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Eles não pararam de correr, alguns dos homens e mulheres tomando a dianteira, outros dando gritos de encorajamento por trás. Chegaram a outro conjunto de portas de vidro e atravessaram-nas sob uma chuva torrencial, que despencava de um céu negro. Não se via nada a não ser manchas difusas de centelhas flamejantes em meio às cortinas de água. O líder só parou de correr quando chegaram a um ônibus imenso, as laterais amassadas e riscadas, a maior parte das janelas com rachaduras como teias de aranha. A chuva inundava tudo, fazendo Thomas imaginar uma imensa criatura bestial emergindo do oceano. - Entrem logo! - gritou o homem. - Depressa! Eles obedeceram, aglomerando-se em um grupo compacto diante da porta enquanto entravam, um por um. Aquilo parecia não acabar nunca, os Clareanos empurrando-se e tropeçando nos três degraus em busca dos assentos. Thomas ficou atrás dos demais, Teresa logo à sua frente. Ele olhou para o céu, sentiu a água bater contra a sua face - a água era morna, quase quente, tinha uma espessura esquisita. Estranhamente, esse contato o ajudou a sair do tormento, devolver-lhe a atenção. Talvez fosse apenas por causa da ferocidade do dilúvio. Ele se concentrou no ônibus, em Teresa, na fuga. Estavam quase na porta quando uma mão subitamente abateu-se sobre o seu ombro, agarrando-lhe a camisa. Thomas gritou quando foi puxado para trás, o que arrancou a sua mão da de Teresa - ele a viu voltar-se bem a tempo de vê-lo desabar no chão, espirrando água para todos os lados. Uma dor intensa desceu pela sua espinha enquanto a cabeça de uma mulher apareceu alguns centímetros acima do seu rosto, de cabeça para baixo, interpondo-se entre ele e Teresa. O cabelo ensebado da mulher caía escorrido, tocando Thomas, emoldurando uma face oculta nas sombras. Um cheiro horrível encheu-lhe as narinas, como ovos e leite estragados. A mulher recuou o bastante para que o facho da lanterna de alguém revelasse os seus traços uma pele clara, enrugada, coberta de feridas purulentas. Um terror autêntico tomou conta de Thomas, imobilizando-o. - Vamos nos salvar todos! - disse a mulher horrenda, cuspindo perdigotos de uma saliva malcheirosa, que respingaram em Thomas. - Vamos nos salvar do Fulgor! - Ela deu uma risada, não muito mais do que uma tosse rouca. A mulher uivou quando um dos resgatadores agarrou-a com as duas mãos e arrancou-a de cima de Thomas, que recobrou o espírito e levantou-se com dificuldade. Ele recuou até Teresa, observando o homem arrastar a mulher para longe, enquanto ela se debatia debilmente, os olhos sobre Thomas. Ela apontou para ele e gritou: - Não acredite em uma palavra do que dizem! Vamos nos salvar do Fulgor, você aí!

Maze Runner Correr ou Morrer - James Dashner  

Thomas acorda para uma realidade “insana” (insana para mim pelo menos, para ele nem tanto), ele está rodeado por meninos mais ou menos da id...

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Thomas acorda para uma realidade “insana” (insana para mim pelo menos, para ele nem tanto), ele está rodeado por meninos mais ou menos da id...

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