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Engenharia informativo da escola de

Porto Alegre, Ano IV, nº 9, 2016 – www.engenharia.ufrgs.br

/engenhariaUfrgs

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ISSN 2317-1200 versão impressa ISSN 2317-0298 versão online

@engUFRGS

Escola de Engenharia - 120 anos

A maior unidade da UFRGS e uma das mais antigas da Universidade completou 120 anos

EM DESTAQUE

COM A PALAVRA, O CEUE

Engaja Mec Engajamento Universitário

Insegurança mobiliza o CEUE

Mandala Soluções em Engenharia Ambiental

O Centro de Estudantes mapeou os lugares de maior risco de assaltos em torno dos prédios da engenharia

Empresa Júnior da Engenharia Ambiental

Iniciativa dos estudantes da engenharia mecânica gera capital social na Universidade

Oportunidade de crescimento com representação estudantil

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ESPAÇO ACADÊMICO

EM REVISTA

Centro de estudantes para os estudantes

Empreendedorismo sustentável da Prosumir 5ª startup mais atraente para investimentos no Brasil

CECIV - Centro de Estudantes de Engenharia Civil

DAELE organiza visitação à Usina Hidrelétrica de Itaipu Diretório Acadêmico da Engenharia Elétrica

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ENGENHARIA TUBE

TALENTOS DA EE

AÇÕES POSITIVAS

CONTRACAPA INFORMA

XV Oktoberfórum 2016

Egresso da EE conquista 1º lugar em concurso com sua dissertação Dissertação campeã tem como tema a variação térmica de dispositivos eletrônicos

Núcleo INCLUIR/PROGESP

Empresa Júnior da UFRGS oferece soluções na área de energia para população gaúcha

Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química

ENGENHARTIGO

Através de medidas, equipamentos e profissionais o núcleo INCLUIR proporciona acessibilidade dentro da UFRGS

TECNOLOGIA NA ESCOLA

Intraempreendedorismo e inovação em sala de aula Profa. Angela de Moura Ferreira Danilevics

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Robótica educacional Exemplo de teoria posta em prática

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Conectando o curso de engenharia de energia com o mercado de trabalho

Escola de Engenharia na Austrália EE e UWA criam intercâmbio para doutorado

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FICHA TÉCNICA

EDITORIAL

Reitor: Carlos Alexandre Netto Vice-Reitor: Rui Vicente Oppermann Diretor: Luiz Carlos Pinto da Silva Filho Vice-Diretora: Carla S. ten Caten

Uma caminhada centenária Por Luiz Carlos Pinto da Silva Filho

Nessa edição do Informativo, como sempre acaba ocorrendo, somos presentados com uma rica diversidade de matérias, que registram e divulgam algumas das numerosas, simultâneas e relevantes ações e iniciativas que a cada dia se espalham pela nossa Escola. Temos reportagens ligadas a algumas das novas e interessantes formas de interação que começam a se constituir e consolidar, tais como as empresas juniores (Mandala, p. 5) e o joint PhD que está sendo formatado com a University of Western Australia (UWA) (contracapa). Temos, ainda, registros empolgantes de ações ligadas ao empreendedorismo (Prosumir - Incubada da Héstia, p. 8) e de engajamento solidário (Engaja Mec, p. 3). Ficamos sabendo sobre posturas discentes protagonistas interna e externamente (CEUE, p. 4), de premiações de colegas (p. 10) e de eventos de divulgação e congraçamento (Oktoberfórum 2016, p. 9 e Engenharia Tube). Também ganhamos a oportunidade de apreciar os lindos trabalhos desenvolvidos em algumas disciplinas (Projeto Edubot, p. 11, e Disciplina de Empreendedorismo e Inovação, p. 9). Evidências de uma Escola ati-

va, vibrante e que se transforma dia a dia. Partes de uma caminhada centenária, que se iniciou lá em 1896, quando a Escola de Engenharia de Porto Alegre foi fundada. A principal matéria dessa edição do informativo fala justamente da celebração da passagem do aniversário de 120 anos da Escola, ocorrido em Agosto de 2016. Nosso time de comunicação do NTIC aproveitou para fazer uma breve resenha de nossas origens, com base na belíssima pesquisa histórica realizada quando do festejo dos 100 anos da EE, sob direção do Prof. José Carlos Hennemann, registrada num livro histórico de profundo valor histórico e emocional. Mostramos também a cerimônia de inauguração de placa de celebração em conjunto com o Reitor Carlos Alexandre Netto e com o Vice-reitor Rui Vicente Oppermann. Para simbolizar a inestimável contribuição dos servidores técnicos, 12 dos mais antigos (um para cada década) foram especialmente homenageados. Abrilhantou a ocasião a presença de vários antigos diretores e vice-diretores da EE, incluindo José Carlos Ferraz Hennemann, Alberto Tamagna, Renato Machado de Brito, Denise Dal Molin, Luis Afonso

Senna e Luiz Antônio Bressani. Foi um momento emocionante, agrandado pela perfomance teatral organizada pela equipe do SPH, que trouxe de volta o espírito dos históricos diretores João Parobé e e Manoel Itaqui, e pela maravilhosa apresentação do Coral da Adurgs. Foi uma tarde muito agradável, compartilhada não só com grande parte da comunidade da EE, mas com muitos e grandes amigos, da UFRGS e da cidade. Cabe ressaltar a carinhosa presença do Prefeito José Fortunatti, do representante da Assmbléia Legislativa, Deputado Adão Villaverde (egresso do Pós-Graduação em Engenharia Civil da EE), e dos parceiros da PUC-RS. Um dos momentos mais especiaisfoi a recepção dos formados e do paraninfo (Prof. Henrique Gutfriend) da turma de 1974 da Engenharia Civil. Um dia para se guardar na memória, mais uma página dessa centenária caminhada da qual todos acabamos fazendo parte. Aproveitem. Os festejos dos 120 anos continuam a ser registrados aqui no Informativo. Diretor da Escola de Engenharia

MURAL No dia 12 de setembro de 2016, durante a 256ª Reunião do Conselho da Escola de Engenharia, foram aprovadas questões de interesse público e da comunidade acadêmica. Confira algumas delas: Designação da Comissão Eleitoral DESIGNADA a comissão eleitoral para realização da consulta à comunidade para escolha de diretor e vice-diretor da Escola de Engenharia (Gestão 2016-2020). Foi aprovada a composição da Comissão Eleitoral constituída do Prof. Alcy Rodolfo dos Santos Carrara, da Prof. Annelise Kopp Alves, da Bibliotecária-Chefe June Magda Rosa Scharnberg e do Acadêmico de Engenharia Civil André Ferreira Freitas. A Bibliotecária-Chefe June Scharnberg será a Presidente da referida Comissão. Definição da direção da Incubadora Tecnológica Hestia APROVADA a indicação de recondução da professora Carla Schwengber

ten Caten e da técnica-administrativa, Silvana Kaster Tavares, respectivamente para a direção e vice-direção da Incubadora Tecnológica Hestia para o biênio 2016/2018. Processos Apresentados Conselho de Pós-Graduação

pelo

APROVADO o Convênio de Cooperação nº 01/2016 que celebram entre si, a Universidade do Vale do Rio dos Sinos e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, firmado para co-orientação de teses de doutorado conforme os termos do Acordo de Cooperação celebrado entre as partes em 01/12/2008. Mudança de currículo APROVADAS alterações curriculares do Curso de Engenharia Mecânica, conforme Resolução nº 01/2016, para o primeiro semestre de 2017. APROVADAS alterações curriculares do Curso de Engenharia Química, conforme Resoluções nº 07/2016 227

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e 08/2016 para o primeiro semestre de 2017. APROVADAS alterações curriculares do Curso de Engenharia Física, conforme Resolução nº 01/2016 229 para o primeiro semestre de 2017. Ações de Extensão APROVADA a proposta de ação de extensão - Capacitação e Desenvolvimento na Área da Segurança Contra Incêndio, professora Angela Gaio Graeff - DECIV. APROVADA a proposta de ação de extensão - Análise de Componentes de Sistemas de Conversão de Energia Solar, professor Arno Krenzinger - DEMAT. APROVADA a proposta de ação de extensão - Aplicação de Tecnologias Emergentes no Processamento de Alimentos - professora Ligia Damasceno Ferreira Marczak - DEQUI.

O Informativo é uma publicação da Escola de Engenharia da UFRGS Porto Alegre, Ano 4, nº 9, 2016 Idealizador Ramiro Sebastião Córdova Júnior Editor-Chefe Luiz Carlos Pinto da Silva Filho Editor Paulo Fernando Zanardini Bueno MTE/RS 17213 Corpo Editorial Luiz Carlos Pinto da Silva Filho Carla Schwengber ten Caten Paulo Fernando Zanardini Bueno Ramiro Sebastião Córdova Júnior Redação Luiz Carlos Pinto da Silva Filho Paulo Fernando Zanardini Bueno Raíssa de Avila Fotografia Paulo Fernando Mariana Moraes Revisão Paulo Fernando Apoio Técnico de TI Ramiro Sebastião Córdova Júnior Bruno Valadão Cunha Robson Pedroso de Paula Leonardo Penz Projeto Gráfico: Núcleo de Design Gráfico Ambiental (NDGA) Eduardo Cardoso Ricardo Fredes da Silveira Expansão Daniele Lemos dos Santos Diagramação Bruna Andreis de Vasconcelos Camila Rotert Fritzen Impressão Gráfica da UFRGS Tiragem: 1.000 exemplares Circulação: NTIC

Contato com o Informativo: Praça Argentina, 9 - Sala 308 CEP: 90040-020 – Bairro Farroupilha +55 51 3308.3540 comunicacao@engenharia.ufrgs.br #InformativoEE


EM DESTAQUE

Engaja Mec – Engajamento Universitário Iniciativa dos estudantes da engenharia mecânica gera capital social na Universidade Por Paulo Fernando Zanardini Bueno

“Fazer o bem sem olhar a quem e sem esperar nada em troca”. Esse preceito cristão é base de todas as boas ações das pessoas e uma frase de bondade consagrada pela cultura Ocidental. Mas o objetivo de fazer o bem em uma sociedade com tantos problemas como a brasileira pode sim ser direcionado, ter um foco, e esperar algo em troca, não no sentido material, mas no bem-estar de uma coletividade. Seguindo esse preceito, de forma consciente ou não, os estudantes da engenharia mecânica criaram o “Engaja Mec”. A proposta é mobilizar o máximo de integrantes, sejam estudantes, professores ou técnico-administrativos a participarem mais ativamente do cotidiano dos espaços que todos compartilham diariamente na Universidade. O Informativo da EE entrevistou o grupo que participou dos dois primeiros mutirões. Enviamos algumas perguntas para o estudante de engenharia mecânica, Arthur Blazoudakis, um dos idealizadores do Engaja, que nos serviu de porta-voz no recebimento e reenvio e das respostas, perguntas que foram compartilhadas no Facebook do grupo e foram respondidas da mesma maneira coletiva que se realizam os mutirões, com a colaboração de todos. O desejo de mudar as relações de cada um com o ambiente (da engenharia mecânica) foi o início do Engaja. Propor melhorias na estrutura física do histórico prédio do Instituto Parobé foi a forma de fazer a comunidade do curso demonstrar que a circulação e uso do patrimônio é antes de tudo uma conexão de seus frequentadores com o prédio e, por consequência, uma conexão entre as pessoas. A forma de mobilizar os participantes passa por eventos como o “Engaja Day”, o “Apadrinhamento” e o “Mutirão” (referência às ações dos membros do Engaja Mec). Para embasar o mutirão criaram o “mãos à obra”, buscando organizar coletivamen-

te quais as tarefas a serem postas em ação numa determinada data. Mobilizado pela iniciativa, o departamento de Engenharia Mecânica (DEMEC) se engajou e vem facilitando a articulação dessas ações, incentivando a discussão entre os participantes, tanto para identificar como para impactar positivamente o prédio. Acompanhei o segundo mutirão no frio e chuvoso sábado do dia 20 de agosto, condição climática que não foi empecilho para reunir vinte e sete estudantes, na maioria da engenharia mecânica, mas também de outros cursos. Um café da manhã iniciou o encontro seguido de uma dinâmica orientada por Sheila Becker. Cada um disse qual o primeiro disco que comprou ou recebeu quando criança, disse o seu nome e qual o curso de graduação na UFRGS, além do prato preferido como forma de reconhecimento mútuo. Após a dinâmica, os participantes assinaram um Termo de Voluntariado para execução dos trabalhos (se responsabilizando por algum acidente), medida protocolar no âmbito do voluntariado. As tarefas da segunda edição foram divididas em “Centro de Convivência” e “Embelezamento”. Com os dois grupos formados, a primeira tarefa foi a de construir paletes de madeira para uso comum dos estudantes, e como segunda tarefa definiram a limpeza dos vitrais da fachada interna e externa do prédio voltado para a rua Sarmento Leite, e ainda a pintura de bancos de madeira do segundo e terceiro andares. Além do apoio de voluntários, o Engaja recebe total apoio da direção da EE, e de apoiadores da iniciativa privada, tais como o “Mercado Brasco”, a “Oak’s Burritos”, a “SuperPlayer” e a “Leroy Merlin”, empresas que doaram de materiais a refeições para viabilizar os mutirões. Todo o trabalho voluntário tem um tema e uma meta. O “Engaja Mec” escolheu como tema a me-

Voluntários do Engaja Mec construíndo paletes de madeira

lhoria do ambiente universitário e como meta fazer com que a passagem de todos pela Universidade seja mais que uma experiência que vá além de adquirir conhecimentos para o exercício de uma profissão. A base do associativismo horizontal e do ativismo institucional das pessoas incentiva a formação de redes de articulação social. Essas são por sua vez elementos fundamentais que embasam a ideia de engajamento cívico, e tem papel vital em melhorar as relações de confiança entre as pessoas. A interação entre as pessoas e o engajamento desse exemplo gera um elemento bastante disperso na sociedade brasileira: o capital social, que consiste na mobilização dos recursos para formação de relações de confiança, elemento que faz as pessoas se sentirem mais como partícipes ativos das instituições públicas, como a UFRGS. Na cultura brasileira, infelizmente, é comum a compreensão da coisa pública como “algo que se é público não é de ninguém”. Assim, usam-se as coisas sem compromisso algum. O exemplo do “Engaja Mec” segue na contramão dessa compreensão. O que é público pode sim ser per-

cebido como de todos e por isso precisa ser bem cuidado. As ações do “Engaja Mec” trazem em si um grande potencial transformador tendo como resultado um ambiente mais acolhedor para todos, mesmo para os que ainda não se mobilizaram para participar. É desse pequeno exemplo vizinho de nosso dia a dia na UFRGS que a grande sociedade brasileira carece para sermos um país melhor para todos.

Acesse o Facebook do Engaja MEC pelo link ou pelo QR Code e acompanhe a organização dos próximos eventos. https://www.facebook.com/engajamec/?fref=ts

Informativo da Escola de Engenharia | 9ª Edição | 2016 | 3


COM A PALAVRA, O CEUE

Insegurança mobiliza o CEUE O Centro de Estudantes mapeou os lugares de maior risco de assaltos em torno dos prédios da engenharia Por Bruna Pinho dos Santos

A fragilidade da segurança na cidade, e, principalmente, ao redor do Campus Centro da nossa UFRGS perturba também os estudantes e resultou no desenvolvimento de um Dossiê da Segurança. Criado pelo CEUE, o mesmo teve como objetivo mapear os locais e os horários em torno do campus com maiores taxas de assaltos e furtos. Felipe Castro, presidente do Centro dos Estudantes Universitários de Engenharia, relata que “Chegavam a ser três, quatro assaltos por dia e muitas vezes eram os mesmos assaltantes. O pessoal mesmo informava os outros, ‘em tal lugar eu fui assaltado, se cuidem’. Mas a situação começou a ficar pior no início de 2016. Sempre foi uma zona perigosa, mas começou a ser tanto que nós, como Centro, resolvemos fazer alguma coisa, pois tinha muita gente deixando de fazer disciplinas ou deixando de fazer estágio de manhã porque teria que estudar à noite”. O dossiê, entregue ao comandante do 9º BPM e encaminhado

Placa do “assaltômetro” afixada no campus centro.

à reitoria da Universidade, serviu de inspiração para outros projetos relacionados à segurança, que buscam mudar a realidade de insegurança diária que cerca os alunos, servidores da UFRGS e moradores da região do Centro Histórico. Um desses projetos foi a criação e fixação de placas no entorno da Universidade, que alertavam os pedestres a não andarem com seus celulares a mos-

tra e, também, a fixação de um “assaltômetro”. A repercussão nas mais diversas mídias rendeu mudanças positivas, como o aumento do policiamento na região pela inclusão dos arredores da Universidade no projeto “Caminhos Seguros”, realizado pela Brigada Militar. A visibilidade das medidas resultou numa série de debates e virou pauta na Secretaria de

Segurança Pública e nos mais diversos órgãos da UFRGS. Ações como o reforço da iluminação dentro e ao redor do campus, a instalação de algumas câmeras de vigilância e utilização de grupos de WhatsApp para comunicação dos graduandos com membros da Brigada Militar foram adotadas. Embora tais medidas tenham surtido efeito, ainda estamos longe da realidade que desejamos. O problema da segurança deve ser tratado sempre com seriedade e fixado como prioridade. Um pequeno passo dado pelos representantes dos alunos da Engenharia fez uma grande diferença, não só para os alunos da Universidade, mas para toda a população da região. Isso mostra mais uma vez que não depende apenas das autoridades zelar pela segurança, mas também de nós, futuros profissionais, que podemos e devemos tomar atitudes que possibilitem a mudança que queremos ver em nosso dia a dia.

Oportunidade de crescimento com representação estudantil Por Bruna Pinho dos Santos A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional estabelece que “instituições públicas de educação superior obedecerão ao princípio da gestão democrática, assegurada a existência de órgãos colegiados deliberativos, de que participarão os segmentos da comunidade institucional, local e regional”. Dessa forma se determina a obrigatoriedade da existência de representantes discentes (RDs) nas diversas instâncias da nossa universidade. Juntamente com os diretórios acadêmicos, os RDs compõem o movimento estudantil na UFRGS. Através destes estudantes podemos não somente acompanhar o funcionamento da instituição, mas entendê-lo melhor e atuar ativamente em processos administrativos, além de compor comissões e conselhos que estabelecem novas regras da UFRGS. Aos estudantes diretamente envolvi-

dos, a participação é extremamente positiva para o crescimento pessoal, é válida para integralização de créditos complementares e um diferencial interessante à carreira profissional. Na Escola de Engenharia, temos a possibilidade de participar dos Conselho da Unidade, Conselho de Graduação, Comissão de Extensão, Conselho Gestor do Centro de Tecnologia e Comissão de Mobilidade Estudantil. Durante o mês de junho deste ano (2016) foram convocadas eleições para ocupar essas vagas de Representação Discente. Infelizmente, poucos demonstraram interesse e não houve nenhum inscrito. Foram nomeados interventivamente, pelo CEUE, sete estudantes que se comprometeram a cumprir com nosso dever de contribuir com a gestão da nossa Universidade.

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Esse cenário de desinteresse é preocupante, mas acredita-se que seja reflexo do desconhecimento sobre as oportunidades existentes. E elas não são apenas para RDs, a gestão do CEUE é composta por outros estudantes além de seus diretores. Durante o mês de agosto, O CEUE está organizando um processo seletivo para a gestão. Além disso, todos podem participar mandando sugestões, recados ou reclamações ao Centro. Na última reunião da Assembleia Geral do CEUE, em julho, decidiu-se que as eleições para Diretoria Executiva e Representantes Discentes serão realizadas de forma conjunta a partir deste ano. Historicamente, o processo eleitoral culmina em votação eletrônica no mês de dezembro, e ocorrem, simultaneamente, as elei-

ções dos diretórios acadêmicos da Escola. Já é tempo de pensar no futuro e montar chapas para concorrer. Tens interesse em fazer parte do CEUE em 2017? Entre em contato conosco para conhecer melhor o funcionamento da entidade. Deixamos o recado aos nossos colegas: a participação é um direito individual, a representação estudantil é um dever coletivo. O conteúdo assinado nesta seção é de autoria do Centro de Estudantes Universitários de Engenharia.

FALE COM O CEUE! • www.ufrgs.br/ceue • @ceueufrgs • fb.com/ceue1903 • +55 51 3308.3344


ESPAÇO ACADÊMICO

A Engenharia muitas vezes remete a ideias de grandes obras com infraestruturas enormes e efeitos imediatos. Porém, para cada um desses projetos existem tantos outros em menor escala, cujo impacto conjunto pode superar os de projetos de alta escala. O poder social e ambiental da engenharia não está somente em garantir a estabilidade de grandes barragens, que se romperem causam danos irreparáveis à diversidade do meio ambiente ao seu redor e aos moradores do entorno, como vimos em Mariana, estado de Minas Gerais. Mas também em promover uma melhor qualidade de vida para as pessoas, seja levando saneamento básico à lugares onde antes não era possível ou em ações de prevenção de contaminação da água ou do ar, ações que muitas vezes passam despercebidas, mas que garantem que todos possamos viver com qualidade. Podemos, como alunos do curso de Engenharia Ambiental, já causar uma mudança por onde transitarmos. E é com esse pensamento que funciona a Mandala Soluções em Engenharia Ambiental. A Empresa Júnior do curso proporciona a empreendimentos menores a capacidade de se adequar às necessidades do nosso planeta, seja através de um projeto de captação de água da chuva, onde é possível economizar significativamente nosso bem mais necessário, ou por um plano de gestão de resíduos sólidos, garantindo a destinação correta do chamado “lixo”. Os serviços da Mandala têm a supervisão de professores da UFRGS e o apoio do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) e da Escola de Engenharia (EE) da UFRGS.

www.ejmandala.eco.br

ACERVO DAELE

Por Luiza Heinz e Vanessa Coelho

DAELE organiza visitação à Usina Hidrelétrica de Itaipu

Centro de Estudantes para os Estudantes Por Luciana Frantz Com a proposta de inovar o significado de Diretório Acadêmico, o CECIV, comandado pela nova chapa eleita no início desse ano, criou inúmeras oportunidades para os estudantes de Engenharia Civil. O projeto da gestão de 2016 é aumentar o conhecimento sobre as variadas áreas do curso, o que facilitará a escolha do rumo profissional. Para isso, foram oferecidas palestras e visitas técnicas, em parceria com professores da UFRGS e empresas, voltadas ao âmbito acadêmico. Além de representar os alunos dentro e fora da Universidade, o CECIV procura incentivar a troca de experiências entre os mesmos, promovendo eventos de integração e convivência, que também são abertos a futuros calouros interessados em uma carreira promissora.

Prof. Luiz Tiarajú e estudantes em Itaipú

Acompanhe-nos na página do Facebook: facebook.com/cecivufrgs/ ACERVO CECIV

Mandala Soluções em Engenharia Ambiental

O conteúdo assinado nesta seção é de autoria dos Diretórios Acadêmicos em sistema de rotatividade.

O DAELE (Diretório Acadêmico dos Estudantes de Engenharia Elétrica), em parceria com a Escola de Engenharia e o professor Luiz Tiarajú dos Reis Loureiro, realizou durante os dias 12, 13 e 14 de julho uma visita técnica à Usina Hidrelétrica de Itaipu, usina líder mundial em produção de energia limpa e renovável localizada no Rio Paraná. Durante a visita, 40 estudantes de 4 engenharias (elétrica, energia, mecânica e hídrica) tiveram a oportunidade de acessar o alto da barragem onde estão localizadas as comportas de captação de água para as unidades geradoras; o interior da barragem, onde se encontram os condutos de escoamento, os equipamentos que mantêm a usina em operação (inclusive as unidades geradoras), as turbinas em atividade; a Sala de Comando Central, na qual técnicos controlam a operação da usina por meio de computadores e painéis eletrônicos e, finalmente, o Canal de Fuga, local no qual se observa a água que passou pelas turbinas retornar ao Rio Paraná, seguindo seu curso natural. A visita técnica representou um marco na carreira acadêmica e profissional dos estudantes que a assistiram e os aproximou do dia a dia de um profissional da área, além de ter fortalecido o elo entre a UFRGS e o mercado de trabalho no setor energético. Contar com o apoio da Escola de Engenharia na realização de eventos como este é gratificante para nós e nos dá mais energia para continuar trabalhando a fim de complementar a formação acadêmica e profissional dos alunos, portanto, um especial agradecimento ao professor Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, sem o qual a viagem não seria possível, e ao professor Luiz Tiarajú dos Reis Loureiro, pelo tempo e dedicação disponibilizados durante a viagem. Vamos em frente, Gestão do DAELE.

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REPORTAGEM DE CAPA

Escola de Engenharia - 120 anos Maior unidade da UFRGS e uma das mais antigas da Universidade completa 120 anos Por Paulo Fernando Zanardini Bueno e Raíssa de Avila - Colaboração Luiz Carlos Pinto da Silva Filho 120 anos atrás... as origens Dia 10 de agosto é uma data especial no âmbito da nossa UFRGS, pois marca a fundação de uma das maiores e mais impactantes unidades acadêmicas que hoje a compõem. Foi nessa data, em 1896, que formalmente surgiu em Porto Alegre a quinta escola voltada para a formação superior de engenharia no Brasil, a então denominada “Escola de Engenharia de Porto Alegre”. Em uma casa (que já não existe mais) localizada na rua Duque de Caxias, número 252, ocorreu a histórica reunião que consagrou a fundação da Escola (a ata que registra esse vital momento se encontra guardada na EE em boas condições). Compunham o grupo de fundadores cinco engenheiros militares e um engenheiro civil, dentre eles o Engenheiro Alvaro Nunes Pereira, que se tornou nosso primeiro diretor. Ele compôs o grupo por indicação de Júlio de Castilhos, que presidia o estado na época e foi um grande incentivador e entusiasmado apoiador da Escola em seus primeiros anos. Infelizmente, ele não pode comparecer à cerimônia de inauguração, porém, fez questão de enviar mensagem congratulando a inicia-

tiva. Seu sucessor no governo do estado foi Borges de Medeiros, que seguiu dando amplo apoio à Escola e estreitou as relações com os funcionários da nossa instituição à época. Dada sua importância e suas conexões, a EE acabou sendo um importante alicerce na criação da Universidade, que a englobou em conjunto com os cursos de Direito, Medicina e Farmácia (o mais antigo). E sempre teve caráter germinador. A partir da mesma foram fomentados e criados os Institutos de Agronomia e Veterinária, assim como muitas outras unidades da UFRGS. Durante os primeiros 30 anos a EE funcionou como uma instituição privada com uma característica de ser, ao mesmo tempo, uma propriedade pública pela importância de suas atividades. A forte conexão da Escola com a sociedade estabeleceu-se desde o começo. Nossos integrantes sempre participaram e muitas vezes lideraram os grandes debates técnicos do estado e da cidade. Por outro lado, a sociedade mostrou apreço e carinho para nos viabilizar nos primeiros anos, por meio das inúmeras doa-

Egressos com o paraninfo Henrique Gutfriend 6 | Informativo da Escola de Engenharia | 9ª Edição | 2016

ções de particulares, fundamentais para nossa criação e consolidação. Esse espírito de dedicação e progresso sempre marcou nossos gestores. Todos tiveram papel importante mas alguns nomes se destacaram de forma especial pela extrema dedicação em prol do avanço da instituição. Dentre esses certamente brilha João José Pereira Parobé, representado no quadro que agranda a sala da direção no prédio centenário e que ficou perpetuado na UFRGS e na cidade ao emprestar seu sobrenome ao Instituto Parobé, que hoje abriga o curso de engenharia mecânica, na rua Sarmento Leite. Parobé foi o segundo e mais longevo diretor da Escola de Engenharia. Assumiu em 1° de julho de 1898 e permaneceu no cargo até seu falecimento em nove de dezembro de 1915. Durante os dezessete anos da sua gestão, a Escola registrou notória expansão, com geração de novos Institutos, criação de vários cursos e construção de novos prédios. Sob sua batuta a EE pisou com força no século XX. Sua morte abalou a comunidade acadêmica da época e o próprio estado, pois o mesmo acumulou o cargo de diretor com o de Secretário de Obras Públicas durante o governo Borges de Medeiros. Outra figura, porém, estava pronta para se destacar na história de nossa Escola: Manoel Itaqui. Egresso da própria instituição, se graduou na primeira turma de engenheiros formados pela mesma. Posteriormente tornou-se professor e foi encarregado de diversos projetos e obras fundamentais durante a expansão da Escola. Entre seus trabalhos se incluem o prédio do Observatório Astronômico e Meteorológico, onde atualmente estão locados os estúdios de rádio e TV da Universidade no campus centro. Itaqui viajou à Argentina em busca de conhecimen-

Direção da EE, Reitor e atual Rei

Se remontarmos a 1896, veri com esse DNA de formar tale de ponta para abastece Luiz Carlos Pinto da Sil

to para a empreitada, se inspirando nos Observatórios de La Plata e Córdoba. Itaqui foi, também, autor do projeto do prédio do Instituto de Eletrotécnica, no qual se formaram os primeiros engenheiros mecânico-eletricistas, e do prédio principal do então Instituto de Agronomia e Veterinária, na estrada de Viamão. Foi responsável, ainda, pela ampliação do Prédio Centenário, sede da engenharia no campus centro. Para além da UFRGS, seu legado inclui o viaduto Otávio Rocha, obra marcante da paisagem porto-alegrense, que possibilitou a expansão da cidade em direção à atual zona sul. 120 anos depois.... a EE hoje A trajetória da Escola de Engenharia até 2016 se confunde


itor da UFRGS

ificamos que a Escola nasceu entos, de gerar conhecimento er a nossa comunidade. lva Filho, diretor da EE

em muito com a própria história da cidade de Porto Alegre e do estado do Rio Grande do Sul. A EE sempre foi foco de formação de recursos humanos de excelência. Hoje é composta por cursos que resultam de 13 especialidades, das mais clássicas, como civil, elétrica, química e mecânica, às que miram os desafios do século XXI, tais como engenharia de energia, engenharia ambiental e engenharia de alimentos. Nos cursos mais recentes, reforçamos o caráter multidisciplinar, inclusive compartilhamento os mesmos com unidades próximas, como a Física, a Informática e o IPH. Aos 120 anos a EE está mais vibrante que nunca, pronta para fazer frente ao desafio de exercer um papel cada vez mais relevante no desenvolvimento e bem estar local e global. A EE hoje abriga aproximadamente 9000 alunos

de graduação e mais de 2000 alunos de pós-graduação stricto sensu e de 1500 alunos de especialização. A qualidade e pujança da EE teve contribuição direta nas avaliações do ministério da Educação que posicionaram a UFRGS como a melhor universidade do Brasil nos anos 2012, 2013 e 2014 e como segunda no ano de 2015. 2016 marcou a reocupação do prédio Centenário após cuidadoso restauro supervisionado pelo Setor de Patrimônio Histórico da Universidade. O Centenário passou a disponibilizar dois amplos auditórios, o Nascente e o Poente, que tem recebido inúmeros eventos, durante o dia, à noite e inclusive aos sábados. Na atual gestão a EE passa por uma importante reestruturação administrativa, consolidando diversos núcleos de serviços e criando núcleos que lidam com questões emergentes como o empreendedorismo, as relações internacionais, as interações e o ensino de engenharia. Muitas novidades estão surgindo e serão reportadas nos canais de comunicação da EE ao longo de 2017. Celebração A cerimônia festiva pela passagem dos 120 anos ocorreu no mês de agosto e foi muito concorrida (mas todos tiveram oportunidade de acompanhar a mesma, pois o NTIC a transmitiu pelo sistema Live do Facebook). Guiada pelo diretor Luiz Carlos, a cerimônia teve vários momentos marcantes: começou com uma bela apresentação do coral da Adufrgs (Associação de Docentes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul) nas escadas do hall do prédio Centenário, que encantou a todos. Abrindo as manifestações, nosso diretor destacou a importância e grandeza da EE dizendo: “essa é uma

Itaqui e Parobé em encenação escola muito grande, é uma escola que forma mais de 500 engenheiros por ano, é uma escola que tem treze cursos de graduação, que tem oito programas de pós-graduação, que eu tenho certeza formam o mais qualificado conjunto de pós-graduações em engenharia do país”. Em seguida, se procedeu à entrega de certificados de reconhecimento aos 12 servidores técnicos mais antigos ainda em atividade, representando cada década da história da EE. Outros certificados foram posteriormente enviados a todos os servidores com mais de trinta anos de serviços prestados para a Universidade. Foi dado especial destaque à presença de vários egressos na festividade, especialmente de um conjunto de alunos graduados na década de setenta, que reinaugurou seu quadro de fotos da época da formatura e trouxe de volta à EE o paraninfo da turma, nosso inesquecível professor Henrique Gutfriend, hoje aposentado. Após as manifestações de alguns outros convidados, como o ex- diretor Alberto Tamagna, ocorreu uma rápida encenação, organizada pelo SPH, que envolveu representações dos marcantes diretores Parobé e Itaqui. Atores em formação do curso de artes dramáticas do Instituto de Artes da UFRGS encarnaram os famosos personagens, contando

causos da EE e divertindo alunos, egressos, convidados externos, e os muitos servidores docentes e técnicos presentes. Após manifestações de cumprimentos de alguns dos convidados externos, que destacaram o potencial transformador da UFRGS e da Escola de Engenharia, o diretor Luiz Carlos passou a palavra ao reitor, agradecendo a presença e o apoio, e o reconhecimento do papel da EE, mas antes disse: “se remontarmos a 1896, iremos verificar que a Escola já nasceu com esse DNA de formar talentos, de gerar conhecimento para abastecer a nossa comunidade e promover assim, o desenvolvimento de Porto Alegre e do estado". Ao término das saudação do reitor Carlos Alexandre Netto e do vice-reitor Rui Oppermann foi descerrada a placa em homenagem aos 120 anos, que passa a fazer companhia às várias outras placas que celebraram outros momentos marcantes da história, no saguão do Centenário. Era hora de encerrar o evento com um coquetel. Um brinde aos 120 anos da EE!!! Bibliografia consultada Escola de Engenharia - UFRGS - Um Século. Maria de Nazareth Agra Hassen, Maria Letícia M. Ferreira. Porto Alegre, Tomo Editorial. 1996. 242 pp.

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EM REVISTA

Empreendedorismo sustentável da Prosumir 5ª startup mais atraente para investimentos no Brasil Por Raíssa de Ávila

Em 2014 Júlio Vieira iniciou o doutorado na UFRGS em engenharia mecânica, e com os decorrentes estudos sobre turbinas, começou a focar nas turbinas a vapor. Ao longo do curso de doutorado, Júlio pensou em juntar seus estudos com o mercado comercial, e desta união surgiu a ideia de usar as turbinas a vapor para substituir válvulas redutoras de pressão. No decorrer dos estudos, Júlio desenvolveu um projeto de inovação e acabou sendo incubado pela Héstia (incubadora conjunta das engenharias e da física da UFRGS), iniciando o trajeto no ramo das startups. Por meio de um edital de inovação do Sebrae, em 2014 a Prosumir obteve os primeiros recursos externos para desenvolver protótipos e pôr em funcionamento as primeiras turbinas. Depois disso, houve a entrada de um novo sócio, o atual diretor técnico, André Thomazoni. Em 2015, a Prosumir aprofundou a relação de parceria com a UFRGS, recrutando estudantes de graduação e pós-graduação para participar do desenvolvimento do projeto. Foram feitos e testados dois protótipos o que permitiu avaliar o desempenho e identificar melhoramentos. Com base no conhecimento adquirido, por meio desses modelos de menor escala, no final de 2015 foram desenvolvidos os primeiros modelos industriais, movidos a vapor, pois os primeiros protótipos utilizavam ar comprimido. Os protótipos foram instalados para testes na PepsiCo e na APS, no início de 2016, e monitorados em fase de teste até o final do mesmo ano. O potencial da empresa em pouco tempo chamou atenção, e culminou no título de 5ª startup mais atraente para investimentos no Brasil, obtido do programa 100 open Startups. Para prosseguir sua evolução, a Prosumir decidiu lançar em setembro de 2016 um projeto de crowdfunding, visando expandir os negócios da empresa. Informativo EE: Qual o ramo de investimentos da prosumir? Júlio Vieira: A prosumir é uma empresa que trabalha no ramo de aproveitamento energético, desenvolvendo soluções inovadoras para transformar desperdício de ener-

gias em oportunidades de geração de energia, cogeração e eficiência energética. EE: Qual é o produto inovador da Prosumir e qual sua funcionalidade? JV: Nosso produto inovador é a turbina redutora de pressão (TRP) que é uma turbina a vapor compacta, que substitui a válvula de pressão. A TRP faz a mesma função da válvula de rebaixar pressão, com a diferença que aproveita a energia desperdiçada para gerar energia elétrica, incrementando a eficiência energética, promovendo benefícios diferentemente da válvula que só gera custos. Possuímos duas patentes depositadas, resultado da parceria de todos os envolvidos, sendo que a Prosumir possui exclusividade de comercialização. EE: Qual foi a participação da UFRGS e da Escola de Engenharia no projeto da turbina? JV: Vem desde a concepção da ideia, produção de protótipos, gestão, consultoria, administrativa, na parte de eventos. Sempre fomos apoiados pela UFRGS, tanto na parte da engenharia inovadora até a parte técnica, com o professor Paulo Schneider, que apoiou a montagem de uma equipe com pós-doutores, mestrandos e doutorandos para desenvolver a turbina. EE: Quais foram as parcerias que a Prosumir construiu? JV: Temos um acordo de cooperação com a UFRGS e com o SENAI. Temos também uma parceria com uma fabricante de geradores - Imobras, com a EDP Portugal, uma empresa de eficiência energética que intermediou a parte de teste industrial da empresa, com a VM metalúrgica, o com o laboratório LETA. A PepsiCo possibilitou o teste da turbina em fábrica de Porto Alegre. O Sebrae através de consultorias. EE: A Prosumir foi eleita a 5ª startup mais atraente para investimentos no Brasil. Qual a importância deste prêmio para a empresa? JV: Esse foi nosso principal prêmio e gerou uma mídia muito forte. Acabou nos colocando numa grande vitrine e a partir disso, empresas de grande porte começaram a nos pro-

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Andre Thomazoni e Júlio Vieira na entrega do 100 Open Startup curar como a Gerdau, Votorantim, Ambev, entre outras. EE: Qual importância ambiental da TRP? JV: Total. No Brasil são desperdiçados mais de 34 GW de energia por ano. 16 GW são desperdiçados na forma de calor e 1 GW é o suficiente para alimentar mais de 1 milhão de residências. Esse desperdício gera um prejuízo de mais de 10 bilhões por ano. A TRP promove eficiência energética aproveitando o desperdício de energia na forma de calor, que quase ninguém percebe, e isso possibilita gerar energia elétrica sem combustível, gerando redução de custos, sustentabilidade. Vários ramos utilizam as caldeiras para produzir vapor e alimentar seus processos pesados, entre eles estão as petroquímicas, o ramo alimentício, a indústria de celulose, a hotelaria e rede hospitalar, as termelétricas, e as siderúrgicas podendo a TRP ser utilizada em todos eles como substituta da caldeira. EE: No dia 27 de setembro foi lançado no EqSeed um espaço para arrecadar por oferta pública investimentos (crowdfounding) para a Prosumir. O que vocês planejam investir com esse valor? JV: Manter a equipe e treiná-la para atingir alto desempenho, desenvolver uma rede de vendedores e vender nove equipamentos para atingir o faturamento bruto de um milhão de reais. Em 2017 a Prosumir

visa estabelecer uma lista de equipamentos de referência instalados para consolidar uma carteira de clientes. Crowdfouding foi a melhor maneira que encontramos para levantar esses recursos necessários para nossa empresa. Planejamos em quatro anos tornarmos uma S.A., e assim, repassar para nossos investidores esse valor de volta.

A Prosumir, startup com foco no aproveitamento energético iniciou campanha para captação de recursos na plataforma EqSeed. Objetivo da campanha é arrecadar o valor de trezentos mil reais e é oferecido participação societária de 12,5% se o investimento for nesse valor. Assista ao vídeo da campanha pelo link, pelo Qr Code e veja como participar https://eqseed.com/br/investir/prosumir


ENGENHARIA TUBE

XV Oktoberfórum 2016

A seção “Engenharia Tube” propõe interatividade com o canal YouTube, formato em que disponibiliza uma videomatéria. Quer mais detalhes? Acesse o endereço www.youtube.com/engenhariaUfrgs ou o QR Code abaixo e assista.

Por Paulo Fernando Zanardini Bueno

O Oktoberfórum é um evento anual já tradicional no calendário acadêmico do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química da UFRGS. Organizado por um grupo de alunos, serve como espaço para apresentação das pesquisas ainda em andamento dos mestrandos e doutorandos daquele programa. Além das apresentações, para cada um dos três dias está prevista uma palestra abordando um tema atual.

Distribuídos entre as diferentes áreas da engenharia química, para cada apresentação uma banca avalia e comenta os trabalhos contribuindo desse modo com a continuação das pesquisas. Participam das apresentações alunos com diferentes origens acadêmicas, não apenas graduados pela UFRGS como por outras universidades brasileiras. Em 2016, o restaurado prédio Centenário da Escola de Engenharia

sediou as apresentações nos seus dois auditórios, Nascente e Poente. A vasta programação foi dividida em três dias e em seções paralelas, o que tornou mais dinâmico o evento.

#EngenhariaTube

ENGENHARTIGO

Intraempreendedorismo e inovação em sala de aula Por Angela de Moura Ferreira Danilevicz - Professora de Engenharia de Produção da UFRGS Há três anos, durante o planejamento das atividades de uma nova disciplina – Empreendedorismo e Inovação para Engenharia de Produção (ENG09052), decidi que queria intraempreender na sua forma. Pensar em como fazer com que os alunos aprendessem a empreender de uma maneira na qual eles se tornassem protagonistas no processo foi desafiador. A partir do conceito de práticas pedagógicas inovadoras, cada aula foi minuciosamente pensada, detalhada e discutida com colegas do Núcleo de Empreendedorismo Inovador da UFRGS. Contudo, uma premissa era fundamental: que as aulas teriam que ter poucos slides e muitas atividades. As mesmas deveriam, preferencialmente, ser lúdicas, fomentar a criatividade e adotar as etapas do design thinking. Algumas delas foram programadas no formato de atividades individuais, enquanto que outras no formato de grupos. A construção de conhecimento se valeu de uma lista diferente de materiais, distintos daqueles usualmente utilizados em sala de aula (caderno e caneta). Diferentes tipos de materiais para desenho, folhas coloridas, revistas, tesoura e cola, dentre outros, selaram a união entre imagens e palavras, expressando conceitos e/ou diferenciando comportamentos e ações. A criatividade pulsa entre post-its e stickers a cada nova tarefa da aula. Pastas tomam o lugar do caderno e abrigam a evolução de cada ação do novo negócio, desde o brainstorming para a geração de ideias, passando pelo nome da empresa, até o sumário executivo com a essência do novo empreendimento.

Além disto, sair do ambiente convencional de quatro paredes da sala de aula fez com que os alunos fossem levados ao Parque Farroupilha para uma aula de liderança, na prática. É incrível observar, desde o início das atividades, como os conceitos afloram e sedimentam em corpos e mentes que são convidados a deixar de lado as tecnologias usuais da rotina de um jovem, para cumprirem atividades em grupo. De volta ao ambiente da sala, outros recursos pedagógicos são utilizados para a construção de conhecimento, como: jogos, encenações, apresentações e debates. Visitantes e palestras também recheiam as aulas, trazendo experiências distintas e ilustrando, na vida real, os conteúdos técnicos e acadêmicos necessários para a estruturação do negócio. Estes ilustres visitantes podem possuir um extenso currículo ou nem tanto. O seu tempo de vida e de mercado não é o quesito mais importante para prender a atenção dos alunos, mas os acertos relatados e, principalmente, os erros cometidos, pois ilustra a sua força de vontade de vencer e a sua irreverência às probabilidades estatísticas. O protagonismo também é avaliado na desenvoltura pessoal dos alunos, o que ocorre em dois momentos do semestre. No primeiro, após materializarem suas ideias no formato de um plano de negócios parcial, é realizada uma sessão de pitch de pré-defesa do projeto para uma banca. Em paralelo, essa apresentação suscita perguntas e sugestões dos demais colegas de turma, as quais são formuladas após o questionamento da banca. Este conjunto de perguntas e sugestões de melhorias conduz a uma mútua contribuição para o desenvol-

Disciplina de Empreendedorimo e Inovação - Business model canvas - 2013

vimento de um projeto de empreendimento mais robusto. No segundo momento, ao final da disciplina, os alunos prepararam vídeos que tiveram como norte a apresentação do empreendimento desenvolvido para potenciais investidores. Após a apresentação do conjunto de vídeos da turma, cada grupo defende o seu projeto perante uma banca, geralmente composta por empresários, "investidores anjo" e por mentores de novos empreendimentos. Entretanto, não bastava mudar, simplesmente, a maneira de ensinar. Deveriam ser alterados, simultaneamente, os métodos tradicionais de avaliação. Assim sendo, o paradigma da utilização de provas como instrumento avaliativo foi quebrado. Por outro lado, critérios como participação nos debates e discussões, empenho na realização das atividades, e esmero e dedicação ao projeto nortearam o processo avaliativo continuado, por encontro. Esta iniciativa, uma das pioneiras neste formato, está em seu sexto se-

mestre de realização e em processo de expansão, deixando de ser exclusivamente de um curso de graduação para se tornar transdisciplinar. Entretanto, tudo isto só foi possível, graças à confiança do Departamento, ao apoio da Escola de Engenharia, ao suporte da equipe do Núcleo e do Ecossistema de Empreendedorismo e Inovação da Universidade e, principalmente, à acolhida e participação criativa dos alunos que constroem conhecimentos através da prática e de atividades dinâmicas e prazerosas.

Submissão de Artigos Professores, estudantes e servidores: os artigos para a seção ENGENHARTIGO devem ser enviados para o e-mail comunicacao@engenharia.ufrgs.br contendo: título; nome do autor(a); até 2 páginas A4; fonte 12; espaço 1,5.

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TALENTOS DA EE

Egresso da EE conquista 1° lugar em concurso com sua dissertação Dissertação campeã tem como tema a variação térmica de dispositivos eletrônicos

A variação térmica de produtos eletrônicos é um grande problema, principalmente na sociedade atual onde nos vemos cada vez mais dependentes dos smartphones, tablets, notebooks que são usados tanto para fins profissionais quanto para lazer com os milhares de jogos, filmes e redes sociais à disposição na palma de nossas mãos. Essas variações térmicas põem em risco o bom funcionamento desses aparelhos, que deveriam ter um circuito interno mais estável. A busca dessa estabilidade é a temática da dissertação campeã do egresso da Escola de Engenharia Pedro Toledo, que foi premiado no maior encontro de projetistas do Brasil que ocorreu em Minas Gerais chamado Chip on the Mountains encontro onde acontecem vários outros eventos. Pedro recebeu uma placa de congratulações com tranquilidade do presidente da CEITEC S.A. na presença de colegas de profissão e estudos junto com seu professor orientador Hamilton Klimach que incentivou Pedro nos estudos do ponto ZTC. Na dissertação premiada, Pedro analisou o transistor, que é o dispositivo padrão na montagem de circuitos integrados e através de modelamentos matemáticos, analisou um ponto de referência (ZTC) e a partir dessas análises, ele descobriu que é possível controlar com facilidade termicamente um dispositivo. Partindo de outros estudos Pedro generalizou o estudo do comportamento de um transistor e chegou a conclusões mais abrangentes e também colocou em prática o objeto de

Wanda Ferrera e Jean Davies

Por Raíssa de Avila

Segundo da esquerda para a direita é Pedro Filipe, ao centro o professor Hamilton Klimach, orientador da pesquisa seus estudos, “- Acredito que o diferencial da minha dissertação, seja o fato de eu ter aplicado o ponto a alguns circuitos e através de parcerias, testado as simulações tendo resultados experimentais”, destaca. Pedro também pondera que a sua escolha pela temática surgiu por conta da sua vontade de trabalhar como engenheiro, “Depois que me formei na UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) vi que o pessoal ia trabalhar como gestor, e eu queria trabalhar como engenheiro mesmo, colocando à ‘mão na massa’ e projetando aqui na UFRGS eu teria essa oportunidade no mestrado”, lembrou Pedro. Durante esse percurso, Pedro encontrou algumas dificuldades e uma delas foi o fato de trabalhar e fazer o

mestrado ao mesmo tempo decidindo então unir seu trabalho e a temática da dissertação. Como Pedro faz parte de um programa de formação de projetistas de circuitos integrados, que trabalha com engenheiros recém-formados visando a integração desses jovens talentos no mercado empreendedor, em eventos como a JobFair - uma feira de empregos que seleciona estudantes para trabalhar em empresas do ramo -, durante a orientação desses estudantes, ele sugeriu a utilização do ponto ZTC para seus orientandos. Na vida pessoal, Pedro também teve de conciliar outra situação durante o período do mestrado, “casei e tive um filho durante o mestrado, a minha família também estava em

Pernambuco, mas conciliei tudo”, disse ele. O estudo de Pedro é importante não só para Escola de Engenharia, mas também para o aperfeiçoamento de novas tecnologias.

A CEITEC S.A. é o Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada, empresa do governo federal criada em 2008 com a finalidade de desenvolver e produzir semicondutores no Brasil. É a única empresa da América Latina que fabrica chips.

Acredito que o diferencial da minha dissertação esteja no fato de eu ter aplicado o ponto a alguns circuitos e através de parcerias, testado as simulações tendo resultados experimentais.

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AÇÕES POSITIVAS

Núcleo Incluir

Através de medidas, equipamentos e profissionais o núcleo Incluir proporciona acessibilidade dentro da UFRGS

Por Raíssa de Avila

Ano após ano o tema da acessibilidade passa a ser mais discutido e ganha cada vez mais visibilidade. Exemplos não faltam, e as paralimpíadas de 2016 no Rio de janeiro corroboram com a importância da integração cada vez maior dos portadores de deficiência da sociedade, os PPDs. Dentro da UFRGS o cenário não podia ser diferente, e a integração na universidade vem demonstrando crescente aumento. Grandes medidas vêm sendo tomadas para inserir todos no ensino público. Já existem, por exemplo, disciplinas de Libras com docentes surdos, que está aberta a todos os cursos. Pensando nesta comunidade que se faz cada vez mais presente no âmbito da universidade, surgiu o núcleo Incluir que funciona temporariamente no prédio Centenário da Escola de Engenharia. Antes de ser um núcleo, o Incluir era um projeto que acontecia através de editais concorrenciais em 2011 e recebia verbas do MEC para questões de acessibilidade. Em 2014, foi estipulado pelo MEC que todas as universidades federais deveriam ter seus núcleos voltados a

acessibilidade dentro do ambiente acadêmico implementando uma política de inclusão. Em julho de 2014, o Incluir tornou-se então um núcleo, e hoje não atende apenas os alunos, mas também os servidores, técnico-administrativos e docentes, e busca atender toda a comunidade universitária. A função do núcleo é a de inclusão através de serviços como tradutores-intérpretes, materiais adaptados, impressão em braile e guia vidente que auxilia durante as aulas, no Restaurante Universitário e no deslocamento dentro do campus. O núcleo conta com bolsistas, psicólogos e assistentes sociais, para orientar melhor as comissões de graduação dos cursos, professores que atendem esses alunos que necessitam de uma acessibilidade específica. Além da equipe que assiste os alunos, o Incluir disponibiliza softwares de ampliação de tela, ledor de tela, e demais tecnologias assistivas para melhor amparar a essa comunidade em especial. O papel do Incluir também passa pela fomentação da discussão sobre acessibilidade, orientar a comunidade acadêmica de como receber da

melhor maneira esses alunos, docentes e técnicos com limitações e buscar cada vez mais a inclusão dessas pessoas no seu espaço de estudo, trabalho para integrar e poder participar mais efetivamente e ativamente na questão pedagógica, para ter uma situação de igualdade

com os demais no caminho acadêmico. Pensando em capacitação, formação, o Incluir assume como ponte entre os PPDs e a universidade procurando resolver os problemas de acessibilidade da maneira mais rápida e efetiva.

Abrange também outros elementos como o da colaboração entre as equipes e o envolvimento da interdisciplinaridade de diferentes áreas, além de ser um ótimo recurso didático em sala de aula. Como continuação das aulas do professor Ventura, o primeiro torneio de iniciação a robótica aconteceu no mês de julho de 2016 e reuniu alunos dos dois cursos. O desafio consistiu em fazer os pequenos robôs, com cinco tentativas para cada equipe, deslocarem-se no menor tempo em um labirinto pré-definido. A diferença do tempo entre o primeiro colocado e o quatro variou entre 10 e 12 segundos para percorrer o trajeto. Quatro equipes competiram e o vencedor recebeu uma medalha comemorativa. A atual turma de Introdução a Engenharia de Computação está preparando os alunos para o segundo torneio ainda em 2016. A sala de ensino do prédio Centenário abriga o labirinto no campus centro para os

robôs deslizarem e, recentemente recebeu um lote de carteiras escolares o que possibilitará que brevemente as aulas teóricas aconteçam no mesmo espaço das aulas práticas. A proposta do professor Ventura é levar a mesma estrutura da sala de ensino do Centenário para o campus do vale com o fim de que a competição tenha uma segunda versão e também aconteça próxima do Instituto de Informática, conjuntamente com as aulas da disciplina de Introdução, bastando que haja um espaço naquela Unidade para receber um outro labirinto. A expectativa é a de que o torneio de iniciação a robótica tenha a mesma repercussão na nossa comunidade acadêmica que a já tradicional competição de pontes de espaguete do curso de engenharia civil.

TECNOLOGIA NA ESCOLA

Robótica educacional Exemplo de teoria posta em prática Por Paulo Fernando Zanardini Bueno

“Aprender na teoria e na prática”, essa pode ser a expressão máxima do professor Renato Ventura Bayan Henriques quando ministra uma disciplina em comum a alunos da Engenharia de Computação e da Engenharia de Controle de Automação propondo pelo cronograma o desenvolvimento, em pequenos grupos, de um protótipo modelo robô para competição no final do semestre. O projeto Edubot, coordenado por Ventura, é a versão da robótica educacional sendo utilizada nas

Prof. Ventura e participantes do 1º torneio

aulas o que torna o ensino mais dinâmico e criativo para os alunos, e pode ser entendido como um ambiente propício para a aprendizagem por meio da construção de protótipos de pequenos robôs ou com o uso de kits ou com o aproveitamento de outros materiais. O uso de sensores controláveis por computador e de software específico é necessário em qualquer um dos materiais escolhidos, pois essa medida orienta o funcionamento do modelo construído. No caso da EE que busca qualificar o ensino de engenharia com uma ideia de excelência, a prática pedagógica utilizada nesse exemplo pode ser entendida como uma prática que aproxima docente e alunos e qualifica o aprendizado desse segmento da engenharia.

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CONTRACAPA INFORMA Empresa Junior da UFRGS oferece soluções na área de energia para população gaúcha Um dos objetivos é levar o nome do curso de engenharia de energia para o mercado de trabalho Por Raíssa de Avila

Atualmente há uma demanda cada vez maior por abastecimento energético e renovável. Acreditava-se há algum tempo atrás, que as energias fósseis não se esgotariam, mas hoje convivemos com a escassez desses recursos onde a energia solar começou a ser procurada cada vez mais pelo fato de ser inesgotável e, ao mesmo tempo, autossustentável e com um retorno positivo muito grande na questão custo-benefício. Neste cenário, surgiu a Renova Jr. no início deste ano, uma empresa júnior da UFRGS constituída por alunos de graduação de vários semestres com a proposta de prestar serviços de consultoria na área de energia como estudos de eficiência energética, dimensionamento de painéis solares, entre outros, sob a orientação de professores da universidade especialistas na área. Os membros da empresa são graduandos do curso de Engenharia da Energia, curso fundado em 2010 na UFRGS tendo como foco além de em-

preender, o crescimento ativo de seus membros e a aproximação dos mesmos no mercado de trabalho, gerando experiências e aprendizado não só na área de engenharia, mas também nas diversas atividades de uma empresa desde sua fundação até serviços diários como a parte de recursos humanos e marketing, por exemplo. Apesar do pouco tempo de atuação da empresa, a Renova Jr. participou de um projeto voluntário para o ZIS POA (Zona de Inovação Sustentável de Porto Alegre) onde foi realizado todo o mapeamento solar de uma área da cidade e apesar de faltar alguns detalhes para finalização total do projeto, a parte trabalhada pela empresa já está concluída. O primeiro processo seletivo da Renova Jr. ocorreu em maio deste ano e recrutou quatro alunos das engenharias através de formulários, atividades dinâmicas e entrevistas, e a empresa já planeja abrir um novo processo no início de 2017.

A Renova é uma empresa sem fins lucrativos, portanto, os seus membros também trabalham de forma voluntária. Uma das fundadoras da empresa, Carolina Soubiron, acredita no entanto, no ganho profissional a partir do constante contato com projetos novos e empresas, enriquecendo os alunos com experiências profissionais. Os planos para o futuro da empresa neste momento é engajar-se em mais projetos e continuar fazendo a prospecção ativa de clientes. Atualmente, a Renova Jr. está à procura de um espaço para melhor se estabelecer no mercado.

Conheça a Renova Jr. acessando www.renovajr.br ou pelo QR Code

Escola de Engenharia na Austrália EE e UWA criam intercâmbio para doutorado Por Paulo Fernando Zanardini Bueno – Colaboração Giulia Reis e Leonardo da Rocha Oliveira

Recentemente a Escola de Engenharia recebeu uma comitiva de representantes da UWA (University of Western Australia) para acordar um programa conjunto de doutorado entre as duas instituições. Jonh Doe, diretor da Faculdade de Engenharia, Computação e Matemática esteve presente na visita e observou que sua universidade busca internacionalizar-se e pela similaridade de interesses nas pesquisas entre o Brasil e a Austrália, entende que o acordo será benéfico para ambas às instituições. Doe afirmou que escolheu a UFRGS porque conhece o trabalho de qualidade realizado aqui, e nos conhecem, tanto por terem recebido estudantes na UWA quanto por

enviaram pessoas para a UFRGS. A expectativa é a de criar dois cursos de doutorado, um em cada universidade. Doe destacou a UWA como uma universidade centenária, que completou 100 anos em 2013 e oferta diferentes cursos como jornalismo, música, medicina entre outros. Seu corpo discente é composto por cerca de 25 mil estudantes. A UWA está situada em Perth (maior cidade e capital do estado da Austrália Ocidental). Sobre a posição da UWA nos rankings, afirma que ela “está ranqueada em primeiro dentre oitenta e sete instituições australianas, e, de acordo com o ranking mundial de universidades, o QS, está entre as 100 melhores do mun-

do. Temos várias áreas de atuação em engenharia ranqueadas entre as melhores”, disse Doe. Perguntado sobre o que achou do Brasil, Doe destacou, que a “UWA recebeu muitos estudantes brasileiros. Nós tivemos quatrocentos alunos do Ciências Sem Fronteiras e eles mudaram a forma como celebramos. Eles foram grandes embaixadores culturais, e nós passamos a conhecer melhor a cultura brasileira. Graças a eles, hoje eu conheço mais e gosto mais do Brasil, e uma das princi-

pais mudanças que eles trouxeram foi a forma de fazer churrasco, de se reunir em churrascos e fazer com que todos sintam-se bem-vindos. Hoje o churrasco é uma forma muito comum de celebração na universidade”.

NA REDE Edupper É o aplicativo desenvolvido pelo mestre em engenharia de produção da UFRGS, Everson Pinto da Silva, propondo uma maior divulgação de eventos da universidade para os alunos e a comunidade, e pode reunir, de maneira prática, todos os eventos da UFRGS,

gerando mais integração entre as diferentes graduações que esta instituição oferece. O aplicativo é gratuito tanto para os usuários quanto para os anunciantes dos eventos e está disponível nas plataformas Android e Ios.

Acesse o App pelo link http://edupper.com/ ou pelo QR Code

A versão online está disponível em www.issuu.com/engenhariaUfrgs Acesse pelo QR Code

Realização

(aconselhável ter aplicativo para leitura de pdf ) Gabinete da Direção Escola de Engenharia UFRGS

#NTIC


Engenharia informativo da escola de

GABRIELA GARCIA

CADERNO ESPECIAL

Estudantes da disciplina “Gestão de Projetos” apresentando para membros da Direção, do NAU e do NEED o projeto que pesquisou a opinião dos estudantes sobre práticas pedagógicas dos docentes da Escola de Engenharia, contribuindo para a escolha dos destaques do ano

Valorizando o ensino Por Luiz Carlos Pinto da Silva Filho

Formar recursos humanos de excelência na área das engenharias é sem dúvida uma missão essencial da Escola de Engenharia. Em sua trajetória centenária, nossa unidade cumpriu com grande êxito esse compromisso, gerando egressos sempre disputados e valorizados, em muitos casos futuras lideranças e referências profissionais, acadêmicas e até mesmo políticas de nosso estado e nosso país. Para atingir esses resultados contamos com o reconhecido talento e capacidade de nossos discentes. Mas um ingrediente fundamental da receita sempre foi a dedicação e engajamento com que gerações de docentes se entregaram ao ofício de ensinar, ao esforço de criar um ambiente no qual a experiência de ensino-aprendizagem fosse agradável e eficaz. Tivemos em nossa história o prazer de abrigar grandes mestres, figuras que inspiraram e motivaram nossos estudantes. Porém, o desafio de criar e tornar exitosos os nossos programas de pós-graduação nos anos 1980 fez com que boa parte do esforço de nossos docentes, especialmente dos mais jovens, acertadamente se voltassem para a produção, disseminação e transferência de conhecimento inovador. Os resultados foram excelentes, e hoje a Escola de Engenharia conta com o mais qualificado e bem avaliado conjunto de programas de PG em engenharia do país. Esse sucesso traz recompensas na forma de maiores verbas e oportunidades para desenvolver trabalhos, estabelecer cooperações e obter apoio para projetos de alta repercussão e complexidade. Um efeito indesejado, todavia, é que as recompensas naturais e o justo reconhecimento de atuar em pesquisa, inovação e extensão acabou em alguns casos gerando um efeito muito atrator enquanto os esforços voltados para a atuação na área de ensino não foram celebrados e valorizados de forma tão marcante. A atual gestão da EE, sensibilizada com essa questão e consciente de que os desafios de prover uma adequada experiência de ensino-aprendizagem nessa virada de século são enormes, pela mudança nas expectativas, comportamento e na própria formação psicológica de nossos ingressantes da era digital, vem buscando ações para mudar esse quadro. Uma importante ação foi a criação do Núcleo de Engenharia Educacional (NEED/ EE), que agrega um variado conjunto de interessados em discutir alternativas da EE e de outros setores da UFRGS. Outra importante iniciativa, inspirada em ações semelhantes, e já desenvolvidas em outras instituições, como a USP, foi criar uma forma de mapear, identificar e celebrar as experiências de ensino mais exitosas. Em 2014, com apoio dos professores Inácio Morsch e Aly Ferreira Flores, a direção da EE buscou estruturar uma sistemática para a concessão de uma menção honrosa aos docentes mais inovadores e mais bem avaliados pelos próprios atores envolvidos no processo - nossos discentes. Devido a dificuldades imprevistas, porém, não conseguimos fechar essa avaliação na época. Mas não esquecemos o assunto e pedimos ao NAU, hoje liderado pela professora Liliana Féris e pelo professor José Duarte Ribeiro, que pesquisassem quais as disciplinas mais bem avaliadas, sob o ponto de vista da experiência de ensino. Ao mesmo tempo, a partir de discussões no âmbito do NEED, a professora Istefani aceitou o desafio de montar com os alunos da disciplina de “Gestão de Projetos” um mapeamento das experiências mais interessantes dos docentes que, na visão dos alunos, tiveram maior impacto positivo em sua formação. Os resultados foram muito interessantes, e assim, decidimos publicá-los nesse caderno especial, dando destaque aos docentes mais lembrados ou melhor avaliados, como forma de reconhecer o bom trabalho realizado. Não é um prémio nem uma avaliação perfeita, mas achamos que espelha bem o sentimento de uma geração de alunos sobre as contribuições que receberam. E reforça a justa e necessária valorização institucional do ensino na EE. Que vai continuar...

Reconhecimento acadêmico

Por Paulo Fernando Zanardini Bueno

A edição número 6 do “Informativo da EE”, publicada em 2014, trouxe uma matéria de página inteira com as primeiras propostas de reconhecimento do trabalho acadêmico dos professores da Escola de Engenharia. A ideia de premiação se tornou a de destaque docente, e a constituição do reconhecimento se consolida em 2016. A escolha é resultado de uma consulta ao corpo discente baseada em diferentes aspectos. Foram onze os tópicos listados pelos estudantes. A cerimônia prevista para a retomada das aulas em 2017, que reunirá os professores destacados, faz parte das ações de comemoração pela passagem dos 120 anos da EE.


Núcleo de Avaliação Institucional coordenou a avaliação Por Liliana Amaral Feris - Coordenadora do NAU

O Núcleo de Avaliação Institucional da Escola de Engenharia (NAU/EE), juntamente com o Núcleo de Engenharia Educacional (NEED/EE) fizeram uma avaliação conjunta dos dados obtidos em suas ações relativas à avaliação docente na EE. Com base nos resultados foram indicados os docentes que se destacaram entre os alunos. Foram utilizados os resultados das avaliações institucionais da

Secretaria de Avaliação Institucional (SAI) da UFRGS relativos aos onze cursos da EE, incluindo todos os professores das áreas específicas. Foram destacados os professores avaliados pelos alunos como destaque, alicerçados pelo critérios de didática, domínio do conteúdo, disponibilidade, pontualidade e aspectos positivos no que abrange a relação aluno-professor.

Ainda, o NEED, em um de seus projetos, avaliou o aspecto inovação, relacionado às aulas  dos professores nas disciplinas. Desta forma, o conjunto das informações foi a base para a indicação dos Destaques 2015. O objetivo desta ação é a valorização do professor como agente do ensino, mostrando que o trabalho em sala de aula faz a diferença no aprendizado dos alunos.

A decisão do CONSUN 184/2009 instituiu os NAUs. Os mesmos tem por objetivo avaliar as atividades fins e meio das Unidades, propondo melhorias em diferentes áreas. Na Escola de Engenharia tem como atribuição a elaboração de relatórios anuais da gestão (com o auxílio do Núcleo de Tecnologias da Informação e Comunicação - NTIC) para basear as próximas decisões, medir a eficiência de diversas áreas (do ensino, pesquisa e extensão, da área administrativa, de recursos humanos e infraestrutura), e colaborar no processo de acreditação dos cursos fornecendo dados e informações. É responsável pelo diagnóstico e avaliação interna da Unidade, assim como pela avaliação do docente pelo discente.

Destaque Docente 2015 é resultado de um trabalho minucioso sobre as avaliações dos alunos Por Paulo Fernando Zanardini Bueno Valorizar o trabalho realizado pelos docentes da Escola de Engenharia em sala de aula foi um dos objetivos da direção da EE desde o início da atual gestão, iniciada no final de 2012. Esse projeto está sendo posto em prática pelo NAU e pelo NEED, que geraram os dados do destaque 2015. A professora Liliana Amaral Féris explicou como foi o processo de avaliação que resultou na escolha dos oito nomes destacados nessa primeira edição. Caderno Especial: - Como o NAU coordenou o processo de avaliação dos professores? Liliana Amaral Féris: O resultado do Destaque Docente foi a junção dos resultados gerados pelo NAU e pelo NEED através de processos avaliativos do corpo docente. O NAU faz uma avaliação semestre a semestre de todas as turmas da

Escola de Engenharia. O formulário é disponibilizado aos alunos via Portal do Aluno e eles respondem. As respostas são contabilizadas pela Secretaria de Avaliação Institucional (SAI) e enviadas aos coordenadores de cada NAU (cada Unidade tem um Núcleo de Avalição). No nosso caso (Engenharia), eu e o professor José Luis Duarte Ribeiro somos os coordenadores (eu coordenadora e ele o vice). Os resultados de 2015/1 e 2015/2 foram apresentados aos gestores dos cursos e encontra-se disponível no site da EE (ver box ao lado). CE: - Como foi feita a avaliação com base na soma dos dados do NAU com o projeto da professora Istefani? LAF: Bom, para obter os destaques docentes, todos os dados fornecidos pela SAI foram revisados quando fizemos uma seleção das

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turmas dos semestres de 2015/1 e 2015/2 que combinaram bom número de avaliações realizadas e bom número de comentários positivos. É importante observar que foram 2.321 comentários lidos pelos membros da comissão. A partir desta seleção, lendo os comentários escritos pelos alunos, cada um de nós (eu, professora Liliana, mais o professor Ribeiro e o professor Alberto) selecionou duas turmas de destaque em cada semestre. Esse conjunto de turmas mais restrito foi discutido em conjunto com a direção da EE e os destaques do NAU foram indicados, no total de 6. Depois, em reunião com a professora Istefani, vimos quais nomes coincidiam com os nomes indicados pelo projeto da disciplina da Istefani ou não e juntamos todos os nomes. Essa foi a construção que destacou 8 professores.

Av a li aç ão D o c ente p el o Dis c ente Para acessar os resultados da avaliação curso a curso dos semestres 2015/1 e 2015/2 da avaliação docente pelos discente acesse o endereço http://www. ufrgs.br/engenharia/wp/avaliacao-docente-pelo-discente/ ou pelo QR Code


Docentes destaques 2015

Prof. João R. Masuero - Eng. Civil “Na verdade é sempre uma surpresa, porque a gente tá em um ambiente que tem uma porção de colegas que trabalha de uma maneira bastante boa, então, ser reconhecido e lembrado é algo inesperado, mas também é algo que torna a gente bastante feliz. Dentro das minhas perspectivas como professor da UFRGS talvez um dos maiores reconhecimentos que a gente possa ter é os alunos identificarem o trabalho que a gente faz como algo que merece ser destacado e lembrado”.

Profa. Lígia D. F. Marczak - Eng. Química “Recebi com muita alegria e emoção a indicação do meu nome para essa homenagem, especialmente porque ela está baseada nas avaliações feitas pelos alunos de graduação. Este prêmio representa o reconhecimento das atividades docentes em sala de aula que, infelizmente, muitas vezes, e por muitas pessoas, não são devidamente valorizadas. Agradeço a todo os meus alunos por me fazerem feliz e totalmente realizada profissionalmente”.

“Recebi a distinção com imensa alegria e satisfação! É muito gratificante perceber que o trabalho desenvolvido cumpre seus objetivos, não somente no que diz respeito aos conteúdos ministrados, mas também no que se refere ao estabelecimento de uma relação verdadeira e próxima com os alunos. A distinção de Destaque Docente certamente serve como estímulo para o aprimoramento das minhas atividades acadêmicas”.

“Eu considero um dos maiores reconhecimentos que um professor possa ter o reconhecimento que é dado pelos alunos no sentido de que efetivamente eles são parceiros no processo de ensino aprendizagem e se esse processo é reconhecido por eles eu me sinto bem mais a vontade de continuar minhas iniciativas de inovação e desenvolvimento tecnológico nas disciplinas que eu ministro. Então, com extrema satisfação”.

“Eu recebi com uma surpresa muito agradável, porque como professor acho que poucas coisas são tão importantes quanto ter o reconhecimento dos alunos porque essa parte da nossa atividade acadêmica de ensinar os alunos é uma das mais importantes. Desse aspecto, para mim, foi muito legal ter esse reconhecimento mesmo sendo reconhecido como um professor difícil. Então fiquei muito feliz”.

“Fico extremamente grato aos alunos pela escolha. Na minha opinião a satisfação deles justifica todos os esforços que eu e meus colegas do LAMEF despendemos em nossas atuações junto ao setor produtivo. Nosso maior objetivo com estas atividades é exatamente gerar conhecimento prático e aplicado, que é então repassado aos alunos em sala de aula, além de garantir instalações de ponta, onde os alunos podem exercitar a sua curiosidade e desenvolver suas capacidades”.

Prof. Michel J. Anzanello - Eng. Produção

Prof. Daniel S. P. Garcia - Eng. Produção

Prof. Francis H. R. França - Eng. Mecânica

Prof. Thomas G. R. Clarke - Eng. Metalúrgica

Prof. Paulo Schneider - Eng. Mecânica “Me sinto muito bem, honrado de ser escolhido. Um reconhecimento por parte de quem recebe o treinamento, que é o público alvo é sempre muito bom, e pra mim reforça uma coisa pensada e premeditada. O reconhecimento, a atitude frente aos alunos é algo premeditado da minha parte no sentido de que você tem que dar, tem que ter uma percepção do que a sociedade precisa e que o aluno é o veículo para essa necessidade da sociedade. Eu não faço isso pelos alunos, eu faço isso pela sociedade que paga meu trabalho”.

Prof. Ignacio Iturrioz - Eng. Mecânica “Com grande satisfação e agradecimento, gosto muito de ser querido pelos alunos e ser reconhecido pelo meu trabalho. Se tivesse uma coisa a resgatar de meu trabalho é a possibilidade de ele ser potencialmente lúdico. Nem sempre a gente consegue, mas tem que ser um norte, na medida que tenho procurado esse norte acho que meu trabalho tem se tornado mais eficiente”.

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ARQUIVO PESSOAL

Comissão avaliadora Destaque Docente da EE 2015

Liliana Amaral Féris, professora da engenharia química e coordenadora do Núcleo de Avaliação da Unidade

José Luis Duarte Ribeiro, professor da engenharia de produção e vice-coordenador do Núcleo de Avaliação da Unidade

“Entre vários fatores a serem considerados no processo de avaliação do Docente Destaque, a opinião e percepção do aluno é sem dúvida o mais importante. Este foi o principal critério utilizado no primeiro ano em que a Escola de Engenharia faz esta indicação. Tanto o NEED quanto o NAU priorizam a valorização do ensino e da aprendizagem em um ambiente de estudo motivador e agradável. E a valorização do professor é fundamental como incentivo para todo grupo docente da Universidade. O processo não é fácil e pode ser sempre melhorado, mas o foco no retorno do aluno deve permanecer.”

“O destaque foi feito, na verdade, não pela comissão de avaliação ou pela direção da Escola, mas pelos próprios alunos, pois foram as notas e os comentários redigidos pelos alunos que conduziram o processo de identificação dos docentes que se destacaram. Considerando os relatos dos alunos, podemos afirmar com convicção que os docentes que se destacaram foram além de ensinar conteúdos de engenharia, mas contribuíram de forma significativa na formação de profissionais plenos, com habilidades e atitudes exaltadas nos projetos pedagógicos dos respectivos cursos”.

Alberto Bastos do Canto Filho, professor da engenharia elétrica e coordenador do Núcleo de Engenharia Educacional “Como o Destaque Docente foi definido a partir de questionários preenchidos pelos estudantes de engenharia, esta iniciativa é uma forma de apresentar um retorno, mostrando que a sua opinião está sendo cuidadosamente analisada com o objetivo de identificar e incentivar as boas práticas docentes. É também um incentivo a todos os professores, responsáveis pela reconhecida excelência da Escola de Engenharia da UFRGS.”

Istefani Carísio de Paula, professora da engenharia de produção “Esta é uma iniciativa da Direção da Escola de Engenharia, com suporte do NAU e NEED, visando, por um lado, valorizar os docentes e as práticas que já são realizadas pelos professores, e que são reconhecidas pelos alunos como aquelas que levam efetivamente ao aprendizado. Por outro lado, visando despertar em todos nós docentes a curiosidade pela mudança, adaptação e inovação das práticas de ensino à uma formação que prepare o profissional para a complexidade que encontrará no mercado.”

Núcleo de Engenharia Educacional auxiliou o trabalho do NAU Por Raíssa de Avila O NEED (Núcleo de Engenharia Educacional) foi criado em 2014 pela direção da Escola de Engenharia, com o objetivo de ter um órgão de assessoramento e agregar a comunidade interessada em trabalhar com a temática da educação em engenharia e do ensino de excelência, envolvendo práticas pedagógicas, administrativas e uso de tecnologia. O NEED, liderado pelo Prof. Alberto do Canto, auxiliou o NAU no processo de avaliação e escolha dos docentes destaques. O núcleo docentes e técnicos de diversos cursos de engenharia, assim como convidados da SEAD, do CINTED e de outros setores da UFRGS. Os integrantes atuam em projetos especiais em área de interesse do Núcleo. Um desses projetos foi coordenado pela professora de Engenharia de Produção e Transportes, Istefani Carísio

de Paula, com os alunos da disciplina de Gestão de Projetos da quarta etapa do curso. Eles desenvolveram uma pesquisa coletando e analisando dados através de um questionário online sobre o ensino na Escola de Engenharia e práticas que ajudavam os alunos a dominar os conteúdos com maior facilidade. Foram 241 respostas obtidas e esses resultados foram compilados e apresentados para direção da Escola, e acabaram por ajudar a destacar alguns professores que foram mais frequentemente citados pelas boas práticas e metodologias que utilizavam durante as aulas. A pesquisa é uma importante captura de percepção pois alunos de todos os cursos puderam responder o questionário. A ideia é que as respostas ajudem a promover boas experiências, estimulando o ensino de excelência, com emprego de técnicas

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que já dão certo e de outras inovadoras. O trabalho buscou complementar o questionário institucional da UFRGS que ocorre no final do semestre. Para a professora Istefani “Esse projeto é a fotografia de um momento” e ressalta a data da amostragem que diz respeito ao ano de 2015. Uma das práticas destacadas pelos alunos foi a lista de exercícios e a didática do professor. As respostas podem ajudar os docentes a identificar boas práticas que podem ser aplicadas em suas disciplinas. Os professores interessados em integrar o NEED ou participar das reuniões podem entrar em contato por meio do endereço eletrônico need@ufrgs.br

O NEED surgiu com alguns desafios de ordem metodológica para o ensino da Engenharia no século XXI. A construção de novas práticas pedagógicas renovadoras e inovadoras é um trabalho que envolve toda a comunidade acadêmica da EE. O objetivo norteador dessa iniciativa é buscar uma formação de excelência para o engenheiro formado na UFRGS. Sete ações destacam-se: a melhoria contínua do ensino-aprendizagem; desenvolvimento de uma pedagogia de qualidade; troca mútua de experiências entre os atores da EE (professores e estudantes); orientação e apoio ao desenvolvimento de atividades inovadoras; renovação do layout dos espaços de ensino; geração e divulgação da produção técnica e científica; e, por fim, formação de redes de colaboração para desenvolver ações e soluções sobre atividades pedagógicas.


Engenharia informativo da escola de FOLHA ESPECIAL

Ao mestre com carinho PAULO FERNANDO

Professor Telmo deixou um legado na Escola de Engenharia

Professor Telmo R. Strohaecker (em pé à direita), ao lado o vice-prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, no centro o Reitor da

UFRGS, prof. Rui Vicente em Oppermann, esquerda o diretor prof. LuizAbertas Carlos Pintodo da Silva Filho, na cerimônia de abertura Professor Telmo, pé, nae àabertura do daIIEE, Portas LAMEF do II Portas Abertas do LAMEF 2016

“Professor Titular Telmo Roberto Strohaecker (1955-2016): In memoriam ao saudoso colega de trabalho, ao pesquisador renomado, ao acadêmico e cientista de excelência e a uma das mais importantes lideranças acadêmicas e tecnológicas na área de Engenharia Metalúrgica e de Petróleo do país. Natural de Estrela em 1955, obteve sua graduação em Engenharia Metalúrgica na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1977), e fez seu mestrado no programa de pós-graduação em Engenharia de Minas, Metalúrgica e de Materiais (PPG3M) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1980), indo depois realizar doutorado no programa de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1989). Ingressou na Univer-

sidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 1990 e atualmente era professor titular do Departamento de Metalurgia (DEMET) e bolsista produtividade 1B do CNPq. Era especialista na área de Propriedades Mecânicas dos Metais e Ligas, atuando principalmente no desenvolvimento de atividades de pesquisa, extensão e inovação nos seguintes temas: fratura, engenharia de superfícies, efeitos de altas temperaturas e fadiga. Fundou e era coordenador do Laboratório de Metalurgia Física (LAMEF) do Departamento de Metalurgia da UFRGS, centro de referência de renome internacional, que conta atualmente com mais de duzentos colaboradores e captou dezenas de milhões de reais em verbas de pesquisa e investimentos de P&D&I.

1 | Informativo da Escola de Engenharia | Folha Especial

Sempre teve uma forte atuação institucional, tendo representado a UFRGS ou atuado como consultor ad hoc ou especialista convidado junto a diversos órgãos de Fomento, incluindo FAPERGS, CAPES, FINEP e CNPq. Foi coordenador do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Minas, Metalúrgica e Materiais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e era o atual chefe do Departamento de Metalurgia da Escola de Engenharia, responsável por um dos cursos mais renomados no país. Atuou na formação de aproximadamente 40 doutores e de mais de 90 mestres, muitos dos quais hoje atuam em diferentes empresas de ponta, Universidades e Institutos Federais, no país e no exterior. Foi agraciado pessoalmente ou liderou equipes reconheci-

das com inúmeros prêmios e reconhecimentos, dentre os quais se destacam: Outstanding Award em reconhecimento pelas valorosas contribuições a comunidade subsea na categoria acadêmica; pesquisador Destaque FAPERGS, 2001; Paulo Lobo Peçanha, ABM. 2005; prêmio Luiz Dumont Villares, ABM. 2007; recipiente da “Calgary Award 2015” na Rio Pipeline Conference & Exposition, 2015; prêmio Acesita - Avaliação da Resistência a Corrosão do Aço AISI 420 Nitretado a Plasma em Diferentes Misturas Gasosas e Baixas Temperaturas, ABM Associação Brasileira de Metalúrgica. 2004; prêmio de Inovação como instituição de ciência e tecnologia da região sul, FINEP 2014; vencedor da 17ª edição nacional do Prêmio FINEP na categoria ICT (Instituição de Ciência e Tecnologia), 2015; prêmio de melhor trabalho técnico da 13ª COTEQ; conferência sobre Tecnologia de Equipamentos 2015; Um ativo líder, incansável batalhador pelo desenvolvimento institucional, foi uma das forças motrizes do desenvolvimento da área de óleo e gás no sul do país, e um dos responsáveis pela ilustre posição da UFRGS nesse campo. Sua perda gera uma lacuna profunda e irreparável na comunidade da Escola de Engenharia, mas seu legado e exemplo serão sempre lembrados. Deixa esposa (Tânia), três filhos (Roberto, Adriana e Luciana) e uma neta (Laura) e uma chama viva e forte na numerosa comunidade de jovens dos quais foi mentor e que influenciou vivamente (os LAMEFianos).” Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, diretor da Escola de Engenharia e Carla S. t. Caten, vice-diretora.


Engenharia informativo da escola de FOLHA ESPECIAL

“Meu convívio com Professor Telmo iniciou no idos de 1990. Fui da segunda turma de alunos a cursar suas disciplinas na graduação após seu ingresso na UFRGS vindo da FURGS – Rio Grande. Naquela época o LAMEF consistia de somente dois alunos de mestrado e quatro de iniciação científica nos quais me incluía. Lembro que os consumíveis para aulas práticas eram pagos pelo professor que comprava álcool e algodão juntamente com o rancho semanal da família. Deste o início ele já repassava o segredo para o desenvolvimento de atividades com sucesso. A receita era simples de entender e difícil de aplicar, mas ele repassava a todos que perguntassem. O segredo é: ‘Trabalho... muito trabalho...’. Desde aquela época o LAMEF mudou muito passando de menos dez pessoas para mais de duzentos colaboradores, e com o Telmo trabalhando de dez a doze horas na UFRGS e mais um tanto em casa. Foram inúmeros os alunos de graduação e pós-graduação que tiveram a oportunidade de realizar estágios no exterior com auxílio do LAMEF. Anos antes do Programa Ciência Sem Fronteiras já eram enviados alunos para países da Europa e para os Estados Unidos. Um dos aspectos marcantes era seu modo democrático de gerenciamento e o ‘sistema de porta aberta’ para todos que a qualquer hora tivessem uma pergunta ou dúvida a ser sanada. O resultado desse seu estilo se reflete na continuada relação com seus ex-alunos que rotineiramente retornam ao LAMEF em busca de um desenvolvimento tecnológico para aplicação nas empresas em que trabalham”. Afonso Reguly, professor do Departamento de Metalurgia da EE/UFRGS.

Afonso Reguly, professor da EE

” PAULO FERNANDO

Um dos aspectos marcantes era seu modo democrático de gerenciamento.

Professor Telmo no LAMEF Campus Centro

E assim era ele, generoso com todos, pensando adiante, valorizando a todos. Marcio de Macedo, engenheiro do LAMEF

“Sou da segunda turma que o professor Telmo deu aula em 1991, ele ingressou na faculdade no início dos anos 90 na cadeira de metalurgia física. Desde então, sempre tive um bom relacionamento com ele, me formei em 1992 e era uma época de crise e nossa turma recém-formada não tinha muitas ofertas de emprego, então, partimos para fazer mestrado. Conversamos com o Telmo e ele ficou bastante preocupado com a nossa situação e sugeriu que cada um fosse para uma área de atuação, foi o que fizemos, no meu caso, eu fui trabalhar na parte de soldagem. Depois de algum tempo prestei concurso para ser funcionário da UFRGS e pedi para o Professor Telmo para trabalhar no LAMEF, e comecei minhas atividades aqui em 1996. Ele foi meu chefe imediato por 20 anos. Em um momento, o Telmo me elogiou no trabalho e passou uma bolsa da CAPES que era dele para mim, assim, fui para os Estados Unidos com o prêmio. O Telmo abriu mão de um prêmio dele para passar para mim. E assim era ele, generoso com todos, pensando adiante, valorizando a todos, e, nesses vinte anos tive a felicidade de conviver com ele, viajamos muito juntos a trabalho, ele sempre ajudou a todos e pensava sempre no desenvolvimento do laboratório, no início, quando o LAMEF era pequeno, ele ‘tirou coisas do bolso’ dele para investir aqui e visar a melhoria do nosso trabalho. Ele tinha uma visão muito empreendedora e enxergava onde ninguém ainda enxergava, queria sempre fazer mais projetos e expandir o LAMEF. Era um trabalho em conjunto, nunca individual e virou uma família, temos mais de duzentos funcionários graças a tudo que ele fez pela escola. Ele queria que todos se desenvolvessem, e a gratificação dele era essa, ver a gente ganhar um prêmio, ver alguém ser diretor-geral de uma empresa. ‘O nome dele era trabalho’, e ele sempre dizia: ‘trabalha bastante que tu conquista’”. Marcio Levi Kramer de Macedo, doutor em engenharia pela UFRGS e engenheiro do LAMEF.

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