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apresenta

mĂşsica brasileira


editorial U

ma rica mistura de ritmos embalada por grandes vozes. A música sempre foi um motivo de orgulho para o povo brasileiro. Ontem, os artistas nacionais serviam de referência na criação de gêneros mundo afora. Hoje, a nova safra de talentos mostra força para impor conceitos criativos e surpreendentes. É bom ouvir o Brasil. Vários artistas escolheram 2011 para lançar o primeiro disco. Nomes já consagrados também retornaram ao estúdio. E outros tantos garantiram mais uma fatia do disputado cenário musical do país. Nas próximas páginas você vai conferir um balanço do que aconteceu de bom por aqui no ano que acabou de acabar. A seleção foi criteriosa e, ao mesmo tempo, vasta. Praticamente todos os gêneros possuem representantes entre os 100 melhores discos do ano. Experimente, compare e comente. Com ajuda do Google você pode encontrar vários trabalhos citados aqui para download gratuito. No final, não se esqueça de deixar sua opinião sobre a lista do Embrulhador. Achou alguma posição no ranking injusta? Que álbum deveria estar entre os melhores e foi deixado de fora? Algum artista que você ainda não conhecia lhe surpreendeu? Tomara que esta edição seja pauta para várias discussões sadias e proveitosas. O ano de 2011 foi um dos melhores de todos os tempos para a música brasileira. Eu sei, eu disse a mesma coisa em 2010. Mas, cá entre nós, a minha intenção é dizer isso todos os anos.

Ed Félix EDITOR


“Eu também vou aprender a violar tocão”


amostra

A REGRA DAS MAÇÃS O maior número possível de álbuns lançados por artistas brasileiros em 2011 foi selecionado para a amostra desta edição especial. Exatamente 417 discos foram analisados durante o ano. Pode até parecer muito, mas é o número adequado para uma seleção com os 100 melhores. Vejamos a regra das maçãs... Se você tem cinco maçãs e precisa escolher as três melhores, isso não quer dizer que as ‘finalistas’ sejam de boa qualidade. Ora, uma pode ser ótima e duas menos ruins que as outras duas. Quanto mais opções, melhor será a seleção final.

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Álbuns de todos os gêneros musicais e de todas as regiões do país foram aceitos na amostra. Quanto aos formatos, tanto discos físicos como álbuns distribuídos pela internet foram considerados. Não entraram na amostra: álbuns curtos (os EPs), singles, mixtapes, coletâneas e gravações ao vivo. Há exceções, como, por exemplo, um EP que contenha um número de faixas que o torne equivalente a um disco comum.

TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Divulgação


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Cabe aqui um agradecimento especial aos artistas, produtores e gravadoras que enviaram material para análise. Muitíssimo obrigado a todos pela atenção!

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análise

OS CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO Cada disco foi analisado pelo jornalista Ed Félix, que, de acordo com seu gosto pessoal, lhe atribuiu uma cotação de 0 a 100 com base nos seguintes critérios:

A

CONCEITO ORIGINALIDADE REFERÊNCIAS UNIFORMIDADE

B

LETRAS INSTRUMENTOS ARTE VISUAL

C

PRODUÇÃO REPERCUSSÃO AO VIVO

O intuito dessa avaliação foi abranger, com prudência e discernimento, fatores relevantes no lançamento de um produto musical. O período de análise foi encerrado apenas no dia 6 de janeiro de 2012, o que permitiu que os discos lançados no final de dezembro também fossem considerados. Uma escala de 0 a 100 foi adotada com a finalidade de classificar os 417 álbuns com base nesses critérios. Vale ressaltar que o número atribuído a cada disco não equivale às escalas frequentemente utilizadas pela crítica musical nos veículos de comunicação. Isso quer dizer que um disco aqui apontado com cotação 80 não necessariamente mereceria nota 8 (escala de 0 a 10) ou 4 estrelas num resenha crítica em outra publicação jornalística. Com todos os álbuns da amostra avaliados, os 100 que obtiveram as cotações mais altas aparecem na lista de melhores do ano. Os 317 restantes serão citados nas próximas páginas.

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o ranking

As cotações dos 100 melhores discos do ano variam entre 78 e 100 (apenas quatro atingiram a nota máxima). Exatamente 69 álbuns ganharam cotação entre 70 e 77, o que nos permite considerá-los de boa qualidade. Abaixo da cotação 70, temos 191 cotados entre 50 e 69 (regulares) e os demais 57 discos com cotação igual ou inferior a 49 (ruins). Confira o infográfico com alguns exemplos de álbuns que ficaram fora da lista principal.

NÚMEROS E MAIS NÚMEROS 417 ÁLBUNS ANALISADOS

100

COTAÇÃO ACIMA DE 78

69

COTAÇÃO ENTRE 70 E 77

77 DIOGO CADAVAL Sem par

75 DANIELLE CAVALLON Delicada euforia

74 IAN CALAMARO Standards

191

COTAÇÃO ENTRE 50 E 69

64 CHICO BUARQUE Chico

62

59 AGRIDOCE

VIOLINS

Agridoce

Direito de ser nada

57

COTAÇÃO ABAIXO DE 49

43 FIUK

Sou eu

38 LEO RODRIGUES Atmosfera

36 WANESSA DNA


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O maior acervo de música contemporânea e livre do Brasil.


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amostra completa

OS 317 ÁLBUNS QUE FICARAM FORA DA LISTA

A Atmosfera Lunar - A Atmosfera Lunar Ana Reis - Quisera Eu A Banda Mais Bonita da Cidade - A Banda Mais Bonita da Cidade Anderson Quevedo Quarteto - Passeio A Corda Em Si - O Som Do Vazio André Leonno - Tão Especial A Sexta Geração da Família Palim do Norte da Turquia - Rock and Roll Truck André Mehmari - Afetuoso Academia da Berlinda - Olindance André Morais - Bruta Flor Adryana Ribeiro - Direitos Iguais Angela Maria - Eu Voltei Aeroplano - Voyage Antonio Adolfo - Chora Baião Affonsinho - Zague Zeia Araçá Blu - Araçá Blu Afrika Gumbe - Meu Refrão Inquieto Arlindo Cruz - Batuques e Romances Agridoce - Agridoce Arthur - Li-mo-na-da Água de Cachorro - Todo Dia Eu Tô No Bar Astronauta Pinguim - Zeitgeist/Propaganda Alessandra Samadello - Impossível Dizer Augusto Martins - Samba Popular Brasileiro Alexandre Nero - Vendo Amor Azymuth - Aurora Amélia Rabello - A Delicadeza Que Vem Desses Sons Babi Mendes - Short Stories Ana Cristina - Acaso Bambas Dois - Brasil/Jamaica


Banda Black Rio - SuperNovaSambaFunk Caldo de Piaba - Volume 3 Bela Infanta - Às vezes os pássaros não voam pro mesmo lado no inverno Calistoga - Time and Understanding Beto Brito - Bazófias Camarones Orquestra Guitarrística - Espionagem Industrial Beto Lee - Celebração & Sacrifício Câmera - Invisible Houses Bianca Rossini - Kiss Of Brazil Camiranga - Da Afonso Pena à Paulista Bill Frisell & Vinicius Cantuaria - Lágrimas Mexicanas Cansei de Ser Sexy - La Liberación Boi Fulmegante - Descontrole Capim Seco - Semba Bolimbolacho - Circo de Cavalinhos Carlinhos Vergueiro - Dá licença de contar Boss Bass - Love for Everyone Everywhere Carlos Careqa - Alma Boa de Lugar Nenhum Brisa - Brisa Carlos Navas - Junte Tudo Que é Seu Bruno Conde - Prisma Carmen Queiroz - Enquanto Eu Fizer Canção Bruno Fleming & Paula Lombardi - Dentro do Tronco Oco Cassim & Barbária - Cassim & Barbária II Cacau Vargas - Rock Shock Show Cavalera Conspiracy - Blunt Force Trauma Cachorro Grande - Baixo Augusta Celso Fonseca - No Meu Filme Caê Lacerda - Balaio de Gato Ceticências - Please Don​‘t Be Shy​​It’​s Not So Easy But I​‘​ll Try Caixa Azul - Caixa Azul Charlie Chaplin Goveia - Tortuosas Pessoas Dubitáveis Chico Adnet - Alma do Brasil


= MENÇÃO HONROSA

amostra completa

OS 317 ÁLBUNS QUE FICARAM FORA DA LISTA

Chico Buarque - Chico Chico Lobo - Caipira do Mundo Chico Teixeira - Mais Que o Viajante Chimpanzé Clube Trio - Tudo Veio do Nada Christianne Neves - Eyin Okan Claudia - Senhor do Tempo Cone Crew Diretoria - Com Os Neurônios Evoluindo Conversan - Duo... Copacabana Club - Tropical Splash CPM 22 - Depois De Um Longo Inverno Cretina - Babilônia Moderninha Dá o Tom - Dá o Tom Damn Laser Vampires - Three-Gun Mojo Dance of Days - Arquivos Mortos Vivos Dani Black - Dani Black

Dani Gurgel - Viadutos Dani Turcheto - Madeira Torta Daniel - Pra Ser Feliz Daniel Gonzaga - Pedaços Q Contam 1 História Daniel Murray - Tom Jobim Para Violão Solo Daniel Peixoto - Mastigando Humanos Daniela Borela - Daniela Borela Daniella Alcarpe - Qué Que Cê Qué? Danielle Cavallon - Delicada Euforia Danilo Brito - 50 Anos de Música / Luizinho 7 Cordas Danilo Caymmi - Alvear Deco Sampaio e Os Penetras - Emaranhado Délia Fischer - Saudações Egberto Deus Castiga - I’m Alive Fucking Dead Di Stéffano - Outros Mares


Diahum - Música Sólida Digital Groove - Manual Diogo Cadaval - Sem Par Doncesão - Bem Vindo ao Circo Dori Caymmi - Poesia Musicada Douglas Germano - Orí Doutor Jupter – Doutor Jupter Driving Music - Comic Sans Dudu Nobre - O Samba Aqui Já Esquentou Edu Kneip e o Manto Sagrado - Herói Eduardo Rangel - Estúdio Edvaldo Santana - Jataí Ekundayo - Ekundayo Eliana Printes - Cinema Guarany Elisa Addor - Novos Tempos Erasmo Carlos - Sexo

Esquiva - O Esmagado! Estranhos no Paraíso - Cotidiano Confuso Eta Carinae - Novos Sons e Tradições Mudernizadas Fabiana Cozza - Fabiana Cozza Fábio Jorge - Chanson Française Fábio Jr. - Íntimo Felipe Grilo - Silêncio e Tinta Felippe Pompeo - Esperanto Félix Júnior - Pegando Fogo Fepaschoal - Cmdo Guatemala Fernanda Cabral - Praianos Fernando Anitelli - As Claves da Gaveta Fernando Rocha - Vamos Chamar o Vento Ferrugem - Ferrugem Fiddy - Música Para Espantar Elefantes ou Cavalos Filhos da Judith - Filhos da Judith Fiuk - Sou Eu


= MENÇÃO HONROSA

amostra completa

OS 317 ÁLBUNS QUE FICARAM FORA DA LISTA

Flávio Renegado - Minha Tribo é o Mundo Hateen - Obrigado Tempestade Flávio Vigata - Musical Hazamat - Hazamat Forfun - Alegria Compartilhada Hossegor - Matacavalo Forgotten Boys - Taste It Humanish - Humanish Fundo de Quintal - Nossa Verdade Ian Calamaro - Standards: A Fine American Songbook Selection Funk Como Le Gusta - A Cura Pelo Som Ithamara Koorax - O Grande Amor Geraldo Maia - Ladrão de Purezas Jambra - Folha de Laranjeira Grave! - www.grave.org Jau - Aplausos para o Sol Graziela Medori - A Hora é Essa Jay Vaquer - Umbigobunker! Gritando HC - Fase Adulta Jetlag - Felicidade Intermitente Grupo Jacobiando - Choro Com Sotaque Amazônico Joanna - Interpreta Padre Zezinho Gunnar Vargas - Circo Incandescente João Cassiano - Nômade Riddim Vol. 04 Hamilton de Holanda & André Mehmari - Gismontipascoal João Rabello - Uma Pausa de Mil Compassos Hamilton de Holanda Quinteto - Brasilianos 3 Jorge Vercillo - Como Diria Blavatsky Harmada - Música Vulgar Para Corações Surdos Joyce Cândido - O Bom e Velho Samba Novo


Jozi Lucka - Pra Te Pegar Júlia Says - Violência Juliana Perdigão - Álbum Desconhecido Juninho FPA - Pra Te Conquistar Kalouv - Sky Swimmer Krisiun - The Great Execution Ladston do Nascimento - Lugarzim Laura Campanér - Paramundo Lautmusik - Lost In The Tropics Lavage - Punk Pop Lavoura - Nu Steps Leandro Lehart - Ensaio de Escola de Samba Leo Rodriguez - Atmosfera Leptospirose - Aqua Mad Max Letícia Scarpa - Lê Lino Krizz - Divisor Of Waters: Dubs-One

Lisabi - Au Diable Les Bananes Luciana Mello - 6º Solo Luiz Carlos Miele - Bem Vindo ao Rio Luiz Claudio Ramos e Franklin da Flauta - Dois Irmãos Luiz Gayotto - Proponhomix Luiz Millan - Entre Nuvens Luiz Pessoa - De Olho No Tempo Luiz Pinheiro - Decompor: Canções do Subsolo Lupa Santiago - Sexteto Luzia - Luzia Maciel Salú - Mundo Madame Rrose Sélavy - Dê Nome Ao Beuys! Maga Lieri - Bem Acompanhada Manu Santos - Nossa Alegria Marcia Mah - Apanhado Márcio Gomes - Canta Francisco Alves Marcos Ariel - Terra do Índio


= MENÇÃO HONROSA

amostra completa

OS 317 ÁLBUNS QUE FICARAM FORA DA LISTA

MarginalS - Disco Sem Nome Maria Gadú - Mais Uma Página Maria Rita - Elo Marianna Leporace - Interior Markinhos Moura - Mulheres e Canções Marquinho Mendonça - Tempo Templo Matanza - Odiosa Natureza Humana Matheus Nicolau - Todas As Flores Têm Espinhos? Mauro Motoki - Bom Retiro Max Viana - Um Quadro de Nós Dois MC Ralph - Os Afro Raps Me & The Plant - The Romantic Journeys Of Pollen Michel Freidenson - Notas No Ar Mona Gadelha - Praia Lírica Monster Coyote - Stoner To The Boner

Mordida - 1 Mr. Bomba - De Ponta a Ponta Mr. Dan - Mr. Dan Mukeka di Rato - Atletas de Fristo Murilo Martinez - Sinfonia do Silêncio My Midi Valentine - The Fall Of Mesbla Namorada Belga - Namorada Belga Nana Rizinni - I Said Néctar do Groove - Néctar do Groove Nenhum de Nós - Contos de Água e Fogo O Inimigo - Imaginário Absoluto O Teatro Mágico - A Sociedade do Espetáculo Olivia Francis Hime - Almamúsica Ordinária Hit - Funcionário Orquestra Saga - Sociedade Amigos da Gafieira


Os Azuis - II Oswaldinho do Acordeon - Forró Chorado Oswaldo Montenegro - De Passagem Pagode Jazz Sardinha’s Club - Cidade Mestiça Patrícia Ahmaral - Superpoder Patricia Solis - Camucais Patricia Talem - Olhos Pé de Mulambo - Segura Essa Munganga Aí, Menino! Peaceful Pants - Floating Island Pedro Ivo - Leve o Porto (Mulheres Que Cantam Pedro Ivo) Pedro Mariano - 8 Pequena Morte - Defenestra! Pio Lobato - Cafe2 Pitanga em Pé de Amora - Pitanga em Pé de Amora Plastique Noir - Affects Projota - Não Há lugar Melhor No Mundo Que o Nosso Lugar

Rabujah - O Que Meu Samba Tem Rádio Morto - Atmosfera Rafael Altério - Santo de Casa Rancore - Seiva Rashid - Dádiva e Dívida Regra de Três - III Rita Gullo - Rita Gullo Roberta Nistra - Roberta Nistra Roberta Spindel - Dentro do Meu Olhar Rodrigo Piva - Na Garganta do Artista Rosa Passos - É Luxo Só RPM - Elektra Rubinho Bahê - Do Meu Jeito Rubinho Troll - Stinkin Like a Brazilian Sallaberry - New Bossa Sandra Belê - Encarnado Azul São Paulo Underground - Três Cabeças Loucuras


= MENÇÃO HONROSA

amostra completa

OS 317 ÁLBUNS QUE FICARAM FORA DA LISTA

Satanique Samba Trio - Bad Trip Simulator #1 Sócrates Gonçalves - Atemporal Scracho - Mundo A Descobrir Solis - Camucais Selvagens à Procura de Lei - Aprendendo a Mentir Stella-Viva - Deus Não Tem Aviões Sepultura - Kairos Sunset - Muru Muru Sérgio K. Augusto - Uma Rosa Na Sala Supercombo - Sal Grosso Sérgio Pererê - Serafim Superdose - Superdose Sergio Souto - Frente & Verso Swami Jr. - Mundos e Fundos Seu Bené - Seu Bené Taïs Reganelli - Leve Seu Jorge - Músicas Para Churrasco Vol.1 Talma & Gadelha - Matando o Amor Silvério Pessoa - Collectiu Tempo de Brincar - Cantigas de Amor Para Um Coração Pequeno Silvia Maria - Ave Rara Tentrio - Melville Silvio Mansani - Outras Pessoas Tereza Virginia - Aluada Sin Ayuda - Noise Reminders Teroca - Elos do Samba Slim Rimografia & Thiago Beats - Mais Que Existir Thaís Macedo - O Dengo que a Nega Tem Sobrado 112 - No País da Skapolca The Baggios - The Baggios


The Fabulous Tab – Next To The Fire Vade Retrô - Vade Retrô Valéria Lobão - Chamada The Kira Justice - Sombras e Luz Velhas Virgens - Carnavelhas 2 - Do Love Story até a Av. São João The Neves - Nunca Mais Por Enquanto Vendo 147 - Godofredo The Outside Dog - The Outside Dog Venice - Friend The Vain - Panda Victor & Leo Amor de Alma Thiago Espírito Santo - Na Cara do Gol Vinicius Castro Jogo de Palavras This Lonely Crowd - Some Kind of Pareidolia Violins - Direito De Ser Nada Tonho Crocco - O Lado Brilhante da Lua Wander Peixoto - Simples Toninho Horta - Harmonia & Vozes Wanessa - DNA Toque Leoa - Foi Agora Que Cheguei, Dá Licença Wilson Dias - Mucuta Toquinho e Paulo Ricardo - Cantam Vinícius Xico Bizerra Candeeiros e Neons Total Terror - Amanhã Vai Ter Troco Yamandú Costa - Mafuá Trio Corrente - Vol. 2 Zafenate - Zafenate Tunai - Eternamente Zé Gleisson - Urbano, Demasiado Urbano Udora - Belle Epóque Zé Ramalho - Canta Beatles Uppsala Solemne - A Fúria do Vento Zé Renato - Breves Minutos UR7 - UR7 Zé Ricardo - Vários Em Um


também te amo

uma seção do EMBRULHADOR


mús brasi por

Ed Félix


apresenta

sica ileira


Beto Só

FERRO-VELHO DE BOAS INTENÇÕES

COTAÇÃO

78

Um disco para emoldurar. O terceiro trabalho do músico brasiliense traz versos deprimidos, menções constantes ao fracasso, letras confessionais. Mas não se engane: o álbum passa longe de ser ingênuo ou conformista. Após ouvir com cuidado as dez faixas é possível captar a principal mensagem deixada por Beto Só: é preciso seguir em frente. Exposto na parede da sala, Ferro-Velho de Boas Intenções atrairia a atenção de qualquer visita.

100

Bande

Dessinée

9 9

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SINÉE QUA NON

COTAÇÃO

78

Já pensou em ouvir música francesa com sotaque nordestino? O sexteto chamado Bande Dessinée (em francês, história em quadrinhos) decidiu montar um cabaré parisiense em Recife para produzir seu primeiro disco, o simpático Sinée Qua Non. A maioria das faixas remete ao pop que era produzido na França nas décadas de 60 e 70, mas também encontramos toques de jazz, bossa e até surf music. O iê-iê-iê é cantado por Tatiana Monteiro e Filipe Barros (vocalistas da Bande) em português e italiano, garantindo ainda mais charme à mescla musical cosmopolita.

TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Divulgação


Mopho VOLUME 3

9 8 SKYLAB X

78

Depois de uma década de idas e vindas, o grupo alagoano se reencontra para criar um álbum muito especial. A volta da banda Mopho é marcada por uma mudança considerável no peso do seu som. As dez faixas deste Volume 3 são leves e claras, como se existisse ingenuidade em meio a tanta psicodelia. Místicas figuras femininas estampam a arte visual do disco, embora as personagens citadas em Dani Rabiscou ou Maria não sejam tão alegóricas. E seguem as declarações... “Todos os dias eu morro um pouco em você”, cantam em Prelúdio. Já A Malvada justifica as constantes comparações com os Mutantes. Você sente saudade do rock dos anos 60 e 70?

Rogério

Skylab

COTAÇÃO

COTAÇÃO

78

97

“Eu escrevo pra analfabeto”. Polêmico como sempre, Rogério Skylab encerra a série de discos com seu sobrenome. O décimo registro da sequência vem de um artista que não teme ser visto como maluco, mas teme o si bemol. Ele também jura que Zumbi é gay, não vai com a cara do farmacêutico fanho e garante: “Eu sou o avesso, do avesso, do avesso, do avesso, do avesso”. Impossível não rachar com a imitação daquele famoso rabino na hilária Eu Roubei a Gravata? Impossível não se comover com o pobre coitado que pergunta a Deus e recebe resposta do diabo na penúltima faixa do disco. No palco ou nos fones de ouvido, Rogério Skylab pode ser um mero sujeito excêntrico e constrangedor ou soar como um poeta irônico e sagaz que quer apenas compartilhar seu caos mental com você.

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Maglore VEROZ

96 COTAÇÃO

78

“Pode ser assim, como um beijinho de passarinho, de uma leveza perspicaz. Quando eu dou por mim não estou mais tão sozinho, tenho a beleza da cidade”. Os versos de Às Vezes Um Clichê, que abre o debut da banda baiana Maglore, indicam o que vem pela frente: romantismo pop até o talo. Sem medo de refrões, o grupo consegue fazer um som agradável de consumir e extremamente fácil de digerir. Um sambinha ligeiro incrementa Pai Mundo, outro destaque entre as treze faixas que compõem o disco.

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TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Lucas Azevedo/Divulgação


Tiê

A CORUJA E O CORAÇÃO

COTAÇÃO

79

Chegou a hora de conhecer o outro lado da cantora que surpreendeu em 2009 com o sensível Sweet Jardim. A Tiê deste A Coruja e o Coração é mais venturosa, menos melancólica, mais pop, menos minimalista, mais colorida, mais ousada, muito mais fácil. Ela passou no teste das regravações e ganhou a aprovação do público com o novo estilo proposto em seu segundo disco. Prontos para conhecer a próxima Tiê?

9

5

FOTOS: Daryan Dornelles/Divulgação

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Boss In

Drama PURE GOLD

COTAÇÃO

79

Luxo nas pistas de dança. Produtor antenado, Péricles Martins produz uma dúzia de hits robustos com um pé na dance music dos anos 70/80. O resultado é Pure Gold, disco bem produzido que cumpre sua promessa: embalar noitadas. Algumas faixas contam com vocais alheios, como os de Christel Escosa e Laura Taylor, mas Péricles se sai muito bem sozinho na empolgante I Don’t Want Money Tonight e na sua irmã gêmea, I’ve Got Tonight. Pelo gosto da ostentação, não há como negar que Pure Gold é um trabalho digno do electropop internacional.

4 9 www.EMBRULHADOR.com

TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Divulgação


Pedro Luís

9 3

TEMPO DE MENINO

COTAÇÃO

79

O cantor e compositor carioca soube esperar a hora certa para apresentar um trabalho solo, fora de seus projetos exitosos, como a banda Pedro Luís e A Parede. Tempo de Menino é um espaço aberto para que o artista coloque em prática a pluralidade rítmica de que tanto se orgulha. Apesar das misturas, as treze canções do álbum parecem estar ligadas entre si, presas pelo estilo incomum do artista. Há espaço para uma homenagem à Tijuca na faixa título e para um dueto com a esposa, Roberta Sá, em Os Beijos. Nomes como Erasmo Carlos e Milton Nascimento também aparecem nos créditos do álbum, encerrado com a voz da fadista Carminho em Lusa.

Marina Lima CLIMAX

92

COTAÇÃO

79

Ela dá o recado já na primeira faixa do disco: “Não me venha mais com o amor”. O ano de 2011 foi especial para Marina Lima, celebrada por cantoras da nova geração no álbum Literalmente Loucas. Mas o acontecimento mais marcante foi o lançamento de Climax, seu décimo nono trabalho. Agora aconchegada em São Paulo, a cantora se abre para os fãs de maneira incomum. Praticamente todas as músicas levam sua assinatura. “Essa cidade faz meu som vibrar e querer viver pra concluir”, confessa em #SPFeelings. “Quando as doenças e os medos são em vão, em que medida envelheceremos bem”, questiona com a ajuda de Vanessa da Mata. Vale citar também a participação de Karina Buhr e Edgard Scandurra, na ótima Desencantados, e de Samuel Rosa na mais pop de todas: Pra Sempre. Marina pode até ser ardilosa, mas o amor sempre lhe cai bem.

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Nevilton DE VERDADE

COTAÇÃO

80

Agora é pra valer. Depois de ganhar a crítica e um público invejável com o EP Pressuposto, lançado em 2010, o trio paranaense, encabeçado por Nevilton de Alencar, finalmente entrega seu primeiro disco - como expressado no título - “de verdade”. O álbum não surpreendeu (várias faixas já eram conhecidas há um bom tempo, principalmente pelas tão elogiadas apresentações ao vivo), mas serviu para oficializar o trabalho de alto nível do grupo, completado pelo baixo de Tiago Lobão e pela bateria de Flipi Stipp. De Verdade é um pacote caprichado de presente para os (novos) fãs.

TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Divulgação


Aline

FLOR MORENA

90 89

NACIONAL

COTAÇÃO

80

Calixto

Um dos trabalhos mais aguardados do ano, o segundo disco da cantora carioca/mineira traz sambas elegantes e sabiamente escolhidos para evidenciar uma bela voz. O respeito às tradições do gênero é algo admirável em Aline Calixto. Apesar de certo conservadorismo, ela consegue atrair novos ouvidos e fugir dos clichês frequentes nos discos de samba lançados no país. Todas as faixas de Flor Morena são corretas e bem produzidas, mas duas merecem destaque pela originalidade. Composição do trio Dora Lopes, Jean Pierre e Jorge Rangel, Je Suis la Maria conta a história de uma personagem que deixou de ser “Marianinguém” e adotou o charmoso modo de vida francês. Já a serena De Partir Chegar, assinada por Joca Perpignan e João Cavalcanti, é um misto intenso de ciranda e maracatu. O álbum facilmente supera seu antecessor, o premiado homônimo de 2009.

COTAÇÃO

80

Transmissor

Dizem por aí que quem planta um bom segundo disco colhe elogios sobre sua maturidade artística. A banda mineira Transmissor tem muito a evoluir, mas um grande passo foi dado com Nacional, delicado álbum que a tornou ainda mais ouvida além das fronteiras de Belo Horizonte. Três vozes se revezam numa dezena de faixas com melodias simples e pegajosas. O vocal feminino abre o disco com Sempre para, logo em seguida, Dessa Vez aparecer como a melhor canção desta nova fase da banda. Vazio também é um ótimo momento de Nacional, que expande o território criativo do Transmissor.

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Lô Borges

HORIZONTE VERTICAL

COTAÇÃO

80

88

É bom saber que nomes consagrados da nossa música dão exemplo de empenho e originalidade quando estão envolvidos em novas produções. Lô Borges se saiu muito bem neste projeto autoral, inédito e coletivo. O mineiro convidou o trio Fernanda Takai, Milton Nascimento e Samuel Rosa para executar um apurado repertório em estúdio. Horizonte Vertical tem momentos sublimes, como o tema Mantra Bituca, que conta com a presença de seu homenageado, Milton ‘Bituca’ Nascimento. Takai aparece de forma decisiva em quatro faixas, com destaque para On Venus, cantada em inglês. Já o vocalista do Skank divide com Lô e Nando Reis a composição da bonita canção que nomeia o álbum. Saudade do Lô Borges do Clube da Esquina?

Caçapa

87

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ELEFANTES NA RUA NOVA

COTAÇÃO

80

Influenciado por gigantes e com quinze anos de experiência musical, o compositor, arranjador e produtor Rodrigo Caçapa resolveu, como ele próprio conta, “encarar o disco”. Com suas violas dinâmicas e uma diversidade de timbres impressionante, ele consegue imprimir a opulência da música regional no disco instrumental Elefantes Na Rua Nova. O título saiu de um curioso registro fotográfico da década de 30: elefantes passeando pela Rua Nova, em Recife. Inspiração não eventual, já que o trabalho conta com muitas influências da música africana. Hugo Lins entra com as cordas, enquanto Alessandra Leão fica com o pandeiro e o ganzá. Repente, baião de viola, coco de roda... Um álbum imperdível.

TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Divulgação


China

MOTO CONTÍNUO

COTAÇÃO

80

O clipe colaborativo de Só Serve Pra Dançar, onde várias internautas aparecem balançando ao som do pernambucano China, pode resumir metade de Moto Contínuo. O novo disco do cantor também inclui canções leves, úteis para outros fins. Ouça como exemplo Terminei Indo, entoada com a ajuda de Tiê: “Eu já sei caminhar em tantas nuvens e posso visitar de vez em quando o chão. Do alto do parque, por cima das árvores, eu vejo você”. Outra boa participação é a de Ylana Queirog em Mais Um Sucesso Pra Ninguém. Com o estilo inconfundível de China, Moto Contínuo mantém o nível de seu antecessor, Simulacro (2007), e nos presenteia com uma porção generosa de boas melodias.

85

8 6

Izzy Gordon NEGRO AZUL DA NOITE

COTAÇÃO

80

Um tributo elegante à música negra brasileira. Intérprete das mais sensíveis, Izzy Gordon aceitou o desafio de mergulhar canções famosas - como Pescador de Ilusões, d’O Rappa, e A Lua e Eu, de Cassiano - numa delicada poção jazzística. O álbum também traz pérolas de grandes compositores negros, entre Paulinho da Viola, Tim Maia e Milton Nascimento. A cantora foge do óbvio e faz uma releitura intimista do repertório, acompanhada por instrumentos sutis que abrem espaço suficiente para sua voz aparecer sempre em primeiro plano.

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Eskimo FELICIDADE INTERNA BRUTA

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COTAÇÃO

80

84

O experiente instrumentista Patrick Laplan, que tem passagem por bandas como Los Hermanos no currículo, concentra esforços no arrojado projeto Eskimo. Ele, o vocalista Cauê Nardi e os músicos Dudu Miguens (guitarra), Fabrizio Iorio (teclados) e Diego Laje (percussão e bateria) conseguem fugir dos estereótipos do rock nacional com o álbum Felicidade Interna Bruta. A arte vintage do encarte pode dar a impressão de que trata-se de uma banda folk, mas o som passa longe disso. Com mais de uma hora de duração, o primeiro disco do grupo contem alguns momentos de calmaria, como o tema instrumental A Las Mujeres Les Queda Mal Torear, mas é o rock pesado que predomina. Ar novo e original para um cenário por vezes saturado.

Sobre a Máquina AREIA

COTAÇÃO

81

Melodias minimalistas determinadas com requinte. O trio Sobre a Máquina - formado por Cadu Tenório, Emygdio Costa e Ricardo Gameiro - apresenta quatro faixas (quase meia hora de duração) extremamente satisfatórias para os apreciadores do subgênero dark ambient. O aparato instrumental de Língua Negra, Barca e Foz é arrebatador. A ave esquisita que ilustra a capa de Areia aparece no final. Música mais intensa do álbum, Garça encerra o registro de forma triunfal.


CRÔNICAS DA CIDADE CINZA

COTAÇÃO

81

Ogi 8 2

O rapper paulistano Rodrigo Hayashi, o Ogi, expõe o objetivo de seu primeiro disco logo na faixa de abertura, Cidade Com Nome de Santo: desvendar os segredos de São Paulo. Com quase uma hora de rimas rigorosas, o disco Crônicas da Cidade Cinza apresenta vários personagens da tal metrópole que intriga, que assusta por sua imensidão, que atrai a todos para nela morar. Um dos trabalhos mais comentados do rap nacional em 2011 tem capa ilustrada pela dupla de graffiteiros Os Gêmeos e conta com várias participações especiais, com destaque para Lurdez da Luz em Os Tempos Mudam.

TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Divulgação

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Bruno Batista EU NÃO SEI SOFRER EM INGLÊS

81

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COTAÇÃO

81

Emoção não requer idioma. O cantor e compositor maranhense Bruno Batista sabe muito bem disso. Em seu segundo álbum, convocou nomes conhecidos da nova música brasileira para dar voz a uma dúzia de boas composições, todas de sua autoria. O ouvinte pode ter a impressão de que o Bruno das letras é superior ao Bruno da voz. Isso fica claro quando o artista toma a liberdade de brincar com seus ídolos, como em Tarantino, Meu Amor, ou quando pergunta “Quem, além de mim, trocaria uma saudade por duas lembranças?” na marcante Sobre Anjos e Arraias. Dividindo Nossa Paz com Tulipa Ruiz, o cantor alcança o ápice de um álbum que nos apresenta um mundo particular, recheado de referências curiosas e de elementos que comprovam seu bom gosto.

TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Divulgação


Marya Bravo

8 0

DE PAI PARA FILHA

COTAÇÃO

82

Depois de homenagear o saudoso Zé Rodrix (1947-2009) no palco, Marya Bravo soube usar a preciosa herança de seu pai no estúdio. A cantora converteu seu luto em força para dar voz ao repertório que consagrou Rodrix como cantor e compositor na década de 70. Sua voz agradável e potente exala personalidade nos momentos mais intensos das doze canções selecionadas para o álbum. Versatilidade é outro ponto forte de Marya, que consegue fazer deste De Pai para Filha um dos melhores registros de rock com vocal feminino em 2011.

Soraya

Ravenle

ARCO DO TEMPO

COTAÇÃO

82

9 7

Sua voz já recebeu merecidos aplausos no teatro, mas só agora a atriz Soraya Ravenle resolveu apresentar seu primeiro trabalho em estúdio como cantora, longe dos musicais. Longe vírgula! As interpretações quase teatralizadas do álbum deixam claro que separar talentos é algo impossível. Em dois encontros com Ravenle, o genial compositor Paulo César Pinheiro lhe apresentou mais de cem músicas inéditas (reza a lenda que ele guarda cerca de duas mil na gaveta) e daí surgiu o repertório deste Arco do Tempo. A música que nomeia o disco, inclusive, foi criada especialmente para o timbre translúcido de Soraya, uma ‘cantriz’ excepcional.

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Burro Morto BAPTISTA VIROU MÁQUINA

COTAÇÃO

82

78

Com uma proposta destemida, a banda paraibana apresenta um disco instrumental que consolida as melhores possibilidades do jazz fusion. As dez canções de Baptista Virou Máquina estão banhadas numa mistura de música regional, rock, funk e afrobeat, com pitadas marcantes de psicodelia. Mas engana-se quem pensa que o desafio maior foi tornar essa mescla uniforme. Os integrantes do Burro Morto cumpriram a façanha de contar a história de um personagem (sim, o Baptista do título) apenas com suas notas conceituais. E o ouvinte virou máquina.

Madame

Saatan

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PEIXE HOMEM

COTAÇÃO

82

Foi fácil para o grupo paraense superar a expectativa - morna - em torno de seu segundo disco. O desafio foi surpreender até os ouvidos mais conservadores do metal, entregando um trabalho claramente superior ao elogiado debut de 2007. Com uma dúzia de faixas pesadas e explosivas, Peixe Homem ainda contém pitadas de regionalismo, mas a influência de São Paulo (onde a banda está) é clara. A força de Respira resume o teor do álbum. A bela Sammliz está exemplar nos vocais, enquanto Ed Guerreiro, Ícaro Suzuki e Ivan Vanzar capricham na guitarra, no baixo e na bateria, respectivamente. Destaque para a produção de altíssimo nível, com prioridade para a qualidade do som e para a arte visual, agora luxuosa.

7 7

TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Wickbold/Divulgação


Madame Saatan


Megh Stock MINHA MENTE ESTÁ EM SEU CAOS

COTAÇÃO

82

76

Ela quer dividir seus conflitos sentimentais e, para isso, usa uma mistura admirável de rock, blues e jazz. É perceptível o amadurecimento de Megh Stock desde os tempos de vocalista da banda Luxúria. Gravado com a participação direta de dezesseis instrumentistas, Minha Mente Está Em Seu Caos é o terceiro disco da cantora, segundo da carreira solo, e surpreende pelo repertório forte e muito bem escolhido. Megh agora tem mais liberdade para brincar com seus gêneros favoritos sem se perder, como provam as ótimas Vestido de Festa, com uma dose incrível de sensualidade, e Sambando Só, embalada lentamente pela solidão.

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TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Divulgação


Lê Almeida

75 Xará

MONO MAÇÃ

COTAÇÃO

82

Quem atenta para as condições de produção deste álbum percebe indícios de genialidade em Lê Almeida. Com a ajuda dos amigos, num estúdio caseiro, o carioca aproveitou bem suas ótimas referências estéticas para finalizar seu primeiro disco, digamos, completo. Depois de EPs e pequenas produções de Almeida serem compartilhadas com entusiasmo na internet, Mono Maçã aparece como um trabalho de rock lo-fi imensamente satisfatório. São 23 músicas, várias com menos de um minuto de duração, e um conceito preciso que tem tudo para agradar os apreciadores do gênero.

4 7

ALÉM DA RAZÃO

COTAÇÃO

83

As rimas não doem no ouvido, ao contrário das verdades que elas contam. Temas fortes são tratados com seriedade máxima pelo rapper Xará neste primeiro disco solo. Com produção de Damien Seth, arte luxuosa (o formato da capa lembra um compacto de vinil) e assinatura da Blade Rio, Além da Razão traz onze faixas que comprovam o talento incomum do artista. Entre as participações, destaque para Juju Gomes e sua voz branda em Estação Quinze e Raízes. Na melhor música, Olha Pros Neguinho, Xará conta: “Um dia o homem corrompeu, inventaram Deus, perdão”, enquanto o amigo Emicida completa: “Cê sabe onde o rap nasce? Eu sei. Cê já sentiu todo o peso do mundo em uma caneta? Eu já, mano. Cê conhece o coração triste e esperançoso desses menino aí? Eu conheço”.

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Tatiana Parra

& Andrés Beeuwsaert AQUI

COTAÇÃO

83

73

Um ano após estrear com o ótimo Inteira, apontado como um dos 100 melhores álbuns da música brasileira em 2010 pela revista Manuscrita, a cantora paulistana Tatiana Parra aparece com o pianista argentino Andrés Beeuwsaert neste trabalho requintado e categórico. Aqui é um disco onde as palavras quase não aparecem. Parra acompanha Beeuwsaert apenas com vocalizes nas principais (e melhores) faixas. Entre composições próprias e excelentes releituras de compositores latino-americanos, o duo centraliza o álbum entre o erudito e o popular.

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TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Maria Birba/Divulgação


Dan Nakagawa O OPOSTO DE DIZER ADEUS

2 7

COTAÇÃO

83

“Gozar e depois morrer, depois sorrir pro mar”. Compositor um tanto temerário, Nakagawa reuniu uma boa turma de amigos para, despretensiosamente, gravar um novo disco. O trabalho coletivo consiste em dez canções, todas de autoria do cantor, e dez clipes caseiros. Alimentado por características incomuns na música nacional, como uma espécie de indiecabaret, O Oposto de Dizer Adeus comprova o talento de Nakagawa para a composição e, de quebra, é abrilhantado por participações excelentes. Com uma intervenção vocal discreta, Tulipa Ruiz faz a canção O Sol da Meia Noite parecer coisa de Cazuza e Bebel Gilberto. Já Blubell divide a saudade de A Nossa Vida Toda, outro destaque do disco. Pupilo de Ney Matogrosso, Dan Nakagawa garante seu espaço entre os novos nomes com um trabalho intenso e honesto.

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Zezé Motta

7 0

COTAÇÃO

83

A nova geração provavelmente conhece apenas o talento de Zezé Motta para as artes cênicas. Mas o movimento charmoso que ela imprime nas canções de ‘Negra Melodia’ bem que merece servir de exemplo para os novatos da música brasileira. A voz da ‘cantriz’ está bem colocada em O Sangue Não Nega’ e Pano Pra Manga. Mas o samba, curiosamente leve, pára por aí (talvez comprovando o boato antigo de que Zezé não quer ser encarada como sambista). Os desavisados devem gostar mesmo é da guitarra de Rovilson Pascoal. Um desespero elegante faz com que Soluços, de Jards Macalé, seja o ponto alto do disco. A outra fatia das composições cabe ao grande Luiz Melodia. O saldo é positivo: a cantora atua com ousadia e prova que está em ótima forma.

CANÇÕES DE GUERRA

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71

NEGRA MELODIA

COTAÇÃO

84

Pública

Uma vista rápida na curta discografia da banda Polaris, de 2006, e o ótimo Como Num Filme Sem Um Fim, lançado em 2008 - nos permite colocá-la entre as responsáveis pela quase transformação do rock gaúcho em gênero na década passada. As mudanças apresentadas neste terceiro disco são positivas a partir do momento em que garantem ainda mais originalidade ao som da banda. A Pública do bem produzido Canções de Guerra é composta por Pedro Metz, Guri Assis Brasil, Guilherme Almeida e Alexandre ‘Papel’ Loureiro. O quarteto está munido de instrumentos que mais parecem armas prontas para disparar contra o inimigo (neste caso, a mesmice do rock alternativo no Brasil).

TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Divulgação


Silvério Pessoa

NO GRAU

COTAÇÃO

84

69

A preguiça passa longe de Silvério Pessoa. O cantor e compositor pernambucano lançou simultaneamente dois discos em 2011: Collectiu, gravado com bandas do sul da França, e No Grau. Energia não falta em ambos, mas o segundo é caramente superior. Num trabalho eminentemente cultural, em que as referências regionais saltam ao ouvidos, Silvério nos apresenta canções ágeis e cheias de criatividade. Como a capa sugere, No Grau é um registro não apenas moderno, mas também aditivado com citações tecnológicas, como em Romance dos Robôs. O que mais impressiona é o fato deste emaranhado de ritmos ser pop.

Beth

NOSSO SAMBA TÁ NA RUA

Carvalho

6 8

COTAÇÃO

84

As dezenas de sorrisos que ilustram a capa de Nosso Samba Tá Na Rua exprimem a alegria dos parceiros, aprendizes e fãs pelo retorno de Beth Carvalho ao repertório de inéditas (o último disco assim foi lançado há mais de quinze anos). Ligada em novos sons e com o faro de sempre para descobrir talentos, a madrinha do samba inclui nomes em ascensão entre os compositores, além de contar com o apoio de parceiros indispensáveis, como o produtor Rildo Hora e o maestro Ivan Paulo. A cantora mostra que está em ótima forma, conduzindo com maestria as quinze músicas, de letras simples e alegres. Nosso Samba Tá Na Rua é dedicado à Dona Ivone Lara, a quem Beth se refere como “a deusa do samba, a grande compositora e intérprete que faz os lararás mais bonitos da MPB”.

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DIURNO

Ava

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FÔLEGO

COTAÇÃO

84

COTAÇÃO

84

67

A multifacetada Ava Rocha está à frente da banda Ava, que surpreende com um debut estranho, diferente de tudo que é produzido hoje em dia no país. A herança artística do pai, o cineasta Glauber Rocha, está sendo bem aproveitada. Diurno dialoga com várias formas de arte, a começar pelo visual gráfico, assinado por Tunga. As outras três cabeças que aparecem na capa do disco são dos músicos Emiliano 7, Daniel Castanheira e Nana Carneiro, que ajudam Ava a criar uma atmosfera experimental para encaixar um repertório muito bem escolhido, com poesia, grandes compositores e criações próprias do grupo. A canção Sé Que Estoy Vivo, concluída com um texto do colombiano Jorge Gaitán Duran (avô de Ava), é um bom exemplo de como a música latino-americana está presente no disco. Os efeitos sonoros casam perfeitamente com a charmosa voz grave da cantora. Ousado e inquieto, ‘Diurno’ é um ótimo trabalho para apresentar a banda.

Filipe Catto

A versatilidade vocal de Filipe Catto supre a falta de originalidade e de esmero na produção de Fôlego. O ouvinte é tomado por um incessante déjà vu, mas a voz excêntrica e exuberante do cantor deixa esse e outros pontos fracos do trabalho de lado. Contratenor com timbre impecável, Catto passeia por canções fortes e se dá bem com os gêneros latinos. Suas composições próprias são interessantes, mas versões como Ave de Prata (de Zé Ramalho) e Nescafé (da banda Apanhador Só) tornam-se mais notáveis. Ele - infelizmente - não parece bêbado ao cantar Garçon, clássico maioral de Reginaldo Rossi, mas demonstra esperteza e garbo nas demais interpretações. Vamos deixar de lado a comparação com Ney Matogrosso e prestar atenção num detalhe de palco: a paixão de Filipe Catto por Elza Soares. “Quero ser assim quando eu crescer”, conta. Futuro promissor.


6 Gisbranco 5 FLOR DE ABRIL

COTAÇÃO

85

Bastante aplaudidas na Europa, as pianistas Bianca Gismonti e Claudia Castelo Branco investiram alto em seu segundo disco. O irrepreensível Flor de Abril traz meia dúzia de composições próprias da dupla - como a bela Sabiá e Beija-Flor e Serra do Céu, que ganhou até um videoclipe - e temas com grandes assinaturas, entre Baden Powell, Villa-Lobos, Hermeto Pascoal e Edu Lobo. Esmero e sutileza nos arranjos fazem faixas apenas instrumentais, como Deixa e Entre Amigos, se sobressaírem neste trabalho primoroso.

TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Bruno Castaing/Divulgação

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Cida Moreira A DAMA INDIGNA

COTAÇÃO

85

64

Depois de 30 anos de uma carreira multifacetada, Cida Moreira nos oferece um de seus discos mais intensos e continua surpreendendo a ponto de assustar o ouvinte com a voz, às vezes cruel, que lhe garante sedução com elegância. Alguns pontos de A Dama Indigna chegam como uma facada. A interpretação hipnotizante da cantora, munida “apenas” de seu piano, dá um novo ar para canções famosas e salva pérolas esquecidas de grandes compositores. Impossível não se abalar.

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TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Divulgação


Los Porongas O SEGUNDO DEPOIS DO SILÊNCIO

63 Kleiton & Kledir

COTAÇÃO

85

Quando o coração insiste em não calar, a música é uma ótima saída. Neste quesito, o quarteto acreano Los Porongas oferece uma opção primorosa: O Segundo Depois do Silêncio, seu segundo disco. Versos com sentimentalismo farto do vocalista, Diego Soares, recebem como aliados os instrumentos potentes de João Eduardo (guitarra), Márcio Magrão (baixo) e Jorge Anzol (bateria e percussão). O resultado é um rock denso, mas brilhantemente melódico. Silêncio foi escolhida pela banda como tema recorrente, ligada diretamente à efemeridade de Cada Segundo: “Nenhum silêncio dura tanto quanto quer durar”.

PAR OU ÍMPAR

COTAÇÃO

85

2 6

O melhor álbum infantil do ano. A dupla gaúcha dá um show de inspiração nesta obra muitíssimo bem acabada. Par ou Ímpar não coincide com Partimpim, o projeto infantil de Adriana Calcanhotto, nem muito menos com Música de Brinquedo, disco lançado pelo Pato Fu em 2010. Enquanto uns produzem música infantil e acabam sendo ouvidos mais por adultos do que por crianças (não que isso seja ruim), Kleiton & Kledir conseguem chegar ao público mirim com uma linguagem simples e ao mesmo tempo rica. Desenhados com um vocabulário incrivelmente criativo, vários personagens e histórias foram incluídos numa dúzia de canções. Bichos, brincadeiras, doces, magia, super heróis, bruxas e até um pum perfumado tornam o disco imprescindível para os pequenos. Quase que de forma didática, K&K também conseguem entregar uma instrumentação de ótima qualidade. Para ouvir na hora do recreio.

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Gui

Boratto

III

COTAÇÃO

85

Não deve ter sido fácil para Gui Boratto abandonar as cores de Chromophobia (2007) e Take My Breath Away (2009). Seu terceiro disco, III, soa como uma prova de que ele sabe aproveitar bem a experiência adquirida em várias pistas de dança ao redor do mundo. Muito bem posicionado entre os grandes nomes do minimal techno, o produtor paulistano prefere dar um tom sombrio - e um tanto severo - ao novo trabalho em estúdio. Talking Truss e sua continuação, The Drill, já podem ser citadas como duas de suas melhores músicas. A voz de Luciana Villanova aparece em This Is Not The End. Boratto deve continuar colhendo bons frutos com esta ‘leve’ mudança de conceito.

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61 TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Divulgação


Felipe Cordeiro KITSCH POP CULT

COTAÇÃO

85

60

Dizem por aí que a inconfundível música do Pará deve tomar conta do Brasil em 2012. Se depender de Felipe Cordeiro e do seu Kitsch Pop Cult (que terá uma edição física oficial este ano), a chance disto acontecer é considerável. Produzido pelo sábio André Abujamra, o álbum foi apresentado em 2011 e agradou até os ouvidos mais conservadores com seu conceito ‘hype’ e uma mistura de ritmos exótica. Lambada, carimbó, tecnomelody, rock e electropop são alguns dos ingredientes da música ironicamente brega, retrô e multicolorida de Felipe Cordeiro. O jeito é se render e aumentar o volume!

Música de Ruiz

59

SÃO BONS

COTAÇÃO

85

Vozes afáveis, composições coesas e ótimas parcerias musicais. Estrela Ruiz Leminski e Téo Ruiz convidaram artistas como Ná Ozzetti, André Abujamra, Anelis Assumpção, Ceumar e Carlos Careqa para dar vida ao álbum São Bons. Para um trabalho de estreia, o planejamento minucioso do repertório surpreende. “Parece muito fácil mudar a mente alheia, fazer reforma agrária, uivar pra lua cheia”, cantam Estrela e Miriam Maria em Parecer, enquanto Téo destila versos com poder pop na romântica Mais Um Dia. O poema Verossímil ganha uma roupagem neo-brega na voz de Kléber Albuquerque. Destaque também para o quase baião Quirera, um singelo e bem humorado protesto contra a falta de qualidade nas paradas de sucesso. O encarte do disco, um show à parte, traz comentários da dupla para cada uma das quinze faixas e para Lágrima, disponibilizada apenas na internet. Esta maneira pluralizada de fazer música merece ser seguida por outros artistas da nova MPB.

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Rubens Lisboa POR TANTAS VOZES

5 8 www.EMBRULHADOR.com

COTAÇÃO

86

Leila Pinheiro, Ana Costa, Vânia Bastos, Antonio Villeroy, Eliana Printes, Edu Krieger, Amelinha, Rita Ribeiro, Fênix, Cris Aflalo, Izabel Padovani, Wado, Selma Gillet, Silvia Machete, Jarbas Mariz, Ná Ozzetti, Carlos Navas, Rogéria Holtz, Kleber Albuquerque, Fabiana Cozza, Vange Milliet, Zé Renato, Elza Soares, Cida Moreira, Eugenio Dale, Tetê Espíndola, Grupo Arranco de Varsóvia, Mariana Baltar, Ortinho, Tânia Bicalho, Chico César, Eduarda Fadini, Selma Reis, Verônica Ferriani, Daniel Gonzaga, Anna Ratto, Rodrigo Bittencourt, Ithamara Koorax, Alaíde Costa, Di Mostacatto, Marcia Castro, Zéu Brito, Clarice Magalhães, Ana Salvagni e Fred Martins. O sergipano Rubens Lisboa reuniu nada menos que 45 artistas num imponente álbum triplo. Cada convidado ganhou uma canção inédita para empresar voz. Como resultado, um pacote farto e eficaz para comprovar a versatilidade da obra autoral de Lisboa.

TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Divulgação


Jan Felipe ABRIL

56

57 LIRA

COTAÇÃO

86

Onde será que ele está agora? “Pálido, aflito, há dias sem dormir. Olhos fundos, sono ruim. Lamentável saber como dura a noite por aqui”. Filho de pai francês e de mãe brasileira, o jovem cantor e compositor Jan Felipe rabiscou versos e treinou efeitos por um bom tempo até chegar ao resultado final de seu primeiro trabalho, apresentado em 2011. Com um pé no trip-hop, Abril lembra o som que é produzido no meio alternativo das terras tupiniquins, mas está cheio de questões sentimentais à moda francesa. Jan já morou várias vezes aqui e várias vezes lá, precisa se dividir também na música. O álbum, por exemplo, conta com uma canção em francês, Quelques Souvenirs, e recebeu a faixa bônus À la dérive, versão de Assim Como. Mas o ponto alto é o tema que dá nome ao disco. “Veja como as luzes vão se despedir do verde aquecido pela luz de abril”, canta ele com a ajuda de Mariana Albuquerque. Juntando despedidas, desconfortos e memórias, Jan Felipe concluiu seu debut acertadamente.

COTAÇÃO

86

Lirinha

O multifacetado artista pernambucano José Paes de Lira - Lirinha para os íntimos, e também para quem não o conhece - fez de seu primeiro disco solo uma espécie de declaração de liberdade. Mesmo que a intenção não tenha sido essa, Lira é fruto de um músico que anseia pelo novo, um músico que definitivamente não poderia fazer no Cordel do Fogo Encantado o que fez aqui. Namorando com guitarras e sintetizadores, Lirinha nos oferece uma dúzia de faixas inquietas e com sua cara. A pegada dançante de músicas como Memória pode surpreender se estiver acompanhada de versos metafóricos e, às vezes, severos. Esse contraste aparece (positivamente) em vários momentos do álbum.

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4


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Grupo

Água Viva MUNDO AO REVÉS

55 TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Divulgação

COTAÇÃO

86

Formado por ótimos (multi) instrumentistas, o Grupo Água Viva existe desde 2006, mas só agora nos presenteia com um disco. Mundo ao Revés é o registro de um elevado trabalho autoral que reúne elementos essenciais da nossa música. O piano e a sanfona são de João Bittencourt, enquanto Luciano Câmara toma conta do violão, da guitarra e do cavaquinho. Felipe Cotta usa sinos, mola de carro, apitos, sementes, unhas de lhama e outros objetos inusitados na percussão, mas também fica com a bateria. O baixo elétrico e acústico está sob o comando Mayo Pamplona. Já o sax - soprano, alto e tenor - é de Yuri Villar. Aline Gonçalves se destaca no meio de tantos homens com seus vários talentos: flauta, flauta baixo, flautim, clarineta e clarone. Para completar o Grupo Água Viva, a agradável voz de Marcela Velon serve como um instrumento a mais. O primeiro disco do coletivo traz onze canções irretocáveis. Destaque especial para Enquanto Ela Não Vem, com uma participação luxuosa da sublime Bibi Ferreira, que dá voz ao texto ¡Vayan Passando, Señoras y Señores!, do escritor uruguaio Eduardo Galeano. Em espanhol, Bibi apressa o passo do público rumo a um universo cheio de criaturas mágicas. Foi daí que eles tiraram o título do álbum. Faz sentido, já que conhecer o mundo do Água Viva é uma experiência realmente fantástica.

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Tibério Azul

5 4

BANDARRA

COTAÇÃO

86

Tibério Azul comeu trezentos gramas da areia da praia de Boa Viagem (Recife) no clipe de Veja Só, primeiro single de seu primeiro disco, Bandarra. Essa e outras traquinices do mesmo nível são comuns na carreira do músico pernambucano. Um pouco distante do regionalismo do grupo Mula Manca, e da amarra do Seu Chico, ele entrou no estúdio para gravar Bandarra como uma criança que investe numa folha de papel em branco com uma dúzia de lápis de cor. Por falar nisso, a vinheta Abóbora abre uma questão importante sobre o trabalho de Azul. Duas crianças cogitam o significado da palavra ‘bandarra’. Seria um tipo de bactéria? Uma gripe suína? Seria uma raça de cachorro japonês? Não, não. Deve ser um jogo de Playstation. Enfim... Para quem não gostou do título do álbum, aí vai uma segunda opção: O Caminho Que Vai Dar No Sol. Músicas que caem bem como trilha sonora de um piquenique.

Vanguart

53

BOA PARTE DE MIM VAI EMBORA

COTAÇÃO

86

Perdoem o calembur, mas boa parte do Vanguart do disco homônimo de 2007 foi embora. A banda de Cuiabá aparece revigorada neste novo álbum, fazendo folk rock ainda mais pop. As composições em inglês, que antes eram prioridade, foram deixadas para trás; abriram espaço para canções românticas e bem conduzidas, com versos em português na já conhecida voz chorosa de Helio Flanders. Dá gosto perceber a produção esmerada de Boa Parte de Mim Vai Embora, que conta com ótimas faixas, como Desmentindo a Despedida e Engole, também intitulada Arde Mais Que Brasa Em Pele Quente. Ah, e tomem cuidado com as mocinhas da capa (e com o conteúdo) deste disco.

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TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Divulgação


2 5

Wannabe Jalva WELCOME TO JALVA

COTAÇÃO

86

O coelho que vaga pelo deserto na capa de Welcome To Jalva provavelmente está com fones de ouvido. Só assim para o enigmático personagem que ilustra a estreia da banda gaúcha garantir sua sobrevivência num terreno inóspito. As sete faixas incluídas neste empolgante álbum do quarteto Wannabe Jalva (Rafael Rocha, Tiago Abrahão, Felipe Puperi e Paulista) servem como mantimento viciante, esteja o ouvinte no deserto ou numa pista de dança. Os vocais às vezes lembram Alex Turner, e as semelhanças com o indie rock do Arctic Monkeys não param por aí. Melodias agitadas, guitarras valiosas e refrões convidativos fazem com que o disco grude fácil. Come And Go tem quase seis minutos, mas conta com várias camadas para não se tornar enjoativa. You And I é dividida com os rapazes do Holger, uma das bandas mais faladas de 2010. O ponto alto é Full Of Grace, digna de grandes bandas do cenário indie internacional.

Junio Barreto SETEMBRO

COTAÇÃO

87

51

Com seu romantismo peculiar e uma curiosa carapaça hype, Junio Barreto apresenta um novo trabalho sete longos anos após o elogiado disco homônimo de estreia. Composto por dez faixas vigorosas, com o samba predominando, Setembro prova o talento do pernambucano nas composições. Entre as presenças especiais, destaque para o trio que faz coro nas músicas Rios de Passar e Fineza: Céu, Marina de La Riva e Luisa Maita. Energia não falta para que Barreto contagie o país com sua música desinibida e sincera.

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Tiago Iorc

UMBILICAL

COTAÇÃO

87

50

Quando um artista brasileiro opta por compor e cantar em inglês, automaticamente assume o risco de não ser bem aceito pelo público mais conservador, tanto aqui quanto lá fora. A escolha pode ser justificada se o resultado for como o deste segundo álbum de Tiago Iorc, brasiliense que coleciona boas referências no indie pop internacional. Sensíveis e nem um pouco triviais, as onze canções de Umbilical levam sua assinatura. Como compositor, Iorc mostra que sabe projetar suas letras para um encaixe perfeito nos arranjos satisfatórios de seus músicos - Daniel Gordon, Leomaristi e Rodrigo Nogueira. “You spend most time worried ‘bout what’s to say about your silly little ways. Isn’t that silly, anyway?”, questiona na ótima Story Of a Man, que lembra o folk sereno de Iron & Wine. Já nas primeiras audições é possível perceber um grande progresso em relação ao disco de estreia, Let Yourself In, lançado em 2007. O pato se tornou cisne.

49

Maíra

MAÍRA FREITAS

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87

Freitas

Piano no samba? Com um sorriso largo e contagiante, Maíra Freitas mostra sua desenvoltura com a música popular neste honroso álbum de estreia. A filha de Martinho da Vila é pianista clássica, com currículo carimbado em vários países, e irradia elegância não só no instrumento, mas também no canto. Os dedos extraordinários surpreendem na versão de O Vôo da Mosca, choro instrumental de Jacob do Bandolim. O bom humor como compositora aparece em Corselet, a saga de uma mulher que compra uma peça de roupa sem saber se vai caber. “Mas para o meu espanto, um som veio lá do canto. No banheiro eu ouvi e da porta assisti. Meu noivinho descobri... dentro do meu corselet”. A versatilidade da intérprete pode ser apreciada nos duetos: As Voltas, com Qinho; Disritmia, com o pai; e Monsieur Binot, com Joyce. Maíra Freitas usa sabiamente a formação erudita como base para sua música democrática.


48

Passo Torto PASSO TORTO

COTAÇÃO

87

O que justifica um projeto paralelo? Que novas características de cada artista podem atrair o público que já conhece seu trabalho individual? Basta ouvir Passo Torto para encontrar respostas aceitáveis para estas questões. Quando compõem em parceria, Romulo Fróes, Rodrigo Campos e Kiko Dinucci conseguem alinhar melhor as ideias. Com a ajuda do baixista e produtor Marcelo Cabral, conseguem polir conceitos musicais brilhantemente. Passo Torto, o projeto, é isso: conseguir. Fruto da divisão de méritos e riscos, o disco é puramente experimental e deve servir de referência para os artistas da próxima geração.

TEXTO: Ed Félix | FOTOS: José de Holanda/Divulgação

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Patricia

Lobato

SUSPIRAÇÕES

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É curioso dizer isso, mas esta cantora mineira provavelmente é mais ouvida no Japão do que no seu próprio país. Em seu primeiro álbum solo, a bela Patricia Lobato está novamente ao lado de Renato Motha, parceiro de longa data, que assina a produção e os arranjos do trabalho. As faixas que compõem Suspirações também levam a assinatura de Motha, que musicou poemas da escritora Malluh Praxedes com uma abordagem interessantíssima sobre o universo feminino contemporâneo. Patricia aproveita muito bem o repertório, escolhido especialmente para seu timbre leve e sedutor. Versos românticos e lascivos numa atmosfera jazzística fazem de Suspirações um disco requintado e indispensável. O Brasil precisa conhecer Patricia Lobato.

47 SERENADE OF A SAILOR

COTAÇÃO

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87

Momo

As onze canções tristes de Serenade of a Sailor, cantadas em português e em inglês, convidam o ouvinte a navegar por águas nebulosas, onde os sentimentos se intensificam. Em seu terceiro disco, o cantor e compositor carioca Marcelo Frota (o Momo) consegue inovar e, de quebra, manter o nível de seus primeiros trabalhos - ‘A Estética do Rabisco’, de 2006, e ‘Buscador’, de 2008. A parte instrumental deste novo álbum é um tanto minimalista, o que potencializa a melancolia das composições.

TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Márcia Charnizon/Divulgação

4 6

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Danilo Moraes DANILO MORAES E OS CRIADOS MUDOS

45 Bonifrate

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O rock do cantor e compositor paulistano Danilo Moraes está casado com o samba, mas tem como amantes a bossa, o jazz e outros gêneros cabíveis. Os Criados Mudos oficiais são Guilherme Kastrup (bateria/percussão) e Zé Nigro (baixo e teclado), realmente entrosados. Para completar, parcerias de peso conferem brilho ao disco de estreia de Danilo. Ao lado de Céu, ele faz uma versão leve de Mais Um Lamento, belíssima canção gravada pela cantora em seu já clássico primeiro disco, o homônimo de 2005. Outras vozes femininas privilegiadas - Thalma de Freitas e Anelis Assumpção - aparecem em No Cume da Lapa. Com composições bem humoradas e excelentes referências, Danilo Moraes e os Criados Mudos serve como bom disco de cabeceira.

UM FUTURO INTEIRO

COTAÇÃO

87

4 4

“Por mais um metro nesses trilhos rumo ao impossível, de que adianta a entropia se o trem não improvisa, amor?” Longe do Supercordas, o cantor e compositor Pedro Bonifrate reúne caprichos de sua mente nesta verdadeira viagem musical. Um Futuro Inteiro é folk bem temperado com psicodelia. Um trio cabal abre o trabalho: Esse Trem Não Improvisa, A Farsa do Futuro Enquanto Agora e Vertigem de uma Festa Interestelar. O mundo fabuloso de Bonifrate é um ótimo destino.

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TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Divulgação


TAXI IMÃ

COTAÇÃO

87

Fantástico, telepático, transatlântico, paisagístico... Talvez os adjetivos catados na letra de Taxi Imã, faixa título do segundo álbum de Pipo Pegoraro, sirvam para indicar as qualidades não só do amor, mas também da poesia inspirada nele. O cantor e compositor paulistano reuniu um time de primeira para pilotar a parte instrumental do disco. O encontro de Décio 7, Marcelo Dworecki, Maurício Fleury, Daniel Gralha e Emiliano Sampaio deu tão certo que resultou na ideia de criar o coletivo Bixiga 70, que produziu outro dos melhores discos nacionais do ano. As vozes de Taxi Imã (inclusive a de seu dono) também se destacam. Luísa Maita está em Samambaia, enquanto um coro formado por Blubell, Mairah Rocha, Kika Carvalho e Silvia Tape aparece em várias faixas. Com ajuda dos amigos, Pegoraro consegue criar um belo disco verde. Verde como o amor.

43

Pipo Pegoraro

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Domenico Lancellotti CINE PRIVÊ

42

COTAÇÃO

87

Finalmente ele está sozinho. Ou melhor, no comando. Instrumentista constantemente procurado por grandes nomes da música brasileira, Domenico Lancellotti demorou a lançar um álbum solo, talvez por tantos trabalhos paralelos, mas não decepcionou quando o fez. Pelo contrário. Cine Privê é um registro que cresce à medida que o ouvinte se acostuma com o que lhe é proposto. Domenico parece querer que o público ouça suas músicas e imagine um roteiro cinematográfico. 5 Sentidos é um bom exemplo disso, com uma pegada convidativa. As outras nove canções seguem o clima sossegado, com pitadas de experimentalismo e a adequada intervenção de recursos eletrônicos. Destaque para a nostálgica Su Di Ti, cantada em italiano, com voz um tanto distante, e para Receita, a mais ‘cinema’ de todas.

Zé Miguel

Wisnik

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INDIVISÍVEL

41

COTAÇÃO

87

Compositor aclamado, Wisnik condensa versos sofisticados e belos arranjos neste álbum duplo. Cada um dos dois discos é definido por um instrumento predominante - violão ou piano. A excelente arte visual de Elaine Ramos mistura as iniciais ZMW nas capas, uma azul brilhante e outra fosca. Com tantas canções afetuosas e participações especialíssimas, Indivisível se torna uma obra essencial para os apreciadores da mais tradicional música brasileira.

TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Renato Stockler/Divulgação


Mônica Salmaso

ALMA LÍRICA BRASILEIRA

COTAÇÃO

87

Acompanhada apenas do piano de Nelson Ayres e pelos sopros de Teco Cardoso, Mônica Salmaso consegue produzir um disco perfeito para sintetizar seu talento como intérprete. Com coragem exemplar e sensibilidade admirável, a cantora escolheu um repertório valioso e, com seu minimalismo próprio, eclético. Há espaço para a música regional, para a erudita, para o samba, para a valsa e para o que mais couber na voz insigne de Salmaso. A delicadeza se converte em charme numa ótima interpretação de A História de Lily Braun, de Chico Buarque e Edu Lobo. Primazia também demonstrada em Mortal Loucura, de José Miguel Wisnik, e em pérolas como Meu Rádio e Meu Mulato, de Herivelto Martins, e Derradeira Primavera, de Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes. Ela ainda dá espaço para seus parceiros no belo tema instrumental Veranico de Maio. Para encerrar, aquela que provavelmente é a melhor versão já criada de Trem das Onze, de Adoniran Barbosa. Temos em Alma Lírica Brasileira uma nova prova de que Mônica Salmaso é uma das mais sábias e elegantes intérpretes da música brasileira de todos os tempos.

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40 TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Divulgação


ruído/mm INTRODUÇÃO À CORTINA DO SÓTÃO

COTAÇÃO

88

9 3

Exemplo único de como o rock instrumental brasileiro pode ser delicado, preciso e consistente. As guitarras de Ricardo Pill e André Ramiro, a bateria de Giovani Farina, o baixo de Rafael Panke e as teclas - fundamentais - de Sergio Liblik surpreendem o ouvinte em Introdução à Cortina do Sótão, terceiro disco da banda curitibana ruído/ mm (leia ruído por milímetro e escreva em minúsculas). O trabalho pode ser visto como post-rock, apesar de várias texturas e distorções não se enquadrarem no gênero. E isso é ótimo. Momentos completamente distintos dentro de uma única faixa elevam o interesse do ouvinte, como se o inserisse numa espécie de epopeia musical. Isso acontece principalmente no belo tema Valsa dos Desertores, introduzida calmamente, com assovios, e transformada a partir do segundo minuto. Um deleite.

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Ozzetti

MEU QUINTAL

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COTAÇÃO

88

Hora de curtir a brandura de um jardim multicolorido. Com três décadas de carreira, a cantora resolveu aparecer também como compositora neste novo trabalho. Depois de reverenciar Carmen Miranda no ótimo Balangandãs, lançado em 2009, Ná Ozzetti retorna cheia de originalidade, mas não deixa de lado o apuro na interpretação, sua característica mais forte. A inteligente disposição dos instrumentos - com arranjos de Dante Ozzetti e Mário Manga, além de Zé Alexandre Carvalho no baixo e Sérgio Reze na bateria - valoriza a voz inconfundível de Ná. Certo experimentalismo em canções como Equilíbrio e Chuva confere um ar rejuvenescedor à trajetória musical da cantora. Já a riqueza de Baú de Guardados tem tudo para agradar os fãs que a acompanham há tantos anos.

TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Divulgação


Fábio Góes O DESTINO VESTIDO DE NOIVA

COTAÇÃO

88

37

Além de possuir uma boa voz e ser um compositor exemplar, Fábio Góes sabe produzir como ninguém. O Destino Vestido de Noiva é um disco muito bem arquitetado, homogêneo, pensado corretamente em cada detalhe. Depois da elogiada estreia com Sol No Escuro, em 2007, o artista consegue superar as expectativas (que eram altas) facilmente. Continua terno e comovente, levando o ouvinte para uma área pop que parece ser só sua. Destaque para a participação do ilustre Curumin, com sua bateria inconfundível, e para Luísa Maita, que empresta sua voz à Amor Na Lanterna.

Mundo Livre S/A

3 6

AS NOVAS LENDAS DA ETNIA TOSHI BABAA

COTAÇÃO

88

Junte musas, figuras que habitam o imaginário popular, questões políticas, trocadilhos, sarcasmo, metáforas maliciosas, batuques modernos e aquela dose caprichada de regionalismo. Eis aqui As Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa, o retorno triunfal da banda pernambucana Mundo Livre S/A. Sem lançar um disco de inéditas desde 2004, o grupo encabeçado pelo notável Fred 04 dá um exemplo de originalidade, usando elementos eletrônicos decisivos, e aproveita para orgulhar o mestre Jorge Ben Jor com canções claramente inspiradas em sua obra.

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35

Autoramas MÚSICA CROCANTE

COTAÇÃO

88

Mania interna do trio formado por Gabriel Thomaz, Bacalhau e Flávia Couri: adjetivar de ‘crocante’ tudo o que é bom. Se é assim, o novo trabalho do Autoramas não poderia ter recebido título mais adequado. Música Crocante é um disco elétrico, dançante, com instrumental pesado e cheio de composições descontraídas. Está claro que a banda tirou do baú o estilo que a tornou conhecida em todo o país para produzir este álbum, financiado com a ajuda dos fãs. Diversão voltou a ser a palavra chave - e a dupla de peso que encabeça o repertório (Verdade Absoluta e Tudo Bem) comprova isso. “O sexto disco é o melhor que já lançamos”palavras do próprio Thomaz. Impossível não concordar.

Anelis

34

SOU SUSPEITA ESTOU SUJEITA NÃO SOU SANTA

COTAÇÃO

88

Com voz límpida e sinceridade farta, a herdeira do saudoso Itamar Assumpcão impressiona em seu primeiro trabalho solo. Fiel ao reggae e ao dub, mas aberta para absorver as boas tendências da nova música brasileira, Anelis nos apresenta um álbum recheado de composições próprias e excelentes parcerias. Céu aparece em três momentos, enquanto Karina Buhr assina Sonhando e divide os vocais com Anelis. Uma fala do ator Gero Camilo encerra a melhor canção do disco: Amor Sustentável. Com sua malemolência apaixonante, a cantora confessa: “Eu quero ter uma vida bioagradável com o meu amor, consumir conscientemente o gozo e a dor... Ser uma composteira pra aproveitar melhor os restos, me jogar no esquenta global e viver na intensidade os dias que restam”. O título do debut diz muito sobre Anelis. São essas e outras características que a tornam uma cantora única na nova geração.

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Emiliano

Castro

KANIMAMBO

COTAÇÃO

89

33

“O que nós queremos, de verdade, é a independência”. A frase traduzida de Cunene, uma adaptação de canções revolucionárias moçambicanas, serve para exemplificar a carga de referências colocada por Emiliano Castro em seu primeiro trabalho autoral. O compositor, arranjador e violonista já pisou em vários palcos ao redor do mundo, atuou como instrumentista em mais de vinte discos e, agora, reúne toda sua experiência num registro intenso e comovente. Kanimambo, que conta com uma arte visual belíssima, traz canções que vão do xote (jazzy) ao frevo (nupcial), do samba (de pneu torto) à valsa (mundana), do choro (africano) aos tangos flamencos (enamorados). Castro também mostra sua voz privilegiada em vários pontos do disco, como em Tamborero, composição de Jorge Drexler. Com o intuito de agradecer aos que marcaram sua trajetória - uns duzentos nomes são citados no álbum - o músico acaba dividindo experiências valiosas com o ouvinte.

TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Christian Madrigal/Divulgação

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Jussara Silveira

3 2 www.EMBRULHADOR.com

AME OU SE MANDE

COTAÇÃO

89

Com ajuda das teclas de Sacha Amback e da percussão de Marcelo Costa, dois ótimos instrumentistas, a cantora mineira emite um novo comprovante de sua apurada percepção musical. Muito bem selecionado, o repertório deste disco foi experimentado no palco antes de ser gravado em estúdio. Jussara Silveira continua encantando ouvintes criteriosos com a surpreendente habilidade de emocionar sem grandes esforços, sem um exagero sequer. A música que cair na voz dela nunca mais será a mesma. Em Ame Ou Se Mande, o sexto álbum da cantora, isso aconteceu com vários temas notáveis. Entre elas, Babylon, de Zeca Baleiro, e Contato Imediato, uma bela composição assinada pelo trio Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Carlinhos Brown. Se a música brasileira precisar de uma voluntária para criar um ‘manual de interpretação’, Jussara será uma ótima alternativa.

TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Divulgação


Graveola

e o Lixo Polifônico EU PRECISO DE UM LIQUIDIFICADOR

31

COTAÇÃO

89

Quem ouviu o disco homônimo lançado pela banda mineira em 2008 deve ter desejado que os novos trabalhos trouxessem mais hits contagiantes como Insensatez: A Mulher Que Fez. No segundo álbum, Um e Meio, em 2010, isso não aconteceu. Em compensação, um ano depois, o grupo Graveola e o Lixo Polifônico reaparece com um trabalho caprichado - em vários sentidos. Os objetos aleatórios e a ampla escala de cores do encarte de Eu Preciso De Um Liquidificador resumem bem seu conteúdo musical. Um mistura de ritmos incansavelmente alegre, com espaço para que os nove membros da banda incluam efeitos vocais, boas melodias, instrumentos mais ativos e muito, mas muito, suingue. Dá gosto de apreciar a sintonia das vozes de José Luis Braga e Luiz Gabriel Lopes em faixas como Farewell Love Song, subintitulada Canção de sei lá o que sim. A latinidade toma conta de Desmantelado, enquanto a voz de Juliana Perdigão confere tranquilidade à Nesse Instante Só. Para encerrar, nada melhor que falar sobre amizade em O Cão e a Ciência. A Graveola está jovem e doce como sempre, mas muito melhor produzida.

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Kiko Dinucci,

Juçara Marçal

e Thiago França METÁ METÁ

COTAÇÃO

89

Ouça este disco como se ele tivesse sido criado exclusivamente para você. Feito por encomenda. Você estava aguardando alguém que se desse ao trabalho de reunir composições prateadas da nossa música. Seu recado era desafiador - “quero um repertório que considere a influência dos ritmos africanos nos sons produzidos em terras brasileiras” mas o trio Dinucci, Marçal e França se saiu bem na tarefa. Kiko converte sua experiência em bom gosto para não lhe decepcionar nas composições e na parte instrumental do disco. Juçara canta a poucos centímetros do seu ouvido, do jeitinho que você gosta. Se preferir, ela pode até cantar dentro de você. Já os sopros de Thiago criam a atmosfera perfeita para agradar um ouvido apurado. Metá Metá é todo seu. Bom apetite.

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3 0


Eddie

9 2 TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Gilvan Barreto/Divulgação

VERANEIO

COTAÇÃO

89

Contente e sem amarras, a banda pernambucana propõe uma reunião de amigos num final de semana ensolarado. A mistura musical continua baseada no que resta do mangue beat, resultando em canções bem embaladas e divertidas. O melhor exemplo disso é Delírios Espaciais, que abre o álbum. Um falsete de Fábio Trummer em O Saldo da Glória, o rock folclórico de Casa de Marimbondo e a descrição convidativa de Parque de Diversão garantem o caráter recreativo do trabalho. Realce merecido para alguns dos nomes que colocaram o dedo em Veraneio: Karina Buhr, Erasto Vasconcelos e Lirinha. Visite Pernambuco, mas não se esqueça do protetor solar.

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Blubell EU SOU DO TEMPO EM QUE A GENTE SE TELEFONAVA

28

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COTAÇÃO

89

Um bom jingle comercial deve grudar com facilidade, ter expressões criativas e práticas, ser adaptável à rotina do público consumidor. A apaixonante Isabel Garcia sabe muito bem disso. Com o codinome Blubell, ela transforma canções com um irresistível ar nostálgico em peças publicitárias perfeitas para divulgar o bom gosto. O resultado é pop, derivado do jazz e, como seria encarado lá fora, do folk. Muito bem construído, com instrumentos suaves e melodias preciosas, Eu Sou do Tempo em Que a Gente se Telefonava é um disco encantador. A probabilidade de ficar cantarolando Chalala ou Música logo após a primeira audição é grande. O otimismo de 1, 2, 3, 5 é dividido com Baby do Brasil, enquanto Tulipa Ruiz empresta um pouco de sua voz inconfundível às faixas Good Hearted Woman e Pessoa Normal. Blubell é do tempo em que fãs são conquistados pelo talento inventivo.

TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Divulgação


Lenine

CHÃO

27

COTAÇÃO

90

Um vovô que insiste em continuar moderno. A capa de Chão, onde Lenine aparece com o neto, sintetiza bem a atmosfera afetuosa de dez canções que compõem o trabalho. O pernambucano resolveu - novamente brincar com sons orgânicos, catando barulhos e podando onomatopéias. Falta uma bateria entre os instrumentos, mas as cordas estão espertas como nunca. Apesar de ser um álbum conceitual, distante do pop, Chão é facilmente digerido, com faixas curtas e contínuas. Se Não For Amor Eu Cegue, uma parceria com o fiel Lula Queiroga, e De Onde Vem a Canção merecem ouvidos atentos.

Romulo Fróes UM LABIRINTO EM CADA PÉ

6 2

COTAÇÃO

90

“Se o tempo passa feito bicho e o bicho come o próprio bicho, me ama logo, pensa bem”. A voz inebriante de Dona Inah nos instantes que abrem Um Labirinto em Cada Pé eleva a incrível sensação de isolamento que vem da letra de Olhos da Cara. O aguardado novo disco de Romulo Fróes está aberto. Depois de colher elogios com No Chão, Sem o Chão, álbum duplo lançado em 2009, o paulistano propõe um passeio rítmico um tanto diferente. Seu trunfo continua sendo a composição, mas o samba aparece mais intenso, tomando o lugar que pertencia ao rock no trabalho anterior do artista. Versos excelentes - assinados também por Clima e Nuno Ramos - ganham um tratamento instrumental à altura, com cordas amenas e batidas bem situadas. Entre as vozes que aparecem ao longo das quatorze faixas, destaque para Arnaldo Antunes na ligeira Rap em Latim. Figura das mais atuantes na música brasileira contemporânea, Fróes apanha o público de surpresa mais uma vez com um disco homogêneo e muitíssimo bem acabado.

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Celso Fonseca

e Ronaldo Bastos

2 5

LIEBE PARADISO

COTAÇÃO

90

A arte de reinventar. Grandes compositores, Celso Fonseca e Ronaldo Bastos resolvem criar uma nova versão para o álbum Paradiso, gravado em 1994. Para isso, convocam nomes de peso da música brasileira e capricham na produção para que o ótimo repertório não seja desperdiçado. O resultado é um trabalho incrivelmente superior ao disco original, com vida nova, fôlego para conquistar ouvidos recentes e delicadeza que merece aplauso. Nana Caymmi está à vontade em Flor da Noite, assim como Luiz Melodia em Ela Vai Pro Mar. As participações são intercaladas por composições de raro encanto que continuam na voz de Celso, como Paradiso, que ganha um elegante reforço instrumental, e a malemolente Denise Bandeira. São poucos os artistas com tino para releituras deste nível.

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TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Divulgação


24

Quarto Negro DESCONOCIDOS

COTAÇÃO

90

Para os adultos - considerando o peso da classe - que sofrem. Que sofrem com a separação (Nosso Primeiro Divórcio), com a saudade (Prometeu Ao Santo), com decepções (Quando Mar Não Vem). Que sofrem e amam a música espanhola (Socorro). Para os adultos que não suportam prever o sofrimento que virá amanhã (Llucmajor), muito menos questionar as consequências que lhes fazem sofrer agora (Do Medo Ao Medo). Aquela ruiva misteriosa não sai da sua cabeça? Sofra com Vesânia I (Cabo Horn) e Vesânia II (Delírio Mútuo) no player. Para os adultos que sofrem com lembranças diminutas (Perfume Solto). Para aquele sujeito sofredor “meio avesso ao progresso” (Desconocidos). O primeiro disco do trio Quarto Negro - guitarra e voz de Eduardo Praça, teclas de Thiago Klein e baixo de Fabio Brazil - foi feito para adultos que sofrem. Tem medo de sofrer? Calma, isso é rock.

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Kassin

SONHANDO DEVAGAR

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90

Um dos produtores mais requisitados dos últimos anos na música brasileira, Alexandre Kassin insiste em dizer que a maior parte das canções que compõem este disco surgiu de sonhos. Sonhos bons, nada de pesadelos. A viagem pode até não ser tranquila, mas não dá vontade de acordar. A grande sacada deste novo trabalho de Kassin é fugir da realidade de forma agradável, instigante. Sonhando Devagar tem momentos bem humorados, românticos, nostálgicos. A calmaria de Fora de Área é completada com o coro de Chiara Banfi e de Alberto Continentino, que divide a composição com Kassin. Jorge Ben deve gostar de ouvir Quando Você Está Sambando. Se a figura feminina é frequente nos seus sonhos, nada melhor que Calça de Ginástica. Com espontaneidade louvável, Kassin nos convida a sonhar com fones de ouvido. Irrecusável.

TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Daniel Santiago/Divulgação


Nuda

AMARÉNENHUMA

COTAÇÃO

90

22

Acordes experimentais com gosto de carnaval pernambucano. O quarteto Nuda vai do samba ao rock com destreza e ousadia. Amarénenhuma é um espetáculo. As onze faixas devem ser apreciadas na ordem correta e sem interrupções. Destaque para Samba de Paleta, que anuncia: “Somos, todos nós, fortuitos do ziriguidum, perdidos nos mais prazerosos desenlaces”. O ouvinte não respira nas faixas intermediárias, onde os instrumentos pesados fazem a festa. A poesia utópica contrasta com guitarras psicodélicas, enquanto sobra ginga nas divisões rítmicas. O disco é encerrado com o regionalismo acertado de Prece da Ponta de Faca, uma emocionante súplica por amor.

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SIMBIOSE

COTAÇÃO

90

Axial

“Ouço em curvas micro-ecos”. Sons eletrônicos ganham formas inesperadas e um verniz experimental nesse projeto encabeçado por Felipe Julián. Os vocais agradáveis de Sandra Ximenez casam bem com os diversos ruídos e elementos sintetizados que incrementam as dez faixas deste terceiro álbum de estúdio do Axial. Destaque para a ingenuidade de Nanuk e para participação de Kiko Dinucci, que compôs Beijo de Iara. Não há como não ser capturado pelo refrão pegajoso de Lelê, a melhor música do disco. A mistura étnica proposta aos nossos ouvidos é complementada pelas multicoloridas imagens assinadas por Vânia Medeiros no encarte do álbum físico. A versão digital é distribuída gratuitamente na internet.

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Manuela Rodrigues UMA OUTRA QUALQUER POR AÍ

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90

“Vou vender um rim pra pagar a luz. Vou usar a luz secando o cabelo. Corto o meu cabelo, faço uma peruca. Troco a peruca por lã em novelo”. O bom humor de Vende-se Poema, uma parceria com Álvaro Lemos, elucida a pegada criativa do segundo álbum desta cantora baiana. Cantora e compositora. Apesar de um gênero bem definido aqui e uma raiz conservadora acolá, as músicas de Manuela Rodrigues são diferentes de tudo o que é produzido atualmente no país. Com seu timbre volúvel, ela torna irresistíveis as canções de Uma Outra Qualquer Por Aí. Difícil não se surpreender com Neurose, inspirada num pensamento de Osho. A letra forte de Profissional Liberal ganha sons experimentais, com direito a um forrozinho no final. Experimentalismo também nas canções com assinatura de Romulo Fróes: a faixa título (dividida com Clima) e Por Um Fio, que encerra o disco. Manuela não tem vergonha de perguntar “Quem foi que tirou minha honra?” em Moça de Família, mas passa longe de ser uma outra cantora qualquer por aí. Manuela Rodrigues é excepcional e apaixonante.

TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Márcio Lima/Divulgação


Bixiga 70 BIXIGA 70

COTAÇÃO

90

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O que acontece quando dez atuantes instrumentistas da música brasileira resolvem se unir? Sopros magistrais, riffs cheios de balanço, efeitos vigorosos e batidas magnetizantes numa mistura que tem gosto de anos 70. Com a missão de expor a relação entre a música africana e o Brasil, o coletivo paulistano Bixiga 70 apresenta um disco vivo e empolgante. Além do afrobeat, doses generosas de soul e jazz servem para reafirmar a riqueza da nossa música.

Camelo 18 Marcelo

TOQUE DELA

COTAÇÃO

91

Garantia do bem que o amor faz. Não encontramos neste novo trabalho o desalento de Sou, primeiro álbum solo de Marcelo Camelo, lançado em 2008. Embora esteja claro o apuro artístico com o passar dos anos, as canções de Toque Dela seguem o mesmo estilo do disco antecessor, com os ótimos instrumentos do Hurtmold e um clima pacífico, devaneador. A diferença primordial está no sabor. Tudo indica que o romance bem sucedido com sua companheira, Mallu Magalhães, faça Camelo soar mais doce, afável e otimista, apresentando belas canções românticas. Acostumar é a melhor, com ótimas camadas de arranjos distribuídas em cinco minutos. A capa (a melhor do ano?) e a arte visual do disco são assinadas por Biel Carpenter.

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TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Divulgação


Gui

Amabis MEMÓRIAS LUSO AFRICANAS

17

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91

“Sempre fui muito ligado às histórias familiares, talvez por ter uma avó materna muito carinhosa, com uma história de vida linda e disposição para contá-la centenas de vezes aos netos. Com a idade, ela foi perdendo a memória, esqueceu tudo e ficou muda. Aquilo me bateu. Fiz as músicas deste disco buscando a sonoridade e memórias dos meus antepassados - portugueses e africanos”. Visite o notável produtor musical Gui Amabis e ele lhe mostrará seu álbum de família como uma relíquia pessoal. Nada mais correto quando se tem o que contar. Para simplificar o processo e potencializar o alcance, um disco solo. Memórias Luso Africanas é uma pequena obra prima repleta de referências e homenagens aos antepassados do artista. Um trabalho meio tímido e discreto, como o dono, mas impulsionado pela força e pelo talento complementar das figuras que o cercam. Além da esposa, Céu, as dez faixas de Memórias contam com nomes como Criolo, Lucas Santtana, Tiganá, Siba, Dengue, entre muitos outros. Conduzida pelos timbres raros de Tulipa Ruiz e Céu, Sal e Amor é uma das melhores canções da música brasileira em 2011. “Quantas versões se tem para viver?”

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Lula Queiroga

TODO DIA É O FIM DO MUNDO

1 6

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91

A sobrevivência custa constantes revelações sobre o fim. Notícias sobre o destino, dados terríveis sobre o que nos espera. Mas, para Lula Queiroga, esse apocalipse é cotidiano. Com aquela criatividade que merece ser aplaudida de pé, o artista pernambucano confessa: “Imaginar dias assim, imaginar é o que restou de mim”. O refrão de Dias Assim também é convidativo. Para onde irá o casal que ilustra a capa do álbum com tantos balões coloridos? Como se libertar da rotina sufocante descrita em Unha e Carne? Seria seguro o plano de fuga proposto em Os Culpados? Como entender o manual de comportamento de Padrões de Contato. A imaginação é a pista essencial para todas as questões propostas por Todo Dia É o Fim do Mundo, um disco denso, sombrio e, ao mesmo tempo, renovador. Lula prega que há um lado bom no fato de o universo desmoronar com frequência. Seja numa paixão arrebatadora, como a de Se Não For Amor Eu Cegue (a melhor canção do disco), ou no acordar mágico de Poeira de Estrelas, fica a lição de se preparar para o fim sem perceber, enquanto aproveita percebendo cada detalhe. Todo Dia É o Fim do Mundo é mais um trabalho para atestar a sensibilidade do Lula compositor (um dos melhores da atualidade no Brasil) e a originalidade do Lula produtor, que nunca se entrega aos clichês e sempre garante efeitos inovadores.

TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Divulgação


Thaís Gulin ôÔÔôôÔôÔ

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92

Ela quer atrapalhar sua escola de samba, embaraçar seu enredo, fazer a bateria correr, amarrar seus foliões com cordas de bandolins. Ela quer esquecer você ao amanhecer, enquanto coleta as cinzas dos carros alegóricos. O desastre premeditado na faixa título expõe o caráter audaz deste segundo disco de Thaís Gulin. Mais madura, a cantora curitibana retorna com disposição e originalidade. ôÔÔôôÔôÔ é um disco perfeito para evidenciar suas qualidades vocais, pela pluralidade rítmica, e sua aptidão como compositora, colecionando poesias cativantes (atenção para Horas Cariocas). O romantismo do dueto com Chico Barque em Seu Eu Soubesse contrasta com o ar agressivo de Revendo Amigos, de Jards Macalé e Waly Salomão. O belo tema instrumental The Glory Hole abre caminho para uma metralhadora de ironias: a canção Cinema Americano não teme sentenças como “Pra ser bom de cama é preciso muito mais do que um pau grande, é preciso ser macho, ser fêmea, ser elegante”. O nobre Tom Zé presenteia a cantora com Ali Sim, Alice, canção fanfarrona impossível até na obra de Lewis Carroll. Moderna e cercada por grandes nomes, Gulin segue destemida como uma criança em busca de aventura. Peripécias como as dela são bem vindas na música brasileira.

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TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Divulgação


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Constantina HAVENO

COTAÇÃO

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O aguardado novo disco da banda mineira Constantina mais parece uma passagem para uma aventura em alto mar. O encarte foi transformado em sete cartões postais, um para cada música. Pequenos textos e simpáticas ilustrações (azuis em fundo branco) funcionam como guias, indispensáveis, na atmosfera aconchegante das águas profundas. O roteiro desta viagem, que dura quase cinquenta minutos, é mágico, com personagens fantásticos, paisagens de tirar o fôlego, peças curiosas para levar de recordação e acontecimentos que certamente ficarão guardados para sempre na nossa memória. Os músicos André Veloso, Bruno Nunes, Daniel Nunes, Gustavo Gazzola, Lucas Morais, Thiago Vieira e Túlio Castanheira não entregam apenas a trilha sonora. Eles inspiram a aventura com o melhor disco instrumental da música brasileira em 2011.

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Mariana Aydar CAVALEIRO SELVAGEM AQUI TE SIGO

13 TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Divulgação

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Num concorrido cenário onde figuram dezenas de novas e promissoras cantoras, optar por regravações é escolher um caminho perigoso. Ciente dos riscos, Mariana Aydar convocou o formidável maestro Letieres Leite, líder da orquestra baiana Rumpilezz, para assinar a produção de Cavaleiro Selvagem Aqui Te Sigo ao lado do criativo Duani Martins. Aliados ao timbre enérgico da cantora, instrumentos empregados com genialidade retiram o disco desta zona de azar. Ousadas roupagens para Vai Vadiar, famosa na voz de Zeca Pagodinho, e Galope Rasante, de Zé Ramalho, confirmam o bom gosto e a inteligência de Aydar na escolha e, principalmente, na execução de seu repertório. Não é qualquer cantora que arrisca brincar audaciosamente com uma música tão importante como Nine Out Of Ten, considerada pioneira do reggae nacional. A letra clássica de Caetano Veloso é tratada com respeito e vestida em trajes musicais de gênero praticamente indefinível. Com ajuda da sanfona de Dominguinhos, o xote Preciso do teu sorriso torna-se uma canção com romantismo ímpar na voz de Aydar. Também há espaço para o bom humor, numa mistura sadia de carimbó e brega paraense. Duvido alguém ficar parado ao ouvir O Homem da Perna de Pau. O rapper Emicida ajuda a cantora a encobrir o tal andante do título do disco. Cavaleiro Selvagem, a penúltima faixa, remete à inspiração, ao novo, ao belo, à evolução. Mariana Aydar se aventura por um ótimo caminho.

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Emicida DOOZICABRABA E A REVOLUÇÃO SILENCIOSA Em parceria com a falada dupla de produtores Beatnick & K-Saalam, Emicida produziu o melhor trabalho em estúdio de sua carreira. As rimas apuradas agora estão intercaladas por melodias abundantes e ótimas vozes, como a de Fabiana Cozza, em Cacariacô, e a de Rael da Rima, em Num É Só Ver (a melhor das nove faixas). A evolução rápida do rapper é refletida, obviamente, em seu discurso. “Jornais me chamam de matador e é o que quero ser: aquele que mata a dor”, dispara em Viva. Por falar em jornais, a crescente repercussão na mídia rende uma ótima introdução para o álbum: Shiiiiu!, um mosaico do barulho que ele anda causando por aí. E isso é só o começo. Sensato, Emicida caminha para ser o maior rapper brasileiro de todos os tempos.

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12

COTAÇÃO

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TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Divulgação


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O QUE VOCÊ QUER SABER DE VERDADE

Marisa Monte

COTAÇÃO

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Que outra cantora conseguiria abusar de um romantismo simplório e escancarado (como no hit Ainda Bem) sem soar cafona? Para completar, ela teve a ousadia de tirar um lutador de Muay Thai para dançar. Marisa Monte é uma artista com inteligência incomum. Conectada com estéticas inovadoras - como sempre - e cercada por ótimos músicos, a cantora liberou seu álbum mais pop, com canções poderosas para alcançar grandes públicos. É preciso ter coragem e, principalmente, classe para fazer isso. E este é justamente um dos pontos fortes da cantora. Até parece que tudo o que passa por essa voz se transforma em ouro. Fruto de uma produção pomposa, O Que Você Quer Saber de Verdade não saciou os que esperavam por um disco conceitual, ou até mesmo conservador. Marisa preferiu criar mais uma ferramenta para continuar fazendo música de qualidade acima da média sem deixar a fama escapar. Resultado: passa longe de ser seu melhor trabalho, mas as vendas estão garantidas, além de duas ou três músicas poderem ser incluídas entre as mais notáveis de sua carreira. Uma parceria inédita com o hermano Rodrigo Amarante rendeu a belíssima O Que Se Quer. Não poderia faltar a presença dos companheiros de tribo Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, responsáveis pela faixa título, bem escolhida, e pela afável Verdade, Uma Ilusão. O acordeom de Waldonys é marcante. Se por um lado foi desnecessário mexer com Lencinho Querido, por outro foi formidável regravar Descalço No Parque, do grande Jorge Ben. É preciso um bom faro para descobrir uma pérola como Nada Tudo, até então pequena na voz de André Carvalho. Ainda bem que MM voltou.

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cartaz em cartaz

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Casuarina www.EMBRULHADOR.com

TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Divulgação


TRILHOS/TERRA FIRME

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94

Saia cantarolando logo após a primeira audição. Com uma década de estrada, o conjunto carioca Casuarina parece estar mais afiado do que nunca. Neste quarto álbum, os arranjos continuam impecáveis, mas as atenções se voltam para as ótimas composições. Trilhos/ Terra Firme é um trabalho inteiramente autoral e inédito - para surpresa dos desavisados. As canções que nomeiam o trabalho são bons exemplos de como a criação está notável. Na primeira, que aparece na metade do álbum, o futuro é incerto: “Eu ando em trilhos, tristonhos, sem trens”. O outro tema traz a mágoa da falta de um lar em terra firme, mas acaba concluindo que a ausência do movimento das ondas não é conveniente: “O coração que é do mar já nasceu pra navegar e não para em terra firme”. Qual merece dar nome ao disco? Na indecisão, o grupo decidiu não decidir.

10

Daniel Montes, João Cavalcanti, Gabriel Azevedo, João Fernando e Rafael Freire são experientes nos palcos do mundo. O Casuarina já conta cinco turnês internacionais. Nesse quesito, Trilhos/Terra Firme surge como uma prova de que o talento da banda foi bem polido. Versátil e harmônico, o novo trabalho passeia pelas variações mais tradicionais do samba carioca sem deixar de lado a originalidade. O naipe de paus na bela capa do disco é explicado em Coringa, sobre um jogo sentimental onde o amor é de carta marcada. Destaque também para os excelentes versos de Vaidade, Qual Maneira e Samba de Helena. É para se emocionar com Vocação e deixar o coração ser dilacerado pela Dissimulata. É para viciar e cantar junto do início ao fim.

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Pélico

QUE ISSO FIQUE ENTRE NÓS

9

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Para ouvir de madrugada, enquanto se mastiga desilusões amorosas. Pélico divide seus sentimentos com o ouvinte e acaba atuando como um conselheiro de primeira. Ah, e como confidente também. Que Isso Fique Entre Nós não é um disco triste. Aliada a instrumentos sutis, a voz aconchegante do cantor passeia com versatilidade pelas dezesseis excelentes músicas, marcadas por melodias penetrantes e por versos que tratam o amor de forma encantadora. “Pode apostar, não tem porque tanta mágoa assim”, aconselha logo no início do álbum, em Ainda não é tempo de chorar. Sem Medida traz uma democrática discussão de relacionamento para, em seguida, Não Éramos Tão Assim apresentar um balanço da falta que pode ter causado o fim. E a partir deste momento você larga tudo o que está fazendo e fica olhando para o rádio. Atenção total, a coisa está ficando muito interessante... A faixa título aparece: “Aconteça o que acontecer, daqui do alto posso ver e crer a quantos passos fico da minha casa ao seu ouvido”. Alguém abriu o álbum de fotografias e molhou uma foto de verão com lágrimas em Tenha Fé, Meu Bem. Pegue um lenço e dê um jeito nisso, pois o seu pezinho já está balançando com a levada alegre de Levarei. Pélico é cru em Recado - “Pois bem, será que eu não tenho o direito de te maltratar?” -, mas dá o braço a torcer logo em seguida, em Vamo Tentá. É difícil abandonar um amor, como comprova Não Vou Te Deixar, Por Enquanto, a não ser que você ainda desfrute de uma infância ociosa como a de Tempo de Criança. Sete Minutos de Solidão é uma espécie de cronômetro sentimental, enquanto À Beira do Ridículo mostra um sujeito traído: “Ah, tanto faz ter me humilhado assim, até já sei que outro alguém roubou o meu lugar”. A lição de Minha Dor é aguentar enquanto tenta esquecer. Nos últimos minutos do álbum, acompanhamos idas e vindas de Se Você Me Perguntar e de O Menino para, finalmente, anotar um conselho prático para os desiludidos: Não Corra, Não Mate, Não Morra. Como diz Tulipa Ruiz, que este novo disco de Pélico não fique só entre nós.

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Wado SAMBA 808

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“Baixa, deleita ou deleta”. A oferta de Wado ao liberar seu sexto trabalho em estúdio para download é modesta. Ora aclamado, ora esquecido, este catarinense - ou melhor, alagoano - encara a tecnologia de forma peculiar. Samba 808 não tem versão física, foi lançado apenas na internet, numa corajosa empreitada alternativa. O título faz referência à famosa bateria eletrônica TR-808 (talvez apareça aí a nostalgia que toma conta das músicas) e ao seu ritmo predominante, embora não seja nada prático determinar um gênero para o som complexo e opulento de Wado. Criador indispensável na música brasileira, ele insere boas camadas eletrônicas e um punhado de expressões espertas na dezena de faixas que compõe o álbum. Entrega Esqueleto à levada sincopada de Curumin. Com ajuda de Chico César, admira um mundo bizarro em Surdos de Escola de Samba. Convida o casal Mallu & Camelo a fundar uma conduta romântica em Com a Ponta dos Dedos para, em seguida, devanear com Fernando Anitelli em Portas São Para Conter Ou Deixar Passar. Aparecem as três únicas canções em que ele está sozinho nos vocais: Recompensa, que interroga sobre coisas vulgares do cotidiano; Não Para, onde confessa o que faz no hospício (“Escondo embaixo da língua”); e a sossegada Vai Ver. Para encerrar Samba 808, mais duas parcerias. Fábio Góes dança em Jornada, enquanto Alvinho Lancellotti e André Abujamra criam um clima místico para Beira Mar, um dos pontos fortes do álbum. Impossível cogitar a hipótese de apagar um trabalho como esse. Baixa e deleita!

TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Divulgação

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Gal Costa RECANTO

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A ousadia de Recanto não está limitada ao uso de elementos eletrônicos. É excitante saber que Caetano Veloso criou as belas músicas do álbum especialmente para a voz de Gal Costa. Faz sentido. A melancolia elegante e sóbria de Recanto Escuro não seria a mesma no timbre de outra intérprete. A faixa abre o disco e anuncia o clima cinza, misterioso, que predomina ao longo dos quase quarenta minutos que estão por vir. O vocabulário esmerado do compositor é usado sem economia em Cara do Mundo. A voz inebriante da cantora é medida na estranha Autotune Autoerótico, que afirma: “Não, o autotune não basta pra fazer o canto andar pelos caminhos que levam à grande beleza”. A vida pode ser encarada como uma úlcera em Tudo Dói, uma das músicas em que os efeitos eletrônicos são mais eminentes. A bela melodia imprevista de Neguinho acolhe um jogo de casos que é característico da obra autoral de Caetano. Numa criativa autocrítica ao consumismo, eis a melhor música do disco. Seguem a virtuosa O Menino, a quieta Madre Deus, a devaneadora Mansidão e Sexo e Dinheiro, com mais um punhado de reflexões de um Caetano atual e inspirado. O batidão do funk carioca toma conta de Miami Maculelê e Gal não se intimida ao disparar: “Por que eu fui meter você no meu som, no meu bom?”. O clima dançante é quebrado com a letra pungente de Segunda, que encerra o disco. Sem medo de enfrentar o novo, a dupla revive uma parceria de ouro da música brasileira com inovação de sobra, entregando uma surpresa atrás da outra. Mas o disco é dela... Digamos que este seja o primeiro trabalho de Gal Costa. Um início de carreira brilhante.

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Karina Buhr LONGE DE ONDE

6 TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Jorge Bispo/Divulgação

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Vai optar pelo copo de veneno? A dica de Karina Buhr é consumi-lo com duas pedrinhas de gelo, para diminuir o gosto amargo. Depois de conquistar o país com Eu Menti Pra Você (quinto melhor álbum da música brasileira em 2010, segundo a revista Manuscrita), a cantora retorna com mais uma receita de seu rock cruel. Buhr e seus homens (André Lima, Bruno Buarque, Edgard Scandurra, Fernando Catatau, Guizado, Jorge Bispo e Mau) capricham nos ingredientes: instrumentos poderosos, alfinetadas morais e atos insurgentes nas letras, sotaque saboroso na interpretação e um recheio picante de sarcasmo. Pouco mais de meia hora no forno e Longe de Onde está pronto. Onze ótimas canções provam que a cantora tem força e criatividade para levar adiante a carreira solo iniciada há pouco. “Não posso suportar um amor que é mais do que o que eu sinto por dentro”, canta Karina em Não Me Ame Tanto. Essa é apenas uma das dezenas de frases marcantes e inspiradas do disco. A maior surpresa é Pra Ser Romântica, que propõe um balanço embriagado simplesmente irresistível. As características positivas de Longe de Onde são intensificadas no palco, com performances arrasadoras. Adiantada e segura, Karina Buhr dá um up em sua carreira com esse álbum e ganha uma boa vantagem na corrida da nova geração da nossa música.

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PITANGA

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Mallu

Hora de esquecer aquela adolescente insossa que há alguns anos foi apontada como prodígio pela mídia, citando como referências Johnny Cash e Bob Dylan. Hora de acreditar: a garota irritantemente tímida e meio desengonçada ficou para trás. Hora dos ouvintes contrários deixarem o preconceito de lado. Para quem estava enquadrado neste grupo, os dois primeiros discos de Mallu Magalhães, homônimos, não passaram de trabalhos imaturos e pouco atraentes. Pitanga, o terceiro, é uma prova surpreendente de que a cantora evoluiu muito e em pouco tempo. Sem o sobrenome Magalhães, e sem insistir nas influências norte americanas, Mallu nos apresenta doze canções sensíveis, sinceras e maduras na medida certa. O recado de Velha e Louca, que abre o disco, é claro: “Pode falar que eu não ligo. Agora, amigo, eu tô em outra”. Logo na primeira faixa, nos primeiros segundos, já é possível perceber a presença forte de Marcelo Camelo. Com o toque dele, o disco dela é melhor que o dele, ‘Toque Dela’. O “moreno do cabelo enroladinho”, amado da cantora, atuou de forma decisiva em Pitanga. O hermano está na concepção minimalista, na produção categórica e, principalmente, na inspiração. Apaixonada, Mallu consegue compor e cantar com delicadeza invejável, além de se aventurar em novos instrumentos, como piano, guitarra e bateria. Segurança e espontaneidade do início ao fim deste novo álbum. Cena é arrebatadora e, ao mesmo tempo, graciosa. Sambinha nos faz querer mais da bossa de Mallu, que antes priorizava o folk. E por falar nisso, o inglês está mais sutil. Canções como Youhuhu, In The Morning e Highly Sensitive contam com belos versos em português. “Toda a dor que me aparece eu te conto, você me cura sem sequer notar”, confessa em Baby, I’m Sure. O tom desembaraçado de Ô, Ana, a sinceridade de Olha Só, Moreno e o afeto dominante de Por Que Você Faz Assim Comigo? mostram uma artista de cara limpa, mais segura, mais experiente, mais feliz. Mallu aprendeu com Camelo que o casual pode se tornar encantador, que a fruta pode ficar madura num estalar de dedos, num assobio. O segredo é em cada canto ver o lado bom.

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TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Divulgação


CANÇÕES DE APARTAMENTO

Cícero

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Atenção para o top de 10 verdades captadas em ‘Canções de Apartamento’: 1 - Não importa o que aconteça hoje, dá pra se reinventar amanhã.

2 - A pressa pode fazer você confundir vagalumes com elefantes. Vá com calma, planeje suas bobagens. 3 - É possível alçar voo com apenas um balão. 4 - Você é uma lenda. 5 - O amor é cego. 6 - Se você não sabe bem o que quer, deve ser amor. 7 - Refrões são incontroláveis. E é por isso que muitos saem tão sem graça. 8 - Inove para ser feliz. Essa é a lei. 9 - Ciúme calado dói mais. 10 - Giramundocão. Cícero fez o disco mais importante do ano para aquilo que se pode chamar de nova música brasileira. Provavelmente seus netos ouvirão Canções de Apartamento como você, lá atrás, ouviu Transa. “The world is spinning round slowly”.

TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Daryan Dornelles/Divulgação

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Criolo

NÓ NA ORELHA

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3

Este disco deu um nó no meu ouvido. Não estou em condições de falar sobre. Vou me tratar em Bogotá. Próximo!

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TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Fernanda Negrini/Divulgação


CANTEIRO

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2 André Mehmari

Erudito ou popular? As questões polêmicas e controversas que envolvem o relacionamento entre a música erudita e a popular provavelmente nunca deixarão de existir. Por mais que os meios de distribuição evoluam, por mais que a forma como consumimos a música seja alterada com o passar do tempo, continua sendo uma tarefa difícil aliar características dos dois gêneros sem ferir os artistas mais conservadores ou sem se perder no mercado frenético e cruel sustentado pela massa. Mas os últimos anos na música brasileira foram generosos com os artistas situados no lado erudito, que viram o alcance de suas obras ser potencializado. O genial André Mehmari é um dos maiores talentos da música brasileira contemporânea, autor de arranjos e composições para as formações orquestrais mais importantes do país. Com sua percepção apurada e um esmero fora do comum em qualquer produção que se envolva, Mehmari constrói uma discografia sublime, irretocável. Canteiro já nasce como o trabalho mais imponente e inovador da carreira do músico. Os números do álbum impressionam: dois discos totalizam trinta canções, envolvendo dez letristas, quinze cantores e vinte e seis instrumentistas. O tema principal de Canteiro é o canto. Onde nascem as canções? “Minha intenção foi criar em cada canção uma fábula, um microcosmo que dialoga com esse grande jardim, o Canteiro”. André convidou compositores de primeira linha para dividir as faixas do álbum, o que resultou em letras ricas em lirismo, como Clara (assinada com Silvio Mansini) e

TEXTO: Ed Félix | FOTOS: Divulgação

Vento Bom (com Sérgio Santos). As vozes são de cantores consagrados da nossa música, como Luiz Tatit (Tenta Dormir), Mônica Salmaso (Apenas o Mar e Modular Paixões), Ná Ozzetti (Festa dos Pássaros) e Jussara Silveira (Viagem de Verão). “A resposta entusiasmada que recebi de cada intérprete ao apresentar a eles a ‘sua’ canção foi o termômetro perfeito para saber que estava no caminho certo”. Mas a grande surpresa desta parte vocal fica por conta do próprio Mehmari, que se revela um intérprete afinado e sensível em cinco canções (destaque para Cânticos dos Quânticos). A atuação principal de André Mehmari em Canteiro é no piano, mas ele também aparece com vários instrumentos complementares: violão, guitarra, acordeom, rabeca, flauta, flautim, contrabaixo elétrico, escaleta, viola, charango, violino, bandolim, celesta, cravo, entre outros. O trio de base é completado pela bateria de Sérgio Reze e pelo contrabaixo de Neymar Dias. A magnífica Brilha o Carnaval, que encerra o primeiro disco, conta com a participação da Orquestra à Base de Sopro de Curitiba. A arte visual de Canteiro, concebida por Gal Oppido, está à altura de seus sons. São poucos os que conseguem reunir tantos artistas brilhantes num trabalho autoral. Não é de hoje que o nome de André Mehmari está gravado na história da música brasileira, mas Canteiro pode ser a obra perfeita para aproximar o erudito do popular sem perder rigor. Isso passa longe de uma fusão de gêneros. Trata-se apenas do poder de conquistar cada vez mais ouvintes.

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A IMPOSTORA Contaminada, Adriana Calcanhotto fez o melhor álbum da música brasileira em 2011

por ED

FÉLIX


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Adriana

1

Calcanhotto

O MICRÓBIO DO SAMBA

TEXTO: Ed Félix | FOTO: Reprodução

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P

orto Alegre, 1919. Aos cinco anos de idade, Lupi é expulso da escola por mau comportamento. Sempre distraído, passava a maior parte do tempo cantarolando, batucando na mesa e atrapalhando as aulas. O menino só retomou os estudos dois anos mais tarde. O tempo passa e aquele guri inquieto se transforma num adolescente boêmio. Começa a compor no início dos anos 30. Algumas décadas depois, Lupicínio Rodrigues é visto como um dos artistas mais originais da música popular brasileira. Criador da “dor-decotovelo”, o compositor compartilhava desventuras amorosas com o público - todas, segundo ele, verídicas. Em depoimentos autobiográficos, Lupicínio achou uma explicação para a infância problemática. Ele dizia ser portador, desde pequeno, do micróbio do samba. “E quanto mais velho eu fico, mais ele se apega a mim e menos quer me abandonar”. Adriana Calcanhotto também nasceu infectada pelo micróbio do samba. Gaúcha e branca, ela explica que não precisa ser do mundo do samba para carregar o micróbio em si. Junto com seu amadurecimento como cantora e compositora veio a certeza de que todas as suas músicas possuem algo de samba, por menos perceptível que seja. A ideia de criar um disco e registrar esse fato surgiu por acaso, enquanto fazia registros de repertório em estúdio. Nasceu O Micróbio do Samba, um dos trabalhos mais impressionantes de sua excepcional discografia. Sem a mínima pretensão de ser sambista, Adriana Calcanhotto confessa que é uma impostora. O Micróbio do Samba não é um disco de samba. Segundo a compositora, o samba do disco é influência, e não gênero. Segundo a cantora, o samba é o motor propulsor, e não a meta de seu trabalho. Pode parecer uma afirmação arriscada, mas o que ela faz neste novo trabalho é diferente de tudo o que já foi feito na história do samba. Com essa modéstia e uma espontaneidade que é só dela, Calcanhotto nos apresentou em 2011 o disco mais importante e inovador do gênero nos últimos anos. E olha que a impostora queria apenas “sambar em paz”.

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Claramente inspirado no estilo lupiciniano, o álbum é o primeiro totalmente autoral de sua carreira e traz uma dúzia de canções (confira os comentários para cada uma nas próximas páginas) executadas com base num trio instrumental: Alberto Continentino, com um contrabaixo tocado com os dedos; Domenico Lancelotti, com sua bateria sem pratos e a percussão; e a própria Calcanhotto, com o violão e, às vezes, com piano, cuíca e caixa de fósforo. Algumas faixas contam com participações especiais: Davi Moraes, na viola morna e no cavaquinho; Moreno Veloso, no prato e faca; Nando Duarte, no violão de sete cordas; e Rodrigo Amarante, que aparece com uma decisiva guitarra de quatro notas. Resultado: uma roupagem contemporânea jamais ouvida no mundo do samba. Mas tal ousadia instrumental não é desrespeitosa. Lupicínio certamente adoraria participar do grupo. Outro lado surpreendente de O Micróbio do Samba diz respeito à verve da Adriana compositora, apontada por muitos como a melhor de sua geração. A mudança da perspectiva masculina para a feminina resulta em versos preciosos. Aqui a mulher não é passiva, comportada, muito menos resignada. Característica forte da artista, a percepção musical das palavras (nunca escrever sem os sons definidos) tem a simplicidade das letras como consequência. No final, percebemos a afirmação de diferentes mulheres em seus universos distintos. A produção esmerada de Daniel Carvalho é outro ponto forte. O disco está uniforme e muito bem acabado. Luiz Zerbini e Fernanda Villa-Lobos conseguiram traduzir a permeabilidade estilística de O Micróbio do Samba na arte visual. A capa e o encarte do disco trazem círculos, confetes e serpentinas numa textura serena que sintetiza a sensação de conforto que vem do conteúdo musical. Uma lesão no punho direito durante a gravação do disco impossibilitou Adriana Calcanhotto de subir ao palco agarrada com um instrumento, como sempre aconteceu. A cantora encarou o castigo como uma oportunidade de sair de sua zona de conforto e tirar proveito disso. Nas poucas apresentações que fez de O Micróbio do Samba - primeiro na Europa e, em seguida, no Brasil -, Calcanhotto e seus meninos foram merecidamente aplaudidos de pé. Os músicos conseguiram reproduzir a atmosfera do disco com precisão e a crooner finalmente se sentiu à vontade para sambar (sem tirar o pé do chão, por favor). Ao explorar as diferentes possibilidades sonoras do gênero com coerência, criatividade e elegância, Adriana Calcanhotto fugiu completamente dos caminhos já trilhados, inaugurou uma nova forma de tratar o samba. “Eu não quero fazer e entender de samba. Eu quero continuar sendo uma impostora da música”.


TEXTO: Ed Félix | FOTO: Divulgação


1

Eu vivo a sorrir Já cantava Cartola na clássica ‘O Sol Nascerá’: “A sorrir eu pretendo levar a vida”. Calcanhotto concorda com o mestre e dá a receita para aguardar o acaso, que pode estar inspirado.

2

O MICRÓBIO DO SAMBA

FAIXA A FAIXA

Aquele plano para me esquecer

Pode se remoer

Esqueça o plano para esquecer um grande amor. “Se bulir, vai ver ‘inda lateja”. A faixa é uma das que contam apenas com o trio Calcanhotto, Lancellotti e Continentino.

Calcanhotto distorce sua guitarra como nunca. Versos vingativos para provocar a dor-de-cotovelo lupiciniana. “Pode se remoer, se penitenciar. Eu encontrei alguém que só pensa em beijar”.

4 5

Mais perfumado “Sai para o jogo com ar distraído e volta pra casa mais perfumado”. A cantora é pura ironia ao dar voz à mulher que não se deixa enganar pelo marido malandro.

Beijo sem

Já Reparô?

Agora é a mulher que se entrega aos prazeres da vida noturna na Lapa. “Madrugada, sou da lira. Manhãzinha, de ninguém”. Calcanhotto dedica a música à Marisa Monte.

Um dos melhores momentos do disco. Uma mulher fala para outra: “A sua nova namorada, morena, pode ser magrela, pode ser retinta. Porte de gazela, olho de leoa. Ser muito versada e hábil com a língua, do tipo que domina idiomas”. Esta namorada só tem um defeito... Será que ela já percebeu qual é? Tocado com os dedos, o contrabaixo de Alberto Continentino garante profundidade aos primeiros minutos da música. No final, Rodrigo Amarante surge genial com quatro notas de guitarra.

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Vai saber? “Só porque disse que não me quer, não quer dizer que não vá querer”. Vestígios de esperança num amor não correspondido.

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Vem ver A única letra com perspectiva masculina. O homem enche a mulher de mimos, faz promessas tentadoras e confessa: é um “escravo” de dia, mas à noite será “predador”.

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Tão chic A proposta é “ter amor eterno até a quarta-feira”. Uma declaração açucarada. Destaque para o cavaquinho sutil e brilhante de Davi Moraes.

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Deixa, gueixa Marchinha alegre que inclui um coro de bloco e o barulho de xícaras. “De bandeja eu te daria, se ao meu alcance, o lance da alegria, o presente deste instante”.

Você disse não lembrar Uma das mais cantaroláveis do disco. Atenção para a presença de Moreno Veloso, com prato e faca. “Se eu escolho acreditar, eu me firo de morrer”.

Tá na minha hora Uma despedida carnavalesca. Calcanhotto declara seu amor à Mangueira (“O meu coração é verde rosa”) e dá adeus sem promessas de voltar depois do carnaval. Domenico Lancellotti finaliza com um “laiá laiá” emocionante.

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FOTO: Divulgação


encontro

uma seção do EMBRULHADOR


bônus

AS 100 MELHORES MÚSICAS NACIONAIS DE 2011 100 GRITO DE PAZ BIXIGA 70

PRA DIZER ADEUS 99 AVA

EU ROUBEI A GRAVATA? 90 ROGÉRIO SKYLAB DELICADA EUFORIA 89 DANIELLE CAVALLON

FOLHAS PELO CABELO 98 DANIELA BORELA

NEM PENSAR EM VOCÊ 88 CHINA

CIDADÃO 97 PASSO TORTO

O QUE EU SERIA SEM TI 87 PATRICIA TALEM

EU SÓ PARO SE CAIR 96 DANIEL PEIXOTO

CLEYTON CULT 86 RABUJAH

SE JOGA 95 JAU

GUARANÁ 85 NAMORADA BELGA

O ROQUEIRO E A HIPPIE 94 TALMA & GADELHA

TARANTINO, MEU AMOR 84 BRUNO BATISTA

CIRCO INCANDESCENTE 93 GUNNAR VARGAS

SAMBABOM 83 DIOGO CADAVAL

QUANTO VALE UM PENSAMENTO SEU 92 MOPHO ENCARNADOAZUL 91 SANDRA BELÊ www.EMBRULHADOR.com

PLANTO 82 RANCORE

OLHA PROS NEGUINHO 81 XARÁ E EMICIDA FOTO: Divulgação


PATRICIA TALEM


DANI TURCHETO


QUÉ QUE CÊ QUÉ 80 DANIELLA ALCARPE

BOM! 65 PEQUENA MORTE

ROENDO UNHA 79 ELISA ADDOR

SE TIVER QUE SER NA BALADA, VAI 64 VANGUART

SERRA DO CÉU 78 GISBRANCO

DOIS OLHOS VERDES 63 RPM

MEU QUINTAL 77 NÁ OZZETTI

AXÉ A CAPELLA 62 MARIA GADÚ

I’VE GOT TONIGHT 76 BOSS IN DRAMA

RESPIRA 61 MADAME SAATAN

PROMETEU AO SANTO 75 QUARTO NEGRO PRECE DA PONTA DE FACA 74 NUDA PRIMEIRO PLANO 73 ACADEMIA DA BERLINDA CABOCOPYLEFT 72 MUNDO LIVRE S/A

NA DANÇA 55 ZÉ GLEISSON NÃO ME VENHA MAIS COM O AMOR 54 MARINA LIMA A LAS MUJERES LES QUEDA MAL TOREAR 53 ESKIMO

ÁGUA, MÃE ÁGUA 67 MARIANNA LEPORACE TENHO QUE SEGUIR 66 MOMO FOTO: Divulgação

O GOSTO AMARGO DO PERFUME 58 BANDA UÓ

5 SENTIDOS 56 DOMENICO LANCELLOTTI

RUBATO 70 CHICO BUARQUE

SAGA 68 FILIPE CATTO

VÉU DA NOITE 59 TEMPO DE BRINCAR E MÔNICA SALMASO

LAMBADA COM FARINHA 57 FELIPE CORDEIRO

MADEIRA TORTA 71 DANI TURCHETO

CARAPAÇA 69 FEPASCHOAL

CRIADO MUDO 60 DANILO MORAES

SOMBRA MINHA 52 TAÏS REGANELLI TAXI IMÃ 51 PIPO PEGORARO www.EMBRULHADOR.com


TREM DAS ONZE 50 MONICA SALMASO

AMOR SUSTENTÁVEL 35 ANELIS

DESSA VEZ 49 TRANSMISSOR

BLUES VIA SATÉLITE 34 GRAVEOLA E O LIXO POLIFÔNICO

FORA DE ÁREA 48 KASSIN

ACOSTUMAR 33 MARCELO CAMELO

ÀS VEZES UM CLICHÊ 47 MAGLORE

RECADO 32 MAÍRA FREITAS

AMOR É PRA QUEM AMA 46 LENINE

MEMÓRIA 31 LIRINHA

PARADISO 45 CELSO FONSECA E RONALDO BASTOS CORAÇÃO DESMONTADO 44 PATRICIA LOBATO OVNI 43 AFFONSINHO QUIRERA 42 MÚSICA DE RUIZ CUNENE 41 EMILIANO CASTRO RIOS DE PASSAR 40 JUNIO BARRETO DITADO 39 ROMULO FRÓES ASSIM ASSIM 38 DAN NAKAGAWA SOLITUDE 37 MARIANA AYDAR

DE PARTIR CHEGAR 30 ALINE CALIXTO SOLUÇOS 29 ZEZÉ MOTTA VIVE UM MUNDO AQUI 28 JAN FELIPE FULL OF GRACE 27 WANNABE JALVA VESTIDO DE FESTA 26 MEGH STOCK CHALALA 25 BLUBELL PIROCÓPTERO 24 SÉRGIO PERERÊ QUAL MANEIRA 23 CASUARINA TUDO BEM 22 AUTORAMAS

MINHA TRIBO É O MUNDO 36 FLÁVIO RENEGADO

LELÊ 21 AXIAL

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FOTO: Flávia Mafra


GRAVEOLA E O LIXO POLIFテ年ICO


GABY AMARANTOS


NUM É SÓ VER 20 EMICIDA E RAEL DA RIMA

ÔÔÔÔÔÔÔÔ 10 THAÍS GULIN

PRA SER ROMÂNTICA 19 KARINA BUHR

SAL E AMOR 9 GUI AMABIS, TULIPA RUIZ E CÉU

VEJA SÓ 18 TIBÉRIO AZUL

TÁ NA MINHA HORA 8 ADRIANA CALCANHOTTO

AINDA BEM 17 MARISA MONTE

DELÍRIOS ESPACIAIS 7 EDDIE

COM A PONTA DOS DEDOS 16 WADO SE NÃO FOR AMOR EU CEGUE 15 LULA QUEIROGA L.O.V.E. BANANA 14 JOÃO BRASIL FEAT. LOVEFOXXX

NÃO EXISTE AMOR EM SP 12 CRIOLO

FOTO: Divulgação

VELHA E LOUCA 5 MALLU

TROVOA 4 KIKO DINUCCI, JUÇARA MARÇAL E THIAGO FRANÇA

UMA OUTRA QUALQUER POR AÍ 13 MANUELA RODRIGUES

12 DE MAIO 11 SILVA

LEVAREI 6 PÉLICO

NEGUINHO 3 GAL COSTA TEMPO DE PIPA 2 CÍCERO XIRLEY 1 GABY AMARANTOS www.EMBRULHADOR.com


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