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Meu amor, Hoje fiz aniversário. Esperei você lembrar. Mas você não me deu notícias. Será que esqueceu? Ou será que simplesmente fingiu ter esquecido? Você é tão bom na arte de fingir que eu nunca soube discernir quando estava falando a verdade ou a mentira. Alguns amigos vieram a minha casa. Fizemos uma pequena festinha. Eu não queria ninguém aqui. Eu queria ficar só. Mas eles insistiram e eu não tive como me livrar da campainha que insistiu em tocar. Os amigos sempre são bem-vindos a minha casa, quando estou bem. No entanto, hoje não estou nada bem. Parece que perdi o chão onde piso e estou solta no ar, podendo cair a qualquer momento. Recebi presentes. Cantaram o “parabéns pra você”. Apaguei velinhas. Comi torta e tomei refrigerante. Tomei minhas pílulas, também. Sem elas eu não existo. As pílulas da felicidade. Será que elas dão mesmo felicidade? Em mim, apenas elas me fazem lembrar apenas que devo aceitar as pessoas como elas são. O alívio são as alucinações. As vozes que vêem não sei de onde, a outra Rosa que insiste em mostrar-me o quanto sou uma pessoa triste e a sombra negra que caminha comigo desde a infância. Preciso tomar as pílulas. Voltando a festa dos meus anos meus amigos disseram que hoje estou mais feliz. Será? Acho que aprendi a arte de fingir com você. Eu não queria desapontá-los. Enquanto eu sorria por dentro um mar de lágrimas bravio destruía as cidades-sonhos minhas. Tirei fotografias abraçada aos meus amigos. Necessitei reunir forças do além para não demonstrar a minha tristeza. A minha ausência daquele instante, pois eu estava a milhas e milhas distante dali. Eu estava em você. Esperando seu abraço de feliz aniversário. Eu estava no seu sorriso. Eu estava na sua canção predileta. Não estava em mim.


Que aniversário triste, meu amor. Custava ao menos um cartãopostal? Laura vai dormir aqui em casa hoje à noite. Eu não quero domir só. Estou com medo. Medo de mim. Da sua para sempre, Rosa.


Cartas de amor para L