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outubro 2013 Diretor Fundador João Ruivo

Diretor João Carrega Publicação Mensal Ano XVI K No188 Distribuição Gratuita

suplemento

www.ensino.eu Assinatura anual: 15 euros

Guta Moura Guedes, Presidente da “experimentadesign”

Autorizado a circular em invólucro fechado de plástico. Autorização nº DE01482012SNC/GSCCS

“Não podemos desperdiçar talentos”

entrevista a João magalhães

Receita para obter um bom médico

C

Guta Moura Guedes, presidente da Experimentadesign, defende que o «redesenho» do país passa por combinar Educação e Cultura, não desperdiçar talentos e potenciar as capacidades criativas nacionais.

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universidade

UBI com voo marcado para o aeródromo C

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ensino superior

Portalegre e Évora reforçam cooperação C

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cultura

Coleção Berardo abre Centro Contemporâneo C

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C

Fernando Guerra H

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Desassossego de João Pedro Pais

edições

Joaquim Morão em livro biográfico pub

C Coordenação Portugal

Ensino Jovem pub

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Guta Moura Guedes, Presidente da “Experimentadesign”

A Comunicação, o Inglês e o Design são competências fundamentais do século XXI

Fernando Guerra H

6 É uma referência maior do Design e da criatividade com chancela «made in Portugal». Chama-se Guta Moura Guedes e defende que o «redesenho» do país passa por combinar Educação e Cultura, não desperdiçar talentos e potenciar as capacidades criativas nacionais.

ano será dado o salto para o outro lado do Atlântico, mais concretamente para a cidade de São Paulo. Por vários motivos, mas também porque queremos reforçar que o Design pode ser um instrumento de ligação entre Portugal e o Brasil de uma forma útil para ambos os lados.

A 7 de novembro é inaugurada a “Experimentadesign” 2013, em Lisboa. Que expectativas e novidades podemos esperar para esta edição?

Como espera que o público português responda a este repto?

Esta será uma “Experimenta” sob o signo da mudança. Eventualmente, não será percetível para o público, mas para nós, seus autores e mentores, ela existe. Lisboa continua a ser a base do evento, mas temos novos formatos e novos modos de desenvolvimento de conteúdos, que se diferenciam de bienais anteriores. O tema, «No Borders» (Sem Fronteiras), é o fio condutor de todo o evento, mas vai passar para o ano a seguir. Depois da primeira edição que fizemos no estrangeiro, em 2008, em Amsterdão, no próximo

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A “Experimenta” tem um público que é muito amplo e muito diverso. Temos gente mais e menos jovem, mais e menos conservadora, uns mais ligados a temas relacionados com a cultura, outras das áreas económicas. Mas apesar da heterogeneidade, há sempre algo muito forte que os une que é a exigência que têm relativamente ao que consomem. É um público informado e sedento de boa informação. Que tem sempre respondido aos nossos reptos e lançado ainda maiores desafios. Gostaria de destacar algo que consi-

dere mais impactante no programa de mês e meio de atividades? É difícil. A “Experimenta” deve ser vista de forma global, como um todo. Mas talvez possa sublinhar a componente internacional muito forte que está associada a esta edição, isto apesar de reforçar que Lisboa é o epicentro desta mostra como espaço de discussão cosmopolita e global. Desta vez apostámos mais em espaços vocacionados para o debate alargado e menos nas conferências «a solo» de convidados internacionais, por exemplo. Estou em crer que este ano vai reforçar o papel da “Experimenta” como plataforma de reflexão e investigação. «O Design é muito mais do que os objetos», é uma frase da sua autoria. O que o Design pode fazer pelas nossas vidas? O Design é uma disciplina que funciona como uma espécie de caixa de ferramenta que pode ser utilizada por

muita gente, providenciando respostas para facilitar a vida às pessoas. Por ser uma disciplina centrada no ser humano abarca uma amplitude de campos de conhecimento que vão desde a dimensão económica, cultural, ética, simbólica, estética e comunicacional, entre outras. O Design serve para melhorar a nossa qualidade de vida através da produção de artefactos e sistemas diversos. E está em todo o lado. Retive uma frase que uma vez proferiu: «Fui desenhada para ser feliz». Consegue fruir esse sentimento na plenitude na vida pessoal e profissional ou, como referia David Mourão Ferreira, «não somos sempre felizes, temos é momentos de felicidade»? Acho que tenho, de um modo geral, uma propensão para a felicidade e para o otimismo. É assim que me sinto e me conheço. Estou em crer que isso tenha acontecido talvez por uma combinação de elementos de ordem genética, que ;


em branco, como seria o seu Portugal ideal?

foram reforçados pela minha educação. Aos 48 anos, tenho uma vida muito cheia, entusiasmante, uma família extraordinária e a felicidade para mim continua a ser mais a regra do que a exceção. E eu dedico-me a que assim seja com todas as forças que tenho, todos os minutos da minha vida.

O meu Portugal ideal teria de respeitar uma linha estratégica de desenvolvimento no domínio cultural, rentabilizando as mais valias do passado e projetando outras, de origem contemporânea, ambas voltadas para o futuro. A equação do Portugal ideal teria de passar pela conjugação dos seguintes vértices: a cultura, como é óbvio; o mar e o nosso espaço marítimo, como valor económico ímpar, conjugando todo o potencial simbólico que também tem; a criação de redes, domínio em que os portugueses sempre foram exemplares e, finalmente, o aproveitamento da nossa posição geoestratégica no âmbito da plataforma europeia e a nossa interlocução atlântica e com o oriente.

Define-se como uma otimista, proativa, com uma energia criativa sem limites. À primeira vista é tudo aquilo que o português-tipo não é, normalmente associado a um perfil pessimista e esmorecendo à primeira contrariedade. Estas características estão no nosso ADN, como agora se diz? Não estou de acordo. A minha experiência de trabalho em Portugal tem provado o contrário. Tendo a congregar pessoas com múltiplas características e proveniências, de carácter forte, entusiastas e que não são de todo pessimistas e negativas. E que lutam. Não acho que o ADN nacional seja pessimista. Mas, mesmo que fosse, não esqueçamos que o nosso ADN é evolutivo, ao contrário do que se pensava há uns anos atrás...

Entrando agora no domínio do ensino. De forma sintética, e faço-lhe o mesmo desafio que lhe lancei para o país, como redesenharia o sistema educativo português, do básico, ao secundário, terminando nas universidades? É um território muito complexo, onde é fácil fazer críticas. É sabido que a própria estrutura do Ministério da Educação e do Ensino Superior é enorme, pesada, complexa e onde não é fácil mudar do dia para a noite. Alterar o sistema de ensino, aqui ou noutro país, é uma tarefa exigente e difícil. O «redesenho» do sistema de ensino só pode acontecer se tivermos tempo para raciocínio e para reflexão, congregando múltiplos interlocutores e os contributos de vários players, partilhando opiniões e pontos de vista plurais. Não fujo à sua questão, apenas lhe digo que este é um tema que me apaixona e que sinto que precisa de ser, ainda, muito discutido e analisado, de modo coletivo, dada a sua importância.

Portugal não é o espelho dos seus concidadãos? O Portugal que vemos agora continua a não refletir o valor das suas pessoas. O grande problema do país é ser demasiadas vezes mal gerido e não se rentabilizarem as capacidades e talentos dos recursos humanos nacionais, nas mais diversas áreas de atividade. Existe, desde há muito, um problema claro de gestão e de planeamento e de rentabilização de potencialidades no nosso país. E muitos egos. Em que indústrias criativas pode Portugal destacar-se? O país tem capacidades criativas várias e estas expressam-se em muitas áreas, seja na comunicação, no cinema, na literatura, nas artes gráficas e, claro, no design e na arquitetura. As nossas escolas formam bons profissionais, o que talvez falte é saber aplicar a criatividade em territórios mais tradicionais, por um lado, e, por outro, no desenvolvimento de novas áreas de produção. O talento existe, e em grande escala, só que está a ser desperdiçado. A empregabilidade no setor do Design e da Arquitetura está em risco? Temos vindo a formar, de um modo crescente, muita gente em arquitetura, artes, cinema, new media e design, cursos com uma componente criativa muito forte. O que falta fazer é procurar encaixar essas pessoas em novas atividades, no caso de se verificar um esgotamento do mercado de trabalho no seu formato mais clássico e que se prova agora incapaz de absorver mais recursos humanos. Veja, as competências da comunidade criativa podem ser aplicadas em situações muito diversas, seja em hospitais, câmaras municipais ou em fábricas, só

A Cultura e a Educação deviam encurtar o fosso que ainda as separa? Fernando Guerra H

para citar alguns exemplos. Temos potencial para somar elementos criativos, tornando instituições, empresas e indústrias mais competitivas e inovadoras. Basta para tal existir vontade política e ter visão, consubstanciadas numa estratégia arrojada, global e inovadora, que integre também os movimentos vindos da sociedade civil. Disse, quando havia Ministério da Cultura, que este tinha meios próprios de uma «fraca» secretaria de Estado. Agora nem ministério temos e as verbas destinadas são irrisórias. Este setor continua a ser menosprezado simplesmente porque não dá votos? Discordo. Eu acho que a Cultura dá votos. Mas é a médio prazo, claro. Os eleitores cultos, esclarecidos e bem formados têm de ser fortemente desejados enquanto eleitores porque são determinantes para a construção de uma sociedade melhor. Os políticos já sabem isto. Sobre a questão relativamente a ter um

Ministério ou uma secretaria de Estado, eu acho que a nomenclatura não é importante. O que é determinante são as decisões que se tomam, as pessoas que aceitam os cargos – e os fazem – e os orçamentos e meios de que dispõem. Nesta matéria tenho ideias claras, que já expressei publicamente: acho que a Cultura deve ser, antes de tudo, um dossiê estratégico do Primeiro-Ministro. Seria um sinal muito importante. A Cultura é, por natureza, transversal a todos os ministérios e tem um potencial extraordinário para ser explorado em termos estratégicos, estruturantes e de desenvolvimento dos países. Infelizmente, e não é só em Portugal, a cultura e a criatividade teimam em não ser entendidas nesta perspetiva de valor estratégico sustentável, absolutamente basilares no desenvolvimento económico e social. «Redesenho» é um termo que usa frequentemente, necessariamente por «deformação» profissional. Se pudesse redesenhar o país a partir de uma folha

Há um longo caminho a percorrer para tornar mais sólido o binómio Cultura e Educação. Sei que o sistema de ensino não privilegia as áreas ligadas à estética, artes e cultura. Não quero com isto dizer que o sistema português forma maus profissionais. Longe disso. Mas acho que formamos recursos humanos incompletos e demasiadamente especializados, a maior parte das vezes. No entanto, nas áreas de competência em que são formados, os nossos alunos em nada ficam a dever em comparação com estrangeiros oriundos de outros sistemas de ensino. Defende como disciplinas curriculares nucleares a Comunicação, o Inglês e o Design. Que competências fundamentais é que estas valências dariam aos alunos? A Comunicação, o Inglês e o Design são competências fundamentais do século XXI. Vamos por partes. A Comunicação é um handicap para muitos. Não pode ser bom a fazer e mau a comunicar. E comunicar bem é algo que se aprende. ;

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Quanto ao Inglês, é a língua global, quer queiramos, quer não. Não saber expressar-se fluentemente neste idioma é impensável. Finalmente, o Design, por ser uma disciplina que ensina a resolver problemas de uma forma sustentada e que pode ser utilizada por qualquer pessoa. Eu não desisto de acalentar o sonho que um dia o Design seja disciplina obrigatória para os alunos do primeiro ciclo. Seria uma decisão arrojada, aqui ou noutro país, mas que poderia ter um impacto profundamente positivo nas gerações vindouras e no desenvolvimento da espécie humana.

errado. A escolha dos caminhos educativos é legítima e, às vezes, é preciso tempo para decidir e tempo para descobrir o que faz mais sentido. O conselho que lhes dou mais frequentemente é ouvir muito bem nas aulas, ter imenso respeito pelas pessoas mais velhas e que sabem mais do que eles, mas ter dúvidas construtivas em relação a tudo. A dúvida é um alavancador do estudo e do conhecimento.

Qual seria a mais valia do Design junto dos mais pequenos?

Aparentemente sim, mas sabe, que eu própria até aos 25 anos fui claramente mais científica e racional e só depois é que abordei em maior profundidade as questões estéticas e culturais. Eles são muito diferentes, mas há um ponto que ambos têm em comum: a criatividade e a cultura estão na matriz deles para o resto da vida. E esta ligação à cultura, que devia ser extensível a todo os nossos jovens, é um pilar de sustentabilidade nosso, enquanto espécie.

Depreendo que o seu filho mais novo é mais parecido consigo na queda para as artes…

É preferível ensinar a desenvolver ferramentas, ao invés de dar soluções. Dar a cana e ensinar a pescar, como dizem na sabedoria oriental. Esta é uma disciplina muito útil nesse sentido, centrada nas pessoas e na utilização dos recursos e que contribuiria para gerar sociedades mais sustentadas, corretas e saudáveis. Tem dois filhos, um com 22 anos e outro com 18. Presumo que um em idade universitária e outro quase lá ou a iniciar-se no ensino superior. Que conselhos e incentivos nucleares deu e continua a dar como mãe ao longo do seu percurso académico? Os meus dois filhos são muito diferentes. O mais velho, seguiu o ensino mais tradicional, está agora em Budapeste a terminar o curso de economia. O mais novo é o protótipo de uma geração que não se enquadra no nosso sistema de ensino tradicional, o que obrigou a um esforço redobrado por parte dos pais, dele próprio e dos educadores, de forma a aproximá-lo da escola que temos disponível. A grande lição que se aprende em educar e que posso partilhar com outros pais é que as pessoas são todas realmente diferentes e não há fórmulas simples. É preciso orientar, flexibilizar, entender e não forçar caminhos que não refletem a natureza dos nossos filhos. Fazê-lo é completamente Publicidade

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Pedro Fernando | ELLE H

CARA DA NOTÍCIA 6 Uma personalidade da cultura Guta Moura Guedes nasceu a 23 julho de 1965, em Torres Vedras, local onde mantém residência. É co-fundadora da associação sem fins lucrativos “Experimenta”, criada em Lisboa em 1998, da qual é Presidente desde 2000. Tem-se dedicado à direção e programação da bienal, da qual tem sido diretora desde 1999. Tem sido responsável ou co-responsável pelo desenvolvimento curatorial dos projetos promovidos pela “Experimenta” desde a sua criação, tal como pela gestão de relações institucionais e internacionais, comunicação e desenvolvimento estratégico. Ativamente presente na esfera de design internacional como curadora, diretora criativa, estratega e pensadora, Guta Moura Guedes integra ou tem integrado vários comités e painéis de júri prestigiados internacionalmente, incluindo o Advisory Board da Fondazione Bisazza, o Advisory Committee da Torino 2008 World Design Capital, o Curry Stone Design Prize e o Hermès Design Prize. Os seus artigos e ensaios sobre Design, Cultura e Comunicação têm sido publicados em Portugal e no estrangeiro. Foi consultora de comunicação para o Departamento de Música da Fundação Gulbenkian, assessora do administrador-delegado da Fundação Casa da Música na área de Comunicação, Marketing, Design e Desenvolvimento e exerceu o cargo de Administradora da Fundação Centro Cultural de Belém, nomeada pelo Governo português. Em 2005 foi distinguida pela França com a Ordre de Chevalier des Arts et des Lettres. No ensino, foi professora-adjunta na Escola Superior de Arte e Design das Caldas da Rainha em 2006, responsável por um dos módulos da disciplina de Gestão Cultural, pertencente à Licenciatura em Animação Cultural. K

Vai participar, no próximo ano, no 3.º congresso internacional das Cidades Educativas, que se realizará em Barcelona. O que é para si o modelo de uma cidade que consiga fazer coexistir educação, cidadania e inclusão? Para já essa cidade não existe, talvez só na teoria. Combinar de forma harmoniosa essa trilogia é um grande desafio para todos os países do mundo e não só para Portugal. Globalmente, as cidades são bastante disfuncionais, mas acabam por ser os nossos espaços vivenciais de eleição. Esta discussão é de importância fundamental. Acredito mesmo que a questão das «cidades educativas» será “o” tema que vai dominar as próximas décadas. K Nuno Dias da Silva _   

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No Data Center da PT

Covilhã “arranca” com novas tecnologias 6 O Data Center da Portugal Telecom, na Covilhã, vai acolher, de 22 a 24 de novembro, o “Startup Weekend”, no decorrer do qual equipas de jovens empreendedores terão 54 horas para formalizarem uma ideia de negócio inovador, percorrendo fases como a apresentação, defesa do conceito, elaboração de plano de negócio e a da passagem à prática. Dina Cruz, Hélio Fazendeiro e Vasco Pereira são os dinamizadores da iniciativa internacional na Covilhã, pois a iniciativa está integrada “num evento internacional de incentivo ao empreendedorismo associado a uma plataforma de renome mundial com mais de 400 eventos realizados em mais de 100 países, como Espanha, Alemanha, Brasil, México, Japão, entre outros”, afirmam. O Startup Weekend está inserido na semana global do empreendedorismo, promovida pela Kaufmann Foundation. A equipa mentora pretende reunir, durante um fim-de-semana,

pessoas com ideias que pretendam ter uma experiência intensiva do que é criar uma empresa. Para tal contam com a ajuda de mentores experientes, para apresentarem as ideias a um júri, no final de domingo. Os destinatários deste evento são, sobretudo, jovens estudantes ou recém-formados na Universidade da Beira Interior e nos institutos politécnicos da região. No entanto “qualquer pessoa que possua uma ideia de negócio que pretenda vir a desenvolver poderá inscreverse no Startup Weekend Covilhã”, esclarecem. O número de inscrições é limitado e tem o custo de 25 euros, que compreende refeições e outros gastos relacionados com o evento. Depois de Lisboa, Porto, Coimbra e Braga chega agora, pela primeira vez, a uma cidade do interior do País, como é a Covilhã, pela mão dos mesmos organizadores das conferências Ted X. K Eduardo Alves _

Protocolo assinado

UBI voa no aeródromo 6 A Câmara de Castelo Branco e a Universidade da Beira Interior acabam de assinar um protocolo de cooperação que prevê a realização de investigação no aeródromo albicastrense, no âmbito da engenharia aeronáutica. Joaquim Morão, presidente da Câmara, explica que com este protocolo a Universidade da Beira Interior pode “utilizar o aeródromo de Castelo Branco para a realização de trabalhos de investigação”. O autarca explica que “o

aeródromo é único na região e como a UBI tem um curso de aeronáutica, é com muito gosto que o colocamos ao dispor da universidade”. Os responsáveis da UBI já iniciaram testes de aeronaves não tripuladas. “A utilização destas novas instalações permite-nos desenvolver investigação no âmbito de aeronaves não tripuladas com custos relativamente baixos. Estamos a desenvolver um projeto que pretende dar origem a asas com mudança de forma. Este

aeródromo vai permitir isso mesmo, primeiro validando o avião e posteriormente a asa”, referiram os investigadores durante os ensaios. Os investigadores da UBI referem que “o protocolo é essencial para as nossa atividades de investigação. Primeiro porque as instalações são adequadas. Depois porque estamos perto da Universidade. Além disso, o acordo garante que possamos utilizar a base logística e ficar cá fazendo campanhas mais prolongadas”. K

Estatísticas de Portugal

UBI cria com a Sapo Universidade do Minho

Tecnologia na TV 6 A RTP2 acaba de estrear a série de divulgação científica O Extraordinário Mundo das Fibras, um programa criado pela Universidade do Minho, através do projeto Fibrenamics/TecMinho e da Escola de Engenharia, tendo produção da Farol de Ideias e apoio do Ciência Viva. O objetivo é demonstrar a capacidade tecnológica das empresas e universidades nacionais e o que serão capazes de fazer nesta área. “Vivemos num mundo feito de fibras e queremos mostrar como a nossa tecnologia está a evoluir, como pode responder a questões ainda sem solução”, afirma a investigadora Sílvia Carvalho, da equipa de coorde-

nação. O programa procura trazer também situações do dia-a- dia, desde como se faz um pneu de automóvel até aos sensores que monitorizam o desempenho da canoa e do atleta. A produção da série envolveu mais de 30 empresas, nove centros de investigação, 150 horas de filmagem, 49 entrevistas e mais de 200 páginas de guiões: “Cada frase foi pensada ao mais ínfimo detalhe para que, da imagem ao grafismo, do depoimento à explicação, a ciência das fibras seja mostrada sem segredos nem rodeios ao grande público”. Os sete episódios de 30 minutos vão para o ar aos domingos, às 13 horas. K

6 A Universidade da Beira Interior é uma das entidades parceiras da Sapo no desenvolvimento da ferramenta informática “Um país como nós”, que faz o retrato do Portugal contemporâneo através dos seus números. A ferramenta, de consulta aberta, “estabelece uma relação entre cada um de nós e os ‘números’ das estatísticas do seu concelho e do País”, pode ler-se no portal. Joel Rodrigues, docente do Departamento de Informática da UBI explica que “o projeto, liderado pela SAPO no âmbito dos SAPO Labs, surgiu no contexto das eleições autárquicas deste ano, com o objectivo de apresentar, de uma forma criativa e intuitiva, informação sobre os candidatos às próximas eleições para as câmaras municipais bem como a evolução dos resultados eleitorais desde 1976”.

Para que toda esta informação fosse disponibilizada aos cidadãos, os membros do projeto desenvolveram uma base de dados de acesso livre que junta diversas fontes como os números do Instituto Nacional de Estatística, Instituto do Emprego e da Formação Profissional, Direção Geral da Administração Local, entre outras. “Um país como nós” permite caracterizar a população de cada concelho de forma personalizada, oferecendo a possibilidade de cada pessoa construir o seu retrato apresentando também comparações com outras estatísticas do concelho e do país. “Cada pessoa pode inserir uma série de parâmetros relativos a si própria e recolher inúmeros dados estatísticos relativos ao seu perfil bem como sobre o seu concelho. Desta forma temos como resultado um portal que disponibiliza muita

informação importante e continua vivo após este ato eleitoral”, atesta Joel Rodrigues. Para além da temática eleitoral, o site está fundado noutros temas como a população, onde se contabilizam os números totais, quer no território nacional, quer em termos locais, o género, a idade, e um vasto conjunto de variáveis; a economia, como os mais representantes sectores de atividade, as taxas de desemprego, salário médio, poder de compra e por fim, a educação, com os níveis de escolaridade, e outros parâmetros. Joel Rodrigues diz ser “um privilégio estar envolvido neste projeto. Assim, em conjunto, vamos decidir qual o melhor caminho a seguir para o projeto. No entanto, tendo em conta o seu potencial estou certo que o projeto vai evoluir e dar-lhe-emos continuidade para outros atos eleitorais”. K Eduardo Alves _

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Estudo em Coimbra

Vergonhas em criança 6 Indivíduos cujas experiências de vergonha na infância e na adolescência funcionam como memórias traumáticas e se tornam centrais para a sua identidade e história de vida, estão mais propensos a desenvolver psicopatologia (sofrimento psicológico e emocional) na idade adulta, revela o estudo “Memórias da vergonha que moldam quem somos”, realizado pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra ao longo dos últimos cinco anos. A pesquisa, a primeira a nível internacional sobre a fenomenologia das experiências e memórias de vergonha (as suas componentes emocionais, cognitivas e comportamentais), explorou episódios de vergonha vividos na infância e na adolescência e em que medida passaram a funcionar como memórias traumáticas e autobiográficas, condicionando a sua identidade, comportamento e saúde mental na idade adulta. Compreendeu 3 mil entrevistas junto da população geral e 120 em pacientes com diagnósticos diversos (depressão, perturbações ansiosas, do comportamento alimentar e da personalidade, etc.). Marcela Matos, que realizou a sua tese de doutoramento no âmbito deste projecto, alerta para a necessidade de intervenção clínica não só na vergonha, mas tam-

Eleições na Covilhã T As eleições para a presidência das faculdades da Universidade da Beira Interior realizamse a 20 de Novembro, devendo as listas serem entregues até ao próximo dia 28 de outubro. O acto surge na sequência da eleição do Conselho Geral e da eleição do Reitor, a que se segue o processo eleitoral relativo a vários órgãos de unidades e subunidades da Universidade da Beira Interior, como o Senado, Conselhos de Faculdade, Conselhos Científicos, Conselhos Pedagógicos, presidentes de Departamento e coordenadores de Unidades de Investigação. K

Docente da UBI no Infarmed bém nas memórias da vergonha. “Os clínicos devem estar mais atentos a esta emoção e ao seu papel na sintomatologia do doente. A vergonha é uma emoção transdiagnóstica e se não for detetada e tratada atempadamente pode, não só funcionar como um obstáculo à terapia, mas também estar associada a vários sintomas de psicopatologia e levar à autodestruição. Deve-se ainda apostar na adoção de medidas de prevenção na infância e na adolescência, nomeadamente junto dos agentes educativos”, salienta.

No estudo, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e orientado pelos professores José Pinto Gouveia, da Universidade de Coimbra, e Paul Gilbert, da Mental Health Research Unit (Reino Unido), reconhecido como a autoridade mundial do estudo da vergonha, as memórias de vergonha mais traumáticas referidas pelos entrevistados foram: experiências de abuso físico, abuso sexual, negligência emocional, crítica e desvalorização, comentários negativos sobre o corpo, bullying e comparações negativas com outros (ex. irmãos). K

Através da Desertuna

TGilberto Lourenço Alves, docente da Faculdade de Ciências da Saúde da UBI, acaba de ser renomeado para a Comissão de Avaliação de Medicamentos, órgão consultivo da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed). Àquela comissão compete, genericamente, emitir pareceres em matérias relacionadas com medicamentos, designadamente nos domínios dos ensaios clínicos e da avaliação da qualidade, eficácia e segurança. O mandato tem a duração de três anos. K

tros, fruto de consórcios Erasmus Mundus que a Universidade do Minho integra. K

Católica-Braga e-forma T O Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua aprovou 29 cursos de Formação Contínua de Professores em Regime de e-Learning, propostos pela Faculdade de Ciências Sociais da Católica – Braga. Os cursos, com a duração de 25 horas cada, são lecionados integralmente à distância, recorrendo às tecnologias de informação e comunicação. Apenas a avaliação é obrigatoriamente feita de forma presencial, no final de cada curso, estando assegurada a sua realização em diferentes locais do país, de modo a proporcionar uma solução de proximidade aos docentes do ensino básico e secundário que frequentem estas ações de formação. Os vários cursos propostos abrangem diversas áreas, estando disponíveis ações de formação para todos os grupos de docência. K

UBI em Toronto 6 A Desertuna, Tuna Académica da Universidade da Beira Interior, esteve em Toronto, no Canadá, de 19 a 30 de setembro, a convite da Casa das Beiras. O convite já tinha sido feito em 2012 mas, por falta de apoios e tempo, nessa altura não foi possível, de maneira que “este ano não quisemos recusar novamente a oportunidade de atuar pela primeira vez fora da EuroPublicidade

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pa”. Com apoios por parte da Universidade da Beira Interior, e dinheiro angariado ao longo deste ano pela tuna, foi agora possível. Acolhidos por famílias portuguesas que participam nas atividades da Casa das Beiras, “a tuna sentiu-se em casa, até a comida era portuguesa”, admite Bruno Carneiro, um dos elementos da Desertuna.

Os “trovadores e amantes por vocação” presentearam todos os que se deslocaram à Casa das Beiras com três atuações que estavam no programa, e uma surpresa. Esta atuação surpresa foi uma noite de serenatas dedicada a todas as portuguesas presentes, principalmente às que receberam os elementos da tuna nas suas casas. K Lara Silva _

Empreender com prazer

Minho recebe 400 Erasmus T O salão medieval da Reitoria da Universidade do Minho, no Largo do Paço, Braga, foi o palco escolhido para a receção de 400 alunos Erasmus que fazem intercâmbio no presente ano letivo. A sessão contou com intervenções do reitor António Cunha e do presidente da Associação Académica, Carlos Alberto Videira, intercaladas por dois momentos musicais a cargo do Departamento de Música. Os países mais representados são Espanha, Itália, Brasil, Polónia e China. Este ano chegam pela primeira vez alunos da Palestina, Jordânia, Líbano, Bielorrússia e Síria, entre ou-

T Fernando Moreira, que este ano concluiu o mestrado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro acaba de publicar EmpreendePrazer, um livro de autoajuda no sentido em que pretende demonstrar às pessoas que só depende delas comandarem as suas vidas e tornálas absolutamente fantásticas. EmpreendePrazer destina-se a pessoas apaixonadas por criar e ser disruptivo. Por isso, todos aqueles que pretendem explorá-lo poderão fazer download gratuito de dois capítulos em empreendeprazer.com. Em troca apenas terão de partilhar este conteúdo nas redes sociais. É um conceito inovador que potenciou um elevado número de downloads do livro. K


UNIVERSIDADE DE ÉVORA

Vencer a Crise Global

Aveiro e PT inovam

Já ouviu falar em e-agriculture? 6 Um sistema que integra e articula dados a partir de sensores que medem vários parâmetros agrícolas, e que permite atuar, automaticamente, em conformidade, serve de teste a uma plataforma de comunicações “máquina-a-máquina” que está a ser desenvolvida na Universidade de Aveiro. Esta plataforma resulta de um projeto promovido pela Portugal Telecom Inovação e pelo Instituto de Telecomunicações da Universidade de Aveiro, no âmbito do QREN. A aplicação da plataforma à agricultura pode ser mais um contributo para recolocar o sector no caminho do futuro. O projeto Apollo procura desenvolver uma base tecnológica de suporte a novos serviços, na área das comunicações máquinaa-máquina (também designada por M2M – “machine-to-machine”). Um dos cenários de teste desta base tecnológica, com aplicação à agricultura consiste na articulação de uma rede de sensores sem fios a uma estufa hortícola que permite a monitorização de parâmetros relacionados com as diferentes fases de desenvolvimento das plantas, a otimização do processo de cultivo e a automação de diversas tarefas na estufa. As potencialidades desta solução de e-agriculture vão muito além dos sistemas comerciais, uma vez que estes são, essencial-

mente, autómatos que reagem aos valores indicados pelos sensores, sem qualquer capacidade de correlacionar informação. Os serviços de alerta de operação permitem ao utilizador identificar, no momento, parâmetros cujo valor esteja fora da gama normal. Esta informação pode ser facultada localmente mas, acima de tudo, de forma remota, permitindo uma monitorização constante, mesmo quando não existe ninguém no local. Através da comparação dos valores medidos com as regras pré-definidas pelo sistema, ou pelo utilizador, podem ser emitidos alertas para situações tais como: falha no sistema de rega; desvios excessivos nos valores de pH da água; presença de condições ambientais extremas que exijam medidas de precaução adicionais, entre vários outros. Os testes decorrem na estufa de propagação vegetal da Escola Superior Agrária de Coimbra, com apoio de alunos, docentes e investigadores daquela instituição que colaboram na validação dos modelos. A equipa de investigadores envolve Rui Aguiar, investigador principal e professor do Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática, Diogo Gomes, coordenador da plataforma de serviços, e João Paulo Barraca, responsável pela plataforma de sensores. K

6 A Universidade de Évora acolheu, entre os dias 15 e 19 de setembro, o Congresso Internacional e Multidisciplinar intitulado “Alimentar Mentalidades, Vencer a Crise Global”. O evento, que teve como principal enfoque as questões relacionadas com a comunidade lusófona, englobou o VII Congresso da APDEA, o V Congresso da SPER e o I Encontro Lusófono em Economia, Sociologia, Ambiente e Desenvolvimento Rural. Segundo a docente Leonor da Silva Carvalho, Coordenadora do Evento, o congresso teve como objetivo geral “discutir ideias e propostas para enfrentar a crise global, de modo sustentável, através da dinamização do desenvolvimento socioeconómico, das populações rurais e da sociedade envolvente”. A iniciativa contou com a participação de mais 300 participantes (Brasil, Espanha, Angola, Portugal,

México) que apresentaram comunicações nos seguintes painéis: Crise global e efeitos na agricultura e desenvolvimento rural; Segurança alimentar, segurança dos alimentos e soberania alimentar; Políticas agrícolas e de desenvolvimento rural e regional; Crescimento, sustentabilidade e governança; Ciência, investigação e transferência do conheci-

mento; Dinâmicas socioeconómicas, inovação e competitividade; Ambiente e recursos naturais; Turismo, patrimónios e desenvolvimento rural; Agro-negócio e economia verde; Produtos locais, identidades e biodiversidade; Velhos e novos atores e estratégias para a reocupação de espaços rurais. K Noémi Marujo _

Abertura do ano académico na UBI

Exigência e envolvência 6 Ambiente de exigência e envolvência foram os pedidos do reitor da Universidade da Beira Interior, António Fidalgo, na cerimónia de abertura oficial do ano letivo, que decorreu no Anfiteatro das Sessões Solenes recebeu, a 10 de outubro. O reitor afirma que é preciso “cultivar na UBI, a proximidade do ensino e a personalização das relações entre docentes e discentes”, acrescentando que este ambiente já existe mas pretende reforçá-lo. Pois, é através deste

ambiente que a UBI se pode afirmar como destino universitário de estudantes do litoral. De caminho mostrou-se comprometido com a melhoria da biblioteca da Universidade, por considerar que esta tem um papel central na “vivência e convivência universitária”. Pedro Bernardo, presidente da Associação Académica da Universidade da Beira Interior, partilhou com Paquete de Oliveira, presidente do Conselho Geral da UBI, a preocupação com as dificuldades económicas que atingem toda a

comunidade académica. No entanto, afirmou que os estudantes não se podem “refugiar num discurso que tem tanto de depressivo como de perigoso – de que não há dinheiro”, devendo “procurar em cada dificuldade uma oportunidade”. A Sessão Solene incluiu ainda a entrega dos Prémios de Mérito Pedagógico e terminou com um concerto da Banda da Covilhã, sob a direção do maestro Luís Clemente. K Luis Almeida _

Desporto na UBI

Projeto inovador

6 O Departamento de Ciências do Desporto da Universidade da Beira Interior está a participar num projeto inovador em Portugal sobre a análise de jogos de futsal, iniciativa que surge em colaboração com a empresa de software estatístico e análise de jogo Videobserver. De acordo com Bruno Travassos, docente no departamento e um dos responsáveis pela nova ligação, o sistema vai ser agora aplicado ao futsal, “mas tem vindo a ser desenvolvido quer no futebol quer no andebol; alguns já com aplicabilidade a todas as

equipas do campeonato nacional de andebol. Já em termos de futebol, algumas equipas nacionais também já utilizam este software”. O objetivo passa por testar a utilização de um novo programa de análise de jogo no futsal. Para tal, dois alunos da licenciatura de Ciências do Desporto da UBI estão a trabalhar na análise, em tempo real, de jogos do campeonato da 1ª divisão de futsal. Será depois criada uma plataforma online que sirva de apoio aos treinadores e também para recolha e análise de dados

com fins científicos. “O papel do Departamento de Ciências do Desporto passa por este trabalho dos nossos alunos, numa primeira fase, ao terem um contacto com a análise de jogo, e permitir que esses jogos estejam online para consulta de várias entidades, nomeadamente clubes, treinadores, investigadores, comunicação social, entre outros”, sublinha, e defende a ideia de uma parceria com a Federação Portuguesa de Futebol “para que seja instituída uma plataforma online e se tenha todo o projeto em rede”. K

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Engenharia de Biossistemas

Évora internacional 6 A Universidade de Évora oferece este ano, pela primeira vez Portugal, o Mestrado Integrado em Engenharia de Biossistemas, um curso com a duração de dez semestres, que reúne todas as exigências de formação das engenharias tradicionais e das novas tecnologias, ao serviço da produção e manutenção de processos e produtos biológicos. O interesse por esta formação já despertou a adesão a este projeto educativo das empresas Galp energia, SAP, Risa, Pioneer, Torriba e da Fundação Eugénio de Almeida. “Interessa-nos fomentar parcerias com organizações altamente competitivas no mercado e que nos desafiem com os seus problemas, para que também assim consigamos estimular nos alunos uma visão empresarial da sua formação académica e ao mesmo tempo, promover o gosto pela inovação e pela criação de valor social”, refere o diretor de curso, José Rafael Marques da Silva, professor e investigador. Os engenheiros de biossistemas podem trabalhar numa

Avaliação de Caça Maior

Utad forma em Idanha

escala local ou global, em matérias como a produção sustentável de alimentos, fibras e energia, qualidade e segurança alimentar, logística de bioprodutos, utilização sustentável de biorecursos, valorização e utilização de biomassa e resíduos, empreendedorismo e inovação, sistemas de controlo ambiental, sistemas robóticos aplicados aos biossistemas e tecnologia verde. Neste momento, decorrem negociações entre a Universidade de Évora e a Universidade

de São Paulo (Brasil). Em causa está o facto de os alunos de Engenharia de Biossistemas poderem obter uma dupla titulação numa das melhores universidades da América Latina. Para o efeito, “o aluno deverá frequentar, no mínimo um ano, cada uma das instituições”, explica o professor. “Queremos proporcionar aos nossos alunos experiências pedagógicas inesquecíveis e, por isso, procuramos constantemente estar à altura da sua imaginação e capacidade”, acrescenta. K

6 A Universidade de Trás-osMontes e Alto Douro vai ministrar um Curso de Formação Avaliação Sanitária de Caça Maior. No próximo dia 26 de outubro, em Idanhaa-Nova, naquela que será a terceira edição de uma formação cada vez mais importante e urgente, dado o surto de tuberculose bovina que tem afectado a caça maior e que põe em risco uma área muito importante para o País. Sob coordenação científica de Madalena Vieira-Pinto e homologado pela Direção Geral de Alimentação e Veterinária, o curso tem como objetivo geral dotar Médicos Veterinários de competências no âmbito da avaliação sanitária de caça maior no local da caçada.Como objetivos específicos pretende criar competências em domínios como Publicidade

Minho desperta gosto pela Matemática

Avança “O Continhas” 6 O projeto “O Continhas”, iniciativa da Escola de Ciências da Universidade do Minho, está a desenvolver capacidades e a criar uma maior apetência das crianças para a Matemática, tendo envolvido até ao momento cerca de 600 alunos do préescolar e do 1º Ciclo de escolas em Lisboa, Cascais, Braga e Guimarães. Muitos dos alunos do 1º Ciclo que têm participado, e que este ano se submeteram a exame do 4º ano na disciplina, obtiveram boas notas. Já os mais pequenos, na perspetiva dos seus educadores, têm melhorado o sentido de atenção e de interpretação, afirma Teresa Malheiro, professora do Departamento de Matemática e Aplicações e coordenadora do projeto com Estelita Vaz, também professora do DMA, e Adelaide Carreira, colaboradora do Museu de Ciência da Universidade de Lisboa. Complementar às atividades curriculares, independente, interdisciplinar, tem em geral uma periodicidade semanal ou

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quinzenal. Os temas abordados incluem Geometria, Lógica, Combinações, Jogos, Números e Operações, seguindo as recomendações do Ministério de Educação e Ciência para esta faixa etária e o processo didático “concreto-simbólico-abstrato”. Os materiais usados são os habitualmente disponíveis nas escolas, como fotocópias, canetas, tesoura e cartolina. “O Continhas”, que nasceu

do doutoramento de Adelaide Carreira, orientado na UMinho por Estelita Vaz e Teresa Malheiro, vai em breve surgir com uma nova dinâmica que prevê a apresentação de algumas das suas atividades em suporte informático. A Escola de Ciências da UMinho continua a aceitar convites de instituições do préescolar e 1º Ciclo, públicas ou privadas, para implementar o projeto. K

legislação cinegética, principais doenças das espécies de caça maior caçadas em Portugal, tuberculose/ micobacterioses em caça maior, fundamentos teóricos da avaliação sanitária de caça maior, legislação e disposições administrativas no âmbito da avaliação sanitária de caça maior e prática na avaliação sanitária de caça maior. A Utad conta com a parceria da Ordem dos Médicos Veterinários, o que reforça o seu reconhecimento e qualidade. Para tal, acaba de ser assinado um protocolo de colaboração entre as duas instituições, o qual visa a partilha e complementaridade de funções entre entidades, revestindo-se de um carácter importante no aumento da eficácia da sua atuação e melhor servir a comunidade envolvente. K


Grupo de estudantes cria

2.238 novos estudantes matriculados

IEEE já está em Leiria

Mais alunos que vagas no IPL

6 Um grupo de estudantes do curso de Engenharia Eletrotécnica da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Leiria acaba de criar um núcleo de estudantes do Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE), o IEEE IPLeiria Student Branch. O IEEE, a maior associação profissional do mundo, possui mais de 380 mil membros associados em 160 países. Em Portugal, existem oficialmente onze student branch, sete deles associados a universidades e quatro a institutos politécnicos, que desenvolvem atividades de caráter técnico e/ ou social, seguindo o lema Advancing Technology for Humanity. Estas atividades passam pela promoção da ciência e tecnologia junto de estudantes de todos os níveis de ensino e de todos os níveis sociais, como aulas temáticas em escolas mais carenciadas, demonstrações técnicas em instituições de ensino superior, competições científicas, colaboração com o corpo docente em

6 O Instituto Politécnico de Leiria vai receber 2238 novos estudantes de licenciatura que se matricularam nas suas escolas para o ano letivo 2013/2014. “Feito o balanço de todas as fases do ensino superior e dos concursos e regimes especiais, os resultados foram idênticos ao ano letivo passado, mesmo com a redução do número total de candidatos ao ensino superior em Portugal, com uma taxa de matrículas de 105% em relação às vagas iniciais”, garante Nuno Mangas, presidente da instituição. Com 2.140 vagas disponíveis para licenciatura no concurso nacional de acesso ao ensino superior, foram colocados 1.470 estudantes durante as três fases, o que corresponde a uma taxa de preenchimento global de 69%, e de 80% considerando apenas os cursos do regime diurno. Mas colocações ficaram completas com a matrícula de 271 estudantes titulares de Cur-

desenvolvimento de projetos de cariz tecnológico, palestras científicas proferidas por membros do IEEE reconhecidos internacionalmente, apoio a projetos técnicos, entre outros. O IEEE IPLeiria Student Branch, composto atualmente por quinze estudantes e docentes da escola, pretende desenvolver ações de formação em parceria com o tecido empresarial da região, através de uma troca bidirecional de conhecimento técnico e científico entre empresas e alunos. K

sos de Especialização Tecnológica, 141 através do Programa Maiores de 23, 159 por transferência e mudança de curso, 81 por titulares de cursos médios e superiores, sete em regimes especiais e 109 por reingresso. No novo ano letivo 2013/2014 foram colocados 1.793 estudantes nos cursos de licenciatura

em regime diurno, 395 em regime pós-laboral e 50 nos cursos de ensino a distância. “O IPLeiria continua a demarcar-se como uma instituição de qualidade e de referência, tendo em conta o número de novos estudantes que acolhemos a cada ano letivo”, salienta Nuno Mangas. K

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IPG

Mais mobilidade

Guarda coordena

IPG lidera Erasmus Centro 6 O Instituto Politécnico da Guarda assumiu, no passado dia 9 de outubro, a coordenação do Consórcio Erasmuscentro, após uma reunião com os representantes dos institutos politécnicos. O IPG sucede nestas funções ao Politécnico de Coimbra. Este consórcio – o primeiro, no âmbito do Erasmus, criado em Portugal – engloba os Politécnicos da Guarda, Viseu, Castelo Branco, Tomar, Santarém, Portalegre, Leiria e Coimbra, representando cerca de 46 mil estudantes. Proporcionando estágios profissionais em países europeus aos alunos destes estabelecimentos de ensino superior, o

Erasmuscentro constitui-se como uma vasta rede de matriz regional associando os politécnicos, o Conselho Empresarial do Centro (CEC/CCIC), que integra 41 estruturas associativas empresariais (representando cerca de 40 000 empresas), as principais câmaras municipais da região, associações empresariais, empresas e entidades relevantes da zona de influência do Consórcio. O Consórcio gera ainda, por intermédio das 117 entidades empresariais parceiras, a oferta de estágios Erasmus aos estudantes de países europeus que pretendam realizar em Portugal este tipo de mobilidade.

Proporcionando estágios Erasmus no estrangeiro (outgoing) e em Portugal (incoming) o consórcio Erasmuscentro contribui para o fortalecimento da ligação entre o ensino superior politécnico e o mercado de trabalho. A dimensão da rede regional que se estabelece possibilita a afirmação do Consórcio à escala europeia. Nesta reunião onde foi passado o testemunho, foram analisadas as opiniões de todos os intervenientes de forma a definirem-se as linhas estratégicas, prioridades e atividades a adotar ou desenvolver no ano letivo 2013/14 para a mobilidade de Estágio Erasmus. K

IPG debate toponímia

Fórum na Guarda 6 O Fórum sobre Toponímia realiza-se na Guarda, no próximo dia 30 de outubro, um Fórum sobre Toponímia, organizado pelo Instituto Politécnico (IPG). Com esta iniciativa o IPG pretende contribuir para um melhor conhecimento das localidades do distrito, dos valores históricos, culturais, sociais, religiosos e políticos a ela associados através da toponímia. “Materiais, formato e suporte na Toponímia no distrito da Guarda” (Augusto Moutinho Borges), “Toponímia de uma aldeia: o caso de Manigoto” (Manuel Neves, “Toponímia e memória social” (Dulce Norges), “Toponímia e arqueologia: uma experiência por terras do Jarmelo”(Tiago Ramos), “A II Guerra Mundial nas ruas da Guarda” (Tiago Tadeu), “Complexidade no estudo da toponímia, no distrito da Guarda”(Adriano Vasco Rodrigues), “A toponímia, patrimó-

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6 Nos Serviços Centrais do Instituto Politécnico da Guarda decorreu, dia 4 de outubro, uma sessão de boas vindas aos alunos estrangeiros envolvidos em programas de mobilidade. Este ano letivo, vão frequentar o IPG estudantes oriundos da República Checa, Lituânia, Polónia, Itália, Turquia, Espanha e Brasil. Gabriele Andrade, oriunda da Universidade Metodista de São Paulo (Brasil), é uma das jovens estudantes que veio frequentar a Escola Superior de Turismo e Hotelaria/IPG. O facto de vir para um país com a mesma língua pesou na opção desta aluna brasileira. “É claro que também foi importante a similitude do curso. O Politécnico da Guarda é uma escola que tem nome e era uma das opções que tínhamos”. Afirmou-nos Gabriele Andrade, para quem as expectativas “são as melhores possíveis”. A par deste seu otimismo, a jovem brasileira manifesta o seu contentamento pela forma como foi recebida. “São todos muito atenciosos, professores, alunos e funcionários. Tenho a expectativa de aprender aqui muitas coisas; tanto em relação ao curso como relativamente à cultura, que tem diferenças apesar de a língua ser a mesma.” Questionada sobre as dificuldades que encontrou, referiu que “apenas nalgumas expressões na língua, de resto temos é encontrado mais facilidades do que dificuldades”.

Igor da Silva, oriundo da mesma universidade, disse-nos que “como qualquer outro brasileiro nós temos Portugal no sangue, desde a época da colonização. Nada melhor do que ter esta oportunidade de vir conhecer a cultura portuguesa”. Por outro lado, destacou-nos a importância que tem o contacto “com pessoas de outros países”, lembrando ter já conhecido colegas turcos, croatas e espanhóis. “Isto é muito importante”. Opinião igualmente partilhada pelo seu colega João Carlos Damião (tal como ele a frequentar, aqui em Portugal) a Escola Superior de Turismo e Hotelaria/IPG, em Seia. “Para quem é do Brasil, uma experiência internacional é muito gratificante. Aumenta bastante o currículo e vai ser muito bom para o futuro”. Francesca Nicolis veio da Universidade de Parma (Itália) para o Politécnico da Guarda, instituição onde encontrou “professores e colegas muito simpáticos”. Esclarecendo que nunca tinha vindo a Portugal, as referências recolhidas e o facto de “ter percebido que havia muitas semelhanças com o povo italiano” levaram-na a optar pelo nosso país. A sua adaptação à cidade da Guarda não foi difícil. “As pessoas são muito amáveis, prestáveis”, acrescentou. E as saudades da comida italiana “também se compensa. Já conheço alguns restaurantes”.K

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nio imaterial das comunidades urbanas e sua ideologização” (Carlos Caetano), “À descoberta de conexões Toponímicas de Vilar de Amargo: ou como o passado que fala ao presente ilumina o futuro”(Urbana Bolota) e “Placas toponímicas na Guarda: memórias e omissões” (Helder Sequeira) são algumas das co-

municações que integram o programa deste Fórum. Os interessados em participar devem efetuar a sua inscrição (gratuita mas obrigatória) em http://www.ipg.pt/toponimia/ Os trabalhos vão decorrer no auditório dos serviços centrais do Instituto Politécnico da Guarda. K

Valdemar Rua ADVOGADO Av. Gen. Humberto Delgado, 70 - 1º Telefone: 272321782 - 6000 CASTELO BRANCO


Politécnico de Viseu

Sebastião toma posse

Concurso Universitário CAP

Agrária de Viseu ganha 6 A equipa da Escola Superior Agrária de Viseu foi a grande vencedora do Concurso Universitário CAP – Cultiva o Teu Futuro, com o projeto “Iogurtes enriquecidos com antioxidantes extraídos a partir dos compostos fenólicos do vinho”. A equipa da Escola Superior Agrária de Viseu, constituída pelas alunas Suzanna Ferreira e Ana Rodrigues, com a orientação científica dos docentes Raquel Guiné e Fernando Gonçalves, recebeu o prémio de nove mil euros das mãos do secretário de Estado da Agricultura, José Diogo Albuquerque. O trabalho de investigação agora premiado foi desenvolvido pelas alunas no âmbito da unidade curricular de “Inovação, Desenvolvimento e Aproveitamento de Produtos Alimentares” do curso de EngenhaPublicidade

ria Alimentar. Ao concurso foram submetidos 125 projetos concorrentes, com trabalhos de áreas académicas diversas, dos quais 16 foram selecionados para apresentação na sessão Elevator Pitch, que apurou os seis finalistas e o vencedor. O Concurso Universitário CAP – Cultiva o Teu Futuro destina-se a alunos que à data da candidatura frequentem uma licenciatura, pós-graduação, mestrado, ou Doutoramento cujos programas contemplem conteúdos de Agronomia, Ambiente, Design, Gestão, Economia, Gestão Industrial, Saúde, Marketing, entre outros, e que pretendam apresentar um projeto no âmbito do tema em vigor para cada edição do concurso. K Joaquim Amaral _

6 Continuar a qualificação do corpo docente, apostar no empreendedorismo e combater um eventual imobilismo que pode resultar da situação financeira difícil vivida pelo país são três das ideias fundamentais de Fernando Sebastião, que tomou posse como presidente do Instituto Politécnico de Viseu em setembro, após ter sido reconduzido no cargo em junho último. “Reassumo funções como presidente do Instituto Politécnico de Viseu num momento particularmente difícil. Em períodos de crise, o imobilismo é a pior estratégia a ser seguida por qualquer organização. A flexibilidade e a adaptação ao contexto envolvente são, por isso, condições essenciais à sobrevivência e ao sucesso da nossa instituição”, referiu no seu discurso de tomada de posse, cerimónia realizada na Aula Magna, que contou com cerca de 400 pessoas, entre elas o ministro da Educação, Nuno Crato. Orgulhoso pela diversidade da oferta formativa, pelo desenvolvimento de projetos de investigação aplicada e da ligação que tem vindo a ser efetivada com o tecido empresarial, considera o Politécnico de Viseu “um pilar estruturante do desenvolvimento da região, na medida em que cria condições para a inovação e reforço da competitividade das empresas e modernização das demais instituições”. Referiu ainda o facto de a instituição ter seis mil alunos e um impacto da ordem dos 70 milhões de euros na economia da região, gerado

com um orçamento de apenas 15 milhões. Já o presidente do Conselho Geral do Instituto, João Cotta, referiu que “o Instituto Politécnico é a instituição mais importante para o desenvolvimento do distrito e região de Viseu” e propôs mesmo ao Ministro da Educação e Ciência que os “institutos politécnicos passem a designar-se como universidades de ciências aplicadas”. A importância do ensino politécnico foi também o tema da intervenção do presidente do Ccisp, Joaquim Mourato: “o ensino politécnico tem uma relevância determinante para o desenvolvimento sustentável das nações”. No encerramento dos discursos, o ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, referiu que “os politécnicos são parte da solução dos problemas do país e estão a responder bem aos problemas que atualmente vivemos”. Com uma intervenção muito centrada nos jovens, referiu ainda que “quanto me-

lhor preparados estiverem, com maiores habilitações e qualificações, melhor será o seu futuro”. VICES E INAUGURAÇÕES. Após a sessão solene, o programa contemplou ainda a inauguração do novo Pavilhão Polidesportivo do Politécnico e do Centro de Inovação e Transferência de Tecnologia do Instituto Politécnico de Viseu, que inclui a nova unidade incubadora de empresas. Estas novas valências da instituição, com um custo total de dois milhões de euros, tiveram um financiamento da Administração Central de duzentos mil euros, tendo o restante sido obtido através de receitas próprias do Instituto Politécnico de Viseu. A aquisição do mobiliário, no valor de cinquenta mil euros, foi assegurada pela ADIV, unidade interface do IPV. O novo edifício fica localizado dentro do campus politécnico. K Joaquim Amaral _

Senhora de Fátima em Roma

Tomar monitoriza imagem 6 Uma equipa de profissionais de restauro do Politécnico de Tomar observou a Imagem da Nossa Senhora de Fátima, antes da recente viagem a Roma, de forma a permitir localizar a existência de pontos de maior fragilidade da sua camada pictórica e a permitir fixar algumas áreas que oferecessem risco de destacamento. O trabalho foi desenvolvido no âmbito do protocolo celebrado entre o Santuário de Fátima e o Instituto Politécnico de Tomar que, através dos membros

do Laboratório de Conservação e Restauro desta Instituição, “.se encontra a assessorar o Museu do Santuário de Fátima (desde maio deste ano) no que respeita ao estudo e conservação desta importante escultura”, refere o diretor do Museu do Santuário de Fátima, Marco Daniel Duarte. Também o presidente do Instituto Politécnico de Tomar, Eugénio Pina de Almeida refere que “face ao convite da Santa Sé, relativo a esta viagem, ao efetuarmos este trabalho preparatório, neste momento, o Laboratório

de Conservação e Restauro, do Instituto Politécnico de Tomar, garante que a Imagem da Nossa Senhora de Fátima está em condições de viajar”. A intervenção foi realizada entre os dias 23 e 26 de setembro nas instalações do Santuário de Fátima pelas conservadoras restauradoras Carla Rego (coordenadora) e Lígia Mateus (ambas do IPT), na presença do diretor do Museu do Santuário de Fátima, Marco Duarte, e Ana Rita, a conservadora residente do Museu. K

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Cooperação

Alunos de Beja na China 6 Dois estudantes do Instituto Politécnico de Beja terão a oportunidade de enriquecer o seu percurso académico com a realização de um período de mobilidade no Instituto Politécnico de Macau (IPMacau) no 2º

semestre de 13/14. A cooperação e a mobilidade de estudantes realiza-se no âmbito do memorando de entendimento entre o Instituto Politécnico de Macau e o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos,

no âmbito do qual cerca de 40 estudantes portugueses realizam anualmente os seus períodos de mobilidade internacional no Politécnico de Macau e beneficiam da riqueza sociocultural e económica do Oriente. K

Estudantes estrangeiros

71 erasmus em Setúbal 6 O Instituto Politécnico de Setúbal recebe este ano 71 estudantes de vários países europeus, como a Alemanha, Itália, Polónia, Espanha, Bélgica, Eslováquia, França, Finlândia, Holanda, República Checa e Dinamarca ao abrigo do programa Erasmus. Do Brasil e América Latina chegam 12 estudantes através do programa Santander Universidades. Alguns destes estudantes pretendem prosseguir os seus estudos nas diferentes escolas do IPS apenas no 1.º semestre, enquanto outros ficarão durante todo o ano letivo 2013/2014. A estes virá juntar-se em janeiro o grupo do segundo semestre. Atualmente o Politécnico dispõe de cerca de 180 protocolos com instituições parceiras ao abrigo de programas de mobilidade, o que na opinião de Albertina Palma, vice-presidente do Instituto e coordenadora Institucional Erasmus, “constitui um forte fator de atração institucional, pois permite oferecer aos seus estudantes e pessoal docente e não docente excelentes oportunidades de internacionalização.”

Design com projeto inédito

T A Escola Superior de Ciências Empresariais de Setúbal organizou a 8ª edição da Business Week, de 14 a 18 de outubro, dedicada ao tema Empreendedorismo no setor do Turismo. Este ano a iniciativa contou com a participação de vários empreendedores da região de Setúbal, através de uma visita de estudo a vários negócios locais. As equipas trabalharam sob o tema definido, expondo as suas ideias dentro do próprio grupo e selecionando aquelas que são passíveis de se tornarem um negócio. O objetivo final foi apresentar a um júri externo um sucinto plano de negócios, avaliado pela sua qualidade, consistência e real possibilidade de execução. K

T “Trazer uma nova maneira de pensar o turismo” é uma das provocações do projeto In-Site promovido por Jorge Passos, designer do produto, e por Débora Silva, designer de ambientes, ambos exalunos do Politécnico de Viana do Castelo. Diplomados pela Escola Superior de Tecnologia e Gestão, lançaram o In-Site que tem como principal propósito defender a cultura do lugar e das gentes, para colocar hóspedes junto das comunidades, tornando possível a uma pequena freguesia ter uma unidade hoteleira que pode resultar numa ajuda para a economia local. O projeto está já a ser acompanhado pela Incubadora de Indústrias Criativas da Bienal de Cerveira. “O projeto In-Site tem como imagem de marca a inovação. É um projeto que traz uma nova maneira de pensar o turismo. Leva o hóspede para o local que ele mesmo escolheu, com os mesmos comodismos de um quarto de hotel, mas num espaço que foi pensado como um posto de observação e captação da envolvência”, explica Jorge Passos. “Tudo isto é conseguido através da característica estrutural do módulo que foi projetado para que o hóspede, quando se encontra no interior, consiga observar o exterior através de uma superfície vidrada. A sua privacidade é assegurada através do acabamento exterior do módulo, que o torna espelhado de quem vê do lado exterior”, descreve ainda a propósito do projeto, a jovem designer de ambientes, Débora Silva, diplomada igualmente pela Escola Superior de Tecnologia e Gestão do IPVC. K

Erasmus em Beja TO Instituto Politécnico de Beja recebeu 20 estudantes Erasmus, provenientes de cinco países (Espanha, Alemanha, Hungria, Lituânia e Polónia), a 30 de setembro, numa cerimónia realizada no auditório da Escola Superior de Educação. Os estudantes serão acompanhados de perto pelo grupo de alunos portugueses (NEXT) que com eles partilham a experiência de terem sido também estudantes internacionais e que, dessa forma, esperam ajudar na integração com a comunidade. K

Porto investiga cidadania

Para facilitar a aquisição de bases naturalmente essenciais à sua estada, bem como a sua integração na comunidade IPS e na comunidade em geral, encontra-se a decorrer o Curso Intensivo de Língua e Cultura Portuguesas para estudantes estrangeiros. O Centro para a Internacionalização e Mobilidade do Instituto Politécnico de Setúbal organizou também a habitual sessão de boas-vindas, para proporcionar a partilha de experiências entre os vários estudantes e divulgar informação relevante para a sua

permanência na instituição. De referir que os estudantes do Politécnico de Setúbal têm também a oportunidade de enriquecer o seu currículo com experiências de estudos no estrangeiro. O programa Santander Universidades disponibiliza 15 vagas em instituições de ensino superior da América Latina, nomeadamente no Brasil e Chile e o programa Erasmus disponibiliza 30 vagas em instituições de ensino superior na Europa, para estudantes do Instituto. K

www.ensino.eu 012 /// OUTUBRO 2013

Empreender em Setúbal

T O projeto Inter Gera Acção (IGA), promovido pelo Politécnico do Porto em conjunto com a organização não governamental para o desenvolvimento Engenho&Obra, ficou classificado em primeiro lugar no Programa Europe for Citizens, sendo apresentado como um caso de sucesso. Com um orçamento de cerca de 214 mil euros, o projeto IGA pretende contribuir para uma Europa mais inclusiva, estimulando o diálogo e interação entre cidadãos e instituições europeias no sentido de se encontrarem soluções eficientes e sustentáveis para diversas formas de exclusão social. O IGA representa um bom exemplo de cooperação entre 13 instituições de ensino superior e organizações não governamentais de sete países europeus: Portugal, Espanha, Itália, Áustria, Polónia, Chipre e Albânia. K

Algarve com Universia TA Universidade do Algarve e a Universia apresentaram, a 23 de setembro, um novo Portal de Emprego, que integra a rede internacional Trabalhando, presente em 11 países ibero-americanos e que oferece cerca de 200 mil oportunidades mensais de emprego. No novo Portal de Emprego poderão registar-se alunos e ex-alunos da Universidade do Algarve, colocar o seu currículo e encontrar as ofertas da comunidade Trabalhando, bem como ofertas exclusivas da Universidade do Algarve. As empresas interessadas em recrutar alunos da Universidade do Algarve poderão, igualmente, publicar as suas ofertas de emprego, transversais a vários cursos, uma vez que o portal abrange toda a Academia. K


Politécnico de Portalegre

Protocolo com Évora

IPP

Agrária faz 17 anos 6 A Escola Superior Agrária de Elvas assinalou o seu 17º aniversário a 14 de outubro com a inauguração da exposição 10 anos de Enfermagem Veterinária em Portugal, com a presença do autor, Alfredo Jorge Silva, catedrático da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Técnica de Lisboa. Na exposição encontram-se fotos ilustrativas

do ensino e das atividades do curso ao longo destes anos nas várias instituições de ensino superior que ministram esta licenciatura, regi9stando os momentos mais marcantes deste percurso. A exposição irá estar patente na Sala de Exposições da ESAE até 27 de outubro e poderá ser visitada das 9 às 19h30. K

Enfermagem de Coimbra

Protocolo assinado 6 A Escola Superior de Enfermagem de Coimbra acaba de assinar um protocolo de cooperação com a ELCOS - Sociedade de Feridas, o qual visa facilitar e promover a colaboração de base técnica e científica no domínio da ferida cutânea.

A cooperação entre as duas instituições contempla atividades formativas, de investigação e produção de documentos científicos, a realização de congressos, seminários e colóquios. K

IPC

Cinema adiado 6 A organização do Festival Caminhos do Cinema Português decidiu adiar a organização da XX edição, prevista para 15 a 23 de novembro, devido a constrangimentos de ordem financeira. “É com profundo pesar que tomamos a decisão de propor a XX edição dos Caminhos do Cinema Português para Novembro de 2014, mas estamos convictos que, com este adiamen-

to, conseguiremos estar à altura das expetativas que o evento gerou no passado nos nossos públicos e nos criadores portugueses”, referiu a organização. Porém, as mais marcantes atividades paralelas do festival serão realizadas, caso do Curso de Cinema Cinemalogia 3 – Da Ideia ao Filme, que irá decorrer entre 30 de novembro de 2013 e 8 de junho 2014. K

6 O Instituto Politécnico de Portalegre e a Universidade de Évora acabam de assinar um protocolo de colaboração, no âmbito da coordenação regional entre instituições de ensino superior. O acordo específico tem como objetivo enquadrar a cooperação, entre as duas instituições, no que concerne à colaboração de docentes (em atividades de docência, de coordenação e de supervisão), no âmbito das suas possibilidades e num quadro de reciprocidade. Esta parceria assenta no benefício decorrente para as instituições universitárias e politécnicas de uma colaboração que permita o intercâmbio de docentes, nomeadamente o cruzamento de experiências académicas distintas e percur-

sos científicos diversos, com as correspondentes repercussões positivas tanto para a qualidade do ensino praticado, como para a adequada formação de discentes.

O protocolo foi assinado, a 10 de outubro, em Évora, pelo presidente do IPP, Joaquim Mourato, e pelo reitor da UÉ, Carlos Braumann, já se encontrando em vigor. K

EDP University Challenge 2013

Portalegre na final 6 Um grupo de alunos do 2º ano da licenciatura de Administração de Publicidade e Marketing da ESTG, está entre os finalistas do concurso universitário EDP University Challenge 2013. +Home Control foi o tema abordado por Diogo Guerrinha, Joana Costa, Patrícia Andrade, Luís Silva e Fábio Entradas na sua campanha de sensibilização para a poupança energética por parte dos lares portugueses. O EDP University Challenge 2013 é a 7ª edição de um concurso universitário que tem por objetivo promover o desenvolvimento de trabalhos nas áreas de estratégia, marketing e comunicação. A final teve lugar no Museu da Eletricidade, em Lisboa, no dia 17 de outubro, com uma sessão de Elevator Pitch, para que os melhores grupos apresentassem os seus trabalhos.

Os 15 projetos finalistas resultaram de uma avaliação preliminar dos inúmeros trabalhos apresentados a concurso. Nas edições anteriores estiveram presentes dezenas de equipas de mais de quinze uni-

versidades. O EDP University Challenge é um prémio universitário que irá atribuir ao grupo vencedor, uma bolsa de estudo e é dada ainda a possibilidade de realizar um estágio na EDP. K

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OUTUBRO 2013 /// 013


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Nível de cromato na água e no solo

Coimbra cria biossensor 6 Um biossensor que deteta e quantifica o nível de cromato (ião altamente tóxico do crómio hexavalente) na água ou no solo, em apenas três horas, acaba de ser concebido por uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra. Esta bioferramenta, com aplicação na resolução de problemas de contaminação por metais pesados, tem por base células modificadas por processos de engenharia genética, extraídas de bactérias capazes de sobreviver em ambientes extremos. Em linguagem simples, “de um vasto conjunto de organismos microbianos recolhidos em locais contaminados, começámos por isolar as bactérias de interesse, estudámos os seus mecanismos e extraímos o gene envolvido na resistência ao cromato. Identificado esse gene, partimos para a conceção do biossensor, modificando células existentes e fabricando novas”, explicam Paula Morais e Rita Branco, coordenadoras do es-

tudo já publicado em várias revistas científicas internacionais, como p. ex., na Biometals e PLOs One. Da bateria de ensaios realizados, o biossensor revelou elevada seletividade, ou seja, identificou apenas o cromato, ignorando os restantes elementos presentes. Quanto à entrada no circuito comercial, a equipa con-

sidera que a ferramenta “tem elevado potencial, podendo desempenhar um papel importante na resolução de problemas de contaminação de solos e de água por este metal pesado extremamente tóxico e reconhecido como um agente cancerígeno, em zonas de concentração de indústrias do aço, cromagem e curtimento de peles”. K

Vinho luso vai mudar é uma das principais projeções da pesquisa, que estabelece uma série de cenários futuros para o clima e para os vinhos nacionais a partir de 2041 e até 2070, com elevado grau de fiabilidade. “O clima português vai ficar muito mais quente. Por exemplo, o clima no Minho vai ficar parecido ao que temos hoje no Douro, no Douro passaremos a ter um clima semelhante ao interior do Alentejo e existe a possibilidade de, no Alentejo, virmos a ter zonas de vinha que, para subsistirem, terão de ser regadas”, explica o investigador Hélder Fraga. Este aumento da temperatura pode fazer com que muitas das

regiões portuguesas possam ter condições para uma maturação mais rápida ou deficiente, “com consequências na produção e na qualidade do vinho”, continua o coautor do artigo. Além disso, as projeções apontam para uma tendência de homogeneização do clima a nível nacional. O projeto de cientistas do Centro de Investigação e de Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB) da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) é inédito a nível mundial e foi selecionado para uma das mais prestigiadas revistas científicas do mundo, a Regional Environmental Change. K

Prémio Nacional de Psicologia 2013

014 /// OUTUBRO 2013

distinguir uma pessoa ou instituição cujo contributo para a afirmação da psicologia na sociedade seja especialmente meritório de reconhecimento público. Trata-se de uma iniciativa que nasceu da vontade da Ordem em contribuir para a disseminação da Saúde Mental e da Psicologia em Portugal, bem como enaltecer o mérito

do trabalho desenvolvido nestas áreas. Ao receber o prémio o reitor do ISPA, Rui Oliveira, sublinhou o “orgulho por o ISPA ter sido a primeira instituição escolhida para esta distinção” e sublinhou que “vai continuar empenhado em dar o seu contributo para o desenvolvimento da Psicologia em Portugal”. K

culturais, como os museus. O trabalho está a ser desenvolvido pelos alunos do mestrado em Tecnologia e Arte Digital Ana Carina Figueiredo, Marco Heleno e Teresa Abreu, em conjunto com os professores Pedro Branco e Nelson Zagalo. Esta equipa trabalha no laboratório engageLab, do Centro Algoritmi e do Centro de Estudos em Comunicação e Sociedade da Uminho. K

Eco-escolas

5ª Edição Geração depositrão 6 A Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa foi premiada na atividade criativa Spot REEE, na 5ª edição da Geração Depositrão, da ERP Portugal, organizada pela Associação Bandeira Azul da Europa, no âmbito do projeto Eco-escolas. Esta edição envolveu mais de 640 escolas e mais de 340.000 alunos de norte a sul do país. A Geração Depositrão continua no próximo ano letivo, com a 6ª edição, onde o foco da campanha continua a ser a recolha de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrónicos (REEE) e pilhas usadas, através de atividades desenvolvidas entre alunos e professores, tendo as esPublicidade

ISPA distinguido pela Ordem 6 O ISPA acaba de ser distinguido pela Ordem dos Psicólogos Portugueses com o primeiro Prémio Nacional de Psicologia, pelos 50 anos de um trabalho pioneiro na formação inicial e pós-graduada de psicólogos e no desenvolvimento da investigação nas ciências psicológicas em Portugal. O Prémio tem por objetivo

Minho ganha nos videojogos

6 O MonMazes, um videojogo da Universidade do Minho, que torna os quadros do pintor Piet Mondrian em autênticos labirintos interativos, venceu o prémio de melhor Work in Progress Paper da Conferência VideoJogos 2013. O projeto, que está a ser ultimado, envolve a interação entre duas pessoas e pode vir a ter impacto em espaços públicos e

Utad com estudo pioneiro 6 As alterações climáticas podem vir a modificar todo o mapa vitícola em Portugal, com impactos tanto na produção como na qualidade dos vinhos, já a partir de 2041. A conclusão é de um estudo do Centro de Investigação e de Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB) da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real. A eventual transformação das características dos vinhos portugueses, tal como são conhecidos, em menos de 30 anos, é apontada como uma provável consequência das alterações climáticas, caso não sejam tomadas medidas de adaptação. Esta

Investigação

colas como agentes importantes na divulgação e introdução de boas práticas ambientais. Prémio sobre dor crónica A Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) e a Grünenthal promovem a segunda edição do Prémio SPMI/Grünenthal destinado a galardoar trabalhos originais em língua portuguesa de investigação ou de descrição de casos clínicos, em formato de poster ou em comunicação oral sobre o tratamento da dor crónica em Medicina Interna. As candidaturas decorrem até 12 de Novembro. Ao trabalho vencedor será atribuído um prémio no valor de dois mil euros. K


Coleção de Berardo com estreia em Portugal

Milhares de pessoas inauguram Centro de Cultura 6 O Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco foi inaugurado no último domingo com a exposição de arte latino-americana de Joe Berardo. Da autoria do arquiteto catalão Josep Lluis Mateo, o Centro representa um investimento de cerca de cinco milhões de euros e foi visitado, gratuitamente, pelas milhares de pessoas que assistiram à inauguração. “Estou muito contente por ver como os albicastrenses utilizam esta praça. Eu não quero ganhar prémios, mas sim que as pessoas utilizem as minhas obras”, disse o arquiteto. Da responsabilidade da Câmara de Castelo Branco, aquela estrutura representa, para o presidente cessante do município albicastrense “o fim e o princípio de um ciclo de investimentos na área da cultura”. Para Joaquim Morão, o Centro é “uma obra arquitetónica de grande alcance”. O autarca considera que a fixação das pessoas em cidades como Castelo Branco também se “faz pela cultura. A Câmara Municipal de Castelo Branco teve sempre claro que o desenvolvimento sustentado do concelho e a aposta na fixação populacional - nomeadamente das faixas etárias mais jovens e com mais elevado nível de formação académica - passa pela oferta de programação cultural diversificada e de qualidade”. Por isso, disse Joaquim Morão,“ não me impressiona esta nova e recente moda de falar de cultura como uma atividade essencial ao desenvolvimento”. O presidente deu como exemplos do que foi feito “a recuperação do Cine Teatro Avenida, a construção dos museus Cargaleiro e do Canteiro ou a nova biblioteca da cidade”. A aposta na cultura e na educação em Castelo Branco e noutros concelhos da região centro do país, foi

também sublinhada pelo presidente da Comissão Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro. Pedro Saraiva considera que essas apostas fazem com que “a região centro seja a que tem o melhor sistema educativo do país, os melhores resultados nos exames nacionais e a menor taxa de abandono escolar”. O Centro de Cultura Contemporânea acolhe, durante o próximo ano, a exposição de arte latino-americana dos séculos XX e XXI da coleção de Joe Berardo, a qual inclui obras de pintura, escultura e vídeo, provenientes de todos os países da América Latina. Joe Berardo destacou a importância da exposição, a qual apresenta, pela primeira vez em Portugal a pintura monumental “Watchman, What of the Night?” (10m x 3m) do artista surrealista chileno, Roberto Matta. O comendador lembrou ainda a importância da exposição estar patente numa região do interior do país e

mostrou-se bastante agradado pelos milhares de pessoas que participaram no evento. O Centro de Cultura Contemporânea está localizado

no centro cívico, na praça da Devesa, e abre de terçafeira a domingo das 10H00 às 18H00. A estrutura está dividida em três pisos e apre-

senta diversas salas para exposições, uma sala para projeções, cafetaria, loja, uma pista de patinagem de gelo sintético exterior e um auditório de 275 lugares.

No investimento realizado, a autarquia obteve 85 por cento do valor da obra em fundos comunitários e 10 por cento junto do Banco Europeu de Investimentos. K

OUTUBRO 2013 /// 015


Macau

Poemas chineses dão livro português 6 “Poemas de Tao Yuanming”, um dos principais poetas chineses, foram traduzidos para a língua de Camões pelo poeta português Manuel Afonso Costa e o resultado foi lançado em livro, este mês, em Macau, numa edição bilingue, pela primeira vez. “É a primeira obra com mais de 60 poemas de Tao Yuanming em português e insere-se no âmbito do projeto da editora Livros do Meio de divulgar a cultura chinesa em língua portuguesa”, disse à agência Lusa Carlos Morais José, o proprietário da editora, que lança o livro em parceria com o Instituto Cultural de Macau. A Livros do Meio apostou na edição de uma versão bilingue (em português e chinês) do trabalho de Tao Yuanming (século IV e V) “porque este é um dos principais nomes da história da poesia chinesa, é muito conhecido na China e influenciou outros poetas”, sustentou. Manuel Afonso Costa, começou a interessar-se por poesia chinesa há cerca de 30

anos ao adquirir uma antologia em França e desenvolveu esse entusiasmo quando se mudou para Macau nos anos 90. Demorou cerca de dois anos a concluir a versão portuguesa dos poemas de Tao Yuanming, tendo encontrado algumas semelhanças com a sua própria poesia. “Na poesia exprimo uma certa nostalgia do campo, que foi para mim uma espécie de paraíso da infância, pois vivia em Coimbra, onde estudava, mas as férias eram na aldeia - Zebreira, do concelho de Idanha-a-Nova -, onde havia um campo infinito, e isso ficou no meu imaginário como algo quase sagrado”, disse à Lusa. Nos poemas de Tao, Manuel Afonso Costa diz que foi “encontrar uma poderosíssima pulsão pelo campo, pela aldeia, pela casa rural que tinha”, tendo constatado que “a maior parte daquilo que nele é reflexivo é muito parecido com o que é reflexivo na poesia clássica e até barroca europeia”. “Ele reflete muito sobre a brevidade da

vida, sobre a inexorabilidade da morte, a poesia dele está toda pontuada com reflexões existenciais - de que gosto muito -, daí que ele procure ir para o campo, porque sente que o tempo está a passar, e aí tem a sensação de que passa mais devagar”, explicou. “Poemas de Tao Yuanming” é “uma antologia de poesia” do chinês, mas “tem também prosa e não andará muito longe daquilo que é a sua obra completa, porque não escreveu muito”, indicou o poeta português, referindo que o seu trabalho se baseou na ajuda de amigos que sabem chinês e nas versões francesa, inglesa e espanhola da obra de Tao. O livro conta, por exemplo, com o poema “A fonte dos pessegueiros em flor”, que é estudado nas escolas na China e retrata uma “espécie de utopia, uma terra sem guerra, violência ou fome, mas que não se sabe onde fica”, disse. Manuel Afonso Costa, de 64 anos, poeta e professor universitário, é licenciado

em Engenharia Mecânica e em História, fez o mestrado em Cultura Política e doutoramento em Filosofia, viveu em França, entre 1989 e 1993, onde deu aulas de Cultura Portuguesa, e em Macau, entre 1993 e 2000, tendo regressado ao território em 2011 “com a crise” em Portugal. Com quatro livros de poesia publicados - “O roubo da fala” (Ágora), “Os limites da obscuridade” (Caminho), “Os últimos lugares” (Assírio & Alvim) e “Caligrafia imperial e dias duvidosos” (Assírio & Alvim) -, prepara-se para lançar o quinto em 2014, “Memórias da casa da China e de outras visitas” (Assírio & Alvim), com influência da poesia chinesa. Em novembro, a Livros do Meio prevê editar em livro “500 poemas chineses traduzidos para português”, com a Casa de Portugal, para assinalar “500 anos do encontro entre Portugal e a China” e, até ao fim do ano, vai ainda publicar “Contos da Água e do Vento”, da escritora de Macau Fernanda Dias, disse Carlos Morais José. K

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Angola, Moçambique, Cabo Verde e Timor

AIP estimula criatividade 6 A Associação Industrial Portuguesa (AIP) vai lançar um programa para promover o empreendedorismo entre as crianças de Angola, Moçambique, Cabo Verde e Timor, com ações a desenvolver nas escolas do ensino básico. Depois de abranger cerca de 2.000 crianças portuguesas, o projeto da AIP Ateliê Empreender Criança pretende criar “uma cultura de empreendedorismo” entre as crianças do ensino público destes países de língua portuguesa. “Pretende-se fomentar a aprendizagem pela prática e experiências concretas e assim estimular a criatividade, liderança, inovação, trabalho em equipa e sentido cívico. O objetivo é criar hoje uma cultura de empreendedorismo nas crianças para serem o motor do desenvolvimento económico amanhã”, afirma a associação, num comunicado enviado à Lusa. A primeira iniciativa decorre já este mês, com uma sessão no dia 25 na Escola Portuguesa de Luanda, em Angola, junto de cerca de 300 alunos do terceiro ano. Em Cabo Verde será também lançado, ainda em outubro, um projeto-piloto abrangendo mil crianças. O projeto Ateliê Empreender Criança pretende ser “um cartão-de-visita no processo de internacionalização da AIP-CCI nos 016 /// OUTUBRO 2013

Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), promovendo o empreendedorismo na rede escolar do ensino básico através de um compromisso entre a escola, as empresas e a comunidade”. A AIP aposta na formação profissional como “um contributo válido para a comunidade local”, sendo também uma forma de “fortalecer e criar raízes nestes países de modo a poder apoiar as empresas portuguesas nos seus processos de internacionalização”. O projeto da AIP conta com o apoio de “grandes empresas portuguesas” e o apoio institucional do Governo português, através do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua. O programa pedagógico está adatado para 30 semanas, sendo lecionada uma hora por semana, dentro de quatro módulos: “Crio o meu negócio já!”, “Quero vender o meu produto!”, “Deixa ver... que resultados espero obter?” e “Como é ser empresário?”. É dada formação presencial aos professores, que depois ficam totalmente autónomos. O programa de cooperação foi assinado, em Luanda, durante a visita a Angola do secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Luís Campos Ferreira. K


Com a chancela da RVJ

Pedra Pequena na Biblioteca 6 O romance Pedra Pequena, de Luís Cerejo, editado pela RVJ Editores, Lda, foi apresentado no passado dia 11 de outubro, na Biblioteca Municipal de Castelo Branco. Pedra Pequena é uma história feita de histórias que retratam as gentes de Castelo Branco. O livro foi apresentado por José Teodoro e Pedro Salvado, contando ainda com as intervenções de Helena Diogo, Natália Escada, João Carrega (enquanto editor) e Anabela Tomás (autora da capa). José Teodoro e Pedro Salvado destacaram a escrita do autor e a história do livro, onde num percurso conhecido da cidade de Castelo Branco, três amigos se encontram diariamente para falar da grandeza e miséria do quotidiano, partilham histórias e procuram um sentido para as suas vidas. No prefácio do romance, Luís Cerejo afirma “Pedra Pequena nunca servirá para esculpir uma

coluna, para portal de uma igreja, pilar de um palácio ou ameia de um castelo”. E continua “Pedra Pequena é como a Vida... uma tragédia e uma comédia gregas em simultâneo. Pedra Pequena não é, afinal, Castelo Branco. Pedra Pequena somos todos nós”. Luís Cerejo começou a sua

carreira como docente em 1976/77. Atualmente, é professor do Agrupamento de Escolas Amato Lusitano, em Castelo Branco, cidade onde também vive. Este é o segundo romance de Luís Cerejo, que se estreou em 2011 com Camionete de Carreira (chancela da RVJ Editores, Lda). K

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Lanche saudável

Frutos nas escolas 6 Depois do sucesso das edições anteriores que envolveram no total 63.348 alunos de 3.435 turmas de 1.332 jardinsde-infância e escolas básicas do 1º ciclo, o projeto “Heróis da Fruta – Lanche Escolar Saudável” regressa às escolas no novo ano letivo para combater a obesidade infantil e restantes doenças associadas. Esta é já a terceira edição da iniciativa de âmbito nacional promovida pela Associação Portuguesa Contra a

Escola Profissional do Pinhal

Alunos na Letónia 6 Uma delegação da Escola Tecnológica e Profissional da Zona do Pinhal (ETPZP) deslocou-se à Letónia, de 28 de setembro a 4 de outubro, para representar Portugal no Projecto internacional Comenius. Delegações de Portugal, Polónia, Inglaterra, Grécia, Itália, Lituânia, Turquia e Alemanha reuniram-se, nas instalações da escola Raina 6 Vidusskola (Liepaja), no sentido desenvolver um projeto de trabalho e de aprendizagem que visou o intercâmbio de saberes entre escolas da UE.

Com o objetivo de ser produzido um e-book, alunos e professores realizaram, após a participação em diversos workshops e de uma visita guiada à prisão Karosta, o quinto capítulo do livro. Este tipo de iniciativa é, segundo os participantes, “de extrema relevância, uma vez que possibilita desenvolver o conhecimento e o trabalho colaborativo entre as várias comunidades educativas no que respeita a diversidade de culturas, línguas e valores”. Outro ponto fulcral é o facto de os alunos regressarem

ao país “com uma enorme vontade de conhecer outras culturas e de participar, no futuro, em novas experiências internacionais”. Para além de uma formadora do curso de Comunicação e do director pedagógico da escola profissional, participou nesta iniciativa uma aluna do curso de Restauração. No próximo mês de Novembro, a ETPZP receberá, em Portugal, os seus parceiros no sentido de desenvolver o sexto capítulo do e-book e reforçar as relações com os seus parceiros de trabalho. K

Consórcio Napo

Saúde na sala de aula 6 A Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, juntamente com o Consórcio Napo, apresenta um novo projeto destinado a introduzir conhecimentos básicos sobre segurança e saúde a alunos do ensino básico. A iniciativa “Napo para professores” disponibiliza aos docentes uma variedade de material didático em formato eletrónico, pensado para crianças entre os 7 e 11 anos. Os planos de aulas, Publicidade

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descarregáveis gratuitamente, abrangem temas que os alunos do ensino básico provavelmente encontrarão em casa e na escola, incluindo sinais de segurança e a identificação de perigos e riscos. Na sequência de um teste piloto bem sucedido em quatro países, os kits de material didático disponíveis em 18 línguas, estão atualmente a ser promovidos em 23 estados-membros da UE onde estas línguas são faladas. K

Obesidade Infantil. 92% dos professores que participaram no ano letivo anterior referem que o projeto teve um Bom ou Muito Bom impacto junto das crianças. Os resultados preliminares da primeira edição, no ano letivo 2011/2012, revelam que no primeiro dia da intervenção 55% das crianças participantes comiam fruta no lanche da escola e que no último dia eram já 81% das crianças a ingerir fruta nesta refeição. K

Em Castelo Branco

Etepa comemora 21 anos 6 A Etepa - Escola Tecnológica e Profissional Albicastrense acaba de comemorar o seu 21º aniversário, num jantar que reuniu comunidade educativa e entidades parceiras da instituição. O jantar, que decorreu no dia 17 de outubro, contou com as presenças da direção da escola,

do presidente da Associação Comercial e Industrial de Castelo Branco, Idanha-a-Nova e Vila Velha de Ródão, da Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco, da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Castelo Branco e de mais de 100 alunos. K


Governo anuncia

Combate ao abandono escolar com fundos europeus 6 O Ministério da Educação anunciou que vai criar um programa para combater o abandono escolar e até recuperar alunos que já tenham deixado o ensino superior, através de uma linha de fundo perdido para apoiar os estudantes. “O modelo que estamos a procurar desenhar é dentro da Garantia Jovem, para que haja verbas específicas para apoiar os estudantes que interromperam os estudos”, explicou o secretário de Estado do Ensino Superior, José Ferreira Gomes, no final de uma reunião com representantes das associações de estudantes das universidades do país. Além de ir buscar os que já abandonaram o ensino, o pro-

grama pretende ainda ajudar os que estão a pensar deixar a escola, “antes que abandonem definitivamente a expectativa de completar o ensino superior”, revelou. Segundo o responsável, o programa está a ser desenhado e deverá ser criada uma linha a fundo perdido para apoiar os estudantes em risco. “O abandono escolar em Portugal sempre foi altíssimo”, disse José Ferreira Gomes, perante um grupo de estudantes reunidos dia 16 deste mês no Palácio das Laranjeiras, em Lisboa. O anúncio entusiasmou os alunos que sabem “tratar-se ainda, apenas, de uma promessa”, feita pelo próprio ministro da

Educação, Nuno Crato, que também participou no encontro. Lembrando que, nos últimos dez anos, cerca de meio milhão de estudantes deixaram o ensino superior, o presidente da Federação Académica do Porto, Ruben Alves, explicou que o programa deverá funcionar com fundos comunitários. Em setembro, quando tiveram a primeira reunião com o atual secretário de Estado, os estudantes pediram a alteração de duas medidas: baixar o limite a partir o qual os alunos têm direito a ação social escolar e acabar com a medida que veio tirar as bolsas a quem tinha familiares com dívidas fiscais ou à segurança social. Sobre estas duas medidas,

José Ferreira Gomes disse que as matérias iriam ser estudadas e que poderiam vir a integrar o programa de combate ao abandono escolar que irá dotar as instituições de meios para detetar precocemente os alunos em risco. “Nesse programa mais abrangente foi dito que havia disponibilidade para se rever esta questão das dívidas contributivas e tributárias”, disse Ruben Alves. Segundo Ferreira Gomes, “andará entre os 0,1 e os 1%” a percentagem de alunos sem bolsa, na sequência de dívidas contributivas ou tributárias. Sobre o limite a partir do qual os estudantes têm apoio social, Ruben Alves explicou que existe

“um grupo de estudantes que, por poucos euros a mais, deixam de ser ajudados e essa é a diferença entre ter um apoio igual ao valor da propina que efetivamente pagam e terem, por exemplo, o acesso a um desconto de 60% nos transportes”. Sobre as bolsas, José Ferreira Gomes sublinhou ainda que não houve nenhuma baixa do número nem do valor de bolsas concedidas no ensino superior e que “a intenção é manter esse nível”. Com a divulgação da proposta de lei do Orçamento do Estado para 2014, o secretário de Estado disse que “não houve qualquer redução das verbas de ação social nos últimos anos e não haverá”. K

CRÓNICA

Cartas desde la ilusión 7 Querido amigo: Hoy quiero comenzar mi mensaje recordando el último párrafo de mi carta anterior, que decía así: “Estamos ante un auténtico “nudo gordiano” que tenemos que desatar. ¿Seremos capaces de programar/gestionar la emocionalidad (la nuestra propia y la de nuestros alumnos)? ¿Existen posibilidades? Yo creo que sí, aunque tendremos que renunciar, para ello, a nuestros sistemas de seguridad personal (rutinas, rutinas, rutinas…), y a nuestra desconfianza en nosotros mismos y en los demás”. Y también, hoy, quiero que te unas a mis reflexiones de estos días acerca de este planteamiento de “matar la escuela” y “gestionar la emocionalidad”. Por eso, hoy quiero tomar una línea “positiva”, constructiva, propositiva, y centrarme en dos aspectos que considero cruciales: el primero, el asunto de la necesidad/oportunidad, y el segundo, el problema del cambio/ transición. Como hace tiempo que no te cuento algunas de mis historias y fábulas preferidas, hoy te voy a contar, a modo de introducción, la fábula de la lechuza y el

ciempiés. Aquí te la relato (está tomada de A. De Mello: La oración de la rana, vol. 2. Santander, Sal Terrae, pág. 56). Un ciempiés consultó a una lechuza acerca de un dolor que sentía en las patas. La lechuza le dijo: –“¡Tienes demasiadas patas! Si te convirtieras en un ratón, sólo tendrías cuatro patas... y una vigesimoquinta parte del dolor”. –“Es una gran idea”, dijo el ciempiés. “Pero ahora, dime cómo puedo convertirme en un ratón”. –“¡Hombre, no me molestes con detalles de simple ejecución!”, dijo la lechuza. “Yo sólo estoy aquí para establecer la política a seguir”. Para mí, y en lo que se refiere a los problemas de la educación, esta fábula es altamente instructiva y me ha hecho reflexionar en muchas ocasiones acerca de la actitud que tomamos a la hora de resolver los problemas de nuestro sistema educativo día a día. Creo que, en excesivas ocasiones, predomina la actitud de la lechuza en todo lo que se refiere a la resolución de problemas. Los educadores “ve-

mos” fácilmente los problemas y sabemos que tienen solución, pero qué difícil es implicarse en el procedimiento correspondiente para llegar a resolverlos, ¿no te parece? Y no digamos cuando se trata de la actuación de los “administradores educativos”, expertos hábiles en señalar los problemas pero ineptos, muchas veces, a la hora de ejecutar los procedimientos para su resolución. Creo que eso lo hemos vivido tú, yo, y todos (o casi todos) los educadores en nuestros centros en más de una ocasión. Todo eso resume la perspectiva de la “necesidad”. El ciempiés de la fábula “descubre” que puede tener una oportunidad, pero la lechuza no es capaz más que de indicarle la necesidad. Lo difícil es tender el puente entre la necesidad y la oportunidad. Si la analizas, aquí encontrarás también la problemática que encierra la dualidad “cambio/ transición”. Lo difícil en las situaciones problemáticas es promover el cambio. Es más fácil someterse a la “fluidez” de una transición, desde las posturas anteriores hacia posturas de futuro. Este mecanismo de transición es lo que vienen haciendo

nuestros sistemas educativos desde hace décadas: se trata de promover la consecución de nuevas metas sin renunciar a los presupuestos educativos del pasado. Y aquí está, a mi modo de ver, el error: querer resolver problemas nuevos con procedimientos e instrumentos del pasado, obsoletos y anticuados y, por tanto, carentes de las mínimas posibilidades de eficacia y eficiencia. Por eso, sigo pensando que es necesario (“necesidad”) dar una oportunidad para matar la escuela, es decir, para romper sus estructuras anteriores (provenientes, como sabes, de planteamientos filosófico-pedagógicos de los siglos XVIII y XIX, fundamentalmente). Esta destrucción tiene que realizarse, a mi entender, al menos en tres niveles: 1) en el nivel físico (reorganización física de los espacios disponibles de manera que sean altamente funcionales y versátiles), 2) en el nivel organizativo (diseñando los grupos de estudiantes no en función de la edad/nivel, sino en función de las áreas de conocimiento, lo que implicaría el rediseño de los roles y la funcionalidad de

los educadores) y 3) en el nivel didáctico (orientando la intervención educadora a la promoción de competencias mediante actuaciones estratégicas que se basen en el desarrollo de la persona y de sus posibilidades, renunciando a la “necesaria” uniformidad que nos atosiga actualmente). Por hoy, creo que es suficiente. Seguiremos, en próximas ocasiones, ahondando en el planteamiento de la oportunidad, frente a la necesidad, y del cambio, frente a la transición. Hasta la próxima, como siempre, salud y felicidad. K Juan A. Castro Posada _ juancastrop@gmail.com

www.ensino.eu OUTUBRO 2013 /// 019


crónica salamanca

Prensa pedagógica versus revistas científicas de educacion 6 El pasado día 4 de octubre se celebró en la Facultad de Educación de la Universidad de Salamanca una Jornada Internacional de Estudio sobre “Prensa pedagógica y patrimonio histórico educativo”. En ella participaron 70 investigadores especialistas en el tema procedentes de Brasil (7 universidades y centros de educación superior), Gabón (ENS de Libreville), Italia (U. Foggia), Portugal (5 universidades y politécnicos) y España (12 universidades). Fruto de los trabajos científicos desarrollados ha sido la publicación por parte de Ediciones Universidad de Salamanca del libro titulado “Prensa pedagógica y patrimonio histórico educativo”, que contiene una generosa selección de textos presentados en aquella jornada científica. La prensa pedagógica profesional de los maestros, que sitúa sus orígenes en los finales del siglo XVIII, en el contexto de la Ilustración, pero que logra su primera etapa de eclosión en los inicios del sistema nacional de educación (tercio central del siglo XIX), va a continuar aportando hasta nuestros días una fecunda producción de periódicos y revistas relacionadas con la educación (asociaciones de profesores, sindicatos docentes, estudiantes universitarios, alumnos de segunda enseñanza, niños de primera enseñanza y sus periódicos escolares, centros de sociabilidad, centros catequísticos, instituciones de formación profesional, publicaciones oficiales de instituciones educativas, así como otras de centros de ins-

trucción militar, eclesiástica, o de programas educativos ministeriales que no son específicamente del Ministerio de Educación). También se incluye dentro de la categoría prensa pedagógica una amplia y diversificada gama de aportaciones procedentes de instituciones educativas diferentes a las del sistema escolar, de movimientos sociales con perfil educativo, de centros y organizaciones de educación en el tiempo libre. En fin, la prensa pedagógica representa un amplísimo censo de aportaciones periódicas de perfil educativo, difícil de acotar con plena precisión, pero que forman una parte rica e influyente de la contribución a la educación que representan estas publicaciones de aparición diaria, semanal, mensual, semestral o anual. Uno de los procesos más interesantes que han sido analizados en dicha jornada científica es el paso cualitativo que en su día se dio (desde la segunda mitad del XIX) hacia las publicaciones periódicas científicas, por influencia del modelo científico de universidad procedente de Alemania. El proceso es vivido en todos los campos de la ciencia, y desde luego en el de la educación. Es decir, comienzan a publicarse revistas científicas de pedagogía o de educación, con diferentes perfiles, al menos en los países occidentales algo más avanzados en la educación y la ciencia. Para España hemos de referirnos a publicaciones como el Boletín de la Institución Libre de Enseñanza (nacido en Madrid en 1877), que alcanza hasta su paralización

con motivo de la Guerra Civil de 1936, o a la Revista de Pedagogía (1922-1936), Revista de Escuelas Normales (1923-1936), la Escuela Moderna y algunas más. Ya en el franquismo hemos de mencionar la Revista Nacional de Educación, la Revista Española de Pedagogía, Bordón, Revista de Educación, y muchas más de tipo científico, sin referirnos a otras muchas de tono más informativo, acopladas a intereses y perfiles más concretos. Desde la llegada de la democracia en 1978 el panorama científico de la educación se ha enriquecido de forma visible. Hoy vivimos una proliferación extraordinaria de publicaciones científicas en el ámbito de la educación, como consecuencia de los crecientes niveles de especialización que vive el sector, y como necesidad sentida de diferentes asociaciones científicas de profesionales e investigadores. Con independencia de boletines e informaciones propias de sindicatos de profesores o educadores, necesarias para la cohesión de la profesión, como en su día había anunciado el sociólogo alemán Max Weber, hoy asistimos a la publicación en España, y en todo el mundo, de un sinfin de revistas científicas de educación, no todas legitimadas científicamente y bien acreditadas, que tratan de difundir los avances de las ciencias de la educación, aunque ciertamente con frecuencia dentro de un inmenso mar de confusiones. A ello conviene añadir, y no deja de ser preocupante, la aún más fácil y agresiva, y más fre-

Publicação Periódica nº 121611 Dep. Legal nº 120847/98 Redacção, Edição, Administração Av. do Brasil, 4 R/C Apartado 262 Telef./Fax: 272324645 6000-909 Castelo Branco www.ensino.eu ensino@rvj.pt Director Fundador João Ruivo ruivo@rvj.pt Director João Carrega carrega@rvj.pt Editor Vitor Tomé vitor@rvj.pt Editor Gráfico Rui Rodrigues ruimiguel@rvj.pt

cuente por ello, aparición de revistas cientìficas de educación en formato on line, que sustituyen , o pretenden hacerlo, a las clásicas en formato papel (más lentas en su edición, pero más consistentes siempre). Es indudable que se precisa una reflexión serena sobre este inmenso campo de las publicaciones periódicas científicas, en cualquiera de sus formatos, porque no todo vale (nos referimos al frecuente papanatismo que viene a defender que todo lo que se escribe en inglés es válido, por ejemplo), y que no tiene el mismo valor científico, afectivo y profundo lo que aparece difundido, a veces a la ligera, en formato digital, que poco a poco va condicionando el valor de la persistencia del conocimiento científico difundido en las revistas. Sobre el valor y significado de los rankings y clasificaciones de revistas científicas de educación, de los JCR y semejantes, hablaremos en otra ocasión. K José Maria Hernández Díaz_ Universidad de Salamanca jmhd@usal.es

Universidad Salamanca

Máster Internacional de Negocios 6 El rector en funciones de la Universidad de Salamanca, Daniel Hernández Ruipérez y el presidente de la Escuela Internacional de Negocios NEXT IBS, Manuel Campo Vidal, han suscrito un convenio de colaboración para la puesta en marcha del “Master International Business MIB”, un nuevo programa formativo fruto de la colaboración entre ambas instituciones. Con este nuevo título se pretende satisfacer la demanda de profesionales especializados en el sector de comercio exterior, negocios inter-

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nacionales y todas las áreas que suponen una especialización en mercados o sectores internacionales. Esta nueva titulación se ofertará como título propio de la Universidad de Salamanca a partir del cuso académico 2014-2015 y estará sujeta a la normativa de Formación Permanente de la Universidad. El nuevo programa formativo estará codirigido por un profesor de la Universidad de Salamanca y un miembro de NEXT, ambos con perfiles académicos adecuados al programa de la titulación. Un progra-

ma cuyos contenidos, profesorado, calendario y metodología docente deberá ser aprobado por la Universidad de Salamanca a propuesta de la Comisión Académica, siguiendo el procedimiento habitual para Títulos Propios. La duración de este programa será de un año y constará de 60 créditos ECTS, con una carga lectiva mínima de 500 horas. Al final de cada edición los codirectores, en colaboración con la comisión académica, remitirán a la Universidad de Salamanca una memoria académica

del desarrollo de la edición. El convenio que hoy se firma en la Universidad de Salamanca estará en vigor hasta la finalización del programa académico y será prorrogable a propuesta de la comisión de seguimiento año a año con la aprobación de nuevas ediciones. El acto ha contado con la presencia de José Lominchar, director de NEXT IBS, y Óscar González Benito, director del Departamento de Administración y Economía de la Empresa de la Universidad de Salamanca. K

Serviço Reconquista: Agostinho Dias, Vitor Serra, Júlio Cruz, Cristina Mota Saraiva, Artur Jorge, José Furtado e Lídia Barata Serviço Rádio Condestável: António Reis, José Carlos Reis, Luís Biscaia, Carlos Ribeiro, Manuel Fernandes e Hugo Rafael. Guarda: Rui Agostinho Covilhã: Marisa Ribeiro Viseu: Luis Costa/Cecília Matos Portalegre: Maria Batista Évora: Noémi Marujo noemi@rvj.pt Lisboa: Jorge Azevedo jorge@rvj.pt Nuno Dias da Silva Paris: António Natário Amsterdão: Marco van Eijk Edição RVJ - Editores, Lda. Jornal Reconquista Grafismo Rui Salgueiro | RVJ - Editores, Lda. Secretariado Eugénia Sousa Francisco Carrega Rogério Ribeiro Relações Públicas Carine Pires carine@rvj.pt Colaboradores: Albertino Duarte, Alice Vieira, Antonieta Garcia, António Faustino, António Trigueiros, António Realinho, Ana Castel Branco, Ana Caramona, Ana Rita Garcia, Belo Gomes, Carlos Correia, Carlos Semedo, Cecília Maia Rocha, Cristina Ribeiro, Daniel Trigueiros, Dinis Gardete, Deolinda Alberto, Elsa Ligeiro, Ernesto Candeias Martins, Fernando Raposo, Florinda Baptista, Francisco Abreu, Graça Fernandes, Helena Menezes, Helena Mesquita, Joana Mota (grafismo), Joaquim Cardoso Dias, Joaquim Serrasqueiro, Joaquim Bonifácio, Joaquim Moreira, João Camilo, João Gonçalves, João Pedro Luz, João Pires, João de Sousa Teixeira, João Vasco (fotografia), Joaquim Fernandes, Jorge Almeida, Jorge Fraqueiro, Jorge Oliveira, José Felgueiras, José Carlos Moura, José Pires, José Pedro Reis, Janeca (cartoon), José Rafael, Luís Costa, Luis Lourenço, Luis Dinis da Rosa, Luis Souta, Miguel Magalhães, Miguel Resende, Maria João Leitão, Maria João Guardado Moreira, Natividade Pires, Nuno Almeida Santos, Pedro Faustino, Ricardo Nunes, Rui Salgueiro, Rute Felgueiras,Sandra Nascimento (grafismo), Sérgio Pereira, Susana Rodrigues (U. Évora) e Valter Lemos Contabilidade: Mário Rui Dias Propriedade: RVJ - Editores Lda. NIF: 503932043 Gerência: João Carrega, Vitor Tomé e Rui Rodrigues (accionistas com mais de 10% do Capital Social) Clube de Amigos/Assinantes: 15 Euros/ Ano Empresa Jornalistica n.º221610 Av. do Brasil, 4 r/c Castelo Branco Email: rvj@rvj.pt Tiragem: 20.000 exemplares Impressão: Jornal Reconquista - Zona Industrial - 6000 Castelo Branco


Editorial

As trapalhadas do ME e o futuro da Escola 7 Onde está o futuro da Escola? Está nas pseudo políticas educativas deste Ministério da Educação? Para mal (ou para bem?) dos professores, dos aprendentes, dos pais e do país, não está. Desta equipa não se vislumbra um rasgo de desenvolvimento do sistema educativo. Todas as medidas anunciadas, rapidamente se transformam numa embrulhada que ninguém quer assumir, mas todas elas convergem numa estreita visão economicista e neoliberal do desenvolvimento da educação e da cultura, com gravíssimas repercussões para o futuro deste país, enquanto nação soberana, democrática e desenvolvida. Onde está então o futuro da nossa escola? A nosso ver está nos jovens, nas crianças e nos pais que todos os dias a procuram; na população adulta que quer saber mais; nos desajustados que desejam ser reconvertidos; nos arrependidos que cobiçam reiniciar um novo ciclo da sua vida; nos que não tiveram oportunidade (porque a vida também sabe ser madrasta) e agora buscam o alimento do sucesso; na sociedade e no Estado que já não sabem (e não podem…) viver sem ela e, sobretudo, pressente-se nos pro-

fessores e educadores que são a alma, o sal e o sangue de que se faz todos os dias essa grande construção colectiva. A Escola é uma organização muito complexa…É paixão e movimento perpétuo. É atracção e remorso. É liberdade e prisão de sentimentos contraditórios. É mescla de angústias e espontâneas euforias. É confluência e rejeição. É orgulho e acanhamento. É todos e ninguém. É nome e chamamento. É hoje um dar e amanhã um rogar. É promoção e igualdade. É mérito e inveja. É jogo e trabalho. É esforço, suor e emancipação. É convicção e espontaneidade. É responsabilidade e comprometimento com todos os futuros. É passado e é presente. É a chave que abre todas as portas das oportunidades perdidas. É acolhimento, aconchego, colo e terapia. É a estrada do êxito, mas também um percurso inacabado, que nos obriga a voltar lá sempre, num fluxo de eterno retorno. Porém, também acontece muitas vezes ser o pião das nicas, o bombo da festa, o bode expiatório, sempre e quando aos governos dá o jeito, ou lhes apetece, como acontece com a actual equipa do ME. Sobre a Escola, há governantes que aprenderam a men-

tir: sabem que ainda não foi inventada qualquer instituição que a possa substituir. Sabem ainda que os professores são os grandes construtores de todos os amanhãs. E, por isso, têm medo. Medo, porque a Escola é das poucas organizações que todos os governantes conhecem bem. Habituaram-se a observá-la por dentro, desde a mais tenra idade. E, por essa razão, sabem-lhe o poder e a fatalidade de não ser dispensável, silenciável, transferível, aposentável, exonerável ou extinguível. Então, dizíamos, dela têm medo e, sobre ela, mentem. Mentem sobre a Escola e sobre os professores. Todos os dias lhes exigem mais e dizem que fazem menos, e (eles também o sabem…) não é verdade. Em relação à Escola e aos professores, a toda a hora o Estado, a sociedade e as famílias se descartam e para ela passam cada vez mais responsabilidades que não são capazes de cumprir e de assumir. Hoje, a Escola obriga-se a prevenir a toxicodependência, a educar para a cidadania, a formar para o empreendedorismo, a promover uma cultura ecológica e de defesa do meio ambiente, a motivar para a pre-

venç��o rodoviária, a transmitir princípios de educação sexual, a desenvolver hábitos alimentares saudáveis, a prevenir a Sida e outras doenças sexualmente transmissíveis, a utilizar as novas tecnologias da comunicação e da informação, a combater a violência, o racismo e o belicismo, a reconhecer as vantagens do multiculturalismo, a impregnar os jovens de valores socialmente relevantes, a prepará-los para enfrentarem com sucesso a globalização e a sociedade do conhecimento, e sabe-se lá mais o quê… Acham pouco? Então tentem fazer mais e melhor… E, sobretudo, não coloquem a auto estima dos professores na altitude zero, com a sistemática ameaça de um desemprego que é fictício e foi administrativamente provocado, em nome de um deficit que, em vez de descer, todos os meses sobe. É que não há Escola contra a Escola. Não há progresso que se trilhe contra os profissionais da educação. Não há políticas educativas sérias a gosto de birras e conjunturas que alimentam os pseudo protagonismos de alguns governantes. Não há medidas que tenham futuro se não galvanizarem na sua aplicação os principais agentes das mu-

danças educativas: os educadores e os professores. O futuro da Escola está para lá das pequenas mediocridades, e dos medíocres com tiques de sobranceria e ignorância confrangedora. A Escola, tal como a conhecemos, não é um bem descartável, de uso tópico, a gosto de modas e conjunturais conveniências financeiras e orçamentais. A Escola vale muito mais que tudo isso. Vale bem mais do que aqueles que a atacam. Vale por mérito, por serviço ininterruptamente prestado, socialmente avaliado e geracionalmente validado. K João Ruivo _ ruivo@rvj.pt Este texto não segue o novo Acordo Ortográfico _

primeira coluna

A crise que a crise cria 7 Os cortes anunciados para o setor educativo em Portugal voltam a colocar a escola pública e o ensino superior na ordem do dia. O Orçamento de Estado para 2014 traz mais austeridade, mais intranquilidade e, sobretudo, mais insensibilidade perante aquilo que deve ser o acesso ao saber de todos os portugueses. A situação não é nova e o país continua, apesar de tantos cortes, com a corda na garganta. A diminuição dos vencimentos dos salários da função pública, que gradualmente se está a generalizar ao privado, o aumento dos impostos, a car-

ga fiscal sobre as empresas e os contribuintes, etc, parecem não ser suficiente. A título de exemplo, refira-se que o valor reduzido nos vencimentos nas câmaras municipais em vez de ir para uma conta de pagamento de dívida do próprio Estado fica... nas contas das autarquias. Resultado, se a gestão autárquica for boa, as contas dos municípios aumentam, mas o défice do país não diminui. Se as gestões forem desastrosas (e há muitas por aí, que até obrigaram a intervenções superiores) esse dinheiro é gasto à tripa forra e ficamos sem dinheiro e com mais dívida.

Estamos perante uma situação que exigia mais rigor, mais tempo e um pouco mais de compreensão para com o povo português. Um povo que deve ver garantido o serviço público em muitas áreas, como a educação. Este ano milhares de alunos do ensino secundário optaram por não se candidatar ao ensino superior. Podem existir muitas razões, mas a falta de poder económico das famílias e o conselho do próprio governo aos jovens para que estes emigrem, como que a dizer que em Portugal não há futuro, têm influência. A crise que o país está a

viver cria, por isso, uma nova crise, a de valores. Dos valores éticos, da verdade, do orgulho e de trabalho. Ao massacre com que a maioria dos portugueses tem sido bombardeada, juntase as peripécias políticas, a sede de poder e a insistente máxima, que qualquer dia vira provérbio, e que nos diz que os portugueses gastaram mais que as suas possibilidades. E a escola pública, como está, perante tudo isto?, perguntam. Vai resistindo devido à resiliência de professores e funcionários que, como sempre, procuram ensinar (os primeiros) e zelar pela escola e

pelo seu bom funcionamento. É assim, mesmo quando ouvem notícias sobre despedimentos, mobilidade, redução de vencimentos, e outras coisas que tais... K João Carrega _ carrega@rvj.pt

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O médico e autor João Magalhães em entrevista

Receita para obter um bom Médico 6 João Magalhães é o autor do livro “Quero ser Médico”, editado pela Arena. Escrito a pensar nos jovens que, tal como ele, um dia sonharam em entrar em medicina, “Quero ser Médico” ajuda potenciais candidatos a médicos a conseguir as notas exigidas para ingressar no curso e a terminar com êxito. Ele mesma conta (por e-mail) como chegou à sua decisão de querer ser médico; os anos de voluntariado em Moçambique e na Índia; e de como a empatia, mais ainda do que o conhecimento, é determinante para o exercício da medicina. Quais as são as principais linhas de orientação que, os alunos que pensam num curso de medicina, podem encontrar no livro “Quero ser Médico!”? Na minha obra, partilho conteúdos que estão divididos entre três principais linhas de orientação: 1 - Porquê medicina? A decisão; 2 - Como entrar em Medicina; 3- O curso de Medicina. Na primeira parte do livro começo por apresentar os conceitos fundamentais da Medicina e contar como a Medicina evoluiu até aos dias de hoje. De seguida, apresento quais os pontos mais atrativos e quais as dúvidas mais comuns relativamente ao curso e à profissão médica. Esta parte também ajuda os mais indecisos a tomar uma decisão sobre o seu futuro. Na segunda parte do livro, dou as dicas mais fundamentais para entrar em Medicina (ou qualquer outro curso com nota de acesso alta). Dou dicas sobre todos os pontos mais importantes, desde a escola e as aulas, ao estudo e às avaliações. Dei as dicas de modo a que os alunos nunca deixem de ter tempo para realizar outras atividades que também gostam. Esta parte também inclui algumas mensagens para os pais dos alunos. Na terceira e última parte do livro explico a estrutura e conteúdo geral do curso de Medicina no nosso país, as suas características principais e também partilho algumas dicas importantes para realizar o curso com sucesso. O livro acaba a informar sobre as possibilidades de estudar medicina no estrangeiro e e sobre o que acontece depois de terminares o curso. Ao todo, existe um total de 28 dicas concretas ao longo do livro. Para além de todas essas dicas, uma das grandes vantagens do livro é o facto de reunir uma série de outras ferramentas e informações importantes: formas de acesso ao ensino superior, peso de cada avalição na nota de candidatura, rankings das melhores escolas, notas de acesso e vagas das faculdades de Medicina, websites úteis, entre muitas outras. Em que momento da sua vida decidiu que queria ser médico? Lembro-me perfeitamente da primeira vez em que senti interesse pela Medicina. Foi no dia em que celebrei o meu sexto aniversário em Bedford, Inglaterra. Nesse dia, recebi como prenda dos meus avós um livro grande chamado “O Nosso Corpo”. Lembro-me bem de ter ficado fascinado com a complexidade e a perfeição do nosso corpo, e creio que foi imer-

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so nas páginas desse livro que terei sentido a aspiração a ser médico pela primeira vez. No entanto, a decisão propriamente dita nunca nasce num momento único e isolado. É uma ideia que vai crescendo e amadurecendo ao longo do tempo e na medida que se vai passando por diferentes experiências ao longo da vida. Qual foi o melhor conselho que recebeu quando entrou para medicina? O melhor conselho que recebi quando entrei para medicina foi de uma amiga minha que tinha entrado na minha faculdade (Universidade do Porto) no ano anterior a mim. Fiz questão de realçar esse mesmo conselho no meu livro: Realiza um esforço acrescido no primeiro ano do curso, de modo a ultrapassar os “cadeirões do curso” à primeira. Sei que esta dica foi fundamental porque para além de ter ficado com mais motivação, obtive boas notas e passei a ter uma média alta “a defender”. Dessa forma, acabei por manter um esforço mais constante e natural ao longo do resto do curso. Fez voluntariado na Índia e em Moçambique, desse tempo há alguma história que o tenha tocado em particular? Sim. Tanto em Moçambique como na Índia, aquilo que mais me marcou foi o facto de ter testemunhado que a felicidade tem pouco a ver com os bens materiais que temos. Em Moçambique fiz muitos amigos que viviam da forma mais simples possível. Um dos meus melhores amigos chamava-se Mavô. Quando conheci o Mavô, ele tinha 14 anos como eu, mas em vez de ter dez mudas de roupa, tinha apenas uma muda que lavava

ao fim de cada dia. O Mavô tinha acabado de construir a sua primeira casa, com barro, palha e as suas próprias mãos. Ao lado da sua palhota, tinha umas galinhas, uma pequena plantação de milho, algumas árvores frutíferas (mangueira, bananeira, papaieira)... e chegava! A necessidade de trabalhar era praticamente nula porque a natureza fornecia tudo. Apesar de ter pouco, tanto o Mavô como os meus restantes amigos viviam com uma postura alegre e agradecida. A saber sorrir diariamente com o pouco que tinham. A viagem à Índia também me marcou muito. Fui acompanhado com a minha mulher (na altura minha namorada) que esteve com um síndrome febril durante várias semanas. Apanhámos um susto porque ela teve mesmo de ficar internada no Hospital de Varanasi durante três dias. Passadas duas semanas, numa cidade chamada Pushkar no meio do Rajastão, foi a minha vez de apanhar uma gastroenterite aguda que me deixou muito mal, com uma febre muito alta e a delirar. Quando voltámos para Portugal pedi a minha mulher em casamento. Ela aceitou. O seu livro também poderá levar à tomada de uma decisão em contrário: “a medicina não é para mim”? Claro que sim! Esse foi um dos grandes objetivos de escrever o livro. Não apenas para ajudar aqueles que sentem uma forte convicção relativamente à medicina, mas também para ajudar a orientar todos aqueles que tenham dúvidas ou hesitações. Atualmente, quais são as maiores dificuldades encontradas no desempenho de uma

carreira em medicina? As maiores dificuldades são as mesmas de quase todas as profissões: manter um elevado nível de disciplina e atenção constante; ter disponibilidade mental para conseguir identificar aquilo que está mal e que pode ser melhorado; ter criatividade para ultrapassar os problemas existentes de forma benéfica e eficaz; ter uma boa capacidade de adaptação à mudança e aos novos avanços existentes; saber refletir sobre as potenciais mudanças para não arriscar trabalhar com irracionalidade; e por último, mas não menos importante, saber conciliar a atividade profissional com a vida pessoal e familiar. Existem ainda alguns desafios relacionados com a própria realidade clínica e a realidade do nosso tempo. Ter empatia e saber comunicar com pessoas que têm todo o tipo de ritmos e feitios, pertencentes a uma sociedade que é cada vez mais educada, curiosa e exigente. Manter um rigor científico cada vez mais exigente e apurado. «Nenhuma dificuldade é superior à nossa determinação de a vencer» - Daniel Serrão. Para além da determinação, quais são as outras características necessárias a um médico? Empatia e conhecimento científico. Nessa ordem. Mais vale existir empatia sem conhecimento, do que conhecimento sem empatia. O cerne de todas as nossas decisões deve ser a empatia. K Eugénia Sousa _


gente e livros

Joël Dicker

“Havíamos de falar Disso…” T O escritor e investigador Nuno Camarneiro está a organizar o ciclo de conversas “Havíamos de falar Disso”. O amor, o mal, o tempo, Deus, o medo, o sexo e a morte são os temas discutidos por uma personalidade do ramo da ciência e outra da arte, no início de cada mês. A conversa “Havíamos de falar do Amor” terá como convidados o músico Sérgio Godinho e o professor Universitário Paulo Ribeiro Claro e realizarse-á no dia 5 de novembro, pelas 18,15h, na Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro. O escritor Valter Hugo Mãe e o padre Anselmo Borges protagonizaram a primeira conversa, que versou sobre o mal e decorreu no dia 8 de outubro. O ciclo de conversas “Havíamos de falar Disso…” tem também como moderador Nuno Camarneiro, vencedor do Prémio Leya 2012. O evento tem o apoio da CICECO (Centro de investigação em matérias cerâmicas e compósitos) e da Fábrica Ciência Viva de Aveiro. A entrada é livre. K

Nobel da Literatura T A escritora canadense, Alice Munro venceu o Prémio Nobel da Literatura de 2013. Mais conhecida pelos seus contos, os seus personagens são muitas vezes mulheres. Da sua obra fazem parte títulos como O Amor de uma Boa Mulher; Fugitiva; e Felicidade Demais. Alice Munro, de 82 anos, a 13º mulher a ser laureada com o Prémio Nobel da Literatura, sucede ao escritor chinês Mo Yan. K

7«Quem seria então esta Nola? Com o coração aos pulos, comecei a percorrer os recortes dos jornais: todos os artigos mencionavam o desaparecimento de uma certa Nola Kellergan, numa noite de Agosto de 1975; e a Nola das fotos dos jornais correspondia à Nola das fotografias de Harry. Foi nesse momento que Harry entrou no escritório, segurando nas mãos um tabuleiro com chávenas de café e um prato de biscoitos, que largou quando, empurrando a porta com o pé, deparou comigo sentado no tapete com o conteúdo da caixa secreta espalhado à minha frente. - Mas… que está a fazer? – exclamou ele. – Está… Está a bisbilhotar, Marcus? Convido-o para minha casa e remexe nas minhas coisas? Mas que espécie de amigo é você? Balbuciei explicações atabalhoadas: - Foi sem querer, Harry. Encontrei esta caixa por acaso. Não devia tê-la aberto… Lamento muito. - Com certeza que não devia! Com que direito? Com que direito,

meu Deus? (…)» In A Verdade sobre o Caso Harry Quebert Escritor suiço de língua francesa, Joël Dicker nasceu a 16 de Junho de 1985, em Genebra. A sua família é originária da França e da Rússia. Fez a escolaridade em Genebra e, após finalizar o liceu, passou uns meses em Paris, onde frequentou o conservatório. Quando regressou à Suiça, ingressou no curso de Direito na Universidade de Genebra, que terminou em 2011. Apaixonado pela música e pela escrita, aos sete anos de idade já tocava bateria; aos 10 anos fundou a Gazeta dos Animais, uma revista para a proteção da Natureza. O jornal La Tribune de Genève chamou-lhe o mais jovem chefe de redação da Suiça, pelo seu trabalho na Gazete dos Animais. O Tigre (2005) é o seu primeiro conto e narra a história de uma caçada ao tigre na Sibéria. Os Últimos Dias dos Nossos Pais (2010) é um romance baseado numa história verídica mas desconhecida, a do Special Operation

Executive (SOE), o ramo negro dos Serviços Secretos Britânicos que armou a resistência francesa durante a II Guerra Mundial. A Verdade sobre o Caso Harry Quebert (2012) é o resultado da sua vontade de escrever um romance americano de grande fôlego. O romance tornou-se um sucesso global traduzido para 33 idiomas. Arrebatou o Grande Prémio do Romance da Academia Francesa 2012, o Goncourt des Lycéens 2012 e o Prémio da Revista Lire para o melhor romance em língua francesa. A Verdade sobre o Caso Harry Quebert foi publicado em Portugal pela editora Alfaguara. A Verdade sobre o Caso Harry Quebert. Marcus Goldman é um jovem e bem sucedido escritor novaiorquino, a atravessar uma crise de inspiração; Enquanto Marcus se debate com síndrome da página em branco, Harry Quebert, um

dos mais respeitados escritores do país, antigo professor universitário e mentor de Marcus, é acusado de ter assassinado Nola Kellergan, após o cadáver dela ter sido descoberto no jardim da sua casa. No ano de 1975, Nola Kellergan era uma jovem de 15 anos a viver uma relação proibida e secreta com Harry Quebert, quando desapareceu de Aurora. As investigações policiais nunca conduziram a qualquer resultado. 30 anos depois, convencido da inocência do seu antigo mestre, Marcus parte para Aurora para conduzir a sua própria investigação e escrever o livro que lhe salvará a carreira. Mas ele terá de encontrar resposta a uma pergunta: para além daquilo que todos julgam saber, quem era, afinal, Nola Kellergan? K Página coordenada por Eugénia Sousa _

edições

Novidades Literárias entre a comunidade branca e chinesa que permanece quase toda a vida, ele próprio dividido entre um casamento de fachada e uma paixão proibida com a chinesa Siu Lin, «Pequena Flor de Lótus». Nos anos do fim do império colonial português começava a história de um amor proibido.

7 QUETZAL. As Primeiras Coisas, de Bruno Vieira Amaral. No primeiro romance de Bruno Vieira Amaral, a humanidade inteira parece concentrar-se na sua totalidade no Bairro Amélia, um lugar perdido na margem sul do Tejo. Neste lugar abandonado pela sorte, várias inquietações surgem: Quem é que matou Joãozinho TremeTreme? O que se passou com a jovem Vera? Porque é que os habitantes do bairro nunca esqueceram o Carnaval de 1989? E quando é que Roberto, anjo exterminador, chegará para levar a cabo a sua vingança?

D. Quixote. A Cidade do Fim, de Miguel Real. Para fugir de uma família com a qual não se identifica, Fátimo aceita um lugar de professor em Macau. É nesta cidade dividida

PORTO EDITORA. A Sentinela, de Richard Zimler. Henrique Monroe, inspetor-chefe da Polícia Judiciária, é chamado para investigar o homicídio de Pedro Coutinho, um abastado construtor civil. Após interrogar a filha da vítima, Monroe começa a suspeitar que o assassino possa ser alguém que assediava sexualmente a jovem. Contudo, a descoberta de uma pen escondida na biblioteca da casa abre uma nova linha de investigação. O assassinato pode estar ligado a uma rede de corrupção que o industrial tinha montado com alguns políticos. ASA. Relatório do Interior, de Paul Auster. Intimista e nostálgico, explora as memórias do escritor, fala dos episódios que marcaram a infância e a adolescência, e das suas muitas preferências. «No início, tudo estava vivo.(...) A face do

relógio era uma face humana, cada ervilha na tua taça tinha uma personalidade diferente, e a grelha na frente do carro dos teus pais era uma boca sorridente com muitos dentes. As canetas eram aviões. As moedas eram discos voadores. Os ramos das árvores eram braços. As pedras pensavam e Deus estava em toda a parte.» - in Relatório do Interior.

TEXTO. Verdade ou Mentira?, de Joe Navarro com Marvin Karlins, Ph. D. A comunicação interpessoal é feita em grande parte através do corpo. Por vezes, mais do que as palavras, são a expressões faciais, os gestos, a postura e o tom de voz os indicadores mais importantes para compreender as verdadeiras intenções do nosso interlocutor. Independentemente do ambiente em que estejamos inseridos, perceber o que as palavras não dizem é fundamental. Joe Navarro foi agente e supervisor especializado em comunicações nãoverbais do FBI durante 25 anos. OFICINA DO LIVRO. A Segunda Morte de Anna Karénina, de Ana Cristina Silva. Violante teve sempre um talento raro para a representação. Com a ajuda de João Henrique,

o ator com quem se casa, torna-se uma das atrizes portuguesas mais aplaudidas do início do século XX. Quem a vê brilhar em cima do palco não pode sequer imaginar o terrível segredo que marcou a sua vida. O segredo que a afastou do marido e da sua vida, numa noite que poderia ter acabado de forma trágica.

ÂNCORA EDITORA. O Mundo em Transição-Reflexões sobre Crescimento, População, Poluição e Recursos Naturais, de Luís Queirós. A coletânea dá-nos conta do pensamento do autor acerca de temas que é urgente colocar na ordem do dia: energia, recursos naturais, poluição, demografia e os limites que se impõem ao crescimento. PIAGET. Aspetos da Teoria Piagetiana e Pedagogia, de A. Christófides Henriques. A atividade mental da criança através da análise dos seus processos, destancando o que é o interior da criança, mas também as nossas projeções de adulto. Os estádios de desenvolvimento da criança, articulado com os processos concretos da estruturação do conhecimento, são aspetos fundamentais para o pedagogo, o professor e os pais.K OUTUBRO 2013 /// 023


press das coisas

pela objetiva de j. vasco

OMEGA Seamastaer Planet Ocean 3 O relógio Seamaster Planet Ocean 600M GMT GoodPlanet apresenta um mostrador lacado azul com índices aplicados. A escala GMT laranja no anel da luneta e no ponteiro GMT central permitem consultar dois fusos horários separados, um recurso ideal para os viajantes. O fundo da caixa, com a gravação “GoodPlanet Foundation”, apresenta um vidro de safira resistente a riscos, permitindo ver no seu interior o calibre exclusivo OMEGA Co-Axial 8605. O movimento de corda automática, com funções time zone e GMT, possui escape Co-Axial de três níveis e uma espiral de silício Si14. O seu desempenho é fiável e preciso. Tem garantia de quatro anos. Com o lema “ É tempo de devolver ao Planeta”, uma parte dos lucros obtidos com a venda deste relógio revertem para a Fundação GoodPlanet. A fundação tem por missão preservar a beleza e a saúde dos oceanos para as futuras gerações. K

música Kika - Alive 3 No próximo dia 10 de novembro celebra-se o centenário do nascimento de Álvaro Cunhal, político marcante da política portuguesa quer no combate ao fascismo e na luta pela liberdade ao lado do povo português e integrado no Partido Comunista Português, quer também pelo empenho na consolidação das liberdades no pós 25 de Abril e nas conquistas de muito do que é hoje conhecido como estado social e direitos dos trabalhadores. Em 1934, integrado no movimento estudantil, na Faculdade de Direito de Lisboa, é eleito para o Senado Universitário. Com mais de 14 anos vividos nas prisões portuguesas, ficou célebre a sua evasão da prisão do Forte de Peniche a 3 de janeiro de 1960. Nos pós 25 de Abril foi ministro sem pasta nos primeiros 4 governos provisórios e, desde sempre, se opôs à adesão de Portugal ao Euro, antevendo todas as dificuldades da economia portuguesa no relacionamento com a moeda única. O PCP está a levar a efeito um conjunto de iniciativas onde destacamos o lançamento da Fotobiografia a 22 de agosto último, a exposição sobre o centenário na última Festa do Avante (ver foto), o Comício Centenário no próximo dia 10, no Campo Pequeno, em Lisboa e, de 30 novembro a 15 de dezembro, as celebrações concluem-se com a exposição “Vida, Pensamento e Luta: Exemplo que se Projeta na Atualidade e no Futuro”, a decorrer no Centro de Congressos da Alfândega do Porto. A 8 de junho passado, a Câmara Municipal de Lisboa descerrou no Lumiar uma placa toponímica designada como Avenida Álvaro Cunhal. K

3 Kika é uma das grandes revelações da produção nacional do ano de 2013. Com apenas 15 anos lançou o seu primeiro álbum e encantou os Portugueses. O tema que deu a conhecer esta voz fantástica foi o single “Guess it´s alright”, que esteve em alta rotação durante alguns meses nas rádios de norte a sul. A produção deste disco foi da responsabilidade de Red One, um credenciado nome da indústria musical a nível mundial, que teceu rasgados elogios ao talento desta jovem cantora. Este álbum explora o universo da música pop com temas que não vão deixar ficar ninguém indiferente à voz contagiante de Kika. Apesar da pouca idade, ela mostra uma maturidade que não é muito habitual. A margem de progressão é tremenda, trata-se de uma voz que pode ser um caso sério de popularidade à escala global. Vale a pena ouvir este cd da primeira à última faixa e sonhar… K Hugo Rafael _

Prazeres da boa mesa

Bacalhau Pil Pil com Piquillos, Semi Desfeita de Grão e Tiborninhas de Morcela 3 Ingredientes (10 pax): 5 Postas Bacalhau 200g 300 ml Azeite 700 gr Grão Cozido 5 Fatias de Pão Caseiro 1 Lata de Pimentos Piquillo 100 gr Morcela 100 gr Cebola Picada 50 gr Alho 2 Malaguetas q.b. Coentros q.b. Sal q.b. Pimenta de Moinho

com quatro ingredientes básicos: bacalhau, azeite, alho e malagueta. O nome “pil pil” vem do movimento giratório que se faz para que o suco do bacalhau e o azeite se emulsionem. Já se encontram máquinas que fazem o movimento do pil pil. A junção dos pimentos nesta receita consagrada é uma união do País Basco com a Extremadura espanhola. K Publicidade

Preparação: Levar o azeite ao lume e fritar os alhos laminados e as malaguetas. Retirar e reservar os alhos e as malaguetas. Cozer o bacalhau no azeite aromatizado sem deixar ferver, ou seja, não pode ultrapassar os 80ºC. Assim que esteja cozido (normalmente não excede os 5 minutos quando as postas não são muito altas), remover o bacalhau e o ex-

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cesso de azeite. Agitar o tacho enquanto o azeite e o suco/gelatina do bacalhau estão tépidos até formar uma “maionese/ holandês” ligeiro. Juntar os piquillos em juliana grossa. Para a desfeita, puxar o alho e a cebola, juntar o grão (metade inteiro e desfeito) com caldo e azeite da cozedura do bacalhau. Salpicar com

os coentros. Cortar o pão em fatias finas (estilizadas) temperar com azeite e alho e aplicar morcela. Empratar a desfeita, colocar o bacalhau e em cima deste, aplicar o molho emulsionado com os alhos, a malagueta e os pimentos. Mais Informação: O pil pil é uma iguaria tradicional da cozinha Basca e elaborado

Chef Mário Rui Ramos _ Chef Executivo Ô Hotels & Resorts - Termas de Monfortinho


Bocas do Galinheiro

Woody Allen no Avenida 7 Um pouco por todo país os novos elencos autárquicos saídos das eleições de setembro vão-se instalando. Os chamados dinossauros desapareceram de cena, não todos, porque a suposta lei de inelegibilidade acabou por não proibir nada, o que também já começa a ser normal nesta república, pelo que alguns autarcas conseguiram fazer-se eleger na câmara do lado, mas muitos não o conseguiram, um deles candidato ao Porto. E é justamente por causa dos candidatos a Lisboa e ao Porto que trazemos outra vez às “bocas” Woody Allen. Já aqui escrevemos sobre aquilo a que chamámos de turismo cinematográfico a que o realizador nova-iorquino se vinha dedicando nos últimos anos, mais precisamente desde 2005 quando faz o primeiro filme em Londres, “Match Point”, e em Londres há-de reincidir com “Scoop” (2006), “O Sonho de Cassandra” (2007) e “Vais Conhecer o Homem dos Teus Sonhos” (2010). Pelo meio foi até Barcelona onde filmou “Vicky Cristina Barcelona” (2008), no ano seguinte voltou a casa para filmar “Tudo Pode Dar Certo”, voltando para novo périplo europeu, em Paris, com “Meia-noite em Paris”, (2011), terminando esta fase com “Para Roma, com Amor”, (2012). Perante esta realidade, cidades de todo o mundo começam a oferecer a Woo-

dy Allen a oportunidade de aí dirigir um filme, normalmente sob proposta do respetivo presidente de câmara. Obviamente que Portugal não poderia ficar indiferente a este renascimento fílmico e na campanha para as últimas autárquicas o autor de Manhattan (1979) é falado para filmar em Lisboa e no Porto, ou seja, a possibilidade de Woody Allen se fixar no país começava a ser um caso sério. A seguir às referidas, certamente outras cidades quereriam ver o seu nome associado ao célebre realizador, por interposto presidente, é evidente. Em vez de rotundas passaríamos a ter filmes de Woody Allen por todo o país. Como confirmou numa recente entrevista a uma revista nacional Fernando Ruas, anterior presidente da Câmara Municipal de Viseu e da Associação Nacional de Municípios, de que “um jornal até já me chamou o Fernando Rotundas”, acrescentando que “levo isto muito bem”, de futuro alguns autarcas nacionais correrão o risco, se o realizador vier para ficar, de ficarem a ser conhecidos como “cinéfilos”, o que para muitos até será uma novidade, excepto, nas verbas, porque, tal como para as rotundas, será o dinheiro dos nossos impostos a pagar as hipotéticas futuras fitas de Woody Allen em Portugal, ou pelo menos em Lisboa, porque no Porto, talvez por terem Manuel de Oliveira, e não sentirem

o chamamento pelo americano, derrotaram nas urnas o obreiro da ideia. Porém, e indiferente às nossas autárquicas, Woody Allen estreou mais um filme, “Blue Jasmine” (2013), que dia 29 poderemos ver no Cine Teatro Avenida. De regresso à América, não a Nova Iorque, mas a São Francisco, naquele que alguns já configuram como o seu melhor filme dos últimos anos, e outros comparam a “Um eléctrico chamado desejo”, de Tenesssee Williams, peça levada ao cinema por Elia Kazan em 1951. Depois de tudo na sua vida se ter desmoronado, incluindo o casamento com Hal (Alec Baldwin), um rico homem de negócios, a elegante Jasmine (Cate Blanchett), uma mulher habituada à vida social de Nova Iorque, muda-se para o modesto apartamento da irmã Ginger (Sally Hawkins), em São Francisco, para se tentar recompor de novo. Jasmine chega a São Francisco num estado mental frágil, a sua cabeça num rolo, devido ao cocktail de anti-depressivos que anda a tomar. Apesar de ainda conseguir projetar a sua postura aristocrática, Jasmine está mentalmente débil e falta-lhe qualquer capacidade prática de cuidar de si própria. E desaprova o namorado da irmã, Chili (Bobby Cannavale), que considera um falhado, como o ex-marido dela, Augie (Andrew Dice Clay). Ginger,

reconhecendo mas não compreendendo totalmente a instabilidade psicológica da irmã, sugere-lhe que trabalhe em design de interiores, uma carreira que corretamente intui que Jasmine não considere indigna do seu estatuto. Entretanto, Jasmine aceita com relutância um emprego como rececionista num dentista, onde sem o desejar atrai as atenções do patrão, o Dr. Flicker (Michael Stuhlbarg). Sentindo que a irmã pode ter razão em relação ao seu terrível gosto em relação aos homens, Ginger começa a sair com Al (Louis C.K.), um engenheiro de som que considera um degrau acima de Chili. E Jasmine vislumbra uma potencial hipótese de vida quando conhece Dwight (Peter Sarsgaard), um diplomata que é imediatamente seduzido

pela sua beleza, sofisticação e estilo. O problema de Jasmine é que funciona em função da maneira como é vista pelos outros, enquanto que ela própria está cega em relação ao que se passa à sua volta. Delicadamente interpretada por uma muito real Cate Blanchett, Jasmine conquista a nossa compaixão porque se torna um inconsciente instrumento da sua própria queda. Ao que se antevê, uma fita que contrasta com a bonomia de algumas do recente périplo europeu, seguramente num tom mais duro, ou mais desencantado, a querer mostrar, se é que Woody Allen precisa mostrar alguma coisa, que não é o mercenário de que alguns acusaram, mas que muitos mais querem. Até dia 29, e bons filmes! K Luís Dinis da Rosa _

Fado é Património Mundial e Imaterial da Cultura

Joana Amendoeira A voz fresca e cálida de uma jovem menina! 7 Nasceu em Santarém a 30 de setembro de 1982. É uma das vozes mais melódica desta dita ‘nova geração do fado’. Aparece em público, com destaque, em 1994, participando na Grande Noite do Fado de Lisboa. No ano seguinte participa na Grande Noite do Fado da cidade do Porto, ganhando o primeiro prémio de interpretação feminina em juvenis. Em 2004 recebe o Prémio Revelação 2004 da Casa da Imprensa. Muito tem sido o trabalho de mérito desta jovem intérprete do Fado. Em 1998 grava o seu primeiro trabalho intitulado Olhos Garotos. Em 2000 edita o segundo álbum, Aquela Rua. Em 2003 lança o seu

terceiro trabalho, Joana Amendoeira. Um outro trabalho é ainda de destacar, À Flor da Pele, trabalho este que marcou uma nova fase da artista. Depois seguiram-se as tournées pela Europa, do Concertgebouw em Amsterdão à Royal Opera House em Londres; do Teatrum Millenaris Park em Budapeste ao Papp László Sportárena, como convidada no Concerto de Comemoração dos 40 anos de carreira do cantor húngaro Zorán; do regresso a Londres para atuar no Queen Elisabeth Hall. De repente, esta jovem intérprete de fado, bem como Pedro Amendoeira, Pedro Pinhal, Paulo Paz e Filipe Raposo encontraramse numa reflexão em redor do

seu repertório para uma atuação com a Orquestra do Algarve. Com a resposta surgiu a ideia de criar um ensemble para se juntar à voz de Joana Amendoeira e ao seu quarteto, formando assim um espetáculo com arranjos de João Godinho, que viria a estrear na Praça de Armas do Castelo de São Jorge, em Lisboa, no âmbito da Festa do Fado, em Junho de 2008. Deste espetáculo surgiu o sexto trabalho da fadista, Joana Amendoeira & Mar Ensemble. Neste espetáculo a poesia envolveu-se com uma componente instrumental deveras única: violoncelo, violino, viola d’arco, flauta, clarinete, trompete, trompa, acordeão. Este espetáculo correu mundo. Na bagagem esta menina

doce que canta o fado levou, independentemente das lágrimas de Portugal, também toda uma aguarela musical que deixou, segundo as criticas, muitos ouvin-

tes rendidos e maravilhados com esta ‘doce’ voz timbrada. K Rui Ferreira _ J. Vasco H (extraído do livro fadistas do século xxi)

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Quatro rodas

Por terras de Sua Majestade c Devido à notoriedade do RAC Rally ou “Royal Automobile Club Rally”, os ralis do Reino Unido sempre me fascinaram, pois nas fotos das revistas dos anos 80, transparecia um ambiente bastante diferente em relação ao que se fazia no resto do mundo. Por exemplo durante muitos anos, os treinos, ou reconhecimentos não foram permitidos, o que obrigou ao desenvolvimento de uma sistema de sinalização muito próprio nas provas especiais, que visava ajudar os pilotos a seguir pelo caminho certo. Esse sistema de sinalização, a chuva miudinha, bem com a colocação dos fardos de palha a meio da retas para criar “chicanes”, são ainda hoje, curiosidades muito próprias dos ralis britânicos. Nunca me foi possível assistir ao RAC, mas recentemente cruzou-se no meu roteiro de férias um rali com alguma história, do qual, já nos anos 80, lia algumas coisas. Trata-se de Ulster Rally na Irlanda do Norte, prova que ainda hoje está integrada no “British Rally Championship”. Na preparação da viagem, pedi ao meu amigo Fernando Silva, diretor da Auto Vintage, para ver se era possível credenciar-me como “enviado especial”, de modo a poder ter informação mais especializada e acesso a zonas mais interessantes. Embora continue a gostar de assistir à passagem dos carros nas classificativas, o principal motivo que me levou a “gastar” um dia de férias para estar por

dentro do Ulster Rally, foi o de fruir o ambiente “british”, que até então só conhecia dos vídeos e revistas. O primeiro passo, foi a partir do site oficial, efetuar o “download” dos mapas e horários. Elaborei um plano com os locais que me pareciam interessantes e pusme caminho, “arrastando“ toda a família para esta jornada. Primeira tarefa foi encontrar a zona de público que dava acesso à prova especial escolhida. De estrada em estrada, conduzindo “do lado errado” da mesma, lá identifiquei um ponto e tentei acertar na hora de passagem do campeonato de históricos. Sem grandes peripécias consegui chegar ao local a horas. Era uma sexta-feira à tarde (dia de trabalho), mas, mesmo assim, no acesso ao local havia cerca de 40 viaturas estacionadas. Arrumei o carro junto à estrada nacional e caminhei até ao local. Até en-

contrar a classificativa passei por algumas barreiras, mas lá fui seguindo a sinalética até me colocar na zona espetáculo, onde estimo estivesse uma centena de espetadores. Estava tudo bem arrumadinho, os “safetty marchal” bem identificados, as zonas de perigo corretamente delimitadas, e público bem comportado…ou demasiadamente bem comportado. Notava-se que eram entusiastas, mas à passagem dos carros, não esboçavam grandes emoções, enfim o pessoal das ilhas deve ser mesmo assim. Reparem no entanto que, não fiz qualquer referência a autoridades policiais. Pois é, durante a minha deslocação, permanência e regresso da zona espetáculo, não dei conta de qualquer autoridade policial. Estaria eu distraído? Após a passagem dos quarenta veículos clássicos, decidi não ver neste local os outros campeonatos, e desloquei-me para a

super-especial. Disputada no St Angelo - Enniskillen Airport, verdadeiro centro nevrálgico do rali, onde estava também instalado o parque de assistência e o “media centre”. Entrei neste local e depois de me identificar, fui prontamente credenciado, a partir do pedido que atempadamente o Fernando tinha enviado…gente simpática. Já de colete azul tive acesso à zona de partida onde repassei a pente fino todo o processo de “timing” e sistema de “rescue”. Fiz perguntas aos voluntários que faziam parte do dispositivo da especial e assisti de forma atenta ao trabalho do “stage commander”. Mais uma vez, nem um polícia consegui vislumbrar em todo este dispositivo. Continuaria eu distraído, ou será que em terras de sua majestade, se consegue fazer um rally sem se gastar metade do orçamento em policiamento?

setor automóvel

Lançada nova carrinha da Dacia

Novo Peugeot 308 3 O novo Peugeot 308 chegou a Portugal em outubro e pretende assumir-se como referência do segmento. Em Portugal, ambiciona mesmo alcançar um lugar no pódio dos mais vendidos. A gama lançada no mercado nacional é constituída por três níveis de equipamento – Access, Active e Allure – e quatro motorizações: duas opções Diesel – 1.6 HDi 92 cv e 1.6 e-HDi 115 cv – e duas a gasolina: 1.2 VTi 82 cv e 1.6 THP 156 cv. Os preços variam entre os 20 390 e os 24 200 euros, de acordo com a motorização. K

Toyota Auris Touring Sports já está disponível 3 A Toyota escolheu o Porto como cenário para a apresentação oficial da nova Auris Touring Sports, que marca o regresso da marca nipónica às carrinhas compactas, depois do Corolla Station Wagon. O modelo já está disponível no mercado português com motorizações para todos os gostos: gasolina, diesel e sistema híbrido HSD. A versão híbrida, que faz da Auris Touring Sports a primeira carrinha híbrida do mercado com capacidade de rolar em modo elétrico (2 km), prevê uma média de consumo de apenas 3,8 litros aos cem e 88 g/km de emissões de CO2. K

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Quanto aos carros, pude de novo assistir à passagem dos históricos, onde metade do pelotão era constituído pelos nativos Escort. Havia alguns 911, bem estranhos (pelo volante à direita) e outros modelos autóctones, que lutavam pela vitória nas suas classes. No entanto os históricos representavam apenas a quarta parte dos inscritos, pois o Ulster Rally pontuava para vários campeonatos o que ajudou a construir uma lista de 120 participantes. Teria muito mais para contar e gostaria mesmo de poder partilhar muitas das notas e testemunhos que fui recolhendo, mas tenho de concluir esta cronica. Assim, em jeito de nota final, refiro que, apesar de algumas modernices incorporadas no processo organizativo, pude assistir a uma prova automobilística, num ambiente verdadeiramente diferente e que me enriqueceu muito. De lá trouxe algumas ideias diferentes, que tentarei incorporar por cá… vamos ver se é possível. K Paulo Almeida _

3 O novo modelo da Dacia, a carrinha Logan MCV, já chegou a Portugal. Os preços começam nos 9.990 euros para a versão mais acessível, equipada com o motor 0,9 TCe a gasolina. Em Portugal, o novo modelo estará disponível com três motorizações, duas a gasolina e uma diesel. A entrada na gama faz-se com o novo motor 0,9 TCe a gasolina, três cilindros, de 90 cv. K


Auditório do Centro de Cultura Contemporânea foi pequeno

Obra retrata vida de Joaquim Morão 6 O livro Joaquim Morão – mais de 30 anos ao serviço da causa pública foi apresentado no passado dia 18 de outubro, no auditório do Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco. A obra, da autoria dos jornalistas João Carrega e José Júlio Cruz, retrata, através de diversos apontamentos, as últimas quatro décadas do atual presidente da Câmara de Castelo Branco e surge com os testemunhos dos primeiros três presidentes da República após o 25 de abril, Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio, do ex-ministro da educação, Eduardo Marçal Grilo, dos três presidentes de assembleias municipais com que trabalhou (Torres Campos, Manuel João Vieira e Valter Lemos), do presidente da Câmara de Castelo Branco eleito, Luís Correia, e do pároco de Idanha-a-Nova, Adelino Lourenço. A cerimónia encheu por completo o auditório do Centro de Cultura Contemporânea, e contou com as intervenções de Eduardo Marçal Grilo, Valter Lemos (a quem coube apresentar a obra), dos autores do livro e de Joaquim Morão. Com uma edição da RVJ – Editores, o livro surge dividido em vários capítulos e conta diferentes histórias sobre o percurso do autarca, como a vinda e decisão de Joaquim Morão se candidatar à Câmara de Castelo Branco e a conversa que então manteve com César Vila Franca, ou ainda de Idanha-a-Nova onde foi também comandante dos Bombeiros e onde desempenha o cargo de Provedor da Santa Casa da Misericórdia. «Joaquim Morão, Mais de 30 anos ao serviço da causa pública» é, segundo os seus autores, um livro onde são apresentados diversos “apontamentos sobre o percurso daquele que é considerado um autarca modelo no nosso país”. Um percurso que é ilustrado com fotografias da sua vida política e pessoal, das obras que realizou e dos momentos que estão na história dos concelhos de Idanha-aNova e Castelo Branco. Para além desses apontamentos, surge também a última grande entrevista concedida por Joaquim Morão à comunicação social, os discursos mais marcantes efetuados pelo autarca e a última carta que escreveu aos albicastrenses. De fácil leitura, o livro procura dar a conhecer as diferentes facetas de Joaquim Morão, um autarca que, como refere Eduardo Marçal Grilo, se tornou “para quase todos os albicastrenses uma referência, podendo dizer-se que a cidade o adotou como um dos seus filhos”. Já Valter Lemos lembrou que o trabalho de Joaquim Morão em Castelo Branco ficará na história da cidade para sempre. “Mesmos os seus mais empedernidos adversários são incapazes de negar tal evidência”. K Rogério Ribeiro, José Ceia e José Costa H

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Protocolo assinado

Ensino superior

6 O Instituto Politécnico de Castelo Branco e o Instituto Federal de Brasília assinaram, no passado dia 3 de outubro, em Castelo Branco, um protocolo de cooperação “que se destina a promover o intercâmbio cultural, científico e tenológico entre as duas instituições” de ensino superior. O acordo visa “estreitar relações académicas entre o Brasil e Portugal, promovendo nomeadamente a cooperação em áreas específicas, de interesse mútuo, definidas pelos responsáveis das duas instituições”. O IFB fez-se representar por Marley Garcia Silva, coordenador da Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação, e por Maria Cristina Madeira da Silva, coordenadorageral de Política de Qualificação, que depois de uma reunião com a Presidência do IPCB, diretores das escolas e coordenador das relações internacionais do IPCB visitaram a instituição de ensino superior albicastrense. De acordo com o protocolo agora assinado e mediante a

6 Na Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico da Guarda realizou-se a 11 de outubro, a cerimónia de encerramento da décima edição do Concurso Nacional Poliempreende. Nesta sessão teve lugar a entrega dos prémios relativos ao concurso nacional bem como a apresentação da próxima edição. De salientar que a edição deste ano foi coordenada por Teresa Paiva, diretora da Unidade de Investigação e Desenvolvimento do IPG. “A 10ª edição do Poliempreende foi de celebração de 10 anos de um projeto de empreendedorismo da rede politécnica, abraçando, por isso, uma série de atividades que pretenderam alavancar o projeto de forma a ser possível pensá-lo como uma marca politécnica (implementação de um concurso para a criação de um logotipo permanente do Poliempreende) e tentando alargar a área de atuação da promoção do empreendedorismo, em consonância com as mais recen-

IPCB assina com Brasil

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celebração de acordos específicos, o IPCB e o IFB obrigam-se a apoiar o “intercâmbio de pesquisadores, professores e técnicos administrativos; o intercâmbio de estudantes e de estagiários; o desenvolvimento de missões de ensino e pesquisa; o desenvolvimento de pesquisas de interesse comum; a troca de documentações e de publicações científicas e técnicas”; assim como “organi-

zar colóquios, seminários ou reuniões de caráter científico”. Este acordo prevê ainda que as duas instituições ofereçam “aos docentes, técnicos e alunos condições similares às de acesso aos serviços académicos, bibliotecas e cantinas, dentro dos limites das leis vigentes para cada país e conforme as suas próprias normas estatutárias regulamentares e administrativas”. K

Novo concurso nacional foi apresentado no IPG tes estratégias europeias de promoção do empreendedorismo, sensibilizando e salientando a importância da formação de professores nesta temática, através da organização de uma conferência internacional em Educação para o empreendedorismo (ENTENP 2013)”, comentou, ao nosso jornal, Teresa Paiva. Aquela responsável manifestou a sua satisfação pois, sublinhou, concluíram “o Poliempreende como vencedor nacional dos Prémios Europeus para a Promoção Empresarial, na categoria de Investimento em Competências Empreendedoras, resultado de uma candidatura efetuada por nesta edição, pois demonstra o reconhecimento nacional do projeto pelas entidades competentes”. Do programa agendado, salientou-se a palestra sobre “A Rede Politécnica na Inovação e Criação de Empresas” (Luis Pinto de Andrade) e ”Um caso de Sucesso Empreendedor – CH Consulting” (António Henriques). K


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