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Ponto de vista

A FILEIRA DO EUCALIPTO ALAVANCA PARA A RECUPERAÇÃO ECONÓMICA DE PORTUGAL

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emos repetidamente afirmado que a floresta é uma das principais riquezas de Portugal, estando na base das fileiras industriais da cortiça, do papel, dos aglomerados, da serração e do mobiliário, para além de, diretamente, criar emprego e desenvolver o interior do país. É, assim, decisiva no desenvolvimento do país e na sua recuperação económica, criando riqueza com base nos recursos nacionais, transformando esse produtos e exportando-os com uma muito apreciável taxa de valor acrescentado.

A terceirização da manutenção: cooperação é a chave do sucesso e, considerando a floresta portuguesa, interessa especialmente aos leitores da revista Pasta e Papel a questão do eucalipto. Para o seu melhor conhecimento, publicamos neste número um artigo analisando os aspetos relacionados com o desempenho ambiental, social e económico do eucalipto, onde os nossos leitores poderão verificar como é possível ter modelos de desenvolvimento baseados na cultura do eucalipto que, para além de economicamente rentáveis, são ecologicamente responsáveis e socialmente justos. E, também um outro artigo que mostra como é possível aumentar a rentabilidade e a competitividade das plantações de eucalipto, transmitindo a experiência do grupo Portucel Soporcel, um grupo que tem investido de forma sustentada no melhoramento genético e na transferência do conhecimento gerado na investigação como formas de promover o aumento da produtividade da floresta nacional. Aos autores destes dois artigos – técnicos nacionais a quem a causa da floresta portuguesa muito deve – os nossos agradecimentos por terem querido colaborar neste número da revista Pasta e Papel, muito focado neste tema. Mas também temos de continuar a apostar no aumento de produtividade nos processos de transformação do eucalipto em pasta e desta em papel. Neste número debruçamo-nos sobre a fabricação de papel, cujo aumento de produtividade terá de se basear não só na possibilidade de acesso às matérias-primas, nomeadamente à pasta de eucalipto, mas também terá de continuar a apostar na inovação, na investigação e no desenvolvimento tecnológico. Nesta linha, alguns exemplos de possibilidade de melhoria do processo produtivo são apresentados neste número: - Um inovador filtro de disco proporcionando economias de energia e dinheiro, quando da receção de pasta direta. - A deteção do lixo aniónico na composição fibrosa, razão de tantas perturbações na fabricação de papel. - A “ilha química”, um novo conceito de unidade produtiva de produtos químicos auxiliares dentro da própria fábrica de papel, aumentando a rentabilidade do processo. - A recolha, tratamento e conversão de resíduos em energia ou subprodutos vendáveis, com notáveis ganhos ambientais e económicos. Aumento de produtividade que terá de ser complementado por uma conveniente formação dos técnicos do setor. O próximo Encontro Nacional da Tecnicelpa, a realizar em outubro em Tomar e de que damos notícia nestas páginas, será, certamente, mais um bom exemplo, tendo em conta a possibilidade de ouvir e contatar reputados investigadores, técnicos, bem como representantes de importantes empresas do sector. Se os responsáveis deste país prestarem a devida atenção à fileira do eucalipto - tendo em conta o seu peso das exportações na balança comercial nacional, o desenvolvimento tecnológico dos processos de fabrico na melhoria da qualidade dos produtos, as suas preocupações ambientais e energéticas, que a transformaram numa fileira económica de alta tecnologia associada a uma competitividade crescente – encontrarão um grande contributo para a nossa recuperação económica, fundamental na ultrapassagem da crise que atravessamos. João de Sá Nogueira Editor

pasta e papel - Verão 2013

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Indice ABTCP . . . . . . . . . . . . Andritz . . . . . . . . . . . Guia LatinoAmericana. MIAC . . . . . . . . . . . . PaperEx . . . . . . . . . . PaperME . . . . . . . . . . Safem . . . . . . . . . . . . Souche Papers . . . . . . Tecnicelpa 2013. . . . . Tecno Caucho. . . . . . .

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Sumário N° 62 - Verão 2013 REVISTA PORTUGUESA PARA A INDÚSTRIA PAPELEIRA

REDAÇÃO em Portugal

JOÃO JOSÉ DE SÁ NOGUEIRA Rua Dr. Leonel Sotto Mayor, 50-3° A 2500-227 Caldas da Rainha - PORTUGAL Tél.: + (351) 918 432 627 Fax: + (351) 262 838 569 E-mail : joao.sa.nogueira@groupenp.com

REDACÇÃO & PUBLICIDADE no Brasil : ROBERTO T. SEBOK Av. Piassanguaba, 1046 04060-001 São Paulo, BRASIL Tel +5511 9964 2775 / +5511 5587 5750 Cel +55 11 9999 10 76 Email : roberto.sebok@groupenp.com

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PONTO DE VISTA por João de Sá Nogueira

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EM DESTAQUE

Eldorado Brasil planeia produzir cinco milhões de toneladas de celulose por ano Kadant adquire licenciado no Brasil Lwarcel Celulose contrata projeto de engenharia básica: A Pöyry executará mais uma etapa do projeto de ampliação da fábrica Grupo Lwart investe em projetos sociais Metso ganha importante encomenda para otimização de processos da Klabin Metso fortalece a sua rede de serviço global ao abrir centro de serviços, junto à nova mega fábrica de celulose da Suzano Segmento de papel decorativo aumentará investimentos no Brasil Grupo Altri com novo record de produção em 2012 Grupo prepara projeto de pasta solúvel? Distinção da World Finance atribuída pelo terceiro ano consecutivo Parceria anunciada no Dia Mundial da Floresta: Grupo Portucel Soporcel promove a reflorestação da Mata Nacional do Buçaco Grupo Portucel Soporcel presente na maior feira do sector no Médio Oriente Nemátodo do pinheiro já tem deteção precoce Presidente da Comissão Técnica 145 divulga NP 4406:2013 Prado-Cartolinas da Lousã lança Prado Digital Seminário - A Natureza do Papel Nova fábrica de papel tissue em Viana do Castelo? XXII Conferência Internacional Floresta, Pasta e Papel – Tecnicelpa 2013 Outubro: XXII Encontro da Tecnicelpa Realizou-se 6ª Edição do Curso de Papel na UBI Informação preliminar da CEPI: Produção Papel e Cartão diminui cerca de 1,7% em 2012

FLORESTA

O Eucalipto, razões para a sua cultura Viveiros do grupo Portucel Soporcel: as plantas de hoje para a floresta do amanhã!

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REPORTAGEM

Fábrica de papel tissue faz o adensamento da pasta com inovador filtro de disco HICONBAGLESS – ADENSAMENTO COM EFICIÊNCIA

TECNOLOGIAS

Editor de La Papeterie, l’Annuaire de la Papeterie, La Carte Papetière France, El Mapa Ibérica de la Industria Papelera, El Papel, Anuário Ibérico da Industria Papelera, Turkiye Kagit Sanayii, Paper Middleast, Guia Latinoamericano

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Chega de sopa! AkzoNobel inaugura “ilha química” em Três Lagoas (MS)

ENTREVISTA

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Manutenção de uma Fábrica: a cooperação é a chave do sucesso!

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Official Media Partner 2013

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Em destaque Brasil Eldorado Brasil planeia produzir cinco milhões de toneladas de celulose por ano

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m dezembro do ano passado, a Eldorado Brasil inaugurou a maior fábrica em linha única de celulose do mundo. Localizada em Três Lagoas (MS), polo mundial de celulose, tem capacidade para a produção de 1,5 milhão de toneladas por ano. A fábrica teve investimentos na ordem de 2,5 mil milhões de euros, sendo que 1,850 mil milhões de euros foram destinados à construção da fábrica. Os outros 650 milhões de euros foram direcionados à logística (300 milhões) e à composição das florestas próprias de eucalipto (350 milhões).A empresa estima faturar 770 milhões de euros no primeiro ano e tem planos traçados até o ano de 2021, quando a produção poderá chegar a cinco milhões de toneladas. Sobre este importante acontecimento, registamos algumas declarações do diretor técnico e industrial da companhia, Carlos Monteiro: Para atingir o objetivo de conquistar a liderança no setor de celulose, o nosso projeto prevê o investimento de 7,5 mil milhões de euros em três linhas de produção. Isso nos permitirá atingir uma escala de 5 milhões de toneladas de celulose por ano já em 2020/2021. Atualmente, a Eldorado Brasil possui a maior e mais moderna linha de produção de celulose do mundo. Maior, pois

Fábrica da Eldorado em Três Lagoas

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conta com o mesmo digestor, um único processo de cozimento para produzir a capacidade total de produção de 1,5 milhão de toneladas/ano. E mais moderna, pois é a mais nova e conta com uma fábrica altamente tecnológica com foco na competitividade, inovação e sustentabilidade.

Carlos Monteiro, Diretor da Eldorado

O mercado de papel e celulose continua a crescer no mundo porque tem encontrado novas aplicações, por exemplo, o mercado de papéis para fins sanitários e decorativos. Esse mercado cresce de forma muito expressiva no mundo todo, principalmente nos países emergentes.

Acreditamos que o mercado de celulose cresça cerca de um milhão a um milhão e meio de toneladas por ano. Isso significa que, em um ano ou um ano e meio, nossa primeira linha de produção de 1,5 milhão de toneladas será necessária apenas para acompanhar o crescimento da demanda de mercado mundial. E o desafio é conseguir acompanhar esse crescimento com competitividade e sustentabilidade. Temos responsabilidade social e ambiental fortemente apoiada num modelo inovador que valoriza o papel e a importância das pessoas.


Em destaque

Um dos grandes diferenciais da Eldorado é ter toda a cadeia gerida diretamente. Na floresta, por exemplo, plantamos em terras arrendadas, mas toda a mão-de-obra é da Eldorado. Isso garante qualidade e aumenta eficiência e competitividade. Um dos grandes ativos da companhia é a valorização de pessoas. Trabalhamos com uma equipe excelente e altamente capacitada em suas áreas de atuação. Outro fator importante é a Eldorado ter construído portos próprios e ter adquirido uma frota de locomotivas e vagões para o transporte da celulose. Estes diferenciais apoiados numa fábrica altamente tecnológica com foco na inovação e sustentabilidade fazem da Eldorado uma empresa competitiva e com grandes diferenciais. O foco da Eldorado é exportar cerca de 90% da celulose produzida para os mercados de papel localizados na Ásia (50/55%), Europa e Oriente Médio (30/35%) e América, incluindo Brasil e Estados Unidos (10/15%). Acreditamos que 2013 será um ano muito promissor para as exportações de celulose, sendo que a Eldorado entra em operação no momento oportuno. A empresa já estuda possíveis aumentos de produtividade para introduzir na produção da linha atual.

Kadant adquire licenciado no Brasil

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Kadant Inc. anunciou que concluiu a aquisição da Companhia Brasileira de Tecnologia Industrial (CBTI) por cerca de 6 milhões de euros. A CBTI é uma empresa licenciada há longa data para equipamentos da Kadant de raspagem, limpeza, filtração e preparação de pastas, sendo também um fornecedor de sistemas de secagem industrial. "Estou muito feliz que a CBTI se tenha junto à Kadant", disse Jonathan W. Painter, presidente da Kadant Inc. "A aquisição da CBTI aumenta significativamente a nossa presença no importante mercado sul-americano e consolida a nossa estratégia global de expansão em economias em rápido crescimento, onde o uso per capita de produtos de papel é relativamente baixo. Tivemos um relacionamento produtivo e gratificante com a CBTI durante mais de três décadas, e estou

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ansioso por continuar a trabalhar com a equipa de gestão da CBTI nos próximos anos". A CBTI, com sede em Valinhos, São Paulo, foi fundada em 1982 e é uma empresa bem implantada nas indústrias de papel e celulose e outras no Brasil, Chile e Argentina. Ao longo dos últimos cinco anos, a CBTI tem uma média de vendas anuais de aproximadamente 12,5 milhões de euros.

Lwarcel Celulose contrata projeto de engenharia básica: A Pöyry executará mais uma etapa do projeto de ampliação da fábrica

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Lwarcel Celulose, empresa do Grupo Lwart, acaba de dar mais um passo para a ampliação da sua fábrica em Lençóis Paulista (SP), fechando o contrato com Pöyry - prestadora de serviços de engenharia, consultoria e gestão - para o projeto de engenharia básica. Os serviços da Pöyry já foram utilizados pela Lwarcel anteriormente, quando a consultora realizou análises conceituais e de pré-viabilidade para o projeto da expansão de sua fábrica. "A Pöyry trabalha com a Lwarcel desde 2008, nos estudos de alternativas, viabilidade e engenharia conceitual, além de ter participado ativamente nos estudos de impacto ambiental. Este é mais um importante passo em direção à concretização deste projeto", destaca Marcel Moreno, diretor de negócios de papel e celulose da Pöyry. Com a ampliação, a Lwarcel pretende construir uma nova linha de produção no mesmo local da fábrica atual. Esta linha terá capacidade adicional de produção de 750 mil toneladas/ ano; atualmente, a produção da Lwarcel é de 250 mil t/ano de celulose de fibra curta de eucalipto. "De acordo com o nosso planeamento prévio para iniciar a produção na nova fábrica em 2017, estamos neste momento dando mais um passo para a continuidade dos planos. A engenharia básica que será elaborada pela Pöyry, é fundamental para dimensionar e dar todo o detalhe sobre as etapas seguintes para que o planeado se concretize", explica Luis Künzel, diretor geral da Lwarcel Celulose. A Lwarcel Celulose é uma empresa do Grupo Lwart instalada em Lençóis Paulista (SP) que produz anualmente 250 mil toneladas de celulose de fibra curta de eucalipto, matéria-prima utilizada


Em destaque

na fabricação de diversos tipos de papéis no Brasil e no exterior.

Grupo Lwart investe em projetos sociais

A produção de celulose da Lwarcel é feita a partir de madeira proveniente de florestas plantadas de eucalipto, que contam com investimentos contínuos em melhoramento genético e tecnologia em todas as etapas, do plantio à colheita. A empresa possui florestas de eucalipto com sistema de gestão certificado pelo FSC® - Forest Stewardship Council. O crescimento da Lwarcel está baseado em atitudes e princípios de gestão com foco no desenvolvimento sustentável. Com mais de 1,5 mil profissionais, entre colaboradores próprios e terceiros, a empresa tem os seus sistemas de gestão de qualidade e ambiental certificados pela ISO 9001 e ISO 14001. A Lwarcel é autossuficiente em energia elétrica. A central termoelétrica movida a combustíveis renováveis gera 30MW de energia e 240t/h de vapor utilizados para abastecer a Lwarcel e as outras duas empresas do Grupo na cidade: a Lwart Lubrificantes e a Lwart Química.

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Grupo Lwart, com sede em Lençóis Paulista (SP), e atuação no setor da celulose, recolha e recuperação de óleo lubrificante usado e impermeabilizantes para a construção civil, destinou, em 2012, um total de 235.000 Euros para os projetos sociais que mantém e para iniciativas sociais em forma de donativos s e patrocínios. O Grupo tem uma forte atuação social na região de Lençóis Paulista e ao longo dos anos vem contribuindo com projetos que colaborem para a inserção social e tragam aprendizagem e cultura para a comunidade. Os investimentos do Grupo Lwart em iniciativas próprias, Projeto Formação de Líderes e Projeto Escola, totalizaram cerca de 96.000 Euros. O restante do valor foi para ações culturais, desportivas e sociais coordenadas por instituições públicas e ou filantrópicas da região de Lençóis Paulista. "Desde a sua fundação, o Grupo tem como princípio cooperar com projetos sociais que beneficiem a população. Essa cultura da empresa,


Em destaque

de olhar o bem comum, é inclusive estimulada entre seus colaboradores", explica Eliane Oliveira, Gerente de Marketing Corporativo do Grupo Lwart.

o desenvolvimento econômico e social das comunidades onde está presente e a atuação ambientalmente correta.

Projetos Próprios O Projeto Formação de Líderes, criado em 2002, já beneficiou mais de 300 jovens do ensino médio de Lençóis Paulista e região. Busca preparar e encorajar o jovem para agir e transformar o meio em que vive por meio de atitudes de liderança, com uma visão ampla do mundo e uma capacidade de comunicação, planeamento e organização capaz de envolver outras pessoas para multiplicar as suas realizações. Adolescentes de 13 a 16 anos são selecionados nas escolas particulares e públicas por meio de fichas de inscrição, dinâmicas em grupo e entrevistas para participarem no programa, que tem a duração de dez meses. Durante este período, os alunos têm encontros de duas a três vezes por semana com aulas teóricas e práticas sobre comunicação, política, técnicas de negociação, trabalho em equipa, planeamento, valorização individual e do estudo, responsabilidade social e raciocínio crítico. "O objetivo é proporcionar ferramentas para que os jovens se tornem multiplicadores de ações sociais", afirma a gerente. "Procuramos capacitar jovens comprometidos com o próprio bem-estar e o da comunidade", completa. A outra iniciativa, o "Projeto Escola", proporciona aos jovens do ensino básico (de escolas públicas e particulares) oportunidades de visita às instalações do Grupo Lwart, com objetivo de incentivar os estudos e contribuir com a escolha vocacional e o entendimento das práticas sustentáveis do Grupo.

Metso ganha importante encomenda para otimização de processos da Klabin

Sobre o Grupo Lwart O Grupo Lwart, sediado em Lençóis Paulista (SP), 100%brasileiro, é formado por três empresas que atuam nos setores de recolha e recuperação de óleo lubrificante usado, produção de celulose e impermeabilizantes para construção civil. Com faturação de 300 milhões de euros em 2012, a Lwart Lubrificantes, Lwarcel Celulose e Lwart Química empregam aproximadamente 3 mil profissionais, entre colaboradores próprios e terceiros. Fundado em 1975, o Grupo Lwart desenvolve as suas atividades pautadas pelos pilares da Sustentabilidade Corporativa, que são o equilíbrio entre o sucesso financeiro,

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serviço de otimização do processo (Process Optimization Business Solution) da Metso permitiu a Klabin melhorar significativamente a eficiência da produção da fábrica, aumentar a sinergia entre diferentes áreas dentro das suas fábricas, melhorar a segurança, bem como reduzir a pegada ambiental da Klabin. O produtor brasileiro de embalagens de papel Klabin continua a sua longa parceria com a Metso através de um contrato de Process Optimization Business Solution, para aumentar a eficiência de produção nas fábricas da empresa de Otacílio Costa e de Correia Pinto. O fornecimento representa o maior contrato para Metso na América do Sul e o segundo maior a nível mundial. A Process Optimization Business Solution da Metso consiste numa série de serviços de otimização do processo, desenvolvidos em torno da tecnologia Advanced Process Control, que são usados para estabilizar os processos de produção individuais e melhorar a eficiência do processo de produção. A solução consiste na prestação de serviços especializados, juntamente com a instalação de sistemas de controlo do processo e de analisadores de pasta de avançada tecnologia. Com o fim de oferecer um serviço melhor, a Metso vai ter no local, como residente, um especialista de sistemas de controlo da qualidade e do processo. Uma equipa de 25 especialistas da Metso foi envolvida no estudo e elaboração das propostas para a Klabin, seguindo a estratégia da Metso de combinar diferentes áreas e experiências numa solução integrada. Na fábrica de Correia Pinto, o foco foi sobre a otimização da lavagem e no balanço da rede de vapor. Na fábrica de Otacílio Costa concentrouse em duas linhas de evaporação, caldeira de recuperação, caustificação e otimização da rede de vapor. Ambas as fábricas estão localizadas no estado de Santa Catarina.


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A totalidade da entrega está programada para ser feita em 2013. Longa parceria Durante anos, a parceria entre a Klabin e a Metso tem levado a cabo vários projetos. Já em 1996, a Divisão de Sistema de Controle de Qualidade da Metso (QCS) instalou alguns anéis de controlo na máquina de papel. Este sistema foi sendo expandido até meados de 2000 e é agora responsável por toda a máquina de papel. O primeiro controlo DCS e controlos avançados do processo foram instalados pela Metso no digestor (2000) e na linha de recuperação (2004). Melhoraram de forma eficiente os processos de fabricação de pasta, tendo um rápido retorno do investimento. Agora a Klabin pretende continuar a aumentar a eficiência e reduzir os custos de produção. Os departamentos de I & D e de produção da empresa estão continuamente a trabalhar para encontrar novas formas de melhorar os métodos de produção.

Metso fortalece a sua rede de serviço global ao abrir centro de serviços, junto à nova mega fábrica de celulose da Suzano

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Metso irá expandir a sua rede de serviço global, abrindo um novo centro de serviços para servir a fábrica de pasta greenfield, com capacidade de 1,5 milhões de toneladas, da Suzano Papel e Celulose SA, no Maranhão, nordeste do Brasil. O centro de serviços irá fazer a retificação dos rolos e outros serviços de manutenção e terá um armazenamento de peças de reserva e de consumíveis selecionados. O centro estará localizado em Imperatriz, perto do fábrica de Maranhão, e ficará operacional no final de 2013. A cerimónia do lançamento da 1ª pedra do novo centro de serviço teve lugar em Imperatriz, em 25 de abril de 2013. "Esse investimento está em linha com a estratégia da Metso para o crescimento dos serviços. Apoio local aos clientes e parcerias de longo prazo trazem valor tanto aos nossos clientes como à


Em destaque

A cerimônia do novo centro de serviço a ser construída em Imperatriz foi realizada em 25 de abril de 2013. Na foto estão (da esquerda para direita) Adriano Canela, gerente de projeto, Suzano Papel e Celulose, Sebastião Madeira, prefeito da cidade de Imperatriz, Elio Krummenauer, Diretor de serviços, América do Sul, Metso, Volnei Remor Hilbert, Gerente Industrial da fábrica de Suzano Maranhão, Celso Tacla, presidente para América do Sul, celulose, papel e energia, Metso e Jukka Tiitinen, Presidente, serviços de linha de negócios celulose, papel e energia, Metso. Metso", disse Jukka Tiitinen, Presidente, linha de negócios Serviços, Celulose, Papel e Energia, da Metso. Além disso, a Metso e a Suzano Papel e Celulose SA acordaram que a Metso organizará a manutenção de toda a fábrica de Maranhão. Com este acordo a Metso vai assumir a responsabilidade pelo estabelecimento do sistema de gestão da manutenção da fábrica e apoiará a Suzano no estabelecimento da gestão de operações. O valor do acordo não foi divulgado. "Decidimos contratar a Metso para trazer para a fábrica de Maranhão o seu conhecimento de fabricante do equipamento e a sua especialização na manutenção e na sua organização. Esperamos ter planos de manutenção eficientes e adequada organização, a fim de contribuir para um arranque eficiente com uma curva de aprendizagem rápida, logo a partir dos primeiros dias de operação ", disse José Alexandre, Diretor Industrial da Suzano Papel e Celulose. Toda a principal tecnologia para a fábrica de

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celulose no Maranhão será fornecida pela Metso. Este fornecimento da Metso compreende o parque de madeiras, digestor e linha de fibras, secagem de pasta e enfardamento, evaporação, caldeira de força, caldeira de recuperação, caustificação e forno de cal e uma solução de automação integrada para todas as áreas de processo. O arranque está previsto para o segundo semestre de 2013.

Segmento de papel decorativo aumentará investimentos no Brasil

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e olho no crescimento da economia brasileira e nos investimentos que estão em andamento no país para o Campeonato do Mundo de Futebol e as Olimpíadas, dois fabricantes brasileiros de papéis especiais, decidiram aumentar o foco na produção de papel decorativo, principalmente os laminados usados para móveis. Atualmente, somente a fábrica da MD Papéis, localizada na cidade de Caieiras (SP) fornece produtos desse segmento em larga escala. “Nós


Em destaque

estamos a trabalhar com capacidade total, já que esse segmento tem crescido bastante nos últimos anos, devido ao maior poder económico da classe média brasileira” , afirma Tadeu de Souza, diretor comercial da MD Papéis. "Além disso, muitos hotéis e escritórios estão sendo construídos para os grandes eventos que acontecerão aqui", complementa o diretor, referindo-se ao Campeonato do Mundo e às Olimpíadas, que acontecerão no Brasil em 2014 e 2016, respetivamente. Os novos hotéis e escritórios serão clientes potenciais para o fornecimento de lâminas decorativas. A MD tem planos ainda maiores: "Temos estudos aguardando aprovação para construir uma linha de produção de papel decorativo totalmente nova, com capacidade de 20.000 toneladas/ano" anunciou Souza, da MD. A empresa já contatou a Voith para o projeto, que deve ser implementado na unidade da MD em Caieiras. "O projeto terá um investimento de 30 milhões de euros e está previsto para operar a partir do primeiro trimestre de 2015", informou o Diretor Comercial. Um fabricante mais pequeno de papel especial também está a olhar para o potencial das linhas decorativas. Localizada no Estado de São Paulo, a São Miguel produz papéis especiais em menor escala e tem planos para começar a oferecer papel decorativo, em breve. A empresa não divulga a sua estratégia, mas afirma que a produção poderá ser realizada em parceria com um fabricante internacional. "Estamos investindo fortemente no desenvolvimento de novos produtos e novos maquinários. O Brasil ainda importa esse tipo de produto já que a produção interna não é suficiente" diz o CEO da empresa, Hugo Maluf. Com capacidade de produzir 11.000 t/ano de papel monolúcido e papel para escrita e impressão, a São Miguel foi fundada em 2000. A empresa iniciou a sua laboração com três máquinas mas agora somente uma está operando. "Estamos cientes de que coma nossa dimensão, precisamos encontrar nichos de mercado específico para crescer, então vamos procurar oferecer não só papel decorativo mas também outros tipos de especialidades que para as grandes empresas não têm interesse, como fórmica laminada, por exemplo" finaliza Maluf.

Portugal Grupo Altri com novo record de produção em 2012 Grupo prepara projeto de pasta solúvel?

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egundo o relatório do Conselho de Administração, o ano de 2012 foi um ano record em termos de produção e de vendas de pasta no Grupo Altri. Assim, durante esse ano, as suas três unidades industriais produziram cerca de 910.000 toneladas de pasta. A principal unidade, a Celbi, produziu cerca de 625.000 toneladas (+4% em relação ao ano anterior), a Celtejo produziu cerca de 193.000 toneladas (+37%) e a Caima produziu cerca de 91.000 toneladas (-15%). Este decréscimo, segundo o relatório, está relacionado com um projeto de conversão para pasta solúvel que estará a decorrer nesta unidade industrial, cuja conclusão, segundo ainda o relatório, está prevista para 2014/15. A revista Pasta e Papel não conseguiu detalhes sobre este projeto. De notar, no entanto, que na revista interna da Celbi – Fibra Nova – II série, nº 11 de Novembro 2011, já era noticiado que a Caima tinha decidido estudar o potencial da produção de pasta com teor de alfa-celulose elevado, a pasta solúvel. Em 2012 a Altri exportou cerca de 848.000 toneladas de pasta, o que correspondeu a um crescimento de cerca de 12% face ao ano anterior, tendo o mercado da Europa Ocidental sido o principal destino, representando 80% das vendas, ou seja, cerca de 735.000 toneladas. Em termos de utilização da pasta, os produtores de papel tissue são os principais clientes da Altri, com uma quota de 40%. De registar, segundo o relatório do Conselho de Administração, que os utilizadores de pasta solúvel, localizados maioritariamente no mercado asiático, já representam cerca de 7% da base de clientes.

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Em destaque

Distinção da World Finance atribuída à Inapa pelo terceiro ano consecutivo

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Inapa – Investimentos, Participações e Gestão, SA foi considerada pela revista World Finance a melhor empresa em Portugal no domínio da Corporate Governance pelo terceiro ano consecutivo. Esta distinção, feita por uma das mais prestigiadas publicações para o sector empresarial e financeiro, demonstra o reconhecimento, também a nível internacional, do bom desempenho da sociedade e do esforço feito nos últimos anos para uma melhor e mais eficaz estrutura governativa. "Este é um dos mais importantes reconhecimentos do esforço que a gestão da Inapa tem feito no sentido de defender os interesses dos seus acionistas", explica José Morgado, CEO do Grupo Inapa. Presentemente, o grupo detém subsidiárias nos principais mercados europeus – dos quais se destaca a Alemanha, França e Espanha – e tem vindo a reforçar a sua presença em Angola. Para aferir o vencedor a revista World Finance teve em consideração os seguintes aspetos: Direitos dos Acionistas; Informação Privilegiada e Transparência; Stakeholders; Conselho de Administração e, por último, Gestão de Risco.

Parceria anunciada no Dia Mundial da Floresta: Grupo Portucel Soporcel promove a reflorestação da Mata Nacional do Buçaco

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uma iniciativa pioneira em Portugal, o grupo Portucel Soporcel aliou-se à Fundação Mata do Buçaco (FMB) para a conservação e gestão florestal do património natural único e de valor inestimável deste local. A parceria entre as duas entidades inclui a partilha de conhecimento, doação de árvores e plantas aromáticas, para além da dinamização de um programa de sensibilização, para a adoção de boas práticas silvícolas, junto dos proprietários limítrofes à Mata do Buçaco.

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Esta colaboração confirma o reconhecimento do grupo Portucel Soporcel como parceiro da Fundação Mata do Buçaco para a sustentabilidade, conservação natural e cultural, sensibilização e educação, e prevê igualmente a plantação de vários eucaliptos ornamentais. Para o grupo Portucel Soporcel "Esta parceria constitui um reconhecimento da atitude do Grupo quanto à implantação de um modelo em que as florestas plantadas de eucalipto (bem geridas) podem coexistir com um património natural de referência no País, que inclui árvores monumentais e floresta relíquia, numa perspetiva de conciliação da produção florestal com a conservação dos valores naturais. O nosso apoio à Fundação Mata Nacional do Buçaco evidencia o trabalho que temos desenvolvido nos últimos vinte anos na área da gestão florestal responsável e da conservação da biodiversidade", adiantou fonte do Grupo. A empresa tem uma política ativa de desenvolvimento da floresta nacional, promovendo a sua valorização, proteção e renovação, através da aplicação das melhores práticas de silvicultura, a execução de um plano eficaz de defesa e proteção da floresta contra incêndios e a gestão da biodiversidade. O grupo Portucel Soporcel assegura a gestão responsável de um património florestal de cerca de 120 mil hectares, de Norte a Sul do País, certificada pelos prestigiados sistemas FSC® (FSC C010852) e PEFC™ (PEFC/13-23-001), sendo o maior promotor da reflorestação do País. O Grupo é também o primeiro agente económico responsável pela produção de plantas certificadas em Portugal, já que os seus Viveiros possuem uma capacidade anual de produção de cerca de 12 milhões de plantas de diversas espécies, que se destinam à renovação da floresta nacional. "Poder contribuir para a recuperação do arboreto deste espaço de diversidade paisagística e florestal, único e emblemático em Portugal, através da doação de plantas florestais e aromáticas, é um espelho da nossa política de responsabilidade social e um motivo de grande orgulho para nós, assumindo particular relevo face à intempérie que, em Janeiro passado, danificou severamente parte do arboreto e algum do património edificado da Mata do Buçaco", referiu fonte do Grupo.


Em destaque

Proprietários participam ativamente na conservação da Mata A Fundação Mata do Buçaco encontra-se a desenvolver e a implementar o projeto BRIGHT, financiado pelo Programa LIFE + Natureza e Biodiversidade. Esta iniciativa visa o envolvimento da população e visitantes na recuperação, beneficiação e promoção dos valores naturais da Mata, através do desenvolvimento de várias atividades, nomeadamente, o controlo de espécies exóticas invasoras e a reativação dos viveiros florestais. Insere-se também neste projeto o "Programa de envolvimento de proprietários limítrofes", que envolve proprietários de terrenos contíguos à Mata do Buçaco. O objetivo central deste programa reside no estímulo à sua participação nas ações de conservação da Mata, e dos seus valores naturais únicos, e na prevenção de ameaças e riscos (e.g. incêndios florestais). Também neste projeto o grupo Portucel Soporcel terá um papel ativo, nomeadamente junto dos proprietários que detêm/ gerem plantações de eucalipto (ex: dinamização de sessões de formação e sensibilização, ações práticas no terreno), contribuindo para a adoção de uma gestão responsável, condição essencial de uma floresta certificada. Assegurar a certificação florestal de toda a Mata e zonas limítrofes é outro dos objetivos da FMB que contará com o apoio do grupo Portucel Soporcel, o qual tem sido um forte impulsionador da expansão do processo de certificação florestal em Portugal. Aliás, é de realçar a experiência do Grupo neste domínio, uma vez que no âmbito da certificação do património sob a sua responsabilidade, desenvolveu e implementou um modelo de gestão florestal onde se integra a conservação da biodiversidade e em cujas plantações se visa a manutenção da integridade dos ecossistemas e dos Altos Valores de Conservação. Parceria destaca papel do Grupo enquanto mecenas da preservação de espaços naturais e florestais de referência A Fundação Mata do Buçaco tem em funcionamento um Serviço Educativo baseado em sinergias entre a visitação turística, a promoção dos valores naturais e da cultura científica, bem como a educação ambiental. No âmbito desta parceria,

agora celebrada entre as duas entidades, está igualmente prevista a colaboração bilateral entre os Serviços Educativos da FMB e os programas de natureza pedagógica desenvolvidos pelo grupo Portucel Soporcel, nomeadamente no que concerne à promoção de visitas escolares à Mata Nacional do Buçaco, e ao apadrinhamento de uma parcela da Mata para a realização de ações de voluntariado.

Grupo Portucel Soporcel presente na maior feira do sector no Médio Oriente

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grupo Portucel Soporcel, líder europeu no sector de papéis finos de impressão e escrita não revestidos, participou pela primeira vez na Paperworld Middle East, a maior feira dedicada a papel e material de escritório realizada no Médio Oriente. Esta região reveste-se de uma importância estratégica crescente para o Grupo, atendendo a que o arranque da nova fábrica de papel, em Setúbal, permitiu atingir crescimentos médios de 21% ao ano. Com uma presença de 20 anos no Médio Oriente, os produtos e marcas do Grupo têm vindo a despertar um interesse cada vez maior por parte dos distribuidores de papel e clientes finais destes mercados. A Paperworld Middle East decorreu entre 5 e 7 de Março de 2013, no Dubai. pasta e papel - Verão 2013

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A participação do grupo Portucel Soporcel neste evento permitiu reforçar a sua presença no Médio Oriente, África e Ásia, mercados com grande potencial de crescimento para as suas marcas próprias, as quais representam atualmente mais de dois terços das vendas de produtos transformados em folhas, distinguindo-se pelos elevados padrões de qualidade, inovação e sustentabilidade ambiental. A maior feira do sector nesta região é uma oportunidade importante para divulgar, junto de potenciais clientes e parceiros de negócio, as marcas de papel do Grupo, que são o espelho de uma estratégia bem-sucedida de investigação aplicada, tecnologia sofisticada e estratégia de marketing inovadora. Em 2012, as vendas do Grupo tiveram como destino 113 países nos cinco continentes, com destaque para a Europa e EUA, sendo 33% das suas exportações dirigidas a mercados fora da Comunidade Europeia. O grupo Portucel Soporcel foi responsável por 88% das exportações europeias de papéis finos de impressão e escrita não revestidos para a América do Norte, 52% para África, 32% para o Médio Oriente, 45% para a América Latina e 3% para a Ásia, indicadores que ilustram bem a sua forte presença internacional e que revelam o potencial de crescimento no Médio Oriente. Marcas próprias em destaque na Paperworld Middle East 2013 Ao longo de três dias, o Grupo expôs as suas principais marcas de papel – Navigator, Pioneer, Inacopia, Explorer, Target, Discovery e Multioffice – dando especial destaque à Navigator, líder mundial de vendas no segmento Premium de papéis de escritório. Esta marca assinalou 20 anos de existência em 2012, tendo registado, desde 2009, um expressivo crescimento de 24% ao ano nos mercados do Médio Oriente. Presente em cerca de 100 países, a Navigator foi considerada em 2011 a marca de fábrica mais valiosa na Europa pelo estudo Brand Equity Tracking Survey, da Opticom International Research, focalizado em papel de escritório. É um produto de excecional qualidade com elevado desempenho em todos os equipamentos de escritório, uma excelente qualidade de impressão em impressoras laser e a jacto de tinta e 99,99%

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livre de encravamentos. A sua espessura e opacidade são elevadas, o que permite uma utilização frente e verso, e a sua suavidade é ímpar, o que significa a redução no consumo de tinta ou toner mantendo uma excelente qualidade de impressão. Os níveis de abrasividade do papel Navigator são muito reduzidos, contribuindo assim para a durabilidade do equipamento e a redução dos custos de manutenção. Grupo atinge novos máximos de volume de produção e de vendas de papel Em 2012, o grupo Portucel Soporcel atingiu novos níveis máximos de volume de produção e de vendas de papel, consolidando a sua posição de líder europeu de papel fino não revestido de impressão e escrita (UWF). As exportações do Grupo corresponderam a 1,25 mil milhões de euros, representando 95% das vendas de pasta e papel e o volume de negócios foi superior a 1,5 mil milhões de euros. A nova fábrica de papel teve um impacto significativo na economia nacional, posicionando o Grupo como líder europeu na produção de papéis finos de impressão e escrita não revestidos (UWF) e 6º a nível mundial. Portugal passou assim a ocupar a posição cimeira no ranking Europeu dos países produtores deste tipo de papéis. O Grupo é também o maior produtor europeu, e o quarto a nível mundial, de pasta branqueada de eucalipto BEKP - Bleached Eucalyptus Kraft Pulp. O grupo Portucel Soporcel encontra-se entre os três maiores exportadores em Portugal, sendo possivelmente aquele que gera o maior Valor Acrescentado Nacional. O Grupo representa aproximadamente 1% do PIB nacional, cerca de 3% das exportações nacionais de bens, perto de 9% do total da carga contentorizada e de 8% do total desta carga e da carga convencional exportada pelos portos nacionais.

Nemátodo do pinheiro já tem deteção precoce

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ientistas da Universidade de Coimbra e da Escola Superior Agrária de Coimbra desenvolveram um dispositivo para detetar a


Em destaque

doença do nemátodo do pinheiro muito antes dos sintomas. O artigo que dá conta do trabalho foi distinguido com o Best Student Paper Award na Conferência Biodevices 2013, em Barcelona. Recorrendo ao método da espectroscopia de impedância elétrica, a equipa liderada por Elisabeth Borges, aluna de doutoramento em Engenharia Biomédica da Universidade de Coimbra, desenvolveu um dispositivo "simples" para ver se um pinheiro está infetado. "Permite aceder rapidamente à assinatura elétrica de um material biológico e obter informação acerca da fisiologia. Qualquer material, biológico ou não, possui uma assinatura elétrica, quando estimulado por uma corrente ou tensão alternada", disse Elisabeth Borges. O dispositivo coloca dois elétrodos colocados no tronco - um injeta um sinal de corrente ou tensão em múltiplas frequências e o outro recolhe o sinal gerado por essa estimulação - e tem ainda um sistema de aquisição de dados. Através da sua análise, obtém-se a assinatura elétrica do material, permitindo identificar se um tecido está saudável ou tem danos. "No nemátodo do pinheiro, isso assume relevância porque pode invalidar o avanço da doença e consequente corte dos pinheiros. Após a deteção do nemátodo, a única solução atual é o abate e destruição dos pinheiros, de acordo com a legislação," acrescentou a autora. Até agora, o diagnóstico baseia-se na observação de pequenas alterações nas árvores, como as folhas murcharem, e na recolha invasiva de amostras para analisar no laboratório. "Em termos de técnica para levar para o campo, que eu saiba não havia nada", disse a cientista. "Esta técnica já se aplica na medicina humana, mas neste contexto é inovadora", explicando que na medicina permite obter imagens e é usada por exemplo na deteção de cancro da pele. A equipa tem um pedido de patente provisória no Instituto Nacional da Propriedade Industrial desde Julho de 2012, tendo agora de pedir a patente definitiva. Agora que mostrou que a técnica funciona em árvores infetadas em estufa, o passo seguinte é a sua validação no campo.

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Presidente da Comissão Técnica 145 divulga NP 4406:2013 *

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*Luís Rochartre Álvares, Presidente da CT 145 – Gestão Florestal Sustentável (Março 2013), "Fortalecer a fileira florestal em Portugal", Espaço Q – Newsletter do IPQ.

uma altura em que muito se discute sobre quais os novos recursos que o nosso País tem que valorizar para sair da crise, não há que esquecer os recursos tradicionais, sendo um dos principais recursos a floresta nacional, com as suas variadas fileiras industriais e todos os seus produtos.

Sabemos à exaustão que a floresta nacional proporciona um superavit na balança de transações dos produtos agrícolas, tem um contributo muito relevante para o emprego e uma capacidade inovadora de relevo mundial, entre muitos outros indicadores positivos. Contudo, o setor vive sob muitos constrangimentos que urge ultrapassar como a melhoria da produtividade, a questão da reduzida dimensão da maioria das propriedades ou o flagelo dos fogos florestais. No entanto há duas questões transversais, que atravessam todas as grandes discussões sobre a necessidade do incremento da criação de riqueza: a) como aumentar a qualidade da floresta e dos produtos florestais; b) como melhorar a competitividade internacional das nossas produções. Se a maior parte do tecido industrial já pratica uma cultura de qualidade e evoluiu para sistemas integrados, o setor da produção florestal ainda vive com muitas fragilidades tanto na organização, como na pouca sofisticação dos sistemas de gestão adotados. Esta realidade, que é reconhecida como uma das questões fundamentais a que urge dar solução, foi essencial na constituição da Comissão Técnica - 145, que se tem dedicado desde 1998 à normalização da Gestão Florestal Sustentável. Desde o seu início que os principais stakeholders do setor, reunidos na referida CT, pretenderam que a Norma traduzisse a preocupação pelo aumento da qualidade da gestão praticada, ao mesmo tempo que se procurou adequar o normativo à realidade


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da produção e dos produtores florestais. Ficou assim provada, sob a supervisão do IPQ, a capacidade técnica nacional para encontrar as soluções adequadas para a resolução de um dos nossos principais desafios. Assim, com o nascimento da NP 4406:"Sistema de gestão florestal sustentável. Aplicação dos critérios pan-europeus para a gestão florestal sustentável" em 2003, o setor florestal começou a dispor de uma ferramenta fundamental para poder aumentar a sua performance e poder ser comparável com as melhores práticas internacionais. Desde a primeira versão da Norma, em 2003, que o referencial foi reconhecido pelo sistema internacional PEFC – Programme for the Endorsement of Forest Certification, o que permitiu o reconhecimento internacional da gestão florestal sustentável portuguesa e o uso do respetivo logo comercial. Os stakeholders têm-se mantido motivados e ativos no acompanhamento da Norma e a CT 145 tem produzido novas versões que a têm melhorado, introduzindo novas funcionalidades fundamentais para o sucesso do processo, como a possibilidade de certificação de grupo e regional. Este dinamismo levou a que se esteja a obter também o reconhecimento da Norma pelo sistema internacional FSC – Forest Stewardship Council, facto praticamente único a nível mundial e que virá aumentar as funcionalidades comerciais indiretas da certificação da gestão florestal. Assim, com a edição da nova versão da NP 4406 disponível, no IPQ, a partir de 16 de março de 2013 estamos a dar mais um passo na melhoria da gestão florestal portuguesa, ajudando a potenciar as capacidades de todos os membros da fileira florestal portuguesa.

Prado-Cartolinas da Lousã lança Prado Digital

Apresentada nos formatos gráficos mais adequados ao tipo de impressão a que se destina, a Prado Digital procura ir de encontro às necessidades dos clientes, seguindo a atual tendência do mercado de impressão. O lançamento do novo produto teve lugar no Meliá Boutique Hotel Palácio da Lousã, nos dias 14 e 15 de Fevereiro e contou com a presença dos principais Distribuidores de Portugal e Espanha. A excelente qualidade da Prado Digital, pode ser comprovada por todos os participantes no evento, numa máquina BIZHUB PRESS C8000 da Konica Minolta. Estiveram presentes os técnicos da PCL e da Konica Minolta para poderem responder a todas as questões sobre as características do novo produto. Depois de um almoço de confraternização seguiuse uma visita às instalações da PCL.

Seminário - A Natureza do Papel

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CELPA, ANIPC e RECIPAC promoveram um Seminário subordinado ao tema "A Natureza do Papel", inserido no âmbito da campanha "MORE FORESTS, BETTER FUTURE" – uma campanha internacional apoiada pela CELPA e lançada com o objetivo de promover os produtos papeleiros portugueses na Europa. O evento teve lugar no Museu do Papel, em Paços Brandão, no passado dia 14 de Junho.

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rado Digital é o nome da nova cartolina para impressão digital "dry toner" que a PradoCartolinas da Lousã (PLC) acaba de lançar.

O seminário contou com intervenções de Armando Goes (CELPA), Pedro Simões (RECIPAC), Nuno Messias (Europac Kraft Viana), João Soares (Portucel Soporcel) e Vera Norte (RECIPAC). Contou também com a presença da vereadora pasta e papel - Verão 2013

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da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, Teresa Vieira.

Nova fábrica de papel tissue em Viana do Castelo?

Durante o evento, mereceu especial destaque o tema da reciclagem do papel, tendo os vários intervenientes no seminário contribuído para clarificar alguns conceitos errados habitualmente associados ao fabrico e à reciclagem desta matéria-prima. A análise da indústria nacional da reciclagem de papel, a discussão da estratégia industrial para o papel para reciclagem e o debate em torno da nova diretiva legal europeia que redefine o estatuto de "resíduo" do papel para reciclagem dominaram o evento que culminou com uma visita guiada ao Museu do Papel.

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ma fábrica de papel deverá criar 184 postos de trabalho em Alvarães, Viana do Castelo, através de um investimento de 25 milhões de euros, indica um Estudo de Impacte Ambiental (EIA) em apreciação. Segundo este documento está prevista a construção de uma fábrica de raiz, com uma capacidade de produção instalada, diária, de 200 toneladas de papel, destinado ao uso doméstico e sanitário (tissue), a partir da transformação de pasta de celulose. A fábrica Fortissue é participada a 100% pelo grupo local Suavecel, que se dedica à produção de artigos de papel para uso doméstico e sanitário, precisamente a partir de bobinas de papel tissue, prevendo vendas anuais de 33 milhões de euros.

"Estes encontros são muito importantes pois ajudam-nos a refletir sobre o presente e o futuro da indústria do papel e da reciclagem do papel e dão-nos a oportunidade de beneficiar do contacto próximo com outros colegas do sector. Isto permite discutir pontos de vista e antecipar em conjunto alguns dos grandes desafios que se preveem para a indústria do papel e da reciclagem", comenta Vera Norte, diretora de comunicação da Tetra Pak Ibéria e Presidente da RECIPAC.

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A nova unidade industrial será instalada num lote de terreno com 8,5 hectares, na Zona Industrial de Alvarães, e no EIA admite-se que vai abastecer precisamente a vizinha unidade da Suavecel, a poucas centenas de metros de distância, também no concelho de Viana do Castelo. A "redução do custo da principal matériaprima" na fábrica do mesmo grupo, tendo em conta que as bobinas de papel tissue são adquiridas em Espanha e Itália, e um «maior controlo» deste fornecimento, "em qualidade e em disponibilidade", são justificações apontadas para a instalação da Fortissue.


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O aumento da eficiência e da qualidade do papel produzido pelo grupo e a melhoria no seu desempenho ambiental são outros argumentos, associados ainda à reutilização dos desperdícios de papel pela Fortissue, implicando, simultaneamente, «uma redução de custos». O grupo Suavecel admite que a estratégia de crescimento "está condicionada" à disponibilidade de papel tissue, "garantida ao ritmo e prazos exigíveis ao cumprimento dos objetivos de produção". "Os estudos efetuados indicam que a forma de ultrapassar esta ameaça passa por assegurar a própria produção de papel a partir de pastas virgens, posicionando-se como peça chave na estratégia de desenvolvimento da empresa a construção de uma fábrica de papel, localizada próximo das atuais instalações", lê-se no documento.

toda a gama de produtos e o profissionalismo e dedicação de toda a equipa nos vários patamares hierárquicos da organização. A Suavecel ambiciona ser uma referência nacional na excelência do relacionamento que mantém com todos os parceiros de negócio e na procura incessante da melhoria contínua dos processos.

Outubro: Tecnicelpa

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Encontro

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Este investimento contempla a instalação de duas máquinas de papel, cada uma com uma capacidade nominal de produção, diária, de 100 toneladas, a primeira das quais deverá entrar em funcionamento no último trimestre de 2013 e a segunda dois anos depois, funcionando ininterruptamente, 24 horas por dia. O documento, que esteve em consulta pública, estabelece que a Fortissue "não efetuará descargas de águas residuais industriais e domésticas" no local, mas antes no sistema público dos Serviços Municipalizados de Saneamento Básico de Viana do Castelo, "cumprindo as condições exigíveis para o efeito". Acrescenta que o impacto da fábrica para a qualidade dos meios hídricos, superficiais e subterrâneos «foi considerado nulo a reduzido», o mesmo acontecendo com os efeitos na qualidade do ar na zona envolvente da instalação. A Suavecel é uma empresa fundada em 1996 que se dedica à transformação de papel, nomeadamente papel higiénico, rolos de cozinha, lenços e guardanapos. O desempenho da Suavecel nos mercados onde actua tem proporcionado o reconhecimento crescente da sua importância como parceiro de negócios, não só pela qualidade que os seus produtos exibem, como também por outros fatores críticos de sucesso, designadamente a eficiência do processo produtivo, o investimento permanente nas tecnologias mais avançadas, a competitividade dos preços que oferece em

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ntre os dias 2 e 4 de Outubro de 2013, será realizado o maior evento da TECNICELPA, o seu Encontro, já na sua XXII edição e, tal como em 2010, designado por Conferência Internacional. A Conferência irá decorrer no Hotel dos Templários em Tomar, permitindo usufruir de um local único para o evento que se realiza em simultâneo com a Exposição/Expocelpa, fomentando um maior intercâmbio entre os técnicos e o seu contacto com as empresas produtoras. Tendo em conta a dimensão internacional conquistada em edições anteriores, as línguas oficiais serão o Português e o Inglês. Este evento pretende reunir um elevado número de participantes: Cientistas, Produtores, Técnicos e Empresas provenientes de diferentes partes do globo, que trabalhem nas áreas da Floresta, Pasta e Papel. pasta e papel - Verão 2013

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formais e momentos de confraternização, no Hotel dos Templários em Tomar. Realizou-se 6ª Edição do Curso de Papel na UBI

Pela sua relevância, é sem dúvida uma conferência a não perder, que incluirá a participação de reputados investigadores, técnicos, bem como de importantes empresas do sector. Estão igualmente previstas visitas técnicas a empresas produtoras. Os trabalhos a apresentar serão orientados por um dos seguintes tópicos: s)ORUHVWD s3DVWD s3DSHO s(QHUJLDH$PELHQWH s%LRUUHILQDULD s2XWUDVDWLYLGDGHVGHVXSRUWH Outros assuntos relacionados, como por exemplo Reciclagem, Transformação e Impressão, Logística, Marketing, Manutenção, Recursos Humanos, Experiências Industriais ou outros, serão incluídos nos diferentes tópicos principais acima mencionados de acordo com o conteúdo do trabalho. O Programa Geral preliminar inclui uma cerimónia de abertura, duas sessões plenárias com oradores convidados, apresentações orais, sessões de posters e uma cerimónia de encerramento. O programa inclui ainda uma visita a uma fábrica de pasta na Figueira da Foz, a "CELBI" do grupo ALTRI ou a uma fábrica integrada de pasta e papel do Grupo Portucel Soporcel, a "SOPORCEL". À melhor apresentação e ao melhor poster serão atribuídos prémios simbólicos. Adicionalmente, e como é já tradição nos Encontros da TECNICELPA, mantém-se o "Prémio TECNICELPA" que foi criado com o intuito de estimular a produção de trabalhos técnico-científicos desenvolvidos em Portugal (Empresas, Universidades ou Institutos de Investigação) por autores de nacionalidade portuguesa ou estrangeira que desenvolvem a sua atividade nas áreas da Floresta, da Pasta e do Papel. Aos participantes, será oferecido uma receção de boas-vindas (Porto de Honra) e um Jantar de Gala, num ambiente propício para discussões in-

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ecorreu entre os dias 10 e 12 de Abril a 6ª Edição do curso "Processo de produção de papel" fruto de uma cooperação entre a TECNICELPA e a Universidade da Beira Interior. Tratou-se de mais uma edição de um curso já tradicional da Tecnicelpa, que procura desenvolver as aptidões dos técnicos papeleiros e colaboradores do setor da pasta e do papel. Desta vez a organização teve a especial participação do CFIUTE - Centro de Formação Interação UBI Tecido Empresarial, desenvolvendo todos os requisitos necessários a obter o reconhecimento de formação certificada. Os participantes eram originários de todas as partes do setor, desde a pasta, passando pelos fabricantes dos vários tipos de papel, investigação e empresas fornecedoras.

CEPI Informação preliminar da CEPI: Produção Papel e Cartão diminui cerca de 1,7% em 2012

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á indicações de que a produção de papel e cartão por parte dos países membros da CEPI caiu na região de 1,7% em 2012. Estima-se que os países membros da CEPI produziram cerca de 92 milhões de toneladas de papel e cartão em 2012, resultante de alguns ajustes na capacidade de produção com o encerramento no valor de 2 milhões de toneladas e capacidades novas ou atualização dos já existentes, correspondendo a cerca de 1 milhão de tonelada. Isto contrasta com a produção total de papel e cartão de pico de 102 milhões de toneladas em 2007. Produção de celulose e papel Europeia sofreu com a desaceleração econômica, mas o seu desempenho permanece acima de outros setores consumidores de energia. De acordo com as primeiras estimativas, a produção mundial de papel e cartão aumentou 1% em 2012. UE27, EUA e Japão ter registrado uma contração de 1,5% em comparação a 2011, enquanto a China, Índia e Rússia registraram aumentos significativos.


Em destaque

A produção total em embalagens e notas de tecido em 2012 melhora ao longo de 2011, em contraste com um declínio em gráficos Em termos sectoriais, embalagem e notas de tecido mostraram crescimento na produção em relação ao ano anterior enquanto a produção de notas gráficas continuou a cair para o 8 º ano consecutivo. Produção global de notas gráficas foi severamente impactado pela deterioração da atividade de impressão e é provável que caíram entre 5% e 5,5%. Saída de papel de jornal deve mostrar uma queda de mais de 7% com a menor produção anual de 20 anos.

A produção total de celulose e papel por países da CEPI cai pelo segundo ano consecutivo Indicações preliminares são de que as importações de papel e cartão para a região parecem ter diminuído em mais de 11% em relação a 2011. As importações de outros países da Europa representaram 41% de todas as importações nos três

primeiros trimestres de 2012 (41% de 2011) e as importações da América do Norte tinha uma participação de 34% (33% em 2011), com os 23% restantes divididos igualmente virtualmente vindo de outras regiões (América Latina, Ásia e no resto do mundo).

Consumo de papel e cartão global estimado para cair entre 4% e 5% Afigura-se que o consumo global de papel e cartão em países da CEPI em 2012 diminuiu entre 4% e 5%, quando comparado a 2011, com base nos dados disponíveis mais recentes. O contexto económico desfavorável - PIB da UE deverá ter caído 0,3% em 2012 - combinada com o impacto de algumas tendências de longo prazo na cadeia de papel gráfico explicam esta evolução. Devido ao ponto fraco de partida, o início da recuperação gradual em 2013 resultará em uma taxa de crescimento anual do PIB baixo de 0,4% para 2013 na UE. Em 2014, o crescimento do PIB da UE deverá aumentar para cerca de 1,6%.


Floresta

O Eucalipto, razĂľes para a sua cultura* *LuĂ­s Leal, Francisco Goes

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e uma equipa multidisciplinar de investigadores procurasse identificar qual o perfil da matÊria-prima florestal ideal para o abastecimento da indústria papeleira, não deixaria de exigir: s&UHVFLPHQWRUžSLGR s$OWRUHQGLPHQWRIDEULO s%DL[DSHUFHQWDJHPGHFDVFD s%DL[R FRQVXPR GH TXÊPLFRV QR SURFHVVR GH FR]LPHQWR s%DL[R FRQVXPR GH TXÊPLFRV QR SURFHVVR GH EUDQTXHDPHQWR s([FHOHQWHVFDUDFWHUÊVWLFDVSDSHOHLUDVGDILEUD s(OHYDGDUHQGLELOLGDGHHFRQ�PLFD $FRQWHFH TXH R (XFDO\SWXV JOREXOXV LQWURGX]LGR HP3RUWXJDOKžPDLVGHFHQWRHFLQTXHQWDDQRV responde positiva e excecionalmente a todas aquelas exigências tendo, adicionalmente, a capacidade de rebentar de toiça, o que permite a sua exploração intensiva em regime de talhadia e uma excelente adaptação e sobrevivência aos fogos florestais tão comuns nesta região da (XURSD Nada mais natural, pois, que tenha sido em Portugal, que, pela primeira vez no Mundo, se H[SHULPHQWRX FRP DVVLQDOžYHO Ç[LWR D SURGXÄÀR LQGXVWULDOGHSDVWDGHSDSHODSDUWLUGRHXFDOLSWR 'DÊSDUDFžSDUWLFXODUPHQWHQDVHJXQGDPHWDGH do sÊculo XX, esta espÊcie não deixou de ser plantada em Portugal, ao mesmo ritmo com que se instalou e expandiu uma indústria transformadora FRPSHWLWLYDHUHQWžYHO

NOTA: Este artigo resulta de extratos do capĂ­tulo 3 – “PorquĂŞ cultivar o Eucalipto “ do livro “Pinhais e Eucaliptais, A floresta cultivadaâ€? editado em 2007 pelo PĂşblico e pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento sob coordenação da Liga para a Proteção da Natureza. Os restantes autores, JoĂŁo Soares, Paulo Canaveira e Armando Fialho, autorizaram expressamente esta ‘reconstrução’. Para o leitor interessado na discussĂŁo acerca dos aspetos

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3ULPHLUR SHOD VLPSOHV FĂ?SLD GH SURFHVVRV VLOYĂŠFRODVWUDGLFLRQDOPHQWHDSOLFDGRVDRSLQKHLUR bravo e, posteriormente, com um progressivo melhoramento das tĂŠcnicas e do material vegetal utilizado, o eucalipto aumentou significativamente a sua presença nos espaços florestais portugueses WHQGRKRMHXPDH[SUHVVĂ€RJHRJUžILFDVHPHOKDQWH ½GRVREUHLUR $FRPSDQKDGDV SRU XP GHEDWH VRFLDO LQWHQVR (e por vezes apaixonado) as plantaçþes de eucalipto assumiram, no começo dos anos 80, as FDUDFWHUĂŠVWLFDVGDTXLORTXHVHFRQYHQFLRQRXHQWĂ€R chamar de floresta industrial (ou comercial) e evoluem hoje para soluçþes de compromisso entre a monocultura florestal fisicamente sustentada (destinada a ser “colhidaâ€?) e uma gestĂŁo florestal VXVWHQWžYHO TXH SURJUHVVLYDPHQWH VH DSUR[LPD pela via do “mosaico regionalâ€?, da diversidade QHFHVVžULDDRVHVSDĂ„RVVLOYHVWUHV Produtores florestais privados e agricultores, estimulados por rendimentos interessantes, vieram juntar-se aos esforços de florestação com esta espĂŠcie promovidos pelas empresas industriais e hoje parece claro, em Portugal, que a produção de eucalipto e o abastecimento das indĂşstrias papeleiras portuguesas (e, em certa medida, GDV HVSDQKRODV  FRQWLQXDUž D VHU JDUDQWLGR maioritariamente, por produtores privados H[WHULRUHV½LQGĂ—VWULD Os novos projetos de plantação com eucalipto, submetidos, desde 1988, a legislação apertada e Ă  aprovação prĂŠvia das autoridades florestais,

relacionados com o desempenho ambiental, social e econĂłmico do eucalipto, recomenda-se a leitura do capĂ­tulo original, assim como dos outros capĂ­tulos do mesmo livro que abordam aspetos histĂłricos da cultura, a sua produtividade e os “contrasâ€? Ă  sua cultura. Para alĂŠm da visĂŁo dos diversos autores sobre os eucaliptos e eucaliptais, nessa obra o leitor mais interessado pode encontrar referenciada uma vasta bibliografia sobre o tema


Floresta

garantem hoje a defesa integral dos bens culturais, DPELHQWDLV GR VROR H GD žJXD H FRQVWLWXHP XP importante elemento de diversificação de uma floresta produtora de matÊrias-primas florestais que antes se circunscrevia, praticamente, ao SLQKHLUREUDYRHDRVREUHLUR $SRLDGDQXPDLQYHVWLJDÄÀRDSOLFDGDTXHFRQVWLWXL XP H[HPSOR ÊPSDU HP 3RUWXJDO H QD (XURSD D plantação de eucalipto utiliza agora material de reprodução melhorado por via seminal ou clonal e Ê efetuada com tÊcnicas de preparação de terreno cada vez menos agressivas para o ambiente (pelo recurso a tÊcnicas de mobilização de solos que exigem menos energia, reduzem a erosão e não DOWHUDPRVSHUILVGRVVRORV  6H t FRPR GHILQH D )$2 t DV SODQWDÄÒHV VÀR florestaçþes realizadas em terrenos nunca anteriormente florestados (ou florestados num passado distante, com outras espÊcies) Ê de esperar que os novos eucaliptais, que vão substituir RV DQWLJRV HXFDOLSWDLV SODQWDGRV Kž PDLV GH quarenta anos), apresentem, progressivamente, FDUDFWHUÊVWLFDV GH PHQRU DUWLILFLDOLGDGH FRPR consequência da adaptação da fauna e flora nativas ao eucaliptal bem como da evolução que se tem vindo a verificar nos sistemas de gestão IORUHVWDO 1HVWD GLUHÄÀR Mž XP JUDQGH FDPLQKR IRL percorrido em Portugal e as novas exigências de sustentabilidade, associadas a uma gestão VLOYÊFROD SURILVVLRQDO HQFRQWUDP KRMH QRV SURSULHWžULRV IORUHVWDLV GR HXFDOLSWDO SRUWXJXÇV LQWHUORFXWRUHVLQWHUHVVDGRVHUHVSRQVžYHLV $V DOWHUDÄÒHV GD 3ROÊWLFD $JUÊFROD &RPXP H R DEDQGRQR FUHVFHQWH GH WHUUHQRV DJUÊFRODV marginais, fazem crer que o eucalipto em Portugal possa vir a ocupar terrenos mais produtivos do que aqueles que ocupa atualmente, admitindose mesmo que o eucalipto conduzido em alto fuste, para a produção de toros de maiores diâmetros, possa vir a complementar a oferta nacional de matÊrias-primas lenhosas para a serração e a carpintaria que hoje se limita, quase H[FOXVLYDPHQWHDRSLQKHLUREUDYR Sendo certo que os eucaliptos têm sido muitas vezes olhados pelos seus donos e utilizadores como uma simples matÊria-prima agro-florestal,

não Ê menos certo que a Sociedade deseja ver, tambÊm, nestes exemplares da Natureza D FRQFUHWL]DÄÀR GH WRGR R LPDJLQžULR XUEDQR DVVRFLDGR½IORUHVWD 1HVWH FHQžULR GH FRQWÊQXD PXGDQÄD D IORUHVWD e a sociedade portuguesa terão de encontrar, mais uma vez, modelos de desenvolvimento que, SDUD DOÆP GH HFRQRPLFDPHQWH UHQWžYHLV VHMDP HFRORJLFDPHQWH UHVSRQVžYHLV H VRFLDOPHQWH GHVHMžYHLV

O debate do eucalipto em Portugal: as grandes questþes $ XWLOL]DÄÀR GR HXFDOLSWR HP 3RUWXJDO SDUD produção de madeira, destinada essencialmente à indústria de pasta para papel, foi rodeada GH JUDQGH SROÆPLFD PHGLžWLFD PRWLYDGD SRU SUHRFXSDÄÒHV GH FDUžFWHU DPELHQWDO H VRFLDO relacionadas com a plantação desta espÊcie QXPDžUHDVLJQLILFDWLYDGR3DÊV Para esse debate importa considerar a contribuição, positiva ou negativa, do eucalipto como uso alternativo do solo e as diferenças de GHVHPSHQKR DPELHQWDO VRFLDO H HFRQ�PLFR GD sua cultura, em função de diferentes alternativas GHJHVWÀR

O eucalipto como uso alternativo de solo 2WHUULW�ULRSRUWXJXÇVÆHVVHQFLDOPHQWHSULYDGRH o uso que os particulares dão às propriedades sob sua responsabilidade e os mecanismos que, de forma consciente ou subconsciente, condicionam

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Tabela 1 - Fatores determinantes para a decisĂŁo privada sobre o uso do solo Factores fĂ­sicos e naturais  

s3RWHQFLDOSURGXWLYRGRVRORSDUDGLIHUHQWHVEHQVHVHUYLÄRVGHRULJHPDJUÊFRODHIORUHVWDO s5LVFRVQDWXUDLVHFDUDFWHUÊVWLFDVILVLRJUžILFDVFRPRSHUÊRGRVGHVHFDFKHLDVIRJRVIORUHVWDLVJHDGDVGHFOLYHV HOHYDGRVHWF

Factores de mercado e estruturais   

s([LVWÇQFLDHDFHVVRDPHUFDGRVSDUDRVEHQVHVHUYLÄRVSURGX]LGRV s([LVWÇQFLDHVWDGRGHFRQVHUYDÄÀRHDFHVVRDLQIUDHVWUXWXUDVFRPRYLDVGHFRPXQLFDÄÀRSHUÊPHWURVGHUHJDHWF s5HQWDELOLGDGHSRUXQLGDGHGHžUHDGHGLYHUVRVXVRVDOWHUQDWLYRVGHVRORGHWHUPLQDGDHPODUJDPHGLGDSHORV FXVWRVSURGXWRVHVHUYLÄRV

Factores legislativos  s/LPLWDĂ„Ă’HVOHJDLVHQRUPDWLYDVDGHWHUPLQDGDVXWLOL]DĂ„Ă’HVGHVRORFRPRSRUH[HPSORREULJDĂ„Ă€RGHSURWHFĂ„Ă€RGH  



YDORUHVDPELHQWDLVDXWRUL]DÄÀRRXSURLELÄÀRGHFRQVWUXÄÀRHWF s6XEVLGLDÄÀRHDSRLRVS×EOLFRVDGHWHUPLQDGDVDFWLYLGDGHVHXWLOL]DÄÒHVGHVRORSRURSRVLÄÀRDRXWUDV s/LPLWDÄÒHVDFHUWDVSUžWLFDVGHJHVWÀRPRWLYDGDVSRUQRUPDWLYRVGHDSRLRS×EOLFR VXEVÊGLRVDJUÊFRODVHIORUHVWDLV PHGLGDVDJURDPELHQWDLVHWF RXSRUQRUPDWLYRVGHDGRSÄÀRYROXQWžULD FHUWLILFDÄÀRGHDJULFXOWXUDELRO�JLFD FHUWLILFDÄÀRGHJHVWÀRIORUHVWDOVXVWHQWžYHOHWF  s7D[DVHLPSRVWRVVREUHRXVRGRVRORHGDVGLYHUVDVDFWLYLGDGHVSURGXWRVHVHUYLÄRVDJUÊFRODVHIORUHVWDLV

Factores sociais  s([LVWÇQFLDGHPÀRGHREUDHPTXDQWLGDGHVXILFLHQWHHFRPDTXDOLILFDÄÀRDGHTXDGDSDUDGHVHPSHQKDUDV 

RSHUDÄÒHVGHJHVWÀRQHFHVVžULDV½SURGXÄÀRGHEHQVHVHUYLÄRV s$FHLWDELOLGDGHVRFLDOSDUDGHWHUPLQDGRVXVRVGHVROR

Factores educacionais  s1ÊYHOGHFRQKHFLPHQWRSHORSURSULHWžULRDJUÊFRODHIORUHVWDOGRVIDFWRUHVLGHQWLILFDGRVDFLPD 

s$FRQVHOKDPHQWR H[WHQVÀR DTXHRSURGXWRUDJUÊFRODRXIORUHVWDOHVWžVXMHLWRSRUSDUWHGHVHUYLÄRVDJUÊFRODVH IORUHVWDLVGR(VWDGRGHDVVRFLDÄÒHVGHDJULFXOWRUHVRXGHSURGXWRUHVIORUHVWDLVHGHFRQVXOWRUHVHVSHFLDOL]DGRV

DVVXDVGHFLVĂ’HVHVWĂ€RUHVXPLGRVQD7DEHOD Tendo em conta a natureza individual das decisĂľes GRVSURSULHWžULRVIORUHVWDLVRHXFDOLSWRHQTXDQWR cultura florestal para produção de madeira para pasta para papel, “concorreâ€? tipicamente, em Portugal, com pastagens e agricultura extensiva de sequeiro, com matos e incultos ou com outros WLSRV GH IORUHVWD SDUWLFXODUPHQWH GH SLQKDO Mais recentemente, o eucalipto surge tambĂŠm como uma â€œĂşltimaâ€? alternativa ao abandono de XWLOL]DĂ„Ă€RDFWLYDGDWHUUD

Desempenho ambiental, social e económico do eucalipto: a importância fundamental do modelo de gestão À primeira vista, o ciclo de produção lenhoso SDUHFH EDVWDQWH VLPSOHV SODQWDPVH DV žUYRUHV HVSHUDVH XP FRQMXQWR GH DQRV YDULžYHO FRP D espÊcie e com os produtos que se pretendem

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REWHU  H SURFHGHVH DR FRUWH SDUD PDGHLUD $R corte segue-se nova plantação e, deste modo, SHUSHWXDVHRFLFORIORUHVWDO $ UHDOLGDGH Æ QR HQWDQWR EDVWDQWH PDLV FRPSOH[D H YDULDGD 2 PRGHOR GHVFULWR DFLPD genericamente correto, subdivide-se em inúmeras variantes, correspondentes a outras tantas WÆFQLFDVIORUHVWDLV(VWDVYDULDQWHVWHQWDPDGDSWDU a gestão do eucaliptal às condiçþes locais e são


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influenciadas pela maquinaria e mão-de-obra GLVSRQÊYHLVSHORWDPDQKRGDžUHDLQWHUYHQFLRQDGD HSHORVFXVWRVXQLWžULRVGDVWÆFQLFDVDVVRFLDGDV½V GLYHUVDVRSHUDÄÒHVIORUHVWDLV 2V LPSDFWHV DPELHQWDLV VRFLDLV H HFRQ�PLFRV positivos ou negativos, associados ao eucaliptal não se esgotam com a tomada da decisão GH LQVWDODU XP HXFDOLSWDO 8PD FRPSRQHQWH fundamental do desempenho do eucalipto nestas YžULDV YHUWHQWHV HVWž GHSHQGHQWH GDV RSÄÒHV GH JHVWÀR DVVXPLGDV SHOR SURSULHWžULR IORUHVWDO na instalação, condução e exploração do eucaliptal, assim como tem enorme importância a qualidade com que cada uma dessas operaçþes Æ LPSOHPHQWDGD QR WHUUHQR 1D UHDOLGDGH HVWDV questþes não são exclusivas da arborização com eucalipto, sendo comuns a todas as arborizaçþes, independentemente da espÊcie ou conjunto de HVSÆFLHVXWLOL]DGDV 1ÀRKžTXHID]HUMXÊ]RVDEVROXWRVVREUHHVSÆFLHV florestais havendo, isso sim, que refletir sobre a forma como as florestas são geridas, que opçþes são tomadas, como são executadas as operaçþes, como são utilizados os bens e serviços TXHSUHVWDPHQWUHRXWURV7UDWDVHQRIXQGRGH SURFXUDU FRPSUHHQGHU D O�JLFD GD LQWHUYHQÄÀR KXPDQD QD QDWXUH]D PHOKRUžOD VHPSUH TXH IRU FDVRGLVVRHSURFXUDURWLPL]DURVEHQHIÊFLRVGHVVD DWLYLGDGH

IORUHVWDO $VVLP TXDQGR VH SRQGHUD R HIHLWR GD atividade humana no solo, desde logo se aprecia se se trata de um uso destrutivo ou nĂŁo destrutivo, associando aqui o conceito de “destrutivoâ€? a qLUUHYHUVĂŠYHOr Ora, ĂŠ consensual que a floresta em geral – e floresta aqui deve entender-se como englobando as açþes que vĂŁo da sua instalação Ă  sua exploração – tem de se integrar na categoria de qXWLOL]DGRU QĂ€R GHVWUXWLYR GR VRORr 3DUD WDO Kž que ter em atenção, fundamentalmente, o tipo de preparação do terreno, para que as açþes prĂŠvias Ă  florestação nĂŁo exponham o solo a açþes HURVLYDVH[FHVVLYDVRXDWÆLUUHYHUVĂŠYHLV (PERUDDOLWHUDWXUDLQWHUQDFLRQDOVREUHSODQWDĂ„Ă’HV e eucaliptos nĂŁo seja consensual sobre os efeitos no solo – dada a variabilidade de resultados HQFRQWUDGRV t SDUHFH SDFĂŠILFR DILUPDU TXH RV efeitos do eucalipto sobre o escorrimento das žJXDV H FRQVHTXHQWHPHQWH VREUH D HURVĂ€R variam amplamente de acordo com as condiçþes do clima local (especialmente o regime das

Aspetos Ambientais Solo 2 VROR Æ XP UHFXUVR QÀR RX SRXFR  UHQRYžYHO H Æ D EDVH GH TXDOTXHU SURGXÄÀR DJUÊFROD RX

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Por outro lado, estudos levados a cabo para determinar a influĂŞncia dos eucaliptos sobre a qualidade do solo apontam para uma melhoria da fertilidade do solo em eucaliptais instalados sobre terrenos nus, embora se reconheça que o KĂ—PXV FULDGR DSUHVHQWD FDUDFWHUĂŠVWLFDV žFLGDV DOLžVVHPHOKDQWHV½VGRKĂ—PXVGDVUHVLQRVDVHP JHUDOHGRVSLQKHLURVHPSDUWLFXODU É que se os solos sĂŁo hoje pobres e esquelĂŠticos, tal nĂŁo se fica a dever Ă  floresta mas antes a milhares de anos de agricultura e pastoreio intensivos que estiveram na base de um gigantesco processo erosivo e de esgotamento de nutrientes das nossas VHUUDVHFROLQDV chuvas), com a inclinação das encostas e com o FREHUWR VXEDUEXVWLYR FRPR DOLžV DFRQWHFH FRP todas as restantes espĂŠcies florestais plantadas em maciço), mas uma adequada preparação do terreno pode compensar os efeitos da erosĂŁo em VRORVQXV $OJXQVREVHUYDGRUHVPHQRVDWHQWRVUHVSRQVDELOLzam o eucalipto por uma menor fertilidade dos solos ou atĂŠ pela sua “esterilizaçãoâ€? dada a meQRUSXMDQĂ„DGRVXEFREHUWRHPPXLWRVHXFDOLSWDLV O que acontece, em primeiro lugar, ĂŠ que a rapidez com que as copas do eucalipto “se IHFKDPr WRFDP QDV FRSDV GH žUYRUHV YL]LQKDV  reduz drasticamente a entrada da luz do sol e GDĂŠXPDQRUPDOPHQWHPHQRUDEXQGÂżQFLDGRVXE FREHUWRDUEXVWLYR Por outro lado, nĂŁo existem quaisquer provas quanto Ă  dita “esterilizaçãoâ€? dos solos, embora algumas variedades de eucalipto (como ĂŠ o caso do E. globulus tĂŁo frequente em Portugal) apresentem folhas ricas em cineol que tem um efeito bactericida local que pode contribuir para XPDGLPLQXLĂ„Ă€RGRVXEFREHUWRDUEXVWLYR

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É sempre oportuno recordar que os efeitos de degradação do solo são essencialmente devidos D SUžWLFDV DJUÊFRODV GHILFLHQWHV GHVIORUHVWDÄÀR RX SDVWRUHLR H[FHVVLYR $SHQDV XPD SUžWLFD LUUHVSRQVžYHOGHIORUHVWDÄÀRSRGHFRQWULEXLUSDUD a degradação do solo e isso nada tem a ver com a espÊcie mas sim com a gestão florestal que o +RPHPDSOLFDDHVVDVFXOWXUDV

Ă gua $ SODQWDĂ„Ă€R GH JUDQGHV žUHDV IORUHVWDLV t independentemente das espĂŠcies – em qualquer EDFLDKLGURJUžILFDQĂ€RDQWHULRUPHQWHDUERUL]DGD YDLUHGX]LUVXEVWDQFLDOPHQWHDSURGXĂ„Ă€RGHžJXD dessa bacia, do mesmo modo que a desflorestação DXPHQWDDTXHODSURGXĂ„Ă€R (VWHV IDFWRV FRQWUDULDP GHVGH ORJR R PLWR GH que “as florestas atraem as chuvasâ€? e colocam JUDQGHÇQIDVHQDRSĂ„Ă€RGRXVRGDžJXD2QGH as comunidades humanas estĂŁo instaladas e/ RX GLVSĂ’HP GH UHFXUVRV KĂŠGULFRV HVFDVVRV D florestação em geral e a plantação de eucaliptos HPSDUWLFXODUQĂ€RÆXPDERDHVFROKD

$PERVRVIHQ�PHQRVtRHQVRPEUDPHQWRHRHIHLWR EDFWHULFLGD t VÀR IžFLO H UDSLGDPHQWH UHYHUVÊYHLV cessando de imediato com a substituição da HVSÆFLH

É que o eucalipto, como todas as espÊcies de FUHVFLPHQWRUžSLGRWHPXPDHOHYDGDFDSDFLGDGH GHWUDQVIRUPDÄÀRELRFOLPžWLFD2XVHMDVHH[LVWLU žJXD HP DEXQG¿QFLD KDYHUž PDLV PDGHLUD SRU unidade de tempo, mais biomassa produzida e PDLRUFRQVXPRGHžJXD

+RMHDVDWXDLVSUžWLFDVVLOYÊFRODVXWLOL]DGDVQDSURdução de eucalipto para rolaria (matÊria prima da LQG×VWULDGHSDVWDSDUDSDSHO MžLQFOXHPDTXHODV adubaçþes e outras a meio do ciclo de forma a PD[LPL]DURFUHVFLPHQWRQDURWDÄÀR

$FRQWHFH SRUÆP TXH HP LJXDOGDGH GH GLVSRQLELOLGDGH GH žJXD RV FRQVXPRV GRV eucaliptos não diferem dos consumos dos pinhais ou dos de outras massas florestais como se disse e como o provam os estudos efetuados em Portugal

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H HP WRGR R PXQGR 2 HXFDOLSWR TXH QÀR WHP UDÊ]HV ORQJDV H SURIXQGDV FRPR D qPLWRORJLDr afirma) tem a espantosa capacidade (rara na Natureza) de regular a sua transpiração atravÊs da orientação das folhas, para alÊm da abertura e fecho dos estomas, podendo, pois, desenvolverse e crescer usando sabiamente a (pouca ou PXLWD žJXDGHTXHGLVSÒHVDEHQGRPHVPRt½ VHPHOKDQÄD GR FDPHOR t UHWHU žJXD HP H[FHVVR (que de outro modo se perderia por evaporação) SDUD GHSRLV D XWLOL]DU HP SHUÊRGRV GH PDLRU HVFDVVH] Porque muitas afirmaçþes, de diferentes sinais, podem ser verdadeiras no seu contexto particular, importa citar dois dos mais qualificados estudos IHLWRV VREUH HXFDOLSWRV H HVSÆFLHV GH UžSLGR crescimento e que assim terminam os seus FDSÊWXORVVREUHDžJXD sq2V FXVWRV H EHQHIÊFLRV GH FDGD LQWHQÄÀR de plantação de eucaliptos deveriam ser cuidadosamente avaliados prestando particular DWHQÄÀR½VFDUDFWHUÊVWLFDVHFRO�JLFDVGRORFDO ½LPSRUW¿QFLDGDSURGXÄÀRGHžJXDQDEDFLD KLGURJUžILFD HP FDXVD H QDV QHFHVVLGDGHV ORFDLV GH žJXD H GH SURGXWRV IORUHVWDLVr 7KH HFRORJLFDO HIIHFWV RI HXFDO\SWXV )$2 )RUHVW\ 3DSHU5RPH  sq&RQWXGR Æ LPSRVVÊYHO ID]HU JHQHUDOL]DÄÒHV DFHUFDGDVUHODÄÒHVHQWUHSODQWDÄÒHVGHUžSLGR FUHVFLPHQWRHIOX[RVGHžJXDHFDGDSODQWDÄÀR e cada plano para uma nova plantação GHYH VHU DSUHFLDGD LQGLYLGXDOPHQWHr )DVW :RRG)RUHVW\0\WKVDQG5HDOLWLHV&KULVWLDQ &RVVDOWHU DQG &KDUOLH 3\H6PLWK &,)25  

Biodiversidade O termo biodiversidade, segundo um trabalho GR &,)25 Mž DQWHV FLWDGR GHVFUHYH D WRWDOLGDGH GR FDSLWDO ELRO�JLFR TXH VH HQFRQWUD QXPD GHWHUPLQDGDžUHD1HVVHFRQFHLWRHVWÀRLPSOÊFLWDV as complexas e diversas interaçþes entre diferentes espÊcies e entre organismos vivos e a componente QÀRYLYDGRDPELHQWH ŒSDFÊILFRDILUPDUDLQGHVHMDELOLGDGHGHFRQYHUWHU IORUHVWD LQGÊJHQD HP SODQWDÄÒHV GH PRQRFXOWXUD florestal sendo importante referir que em muitos OXJDUHVtHQLVVR3RUWXJDOÆXPFDVRSDUDGLJPžWLFR – a plantação florestal (no nosso caso, o eucalipto) surge em solos abandonados da agricultura e do pastoreio e não da substituição de florestas LQGÊJHQDVSUÆH[LVWHQWHV É indiscutivelmente verdade que as plantaçþes de florestas de gestão mais intensiva (de espÊcies LQGÊJHQDV RX H[�WLFDV  DSUHVHQWDP PHQRU diversidade de flora e de fauna que as florestas LQGÊJHQDV 3RU RXWUR ODGR HVWž WDPEÆP IRUD GH dúvida que as plantaçþes de florestas de espÊcies QÀRLQGÊJHQDV H[�WLFDV  DSUHVHQWDP PHQRU diversidade de flora e de fauna que as plantaçþes GHIORUHVWDVGHHVSÆFLHVLQGÊJHQDV Sabe-se, porÊm, que as plantaçþes de florestas intensivas (de eucalipto ou não) podem transformarVH HP KDELWDWV PDLV IDYRUžYHLV SDUD DQLPDLV H SODQWDV LQGÊJHQDV GHVGH TXH XPD JHVWÀR ordenada e adequada providencie ambientes SURSÊFLRV ½V HVSÆFLHV D FRQVHUYDU 7DO REMHWLYR pode conseguir-se deixando ou criando manchas ou zonas de vegetação nativa e a plantação de bolsas florestais em zonas despovoadas pode proporcionar, pela proteção adicional que gera, RGHVHQYROYLPHQWRGHYLGDVLOYHVWUH Sendo a (elevada) biodiversidade um bem em si SU�SULRQÀRGHL[DGHVHUYHUGDGHTXHDVH[LJÇQFLDV da Humanidade condicionam a possibilidade GH GLVSRU VHPSUH GH QÊYHLV HOHYDGRV GH ELRGLYHUVLGDGHŒRFDVRGDDJULFXOWXUDLQWHQVLYD JHUDOPHQWH DFHLWH FRPR QHFHVVžULD H LQHYLWžYHO RQGH D ELRGLYHUVLGDGH Æ QRUPDOPHQWH SREUH 2 mesmo se passa nos espaços urbanos onde, com exceção das aves, quase todas as outras formas de vida animal (com exceção do Homem) são QRUPDOPHQWHLQGHVHMžYHLV

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Alteraçþes Climåticas – Sumidouros de Carbono 2 FRPEDWH ½V DOWHUDÄÒHV FOLPžWLFDV WURX[H XPD nova dimensão para a gestão florestal em geral e SDUDDGRHXFDOLSWRHPSDUWLFXODU Qualquer uso de solo, ou alteração de uso de solo, funciona efetivamente como sumidouro de carbono, enquanto se encontrar numa fase em TXHDFXPXOHELRPDVVDYHJHWDO $ DUERUL]DÄÀR FRP HXFDOLSWR GH SDUFHODV QÀR florestais, as atividades de controlo e supressão de fogos florestais, as alteraçþes de gestão que levem à acumulação de matÊria orgânica no solo, a seleção adequada do momento de corte e, na reflorestação, a introdução de variedades melhoradas e mais produtivas, contribuem para sustentadamente aumentar o efeito sumidouro ao QÊYHOGDSDLVDJHPHDXPDFRQWULEXLÄÀRSRVLWLYD desta espÊcie para o cumprimento de metas QDFLRQDLVDVVRFLDGDVDR3URWRFRORGH4XLRWR

Aspetos Sociais $ DFHLWDELOLGDGH VRFLDO GD IORUHVWD GH HXFDOLSWR Æ XP IHQĂ?PHQR HVWUDQKR $SHVDU GD IORUHVWD GH eucalipto em Portugal ser largamente utilizada no fabrico de produtos papeleiros, de uso GLžULR H LQGLVSHQVžYHO QD VRFLHGDGH DWXDO VĂ€R relativamente poucas as pessoas que associam o eucalipto e a floresta produtiva desta espĂŠcie ao SDSHOTXHXWLOL]DPHPFDVDQRHVFULWĂ?ULRGXUDQWH DV IÆULDV VHMD QRV PRPHQWRV PDLV ĂŠQWLPRV VHMD QRV GH JUDQGH H[SRVLĂ„Ă€R SĂ—EOLFD 6HQGR GLIĂŠFLO conceber a sociedade sem produtos papeleiros, ĂŠ LPSRVVĂŠYHO WHU SDSHO VHP D XWLOL]DĂ„Ă€R GH žUYRUHV HHP3RUWXJDOGHHXFDOLSWRV1RFDVRSRUWXJXÇV contrariamente a outras regiĂľes do mundo onde a posse da floresta ĂŠ predominantemente de grandes corporaçþes, os eucaliptais foram plantados, na sua grande maioria por agricultores que, racionalmente, optaram por se dedicar Ă  sua FXOWXUD $VSHWRVFRPRDJHUDĂ„Ă€RGHHPSUHJRDDOWHUDĂ„Ă€R de paisagem e tradiçþes, implicaçþes sobre posse da terra, os problemas associados aos incĂŞndios H RXWUDV FRQVLGHUDĂ„Ă’HV GH QDWXUH]D HFRQĂ?PLFD geradas pela atividade produtiva permitem-nos tecer consideraçþes sobre a ‘bondade’, ou nĂŁo, GD FXOWXUD GR HXFDOLSWR 1R HQWDQWR D UHIOH[Ă€R

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conduz-nos sempre para as condiçþes particulares GDDQžOLVHHSDUDDIRUPDFRPRVHH[HFXWDPDV SUžWLFDV IORUHVWDLV VHQGR TXH HVWDV VÀR TXDVH sempre independentes das espÊcies em causa, do completo respeito de todas as condiçþes tÊcnicas H[LJÊYHLV H PDLV GHSHQGHQWHV GD LQWHQVLGDGH GD DWLYLGDGHKXPDQDTXHDVFRQGX]HP

Oportunidades para o futuro O eucalipto, como uso alternativo de solo, GHSHQGHUž SULQFLSDOPHQWH GR GHVHQYROYLPHQWR de fileiras industriais que mantenham ou desenvolvam as condiçþes de viabilidade financeira da produção de madeira desta HVSÆFLH 2XWUR DVSHWR GHWHUPLQDQWH VHUž R GHVHQYROYLPHQWRTXHVHREVHUYDUžQRPXQGRUXUDO SRUWXJXÇV 2 SUHYLVĂŠYHO DEDQGRQR RX UHGXĂ„Ă€R GH VXEVĂŠGLRV DJUĂŠFRODV WRUQDUž PDUJLQDO SDUD D DJULFXOWXUD XPD žUHD DSUHFLžYHO GR 3DĂŠV TXH SRGHUž VHU DEDQGRQDGD RX UHFRQYHUWLGD SDUD D DWLYLGDGHIORUHVWDO O principal “clienteâ€? da madeira de eucalipto em 3RUWXJDOWHPVLGRHFRQWLQXDUžDVHUDLQGĂ—VWULD QDFLRQDOGHSDVWDSDUDSDSHO2XWURVPHUFDGRV com implantação crescente, sĂŁo os da indĂşstria nacional de painĂŠis de madeira, a exportação GH URODULD SULQFLSDOPHQWH SDUD (VSDQKD H DR QĂŠYHO GRV VXESURGXWRV GH H[SORUDĂ„Ă€R IORUHVWDO R PHUFDGR GH ELRPDVVD SDUD HQHUJLD 1RYRV mercados (ainda pouco explorados em Portugal) poderĂŁo passar pela produção de madeira de maiores dimensĂľes, destinada principalmente Ă  LQGĂ—VWULDGHVHUUDĂ„Ă€RHGHPRELOLžULR $ LQGĂ—VWULD QDFLRQDO GD SDVWD H GR SDSHO WHP demonstrado um empenho continuado no seu SUĂ?SULR GHVHQYROYLPHQWR WHQGR DXPHQWDGR GH IRUPD VXVWHQWDGD RV VHXV QĂŠYHLV GH SURGXĂ„Ă€R DR ORQJR GDV Ă—OWLPDV GXDV GÆFDGDV 2 QĂŠYHO GH investimento verificado nos Ăşltimos anos ĂŠ um indicador claro do desejo desta indĂşstria em SHUPDQHFHU HP 3RUWXJDO &RPR FRQVHTXÇQFLD o sector papeleiro ĂŠ hoje um sector fundamental QD HFRQRPLD SRUWXJXHVD $ IRUWĂŠVVLPD YRFDĂ„Ă€R exportadora desta indĂşstria, a reconhecida qualidade internacional dos produtos papeleiros SRUWXJXHVHV H DV FDUDFWHUĂŠVWLFDV GR LQYHVWLPHQWR neste tipo de indĂşstria (que dificultam a sua deslocalização) constituem uma segurança Ă  continuidade de procura nacional para a madeira GHHXFDOLSWRSHORVHFWRUSDSHOHLUR


Floresta

O desenvolvimento do mercado de biomassa SDUDHQHUJLDTXHVHUžLQGX]LGRSHODFRQVWUXÄÀR anunciada de um grande número de centrais WHUPRHOÆFWULFDV D ELRPDVVD IORUHVWDO SRGHUž constituir-se como uma nova fonte de rendimento, adicional ao rendimento obtido com a rolaria, SDUDRVSURSULHWžULRVIORUHVWDLVGHHXFDOLSWR

sujeitas as florestaçþes são exemplos de linhas de WUDEDOKR FXMRV UHVXOWDGRV HVWÀR GLVSRQÊYHLV SDUD DSOLFDÄÀR LPHGLDWD SHOR SURGXWRU IORUHVWDO (VWH HVIRUÄR GH LQYHVWLJDÄÀR WHUž GH VHU FRQWLQXDGR para garantir uma permanente melhoria da competitividade da produção de madeira de HXFDOLSWRHP3RUWXJDO

&RPR DPHDÄDV D HVWH VHFWRU SURGXWLYR WHUHPRV a competição crescente de mercados papeleiros HPHUJHQWHV SDUWLFXODUPHQWH QD $PÆULFD /DWLQD com capacidade de produção florestal com JUDQGH HILFLÇQFLD H LQWHQVLGDGH 1HVWH FRQWH[WR DVVXPLUž XP SDSHO GHWHUPLQDQWH D FDSDFLGDGH de otimização das condiçþes de produção florestal em Portugal, que permitam manter a competitividade da madeira produzida face ao FXVWRLQWHUQDFLRQDOGHVWDVPDWÆULDVSULPDV

Paralelamente a este apelo de aumento de produtividade, esta procura de matÊrias-primas IORUHVWDLV SURYHQLHQWHV GH HXFDOLSWDLV WHUž GH ser acompanhada de forma crescente pela capacidade de demonstração da sustentabilidade GHVWD SURGXÄÀR (VWD H[LJÇQFLD REULJDUž D que sejam cada vez melhor considerados os aspetos relacionados com a conservação e valorização de bens de natureza ambiental e social, particularmente nos aspetos correntemente associados à biodiversidade e à paisagem, à conservação do solo e à regulação do ciclo da žJXD 2 UHFXUVR D VLVWHPDV GH JHVWÀR IORUHVWDO VXVWHQWžYHOFHUWLILFDGRVSRUSDUWHVLQGHSHQGHQWHV WHUžQHVWHFRQWH[WRXPDLPSRUW¿QFLDUHGREUDGD (VWHVVLVWHPDVSRGHUÀRWDPEÆPWUDGX]LUVHQXPD segurança acrescida no sucesso do investimento, quer pelo reforço da solidez tÊcnica do projeto, TXHUSHODRWLPL]DÄÀRGDUHODÄÀREHQHIÊFLRVFXVWRV DVVRFLDGRV½DWLYLGDGHIORUHVWDO

$SURGXÄÀRGHHXFDOLSWRWHPVLGRREMHWRGHDQRVGH investigação, desenvolvimento e experimentação conduzida pelas universidades, organizaçþes GH SURSULHWžULRV IORUHVWDLV H SHODV HPSUHVDV industriais, individualmente ou em parceria, o TXHFRQVWLWXLXPDEDVHV�OLGDGHLQIRUPDÄÀRSDUD reduzir o risco do investimento e a otimização GDV FRQGLÄÒHV GH SURGXÄÀR 2V WUDEDOKRV GH melhoramento genÊtico, nos quais têm vindo a ser desenvolvidas variedades de plantas adequadas a diversos tipos de terrenos e outras condiçþes, R FRQKHFLPHQWR GDV QHFHVVLGDGHV HP žJXD H QXWULHQWHV SDUD TXH DV žUYRUHV VH GHVHQYROYDP saudavelmente, as tÊcnicas de preparação dos terrenos, de manutenção e de exploração, o conhecimento das doenças a que podem estar

$VVLP SDUHFH H[LVWLU HP 3RUWXJDO XP TXDGUR IDYRUžYHO ½ SUHVHQÄD GHVWD LPSRUWDQWH HVSÆFLH florestal, em condiçþes progressivamente mais competitivas, produzidas num quadro de VXVWHQWDELOLGDGHFUHVFHQWH

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Floresta

Viveiros do grupo Portucel Soporcel: as plantas de hoje para a floresta do amanhã!* * Vasco Paiva Responsável pelos Viveiros do grupo Portucel Soporcel

12 Milhões de plantas é a capacidade anual de produção dos viveiros do grupo Portucel Soporcel.

O

grupo Portucel Soporcel dispõe de três viveiros: Espirra (Pegões), Caniceira (Abrantes) e Ferreiras (Penamacor). É no viveiro da Herdade de Espirra que se realiza a maior e a mais exigente produção de plantas, sendo também a maior unidade produtiva e a de mais elevada tecnologia. Nos Viveiros do Grupo produzem-se anualmente cerca de 9,5 milhões de plantas de Eucalyptus globulus, 2 milhões de plantas de outras espécies florestais (pinheiro manso, pinheiro bravo, sobreiros, diversos carvalhos, cupressus, freixos, etc.) e cerca de 500 mil plantas de espécies ornamentais, arbustivas mediterrânicas (alecrim, alfazema, medronheiros e outras) e mesmo algumas em risco de extinção, como, por exemplo, o azevinho.

Respeitando a legislação nacional e comunitária, toda a produção dos viveiros se encontra certificada, tendo obtido o grau mais elevado de classificação na planta clonal de eucalipto.

Os Viveiros do grupo Portucel Soporcel são os maiores produtores europeus de planta florestal certificada Nestes viveiros a produção de plantas de eucalipto é feita prioritariamente através de propagação vegetativa, permitindo a produção em grande escala de plantas clonais. Estas plantas, com características genéticas superiores, resultam do programa de melhoramento genético do grupo Portucel Soporcel, que há mais de 25 anos iniciou um processo de seleção dos melhores indivíduos e teve um forte impulso através dos trabalhos desenvolvidos pelo Raiz (Instituto de Investigação da Floresta e do Papel), sobretudo a partir de 1995. Estes clones, estudados e selecionados pelo Raiz, são multiplicados em produção comercial nos Viveiros do Grupo. Para o efeito, na Herdade de Espirra está instalado um Parque de Pés-Mãe com 6 clones distintos, adaptados às diferentes combinações de solo e clima prevalecentes no País, permitindo alcançar uma produção anual de 6 milhões de plantas clonais. Esta produção destina-se às plantações do Grupo, sendo uma parte significativa cedida ao mercado nacional em condições favoráveis através de protocolos estabelecidos com as federações de produtores florestais. No Viveiro de Espirra o processo de produção das plantas clonais inicia-se no Parque de PésMãe onde são colhidos os rebentos. Daí, são

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Floresta

transportados e processados num espaço de trabalho, a Biofábrica, onde são preparadas e plantadas as estacas, seguindo de imediato para as Casas de Sombra onde terá lugar o seu enraizamento. Este processo tem de ser rápido e controlado em termos de qualidade para se evitar efeitos de emurchecimento, onde o intervalo de tempo, desde que é cortado o rebento até entrar na Casa de Sombra, não pode exceder 10 minutos.

Nas Casas de Sombra as jovens plantas passam por uma primeira fase de sobrevivência, entre 25 a 30 dias, seguindo-se uma segunda fase de enraizamento em igual intervalo de tempo, sendo posteriormente transferidas para uma zona de Atempamento. É nesta última fase que as plantas se aclimatam e se preparam para as condições mais adversas que vão encontrar no terreno. Estas transições são feitas por sistemas mecânicos e automatizados.

No Parque de Pés-Mãe o controlo do material genético é feito através de análise de DNA para assegurar a sua proveniência. Em todo o processo, desde o Parque de Pés-Mãe, à produção das estacas em tabuleiros, até à expedição de plantas, os clones são identificados com distintas cores e ainda com as datas de produção e equipas de trabalho responsáveis, assegurando assim a qualidade do trabalho desenvolvido, evidenciada por um rigoroso sistema de controlo de qualidade em todas as fases do processo produtivo.

Mercê das técnicas desenvolvidas, da experiência acumulada, dos conhecimentos e destreza dos colaboradores e das condições do Viveiro de Espirra, aqui se alcançam as maiores taxas de

No período de produção, de Maio até fins de Agosto, produzem-se em média 150 mil estacas por dia.

O Viveiro de Espirra O Viveiro de Espirra situa-se 54 km a Sul de Lisboa, perto de Pegões. Ocupa uma área total de 22 ha, tem 5,5 ha de área coberta (Casas de Sombra e Estufas) e 3 ha de Atempamento. Os Parques de Pés-Mãe ocupam 7,2 ha com 250 mil pés-mãe. O sistema de rega, se fosse todo estendido linearmente, poderia ligar o viveiro, em Pegões, à Fábrica, em Setúbal, representando 24 km de tubagem. O sistema de drenagem corresponde a 13,5 km e cobre toda a área do viveiro. Equipado com tecnologia avançada e inovadora, o viveiro integra um Sistema S-Monitor de controlo automático de

rega e abertura/fecho das estruturas cobertas associado a uma estação climatológica. Esta unidade de produção dispõe de mesas rolantes (tabuleirões) para transporte de tabuleiros assentes numa estrutura metálica que permite a sua movimentação ligando todas as áreas do viveiro, desde a Biofábrica às Casas de Sombra, Estufa e espaços de Atempamento. A Biofábrica tem sistemas mecanizados na linha de produção de substratos e linha de enchimento dos tabuleiros, um robot arrumador dos tabuleiros nos tabuleirões e uma máquina de desinfecção dos tabuleiros. Dispõe ainda de uma máquina de sementeira automática.

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Floresta

A Herdade de Espirra A Herdade de Espirra, adquirida pela Portucel em 1985, é um vasto espaço agro-florestal de 1.700 hectares situado no concelho de Palmela, 60 km a sul de Lisboa. Nesta herdade encontra-se o viveiro de Espirra que ocupa 22ha. O traçado das construções do “Monte”, área social com escritórios, sala de reuniões, moradia, adega e outros, integrase harmoniosamente na paisagem e corresponde à arquitetura da região. sucesso a nível mundial na produção de eucalipto glóbulos por propagação vegetativa, sendo esta espécie de eucaliptos uma das mais difíceis de enraizar. As plantas clonais asseguram maior produtividade por hectare, maior rendimento para os proprietários, maior facilidade no corte pela homogeneidade das árvores em povoamento e maior rendimento em pasta. É assim uma janela de oportunidade para a floresta portuguesa e tem sido uma forte aposta do grupo Portucel Soporcel, que tem investido de forma sustentada no melhoramento genético e na transferência do conhecimento gerado na investigação como formas de promover o aumento da produtividade da floresta nacional.

A herdade prima pela coexistência de diversas culturas agrícolas como a vinha (37ha), pastagens, além de culturas florestais como eucalipto (677ha), sobreiro (532ha), pinheiro manso (48ha), choupo (35ha) e diversos povoamentos mistos. A vinha ocupa 37ha e é predominantemente constituída por vinhas velhas de Castelão. Produzem-se os excelentes vinhos Herdade de Espirra e Pavão de Espirra, por métodos tradicionais no lagar e adega existentes no local. Nos últimos anos, os vinhos de Espirra têm sido premiados nos mais prestigiados concursos nacionais e internacionais, recebendo ao todo 28 prémios, entre os quais 1 medalha de ouro e 10 de prata. O Instituto Raiz está representado em Espirra pela equipa responsável pelo programa do melhoramento genético.

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Floresta

Tendo-se comprovado o melhor desempenho destas plantas clonais e a maior produtividade destas plantações, a autoridade florestal (ICNF – Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas) atribuiu o nível mais elevado de classificação na certificação - “Testada” -, das plantas clonais produzidas pelos viveiros do Grupo, aspeto em que foram pioneiros e são líderes em Portugal. Em 2011 iniciou-se um investimento de 2,5 milhões de euros no Viveiro de Espirra visando a duplicação da capacidade produção clonal, a modernização das suas instalações, através de processos inovadores de automatização, bem como a melhoria das condições fitossanitárias e das condições de trabalho, nomeadamente de ergonomia, higiene e segurança. As obras realizaram-se sem interrupção do processo produtivo, tendo-se alcançado, de imediato, um aumento de 50% na produção. Em

2012 foi possível atingir o objetivo proposto de duplicação da produção. Mas as plantas não crescem por si! Para o alcance destes objetivos em muito contribui a dinâmica, iniciativa e incentivo da Administração do Grupo e uma equipa altamente motivada e inovadora, com colaboradores tecnicamente bem preparados. A atualização dos conhecimentos e o acesso a novas práticas tecnológicas é promovido com frequência através de ações de formação e visitas a certames internacionais. Na totalidade, as três unidades produtivas geram significativo emprego direto e indireto nas regiões rurais onde estão instaladas, traduzindose esta mais-valia num efetivo de cerca de 100 Colaboradores. Nos Viveiros do grupo Portucel Soporcel garantese o presente e constrói-se o futuro!

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Reportagem

Fábrica de papel tissue faz o adensamento da pasta com inovador filtro de disco HICONBAGLESS – ADENSAMENTO COM EFICIÊNCIA

G

raças à instalação do novo filtro de disco HiConBagless, a fábrica de tissue da AMS Gomà Camps, em Portugal, foi capaz de reduzir o seu consumo padrão de pasta. A matéria-prima atual - suspensão de pasta branqueada- é agora adensada por um novo filtro de disco HiConBagless e alimentada diretamente à unidade de preparação de pastas da máquina de produção de tissue. A instalação economiza energia e dinheiro.

Fig. 1: Novo filtro de disco HiConBagless instalado na torre de armazenagem da fábrica de tissue da AMS Gomà Camps, em Vila Velha de Ródão.

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A fábrica de tissue da AMS Gomà Camps de Vila Velha de Ródão, foi inaugurada em 2009. Os principais mercados para seus produtos são a Península Ibérica, África do Norte e os países africanos de língua portuguesa. A sua localização – perto de uma fábrica produtora de pasta – permite o acesso direto a pasta em suspensão de alta qualidade. Isso criou a necessidade de instalação de uma máquina compacta, flexível e confiável para adensar a pasta e, ao mesmo tempo, assegurar um filtrado com uma qualidade correspondente a menos de 50 ppm de teor de sólidos. O novo filtro de disco HiConBagless apresentou-se como a solução.

Adensar pasta virgem com alto grau de liberdade usando filtros de disco sempre foi um desafio. A pasta virgem, drenando rapidamente e floculando fortemente, torna difícil a descarga segura da pasta, pois um severo adensamento na cuba pode, de fato, ameaçar a integridade da máquina como um todo. Com a introdução do filtro de disco HiConBagless, esses problemas tornaram-se coisa do passado.

Janela operacional ampliada A instalação do filtro de disco HiConBagless permite à AMS Gomà Camps um alto grau de flexibilidade: sem alterações mecânicas nos filtros de disco, a fábrica agora pode variar a sua produção de 25 toneladas por dia até 150 toneladas por dia. O HiConBagless inclusive faz a gestão da mudança do tipo de pasta, entre o eucalipto de fibra curta e o pinheiro de fibra longa. Também são possíveis aumentos futuros da produção, para o processamento até 250 toneladas por dia. O filtrado claro produzido pelo filtro de disco possui um teor de sólidos de apenas 20-25 ppm. Esse filtrado é reciclado, de modo a recuperar novas fibras para a máquina de produção de tissue - e o ciclo é fechado.


Reportagem

Discos guiados Os resistentes e exclusivos discos Voith Bagless duram mais do que qualquer disco de drenagem do mercado. No novo filtro de disco HiConBagless, a operação sem problemas do filtro de disco deu um importante passo em frente, pelo recurso a uma guia para os discos Bagless. Blocos-guia de baixo atrito, localizados na periferia dos discos, percorrem um trilho na cuba. Uma eventual colisão entre setores e calhas a consistências elevadas na cuba é agora sempre evitada. Para aperfeiçoar o desempenho da máquina a uma maior consistência da alimentação, foi desenvolvida uma versão HiCon especial dos setores Bagless. Esses setores promovem uma agitação direcionada da suspensão de fibras. Combinados com a superfície de aço inoxidável dos discos Bagless, as elevadas forças exercidas pela pasta não colocam em risco a vida útil operacional dos discos. Os HiCon também

Fig. 3: “Graças à boa cooperação da equipe da Voith, todas as metas da instalação foram atingidas. Comparado a um sistema de pasta com tinões de pasta virgem convencionais, a economia de energia obtida no processamento e pré-adensamento de uma suspensão de pasta com o filtro de disco HiConBagless é de aproximadamente 30%.” José Miranda, Diretor-Geral da AMS Gomà Camps

podem ser instalados como um kit de atualização em filtros de disco já existentes, em combinação com os discos Bagless. Essa é uma maneira particularmente interessante de aumentar a capacidade da máquina, podendo, em alguns casos, a capacidade ser aumentada até 30%.

Fig. 2: Modo de operação do filtro de disco HiConBagless: A suspensão de pasta adensada pelo novo filtro de disco HiConBagless é transportada para a máquina de produção de tissue. O filtrado claro é realimentado no circuito, recuperando mais pasta para a produção de tissue.

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Tecnologias

Chega de sopa!* *Ian Padley, Gestor de Aplicações de Papel «Tissue», BTG Eclépens S.A.

I

magine um cenário típico enfrentado por um operador de máquina de tissue onde os químicos estão totalmente fora de controlo. A sua máquina está a utilizar uma composição de fibras recicladas e fazendo algumas gramagens de papel para toalhas, mas você está encontrando muita dificuldade em atingir a especificação de resistência húmida. Esta importante propriedade para o utilizador final é dada por um produto químico, de fato a “poliamino amina epicloridrina” mas você não sabe disso, apenas que é uma “resina de resistência húmida”. Então, se os testes de laboratório para resistência húmida são baixos, vamos apenas acrescentar mais, ok? De fato, não. Talvez quando o próximo turno chegar, haverá espuma a transbordar no tinão das águas coladas. A drenagem do feltro é subitamente muito pobre, mas nós não vemos isso, o que vemos são faixas húmidas no revestimento do Yankee, crepagem fora de especificação, quebras de papel e repetidas trocas de lâminas. E a resistência húmida ainda é pobre. Talvez os operadores do próximo turno já tenham visto isso antes, eles param a máquina, limpam o feltro, e soltam a água de retorno, reiniciam com água fresca e menos “resina de resistência húmida” e por algum tempo as coisas podem melhorar.

Relatório da parte úmida

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Ou talvez eles apenas liguem a bomba de antiespuma e as coisas podem ficar ainda piores! O que realmente aconteceu aqui? O problema com os químicos é que tendemos a ver apenas os efeitos finais e não as ocorrências visíveis, como a solução de problemas de operação mecânica na máquina. Se compreendermos um pouco da química utilizada na fabricação de papel, podemos especular que “tivemos alguns resíduos ricos em lixo aniónico na composição de fibras”. Este lixo consumiu a “resina de resistência húmida” antes de reagir com as fibras, mas, aumentando a dosagem de resina, nós colocamos mais químicos não reagentes no sistema, saturando o feltro, criando espuma e desestabilizando o revestimento do Yankee. Mas ainda não sabemos ao certo. O que temos é uma sopa química que precisamos desvendar não apenas para baixar os custos dos químicos, mas para melhorar o funcionamento da máquina, como todos os fabricantes de tissue sabem que qualquer desequilíbrio químico irá eventualmente refletir-se no seu Yankee.

RELATÓRIO DA PARTE HÚMIDA As fibras de papel são inerentemente aniónicas ou de carga negativa, devido aos grupos funcionais de carboxilo sobre as fibras. Muitos químicos funcionais terão carga catiónica oposta (positiva), e portanto nós temos uma atração eletrostática entre fibras e químicos que nós podemos explorar para colocar os químicos onde precisam estar, ou seja, sobre as fibras. Resistência húmida, alguma resistência seca, amido, coagulantes e químicos de-bonder trabalham desta forma. Já podemos ver a complexidade de vários polímeros de carga funcional competindo por espaço na fibra. No entanto, a composição fibrosa pode também conter o chamado “lixo aniónico” compreendendo alcatrão, impurezas viscosas, finos ou cinzas que


Tecnologias

irá rapidamente consumir o aditivo catiónico antes que possa reagir com a fibra. Agora, a solução para isso pode ser neutralizar o lixo com um polímero não-funcional catiónico; mas como fazer isso no lugar certo e na quantidade certa? A chave para uma boa gestão química, portanto, é a medição objetiva, e as técnicas mais frequentemente aplicadas para medir as cargas elétricas em minutos na composição e nos químicos. Há muitos anos, que os fabricantes de papel conhecem o PCD Mutek (detetor de partículas de carga) para medições da carga das partículas solúveis ou finos. O instrumento de laboratório PCD também está disponível como um analisador on-line e não mede apenas o resíduo químico em solução, mas também o lixo aniónico. Um desenvolvimento mais recente é o Mutek SZP-10 (Sistema de potencial Zeta), uma técnica off-line para medir diretamente a carga na fibra. Quanto maior for a carga negativa, melhor será a retenção do aditivo catiónico. Para explorar estas técnicas, técnicos treinados deverão construir um mapa do SZP e PCD para todos os fluxos de ações da água, observando adições químicas e modificando-os para obter os melhores resultados. Eles fazem as seguintes perguntas: s4XDO FRPSRVLÄÀR WHP R PDLRU SRWHQFLDO GH retenção de químicos? s4XDQWROL[RDQLÐQLFRHVW¾SUHVHQWH" s4XDQWRV IL[DGRUHV VÀR QHFHVV¾ULRV SDUD neutralizar o lixo? s2PHXDGLWLYRIXQFLRQDOUHWÆPQDILEUD" E assim, uma nova estratégia de controlo químico, com base na medição, não em adivinhação, é construída. Ao utilizar estes meios, podemos controlar o uso dos químicos, otimizar a retenção da primeira passagem e até mesmo melhorar a eficiência da crepagem. Então, de volta à nossa história inicial. Na verdade, tudo isso descreve o caso de uma fábrica de tissue no Médio Oriente, que acabou

Novo desenvolvimento BTG, MÜTEK SZP-10 sistema de potencial ZETA

com a típica “sopa química”. Especialistas da BTG pacientemente mapearam o caso e sugeriram as ações apropriadas para mudar os pontos de adição e controlar o lixo e a retenção. Não foi este cliente só capaz de otimizar suas dosagens químicas, mas também foram capazes de atingir uma operação de máquina mais otimizada, com qualidade estável e menos quebras de folha, reduzindo assim o tempo de payback para apenas semanas do investimento inicial em instrumentação e treino. Esta história é repetida muitas vezes com os clientes que decidiram parar com adivinhações e começar a medir os seus químicos e sair da “sopa”. A BTG está comprometida em ajudar os clientes a alcançar ganhos significantes e sustentáveis no desempenho do negócio. Conseguimos isso através de nossos especialistas numa aplicação de primeira classe mundial, tecnologias líderes de mercado, experiência no setor e paixão por resultados. Estamos presentes em toda a operação de pasta e papel, desde o digestor e linha de branqueamento, através dos processos de preparação da pasta e da parte húmida até ao revestimento ou crepagem do papel, bem como na impressão e conversão.

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Tecnologias

AkzoNobel inaugura “ilha química” em Três Lagoas (MS)

A

unidade Pulp and Performance Chemicals da AkzoNobel inaugurou em março passado uma unidade produtiva localizada na cidade de Três Lagoas (MS) para o fornecimento direto de clorato de sódio para a Eldorado Brasil, a maior e mais moderna fábrica de produção de celulose em linha única do mundo. Dentro do modelo sustentável de

ilha química – quando a unidade produtiva da companhia é instalado dentro da fábrica do cliente - a AkzoNobel anuncia a concretização do investimento de 90 milhões de euros, o maior já feito pela multinacional na América Latina. Para Jaap de Jong, diretor da AkzoNobel para o Brasil e América Latina, este é mais um marco para a companhia, que tem no Brasil o seu quarto maior mercado: “a inauguração de Três Lagoas dá início a uma série de anúncios que faremos em 2013 e é mais um importante passo para alcançarmos as nossas metas de expansão no País”, destaca o diretor. O acordo de longo prazo entre a AkzoNobel e a Eldorado comprova a eficácia e os benefícios que esse modelo confere a cliente e fornecedor, bem como a intenção de ambos em participar no crescimento e desenvolvimento da indústria de papel e celulose no Brasil. José Carlos Grubisich, CEO da Eldorado Brasil Celulose comenta: «Estamos satisfeitos por trabalhar com a AkzoNobel e estamos ansiosos

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Tecnologias

para continuar a desenvolver a nossa parceria estratégica. Tenho a certeza de que a nossa cooperação será mutuamente benéfica», completa o executivo.

a nova fábrica emprega 60 pessoas e irá desempenhar um papel importante na garantia de uma oferta de celulose de eucalipto sustentável para o mercado global.

E o presidente da AkzoNobel Pulp and Performance Chemicals Brasil, Antonio Carlos Francisco acrescenta: “Este acordo demonstra o valor que os nossos clientes dão ao conceito de ilha química, que nos permite participar no fomento à economia local, por meio da criação de empregos e atuação em projetos sociais”.

A nova unidade produtiva produzirá clorato de sódio em escala mundial para atender às necessidades da Eldorado, o que contempla o fornecimento, armazenamento e manipulação de todos os químicos para a produção de 1,5 milhão de toneladas de celulose por ano da fábrica nova. A ilha ainda tem capacidade para abastecimento das duas expansões previstas pela Eldorado, que até 2021 produzirá cerca de 5 milhões de toneladas de celulose por ano.

Segundo Ruud Joosten, diretor global da AkzoNobel Pulp and Performance Chemicals,

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Tecnologias

sulfúrico, metanol e outros químicos, além de uma fábrica de clorato de sódio com capacidade para 58 mil t/ano, para atender às necessidades das fábricas de celulose da região. A Pulp and Performance Chemicals constitui uma unidade de negócios da AkzoNobel, a maior empresa de tintas e revestimentos do mundo. As atividades da AkzoNobel no Brasil estão divididas nas suas três principais áreas de negócios mundiais: Tintas Decorativas; Performance Coatings e Especialidades Químicas. Cada área possui unidades de negócios dedicadas a serviços específicos. Em Tintas Decorativas, a companhia trabalha com as marcas Coral e Sparlack.

A AkzoNobel conta com operações sedimentadas no mercado brasileiro, onde a empresa já opera o conceito de ilha química em diversas fábricas de celulose, com produção ativa em Jacareí (SP), Eunápolis (BA), Três Lagoas (MS), Rio de Janeiro e Jundiaí (SP). A Pulp and Performance Chemicals é líder global em tecnologia e produtos químicos utilizados para o branqueamento de celulose e aditivos para fabricação de papel. Os seus 2.800 funcionários servem a indústria de celulose e papel em escritórios e fábricas espalhados por 30 países. No Brasil, implantou todas as novas unidades produtivas de dióxido de cloro nas fábricas de celulose dos últimos 15 anos. Em 2005, inaugurou a unidade Bahia, localizada na cidade de Eunápolis, uma ilha química de dióxido de cloro, hidrogénio, oxigénio e armazenagem de soda cáustica, peróxido de hidrogénio, ácido

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Dentro de Performance Coatings, existem as unidades Automotive&Aerospace Coatings (marcas Wanda e Sikkens); Marine & Protective Coatings (marca International); Powder Coatings (marcas Interpon e Resicoat), Packaging Coatings e Wood Finishes and Adhesives (Resinas Iguatu). Já, em Especialidades Químicas, estão incluídas as unidades Pulp and Performance Chemicals (marca Eka), a Surface Chemistry e a Functional Chemicals. São, ao todo, 2.900 colaboradores distribuídos por 15 fábricas em seis estados e que fazem do Brasil o quarto maior mercado para a companhia. Pelo seu amplo portfólio e presença em diferentes áreas de atuação, a AkzoNobel está presente na vida quotidiana do Brasil e trabalha para oferecer cada vez mais produtos inovadores e sustentáveis, em linha com a sua missão e filosofia. A AkzoNobel é uma companhia global líder em tintas e revestimentos e uma das principais produtoras de especialidades químicas. Fornece produtos inovadores para indústrias e consumidores no mundo inteiro e trabalha no desenvolvimento de soluções sustentáveis para os seus clientes. O seu portfólio inclui marcas bem conhecidas como Coral, Dulux, Wanda, Sikkens, International e Eka. Com sede em Amsterdão, na Holanda, é consistentemente indicada como uma das empresas líderes na área de Sustentabilidade. Com operações em mais de 80 países, os seus 50.000 colaboradores no mundo inteiro estão comprometidos com a excelência e com o cumprimento da premissa “Respondendo hoje as perguntas do amanhã” (Tomorrow’s Answers Today™).

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Entrevista

Manutenção de uma Fábrica: a cooperação é a chave do sucesso! Uma entrevista com Ilkka Hämälä, CEO da Metsä Fibre dá uma «visão de helicóptero» sobre a manutenção terceirizada. O seu funcionamento ao nível da fábrica é ilustrado por entrevistas realizadas no terreno em duas fábricas da Metsä Fibre (Äänekoski e Joutseno).

"Não é só manter. É melhorar continuamente."

preciso

Ilkka Hämälä é Chief Executive Officer da Metsä Fibre, uma das principais empresas produtoras de pasta do mundo. Como um «early adopter» de métodos de trabalho inovadores, Hämälä tem uma perspetiva prática sobre a manutenção da fábrica e as melhorias de desempenho sem grandes investimentos de capital.

Pergunta: Se a manutenção é fundamental para as operações das suas fábricas, por que é que considera a sua terceirização?

Hämälä: A eficácia da manutenção e a disponibilidade do equipamento são críticas para uma produção contínua e estável. Somos profissionais no ramo da pasta, e aqui queremos ser os melhores. Não podemos ser os melhores produtores de pasta do mundo e, ao mesmo tempo, ser a melhor organização de manutenção do mundo. Existem empresas melhores do que nós em manutenção que têm isso como uma competência essencial, o seu “core business”. Pergunta: Qual foi a sua primeira experiência com a terceirização da manutenção? Hämälä: A minha primeira experiência foi quando construímos de raiz a nossa fábrica de Rauma em 1996. Pensámos todas as nossas atividades tradicionais e interrogámo-nos se as mesmas poderiam ser feitas melhor e mais baratas. A nossa decisão para a Rauma foi terceirizar as atividades que não estavam dentro das nossas competências essenciais. Para expandir o conceito implantado na Rauma, temos agora dois contratos principais de terceirização em cada fábrica: Manutenção e Outros (limpeza, gestão de resíduos, segurança, transportes, etc.).

Pergunta: O que realça nestes novos contratos de manutenção? Hämälä: O nosso parceiro de manutenção,

Ilkka Hämälä, Chief Executive Officer, Metsä Fibre

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a YIT, fazia um sólido trabalho de manutenção, mas não tinha suficiente informação sobre o equipamento. Desde que começámos a utilizar o serviço da Andritz, o OPE (Overall Production Efficiency) – monitorização remota do processo,


Entrevista

a comprar resultados. Podemos medir e ver o desenvolvimento positivo: uma fábrica operacionalmente bem, cujo desempenho está a melhorar a todo o momento.

análises de tendências para o planeamento da manutenção, estudo de melhorias das máquinas – pensámos que seria bom combinar o trabalho das duas empresas. Encorajámos ambas (YIT e Andritz) a constituírem um consórcio para a nossa fábrica de Joutseno. Elas próprias reconheceram que seria uma estratégia benéfica para ambas cooperarem em vez de competirem entre si. O resultado foi um parceiro de “manutenção mais desenvolvimento” que não só mantém a fábrica em funcionamento mas também a melhora de forma regular.

Pergunta: O que observa sobre as atividades de manutenção, quando visita uma fábrica? Hämälä: Quando visito Joutseno, vejo uma atitude que vai para além de apenas manter o equipamento a funcionar. A atitude é: "Se vamos tocar numa máquina, devemos fazê-lo melhor do que foi feito antes." O foco está na melhoria da fábrica a todo o momento. Nunca senti qualquer tipo de atrito ou o apontar de um dedo. Todos eles se reúnem e dizem: "Aqui está o problema, como vamos resolvê-lo?"

Pergunta: Com uma «visão de helicóptero» de CEO, o que vê como principais vantagens e desvantagens da manutenção terceirizada? Hämälä: A principal coisa é que não estamos a comprar tempo de homem/máquina, estamos

Uma das principais vantagens é a programação dos recursos. Quando uma fábrica está a funcionar bem, não precisa de uma equipa de manutenção com muitas pessoas. Mas quando tem um problema ou uma paragem, então precisa de muita gente. Um parceiro exterior tem pessoas qualificadas noutros locais próximos - e tem a flexibilidade para transferir recursos, conseguindo manter baixo o seu quadro de pessoal.

Pergunta: Se a terceirização é tão bemsucedido, por que não é feita em todas as fábricas do mundo? Hämälä: Cada empresa tem de definir a sua própria estratégia operacional. Um extremo é produzir tudo sozinho e fornecer todos os serviços que precisa. O outro extremo é o de gerir apenas o relacionamento com o cliente e comprar tudo exteriormente. E existem dezenas de cenários intermediários. Nós, na Metsä Fibre, definimos a nossa estratégia e selecionámos os nossos parceiros de acordo com ela. Confiamos nos nossos parceiros e estamos dispostos a deixá-los ter um lucro razoável. Desenvolvemos metas compartilhadas. Dessa forma, eles estão em boa posição para desenvolver oportunidades conjuntamente connosco.

A EXPERIÊNCIA ÄÄNEKOSKI O primeiro acordo OPE (Overall Production Efficiency - Eficiência Global de Produção) realizado em Äänekoski em 2004 começou na unidade de lixívia branca. Seguiu-se o digestor em 2005 e em 2007 o trabalho foi estendido aos outros processos da linha de produção

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processos e melhores práticas com que podemos aprender. Esperamos que eles venham até nós com novas ideias e melhores maneiras de fazer as coisas. " A cooperação cresce a cada dia. "Queremos que os nossos parceiros estejam presentes na fábrica, e não apenas monitorizar os nossos sistemas remotamente. O seu envolvimento não é uma operação lateral, mas sim parte do nosso trabalho diário. Existe um trabalho lado a lado dos nossos operadores da produção com os da BMS. "

Linha de produção da Fábrica de Äänekoski

Camilla Wikström, Diretora da Fábrica

(lavagem, crivagem e deslignificação por oxigénio). "Escolhemos como focos da Andritz, a linha de produção de fibra e a unidade de lixívia branca porque estas áreas têm sido tradicionalmente os nossos gargalos", diz Camilla Wikström, Diretora da Fábrica.

"Antes de vir para aqui há três anos e meio", diz Wikström, "o trabalho da unidade de lixívia branca ajudava a reduzir o consumo de energia do forno de cal e diminuir a quantidade de calcário comprado. Hoje, estamos a trabalhar em pequenas melhorias nos nossos Ecofilters (filtros de lixívia branca) para melhorar o rendimento e a qualidade da lixívia branca. Houve um padrão de melhoria contínua ".

Parte do nosso trabalho diário A Botnia Mill Services (BMS), uma empresa com maioria acionista da finlandesa YIT, realiza a manutenção diária em Äänekoski como faz em todas as fábricas da Metsä Fibre. "O que vemos na Andritz é a sua experiência em processos e equipamentos específicos", diz Wikström. "Tem uma experiência global com equipamentos,

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Kalevi Kurki, Diretor de Atendimento ao Cliente da Andritz, confirma. "É importante estar presente", diz ele. "Podemos executar modelos de simulação e afinar os laços de controlo remotamente e chegar a uma solução. Mas, sem diálogo com os operadores e gestores, isso tem pouco valor. A interação pessoal é necessária. "

Exemplos de sucesso Além do trabalho na unidade de lixívia branca, Wikström cita as melhorias no digestor, como resultado direto do serviço OPE. "Quando vim para cá, existia uma discussão sobre os problemas do digestor na época de Inverno." A Andritz recomendou soluções em duas áreas: pequenas soluções técnicas para o digestor e um modo diferente de trabalho, de forma a melhorar o seu desempenho. "Foram coisas identificadas com base em dados concretos ", diz Wikström. "Muitas coisas pequenas, mas que fizeram uma grande diferença." Depois, em 2011, a fábrica atualizou o seu digestor com novos crivos e algumas outras alterações que melhoraram o rendimento e a lavagem in-digestor. "Agora obtemos mais cerca de 100 toneladas por dia, na nossa linha de fibras", diz Wikström. "No inverno passado não tivemos uma única discussão sobre os problemas do digestor, ou seja, já não é um problema."

Desempenho record "No final do dia, estamos a comprar produção e disponibilidade", explica Wikström. "Nos últimos três anos registámos records de produção. Isso foi conseguido com mudanças pequenas, não com grandes investimentos de capital. "


Entrevista

o seu serviço é agora para toda a fábrica. De certa forma, fomos o teste deste conceito dentro da Metsä Fibre, e eu fui muito a favor de o fazer." Os objetivos mediante os quais o desempenho do consórcio é avaliado são bastante simples: disponibilidade, produção, segurança e eficiência de custos. "Há, é claro, outras métricas que seguimos, mas estes são a base para a remuneração ", explica Söderström. "Ter objetivos comuns garante que todos pensam da mesma forma."

Wikström (à direita) com Sami Ristiluoma, Supervisora (à esquerda) e Timo Sulin, Operador (ao centro), na base do digestor que foi melhorado devido ao serviço OPE.

Wikström tem orgulho na sua equipa e nas suas realizações. "A nossa disponibilidade operacional durante os últimos três anos tem sido de 98-99%, o que é excelente. Não temos objetivos diferentes para os nossos parceiros de manutenção - só temos os objetivos da fábrica. Acho que isso é uma parte muito importante do nosso sucesso. Encontramos soluções em conjunto. A cooperação é a chave. "

JOUTSENO EXPANDE OS OBJETIVOS "Cada negócio tem certas coisas em que precisa de se concentrar", diz Henrik Söderström, VicePresidente e Diretor da Fábrica de Joutseno. "Concentramo-nos em ser excelentes no negócio de pasta. Procuramos parceiros que sejam excelentes nas outras coisas que precisamos como a manutenção ". A cooperação da Andritz na manutenção da fábrica de Joutseno começou em 2003, com a unidade de lixívia branca. Hoje expandiu-se para um consórcio com a BMS e as atividades são dirigidas para toda a fábrica. "Em maio do ano passado, incentivámos as duas empresas a formar um consórcio para expandir as suas capacidades individuais", diz Söderström. "A diferença com este consórcio é que

A ideia geral é utilizar as sinergias de cada parceiro melhor do que anteriormente. Söderström, como muitos de seus colegas da Metsä Fibre, acredita que tudo pode ser continuamente melhorado. "Joutseno tem sido uma fábrica com um funcionamento muito eficiente", diz ele. "A nossa disponibilidade tem sido satisfatória, mas há sempre espaço para melhorar o desempenho. Durante o último par de anos, a nossa disponibilidade operacional aumentou em mais de dois pontos percentuais." Esta é uma boa notícia para Söderström. "Mesmo uma melhoria de um por cento na disponibilidade operacional é enorme", diz ele. "Estamos a falar de milhões de euros."

A disponibilidade é a base da produção e dos lucros A Metsä Fiber define "disponibilidade operacional", como o número de minutos que os cavacos estão a alimentar o digestor em comparação com o número de minutos que o digestor está disponível para operar. Isso deriva das paragens programadas e dos outros tempos de paragem planeados. "A disponibilidade impulsiona a produção máxima", explica Söderström. "Sempre que a fábrica para, aumenta o risco de emissões ambientalmente perigosas ou de um acidente de trabalho. Cada arranque ou paragem baixa a velocidade de produção. Quando a nossa fábrica não está a funcionar bem, há o impacto óbvio no lado das receitas, mas também enormes impactos sobre o lado dos custos. Por exemplo, os nossos custos de energia podem triplicar porque temos que usar mais gás natural em vez de lixívia negra. Além disso, podemos ter uma diminuição da qualidade da pasta produzida.”

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Entrevista

Do departamento a toda a fábrica "Um dos desafios de uma abordagem de manutenção para toda a fábrica é tornar-nos demasiado generalistas", diz Söderström. "Assim, nós, os diretores, e os nossos parceiros do consórcio devemos sentar-nos juntos para alocar os nossos recursos a fazer o melhor."

Harri Qvintus (esquerda) e Juha Titoff da Andritz em frente do CD-Filter, que foi melhorado pelo serviço Andritz

Exemplo prático

Qvintus entende o desafio. "Disponibilidade, produção estável e menores custos nunca saem de moda", diz ele. "Mas em cada ano, algumas prioridades da fábrica podem mudar ou as ênfases mudam - digamos, da maximização da produção para uma focagem na redução de custos. É por isso que nós criamos, juntamente com a fábrica, um plano anual de metas de curto prazo e um plano de desenvolvimento a longo prazo. "

"Um bom exemplo é o trabalho feito na nossa unidade de lixívia branca", diz Söderström. "Recentemente, há um ano, o desempenho do CD-Filter era um tema frequente de discussão nas nossas reuniões matinais. Pedimos à Andritz para se focar nele. Um ano mais tarde, o tema dos problemas de filtragem da lixívia branca deixou de se ouvir. Foram tomadas muitas ações concretas ". Juha Titoff, Diretor de Confiabilidade da Andritz e diretor residente na Joutseno, explica: "Fui uma pessoa fundamental na conceção original do CDFilter, pelo que a correção da situação na Joutseno teve toda a minha atenção. Foram recolhidos dados e modelou-se o processo e surgiu uma solução. Modificando o funcionamento do filtro, aplicando novos procedimentos de manutenção preventiva e fazendo modificações nos discos do filtro, fomos capazes de eliminar os problemas ". "Há outros exemplos práticos, como por exemplo, a diminuição de problemas durante o inverno nas linhas de descasque e de destroçamento", diz Söderström. "Estes resultados são importantes para compreender o serviço que oferecemos", diz Harri Qvintus, Diretor Regional de Serviços da Andritz para a Europa do Norte. "Não é apenas o equipamento, não é só processo, não é apenas a manutenção, não é apenas a formação. É a experiência e o conhecimento para colocar todas estas coisas juntas numa única solução. "

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Henrik Söderström, Diretor da Fábrica

Parcerias sustentáveis "No final do dia", diz Söderström, "concluímos que há interesses comuns. Quando reunimos diferentes atores com competências únicas e tendo-os todos a trabalhar para objetivos comuns com esforços comuns – todos somos mais propensos a ser bem-sucedidos. " E faz uma pausa para enfatizar um ponto final. "Um pré-requisito para este tipo de parceria é a confiança de ambos os lados", diz. "E os adequados incentivos financeiros. O ponto de partida tem de ser que todos vão lucrar a longo prazo. Caso contrário, a parceria não é sustentável. "


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