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de onde vem

um idolo?

Há dez, quinze anos atrás, quem passasse pelas praias do litoral paulista e visse o pequeno César dando suas primeiras braçadas, tranquilamente, durante as férias com a família, jamais imaginaria que aquela cena era o início da história de um campeão. Esta foi uma das descobertas desta edição da Endorfina. Fomos atrás das histórias que todo praticante de atividade física pensou em conhecer, ao ver o nadador no auge de sua forma, chorando, comemorando recordes mundiais e vitórias que nenhum outro atleta da categoria conseguiu alcançar em nosso país. Como é o treino de César Cielo? Quais foram os sacrifícios necessários para se tornar um símbolo nacional de atividade física bem orientada? Estas respostas estão orgulhosamente estampadas em nossa edição de setembro. Fomos em busca de uma Endorfina mais “científica” desta vez. Por quê? Porque descobrimos que teríamos a honra de ouvir e ser ouvidos por profissionais renomados nas áreas de saúde, esporte, educação física e até do cinema e da Fórmula 1! Tudo para continuar no trilho do qual nunca iremos sair: transformar-nos em um instrumento de informação exclusiva, mas acima de tudo útil para quem leva a atividade física a sério. Além da vida de “Césão”, coletamos as histórias de Nuno Cobra, o preparador físico que participou da construção de um outro ídolo chamado Ayrton Senna da Silva. Também ouvimos Harry Rosenberg, o profissional responsável pelo diaa-dia esportivo de gente como Hortência e Éder Jofre. Escrevemos até sobre o ídolo da atividade física que acabou virando símbolo do cinema e da política, no texto que conta como Arnold Schwarzenegger ainda faz parte do dia-a-dia das academias. Muita história, muitos ídolos. Muita Endorfina. Eder Brito Diretor de Redação

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expediente

EXPEDIENTE Diretor Executivo: Michel Kaminski Diretora de Publicidade: Ivete Gramm Gerente Comercial: José Santos Executivos de Contas: Edilson Santana e Gabriel Wurcelman Circulação: Natália Esteves Atendimento: Eliana Silva EDITORIAL Diretor de Redação: Eder Brito Jornalista Responsável: Eder Brito - MTB 51.548 Revisão e Edição de texto: Eder Brito e Gabriel Nicolatti

A Revista Endorfina é uma publicação especial e bimestral da Kaminski Publicidade. Distribuição em academias, clínicas de nutrição e de fisiologia, clínicas de fisioterapia e de pilates, clubes, condomínios com academias, estabelecimentos comerciais direcionados ao segmento esportivo, escolas, cursos técnicos, associações esportivas, lojas de equipamentos, roupas e acessórios fitness e universidades e eventos esportivos. Praça: São Paulo, Grande São Paulo, litoral e interior. A redação da Endorfina não se responsabiliza por conceitos emitidos em artigos assinados ou por qualquer conteúdo publicitário e comercial, sendo este último de inteira responsabilidade dos anunciantes.

ARTE E FOTOGRAFIA Projeto Gráfico e Diagramação: Wave Comunicação (11) 2307 1270 Imagens: Stock Photo CONSULTORES Harry Rosenberg – Personal Trainer Dr. Nabyl Ghorayeb – Hospital do Coração Nuno Cobra – Preparador Físico Carla Duanelli – Fisioterapeuta Antonio Pacileo – Especialista em Nutrologia Dermival Pansera – Endocrinologista Pablo Villaça – Crítico de Cinema

Fale com a gente! Para sugestões, críticas ou elogios, envie um email para redacao@revistaendorfina.com.br

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CAPA César Cielo Foto: Satiro Sodré / CBDA ENDORFINA Av. Ipiranga, 1097. 9º Andar -93 CEP 01039-000. São Paulo - SP Tel. 3227 9555 ou 3228 8696 redacao@revistaendorfina.com.br www.revistaendorfina.com.br


Índice

índice

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CAPA

CÉSAR CIELO “Consegui o que busquei a vida inteira”

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DORMIR BEM É FUNDAMETAL O sono é bom para o esporte? O esporte é bom para o sono?

Fórmulas de Sucesso

As dicas de Nuno Cobra, um dos maiores treinadores de pilotos da história

personal dos famosos Harry Rosenberg, o profissional que mantém seus alunos por mais de uma década

Sem Medo da Gripe

As academias em tempo de H1N1

estranhamente eficiente Punhobol? Tchoukball? Descubra os benefícios de modalidades pouco conhecidas

medicina ortomolecular O que é isso e por que procurá-la

até debaixo d’agua Hidroginástica e outras opções para entrar em forma e manter a saúde debaixo d´água

games para suar a camisa Como perder calorias jogando vídeo-game


vida saudável

Saiba como a atividade física influencia na qualidade do seu sono e como uma noite bem dormida pode ser fundamental para seu treinamento

Por Gabriel Nicolatti

Muita gente sabe e já deve ter sentido em alguma situação a importância de uma boa noite de sono para o nosso desempenho diário, no trabalho, na escola e, por que não, na hora de malhar ou praticar o seu esporte. O que pouca gente sabe é que, da mesma forma que o sono é fundamental para um bom desempenho nas academias, campos ou quadras, o exercício físico é importantíssimo para uma boa qualidade do nosso sono. Segundo o chefe da disciplina de medicina e biologia do sono da UNIFESP, Dr. Marco Túlio de Mello, a atividade física pode ser considerada uma intervenção não-medicamentosa para o tratamento e prevenção de distúrbios relacionados aos aspectos psicobiológicos, como o sono. “Existem algumas teorias que explicam os efeitos da atividade física no nosso sono. Uma delas está ligada à temperatura do corpo, que aumenta quando praticamos algum esporte e, por isso, facilitaria o disparo do início do sono. As outras teorias relacionam-se à conservação de energia e restauração corporal, que dizem que o exercício facilita o sono por reduzir as reservas energéticas corporais”, explica. Ele lembra, ainda, que o nosso metabolismo trabalha em níveis menores durante o sono, o que gera o equilíbrio energético necessário para a retomada das atividades no dia seguinte. Já o responsável pela Clínica do Sono de Porto Alegre-RS, Dr. Denis Martinez, acredita que uma boa noite de sono seja fundamental para a prática esportiva, principalmente em atletas de alto-rendimento, e reforça que existe uma grande diferença entre o sono e o cansaço, este último decorrente da atividade física. “O exercício físico gera o cansaço, que vem da falta de ATP (adenosina trifosfato) nos nossos músculos. O sono vem da falta de ATP em nosso cérebro”, define. Torna-se evidente então que, da mesma forma que a prática de esporte regular contribui para uma melhor qualidade do nosso sono, é o mesmo que

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proporcionará condições adequadas para o esporte. Este ciclo comprova-se pelo levantamento epidemiológico da prática de atividade física na cidade de São Paulo, realizado pela UNIFESP, que mostrou que as queixas de insônia e de sonolência excessiva, entre os entrevistados que realizam atividade física regularmente, eram de apenas 27,1% e 28,9%, respectivamente, enquanto entre os não praticantes foram de 72,9% e 71,1%. “Tanto o sono em má qualidade quanto o exercício em demasia podem prejudicar o rendimento do seu treinamento. Conhecer melhor o padrão do seu sono pode ser uma referência importante para se alcançar um melhor desempenho na realização de exercícios”, explica o professor Mello. “A presença de distúrbios como apnéia, insônia, bruxismo ou movimentos periódicos de pernas podem comprometer o desempenho esportivo, prejudicando principalmente o período de recuperação. Nestes casos devem-se tomar atitudes de higiene do sono e, em casos mais complexos, procurar um médico especialista na área, para a verificação do padrão de sono através de uma polissonografia” conclui.


vida saudável

Capital Humano Porque é bom investir em atividade física para seus funcionários?

Por Eder Brito

Mens sana in corpore sano (uma mente sã num corpo são) é uma citação famosa de Juvenal, poeta da Roma Antiga. Diz a História que, ao criar a frase, ele queria resumir tudo o que as pessoas deveriam desejar na vida. Em pleno século XXI, a frase do romano continua ecoando em vários locais, inclusive na diretoria de empresas que se preocupam com a qualidade de vida de seus funcionários. É o caso da APPM, empresa paulistana que atua no ramo de pesquisa de mercado. Há alguns meses os funcionários têm acesso a um pacote de benefícios que incentiva a prática de atividade física. “Todos têm à disposição um personal trainer, duas avaliações físicas anuais e uma verba de R$ 300,00 mensais para investir em academia ou outro tipo de treinamento”, explica Rodrigo Queiroz, diretor de comunicação e marketing da empresa. Além disso, a empresa oferece um lanche da tarde natural, diariamente, com alimentos saudáveis, barras de cereais, frutas, sucos e iogurtes naturais. Luiza Blanco é uma das funcionárias que se beneficia com o programa da APPM. Desde que aderiu ao programa, ela pratica natação e musculação semanalmente. “Graças ao programa tenho mais estímulo para conseguir fazer toda a minha rotina diária, que inclui academia, trabalho, faculdade e família. Sem ele, talvez eu já tivesse ficado doente ou desistido de alguma destas coisas”, afirma Luiza. “Esta iniciativa não tem como objetivo gerar retorno financeiro”, observa Rodrigo Queiroz. “Queremos retorno humano, pois isto influencia no desempenho profissional. Nunca vi uma discussão ou desentendimento na empresa. Estar de bem com o corpo, com certeza, tem grande influência nisso”, conclui.

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Mas é importante ressaltar que este tipo de iniciativa pode trazer retorno financeiro. Investir em atividade física, significa prevenção de D.O.R.T´s (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho). Segundo estudo do economista José Pastora, da USP, o custo para empresas com acidentes de trabalho e doenças ocupacionais é de R$ 20 bilhões/ ano. Somente no primeiro ano de afastamento de um funcionário, a empresa gasta cerca de R$ 89 mil, com encargos sociais e pagamento de trabalhador temporário para substituição. Incentivar e investir em atividade física também é um bom negócio, portanto. “Hoje quem não investe em seu principal patrimônio que é o material humano, tende a perder espaço, até porque vai começar a perder bons funcionários para empresas que têm esta preocupação. Você passa 70% do seu tempo no trabalho e se este tempo não tiver qualidade, isso vai interferir, uma hora ou outra, na sua vida pessoal. As pessoas estão cada vez mais atentas a isso e muito menos dispostas a pagar este preço”, conclui Rodrigo Queiroz.


especial

e o oscar

vai para... Os dez filmes que ensinam e celebram a verdadeira magia do esporte

Por Gabriel Nicolatti

Nossos leitores já sabem da preocupação da Endorfina em levar sempre boas dicas de como praticar corretamente sua atividade física e seu esporte preferido. Por isso, na hora de descansar e, por que não, curtir um bom filme, a proposta não pode ser diferente. Pensando nisso, pedimos a ajuda do Crítico e Editor do Cinema em Cena (www.cinemaemcena.com.br) e membro da Online Film Critics Society, Pablo Villaça, para elaborar um Top10, com dicas dos melhores filmes sobre esporte. O resultado, você confere abaixo. Bom divertimento.

1 - Campo dos Sonhos (1989)

(Field of Dreams, EUA, 1989) – Aventura – 106 min. Jovem fazendeiro recebe mensagem do além para transformar sua plantação em campo de baseball, onde famoso jogador já morto deverá retornar para jogar novamente. Enquanto constrói a quadra, encontra várias personalidades já desaparecidas.

2 - Touro Indomável (1980)

(Raging Bull, 1980) – Drama – 129 min. Baseado em uma história real, conheça a história de Jake La 14 | REVISTAENDORFINA.COM.BR | SETEMBRO/OUTUBRO 2009

Motta (Robert De Niro), um exímio boxeador, um monstro nos ringues que detona tudo e todos dentro dos quatro corners, descontando em todos os seus adversários os golpes que a vida lhe dá.

3 - Desafio à Corrupção (1961)

(Hustler, The, 1961) – Drama – 134 min. Fast Eddy (Paul Newman) é um jovem jogador de sinuca, que desafia o lendário Minnesota Fats (Jackie Gleason), um dos principais jogadores de sua época, para um duelo, sonhando ser o maior de todos. Vencedor de 2 Oscars: Direção de Arte e Cinematografia em preto-e-branco.

4 - Rocky, um Lutador (1976)

(Rocky, 1976) – Drama/Romance – 119 min. Rocky Balboa (Sylvester Stallone), um boxeador considerado medíocre, tem a grande chance de sua vida quando lhe oferecem uma luta pelo título mundial, contra o grande campeão americano, Apollo Creed. Vencedor de 3 Oscar: Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Edição


5 - Linha de Passe (2008)

(Linha de Passe, 2008) - Drama – 113 min. Quatro irmãos precisam lidar com as transformações religiosas pelas quais o Brasil passa, assim como a inserção no meio do futebol e a ausência de uma figura paterna.

6 - O Lutador (2008)

(Wrestler, The, 2008) – Ação/Drama/Esporte – 115 min. Randy Robinson é um lutador profissional aposentado que continua a competir no circuito independente tentando voltar à elite para um último combate com seu antigo rival. Vencedor de Leão de Ouro no Festival de Veneza.

7 - Rudy (1993)

(Rudy, 1993) – Drama – 116 min. “Rudy” é baseado em uma história real e narra as dificuldades vividas pelo garoto Rudy Ruettiger (Sean Astin) para atingir o seu objetivo e o sonho de seu pai: entrar para a equipe de futebol americano do colégio Notre Dame.

8 - A Trágica Farsa (1956)

(Harder They Fall, The, 1956) – Drama – 103 min. Empresário de lutas de boxe, Nick Benko (Rod Steiger) promove um inocente peso-pesado argentino, Toro Moreno

(Mike Lane), que, apesar de ter tamanho e pesar quase cento e quarenta quilogramas, não sabe lutar. Assim contrata um jornalista desempregado, Eddie Willis (Humphrey Bogart), para promovê-lo.

9 - Carruagens de Fogo (1981)

(Chariots of Fire, 1981) – Drama – 123 min. Em 1924, dois atletas britânicos competem entre si nas Olimpíadas de Verão. Um deles é um missionário devoto que corre em nome de Deus. O outro é um estudante judeu que corre para ser famoso e escapar de preconceitos. Vencedor do Oscar de Melhor Filme, entre outros.

10 - Boleiros - Era uma Vez o Futebol... (1998)

(Boleiros - Era uma Vez o Futebol..., 19988) – Comédia/Esporte – 93 min. Em um bar de São Paulo, como fazem quase todas as tardes, um grupo de jogadores de futebol se reúne para aquelas conversas longas, desconexas e descompromissadas, típicas dos aposentados de qualquer profissão.


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especial

pilotanto o corpo e

a mente

Confira como o treinamento de um piloto de automobilismo vai muito além de se adaptar aos carros Por Gabriel Nicolatti

O automobilismo já gerou algumas discussões interessantes sobre ser ou não, tratado como esporte, por envolver diretamente a tecnologia na concepção e desenvolvimento dos carros, cada vez mais potentes o que, para alguns, deixa os pilotos em segundo plano. Porém, poucas pessoas conhecem realmente as exigências físicas e emocionais que recaem sobre um piloto de automobilismo. E são essas dificuldades que os transformam, sim, em atletas de altíssimo rendimento. “Nas provas da Fórmula 1 (F1), os pilotos trabalham com uma freqüência cardíaca extremamente elevada de, em média, 190 batidas por minuto, com picos de 220 e 230. Portanto, para suportar esse stress gigantesco, é necessário trabalhar a capacidade física preponderante na modalidade, que é justamente a cardiovascular”, explica o Professor Nuno Co-

bra Ribeiro, treinador de diversos pilotos da F1, como Ayrton Senna, Rubens Barrichello e Mika Hakkinen. Segundo ele, os treinos de um piloto se dividem em quatro etapas: a do trabalho cardiovascular, de coordenação motora fina (responsável por ordenar os movimentos do corpo de forma precisa), do equilíbrio dinâmico (capacidade do corpo de desenvolver múltiplas funções) e da capacidade de força e resistência na musculatura superior do atleta (ombros, pescoço e antebraços). O piloto Leonardo Cordeiro, atual líder da Fórmula 3 (F3) SulAmericana, conta como é, há mais de dois anos, a sua rotina de treinamento. “Eu vou à academia todos os dias, mas não trabalho com muito peso já que, é bom que se diga, o mais importante no treino de um piloto é a repetição de movi-


mentos - justamente o que irá me dar resistência nos músculos para o que é exigido durante uma corrida”, conta. Ele reforça, também, a importância do trabalho cardiovascular, mas lembra da necessidade de repouso e dos cuidados com a mente. “Aprendi que o repouso é quase tão importante quanto os exercícios. Além da academia, corro em dias alternados e procuro fazer exercícios cardiovasculares como o remo e a bicicleta. Tento trabalhar com um circuito de atividades, simulando o que é exigido durante as provas. Também procuro cuidar do psicológico para, em uma corrida, conseguir isolar outros pensamentos. Mais importante do que o trabalho físico é controlar as emoções”, define.

“Ayrton Senna era anti-social, mas extremamente obediente e dedicado nos treinamentos” Emoções que não são poucas a mais de 200 Km/H e que, muitas vezes, envolvem a condição do seu carro. “Um piloto precisa saber lidar muito bem com essa questão do carro. Muitas vezes você está num momento muito bom durante a prova e o carro te deixa na mão. É nessa hora que o piloto precisa ter a cabeça no lugar” opina Leonardo. Pensamento parecido com o do professor Nuno Cobra. “Acho que nós criamos as dificuldades. Cobrar-se demais é ruim e muitos pilotos acabam fraquejando por isso durante uma prova: esquecem de trabalhar a mente. Esse era o diferencial do Ayrton (Senna), que era um tanto anti-social, osso-duro-de-roer, mas extremamente obediente e dedicado nos treinamentos. Suas conquistas foram resultado de mais de dez anos de trabalho” lembra. Nuno aproveita para dar a dica àqueles que desejam ingressar no automobilismo. “É muito importante que os jovens pilotos sejam bem orientados, trabalhem sua condição cardiovascular com a freqüência cardíaca baixa, caminhando, correndo e fazendo exercícios físicos sem excesso de peso, com barras fixas e barras paralelas, por exemplo. Cuidar da mente é fundamental e, na minha opinião, para entrar em um carro de qualquer categoria do automobilismo, o piloto têm que estar em sua capacidade máxima, sempre” conclui.

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mercado esportivo

case de sucesso:

personal trainer Como sobreviver 20 anos em um mercado que ainda cresce de maneira desordenada

Por Eder Brito | Fotos: Sarita Freitas

- Vê se não fala palavrão na entrevista, hein? - Eu? Quem fala palavrão é você, Harry! Pode não parecer, mas as frases acima fazem parte do diálogo de um personal trainer com sua aluna. Um detalhe básico torna a dupla especial, no entanto. A aluna é Hortência Marcari, uma das maiores jogadoras de basquete da história da modalidade no mundo. O personal trainer é Harry Rosenberg, professor que orienta as atividades físicas da campeã há 13 anos. “Depois que eu parei de jogar, comecei a frequentar academia e conheci o Harry. Eu nem penso no meu treinamento, deixo tudo para ele. O que ele manda fazer, eu faço, não questiono. Ele sabe que eu não sou mais atleta, mas quero manter a saúde e manter o meu corpo. O trabalho que ele faz é totalmente baseado nisso”, explica Hortência. Harry também é professor de outro campeão do esporte nacional: Éder Jofre. “Só tive dois técnicos em minha vida. Meu pai, Kid Jofre e o Harry”, afirma Eder, cujo pai também é um dos maiores nomes da história do boxe no Brasil. “Eu o conheci na Fórmula Academia (local em que o professor dá aulas, nos Jardins, em São Paulo). Quando o vi, pensei ‘este cara dá umas aulas legais’”. Para Eder, a preocupação e a versatilidade do professor também influenciam na escolha. “Ele é cuidadoso, tem sensibilidade para respeitar o ritmo de cada um. Se ele percebe que não estou rendendo, dá um tempo e incentiva”, revela. “Todo personal precisa ter as qualidades que o Harry tem. Ele é alegre, divertido, alto astral e compe20 | REVISTAENDORFINA.COM.BR | SETEMBRO/OUTUBRO 2009

tente. Um personal que convive contigo todo dia, precisa ter um perfil assim”, avalia Hortência. Para Harry, o segredo de manter os mesmos (e famosos, por que não?) alunos por muito tempo é simples: treinamento realmente exclusivo. “A minha postura é igual para todos os meus clientes”, explica Harry. “O trabalho é individual e trato cada um conforme suas necessidades”. Hortência e Eder Jofre são apenas dois dos casos de bom relacionamento e bons resultados que compõem o currículo do personal. “As empresárias Donata Peixoto e Sarah Assunção também treinam comigo há 15 anos. Tiveram resultado visível, tanto na estética quanto na saúde”, lembra.

Mercado em expansão Harry é um bom exemplo de um mercado que cresce cada vez mais no país. Segundo dados de 2008 da Sociedade Brasileira de Personal Trainers é cada vez mais duradouro o vínculo dos personal trainers brasileiros com seus alunos. 63% dos alunos permanecem mais de 24 meses fazendo treinamentos periódicos e pagando mensalidades. Ainda de acordo com a mesma pesquisa, cada personal trainer brasileiro atende 9,8 alunos em média, totalizando um total de 20,4 sessões semanais. Este número sugere que a atividade profissional vem crescendo no Brasil, já que cada personal tem 5 sessões diárias.


O valor médio cobrado por sessão é de R$ 58,11. Cada personal trainer brasileiro ganha R$ 4.735,27 mensais em média, valor que sugere que este segmento do mercado de educação física é mais atraente do que outras possibilidades do setor. Personal Trainers no Brasil Os primeiros personal trainers brasileiros surgiram na década de 80, época em que eles ainda recebiam a denominação “professores de ginástica particulares”. O perfil do cliente mudou bastante. A maioria era formada por empresários da classe A e suas esposas e as aulas quase sempre aconteciam na casa dos clientes, ambiente que hoje já foi quase totalmente substituído pelas academias ou parques públicos. O aumento do interesse do povo brasileiro pela atividade física e o aumento do número de cursos superiores de educação física na década de 90 influenciaram diretamente no crescimento do mercado. O aumento da concorrência diminuía o preço do serviço. Nos anos 2000, manteve-se a grande oferta de profissionais de Educação Física, característica que ajuda a “empurrar” estes professores para o mercado de personal training.

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atividade física

Primeiros passos Como começar bem e não transformar a atividade física em inimiga

Por Eder Brito

Todo mundo que começa a praticar atividade física quer atingir bons resultados. De preferência o mais rápido possível. Esta ansiedade pode ser a grande culpada pelo aparecimento de lesões e outros tipos de problemas de saúde. Muita gente acaba iniciando o treinamento de forma amadora, sem avaliação médica e sem acompanhamento de profissionais realmente formados para tal. Falta de orientação e maior força física no treinamento também significa mais esforço para as articulações. Traumas de ligamentos, fraturas, problemas cardiovasculares e deslocamentos são alguns dos resultados que aparecem neste caso. “Antes de iniciar a atividade física todos devem fazer avaliação médica. O que se faz em alguns casos é um exame físico muito simples, que atesta sem nenhum tipo de detalhe que o coração e as articulações estão boas. O atestado médico não pode dizer apenas que o indivíduo está apto ao exercício físico. Precisa indicar o tipo de exercício físico”, 24 | REVISTAENDORFINA.COM.BR | SETEMBRO/OUTUBRO 2009

explica Nabil Ghorayeb, Coordenador do Sport Check Up do HCor (Hospital do Coração). “O básico para todo mundo que vai para uma academia é uma consulta e um eletrocardiograma. E quem tem antecedentes familiares e passados de qualquer problema cardiológico, deve se submter também a um teste ergométrico, obrigatoriamente”, alerta. Com mais de 35 anos de experiência em medicina esportiva, Nabil também concorda que é importantíssima a parceria entre o médico e o profissional de educação física que vai acompanhar o dia-a-dia do indivíduo. “O médico dá os limites, o ponto de freqüência cardíaca e até identifica prováveis problemas articulares. O profissional de educação física é informado e ele é quem vai garantir que o treinamento respeite estes limites”, afirma. O estudante Nobuyuki Tateoka, 23 anos, entrou para as estatísticas de pessoas que sentiram na pele os maus resultados da falta de orientação. “Coloquei dez quilos a mais nos


pesos durante um exercício de agachamento. Minha perna não agüentou”, explica Tateoka, que já treinava atletismo há quatro anos. Ele quebrou três vértebras, teve a medula comprimida e ficou duas semanas sem andar. “Foi um pouco de falta de atenção da minha parte, mas também fui orientado por uma pessoa que não conhecia minha realidade de treino”, revela. Até agora, seis meses depois do acidente, ele ainda não voltou a treinar. Além de situações extremas como a história de Nobuyuki,

os problemas mais comuns decorrentes da falta de orientação ou exagero nos treinos são tendinites e lesões musculares. “Isso acontece mais porque as pessoas não conhecem o próprio limite. A pessoa imagina estar agüentando e vai em frente”, analisa o doutor Ghoraeyb. Mas o que fazer depois que a lesão já apareceu? “Não procure o fisioterapeuta diretamente. Um médico ortopedista precisa analisar esta lesão e informar que tipo de tratamento deve ser feito”, recomenda.


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Recomendações Essenciais Antes de começar qualquer atividade física, procure sempre um especialista; Buscar informações iniciais sobre sua situação clínica sempre com o médico;

Realizar alongamento antes e depois do exercício. Isso deixará a articulação mais flexível e menos propensa a sofrer uma contusão; Ao primeiro sinal de dor, pare a atividade;

Fazer pelo menos um eletrocardiograma anual (e exigir o laudo de um cardiologista);

Pratique regularmente a atividade, para manter os músculos fortes;

Procurar um médico imediatamente ao sentir qualquer anormalidade durante a prática da atividade física escolhida;

Não aumente a carga no treino sem a orientação de um professor. Muito peso sobrecarrega as articulações;

Não exagerar no treinamento. Não tente ir além do seu limite. Músculos cansados aumentam o risco de lesão; Escolher o material adequado para o esporte de sua preferência;

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Escolha o calçado ideal. Calçados inconvenientes provocam lesões nas articulações. Tênis sem bons amortecedores causam lesão de tendão; Indivíduos com mais de 40 anos devem praticar atividade física com intervalos acima de 24 horas entre o fim de um treino e o início de outro.


vida saudável

gripe suína

Academias adotam novas rotinas de higiene pessoal e limpeza de equipamentos para ajudar na prevenção ao vírus H1N1

Por Ricardo Gomes

Com o aumento do número de infectados pela gripe suína, a rotina de muitas academias de São Paulo ganhou algumas mudanças preventivas. Comprovadamente recomendado para higienização cutânea, o álcool em gel vem sendo oferecido aos alunos habitualmente, e os aparelhos usados na malhação também estão recebendo atenção especial no momento da limpeza. “As pessoas estão mais preocupadas com os cuidados de higiene. Aqui passamos a incentivar o uso de álcool gel e orientamos os alunos a fazer limpeza de equipamentos e colchonetes”, diz Leandro Borges, instrutor da Academia Sport&Cia, localizada na zona sul de São Paulo. Marcos Carvalho, frequentador da academia Bio Ritmo, não deixou de praticar exercícios diários, mas afirmou ter tomado precauções. “Não largo mão da minha rotina assim como quem precisa andar de metrô não deixa de trabalhar. Tomo alguns cuidados de limpeza, mas não acho que as pessoas devam se apavorar”, afirma.

O vírus da gripe sobrevive por dias ou até mesmo semanas em superfícies secas. Evidências apontam que as pessoas podem se contaminar ao trivial contato em superfícies contaminadas. Para o médico Lourival de Oliveira, apesar de ser necessário ser previdente com a limpeza pessoal e de equipamentos, ninguém precisa abandonar a academia. “Se a pessoa estiver com qualquer sintoma de mal estar e indisposição, é melhor que ela repouse e fique afastada por alguns dias. Mas, sem qualquer sintoma, ela pode continuar frequentando desde que tome cuidados de higiene”, diz. O médico fisioterapeuta Marcelo Santos acredita que o papel dos instrutores de academia é fundamental na orientação de prevenção ao vírus H1N1. “O foco é orientar. Tem gente que pega uma gripe, mas não consegue deixar de ir à academia. Os instrutores devem orientar os freqüentadores a se afastarem caso estejam com qualquer sintoma de gripe”, conta. Além das orientações dos profissionais, os usuários devem estar atentos à infra-estrutura da academia. É importante


que o local seja bem ventilado, dotados de janelas, preferencialmente, sempre abertas. “O ambiente muito fechado com pouca circulação de ar aumenta os riscos de contágio. É preciso tomar cuidado com esses locais”, reitera o médico Lourival. Há ainda academias que oferecem aulas de variados tipos de dança, como dança de salão e forró, atividades que tornam inevitável o contato entre os alunos. “Nossos professores estão sempre orientando os alunos a ficarem atentos a qualquer tipo de manifestação de gripe”, relata Marisa Miyanishi, proprietária da academia Jazz Walk. A Organização Mundial de Saúde (OMS) orienta que pessoas que apresentem sintomas como febre acima de 39ºC, falta de apetite, dores musculares e tosse procurem o posto médico mais próximo de sua casa.

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especial

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Conheça o histórico de treinamentos que transformou César Cielo em Por Eder Brito | Fotos: Satiro Sodré – CBDA

herói do esporte brasileiro


“Minha primeira conquista veio quando eu tinha 8 anos, nadando uma prova dos 25 metros livre, num festival do Barbarense” Quando César era pequeno, a família sempre ia passar as férias na praia. Acostumados com o clima do litoral, os pais queriam que ele aprendesse a se virar no mar sozinho, para que eles não precisassem ficar o tempo todo de olho no garoto e, claro, para que ele se divertisse mais e pudesse aproveitar melhor a infância. Por isso incentivaram-no a aprender a nadar. O único brasileiro a conquistar uma medalha de ouro na natação, campeão mundial dos 50 e dos 100 metros livres (nesta última ele também é o dono do recorde planetário) e maior nadador brasileiro de todos os tempos não poderia ter começado neste esporte de maneira mais natural e simples. César Augusto Cielo Filho, nascido em 10 de janeiro de 1987, também já tinha experimentado o judô. Como sempre foi mais alto que os garotos de sua idade, acabava lutando contra atletas de categorias superiores e perdia. Acabou desistindo da modalidade. Também tentou o vôlei, quando ainda estava no ensino fundamental, mas era sempre na natação que ele encontrava os bons resultados. “Minha primeira conquista veio quando eu tinha 8 anos, nadando

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uma prova dos 25 metros livre, num festival do Barbarense (clube onde começou a treinar, em Santa Bárbara D´Oeste, terra natal). Fiz os 25 metros em 18 ou 19 segundos. Mas o que me inspirou a continuar nadando foi chegar em primeiro”, relembra. No interior, também chegou a treinar no Clube de Campo de Piracicaba, mas foi em São Paulo, no Esporte Clube Pinheiros, que ele começou a enxergar a natação de uma maneira diferente. Graças a mãe, Flávia Cielo, professora de educação física. “Conheci o Alberto Silva, técnico do Pinheiros, em um curso que fizemos em Campinas” lembra a mãe. O técnico foi apresentado a César Cielo e convidou o garoto de 16 anos para treinar em São Paulo. “Tive medo de mandar o meu filho com apenas 15 anos para São Paulo. Mas o Albertinho ligou e disse: ‘E se for para treinar juntamente com o Gustavo Borges?’ Falei com o Cesão (como os familiares chamam o nadador): “Aí não tem jeito, temos de aceitar.”, explica Flávia. “Vir para São Paulo foi uma das melhores decisões que tomei em minha vida. Não me arrependo de nada do que fiz. Se tivesse mudado algo lá atrás, teria quebrado o elo


e talvez não tivesse chegado a este resultado”, reflete César.

das de Pequim 2008. Com experiência de ter disputado duas olimpíadas como nadador, Brett tinha vantagens sobre outros profissionais. “Ele é técnico há três anos, já tem alguma experiência, mas ainda pensa como nadador. Acho que isso ajudou muito o nosso relacionamento”, explica Cielo.

Cielo treinou ao lado de Gustavo pouco mais de dois anos. Ficou muito conhecida a história do incentivo dado por Gustavo, ao presentear Cielo com o maiô (uma calça fast skin, pele de tubarão) que usou nas Olimpíadas de Atenas/2004, em sua despedida O nadador ganhou uma da seleção brasileira. A peça, autografada pelo ídolo, foi emoldurada e ganhou es- bolsa de estudos para a paço numa das paredes da casa de Cielo. Universidade de Auburn.

Os caminhos em Auburn nem sempre foram agradáveis, no entanto. Nos primeiros anos de faculdade, Cielo teve de assinar um contrato de bolsa que proibia o atleta de fazer muitas coisas. “Eu Chegou em solo nortePreparativos e Privações me comprometia a não beber, não sair americano no ano de A velocidade e a técnica de Cielo cresce- 2006, aos 19 anos de idade, e confirmava que tentaria não me envolver emocionalmente com alguém, ram e o levaram para os Estados Unidos. em meio ao inverno do próximo ao período de competições, O nadador ganhou uma bolsa de estudos Alabama pois isso poderia atrapalhar. No comepara a Universidade de Auburn. Chegou ço eu pensava que era exagero. Mas em solo norte-americano no ano de 2006, depois vi que não dá para fazer nada disso treinando para aos 19 anos de idade, em meio ao inverno do Alabama. Além uma Olimpíada”, afirma o nadador. “Eram apenas sugestões de treinar para defender as cores da equipe pentacampeã para que eu e todos os atletas evitássemos ter qualquer tipo americana, Cielo escolheu o curso de comércio exterior com de estresse e nos concentrássemos nas competições. No esespecialização em espanhol para sua graduação. porte é assim: você sempre se priva de fazer coisas que outras Foi treinando em Auburn que Cielo começou a trabalhar pessoas fazem porque tem uma rotina de treinos, descanso, com o australiano Brett Hawke, técnico de 32 anos que fez competições, viagens. Não dá mesmo para fazer certas coisas os últimos meses de preparação do atleta para as Olimpía- quando se está preparando para alguma coisa. O jeito é fixar


objetivos”, desabafa.

te mundial.

Além das reflexões e privações, os EUA também trouxeram Os 21 segundos e 30 centésimos necessários para percoros primeiros grandes títulos. Cielo ganhou dez títulos no forrer os 50 metros da piscina foram mais te circuito universitário norte-americarápidos do que os abraços da família No esporte é assim: você sempre no, sempre competindo de perto com na saída do Cubo D´Água. Mas foram se priva de fazer coisas que os maiores nomes da natação mundial. suficientes para a conquista do recorde outras pessoas fazem porque “Eu olhava de um lado e via o Michael olímpico e para revelar um novo ídolo tem uma rotina de treinos, Phelps. Olhava para o outro e estava o do esporte nacional. “Ainda hoje escudescanso, competições, Ian Crocker. O nível é incrível e a quantito das pessoas, por onde circulo, que viagens. dade de competições também”, avalia. vibraram e choraram comigo. Ganho o dia quando alguém fala isso”, revela. “Foi um dia em que deu Vinte e um segundos tudo certo. Consegui uma coisa que busquei a vida inteira.” César Cielo caminha em direção à saída do Centro Aquático Além do ouro nos 50m livre, Cielo também levou o bronze Nacional da China, mais conhecido como Cubo D´água, lo- nos 100m livre. cal que recebeu as competições de natação durante os JoA história tinha começado a ser escrita em 2007, quando gos Olímpicos de Pequim, em 2008. Ele caminha tranqüilo, Cielo conquistou quatro medalhas no Pan-Americano do com passadas descontraídas ao lado de outros integrantes Rio, três delas de ouro. Foi lá que ele conseguiu quebrar a da comissão técnica brasileira. Ao chegar rapidamente do barreira de 21 segundos, marca que mais tarde lhe garanlado de fora, ele se depara com os pais e com a irmã. A impatiriam o ouro no Mundial e nas Olimpíadas. “Eu realmente videz e a tranqüilidade do gigante de 1,95m, dão lugar a um fiquei muito feliz com o tempo que conquistei no Pan. A garoto de 21 anos, com semblante inofensivo, debulhandomarca de 21 segundos é uma grande barreira que existe na se em lágrimas, emocionado, provavelmente pensando o natação. Muita gente abandona o esporte sem atingir essa quanto aquelas três pessoas haviam ajudado a conseguir a marca. Fiquei muito feliz de conseguir isto com apenas 20 sua última conquista: a medalha de ouro das Olimpíadas. A anos”. primeira medalha de ouro na história da natação brasileira. Cielo acabara de entrar definitivamente no mapa do espor- Dias de Treinamento

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PRINCIPAIS CONQUISTAS Ouro nos 50m livre – Mundial de Roma 2009 Ouro nos 100m livre – Mundial de Roma 2009 Ouro nos 50m livre – Olimpíada de Pequim 2008 Bronze nos 100m livre – Olimpíada de Pequim 2008 Ouro nos 50m livre - Pan-Americano do Rio 2007 Ouro nos 100m livre – Pan-Americano do Rio 207 Ouro no Revezamento 4 x 100m livre - Pan-Americano do Rio 2007 * Olimpíada de Pequim 2008 Recorde Olímpico dos 50m livre – 21.30s em 16/08/2008 * Mundial de Roma 2009 Recorde Mundial 100m livre – 46.91 em 30/07/2009

César Cielo conquistou quase todos os feitos que um nada- de acordar. Parecia que eu tinha acabado de ir para a cama, dor profissional poderia ter conseguido em um curto perío- de tão cansado que eu estava”. A dieta balanceada que comdo de tempo. Qualquer um há de concordar que o esforço plementa os treinamentos de Cielo foi elaborada pelo pai (César, que é médico) e pela mãe, Flávia. de treinamento não deve ser dos mais São de 6 a 8 mil calorias diárias que infáceis. “Meu treino varia de acordo com “Meu treino varia de acordo cluem shakes de whey protein, aminoáo planejamento técnico e o momento. com o planejamento técnico cidos BCAA e maltodextrina. No início da temporada rodamos muitos e o momento. No início da metros na piscina. Perto de competições temporada rodamos muitos Motivo de polêmica nos campeonatos descansamos mais. Mas na rotina diária, metros na piscina. Perto de mais recentes, os novos maiôs também eu treinava de manhã bem cedo, de ma- competições descansamos fazem parte do dia-a-dia de Cielo. No drugada ainda. Começava a nadar por mais. entanto, o nadador avalia que a roupa volta de 5h30, 6 horas. Nos dias de treiescolhida para nadar é apenas uma das nos duplos, eu me dedicava à natação partes essenciais do processo em busca dos bons resultapor seis horas, em média. Nos dias de treinos simples, eram dos. “Defendo a mesma condição para todos. A gente está três horas, em média”, revela. jogando o jogo e quando você está em um lugar onde os O tempo diário na piscina é apenas uma das partes impor- oito estão em condições de igualdade, não há porque reclatantes do treinamento de Cielo. Outras atividades físicas e mar. É buscar a melhor roupa e nadar o mais rápido possível. exercícios fazem parte de sua rotina de treinos. “Faço mus- A gente sabe o que tem de fazer e o maiô não influencia culação, trabalhos biomecânicos e tenho muitos cuidados tanto”. com a alimentação”, afirma. E a rotina de recordista mundial, obviamente, não é das menos cansativas. “Outro dia eu deitei às dez da noite e quando eram 7 horas da manhã, eu tinha 36 | REVISTAENDORFINA.COM.BR | SETEMBRO/OUTUBRO 2009


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atividade física

estranhamente

eficiente

Simplórias e até democráticas, Punhobol, Flag Footbal, Esgrima e Tchoukball driblam o ostracismo e viram rota alternativa para quem busca ganhos físicos e motores Por Ricardo Gomes

A despeito de esportes de grande propagação no cenário nacional e comumente praticados, algumas disciplinas vivem diante do quase desconhecimento e da indiferença aos olhos do grande público. Não só seriam fadadas ao descaso como a consequente, e dramática, extinção se não fossem as suas propriedades no universo físico e psicológico. É o caso de gêneros como o Punhobol, o Flag football, o Tchoukball e a Esgrima, que aos poucos “saem do escuro” e assumem papéis alternativos para a aquisição de uma rotina regular de exercícios físicos. O Punhobol, por exemplo, só perde para o voleibol como a categoria jogada coletivamente mais vitoriosa em todos os tempos no Brasil- são 17 títulos internacionais - e, ainda assim, o não reconhecimento de suas inúmeras qualidades prevalece. “A possibilidade de a bola quicar no chão entre cada contato dá um grande recurso de tempo e por ser praticado com um só dos braços de cada vez torna os movimentos muito naturais num primeiro momento”, assegura Gastão Englert, treinador dos selecionados nacionais masculino e feminino da modalidade. Jogado em uma quadra dividida por uma linha, rede, fita, ou corda, cuja finalidade é a de distinguir os dois quintetos, o Punhobol tem um modelo de disputa simplório. Cada conjunto deve se propor a rebater a bola sobre a rede (fita ou corda) de maneira a impedir ou pelo menos dificultar a sua devolução pelo adversário Uma jogada perdura até que uma equipe cometa um erro ou haja outro tipo de interrupção. Cada erro cometido por uma equipe contabiliza um ponto positivo para o oponente. Estima-se que o número de adeptos da atividade em território brasileiro beire os 2.500, sendo destes, cerca de 1500 participantes ativos de competições oficiais no mínimo em nível nacional. A Alemanha (100 mil), seguida por Áustria (30 mil) e Suíça (10 mil) continuam sendo os países em que o Punhobol mais arregimenta praticantes. De acordo com Gastão, paralelo a fórmula singela de operação, os benefícios acarretados ao terreno físico e psicológico também atraem cartazes à modalidade. “Fisicamente, exige muita agilidade e velocidade em função da grande área a ser coberta. Resistência e explosão para atacantes e levantadores e muita noção de espaço e tempo para a leitura da chegada da bola. Do ponto de vista psicológico, temos a grande necessidade de trabalho em equipe e doação em relação à estratégia e suporte a


outros jogadores em momentos difíceis. Capacidade de tomar decisões em momentos de muita pressão, e lidar com o stress”. Já o Flag football, um dos vários tentáculos do futebol americano, caracteriza-se a cada ano como um rompedor das barreiras da indiferença para se propalar pelos mais diferentes rincões da cidade de São Paulo. Nem a carência de um local exclusivamente destinado a sua prática impede que a modalidade conserve a sua linha de massificação e fixe uma liga forte e autônoma. “O Flag football tem sido praticado em varias escolas de ensino médio. Hoje já temos professo-

um esgrimista comum adquire aumento da força, equilíbrio e habilidades corporais, melhoria na resistência muscular, desenvolvimento da coordenação motora e do poder de concentração. res de educação física sendo capacitados para poder ensinar a prática segura deste esporte”, sublinha Renato Grassiotto, atleta da seleção brasileira e paulista de futebol americano. Ao contrário da versão visceral do futebol americano, onde a competitividade praticamente se resume a empurrões, ombradas e outros movimentos agressivos utilizados invariavelmente para interromper o progresso dos atacantes, no flag football, os defensores puxam uma espécie de bandeira (flag, em inglês) presa na cintura do oponente para detê-lo. “O futebol americano talvez seja a modalidade mais ‘democrática’ do mundo. Em um mesmo campo de jogo podemos encontrar jogadores extremamente fortes e pesados disputando uma mesma jogada com outro atleta mais leve e relativamente mais fraco. Por ser extremamente tática e física, possibilita aos praticantes uma oportunidade única de unir características atléticas e psicológicas”, arremata Grassiotto. No caso da esgrima, esporte que faz parte do programa olímpico desde os Jogos de 1896, a gama de valores é ainda maior. Além da “nobreza” que o acompanha, um esgrimista comum adquire aumento da força, equilíbrio e habilidades corporais, melhoria na resistência muscular, desenvolvimento da coordenação motora e do poder de concentração. A esgrima é um esporte de combate em que os competidores (esgrimistas) utilizam armas brancas (florete, sabre e espada) para atacar e defender. O competidor ganha pontos quando toca a região do tronco do adversário com o florete. Outra modalidade de acanhado 40 | REVISTAENDORFINA.COM.BR | SETEMBRO/OUTUBRO 2009

apelo, mas que tem grande reverberação no condicionamento atlético quando praticado com periodicidade é o Tchoukball. Concebido após minuciosas pesquisas conduzidas por Hermann Brandt, respeitado médico suíço, nos idos dos anos sessenta, o Tchoukball surgiu como um antídoto aos esportes eminentemente “agressivos”, que levavam atletas de alto nível e plenamente afeiçoados à profissão a serem acometidos por graves lesões ou tramautismos, decorrentes de movimentos inadequados à sua própria fisiologia. Trata-se de um esporte coletivo que se joga com uma bola e duas superficies de remissão (quadros), cuja principal peculiaridade se dá pela eliminação de todas as formas de embates corporais entre os adversários. Pelo seu caráter lúdico, o tchouk-Ball é conhecido por incitar cada individuo a desfrutá-lo independentemente da sua idade, sexo ou capacidade atléticas.


mercado esportivo

endorfina

ao ar livre Você conhece as assessorias esportivas?

Por: Eder Brito

Orientação permanente para treinamento. Esclarecimento constante sobre as principais dúvidas de quem pratica atividade física. Dicas de alimentação. Ajuda constante de uma equipe multidisciplinar. Acompanhamento nas principais provas de corrida do calendário nacional. O que poderia ser a lista de opções de uma grande academia ou a descrição do trabalho de um personal trainer, na verdade é uma demonstração do que é oferecido por um serviço que vem crescendo muito e ganhando adeptos em todo o país: as assessorias esportivas. O objetivo é muito simples: assessorar pessoas que querem praticar atividade física de forma saudável e profissionalmente orientada, sempre ao ar livre, em parques, praças e outros espaços públicos. Na cidade de São Paulo já são aproximadamente 100 assessorias cadastradas na ATC (Associação dos Treinadores de Corrida), órgão fundado para coordenar, regulamentar e fiscalizar a atuação das assessorias no município. “Há 15 anos atrás éra42 | REVISTAENDORFINA.COM.BR | SETEMBRO/OUTUBRO 2009

mos no máximo cinco assessorias”, explica Mário Sérgio Andrade, diretor técnico da Run & Fun, fundada em 1994 e uma das primeiras assessorias esportivas estabelecidas na cidade de São Paulo. Para ele, o crescimento deste tipo de serviço, está diretamente atrelado ao número de corridas de rua. “O mercado de corrida vem crescendo, a prática de corrida vem crescendo e a preocupação das pessoas com a qualidade de vida também. Para o mercado de assessorias, este crescimento é benéfico”, analisa Mário Sérgio. Além de atender “pessoas físicas” que buscam um serviço diferenciado, as assessorias também tem seu crescimento atrelado ao número de empresas que resolve oferecer o serviço de orientação esportiva aos funcionários. A Run & Fun, por exemplo, atende funcionários de grandes empresas como Itaú, Bauducco, Ericsson, Mastercard, Nike e Red Bull, só para citar alguns poucos exemplos. “Em quinze anos, eu nunca precisei vender os serviços da Run & Fun. As empresas e os


alunos vem atrás da gente ou são indicadas por outras pessoas e empresas que já utilizam o serviço”, revela.

sessoria foi essencial para me fazer escolher o serviço”, analisa Vanessa.

Os perfis de quem procura os serviços de uma assessoria esportiva são bem variados. Além das indicações de outros clientes, também existem pessoas que receberam ordens médicas para começar a se preocupar com atividade física. Um terceiro grupo é formado por pessoas que simplesmente tem vontade de melhorar a qualidade de vida, seguido do grupo de pessoas que já caminham ou correm sozinhas e acabam descobrindo o trabalho das assessorias durante este “dia-adia esportivo”. “As pessoas que já treinam em parques cruzam com os nossos grupos e vêem como o astral é diferente. Acabam entrando para a nossa turma”, diz Mário Sérgio.

As assessorias não são boa opção apenas para alunos e empresários. Os profissionais de educação física selecionados para ministrar os treinamentos também encontraram uma boa alternativa financeira neste segmento. Ana Carla Fernandes, treinadora da Gentili Assessoria Esportiva abandonou a educação física escolar há dois anos e parece não estar arrependida. “Um profissional na área escolar precisa de dois ou três turnos para conseguir um bom salário. Na assessoria você consegue tirar o mesmo dinheiro em uma carga horária muito menor”, avalia Ana Carla. Além das vantagens econômicas, a treinadora também acredita que existem vantagens profissionais oferecidas para quem entra no ramo das assessorias esportivas. “Eu tenho que buscar mais informações e ser muito mais objetiva. Os alunos estão lá porque querem e exigem um treinamento específico e atenção qualificada. Quem procura uma assessoria busca atenção especial, quer rendimento e resultados. O aluno da assessoria quer ser especial e o professor tem que corresponder a este desejo”, avalia.

Vanessa Santos, advogada de 33 anos, é uma destas alunas recém-chegadas ao mundo das assessorias. “Eu levava uma vida totalmente sedentária até outubro do ano passado. Agora treino duas vezes por semana. Faço corrida e alongamento”, revela. “A principal vantagem é praticar o esporte ao ar livre. O ambiente é fundamental. A descontração é maior, o clima é maior, a interação é maior. Esta parte social da as-


Outro desafio para o profissional que escolhe esta área são os horários. Os profissionais de assessoria trabalham sempre aos finais de semana e feriados e em horários pouco comuns durante os dias úteis. “Precisamos de profissionais diferenciados, realmente comprometidos. Conheci pessoas que tinham tudo para ter assessorias grandes e desistiram porque não quiseram ter esta disponibilidade”, analisa Mário Sérgio da Run & Fun. “Trabalha-se aos finais de semana e aos feriados, mas a experiência técnica e o retorno econômico valem muito a pena”, confessa Ana Carla. Uma dúvida que sempre ronda o mercado é se as assessorias esportivas e academias de ginástica são concorrentes. “Nós sempre defendemos que nossos alunos freqüentem academias. O ideal é complementar o trabalho desenvolvido indo a uma academia. Quem vislumbra benefícios completos, sabe que resultados bons na musculação só surgem quando eles freqüentam uma boa academia”, analisa Mário Sérgio.

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vida saudável

medicina

ortomolecular Descubra o que é isso e como ela ajuda a prevenir doenças e manter uma alimentação saudável

Por Diogo Patroni

Diversas vezes vemos e ouvimos que uma alimentação balanceada torna o organismo mais saudável, dificultando o aparecimento de doenças. No entanto, poucos conseguem seguir à risca a chamada “pirâmide alimentar”, que enfatiza o consumo de cinco porções de tubérculos e massas, de quatro a cinco de frutas e hortaliças, duas de leites e derivados e uma de carne, ovos, gorduras e açucares. Enfim, por diversos fatores atrelados ao corre-corre do dia-a-dia, nos alimentamos de forma errada e muitas vezes sem a reposição adequada de nutrientes. Pensando em uma alternativa de combate a este contexto, surge a medicina ortomolecular, ou nutrição celular, um complemento à ingestão necessária de vitaminas e sais minerais. Ao contrário do que muitos pensam, este tipo de tratamento não pode ser encarado como dieta, e sim como alternativa para o equilíbrio metabólico do corpo. A medicina ortomolecular é indicada a todos e não tem restrição de idade. O tratamento se baseia na análise funcional do organismo, ou seja, o complemento nutricional do paciente é medido através de uma simples gota de sangue, ou de um teste de urina. Dali é possível saber quais as disfunções nutricionais de cada um. Segundo o doutor Antonio Pacileo, especialista em nutrologia pela Associação Médica Brasileira, “nem tudo o que é digerido é absorvido pelo organismo. O que você come não é o que você absorve. A nutrição celular surge para complementar à falta dos nutrientes necessários, e também para prevenir eventuais patologias”, destaca. Nos testes é possível saber se o paciente sofre de insuficiência vitamínica, ou se revela tendências à obesidade e doenças cardiovasculares. Apesar de ser

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calcada na ingestão de vitaminas, sais e aminoácidos, o especialista alerta que o paciente não deve criar um tratamento por conta própria. “Cada um reage de uma forma, nem sempre alguém que possui disfunção de vitamina B12 vai conseguir repor tomando apenas uma cápsula. Nós fazemos um tratamento aprofundado da função mitocondrial e analisamos o que o paciente precisa para compensar essa falta de nutrientes. Às vezes intensificamos a ingestão de cálcio presente em alimentos, como carne, leite, queijo e ovos ”, ressalta Pacileo. O especialista reitera que na Dinamarca, foi feita uma pesquisa com duas mil crianças, baseada na nutrição celular. O objetivo era analisar o desenvolvimento de cada um. A metade que passou pelo acompanhamento ortomolecular obteve desempenhos mais satisfatórios na escola quando comparada àqueles que não fizeram nenhum tipo de tratamento. “Quanto mais cedo a criança iniciar o tratamento é melhor, pois assim conseguiremos desenvolver o equilíbrio e trabalhar na área preventiva, antes da patologia”, afirma


atividade física

compostos ou

complexos?

Conheça o nome de alguns dos principais exercícios praticados nas academias

Por Diogo Patroni

Leg Prees, Supino, Desenvolvimento Arnold, Rosca Scott, Aparelho Smith, são todos exercícios tradicionais e presentes em qualquer academia. Mas será que sabemos o porquê destas nomenclaturas? Desenvolvimento Arnold: O nome faz alusão a principal personalidade que revelou ao mundo o culto da boa forma. Na década de 70, Arnold Schwarzenegger foi o precursor de um novo tipo de movimento com os ombros, que lhe possibilitaram fortalecer a região dos deltóides (ombros). O exercício consiste em elevar os halteres (com os cotovelos flexionados) sobre a cabeça e em seguida deve-se rotacionar os braços e trazê-los para baixo. Rosca Scott: Assim como o Desenvolvimento Arnold também possui certa ligação com o astro dos cinemas. Mas desta vez o precursor foi Larry Scott, ou Mister Olímpia, como é chamado. Scott era o personal trainer de Arnold e buscava uma forma de desenvolver e forçar mais a musculatura do bíceps. Foi então que aperfeiçoou uma técnica utilizada por Vince Gironda, o apoio do braço na prancha. Ele passou a executar a “rosca na prancha”, cujo movimento consiste em flexionar o antebraço num plano inclinado forçando a musculatura dos bíceps. Aparelho Smith: O aparelho é uma re-adaptação da versão originalmente feita por Jack La Lanne, em 1950. Rudy Smith viu que era necessário criar algo mais completo (multiuso) e que possibilitasse esforços mais localizados. Desta forma instalou no ginásio Vic Tanny’s, em Los Angeles, aquela que seria a sua versão até então. Com o sucesso de seu aparelho, Smith se tornou um dos executivos mais influentes da rede de academias Tanny’s. O equipamento ganhou seu nome e 48 | REVISTAENDORFINA.COM.BR | SETEMBRO/OUTUBRO 2009

hoje é um dos mais comercializados em todo o mundo. Ao exercício é dado o nome de agachamento Smith, pois o usuário segura uma barra reta e ao se abaixar cria um impacto maior nos membros inferiores, superiores e também no tronco. “O aparelho Smith possui uma gama maior de variações de exercícios, podendo ser utilizado mais amplamente, enquanto a Rosca Scott é um exercício específico para integrar um treino de bíceps”, explica Alexandre Passos, personal trainer da Academia Cia. Atlética. “O menos utilizado dos três é o Arnold voltado para o fortalecimento dos deltóides. Ele engloba sobrecarga maior sobre a coluna vertebral necessitando de maior aporte abdominal”, ressalta. Ainda segundo o personal trainer, a nomenclatura desses exercícios possibilitou a derivação de uma série de outros. “Os três citados envolvem nomes de pessoas. Os demais geralmente são compostos para melhor definição do que é para ser feito, como por exemplo, Rosca Direta na Polia Baixa com Barra W”, explica.


atividade física

até debaixo

d’água

Conheça as principais modalidades e as vantagens de praticar atividade física dentro da piscina

Por Eder Brito

Que a natação é uma das atividades físicas mais completas, muita gente sabe. Reduz o peso, corrige a postura, aumenta o condicionamento físico, melhora a capacidade respiratória, isso apenas para citar alguns dos muitos benefícios desta atividades. Mas o que muita gente ainda está aprendendo é que o mundo aquático oferece muito mais alternativas para quem pretende praticar atividade física dentro da piscina. Entre terapias e modalidades esportivas, existem dezenas de opções. “Você tem desde a hidroginástica tradicional, até modalidades mais recentes e elaboradas, voltadas para o relaxamento e para hidroterapia, como Watsu e Ai Chi”, explica a fisioterapeuta Carla Duanelli. “A principal vantagem é que a água elimina toda a ação da gravidade e isso reduz em quase 100% o risco de lesões”, conclui. Elisabete Motta faz aulas de hidroginástica há 27 anos e já está convencida de que a atividade física dentro das piscinas é a melhor alternativa para quem quer fugir da vida sedentária. “Você não sente dor nenhuma, não se machuca, a água faz uma massagem deliciosa. Sempre saio relaxada, com outra energia”, revela. Aos 62 anos de idade, Elisabete conta que, além dos benefícios, a hidroginástica também ajudou na recuperação de uma lesão. “Tive um problema no joelho e precisei operar. Os exercícios na piscina foram essenciais para a minha recuperação”, lembra.

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Professor de hidroginástica há 30 anos, José Cleber de Oliveira Souza é um dos grandes defensores da atividade física aquática no país. “Ainda existe um certo preconceito e muita gente acha que isso é coisa para gente mais velha. Para quem ainda pensa assim, faço um convite para fazer uma aula e sentir o que a resistência da água faz”, explica, lembrando de uma das principais vantagens deste tipo de prática. A experiência de José Cléber com as piscinas fez até com que ele desenvolvesse uma técnica própria. Chamado de Hyowa, o método elimina a música e os equipamentos de academia utilizados em muitos locais. “Nós unimos a parte respiratória do yoga e a sensibilidade tátil do watsu com toda a intensidade da hidroginástica. Os resultados tem sido ótimos”, explica. Inevitável revelar que a água também é uma boa aliada de quem busca resultados estéticos satisfatórios. A celulite por exemplo, é um dos males combatidos dentro das piscinas. “Fazer atividade física, principalmente dentro da água fria é muito bom, pois isto melhora a circulação periférica. A compressão da força da água é praticamente uma drenagem linfática natural”, explica o professor José Cleber. Além disso, uma aula de hidroginástica faz com que o aluno perca aproximadamente 400 calorias por hora. Antes de procurar a piscina mais próxima, no entanto, é essencial tomar alguns cuidados. “O risco de lesão é menor,


quase inexistente dentro d´água, mas a pressão arterial e o sistema cardiovascular precisam ser aferidos e precisam estar em ordem”, explica a fisioterapeuta Carla Duanelli. Ela também lembra que o ideal é iniciar uma atividade física desta natureza antes que comecem a aparecer os resultados negativos de uma vida sedentária. “70% das pessoas que procuram a hidroterapia, por exemplo, não são praticantes de esporte. Tenho muito mais pacientes que sofrem por não praticar esporte do que gente que se lesiona ao se envolver com alguma modalidade esportiva ou treinamento”, conta. A Revista Endorfina selecionou algumas das principais (e algumas curiosas) modalidades esportivas e técnicas desenvolvidas dentro da piscina e lista os benefícios que podem ser alcançados por quem realmente quer cair na água. Ai Chi – Técnicas do Tai Chi Chuan aplicadas no ambiente aquático. Aquajogger – É a corrida na água, também

conhecido como “deep running”. A diferença é que o peso corporal é menor e o impacto sobre as pernas diminui. Bom para quem está lesionado e precisa manter a forma. Bad Ragaz – O método de hidroterapia recebeu o nome da cidade suíça em que surgiu no ano de 1960. É uma técnica de tratamento feito exclusivamente na horizontal. Fortalece e reeduca os músculos, alonga o tronco e relaxa. Hidrocapoeira – Trabalho corporal aquático que incorpora na piscina a famosa luta brasileira. Os movimentos e ganhos musculares são os mesmos. Hidroginástica – Alternativa aquática para o seu programa tradicional de exercícios, com redução no esforço das articulações. Melhora a capacidade respiratória, flexibilidade, a resistência e a força muscular. Natação – Movimenta todos os músculos e articulações do corpo e por isso é considerada uma das atividades físicas


mais completas que existe. Também auxilia na capacidade cardiorespiratória. É a única atividade física indicada para menores de três anos de idade.

dalidade proporciona aumento da resistência física, aumento da flexibilidade, maior mobilidade das articulações, estimulação do sistema circulatório e relaxamento.

Nado Sincronizado – Além da beleza artística, proporcionada pela sincronia com o ritmo, esta modalidade também traz benefícios para a flexibilidade, agilidade e capacidade cardiovascular. A musculatura como um todo também se beneficia.

Woga ou Water Yoga – É o Yoga tradicional praticado no meio aquático. Com a resistência da água queima-se mais calorias do que uma aula normal, no entanto. Também força menos os tecidos musculares e os tecidos ósseos. Estar na água também auxilia na meditação, prática inerente ao Yoga tradicional.

Pólo Aquático – Desenvolve todos os músculos do corpo. Ajuda a trabalhar a coordenação e o reflexo. Waterbike – A pedalada dentro d´água. A bike não tem selim. O banco é substituído pela força de empuxo da água, permitindo liberdade total de movimento. A ausência do assento e a redução do peso dentro d´água garantem a descompressão e o ajuste das vértebras, fortalecendo a musculatura lombar e auxiliando na postura. Water Pilates ou Hidro Pilates – Adaptação dos exercícios de Pilates para a piscina. Entre outras coisas, esta mo-

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Watsu – É uma técnica de hidroterapia indicada principalmente para relaxamento. Os movimentos são derivados do Zen-Shiatsu (massagem oriental) e deve ser praticado em uma piscina aquecida a temperatura de 35 graus, aproximadamente. A água morna ajuda a atingir um relaxamento mais profundo, pois o peso sobre a coluna vertebral é bem menor e ela se move de uma maneira que seria impossível em terra.


PÁGINATRÊS


atividade física

games para

suar a camisa

Foi-se o tempo em que os video-games eram coisa de sedentário. Novos jogos fazem você suar, sem sair de casa

Por Gabriel Nicolatti

Os video-games estão mudando, e pra valer. A partir de agora, é preciso ter um bom preparo físico e pouca preguiça, se quiser se divertir de verdade com as novas opções de games oferecidas pelo mercado. Lançado há dois anos, o Nintendo Wii revolucionou o mundo dos games ao implantar um mecanismo moderno de sensor de movimento que se destaca, principalmente, na hora de testar os jogos esportivos. E opções não faltam. São games que simulam jogos de futebol, boliche, tênis, golf e, por que não, uma verdadeira academia. Esse é o Wii-Fit, um dos mais recentes lançamentos da plataforma e que oferece, com a ajuda de um mecanismo que 54 | REVISTAENDORFINA.COM.BR | SETEMBRO/OUTUBRO 2009

substitui o tradicional controle de mão por uma balança (chamada Balance Board), exercícios como a aeróbica, yoga, equilíbrio e tonificação muscular. Além disso, o game oferece a possibilidade de medição do IMC (Índice de Massa Corporal) dos jogadores. “Acredito que o Wii-Fit tem, sim, o potencial de estimular a prática de esportes ou atividades físicas, mas tudo dentro de um contexto lúdico. As pessoas que freqüentam academias vão tirar os exercícios de letra mas, numa época de ginástica laboral e intenso combate ao sedentarismo, a brincadeira pode ser útil e estimulante, já que funciona como um dispositivo eficiente para controlar peso, IMC etc.”, conta Theo Azevedo, repórter e analista de games do UOL. Além de servir como estímulo para a prática de esportes, ga-


mes como o Wii-Fit possuem a virtude de levar pessoas de diferentes perfis para frente da tela tornando os videogames, cada vez mais, uma forma de diversão e integração entre toda a família ou grupo de amigos. “Na minha maneira de ver, os videogames vão se tornar algo cada vez mais natural na vida das pessoas, assim como os jogos que façam a galera suar. Só Wii-Fit já vendeu 20 milhões de unidades e gerou US$ 2 bilhões. Está longe de ser uma brincadeira. É uma tendência que veio para ficar”, opina Theo. Outro sinal disso é que algumas clínicas norte-americanas já adotaram o uso de games como o Wii-Fit e o Wii-Sports em alguns tratamentos com pacientes. Um jeito divertido de encarar um tratamento clínico que, muitas vezes é chato e doloroso. Segundo o analista do UOL Games, a Nintendo já prepara novidades até o final do ano. Além de uma versão Plus do WiiFit, com novos conteúdos, chega para o console o game EA Sports Active More Workouts, que exigirá ainda mais esforço dos jogadores e trará novas opções de exercícios, para aqueles que já cansaram (literalmente) do Wii-Fit. Anúncio Ago-Set09.pdf 28/8/2009 17:49:08

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saúde

complementar Suplementos auxiliam na prevenção de doenças fortalecendo o sistema imunológico

Por Diogo Patroni

Praticar exercícios físicos além de manter a forma é acima de tudo um hábito de vida saudável e conseqüentemente longe de doenças. Neste universo da malhação e pela busca do corpo sarado, é comum nos depararmos em academias, farmácias, ou loja especializadas com uma quantidade infinita de suplementos alimentares. Cada um tem sua função especifica. Um ajuda a ganhar massa muscular, o outro auxilia no ganho de proteínas. E há também aqueles que previnem contra doenças, como gripes resfriados e até diabetes. “Eu consumo Whey Protein há nove anos e me sinto cada vez melhor. Estudos mostram que além de melhorar a força e aumentar a massa magra, o consumo deste produto retarda o envelhecimento celular proporcionando uma melhora na qualidade de vida”, afirma Thais Borba, personal trainer da academia Fit Class. A profissional de Educação Física destaca que o produto nada mais é, do que uma complementação da alimentação. Sendo assim há uma gama de produtos designada para as mais diversas funções, como hipercalóricos (utilizados entre as refeições para aumentar o ganho de proteínas, carboidratos e vitaminas), e aqueles que “prometem” um ganho de perfor56 | REVISTAENDORFINA.COM.BR | SETEMBRO/OUTUBRO 2009

mance, ou redução de massa magra (shakes). Para Borba o uso de suplementos é totalmente indicado aos praticantes de atividades físicas, devido aos maus hábitos alimentares dos alunos. “Eu preciso fazer com que eles consigam obter seus resultados tentando mexer pouco em suas rotinas. Com a suplementação eu consigo otimizar as qualidades físicas de cada um”, relata a personal. Há também outros produtos que ajudam a manter as doenças longe de quem pratica atividade física. É o caso do Epicor, produto americano que é comercializado no Brasil. Trata-se de um complemento alimentar totalmente natural, cuja função é atuar como um imuno-balanceador no sistema imunológico. Ele nutre as células de defesa do organismo prevenindo-o contra alergias e doenças infecciosas. Em pesquisa criada pela Embria Heath Sciences, nos Estados Unidos ficou provado que a utilização de EpiCor reduziu em até 48%, os índices de abstenção por motivos de saúde no trabalho e houve diminuição significativa com relação ao uso de seguros-saúde no país. De acordo com a farmacêutica Silvia Torres, “é recomendável o uso do suplemento logo no início do outono e no final do inverno”, pois este é o período de maior incidência gripal.


A especialista alerta ainda que este tipo de produto pode ser uma alternativa ao uso de vitamina C. já que a ingestão excessiva acarreta problemas crônicos, como dores abdominais e cálculo renal. “O consumo de grandes doses de Vitamina C pode causar dores abdominais e diarréia levando à perda de outros nutrientes. É preciso compreender que estresse aliado a má alimentação esfolia diversos nutrientes e elementos importantes para a saúde do organismo. A terapia de restauração da saúde deve ser composta de nutrientes naturais e não mega-doses de um único produto”, ressalta Silvia Torres. O endocrinologista da empresa BioTarget, Dermival Pansera também acredita que suplementação é valida, pois sana as deficiências vitamínicas do organismo decorrentes da má alimentação. “A indicação se faz diante das necessidades da pessoa, como por exemplo um praticante de musculação, que busca aumento da massa muscular se beneficia do suplemento de proteínas, enquanto uma mulher na menopausa com osteoporose busca os compostos de cálcio. Os maratonistas optam pelo uso de antioxidantes, porque o tipo de atividade aumenta a produção destes radicais danosos à saúde, uma pessoa com aterosclerose se beneficia do suplemento de Omega 3. Cada caso é um caso”, destaca o especialista. O especialista reitera que a utilização destes produtos devem ser baseadas conforme a necessidade de cada um. Um atleta que pratica provas de curta distância (corrida ou natação) precisa da geração de energia rápida em poucos segundos, neste caso a creatina ajuda na performance por aumentar a formação de fosfato de creatina e possibilitar ao organismo acesso a energia mais rapidamente.Os aminoácidos ou as proteínas hidrolisadas são indicadas para idosos, que naturalmente possuem dificuldade natural na absorção de nutrientes. Proteínas time-releasing ajudam os praticantes de musculação, preservando a massa muscular e garantindo um fornecimento contínuo de aminoácidos potencializando o ganho de músculos”.


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