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P U BLICA ÇÃ O TRIM ES TRA L FEVEREIRO 2018 IS S N 2183-1734

Roger Corman

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Roger Corman


Roger Corman e Vicent Price

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Martin Scorsese é apenas um dos grandes nomes do cinema norte-americano que pertenceu à chamada “Escola de Cinema Roger Corman”. Não se tratava de uma escola formal e dificilmente encontraremos proximidades estilísticas entre gente tão diversa como Francis Ford Coppola, James Cameron ou Monte Hellman. Tal como os seus colegas de ofício, também o realizador de “Touro Enraivecido” (1980) ou “Tudo Bons Rapazes” (1990) deve a Corman o lançamento de um dos seus primeiros filmes, no caso “Uma Mulher da Rua”, a sua segunda obra, lançada em 1972 e que antecedeu o icónico “Os Cavaleiros do Asfalto”, de 1973. Antes de trabalhar com Roger Corman, Scorsese já se tinha, porém, cruzado com a sua obra, construída por filmes de baixo orçamento que navegavam entre as águas da ficção científica, fantasia e filmes-catástrofe – géneros que o mainstream de Hollywood exploraria fortemente nas décadas seguintes. “Como espectador de cinema, estava atento aos filmes de baixo orçamento do Roger Corman. Poderiam não ser grandes filmes mas algo estava a acontecer por detrás da câmara. Chamavam a nossa atenção”, contava Scorsese em entrevista à revista Entertainment Weekly aquando da atribuição do Óscar honorário a Roger Corman, em 2009. Como é que alguém que não fez “grandes filmes”, para usar a expressão de um dos seus “alunos”, se torna no “padrinho” de uma boa parte da geração que renovou o cinema dos EUA na década de 1970 e influenciador de nomes marcantes da geração seguinte da Sétima Arte norte-americana como Quentin Tarantino? Corman fez fama – e fortuna – como produtor, mas também como realizador de filmes de série B. É com um ciclo de oito filmes, criado a partir da obra do escritor gótico norte-americano Edgar Allan Poe, que começa a ser reconhecido. Voltamos às palavras de Martin Scorsese: “Quando chegaram os filmes do ciclo Edgar Allan Poe assistimos a algo único: uma personalidade a emergir da fábrica Corman. De “House of Usher” (1960) até “Tomb of Ligeia” (1964), que é o meu preferido, o ciclo Edgar Allan Poe tornou-o um grande cineasta. Era um grande estilista.” 5


Variações sobre - The Raven (1963) Escrito por Richard Matheson

O ciclo dedicado a Edgar Allan Poe inicia-se em 1960 com “House of Usher”. É o primeiro de oito longas-metragens livremente adaptados a partir das obras do mesmo autor, que foram distribuídos pela American International Pictures (AIP). Os filmes obtiveram enorme sucesso comercial e respeito dos críticos:

Um mágico, que foi transformado num corvo, recorre a um antigo feiticeiro para o ajudar. - The Haunted Palace (1963) Escrito por Charles Beaumont

- House of Usher (1960) Escrito por Richard Matheson

Charles Dexter Ward chega a uma pequena vila para visitar a casa que herdou do seu antecessor que morreu lá 100 anos antes.

Após entrar na mansão de família da sua noiva, um homem descobre uma aterradora maldição de família e teme que o seu futuro cunhado tenha enterrado a sua noiva prematuramente.

- The Masque of the Red Death (1964) Escrito por Charles Beaumont

- Pit and the Pendulum (1961) Escrito por Richard Matheson

Um príncipe europeu aterroriza os camponeses locais enquanto usa o seu castelo como refúgio contra a praga da “Morte Vermelha” que persegue o local.

No século XVI, Francis Barnard viaja até Espanha para clarificar as circunstâncias estranhas da morte da sua irmã, depois desta se ter casado com o filho de um cruel inquisidor espanhol.

- The Tomb of Ligeia (1964) Escrito por Robert Towne

- Premature Burial (1962) Escrito por Charles Beaumont

A obsessão de um homem pela sua esposa morta cria tensão entre ele e a sua nova noiva.

Um artista torna-se distante da sua nova esposa depois de um medo irracional de ser enterrado vivo o começar a consumir.

A adaptação dos contos de Poe para argumentos de cinema foram divididas entre três argumentistas: Charles Beaumont, Richard Matheson e Robert Towne.

- Tales of Terror (1962) Escrito por Richard Matheson

Beaumont e Matheson escreveram dezenas de filmes e séries de televisão durante as suas carreiras, estando ambos associados a vários episódios da lendária série televisiva “A Quinta Dimensão” (1959), criada por Rod

Três contos de terror envolvendo um viúvo sofrido e a filha que abandonou; um bêbedo e o gato preto da sua esposa; e um hipnotista que prolonga o momento da morte de um homem.

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“Tales of Terror”, 1962

“Premature Burial”, 1962

“Pit and the Pendulum”, 1961

“House of Usher”, 1960

um mesmo tema

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Serling. Towne foi mais tarde vencedor de um Óscar pelo argumento de “Chinatown” (1974) de Roman Polanski.

a tornar-se realizador de, por exemplo, “Aquele Inverno em Veneza” (1973), com Donald Sutherland e Julie Christie) e Arthur Grant (conhecido pela sua associação aos estúdios britânicos Hammer, onde foi o mais prolífico director de fotografia do estúdio) por meio de uma grande quantidade de travelings e recurso a gruas, particularmente durante as sequências que detalham a descida das personagens aos lugares mais recônditos da casa.

A literatura gótico-romântica de Poe, explorando o lado sombrio da experiência humana – morte, alienação, ansiedade existencial, pesadelos, fantasmas, várias formas de insanidade e melancolia –, e apesar de algumas discrepâncias entre os textos dos contos (ou poemas) originais e o enredo dos filmes, encontrou um intérprete compreensivo em Corman, que soube manter o espírito do escritor. Os filmes, cheios de terror psicológico, contêm semelhanças formais e temáticas suficientes para serem considerados oito variações da mesma história.

O uso de efeitos especiais foi sendo aperfeiçoado nestes filmes. “Pit and The Pendulum” (1961) mostra talvez a utilização mais ambiciosa desses efeitos nas sequências de flashback, com as imagens tingidas de um azul fantasmagórico e alongadas para indicar o trauma do personagem, e especialmente durante a sequência culminante do filme, na qual as mudanças das cores vermelho, azul e verde contribuem para dar ainda mais relevância às perturbadoras oscilações do pêndulo.

A um custo médio de 200 a 300 mil dólares, a série Edgar Allan Poe tem um aspecto surpreendentemente luxuoso. A título de comparação, grandes produções da época vencedoras do Óscar de melhor filme como “Lawrence da Arábia” (1962) de David Lean ou “Minha Linda Lady” (1964) de George Cukor tinham orçamentos estimados entre 15 e 17 milhões de dólares. Mesmo uma produção menos espectacular como “O Apartamento” (1960) de Billy Wilder teve um orçamento estimado de 3 milhões de dólares. Mesmo assim, o dinheiro com que Corman trabalhou nestes oito filmes era duas a quatro vezes maior do que os orçamentos de que dispunha na década de 1950.

Mas o principal trunfo de Corman foi obviamente o ator Vincent Price (1911-1993) que entrou em sete dos oito filmes do ciclo (apenas em “Premature Burial” (1962), o protagonista é Ray Milland). Embora tivesse sido por vezes criticado de overacting, Corman tirou excelente partido dos maneirismos de Price, conseguindo expressar com exatidão os seres humanos atormentados e excêntricos de Poe. Desde a época de ouro dos filmes de terror da Universal nos anos 30, nenhum outro intérprete tinha causado tanto impacto no género.

A encenação dos filmes de Poe deve-se muito aos cenários bem detalhados do designer de produção Daniel Haller (que viria mais tarde a ser realizador de filmes série B e de episódios de várias séries televisivas), destacando-se pela qualidade expansiva dos cenários, construídos para dar à câmara o máximo de liberdade de movimento. Esta liberdade de movimento é traduzida por directores de fotografia como Floyd Crosby, que colaborou em todos os filmes da série, excepto nos dois últimos, que ficaram a cargo de Nicolas Roeg, que viria mais tarde

Além de Vincent Price, fizeram parte de filmes da série Edgar Allan Poe outros atores associados a filmes de terror e suspense como Basil Rathbone (“Sherlock Holmes”) e Peter Lorre (“M”, “Casablanca”) em “Tales of Terror” (1962) ou Boris Karloff (“Frankenstein”) em “The Raven” (1963). 8


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“The Tomb of Ligeia”, 1964

“The Masque of the Red Death”, 1964

“The Haunted Palace”,1963

“The Raven”,1963


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Especialista em baixos orçamentos “Five Guns West”, um western lançado em 1955, foi o primeiro filme realizado por Roger Corman. A sua entrada no cinema tinha acontecido cinco anos antes, numa breve experiência como auxiliar de Gregory Peck em “The Gunfighter”. O primeiro contacto com a indústria de Hollywood – o filme era produzido pela 20th Century Fox – foi facilitado pelo seu irmão, Gene Corman, que trabalhava como agente, mas não correu muito bem: terá mantido o trabalho durante apenas quatro dias. Roger decidiu que iria fazer o seu próprio nome no mundo do cinema.

a Los Angeles e tentou-se estabelecer na indústria, passando por alguns pequenos trabalhos, como assistente de um agente literário.

Voltou a estudar – Literatura Inglesa na Universidade de Oxford – complementado a sua formação inicial em Engenharia Industrial pela Universidade de Stanford, e esteve algum tempo a viver em Paris. Regressou depois

Após esta experiência, Corman conseguiu angariar 12 mil dólares para produzir a sua primeira longa-metragem, um filme de ficção científica intitulado “The Monster From The Ocean Floor” de 1954, realizado por Wyott Ordung.

No seu tempo livre, Corman escreveu um argumento e vendeu-o ao estúdio Allied Artists por 2 mil dólares. Esse argumento, intitulado “House in the Sea”, deu origem a um filme intitulado “Highway Dragnet” em 1953 com Richard Conte e Joan Bennett. Apenas para adquirir experiência, Corman trabalhou neste filme como produtor associado sem qualquer vencimento.

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O sucesso do filme foi suficiente para Corman decidir produzir outro filme em 1954, “The Fast and the Furious”, protagonizado e realizado por John Ireland. Apesar de outras ofertas, Corman decidiu trabalhar com a American Releasing Corporation pois forneceram-lhe dinheiro para produzir mais dois filmes: “The Beast With A Million Eyes” e “Five Guns West”, a sua estreia como realizador.

Foi-se especializando em filmes curtos, baratos e rodados de forma rápida (por vezes em apenas alguns dias) que exploravam elementos sensacionalistas e alimentavam os cinemas drive-in, muito populares nas décadas de 50, 60 e 70 nos Estados Unidos. Basta ler alguns dos títulos da sua filmografia para perceber qual seria o conteúdo do filme: “Attack of the Crab Monsters” (1957), “Creature from the Haunted Sea” (1961), “Gas! -Or- It Became Necessary to Destroy the World in Order to Save It” (1970).

Em 1956 American Releasing Corporation mudou o seu nome para American International Pictures, e Corman continuou a produzir e dirigir filmes tendo-se estabelecido como o principal realizador da companhia. 12


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“A Escola de Cinema Roger Corman” Terminado o ciclo de filmes baseado na obra de Edgar Allan Poe, de entre os restantes filmes que Corman produziu ou realizou até ao final da década, destacam-se dois westerns dirigidos por Monte Hellman: “The Shooting” e “Ride In The Whirlwind”, ambos de 1967; e também “The Trip” de 1967, um filme “psicadélico” dirigido por Corman, escrito por Jack Nicholson e protagonizado por Peter Fonda e Dennis Hopper. Em 1970, Corman fundou a New World Pictures, que se tornou uma pequena produtora e distribuidora independente. Corman produziu ao longo dos anos vários filmes para a New World Pictures, mas a companhia destacou-se também por se tornar a distribuidora nos Estados Unidos de filmes de realizadores internacionalmente reconhecidos como Akira Kurosawa, Federico Fellini, François Truffaut e Ingmar Bergman. Vários realizadores trabalharam em filmes produzidos por Corman no início das suas carreiras. É uma lista cheia de nomes conhecidos: Francis Ford Coppola, Martin Scorsese, Ron Howard, Peter Bogdanovich, Jonathan Demme, Joe Dante, James Cameron, John Sayles, Monte Hellman, Carl Franklin, Robert Towne, entre outros. Muitos destes nomes dizem que trabalhar em filmes produzidos por Corman lhes deu a oportunidade de sa14

ber como realizar filmes, independentemente da qualidade dos argumentos com os quais estavam a trabalhar. Francis Ford Coppola, James Cameron, Jonathan Demme Martin Scorsese e Ron Howard, que viriam a ganhar Óscares de melhor realizador, todos referem terem frequentado a “Roger Corman Film School”. Como espécie de agradecimento, Corman aparece em cameos em filmes como “O Padrinho Parte II“ de Francis Ford Coppola, “O Silêncio dos Inocentes“ de Jonathan Demme ou “Apollo 13“ de Ron Howard. Também alguns atores que se tornaram muito conhecidos nos anos e décadas que se seguiram tiveram os seus primeiros papéis em filmes produzidos por Corman, como foi o caso de Jack Nicholson, Peter Fonda, Bruce Dern, Charles Bronson, Dennis Hopper, Robert De Niro, David Carradine e Sylvester Stallone. Numa entrevista à revista Entertainment Weekly, Dennis Hopper contou que Corman “tinha um grande sentido dos tempos que se viviam e do que o público queria ver”. “Eu e outras pessoas não tínhamos acesso aos estúdios. Eram lojas fechadas para nós. Mas todos poderiam ter acesso ao Roger. Ele dava-te conselhos, ajudava-te a obter financiamento.”


“The Trip”, 1967

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Traído pela indústria que ajudou a criar Em 2009 recebeu um Óscar honorário da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. O prémio foi apresentado por dois realizadores que iniciaram suas carreiras com Corman - Jonathan Demme e Ron Howard - e por um fã, Quentin Tarantino. No discurso de agradecimento, Corman expôs a ideia principal da sua visão sobre o cinema: “Estamos comprometidos entre arte e negócio e penso que isso representa algo do mundo comprometido em que vivemos”. Corman considera que o sucesso de filmes como “Tubarão” (1975) de Steven Spielberg e “A Guerra das Estrelas” (1977) de George Lucas levaram a que os seus filmes fossem baixando de popularidade. Numa entrevista ao site Rotten Tomatoes, Corman desenvolveu a questão: “Quando saiu o “Tubarão”, o crítico de cinema do New York Times perguntou: ‘Não é “Tubarão” um filme do Roger Corman mas com maior orçamento?’ Ele estava parcialmente certo, era até certo ponto um filme do Roger Corman com maior orçamento mas era também melhor. Nós tínhamos pouco dinhei16


ro para efeitos especiais, principalmente em filmes de ficção científica.

cinema norte-americana, algo que se pode considerar serem filmes “série B”, mas com grandes orçamentos. Da atual produção americana inserem-se nesta lógica por exemplo os filmes da saga “Fast and the Furious” ou os filmes baseados nas bandas desenhadas da Marvel e DC.

Em “Tubarão”, mas principalmente em “A Guerra das Estrelas”, os efeitos especiais eram tão espectaculares que não tínhamos hipótese de competir. Mas não era só isso, “A Guerra das Estrelas” era um filme bem escrito, bem dirigido e com bons atores, um bom filme em todos os aspectos. Tentei subir os orçamentos para termos melhores efeitos especiais, mas tinhamos sido ultrapassados.”

Corman continuou a produzir e realizar filmes de baixo orçamento ao longo dos anos 70 e 80. Em 1990, realizou o seu último filme, “Frankenstein Unbound” e lançou uma autobiografia intitulada “How I Made a Hundred Movies in Hollywood and Never Lost a Dime” sobre a sua experiência de décadas na indústria de cinema.

Estes filmes de Lucas e Spielberg partiam de elementos de cinema “série B” (um tubarão, naves espaciais) mas eram executados como uma grande produção de “série A”. Ou seja, o que antes em teoria poderiam ter sido filmes de Roger Corman feitos de forma rápida e barata, eram agora grandes espectáculos cinematográficos feitos com o topo de gama da tecnologia. Perante isso, a maior parte do público deixou-se de interessar pelas miniaturas de baixo orçamento de Corman.

Desde então tem-se dedicado à televisão, principalmente em colaboração com os canais Showtime e Syfy Channel em filmes e séries de televisão que continuam a exibir a sua marca reconhecível. Embora ainda hoje pouco conhecido do grande público, Corman fica como exemplo para inúmeros produtores e realizadores independentes pela forma como seguiu o seu próprio caminho na indústria de cinema.

Indirectamente, Corman contribuiu assim para que surgisse um novo template de sucesso na indústria de 17


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FILMOGRAFIA 1955 | Five Guns West 1955 | Apache Woman 1955 | Day the World Ended 1956 | Swamp Women 1956 | The Oklahoma Woman 1956 | Gunslinger 1956 | It Conquered the World 1957 | Naked Paradise 1957 | Not of This Earth 1957 | Attack of the Crab Monsters 1957 | The Undead 1957 | Rock All Night 1957 | Teenage Doll 1957 | Sorority Girl 1957 | The Saga of the Viking Women and Their Voyage to the Waters of the Great Sea Serpent 1957 | Carnival Rock 1958 | Machine-Gun Kelly 1958 | War of the Satellites 1958 | Teenage Cave Man 1958 | She Gods of Shark Reef 1959 | I Mobster 1959 | A Bucket of Blood 1959 | The Wasp Woman 1960 | Ski Troop Attack 1960 | House of Usher

1960 | The Little Shop of Horrors 1960 | Last Woman on Earth 1961 | Atlas 1961 | Creature from the Haunted Sea 1961 | Pit and the Pendulum 1962 | Premature Burial 1962 | The Intruder 1962 | Tales of Terror 1962 | Tower of London 1963 | The Young Racers 1963 | The Raven 1963 | The Terror 1963 | X 1963 | The Haunted Palace 1964 | The Masque of the Red Death 1964 | The Secret Invasion 1964 | The Tomb of Ligeia 1966 | The Wild Angels 1967 | The St. Valentine’s Day Massacre 1967 | The Trip 1970 | Bloody Mama 1970 | Gas! -Or- It Became Necessary to Destroy the World in Order to Save It. 1971 | Von Richthofen and Brown 1990 | Roger Corman’s Frankenstein Unbound


FICHA TÉCNICA Edição:

Cineclube de Guimarães

Coordenação Editorial: Paulo Cunha Rui Silva Samuel Silva

Texto:

Paulo Lima

Design:

Alexandra Xavier

ISSN:

2183-1734 8 de Fevereiro de 2018

Profile for Cineclube Guimarães

Enquadramento #14: Roger Corman  

Revista Enquadramento, do Cineclube de Guimarães

Enquadramento #14: Roger Corman  

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