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As marcas do narrador na obra

da autoria de

Clรกudio Fragata

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Ao longo do ano temos vindo a distinguir o autor/escritor do narrador. O primeiro existe fisicamente. Podemos cruzá-lo na rua, falar com ele... O segundo é uma criação do primeiro, ie só existe para contar a história que o escritor inventou. O narrador é pois inventado! A leitura desta obra de Cláudio Fragata permitiu-nos apreciar esse ser inventado. E o que nos conta a história de Santos-Dumont é um ser curioso. Resolvemos por isso fazer o levantamento das marcas desse narrador no discurso para, a partir delas, delinearmos posteriormente o perfil desta entidade que nos conta a história em Seis Tombos e Um Pulinho. Eis o resultado do nosso trabalho!

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LEVANTAMENTO DAS MARCAS DO NARRADOR 1- « Eu sei de alguém que foi mestre na arte de cair e levantar. » (p. 13, l. 2) - o narrador mostra-nos o que sabe. 2- « Pois fique sabendo que sim. » (p. 13, l. 25) - o narrador participa e é quase como se exigisse que acreditássemos no que nos diz. 3- « É essa história cheia de tombos que quero contar para você. » (p. 14, l. 3) - o narrador informa-nos sobre a história que nos vai contar. Procura aproximar-se do leitor. In «Apresentação», pp. 10-14, alimacak ___/___

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1- «Por enquanto deixe que eu apresente os pais de Albertinho a você: […] (Diga muito prazer, olhe a educação!) […] (Outra vez, vamos, diga muito prazer.)» (p. 19) - o narrador apresenta com um tom cerimonioso os pais do protagonista aos leitores exigindo destes (ie de nós!) educação. 3- «A gente está careca de saber quem foi que aperfeiçoou os balõescharutos, mas vamos fingir que não sabemos só para nossa história seguir em frente. Se alguém aí nem desconfia quem foi, dou uma dica: as iniciais do nome dessa pessoa são A.S.D.» (p. 21) – o narrador parte do princípio que os leitores da sua história gostam da história da aviação e que estão bem documentados sobre o assunto, mas não deixa de informar os que eventualmente nada saibam sobre o assunto. In «Aperte os cintos, vamos decolar!», pp. 19-21, Superbenfica ___/___

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1- «Folgado, o cara, hein? Cara-de-pau também. Sabe porquê?» (p. 28, l. 1) – o narrador critica as exigências que o balonista profissional faz a Santos-Dumont. Ao criticá-lo coloca-se ao lado do seu protagonista. 2- « tudo sobre o telhado do pobre homem. » (p. 28, ls. 4-5) – o narrador dá a sua opinião quando diz « o pobre homem », denuncia o que lhe vai na alma, revela empatia com o protagonista da história. 3- « Veja que interessante o que ele pensa.» (p. 28, ls. 6-7) – este comentário revela empatia do narrador com o seu protagonista. 4- « Alberto promete ! » (p. 28, l. 29) – o narrador revela a sua opinião sobre o valor futuro de Santos-Dumont. In «Quem não tem balão vai de automóvel», pp. 24-29, caro ___/___

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1- « Ainda bem, » (p. 35, l. 4) - o narrador dá a sua opinião. Com esta expressão "ainda bem" ele mostra que acha bem que Albertinho saiba montar e desmontar o seu carro sozinho. Há uma empatia entre narrador e protagonista da história. 2- «adivinha quem põe para funcionar?» (p. 35, l. 11) – a pergunta retórica do narrador aproxima-o do leitor e ajuda a criar uma cumplicidade que pode acabar em amizade no final da obra. 3- « Então daqui pra frente, a gente não fala mais em Albertinho, combinado? Não pega bem chamar assim quem já não é mais criança. Agora, ele é Alberto. Alberto Santos-Dumont.» (p. 35, ls. 2324) - o narrador dá uma informação em que inclui o leitor na sua história, ele precisa que o leitor aceite a sua decisão: "a gente" é o mesmo que dizer "nós". Albertinho já cresceu e agora temos de o tratar por Alberto... Alberto SantosDumont! Acabaram-se as intimidades… O uso do diminutivo também mostra um certo carinho da parte do narrador para com o protagonista da sua história. In «O ás do volante», pp. 32-37, clarinette ___/___

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1- « Adivinhe quem ele procura? » (p. 43, l. 2) - a pergunta retórica do narrador aproxima-o do leitor e ajuda a criar uma cumplicidade. 2- « é muito menos do que pediu aquele balonista desastrado lá do começo da história» (p. 43, ls. 7-8) - o narrador defende Santos-Dumont da injustiça no começo da história ao chamar ‘desastrado’ o balonista. 3- « Machuron tem outras preocupações. Sua barriga já está roncando e por isso não tira os olhos da cesta de comida que haviam levado. […] Antes mesmo de esvaziar a cesta, Machuron já havia amarrado um guardanapo no pescoço. Está pronto para encher a pança. » (p.44 ls. 24-25, 28-30) - o narrador refere-se de maneira depreciativa a Machuron o que leva o leitor a ficar com melhor impressão de Santos-Dumont. 3- « Durante toda a viagem, Alberto não sente um pingo de medo. Não tem enjôo nem vertigem » (p.45, ls. 24 e 25) - o narrador destaca o ar heróico e corajoso de Santos-Dumont dizendo que ele não teve nem medo, nem enjoo, nem vertigens. In «Piquenique nas nuvens», pp. 40-45, danisol ___/___

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1- « Quanto tempo você acha que Alberto leva para ir atrás de um fabricante que fizesse um balão para ele? Agora que você já conhece melhor o rapaz, pode arriscar um palpite. Um ano, um mês, uma semana? » (p. 51, ls. 1-4) - o narrador faz esta pergunta retórica para se aproximar de novo do leitor. A questão também lhe permite destacar o carácter do seu herói que não quer perder tempo e quer voar já, não quer esperar um minuto mais! 2- « Para quê um baita balão se ele quer voar sozinho e o seu peso não passa de cinqüenta quilos? Não é que ser baixinho e magrinho pode ser uma grande vantagem ?» (p. 51, ls. 11-13) - Alberto quer criar o seu próprio balão o mais leve possível. O narrador destaca aqui que o facto de Santos-Dumont ser baixinho e magrinho podia ser uma vantagem para concretizar o seu sonho. 3- « Mas quem pode com aquele brasileiro cheio de ideias ?Alberto prova por A mais B que o seu projeto dará certo. » (p. 51, ls. 26-27) - o narrador demonstra que Santos-Dumont é muito obstinado quando quer qualquer coisa, ele tem a certeza que o seu projecto vai funcionar e prova-o perante Lachambre que acaba por fazer o que Santos-Dumont lhe pede. A pergunta retórica destaca a força de vontade do franco-brasileiro. In «Eu quero um balão só para mim», pp. 48-52, DAPVDM ___/___

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1- « Mas, antes de contar como foi, vamos combinar um negócio? Agora que Alberto já voou várias vezes e que está prestes a ganhar seu próprio balão, vamos chamá-lo pelo sobrenome Santos-Dumont? […] Combinado, então.» (p.57, ls. 1-4, 6) – temos de novo a cumplicidade narrador-leitor, o primeiro pede compreensão ao segundo para aceitar esta “mudança” de nome, um pedido que o narrador não deixa de justificar. 2- « Santos-Dumont sente medo. Para você ver que mesmo as pessoas corajosas têm medo. A diferença é que elas encaram esse sentimento.» (p. 57, ls. 28-30) – o narrador volta a defender o seu herói e a comunicar directamente com o leitor. In «Um baita susto», pp. 54-58, vpv ___/___

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1- « Não vai ser um sustinho à toa que fará Santos-Dumont voltar atrás. Ele continua firme no sonho de voar por conta própria.» (p. 63, ls. 1-2) 2- « E Santos-Dumont dando mostras da sua genialidade.» (p. 63, ls. 8-9) 3- « Prático, não ?» (p. 63, l. 17) 4- «Não é verdade mas tudo bem.» (p. 63, l. 19) 5- « Voar de balão é legal.» (p. 63, l. 22) 6- « Um génio ? Parece que temos a pessoa certa.» (p. 63, ls. 29-30) 7- « Porque não ?» (p. 63, l.31) 8- « Só que o primeiro balão a gente nunca esquece.» (p. 64, l. 5) Com essas marcas o narrador chama a atenção dos leitores formulando perguntas ( Prático, não ?, Porque não ?, Um génio ? ), dá a sua opinião ( Parece que temos a pessoa certa e Voar de balão é legal ), nota-se que ele ficou fascinado com a coragem e a inteligência de Santos-Dumont ( E Santos-Dumont dando mostras da sua genialidade). In «O primeiro balão a gente nunca esquece», pp. 61-64, lisi ___/___

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1- «E o balão?» (p. 70, l. 5) – a pergunta retórica «assegura» a comunicação entre o narrador e o leitor, uma forma de o primeiro manter o segundo dentro da história. In «Tombo 1», pp. 66-70, elo_fervenca ___/___

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1- «É um dândi , como são chamados os rapazes elegantes de sua época» (p.75, l. 12) - o narrador não é neutro porque não hesita em chamar dândi a Santos-Dumont por causa da sua elegância, por estar bem vestido, de acordo com a moda. 2- «Mas quem pode com aquele brasileiro? Teimoso como ele só, convence Lachambre mais uma vez.» (p.76, ls. 14-15) - o narrador mostra admiração por Santos-Dumont quando faz a pergunta retórica e quando diz «Teimoso como ele só» salientando assim que quando o seu protagonista tem uma ideia não a abandona, é persistente. In «As boas ideias surgem em qualquer lugar», pp. 72-76, ezkeziel ___/___

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1- «Muy amigo, hein?» (p. 81, l. 7) – mais uma pergunta retórica do narrador, mais um piscar de olhos para o leitor! Funciona como um comentário ao que está a acontecer na história. 2- «Caramba, é exactamente como empinar uma pipa gigante!» (p. 82, ls. 18-19) – o uso de «caramba», palavra do registo de língua familiar, denuncia a proximidade narrador-leitor e “deixa ver” as emoções do primeiro. In «Tombo 2», pp. 78-82 ___/___

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1- «A gente, que já conhece Santos-Dumont, nem estranha quando…» (p. 87, l. 11) – “a gente” associa o narrador ao(s) seu(s) leitor(es) evocando conhecimentos comuns a ambos quebrando mais uma vez se pretende eliminar qualquer distância entre o primeiro e o seu público. Há também uma “verificação” do grau de atenção com que o leitor está a ler a obra, quem está a ler bem “já conhece Santos-Dumont”. 2- «Puxa, isso já está virando carne de vaca.» (p. 87, l. 15) – mais um comentário num registo de língua familiar (“puxa”) que contribui para a proximidade narrador-leitor. In «Tombo 3», pp. 84-88 ___/___

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1- «O barulho do motor é um pouco esquisito...» (p. 94, l. 7) - a marca do narrador é "um pouco esquisito" porque o narrador exprime o seu sentimento sobre a cena. 2- «Lembra que ele e Machuron desceram no bosque de Alphonse, irmão de Edmond lá no começo da história» (p. 94, l. 16) - o narrador dirige-se directamente ao leitor solicitando a memória deste relativamente ao que já aconteceu na história. 3- «Uma das vizinhas de Edmond é a princesa Isabel, aquela mesma que assinou a lei Áurea, dando liberdade aos escravos.» (p. 94, ls. 2728) - a marca do narrador é "aquela mesma", o narrador dá uma informação num tom particularmente próximo da oralidade, como se estivesse diante do leitor e visse a dúvida na cara deste. In «Tombo 4», pp. 90-95, SLB ___/___

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1- «Já sabemos que Santos-Dumont é duro na queda. Essa expressão não é a cara dele? Portanto, bobagem achar que vai desistir do prêmio.» (p. 101, ls. 1-2) - o uso da primeira pessoa do plural une mais uma vez narrador e leitor, estão juntos nesta aventura! Daí mais uma pergunta retórica que denuncia a cumplicidade entre ambos, daí mais uma palavra, ‘bobagem’ do registo de língua familiar. A obra mais não é do que uma conversa entre amigos. 2- «Nosso herói» (p. 101, l. 26) – de novo o uso da primeira pessoa do plural com um significado idêntico ao indicado em 1. Desta vez visível não no verbo, mas no uso do determinante possessivo. O herói não é só do narrador, o herói não é só do leitor: Santos-Dumont “pertence” a ambos! In «Tombo 5», pp. 98-102 ___/___

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1- «Você pensa que os juízes chegam com cara de sono? Pois errou.» (p. 107, l. 9) - o narrador faz uma pergunta ao leitor e responde. Está à vontade para corrigir o “seu amigo”! 2- «Dessa vez, os dorminhocos» (p. 107, l. 10) - o narrador trata os juízes de dorminhocos dando assim a sua opinião sobre os mesmos. 3- «O que pode dar errado?» (p. 107, ls. 16-17) - o narrador faz uma pergunta para suscitar a curiosidade no leitor. 4- «O pessoal do Aeroclube leva um tempão para decidir.» (p. 108, l. 8) – o aumentativo de tempo destaca a duração da espera de Santos-Dumont. Talvez possamos aqui ver o indício de uma crítica à lentidão dos juízes da prova. In «O Prêmio vai para…», pp. 104-108, mxmu ___/___

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1- «se alguém não sabe» (p.113, l. 7) – continua o diálogo informal entre o narrador e o o seu público leitor. O narrador vai-se certificando de que o leitor está a perceber tudo o que se lhe diz. 2- «Até a viúva de Napoleão III, a imperatriz Eugênia, chega sem avisar numa carruagem para ver as diabruras de Santos-Dumont entre o céu e o mar.» (p. 113, ls. 19-21) – o narrador destaca a importância de Santos-Dumont referindo as personalidades que o vêm ver, “até a imperatriz Eugénia”. As “diabruras” é uma metáfora expressiva, as tentativas para voar de Santos-Dumont são comparadas a diabruras, é um modo carinhoso de referir a actividade do protagonista. O narrador gosta do seu herói e isso vê-se na maneira como fala dele! 3- «Como desgraça pouca é bobagem» (p. 114, ls. 16-17) – frase feita que está em harmonia com o registo de língua usado que de familiar desce ao popular. O narrador está entre amigos, bem pode exprimir-se dessa forma! 4- «Só faltava essa, Santos-Dumont ser confundido com um pombo gigante!» (p. 114, ls. 19-20) – comentário gracioso do narrador. 5- «Ah esse Alberto! Estou falando do nosso Alberto. Alberto SantosDumont.» (p. 114, ls. 28-29) – comentário que exprime a admiração do narrador por Santos-Dumont. In «Tombo 6 ou os dois Albertos», pp. 110-114, micah ___/___

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1- «Mas cadê outros dirigíveis para encarar o desafio?» (p. 119, l. 7) esta pergunta retórica permite salientar com ironia que Santos-Dumont era tão bom que ninguém ousava concorrer ao lado dele. 2- «Desculpe, não resisti ao trocadilho.» (p. 119, ls. 12-13) - esta intervenção permite uma aproximação narrador-leitor (a cumplicidade entre ambos é alimentada) e permite também pôr em destaque o trocadilho (com o objectivo de fazer rir o leitor mais distraído que não tivesse reparado/compreendido esse jogo de palavras). 3- «Ah, sim. Você quer saber sobre o Santos-Dumont nº 8? Fique sabendo que a história é misteriosa.» (p. 119, ls. 16-17) - o narrador volta a interpelar o leitor trazendo-o de novo para a história, procurando interessá-lo pelo que está a ser dito. 4- «A gente sabe que essa história de superstição é tudo bobagem. Gozado que o acidente sobre o Hotel Trocadero foi no dia 8 de agosto, ou seja, no dia oito do oitavo mês do ano, mas vamos deixar isso pra lá. Superstição é bobeira. Cruz-credo, pé de pato, mangalô três vezes! Sai, azar! Bata na madeira imediatamente. Toc, toc, toc. Eu já bati.» (p. 119, último §) - o narrador diz que não é supersticioso, mas na realidade acaba por sê-lo um pouco. Prova disso é o facto de dizer duas vezes que não acredita em superstições e logo a seguir ser incapaz de ignorar o que dizem e fazem os supersticiosos. 5- «Ideia genial, hein?» (p.120, l. 15) - o narrador fala de novo com os leitores, exprime a sua opinião revelando a sua admiraçao por Santos-Dumont. In «Uma ideia de tirar o chapéu», pp. 116-120, turma ___/___

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1- «Claro que não é verdade. […] Mas, perdão pela franqueza» (p. 125, ls. 12-13) - o narrador não quer ser muito duro com Santos-Dumont, mas diz a verdade. O leitor sabe assim que pode confiar em quem lhe conta a história, ie o narrador ganha credibilidade aos olhos de quem lê, merece a nossa confiança. 2- «Santos-Dumont vira motivo de riso e fofoca. Um prato cheio para os invejosos. Será que ele não é mais o mesmo? Para onde foi aquela coragem, aquela determinação? Será que ele está acabado?» (p. 125, ls. 21-23) - o narrador aguça a curiosidade do leitor levantando este tipo de questões; temos vontade de continuar a ler o que o narrador nos tem para contar, no fundo esperamos que ele nos esclareça. 3- «Como assim? Quando todo o mundo pensa em aeroplanos, ele constrói mais um dirigível? Que grande novidade!» (p. 126, ls. 8-9) o narrador mostra a sua surpresa perante a atitude de Santos-Dumont. 4- «Rá, rá, rá. Como é tolinha essa gente.» (p. 126, l. 12) - o narrador volta a colocar-se ao lado de Santos-Dumont defendendo-o dos que achavam que SD estava acabado. 5- «Deixe que riam. Como é mesmo aquele ditado sobre quem ri por último?» (p. 127, ls. 2-3)- o narrador defende mais uma vez o seu protagonista. Volta a instaurar-se a cumplicidade com o leitor através duma pergunta retórica que relembra um ditado muito conhecido: quem ri por último, ri melhor. Portanto, Santos-Dumont há-de rir melhor! E nós com ele, porque ao chegarmos ao final da história... já somos velhos amigos! In «A imaginação é mais leve que o ar», pp. 121-127, turma ___/___

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1- «Entendeu agora por que Santos-Dumont vinha se ocupando de empinar pipas?» (p. 133, ls. 5-6) - o narrador intervém tentando conversar com o leitor e verificar que este entendeu o que foi dito. 2- «Mas, se você olhar para uma foto em que ela aparece bem de frente, vai ver que os franceses têm toda a razão.» (p. 133, ls. 11-13) – de novo o diálogo com o leitor que não pára de ser interpelado. Não podemos fugir da história de Santos-Dumont de modo nenhum! 3- «Só que o pobre do bicho, teimoso por natureza» (p. 133, l. 17-18) – temos aqui um aparte do narrador que dá graça ao que está a ser narrado. Entre amigos, estamos à vontade! 4- «Seja como for, a distância é muito maior do que os 25 metros exigidos por Archdeacon.» (p. 135, ls. 3-5). - o narrador diz o que pensa e até parece que está 100% de acordo com o que diz defendendo o seu herói ("seja como for (…) é muito maior.."). 5- «Hoje, cem anos depois, sabemos que, sem esse "pulinho", os jatos não estariam cruzando, os céus sobre as nossas cabeças.» (p. 135, ls. 8-10) - o narrador explica-nos que se não fosse Santos-Dumont, os jatos não poderiam hoje voar. É a opinião dele que destaca mais uma vez a importância da invenção de Santos-Dumont. In «Um pulinho de 60 metros», pp. 129-135, vicky ___/___

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1- «Lá está o engenheiro Louis Blériot num avião construído com a ajuda de Gabriel Voisin sem que Santos-Dumont soubesse. Ah, não se pode confiar em ninguém no mundo das invenções!» (p. 141, ls. 811) - com isto, o narrador quis mostrar que Louis Blériot ajudou SantosDumont, mas que depois, sem dizer nada, foi ajudar outro concorrente. O protagonista estava rodeado de todo o tipo de pessoas e o seu sucesso ainda ganha mais valor. 2- «Sempre cavalheiro» (p. 141, l. 12) - o narrador destaca a imagem de cavalheiro de Santos-Dumont, com estas palavras tenta dar-nos a mesma impressão. 3- « Belo e fagueiro » (p. 141, l. 17) - mais uma vez, o narrador continua demonstrando a grande admiração que sente por Santos-Dumont. 4- « Não é um pulinho mas um pulão » (p. 141, ls. 29-30) - o narrador quer convencer-nos que o que Santos-Dumont fez não consistiu apenas na realização do seu sonho de voar, foi muito mais que isso. A sua invenção marca o início de uma nova era, virou-se uma página na história da humanidade! A partir dali vai poder construir-se aviões, naves espaciais… 5- « Sabe aquela frase famosa dita pelo astronauta Neil Amstrong, o primeiro homem a pisar na Lua ? Ele disse: «Um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade. Troque “pequeno passo” por pulinho e “salto gigantesco” por pulão e você terá a medida exata da proeza de Santos-Dumont. De pulo em pulo, Santos-Dumont e o 14-bis abriram as portas para a aviação e as viagens espaciais.» (p. 142, ls. 1-7) - o narrador mostra que Santos-Dumont ao concretizar este enorme feito abre o caminho para uma nova era, idêntico ao feito de Neil Amstrong (todos falam do americano, mas do brasileiro…). As distâncias começaram a tornar-se mais curtas. Foi um passo que pareceu pequenino (um pulinho), mas que na realidade foi enorme, foi um verdadeiro salto que não parou mais. Hoje, a humanidade já não sonha com as viagens entre países, quase todos já as fizeram pelo menos uma vez, hoje fala-se em ir de férias para o espaço. Santos-Dumont tem a sua responsabilidade nisso e o narrador não esquece de sublinhá-lo muito bem no final do seu livro! O leitor está convertido. As familiaridades podem dar nisto! In «Um pulão para a humanidade», pp. 138-142, yoyox ___/___

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Autoria: alunos da turma A do 6.º ano Alice André Carolina Clara Daniela David Edouard Elisia Florian Hugo Kevin Loïc Maxime Micaella Rajiv Thomas Victória Yolène Supervisão: Isabel da Costa, professora de língua portuguesa Lycée International de Saint Germain-en-Laye, France

(imagem in http://archiguide.free.fr/)

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