Page 1

Rio de Janeiro

Nisimazine ----------------------------------------------Tuesday 6 October

Um magazine especial publicado por NISI MASA; rede europeia de cinema jovem, no âmbito de um workshop de jovens críticos A festival gazette published in the framework of a workshop for young critics by NISI MASA, European network of young cinema

by Zsuzsanna Kiràly

FILME DO DIA / FILM OF THE DAY

25 anos/years, Austria

È

de praxe estabelecer contatos em festivais de cinema e em lugares como o Pavilhão do mercado de cinema, nas estréias, em festas ou até mesmo na fila para comprar um lanche. Como todo freqüentador de festival tem como propósito o atendimento, as conversas são, principalmente, concentradas no intercâmbio de idéias e de informações. Durante esta troca, novas idéias são geradas, acordos são feitos, amizades formadas e cultivadas. As pessoas vão também estar falando sobre os últimos filmes vistos e darão um parecer sobre os mesmos, sem esquecer, é claro, que tanto nas artes, e especialmente no cinema, os gostos são diferentes. Que idéia legal se reunir com alguém que tem gostos e desgostos completamente diferentes e mostrar uns aos outros os seus favoritos, discutir e talvez descubrir algo de novo. O circuito do festival é como uma metrópole com muitos «bairros» diferentes, que estão interligados uns aos outros, mas diferem em sua popularidade e especialidade. No entanto, ao visitar alguns desses bairros regularmente os laços entre os festivais e seus frequentadores se fortalecem e assim, eventualmente, a metrópole se transforma em uma espécie de aldeia onde todos se conhecem. Há uma teoria que afirma que se você conhece 6 pessoas, você conhece o mundo inteiro - festivais de cinema são a prova cabal dessa teoria.

VAMOS GANHAR DINHEIRO

(Let’s make money)

N

etworking in film festivals takes place at the pavilion of the film market, at the premieres, at parties and in the queue for buying a snack. As every festival-goer has a special purpose for attending, the conversations are not only but mostly concentrated on exchanging ideas and information. During this exchange, new ideas are generated, deals made, friendships formed and cultivated. People will also be talking about the latest films seen and give an opinion on them, being reminded every time how different tastes are in the arts, and especially in cinema. What a nice idea – to get together with someone who has completely different likes and dislikes, show each other your favourites, discuss and maybe discover something new. The festival circuit is a metropolis with many different districts which are connected to each other but differ in their popularity and speciality. However, when visiting some of these districts regularly, and some occasionally, hubs appear and the ties between the festivals and attendants become tighter – thus eventually the metropolis feels more like a village where everybody knows each other. There’s a theory which claims that if you know 6 people you know the entire world – film festivals prove it time and time again.

Visite nosso website * WWW.NISIMAZINE.EU * para acessar o VIDEOBLOG ‘Favela screening of Only When I Dance’ e conferir mais informações sobre o festival por exemplo: Crítica RICKY Foco More than Almodóvar

FOTO DO DIA / PICTURE OF THE DAY

Erwin Wagenhofer (Áustria, 2008)

S

I

Let’s Make Money (Vamos Ganhar Dinheiro) mostra o lado negro da nossa sociedade capitalista, e mesmo que meu conhecimento sobre finanças seja limitado, posso afirmar que o filme apresenta uma situação um tanto assustadora sem nos dar resposta de como consertá-lo em pouco tempo.

Let’s Make Money shows the dark side of our capitalist society, and even though my knowledge of finance is limited, I can say that the film paints a very bleak picture without giving us any hope for a quick fix.

e a crise econômica atual antecipasse a morte desse capitalismo-ladrão ou provavelmente um abalo sócio-econômico global em proporções apocalípticas, ao menos Erwin Wagenhofer poderia apontar seu dedo e falar: “Eu não quero dizer que eu avisei, mas...”.

Wagenhofer roda o mundo para mostrar um diverso leque de pessoas com pequenas ou grandes armas para ter, no universo financeiro, a chance de dar voz às suas opiniões: de um banqueiro investidor em Cingapura, que defende avidamente a justiça de seu sistema; a um economista indiano, que lamenta sobre o alto custo de vida; e de um grande empresário de imóveis espanhol, que está satisfeito em construir McCondomínios inúteis na Costa do Sol. Embora quase todos os entrevistados envolvidos reconheçam o excesso do sistema, a complexidade e o grande montante de problemas significam que qualquer solução será intricada e muito difícil de ser cumprida. Em um ponto, um americano, que se auto-denomina um “assassino econômico”, com paciência, explica a forma que costumava colocar em prática interesses corporativos em países de terceiro mundo desorganizados; e ainda alega que a invasão do Iraque foi parcialmente resultado da falha dos seus parceiros num crime econômico.

Photo by SILVIU PAVEL

Como em seu filme anterior, We Feed the World (Nós Alimentamos o Mundo), Wagenhofer é um fantasma invisível na máquina, confiando em seus temas e no poder inerente das imagens para contar uma história. Let’s Make Money é um documentário importante, profissional e extremamente relevante, embora em certos pontos, um pouco mais de economia na sala de edição teria sido um tanto coerente. Quando todos estivermos nas ruas destruídas e saqueadas de nossas devastadas cidades, separados por diferentes tribos famintas, mostre o seu respeito para com este visionário profeta austríaco coberto de farrapos – que vai continuar gritando “Eu não quero dizer que eu avisei, mas...” – ao invés de cozinhá-lo e comê-lo.

-------------------------------------------------------------

EDITORIAL

#6

f the current economic crisis were to usher in the demise of robber-capitalism or possibly a global socio-economic meltdown of apocalyptic proportions, at least Erwin Wagenhofer could point his finger and say: “I don’t wanna say I told you so, but…”

Wagenhofer leapfrogs the globe to give a diverse range of people with small or big parts to play in the financial world a chance to voice their opinions: from an investment banker in Singapore who avidly defends the justness of his trade, to an Indian economist who bitterly complains about the rising costs of living, and a Spanish real estate tycoon who’s happily building useless McCondo’s on the Costa del Sol.

Even though almost all the involved interviewees acknowledge the excesses of the system, the baffling complexity and the huge scale of the problem mean that any solution is going to be convoluted and very hard to enforce. At one point, an American who claims to have been an “economic assassin” calmly explains how he used to enforce corporate interests in rambunctious Third World countries, and even alleges that the invasion of Iraq was partly the result of the failure of his partners in currency crime. As in his previous film We Feed the World, Wagenhofer is an invisible ghost in the machine, relying on his subjects and the inherent power of the images to tell the story. Let’s Make Money is an important, expertly made and extremely relevant documentary, although at certain points a bit more frugality in the editing room might have been wise. Nevertheless, when we’re all out on the ravaged and plundered streets of our devastated cities in hunter-gatherer tribes, give your respect to the wild-eyed Austrian prophet covered in tattered rags - who keeps crying “I don’t wanna say I told you so, but…” - instead of roasting and eating him.

Luuk van Huët

5/10 Espaço de Cinema 3 15:45, 23:59 7/10 Est Vivo Gávea 1 18:10, 22:30 8/10 Est Barra Point 1 14:00


ENTREVISTA / INTERVIEW choque de realidade the shock of reality

JORGE PEREGRINO Agora vice-presidente sênior para a distribuição e produção da Paramount Pictures América Latina, Jorge Peregrino começou a trabalhar na indústria do cinema há 35 anos. Ele diz que os filmes comerciais e os filmes de arte estão em uma relação de complementaridade e que o mercado livre tem a sua própria vida. Seus filmes favoritos são a trilogia de Godfather («O Poderoso Chefão») Now Senior Vice-President for Distribution and Production at Paramount Pictures Latin America, Jorge Peregrino started to work in the cinema industry 35 years ago. He says that commercial movies and art films are in a complementary relationship and that the free market has its own life. His favourite movies are the Godfather trilogy.

O

mercado cinematográfico brasileiro é diferente dos de outros países? A atual estrutura do público de cinema é um resultado do sistema de distribuição definida por influentes empresas norte-americanas na década de 60 e 70. É por isso que na América Latina, assim como em qualquer outro lugar, os filmes produzidos nos EUA são de longe os mais rentáveis. Eu diria que, em geral, eles representam 80%-85% do mercado brasileiro. No entanto, este ano houve mudanças: o mercado é sempre motivado pelo produto. Se você oferecer um produto para o público, eles vão resistir a ele. Mas não existe uma fórmula para isso. Eu gostaria de ter essa fórmula. Se eu a tivesse, seria um milionário. Você não tem a impressão de que os blockbusters americanos ameaçam os filmes de arte? Não importa se você faz um filme de arte de baixo orçamento ou um blockbuster. A questão é você encontrar o seu nicho, pois cada gênero tem seu próprio círculo de espectadores. Então eu não acho que filmes comerciais sejam prejudiciais aos filmes de arte: eles simplesmente são nichos muito diferentes.

A Paramount também distribui centenas de filmes em DVD a cada ano. Este mercado tem visto algum desenvolvimento significativo nos últimos tempos? Houve, na verdade, uma queda de 25% nas vendas de DVD no Brasil no ano passado. Uma das razões é a pirataria, que está mais e mais difundida, e outra é uma espécie de bolha econômica que começou a crescer no Brasil cerca de cinco anos atrás, quando as classes mais baixas conseguiram chegar a um maior nível social. Somente em 2007, 8 milhões de aparelhos de DVD foram vendidos no Brasil e as vendas de DVD, naturalmente, aumentaram também. Mas depois de algum tempo, as pessoas pararam de comprar tudo o que viam, que é algo que eu chamo de «choque de realidade». Todavia a desaceleração nas vendas de DVD também afetaram a produção, porque o financiamento da produção cinematográfica no Brasil é baseada em incentivos fiscais. Empresas de distribuição e produção podem escolher direcionar até 70% do seu imposto de renda para financiar a produção cinematográfica local. Então, logicamente, se as vendas caem em 25%, o financiamento cai em 25% também.

Você acha que o cinema é profundamente enraizado no Brasil? Definitivamente. No entanto, o maior problema do país é uma infra-estrutura extremamente pequena. Existem cerca de 190 milhões de habitantes no Brasil, mas apenas 2.000 telas, enquanto que no México, por exemplo, um país com pouco mais de 100 milhões de pessoas, há pelo menos 4.500 salas operando. Eu espero que isso mude nos próximos anos. É essencial.

I

s the Brazilian film market different from other countries’? The current structure of cinema audiences is a result of the system of distribution set by influential American companies in the 60s and 70s. This is why in Latin America, just like anywhere else, US-produced films are by far highest grossing. I would say that, generally speaking, they represent 80%-85% of the Brazilian market. However, this changes year on year: the market is always product-driven. If you offer a product the audience like, they will hold out for it. But there is no formula for that. I wish I had the formula. I would be a millionaire. Don’t you have the impression that American blockbusters threaten art film? It does not really matter whether you make a low-budget art film or a blockbuster. The point is that you find its niche, because each genre has its own circle of spectators. So I do not think blockbusters are harmful to art films: they have simply very different niches.

Paramount also distributes hundreds of movies on DVD every year. Has this market seen some significant development in the recent period? There has been, actually, a 25% drop in DVD sales in Brazil over the last year. One reason is piracy, still more and more widespread, and another is a kind of economic bubble that started growing in Brazil around five years ago, when the lowest classes managed to get on a higher social level. Only in 2007, 8 million DVD players were sold in Brazil and the DVD sales naturally increased as well. But after some time, people stopped buying everything they saw, which is something I call “the shock of reality”. Needless to say, the downturn in DVD sales also affects production, because the film production funding in Brazil is based on tax breaks. Distribution and production companies can choose to direct up to 70% of their income tax to finance local filmmaking. So logically, if sales fall by 25%, funding falls by 25% as well. Do you think cinema is deep-rooted in Brazil? Definitely. However, the country’s biggest problem is an extremely small infrastructure. There are around 190 million inhabitants but only 2,000 screens, whereas in Mexico, for instance, a country with little more than 100 million people, there are as many as 4,500 screens operating. I do hope this will change in the next few years. It’s essential.

---------------------------------------------CRÍTICA / REVIEW

Dominika Uhríková

06/10 Roxy 3 16:30 06/10 Roxy 3 21:30

LONDON RIVER

Rachid Bouchareb, França / Reino Unido / Algéria, 2008

E

m seu último filme, o franco-argelino Rachid Bouchareb diretor de Little Senegal e Dias de Glória - conta a história de uma mulher britânica de meia idade (Brenda Blethyn) e um homem idoso africano (Sotigui Kouyaté, em papel que lhe rendeu o Urso de Prata no Festival de Berlim 2009), que se cruzam em Londres em 2005 durante a busca desesperada por seus respectivos filhos desaparecidos depois dos atentados que chocaram a cidade em 7 de julho. O filme centra-se em ambos os personagens, revelando a experiência íntima de uma viúva à procura de sua única filha, e um olhar triste do pai que tenta localizar um filho que mal conhece. A perfomance de Blethyn como a mãe ansiosa é magnífica, o que nos permite simpatizar com sua persinagem de mentalidade tacanha.Nascido no Mali Kouyaté dá uma abordagem completamente oposta, de forma mais restrita do que uma perfomance emocional, deixando uma excelente impressão para aqueles de nós que estão descobrindo o seu trabalho pela primeira vez.

Check our website * WWW.NISIMAZINE.EU * for a VIDEOBLOG and other festival material

Até mesmo o final feliz das vias de evacuação que Bouchareb coloca no final poderia ter sido concessivo, pois a resolução final do filme é congruente com o episódio terrível que paira na mente de ambos os pais durante toda a sua busca.

I

n his latest film, Franco-Algerian Rachid Bouchareb - director of Little Senegal and Days of Glory - tells the story of a middleaged British woman (Brenda Blethyn) and an elderly African man (Sotigui Kouyaté, in a role that won him the Silver Bear at the 2009 Berlinale) who cross paths in London in 2005 during the desperate search for their children, missing after the bombings that shocked the city on July 7th. The film focuses on both characters, revealing the intimate experience of a widow searching for her only daughter, and a sadeyed father who tries to locate a son he barely knows. Blethyn’s perfomance as the anxious mother is magnificent, and allows us to sympathise with her narrrow-minded character. Mali-born Kouyaté gives a completely opposite approach, in a more constrained than emotional perfomance, leaving a splendid impression for those of us who are discovering his work for the first time. Even if the happy-ending escape route Bouchareb places in the final part could have been concessive, the film’s ultimate resolution is congruent with the terrible episode that hovers in the minds of the two parents during their entire search.

Laslo Rojas


O Festival do Rio é realmente o melting pot perfeito para encontrar exemplos singulares e significativos das tendências atuais em retratos cinematográficos da América Latina, à distância e em closeup. Bolivianos visto através de uma lente japonêsa. Peruanos «explorados» por belgas. Brasileiros comemorados pelos britânicos. Panamenhos revisitados por norte-americanos. O interesse vem de todas as direções, e em muitos casos, com a melhor das intenções - embora, naturalmente, estas ainda possam ser problemáticas. Tomemos como exemplo Pachamama de Toshifumi Matsushita . O filme impressiona com a sua apreciação ingênua do

FOCO / FOCUS

by Laslo Rojas

À distância e em close-up From a distance and close-up quíchua, um povo indígena da Bolívia. Eles são mostrados trabalhando tenazmente em suas terras ( Mother Earth, ou em bom português «Mãe Terra» é a tradução literal do título do filme), as crianças pequenas a cantar e tocar instrumentos feitos à mão, bebendo milho feito de Chicha e comendo doce de mel, em equilíbrio com a natureza. Apesar disso de tudo ser provavelmente muito semelhante ao que a vida de um nativo da Bolívia venha a ser , a forma como o filme apresenta-se desvia muito pouco do estereótipo injustamente projetado para turistas japoneses. A co-produção belga-alemã Altiplano exibe lindamente as montanhas andinas peruanas - e não a região boliviana a qual o título errôneamente se refere - sem se preocupar muito sobre a sua utilização super estilizada e eurocêntrica usada do imaginário local. Existem outras abordagens para as realidades da América Latina, e um em especial, é parecida com uma contribuição onipresente da cultura ocidental para o resto do planeta: a busca pelo sucesso. É pelo sucesso que Irlan Santos tem lutado durante sua vida inteira, como Beadie Finzi claramente comprova em seu primeiro documentário, Only When I Dance. Deixando a favela para ganhar

a sua vida de sonho em Laussane ou Nova Iorque essa é a saída para Irlan, um bailarino pobre e negro (e, portanto, «pouco provável»). Sua história - a exceção à regra em favelas do Rio - é o material perfeito para um documentário «quente», mas isso não garante um filme notável, como resultado. A culpa pode ser um poderoso motor, para levar pessoas a documentar realidades dos territórios no estrangeiro, que, no passado, os seus conterrâneos ou ajudou a conquistar, invadir ou explorar, militar ou econômicamente. Tomemos por exemplo o Canal do Panamá: uma propriedade da Colômbia, que posteriormente passou a ser propriedade do então recém-nascido país da América Central, cuja independência foi apoiada por outros senão a Marinha E.U. O fotógrafo americano John Urbano visitou esta região em Lo Bello de la Pelea, e o resultado esta mais para um bom item de uma reportagem especial de TV especial do que para um documentário. Alguns se perguntam qual seria a reação da população local, se alguns cineastas europeus se atrevessem a observar as pessoas não com ingenuidade e bondade, mas com uma abordagem mais dura e crua - sem recorrer a recursos estilísticos para embelezar-lo. «A beleza está nos olhos de quem vê». Assim é com o preconceito e o machismo, a culpa e o paternalismo. Não podemos nem esquecer de onde viemos, nem de onde os estrangeiros são. Nossa realidade é a nossa, e ainda, ao mesmo tempo, para todos aqueles que desejam sinceramente abraçá-lo como se ela fosse sua.

T

TRÊS PERGUNTAS PARA THREE QUESTIONS TO

Renate Roginas

O

que é a Villa Kult? Villa Kult é um projeto que acalentei como um sonho durante toda a minha vida. Durante 30 anos eu estive produzindo e financiando filmes.Villa Kult é uma empresa com sede em Berlim, que é baseada principalmente no conceito de intercâmbio multidisciplinar. Achamos que é importante para os artistas de todo o mundo obter treinamento. O treinamento nunca é demais em nossas vidas, devemos ser sempre curiosos. Nesse sentido, a Villa Kult tem diferentes tipos de programas, seminários, workshops e residências para artistas. Agora, estamos trabalhando em um projeto sobre imigração chamado de «Babilônia». O que você está fazendo no Festival do Rio? Na última sexta-feira houve um lançamento de 10 projetos latino-americanos. Eles foram selecionados em um concurso durante o Rio Market. Eu escolhi um destes projectos para ter uma residência de 5 dias na Villa Kult. Eu vou ser a tutora e vou fazer reuniões de negócios para os cineastas. O que os jovens realizadores precisam a fim de propor projetos interessantes? Estou um pouco assustada, porque eu acho que estão faltando boas idéias. Novas tecnologias nos dão novas maneiras de contar histórias, mas isso não é suficiente. Não podemos ser somente inspirados por outros cineastas. Precisamos ter uma troca de forma multidisciplinar. Eu acredito fortemente que se nós nos misturarmos mais um pouco, muita inspiração sairá desses encontros e intercâmbios.

proprietária da Villa Kult owner of Villa Kult

W

hat is Villa Kult? Villa Kult is a project based on a lifetime dream of mine. During 30 years I was producing and funding films.Villa Kult is a company established in Berlin that is mainly based on the concept of multidisciplinary exchange. We think it’s important for artists all over the world to get trained. Training is never over in your life, you must always be curious. In that sense,Villa Kult has different kind of programmes, seminars, workshops and residences for artists. Now, we are working in a project about immigration called “Babylon”. What are you doing at the Festival do Rio? Last friday there was a pitching of 10 Latino-american projects. They were selected out of a contest that took place in the Rio Market. I chose one of these projects to have a 5 day residency at Villa Kult. I will be the coach and I will make business meetings for the filmmakers. What do young filmmakers need in order to propose interesting projects? I am a little bit scared because I think we are missing good ideas. New technologies give us new ways to tell stories but this is not enough. We need to be inspired not only by other filmmakers. We need to have an exchange in a multidisciplinary way. I believe very strongly that if we mixed a little bit, a lot of inspiration would come out of these encounters and exchanges.

here is the United States, and then there is everything just below it. That could be one of the most recurrent ways people from other latitudes recognize this region everybody likes to call Latin America, a subcontinent divided by two main languages: portuguese and spanish. A whole region in itself, Brazil does though share with its neighbouring countries the attention received from filmmakers coming from Europe, North America and even Asia. The Rio Film Festival is actually the perfect melting pot in which to find singular and significant examples of the current trends in cinematic portraits of Latin America, from a distance and close-up. Bolivians seen through a Japanese lense. Peruvians explored by Belgians. Brazilians celebrated by the British. Panamians re-visited by North Americans. The interest comes from all directions, and in many cases, with the best of the intentions – though of course, these can still be problematic. Take Toshifumi Matsushita’s Pachamama. The film impresses with its naive appreciation of the Quechua, an indigenous people of Bolivia. They are shown working their land tenaciously (‘‘Mother Earth’’ is the literal translation of the film’s title), little children are singing and playing handmade instruments, drinking corn-made

Chicha and eating fresh honeycomb, in complete equilibrium with nature. Whilst this is all probably similar to what a native Bolivian’s life must be like, the way the film presents it deviates very little from the stereotype unfairly projected to Japanese tourists. The BelgianGerman coproduction Altiplano beautifully displays the Peruvian andean mountains - and not the Bolivian region the title mistakenly refers to - without worrying much about its overstylized and euro-centric usage of local imagery.

There are other approaches to Latin American realities, and one in particular is closer to an omnipresent contribution from the western culture to the rest of the planet: the search for success. It is success that Irlan Santos has been fighting for his entire life, as Beadie Finzi clearly states in her first documentary feature, Only When I Dance. Leaving the favela and winning his dream life in Laussane or New York is the way out for Irlan, a poor, black (and therefore “unlikely”) ballet dancer. His story - the exception to the rule in Rio’s Favelas - makes the perfect material for a warm documentary, but it doesn’t assure a remarkable film as a result. Guilt can be a powerful engine as well, driving people to document realities from territories abroad which, in the past, their fellow countrymen helped to either conquer, invade or exploit, militarily or economically. Take for instance the Panama Canal: once property of Colombia, later owned by the then newly-born Central American country, whose independence was backed by not other that the U.S. Navy. American photographer John Urbano visited this area in Lo bello de la pelea, a good item for a TVspecial reportage rather than a documentary film. One wonders what would be locals’ reaction if some European filmmaker dared to observe their people not with naivety and kindness, but with a more harsh and crude approach - without recurring to stylistic resources to beautify it.

‘‘Beauty lies in the eye of the beholder’’. So does prejudice and chauvinism, guilt and paternalism. We can neither forget where we come from, nor where foreigners are from. Our reality is our own, and yet, at the same time, for everyone who wants to honestly embrace it as theirs.

Quadro dos críticos

C R I T I C S P O O L

Luiz Carlos Merten Estado de Jornal do Brasil São Paulo

Carlos Heli de Almeida

Neusa Barbosa

Rui Pedro Tendinha UOL

Notícias Magazine

(Portugal)

Matthieu Darras Positif (France)

Viajo porque preciso, volto porque te amo

4,4

Hotel Atlantico

2,2

Os famosos e os duendes da morte

2,8

Bellini e o demônio Os inquilinos Sonhos Roubados Natimorto O amor segundo B. Schianberg Histôrias de amor duram apenas 90 minutos

O sol do meio dia Cabeça a prêmio

Mary Carmen Molina

from Pachamama by Toshifumi Matsushita

H

á os Estados Unidos, e em seguida, há de tudo um pouco abaixo dele. Essa poderia ser uma das formas mais recorrentes para que povos de outras latitudes reconhecessem esta região, chamada América Latina, um sub-continente dividido por duas línguas principais: o português e o espanhol. Uma região inteira, por si só, o Brasil compartilha com os países vizinhos, a atenção recebida de cineastas vindos da Europa, América do Norte e até mesmo na Ásia.

------------------------------------------------------

América Latina do outro Latin America by others


---------------------------------------------------------------------

RETRATO / PORTRAIT

Inés Efron

um ato natural a natural act

S

eria muito fácil definir a atriz Inés Efrón como uma estrela em ascenção. Fácil, mas talvez não tão correto (além do fato de ser um termo bastante clichê). Por que? Porque o adjetivo não cabe tão bem no termo estrela quanto na condição ascendente.

nenhum de nós sabia exatamente o porquê de estarmos indo lá. Alexis nos deu tanta liberdade e conforto que quase esquecemos que havia uma câmera”. A aproximação com o trabalho artístico não a mudou desde então, e é por isso que ninguém pode chamá-la de estrela no sentido de diva. Não que ela não tenha sucesso ou não tenha criado sua própria persona. É apenas porque é difícil imaginá-la simplesmente como uma estrela por causa do seu jeito natural e estilo desajeitado (que combina lindamente com a vinda suave do

Desde seu primeiro papel em Glue, de Alexis Dos Santos (gravado em 2005), ela atuou como protagonista em 3 dos 7 filmes em que fez parte, que vão desde comédias românticas, como Amorosa Soledad, a filmes densos e de autores cerebrais como The Headless Woman, Eu gosto de misturar verdade com brincadeira de Lucrecia quando atuo; e respeitar algo natural dentro de Martel. Inés nasceu em 1985 mim sem tentar mudá-lo. É isso, não é atuação” e é uma das grandes atrizes da nova geração do cinema envelhecimento em Glue). E embora seus argentino. Então, certamente ela está em olhos inocentes e atentos possam lhe fazer ascensão. pensar o contrário, há algo em que a atriz é muito consciente. “Victoria Galardi, uma das Embora tudo isso começou, de fato, sem diretoras de Amorosa Soledad, diz que uma fazer qualquer tipo de esforço cênico: coisa em mim é que eu pareço não perceber a “Quando eu fiz Glue”, contou à Nisimazine, câmera”, diz ela, “Eu acho que isso é verdade. “eu mal percebi que estava fazendo um filme. Eu não sou o tipo de ator que presta atenção Eu ia à Zapala com uns amigos no verão e na câmera ou vai ver como a cena ficou depois

Nisimazine RIO 06. 09. 2009 / # 6 A gazette published by the association N I S I M A S A with the support of the Festival do Rio and the Youth In Action programme of the European Union

text: Agustìn Mango photo: Luis Sens

de gravada – eu realmente admiro quem age assim - eu gosto de misturar verdade com brincadeira quando atuo; e respeitar algo natural dentro de mim sem tentar mudá-lo. É isso, não é atuação”. Seu estilo, segundo Inés, foi inspirado na atriz argentina Mariana Chaud, mas ela também tem como fonte outras atrizes: “Agora mesmo eu posso pensar em Meryl Streep, Catherine Keener, Valeria Bertuccelli, Miranda July... Elas nunca param de me impressionar”.

exactly why we were going there. Alexis gave us so much freedom and comfort we almost forgot about the camera”. That approach towards her craft hasn’t really changed since, and that’s why one can hardly depict her as a “star” in the excessively diva-like sense of the word. Not that she isn’t successful, or didn’t create her own film persona. It’s just hard to think of her as a star simply because of her natural manner and loose style (which suited beautifully the sweet coming of age story in Glue). And although her innocent, open eyes may lead you to think otherwise, that’s something she’s very conscious of. “Victoria Galardi, one of the Amorosa Soledad directors, says the thing about me is that I look like I’m not aware of the camera”, she says. “I think that´s

Ricardo Darin, talvez o mais respeitado ator argentino atualmente, interpretou seu pai na primeira vez em que atuou como protagonista após Glue: a hermafrodita adolescente chamada Alex em XXY, de Lucía Puenzo – vencedor do Grande Prêmio da Semana da Crítica em Cannes em 2007. O ator certamente I like to mix truth and play when I work; and fez a diferença to respect something natural inside me wina vida de Inés: thout trying to change it. That is, not acting. “Ricardo é um poderoso ser humano”, basically true, I’m not the kind of actor who diz Inés, “eu sou muito grata de ter conhecido pays attention to the camera, or takes time to uma pessoa tão intensa e apaixonada. E pela troca que tivemos quando trabalhamos juntos”. see how the scene is being shot - I really admire those who can do that - I like to mix truth and Sua relação com a diretora também provou play when I work; and to respect something nater sido produtiva. Inés estrela, ao lado da tural inside me without trying to change it. That cantora Mariela Vitale (em seu primeiro papel no cinema, uma verdadeira revelação), is, not acting”. It’s a style Inés says was inspired by Argentine actress Mariana Chaud, but o segundo filme de Puenzo, El Niño Pez, which she also finds in many actors: “right baseado numa história da própria diretora. now I can think of Meryl Streep, Catherine “Com Lucía, eu sinto que o destino nos uniu, como se tivéssemos mesmo que nos conhecer”, Keener, Valeria Bertuccelli, Miranda July… They never cease to amaze me”. diz a atriz, “e ela encontrou em mim alguém em que pudesse expressar as coisas que Ricardo Darin, perhaps the most respected sente. Trabalhar com ela não é fácil pra mim; Argentine actor today, played her father in eu sempre tenho que ir além dos meus próprios limites, e eu acho isso muito interessante. her first leading role after Glue, a teenage hermaphrodite named Alex in Lucía Puenzo’s Nós somos muito importantes na vida uma da XXY - winner of the Critics’ Week Grand outra”. Prize in Cannes in 2007. He certainly made a difference in Inés’ life: “Ricardo is a very Na verdade, seria difícil imaginar um filme powerful being”, she says. “I’m very grateful futuro de Puenzo sem Inés. Mas como to have met such an intense and passionate parece que a diretora está focando em seus person. And for the sharing we had when acting roteiros, ela não irá dirigir outro longa tão together”. Her relationship with the direccedo. “Meu próximo projeto é um filme chamado Llamada Cerro Bayo, de Victoria Galardi, tor has also proven to be quite productive. Inés stars alongside singer Mariela Vitale (in diretora de Amorosa Soledad. Minha personagem é adorável: uma garota que é obcecada em her first cinema role, a truly breakthrough performance) in Puenzo’s second feature El atingir o orgasmo para poder liberar a tensão Niño Pez, based on the helmer’s own novel. que ela alega ter entre suas sobrancelhas, o “With Lucía, I feel fate brought us together, que, segundo ela, é também o que vai evitar like we definitely had to meet”, she says, “and ela se tornar a Miss Cerro Bayo”. she found in me someone who can express the things she feels. Working with her is not easy Portanto, sim, vamos chamá-la de atriz em for me; I always have to get through my own ascensão então. Porque parece que Inés Efrón vai continuar crescendo e florescendo difficulties, and I find that very interesting. We’re very important in each other’s lives.” sua carreira. Desde que ninguém tente a transformar numa estrela. Actually it would be hard to picture a future Puenzo film without Inés. But as Puenzo seems to be focusing on her writing prot would be quite easy to depict actress jects, she won’t be directing another film Inés Efrón as a “rising star”. Easy, but anytime soon. “My next project is a film called maybe not quite right (apart from also Llamada Cerro Bayo, by Amorosa Soledad dibeing the biggest of clichés). Why? rector Victoria Galardi. My character is lovely: it’s Because the shoe fits less for the “star” part a girl who’s obsessed with achieving an orgasm that for the “rising” condition. so she can ease the tension she claims to have between her eyebrows, which according to her is Since her first role in Alexis Dos Santos’ also what will prevent her from becoming Miss Glue (shot in 2005), she has played the lead Cerro Bayo”. in 3 of the 7 films she featured in, which range from romantic comedies like Amorosa So, yes, let’s call her a rising actress then. BeSoledad to dense and cerebral auteur films cause it seems Inés Efron will keep on rising like Lucrecia Martel’s The Headless Woman. and blossoming in her career. As long as no She was born in 1985, and is now one of the one tries to change her into a star. leading young actresses in Argentine cinema. So yes, she’s definitely rising.

I

Yet it all started, in fact, without doing any acting at all: “When I made Glue”, she tells Nisimazine, “I barely realised I was making a movie. I was going to Zapala with a couple of friends in the summer, and neither of us knew

EQUIPE EDITORIAL / EDITORIAL STAFF Diretor de Publicação / Director of Publication Matthieu Darras Editores-Chefe / Editors in Chief Rui Pedro Tendinha, Jude Lister Tradutores/ Translators Bruno Carmelo, Sabrina Fidalgo, Arturo Mestanza, José Márcio Siecola de Freitas , Luiza Burkardt Portugal Design Maartje Alders Contribuíram para esta edição / Contributors to this issue Mary Carmen Molina Ergueta, Luuk van Huët Zsuzsanna Kiràly, Agustín Mango, Silviu Pavel, Laslo Rojas Luis Sens, Dominika Uhríkóva

O MENINO PEIXE 05/10 Est Barra Point 1 22:30 06/10 Cine Santa 21:00 07/10 Estação Ipanema 1 15:15, 19:45

NISI MASA (European Office) 99 Rue du Faubourg Saint Denis 75010, Paris, France. Tel + 33 (0)1 53 34 62 78 europe@nisimasa.com / www.nisimasa.com

este projeto é patrocinado por / this project is funded by:

Nisimazine Rio #6  

Daily magazine published at the Festival do Rio 2009, Rio de Janeiro, Brazil. Created by NISI MASA, the Network of Young European Cinema.

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you