The BioTimes: 1ª edição - maio

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1ª edição

maio 2021 P.1

Transformação Digital

Webinar do IEEE, por Roberto Saraco

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Como é participar nas CoLab sessions? Entrevista com o Professor João Sanches

P.21

Entretenimento durante a Pandemia

Sugestões de atividades adequados à realidade em que vivemos

PERseverance is alive! To Mars... and beyond



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maio 2021

Transformação Digital, Webinar do IEEE, por Roberto Saracco por Ana Patrício

Neste webinar, Roberto Saracco, co-presidente da IEEE Digital Reality discute alguns desafios, implementações e o impacto da transformação digital durante a pandemia. Pandemia, Tecnologia e Transformação Digital Quando estamos a pensar em transformação digital, estamos também a pensar no facto de que algo pode mudar na forma como trabalhamos. A forma como trabalhamos é realmente impactada pelo que está a acontecer atualmente a nível tecnológico e, por sua vez, está a afetar várias áreas. E a pandemia, de certa forma, acelerou em alguns casos a obtenção de um trabalho remoto. Esta é uma indicação clara de que, quando embarcamos numa transformação digital, podemos também assistir a uma mudança significativa na forma como vivemos. De uma forma ou de outra, todas as atividades humanas estão relacionadas, então há muitos fatores que temos de considerar sempre que estamos olhar para uma transformação diEMBS - IEEE - Student Branch

gital. O que é mais relevante hoje em dia, e isso tem sido assim nos últimos anos, é o facto de que, ao contrário do que foi no passado, onde a tecnologia influenciava as nossas vidas, agora é o contrário. A forma como estamos a definir a cultura e a economia está, na verdade, a ter uma forte influência na evolução da tecnologia e esta, por sua vez, está a passar 1


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esta mensagem aos investigadores e às indústrias que se dedicam ao seu desenvolvimento. Esta situação deve-se à abundância de tecnologias que temos ao nosso dispor. Por exemplo, antigamente, desde que tivéssemos uma tecnologia disponível, só podíamos contar com o que ela nos fornecia para trabalhar. Atualmente há muita variabilidade tecnológica, nós, como clientes, temos a possibilidade de escolher dentro do mercado de consumo e, ao escolher, estamos a enviar uma mensagem muito forte para as pessoas que estão a desenvolver tecnologia. Portanto, somos a influência da tecnologia, de certa forma.

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Se olharmos para a abundância tecnológica e para o desempenho tecnológico, vemos que está realmente a exceder as nossas expectativas, basta pensar no que aconteceu quando fomos forçados ao lockdown. Por exemplo, o fato do uso das videoconferências ter aumentado cerca de 8 vezes e, na maioria das vezes, não termos problema nenhum na sua utilização. Isto sem contar com o aumento exorbitante das compras on-line e com a maior deposição de conteúdo de entretenimento nas redes sociais. E, apesar disto tudo, a internet sobreviveu ao confinamento. O excelente desempenho tecnológico tem sido de extrema importância para as empresas recentemente. E esta ideia faz-nos questionar: 2


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Nesta situação pandémica, as empresas em Portugal e no mundo estão a utilizar a tecnologia digital para sobreviver ou estão realmente a adaptar-se e a entrar na transformação digital? É fundamental ter em conta que os processos de funcionamento adotados por cada organização são provavelmente a parte mais importante na execução de uma transformação digital. Eu (Dr. Saracco) tenho conversado com várias pessoas e com vários CEOs durante o confinamento. E todos eles basicamente disseram-me que conseguem mover o seu pessoal e fazê-los operar remotamente, mas que, no entanto, estas organizações estão

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presas aos processos que têm estabelecidos e, a menos que mudemos estes processos para operar remotamente por muito mais tempo e de forma definitiva, vamos enfrentar um problema muito grande. E esse é um dos motivos pelos quais boa parte das empresas está a planear voltar ao espaço físico de operação. Os seus processos, na verdade, não devem estar adaptados a funcionar bem em trabalho remoto. E este processo de mudança é, na verdade, mudar a maneira como uma organização trabalha. Isto significa que é preciso mudar a cultura da organização e, de certa forma, mudar a essência da organização. Isto é muito difícil de se fazer. 3


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Então, o que nós, sociedade, podemos fazer para nos adaptarmos à transformação digital? Neste momento, deixar de adotar a transformação digital no nosso dia-a-dia pode ter impactos negativos na forma como vivemos atualmente. Empresas e pessoas que se modernizam, protagonizando a transformação digital, contam com mais chances de atingir o sucesso. Porém, a transição, em si, depende do esforço de cada um, da busca pela melhoria contínua e também da integração de novas tecnologias nas nossas vidas. Precisamos de repensar o que fazíamos no período pré-pandémico, mas precisamos fazer isso e reaprender a lição, sermos muito melhor do que costumávamos ser nesse tempo e utilizar essa aprendizagem a nosso favor para que nos possamos adaptar. Além disso, é necessário compreender que, em diversas partes do mundo, os governos estão realmente a investir muito dinheiro em determinados sectores de modo a amenizar o impacto que EMBS - IEEE - Student Branch

esta pandemia causou. E, finalmente, é muito importante que o renascimento dos valores éticos e sociais das empresas e das pessoas tenha em conta o desenvolvimento da economia circular, de modo a que os nossos filhos tenham também a oportunidade de usufruir da nova era que virá como resultado da transformação digital.

Confere o webinar completo no site oficial da IDR! (Home- IEEE Digital Reality) 4



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Nesta secção vais poder ficar a saber mais sobre os eventos e atividades que a EMBS desenvolve ao longo do ano.

Eventos por Ana Matoso

Workshop de Culinária No passado dia 18 de março de 2021 aconteceu o primeiro workshop de culinária da EMBS-IST. Teve a orientação da nutricionista Patrícia Moreira, que tem experiência tanto a nível clínico como desportivo, possuindo diversas formações nesse âmbito, sendo certificada em Nutrição Desportiva e Nutrição de Controlo de Peso.

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É também co-fundadora do evento pioneiro “BE BRIGHT” com vertente em nutrição desportiva e materno-infantil. Atualmente exerce a sua prática presencial no ginásio Playlife em Penafiel, Clínica Cuidar´t Paredes e de forma online através da sua página no instagram “patriciamoreira.nutri”. Foram feitos vários snacks saudáveis, entre eles, granola, panquecas, pipocas e “bolinhas energéticas”. Alguns dos participantes até cozinharam ao mesmo tempo do workshop! Lúcia Carreira, aluna do 8º ano participou no workshop e diz que gostou muito, “especialmente das bolinhas energéticas de manteiga de amendoim e que as receitas eram fáceis e rápidas de se fazer”. A sua irmã, Isabel, aluna do 11º ano, concorda e refere que nas bolinhas energéticas “como não gostava de tâmaras, substitui-as por côco e também ficou bom”. Outra participante do workshop, Inês Arana, refere que a formado5


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ra foi muito simpática e explicou muito bem os passos a seguir. Para além disso, diz que o workshop não ocupou muito tempo e que a comida feita ficou deliciosa.

Quizz de Páscoa

Dia 26 de março realizou-se a quiz night de Páscoa. Nela participaram 11 equipas com um total de 42 participantes. O quiz foi feito através da plataforma Kahoot. A equipa vencedora foi a “Amigos Improváveis” e ganharam um giftcard da Alma Alecrim.

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Caixa de Pandora No dia 12 de abril às 18h realizou-se outra edição da Caixa de Pandora, um evento onde numa tertúlia informal, se aborda e discute os diferentes pontos de vista acerca de um determinado tópico. A que dados teus devem os profissionais de saúde ter acesso na prestação de cuidados médicos? Qual o futuro da farmacogenética? Estas foram algumas perguntas foram debatidas nesta edição sobre proteção de dados e farmacogenética. Os nossos convidados especialistas, Ana Teresa Freitas (professora no IST e CEO da HeartGenetics) e Ricardo Moreira (antropólogo) foram os mediadores da discussão e o debate que aconteceu foi único!

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Enterprise por Ana Matoso

A seçcão do Enterprise é mais conhecida por organizar os famosos Coffee & Company. Este evento liga os alunos do técnico a alumni de forma a estes poderem dar o seu testemunho de, não só do técnico, mas também do mercado de trabalho..

No dia 8 de abril às 18h, conversámos com dois alumni do IST: Daniel Guedelha, engenheiro biológico, que trabalha presentemente em estratégia, na área de Mergers and Acquisitions, de uma das maiores farmacêuticas, e Vasco Conceição, engenheiro biomédico, atualmente investigador no iMM e professor auxiliar convidado na FMUL. Para além disso, este semestre EMBS - IEEE - Student Branch

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deu-se, no dia 29 de Março, a primeira edição do Crave & Save, um workshop de finanças e investimentos para recém licenciados/mestrados. A nossa oradora foi a Ariana Nunes, instrutora certificada de Educação Financeira e criadora do projeto “Renda Maior”. O workshop teve uma audiência de cerca de 90 participantes e durou cerca de 1 hora.

Embrace por Ana Matoso

O departamento EMBrace iniciou, recentemente, o projeto OnTheField, que se propõe a recolher e publicar, por meio de entrevistas, relatos reais de profissionais de áreas diversas nestes tempos difíceis de pandemia, por forma a divulgar o seu trabalho e a forma 7


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como este terá sido influenciado pelo contexto de saúde atual.

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oxigénio onde elas não existem. Em janeiro, foi muito complicado: era ver médicos a olharem para os registos e a escolherem por quem conseguiam lutar.” “Tenho-me mantido sempre isolada (...) A nível psicológico, a falta de meios no trabalho acaba por ser muito complicada: é um sentimento de “o que é que estou aqui a fazer?” porque não tenho forma de ajudar os doentes, não há conforto possível.”

Para dar início a este projeto da melhor forma, foi entrevistada, dia 15 de fevereiro, Mariana Marinho, uma enfermeira com experiência profissional no covidário do Hospital de Viseu. Em seguida, apresentam-se alguns destaques desta entrevista: “Nesta fase [trabalhar numa enfermaria COVID] é muito complicado (...) É um trabalho de muita confiança, entre quem está dentro da zona COVID e quem está cá fora, na zona limpa, a passar medicação e informação (...) Estamos numa situação de rutura, a ter de fazer aparecer camas e botijas de EMBS - IEEE - Student Branch

”São as melhores memórias que podemos levar: saber que conseguimos recuperar doentes que, à partida, quando entraram, não tinham viabilidade nenhuma.”

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“É muito difícil estar ali com doentes que não sabem se vão voltar a ver as suas famílias. Muitos entram no hospital a caminhar e saem de lá em sacos, e isso é triste porque não tiveram oportunidade de se despedir dos entes queridos. Todos nós profissionais sentimos que nestas situações não é possível dignificar a morte, que foi algo que aprendemos nos nossos cursos e não podemos colocar em prática neste momento.” “Tudo isto se baseia em atos de amor e respeito (...) Não ires ver um familiar teu não significa que não te preocupas. Eu preocupo-me com a minha família, e sei que é um ato de amor não ir vê-los (...) É, realmente, uma fase que nos dá muito que pensar e refletir sobre o que de facto importa na vida.”

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MedEngine por Ana Matoso

A secção do MedEngine é responsável por organizar várias palestras com o intuito de ligar a engenharia à medicina. Para ficares com uma ideia de algumas das edições deste departamento, numa delas um dos temas tratado passou pela engenharia no combate contra o cancro da mama, na qual participaram a Dra. Fátima Cardoso, Inês Godet e o Dr. Heber Rocha. Noutra edição também se falou nas potencialidades que a engenharia dá no estudo de doenças do foro neurológico, na qual participaram a professora Margarida Diogo, a professora Patrícia Figueiredo e a Dr. Ana Melo. Abaixo está uma foto tirada no último evento.

Esta entrevista encontra-se disponível na íntegra nas redes sociais da EMBS (@embs_ist no Instagram e @EMBSIST no Facebook). Em breve, serão publicados mais testemunhos interessantes e enriquecedores! EMBS - IEEE - Student Branch

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No mês de Março, ocorreu a 8ª sessão do IST-MedNetworking no dia 31 de março pelas 18h30, através do Zoom. Desta vez, o tema foi a Cirurgia Robótica. Para nos guiar nesta “operação” tivemos a presença do Dr. Henrique Nabais, Diretor da Unidade de Ginecologia no Centro Clínico Champalimaud, em conjunto com o Dr. Kris Mae, Diretor do Serviço de Urologia do Hospital da Luz e ainda o Eng. Eugénio Vicente, Especialista Clínico na empresa Excelência Robótica Portugal. Participaram cerca de 80 pessoas, numa discussão que durou pouco mais de 2h.

Colabs por Ana Matoso

Nesta secção vais poder ler os EMBS - IEEE - Student Branch

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testemunhos de alunos e profesres que participaram na iniciativa colab. Nesta edição, os testemunhos são da aluna de engenharia biomédica Catarina Jones e do investigador do ISR Plínio Moreno.

Catarina Jones Qual o estágio promovido pelo Departamento de Colabs ao qual te candidataste o ano passado (2020)? Candidatei-me ao estágio "Behaviour trees for social experiments", proporcionado pelo Instituto de Sistemas e Robótica (ISR). Porque é que escolheste este estágio? Tinha curiosidade em saber como é se programa um robot e como é podemos passar comportamentos e sentimentos humanos para uma inteligência artificial. 10


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Qual era a tua responsabilidade neste projeto? Achaste difícil de fazer? O meu trabalho era, através do sistema operativo Ubuntu, programar árvores de decisões que dessem ordens ao robô - Vizzy sobre o que fazer em determinados cenários. Por exemplo, pôr o robot a andar num piso na Torre Norte e saber o que fazer quando encontrasse pessoas ou quando entrasse numa certa sala. À medida que explorava o piso, o robô ia criando um mapa mental das localizações das pessoas e obstáculos. O objetivo final era conseguirmos com que o Vizzy andasse pelos gabinetes do ISR e reconhecesse expressões faciais das pessoas ao ponto de perceber se as estava a incomodar ou não com a sua presença. Achei que foi um desafio para mim! Eu não tinha experiência nenhuma com este tipo de sistema operativo e, apesar de termos um tutorial sobre o que devíamos fazer para o programa funcionar, como o código era muito extenso e complexo, era muito fácil cometer erros. EMBS - IEEE - Student Branch

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O que achaste da carga horária do estágio? Era conciliável com o teu horário? Julgo que não tirava mais do que 5 horas por semana para trabalhar no projeto. Para além dessas 5 horas, as reuniões semanais que costumávamos fazer, podiam estender-se durante algum tempo, adicionando mais 1 ou 2 horas. As horas de trabalho são flexíveis? As horas de trabalho são super flexíveis! Deram-me liberdade para trabalhar quando quiser durante a semana, desde que trouxesse alguma evolução do projeto para a reunião. 11


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Durante o período do estágio, deu-se o lockdown por causa da pandemia. Qual foi a abordagem do investigador sobre esse aspecto? Como o nosso projeto já era maioritariamente computacional, o que mudou foram as reuniões deixarem de ser presenciais e não podermos interagir diretamente com o robô físico, mas julgo que não foi um impedimento para conseguirmos fazer as tarefas. Na minha opinião, este estágio não foi tão interessante como eu achava que ia ser porque, na verdade, não consegui ver o trabalho final do robô a andar pelo piso do ISR a interagir com as pessoas.

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gio percebi estar a trabalhar no projeto para acabá-lo e não por gostar realmente do que estava a fazer. Pessoalmente não repetiria este estágio por não ter ido ao encontro das minhas expectativas. De qualquer forma, é preciso reforçar que o nosso coordenador de estágio - Plínio Moreno - e as Colab Sessions foram excelentes e admiráveis! Tenho a certeza que seria uma experiência muito gratificante e divertida para alguém que se interessa profundamente pelas Behaviour trees for social experiments associados a robôs!

Que experiências levas deste estágio? Voltarias a participar na iniciativa Colab Sessions? Apesar do estágio ter um objetivo muito interessante, ajudou-me a perceber que não gosto assim tanto de programar como achava que gostava. Além disso, foi essencial para esclarecer algumas dúvidas sobre se gostaria de trabalhar no futuro nesta área ou não. Na verdade, no fim do estáEMBS - IEEE - Student Branch

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Plínio Moreno Já participou nalguma Colab Sessions antes de 2020? Sim, estou a participar desde o início da iniciativa, no primeiro semestre do ano 2016/2017. Qual a sua experiência com os alunos que ficam colocados nos seus estágios? Na maioria dos casos é uma experiência positiva. Acredito que, nestes casos, os estudantes estão motivados para aprender coisas novas, com uma perspectiva mais prática. Tento sempre combinar reuniões semanais para acompanhar o processo, e isto tem tido bons resultados. Nos casos em que não tem funcionado, os alunos perdem a motivação para continuar por causa do trabalho.

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Que características procura nos candidatos aos seus estágios? Procuro candidatos nos quais a carta de motivação e a experiência prévia se enquadre no perfil do projeto. No ano passado qual foi a sua abordagem aquando do lockdown causado pela pandemia? Cancelou os estágios ou continuou de outra maneira? Tivemos de cancelar um dos estágios, porque era necessário ir presencialmente ao laboratório para avançar. Os restantes estágios foram feitos remotamente, devido a que a maioria do trabalho podia ser feito em computadores. Alguns dos estágios foram adaptados para trabalhar com o robô em simulação. O que retira da experiência de orientar alunos nos seus estágios? É interessante, porque há um processo de aprendizagem diferente ao tradicional nas disciplinas. Aqui é importante perceber conceitos base, aprender a utilizar as 13


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ferramentas e, por fim, obter resultados. Os conceitos base são sempre aplicados, que é a grande vantagem deste tipo de estágios.

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Deixamos-te aqui um pequeno excerto do episódio com o professor João Sanches!

Voltaria a participar na iniciativa Colab Sessions? Sim. Espero que no ano próximo voltemos às sessões presenciais!

BioTalks - o podcast da EMBS por Ana Patrício

Como se interessou por esta área? Alguém que o tenha inspirado?

BioTalks é o novo projeto da EMBS - IST! Produzido pelo Departamento de Media, este projeto consiste em realizar diversas entrevistas a professores, investigadores e estudantes da área da bioengenharia de modo a dar a conhecer o seu percurso académico e profissional a toda a comunidade estudantil. Desde a sua estreia, a 17 de Março de 2021, os Media já lançaram 7 episódios com os mais diversos convidados, entre eles a Dr. Maria Manuel Mota e o Dr. Henrique Veiga-Fernandes!

Desde muito novo, eu sempre me interessei por questões relacionadas com a biologia e com a medicina, mas só entrei nesta área a fundo após o doutoramento porque, na verdade, eu sou engenheiro eletrotécnico de formação. Depois que ingressei pela biomédica, acabei por diversificar os meus trabalhos de investigação. Neste momento, a minha área de investigação está associada ao processamento de imagem e processamento de sinais, essencialmente sinais fisiológicos e comportamentais.

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linhas de trabalho e de investigação são mais determinadas pelas nossas relações pessoais do que, por vezes, por mera análise objetiva dos interesses científicos da humanidade. No que tem trabalhado nos últimos anos na área de investigação? Que traços de carácter considera importante num investigador? Antes de mais nada, é a honestidade. A honestidade é uma coisa muito importante em qualquer atividade, e na ciência é efetivamente o traço mais importante. Além disso, eu diria que o interesse é também dos aspectos mais relevantes, porque nós temos realmente de nos interessar em fazer ciência. Fazer investigação científica ou tecnológica por obrigação é muito pouco eficiente. E depois há uma componente de relações pessoais. É muito interessante chegar ao ponto da vida de eu realmente poder afirmar que muitas vezes as nossas EMBS - IEEE - Student Branch

Nos últimos 20 anos, a minha linha de trabalho de investigação tem se direcionado essencialmente por duas linhas: o processamento de imagem, médica e biológica. E o processamento de sinal, essencialmente biossinais, que em termos gerais são de três tipos: fisiológicos, comportamentais e psicológicos.

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No caso das imagens médicas, eu tenho andado um pouco dentro das ecografias, que foi por aí que comecei, na minha fase de doutoramento. As imagens de ultrassom são muito difíceis de detalhar porque são imagens de muito baixa qualidade. É um desafio conseguir extrair informação clinicamente relevante dessas imagens. Também tenho estado a trabalhar com imagens de fluorescência de células, no sentido de encontrar biomarcadores nestas imagens que ajudem no diagnóstico de determinadas patologias onde a implicação médica é essencial. Além disso, tenho estado associado ao desenvolvimento de ferramentas de análise de ajuda à engenharia biológica.

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A outra grande linha de investigação, que começou juntamente com a minha relação com a Professora Teresa Paiva, tem a ver com sinais fisiológicos no contexto do sono. Esta ideia tem evoluído para outras áreas, designadamente para a área da saúde mental e para a psiquiatria, uma área que estava muito desejosa desta base tecnológica para apoiar o diagnóstico dos doentes, essencialmente de doentes com depressão. Estamos também a desenvolver ferramentas de deteção objetiva do estado do doente em sede de consulta, o que não é muito comum atualmente. O que é comum é estar com o médico e ser receitado pelo médico, ou então estarem a ser recolhidas in16


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formações em ambulatórios, para que depois o médico possa ver. No entanto, a aproximação que estamos a fazer é recolher informação objetiva já na consulta, em ambiente hospitalar. E quais são os projetos a que se dedica atualmente? Quando mal apareceu o Covid-19, a FCT (Fundação para a Ciência e Tecnologia) pediu aos investigadores métodos para ajudar a crise. Nós submetemos então um projeto e foi aceito – e-CoVig. Com este projeto desenvolvemos uma ferramenta para monitorização dos doentes com Covid-19 em quarentena domiciliária. Atualmente estou envolvido em outros dois projetos: ReaTec e CAPTURE. O Reactec é um projeto da ANEEB (Associação Nacional de Estudantes de Engenharia Biomédica) e resultou diretamente do projeto e-CoVig. O que nós estamos a fazer neste projeto é desenvolver sensores de temperatura para serem usados no apoio aos lares, já que é onde está a haver mais falta de ajuda. EMBS - IEEE - Student Branch

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O CAPTURE é um trabalho que temos estado a fazer mais especificamente no contexto do cancro gástrico, em que se dá a captura de células tumorais em circulação e faz-se a análise dessas células com a utilização das ferramentas e eventual diagnóstico.

Costuma integrar alunos nos projetos? Quais seriam os requisitos? Como é trabalhar em parceria com os alunos? Não há pré-requisitos para trabalhar comigo. O principal é querer. Normalmente eu não faço gran17


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des distinções de notas de cursos. Alunos que trabalham comigo não são necessariamente os melhores alunos. Eu acho mais interessantes os alunos que estão meio perdidos, às vezes meio frustrados, porque pensam que não podem fazer coisas muito interessantes e depois descobrem que sabem! Esses são os meus maiores desafios!

Ficaste curioso? Confere o episódio completo e muitos outros no Spotify!

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Neste episódio, o professor João Sanches também nos fala sobre o que faz nos seus tempos livres! Consegues adivinhar o que possa ser? Deixamos-te aqui algumas fotos que ele nos enviou, mas para saberes um pouco mais sobre os seus interesses, vem ouvir este episódio! Ficou incrível! .

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The BioTimes - Cultura e Eventos

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Emissão ao vivo da NASA acompanha a aterragem em Marte do rover Perseverance O primeiro rover proveniente da NASA a ter sucesso na aterragem em Marte foi Sojourner a 4 de julho de 1997, tendo-se posteriormente perdido comunicação a 27 de setembro do mesmo ano. Uma segunda tentativa de aterragem, igualmente bem sucedida, foi realizada a 4 de janeiro de 2004 pelo rover Spirit, lançado a 10 de junho de 2003. Após 6 anos, as rodas de Spirit ficariam presas na areia. A NASA, usando diversas simulações, ainda tentou procurar alguma solução, no entanto não foi possível encontrar alternativas para o caso de Spirit. A última comunicação estabelecida foi realizada a 22 de março de 2010.

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por Catarina Couquinha

Opportunity, o novo rover lançado pela NASA a 7 de julho de 2003 bateu os recordes anteriores em termos de longevidade: aterrou em Marte a 25 de janeiro de 2004 e a 13 de fevereiro de 2019 foi declarado o fim da missão após centenas de tentativas de reativação de Opportunity, sujeita a uma tempestade de areia a 10 de junho de 2018 que acabou por levar ao bloqueio de radiação solar, necessária para o recarregamento de baterias. Após Opportunity, veio a vez de Curiosity, lançado a 26 de novembro de 2011 e ainda hoje se encontra operacional. 19


The BioTimes - Cultura e Eventos

Perseverance ou Percy, alcunha dada pelos engenheiros da NASA, o mais recente rover lançado a 30 de julho de 2020 embarca na nova missão que consiste na procura de possíveis sinais de condições habitáveis e de vida microbiana em Marte no passado. Foi no passado dia 18 de fevereiro de 2021 pelas 19:15h que a NASA entrou numa emissão ao vivo da chegada do mais recente rover Perseverance em Marte. Após 7 minutos de terror ao atravessar a atmosfera, foi às 20:56h de Portugal Continental que Percy aterrou com sucesso na cratera de Jezero, uma cratera com cerca de 45 km de largura ao norte do equador marciano. Jezero já conteve um lago, onde os cientistas acreditam ser um dos lugares mais ideais para encontrar evidências de vida microbiana antiga. EMBS - IEEE - Student Branch

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O momento da aterragem encheu-se de aplausos e festejos dos engenheiros na sala de controlo: “It’s alive!”, gritaram os engenheiros assim que a partir daquele momento começaria uma missão revolucionária. As celebrações repetiram-se quando o rover Perseverance enviou a primeira imagem captada em Marte para a Terra. Swati Mohan é a líder de operações de orientação, navegação e controles (GNC) no projeto: "I was so focused on what I needed to hear in order to know what I needed to say that it wasn't until after I called 'touchdown confirmed' and people started cheering that I realised, 'oh my gosh, we actually did this. We are actually on Mars. This is not a practice run. This is the real thing." contou à BBC.

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Não sabes como passar o teu tempo livre em casa em tempos de pandemia? Ora dá uma vista de olhos nestas opções!

Sunday Shorts Film festival por Catarina Couquinha

Sunday Shorts Film Festival consiste num festival de cinema e concurso de roteiros realizado mensalmente e atualmente exibido em Londres e Lisboa com planos futuros de expansão para Berlim. Sunday Shorts foi fundado em 2015 por Kate Fleming com o intuito de fornecer uma plataforma para os cineastas exibirem os seus últimos trabalhos num ambiente descontraído. Um dos primeiros cineastas selecionados foi Lee Squires, que se tornou o diretor do festival em 2016 e mais tarde, juntando-se a este, Maria Bolocan em 2017.

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“A cada mês, planeamos um programa diversificado, selecionando cerca de 8 curtas-metragens para exibição ao vivo. Tornamos o festival de cinema numa experiência amigável e pessoal. Os nossos eventos são gratuitos e, ao contrário de outros festivais, gostamos de ouvir os cineastas logo após a exibição de seu filme, com Q&A’s ao vivo ou pré-gravados. Em seguida, realizamos uma votação do prémio do júri e do prémio do público, onde todos podem votar no seu filme favorito. Também realizamos uma competição de roteiros e fornecemos feedback detalhado aos redatores. Em seguida, entrevistamos os nossos vencedores men21


The BioTimes - Cultura e Eventos

sais e compartilhamos as suas histórias no nosso site, onde também publicamos críticas, guias e dicas para cineastas.”, divulga a equipa no seu website. Para os mais interessados que queiram assistir e até mesmo participar, é sugerida uma visita não só ao website , mas também nas redes sociais Instagram (@sundayshortsff) e Facebook (Sunday Shorts), onde está divulgada uma agenda com os mais variados eventos que ainda virão.

Tiny Desk Concerts por Catarina Couquinha

Sim, é verdade! Podes assistir aos mais variados concertos, os quais integram diversos estilos musicais e grandes artistas transmitidos na NPR na sua série “Tiny Desk (home) Concerts”, versão esta adaptada aos tempos de quarentena. EMBS - IEEE - Student Branch

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A versão original “Tiny Desk Concerts” consiste numa série de atuações ao vivo, organizada pela NPR Music e com a curadoria de Bob Boilen, por onde já passaram nomes como Anderson Paak, Mac Miller, Jorja Smith, Tom Misch, Masego, Adele e até mesmo o fadista português Camané. O projeto nasceu em 2008 depois de Stephen Thompson, editor da NPR, e Bob Boilen, diretor do NPR Musics saírem de um bar, onde cantava Laura Gibson, frustrados por não conseguirem ouvir a música tocada, devido ao barulho da plateia. 22


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Entre eles comentaram num tom irónico que seria preferível ouvir a atuação no seu escritório. E da ironia surgiu então a ideia que mais tarde se veio a concretizar. Thompson convidou Laura Gibson, a tocar também para Bob Boilen, no seu escritório. Assim deu-se início a uma nova era de centenas de concertos gravados no tão famoso escritório. Ficaste curioso(a)? Visita o site Tiny Desk : NPR e o canal do youtube NPR Music - YouTube!

Peças em modo Online por Catarina Couquinha

Desde o confinamento de março do ano passado, as salas e grupos de teatro foram de facto os mais afetados, mas rapidamente se adaptaram às novas circunstâncias. A um preço bastante acessível torna-se possível a visualização das peças em modo virtual “num registo em alta resolução e multicâmara”. É o caso do Teatro Nacional D. Maria II que abriu uma EMBS - IEEE - Student Branch

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secção Sala Online onde já passaram peças como “Carta” de Mónica Calle e Fake de Inês Barahona e Miguel Fragata, cujos bilhetes vendidos na plataforma BOL custariam 3 euros por pessoa. “Última hora” de Rui Cardoso Martins e Gonçalo Amorim e “Dias contados” dirigido por Elizabete Francisca foram as mais recentes peças em emissão. Também foi criada uma Salinha online para os mais pequenos com diversas histórias e de acesso gratuito. Outros conteúdos podem ser vistos no Youtube do TNDMII. . Visita também o site oficial Teatro Nacional D. Maria II para mais informações de futuros projetos e bilheteira.

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Outro exemplo que se tem adaptado ao novo confinamento é o Teatro Nacional de São João, que após a transmissão a alta definição de “Comédia de bastidores” de Alan Ayckbourn, por apenas 2€, regressou novamente ao modo online a 7 de março com “Válvula”, criação de António Jorge Gonçalves e Flávio Almada, que nos conta a história do graffiti. Direcionado a um público mais jovem, “é um espetáculo que se situa algures entre a conferência e o concerto, articulando palavras, desenhos e canções. E muitas perguntas.” Para mais informações das atuais e futuras peças visita o site oficial Teatro Nacional São João.

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Remembers por Catarina Couquinha

Nesta secção Remembers apresentamos diversos prémios ganhos ao longo do tempo na área da física, medicina e química de modo a relembrar e dar louvor ao cientistas e investigadores que integraram as inéditas investigações que impactaram a ciência e tecnologia. Ajudar-te-á a enriquecer mais a tua cultura científica e quem sabe responder a uma pergunta de “Quem ganhou o prémio Nobel da Física....” do programa “Quem quer ser milionário”. Prémio Nobel em Física 1901

Wilhelm Conrad Röntgen em reconhecimento dos serviços proporcionados pela descoberta dos raios -X. EMBS - IEEE - Student Branch

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Prémio Nobel em Fisiologia ou Medicina 1949

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Prémio Nobel em Química 2014

Antonio Caetano de Abreu Freire Egas Moniz pela descoberta do valor terapêutico da leucotomia em certas psicoses. Prémio Nobel em Fisiologia ou Medicina 2012 Eric Betzig, Stefan W. Hell e William E. Moerner pelo desenvolvimento de “super-resolved fluorescence microscopy”.

John B. Gurdon e Shinya Yamanaka pela descoberta de que células maturas podem ser reprogramadas para se tornarem em células pluripotentes. EMBS - IEEE - Student Branch

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The BioTimes - Opinião

maio 2021

Ecce Humanoid por Vicente Magalhães

Cenários são sugestionados, invocam-se ambiências, mundos tomam forma, imagens são criadas – que, na verdade, não estão lá. Aqui reside a qualidade literária de Philip K. Dick (1928-1982), escritor de ficção científica, centelha criativa por de trás de filmes como Blade Runner, Minority Report ou Total Recall. Porventura, é essa capacidade de sugestão dos livros de Dick a génese de tantas inspirações: apenas inocular o perfume e deixar que ele crie os seus efeitos sensoriais no leitor. Sem descrever demasiado, funcionando somente como gatilho da imaginação. Acreditando no poder da imaginação humana. Um romance alcançou essa qualidade acima de todos e ressoou na mente criativa dos realizadores Ridley Scott e Denis Villeneuve: Do Androids Dream of Electric Sheep? (1968). Mergulhamos numa atmosfera fin de siècle. A decadência é palpável, respirável. No entanto, não EMBS - IEEE - Student Branch

é de estranhar: a World War Terminus converteu a Terra num deserto nuclear; a produção de andróides humanóides aperfeiçoou-se e industrializou-se, humanos e sintéticos são, na prática, indistinguíveis. Graças à destruição, aos pós radioactivos e ao avanço astronómico da engenharia genética e da inteligência artificial, a humanidade confronta-se com a sua extinção. Deixou de animar grandes projectos, cansou-se de 26


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desígnios científico-teológicos. Andróides rebeldes fogem da escravidão que lhes foi imposta, em busca de, provavelmente, liberdade. Escondem-se entre as pessoas, as diferenças fisionómicas e psicológicas são indetectáveis, a sua fisiologia sintética replica até ao nível microscópico os tecidos humanos (só através do Teste Boneli de análise aos ossos é identificável a origem artificial), as capacidades psicológicas e sociais dos humanóides mimetizam escrupulosamente as dos humanos, sendo só possível distinguir uns dos outros pela administração do Teste de Voigt-Kampf, uma série de perguntas e todo um aparato tecnológico que permitem avaliar, por intermédio de sinais biológicos, a única característica diferenciadora de andróides e humanos: a empatia. Perante o fim da História, os humanos desistem – e, no entretanto, falam muito. Ou por repetição mecânica dos códigos milenares de comunicação ou como veículo de debates interiores – muitas vezes, metamorfoseados em diálogos pouco bidireccionais. De EMBS - IEEE - Student Branch

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qualquer das formas, a palavraserve para substituir o espaço deixado vazio pela acção, configura-se como reacção ao glitch insanável entre as quimeras da tecnociência e a ruína a que elas deram origem. As pessoas obstinam-se nos seus ritmos habituais, tentam, quase autisticamente, preservar os problemas do dia-a-dia, como resposta psicológica ao mundo ambicionado e concretizado pelos humanos – que, todavia, faz por expurgá-los. As pessoas em vão questionam-se em Do Androids Dream of Electric Sheep? – mas nós podemo-nos frutuosamente questionar. Muitas das propostas tecnológicas que Dick desenvolve ao longo do livro funcionam como exercícios alegóricos para os tempos de hoje. São, de facto, instrumentos muito eficazes de análise da nossa condição actual, ao nível físico, emocional, intelectual, sensorial. O mood organ, um pequeno aparelho que induz neurologicamente sensações, estados de espírito, vontades de agir – vibes ou 27


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moods, numa linguagem comum – é o supremo objecto de ideologia. As complexidades deste dispositivo não nos são reveladas, mas este engenho semelhante a um telefone pode produzir, imaginamos através de sinais eletroquímicos, o desejo de ver televisão (independentemente do que estiver a ser transmitido), consciência das múltiplas possibilidades que o futuro lhe reserva (sic), depressão, o desejo de utilizar o mood organ quando não se sabe o que se quer que o aparelho nos faça desejar – e possui mesmo uma função específica para o caso de não querer que o aparelho lhe induza qualquer sensação! As possibilidades são infinitas e os humanos contam com este aparelho para terem o impulso de realizar as suas tarefas e para sentir. EMBS - IEEE - Student Branch

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O Spotify é o mood organ. Já não podes mais com os Tame Impala, mas queres ouvir mais música do género? Temos a playlist certa para ti! Queres estar completamente focado a estudar durante três horas? Seleccionámos uma playlist indicada para ti! Queres te sentir irreverente e imbatível, totalmente imune aos downers que passem à tua frente? Ouve a playlist pensada para ti! Não sabes o que te apetece ouvir? Temos sugestões especialmente concebidas para ti! Estás farto de ouvir as nossas playlists? Não hesites, ouve a música ideal para ti! Estas plataformas preenchem o espaço da descoberta acidental, da tentativa e erro, da procura, da curiosidade. Nem tudo é perfeitamente mediável por esses autênticos monopólios: o mundo faz-se de diferentes planos, apresenta-se sob várias formas, por diversos meios, recorrendo à multi-sensorialidade. Nem tudo é perfeitamente acessível, de fácil consumo: a curiosidade exige dificuldade, a novidade pressupõe atenção, a imaginação faz-se de observação. Nem tudo é catalo28


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catalogável, controlável: só no mundo real vivemos o acaso, experienciamos as probabilidades abertas. Esta tendência, quase por osmose (a dinâmica destes fenómenos ideológicos podia ser objecto de uma disciplina científica totalmente autónoma, como a mecânica de fluidos ou a ecologia), transfere-se para a nossa imaginação política: não queres apoiar o consumismo, a destruição ecológica, a pobreza, o sofrimento animal, a produção de plástico? Não queres ser conivente com os malefícios da organização económico-política vigente? Não te preocupes, ela trata de te fornecer os produtos de que tu precisas! Palhinhas de cartão, taxas extra sobre o consumo para investir na reflorestação da Amazónia ou na abertura de poços em África, hambúrgueres de grão-de-bico, etc.… E assim se esvazia a possibilidade de imaginar verdadeiras alternativas, mundos diferentes – se asfixia o potencial criativo da acção humana. Em Do Androids…, Philip K. Dick EMBS - IEEE - Student Branch

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apresenta-nos outra biotecnologia de massas: a empathy box é o objecto supremo da religião. Este aparelho permite ao utilizador fundir-se com um ser superior transcendental, unificador de toda a humanidade (os andróides não sentem empatia, a tecnologia é-lhes inacessível), que simboliza a ascensão e queda cíclicas do Homem, o eterno retorno. Ao agarrar os manípulos desta máquina e concentrar o pensamento na fusão com ele, os utilizadores consubstanciam-se e partilham as emoções uns dos outros, num processo homogeneizador de todos os sentimentos. As sensações positivas fluem dos corpos que as experienciaram para quem apresente défice dessas sensações. As pessoas, quando vivem um (raro) acontecimento feliz e experienciam o êxtase, vêem-se na obrigação de o deixar partir em direcção a vidas mais tristes, através da empathy box. A partilha com as pessoas reais, presentes diante de nós, é esquecida, não é sequer considerada como opção… 29


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O Instagram é a empathy box. Os nossos cérebros estão cada vez mais moldados para apenas reconhecer estímulos virtuais, só conseguem ser alimentados pelo feed das redes sociais. Só empatizamos com as vidas dos outros se elas forem live-streamed, retweeted ou aparecerem nas stories, se tiverem expressão no meio digital. A atenção ao mundo que nos rodeia é escassa. As redes sociais estão-nos a tornar biologicamente inaptos a reagir a estímulos físicos e intelectuais e a desprover-nos das mais elementares capacidades de comunicação. Philip K. Dick, com Do Androids…, executa na perfeição a Five Point Palm Exploding Heart Technique, imaginada por Tarantino em Kill Bill: aplica as cinco pancadas em cinco pontos de pressão do nosso corpo e ficamos com plena consciência de que estamos vivos, mas apenas a cinco passos do último fôlego. Não sabemos bem porque é que os andróides almejam a liberdade – mas eles também não sabem. Possivelmente, a liberdade é EMBS - IEEE - Student Branch

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buscar outra coisa, ver o que está do lado de lá. Talvez, a liberdade não é mais do que querer saber o que é a liberdade. É não saber.

As cinco pancadas foram administradas. Mas ainda nos podemos mexer. É hora de emergir do líquido amniótico das plataformas digitais! É hora de romper o cordão umbilical das redes sociais!

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“Don’t be fooled by some of the digital transformation buzz out there, digital transformation is a business discipline or company philosophy, not a project.” Katherine Kostereva, CEO and managing partner of BPM online

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