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setembro 2013 Diretor Fundador João Ruivo

Diretor João Carrega Publicação Mensal Ano XVI K No187 Distribuição Gratuita

suplemento Autorizado a circular em invólucro fechado de plástico. Autorização nº DE01482012SNC/GSCCS

www.ensino.eu Assinatura anual: 15 euros

paulo morais vice-presidente da Associação Cívica

Corrupção, diz ele!

castelo branco

IPCB está cada vez mais internacional ubi

Matemático de formação, Paulo Morais não se cansa de apontar o dedo às «centrais de negócios» e a outras prátiC P 9 e 17 cas obscuras que, na sua opinião, estão na raiz da crise que atravessamos.

António Fidalgo toma posse como Reitor C

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Politécnico de Leiria vale 171 milhões

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cooperação

Politécnico da Guarda abraça Brasil C

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aniversário

ESE de Portalegre com novos cursos

Azeitonas

orçamento

Ministério diz sim, CCISP diz não pub

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Conheça o novo disco no Ensino Jovem pub

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Paulo Morais, vice-presidente da Associação Cívica – Transparência e Integridade

Corrupção, diz ele! 6 Matemático de formação, Paulo Morais não se cansa de apontar o dedo às «centrais de negócios» e a outras práticas obscuras que, na sua opinião, estão na raiz da crise que atravessamos. Para os mais céticos, o professor universitário e vice-presidente da Publicidade

Associação Cívica – Transparência e Integridade, exemplifica: «Se tivermos um estranho em casa que nos vai diariamente ao frigorífico roubar um produto, o resultado ao fim de 20 anos é catastrófico». Devido à sua exposição

mediática, já é apontado na rua como o homem que denuncia os casos de corrupção em Portugal? Sim. Muita gente vem ter comigo na rua. Tanto pessoas de classe média, que têm a sua vida estruturada, mas que se sen-

tem indignadas, e que me vêm felicitar pela coragem, como ultimamente tenho sido abordado por gente mais humilde, que sente necessidade de falar dos seus dramas pessoais. São pessoas mais idosas, algumas não contêm as lágrimas, que confessam as di-

ficuldades por que passam em casa. Eu concluo que ao salientarem a minha atitude, significa que estão com medo de uma situação social para a qual não estavam preparadas.

luta e que tem um pacto com a sua mulher que se dentro de 3 ou 4 anos não se verificarem avanços no combate à corrupção, abandona a sua causa. Confirma?

O outro lado da medalha é a sua presença assídua em tribunais, como testemunha e quando é visado em processos de difamação, isto para não falar das ameaças veladas e expressas que lhe dirigem. É difícil estar nesta luta?

É verdade. Se não existirem sinais consistentes de que algo está a mudar terei de sair do país e abandonar esta causa. Sabe, muitas das acusações que me fazem eu entendo-as como condecorações. Agora, eu acho que é preciso que o país se modifique e que deixe de se afundar em cada vez mais pobreza, miséria e desemprego.

É fundamentalmente trabalhoso, mas já sabia que o ia ser, assim que iniciei a minha atividade cívica. Por via da participação pública tenho hoje intervenções em múltiplos processos. Tenho uma média de três dezenas entre mãos, sendo coadjuvado pelos advogados que comigo trabalham. Desde logo como testemunha em processos para o qual sou convidado e considero relevante para que seja feita justiça. Só lamento que o nível de eficiência dos tribunais em Portugal seja muito baixo e se dispense muito tempo à espera com adiamentos, etc. Sabemos que a justiça é lenta e provavelmente em 2020 estaremos a discutir um processo de 2012. Para além disso, também participo em processos internos na Ordem dos Advogados, quando existe litigância, e as partes entendem que eu posso ser uma parte qualificada, para além dos processos em que sou acusado de difamação – cerca de uma dezena. Finalmente, eu próprio sou denunciante de um conjunto de assuntos, nomeadamente de criminalidade urbanística, o que adiciona mais trabalho no sentido de apresentar e preparar processos para o Ministério Público. Estou nesta luta de alma e coração, e quero que saibam que não é pelo cansaço que me vencem. Contudo, disse numa entrevista recente que «precisava de um sinal para não desistir» da sua

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No livro que escreveu «Da corrupção à crise – que fazer?» sustenta a tese de que a principal causa da crise em que Portugal está mergulhado se deve à corrupção. Importa-se de concretizar? A corrupção está largamente à frente de todas as outras, representando cerca de 80 por cento da causa da crise, logo seguida pelo desperdício. Os restantes factores são manifestamente residuais. Concorda com o expresidente da CIP, Ferraz da Costa, que disse que Portugal «não tem dimensão para se roubar tanto»? A crise portuguesa pode ser analisada de muitas formas. Há a dívida pública e privada, sendo que a primeira deve-se, na sua esmagadora maioria, a casos de corrupção verificados nas duas ultimas décadas. A dívida pública é, na atualidade, cerca de 130 por cento do PIB, o que é gigantesco face à dimensão do país. Que casos de corrupção mais contribuíram para a dívida pública? Assim de repente lembro-me de vários: a Expo 98, o Euro 2004, o BPP, o BPN, as parcerias públicoprivadas, etc. Só estes casos, representam milhares de milhões de euros. É cla-


hemiciclo. O nível de ligação de certos deputados é mais forte às empresas do PSI20 do que ao partido ou ao distrito onde foram eleitos.

ro que se de forma reiterada, durante tanto tempo, na administração pública e na política existem pessoas cujo objetivo é canalizar recursos públicos para um conjunto de grupos privados, através de um fenómeno a que se dá o nome de corrupção, o resultado não pode deixar de ser outro.

A exclusividade de funções seria uma condição obrigatória para o exercício de funções parlamentares?

O «resultado» é o aumento da dívida pública e a escassez de recursos…

Nesta fase, absolutamente. Chegámos a um tal ponto de pouca vergonha que a única solução seria a exclusividade total dos deputados.

Vou dar um exemplo doméstico que todos percebem. Se tivermos um estranho em casa que nos vai diariamente ao frigorífico roubar um produto, o resultado ao fim de 20 anos é catastrófico. Por isso é que a dívida pública se deve essencialmente à corrupção. No que diz respeito à dívida privada, ela não existe porque os portugueses andaram a gastar acima das suas possibilidades. Isso é outra mentira que importa desmistificar. A 1 de janeiro de 2009, no início da crise, 68 por cento da dívida privada era de natureza imobiliária. Alicerçada em compra de casas adquiridas em regime de propriedade horizontal, é verdade, mas fundamentalmente em fenómenos de especulação imobiliária, eles próprios sedimentados em corrupção feita na administração local.

É para perpetuar esta escassa transparência que a luta anticorrupção continua arredada da prioridades dos partidos políticos que passam pelo governo? Não são apenas os partidos que exercem funções governativas. Os próprios partidos da oposição tradicional têm sido coniventes e não vislumbro uma vontade séria. O PCP e o BE não têm manifestado qualquer vontade genuína de combate à corrupção. Encontra alguma explicação? A corrupção não tem partido político. Neste momento é transversal. E tomou conta do regime. A maior parte das medidas que têm sido tomadas pelo Parlamento, para além de escassas, são tíbias. Não adiantam quase nada. Excetuando eventualmente a medida, aprovada na anterior legislatura, que possibilita o acesso às contas bancárias através de uma base de dados do Banco de Portugal.

De que modo é que se processa essa corrupção? O esquema é sempre o mesmo. Envolve promotores imobiliários ligados aos partidos políticos, que compram terrenos agrícolas ou em reserva agrícola, conseguindo através de uma licença de construção ou alvará de loteamento, transformando uma qualquer parcela de território em parcela urbanizada e assim obtendo mais valias urbanísticas gigantescas. Muitas delas acabam por se destinar ao financiamento partidário ou a outros mecanismos mafiosos. Resumindo e concluindo, a dívida privada, à semelhança da dívida pública, é resultado da corrupção. A primeira deriva de uma fortíssima, reiterada e continuada corrupção na administração local, enquanto a dívida pública resulta de uma fortíssima corrupção na administração central. Perante isto, a corrupção é a primeira das causas da crise.

Num dos seus artigos recentes publicados na imprensa chamou de «bandos» os políticos que transformaram a «política numa porca em que todos querem mamar». Esta visão imortalizada por Bordalo Pinheiro é o estado a que chegámos?

A corrupção nas suas mais diversas modalidades é uma das faces do «pântano» em que diz que vivemos?

Assim, compram votos dentro dos partidos e compram financiamento através de negócios imobiliários.

Absolutamente. Atente que o caso concreto do domínio exercido pelos grandes promotores imobiliários junto das câmaras municipais faz com que o poder local fique refém e depois os próprios agentes das autarquias só têm que ter a preocupação única de arranjar negócios para os promotores imobiliários e, simultaneamente, arranjar empregos para os apaniguados do partido para garantirem a próxima eleição. Como? Com o financiamento que resulta dos negócios com os promotores imobiliários e com os negócios que resultam a nível intra-partidário de estarem a dar emprego a toda a gente que é dos partidos. Neste momento, a estrutura de recursos humanos das câmaras e das empresas municipais é praticamente coincidente com a estrutura dos partidos a nível local.

Chama a «central de negócios» ao Parlamento, a casa da democracia, que é entendida por outros como o «bloco central dos interesses», pela sucessiva conivência entre PS e PSD, os dois partidos que se vão revezando no poder. O bem comum está a ser ultrapassado pelos interesses particulares? O Parlamento tornou-se o símbolo máximo desta conivência e promiscuidade entre os negócios e a política. Mas especialmente relevante tornou-se o facto de ser na casa da democracia que vão sendo construídos os mecanismos legislativos e de articulação política que permitem que os grandes negócios se façam com a conivência de PS e PSD. Veja o que acontece em várias comissões parlamentares em

que a promiscuidade atinge o seu cúmulo. As comissões de maior relevância económica são constituídas por deputados afetos aos grandes grupos económicos. Cerca de 60 deputados, ou seja, quase um terço do Parlamento, são ao mesmo tempo deputados e administradores, consultores, diretores ou delegados de grandes empresas ou grupos que mantêm negócios com o Estado. A situação que aborda configura um conflito de interesses? Naturalmente. Eles estão no Parlamento não propriamente para resolver os problemas de quem os elegeu, mas antes para tratar dos negócios das empresas que lhes pagam. As grandes empresas estão representadas em S. Bento com deputados que no fundo, são seus lacaios. Estou-me a lembrar da EDP, a PT, os maiores bancos, etc. Todos têm os seus representantes no

Absolutamente. Neste momento, a política transformou-se numa grande central de negócios. A política existe e funciona para que uma série dos seus agentes na administração pública transfiram recursos para os grupos económicos a que estão ligados, que por sua vez os recompensam com salários principescos. Aliás, em Portugal, consagrou-se o princípio de Maquiavel, que dizia, algo semelhante a isto: se tivermos os 200 atores que dominam o sistema político devidamente subornados, então conseguiremos dominar o regime. Está a dizer que o regime está amarrado de pés e mãos? Há quatro ou cinco grupos económicos que têm 200 ou 300 lacaios que lhes garantem toda a rentabilidade. No fundo, os grupos económicos mais poderosos têm, por esta via, um acesso ao Orçamento do Estado, do qual devem todos os anos 6 a 7 por cento do seu valor, diretamente. Não chegam aos dedos de uma mão os presos por corrupção em Portugal. Defende uma criminalização de quem pratica uma gestão danosa no erário público? Essa

prática

se

encontra

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criminalizada, só que o histórico de acusações e condenações não tem uma dimensão relevante. Longe disso. Neste momento encontram-se dois políticos conhecidos em Portugal que estão presos por via da corrupção e que são Duarte Lima e Isaltino Morais. O que acontece é que em Portugal verificam-se muitos crimes conexos com a corrupção, quer a nível público ou privado, e que estão contemplados no ordenamento jurídico português. Vão desde a corrupção propriamente dita, ao peculato de uso, ao tráfico de influências, à prevaricação, à gestão danosa, etc. A propósito, deixe-me dizer-lhe que eu entendo que o enriquecimento ilícito devia ser criminalizado, até porque daria mais eficácia às intervenções do Ministério Público.

vida. No fundo, vai ao encontro do que tem falhado de essencial no ensino: a falta de uma estratégia. No ensino básico e secundário devia existir uma preocupação de uma formação integrada, que ministrasse uma formação científica aos seus alunos, garantindo a sua formação psico-motora, através de uma atividade física permanente, como aliás acontece na maior parte dos países da Europa. Isto já para não falar na formação psico-afetiva, com a promoção de atividades como a música e o teatro. Isto seria um sistema de ensino completo à disposição dos nossos jovens. O ensino superior é uma realidade à margem? O ensino superior tem uma estabilidade e características muito próprias que não se encaixam no que eu referi para o ensino básico e secundário. Nos anos 80, quando a democracia estava consolidada e quando se deu a integração europeia era o timing perfeito para se começar a construir um sistema de ensino completo. Um ensino completo fracassou e os jovens ressentiram-se de não ter uma mente sã e um corpo são para assimilar a formação científica.

Mas se o problema não é de falta de lei, voltamos mais uma vez ao mesmo. Falta vontade para combater quem prevarica? Creio que para haver mudanças substanciais no curto prazo será necessário criar tribunais especializados na área da corrupção. Isso obrigava a que esses tribunais fossem obrigados a apresentar num prazo diminuto, trimestral ou semestralmente, resultados concretos, o que neste momento não acontece. Por outro lado, era necessário que houvessem intervenções dos tribunais no sentido da recuperação de ativos que são furtados à sociedade por via da corrupção.

Com a falta de estratégia e planeamento quem paga é o desempenho escolar de alunos e professores?

Quer dar exemplos práticos dessas intervenções? Vou dar-lhe dois exemplos: prédios construídos e que não cumprem normas de planeamento devem ser demolidos ou expropriados por valor zero. Em situações como o BPN, em que foram roubados a todos os portugueses 6 a 7 mil milhões de euros, devia haver uma tentativa firme de recuperar parte desses ativos junto das fortunas pessoais daqueles que em 2008, à data da nacionalização do banco, eram acionistas e os administradores da Sociedade Lusa de Negócios. Estou em crer que se houvesse uma verdadeira vontade política para combater a corrupção, o Parlamento legislava, em 48 horas, para criar tribunais especializados e recuperar ativos furtados. Oliveira Salazar dizia que os portugueses tinham uma certa «propensão falcatrueira». Enveredar por caminhos menos claros é algo que nos está na massa do sangue? Não. Veja que os portugueses não são apenas os 10 milhões que vivem no «retângulo» e nas ilhas. Temos 5 milhões de emigrantes que andam por esse mundo fora e que dão cartas e provas diárias. Bastará lembrar que 25 por cento da população ativa do Luxemburgo, que é o país mais rico da Europa, é constituída por portugueses. Isto é apenas um exemplo, mas é revelador da boa integração dos portugueses e da sua capacidade de trabalho. O que acontece é que os portugueses funcionam bem em bons sistemas e funcionam mal quando o esquema e o regime estão

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mal arquitetados. Qual é a corrupção mais destrutiva: a pequena ou a de grande dimensão? Normalmente, há uma forte correlação entre ambas. Saber qual é que é a causa e qual é o efeito, é o mesmo que saber a história do ovo e da galinha. Mas na minha opinião, a pequena corrupção resulta do facto de as pessoas testemunharem que existe grande corrupção. Há um provérbio português que exemplifica bem isto: «ou há moralidade, ou comem todos». Quando se entra nesta lógica, assiste-se a uma estruturação deficitária do regime. Estou firmemente convencido que Portugal com um regime sério, com os diversos sistemas de governação, seja ao nível político e da organização geral do país a funcionar decentemente, os portugueses comportarse-iam melhor do que os suíços ou os finlandeses. Num país como o nosso, com uma boa posição geográfica, bom clima, bom mar, uma história riquíssima e um espólio cultural fantástico, se o resultado final é tão mau o que está errado é o esquema de organização e a gestão. Perante isto, só se pode concluir que o que está a falhar em Portugal é a política e não os portugueses. Entrando nas perguntas sobre educação. No artigo a que deu o nome de «desastre educativo», traça as gestões dos sucessivos titulares da pasta da educação.

Sintetiza que «à era da despesa sem critério, sucedem-se os cortes sem critério». Tem sido esta a linha de rumo dos gestores da educação? Tem faltado em Portugal, ao nível da educação, do governo e do Parlamento uma definição estratégica adequada. E o que é triste é que mesmo que pessoas que refletem muito sobre educação, como aconteceu com Guilherme d’Oliveira Martins e o próprio Nuno Crato, quando chegam a lugares com poder para implementar as políticas que andaram a defender parece que se esqueceram do que disseram. Está a acusar o atual ministro da Educação de falta de coerência? O professor Nuno Crato devia ler os livros que ele próprio escreveu. Se o atual ministro da Educação ler com atenção aquilo que ele foi escrevendo ao longo da vida tem aí as maiores críticas ao que ele próprio está a fazer. Admito que esta experiência política, pelos motivos que aduzi, esteja a ser particularmente penosa para Nuno Crato. Crato está a fazer o contrário do que escreveu? Não digo isso. Acho que não está, como se esperaria que fizesse, a implementar aquilo que andou a defender toda uma

Sem dúvida. Os professores não têm gabinetes decentes nas escolas para receber os seus alunos. Perante isto, não acho que tenhamos um sistema de ensino, o que temos é um sistema de armazenamento de crianças e jovens em que nalguns intervalos se dá alguma formação científica. O que a mim me impressiona é o dinheiro que foi gasto no sistema educativo e os múltiplos estudos que foram encomendados. No fundo, o que andaram a fazer foi negociar com os sindicatos e, nem tudo é mau, a operar algumas melhorias e remendos no sistema. Mas nunca no sentido de operar uma intervenção de fundo. Os «remendos» e as «melhorias» são, por exemplo, os computadores Magalhães e a requalificação da Parque Escolar? Algumas dessas intervenções são boas, outras são disparatadas, mas a maior parte são casuísticas, não resolvendo qualquer problema de fundo. Melhorar as escolas através da realização de obras públicas é uma ideia positiva, o que acontece é que a maior preocupação não foi tanto de melhorar as escolas, mas de fomentar negócios que poucas mais valias trouxeram ao sistema. Quer concretizar? Há heranças catastróficas e danosas por muito tempo em termos orçamentais, não tanto pelas obras, mas pelos custos incomportáveis. Estou-me a lembrar dos candeeiros de autor e de arquitetos famosos na Parque Escolar, que podem revelar um apurado gosto estético, mas que estão distanciados daquilo que se pretende para uma rede escolar. No âmbito da Parque Escolar, temos rendas de parcerias ;


público-privadas caríssimas que vão comprometer os orçamentos da educação nos próximos anos e os custos de funcionamento elevadíssimos, etc. O essencial, como por exemplo a criação de gabinetes para os professores atenderem os alunos e os encarregados de educação, ficou por fazer. Pior, é hoje em dia, não termos claramente definido qual é a função de um professor. Um docente na Finlândia ou na Suécia tem a sua atividade previamente estruturada, sistematizada e prevista. É especialmente crítico do relacionamento da tutela com os sindicatos. Os ministros têm sido pouco hábeis no diálogo com as estruturas sindicais? Eu dou o exemplo da negociação sindical no tempo de Manuela Ferreira Leite e as suas consequências orçamentais danosas. Explico: Chegámos a uma situação em que os docentes no início da carreira ganham muitíssimo pouco, miseravelmente até, e no final das carreiras apanhamse a ganhar ordenados elevadíssimos, isto porque foi uma estratégia do Ministério da Educação de empurrar o problema do pagamento destas pessoas para a Segurança Social, por via das reformas. As estatísticas mostram que os países com melhores índices educativos sofreram menos recessão. Isto significa que uma

educação com pobres resultados é terreno fértil para as crianças de hoje e os adultos do amanhã estarem mais suscetíveis e permeáveis a práticas de corrupção? O grau de desenvolvimento medido pelos índices das Nações Unidas está fortemente relacionado com a transparência dos países. Ou seja, quanto maior for a transparência dos países, ou menor for a corrupção, se quiser, maior serão os índices de desenvolvimento. É por isso que o combate à corrupção é estruturante e fundamental. O investimento em educação é o mais rentável, só do ponto de vista das finanças públicas, ou seja, numa vertente estritamente contabilística. Quanto mais formação uma pessoa tem, até do ponto de vista económico e de gestão de finanças publicas, irá ter mais habilitações, irá auferir maior salário, irá gastar mais, irá ter mais património e irá pagar mais impostos. Perante estes argumentos, querer poupar em educação é um erro. Uma pessoa mais preparada e formada é necessariamente mais impositiva e exigente… Os sistemas em que as pessoas são pouco formadas apenas favorecem os regimes totalitários e que pretendem que as pessoas sejam pouco esclarecidas. Não é por acaso que temos regimes mais corrup-

tos em Angola do que na Dinamarca, basta comparar o grau de formação existente nestes países. Uma das principais razões para a queda do Muro de Berlim e da “cortina de ferro” foi a formação. As ditaduras que ministraram muita formação aos seus povos invariavelmente ao fim de duas gerações acabaram por determinar a queda desses regimes ditatoriais. Fazendo apelo à sua formação em ciências exatas, gostaria que falasse um pouco sobre o fracasso dos alunos portugueses em Matemática. Como é que se desmistifica esse “papão”? Dois motivos específicos podem explicar o insucesso: O ensino da Matemática só se obtém pela via da escola. Não se aprende como o Inglês, a História ou a Filosofia. Para além disso, o ensino da Matemática é sequencial, implica um encadeamento lógico e natural de conhecimento, com especial importância para as chamadas bases da disciplina. Se não se perceber as bases, dificilmente se vai entender o que virá a seguir. Ou seja, o trabalho terá de começar pelos jovens de tenra idade e os resultados não serão rápidos? As consequências de retardar este esforço serão gravíssimas. Os alunos continu-

arão a fugir para as áreas das humanidades, não por vocação, mas simplesmente para escapar à Matemática. São recursos humanos necessariamente mais frustrados e menos produtivos. Isto tem efeitos económicos terríveis para a sociedade e para a economia. O país em termos gerais fica carente em termos de recursos humanos nas áreas das engenharias e da Matemática, com reflexos óbvios em termos da descompensação da estrutura de emprego e de recursos humanos. Estou certo que muitos dos desempregados formados em humanidades, de certo estariam hoje em dia empregados se tivessem ido cumprir a sua vocação no campo das engenharias, Economia ou Matemática. Que soluções advoga? O nível de controlo de qualidade teria de ser muito maior na Matemática. Isso pressupunha uma maior formação a começar pelos próprios professores da disciplina. Os sistemas de avaliação têm uma componente muito pequena relativamente à formação científica e pedagógica dos docentes. Chegámos a este contra senso que é o facto de termos muitos professores de Matemática, que sabem pouco de Matemática… K Nuno Dias da Silva _ Direitos reservados H

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António Fidalgo toma posse

Reitor da UBI quer uma região forte 6 “O contributo da UBI para o desenvolvimento regional tem sido frequentemente salientado, mas é altura de realçar também o outro lado da relação, o papel que a região assume na vida e na afirmação da universidade”. As palavras são do novo reitor da Universidade da Beira Interior, António Fidalgo e serviram de mote para um discurso onde a importância da questão demográfica teve especial realce. “O que a UBI precisa da região e, em particular, dos responsáveis políticos, dos empresários e dos demais atores relevantes da sociedade é que tudo façam para inverter a situação demográfica, económica e cultural da região em que se encontra”, acrescentou. António Fidalgo recordou o estudo Demospin, elaborado por investigadores das Universidades de Aveiro, Coimbra, UBI, e dos Institutos Politécnicos de Castelo Branco e Leiria, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, o qual será apresentado publicamente a 25 e 26 de outubro. Um estudo que “mostra bem quão sombrios são os cenários demográficos e económicos da Beira Interior. Se nada for feito para contrariar as tendências atuais, se continuarmos como até aqui, em 2100 teremos zonas do Interior, como a Beira Interior Norte, com um quarto da população atual, e mesmo as zonas mais habitadas do corredor urbano, servido por autoestrada e ferrovia, terão menos de 40% da população atual, como a Cova da Beira”, disse o novo reitor. Perante o secretário de Estado do Ensino Superior, António Fidalgo sublinhou a importância do ensino superior na região. “A UBI, o IPG e o IPCB são veículos privilegiados da ligação da região ao mundo, e, por isso, a sustentabilidade económica e social da região depende em muito deles. A saúde e o vigor destas instituições são fundamentais para a viabilidade da região”. Publicidade

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O novo reitor da UBI defende entendimentos e parcerias entre as três instituições. Na sua perspetiva “a UBI não pode comprometer-se seriamente com a região sem uma estreita colaboração com os Institutos Politécnicos da Guarda e de Castelo Branco. Há áreas em que nos complementamos e áreas em que podemos reforçarmo-nos. Cabe-nos a nós, instituições de ensino superior, a quem compete pautar-se pela ra-

cionalidade, vencer preconceitos, dar as mãos e em colaboração com outras entidades promover a recuperação do Interior”. António Fidalgo considera esse entendimento ainda mais necessários, devido à reorganização da rede do ensino superior a nível nacional, a qual está na ordem do dia. “A evolução demográfica a isso obriga, e não podemos deixar de, entre nós, debatermos as soluções que salvaguardem os inte-

resses do Interior e de, em conjunto, lutarmos por elas. O despacho orientador de junho sobre a oferta formativa do ensino superior criou as áreas de coordenação regional, sendo a nossa a que engloba o IPCB, o IPG e a UBI”. Na hora de passar o testemunho, João Queiroz, agradeceu a todos os que com ele colaboraram, à família, desejando as maiores felicidades ao novo reitor. João Queiroz não escondeu a satisfação “e o

orgulho” que sentiu em ter desempenhado a função de reitor. “Ao cessar esta fase dedicada à gestão e governação da Universidade, importa recentrar a minha atividade em dois dos seus pilares (...) o ensino e a investigação”. A cerimónia serviu também para empossar os Vice-Reitores Mário Raposo, António Cardoso e Paulo Moniz (João Canavilhas, no estrangeiro tomará posse mais tarde) e a Pró-Reitora, Isabel Dias. K


Universidade de Évora investiga

A anta-capela de Portugal Estágio numa produtora audiovisual

UTAD na Califórnia 6 Dois alunos do curso de Comunicação e Multimédia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) foram selecionados para estagiarem na produtora audiovisual da Califórnia, NPG Productions, onde irão trabalhar numa série de TV documental em oito episódios designada “Portuguese in Califórnia”. A série pretende mostrar a essência do contributo dos portugueses e lusodescendentes para a Califórnia dos dias de hoje. É bilingue e transmitida nos Estados Unidos, Portugal (Continente e Açores) e em mais de uma dezena de países

onde está presente a diáspora portuguesa. Cada episódio apresenta uma área temática completa, sendo independente dos demais. Os episódios iniciam-se com a história dos açorianos, seguindo-se a ida para a América e os primórdios da Califórnia. De seguida, analisa as principais cidades onde os portugueses e lusodescendentes se encontram. Abarcará histórias de êxito, da agricultura a Hollywood. Após a transmissão televisiva, a série ficará disponível online em plataformas sociais como o Vimeo, o YouTube, o Facebook, o iTunes e outras, sendo igualmente lançada em DVD. K

Universidade de Coimbra investiga

Cafeína nociva a grávidas 6 O consumo de cafeína durante a gravidez é prejudicial ao desenvolvimento do cérebro do bebé, conclui um estudo internacional onde participou uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra, através do Centro de Neurociências e Biologia Celular e das Faculdades de Medicina e de Ciências e Tecnologia. Sendo a cafeína a substância psicoativa mais consumida no mundo, inclusive durante a gravidez, a equipa avaliou o seu impacto durante o período de gestação e descreveu, pela primeira vez, os efeitos nocivos do consumo de cafeína (em ratinhos fêmeas) durante a gravidez, sobre o cérebro dos seus filhotes. Este trabalho, apesar de realizado em roedores, sugere que devem ser realizados estudos cuidadosos para avaliar as consequências do consumo de cafeína por mulheres grávidas. Para avaliar os efeitos da cafeína, os investigadores reproduziram, em ratos fêmeas, o consumo regular de café, em doses

6 Uma equipa de arqueólogos da Universidade de Évora, dirigida por Leonor Rocha, acaba de realizar trabalhos arqueológicos na mais significativa anta-capela de Portugal, localizada em Pavia. Aquele monumento funerário pré-histórico, com mais de 5000 anos de idade, foi adaptado a templo católico durante a Idade-Média. Tudo aponta para que durante o domínio árabe também ali tivesse funcionado um espaço de oração. A anta-capela de Pavia, classificado como Monumento Nacional, é agora objeto de investigação arqueológica para identificação da primi-

tiva entrada e respetivo corredor de acesso. Procuram-se, igualmente, elementos que possibilitem uma datação absoluta do monumento e que se possa estabelecer com precisão as diferentes funcionalidades que teve até ao presente. Recorde-se que a anta-capela de Pavia foi o primeiro monumento megalítico referenciado na bibliografia histórica. Manuel Severim de Faria (séc.XVI), na sua obra “Notícias de Portugal”, já mencionava a antacapela de S. Dinis ou S. Dionísio, como também é conhecida, e que se localiza no centro histórico da vila alentejana de Pavia. K

Kids Project

EngageLab em Braga 6 Investigadoras do Laboratório engageLab da Universidade do Minho dinamizam o projeto “Kids Project”, que visa o desenvolvimento de plataformas tecnológicas inovadoras adaptadas às necessidades dos destinatários. A iniciativa conta com a participação de cerca de duas dezenas de crianças e adolescentes, que concebem e avaliam os diversos protótipos de apren-

dizagem. Para já, foram criados jogos matemáticos e de língua portuguesa, mas o objetivo a

longo prazo é abranger outras áreas de ensino. A investigação prolonga-se até 2015 e envolve uma equipa multidisciplinar, que conta com a colaboração de especialistas ligadas à matemática, à língua portuguesa, à tecnologia educativa e ao domínio da interação humano/computador. Está a ser supervisionada pelos professores Clara Coutinho e Pedro Branco. K

Protocolo

RVJ e UBI assinam acordo

equivalentes ao consumo humano de três chávenas de café por dia, durante toda a gestação e até ao desmame das crias. Os ratinhos jovens “mostraram maior suscetibilidade de desenvolver epilepsia e, quando atingirem a idade adulta, detetámos problemas de memória espacial”, explica Rodrigo Cunha, coordenador da equipa portuguesa. A pesquisa, resultante de uma parceria com o Institut National de la Santé et de la Recherche Médicale, da Aix Marseille Université, acaba de ser publicada na prestigiada Science Translational Medicine, do grupo Science, e envolveu ainda cientistas da Alemanha e Croácia. K

www.ensino.eu

6 A Universidade da Beira Interior e a RVJ – Editores, proprietária do Ensino Magazine, acabam de assinar um protocolo de cooperação, o qual prevê a realização de estágios de alunos da universidade naquela empresa, bem como a parceria em diversas atividades. O acordo, obtido no início do verão, é visto pelo diretor do Ensino Magazine como uma mais valia para ambas as instituições. João Carrega dá como o exemplo, ao nível dos conteúdos, o facto da RVJ – Editores, Lda se disponibilizar a colocar na videoteca (TV digital) do Ensino Magazine (www.ensino.eu) reportagens televisivas relacionadas com a UBI e produzidas pela UBI. Além disso, a “RVJ – Editores, Lda propõe-se criar condições para que possa desenvolver estágios profissionais dedicados a alunos diplomados pela UBI nas áreas comunicação, multimédia, design gráfico ou marketing”. A RVJ – Editores garantirá ainda à UBI condições de excelência

para a edição de livros. O diretor do Ensino Magazine destaca a importância deste tipo de acordos e recorda que na prática muitos dos aspetos do acordo já decorriam do “excelente relacionamento que o Ensino Magazine e a RVJ Editores tem com a UBI, uma instituição universitária que desde a primeira hora tem sido parceira do nosso jornal e com a qual o Ensino Magazine

tem o melhor relacionamento, respeito e consideração, por todos os valores que representa”. João Carrega recorda que já em novembro, mas no âmbito de internacionalização do Ensino Magazine, foram assinados, em Maputo (Moçambique) dois protocolos de cooperação: um com a Universidade Eduardo Mondlane e outro com a Escola Portuguesa de Moçambique. K

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Na área de informática

Projeto europeu na UBI

6 Nuno Garcia, docente do Departamento de Engenharia Informática da Universidade da Beira Interior, vai liderar a mais recente ação COST, que congrega cerca de 40 investigadores de 20 países da União Europeia, e visa o estudo de algoritmos para uma maior eficiência, particularmente, no que diz respeito ao processamento de grandes quantidades de dados e de bio sinais em ambientes ruidosos. Visa ainda a pesquisa sobre protocolos para Ambient Assisted Living (AAL), além do estudo de protocolos de comunicação e de transmissão de dados em AAL. Este tipo de ação “tem um conjunto de áreas científicas onde atua e no nosso caso é especificamente a de tecnologias da comunicação e da informação. Nesta área, já tinha feito a representação nacional num outro programa de investigação. Neste momento acabámos por pro-

por a este COST, um projeto dentro da nossa área de ação de excelência juntando informática, robótica, sensores, medicina, no sentido de criar soluções que tornem a vida das pessoas mais facilitada, sobretudo pessoas que, por uma razão ou outra, tenham necessidades mais específicas, como é o caso de pessoas idosas e portadoras de deficiência, que têm doenças crónicas, ou que

precisam de ajuda nas suas tarefas quotidianas”, explica. Criar soluções para uma melhor qualidade de vida e um melhor acompanhamento, nomeadamente de pessoas idosas, “é outro dos pontos que vai estar em forte destaque nesta iniciativa”. Uma das áreas que tem conhecido cortes no orçamento “é a da saúde e portanto há a necessidade real de construir soluções que apoiem as pessoas em casa e não nos hospitais, porque aí os custos com a saúde disparam”, aponta Nuno Garcia. Em setembro decorre a primeira reunião conjunta, “para estabelecer os mecanismos de ação da investigação”, aponta o docente do Departamento de Informática, investigador e coordenador do Assisted Living Computing and Telecommunications Laboratory, do polo do Instituto de Telecomunicações na Covilhã. K

UBI de olhos postos na comunidade

Testes de visão gratuitos

6 A Universidade da Beira Interior está a prestar cuidados primário de visão gratuitos, o que acontece através do projeto UBIMedical. O rastreio à retinopatia diabética está a decorrer, de forma temporária, nas instalações da Faculdade de Ciências da Saúde e visa controlar o efeito da diabetes na visão dos cidadãos. O projeto irá passar para as instalações do UBIMedical dentro de alguns meses. Para já, os gabinetes próximos do Hospital Pêro da Covilhã receberam 150 pacientes vindos de toda a Cova da Beira. A Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro, através dos Centros de Saúde de Belmonte, Covilhã e Fundão, tem vindo a encaminhar os casos mais graves para este rastreio. Pau-

lo Fiadeiro, um dos docentes envolvidos nesta iniciativa explica que “o rastreio está indicado para os diabéticos que têm problemas na visão. O que estamos aqui a avaliar é a visão dessas pessoas e a patologia associada que é a retinopatia diabética”. Tudo isto realizado de forma voluntária pelos docentes e gratuita para os utentes deste serviço.

A iniciativa surge na sequência do programa Inovida, no âmbito dos fundos Mais Centro. A parceria junta o Centro de Óptica da UBI, a Faculdade de Ciências da Saúde e a Faculdade de Ciências, sendo um dos objetivos centrais da nova estrutura da academia, a prestação de cuidados de saúde à população. K

Tese apresentada na UBI

Futuro da educação

6 Rogério Monteiro é o autor da tese de doutoramento defendida na Universidade da Beira Interior com o título “Sobre a Escola Básica e Secundária para a Educação do Futuro”, que tem como objetivo apresentar contributos para a forma como se deve organizar a escola no futuro. Para Rogério Monteiro, “a escola terá de ser um espaço de materialização pedagógica da família

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planetária organizada. Isto é, cada um de nós deve ser um membro com consciência executiva de que faz parte de uma família planetária organizada. Isto para atingirmos uma tal racionalidade no compromisso que não é mais do que a possibilidade de mais sustentabilidade e a possibilidade de mais humanidade; no fundo, todo este estudo aponta para estes factos. Este é um trabalho bastante inovador

porque apresenta um esboço de escola baseado em alguns conceitos estruturantes como a formação inicial dos docentes”. A prova teve como júri Daniel Serrão, da Universidade do Porto, Manuel Loureiro, da Universidade da Beira Interior, Luís Sebastião, da Universidade de Évora, Luísa Branco, da Universidade da Beira Interior e João Caramelo, da Universidade do Porto. K

Rio Ave testa monitorização do treino

GPS chega ao futebol 6 Bruno Travassos, docente do Departamento de Ciências do Desporto da Universidade da Beira Interior, está a desenvolver trabalhos no âmbito de uma nova tecnologia de geolocalização, utilizada em jogo de futebol por atletas de alta competição, que permite monitorizar diversos fatores de treino, desde o impacto físico, ao nível fisiológico, mecânico e muscular, à componente tática, recolhendo informações sobre os jogadores, a velocidade que atingem, a aceleração, entre outros. O sistema, denominado GPSports, está a ser utilizado pela equipa do Rio Ave e tem como objetivo “controlar e tipificar os efeitos de diferentes exercícios nos jogadores e posteriormente analisar que tipos de exercícios são mais representativos do comportamento de jogo”. O preparador físico daquele clube diz estar perante “um instrumento que proporciona um bom

feedback e permite uma análise do treino suportada em mais dados”. António Dias acrescenta que com este tipo de ferramenta os exercícios a serem desenvolvidos ao longo do treino podem ser personalizados. Do conjunto de parceiros do projeto fazem parte o Rio Ave Futebol Clube, o Centro de Investigação CIDESD do Departamento de Desporto da Universidade da Beira Interior e do Departamento de Desporto da Universidade de Trás os Montes e Alto Douro. K

UBI

Biomedicina tem nova agregação 6 Sílvia Cristina da Cruz Marques Socorro é a autora do relatório sobre Biologia da Reprodução e do seminário sobre “Hormonal regulation of sparmatogenesis: new challenges for an old question”, um conjunto de provas na área da Biomedicina, que estiveram na base da mais recente agregação da UBI, que decorreu no final de agosto. Esta lição teve a perspetiva de fazer uma panorâmica daquilo que é o conhecimento da área para os alunos, “salientando também as novas perspetivas da ação das hormonas na regulação da função reprodutiva. Nesse campo falamos no facto das hormonas poderem ser reguladores da homeostasia solar do cálcio, da apoptose e do meta-

bolismo celular, que tem consequências finais no desenvolvimento das células e portanto no desenvolvimento das células germinativas, na progressão da espermatogénese e, em última análise, na fertilidade masculina”, refere a investigadora. O júri das provas foi integrado pelos catedráticos Adelino Canário, da Universidade do Algarve, Alberto da Silva, da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, João Queiroz, da Universidade da Beira Interior, Mário Sousa, do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, António Rocha, do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, José de Oliveira e Ana Paula Coelho Duarte, da Universidade da Beira Interior. K


Saúde Mental

Debate nacional 6 A Organização Mundial de Saúde instituiu o dia 10 de setembro como Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, visando sensibilizar e convocar os países-membros para a definição de estratégias destinadas a prevenir o suicídio, que constitui um problema de saúde pública. À semelhança do que tem vindo a acontecer em anos anteriores, a Sociedade Portuguesa de Suicidologia (SPS) pretendeu assinalar esta data, promovendo a realização de um colóquio, com a participação ativa das forças vivas da região onde o evento tem lugar, este ano na cidade de Castelo Branco. A iniciativa da SPS, subordinada

ao lema “Estigma, Saúde Mental e Prevenção do Suicídio”, contou com a colaboração do IPCB/ Escola Superior de Saúde Dr. Lopes Dias (ESALD) e do Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses, I.P., na organização deste evento que se realizou no Auditório da Escola Superior de Educação de Castelo Branco. O programa incluiu a apresentação de duas palestras sobre o tema “Saúde Mental em Castelo Branco” e a apresentação do “Plano Nacional de Prevenção do Suicídio” por Álvaro de Carvalho, diretor do Programa Nacional de Saúde Mental/ DGS e coordenador do Plano Nacional de Prevenção do Suicídio. K

Alunos turcos, espanhóis, polacos e iranianos

Politécnico mais internacional 6 O Instituto Politécnico de Castelo Branco está a realizar durante os próximos dois meses, um curso de línguas para alunos estrangeiros. O Erasmus Intensive Language Course (EILC) já está a decorrer na Escola Superior de Educação, desde 2 de setembro, tem a participação de 24 alunos estrangeiros e é lecionado pela docente Teresa Gonçalves. Este primeiro curso contará com

o maior contingente de alunos turcos de sempre (12) e, ainda, com seis espanhóis, cinco polacos e um aluno externo de nacionalidade iraniana. De referir que o curso é o único no país que não é financiado pelo programa europeu Erasmus. No primeiro dia do curso, os 24 participantes foram recebidos pelo vice-presidente do IPCB, José Carlos Gonçalves, a que se seguiu um lan-

che de boas vindas, oportunidade para que desaparecessem algumas barreiras culturais. Neste curso, o IPCB vai novamente proporcionar aos alunos estrangeiros um vasto programa cultural de modo a que para além da língua portuguesa fiquem a conhecer o património, hábitos e cultura do país e da região de Castelo Branco. K

Estudo do IPCB revela

Proença e Ródão hipertensos Publicidade

6 A população adulta dos concelhos de Proença-a-Nova e Vila Velha de Rodão apresenta valores de prevalência de Hipertensão Arterial muito elevados. Esta é a conclusão de um estudo realizado pela Escola Superior de Saúde de Castelo Branco e que agora foi divulgada. De acordo com o comunicado enviado à imprensa pelo Instituto Politécnico de Castelo Branco, mesmo a população que “faz terapêutica anti-hipertensiva apresenta valores de pressão arterial acima dos valores de normalidade. Este facto pode ser justificado com a racionalização da medicação por questões económicas”. Este estudo, desenvolvido no âmbito da Licenciatura em Cardiopneumologia pela aluna finalista Sandra Rodrigues, com orientação técnico cientifica da docente Patrícia Coelho e orientação estatística do docente Alexandre Pereira, surge na sequência de outros realizados pela escola sobre a prevalência de Hipertensão Arterial na população adulta em diversos concelhos do distrito de Castelo Branco. Os dados recolhidos recentemente mostram que a população adulta dos concelhos de Proença-a-Nova e Vila Velha de Rodão é hipertensa. “No concelho de Proença-a-Nova os valores obtidos são 53,6% enquanto no concelho de Vila Velha a prevalência de Hipertensão Arterial é ainda maior - 64,9% -, determinando-se assim uma prevalência global de 57,5%. A investigação foi realizada numa

amostra representativa dos dois concelhos estudados, constituída por 1903 indivíduos de ambos os sexos com idades compreendidas entre os 18 e 90 anos”. O estudo mostra ainda que para Vila Velha de Rodão, 54,3% dos inquiridos afirmaram tomar fármacos anti-hipertensores, destes 58,1% estavam controlados, 41,9% não controlados e 23,3% não tinham conhecimento de ser hipertensos. Relativamente ao concelho de Proença-a-Nova, 40,5% dos inquiridos afirmaram tomar fármacos anti-hipertensores, destes 50,9% estão controlados, 49,1% não controlados e 21,9% não tinham conhecimento de ser hipertensos. Na mesma nota enviada à imprensa é referido que “grande parte da população hipertensa submetida à terapêutica anti-hipertensiva

apresentar valores de pressão arterial acima dos valores de normalidade. Estes resultados podem ser justificados com a existência de uma preocupação crescente com fatores económicos que condicionam o nível de saúde da população”. Na recolha dos dados para o estudo, foi verificado que grande parte dos indivíduos que tomam medicação anti-hipertensiva afirmaram fazer uma racionalização da mesma, “tomando apenas metade do comprimido ou um comprimido dia sim, dia não”, de forma a rentabilizar durante mais tempo a medicação e desta forma uma maior contenção dos gastos. Refira-se que a hipertensão arterial é um grave problema de saúde pública com elevada prevalência mundial que ronda aproximadamente 25 a 30% da população adulta, sendo responsável por 7,6 milhões de mortes por ano. K

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Marketing

Viseu e Vouzela juntos 6 O município de Vouzela e o Instituto Politécnico de Viseu estão a desenvolver um trabalho de mestrado com vista à elaboração de um plano de marketing territorial para o concelho. “Neste meio tão competitivo em termos turísticos, pretendemos com este trabalho aumentar a notoriedade do município”, justificou o presidente da autarquia, Telmo Antunes. O que o município pretende é “vender o território como uma marca”, à semelhança do que já acontece com as regiões do Algarve, do Alentejo e da Serra da Estrela e com os concelhos de Óbidos, Sintra ou Guimarães. A Câmara Municipal atribuiu uma bolsa de estudo, tendo cabido ao Politécnico de Viseu selecionar o aluno.

ESE e U. de Évora

Educação em livro

O estudo encontra-se na fase do inquérito estatístico, através do

qual serão efetuados 300 questionários a residentes e 300 questioná-

rios a turistas, devendo o trabalho estar concluído em setembro. K

IPCB

Civil mostra a sua força 6 O Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB) realiza, nos próximos meses de outubro e novembro, um ciclo de conferências dedicado a diversos temas emergentes no domínio da Engenharia Civil – construções em madeira, qualidade da água, resíduos, eficiência energética e reabilitação urbana. O evento é mais uma ação que decorrerá no âmbito do protocolo celebrado entre o IPCB e o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em novembro de 2011, e realiza-se nas instalações da Escola Superior de Tecnologia, em Castelo Branco. A área da engenharia civil constitui uma forte aposta da Escola Superior de Tecnologia de Castelo Branco, e foi recentemente aprovada pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES) . Com esta decisão, o curso de Engenharia Civil do IPCB/ EST, que nesta fase de candidatura ao ensino superior, é dos poucos do interior do país a abrir vagas, vê reconhecida a sua qualidade e desempenho por parte da entidade que, em Portugal, garante a qualidade do ensino superior, através da avaliação e acreditação das instituições de ensino superior e dos seus ciclos de estudos, bem como no desempenho das funções inerentes à inserção

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de Portugal no sistema europeu de garantia da qualidade do ensino superior. Para o presidente do IPCB, Carlos Maia, “apesar de não constituir uma surpresa, o momento é de satisfação. A acreditação de um curso sem qualquer restrição e pelo período máximo é sempre motivo de satisfação, uma vez que traduz o reconhecimento, por parte de uma entidade imparcial, da qualidade do curso, é o reconhecimento de que o curso responde positivamente ao mais alto nível a todos os critérios que estão a ser avaliados. E isso é particularmente relevante numa área como a Engenharia Civil, que a nível nacional tem tido uma procura reduzida nos últimos anos

verificando-se para o ano letivo de 2013/14 uma quebra acentuada da oferta de vagas e até o encerramento de alguns cursos”. Quanto ao ciclo de conferências, os principais objetivos da iniciativa prendem-se com a apresentação de estudos técnico científicos inovadores, de investigação aplicada, dirigidos ao meio empresarial e com dinamização de sinergias conjuntas entre as duas instituições públicas, em termos de Investigação e Desenvolvimento (I&D). O ciclo de conferências é aberto ao público em geral, tem início no dia 1 de outubro e decorrerá todas as terças feiras de quinze em quinze dias. O primeiro tema em debate

-“Construção e Manutenção de Estruturas de Madeira”- terá como palestrantes Helena Cruz (LNEC), José Saporiti (LNEC), Luís Jorge (IPCB/EST) e Hélder Martins (IPCB/EST). Segue-se, a 15 de outubro, a conferência sobre a “Qualidade da Água para Consumo Humano” em que intervirão Manuel M. Oliveira (LNEC), Teresa Leitão (LNEC), Tiago A. Martins (LNEC) Maria José Henriques (LNEC), Ana Ferreira (IPCB/EST) e Teresa Albuquerque (IPCB/EST). No dia 29 de outubro, em debate estará a “Valorização de Resíduos na Construção” com António Roque (LNEC), Cristina Freire (LNEC), Dinis Gardete (IPCB/EST), Francisco Lucas (IPCB/EST) e Rosa Luzia (IPCB/ EST). A quarta conferência (12 de novembro) tem como tema a “Eficiência Energética e Reabilitação de Edifícios” e como palestrantes Armando Pinto (LNEC), Pina dos Santos (LNEC), Ana Ramos (IPCB/EST), Constança Rigueiro (IPCB/EST) e Cristina Calmeiro (IPCB/EST). O ciclo encerrará, dia 26 de novembro, com a conferência “Segurança Laboral nos Trabalhos de Engenharia Civil” que terá como oradores António Baptista (LNEC), João André (LNEC), Arlindo Cabrito (IPCB/EST) e Francisco Lucas (IPCB/EST). K

6 O segundo volume da nova coleção de bolso “Educação em Análise” acaba de ser editado. A obra é da responsabilidade das docentes Maria Natividade Pires, da Escola Superior de Educação de Castelo Branco, e Ângela Balça, da Universidade de Évora. Neste volume, que tem por título “Literatura infantil e juvenil. Formação de leitores”, as autoras tentam “sistematizar a criação na literatura infantil e juvenil portuguesa das últimas décadas e apresentar algumas reflexões teóricas que contribuam para que os educadores, de uma forma geral, se deixem aliciar pelos textos, mobilizando também as crianças e os jovens para os jogos de sedução da literatura, com capacidade de o fazerem de uma forma consciente e criativa e não um processo de alienação”. Maria da Natividade Pires é doutorada em Literatura Portuguesa pela Universidade de Coimbra. É professora coordenadora no Instituto Politécnico de Castelo Branco. Há cerca de vinte anos foi fundadora de uma das primeiras ludotecas ligadas a instituições de ensino, na ESECB. Ângela Balça é professora Auxiliar da Universidade de Évora e doutorada em Ciências da Educação. As áreas de investigação centram-se na Didática do Português, na Literatura Infantil e na Formação de Leitores. É membro do Centro de Investigação em Educação e Psicologia da Universidade de Évora. K Publicidade

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Engenharia Eletrotécnica de Leiria

Estudantes na Europa

6 Os estudantes da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Leiria continuam a ter sucesso em Portugal e no estrangeiro e, prova disso, é a integração de dois estudantes do mestrado em Engenharia Eletrotécnica em duas reconhecidas entidades estrangeiras, para realização de estágios curriculares. Marco Roda integrará o European Organization for Nuclear Research (CERN), em Genebra, na Suíça, realizando estágio de um ano que será contabilizado para a obtenção do grau de mestre, e Andreia Gama integrará, no âmbito do seu estágio curricular, a empresa Inficon, no Liechtenstein. Também os estudantes João Reis e Rodolfo Gomes receberam bolsas de estudo para realizarem programas de doutoramento na Universidade de South Wales, no Reino Unido, iniciando os programas de investigação avançada em breve. Os programas de doutoramento terão a duração de três anos, ficando os dois estudantes alojados no campus de Trefforest, situado cerca de 20 quilómetros

a norte de Cardiff, capital do País de Gales. Luís Neves, coordenador do mestrado em Engenharia Eletrotécnica, está orgulhoso, referindo que “são ótimas notícias para os nossos estudantes, que veem assim o seu trabalho, esforço, empenho e talento reconhecidos. Estas experiências serão, sem dúvida, uma mais-valia na sua vida profissional e pessoal, e estas conquistas atestam mais uma vez a qualidade da oferta formativa do mestrado e também dos estudantes, que cada vez mais procuram o IPLeiria para estudar”. Relativamente aos programas de doutoramento, o docente esclarece que “vêm na sequência da cooperação crescente entre a Universidade de South Wales e o Politécnico de Leiria, que já resultou em vários doutoramentos concluídos, e outros com conclusão prevista para breve. Nestes doutoramentos os nossos estudantes são orientados por professores da Universidade de South Wales e do IPLeiria, facto que atesta bem a reconhecida credibilidade e reputação do corpo docente deste Instituto”. K

Ranking Mundial

Porto em alta 6 O Instituto Politécnico do Porto (IPP) é a única das 23 instituições de ensino superior de Portugal presentes no ranking mundial da Scimago que melhorou a sua posição em todos os indicadores quantitativos e qualitativos Para além de subir 65 posições no ranking, o IPP melhora a posição nos sete indicadores quantitativos e qualitativos, tendo aumentado o número de artigos publicados, a percentagem de artigos com colaboração internacional, o impacto normalizado de citações, a percentagem de publicações em revistas científicas dos primeiros 25% das suas áreas, a taxa de excelência, ou seja, as publicações que estão entre os 10% das mais citadas na sua área, a liderança científica nos Publicidade

artigos e a excelência com liderança nos artigos. Este resultado aparece após três edições do Papre, um programa de apoio à publicação científica de elevada qualidade promovido pelo IPP. O programa foi desenhado para combinar a melhoria quantitativa com a qualitativa. Entre 2010 e 2013 o IPP subiu 159 posições no ranking, mas sobretudo reforçou continuamente os seus indicadores qualitativos. Por isso, o IPP é hoje a segunda instituição de ensino superior portuguesa com valores mais elevados nos itens impacto normalizado de citações e taxa de excelência. Os seus artigos são citados mais 34% do que a média e 15% estão no top 10% dos artigos mais citados nas suas áreas. K

Estudo revela

Leiria vale 171 milhões 6 Um estudo que avalia o impacto do ensino superior politécnico nas regiões onde os institutos politécnicos se inserem conclui que o IPLeiria tem um impacto de 171,7 milhões de euros na região (Leiria, Caldas da Rainha e Peniche), sendo que por cada euro de financiamento do Estado ao IPLeiria, o Instituto gera 8,07 euros de atividade económica. O estudo reporta-se ao ano de

2012, mas permite ter uma ideia da mais-valia do IPLeiria nas três cidades onde tem escolas: Leiria, Caldas da Rainha e Peniche. O estudo, intitulado “Caracterização socioeconómica e análise do impacto económico do Instituto Politécnico de Leiria – ano 2012”, foi realizado pelo Centro de Investigação em Políticas e Sistemas Educativos do IPLeiria no âmbito de um projeto envolvendo vá-

rios politécnicos: Bragança, Viana do Castelo, Viseu, Castelo Branco, Setúbal, Portalegre e Leiria, coordenado por Pedro Oliveira, investigador da Universidade do Porto, e Jorge Cunha, investigador da Universidade do Minho. Os estudos avaliam regionalmente o impacto de cada instituto politécnico, seguindo um critério comum para que possam ser extrapolados para o panorama nacional. K

Pela mão de alunos de Leiria

Uno regressa a Itália 6 Juntar os autógrafos de John Elkan e Sergio Marchionne, vicepresidente e diretor executivo da Fiat, respetivamente, às já 350 assinaturas e dedicatórias que tem, é o objetivo da viagem do Fiat Uno 45S, de nome Leonor, que partiu a 7 de setembro rumo a Itália, depois de completamente recuperado por dois jovens de Leiria: Daniel Branquinho, estudante do segundo ano de Engenharia Automóvel da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Leiria (ESTG/IPLeiria), e João Menino, estudante da Escola Profissional de Leiria. Os estudantes definem o “1Trip2Sign‘13” como “a maior aventura alguma vez vista, viajar mais de 2.000 quilómetros para conseguir duas assinaturas na Fiat mundial, promover o curso de Engenharia Automóvel de Leiria no estrangeiro, levar um Fiat Uno ao limite, conseguir muitas assinaturas de todos os que queiram autografar a Leonor, mostrar que se podem cometer loucuras e partilhar sorrisos em momentos de crise social e económica, e representar Portugal”.

Os jovens partiram da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Leiria, junto ao Edifício de Engenharia Automóvel, na presença de amigos, professores, apoiantes e patrocinadores, rumo a Turim. Com regresso previsto a Leiria no dia 14, a Leonor ficará em exposição na Fonte Luminosa até ao dia 15 de setembro. O carro completou em agosto 25 anos, mas foi há dois que, depois de um acidente e de ser destinado ao abate, Daniel Branquinho o decidiu arranjar. Colocou-lhe o nome de

Leonor, e, por brincadeira, os amigos começaram a assiná-la, estando neste momento toda coberta de assinaturas e dedicatórias. É na Leonor que Daniel Branquinho e João Menino viajam até Itália, cerca de 2.600 quilómetros, com quatro paragens previstas: Madrid, Barcelona, Mónaco e finalmente, Turim, onde deverão chegar dia 12 de setembro. Em Turim, o objetivo é visitar as instalações da sede mundial da Fiat e recolher as duas assinaturas que faltam à Leonor. K

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28º aniversário da ESE de Portalegre

Novos cursos apresentados 6 A Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Portalegre comemorou o seu vigésimo oitavo aniversário, tendo destacado as novas formações daquela unidade orgânica, além da apresentação do novo número da revista Aprender, subordinado ao tema “Literatura Infanto-Juvenil - temas transversais e valores” e do EBook “A Mulher na Literatura e Outras Artes – Comunicações apresentadas no I Congresso Internacional de Cultura Lusófona Contemporânea”. O diretor da ESE, Luís Miguel Cardoso, avaliou o ano letivo 2012/2013 e salientou as novas ofertas formativas. A pós-graduação em Supervisão Pedagógica pretende promover a construção e o desenvolvimento de saberes no campo da supervisão pedagógica

e no desempenho docente em geral. A pós-graduação em Bibliotecas e Promoção da Leitura irá formar docentes, nomeadamente professores bibliotecários, e dar resposta a necessidades formativas na área da promoção da leitura. Finalmente, o CET em Serviço Social e Desenvolvimento Comunitário visa a observação, análise e interpretação de fenómenos e dinâmicas sociais e a compreensão do âmbito de intervenção de um profissional de serviço social. Relativamente ao Ebook, Luís Miguel Cardoso sublinhou que a publicação revisitou o I Congresso Internacional de Cultura Lusófona Contemporânea, organizado pela Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Portalegre, com o apoio da Universidade Federal de Juiz de Fora, e do Centro

de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e trouxe à luz as comunicações apresentadas pelos conferencistas portugueses e estrangeiros, vindos do Brasil, Angola, Nigéria, Itália, Estados Unidos da América e França. A presidente da Câmara de Portalegre, Adelaide Teixeira, evidenciou a importância da ESEP-IPP para a região, tendo, em seguida, o recentemente empossado presidente da Associação de Estudantes mostrado a total disponibilidade da Associação para trabalhar com a direção da Escola. A presidente da Área Científica de Língua e Literatura Portuguesas, Teresa Mendes, apresentou o novo número da revista Aprender. A sessão foi encerrada pelo presidente do Instituto, Joaquim Mourato. K

Protocolo

Leiria e Cabo Verde unidos 6 A Universidade de Santiago, de Cabo Verde, e o Instituto Politécnico de Leiria rubricaram no início de agosto um protocolo para cooperarem em graduação e pósgraduação e fazerem intercâmbio de estudantes e professores. Segundo o reitor da Universidade de Santiago, Gabriel Fernandes, o protocolo de cooperação rubricado com o Instituto Politécnico de Leiria é uma “convergência” de propósitos entre as duas instituições. Gabriel Fernandes defendeu que, com o documento assinado com o Instituto Politécnico de Leiria, está dado o “passo consistente” no reforço dessa relação. “Esse protocolo é um instrumento ao serviço de um projeto voltado para a potenciação das nossas relações, o redimensionamento de algumas ofertas formativas graduadas e pós-graduadas, assim como para a promoção da cultura científica”, referiu. Gabriel Fernandes disse estar convencido de que em pouco tempo as duas instituições de ensino superior terão “ações concretas”

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formação em Portugal

Brasileiro seleciona Tomar 6 O Instituto Politécnico de Tomar foi a escolha para a formação em Arqueologia Subaquática, de Ricardo Guimarães, Capitão Tenente da marinha brasileira e responsável pela fiscalização e autorizações de ações voltadas para os bens arqueológicos e históricos submersos Ricardo Guimarães encontra-se há cerca de um ano em Portugal, a desenvolver a pósgraduação de Arqueologia Subaquática. O curso, que funciona desde 2008, pode ser frequentado à distância, integrando como elemento final de avaliação uma pesquisa científica ou um estágio prático num projeto subaquático. Ao longo dos anos, refere a coordenadora da pós-graduação, Alexandra Figueiredo “o número de estudantes residentes fora de Portugal tem vindo a aumentar, sendo sobretudo procurado por arqueólogos brasileiros que pretendem uma formação especializada na arqueologia subaquática, como é o caso do Ricardo Guimarães”. Para além da maioria dos estudantes estrageiros serem brasileiros, “integraram o curso alunos residentes em Itália, Cuba e Bélgica”, Publicidade

resultante desse protocolo. “Já no início do próximo ano letivo, que começa em setembro, teremos programas de pós-graduação, programas de fomento e de consolidação das atividades de intercâmbio, programa de cooperação, ações essas que terão impactos favoráveis na vida dos profissionais cabo-verdianos”, apontou. Por sua vez, o presidente da Instituto Politécnico de Leiria, Nuno Mangas, classificou o protocolo de “estratégico” e afirmou que irá permitir à sua instituição estar “muito

presente” nos projetos da Universidade de Santiago. “Já identificamos áreas de colaboração ao nível da pós-graduação, da formação contínua, da mobilidade dos estudantes e dos professores, que vão ser as nossas prioridades como desafios”, disse. Na perspetiva de Nuno Mangas, com as “competências” que as duas instituições têm e com a “união de esforços”, as atividades a serem desenvolvidas vão trazer “mais-valia”. K

recorda a coordenadora, “representando quase sempre 50% dos alunos inscritos no curso”. Além das aulas teóricas realizadas, atendendo aos modernos sistemas pedagógicos: o Capitão Tenente Ricardo Guimarães tem tido a oportunidade de participar em projetos de arqueologia subaquática, nomeadamente nos trabalhos de investigação de Tróia I, navio afundado no séc. XIX ao largo de Tróia, e na Gruta do Bacelinho, uma mina de exploração romana extremamente húmida com algumas galerias submersas. Fora das aulas integra ainda a equipa de projetos de estudo e tratamento conservativo de elementos e artefactos de mais de uma dezena de sítios arqueológicos, desenvolvidos pelo laboratório de Arqueologia e Conservação do Património Subaquático (IPT), permitindo-lhe acompanhar de perto diferentes situações metodológicas de conservação de bens arqueológicos provenientes de meio submerso. Com saudades da família e dos amigos, regressa em outubro, após defender a sua tese que lhe permite terminar o curso de pós-graduação. K


IPG reforça cooperação

Guarda abraça Brasil

IPG

Toponímia em fórum 6 O Instituto Politécnico da Guarda realiza, a 30 de outubro, um Fórum sobre Toponímia. Com esta iniciativa o Instituto Politécnico da Guarda (IPG) pretende contribuir para um melhor conhecimento das localidades do distrito, dos valores históricos, culturais, sociais, religiosos e políticos a elas associa-

dos através da toponímia. Os interessados em participar devem efetuar a sua inscrição (gratuita mas obrigatória) até 4 de outubro. Mais informações em http://www.ipg.pt/toponimia/ Os trabalhos vão decorrer no auditório dos serviços centrais do Instituto Politécnico da Guarda. K

6 José Leite, pró-Reitor do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (Natal, Brasil) visitou, recentemente, o Politécnico da Guarda. Em declarações ao nosso jornal, José Yvan Pereira relembrou a cooperação já desenvolvida anteriormente e alguns dos projetos que se perspetivam atualmente. “O Instituto Federal tem uma colaboração com o IPG onde já tivemos estudantes, há alguns anos. Houve, entretanto, um interregno na cooperação entre as duas instituições e agora nós desejamos ampliar e aproximar-nos”. Está prevista, para breve, a deslocação ao Brasil de um docente da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do IPG. “Vamos focar-nos no desenvolvimento de produtos para tablets, observando as questões de história da ciência nesse primeiro momento. Em outubro, dentro do acordo de cooperação, está

prevista a vinda de um estudante brasileiro que vai ficar uns quinze dias no Instituto Politécnico”, afirmou José Yvan Pereira Leite. O Pró-Reitor do Instituto Federal do Rio Grande do Norte destacou a importância dos estabelecimentos de ensino superior no desenvolvimento das regiões

do interior, dando o exemplo do que sucedeu no Brasil. “A partir do governo do presidente Lula da Silva, foi estimulada a interiorização dos institutos federais e das universidades federais, de forma a atender ao desenvolvimento que é aclamado pela juventude e pela sociedade no interior.”. Daí que sustente, também, ser muito importante a vinda de estudantes brasileiros para o interior de Portugal, em especial para a Guarda. “Os nossos estudantes vão aprender com as duas realidades, vão passar a valorizar mais as questões do desenvolvimento do interior. É dessa forma que nós também imaginamos que a ciência, a tecnologia, a inovação devem ser desenvolvidas no interior, porque o interior tem coisas importantíssimas do ponto de vista das pessoas, da cultura, e isso aproxima-nos”, evidenciou José Leite. K

IPG está a monitorizar poluentes químicos

Cidade bioclimática

Tecnologias da saúde

Guarda faz jornadas 6 O Instituto Politécnico da Guarda (IPG) vai promover, no dia 4 de Abril de 2014, naquela cidade, as VII Jornadas Nacionais sobre Tecnologia e Saúde. À semelhança das edições anteriores, estas jornadas pretendem divulgar os mais recentes projetos na área da tecnologia aplicada à saúde e aprofundar o diálogo entre investigadores e profissionais/estruturas de saúde (médicos, enfermeiros, técnicos, profissionais e estudantes

das áreas da saúde e da tecnologia). Incrementar a interação entre ensino superior e as empresas vocacionadas para as áreas subjacentes a este evento é outro dos objetivos das Jornadas, no decorrer das quais vão ser atribuídos os prémios “Melhor Comunicação” e “Melhor Poster”. Os contactos e outras informações estão disponíveis em http://www.ipg.pt/tecnologiasaude2014/ K

6 A monitorização dos poluentes químicos e o seu efeito na produção e na alteração de pólenes é o objetivo de um estudo que está a ser implementado no Politécnico da Guarda. Para Inês Lisboa e Pedro Rodrigues, que estão a desenvolver este trabalho, trata-se de um estudo “da máxima importância para o desenvolvimento de um projeto de cidade bioclimática, o qual faz atualmente parte da política de desenvolvimento da cidade”, argumento reforçado com o facto desta região ter uma das maiores altimetrias de Portugal continental e uma amplitude térmica e um clima de extremos. Para estes dois investigadores, “a criação de uma cidade bioclimática implica não apenas o estudo da incidência dos principais poluentes químicos e biológicos mas também o estudo das consequências da sua presença nos habitantes da região, em particular os mais suscetíveis, como sejam doentes do foro respiratório”. Como nos referiram, o conceito de qualidade do ar está

intimamente relacionado “com as alterações da troposfera decorrentes não apenas das diversas atividades antropogénicas, mas também dos processos naturais que induzem a alteração das concentrações dos constituintes da atmosfera para valores que consideramos indesejáveis e suscetíveis de criar um dano”. Assim, a poluição atmosférica é uma componente relevante na avaliação da qualidade geral do ambiente uma vez que este afeta negativamente os ecossistemas, nomeadamente a fauna e a flora, a saúde pública e também o património edificado. “Os problemas de saúde, frequentemente associados à população que se encontra sob influência de fenómenos de poluição atmosférica, estão centrados em patologias do foro cardiorrespiratório e da alergologia. “O aumento do número de indivíduos da população mundial com manifestações alérgicas é de tal magnitude que esta doença é já considerada um problema de saúde pública”, acrescentam os autores

deste estudo, cujas medições, em curso, deverão estar concluídas no início de 2014. Entre os poluentes mais monitorizados estão o monóxido de carbono, dióxido de azoto, dióxido de enxofre, ozono, partículas finas, metais pesados, pólenes e fungos. Este tipo de poluentes provém principalmente das indústrias, do tráfego automóvel e dos fenómenos de polinização. As grandes cidades contam, em geral, com uma maior concentração de poluentes relativamente às cidades mais pequenas, este facto deve-se não apenas ao tráfego automóvel, mas também às grandes zonas industriais envolventes. Contudo, “a influência dos ventos pode em muitos casos arrastar alguns destes poluentes para zonas menos povoadas, onde os maiores níveis de poluição decorrem não de fenómenos de poluição química mas dos fenómenos de poluição biológica, como, por exemplo, a polinização”, esclareceram Inês Lisboa e Pedro Rodrigues. K

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Pós graduações

Setúbal com renováveis 6 A Escola Superior de Tecnologia de Setúbal do Instituto Politécnico de Setúbal (ESTSetúbal/IPS) disponibiliza, dentro da sua vasta oferta formativa, a pós-graduação em Engenharia Informática e a pós-graduação em Eficiência Energética e Energias Renováveis em Edifícios. As candidaturas para ambas as formações decorrem até dia 11 de outubro 2013 e devem ser realizadas via online no portal da Escola (www.estsetubal.ips.pt ). O curso de pós-graduação em Engenharia Informática pretende dotar os formandos de componentes teóricas e práticas, de forma a aproximá-los da realidade que vão enfrentar em contexto profissional, bem como transmitir competências ao nível dos Sistemas e Tecnologias de Informação, quer do ponto de vista da análise e síntese de processos organizacionais, quer do ponto de vista da engenharia de software em geral e da programação em particular. Destina-se a profissionais que de alguma forma estão relacionados com as tecnologias de informação, que têm de interagir com Engenheiros e/ou Técnicos Informáticos ou para aqueles que não pos-

suem formação em informática e pretendem prosseguir para um mestrado nessa área. Por outro lado, a pós-graduação em Eficiência Energética e Energias Renováveis em Edifícios destina-se a profissionais da área de Engenharia, Arquitetura e Gestão, que pretendem desenvolver e/ou adquirir conhecimentos sobre eficiência energética e energias renováveis aplicadas a edifícios, nomeadamente habitações, edifícios de serviços, hospitais e hotéis, com o principal objetivo de promover

a implementação deste tipo de tecnologias. A primeira edição do curso esteve integrada no projeto europeu “Building and Energy Systems and Technologies in Renewable Energy Sources Update and Linked Training - Best Results” da Executive Agency for Competitiveness and Innovation (EACI). A atual edição é organizada em conjunto pela Escola Superior de Tecnologia de Setúbal do Instituto Politécnico de Setúbal (ESTSetúbal/IPS) e pela Agência para a Energia (ADENE). K

Queijarias amigas do ambiente

Beja com patente 6 As águas residuais de queijarias podem deixar de ser um problema para o meio ambiente devido à patente “Tratamento de Águas Residuais da Indústria de Queijo, Mediante Processos em Série de Precipitação Química, Neutralização Natural e Biodegradação Aeróbia”, que resulta de uma investigação desenvolvida nos laboratórios da Escola Superior Agrária do Politécnico de Beja A patente resultou da tese de doutoramento da antiga aluna da licenciatura de Engenharia do Ambiente, Ana Rita Prazeres, em pareceria com a Universidade da Extremadura, e orientada por Fátima Carvalho, que leciona no Politécnico de Beja. A água residual de queijarias apresenta uma elevada carga orgânica, incluindo alto teor de gorduras e salinidade muito elevadas. A sua composição é muito variável e depende do leite utilizado, da quantidade de soro valorizado, da quantidade de água utilizada na lavagem das tuba014 /// SETEMBRO 2013

GICom - João Domingos H

gens, instalações e equipamentos de fabrico. A quantidade de água residual formada em média ronda os cinco litros por cada litro e leite transformado e tem uma carga poluente até 30 vezes a da água residual doméstica. Atualmente os tratamentos existentes não são eficazes para fazer face a esta elevada carga orgânica, o que representa na maioria das vezes a sua descarga sem tratamento prévio. A investigação que deu origem à patente conduziu a resultados que irão permitir resolver o problema ambiental. Com ape-

nas um reagente, um agitador e o CO2 do ar, é possível transformar as queijarias em Sistemas de Descarga Zero, com produção de dois subprodutos com mais-valias: uma água tratada compatível com a utilização em fertirrega e um corretivo agrícola rico em matéria orgânica, fósforo e azoto. Água Tratada e corretivo agrícola aumentam o valor nutritivo de tomate e alface. Ou pode ainda esta água tratada ser descarregada no meio hídrico uma vez que o tratamento viabiliza a aplicação dos tratamentos biológicos convencionais. K

Superior de Gestão

Tomar Business School

6 A Tomar Business School (TBS), unidade integrada na Escola Superior de Gestão de Tomar (ESGT), em articulação com o Centro de Empreendedorismo e Inovação da ESGT, acaba de ser criada e tem como propósito estimular a criatividade, suscitar a criação de ideias de negócios que possam gerar a criação do auto-emprego e contribuir para o reforço do tecido empresarial da região de Tomar e do país, assente numa oferta em formação pósgraduada para quadros médios e superiores e para a requalificação de licenciados desempregados. Desenvolvida com o objetivo de melhorar a qualidade da gestão, incrementar a eficiência na administração pública, combater o desemprego e criar valor na região através da promoção da criatividade, da inovação e do desenvolvimento, a Tomar Business School vai aliar-se a um conjunto de parceiros empresariais e institucionais que vão permitir criar uma interação entre a competência científica da academia e o kwow-how empresarial tornando-se numa das mais-valias que a escola pretende fomentar na região. Publicidade

Para Conceição Fortunato, diretora da Tomar Business School, “sermos reconhecidos como a principal Escola de Negócios do Médio Tejo, e de referência no contexto nacional, como sendo um dos motores do desenvolvimento económico-social (da região) é um dos pilares que pretendemos alcançar e, para tal é fundamental fortalecermos os laços com os nossos parceiros para que possamos criar sinergias entre a academia e as empresas para a aprendizagem e valorização mútuas de forma que, através desta relação possamos transmitir, a todos aqueles que nos procuram, as soluções mais adequadas para as suas empresas e para os seus negócios”. Dentro do seu plano curricular, a TBS aposta na formação pós-graduada e formação avançada para quadros superiores e médios de empresas, de instituições públicas e privadas sem fins lucrativos, na requalificação de jovens licenciados desempregados e no desenvolvimento de projetos de investigação aplicada e ações de consultoria na área das ciências empresariais. K


Restrições orçamentais no ensino superior

Ministério diz que sim, CCISP diz que não 6 O Ministério da Educação e Ciência deu, no passado dia 3 de setembro, como “ultrapassado, de momento” o problema dos constrangimentos orçamentais no ensino superior, mas os institutos politécnicos contrariaram a posição do Governo, defendendo que estas questões “nunca estão ultrapassadas”. No final de uma reunião que decorreu na Escola Superior Náutica Infante D. Henrique, em Paço de Arcos, Lisboa, e que serviu para discutir a reestruturação do ensino superior e da oferta formativa, o secretário de Estado do Ensino Superior, José Ferreira Gomes, deu como ultrapassadas as questões relacionadas com os constrangimentos orçamentais impostos às instituições do ensino superior. “Creio que está ultrapassado, de momento”, declarou José Ferreira Gomes que, quando questionado sobre a possibilidade de novos cortes no financiamento público, ironizou dizendo que os cortes devem ser deixados para a indústria têxtil. O presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), Joaquim Mourato, no entanto, discordou desta posição, referindo-se à instabilidade

Joaquim Mourato, presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos que marca o dia-a-dia das institui- dida, que daqui a um mês ou dois derão representar um corte de mais ções. temos mais uma cativação. Esta é de 20 milhões de euros. “Estas questões nunca estão a nossa vida, mas temos de saber A aplicação das medidas que ultrapassadas. Sabemos que nun- lidar com ela”, disse. estão a ser preparadas para o próxica estão. Sabemos que agora estão O CCISP alertou, no final de mo Orçamento do Estado (OE) “poassim, que amanhã surge mais al- agosto, para o perigo de haver des- derá significar, para os politécnicos, guma questão difícil, que o Tribunal pedimentos, tendo em conta as um corte total de mais de seis por Constitucional rejeita mais uma me- propostas governamentais que po- cento, ou seja, mais de 20 milhões

de euros”, segundo contas realizadas pelo CCISP. Joaquim Mourato recusou falar em despedimentos, mas admitiu que as soluções de adaptação às reduções orçamentais passam por reduzir custos com pessoal, com muitos contratos a termo a não serem renovados e com mais horas de trabalho dos docentes que permanecem em funções. As questões orçamentais levantaram divergências entre instituições e tutela, com os reitores a anunciarem, no final de agosto, a renúncia à apresentação dos orçamentos para o próximo ano, em protesto contra uma norma da proposta de Orçamento do Estado para 2014 que alegadamente impede receitas superiores às conseguidas em 2012. José Ferreira Gomes veio depois esclarecer que as instituições podem continuar a captar e a utilizar as receitas próprias como têm feito, o que levou o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) a recomendar às universidades que elaborem os orçamentos de acordo com as disposições da tutela, mas a insistir na necessidade de libertar verbas cativadas em 2013 e na reposição do 14.º mês. K

Em substituição dos CET’s

Cursos de curta duração em 2014 6 Os novos cursos superiores de curta duração de cariz mais profissionalizante devem abrir no ano letivo de 2014-2015, com expetativas de acolher cinco mil alunos inicialmente, mas de quadruplicar o número a médio prazo, anunciou, no passado dia 3 de setembro, o Governo. Os novos Cursos Superiores Especializados (CSE), que irão substituir os Cursos de Especialização Tecnológica (CET), deverão ainda implicar uma fase de transição, já no início de 2014, antes de entrarem em funcionamento

pleno no ano letivo de 2014-2015. No final de uma reunião que decorreu na Escola Superior Náutica Infante D. Henrique, em Paço de Arcos, Lisboa, e que serviu para discutir com o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) a reestruturação do ensino superior e da oferta formativa, o secretário de Estado do Ensino Superior, José Ferreira Gomes, declarou que ter 20 mil alunos inscritos nestes cursos a médio prazo seria um “número razoável”. Os CSE, a ser ministrados nos

institutos politécnicos, pretendem ser reconhecidos como formação superior não conferente de grau académico, com um caráter de especialização e profissionalização orientado para uma mais fácil integração no mercado de trabalho. “Estamos a pedir que os politécnicos que têm uma rede em todo o país, que sirvam de plataforma de ligação das escolas com o mundo do trabalho, fazendo a coordenação”, disse José Ferreira Gomes, que manifestou ainda confiança na capacidade de inte-

gração dos alunos com esta formação nas empresas. Os cursos de dois anos deverão dividir-se num período entre um ano a um ano e meio, em contexto de sala de aula, e o restante tempo de curso dedicado a um estágio em empresas. “Estes cursos surgem porque é uma necessidade do país. À semelhança do passado, os politécnicos sempre foram estruturas flexíveis que responderam àquilo que era necessário fazer no momento. E o país neste momento chama-nos a preparar jovens com

uma formação curta e especializada, mas enquadrada no ensino superior”, declarou o presidente do CCISP, Joaquim Mourato. Acrescentou, no entanto, que “ainda há muito para fazer”, para tornar os CSE uma realidade, nomeadamente publicar a legislação que os cria e organiza. Joaquim Mourato manifestou-se ainda confiante na capacidade de os politécnicos assegurarem esta nova oferta com os recursos existentes, e declarou que a eventual necessidade de contratar docentes para os CSE será “pontual”. K

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Em Setúbal

Brasil aprende turismo 6 Um acordo de intercâmbio entre Portugal e Brasil vai trazer alunos de universidades e escolas politécnicas brasileiras para aulas de formação na Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal, da rede de escolas do Turismo de Portugal. O programa vai durar até ao fim de 2014, sendo o primeiro módulo de dois meses, entre 2 de dezembro de 2013 e 31 de janeiro do ano que vem. Esta é a primeira iniciativa do género entre os dois países. A formação irá ajudar à preparação dos profissionais brasileiros para o Mundial2014 e para os Jogos Olímpicos de 2016, segundo o Turismo de Portugal. Um memorando de entendimento para o programa foi assinado pelo secretário de Estado do Turismo português, Adolfo Mesquita Nunes, e pelo ministro brasileiro do Turismo, Gastão Vieira, durante a feira da ABAV (Associação Brasileira de Agências de Viagens), em São Paulo. O programa foi uma proposta de Mesquita Nunes, feita durante

Adolfo Mesquita Nunes, secretário de Estado a cimeira da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), em março, em Maputo. O intercâmbio tem os objetivos de “reforçar o papel de Portugal no panorama turístico internacional não só como destino turístico, mas também como centro de formação de excelência” e “alargar a área de atividade das nossas Escolas de Hotelaria e Turismo,

abrindo espaço para novas áreas de negócio”, informou o secretário, em nota. A seleção e o envio dos estudantes, além do suporte financeiro da formação especializada, o alojamento e a alimentação, ficarão a cargo do Ministério do Turismo brasileiro. O Turismo de Portugal colocará os alunos nos cursos e facilitará a sua permanência no país. Segundo Maria de Lurdes Vale, administradora do Turismo de Portugal, os cursos desenhados “à medida” para a realidade brasileira “são um primeiro passo para uma colaboração futura com outros países que necessitem de obter formação dedicada e certificada em turismo e hotelaria, designadamente na comunidade PALOP [Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa]”. O Turismo de Portugal gere atualmente doze escolas de hotelaria e turismo, e duas em regime de protocolo com as autarquias de Fundão e Mirandela, onde estudam mais de 3.000 alunos por ano. K

Curta duração

Gulbenkian promove estágios para Palops 6 A licenciatura europeia em Atividade Física e Estilos de Vida Saudáveis é o mais recente curso do Politécnico de Santarém, acreditado pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior, tendo como particularidade o facto de ser lecionado em língua inglesa e de contar com a realização de um semestre no estrangeiro, através do programa de mobilidade Erasmus. O curso pretende formar técnicos de exercício físico com as competências necessárias para desenvolver e fornecer produtos profissionais que visam a promoção da saúde dos clientes através da mudança de um conjunto de comportamentos associados ao estilo de vida (e.g. atividade física, hábitos alimentares, tabagismo, consumo de álcool e stress). As competências na atividade física para a saúde, na nutrição e no aconselhamento tornam este profissional habilitado para o

combate às principais causas das doenças crónicas nas sociedades modernas, como por exemplo a obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Esta licenciatura irá funcionar em simultâneo noutros países e instituições de ensino superior europeias (European Bachelor in Physical Activity and Lifestyle), com o propósito de estimular o intercâmbio de estudantes e professores. Por essa razão este profissional especializado nos estilos de vida terá uma orientação internacional e uma atitude empresarial virada para o mercado europeu, já que o processo de reconhecimento das suas competências profissionais estará facilitado por via da atribuição de um diploma de curso em conjunto pelas referidas instituições. A integração no mercado de trabalho será garantida por um regime tutorado de estágio curricular no último semestre do curso. K

Moçambique

Mondlane com states 6 A Escola de Comunicação e Artes (ECA), da Universidade Eduardo Mondlane, acaba de assinar, um contrato de parceria com a USAID (U.S. Agency for International Development), que visa melhorar a qualidade de formação em Jornalismo naquela instituição. A USAID propõe-se a equipar os laboratórios, nomeadamente de radiojornalismo, telejornalismo, jornalismo impresso e multimédia. A parceria é o culminar de um processo que já vem sendo desenvolvido na ECA desde 2005, com a primeira turma. A mesma surge no âmbito do Programa Para o Fortalecimento da Mídia em Moçam-

bique, financiado pelo governo dos Estados Unidos da América através da sua Agência para o Desenvolvimento Internacional e implementado pela IREX Moçambique. No caso da ECA, este programa visa fundamentalmente fortalecer a área de formação. Segundo o director da ECA, Nataniel Ngomane, a parceria abre um grande espaço para as práticas de extensão, o que vai permitir uma interação direta dos estudantes com a comunidade e o mercado. “Este acordo significa um salto em termos de fornecimento de uma formação de qualidade na área de jornalismo. O equipamento vai possibilitar as

práticas de extensão, isto é, o estudante vai poder interagir com a comunidade oferecendo os produtos da sua prática letiva como produtos prontos a serem consumidos pelo mercado”, disse Ngomane. Por sua vez, o diretor da USAID, Alexander Dickie, acredita que o equipamento vai imprimir maior qualidade na formação de estudantes e por conseguinte, por via da boa formação, estes vão ajudar o país a desenvolver. “Acreditamos que a educação é a chave para o desenvolvimento, e esta parceria vai permitir à ECA criar uma nova visão para o desenvolvimento socioeconómico do país”, afirmou. K

Maputo

Escola Portuguesa já em aulas 6 O ano lectivo 2013/2014 já teve início na Escola Portuguesa de Moçambique. Até junho de 2014, mais de milhar e meio de alunos da EPM-CELP, de todos os níveis de ensino, cumprirão mais uma etapa escolar, de muito trabalho, rumo a uma cidadania

plena, responsável, interventiva e criativa. “Aprender, pensar e agir com responsabilidade” é a forçamotriz do Projeto Educativo da EPM-CELP, em torno da qual se estruturarão as aprendizagens científicas e sociais. K

Cartoon: Bruno Janeca H Argumento: Dinis Gardete _

016 /// SETEMBRO 2013


Pleno emprego ao fim de seis meses

Nova SBE em alta 6 Mais de 40% dos estudantes da Nova School of Business and Economics (Nova SBE) seguem carreiras internacionais e encontram trabalho seis meses após terminarem os mestrados. O trabalho desenvolvido pela faculdade é reconhecido pelos estudantes que, cada vez mais, colocam a Nova SBE no primeiro lugar das suas preferências. Este facto permite explicar a média elevada de acesso às licenciaturas que a escola oferece (15.9 em Economia e 16.2 em Gestão, em 2012), bem como a crescente procura pelos mestrados da Nova SBE em Economia, Gestão e Finanças, que conheceram, este ano, um aumento de candidaturas na ordem dos 35%. Para Daniel Traça, diretor-adjunto da Nova School of Business and Economics, a qualidade académica da faculdade, a sua est-

reita relação com as empresas e com o mercado trabalho, a proximidade com a comunidade de 12 000 alumni em todo o mundo, a consequente reputação internacional, confirmada pelas acreditações e pelos resultados nos rankings internacionais, e, por último, o espírito único que os estudantes reconhecem à Nova SBE explicam este sucesso. “Contudo, a grande diferença da nossa escola em Portugal e cada vez mais no estrangeiro - não nos podemos esquecer que 30% dos nossos alunos vêm de outros países -, reside sobretudo na extraordinária qualidade dos nossos estudantes que, não temos dúvidas, saberão liderar, decidir, inovar, adotando uma atitude de insatisfação e de procura por uma constante melhoria que os irá diferenciar ao longo da sua vida profissional e pessoal”, concluiu. K

Politécnico de Castelo Branco

Docente investiga no Equador 6 A docente da Escola Superior de Saúde Dr. Lopes Dias, do Instituto Politécnico de Castelo Branco, acaba de partir para o Equador, onde vai desenvolver um projeto de investigação na área da nutrição. A aposta, a título pessoal, faz parte de um projeto para avaliar os problemas de nutrição na cidade de Cuenca. Céu Martins explica que o projeto pretende fazer o diagnóstico alimentar da população que frequenta as cantinas sociais em Cuenca. O projeto faz parte do Programa Pometeo e tem o apoio da Secretaria Nacional de Educação Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação do Equador. A docente do IPCB explica que solicitou uma autorização ao Politécnico para desenvolver este estudo, uma vez que se trata de um projeto pessoal.

“Esta é uma área que me diz muito. O doutoramento foi nesta área”, explica. Esta é a primeira vez que Céu Martins vai estar no Equador. Uma estadia quer durará 11 me-

ses, e onde a docente irá trabalhar com outros investigadores internacionais. “O estudo vai incidir sobre a população adulta que beneficia dos refeitórios sociais dessa cidade”. K

Escola pública versus privada

Sai um cheque ensino?

Estudo do Minho comprova

Pequeno-almoço decisivo 6 Uma investigação do Instituto de Educação da Universidade do Minho revela que os alunos que não tomam o pequeno-almoço em casa são obesos. O estudo assentou em duas dezenas de jovens do 10º e 11º anos do concelho de Guimarães. Os resultados demonstram também que aqueles que só tomam o pequeno-almoço na escola, e muitas vezes tardiamente, após a primeira aula, sofrem de excesso de peso. “Trata-se da refeição mais importante do dia, por isso também é indicadora do peso a mais. Após várias horas de sono, é essencial para fornecer os nutrientes necessários à atividade quotidiana”, explica Beatriz Pereira, professora catedrática e diretora do Departamento de Teoria da Educação e Educação Artística e Física. “É importante que os pais acordem os filhos mais cedo para que estes tenham tempo para tomar o pequeno-almoço com calma. A criança não deve sair de casa a comer

o pão porque está atrasada”, realça. À medida que cresce, o adolescente toma cada vez menos o pequenoalmoço no domicílio. “Não é uma refeição valorizada”, insiste a investigadora, para acrescentar: “A maioria tende a adiá-la para mais tarde durante a manhã”. Este adiamento deve-se ao facto de eles “acordarem demasiado tarde, ficando sem tempo para o fazer”. Por outro lado, ingerir o pequeno-almoço na escola é visto pelos mais novos como sendo “uma prática fixe e bem aceite pelos pares”. Nesse sentido, “são necessárias campanhas de sensibilização para a toma do pequeno-almoço e para uma maior atenção às características dos alimentos matinais sugeridos na escola. Se possível, deve ser indicado um menu próprio a preço especial, para incentivar os alunos a tomá-lo às 8h15, mal chegam ao estabelecimento de ensino”, conclui a coordenadora deste projeto de investigação. K

6 O secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, João Grancho, reafirmou, em reunião com a Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) a aposta na liberdade de escolha das famílias, quanto às escolas dos filhos, e não excluiu a hipótese de ela se materializar no “cheque ensino”. Ainda que tenha afirmado que a liberdade de escolha “não se traduz necessariamente no cheque-ensino”, a hipótese não ficou excluída. O governante não adiantou, no entanto, qualquer pormenor em relação à forma como o Estado vai apoiar financeiramente essa liberdade de escolha das famílias. Recorde-se que o ministro da Educação, Nuno Crato, anunciou que o Conselho de Ministros aprovou o novo Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo, que estabelece princípios para promover a liberdade de escolha entre as escolas públicas e as privadas.

Nuno Crato explicou que este estatuto “ainda não é um diploma regulador”, mas “institui princípios a partir dos quais vão ser estabelecidos (...) regulamentos e portarias que vão concretizar estes princípios ao longo deste ano”. O ministro reforçou ainda que “a decisão é da família e não do Estado”, e sublinhou que “a liberdade causa sempre polémica”,

quando questionado sobre se estava preparado para as críticas. Nuno Crato afirmou também que o diploma aprovado em Conselho de Ministros “contribui para recentrar o papel da responsabilidade central da educação nas famílias, chama à intervenção a sociedade civil, abandona a preponderância absoluta do papel do Estado e promove a autonomia e a descentralização”. O governante explicou ainda que, com o novo estatuto, “o Estado não se restringe a apoiar turmas, como existe neste momento com os contratos de associação, mas também apoia alunos, o que abre um caminho mais direto a uma liberdade de escolha e a uma concorrência entre escolas e entre sistemas”, público e privado. O ministro garantiu que “a escola pública fica defendida” e “é promovida uma maior autonomia”. K

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SETEMBRO 2013 /// 017


Edições rvj-editores Da autoria de Sanches Pires

Capeias da Raia em livro

6 José Manuel Sanches Pires apresentou, no passado dia 3 de agosto, o seu último livro: Lageosa da Raia e as suas capeias – muitos anos de histórias e emoções, naquela localidade raiana. Com o pseudónimo de Zé Manel Patana, o autor explica ao Ensino Magazine que “o livro pretende visar, de forma particular, as capeias da minha aldeia natal. Se, numa primeira parte, os assuntos podem ser extensivos a outras aldeias da raia e ser coincidentes com outras publicações, já os conteúdos da segunda parte são exclusivos da Lageosa”. O livro tem prefácio do presidente da Câmara do Sabugal, António Robalo, e está dividido em vários capítulos, a saber: “As origens; Os Mordomos; O Madeiro; O Forcão; O Tamborileiro; Capinhas; O Encerro; O Boi da Prova; O Pedir da Praça; A Capeia; O Desencerro; e Mordomos e factos ao longo dos anos”. José Manuel Sanches Pires recorda que “numa primeira parte é feita uma abordagem das capeias, nas suas diversas ver-

Escola

tentes, desde as origens até ao desencerro, passando por outras particularidades”. Já na segunda parte, intitulada “mordomos e factos ao longo dos anos”, serão descritas, de forma sintética, as capeias que ocorreram desde 1952 até à atualidade. O autor recorda que “não havendo documentos de consulta, não foi tarefa fácil atingir os objetivos ambicionados. Obter os elementos necessários à descrição

individualizada da capeia de cada ano foi difícil, só conseguido à custa de persistente busca de testemunhos pessoais - e estes são tanto mais raros quanto mais longínquos no tempo”. No entender do autor, este trabalho, editado pela RVJ – Editores, “é o público testemunho de seis décadas de histórias e emoções vividas nas nossas capeias, as capeias da Lageosa da Raia”. K

da autoria de camila lourenço

“Uma parte de nós” 6 A jovem de 17 anos, Camila Lourenço, apresentou, no passado sábado em Oleiros, o seu primeiro livro “Uma parte de nós”. Com a chancela da RVJ – Editores, e com ilustração de José Bernardo Lourenço, o livro relata uma situação real por que a própria Camila Lourenço passou quando era criança. A obra conta com o apoio do Município de Oleiros e é dedicada a um tio da autora que já faleceu, pretendendo dar um testemunho real sobre vivências familiares marcantes. A apresentação do livro esteve a cargo da docente Manuela Marques. A autora, oleirense de corpo e alma, frequenta o curso de Ciências e Tecnologias da Escola Secundária Padre António de Andrade, em Oleiros e diz-se “uma amante da vida e uma espetadora atenta do mundo”. Na apresentação do livro o

auditório da Casa da Cultura foi pequeno para acolher os amigos. José Marques, presidente da Câmara, destacou o significado da obra, enquanto que João Carrega, da RVJ – Editores (e em mensagem enviada por escrito e lida na cerimónia), sublinhou a cora-

gem da autora: “Camila Lourenço, apesar dos seus 17 anos, coloca sentido nas palavras dos seus textos. A história de coragem é nos relatada de uma forma em que não conseguimos parar de ler. De uma forma emocionada, mas racional”.K

www.ensino.eu 018 /// SETEMBRO 2013

6 Se for residir para outro país da UE e tiver filhos em idade escolar, é útil saber as possibilidades de escolha de uma escola nesse país. Como são as escolas no seu novo país de residência? Existem condições especiais para inscrever os seus filhos, enquanto cidadãos estrangeiros? Como farão eles para acompanhar as aulas numa língua que (ainda) não falam? Enquanto cidadãos da UE, os seus filhos têm o direito de frequentar uma escola em qualquer país da UE nas mesmas condições que os cidadãos nacionais. Têm o direito de ser inseridos numa turma de alunos da mesma idade e de nível equivalente à que frequentavam no país de origem, independentemente dos seus conhecimentos linguísticos. Nos termos da legislação europeia, os filhos dos cidadãos da UE que, por motivos profissionais, se instalam noutro país

da UE têm direito a aulas gratuitas para aprenderem a língua desse país, de forma a facilitar a adaptação ao novo sistema de ensino. Tenha em conta que o sistema de ensino do novo país de residência pode ser muito diferente daquele a que está habituado. Em certos países, opta-se muito cedo entre o ensino geral e o ensino técnico. Por esse motivo, não existe um reconhecimento automático dos certificados de habilitações do ensino secundário a nível da UE. Em alguns países, antes de poder inscrever os seus filhos numa escola local, deve solicitar à entidade nacional competente o reconhecimento dos respetivos certificados de habilitações. Qualquer dúvida acerca deste e outros assuntos europeus, pode contatar-nos através do telefone 272347126 ou do e-mail europedirect-bis@adraces.pt. K

Programa Erasmus 6 Se é estudante do Ensino Superior, poderá efetuar uma parte dos estudos ou fazer um estágio numa empresa no estrangeiro no âmbito do programa Erasmus. Se participar no programa Erasmus: • fica isento das despesas de inscrição ou das propinas da universidade/politécnico de acolhimento. • a parte dos estudos que fizer no estrangeiro fará parte integrante da sua licenciatura. • terá direito a uma bolsa de estudos da UE para ajudar a cobrir as despesas de viagem e de estadia. A sua universidade/politécnico deve reconhecer o período de estudos no estrangeiro para efeitos de obtenção da licenciatura, desde que tenha completado o programa de estudos previamente acordado. No âmbito do programa Erasmus Mundus, pode inscrever-se num curso de pós-graduação proposto conjuntamente por

universidades/politécnicos de vários países da UE e, em certos casos, de países terceiros. Após um período de estudos ou um trabalho de investigação em, pelo menos, dois países, obterá um diploma conjunto, duplo ou múltiplo. As bolsas de estudo Erasmus Mundus são concedidas a estudantes europeus e não europeus. Interessado? Consulte-nos para ficar a conhecer os cursos de mestrado e de doutoramento propostos no âmbito do programa Erasmus Mundus. É provável que a sua universidade/politécnico participe noutros programas de intercâmbio internacionais. Poderá obter mais informações sobre o programa Erasmus e outras possibilidades de intercâmbio junto do serviço de relações internacionais da sua universidade/ politécnico. Qualquer dúvida acerca deste e outros assuntos europeus, pode contatar-nos através do telefone 272347126 ou do e-mail europedirect-bis@adraces.pt K


Cávado e Ave

Erasmus aprendem português 6 O Politécnico do Cávado e Ave, em Barcelos, iniciou a 1 de setembro, um Curso Intensivo de Línguas Erasmus - Língua Portuguesa, frequentado por cerca de 30 alunos europeus que se preparam para estudar em instituições nacionais de ensino superior já este ano letivo. O curso, que se prolonga até 15 de setembro, tem uma forte componente prática, proporcionando aulas em contexto real, designadamente a realização de compras na feira semanal de Barcelos, viagens em transportes públicos e idas a cafés e restaurantes. Com um total de 96 horas de formação intensiva, divididas em contexto real, de sala de aulas e de laboratório, o curso tem ainda uma forte componente cultural, tendo em vista proporcionar a estes estudantes estrangeiros um importante conhecimento acerca do modo de vida dos Portugueses. K

Ensino Superior

Segunda fase até dia 20 6 As candidaturas à segunda fase de acesso ao Ensino Superior está a decorrer até ao próximo dia 20 de setembro, depois de na primeira fase terem sido colocados mais de 90 por cento dos alunos. Em 40.419 alunos, 37.415 estão já colocados e em 60 por cento dos casos no curso desejado, de acordo com os dados revelados pela Direção-Geral do Ensino Superior. Das 51.461 vagas postas a concurso, sobraram este ano 14.176, mais 1.870 do que em 2012, ano em que havia disponíveis 52.298 lugares. Na primeira fase do concurso nacional de acesso ao Ensino Superior 66 cursos ficaram sem qualquer aluno colocado, quase todos a funcionar em institutos politécnicos e na área das engenharias. Catorze cursos superiores públicos registaram a entrada de alunos com a nota mínima permitida – 9,5 valores – enquanto o curso de Medicina da Universidade do Porto teve a média mais alta - 18,1 valores. A Universidade do Porto continuou a ser a instituição de Ensino

Superior público mais procurada pelos candidatos a uma licenciatura, com as candidaturas em primeira opção a superarem em 66 por cento a oferta. As profissões da educação foram este ano menos atrativas

para os candidatos a um lugar no Ensino Superior, com menos 300 alunos do que em 2012 a manifestar como primeira preferência a entrada num curso desta área. Segundo os dados divulgados durante o fim de semana, 93 por

cento dos candidatos conseguiu colocação na primeira fase do concurso nacional, um registo superior ao de 2012, ano em que 90 por cento dos alunos conseguiu ocupar uma das vagas a concurso. K

CRÓNICA

Cartas desde la ilusión 7 Querido amigo: Permíteme, ante todo, que comience hoy mi carta recordando las últimas líneas de mi misiva anterior, en la que decía: “Es necesario ya un cambio de orientación que nos permita dejar de estar centrados en los contenidos y en los libros de texto para fijarnos y mantener nuestro interés, por encima de todo, en las personas. Pero esto, ¡sin demagogia!”. Ahora bien, el cambio en educación, aunque parezca contradictorio, debe producirse de una manera programada, mediante una planificación adecuada. Es cierto que una de las características esenciales del cambio es la imprevisibilidad, sobre todo en los sistemas de funcionamiento en los que intervienen las personas humanas. Es evidente que no somos robots ni funcionamos como tales, porque uno de nuestros atributos esenciales, como personas humanas, es nuestra subjetividad y, por consiguiente, nuestra imprevisibilidad. En definitiva, las personas humanas somos cambio.

Pero nuestro problema como educadores es que los sistemas educativos de las personas (que deberían ser sinónimos de “sistemas educativos del cambio”) se asientan sobre la seguridad, la previsibilidad, la planificación de las rutinas y el manejo de los miedos irracionales a lo desconocido (confundido con lo imprevisible). Son, como sabemos, sistemas educativos perfectamente “racionales”, donde lo menos deseable es que suceda algo imprevisto, porque no se nos ha formado para afrontar las situaciones de aparente “caos”. Así, pues, si queremos “matar” la escuela, como reflexionábamos unas semanas atrás, lo primero que deberíamos hacer es asumir esta institución como “la institución del cambio”, en la que el cambio esté institucionalizado. Sé que parece contradictorio, pero creo que es lo que reclama la sociedad. Vivimos en un mundo, creo yo, excesivamente rutinario, marcado por las rutinas que promueven los sistemas macro-económicos globalizados de nuestro planeta. Tan

es así, que asistimos de manera rutinaria a problemas y desastres humanitarios en distintos (y sucesivos) países que parecen producirse de manera rutinaria: a la postre, todo está previsto, todo está calculado… y, cuando, por lo que fuere, aparece el fantasma del cambio, la reacción es atroz, en muchas ocasiones. Si queremos una “institución del cambio”, comencemos por programar el cambio, abandonando las estériles programaciones tradicionales de contenidos, actividades, objetivos, etc. El cambio programado tiene que mostrar una dimensión estratégica y una dinámica que responda a un conjunto de estrategias, por encima de los recursos materiales, temporales e, incluso, me atrevería a decir, personales. Pero, como sabemos, toda estrategia contiene, a su vez, una perspectiva de futuro. Si nos movemos en el mundo de las estrategias educativas, podremos comenzar a pensar que estamos dando respuesta a las auténticas exigencias de futuro de nuestros sistemas educativos.

Otra característica fundamental de la dinámica estratégica es su vinculación con las personas, que son las que toman las decisiones, por encima de la realidad material. La estrategia nace de la persona, se dirige a las personas y trata de conseguir un vínculo cognitivo-emocional entre las personas. La estrategia cristaliza en un comportamiento (o en una serie de comportamientos), pero se enraíza en los aspectos más decisivos de la personalidad humana, como son su sistema cognitivo y su sistema emocional. Aquí aparece, de nuevo, el problema de siempre, al que, como educadores, hemos tenido mucho miedo: la emocionalidad humana. La dificultad –reconozcámoslo– es nuestra (in)capacidad de gestionar la emocionalidad. Y, si resulta tan difícil gestionar la propia emocionalidad, ¿cómo conseguiremos gestionar la emocionalidad de un conjunto de alumnos, cuyas características no conocemos y para lo que no estamos preparados? Estamos ante un auténtico “nudo gordiano” que tenemos

que desatar. ¿Seremos capaces de programar/gestionar la emocionalidad (la nuestra propia y la de nuestros alumnos)? ¿Existen posibilidades? Yo creo que sí, aunque tendremos que renunciar, para ello, a nuestros sistemas de seguridad personal (rutinas, rutinas, rutinas…), y a nuestra desconfianza en nosotros mismos y en los demás. Seguiremos reflexionando sobre esto en próximos contactos. Hasta la próxima, como siempre, salud y felicidad. K Juan A. Castro Posada _ juancastrop@gmail.com

www.ensino.eu SETEMBRO 2013 /// 019


crónica salamanca

Loci et imagines. 800 años de patrimonio de la Universidad de Salamanca 6 La Universidad de Salamanca va a cumplir en el año 2018 no sólo ocho u ochenta años (fechas de creación y vida activa que acogen a la gran mayoría de las universidades del mundo hoy vivas), sino 800 años, ocho siglos, algo reservado a muy pocas (Bolonia, Paris, Oxford, junto con Salamanca). La Universidad de Salamanca es creada a principios del siglo XIII por el rey Alfonso IX, en una ciudad, <<un lugar de buenos aires, abundante pan y vino y condiciones para el estudio>>, que por entonces pertenecía al reino de León, Este establecimiento docente, entonces denominado ESTUDIO, sirvió con lealtad a la monarquía, a la iglesia, y a la sociedad formando desde el inicio en le Edad Media a los mejores juristas, médicos, teólogos, y años y siglos más tarde a profesionales y científicos de todas clases. El prestigio que tuvo durante siglos la Universidad de Salamanca, y que mantiene en muchos de sus estudios, en docencia, investigación y proyección cultural internacional es hoy algo incuestionable y reconocido. Todas las instituciones, también las educativas, y desde luego las universidades, al paso de años o siglos, van dejando a los herederos y continuadores un legado de vestigios materiales, artísticos, arquitectónicos, didácticos, bibliotecas, hemerotecas, recursos de laboratorio o anatomía, tapices, pinturas, esculturas, retablos, frescos murales que han sido utilizados en un momento de su historia, por intereses o razones científicas o didácticas, ornamentales o de representación simbólica del poder. La universidad de Salamanca, en la medida que fue una institución docente poPublicidade

derosa, fue generando una rica herencia, un notable patrimonio material visible, además del más invisible, diluido y no menos influyente patrimonio de la memoria colectiva y la tradición oral. Y lo que es tan importante como lo anterior, ha sabido conservarlo y enriucerlo hasta nuestros días. Considerando que la riqueza de este patrimonio universitario salmantino debía difundirse al ciudadano, a los miembros de la comunidad universitaria y al investigador, la Universidad de Salamanca (y en particular la Oficina del VIII Centenario dirigida por la mano sabia y el activo ingenio del catedrático Manuel Carlos Palomeque) ha organizado una magnífica exposición patrimonial en diferentes edificios históricos de nuestra Universidad: Edificio de Escuelas Mayores, Edificio de Escuelas Menores, el Cielo de Salamanca y Hospedería del Colegio Mayor Fonseca, lugares que ya en sí mismos son un museo difícilmente igualable. La muestra de los ricos elementos patrimoniales y documentales de la Universidad de Salamanca permanece abierta desde comienzos del mes de julio hasta mediados del mes de diciembre. “Loci et imagines. Lugares e imágenes” es una perfecta expresión de la simbiosis del patrimonio histórico educativo representado en edificios civiles extraordinarios de la etapa renacentista de la Universidad de Salamanca, pero también en instrumentales didácticos, en la belleza de su biblioteca histórica (manuscritos, incunables, abundantes, valiosísimos y curiosos impresos aparecidos y utilizados desde el siglo XV hasta nuestro días), en las secuencias de pinturas de todos y cada

uno de los máximos exponentes de la monarquía española, en la formidable colección de tapices de Flandes de los siglos XVIXVII, pero también de retablos, esculturas, riquísima colección cartográfica relacionada con la conquista y la colonización de América, colecciones de fotografía, documentos diversos procedentes del archivo universitario más rico y mejor organizado del mundo, diferentes materiales de uso litúrgico en la capilla de San Jerónimo, valiosas litografías, planos y proyectos de reforma espacial de la Universidad de Salamanca, y no seguimos enumerando. La muestra se cierra temporalmente en los finales del siglo XIX, con buen criterio, porque la amplitud y riqueza de elementos generados con posteridad por la vida cotidiana, docente y científica de los universitarios salmantinos son suficientes para otra exposición equivalente para la historia del pasado próximo y el tiempo presente (léase rica hemeroteca, nuevas colecciones, maquetas de escala de nuevos edificios para el barrio universitario, materiales audiovisuales, colecciones fotográficas, elementos de variados mecenazgos, y muchos más recursos didácticos y artísticos). Aunque los espacios, los lugares y las imágenes que componen esta exposición sobre los vestigios del patrimonio de la Universidad de Salamanca hablan por sí mismos, e interpelan, emocionan y a veces subyugan al visitante, los responsables del evento han elaborado y editado un magnífico catálogo, generoso en páginas y elementos icónicos, que ayuda a seguir bien el recorrido multilocalizado, y que con seguridad va a permanecer como un

Publicação Periódica nº 121611 Dep. Legal nº 120847/98 Redacção, Edição, Administração Av. do Brasil, 4 R/C Apartado 262 Telef./Fax: 272324645 6000-909 Castelo Branco www.ensino.eu ensino@rvj.pt Director Fundador João Ruivo ruivo@rvj.pt Director João Carrega carrega@rvj.pt Editor Vitor Tomé vitor@rvj.pt Editor Gráfico Rui Rodrigues ruimiguel@rvj.pt

elemento deseado de colección y de objeto de estudio para los especialistas e interesados en el estudio de la historia de la universidad y de la educación. Pero un ciudadano de a pié con algunos elementos de cultura puede disfrutar igualmente de esta joya bibliográfica y documental en que se convierte la muestra. No sólo ha sido pensada esta exposición para especialistas, sino para universitarios y ciudadanos en general. El patrimonio histórico educativo, en cualquiera de sus expresiones, y ésta es desde luego una de las más cualificadas que se pueda visitar, es una invitación al estudio de sus ricos matices, al disfrute de su belleza, a valorar la importancia social, científica y económica, y al peso que los vestigios materiales del pasado educativo debe desempeñar en sociedades como las nuestras, depositarias de notables patrimonios. Salamanca y su universidad continúan siendo un reclamo y una visita obligada para el ciudadano de nuestro tiempo, y en particular para el especialista en historia de la universidad, de la educación y del patrimonio histórico educativo.K José Maria Hernández Díaz_ Universidad de Salamanca jmhd@usal.es

Serviço Reconquista: Agostinho Dias, Vitor Serra, Júlio Cruz, Cristina Mota Saraiva, Artur Jorge, José Furtado e Lídia Barata Serviço Rádio Condestável: António Reis, José Carlos Reis, Luís Biscaia, Carlos Ribeiro, Manuel Fernandes e Hugo Rafael. Guarda: Rui Agostinho Covilhã: Marisa Ribeiro Viseu: Luis Costa/Cecília Matos Portalegre: Maria Batista Évora: Noémi Marujo noemi@rvj.pt Lisboa: Jorge Azevedo jorge@rvj.pt Nuno Dias da Silva Paris: António Natário Amsterdão: Marco van Eijk Edição RVJ - Editores, Lda. Jornal Reconquista Grafismo Rui Salgueiro | RVJ - Editores, Lda. Secretariado Eugénia Sousa Francisco Carrega Rogério Ribeiro Relações Públicas Carine Pires carine@rvj.pt Colaboradores: Albertino Duarte, Alice Vieira, Antonieta Garcia, António Faustino, António Trigueiros, António Realinho, Ana Castel Branco, Ana Caramona, Ana Rita Garcia, Belo Gomes, Carlos Correia, Carlos Semedo, Cecília Maia Rocha, Cristina Ribeiro, Daniel Trigueiros, Dinis Gardete, Deolinda Alberto, Elsa Ligeiro, Ernesto Candeias Martins, Fernando Raposo, Florinda Baptista, Francisco Abreu, Graça Fernandes, Helena Menezes, Helena Mesquita, Joana Mota (grafismo), Joaquim Cardoso Dias, Joaquim Serrasqueiro, Joaquim Bonifácio, Joaquim Moreira, João Camilo, João Gonçalves, João Pedro Luz, João Pires, João de Sousa Teixeira, João Vasco (fotografia), Joaquim Fernandes, Jorge Almeida, Jorge Fraqueiro, Jorge Oliveira, José Felgueiras, José Carlos Moura, José Pires, José Pedro Reis, Janeca (cartoon), José Rafael, Luís Costa, Luis Lourenço, Luis Dinis da Rosa, Luis Souta, Miguel Magalhães, Miguel Resende, Maria João Leitão, Maria João Guardado Moreira, Natividade Pires, Nuno Almeida Santos, Pedro Faustino, Ricardo Nunes, Rui Salgueiro, Rute Felgueiras,Sandra Nascimento (grafismo), Sérgio Pereira, Susana Rodrigues (U. Évora) e Valter Lemos Contabilidade: Mário Rui Dias Propriedade: RVJ - Editores Lda. NIF: 503932043 Gerência: João Carrega, Vitor Tomé e Rui Rodrigues (accionistas com mais de 10% do Capital Social) Clube de Amigos/Assinantes: 15 Euros/ Ano Empresa Jornalistica n.º221610 Av. do Brasil, 4 r/c Castelo Branco Email: rvj@rvj.pt Tiragem: 20.000 exemplares Impressão: Jornal Reconquista - Zona Industrial - 6000 Castelo Branco

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Editorial

Nuno, o Incrato 7 As variáveis de presságio do ministro Nuno Incrato faziam prever o que iria suceder. Para tal bastava ter lido a sua mediana obra, publicada vai para uma meia dúzia de anos, que dá pelo nome - O “Eduquês” em Discurso Directo: Uma Crítica da Pedagogia Romântica e Construtivista. Obra cheia de vulgaridades e lugares comuns, onde Nuno Incrato se esforça por demonstrar que não percebeu uma só linha dos resultados da investigação em educação das últimas três décadas. Com uma mente condicionada, em regime de exclusividade, à racionalidade matemática, não nos admira que confunda, sistematicamente, números com pessoas, orçamentos com estratégias educativas, poupança com reorganização escolar… A cinzenta equipa de secretários de estado, que o acompanham na concepção e execução destas políticas educativas (?) também não ajuda à missa. Mas a esse assunto voltaremos em momento próprio. Victor Hugo afirmava que por cada porta de uma escola que se abria, havia uma porta de uma prisão que se fechava. Nuno Incrato não leu, ou não percebeu esta forte metáfora. Por isso prefere continuar a brincar ao faz de conta, deixando milhares de

profissionais da educação no desemprego, ou sem serviço lectivo, num país que culturalmente tem ainda que saltar muitas etapas para atingir a mediania dos países que agora nos emprestam o dinheiro que ele gasta e tutelam (mandam) o nosso país, de soberania já limitada. Por aqui, o despedimento de milhares de professores, provocado artificialmente por meras medidas administrativas que põem em causa a qualidade do ensino, da aprendizagem e o futuro da escola pública, é encarado como sendo uma medida de arrepiante normalidade. Mesmo por alguns jornalistas, que andaram na escola, e a ela devem a sua profissão. Por isso, reafirmamos que o despedimento, ou colocação na inactividade, de milhares de profissionais qualificados, experientes, e de dádiva diária, (no grupo socioprofissional europeu em que há mais casais no exercício da mesma profissão), constitui um grave atentado aos nossos princípios constitucionais e aos compromissos que assumimos com os nossos parceiros europeus, no sentido da construção de um espaço comum de educação e cultura. Por aqui, este inqualificável desperdício de quadros qualifica-

dos, faz de conta que foi considerada uma mera medida de ajuste do sistema educativo. Faz de conta que essa medida foi sustentada em qualquer relatório de uma qualquer comissão de avaliação externa, independente e credível… Faz de conta que, pelo contrário, a OCDE não divulgou que o número de alunos no básico e secundário tinham aumentado em Portugal em mais 70 mil. Faz de conta que a EU não nos obriga a aumentar para 40% o número de diplomados no ensino superior, entre os 30 e os 34 anos, até 2020. Por isso mesmo, faz de conta que não vivemos num país em que inúmeros pais dos nossos alunos ainda têm menos habilitações académicas do que os seus filhos. Faz de conta, ainda, que já não há alunos com avós analfabetos. Faz de conta que não se reduziram as actividades, os currículos e horas curriculares nas escolas, para provocar fictícios excedentes de professores e de educadores. Faz de conta que, actualmente, os professores não fazem um pouco de tudo, menos o que deveriam (e sabem) fazer: isto é, ensinar, educar, orientar e promover o desenvolvimento dos seus alunos. Faz de conta que não há estudantes com fome nas aulas, e que o ensino já é tão gratuito

que ainda querem que ainda seja mais bem pago. Faz de conta que os professores podem (devem?) ficar em casa, desocupados, num país onde ainda falta muita escola, cultura, aprendizagem da cidadania e, sobretudo, apoio a alunos com necessidades educativas especiais e a grupos socioculturais altamente carenciados e diferenciados. Faz de conta que o ministro não tem os corredores do seu ministério apinhados de assessores de duvidosa proveniência e que não é imune aos grupos de pressão, sobretudo os que tentam repartir o bolo entre o público e o privado. Faz de conta que os rankings das escolas traduzem a real e verdadeira situação dessas organizações educativas, na sua globalidade. Faz de conta que não temos uma das redes europeias mais pequenas de ensino superior público e que os ditos mega agrupamentos não se baseiam em medidas de caracter exclusivamente orçamental. Faz de conta que os professores não têm que fazer centenas de horas extraordinárias não remuneradas, e adicionalmente, tenham que pagar os transportes para se deslocarem, diariamente, para o seu local de trabalho, ao contrário de outros grupos socioprofissionais do Estado.

Faz de conta que os docentes nunca souberam o que significava a expressão mobilidade geográfica e profissional e que Portugal não está a custear a formação dos seus jovens para que outros países os acolham, já formados, e sem qualquer custo adicional. Não queremos uma escola pública que seja de baixa qualidade. Queremos uma escola que seja exigente na valorização do conhecimento, e promotora da autonomia pessoal. Uma escola pública, laica e gratuita, que não desista de uma forte cultura de motivação e de realização de todos os membros da comunidade escolar. Uma escola pública que reconheça que os seus alunos são também o seu primeiro compromisso, que seja lugar de democracia, dentro e fora da sala de aula, que se revele enquanto espaço de aprendizagem, e que se envolva no debate, para reflectir e participar no complexo mundo em que hoje vivemos. K João Ruivo _ ruivo@rvj.pt Este texto não segue o novo Acordo Ortográfico _

primeira coluna

Ensino superior, fator de coesão 7 Os resultados da 1ª fase de acesso ao ensino superior evidenciaram que a quebra de natalidade verificada nas últimas duas décadas em Portugal, a qual já tinha feito estragos nos ensino básico e secundário, deu sinais claros que é necessário intervir no setor. Mas demonstraram também outro aspeto: a falta de intervenção da tutela em criar condições de equidade e de coesão territorial junto e a partir das instituições de ensino superior. Quando referimos a necessária intervenção, focamo-nos por exemplo no reforço de medidas que levem mais jovens a concluírem o ensino secundário em Portugal. O nosso país está

muito longe de atingir os níveis de escolaridade e de diplomados exigidos pela comunidade internacional. Precisamos de mais licenciados, mestres e doutores. A coesão territorial que o ensino superior pode trazer (e tem o conseguido) deve ser mais reforçada. É comum anunciar-se, em tempo de crise económica e de valores (Portugal também começa a viver uma crise valores, veja-se como se olha para a Constituição do nosso país) o encerramento de serviços, instituições e entidades. Nesta fase, em que, habilmente, a população acaba por ser manipulada na tentativa de

“... a população acaba por ser manipulada na tentativa de lhe demonstrar que esse é o caminho da salvação, a dita liquidação acaba por ser aceite”. lhe demonstrar que esse é o caminho da salvação, a dita liquidação acaba por ser aceite. Mas Portugal não pode, nem deve ir por esse caminho. Tudo aquilo que significar o encerramento de instituições, significa uma perda. Para as populações, mas acima de tudo para

o país. Os interesses corporativos não devem passar por cima da equidade e da coesão de um território. Hoje, universidades e politécnicos públicos, do litoral e do interior, têm os seus cursos devidamente avaliados e validados pela Agência para a Avaliação do Ensino Superior. Os próprios rankings internacionais demonstram isso mesmo. Como sempre o fizemos continuamos a acreditar em Portugal, mas importa que quem tem poderes para decidir também acredite e tenha em conta que o futuro só nos traz sucesso através da qualificação. Um país qualificado estará sempre preparado para enfren-

tar as crises, que teimam em ser cíclicas, para ser competitivo e moderno. E isso não se faz através da asfixia daqueles, que sendo mais fracos, têm a sua qualidade reconhecida nacional e internacionalmente. K João Carrega _ carrega@rvj.pt

SETEMBRO 2013 /// 021


ano do brasil em portugal

O Brasil que não se conhece 6 As comemorações d`O Ano do Brasil em Portugal e de Portugal no Brasil decorreram em simultâneo em Portugal e no Brasil. 2013 foi o ano da descoberta da cultura de cada um dos dois países, pelo outro. Vivian Toller, da FUNARTE (Fundação Nacional de Artes do Brasil), em tempo de balanço, conta ao Ensino Magazine como foi trazer a Portugal centenas de artistas de áreas como a música, a dança e a representação. Terminou no passado dia 10 de junho o Ano do Brasil em Portugal. Que balanço faz deste projeto? O balanço é extremamente positivo. O objetivo principal da Funarte como impulsionadora do Ano do Brasil em Portugal (ABP) e do Espaço Brasil (EB) era dar a conhecer às pessoas um Brasil não conhecido em Portugal. Estas comemorações trouxeram ao país centenas de artistas plásticos, músicos, bailarinos, atores e outros artistas de elevada qualidade que muito provavelmente não viriam a Portugal se não fosse esta grande iniciativa. Qual a importância que o Espaço Brasil teve nesta iniciativa? O Espaço Brasil foi de extrema importância pois abrigou uma quantidade enorme de iniciativas que, durante estes meses, puderam mostrar ao público de Portugal o que o Brasil tem de maravilhoso, a vários níveis. Começando pela nossa loja em que tínhamos muitas vezes CDs e DVDs inéditos em Portugal, tentámos criar no bar uma pequena amostra da gastronomia brasileira com o caldo de feijão, o pão de queijo, o quindim, sem falar na obrigatória caipirinha que era, sem dúvida, deliciosa. Na galeria tivemos exposições muito interessantes, onde saliento o acervo da Casa do Museu do Pontal e os bloquinhos de Lúcio Costa. Tivemos a hipótese de promover workshops de samba, coco, ciranda e maracatu, forró e percussão. Na música, tivemos o privilégio de receber grandes talentos, na sua maioria nunca antes vistos em Portugal, músicos incríveis de todos os géneros musicais, que transbordaram o EB de emoção. Podíamos ver o resultado deste trabalho todos os dias, no “sentimento” que os músicos carregaram de volta para o Brasil após os concertos, e no olhar do público que tantos momentos maravilhosos pôde experimentar neste espaço que era mágico e traz saudade a muita gente. Destaque um momento, entre muitos dos que ficaram gravados na sua memória, pela positiva. A satisfação de Milton Nascimento após o seu concerto, nome mundialmente conhecido, que se apresentou no nosso Espaço Brasil. Artista muito simpático embora de poucas palavras, mas que no final expressou o seu contentamento. Foi sem dúvida incrível saber que não apenas aqueles que vinham pela primeira vez a Portugal saíam contagiados pela magia do EB, mas também os grandes se sentiram em casa e bem acolhidos por nós e pelo público que interagiu sempre com os artistas, permitindo a partilha de energia positiva entre artista em palco e as pessoas.

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Foto legenda: 1- Milton Nascimento e Carminho; 2- Ed Motta com Marisa; 3- Carlos Careqa com Rogéria Holtz; 4- Thais Gulin; 5- Ana Canas; 6- Renato Braz e Nélson Aires Como reagiram os brasileiros e os portugueses à programação apresentada neste espaço? A programação, escolhida a dedo e muito cuidadosamente, esteve a cargo de Zé Ricardo, ele próprio um músico conhecido no Brasil, e foi bastante comentada. Tivemos uma variedade incrível de géneros de artistas, alguns mais conhecidos do público português, outros conhecidos apenas do público brasileiro, mas que também trazia portugueses a conhecerem o desconhecido. Todos aqueles que vieram ao EB para conhecer algum artista ficaram encantados. Como a qualidade era o grande objetivo na seleção da programação, quem veio, adorou. Claro que sentimos a normal dificuldade em que o público viesse conhecer um artista nunca falado nem visto em Portugal, em especial porque tínhamos uma programação muito intensa. Grandes músicos passaram pelo EB e tanto brasileiros como portugueses puderam verificar e se emocionar com a nos-

sa incrível programação. Como vê o futuro? Ou seja, o que fica deste espaço, que nos pareceu muito acarinhado pelos muitos que o frequentaram? Ainda não sabemos o que acontecerá com o espaço do EB mas uma certeza eu tenho, ficará na memória de muitas pessoas. Conseguimos que um pouco da cultura brasileira chegasse às pessoas que se interessaram em vir nos visitar e deixou saudades a muita gente. Eu pude ouvir isso de artistas e do público, e isso é sinal de que foram meses que marcaram as pessoas. Penso que foi uma iniciativa que despertou nos portugueses uma curiosidade maior pela cultura brasileira, que é muito mais do que normalmente recebemos em Portugal. Acho que esse projeto serviu de base para que passe a haver uma maior interação cultural entre os países. Penso que havendo investimento e uma escolha bem-feita, o público estará sempre aberto a conhecer a enorme diversidade que é a cultura brasileira.

Na hora da despedida, o que tem para dizer aos portugueses ou aos brasileiros que cá vivem? Eu vivo em Portugal há muitos anos, embora seja brasileira, e penso que essa iniciativa veio enriquecer a vida das pessoas com eventos únicos que se apresentaram no EB. Tentámos que este centro cultural, que era o EB, fosse um espaço agradável e acolhedor e acho que conseguimos atingir o objetivo. Quem esteve lá sabe do que eu falo! Posso dizer que também para os muitos artistas que estiveram cá foi um privilégio e emoção únicos. Muitos viveram momentos que se recordarão sempre, pois o nosso público foi sempre incrivelmente caloroso, fossem artistas mais ou menos conhecidos em Portugal. K J. Vasco _ H


gente e livros

Mahbod Serji

A Viagem do Elefante T A companhia teatral Trigo Limpo Teatro Acert está em digressão com A Viagem do Elefante, um espectáculo de rua, a partir do conto homónimo de José Saramago. Com a coprodução musical de Flor de Jara, em parceria com a Fundação José Saramago, o primeiro espetáculo começou a 29 de junho em Figueira de Castelo Rodrigo. A Viagem do Elefante conta a história de Salomão, o paquiderme que o rei de Portugal, D. João III, ofereceu ao reino da Áustria, e que tem de percorrer milhares de quilómetros até chegar ao destino. O Elefante esteve na cidade de Castelo Branco, a 31 de agosto, onde mais de trinta participantes locais vestiram o papel de atores.K

Inéditos de Salinger T J.D. Salinger, autor do romance O Apanhador no Campo de Centeio e um dos nomes maiores escritores da literatura norte-americana do século XX, deixou cinco obras inéditas. De acordo com o jornal The New York Times, o primeiro inédito será publicado em 2015 e os seguintes até 2020. Haverá também uma biografia e um documentário sobre o escritor, a estrear no início de setembro. Salinger morreu em janeiro de 2010, aos 91 anos de idade. K

Rodrigo Leão em Hollywood T Rodrigo Leão é o compositor da banda sonora do filme The Butler (O Mordomo), de Lee Daniels. O filme conta a história de Eugene Allen, o afro-americano que foi mordomo na Casa Branca, de 1952 a 1986 e serviu 8 presidentes. O filme é protagonizado por Forest Whitaker e conta com as interpretações dos actores John Cusak, Robin Williams e Jane Fonda. O Mordomo estreia setembro, em Portugal. K

7« Os miúdos correm no pátio, sobem e descem as escadas, e passeiam-se de quarto para quarto. Gritam, berram, empurram-se e brigam constantemente. A dada altura, o Keivan cai e arranha o joelho. Eu, a Zari e a Faheemeh sentamo-nos ao lado dele para tentar acalmá-lo, mas ele continua a chorar. - Sabes, uma vez parti a tíbia em três lugares e nunca chorei - contolhe. - Porquê, não doeu? - pergunta o Keivan, fazendo beicinho. - Oh, doeu pois - respondo - Mas descobri que chorar não iria fazer a dor desaparecer. - A sério? - interroga-se o Keivan. Levanto os braços no ar, esforçando-me por me fingir espantado. - A minha mãe também achou bastante esquisito. Perguntou: «Como podes partir a tíbia em três lugares e não chorar?» - a imitação da voz da minha mãe põe o Ahmed a rir-se ao fundo da sala. - Então agora ela dá-me uma colher de um xarope que devia ajudarme a chorar quando preciso. - E choras? - pergunta o Keivan,

hesitante. - Só quando estou a tomar o xarope. - faço uma careta como se estivesse a beber a poção de urina de cavalo da minha mãe. - Já não dói agora, pois não? - Não. - O Keivan abana a cabeça. - Vês, a dor desaparece quando nos rimos. (...)» In Terraços de Teerão Mahbod Serji nasceu no Irão a 18 de outubro, de 1956. Partiu para a América, em maio de 1976, com 20 anos, com o propósito de obter um mestrado em engenharia civil. O Irão tinha entrado num processo de modernização e precisava desesperadamente deste tipo de profissionais. Se dependesse dele, e não da vontade dos pais, teria estudado cinema, em vez de engenharia. O objectivo era regressar ao Irão mas o início da Revolução e a crise dos reféns de 1979, em que 52 diplomatas americanos foram mantidos em cativeiro durante 444 dias, impediram-no. A opinião pública americana estava contra o Irão, contudo, o Irão também tinha queixas contra a América. Os EUA

ajudaram Reza Pahlevi a subir ao poder sendo reponsáveis pela queda do único primeiro ministro eleito democraticamente na história do país; colaboraram durante décadas com o regime do Xá e a CIA treinou a repressiva polícia secreta, a SAVAK Mahbod Serji trabalhou como engenheiro civil na Motorola, nos últimos 20 anos. Soube que queria ser escritor aos dez anos de idade, quando leu White Fang, de Jack London, sentado no terraço da sua casa. Foi o primeiro livro que leu e a experiência mais extraordinária até àquele momento da sua vida. Mas teriam de passar mais de 40 anos para a sua estreia na literatura, aos 53 anos, com o romance Terraços de Teerão. Em Portugal, o livro está publicado pela Editorial Presença. Sobre o livro Terraços de Teerão disse o escritor: « Eu decidi contar uma história sobre amizade e humor, amor e esperança, experiências universais das pessoas em todos os tempos e lugares.». O segundo romance do escritor tem o título de O Jardim, a Rosa e

o Rouxinol. Mahbod Serji reside em São Francisco. Terraços de Teerão. Anos setenta, o Irão encontra-se debaixo do regime do Xá Reza Pahlevi. Pasha e Ahmed são dois jovens amigos a viver as férias de Verão. Eles passam os dias em animadas conversas pelos terraços da vizinhança. Aqui, encontram um espaço de liberdade, trocam confidências e apaixonam-se pelas vizinhas. Mas é também nesse Verão que eles tomam consciência que o país vive debaixo de um regime implacável, de como são doces e tristes os primeiros amores e implacável a passagem à idade adulta. K Página coordenada por Eugénia Sousa _

edições

Novidades Literárias

7 bertrand. O que Morre no Verão, de Tom Wright. Jim tem o dom da Visão. É um dom útil até ao momento que a sua prima L.A se muda para a casa, onde ele vive com a avó. Nas suas deabulações pelo campo, os dois vão descobrir o cadáver de uma rapariga. A jovem foi brutalmente violada e assassinada. A descoberta do corpo dá início a uma investigação que irá colocar em risco a vida de Jim e L.A. «Escrito com elegância. Um romance inquietante acerca da perda da inocência.» The Times

D. Quixote. Culpa, de Ferdinand Von Schirach. No dia em que uma pequena cidade comemora 600 anos, no decorrer de uma feira de diversões, uma denúcia anónima coloca toda a gente em alerta: uma jovem foi violentamente

espancada, violada e abandonada debaixo do palco, onde os seus atacantes acabaram de tocar uma polca; no Natal, um homem recebe uma dentadura nova em vez de cumprir uma pena de prisão; e um rapaz é torturado quase até à morte por uma seita. São elementos de três de 15 histórias que questionam o papel da culpa na vida de todos nós. Von Schriach é um dos novos talento da literatura alemã e já vendeu mais de 2 milhões de exemplares em todo o mundo.

guerra & paz. O Professor do Futuro, de Jorge Rio Cardoso. O autor de O Método Ser Bom Aluno - “Bora Lá”? regressa com um novo livro. Com a colaboração de mais de 50 professores e personalidades de relevo ligadas à educação, o livro parte de uma análise objectiva do actual panorama educativo e oferece ferramentas teóricas e práticas aos professores, alunos e pais. O objectivo do autor é valorizar os professores e melhorar a educação. O prefácio do livro é da autoria de Roberto Carneiro. PRESENÇA. E As Montanhas Ecoaram, de Khaled Hosseini. Ano de 1952. Shadbagh, pequena al-

deia do Afeganistão. Um homem é levado a tomar a mais triste das decisões, para poder sustentar a restante família: é obrigado a vender Pari, a filha mais nova, a um casal abastado de Cabul. Para Abdullah, o irmão mais velho de Pari, esta separação será particularmente dolorosa e capaz de criar um sentimento de perda que o acompanhará por toda a vida. Mas as pontes que o amor constrói não caem e conseguem ligar tempo e espaço. Khaled Hossein é autor dos bestsellers O Menino de Cabul e Mil Sóis Resplandecentes.

alfaguara A Verdade sobre o Caso Harry Quebert, de Joël Dicker. Verão de 1975, Nola Kellergan, uma jovem de 15 anos, desaparece sem deixar rasto de uma pequena vila costeira de Nova Inglaterra. Mais de 30 anos depois, Harry Quebert, um professor universitário e reputado escritor é acusado de ter assassinado a jovem. Convencido da inocência do amigo Harry, Marcus Golman, um escritor em crise de inspiração, viaja para Aurora e começa uma investigação por conta própria. A Verdade sobre o Caso Harry Quebert é um sucesso literário a nível mundial.

piaget. A Arte de Comunicar - Como Ultrapassar Diferendos Construir Relações e Comunicar Efetivamente com Alguém, de Claire Raines e Lara Ewing. O local de trabalho é um microcosmos onde a comunicação assume um papel fundamental. Neste livro são identificados e explorados os cinco princípios da comunicação. A curiosidade desempenha um papel de relevo, ao assumirmos que conhecemos tudo sobre alguém as nossas expectativas sobre essa pessoa vão baixar. O potencial de uma eficaz comunicação dentro de uma empresa é partir do presuposto que cada um é uma cultura. europa-américa. A Divina Comédia - O Inferno, de Dante. A Divina Comédia é constituída por três partes distintas: O Inferno, O Purgatório e O Paraíso. O Inferno é considerado a parte mais rica em humanidade. Pela mão do poeta Virgílio, Dante entra no inferno, representado por um abismo dividido em nove círculos que conduzem ao centro da terra, onde se encontra o Diabo.A repugnância e o grotesco das penas ali sofridas constituem o momento mais dramático da obra de Dante. K SETEMBRO 2013 /// 023


press das coisas

pela objetiva de j. vasco

Sérgio Godinho no Avante

ASUS Republic of Gamers G750 3 O calor emitido pelo computador e o ruído dos ventiladores são preocupações de todos os jogadores. A pensar numa solução, a Asus criou o novo portátil ROG 750. Vem equipado com sistema de duas saídas traseiras com duas ventoinhas, que afastam o calor e o ruído. O novo modelo utiliza a 4ª geração de processadores Intel Core™i7-4702HQ e a unidade de processamento gráfico NVIDIA GeForce GTX 770M. Tem 3GB de VRAM, 32GB de memória RAM e um ecrã com 17,3”. O preço aproximado é de 1.999 Euros. K

música Imagine Dragons - Night visions

3 O palco “25 de Abril” contou, este ano, mais uma vez, com a presença de Sérgio Godinho. De 6 a 7 de setembro estiveram também na Quinta da Atalaia, no Seixal, os portugueses António Zambujo, Deolinda, Expensive Soul, Pé na Terra, Xutos & Pontapés, UHF, Kumpania Algazarra e a Orquestra de Jazz do Hot Clube de Portugal, entre muitos outros. De fora veem

Guitar Not So Slim, de Espanha, Mariem Hassan, do Saara Ocidental, Zé Luís e Fantcha de Cabo Verde e Maíra de Freitas (a filha de Martinho da Vila), do Brasil. Mas a Festa do Avante não é só música, longe disso. Numa fusão de cultura destaque para o Espaço Ciência (este ano dedicado à Matemático com o projeto Fazer contas à vida), a Bienal de Artes

Plásticas, o Pavilhão da Mulher e o Avanteatro que este ano homenageou dois nomes maiores da cultura portuguesa: Álvaro Cunhal e Joaquim Benite (recentemente falecido e ex diretor do Teatro de Almada). Para além do mais, por toda a Festa, nas inúmeras tendinhas, os petiscos regionais e os sabores do mundo no Espaço Internacional. K

3 Os Imagine Dragons são mais uma banda que nos chega das terras do tio Sam, com o seu disco de estreia “Night visions”. Este coletivo teve uma enorme promoção devido às fortes campanhas publicitárias que utilizaram as suas músicas conseguindo assim em pouco tempo alcançar o sucesso. O primeiro single “On top of the world” continua em grande destaque nas rádios, sendo um dos temas obrigatórios da banda sonora deste Verão. A segunda aposta do trabalho é o single “Radioactive” que já roda em algumas rádios, mas dificilmente terá a mesma visibilidade do primeiro single. Neste registo o denominador comum é o rock, havendo algumas incursões no pop, folk e eletrónica. Destaque para os singles “On top of the world”, “Radioactive” e as faixas “Tiptoe” e “Demons”. K Hugo Rafael _

Prazeres da boa mesa

Bolo Rico e Húmido de Queijo, Crocante de Salsifis e Sorbet de Framboesa Marnier e a pimenta preta esmagada e peneirada. Reduzir até atingir a consistência desejada.

3Ingredientes p/ o Bolo Rico (25 pax): - 21 Claras - 21 Gemas - 450g de Açúcar - 1,5Kg de Fromage Blanc - 150g de Manteiga Derretida - 3 C. S de Amido de Milho - 3 C. S. de Farinha Preparação do Bolo Rico: Juntar as gemas com o açúcar. Misturar o fromage blanc e as farinhas. Bater as claras em castelo e envolver no aparelho anterior. Por fim adicionar a manteiga. Levar ao forno a cozer a 180ºC, até ficar dourado. Ingredientes p/ o C. de Salsifis (25 pax): - 1 Salsifis - Q.B. Óleo para fritar Preparação do Crocante de Salsifis:

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Empratamento: Cortar o bolo em fatia e dispor no centro do prato. Fazer um cordão de coulis de vinho tinto em redor, colocar uma bola de sorbet de framboesa (HäagenDazs), espetar os crocantes de salsifis e guarnecer com mirtilos, framboesas e groselhas. K Publicidade

Laminar o salsifis com a pele bem lavada. Fritar até ficar dourado. Ingred. Coulis de N. de Baco (25 pax): - 1 Dl de Grand Marnier - 1 C. Chá de Pimenta Preta em Grão

-

100g Açúcar 50g de Manteiga 1 Laranja 750 ml de Vinho Monte Mayor

Preparação Coulis de N. de Baco: Reduzir o Monte Mayor com a manteiga, adicionar o sumo da laranja. Juntar o açúcar, o Grand

Mário Rui Ramos _ (Executive Chef Ô Hotels and Resorts Monfortinho)


Bocas do Galinheiro

Afinal gosta-se de cinema 7 Na passada sexta-feira, dia 6, fui ao Cine Teatro ver “A Gaiola Dourada”, de Ruben Alves. Dita assim, a coisa parece banal. Mas não foi. A sala estava esgotada! Sim, esgotada. Uma sala que leva o dobro dos espectadores que as falecidas salas do fórum abarcavam, estava cheia. Fiquei contente. Muito, até. Por ironia da habituação, não reparei que a sessão começava às 22 horas. Tive que esperar mais de meia hora, tempo que aproveitei para fazer umas “piscinas” pelas redondezas, Devesa incluída. Nos bares via-se Portugal a ganhar à Irlanda do Norte, o que também foi bonito. Mas do que gostei mesmo foi ver aquele mar de gente a dirigir-se para o Cine Teatro para ir ao cinema. Com alegria. Afinal, quem disse que os albicastrenses não gostam de cinema? Parafraseando Vasco Santana. “Ilusão! Desculpe que lhe diga mas você é um ilusionista!”. Relembro aqui uma folha que correu na cidade na altura do primeiro filme do Cine-Clube de Castelo Branco em 1955, onde se podia ler: “todos conhecem a importância do Cinema na vida moderna. Poderoso meio de expressão e divulgação, desempenha, tal como a literatura, um papel primacial na elevação do nível cultural e artístico dos povos.” E, digo eu, o povo respondeu à altura na passada sexta-feira. Não foi a quantidade, foi a qualidade, foi sentir o gozo que toda aquela gente estava a sentir e, acabado o filme, ouvir os comentários e o recordar de uma ou outra cena. A 7ª Arte sempre foi assim e será. Factor de união, tema de conversa e de debate. É evidente que o que se passou com o filme deste luso descendente, convém recordar que estamos perante um filme francês, não se vai repetir com frequência. Esta região foi uma das mais fustigadas com o fluxo migratório dos anos 60 do século passado. Quem não foi emigrante, filho de emigrantes ou

parente, tem amigos que o foram, ou cujos pais tiveram que ir para as terras de França à procura de melhores dias. Por isso não estranha que um filme cujo tema central são a Maria e o Zé (Rita Blanco e Joaquim de Almeida), ela porteira e ele pedreiro, emigrantes em Paris há mais de 30 anos, seja uma temática por demais familiar a toda esta gente. Ruben Alves, não o esconde, inspirou-se nos pais para fazer o filme. E em boa hora o fez. Conheço a realidade da emigração, e aquela Maria e aquele Zé cruzamse connosco todos os dias, os que regressaram, ou estavam cá de férias aquando da estreia do filme, a 1 de Agosto. Daí que também não estranhe que a fita já tenha sido vista por quase meio milhão, o que faz dela um dos filmes mais vistos do ano em Portugal. Não só pela nostalgia, mas também porque o realizador soube tirar partido dos pequenos tiques das nossas comunidades para fazer uma comédia que, aqui e ali, nos faz lembrar as

velhas comédias portuguesas que Ruben Alves terá visto, ou os pais contaram-lhe; dantes contavam-se os filmes, de que a citação da festa em casa do vizinho asiático, que deixou as chaves ao filho do casal, e este para parecer aquilo que não é, usa como sua, é um dos vários exemplos que poderíamos aqui trazer. E, tal como nessas intemporais comédias, a verdade vem ao de cima, e o perdão acontece. Fácil e eficaz. Uma realização competente, uma boa direcção de actores, afinal a receita para um filme de sucesso. ENCONTRADO PRIMEIRO FILME DE ORSON WELLES A boa notícia, foi divulgada assim: um filme perdido do realizador norte-americano Orson Welles, que se acreditava ter sido destruído em 1970 num incêndio, acaba de ser encontrado num armazém, em Itália. 75 anos depois de ter sido filmada, a película vai agora chegar ao público, avançam as agências internacionais.

O filme mudo “Too Much Johnson”, uma paródia cómica realizada antes de Welles chegar a Hollywood para filmar “Citizen Kane,” foi encontrada numa caixa de um armazém da Cineteca del Friuli, na cidade italiana de Pordenone, disse Giuliana Puppin, uma porta-voz daquela entidade, citada pela AP. A forma como a película de 35mm terá chegado a Pordenone é um mistério que continua por esclarecer. A responsável daquela sociedade dedicada à Sétima Arte explicou que a caixa não tem qualquer etiqueta ou documento que aponte para a sua origem. O filme “Too Much Johnson” é protagonizado por Joseph Cotten e está filmado de um modo que segue de forma muito aproximada a peça teatral do mesmo nome, revelou Circo Giorgini, um italiano especialista na obra de Welles que identificou a obra, há cerca de três anos. O filme não está terminado e nunca foi exibido publicamente.

Embora a existência do filme fosse conhecida, acreditava-se que a fita tinha sido destruída durante um incêndio na casa que o realizador tinha em Madrid, Espanha, em 1970. Mas na verdade não se sabia ao certo quantas cópias tinham sido feitas. Giorgini percebeu imediatamente que estava perante a película perdida, quando viu que a estrela do filme era o ator Cotten. “Foi como encontrar um quadro perdido de mestre, como por exemplo Caravaggio, que ninguém sabia existir”, salientou, acrescentando que este filme confirma o talento de um jovem realizador, na altura com apenas 20 anos. O filme foi restaurado com apoios de entidades norte-americanas e vai ser exibido, pela primeira vez, no dia 09 de Outubro, num festival dedicado ao cinema mudo, que decorre Pordenone. Até à próxima e, que viva o cinema! K Luís Dinis da Rosa _

Acústico), Ricardo Dias (Acordeão), Gil Gonçalves (Tuba) e Luis Clode (Violoncelo). A produção e direção

musical é da responsabilidade de Carlos Manuel Proença. K J. Vasco _ H

Fado é Património Mundial e Imaterial da Cultura

Pedro Moutinho – Porque o amor não pode esperar 7 O amor não pode esperar, foi uma das grandes novidades deste verão e é o quarto disco de originais de Pedro Moutinho. O fadista que começou a cantar aos 8 anos, lançou o seu primeiro trabalho discográfico em 2003, intitulado Primeiro Fado. Este último projeto é um disco sobre a necessidade da esperança

para viver. Começou a ser pensado com Amélia Muge que, para tal, andou uma semana pelo Bairro Alto, em Lisboa, a pensar no assunto. Aí nasceu Rua da Esperança, tema de apresentação do disco. Neste último trabalho surgem colaborações de Fausto, Manuela de Freitas, Aldina Duarte, Tiago Gomes da Silva e Te-

resa Tarouca, para além de “Preciso aprender a ser só”, de autoria de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, notabilizado nos anos 60 pela voz de Elis Regina. Uma referência final para os músicos José Manuel Neto (Guitarra Portuguesa), Carlos Manuel Proença (Viola), Daniel Pinto (Baixo

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  

UBI estuda eficiência energética

Agroindustrial na mira

6 O Departamento de Engenharia Eletromecânica da Universidade da Beira Interior faz parte de um grupo de estudo que pretende desenvolver uma ferramenta informática capaz de minimizar os gastos energéticos da indústria, nomeadamente no setor agroindustrial. As empresas do setor podem consumir entre 50 a 80 por cento da sua conta de eletricidade na componente da refrigeração. O objetivo passa por “fazer uma caracterização profunda das empresas nas diversas fileiras, ou seja, no setor das carnes, que tem um especificidade de consumo de energia, na hortofrutícola, vinhos, azeite, cereais, abarcando assim o maior número de fileiras, com o objetivo de caracterizar as industrias, em termos nacionais, e a partir daí obter uma média de consumo, o consumo elétrico específico”, explica o docente Pedro Gaspar. Posteriormente serão apresen-

tadas soluções que promovam a melhoria da sua eficiência energética através de uma metodologia de análise que, com base na caracterização de uma dada empresa, permita a sua caracterização em termos de eficiência energética, com base no desenvolvimento de um algoritmo provisional.

Designado por InovEnergy, o projeto, que tem como docentes responsáveis Pedro Gaspar e Pedro Dinho, tem entre o leque de parceiros, o Instituto Politécnico de Castelo Branco, que coordena a ação, o InovCluster, entre outros politécnicos portugueses e associações da área. K

Investigação em Coimbra

Google casa com o Excel

6 A tecnologia inteligente desenvolvida pela Start-up da Universidade de Coimbra (UC), Wizdee, promete revolucionar a análise de informação, pois, a partir de agora é possível elaborar um relatório detalhado, com a análise das mais diversas e complicadas variáveis, em segundos. A solução informática, desenvolvida ao longo dos últimos quatro anos, permite produzir relatórios de análise de uma grande quantidade de dados e indicadores com uma simples pesquisa, tal como acontece, por exemplo, no Google. “Criámos uma tecnologia que junta a pesquisa intuitiva do Google e a capacidade de análise e manipulação dos resultados do Excel. Através de uma simples pesquisa em linguagem natural (linguagem dos humanos), o Wizdee Discovery recolhe e analisa toda a informação, fornecendo os resultados num formato que o Publicidade

utilizador pode facilmente manipular e modificar”, explica Paulo Gomes, investigador da Universidade de Coimbra e responsável da Wizdee. O “segredo” para a capacidade de produzir, em segundos e sem dificuldade, análises complexas que normalmente demora-

riam semanas ou meses, está na integração da pesquisa semântica e da análise de linguagem natural, um conceito inovador explorado pela Start-Up, formada por investigadores da Universidade de Coimbra que há cerca de duas décadas estudam estas áreas do conhecimento. K

Agroindustrial

UBI dirige estudo 6 Aferir as necessidades de formação no setor agroindustrial e promover recursos humanos qualificados para o futuro desta área estratégica foram linhas iniciais do Agri Training, um estudo nacional agora concluído, que teve como mote fazer a radiografia à formação aplicada para o sector agroindustrial. Pedro Dinis e Pedro Dinho, docentes do Departamento de Engenharia Eletromecânica da UBI, coordenaram o trabalho que aponta agora alguns caminhos para o futuro. No total foram aplicados inquéritos a mais de 660 empresas e mais de mil colaboradores de diferentes fileiras. “Com toda esta informação cruzaram-se dados para se saber qual a oferta formativa que não existe e qual a necessidade dela para o setor e perceber como é que esta área vai evoluir e o que se pode esperar no futuro”, afirmam os docentes da UBI.

Eletromecânica

Mestrado acreditado 6 O curso de Mestrado (2º Ciclo) em Engenharia Eletromecânica da UBI foi acreditado por 5 anos pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES). O relatório final da Comissão de Avaliação Externa refere que a instituição tem uma larga experiência na formação no âmbi-

to da engenharia eletromecânica, estando o ciclo de estudos bem caracterizado nos seus objetivos. O curso, no seu formato atual, já tinha sido avaliado pela Ordem dos Engenheiros, em 2012, tendo sido distinguido com a marca de qualidade europeia EUR-ACE pelo prazo máximo de seis anos. K

Centro Camões

Minho em Boston 6 Maria Madureira, de 33 anos, é a diretora do Centro de Língua Portuguesa Camões na Universidade de Massachusetts, em Boston, nos EUA. “É um desafio aliciante e quero contribuir muito para deixar a marca de Portugal”, afirma a professora, que fez a licenciatura em Portu-

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Foi ainda realizada “uma análise crítica aos resultados dados pelas empresas que apontavam, em alguns casos, como necessidades de formação, técnicos que existem já em todo o País”, adiantam. Contudo, existem outros setores vitais para o futuro “e aqui a UBI pode ter uma palavra a dizer. Aponto o exemplo das necessidades de técnicos especializados em sistemas de refrigeração e essa área pode vir a ganhar um novo fôlego na academia, fruto deste trabalho e também das necessidades de profissionais que se vão sentir no mercado”, sublinham. K

guês e Inglês e o mestrado em Português Língua Não Materna, pela Universidade do Minho. O Centro Camões em Boston serve um estado com um milhão de luso-falantes, além das comunidades não lusófonas e entidades que procuram auxílio científico ou lançam projetos na área. K


Quatro rodas

“The Checkered Flag” c “The Checkered Flag” é nome anglófono atribuído à conhecida bandeira de xadrez, símbolo que assinala chegada à meta. Trata-se de um gesto com grande notoriedade no mundo da competição, que é hoje em dia quase só usado nos desportos motorizados, mas terá sido sempre assim? Não eram conhecidos grandes estudos sobre a origem da bandeira de xadrez, até que o historiador Fred Egloff resolveu dar a devida importância ao assunto, publicando o livro “The Origin of the Checker Flag - A Search for Racing’s Holy Grail”. Penso que poderemos traduzir de uma forma mais ou menos direta, para: “A origem da bandeira quadriculada – Em busca do santo graal das corridas”. É sem dúvida um subtítulo algo pomposo, mas que retrata a importância que o autor deu ao seu objeto de pesquisa. Não li o livro, mas do que consta nos resumos, posso ter como certo que a primeira vez que a bandeira foi usada numa corrida de automóveis, remonta a 1906 na Vanderbilt Cup Race, disputada em Long Island, New

York. Estamos habituados a que sejam os americanos a ser os primeiros em muitas coisas, mas este caso foi o francês Louis Wagner em Darracq a ter o privilégio de receber a primeira bandeirada de xadrez, que pronunciou a sua vitória. Fica para a história, ou pelo menos para esta história, também a curiosidade de quem agitou pela primeira vez esta bandeira de xadrez. Desta vez sim, presume-se que tenha sido o americano Fred Wagner a exercer de “flag man”, imortalizado na foto desta crónica. Das pesquisas que efetuei, retiro também a ideia que a utilização da “The Checkered Flag” começou uns anos antes, talvez mesmo no seculo XIX, noutro tipo de corridas. Entre as corridas de bicicletas em França e as corridas de cavalos no Midwest Americano, terá estado por aí o nascimento deste gesto. O certo é que parece ter sido o desporto motorizado a açambarcar este procedimento, quase cerimonioso, que foi aproveitado pelas marcas ligadas ao mundo motorizado que colocam, re-

correntemente, bandeiras de xadrez nos seu logos e nas suas peças de comunicação. Já não tenho muito espaço para continuar a contar histórias da “The Checkered Flag, mas não resisto a gracejar uma

vez mais com a situação do nosso Portugal, que está numa corrida contra o tempo para cumprir algumas metas. Esperemos que a “nossa troika” nos possa agitar a bandeira de xadrez em 2014.

Neste caso, não seria para nos consagrar vencedores do que quer que fosse, mas sim para indicar que recuperámos um pouco da nossa independência. K Paulo Almeida _

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Ensino superior

Investigação

6 O secretário de Estado do Ensino Superior, José Ferreira Gomes, garantiu à agência Lusa que as instituições de Ensino Superior podem continuar a captar e a utilizar as receitas próprias como têm feito. De acordo com o secretário de Estado a interpretação contrária deveu-se a “um mal entendido” relacionado com uma norma orçamental que visa assegurar a não inscrição de despesas nos orçamentos que depois não possam ser “cobertas por receitas reais”. Os reitores anunciaram a renúncia à apresentação dos orçamentos para o próximo ano, em protesto contra uma norma da proposta de Orçamento do Estado para 2014 que alegadamente receitas superiores às conseguidas em 2012. “Todas as receitas próprias podem ser utilizadas plenamente pelas instituições como têm sido”, disse o governante, defendendo simultaneamente a manutenção de normas que permitam

6 A Universidade de Évora e a construtora aeronáutica brasileira Embraer, que possui duas fábricas na cidade alentejana, assinaram, no passado dia 2 de setembro, um protocolo para o desenvolvimento de projetos de investigação. “Com as competências instaladas na universidade e as necessidades da Embraer, podemos estabelecer projetos concretos de investigação e desenvolvimento”, disse João Nabais, pró-reitor da UÉ para as Relações com a Comunidade, em declarações à agência Lusa. O protocolo, adiantou, prevê a “criação das bases” para a realização de “reuniões parcelares” entre grupos de trabalho e centros de investigação da UÉ e a Embraer para se estabelecer “um plano de atividades”. De acordo com o responsável, esse plano de atividades, que terá início a “muito breve prazo”, vai envolver grupos de trabalho e centros de investigação de várias áreas de investigação como “informática,

Receitas próprias são válidas

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alguma economia das receitas públicas. Ferreira Gomes sublinhou que as universidades têm feito um excelente trabalho na captação de receitas próprias, mantendo a qualidade do ensino, apesar dos “muitos sacrifícios”. De acordo com o secretário de Estado, nunca estiveram em causa os projetos europeus e internacionais.

“A dúvida surgiu relativamente a outras receitas próprias e estou em condições de dar como garantia que não há nenhuma limitação à captação de receitas e depois à utilização dessas receitas por parte das instituições”, declarou. O secretário de Estado indicou ainda que o processo de envio dos orçamentos está a decorrer normalmente. K

Évora e Embraer assinam acordo

mecatrónica e energias renováveis”. Os projetos concretos de investigação vão ser “decididos mais à frente”, indicou, referindo que a primeira reunião de trabalho entre a universidade e a empresa se realizou após assinatura do protocolo. A Embraer, que é o terceiro maior fabricante mundial de aviões comerciais, possui duas fábricas em Évora, uma especializada em estruturas metálicas (partes de asas) e a outra em materiais compósitos. O projeto da empresa brasileira envolveu um investimento de 177 milhões de euros. K


Ensino Magazine Edição nº187  
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