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O Tio Samba, único representante do Estado do Rio de Janeiro a ser indicado ao 22º Prêmio da Música Brasileira no segmento Melhor Grupo de Samba, considera-se uma “orquestra típica de samba”. Formado em 1998, apresenta um repertório de composições próprias e de clássicos da música popular brasileira criados por autores como Noel Rosa, Ismael Silva, Geraldo Pereira, Ary Barroso, Cartola, Baden Powell, Tom Jobim e Chico Buarque. Seu diferencial são os arranjos, que unem os característicos instrumentos de cordas e percussão dos grupos regionais de samba e choro aos sopros geralmente utilizados nas bandas de música, produzindo, deste modo, uma sonoridade diferenciada, muito vibrante e também sofisticada . Sua atual formação conta com Carlos Mauro e Luciana Lazulli (vozes), Marcio Arese (sax tenor), Fabiano Segalote (trombone e bombardino), Carlos Vega (tuba), Whatson Cardozo (clarineta e sax alto), Matheus Moraes (trompete), Bernardo Dantas (violão 7 cordas), Thiago Cunha (cavaquinho), Felipe Tauil, Alfredo “Fred” Alves e Marconi Bruno (percussão). O conjunto já tocou com grandes compositores e intérpretes do samba, dentre eles, Wilson Moreira, Walter Alfaiate, Delcio Carvalho, Tia Surica e Paulo Marquez, além de ter se apresentado com artistas como Nana Caymmi, Germano Mathias e Luciana Alves. Em seu currículo incluem-se apresentações em diversas casas de espetáculo, destacando-se a Sala Sidney Miller, da Funarte, a Sala Baden Powell, o Centro Cultural da Light, o Teatro Rival, o Teatro Municipal de Niterói, o Teatro da UFF, o Teatro Abel, o Allegro Bistrô da modern Sound, a Choperia do Sesc-Pompéia, o Centro de Convenções do Anhembi, o Centro Cultural da Justiça Federal e o Centro Cultural Carioca. Na qualidade de orquestra típica de samba, o Tio Samba tem se especializado em projetos homenageando figuras centrais da história de nossa música popular, como Ary Barroso (“Café Zurrapa”,2003) e Carmen Miranda (“É Batata!”, 2009), por ocasião de seus centenários de nascimento. Em setembro de 2003, o Tio Samba lançou seu primeiro CD, Quero Ver, com composições próprias e obras de nomes consagrados do samba. Em 2010, um novo CD: É Batata! – Carmen Miranda Revisited, dedicado a uma releitura do repertório da “Pequena Notável”. Atualmente, dedica-se a produção de um novo álbum, contendo repertório de canções totalmente


inéditas e autorais, “Mais pra cá do que pra lá”, cuja lançamento está previsto para o segundo semestre deste ano.

A deliciosa batata do

Tio Samba

O grupo Tio Samba está com um novo CD na praça: É Batata! – Carmen Miranda Revisited. É uma linda homenagem à estrela maior da Era de Ouro da Música Brasileira: Carmen Miranda. O repertório do CD é uma seleção das canções apresentadas pelo grupo na temporada de shows comemorativos do centenário de


nascimento da Pequena Notável no ano passado. O sucesso destes sambas junto ao público levou o Tio Samba a registrá-los neste trabalho. O ouvinte vai se apaixonar por cada faixa. Músicas famosas como “Camisa listada” e “No tabuleiro da Baiana” ganharam uma roupagem mais leve e moderna. Canções menos conhecidas como “Fon-fon” e “Cozinheira Granfina” viraram uma divertida cantoria nas vozes de Carlos Mauro e Simone Lial. É Batata! é um CD que vai agradar em cheio a todos. Aqueles que já idolatram Carmen Miranda vão se surpreender com a atualidade das músicas do repertório da cantora através dos novos arranjos e interpretações do grupo. Os que não conhecem ainda o trabalho de Carmen, especialmente os jovens, terão uma grande oportunidade de ouvir sambaschoro e sambas amaxixados, duas espécies do gênero samba que são raras nos dias de hoje. O Tio Samba prova que é possível preservar o samba em tempos de funk. Que Ary Barroso, João de Barro, Assis Valente, Cartola e Noel Rosa, tão populares na época de Carmen Miranda, podem ser sucesso no século XXI . E que, mesmo quando o batuque dos novos tempos é um pouco mais forte, pode-se manter a delicadeza e cadência do samba. O renomado jornalista e crítico de música popular brasileira, Sérgio Cabral, após ouvir o disco, fez os seguintes comentários: “Quando ouvi este CD, a minha primeira conclusão foi a de que o Brasil tem jeito. Se não fosse assim, como se explicaria que a excelente Orquestra Tio Samba, formada por jovens e grandes músicos, entre no estúdio para gravar sambas do repertório de Carmen Miranda e os traga com o frescor das músicas inéditas, sem que nenhuma delas sofra qualquer deformação? Verdade, amigos. Embora o repertório tenha ido até 1931, quando foi lançado o samba Gira, de Ary Barroso e Marques Porto, não há o menor sinal de saudosismo no CD. No entanto, a rapaziada do Tio Samba não teve a menor necessidade de recorrer a raps, funks, etc. para provar que, sabendo tratá-la, a boa música – tal qual o poeta – não é antiga nem moderna, é eterna. Trata-se, sem dúvida, de um CD brasileiríssimo do Século XXI. Chamou-me a atenção, particularmente, o tratamento dispensado a Na batucada da vida, o belíssimo samba de Ary Barroso e Luís Peixoto. A orquestra poderia ter-se apropriado da harmonia e do andamento criados para essa música por Antônio Carlos Jobim – consagrados na gravação de Elis Regina – mas preferiu mostrar que a gravação original (de 1934, com arranjo de Pixinguinha) poderia reaparecer com a jovialidade de um samba de hoje. A boa qualidade deste trabalho não se limita ao tratamento formal dispensado às músicas. Chama a atenção também para a determinação dos instrumentistas e dos cantores de cada um dar o melhor de si, sem que nenhum deles corra atrás de um brilhareco qualquer. É a velha lição dos Três Mosqueteiros, na base de um por todos e todos por um. Para quem, como eu, ama a música popular brasileira, só posso dizer que, após ouvir o CD, fiquei com a sensação de que, pelo menos no aspecto musical, este 2010 está começando muito bem”.


“QUERO VER”, O PRIMEIRO CD DO TIO SAMBA REÚNE VINTE COMPOSIÇÕES: TRÊS INÉDITAS E 17 CLÁSSICOS DO SAMBA. Formado em 1998 em Niterói (RJ), o grupo TIO SAMBA apresenta seu primeiro trabalho em CD,”Quero ver”, lançado pela gravadora Ethos Brasil. O disco mostra um repertório que inclui sambas de autores como Noel Rosa, Ismael Silva, Ataulfo Alves, Geraldo Pereira, Wilson Batista e Cartola, vestidos com arranjos inéditos para a formação peculiar do grupo, que reúne instrumentos de sopro utilizados nos antigos grupos de choro e maxixe à percussão, violão e cavaquinho típicos do samba. Além disso, o Tio Samba mostra algumas composições inéditas. O samba “Quero ver”, que dá nome ao disco, é parceria do grande Delcio Carvalho com o maestro da Orquestra Art Folia, Edson Soliva. O “Choro de Betinho” é de autoria do arranjador do Tio Samba, Carlos Almada. E a terceira inédita é “Ninguém vai mandar no meu nariz”, samba do cantor Carlos Mauro.

Tio Samba: Algo de novo no ar Fernando Toledo – Revista Música Brasileira Nos primórdios da gravação fonográfica, devido a limitações técnicas, era impossível se registrar determinadas sonoridades. Um exemplo claro disso é o estilo de voz adotado pelos grandes cantores de então: empostado, repleto de vibratos e dós-depeito. Em relação aos instrumentos, a ênfase era dada aos de sopro, que possuíam maior alcance sonoro e sustentação. A percussão somente passou a ser registrada a partir de 1934, com a clássica gravação de Na Pavuna, pelo Bando de Tangarás. Desta forma, os maestros buscavam soluções específicas para os sopros, resultando disto arranjos belíssimos e repletos de sutilezas e complexidades. Com o advento de novas técnicas, instrumentos de corda passaram a constituir a base da harmonia, em parte por causa de sua disseminação por todas as camadas sociais, em parte por sua


praticidade e facilidade de manuseio em estúdio. E a percussão, evidentemente, se afigurou como a seção rítmica. O grupo Tio Samba aposta numa virada de mesa, numa solução interessante e original, ao unir a grandeza dos sopros do período primitivo das gravações aos modernos instrumentos de corda e percussão, obtendo uma sonoridade talvez única no cenário musical, em que o antigo se mescla ao novo com resultados altamente positivos. Calcado principalmente nos primorosos arranjos de Carlos Almada e na bela voz do intérprete Carlos Mauro, o grupo representa algo de novo no ar, com um doce sabor de antigo para dar o tempero. Um exemplo de como se pode avançar e ser criativo sem, contudo, deixar para trás um passado riquíssimo como o nosso. Que surjam outros, a acompanhar seu pioneirismo. O primeiro passo (o mais difícil de todos) já foi dado. Saudades do samba Paulo Roberto Pires – no mínimo 22.Nov.2003 | Nostalgia é sentimento bom para o samba e, em geral, ruim para a música. Ao primeiro imprime lirismo, à última costuma funcionar como freio de mão. Mas é impossível separar uma coisa de outra quando se vê a mais recente safra de artistas saídos da cena do samba carioca, preocupados que estão em impregnar-se do cânone e trazer de volta às rodas Nelson Cavaquinho, Cartola, Noel Rosa, Wilson Batista e outros da mesma estatura. A diferença entre passadismo e digestão deste passado começa a mostrar-se, aos poucos como deve ser, e aparece, cristalina, em dois lançamentos recentes e que conceitualmente pouco têm em comum entre si: “Um ser de luz – Saudação a Clara Nunes” e “Quero ver”, disco de estréia do grupo Tio Samba. (...) (...) Muito mais próxima do passado está a rapaziada do Tio Samba, literalmente um time de 11 músicos que viaja ao repertório mais distante e, na sonoridade, está mais para o samba de salão, maxixado, dos anos 20 e 30. “Quero ver”, este primeiro disco lançado pela Ethos Brasil, tem a vitalidade – e ansiedade – dos primeiros discos, em 20 faixas que misturam Noel, Wilson Batista, Ataulfo Alves, Ismael Silva e os repertório de Moreira da Silva e Roberto Silva. O clima é de festa-baile, disco para se ouvir e dançar, com todos os prós e contras desta opção, ou seja, alegria e sinceridade contagiantes e excesso de estridência. O que faz a marca, já delineada, do Tio Samba são os ótimos arranjos, assinados por Carlos Almada. Escritos para uma formação hoje pouco usual, reforçam a base rítmica do samba com uma sonora tuba – combinada com um naipe de sopros e percussão – que aproxima o grupo das antigas orquestras de samba. O cantor e produtor, Carlos Mauro, é importante para que o modelo da orquestra não fique preso à ortodoxia, imprimindo, quase sempre com acerto, uma nota de ironia às canções, às vezes reforçando a galhofa original (“Amigo urso”, “Eu queria um retratinho de você”), outras comentando criticamente (“Você está sumindo”, “Mãe solteira”). Destaca-se, e muito, sua interpretação para “Beija-me”, uma delícia de Roberto Martins e Mario Rossi gravado por Elza Soares. Com “Quero ver” a banda apresenta oficialmente suas credenciais e faz uma declaração de princípios, declarando determinadas filiações ao samba, dizendo a que veio. Como nos outros artistas comentados, resta a ela depurar todo o talento concentrado neste disco, descobrindo a melhor maneira de se relacionar com o passado - que é o chão comum de todos. Pois parece que é da saudade do samba que nasce para ele um futuro, dentre os muitos possíveis.


Releases Tio Samba - Rio de Janeiro-RJ