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Meu amor, Você compreendeu a minha doença, mas parece não aceitá-la. Vi a sua preocupação ao saber que tomo medicamentos controlados. O pior de tudo isso foi ouvir você dizer que nunca vai saber quando vai estar com a verdadeira Rosângela. A Rosângela sem drogas. Puxa, meu amor! Como foi doloroso ouvir isso de você! Me senti uma drogada qualquer. Realmente, você tem razão em algumas coisas. Difícil conhecer a Rosângela não dependente quimicamente de remédios. Os meus sentimentos nunca serão expostos como são os das outras pessoas, pois os medicamentos sempre estarão no meu meio do caminho. Posso entender bem o que sentiu. Porém, faz mais de um mês que nos conhecemos e você aprendeu a amar a Rosângela dependente quimicamente de remédios. Não existiu um dia sequer em que eu não tivesse tomado as minhas pílulas quando fui ao seu encontro. Vejamos por outro lado. Talvez você não gostasse de conhecer a outra Rosângela. Olhe para mim. Essa sou eu. Foi a pessoa que você amou a primeira vez que viu, como assim insiste em me repetir. Continuo sendo a mesma pessoa de anteontem e ontem. Não me julgue mal. Tive medo de contar-lhe tudo e perder você. Eu sei que é difícil ficar com alguém que não sabe nem mesmo quem é, que nunca sabe como vai acordar no outro dia, que nunca sabe até quando vai durar a sua felicidade, o seu bom humor, a sua saúde... mas ninguém pode adivinhar também quando vai morrer. Não me veja com outro olhar. Não basta eu ter que lidar com a doença da obesidade? Você me assustou quando fez aquela cara de espanto ao ouvir da minha boca afirmação do que escrevi na carta. Pensei que fosse diferente dos outros, meu amor. Pensei que você fosse sábio o suficiente para lidar com esse tipo de problema. Os consultórios psiquiátricos estão cheios de pessoas com doenças mentais. Os tratamentos mentais estão avançados. Muitos medicamentos têm poucos efeitos colaterais. Não me


deixe sofrer. Não me abandone. Aceitei-me, por favor. Deus sabe o quanto amo você. Um abraço da sua Rosa.


Cartas de amor para L