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Rio de Janeiro

Nisimazine ----------------------------------------------Friday 2 October

#4

Um magazine especial publicado por NISI MASA; rede europeia de cinema jovem, no âmbito de um workshop de jovens críticos A festival gazette published in the framework of a workshop for young critics by NISI MASA, European network of young cinema

EDITORIAL by Mary Carmen Molina Ergueta

FILME DO DIA / FILM OF THE DAY

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uando é para lidar com temas de identidade sexual , o cinema acaba por ser um dos espaços onde essas mesmas identidades são construídas com maior intensidade. Entre as variadas secções do Festival, descobri Gay World, uma eclética mostra de 12 longas de ficção e documentários de todo o mundo.

hen it comes to dealing with issues of sexual identity, cinema seems to be one of the spaces in which these identities are constructed with more intensity. Among the sections of the Festival do Rio, I found Gay World, an eclectic gathering of 12 feature films and documentaries from all around the globe.

O que têm esses 12 filmes em comum? À primeira vista, a resposta parece natural: seus temas são gay. Todavia, hoje a questão é complicada e uma resposta natural é, talvez, inadequada. Creio ser necessário questionar a pertinência de se falar do «mundo» gay, sobretudo porque há tendência em o colocar num gueto. Será que para construir identidade é necessário criar fronteiras?

What do these 12 productions really have in common? At first glance, the answer seems natural: they have gay themes. However, today the question is tricky and a natural response is, perhaps, inadequate. It’s necessary to question the pertinence of talking about the gay ‘‘world’’, which tends to ghetto-ize it: in order to build identity is it necessary to raise (more) borders?

Numa breve ronda nesta secção, vi dois filmes radicalmente diferentes: Morrer como Um Homem, de João Pedro Rodrigues e An Englishman in New York, de Richard Laxton. O que os distingue está na forma como as personagens principais são descritas: por um lado, um filme não idealista sobre um amante que é simultaneamente pai e drag queen, do outro, uma idealização inocente de um lendário cavalheiro gay. De qualquer modo, ambos filmes colocam a mesma pergunta: porque razão fazer compartimentações?

In a brief tour of this section, I watched two radically different films: To Die Like a Man by João Pedro Rodrigues and An Englishman in New York by Richard Laxton.The difference between them lies in the way the main characters are portrayed: on one hand, a non-idealistic film about a full-time lover, father, and drag queen; on the other hand, the naïve idealization of a once-interesting gay gentleman. However, both films ask the same question: why do we set boundaries?

A verdade é que a descriminação não desapareceu. Nesse sentido, explorar esta secção do festival é um desafio e um duro ponto de interrogação: será que é possível falar de sociedades verdadeiramente democráticas e com diversidade? Você só tem de averiguar por si próprio.

The truth is that discrimination has not disappeared. In that sense, to explore this festival section is a real challenge and a tough question mark: it is possible to speak of truly diverse, democratic societies? You do the math.

Visite nosso website * WWW.NISIMAZINE.EU * para acessar o VIDEOBLOG ‘Jeanne Moreau no Nós dos Morro’ e conferir mais informações sobre o festival por exemplo: Crítica ALTIPLANO Retrato VERA EGITO

Photo by SILVIU PAVEL

FOTO DO DIA / PICTURE OF THE DAY

NADA PESSOAL (Rien de personnel)

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Mathias Gokalp (França, 2008)

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22 anos/years, Bolivia

rise. Por meses, emissoras de TV, estações de rádio e jornais não tem nada a dizer a não ser essa palavra de cinco letras. Como um eco dessa difícil situação sócio-econômica, Mathias Gokalp assina Nada pessoal.

risis. For months, TV, radios and newspapers have had nothing to say but this six-letter word. As an echo of the current socioeconomic plight, Mathias Gokalp signs Rien de Personnel.

Levemente kafkiano , esta farsa intimista e sombria acompanha o confronto entre o gerente e os empregados da companhia Muller, uma empresa farmaceutica fictícia. Durante uma noite gelada de inverno, dentro de uma luxuosa mansão particular, estão todos prestes a participar de um estranho tipo de evento social de trabalho. Stranho porque, qual afinal seria o objetivo dessa refinada recepção que se transforma rapidamente numa avaliação coletiva onde exames orais frente a frente são interrompidos por rumores de venda da empresa? Quem está determinado a esfolar os outros e aque preço? Pode a liberdade de expressão, coragem e impertinência de alguns elétrons livres e párias competir com a frieza capitalista daqueles que decidem ? Ao final do dia, qual comportamento deveria ser escolhido ? Entrar no jogo, orgulhoso de seu terno Agnes B. como Bruno, o técnico e ator interpretado por Jean-Pierre Darroussin ; sindicalizar-se, como Gilles (Dennis Podalydès), ou deleitar-se antecipadamente por uma precoce e confortável aposentadoria às custas de alguém ? E a auto-estima nisso tudo ? E o amor ?

Slightly Kafka-esque, this behind-closed-doors black farce follows the confrontation of the manager and the employees of the Muller company, a fictitious pharmaceutical firm. During a freezing winter night, it is between the walls of a luxurious private mansion that they are all about to take part in a strange kind of work social event. Strange, because what on the earth is the goal of this refined reception which turns quickly into a collective evaluation where face-to-face oral tests are disrupted by the rumour of an imminent acquisition? Who is out to skin other people alive, and at which price? Can the freedom of speech, courage and impertinence of some free electrons and outcasts compete with the capitalist coldness and cynicism of the decision makers? At the end of the day, which behaviour should be chosen: to play the game, proud of an Agnes B. suit like Bruno, the coach and actor played by Jean-Pierre Darroussin, to unionize like Gilles (Denis Podalydès), or to be delighted in advance by an early and cushy retirement in one’s “garden and shack”? And what about self-esteem amongst all that? And love?

Conduzido por atores e atrizes igualmente talentosos (de Pascal Greggory, simplesmente perfeito como um frio e odioso gerente de olhos azuis, à Bouli Lanners, bastante comovente, especialmente durante sua versão bêbada do grande sucesso de Johnny Hallyday, Je te promets), Nada pessoal é um surpreendente filme de estréia. O ponto de vista de Mathias Gokalp é ao mesmo tempo lúcido e surrealista ; sua narrativa caleidoscíca ao estilo de Alain Resnais é inteligentemente desenvolvida. E sem dúvida alguma, não é por acaso que essa tragicomédia existencilaista comece com tomadas aparentemente clínicas de corpos estripados e termine com cenas de reconciliação, onde o personagens principais falam com a melhor das intenções. Como mudar da ganância pelo poder (Vanitas) para a honesta alegria de estar juntos.

Carried by equally talented actors and actresses (from Pascal Greggory, just perfect as an icy blue-eyed, bitchy manager, to Bouli Lanners, very touching, especially during his drunken version of Johnny Hallyday’s hit, Je te promets), Rien de Personnel is an astonishing first film. The viewpoint of Mathias Gokalp is at the same time lucid and surrealist, his Alain Resnais-like kaleidoscopic narration is intelligently developed. And it is undoubtedly not by chance if this existentialist tragicomedy starts with quasi clinical shots of eviscerated bodies and closes itself on scenes of reconciliation, where the main characters speak open-heartedly. How to switch from the greed for power (Vanitas) to the honest joy of being together.

1/10 3/10 5/10 6/10

Estação Botafogo 1 12:00, 18:00 Estação Ipanema 2 15:45, 20:15 Est Barra Point 2 22:15 Cine Glória 14:00

Emilie Padellec


ENTREVISTA / INTERVIEW Espíritos da rua Street spirits

Diretora of Lluvia (Chuva) Director of Lluvia (Rain)

CHUVA 02/10 Est Barra Point 1 15:45

PAULA HERNÁNDEZ

Em seu segundo filme, Paula Hernández faz uma parada obrigatória e procura por resposta em uma invulgar e chuvosa Buenos Aires.

C

omo consegue manter uma história em um nível tão íntimo quando se trabalha com uma produção grande? Diferente do meu filme anterior, para Rain eu queria primeiro escrever o que eu tinha em mente para depois pensar sobre como colocar em prática, porque quando você escreve “está chovendo” no roteiro, você sabe que vai precisar de uma produção grande. Este foi o maior risco para o filme e muito complexo para todos, para os atores principalmente, porque o filme foi definido para ser uma “história de dois”, onde o resto dos elementos estão fora de cena, fora de foco. Durante o processo de escrita, priorizei a história e um certo estilo, um jeito de narrar visualmente, algo como um código visual para o longa. Mas quando você tem um grande nível de produção, você se sente tentado a começar a fazer mais coisas que já tinha planejado. Daí é quando você tem de retornar para um estágio mais austéro. Primeiro pode parece que há apenas dois personagens principais, mas então nós encontramos mais personagens no filme: estradas, prédios, quartos de hótel, apartamentos, carros... Sim, são dois deles, a cidade e a chuva. Eu sempre pensei que poderia acontecer em Buenos Aires, mas eu não queria uma realística B.A., a cidade não tem essa neblina, essa chuva. Eu queria uma cidade que tinha sua própria lógica em relação à história do filme. Poderia ser B.A. ou outra cidade contemporânea, onde você pode ser um tipo de anônimo. Alma transforma seu carro em uma casa temporária, portanto a cidade tem uma utilidade diferente para ela, os bares, os postos de gasolina, os banheiros, etc. O mesmo com Roberto, o hotel não é uma casa, é um lugar de trânsição. A chuva é o estado de um processo circular. A Vida também é um ciclo: o velho pai em seus últimos dias e a nova vida que deve começar no fim do filme...

Viver implica em ter esses ciclos na sua vida, ciclos que você vai sempre fechando. Para eles seguirem adiante, era necessário quebrar os freios, lembrar quantas marcas eles carregam do passado e procurar por resposta que eles nunca encontraram antes. Não interessa se eles encontram ou não, mas apenas o ato de procurar é importante. Valeria Betuccelli, que interpreta Alma, canta uma das canções do filme. Sim, nós tivemos essa música francesa quase nossa, mas no fim não conseguimos os direitos legais para utilizá-la. Um dia, Valeria e Vicentico (seu marido, vocalista de uma conhecida banda argentina, Los Fabulosos Cadillacs) vieram com uma música. Foi estranho, nunca pensamos que Valeria poderia cantar para o filme. Foi um ato de amor! A música incidental também dá o tom no filme. Foi complicado porque eu senti que a chuva e o tráfego poderiam já construir um próprio código sonoro. Então eu tive de adicionar algo que não competisse com esse código, mas seguir com ele. Os intrumentos que Sebastián Escofett trabalha dão o tom exato à melancolia pretendida.

In her second fiction feature, Paula Hernández makes a necessary stop, and searches for some answers, in an unusually rainy Buenos Aires.

H

ow did you manage to keep the story on an intimate level while working with such a large production? Unlike my previous film, for Lluvia I wanted first to write down what I had in my head, and later think about how to resolve it, because when you write ‘it rains’ in the

script, you know it’s going to need a larger production. That was the biggest risk for the film, and that was very complex for everyone, for the actors mainly, because the film was set to be a ‘‘story of two’’, where the rest of the elements were off-camera, out of focus. During the writing process I prioritized a story and a certain style, a way to narrate visually, something like a visual code for the film. But when you have a great level of production you feel tempted to start making more things that you planned to! That’s when you have to return to a much more austere state. At first, it might seem that there are only two leads, but then we find more characters in your film: highways, buildings, hotel rooms, apartments, cars... Yes, it’s the two of them, the city and the rain. I always thought it’d take place in Buenos Aires, but I didn’t want a realistic Bs.As., the city doesn’t have that fog, that rain. I wanted a city which had its own logic in relation to the story of the film. It can be Bs.As. or any other contemporary city, where you can be sort of anonymous. Alma turns her car into a temporary house, therefore the city has a different use for her, the bars, the gas stations, the bathrooms, etc. Same with Roberto, a hotel is not a house, it’s a place of transit.

-------------------------------------CRÍTICA / REVIEW Politist, Adjectiv Corneliu Porumboiu, Romênia

V

encedor do Câmera de Ouro no Festival de Cannes em 2006 com 12 :08 East of Bucharest, pioneiro na chamada nouvelle vague romena, Porumboiu está de volta com sua segunda história da Europa Oriental. Sem celebrações de Natal desta vez : Police, Adjective lida com um inspetor policial Cristi, de uma pequena cidade, focando em sua função do momento, que é seguir um adolescente suspeito de vender maconha. As cenas em slow motion, diálogos minimalistas e movimentos de câmera podem parecer sem fim e de alguma forma prolongados à primeira vista. Porém é exatamente neste ritmo interminável e monótono que o humor discreto e inteligente de Porumboiu é apresentado com precisão. Observando a vida de Cristi à distância permite uma ironia de leve, um ponto de vista um tanto melancólico

3/10

The rain is a state of a circular process. Life is also a cycle: the old father in his last days, and the new life that might begin at the end of the film.. To live implies having these cycles in your life, circles that you keep completing. For them to move on, it was necessary to hit the brakes, to remember how much burden they bring from the past, and to look for answers they never found before. No matter if they find them or not, just the act of searching is important. Valeria Bertuccelli, who plays Alma, sings one of the songs in the film. Yes, we had this French song almost secured, but in the end we didn’t get the proper rights to use it. One day Valeria and Vicentico [her husband, leader of renowned Argentinian band Los Fabulosos Cadillacs] came to me with a song. It was strange, we never thought Valeria would sing for the movie. It was an act of love! The incidental music also sets a tone for the film. It was complicated because I felt that the rain and traffic jam could already construct a sound code. So I had to add something that didn’t compete with that code, but flow with it. Sebastián Escofett’s score provides the exact tone of melancholy needed.

Laslo Rojas

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Est Vivo Gávea 2 13:40, 18:00

para os microcosmos burocrático de ambos postos policiais e a hesitação moral humana em geral. De fato, quanto mais Cristi se envolve no paradeiro do adolescente de 16 anos, menos ele se interessa em seguir adiante. Pelo contrário. Ele começa a nutrir uma certa empatia pelo garoto e sente a culpa caso a situação arruine a vida do suspeito apenas por fumar maconha. Mais, ele evita seu superior por um tempo e faz de tudo pra provar que o garoto é apenas uma criança. Finalmente, na esplêndida cena final, que vale a pena esperar, Cristi é confrontado pelo seu superior, que apenas fala a língua das leis e da Academia Romena, e é forçado a decidir se prende o garoto ou abandona seu emprego. Ele escolhe a primeira opção. O que está certo ou errado ? Em que opinião e em que língua ?

C

amera d’or winner at the Cannes film festival in 2006 with 12:08 East of Bucharest, pioneer of the so-called Romanian nouvelle vague, Porumboiu is back with his second East-side story. No Christmas shows this time: Police, Adjective deals with small town police inspector Cristi’s everyday life, focused on his current task of following a teen suspected of selling pot. The slow-motion scenes, minimalistic dialogues and camera movements of Police, Adjective may seem endless and somewhat drawn-out at first sight.Yet it is precisely in this endless and monotonous rhythm that Porumboiu’s discrete and intellectual

humour is brought out with precision. Observing Cristi’s life from a distance allows for a slightly ironic, yet melancholic point of view of both the police station’s bureaucratic microcosm and human moral hesitations in general. As a matter of fact, the more Cristi gets involved by following the 16-year-old, the less willing he is to continue. Instead, he starts to feel empathy towards the youngster and feels responsibility in case he ruins his life only for smoking pot. Thus, he avoids his superior for some time and does everything he can to prove that the boy is just a child. Finally, in a splendid last but not least scene, worth waiting for, Cristi is confronted by his superior, who only speaks the language of the law and the Romanian Academy, he is forced to decide whether to arrest the boy or leave his job. He finally chooses the first option. Was this right or wrong? In whose opinion and in what language?

Laura Talvet


Os trabalhos apresentados são de qualidade variável em direção e narração de histórias, e uma escrita brasileira é quase descoberta. Porém, a diversidade dos curtas na seleção são promissores e certamente irá conquistar o público.

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Mas e se um casal de meia idade atravessa uma crise? Em Sildenafil do diretor

Gandja Monteiro (directora) Until now, which are your favorite Brazilian films in the festival?

Eu realmente gostei do documentário Além de Ipanema [Guto Barra, Béco Dranoff], porque é uma história diferente, sem narrativa. Os famosos e os mortos, filme de Esmir Filho, é uma abordagem bastante interessante de uma comunidade no Brazil da qual ninguém nada sabe. Eu também adorei Eu viajo porque preciso, Eu volto porque te amo [Karim Aïnouz, Marcelo Gomes]. Eu acho que é incrível, tanto quanto outros filmes de Aïnouz. Ele é como um herói para mim.

I really liked the documentary Beyond Ipanema [Guto Barra, Béco Dranoff], because it’s a different story, not narrative. Esmir Filho’s The Famous and the Dead is such an interesting approach to a community in Brazil that no one really knows about. I also really loved I travel because I have to, I come back because I love you [Karim Aïnouz, Marcelo Gomes]. I think it’s amazing, as well as other Aïnouz films. He’s like my hero.

Você está apresentando algum filme no festival? Eu estou apresentando um curta-metragem chamado Quase todo dia. É sobre Priscila, uma mãe solteira brasileira. Meu filme mostra as dificuldades que ela enfrenta no Rio de Janeiro tentando criar uma criança e ser bem sucedida em sua carreira. É sobre como a cidade se torna um obstáculo para ela. Todos os personagens representam a si próprios: o filme tem um estilo ficcional, mas é baseado na vida real. O que você acha dos seminários e reuniões do Rio Market? Eu nem mesmo sei se poderei ir. Meu filme está disponível para ser exibido, mas na verdade, para mim é um pouco confuso.

Are you presenting a film in the festival? I’m presenting a short called Almost Everyday. It’s about Priscillia, a Brazilian single mother. My film shows the difficulties she has in Rio de Janeiro, trying to raise a child and be successful in her career. It’s about how the city becomes an obstacle to her. All the characters play themselves: the film has a fictional style, but it’s based on real life. What do you think about the Rio Market seminars and meetings? I’m not sure if I can even go. My film is available to be screened, but for me it’s actually a little confusing.

Mary Carmen Molina and Sabrina Fidalgo

T

his year’s ‘‘Premiere Brasil” shorts present well-experienced as well as debut directors, in a diverse yet rather cautiously selected competition.The most common topics such as love, family conflicts and adolescence dominate the stories, but the wheel doesn’t have to be reinvented as long as the angle is original and the story catchy. It is the love stories in the selection which are the most engaging. O teu sorriso (Bliss) by Pedro Freire - whose films have been screened at festivals in Oberhausen, Torino and Cinéma du Réel, is about an elderly couple who are mad about each other, happily spending all day together in bed.The naturalistic aesthetics and approach to the characters create an intimate atmosphere, giving a detailed portrayal of everyday interaction: eating, laughing, talking – things people do and say when in love. Intriguing in its representation of love and sexuality of people in their 60s and 70s, it reminds one of the awardwinning feature Wolke 9 by Andreas Dresen. It would seem that romance at later stages of life is not a cinematic taboo anymore.Why the short is screened out of competition seems strange, as it is one of the strongest directorial works in the programme and was also shown at Venice this year. But what if a middle-aged couple is going through a crisis? In Sildenafil by advertising and TV-director Clovis Mello, the marital bed is the location of an unequal conflict, in which a couple confronts each other with their opposing sexual expectations in a lifelong relationship. Amid wants to make love but her hypochondriac husband Horatio refuses to try Viagra.This is the starting point of an exhausting argument: she annoys him with her vulgar and cynical comments, whereas he acts like he is over and done with the whole thing.The dynamic dialogues, and not least a desperate and yet comical sex scene, make this short a must-see of the competition.

TRÊS PERGUNTAS PARA THREE QUESTIONS TO Até agora, quais são seus filmes brasileiros favoritos no festival?

from Sildenafil, by Clovis Mello

Um história de amor fatídica é contada em DoceAMARgo (BitterSweetLove) de Rafael Primot, que é ator, roteirista e diretor. Machucados após um acidente de carro, o jovem casal alterna a conversa entre os ataques de pânico, brincadeiras e juras de amor. A causa do misterioso acidente de carro e o final imprevisível mantem o espectador tenso. Boa iluminação e fotografia, trajes elaborados e maquiagem também tornam este curta atraente na forma.

from DoceAMARgo (BitterSweetLove) by Rafael Primot

Na Première Brasil são as história de amor que são as mais atraentes. O teu sorriso (Bliss), de Pedro Freire - cujos filmes foram exibidos em festivais como os de Oberhausen, Torino e Cinéma du Réel, é sobre um casal de idosos que é louco um pelo outro e feliz de passar o dia juntos na cama. A estética naturalista e aproximação com os personagens criam uma atmosfera intimista, dando um retrato detalhado da interação diária: comer, rir, falar - coisas que as pessoas fazem e dizem quando apaixonadas. Intrigante em sua representação do amor e da sexualidade das pessoas em seus idos 60 e 70 anos, lembra um pouco o premiado Wolke 9 de Andreas Dresen. Parece que o romance em fases posteriores da vida não é mais nenhum tabu cinematográfico. A razão pela qual o curta é exibido fora de competição é estranha, já que este é um dos trabalhos mais fortes na direção da seleção e também foi mostrado em Veneza este ano.

de publicidade e TV Clóvis Mello, o leito conjugal é a localização de um conflito desigual, em que um casal confronta-se com suas expectativas sexuais opostas em um relacionamento de uma vida. Amid quer fazer amor, mas seu marido hipocondríaco Horatio se recusa a experimentar o Viagra. Este é o ponto de partida de um cansativo argumento: ela irrita-o com seus comentários vulgares e cínicos, enquanto ele age como se não fosse com ele. Os diálogos dinâmicos, e não menos desesperados e ainda uma cena de sexo cômico, tornam este curta um «must-see» da competição.

from O teu sorriso (Bliss) by Pedro Freire

N

esta edição dos curtos na Premiere Brazil podemos ver jovens e consagrados diretores numa mostra competitiva tão diversa como meticulosa. Os tôpicos mais comuns são amor, conflitos familiares e adolescência, mas nada tem de ser reiventado desde que o ponto de vista seja original e a história consiga pegar o espetador.

by Zsuzsanna Kiràly

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FOCO / FOCUS

Brazilian Shorts Curtos Brasileiros

and director. Caught bruised in the car after an accident, this young couple’s last conversation alternates between panic attacks, joking and swearing devotion to one another.The mysterious cause of the car accident and the unforeseeable ending keep the viewer tense. Good lighting and cinematography, elaborated costumes and make-up also make this short appealing in a formal way. The presented works are of varying quality in directing and storytelling, and a Brazilian handwriting is hardly to be discovered. However the very diversity of the shorts in the selection are promising and will surely win over audiences.

A fateful end-of-love story is told in DoceAMARgo (BitterSweetLove) by Rafael Primot, who is actor, writer

C R I T I C S P O O L

Quadro dos críticos Luiz Carlos Merten Estado de Jornal do Brasil São Paulo

Carlos Heli de Almeida

Viajo porque preciso, volto porque te amo

Hotel Atlantico Os famosos e os duendes da morte

Bellini e o demônio Os inquilinos Sonhos Roubados Natimorto O amor segundo B. Schianberg Histôrias de amor duram apenas 90 minutos

O sol do meio dia Cabeça a prêmio

Neusa Barbosa

Rui Pedro Tendinha UOL

Notícias Magazine

(Portugal)

Matthieu Darras Positif (France)


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DIÁLOGOS / DIALOGUES

ILDA SANTIAGO & JAY WEISSBERG

text: Zsuzsanna Kiràly photo: Silviu Pavel

a diretora do festival e o crítico globetrotter the festival director and the globetrotting critic

Ilda Santiago, a diretora do festival, e Jay Weissberg, o famoso crítica da Variety, se encontram para um papo amigável onde falaram da paixão de ambos por cinema e sobre os desafios da produção independente de cinema. Fala-se que os festivais podem ser maratonas cansativas, mas deve continuar a haver sempre aquele emoção.Vocês amam o cinema e não se dão ao luxo de não estar nos festivais… Ilda: Acho que os festivais são como bolhas. Gostamos ou da sua atmosfera ou de outro aspeto – é isso que nos escolher estarmos lá. Tem a ver com a energia de cada um. Mas também conta a programação, como aqui que apresentamos uma seleção de filmes brasileiros e da América Latina. Essa é nossa especialidade. Penso que cada festival cria a sua especialidade. O público e a imprensa fica completamente viciado nessa adrenalina, como que uma droga. Cada vez que retorno de um festival digo sempre que nunca mais lá volto e depois meu marido pergunta se há alguma coisa parecida como os alcoólicos anónimos para os diretores dos festivais. Jay: Creio que é o mesmo para o público frequentador de festivais. Comigo é um pouco aquela coisa: acabei de chegar de um festival, vou estar apenas uma semana em minha casa e depois tenho de voltar para outro – será que quero voltar a viajar? De uma certa maneira, você não quer, mas quando estamos lá acabamos por gostar ou, em caso de não ir, fico sempre com receio de ter perdido aquele filme que estava com expetativa. Concordo contigo, Ilda: é como uma droga! Ficamos sempre pensando num festival quando acabamos por não ir.

gastar. O produtor claro que não joga o dinheiro para o ar. Qualquer um espera retorno. O produtor tem um ponto de vista que espera retorno… Não sei onde investiria mas seguro que estaria mais aberta a narrativa e tentaria evitar histórias banais. Jay: Procuraria por novos cineastas que estão trabalhando numa linha para além daquilo que é mais crónico. No cinema da Malásia estão surgindo uma série de novos cineastas que não param de repetir o mesmo filme. Mas nas Filipinas o exemplo ainda é melhor: temos que apanhar com mais um filme sobre as favelas!? Já

vimos isso no cinema de Lino Brocka, que o fazia tão bem! Não estou dizendo que essa temática secou, mas estou realçando que nenhum outro tipo de histórias é usado. Gostaria de financiar alguém das Filipinas, do Brasil ou das Malásia com vontade de fazer algo diferente

Ilda: E fico mesmo pensando que é uma depenIlda: Outro bom exemplo é Un Prophète, de dência quando percebo que estive vendo filmes Jacques Audiard, que é excelente. Mas mal acabei nestes últimos meses em regime de non-stop, de assistir o filme pensei que se fosse produtora todo o dia. A verdade é que não viciada no festinunca teria sido apostado nele. Tinha razões val, sou viciada em cinema. No fim do festival me apetece ir direta para o cinema para assisIlda: Por vezes penso e se as pestir a um filme. Aí sim percebo que sou viciada soas deixam de me enviar DVD’s? em filmes. Mesmo aqueles que são ruins…

Mesmo esses eu gosto de assistir.

Jay:Você nunca desliga. Ilda: Por vezes penso e É vício! se as pessoas deixam de me enviar DVD’s? Mesmo aqueles que são ruins…Mesmo esses eu gosto de assistir. É vício! Jay: Sim, é vício!. Se vocês trocassem a vossa posição na indústria e se tornassem produtores nos próximos anos, que filme vocês gostariam de produzir? Ilda: Depende da ideia pessoal de cinema. Se tivesse dinheiro pensaria duas vezes antes de o

Nisimazine RIO 02 09. 2009 / # 4 A gazette published by the association N I S I M A S A with the support of the Festival do Rio and the Youth In Action programme of the European Union

para isso: é um guião longo e com temática que ninguém quer ver. A verdade é que o filme é espantoso, cheio de paixão, ação e simultaneamente consegue também ser sexy. Temos de agradecer a quem o produziu. Acho que nunca teria realmente investido nesta história.

Ilda Santiago, Rio’s longtime festival director, and Jay Weissberg, infamous film critic of Variety magazine, met for a friendly chat at the beginning of this years festival and talked about their passion for cinema and the challenges of independent film production. We’ve been talking about how exhausting festivals are, but there must also be a certain thrill to it, because you love it and cannot not go to festivals. Ilda: I think that film festivals are like bubbles, you like the temperature or the colour or something else about a certain festival that makes you go to one or the other. It’s the energy that surrounds a festival. And then of course you have the programming, as in Rio you have a special programming of Brazilian and Latin-American films and you specialize in that. I think every festival does create a special thing. The festival-goers and press get totally addicted to the adrenalin, it’s a

drug. Every time after the festival I say I am never going to do this again and then my husband asks, if there is anything like the AA for directors of festivals. Jay: I think it is the same for festival goers as well. I just came back from one festival, I’ve just got one week at home, do I really want to go to the next one? And you don’t to a certain degree, but then you get there and actually are glad, or you

Jay:You can’t turn it off. Ilda: Sometimes I think, what if people stop sending me DVDs? Even the bad ones. I am happy to see the bad films. That’s addiction. Jay: That’s addiction. If you could change your positions in the industry and be a producer for the next few years, which film would you like to produce? Ilda: It depends on your personal idea of cinema. If I had the money, I would think twice where to put it. The producers are of course not just throwing money in the air. They want a return. From their point of view they do what they know will return. I don’t know where I would put the money, but I definitely would be more open about the story. I would avoid the regular stories.. Jay: I would probably look for young directors who are working apart from what has become canonical. In Malaysian cinema you have for exemple this bunch of young Malaysian young directors, who keep repeating the same kind of films. The Philippines are a great example: Do we have to see one more film about the slums? We’ve seen it with Lino Brocka, who did it so well. I am not saying the interest in that milieu has dried out, but it means, that anything else about any other stories from the Philippines isn’t used. I would love to fund somebody from the Philippines who wants to make something different, or Malaysia or Brazil.

Ilda: Another good example is Un Prophète by Jacques Audiard which is an amazing film. As I walked out of the cinema, I thought to myself, would I have taken this script. I probably wouldn’t have as a producer.You could think this is a long film, a Ilda: Sometimes I think, what if tough film that nobody people stop sending me DVDs? wants to see. But it is an amazing film. It has Even the bad ones. I am happy to got passion, action and see the bad films. That’s addiction. it is sexy at the same time. Can you imagine have this constant thought: if I don’t go to that a film that only takes place in a prison, but there one, I could miss the film that I have been looking is something sexy to it? Concerning that film we for or hoping for. So, yes, it is a drug, because you have to thank the producer, because thinking of can’t stop thinking, What if you can’t have it? myself I probably wouldn’t have done it. Ilda: What really gives me the impression of an addiction is that I have been seeing films for months, non-stop, the whole day. I am not addicted to the festival, I’m addicted to film. At the end of the [Rio] festival I want to go straight to the cinema and see a movie. I think that’s why I know, that I am addicted.

EQUIPE EDITORIAL / EDITORIAL STAFF Diretor de Publicação / Director of Publication Matthieu Darras Editores-Chefe / Editors in Chief Rui Pedro Tendinha, Jude Lister Tradutores/ Translators Bruno Carmelo, Sabrina Fidalgo, Arturo Mestanza, José Márcio Siecola de Freitas , Luiza Burkardt Portugal Design Maartje Alders Contribuíram para esta edição / Contributors to this issue Mary Carmen Molina Ergueta, Sabrina Fidalgo Zsuzsanna Kiràly, Emilie Padellec, Silviu Pavel, Laslo Rojas Laura Talvet

Confira a versão completa dos Diálogos no Read the full dialogue on

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