e de propósito na vida”, fala Richard. Como, não raro, a esperança é algo que se cultiva coletivamente – com o apoio da família e dos amigos, dentro de uma instituição religiosa ou de um grupo

de ajuda –, quem tem fé vive melhor porque está cercado de apoio. DO FUNDO AO TOPO A professora de educação física Cristina de Barros, de 44 anos, conheceu todo esse processo. Quando recebeu o diagnóstico de câncer de colo de útero, em 2005, teve certeza de que sobreviveria. A fé em si mesma e na sua religião lhe dizia que tudo acabaria bem. Mas, durante o longo tratamento, viu o ânimo se abalar: mesmo cumprindo à risca as orientações médicas, sofreu com um pós-operatório difícil. Hoje, curada, se dedica a apoiar outras mulheres como ela, apostando na força das relações para estimular a fé. E usa a mesma ferramenta que lhe devolveu a esperança: uma bicicleta. “Depois de um bom tempo em tratamento, sem atividades físicas, estava com sobrepeso, desanimada... E ainda não tinha a certeza da cura”, »

Cultive a esperança SUGESTÕES DOS ESPECIALISTAS PARA MANTER O OTIMISMO E A TRANQUILIDADE NO DIA A DIA

Pare para sentir

Movimente-se

Siga seu coração

Reserve algum momento do dia para fechar os olhos e refletir sobre os últimos acontecimentos. Segundo o neurocientista americano Andrew Newberg, a prece e a meditação afetam a fisiologia do cérebro. “Elas diminuem a ansiedade e a depressão, aumentando as funções imunológicas e provendo um senso de sentido e propósito a nossas vidas”, diz.

Corpo e mente devem trabalhar juntos na recuperação das doenças e no controle da ansiedade. A liberação de endorfinas, provocada pelo esporte, estimula o bom humor e o bem-estar. “Não temos corpo; somos corpo”, opina o filósofo Mario Sergio Cortella. “Quando o esporte entra na vida como expressão da nossa escolha e promove o lazer, ele nos fortalece.”

Uma religião pode estimular hábitos de vida saudáveis, como não beber, e fortalecer as emoções. Mas não é uma receita universal: se imposta, pode ter efeitos contrários. “Prefiro ver a religiosidade como um fator de risco (ou de proteção) que as pessoas carregam consigo, como o histórico familiar”, diz o médico Richard Glickman-Simon. Acreditar faz bem. Sentir culpa, não.

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relembra Cristina. Pedalar, que costumava ser uma paixão, parecia um sacrifício. A médica insistiu que a bicicleta seria melhor do que qualquer pílula para o humor. Cristina cedeu. Começou com uma caminhada pelo Parque do Ibirapuera, em São Paulo, onde mora. O percurso que normalmente faria em 15 minutos, na primeira vez após a cirurgia, levou mais de uma hora. “Até hoje me emociono ao lembrar. Sentei num banco do parque, agradeci a Deus e contei, pela primeira vez, a minha história para um casal ao lado.” E contar sua história virou um projeto de vida. Agora, de bicicleta. Depois daquela caminhada, Cristina montou na bike. Dos passeios pelo parque, começou a organizar pedaladas por todo o Brasil, durante as quais passa meses na estrada, acampando nas cidades que atravessa e conversando com as pessoas que encontra no caminho. Aos novos amigos, relata sua trajetória e os estimula a fazer exames preventivos contra o câncer. Em 2010, para celebrar a não reincidência da doença, foram 2 mil quilômetros pedalados entre as capitais do Sudeste. Agora Cristina treina e planeja a próxima viagem. Para o psicólogo Josias Pereira, autor de A Fé Como Fenômeno Psicológico, a energia diante das dificuldades funciona de maneira semelhante a um princípio da física: a resiliência. “É aquela força que a substância obtém quando é levada ao máximo de estresse. Então, ela reage e produz um efeito contrário”, explica. “Na mais profunda angústia, somos capazes de, resilientes, dar um salto e lutar pela superação”, afirma. Cristina, que foi do fundo do poço ao topo do mundo, bem concorda. “Devo uns 90% da minha recuperação à fé”, diz. Para o filósofo Mario Sergio Cortella, é disso que se trata: a incapacidade de se conformar. “A fé é justamente

ACREDITAMOS EM UM FUTURO SOBRE O QUAL TEMOS POUCA CERTEZA. É ISSO QUE NOS MOVE

a nossa recusa à impossibilidade”, afirma. “O que alguns poderiam chamar de milagre é o resultado da persistência, e não da desistência.” CRER PARA ACONTECER São as expectativas positivas que movem a triatleta Fernanda Keller, de 47 anos, de Niterói (RJ). “Quando me disponho a fazer alguma coisa, acredito o tempo todo que vai dar certo”, explica. Como resultado dessa filosofia de vida, Fernanda se tornou hexacampeã do Troféu Brasil de Triatlo e participou, por 23 anos consecutivos, de uma das competições mais duras do mundo, o Ironman do Havaí (EUA) – uma prova de 3,8 quilômetros de natação, 180 de ciclismo e 42 de corrida percorridos nessa ordem e sem intervalo. O esporte é o mais simples exemplo de como a superação só acontece quando se tem fé. “Ser perseverante, acreditar e não ter medos são coisas que aprendi com o esporte, e que são valores fundamentais para a vida”, conta Fernanda. É como diz a frase célebre do escritor americano Mark Twain: “Eles não sabiam que era impossível, então foram lá e fizeram”. Para o psicólogo João Cozac, da Associação Paulista da Psicologia do Esporte, as restrições com que crescemos são muito mais imposições do que verdades. “Há relatos de tribos remotas que venceram limites do corpo porque simplesmente não sabiam que esses limites existiam. Muitos dizem que jamais conseguiriam, por exemplo, correr 10 quilôme-

tros. Mas, com planejamento, somos capazes de ultrapassar barreiras que não acreditávamos serem rompíveis.” É essa força de vontade aprendida nas pistas que Fernanda tenta passar adiante hoje. No instituto que leva o seu nome, ela ensina o triatlo a cerca de 500 crianças carentes de Niterói. “É lindo quando os meninos e as meninas vão para competições, e todos cruzam a linha de chegada com um sorriso. Porque não importa se você é o último ou o primeiro. O que importa é acreditar sempre”, diz. O que não significa fechar os olhos para as dificuldades, lembra a psicóloga Daniela Levy, da Associação de Psicologia Positiva da América Latina. “Todos temos habilidade para enfrentar os desafios que nos são impostos. O trabalho é fazer com que as pessoas acreditem em seus potenciais, e não deixem que as fraquezas encubram as virtudes”, opina. Assumir o problema é o primeiro passo para superá-lo, complementa o professor Antonio Carlos Magalhães. “Trata-se de reconhecer as adversidades e de ter uma atitude de confiança para buscar mudanças, sabendo que a situação não é definitiva”, diz. Como Fernanda aprendeu em muitos quilômetros de suor, o mais importante é tentar até o fim. “Não importa o que aconteça, só acaba quando cruzamos a linha de chegada. E, durante esse tempo, temos de fazer o melhor. E isso serve para a vida, porque cada dia é uma largada e, para chegar lá, é preciso acreditar que vamos conseguir.”


“Ser perseverante, acreditar e não ter medos são coisas que aprendi com o esporte”, diz Fernanda Keller


Aos 20, 30, 40, 50, 60: seu melhor em cada fase

Em plena

forma FAZER EXERCÍCIOS NÃO É SÓ PARA QUEM QUER EMAGRECER. TRATA-SE DE UMA QUESTÃO DE SAÚDE E DE VALOR À VIDA, EM TODAS AS SUAS ETAPAS Texto Cristina Casagrande | Ilustração Gustavo Peres

M

ulheres de 20 anos têm a capacidade de fazer qualquer atividade física, enquanto aquelas com idade igual ou superior a 60 estão restritas a poucas modalidades. Certo? Errado. O doutor Antônio Faria, especialista em medicina física, explica que o tempo não impede a prática dos exercícios. “Todas podem tudo, desde que bem orientadas, respeitando o seu biotipo”, afirma. Exercitar-se está longe de ser um mero capricho estético. Estudos da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que o sedentarismo já é responsável pelo quarto maior fator de risco de mortalidade, à frente de doenças ligadas ao aumento da pressão arterial, ao fumo e à glicemia elevada. Uma vida saudável, recomenda a OMS, começa com a prática regular de atividades físicas durante 30 minutos, em pelo menos cinco dias da semana. Maria Clotildes Pinto, de 55 anos, descobriu tais benefícios quando se aproximava dos 5o. Analista de RH aposentada, passou mais de duas décadas trabalhando em um escritório. A má postura acarretou problemas na coluna. Para amenizar as dores, procurou aulas de alongamento e musculação. “Hoje me sinto fisicamente jovem. Faço até patinação artística”, orgulha-se. Independentemente da idade, as brasileiras recorrem cada vez mais às academias de ginástica. O país está em segundo lugar no ranking mundial desse tipo de estabelecimento e, entre os alunos, elas são maioria: 56% dos frequentadores são mulheres. A desportologista Sandra Matsudo explica que todas devem trabalhar resistência, força, sustentação e impacto. “É preciso incorporar os exercícios ao seu estilo de vida, seja na dança, na caminhada pelo bairro ou em outra opção que lhe dê prazer”, aponta.

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Sua vida, seu corpo Aos 25 anos, a mulher está no

Sua vida, seu corpo Quem se cuidava bem aos 20 é

auge da sua forma física. Até essa idade, há boa resistência cardiovascular, força, flexibilidade e velocidade. Tudo isso levando em consideração a história e a genética de cada uma, claro. E é nesse momento que a jovem mais se esforça para ter o corpo tão sonhado.

capaz de conseguir manter a forma física até os 39 anos. Caso contrário, ocorrerão perdas significativas na massa muscular e acúmulo de gordura. Nessa década, é preciso manter a disciplina: além de ser o momento de consolidação na carreira, é a fase em que costumam chegar os filhos. Por isso, também, as mudanças no corpo devido à gravidez.

É bom para você Procure fazer exercícios para

manter a boa saúde e não exagere na busca pelas curvas perfeitas. Atividades aeróbicas, como caminhada, corrida e ciclismo, ajudam a eliminar gordurinhas extras. Os esportes de quadra, como vôlei e basquete, são excelentes para trabalhar o impacto. Para os exercícios anaeróbicos (de desenvolvimento), há, por exemplo, divertidas atividades circenses – trapézio e tecido acrobático entre elas – que ajudam a fortalecer os músculos.

É bom para você Nesse momento, a balzaquiana já sabe

Dica de ouro Procure fazer 30 minutos de exercícios

Dica de ouro Inclua proteína e carboidratos em sua dieta.

todos os dias, ou uma hora diária três vezes por semana. É importante adquirir esse hábito para os próximos anos.

Aliados aos exercícios, são ingredientes importantes, que ajudam a tonificar e dar energia à massa muscular.

o que tem a ver ou não com seu estilo de vida. A sugestão é verificar se o tipo de atividade escolhida está trabalhando bem o desenvolvimento da massa muscular, que ajuda a acelerar o metabolismo, fator importante nessa fase. Fora a musculação, você pode optar por ioga e pilates, que são ótimas atividades para aumentar a correção postural, a flexibilidade e, de quebra, o autoconhecimento.

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Sua vida, seu corpo Essa é a fase em que a queda

Sua vida, seu corpo A importância dos exercícios

no metabolismo é mais visível, devido à perda da massa muscular. Aos 40, a mulher quer preservar o seu corpo, diferentemente da moça de 20, que busca desenvolvê-lo. A tendência é que, no final dessa década, mesmo mantendo os mesmos hábitos, elas ganhem cerca de 2 quilos, devido à desaceleração do metabolismo.

físicos para a qualidade vida começa a falar mais alto. Agora, você já está se preparando para se aposentar no trabalho e planeja os próximos anos. Nesse momento, ocorre a menopausa (ou você acaba de passar por ela). O hormônio do crescimento já caiu 42% desde os 30 anos, e a massa óssea tende a diminuir 0,3% ao ano.

É bom para você De acordo com o educador físico

É bom para você Segundo a educadora física

Caio Guimarães Bicudo, nessa etapa é preciso se preocupar com os sistemas neuromuscular e cardiorrespiratório e a flexibilidade. A caminhada e a corrida ajudam a trabalhar o aparelho cardiorrespiratório, e a musculação é a melhor saída para condicionar o sistema neuromuscular. Quanto à flexibilidade, pode-se recorrer às aulas de alongamento.

Francini Vilela Novais, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), nessa etapa a atenção deve ser dada à prevenção de perda óssea. “A estrutura óssea beneficia-se significativamente com exercícios de sobrecarga”, explica. São indicadas atividades com sustentação do peso corporal, como pular corda, corrida, caminhada rápida e musculação.

Dica de ouro “Após os 40 anos, subir em torno de três

Dica de ouro É importante alongar-se antes e depois das

andares por dia reduz o risco de doenças cardiovasculares”, ensina a desportologista Sandra Matsudo – sem contar que é um exercício eficaz para as coxas e os glúteos.

atividades físicas. Ainda mais após os 50 anos, quando há redução de cerca de 1% de fibras musculares por ano. A prática ajuda a prevenir lesões e aumenta a flexibilidade.

os,

Médic

ão! atençv

Pausa para se mexer Para quem passa horas seguidas dentro de uma clínica, examinando ou atendendo pacientes, uma boa saída para aliviar as dores musculares decorrentes da má postura é a ginástica laboral. Trata-se de um conjunto de exercícios físicos leves, voltado para o alongamento das regiões em que a tensão é maior, como ombros e coluna. “Além de garantir bem-estar no cotidiano, a ginástica laboral pode prevenir complicações como hérnia de disco, por exemplo”, explica Valquíria de Lima, presidente da Associação Brasileira de Ginástica Laboral (ABGL). “São exercícios simples, mas muito eficazes, que amenizam as dores e ajudam a ter mais concentração no trabalho”, completa Valquíria. O circuito ao lado, por exemplo, leva poucos minutos para ser completado. Aproveite o intervalo entre as consultas e alongue-se!

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1

Estenda os braços e flexione os ombros a 90º do tronco. Flexione a coluna e aproxime o queixo do peito. Gire o tronco para o lado esquerdo, mantendo o posicionamento por 10 segundos. Inspire lentamente e retorne à postura inicial. Faça o mesmo movimento para o outro lado.


aos

60

Sua vida, seu corpo A aposentadoria já está pronta,

assim como está você para um novo ritmo de vida. Nessa fase, há dificuldade de aumentar a massa muscular e óssea e de perder gordura. Ocorre uma leve diminuição do equilíbrio. Mas não há motivos para o pessimismo. “Hoje a senilidade é uma vitória sobre o tempo e se transforma em longevidade”, lembra a educadora física Francini Novais. É bom para você Na terceira idade, são importantes

os exercícios que melhorem a parte aeróbica, a flexibilidade, o fortalecimento dos grandes complexos musculares e o equilíbrio do corpo. Exercícios com pesos e aqueles que colaboram na prevenção de quedas são os mais indicados, como o tai chi chuan, que ainda trabalha o conhecimento pessoal e pode ser praticado coletivamente. Dica de ouro Preste atenção às pequenas atitudes do

dia a dia, como ficar mais em pé e substituir o carro pela caminhada – e aí vale chamar as amigas para andar com você. Praticar exercícios em conjunto é mais estimulante.

2

3

Sentado na cadeira, flexione a cervical e o tronco para a frente, apoiando as mãos no monitor do computador. Mantenha a posição por 20 segundos.

Sente no meio da cadeira, estenda só o joelho direito e flexione o tronco para a frente durante 20 segundos. Em seguida, inverta o lado.

4

Flexione o joelho esquerdo, apoie a mão no dorso do pé até que o calcanhar fique próximo ao glúteo. Incline os quadris para a frente e contraia os ombros. Sustente por 20 segundos e inverta o lado. Fontes: Antônio Faria e José Maria Santarém (fisiatras); Caio Bicudo, Francini Novais, Juliane Bravo, Valquíria de Lima (educadores físicos); Marilia Andrade Papa (fisioterapeuta), Sandra Matsudo (desportologista e diretora do Celafisc - Centro de Estudos de Aptidão Física de São Caetano), Sérgio da Silva (fisiologista do exercício) e Celi Yamamoto (dona de franquia da Academia Curves)

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Faça o creme

funcionar

>> As mudanças no corpo durante a gravidez e no pós-parto também afetam a pele da mulher, pedindo cuidados adicionais. “Só usar cremes não basta. É importante aplicá-los de maneira correta para serem eficazes”, explica a Dra. Luciane Scatone, dermatologista pela Universidade Federal de São Paulo, que dá outras dicas para a mãe manter a pele bonita e saudável antes e depois do parto.

Rosto hidratado e sem manchas

Corpo e pés bem cuidados

A pele bonita está sempre nutrida

O que pode combater a celulite

As vantagens da drenagem

Use filtro solar com FPS mínimo de 30 para combater as manchas decorrentes da elevação das taxas hormonais na gravidez. Se preferir, passe hidratante com filtro ou até mesmo maquiagem com o componente. Ao aplicar, faça movimentos de dentro para fora do rosto e pescoço, e de baixo para cima.

O corpo pede os mesmos cuidados dispensados ao rosto. Após o banho, vale passar um hidratante em todo o corpo, em movimentos circulares – e de baixo para cima nas pernas e coxas. Na gravidez, fazer os pés a cada 15 dias na pedicure, esfoliá-los e hidratálos dá sensação de bem-estar e combate o inchaço.

Durante a gestação, a pele da barriga estica e coça, podendo provocar estrias. Daí a importância de estar com o corpo bem hidratado, principalmente se a mulher tiver menos de 30 anos – fase em que há mais propensão de desenvolver estrias. O ideal é passar hidratante na barriga duas vezes por dia.

Ingerir alimentos com pouco sal (que retém líquidos e incha o corpo) e fazer caminhadas ajuda a prevenir a celulite na gravidez. Após o parto, pode-se usar cremes específicos anticelulite. A aplicação deve ser feita depois do banho, com as pontas dos dedos e movimentos circulares para que o produto seja mais bem absorvido.

Se o obstetra der sinal verde, a drenagem linfática auxilia a gestante a se sentir mais confortável durante toda a gravidez. O método ajuda a eliminação dos líquidos retidos pelo organismo e diminui o inchaço de pernas e pés. Após o parto, é muito eficaz para auxiliar no emagrecimento, além, é claro, de relaxar.


Histórias de mães: lições de vida

Maisdo que

colegas ALÉM DE COMPARTILHAR OS ALMOÇOS DE DOMINGO, HÁ MÃES E FILHAS QUE DIVIDEM TAMBÉM O TRABALHO. ELAS DRIBLAM O EXCESSO DE CONVIVÊNCIA E OS IMPREVISTOS DO COTIDIANO E DESFRUTAM DE BENS PRECIOSOS: CONFIANÇA E COMPANHEIRISMO Texto Sheyla Miranda | Fotos Anna Fischer e Rafael Ianni

E

m vez daquele almoço com colegas de trabalho, cada qual narrando a história engraçada do fim de semana, a pausa diária é feita em companhia da mãe. Ou da filha. Até mesmo da família inteira, membros próximos e distantes. No Brasil, os negócios familiares são numerosos, e mais comuns do que se pensa. Embora não haja estatísticas definitivas, estudos apontam que no país cerca de 90% de empresas de todos os portes têm origem familiar. Segundo Wagner Teixeira, diretor da Höft, tradicional consultoria para negócios familiares, a antiga fórmula de manter parentes no negócio ainda é forte. “Essas empresas costumam dar certo quando valores sólidos são passados por meio das gerações, como produzir com alta qualidade e respeitar o cliente. Além disso, o compromisso dos familiares com o negócio tende a ser de longo prazo.” Para a psicóloga Kátia de Rezende Barbosa, sócia da consultoria Famigliare Governança Familiar, o principal benefício de trabalhar em família é a confiança. “Em lares bem resolvidos, essa é uma condição que existe independentemente de relações profissionais.” O perigo, alerta ela, é fazer o caminho inverso, e tratar de desentendimentos afetivos durante o expediente. A seguir, mostramos histórias de mães e filhas que driblam as dificuldades do cotidiano e encontram, na convivência diária, inspiração para dar o melhor de si em tudo que fazem.

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Ajudar para agradecer IZILDA REINELT, 53 ANOS, E EVA REINELT MARQUES, 31, HOLAMBRA (SP) Há oito anos, Izilda Reinelt teve um sonho reconfortante e desafiador. Enquanto dormia, viu a figura de Jesus e recebeu a mensagem de que suas três filhas conseguiriam novos rins a tempo de se curar completamente. Em agradecimento, ela teria de ajudar pessoas com problemas de saúde semelhantes aos das meninas. Eva e as irmãs gêmeas Anna Paula e Anna Maria haviam sido diagnosticadas anos antes com glomeruloesclerose segmentar focal, doença genética que afeta os rins de maneira letal e para a qual não existe tratamento clínico. “Minhas filhas estavam debilitadas pela hemodiálise e sabíamos que elas precisavam de transplantes com urgência. Passamos momentos de muita angústia até as três receberem novos rins, um doado por mim, outro pelo meu marido e o terceiro por uma prima de quarto grau. Foi um impressionante gesto de solidariedade”, relembra Izilda.

Os transplantes aconteceram em 2005. Mas antes mesmo de o sonho se concretizar, Izilda fundou a ONG Doe Vida (www.doevida.org.br) em 2003, com a ajuda do marido, José Otávio, do primogênito, André, e das filhas. Em pouco tempo, a ONG começou a receber demandas de todo o país. “Ministramos palestras sobre a importância da doação de órgãos e oferecemos suporte para quem faz hemodiálise. Nem sempre é fácil dar conta”, diz Eva, hoje formada em psicologia. “Oferecemos esperança para os que estão em tratamento. Sabemos que unidas podemos muito”, explica Anna Maria. “Trabalhamos muito pela internet. Cada uma está envolvida com seus projetos pessoais, mas não pensamos em deixar a Doe Vida de lado”, diz Anna Paula. Para Izilda, esse trabalho é a grande missão dela e das filhas: “Tudo o que fizermos é pouco para agradecer a bênção que recebemos”.


A arte como herança LUCILA PROENÇA, 53 ANOS, E TALITA GARCÍA, 24, PARATY (RJ) A avó e a mãe de Lucila, donas de hábeis mãos para trabalhos delicados, ensinaram a ela o prazer de costurar, tecer, pintar e criar. Na família de artistas, costureiras como a tia Dagmar sempre conviveram com poetisas, entre elas a tia Adelaide. A dupla presenteou Lucila com uma máquina de bordar quando ela tinha pouco mais de 30 anos. O instrumento permitiu que a figurinista, cenógrafa e artista plástica exercitasse ainda mais a sua criatividade. Em 2006, ela começou a confeccionar roupas artesanais em casa, e a filha Talita, interessada em moda, tornou-se sua colaboradora ocasional. “Um ano depois, me mudei de Niterói para Paraty e abri meu ateliê. Além de algumas de minhas obras, lá vendo as peças de roupas que crio junto com a Talita. Desde que ela veio morar aqui, em 2009, firmamos de vez nossa parceria”, conta Lucila. Formada em design de moda, a filha é responsável por criar as estampas e ajudar na produção das peças da marca Adelaide & Dagmar, nome dado em homenagem às incentivadoras da loja. Lucila desenha os modelos e supervisiona o trabalho das costureiras e artesãs que emprega, inclusive Talita. “Ter a mãe por perto é sempre bom, até mesmo no trabalho. Na loja, a relação é formal, mas não é corporativa. Conta muito o afeto, o companheirismo”, diz Talita. Para elas, a maior dificuldade é separar assuntos profissionais de questões familiares. “Temos consciência de que é um aspecto fundamental para um dia a dia produtivo e ainda mais agradável”, explica a mãe. As duas têm orgulho de resgatar a tradição de sua família no universo das artes a partir de suas criações. Também apaixonadas por cinema, curtem ficar em casa assistindo a filmes. Nesses momentos não falam de trabalho. “Adoramos ter aquelas conversas de mãe e filha. Os papos duram horas!”, confessa a filha.


Até debaixo d’água ROSANE PEON, 53 ANOS, E LUCIANA PEON, 29, SÃO LOURENÇO DO SUL (MG) Quando menina, Luciana gostava de cuidar do irmão mais novo, Daniel, como se fosse mãe dele: pedia ao caçula para arrumar o quarto, comer tudo, fazer a lição de casa. Se o garoto não cumprisse as ordens, a irmã bufava baixinho, insatisfeita. “Luciana sempre foi muito doce e carinhosa, mas um pouco esquentadinha. Além disso, é bem perfeccionista. Quando abriu o novo negócio, entrevistou diversas candidatas a uma vaga de recepcionista e não gostou muito de nenhuma. Então resolvi ajudá-la”, conta Rosane. A presença da mãe é um presente precioso para Luciana. Recém-formada e recém-casada, a mineira da pequena São Lourenço do Sul deixou para lá a carreira de advogada em meados de 2009 e resolveu abrir uma academia de hidroginástica com o marido, o professor de educação física Juliano Guimarães. Rendeu-se, enfim, à paixão pelos esportes.

“Minha mãe é a simpatia em pessoa, conhece os nossos alunos pelo nome. Todos querem ser amigos dela, o que torna o ambiente da academia o melhor possível. Admiro demais sua competência e sei que posso contar com ela de verdade”, elogia Luciana. Rosane merece as palmas: atende os alunos, dá uma mão na parte administrativa e auxilia os frequentadores com problemas de locomoção. Além de hidroginástica, o Espaço Peon Guimarães oferece sessões de fisioterapia. Rosane garante que compartilhar o expediente com a filha só melhorou a relação pessoal. Elas vivem em harmonia tanto no ambiente profissional quanto nos fartos almoços de domingo. “O segredo é ter limites. Não me meto em decisões deles, afinal o negócio pertence aos dois. E nunca resolvemos questões pessoais no trabalho”, ensina Rosane, feliz em ver o casal comemorar o primeiro aniversário da academia.


Parceria entrosada MARIA CLARA SOLBERG, 27 ANOS, MARIA ISABEL BARROSO SALGADO, 50, E CAROLINA SOLBERG, 23, RIO DE JANEIRO (RJ) Quando partiu para sua segunda temporada na Itália, em 1987, a jogadora de vôlei Isabel levou os quatro filhos: Pilar, Maria Clara, Pedro e a caçula, Carolina, que à época tinha apenas 1 mês de vida. Os pequenos nunca estranharam as terras estrangeiras e adoravam ficar perto da mãe. “Eles curtiam provar comidas diferentes, fazer novos amigos e assistir aos meus treinos e minhas competições”, relata Isabel, que embarcou para três temporadas no país europeu e para outras três no Japão. Além disso, fez parte da geração que elevou a popularidade do vôlei no Brasil. Foi duas vezes campeã nacional e representou a seleção em duas Olimpíadas. De tão familiarizados com a modalidade, três dos quatro filhos da jogadora resolveram construir uma carreira no esporte – só a primogênita, Pilar, não se deixou seduzir por saques, bloqueios e manchetes. Maria Clara chegou a fazer

dupla com a mãe no vôlei de praia, quando tinha 17 anos. Depois, Carolina passou a ser a parceira de Maria, mas Isabel não aposentou seu talento: assumiu o posto de técnica de filhas, função à qual se dedicou por cinco anos. “Trabalhar com minha mãe sempre foi enriquecedor. Embora ela seja dura, sabemos que só quer ver nossa melhor forma em quadra”, conta Maria Clara. “Apesar do excesso de convivência e dos nossos temperamentos fortes, respeitávamos as decisões de minha mãe. Afinal, a técnica era ela”, diz Carolina. Atualmente, Isabel assessora a carreira esportiva das filhas e também a de Pedro. Seu papel agora é transmitir os ensinamentos que a experiência lhe trouxe e torcer por eles nas arquibancadas mundo afora. “Hoje tenho mais tempo livre. Até porque o João, filho da Pilar, é lindo e merece toda a minha atenção”, derrete-se Isabel, mãe e avó coruja.


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Zinco, cobre, selênio, silício e magnésio são essenciais para a multiplicação celular, e a renovação do colágeno e da elastina, garantindo a firmeza da pele. Tais nutrientes são fartos no farelo de trigo, fígado, carnes, aves, grãos integrais, castanhas e leguminosas.

As proteínas de carnes magras e laticínios participam da formação do colágeno, recuperando os tecidos e ajudando a elasticidade da pele. Já as gorduras saudáveis do azeite de oliva, nozes, abacate e açaí ajudam a absorver os nutrientes.

Alimente

sua pele

>> Na Grécia Antiga, Hipócrates já anunciava que a saúde de uma pessoa está diretamente relacionada aos alimentos que ela consome. Tanto que é dele a célebre frase “Você é o que você come”. Assim, uma pessoa que ingere muita gordura e carboidratos não apenas ganha alguns quilos, como também pode ter problemas cardíacos, desenvolver diabetes e comprometer a pressão arterial, entre outras consequências. Comer mal também afeta a pele, contribuindo para a perda da elasticidade e o envelhecimento precoce. O ideal é ir na contramão de tudo isso e alimentar-se corretamente, como orienta a Dra. Denise Steiner, dermatologista e professora da Universidade de Mogi das Cruzes (SP).

Uma dieta balanceada deve conter itens de todos os grupos da pirâmide alimentar: hortaliças, frutas, leite e derivados, carnes, ovos, gorduras e açúcares. Além de nutrir, combatem os radicais livres, que provocam o envelhecimento e doenças.

Entre as principais substâncias antioxidantes, regeneradoras e protetoras que ajudam na redução das lesões causadas pelos radicais livres no corpo, estão as vitaminas do complexo B, C e E.

Os betacarotenos – encontrados em frutas, nozes, vegetais alaranjados e folhas verde-escuras – também são importantes para proteger a pele do envelhecimento, ajudando a regenerá-la.

Como muitas pessoas almoçam fora de casa boa parte da semana, nem sempre é possível ingerir todos os grupos de alimentos da pirâmide. Vale consultar o médico para saber se há a necessidade de ingerir suplementos vitamínicos para auxiliar na manutenção da saúde e da pele, prevenindo seu envelhecimento precoce.


Suplemento oral com Luteína purificada para prevenção do envelhecimento cutâneo

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Composição com 100% da IDR* *Ingestão diária recomendada 1. Bula do Produto 2. Palomo P et al. Beneficial long-term effects of combined oral/topical antioxidant treatment with carotenoids and zeaxanthin on human skin: A double-blinded, placebo-controlled study in humans. Skin Pharmacol Physiol 20,2007.

Informações adicionais disponíveis à classe médica mediante solicitação.


Prontuário: Ideias para o consultório

Com que

?

roupa eu vou C

onta a lenda que, no templo grego de Hipócrates, o pai da medicina, quem salvava vidas já usava branco. Mas os registros históricos afirmam que só no século 19, quando os médicos adotaram práticas científicas e deixaram de lado o misticismo da Idade Média, o jaleco de cor branca virou marca da categoria. “O jaleco é aconselhável, mas nunca foi obrigatório”, afirma Paulo Olzon, infectologista da Universidade Federal de São Paulo. O uniforme podia

SÍMBOLO DE RESPEITO CIENTÍFICO E LIMPEZA, A COR BRANCA DOMINA A ÁREA MÉDICA. PARA SAIR DA ROTINA, ACESSÓRIOS E CRIATIVIDADE AJUDAM A MONTAR O ARMÁRIO Texto Rita Loiola Ilustração Bernardo França

variar de chapéus cônicos, como os usados pelos médicos Cosme e Damião em quadros renascentistas, até aventais escuros. Como a sujeira sempre esteve ligada à transmissão de doenças, o branco passou a ser utilizado para mostrar zelo e limpeza. Ninguém contava, porém, com a dificuldade em manter um guarda-roupa repleto de peças brancas. Hoje até se brinca com outros tons, mas o jaleco alvo, impecável, permanece símbolo do respeito profissional. Confira ideias para variar o tema.

Sinfonia em branco A opção pelo conforto não deve deixar de lado a elegância

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Para não passar frio ou calor

Salto? Só se for baixo

Para ela, jaleco acinturado, sempre. Para eles, um bom corte pode ser feito com um alfaiate. A regra é que o comprimento das mangas não passe do osso do pulso. A barra deve estar cerca de um palmo abaixo do joelho. Tecidos que não amassam nem retêm calor, como microfibra, triacetato ou jacquard, são boas opções. Lojas como a Medical Fashion (11 2068-7200) criam jalecos sob encomenda.

Como o barulho é proibido em clínicas e hospitais, o mais importante é que o calçado tenha um solado de borracha para abafar o eco dos passos. Um forro de borracha também pode resolver o problema. Para eles, modelos fechados e, para elas, confortáveis, que não precisam ser da cor branca. O mais indicado são sapatos baixos ou com saltos quadrados de, no máximo, 4 centímetros.

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da Dica ialista

acessórios

espec

Quando os acessórios são permitidos, prefira os coloridos. Acrescente brincos, colares, gargantilhas, lenços e cintos para quebrar o branco total. Um sapato diferente também pode ajudar a alegrar o visual. O ideal é que os acessórios não sejam exagerados, mas deem graça à roupa.

tecidos

Como a rotina médica é intensa, os aliados à boa aparência são tecidos que não amassam. Fibras fáceis de lavar e passar devem ser as preferidas na hora das compras. Escolha modelos e tecidos diferentes, que não deixam a impressão de estar vestindo a mesma roupa todos os dias.

mulheres

O melhor é usar roupa social colorida e o jaleco branco.Vestidos, calças e camisas estampados, pretos e discretos sob o jaleco refletem o cuidado do profissional com seu trabalho. Se o branco total for regra, escolha modelos diferentes e use sempre lingerie básica e sem costura na cor chocolate.

homens

Calça social, camisa social, cinto e gravata, sempre. Se puder, deixe o branco só para o jaleco e opte por calças pretas, cinza ou marrons; e camisas brancas, rosa ou listradas. Invista em tecidos estruturados e cortes com bom caimento, que não dão trabalho na hora de escolher o que vestir.

lavagem

Sem manutenção correta, o branco fica amarelo. Então anote: deixe as peças de molho em água limpa de um dia para o outro para tirar a sujeira mais grossa. Depois, as peças devem ser esfregadas à mão, com sabão de coco. Para manchas difíceis, use produtos à base de água oxigenada.

Aposta colorida Médicos e profissionais liberais de saúde se livraram do branco total. Nos últimos anos, a cor ficou só para o jaleco. A roupa social continua sendo imperativo, junto com os tecidos de boa qualidade e as modelagens bem cuidadas. Para quem trabalha em clínicas ou hospitais que exigem a cor branca em todo o traje, a dica é brincar com modelos diferentes de camisas, calças e vestidos. Escolha um tecido de fácil manutenção, que não retenha manchas e não dê trabalho para passar. E, no ambiente profissional, quanto mais discreto, melhor. Decote, blusas de alcinha ou frenteúnica são proibidas. O ideal é exteriorizar seu histórico pessoal e profissional por meio de sua imagem. É importante deixar transparecer a excelência do seu trabalho em seus trajes. Isso significa roupas bem cortadas, limpas e cuidadas. É assim que você mostra respeito com o paciente e consigo próprio. PS: Boas compras! Como branco é a cor do verão, a melhor época para adquirir roupas nesse tom são os primeiros meses do ano. É quando as grifes brasileiras fazem as liquidações da estação e oferecem modelos diferentes e bem cortados. No meu site, há uma lista de pontas de estoque permanente, com marcas que oferecem peças interessantes a preços mais baixos. Vale a pena! Bia Kawasaki é consultora de moda, imagem pessoal e corporativa (e casada com um médico). Saiba mais em www.biakawasaki.com.br

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Para entender: Cultura cor-de-rosa

ESPERANÇA

equilibrista Até onde você está disposto a ir para buscar seus direitos? A discussão sobre maus-tratos no trabalho já rendeu no cinema alguns registros notáveis, como o clássico Norma Rae, de 1979. Pão e Rosas, do diretor britânico Ken Loach, trata de um problema bastante caro à globalização: a imigração ilegal em países desenvolvidos. No caso, personificada na mexicana Maya, que parte para Los Angeles, onde a irmã Rosa está estabelecida. Como faxineira de uma empresa, Maya e seus compatriotas clandestinos são constantemente oprimidos pelo patrão. Mas, influenciada por um sindicalista, ela lutará pela integridade dos colegas, mesmo que tenha que pagar um preço alto por suas impertinências. Pão e Rosas DIREÇÃO

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Simplesmente Feliz

Ken Loach |

ENTENDER A MULHER

Espécie de poliana moderna, Poppy, personagem de Sally Hawkins, tem como lema de vida socializar a felicidade com quem cruza seu caminho. Mas a “missão” será bem mais difícil com o instrutor da autoescola, que parece viver num constante inferno astral.

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ANO

2000

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DIREÇÃO

Mike Leigh | ANO 2008

SÓ SUPERA QUEM ACREDITA. CONHEÇA OBRAS QUE INSPIRAM GRANDES FEITOS Texto Fábio Fujita

Sobreviver à Segunda Guerra Mundial, sorte que não teve a maior parte da sua família de origem húngara, influenciou a escrita de Clarissa Pinkola Estés. Os pequenos contos biográficos que formam a obra passam longe dos julgamentos previsíveis. Os dramas bélicos são escritos sob fábulas, como a saga do tio Zovár, homem iluminado que, diante de uma floresta destruída, só enxerga uma solução: replantá-la.

O Jardineiro que Tinha Fé

Clarissa Pinkola Estés | Editora Rocco


Ingrid Betancourt trocou a segurança de uma vida confortável pela busca de soluções para a violência de seu país. Depois de se eleger deputada e senadora, lançou-se candidata à presidência na Colômbia. Em plena campanha, foi sequestrada pelos guerrilheiros das Farc, de quem ficou refém por seis anos, lidando com todo tipo de privação. No livro, conta como aprendeu a tolerância em relação aos próprios algozes para não enlouquecer.

Não Há Silêncio que Não Termine

Ingrid Betancourt | Companhia das Letras

Histórias reais de conquista e superação estão reunidas no site do programa, que visa à inclusão profissional e tecnológica de mulheres desfavorecidas do Norte e Nordeste. Trata-se de um projeto do governo federal, atrelado às Metas do Milênio da ONU, que incluem a erradicação da pobreza e a igualdade entre os sexos.

Programa Mulheres Mil mulheresmil.mec.gov.br

Seja qual for seu perfil – estudante universitária, mochileira, executiva de negócios –, esta página foi criada para auxiliar mulheres que vivem no exterior, com informações detalhadas sobre diferentes culturas, entrevistas e relatos de viajantes que venceram as dificuldades e as saudades de casa para se dar bem nos mais diversos destinos (em inglês).

Para A implacabilidade do tempo vem deixando marcas inesquecíveis na vida de Fred, como a viuvez e a saúde frágil. À espera de passar desta para melhor, ele conhece Elsa, a vizinha de personalidade vibrante cujo sonho de ir a Roma e banhar-se na Fontana di Trevi – como Anita Ekberg em A Doce Vida – o contagiará de vez.

Expat Women

www.expatwomen.com

Elsa & Fred DIREÇÃO Marcos Carnevale |

Dança Comigo? DIREÇÃO Peter Chelsom | ANO 2004 Indicação

Por Josiane de Moraes de Castro, ginecologista de Guaraciaba (SC)

Recomendo o filme Dança Comigo?, com Richard Gere e Jennifer Lopez. Gere interpreta um trabalhador cansado da rotina, mas sua vida muda quando conhece a professora de dança de salão representada por Jennifer. O filme é extremamente sensível, ao retratar um advogado que mantém um dia a dia pouco inspirador, sem toques de felicidade. E deixa a lição: fique sempre atento às oportunidades.

ANO

2005

ouvir Em 2010, um câncer de mama poderia ter comprometido a trajetória de Elba Ramalho. Mas duas semanas após a cirurgia, ela já estava a mil, preparando o CD e o DVD que comemoram os 30 anos de carreira. • Marco Zero | Biscoito Fino (2010) Se a arte pode ser terapêutica, as marcas da saudade reverberam em cada acorde das canções de The Sea, segundo disco da inglesa Corinne Bailey Rae, feito para evocar a memória do marido Jason Rae, morto por overdose de metadona. • The Sea | EMI (2010)

E você, o que recomenda? Na próxima edição, o tema é alegria. Participe! Indique filmes, livros, discos e sites que retratam o assunto. Escreva para entenderamulher@editoramol.com.br

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BIOLAB apresenta

boa te na Apos ntação alime vidade ati e na oderada m física

Quais os cuidados que a mulher deve ter durante a gestação? É importante cuidar da mulher conforme seus hábitos e costumes. Não adianta adotar atitudes estranhas ao dia a dia, ingerir chás diferentes e fazer atividades físicas que não são parte da rotina. Recomenda-se que a sua vida seja mais próxima do que era antes da gravidez, introduzindose apenas alguns cuidados de alimentação e a prática saudável de atividades como a caminhada.

Ela deve se valer de suplementos nutricionais?

Cuidar para

tranquilizar >> A gestação é um dos períodos mais especiais na vida de uma mulher. Nessa fase, é comum que ela se sinta insegura e ansiosa. O bom acompanhamento médico é fundamental, como atesta nesta entrevista o Dr. Antonio Carlos Vieira Cabral, professor de obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. Quais devem ser os preparativos para a boa gestação? O mais comum é a mulher procurar o obstetra já grávida e, quanto mais cedo for a consulta, melhor. A mulher pode fazer uma consulta médica em que se avaliam a sua condição cardiovascular, a pressão arterial e a

função renal. Também são realizados exames que checam a existência de infecções ativas e suscetibilidade a alguma delas que possa representar risco ao feto, como herpes e toxoplasmose. Recomenda-se, também, tomar ácido fólico por trinta dias antes da concepção.

A gravidez de uma mulher saudável deve ser suplementada com 40 miligramas diárias de ácido fólico nos três primeiros meses de gestação e com suplementos de ferro e vitaminas nos seis meses finais. Tudo isso sempre aliado a uma dieta balanceada e à ingestão de líquidos.

Quais as suas indicações para que a paciente sinta-se segura durante toda a gestação? A gravidez é um momento ímpar, em que o médico e sua equipe têm a oportunidade de promover a mais importante prevenção de saúde de que se tem conhecimento na medicina. A sensação de segurança vem com a relação de confiança da gestante no obstetra e nos resultados dos exames da mulher e do feto. Um pré-natal bem realizado evita infecções congênitas, desnutrição materna e fetal, depressão pós-parto e descuido com aleitamento, além de fortificar a relação entre mãe, filho e marido.


Fev | 2011

O 1º e Único suplemento vitamínico com minerais quelatos para gestantes

Matertabs (suplemento vitamínico mineral). Composição: Ácido Fólico, Cálcio (Cálcio Citrimal e DiCálcio Malato), Magnésio (Magnésio Chelazome Buffered), Vitamina C (Ácido ascórbico), Ferro (Ferrochel®), Niacina (Vitamina B3 ), Zinco (Zinco Chelazome), Ácido Pantotênico (Vitamina B5), Manganês (Manganês Chelazome ), Vitamina B6 (Piridoxina), Riboflavina (Vitamina B2), Tiamina (Vitamina B1), Cobre (Cobre Chelazome ), Vitamina A (Retinol), Iodo, Vitamina D (Colecalciferol), Vitamina B12 (Cianocobalamina). Corante Eritrosina. Indicações: Matertabs é um suplemento vitamínico-mineral que foi desenvolvido para atender às necessidades especiais do período gestacional, bem como para oferecer uma quantidade adequada de minerais e vitaminas no período gestacional. Recomenda-se adequar as doses de acordo com suas necessidades diárias. A ingestão usual é de 2 comprimidos de Matertabs ao dia, preferencialmente com água, ou a critério médico/nutricionista. Matertabs deve ser mantido em sua embalagem original. Os suplementos de vitaminas e minerais são sensíveis à umidade, por isso evite manipular todos os comprimidos de uma vez. Não Contém Glúten. Gestantes, nutrizes e crianças até 3 (três) anos, somente devem consumir este produto sob orientação do médico ou nutricionista. Pessoas hipersensíveis aos componentes da formulação devem evitar o consumo deste produto. Referências Bibliográficas: 1. Auditoria farmacêutica; PMB/IMS, Classe Terapêutica A11A1, Polivitamínicos com minerais - Pré-natal, Nov/2010. 2. Monografia do produto. 3. Bula do produto.

Informações adicionais disponíveis à classe médica mediante solicitação.


Entender a Mulher #3  

Entender a Mulher é uma revista customizada da Editora MOL para o laboratório farmacêutico Biolab. Feita para médicos, é uma publicação sobr...

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