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RELATÓRIO DE GESTÃO E ATIVIDADES

2014

Ano de integração das equipes e interiorização da pesquisa


Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Embrapa Amazônia Oriental Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

RELATÓRIO DE GESTÃO E ATIVIDADES 2014 Ano de integração das equipes e interiorização da pesquisa

Embrapa Amazônia Oriental Belém, PA 2015


Informações sobre esta publicação podem ser encontradas na: Embrapa Amazônia Oriental Tv. Dr. Enéas Pinheiro, s/n. Caixa Postal 48 CEP 66095-100. Belém, PA Fone: (91) 3204-1000 Fax: (91) 3276-9845 www.embrapa.br/amazonia-oriental www.embrapa.br/fale-conosco

Adriano Venturieri Chefe Geral Walkymário de Paulo Lemos Chefe Adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento

PRODUÇÃO Núcleo de Comunicação Organizacional (NCO) SUPERVISÃO EDITORIAL Izabel Drulla Brandão CONTEÚDO Núcleo de Desenvolvimento Institucional Núcleo de Comunicação Organizacional REDAÇÃO Ana Laura Silva de Lima Izabel Drulla Brandão Kélem Cabral Vinicius Soares Braga EDIÇÃO FINAL Izabel Drulla Brandão REVISÃO DE TEXTO Izabel Drulla Brandão Maria Rosa Travassos

PROJETO GRÁFICO Giselle Aragão FICHA CATALOGRÁFICA Luiza de Marillac Pompeu Braga Gonçalves CAPA E DIAGRAMAÇÃO Giselle Aragão FOTOS DE CAPA Ronaldo Rosa COLABORAÇÃO Maria Rosa Travassos Waldo Baleixe

Silvio Brienza Junior Chefe Adjunto de Transferência de Tecnologia João Baía Brito Chefe Adjunto de Administração Vinícius Milléo Kuromoto Supervisor do Núcleo de Comunicação Organizacional

1ª EDIÇÃO 1ª impressão (2015): 200 exemplares

Todos os direitos reservados. A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação dos direitos autorais (Lei nº 9.610). Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Embrapa Amazônia Oriental Embrapa Amazônia Oriental Relatório de Gestão e Atividades 2014: ano de integração das equipes e interiorização da pesquisa / Embrapa Amazônia Oriental. – Belém, PA, 2015. 64 p. il.: 21 x 29,7 cm. 1. Pesquisa Agropecuária. 2. Instituição de Pesquisa. 3. Embrapa Amazônia Oriental - Relatório. 4. Pesquisa e Desenvolvimento – Amazônia – Pará. I. Título.

CDD 630.720811 © Embrapa 2015


APRESENTAÇÃO Os destaques de 2014 A Embrapa Amazônia Oriental, por meio deste Relatório de Gestão e Atividades 2014, apresenta suas principais contribuições à sociedade ocorridas durante o ano em termos de Gestão, Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (PD&I), Transferência de Tecnologia (TT) e Administração. Os resultados demonstram empenho em cumprir as metas programadas, superação de desafios e a construção da programação para os próximos anos. Destaque para a interiorização, que se acentua com o fortalecimento dos Núcleos de Apoio a Pesquisa e Transferência de Tecnologia (Napts), possibilitando o atendimento de demandas nas mesorregiões do Estado do Pará. No âmbito de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), novos arranjos de pesquisa foram aprovados e os Núcleos Temáticos (núcleos de pesquisa) reestruturados. Ampliou-se o quadro de pessoal do Núcleo de Apoio à Programação (NAP), permitindo o aumento expressivo no montante da receita indireta do centro de pesquisa. Para atender as exigências legais de uso de animais em atividades de pesquisa, foi instituída a Comissão de Ética para o Uso de Animais na Pesquisa (Ceua). As publicações somaram 513, entre artigos, livros, Série Embrapa e outras. Em 2014, foram celebrados 69 contratos, dos quais 15 no âmbito de PD&I e TT. Oito tecnologias foram qualificadas, sendo quatro na área de produção agroindustrial, uma cultivar em potencial e três na área da meliponicultura. Para o Balanço Social 2014 da Embrapa, a Embrapa Amazônia Oriental contribuiu com 32 ações sociais e seis casos de sucesso. Para a transferência de Tecnologias, Serviços e Produtos (TSPs), houve 525 eventos, entre dias de campo, unidades demonstrativas, unidades de observação, seminários, simpósios, workshops e outros. Com vistas á melhoria, bem estar, integração e capacitação do quadro funcional, foram realizados 23 treinamentos. Pelas conquistas da Embrapa Amazônia Oriental em 2014, agradecemos o apoio da Diretoria Executiva da Embrapa, dos empregados, colaboradores internos, externos e parceiros. Juntos pudemos desenvolver soluções tecnológicas e inovações que contribuíram para a sustentabilidade da agropecuária na Amazônia Oriental.

Adriano Venturieri Chefe Geral da Embrapa Amazônia Oriental


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Administração


Ronaldo Rosa

Administração

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sumário 10

1.

Atos de Gestão

2.

Institucional

3.

Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação

4.

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21 Sistemas Produtivos de Frutas 28 e Cultivos Industriais

5.

Recursos Florestais, Meio Ambiente e Ordenamento Territorial

6.

Sistemas Integrados e Produção Animal

7.

Sistemas Produtivos Familiares e Dinâmicas Socioambientais

8.

Transferência de Tecnologia

9. 10.

55 Administração 60 Comunicação

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Ronaldo Rosa

ATOS DE GESTテグ

1.


Atos de Gestão

Novos atos de gestão A posse da nova diretoria da Embrapa Amazônia Oriental ocorreu no dia 21 de outubro de 2013, dando início às ações previstas no plano de trabalho até 2016. Entre estas, a descentralização da atuação no Estado do Pará, a reestruturação das equipes, a abertura da gestão à participação dos empregados, com incentivo ao diálogo e melhoria do clima organizacional. Outra ação do plano de trabalho é a aproximação da gestão com os empregados nos diferentes setores, laboratórios, Núcleos de Apoio a Pesquisa e Transferência de Tecnologia - Napts e campos experimentais, em ações conjuntas com o Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf) para melhoria da qualidade de vida. A estas ações, somam-se ainda o fortalecimento da comunicação interna e externa; melhorias na infraestrutura interna na sede da instituição em Belém; fortalecimento do relacionamento com parceiros externos; redução de custos de manutenção; valorização de pessoal; capacitação de supervisores e demais empregados em gestão administrativa e desenvolvimento de novas habilidades.

Agenda de Prioridades Além da execução do plano de trabalho, ocorreu o planejamento estratégico por meio da construção da Agenda de Prioridades para o período 2014-2034, com participação dos empregados. O planejamento foi coordenado pelo Núcleo de Desenvolvimento Institucional, que atua na implantação da Agenda de Prioridades, na execução no Integro (sistema de desempenho da Embrapa) e no mapeamento dos resultados mais relevantes para a sociedade.

Articulação Em 2014 teve início o processo de reformulação e fortalecimento da atuação dos Núcleos Temáticos (núcleos de pesquisa). Já os Núcleos de Apoio a Pesquisa e Transfe-

rência de Tecnologia (Napts), localizados no interior do Pará, passaram a contar com a figura do articulador interinstitucional. Este tem a função de facilitar a interlocução entre os núcleos do interior e os atores sociais, com a participação dos agentes econômicos envolvidos no desenvolvimento agrícola e agroflorestal em diferentes territórios e regiões do Pará. No primeiro semestre de 2014, juntamente com o sindicato (Sinpaf), foi feito o diagnóstico das condições de trabalho dos empregados, incluindo os campos experimentais e os Napts, a fim de possibilitar futuras ações para melhorar as condições de trabalho e de bem-estar dos empregados. Quanto ao relacionamento com parceiros externos, a atual gestão empenha-se em garantir maior protagonismo de atuação da Embrapa Amazônia Oriental em arranjos institucionais no sentido de facilitar a contribuição institucional por meio dos resultados de pesquisa em importantes cadeias produtivas e temas relevantes para a região. Em paralelo aos avanços no relacionamento com parceiros, tanto no âmbito local, regional/territorial como internacional, houve esforço no sentido de ampliar a participação e atuação da instituição em comitês, comissões e câmaras setoriais. O objetivo disto é poder aumentar o protagonismo da Embrapa Amazônia Oriental em todas as frentes e setores ligados ao desenvolvimento sustentável na região, garantindo a participação em planos, programas e políticas públicas para assegurar que os resultados e contribuições da pesquisa agropecuária sejam considerados e apropriados. Em termos de ações de gestão administrativa de maior impacto, destaca-se a política de redução de desperdícios no centro de pesquisa. Esforços nesse sentido têm sido feitos para a redução dos gastos relativos à manutenção da infraestrutura e das pesquisas, incluindo revisão de horas-extras dos empregados, mas sem prejuízo no atendimento de demandas.

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INSTITUCIONAL

12 Atos de Gest達o

2.


Institucional

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Do IAN à Embrapa Amazônia Oriental: 75 anos de história Alfredo Homma, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental

Arquivo Embrapa

No dia 6 de maio de 2014 o Instituto Agronômico do Norte (IAN), precursor da atual Embrapa Amazônia Oriental, completou 75 anos de criação. Pode-se considerar como uma das mais importantes obras getulianas na Amazônia. Desde o seu primeiro diretor Felisberto Cardoso de Camargo (1896-1977), trazido dos quadros do Instituto Agronômico de Campinas, até o atual chefe-geral da Embrapa Amazônia Oriental, Adriano Venturieri (1966), já se passaram 22 dirigentes, incluindo os interinos. Em 11 de outubro de 1962, o IAN foi transformado em Instituto de Pesquisa e Experimentação Agropecuária do Norte (Ipean) e, em 23 de janeiro de 1975, já sob a égide da Embrapa, em Centro de Pesquisa Agropecuária do Trópico Úmido (Cpatu). Em 1º de março de 1991, todas as Unidades da Embrapa na Amazônia passaram a ser designadas Centros de Pesquisas Agroflorestais (Pará, Amazonas, Rondônia, Acre, Roraima e Amapá), onde a questão da sustentabilidade passou a ser enfatizada, atendendo aos novos ventos do ambientalismo nacional e mundial. O IAN e suas sucessoras foram as precursoras de todas as Unidades da Embrapa na Região Norte (exceto a Unidade do Tocantins).


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Institucional

A criação do IAN decorreu da estratégia de efetuar a pesquisa com a seringueira, considerada estratégica para a época, quando os tambores da II Guerra Mundial começaram a rufar em 1º de setembro de 1939. O ataque japonês à base naval americana de Pearl Harbour em 7 de dezembro de 1941, ao dominar o Sudeste Asiático, privou as Tropas Aliadas do suprimento de borracha das seringueiras transplantadas por Henry Alexander Wickham (1846-1928), em 1876. Enéas Calandrini Pinheiro (1880-1945) foi o responsável pela implantação das instalações da Unidade, tendo Getúlio Vargas (1882-1954) efetuado a inauguração em 7 de outubro de 1940, durante o seu périplo por Belém, Santarém, Parintins e Manaus. Em abril de 1941, Getúlio Vargas nomeava Felisberto Cardoso de Camargo, cuja gestão se estendeu até 1952, promovendo a estruturação do Instituto Agronômico do Norte. Por ocasião da construção e implantação do IAN, a lavoura da juta começava a se disseminar nas várzeas do Estado do Amazonas; em Tomé-açu, os imigrantes japoneses cultivavam hortaliças, produto completamente fora do hábito de consumo local, onde havia constante falta de gêneros alimentícios, como café, trigo, charques, açúcar, arroz, entre outros, que dependiam de transporte marítimo, que se agravou com a extensão do conflito bélico. Esta escassez também ocorria com produtos locais como a farinha de mandioca e arroz. A ação do IAN e de suas sucessoras contribuiu para a ampliação do conhecimento sobre recursos naturais da Amazônia, destacando-se as pesquisas sobre solos, clima, vegetação

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e, mais recentemente, das inter-relações climáticas vinculadas ao aquecimento global e de subsídios para o ordenamento territorial. Um testemunho desse trabalho pode ser visto na coleção de 193 mil exsicatas da flora amazônica acumuladas no seu Herbário iniciado em 1943, sendo a segunda maior coleção da região. Contribuímos para o processo de domesticação de diversas espécies extrativas, como a seringueira, guaranazeiro, castanheira-do-pará, cupuaçuzeiro, pupunheira, pimenta longa, açaizeiro, malva, jambu, dentre as principais. Novas plantas extrativas de importância econômica, como o bacurizeiro, uxizeiro, ipecacuanha e curauá, estão sendo manejadas e/ou domesticadas. Com isso, ampliaram-se as possibilidades da oferta ex-


Arquivo Embrapa Arquivo Embrapa Arquivo Embrapa

Institucional

trativa, com produtos de melhor qualidade e criação de novas alternativas de renda e emprego. As práticas agrícolas com diversas culturas anuais e perenes permitiram a garantia do abastecimento regional, a formação de excedentes para exportação e matéria-prima para o setor industrial. Destaca-se o arroz, milho, feijão-caupi, mandioca, pimenta-do-reino, óleo de dendê, soja, seringueira, juta, abacaxi, banana, plantas extrativas que estão sendo domesticadas, entre as mais importantes. As pesquisas com bubalinos tornaram este centro de pesquisa referência nacional, sem falar de bovinos, envolvendo a introdução de gramíneas africanas, sanidade e a preocupação com a redução de desmatamentos e queimadas. A piscicultura e a criação de pequenos animais, nativos e exóticos, tem também recebido a atenção dos pesquisadores. Na área florestal, grande foi a contribuição relacionada ao manejo florestal e às práticas silviculturais, que ensejaram a sua aplicação no setor empresarial e na redução dos impactos ambientais. As inter-relações clima-floresta ganharam também dimensão mundial, com a preocupação relacionada com o aquecimento global. Destaca-se, portanto, neste pequeno ensaio, as contribuições do IAN, Ipean, Cpatu, Centro de Pesquisa Agroflorestal da Amazônia Oriental e da atual Embrapa Amazônia Oriental. Como o conhecimento científico é aditivo, associativo e multiplicativo, no espaço e no tempo e, entre instituições, cabe destacar a colaboração e a parceria entre as diversas instituições de pesquisa regionais, nacionais e internacionais para o sucesso alcançado.

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Institucional

Os desafios para o futuro A agricultura na Amazônia nas últimas quatro décadas tem sido alvo de críticas como a grande causadora dos desmatamentos e queimadas. A partir da década de 1960, quando se iniciou a abertura dos grandes eixos rodoviários, a civilização das várzeas foi suplantada pela civilização da terra firme, com a ocupação nas margens das estradas. Milhares de famílias se deslocaram em direção à Amazônia, na busca de sonhos e esperanças, em decorrência da pobreza e da falta de alternativas econômicas nos seus locais de origem, da implantação de obras de infraestrutura, da falta de terras, dentre outros fatores. A partir de 2004 o desmatamento vem declinando na Amazônia Legal, com exceção para alguns Estados e para determinados anos, decorrente do esforço da governança. É importante que o custo de recuperação das áreas alteradas seja reduzido mediante a oferta de insumos agrícolas a preços competitivos, serviços de mecanização agrícola, assistência técnica e que novos mercados sejam criados, o que poderia apressar este processo de redução. A agricultura na Amazônia é importante para garantir a segurança alimentar, para produzir matéria-prima e gerar emprego e renda. Reduzindo os preços dos alimentos é possível aumentar a capacidade de compra das populações mais pobres. É possível desenvolver uma agricultura mais sustentável com a conservação e a preservação da Amazônia sem destruir novas áreas. O primeiro desafio é manter a “primeira natureza” (representa-

da pela floresta original). O segundo é transformar a “segunda natureza” (representada pelas áreas desmatadas) em uma “terceira natureza” com atividades produtivas mais adequadas e recuperar ecossistemas que não deveriam ter sido destruídos (beiras de rios, áreas moradas, etc.). O desafio não está em somente estancar a sangria do desmatamento crônico, mas o de transformar a curva decrescente da cobertura florestal da Amazônia com o reflorestamento das áreas que não deveriam ter sido desmatadas, recompor as Áreas de Reserva Legal (ARL) e de Preservação Permanente (APP), com técnicas apropriadas. A redução da área para atividades agrícolas e do fechamento da fronteira agrícola sinaliza para o aumento da produtividade da terra e da mão de obra como imprescindível. Atualmente, as questões éticas e ambientais voltadas para a agricultura, a melhoria das condições de bem-estar da pequena produção, a domesticação dos recursos da biodiversidade amazônica visando a criação de uma agricultura autóctone, contribuir para promover uma revolução na aquicultura amazônica, garantir a segurança alimentar para uma população urbana crescente e com a redução absoluta e relativa da população rural brasileira fazem parte da agenda cotidiana. Enfim, precisamos fazer uma nova agricultura para Amazônia. São os desafios que se apresentam para uma nova agenda de pesquisa. Assim como faz agora, a história irá efetuar seu julgamento nas próximas décadas se realmente foi seguido o caminho


Institucional

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correto. Em todas essas conquistas científicas e tecnológicas, homens e mulheres sempre estiveram presentes enfrentando as dificuldades inerentes a cada época. Todos tinham um sonho e o perseguiram tenazmente – muitos o fizeram com o sacrifício de suas próprias vidas – deixando a sua contribuição para outros avançarem no futuro. Aos pioneiros do passado, cujas facilidades cotidianas de hoje, como aviões, internet, celulares, satélites, laptops, etc eram totalmente imaginárias, cabe uma grande parcela dessa conquista e a nossa homenagem.

Paulo Fernandes

(Alfredo Homma)


O diferencial da Embrapa Amazônia Oriental A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, possui 17 unidades centrais localizadas em Brasília (DF), 46 unidades descentralizadas em todas as regiões do Brasil, quatro laboratórios virtuais no exterior (Labex), sediados nos Estados Unidos, Europa, China e Coreia do Sul, 16 escritórios nacionais e três internacionais (Venezuela, Panamá e África). A interação coordenada destes órgãos é conhecido como Sistema Embrapa. A Embrapa Amazônia Oriental, sediada em Belém, Pará, com cinco núcleos no interior do Estado, é a maior unidade descentralizada do Sistema Embrapa. De caráter ecorregional, seu foco é desenvolver pesquisa agropecuária e incorporar à base produtiva agrícola da Amazônia Oriental conhecimentos tecnológicos e organizacionais sustentáveis para os diferentes sistemas de produção, agregando valor aos recursos naturais e considerando as peculiaridades do capital social e humano da região. A instituição atua desenvolvendo pesquisa para produção de tecnologias, produtos e serviços a serem entregues à sociedade em geral. O principal produto é o conhecimento, tendo como pano de fundo a agropecuária desenvolvida no Pará, o segundo maior Estado da Federação. A Embrapa Amazônia Oriental detém os maiores conhecimentos sobre bubalinos e solos tropicais. Já os conhecimentos botânicos são representados pelo Herbário IAN e as 193 mil exsicatas da coleção. A instituição mantém, em sua biblioteca “Engenheiro Agrônomo Milton de Albuquerque”, o terceiro maior acervo bibliográfico específico em Ciências Agrárias da América Latina.

Ronaldo Rosa

Institucional

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Interiorização A sede do centro de pesquisa localiza-se na maior área verde da capital paraense, com 3 mil hectares, sendo 80,45% da sua área total com ecossistema preservado (75,64%) ou restaurado (4,81%), inclusive com reserva botânica e lagos que abastecem um terço dos habitantes da Grande Belém. Além de Belém, a empresa atua também no interior do Pará por meio de cinco Núcleos de Apoio a Pesquisa e Transferência de Tecnologia (Napts), unidades de gestão sediadas nos municípios de Altamira (Napt Transamazônica), Igarapé-açu (Napt Bragantina), Marabá (Napt Sudeste do Pará), Paragominas (Napt Belém-Brasília) e Santarém (Napt Médio Amazonas). A empresa possui 14 laboratórios, 15 Bancos Ativos de Germoplasma (BAGs), oito campos experimentais, duas unidades de pesquisa animal (Álvaro Adolpho e Felisberto Camargo) e uma estação de piscicultura. A equipe de trabalho em 2014 reuniu 114 pesquisadores, 93 analistas, 98 técnicos e 222 assistentes, totalizando 527 empregados.


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Linhas de atuação A dimensão continental de atuação, a malha viária e a bacia hidrográfica amazônica são desafios de relevância para o trabalho desenvolvido na região. Sendo uma instituição de pesquisa agrícola ecorregional, as linhas de atuação da Embrapa Amazônia Oriental são:

Everaldo Nascimento

> Sistemas de produção com plantas da biodiversidade amazônica; sistemas de produção de plantas exóticas. > Mudanças climáticas > Sustentabilidade de sistemas de produção baseados em cultivos industriais > Sistemas de produção integrados de grãos e mandioca > Ordenamento territorial, uso da terra e conservação dos recursos naturais (hídricos, fauna e flora) > Sistematização e desenvolvimento da agricultura de base ecológica > Agricultura de base familiar e agroecológica > Sistemas de produção florestal > Intensificação da produção sustentável de animais

Desafios amazônicos A região amazônica é considerada um dos maiores mananciais da biodiversidade brasileira, representada por áreas de florestas, savanas, áreas de várzeas em seus diferentes gradientes e potencial para o desenvolvimento da agropecuária e floresta. Possui baixa densidade demográfica, mas, devido a fluxos migratórios intensos, apresenta atualmente uma alta taxa de crescimento demográfico com uma urbanização crescente. Em contraste, observa-se redução da população rural e um forte descontentamento desta às atividades penosas e pouco remunerativas. Isto gera a necessidade de desenvolver alternativas de redução do peso do trabalho, agregação de valor aos produtos, aperfeiçoamento dos canais de comercialização e conservação ambiental na agricultura em seu todo e, especificamente, na agricultura familiar e extrativismo. As questões associadas à infraestrutura e logística são fatores limitantes para a expansão, melhoria e comercialização dos produtos agrícolas. As grandes distâncias para os principais centros consumidores e as dificuldades de locomoção se somam a outros fatores que freiam o desenvolvimento da agropecuária na Amazônia. Em um cenário concreto de mudanças cli-

máticas, a região tem se tornado alvo de grande debate relacionado às questões ambientais, em especial, em relação às atividades agropecuária e florestal. O foco tem se concentrado no estabelecimento de barrei-


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ras que detenham a abertura de novas áreas, possibilitando a intensificação da exploração de áreas antropizadas. Dentre os grandes desafios para o desenvolvimento da agropecuária na região Amazônica está o de promover o uso sustentável dos recursos naturais, levando em consideração os aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais dos diferentes grupos, de forma a desenvolver uma análise integrada destes conhecimentos. Considerando a maior ênfase da sociedade nas questões ambientais, as políticas públicas de realinhamento dos diferentes sistemas de produção e a adequação do uso da terra regulada pelo código florestal, é necessário aperfeiçoar e desenvolver sistemas diversificados de produção contemplando cenários que envolvam as mudanças climáticas. Devem ser conciliados o crescimento econômico e a melhoria tecnológica com o bem estar social. Neste contexto e tendências, os grandes desafios para o desenvolvimento agrícola na Amazônia Oriental envolvem: 1. Intensificação sustentável dos sistemas de produção, incluindo os tradicionais; 2. Incorporação de áreas alteradas com sistemas produtivos de baixa emissão de gases de efeito estufa; 3. Agregação de valor e a inserção competitiva de produtos agropecuários nos mercados regional, nacional e internacional; 4. Conservação e valoração dos recursos naturais; 5. Valorização do capital humano. Além dos fatores citados, torna-se necessária a implementação de políticas públicas que deem suporte a esta mudança de paradigma. O maior acesso da sociedade à informação, por meio de diferentes veículos, permite a socialização do conhecimento, tecnologias, serviços e processos e a possibilidade de consolidar as diretrizes voltadas para o desenvolvimento da agropecuária.

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Destaques no Balanço Social 2014 A Embrapa Amazônia Oriental contribuiu para o Balanço Social da Embrapa 2014 com: > 32 ações sociais e 6 casos de sucesso: Cultivo da pimenteira-do-reino com tutor vivo de gliricídia Manejo de açaizais nativos para a produção de frutos Trio da Produtividade na Cultura da Mandioca Cultivar de açaí BRS Pará Manejo de abelhas nativas em caixas racionais, para o desenvolvimento da meliponicultura na Amazônia Uso e cobertura da terra nas áreas desflorestadas da Amazônia Legal - TerraClass

Parcerias de PD&I e TT Em 2014, a Embrapa Amazônia Oriental celebrou 69 contratos, dos quais 15 envolvem Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) e Transferência de Tecnologia (TT). A filosofia de gestão que começou a ser implementada com a posse da nova diretoria caracterizou uma mudança estratégica também nesse setor. Os contratos deixaram de ser realizados em formato “guarda-chuva” para serem elaborados com objetos específicos, além de metas qualitativas e quantitativas bem definidas, por tempo determinado. A melhoria do processo facilitará o acompanhamento e avaliação dos resultados de cada um dos termos pactuados.


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3. PESQUISA, DESENVOLVIMENTO E INOVAÇÃO

Atos de Gestão

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Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação

Núcleos Temáticos priorizam enfoque sistêmico Em 2014, os pesquisadores e analistas que atuam em pesquisa e transferência de tecnologia passaram a integrar quatro novos núcleos temáticos. Estes foram reestruturados para possibilitar, de forma integrada, o atendimento das demandas de pesquisa e transferência dos sistemas produtivos prioritários da Embrapa Amazônia Oriental. Núcleo Temático (NT) é uma estrutura técnica ligada à Chefia de Pesquisa e Desenvolvimento. Possui caráter estratégico, representando um fórum para estimular o debate técnico. A reestruturação foi realizada para permitir, em cada núcleo, o envolvimento de especialistas ligados às diversas áreas do conhecimento, para atender as demandas dos sistemas produtivos locais. Os núcleos temáticos são agora denominados: NT Recursos Florestais, Meio Ambiente e Ordenamento Territorial; NT Sistemas Integrados e Produção Animal; NT Sistemas Produtivos de Frutas e Cultivos Industriais; e NT Sistemas Produtivos Familiares e Dinâmicas Socioambientais. A nova estrutura viabiliza a solução de problemas demandados pelos diferentes segmentos das cadeias produtivas dos principais produtos do agronegócio da Amazônia Oriental, por meio da integração de diferentes linhas de pesquisa, dentro do enfoque sistêmico, buscando promover o fortalecimento e a formação de equipes interdisciplinares.

Comitê é peça-chave na programação A nova configuração dos núcleos temáticos (NT) trouxe a necessidade de criação do Comitê Gestor de Programação da Embrapa Amazônia Oriental. Além de permitir maior interação entre os NTs e integração dos projetos, o comitê dá suporte às chefias na identificação, seleção e priorização de temas para composição da carteira de projetos. Outra atribuição do Comitê Gestor de Programação é monitorar os cenários de novas tecnologias e demandas, pela análise prospectiva das tendências e avanços científicos e tecnológicos referentes ao tema de novos projetos e/ou ações nos NTs.


Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação

Apoio à programação aumenta receita indireta

Stockvault

A reestruturação do Núcleo de Apoio à Programação - NAP em 2014 permitiu um aumento histórico de cerca de 34% no montante da receita indireta da Unidade ao final do ano, com valor superior a R$ 5 milhões. Isto foi consequência do maior acompanhamento da execução financeira dos projetos externos, com maior registro dos valores executados por estes.

A partir da reestruturação, a quase totalidade dos projetos externos (cofinanciados) da Embrapa Amazônia Oriental passaram a ser acompanhados, o que promoveu um aumento expressivo do número de projetos apropriados no sistema de gerenciamento de projetos da Embrapa (Ideare). Ao final do ano, eram cerca de 30 projetos em fase de apropriação. O NAP prospecta possibilidades de captação de recursos, para apoiar financeiramente projetos de pesquisa e de transferência de tecnologia, por meio de editais de agentes financiadores externos à Embrapa. Com o decorrer do tempo, o NAP passou a assumir atribuições de apoio à gestão administrativo e financeira de alguns projetos financiados por fontes externas (prestação de contas parciais e anuais), subsidiando a consolidação das receitas indiretas da Unidade.

Criada comissão para uso de animais Para atender a exigências legais, foi instituída a Comissão de Ética para o Uso de Animais (Ceua), com objetivo de desenvolver trabalhos de controle e vigilância das atividades de pesquisa que envolvam o uso científico de animais vertebrados. Da comissão fazem parte pesquisadores e analistas de dentro e fora da Embrapa Amazônia Oriental, que sejam profissionais com formação em medicina veterinária, biologia e zootecnia, com habilidades em experimentação animal, e ainda membros de grupos da sociedade civil que atuam na proteção a animais. A comissão atua no âmbito da Embrapa Amazônia Oriental e apoia as instituições de pesquisa de Belém na análise de itens como métodos de captura do animal, condições de alojamento e alimentação, nível de estresse e experiências, comunicando todos os acidentes com animais e relatando as ações adotadas.

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Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação

Projetos seguem os grandes temas de pesquisa A Embrapa Amazônia Oriental lidera atualmente 38 projetos de pesquisa, transferência de tecnologia e comunicação registrados no Sistema Embrapa de Gestão (SEG), distribuídos em 19 grandes temas. A pesquisa na Embrapa Amazônia Oriental é voltada para temas de impacto socioeconômico e ambiental, relevantes para a promoção do desenvolvimento sustentável da região, que respeite e valorize o homem e o meio ambiente. Como atividade fim da Embrapa, a pesquisa é a força motriz do sistema. Os resultados das pesquisas desenvolvidas nos campos e laboratórios da empresa fizeram com que o Brasil saísse da condição de importador de alimentos, principalmente grãos, para um dos maiores players mundiais em commodities alimentícias.

Recursos O SEG gerencia projetos que trabalham com recursos próprios de pesquisa e projetos financiados por agências de fomento locais, nacionais e internacionais. No caso dos recursos da própria empresa, eles são ofertados por meio de seis macroprogramas (MPs), que são mecanismos de organização e indução da carteira de projetos por temas. Os editais dos macroprogramas buscam garantir a qualidade técnico-científica e o mérito estratégico da programação de pesquisa das Unidades da Embrapa. Os MPs envolvem temas considerados grandes desafios nacionais, ações de apoio ao desenvolvimento da agricultura familiar, projetos em rede entre centros de pesquisa da Embrapa e outras instituições, ações de transferência de tecnologia e comunicação, projetos para o desenvolvimento tecnológico incremental, entre outros.

Macroprograma 3 Desenvolvimento Tecnológico Incremental

Macroprograma 6 Apoio ao Desenvolvimento da Agricultura Familiar e à Sustentabilidade do Meio Rural

Macroprograma 4 Transferência de Tecnologia e Comunicação Empresarial

Macroprograma 5 Desenvolvimento Institucional

> 5

Macroprograma 2 Competitividade e Sustentabilidade

número de projetos

Macroprograma 1 Grandes desafios nacionais

Carteira de projetos da Embrapa Amazônia Oriental > 38 projetos sob a liderança da Unidade

MACROPROGRAMAS DA EMBRAPA

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Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação

Nove projetos aumentam captação de recursoS A apropriação de projetos pelo Sistema Embrapa de Gestão (SEG) é uma ação importante no processo de captação de recursos externos. Em 2014, a Embrapa Amazônia Oriental apropriou nove projetos de editais externos nos diferentes macroprogramas (MPs). O MP3, que tem como temática projetos que envolvam o desenvolvimento tecnológico incremental, teve quatro projetos novos apropriados: Dinâmica de carbono em solos sob pastagens em área previamente ocupadas por florestas; Determinação de constituintes químicos do fruto do açaizeiro; Desenvolvimento tecnológico para a melhoria da qualidade e competitividade dos produtos derivados da mandioca da agricultura familiar da região Norte; e Observatório Florestas Tropicais Manejadas. No MP2, de projetos em rede envolvendo competitividade e sustentabilidade, três novos projetos foram apropriados: Potencial da biodiversidade na mitigação de mudanças climáticas (Robin); Produção massal de colônias de abelhas sem ferrão e uso comercial para a polinização agrícola; e Prospecção de genótipos de mandioca para obtenção de produtos. Outro macroprograma teve destaque na apropriação de projetos em 2014: MP6, que apoia o desenvolvimento da agricultura familiar e a sustentabilidade do meio rural. Duas propostas foram incorporadas a ele, uma que estuda grupos domésticos e trabalho no espaço rural da Amazônia e outra que trata da relação do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e a permanência do extrativismo em comunidades do Norte e Nordeste do Brasil.

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Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação

R$ 300 mil são captados via editais externos A Embrapa Amazônia Oriental também aprovou seis projetos em editais externos, captando cerca de R$ 300 mil em recursos para pesquisa e desenvolvimento. Os editais foram da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas do Pará (Fapespa) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Os seis projetos aprovados > Seleção genômica recorrente recíproca no melhoramento genético para aumento da produtividade de híbridos do caiaué com o dendezeiro. > Influência de fatores ambientais na produção e qualidade do óleo resina de copaíba e seu efeito na inibição do crescimento micelial in vitro de fitopatógenos. > Determinação de constituintes químicos do fruto do açaizeiro utilizando RMN de alto e baixo campo. > Tucumã-do-pará: estratégias agronômicas e genéticas para sua viabilidade como matéria prima na produção de biodiesel. > Avaliação de estoque de biomassa e nutrientes em híbridos de palma de óleo. > Obtenção e caracterização de carreadores lipídicos nanoestruturados a partir de gorduras vegetais da Amazônia.

quatro projetos são contemplados nos macroprogramas Em 2014, a Embrapa Amazônia Oriental aprovou projetos em três macroprogramas (MPs). No MP2, que envolve temas relacionados à competitividade e sustentabilidade no agronegócio, a instituição aprovou o projeto “Manejo do solo e monitoramento de processos químicos, físicos e biológicos em Sistema Plantio Direto na Amazônia”. No MP3, dois projetos relacionados ao desenvolvimento tecnológico incremental foram aprovados, cujos títulos são “Diagnóstico da estrutura florestal remanescente em área de manejo florestal certificado na região de Paragominas (PA)” e “Governança local e sustentabilidade do manejo florestal de base comunitária nos Projetos de Desenvolvimento Sustentável em Anapu, Transamazônica (PA)”. Já no MP6, onde situam-se os projetos de apoio ao desenvolvimento da agricultura familiar, o projeto aprovado foi “Integração da agricultura familiar na produção do dendê no Pará: possibilidade de inclusão social?”


Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação

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A Embrapa Amazônia Oriental tem participação em discussões estratégicas e grupos de trabalho sobre temas da agricultura, pecuária e floresta para o desenvolvimento da região. Entre outros, participa da Câmara Técnica Permanente das Espécies Ameaças de Extinção e do Grupo de Trabalho de Manejo Florestal, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Pará.

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A participação em câmaras técnicas

A Embrapa Amazônia Oriental lidera sete arranjos de pesquisa na rede Embrapa, cujos temas são variados, como agricultura sem queima, Sistema de Plantio Direto, cadeia produtiva da pimenta-do-reino e comunicação. Arranjos são conjuntos de projetos convergentes, complementares e sinérgicos organizados para fazer frente a desafios prioritários em determinado tema, preferencialmente a partir da visão conjunta de mais de uma Unidade da Embrapa.

Confira os arranjos > Agricultura familiar sem queima na Amazônia – ASQ > Geração de conhecimentos e tecnologias sustentáveis para aumentar a capacidade produtiva, longevidade e qualidade da pimenta-do-reino no sistema de cultivo – PiperMais > Rede de comunicação para fortalecer a imagem da Embrapa como referência em tecnologias sustentáveis para a Amazônia Legal – Embrapa + Amazônia > Consolidação do Sistema Plantio Direto na Amazônia – SPDAmazon > Seleção genética para agregar valor à cadeia produtiva dos búfalos de dupla aptidão no Brasil – TPBúfalos > Desenvolvimento de tecnologias para o cultivo sustentável de espécies frutíferas nativas da Amazônia – Sisnativa > Tecnologias visando à sustentabilidade da cadeia produtiva de Euterpe spp. – TecEuterpe

Ronaldo Rosa

Unidade lidera sete arranjos de pesquisa


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Sistemas Produtivos de Frutas e Cultivos Industriais

4.


Sistemas Produtivos de Frutas e Cultivos Industriais

Semeadura direta oferece vantagens ao cultivo do bacurizeiro Um método alternativo para a propagação do bacurizeiro (Platonia insignis Mart.) foi um dos resultados do projeto MelhorFruta. A técnica desenvolvida recomenda semear três sementes por cova. Em seguida, elas devem ser protegidas externamente por vasos sem fundo ou garrafas PET (cortadas na base e no ápice) para prevenir o ataque de roedores, principalmente cutias. Feito isso, o trabalho será somente eliminar o mato ao redor da cova. A semeadura deve ser efetuada durante a estação de chuvas, preferencialmente nos meses de fevereiro e março. Após um ano, pelo menos uma semente já terá germinado em cada cova. Passados de seis a oito meses da germinação, as plantas estarão aptas para serem enxertadas com a parte aérea de um bacurizeiro que tenha boa produção de frutos. Com esse método de semeadura direta, a sobrevivência é superior a 90% e, no caso de não vingamento do enxerto em determinadas plantas, existe a possibilidade de enxertá-las novamente. Outro benefício da técnica é a redução do risco de tombamento de plantas pela ação de ventos, pois a raiz pode se aprofundar no solo antes de a fruteira emitir sua parte aérea.

Método agiliza germinação do taperebazeiro Resultados de pesquisas desenvolvidas no projeto MelhorFruta identificaram um método prático, simples e de baixo custo que promove a germinação rápida e mais uniforme das sementes de taperebazeiro (Spondias mombin L.), ou cajazeira. Após a remoção da polpa, os caroços devem ser lavados em água corrente e colocados para secar. A secagem pode ser feita diretamente ao sol, durante dois dias, dando preferência ao período das 8 às 16 horas, intervalo de maior intensidade solar. O próximo passo é armazenar as sementes durante 120 dias (quatro meses). Para o armazenamento, deve-se utilizar embalagens à prova de vapor d´água. Essas embalagens devem impedir que as sementes absorvam a umidade do ar. Para isso, podem ser utilizadas latas, vidros, garrafas PET ou mesmo sacos plásticos, desde que tenham espessuras bem grossas, para evitar a absorção da umidade do ar pelas sementes durante o período de armazenamento. Após o armazenamento por 120 dias, as sementes devem ser distribuídas em sementeiras. Depois de 40 a 60 dias após a semeadura, a proporção de sementes germinadas situa-se entre 60 a 80%. Esse tratamento antecipa o processo de germinação, que normalmente levaria cerca de 400 dias.

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Vinicius Braga

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MelhorFruta seleciona clones de quatro espécies O projeto MelhorFruta selecionou clones para as espécies bacurizeiro (Platonia insignis), camucamuzeiro (Myrciaria dubia), muricizeiro (Byrsonima crassifolia) e cajazeira (Spondias mombin) ou taperebazeiro. São plantas matrizes, com características de maior rendimento de polpa, maior teor de ácido ascórbico, maior teor de antocianinas, maior produtividade e precocidade, entre outras. O melhoramento dessas quatro frutíferas é relativamente recente, impulsionado a partir de 2008 com o início da primeira fase do MelhorFruta. Entre outros objetivos, o projeto espera contribuir para a melhoria da qualidade de vida de assentados e pequenos agricultores, como uma alternativa real de renda por meio da produção e comercialização dos frutos. A seleção foi feita em progênies estabelecidas em plantas matrizes nos Bancos Ativos de Germoplasma (BAGs) da Embrapa Amazônia Oriental. Após a seleção (realizada durante a primeira e segunda fase do projeto), as plantas foram clonadas e avaliadas em experimentos nos municípios paraenses de Belém, Tomé-açu e Igarapé-açu. Outro resultado foi a identificação e classificação de fungos e doenças, além de várias espécies de insetos e ácaros, nos clones das frutíferas estudadas. A terceira fase do projeto pretende a validação de pelo menos três clones para cada espécie, além de estudos direcionados ao manejo das culturas. Um dos desafios observados é a peculiaridade das espécies envolvidas. São plantas perenes, algumas delas com fase jovem bastante longa, tendo ainda a característica de apresentarem anos de alta produção de frutos sucedidos por baixa produção. Dessa forma, para se chegar a estimativas seguras da produtividade e consequente validação dos clones, são necessárias, pelo menos, a avaliação de cinco safras sucessivas.


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Mandioca açucarada: potencial para produção de etanol Estudos da mandioca açucarada para produção de etanol estão em curso em áreas de mata alterada no Norte da Amazônia, por meio de uma rede de seleção e manejo fitotécnico com base de experimento no município de Igarapé-açu (PA). O conhecimento avança com a multiplicação, avaliação e seleção de genótipos de mandioca açucarada no Pará. Estudou-se a produção de 13 acessos (exemplares) de mandioca açucarada em comparação com um exemplar de testemunha (parâmetro). A produção de raízes de dois dos melhores acessos foi cerca de quatro vezes maior que a da testemunha.

Genotipagem Outras duas atividades foram observadas no projeto: a genotipagem dos acessos de mandioca açucarada e análise de divergência genética entre os acessos de mandioca açucarada e identificação de duplicatas. Para essas duas atividades, foram caracterizados molecularmente 39 acessos de mandioca açucarada, sendo 31 do BAG (Banco Ativo de Germoplasma) da Embrapa Amazônia Oriental (PA) e 31 do BAG da Embrapa Amazônia Ocidental (AM). Os materiais foram separados por coletas no leste da Amazônia (Nordeste paraense) e oeste da Amazônia (leste do Amazonas e região do Tapajós, PA). A partir daí, foi verificado que os materiais do Nordeste paraense são muito semelhantes entre si e os do oeste amazônico apresentam mais divergência. Houve também a separação genética dos dois grupos.

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Rede Mani fortalece setor produtivo Mandioca brava, macaxeira e mandioca açucarada cultivadas no Pará e Amazonas são objeto de genotipagem molecular, no projeto da criação da rede de pesquisa “Mani: desenvolvimento científico e tecnológico do setor produtivo da mandioca” Foi realizada a genotipagem molecular com 11 locos microssatélites de 395 acessos (exemplares) de mandioca da Embrapa Amazônia Ocidental (AM) e 396 acessos de mandioca da Embrapa Amazônia Oriental (PA). Entre os acessos do Pará, estão inseridos mandioca brava, macaxeira e mandioca açucarada. Houve separação entre os três grupos e verificou-se maior semelhança das mandiocas açucaradas com as mandiocas bravas. O projeto avaliou ainda as características físico-químicas de raízes de mandiocas coletadas na Amazônia. Foram caracterizados 125 acessos de mandioca quanto a características físico-químicas. Destes, 82 pertencem ao grupo das mandiocas bravas, 28 ao grupo das mandiocas doces ou macaxeiras e 15 ao grupo das mandiocas açucaradas.

Resistência à podridão mole da raiz é tema de projeto O projeto “Estudo da resistência à podridão mole da raiz da mandioca no estado do Pará” avaliou 295 cultivares, entre mandiocas e macaxeiras, para testar suas reações ao fungo Phytophthora drechsleri, agente causador da doença. Dessas cultivares, 19 não desenvolveram qualquer sintoma de podridão interna. Assim, elas foram consideradas resistentes ao

micro-organismo e estão aptas para pesquisa de melhoramento genético. Em outra atividade, o projeto verificou que não há características morfológicas e anatômicas na própria raiz da mandioca capaz de indicar se a planta é resistente ou suscetível à podridão mole da raiz. No entanto, há indicações que características bioquímicas estão associadas à resistência à doença.


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Patrimônio genético da mandioca é estudado O Banco Ativo de Germoplasma (BAG) de mandioca da Embrapa Amazônia Oriental possui centenas de acessos (exemplares) de diversas características. Desse montante, 56 foram selecionados e caracterizados durante dois anos consecutivos no município de Igarapé-açu (PA). O trabalho permitiu a identificação de acessos de mandioca com boa produtividade e

potencial para serem aproveitados em pesquisas voltadas ao melhoramento genético dessa cultura. Em outra atividade relacionada ao BAG de mandioca, 262 acessos foram caracterizados para um melhor conhecimento desse patrimônio genético da Embrapa.


Parceria entre Embrapa e Emater promove cultura da pimenta-do-reino no Pará Uma das ações mais representativas do esforço integrado entre pesquisa e transferência de tecnologia no Pará em 2014 foi a parceria entre Embrapa Amazônia Oriental e Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural - Emater/PA, a fim de alavancar a cultura da pimenta-do-reino (Piper nigrum L.) por meio de dez boas práticas já existentes e de fácil adoção. As tecnologias disponíveis permitem obter uma produção superior a 3,5 quilos de pimenta preta por planta, aumentam a longevidade de cultivo e a qualidade do produto. Um ano a mais de vida útil da pimenteira-do-reino pode representar um ganho econômico de 20% aos produtores. As boas práticas também tornam a pimenta-do-reino mais competitiva e livre de barreiras comerciais perante o mercado internacional. As capacitações para formação de agentes multiplicadores alcançaram cerca de 120 técnicos extensionistas e 600 produtores por meio de quatro treinamentos e três dias de campo realizados em Bragança, Capitão Poço, Igarapé-açu e Baião. Uma unidade demonstrativa foi estabelecida em cada um destes municípios, assim como em Tomé-açu. Dois eventos especiais, chamados Dia da Pimenta-do-reino (Pepper Day, promovido mun-


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dialmente pela organização Comunidade Internacional da Pimenta) foram realizados em Capitão Poço e Baião, em março e agosto respectivamente, para promover o consumo interno da pimenta-do-reino, informar a sociedade sobre a sua importância socioeconômica e benefícios nutricionais e terapêuticos, além de questões técnicas e a situação atual da especiaria no Brasil e mundo. O Pará, que já foi o maior produtor de pimenta-do-reino do mundo, representa 80% da área plantada de pimenta-do-reino no País, sendo o maior produtor nacional. O Brasil é um dos principais países produtores de pimenta-do-reino, oscilando entre o terceiro e o quarto lugar mundial.

A programação dos treinamentos teve como reforço pedagógico a cartilha de boas práticas, juntamente com folderes de cada uma das dez tecnologias. Este material, que auxilia os trabalhos do técnicos extensionistas e produtores no campo, está disponível gratuitamente na internet: http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/ bitstream/item/108261/1/Cartilha-Pimenta.pdf. Nove pesquisadores da Embrapa são autores da cartilha “Boas práticas agrícolas para aumento da produtividade e qualidade da pimenta-do-reino no Estado do Pará”, mesmo nome do projeto que norteia as ações de transferência de tecnologia das boas práticas. Em 52 páginas, os capítulos ilustrados discorrem sobre cultivares; produção de mudas; área de plantio, calagem e adubação; tutor vivo com gliricídia; doenças causadas por fungos; controle de fusariose com nim indiano; viroses; insetos associados a cultivos de pimenta-do-reino; colheita e beneficiamento; pós-colheita e armazenamento.

Izabel Drulla Brandão

Boas práticas em cartilha


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Conservar polinizadores é essencial à castanheira As atividades da Rede Castanha, como ficou conhecida a Rede de Pesquisa sobre Polinização da Castanheira-do-brasil, geraram informações para solucionar problemas que afetam a polinização e o estabelecimento de áreas produtivas dessa espécie amazônica de uso múltiplo. Pesquisadores das unidades Embrapa Amazônia Oriental, Amazônia Ocidental e Acre, juntamente com integrantes de instituições parceiras, estudaram, de 2009 a 2013, os mecanismos que controlam a reprodução da castanheira e como se pode determinar a diversidade e o papel das espécies de abelhas visitantes na polinização. A castanheira-do-brasil (Bertholletia excelsa, Lecythidaceae) é polinizada por abelhas nativas da Amazônia, em sua maioria de hábitos solitários. A riqueza de polinizadores, representada por cerca de 25 espécies de abelhas nativas de médio a grande porte, responsáveis pelo fluxo de pólen entre as árvores da castanheira, derruba teorias divulgadas na mídia de que a castanheira dependeria de uma única espécie de abelha, só encontrada em áreas de floresta nativa. A Rede Castanha destacou a importância da conservação desses polinizadores, já que ainda não existem técnicas validadas para a sua criação. Em áreas cultivadas cujo entorno tem florestas em bom estado de preservação, a riqueza de polinizadores é maior do que naquelas onde o entorno já está muito alterado com a remoção das áreas de vegetação nativa, evidenciando a importância da manutenção das áreas de vegetação como fonte de povoamento de polinizadores. As práticas amigáveis aos polinizadores da

castanheira incluem também recomendações de restrição ou moderação do uso de defensivos agrícolas e do uso de fogo, incentivando a adoção de práticas agroecológicas como o controle biológico e a agricultura sem queima.

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Comércio secular O comércio secular da castanha-do-brasil constitui-se no único em que sementes são coletadas quase exclusivamente nas florestas naturais e negociadas internacionalmente. No Brasil, os maiores produtores de castanha-do-brasil são os estados do Pará, Amazonas, Acre e Rondônia. Existem poucas áreas cultivadas com castanheira no País, das quais se destacam os sistemas agroflorestais (SAFs) no município de Tomé-açu (PA), um monocultivo de larga escala no município de Itacoatiara (AM) e Bancos e/ou coleções de germoplasma em unidades da Embrapa na Região Norte e empresas privadas. Até 2% das castanhas comercializadas são oriundas de plantios comerciais.


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Pesquisa incentiva a produção de castanha-do-pará

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A castanheira-do-pará (Bertholletia excelsa) é uma das mais importantes espécies de exploração extrativa da Amazônia. Tem participação significativa na geração de divisas para a região, com as exportações de suas sementes para os mercados interno e externo. Internacionalmente é conhecida como castanha-do-brasil (brazilian nut) e, apesar do nome, o maior produtor mundial de castanha é a Bolívia. O Brasil produz 300 mil toneladas de castanha ao ano, enquanto a Bolívia produz 400 mil toneladas. Nos dois casos, cerca de 90% da produção vêm de castanhais nativos. Para estimular a produção de castanha, a Embrapa Amazônia Oriental desenvolveu técnicas de produção de mudas em menor tempo e com maior qualidade. São métodos de enxertia simples e eficientes. As plantas enxertadas começam a produzir mais cedo, com quatro anos, ao contrário das árvores sem enxertia, que começam a produzir de oito a dez anos no campo. O tempo diminui em quase 50%. A pesquisa indica dois métodos: enxertia por garfagem e pelo método de gema. A primeira é feita ainda no viveiro e consiste na introdução de uma ponteira de uma planta adulta na muda. A segunda possibilidade de realizar o enxerto é pelo método de gema. O método consiste em retirar somente a gema e introduzi-la na muda quando esta já estiver no campo. Esse método exige um pouco mais de habilidade, porém, se o enxerto morrer, a muda pode ser reaproveitada para uma nova tentativa. É um trabalho cuidadoso, mas para a produção de frutos a planta enxertada é ideal. Isso porque ela se torna um clone da planta mãe. Ao escolher o ramo ou a gema para o enxerto, o produtor seleciona suas melhores árvores, as mais produtivas. Essas características são repassadas para muda e consequentemente a planta será tão produtiva quanto a planta-mãe. As técnicas de enxertia da castanheira são eficientes e estão disponíveis para qualquer produtor ou técnico agrícola. É possível produzir em menor tempo e ainda oferecer ao mercado um produto de qualidade.


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Estruturado aumenta vida útil do umbu A Embrapa Amazônia Oriental desenvolveu produtos diferenciados à base de umbu para melhor aproveitamento dessa fruta nativa. São os chamados estruturados, obtidos por meio da geleificação - um processo que confere ao produto final um formato planejado, com retenção das características nutricionais e sensoriais por um período de tempo maior. Foram produzidos dois tipos de estruturados com essa fruta: um de umbu somente e outro de umbu misto com maracujá-do-mato. O desenvolvimento desse tipo de alimento resulta da necessidade de se evitar o desperdício do alimento in natura, aumentar a vida-de-prateleira (vida útil) e manter por mais tempo a qualidade sensorial, nutricional e microbiológica da fruta. A estruturação de polpa de frutas é considerada um técnica promissora e uma inovação na área de alimentos, podendo fortalecer os produtores e a indústria local por permitir o processamento de matérias-primas in natura na própria região de origem.

Como acelerar a germinação de sementes de muruci Para apressar o tempo e, simultaneamente, aumentar a porcentagem de germinação das sementes do murucizeiro (Byrsonima crassifolia (L.) Rich.), com uniformidade das plântulas, a Embrapa Amazônia Oriental propõe um método prático, simples e de baixo custo. A metodologia envolve três etapas, a primeira delas de beneficiamento dos pirênios (caroços) de frutos completamente maduros. Após a extração da polpa e a limpeza vem a etapa da secagem, até que o teor de água dos caroços fique próximo a 6%. A simples secagem dos pirênios antecipa e aumenta a porcentagem de germinação. Para alguns clones, é possível obter até 90% de sementes germinadas com 30 a 40 dias após a semeadura. A terceira etapa é a germinação das sementes. Imediatamente após a secagem, os pirênios devem ser colocados para germinar em bandejas ou sementeiras contendo como substrato a mistura de solo mais serragem curtida na proporção volumétrica de 1:1. A tecnologia resulta do projeto MelhorFruta, de melhoramento genético do bacurizeiro, camucamuzeiro, cajazeira (taperebazeiro) e murucizeiro (muricizeiro).


Everaldo Nascimento

Everaldo Nascimento

Sistemas Produtivos de Frutas e Cultivos Industriais

Mistura para mingau tem mais nutrientes As qualidades nutricionais da mandioca, banana verde e castanha-do-brasil podem ser apreciadas juntas em forma de um nutritivo mingau. A partir da mistura da farinha desses três produtos, a Embrapa Amazônia Oriental desenvolveu uma farinha pré-gelatinizada, que resultou em um mingau de elevado teor proteico e boa aceitação sensorial nos testes com o público. A farinha pré-gelatinizada foi desenvolvida por meio do processo agroindustrial da extrusão - técnica que combina várias operações como misturas, cozimento, cisalhamento, formação e moldagem. Essa forma de processamento facilita a produção de misturas alimentícias destinadas ao consumo humano, tais como alimentos infantis, bebidas em pó instantâneas, cereais pré-cozidos, entre outros. O mingau da farinha pré-gelatinizada de mandioca, banana verde e castanha-do-brasil é indicado como alternativa alimentar, em especial para crianças. O alimento enriquecido dessa forma consegue ser nutritivo e econômico ao mesmo tempo.

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Erika Berenguer

RECURSOS Florestais, Meio Ambiente e Ordenamento Territorial

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5.


Recursos Florestais, Meio Ambiente e Ordenamento Territorial

Pesquisas fundamentam legislação no Pará Informações de pesquisas desenvolvidas pela Embrapa Amazônia Oriental, Museu Paraense Emílio Goeldi e parceiros contribuíram para a elaboração de uma norma que define os procedimentos para supressão das áreas de vegetação secundária (conhecidas como capoeiras) no Pará, primeiro Estado da Amazônia a produzir esta legislação. A instrução normativa 02/2014, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, estabelece critérios de decisão que respondem a uma questão até então em aberto e que levava a muita insegurança jurídica entre os produtores rurais: quando uma capoeira no Pará deixa seu estágio inicial de regeneração? A resposta decide se a área deve ser conservada ou reincorporada à produção agrícola. O Zoneamento Econômico-Ecológico, uma lei estadual publicada em 2010, estabelece que, em propriedades rurais localizadas nas chamadas “zonas de consolidação agrícola”, as capoeiras em estágio médio-avançado de regeneração devem ser conservadas enquanto aquelas em estágio inicial podem ser desmatadas e utilizadas novamente para produção. No entanto, como essa legislação não estabelece os critérios de diferenciação entre os estágios de regeneração das capoeiras, os produtores rurais muitas vezes não tinham certeza se uma área deixada de lado para produção poderia vir a ser convertida novamente em área produtiva. E caso viessem a desmatá-la e o órgão de fiscalização ambiental tivesse entendimento diferente, poderiam sofrer sanções.

Critérios Para identificar o ponto de separação entre as florestas em estágios iniciais de regeneração daquelas em etapas mais avançadas,

um grupo de pesquisadores de várias instituições elaborou um sistema de decisão com critérios de diferenciação que fossem de simples entendimento e fácil aplicação. Os critérios estabelecidos pelos pesquisadores combinam a idade da área de capoeira e a medição do diâmetro das árvores. É um sistema de custo relativamente baixo e de

simples aplicação, mas a sua formulação dependeu de um complexo trabalho em busca de evidências científicas para afirmar quando uma capoeira deixa seu estágio inicial de regeneração. O grupo utilizou dados do projeto Agroambiente e da Rede Amazônia Sustentável, um consórcio de instituições brasileiras e internacionais de pesquisa, liderados pela Embrapa e Museu Paraense Emílio Goeldi, e que atua na avaliação da sustentabilidade dos usos da terra no leste da Amazônia. Esses estudos incluíram áreas de florestas secundárias e áreas de florestas primárias, usadas como referência. Adicionalmente, também foram analisados dados de pesquisas anteriores sobre capoeiras. No total, 140 áreas de floresta distribuídas em 22 municípios paraenses foram estudadas especificamente para elaborar o critério de decisão para esta legislação. Para tanto, foram utilizados dados de biodiversidade, carbono, características dos solos, idade e estrutura das florestas, entre outros.

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Recursos Florestais, Meio Ambiente e Ordenamento Territorial

Alexandre Coutinho

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TerraClass 2012: novidades sobre uso e cobertura da Terra na Amazônia Legal Qual é o uso da terra nas áreas já desmatadas da Amazônia brasileira? A resposta é dada pelo projeto TerraClass, que em 2014 chegou à sua terceira edição divulgando resultados relativos a 2012. O estudo qualificou e quantificou o desmatamento da Amazônia Legal a partir dos desflorestamentos mapeados e divulgados pelo Prodes (Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal por Satélite) e imagens de satélite. O TerraClass divulga dados bienais. Antes desse, houve dois mapeamentos publicados pelo projeto: o de 2008, divulgado em 2011, e o de 2010, divulgado em 2013. O projeto TerraClass 2012 analisou 751 mil km², o que corresponde ao total de áreas desflorestadas na Amazônia mapeadas pelo Prodes de 1988 até 2012. Essa área teve aumento de 43,5 mil km² quando comparada à área mapeada na primeira edição do projeto em 2008.


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Os tipos de usos da terra ou classes com maior percentual de área em 2012 são pastagem, vegetação secundária e agricultura anual. A área de pastagem, mesmo com pequena redução, manteve-se próxima de 60% do total desflorestado. Este percentual é relativamente estável ao longo dos três mapeamentos. Em 2012 a vegetação secundária ocupava 23% do total de áreas desmatadas na Amazônia brasileira. Deste total, 66% (114 mil km²) permanecem com vegetação secundária desde 2008. O crescimento em relação a 2008 (150 mil km²) ocorreu em sua grande maioria sobre áreas de pastagem (55%). A classe de agricultura anual teve um aumento de aproximadamente 7 mil km², passando de 35 mil km² em 2008 para 42 mil km² em 2012. Este crescimento ocorreu quase que exclusivamente sobre áreas de pastagem (80%). O projeto TerraClass é executado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – Centro Regional da Amazônia (Inpe-CRA) e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, por meio de seus centros de pesquisa sediados em Belém-PA (Embrapa Amazônia Oriental) e Campinas-SP (Embrapa Informática Agropecuária). Todos os dados resultantes deste mapeamento estão disponíveis para download no site: http://www.inpe.br/cra/projetos_pesquisas/ terraclass2012.php

Alexandre Coutinho

Alexandre Coutinho

Recursos Florestais, Meio Ambiente e Ordenamento Territorial


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Recursos Florestais, Meio Ambiente e Ordenamento Territorial

UZEE:

projeto uniformiza e integra zoneamentos na Amazônia O projeto “Uniformização do zoneamento ecológico-econômico da Amazônia Legal e integração com zoneamentos agroecológicos da região” (UZEE-AML) articula os ZEEs dos estados da Amazônia Legal a partir de uma perspectiva macrorregional e integra-os com os zoneamentos ecológicos prioritários para a produção de agroenergia. Com isso, será possível potencializar o uso de áreas antropizadas (modificadas pelo homem) para a agricultura, pecuária e floresta. Os resultados vão orientar estados, municípios e governo federal sobre a formulação de políticas públicas para a região. O projeto UZEE-AML possibilita a observação de 1.740.608,4 km² do total de 5.217.423 km² que compõem a Amazônia Legal, tendo por base os dados do projeto TerraClass (dados bienais) e Prodes – Projeto de Monitoramento do Desmatamento das Formações Florestais na Amazônia Legal (dados anuais). São observadas áreas desflorestadas e áreas com cobertura florestal com um maior grau de vulnerabilidade. Delimitou-se uma área de amortecimento (buffer) com um raio de 5 km entre a área antropizada e a área preservada.


Recursos Florestais, Meio Ambiente e Ordenamento Territorial

Gestão territorial O zoneamento ecológico-econômico (ZEE) é uma ferramenta de gestão que, por meio da análise de mapas de aptidão agrícola, solos, clima e outros, indica os potenciais produtivos de regiões, estados e municípios, valorizando as características de cada área, suas vocações e a população local. O trabalho do grupo do UZEE-AML é uniformizar legendas, classes de uso e cobertura da terra, mapas, entre outros atributos, organizando-os em torno de um sistema interativo, o Siageo (Sistema Interativo de Análise Geoespacial da Amazônia Legal). Além de articular os ZEEs já existentes (Acre, Amazonas, Pará e Rondônia), o projeto estimula a conclusão dos que estão em elaboração (Maranhão, Roraima e Tocantins) e faz ajustes nos que estão em discussão (Amapá e Mato Grosso). Sem restringir as potencialidades da região nem impor outras atividades produtivas, outro objetivo do UZEE-AML é indicar para cultivo, em áreas já antropizadas, espécies vegetais nativas para produção de bionergia, racionalizando o uso do território e organizando-o em torno de premissas ambientais, econômicas e sociais que respeitem e valorizem a vocação da região.

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Sistemas Integrados e Produção Animal

46 Informação para o Agronegócio

6.


Sistemas Integrados e Produção Animal

Cultivar de amendoim enriquece pastagens O trabalho em conjunto entre Embrapa Acre e Embrapa Amazônia Oriental resultou no desenvolvimento de uma cultivar de amendoim forrageiro destinada à região amazônica, onde há uma grande carência de espécies leguminosas forrageiras para plantio. O amendoim forrageiro é destinado para o uso em pastagens, visando o consórcio com o capim, ou para plantio exclusivo. O objetivo principal é alimentar o gado, melhorando sua dieta, pois o produto apresenta alto teor de proteína. Além disso, a cultura melhora o solo a partir da fixação de nitrogênio. A multiplicação do amendoim forrageiro será realizada por mudas e os produtores terão acesso livre ao material desenvolvido pela Embrapa. O lançamento está previsto para 2015.

Meliponário é equipado para ser didático O meliponário da Embrapa Amazônia Oriental recebeu crianças, adolescentes e adultos para mostrar como as abelhas nativas sem ferrão podem ser instrumentos de sensibilização de consciência ambiental e também fonte de renda. Em 2014, a ação envolveu mais de 2 mil pessoas em 26 eventos. A experiência faz parte do projeto “Abelhas sem ferrão ensinam crianças e adultos a importância da conservação ambiental e uso sustentável dos recursos naturais”. O projeto utiliza essas abelhas (meliponíneos) como instrumento didático porque possuem características biológicas, ecológicas, econômicas e históricas muito relacionadas aos conceitos envolvidos na educação ambiental. Além disso, para produtores, a criação desses insetos permite gerar renda sem agressão ao meio ambiente Ao longo do ano, ao menos mil pessoas participaram de 15 visitas monitoradas. Além de receber as crianças e adolescentes, o projeto visa à geração de renda para a agricultura familiar. Para este público, realizou e apoiou seis cursos nos municípios de Belém e Castanhal, com 150 participantes. Houve também

a participação em cinco feiras nas cidades de Belém, Paragominas e Castanhal. Para receber o público e ficar mais didático, o meliponário passou por algumas modificações, como uma trilha de seixos, para facilitar o deslocamento dos visitantes, a montagem de novos cavaletes individuais com placas de identificação mostrando a diversidade de espécies nativas, além da instalação de fotos das abelhas.

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Sistemas Integrados e Produção Animal

Mudança de normativa beneficia culturas de importância econômica para a Amazônia As culturas do coco, palma de óleo (dendê), açaí, pupunha e castanha-do-brasil, de importância econômica para a região amazônica, foram beneficiadas com a Instrução Normativa Conjunta Nº 01, de 16 de junho de 2014 (INC 01). A norma estabelece as “diretrizes e exigências para o registro dos agrotóxicos, seus componentes e afins para culturas com suporte fitossanitário insuficiente (CSFI), bem como o limite máximo de resíduos permitido”. A publicação da INC 01 ocorreu em 18 de junho de 2014, após três anos de discussões técnicas nas quais a participação da Embrapa Amazônia Oriental foi fundamental para garantir a inclusão e realocação das culturas típicas do Norte. A Embrapa trabalhou com representantes do setor produtivo das cadeias do coco e do óleo de palma, os quais demandaram, às entidades reguladoras, as alterações e a realocação no agrupamento de culturas. A nova norma revogou a INC 01 de 23 de fevereiro de 2010. A INC 01 veio facilitar o registro de produtos fitossanitários para as CSFI, ou ‘minor crops’ - culturas para as quais existe falta ou número reduzido de agrotóxicos, fato que compromete o atendimento das demandas fitossanitárias e deixa essas culturas sujeitas à aplicação irregular desses produtos. A norma utiliza o mecanismo de extrapolação do Limite Máximo de Resíduos (LMR) das culturas representativas para as respectivas CSFIs dos agrupamentos. O coqueiro, que figurava na norma anterior apenas como cultura representativa do subgrupo 7A, foi admitido como uma CSFI no grupo 1 da nova publicação, assim como a palma de óleo, a pupunheira, o açaizeiro e a castanheira-do-brasil. Além disso, o coco poderá emprestar o LMR de produtos já registrados para as demais CSFIs, por figurar também como cultura representativa no subgrupo 1C e no grupo 1 ao lado do citros e melão. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) são os responsáveis pela criação e publicação dessa instrução normativa conjunta.

Embrapa adquire casa de vegetação automatizada A experimentação científica agropecuária na Embrapa Amazônia Oriental ganhou um reforço em 2014, com a aquisição de uma casa de vegetação climatizada e automatizada. Adquirida com recursos do Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA), a casa de vegetação impulsionará avanços em pesquisas com controle alternativo de doenças de plantas, permitindo o desenvolvimento de tecnologias compatíveis com a agricultura familiar. O novo espaço permite que os trabalhos in vitro sobre controle biológico como alternativa ao controle químico (em curso no Laboratório de Fitopatologia do centro de pesquisa) avancem para testes in vivo. A estrutura possibilitará também a realização de testes com indutores de resistência, até então inviabilizados por falta de condições adequadas.


Vinicius Braga

Sistemas Produtivos Familiares e Din창micas Socioambientais

7.


Sistemas Produtivos Familiares e Dinâmicas Socioambientais

Ronaldo Rosa

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Ações com agricultura familiar ganham impulso

O Núcleo Temático de Sistemas Produtivos Familiares e Dinâmicas Socioambientais foi criado em 2014 para atender de maneira mais efetiva as demandas da agricultura familiar no contexto da realidade amazônica. Os processos de transição produtiva e agroecológica são o foco, de forma a valorizar os conhecimentos empíricos, os tradicionais e as pesquisas para validação científica desses saberes As pesquisas que mais se destacam nesse processo são as que tratam da redução do uso do fogo na agricultura e pecuária; da adoção de estratégias de controle integrado na área de sanidade vegetal; além da sistematização, caracterização, proposição e difusão de arranjos múltiplos de caráter agroflorestal. As ações visam contribuir para a melhoria dos meios de vida da agricultura familiar e de sua resiliência frente a grandes desafios,


Sistemas Produtivos Familiares e Dinâmicas Socioambientais

tais como mudanças climáticas, gestão de bens comuns, segurança e soberania alimentar, adequação ambiental de propriedades e conflitos socioambientais. Relacionadas ao tema desse núcleo temático, foram realizadas 46 atividades durante o ano, com um público total de 1681 pessoas, entre dias de campo, feiras de produtos orgânicos e sustentáveis, palestras e cursos. Somente no projeto Tipitamba, de agricultura sem queima, foram 34 eventos, atingindo diretamente 1400 pessoas. A aproximação com comunidades rurais e movimentos sociais, como a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri) e Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), foi ampliada em 2014, de forma participativa com os agricultores a fim de proporcionar o intercâmbio de conhecimentos.

Políticas públicas norteiam Núcleo de Agroecologia Como resposta da Embrapa à Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Pnapo) e ao Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo), ocorreu no final de 2014 a aprovação do projeto para formação do Núcleo de Agroecologia da Embrapa Amazônia Oriental, chamado de “Puxirum Agroecológico”. O projeto tem como objetivo promover a integração de instituições públicas de pesquisa agrícola com outros segmentos governamentais e não governamentais, via atividades de construção e intercâmbio de conhecimento com vistas a dar suporte a processos de transição à resiliência social e ambiental e à implementação de políticas públicas associadas à agroecologia no Estado do Pará. Além do Planapo, as ações em 2014 responderam às demandas do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal - PPCDAM; Plano Nacional para Promoção das Cadeias de Produtos da Sociobiodiversidade - PNPSB; Política de Preços Mínimos para Produtos Florestais Não Madeireiros - PGPM-Bio; Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar - Pronaf, e sua modalidade voltada à agroecologia; o Código Florestal Brasileiro; a Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional - Plansan; o Programa Nacional de Aquisição de Alimentos - PAA; o Plano Nacional de Alimentação Escolar - Pnae; Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas - Pnegati; Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável de Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana; e Programa de Manejo Florestal Comunitário e Familiar - PMFC.

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Ronaldo Rosa

TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA

8.


Transferência de Tecnologia

Para levar resultados e tecnologias da Embrapa Amazônia Oriental à sociedade, as ações em Pesquisa e Desenvolvimento e as em Transferência de Tecnologia totalizaram 550 eventos, conforme registros de 2014. Noventa e quatro cursos foram ofertados, somando 1.970 horas. Já em número de palestras foram 262. O centro de pesquisa foi ainda parceiro na realização do 20º Congresso Brasileiro de Apicultura e 6º Congresso Brasileiro de Meliponicultura, ocorridos simultaneamente em novembro, em Belém, nos quais teve ampla participação com estande e palestras. As demais ações foram dias de campo (30), encontros (4), exposições (3), feiras (12), inauguração (1), lançamento (1), mesas-redondas (2), painéis (14), reuniões (52), semanas (2), seminários (17), simpósio (1), treinamentos (11), unidades de observação (6), unidades demonstrativas (13), visitas (7) e workshops (17).

Fabricio Ferreira

Embrapa mostra resultados à sociedade

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Transferência de Tecnologia

Bases de informações reúnem acervo técnico-científico No campo da produção técnico-científica da Embrapa Amazônia Oriental, em 2014 foram 513 publicações registradas no Ainfo - sistema informatizado para gestão de acervos impressos e digitais de bibliotecas. Após o registro no Ainfo, as publicações migram para diversas bases de informações da Embrapa, tais como Bases de Dados da Pesquisa Agropecuária (BDPA), o Sistema de Informação de Apoio à Decisão Estratégica (Side), Informação Tecnológica em Agricultura (Infoteca-e) e Repositório Acesso Livre à Informação Científica da Embrapa (Alice). Os registros dividem-se em 14 categorias: artigos de divulgação na mídia (17); artigos em anais de congresso (162); artigos em periódicos indexados (80); boletins de pesquisa e desenvolvimento (8); capítulos em livros técnico-científicos (19); comunicados técnicos/recomendações técnicas (21); documentos (13); folderes/folhetos/cartilhas (15); organização/ edição de livros (3); orientações de tese de pós-graduação (15); programa de rádio (1); resumos em anais de congresso (157); e sistema de produção (1); vídeo/DVD (1).

Registro em sistema apoia decisão estratégica Confira o quantitativo de itens registrados

Ronaldo Rosa

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Em 2014, 368 itens categorizados como desenvolvimento de tecnologias, produtos e processos da Embrapa Amazônia Oriental foram registrados no Sistema de Informação de Apoio à Decisão Estratégica (Side). Por meio desses dados, são monitorados o planejamento e execução das metas previstas, compondo a memória técnico-científica do centro de pesquisa.

2

Software

3

Insumo Agropecuário

1

Cultivar Testada/Indicada

2

Processo Agroindustrial

3

Produto Agroindustrial

2

Base de Dados Organizada

7

Coleção Biológica

14

Metodologia Científica

61

Prática e Processo Agropecuário

273

Monitoramento e Zoneamento


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COMUNICAÇÃO

Administração

9.


Ronaldo Rosa

Comunicação

“Estação 75”: eventos registram história da pesquisa Em maio de 2014, quando a pesquisa agropecuária na Amazônia completou 75 anos, a Embrapa Amazônia Oriental comemorou a data durante três dias, com programa de rádio, exposição fotográfica, palestras e degustação de produtos regionais com chefs de cozinha de renome nacional. A comemoração foi aberta em linguagem radiofônica, priorizada para evocar memórias e personagens dessa trajetória. O programa “Estação 75: nas ondas da pesquisa”, lotou o auditório do centro de pesquisa em Belém para levar ao público interno entrevistas, música, poesia e causos ligados à história da instituição. A apresentação ficou por conta do radialista Romildo Rosa, que comanda um programa de rádio dominical dedicado ao homem do campo no Pará. As entrevistas trataram de temas como o contexto da criação do IAN no governo Getúlio Vargas, em 1939, as experiências de vida de trabalhadores que iniciaram suas carreiras na Embrapa há mais de 40 anos e as tendências da pesquisa na Embrapa na visão do diretor executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da instituição, Ladislau Martin Neto, em visita ao centro de pesquisa. Uma exposição fotográfica foi montada em caráter permanente. A mostra “Estação 75” reúne imagens representativas da história e missão da Embrapa Amazônia Oriental, assinadas por profissionais paraenses, além de comunicadores e pesquisadores da instituição. As fotos retratam o universo da pesquisa ecorregional em cenas emblemáticas de búfalos, floresta, rio, castanha-do-brasil, mandioca, açaí, pimenta-do-reino, laborató-

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rios, sistema de produção sustentável, frutas tropicais, abelhas sem ferrão, feijão-caupi, pirarucu, dendê, guaraná, agricultores e personalidades históricas, como Felisberto Camargo, o primeiro diretor do Instituto Agronômico do Norte (IAN), do qual se originaria, décadas mais tarde, a Embrapa Amazônia Oriental.

Ver-o-peso da mandioca No encerramento das comemorações, em 30 de maio, a mandioca recebeu o merecido destaque, por ser o Pará o maior produtor da raiz no Brasil e por sua importância histórica e nutricional na região. Convidado especial, o pesquisador Joselito Motta, da Embrapa Mandioca e Fruticultura (Cruz das Almas/BA), demonstrou a renomados chefs de cozinha (participantes em Belém do evento gastronômico de repercussão nacional Ver-o-peso da Cozinha Paraense) como se faz goma em casa e, com ela, beijus coloridos à base de frutas, legumes e verduras. A degustação oferecida aos visitantes incluiu também o “pão brasileiro” - com fécula de mandioca - chips e snacks de macaxeira, além de queijo de búfala, óleos, sorvetes e brigadeiros de tucumã, açaí, castanha-dobrasil, pupunha, cupuaçu, queijo cuia, bacuri e brigadeiro de macaxeira.


Comunicação

Sessão especial homenageia os 40 anos da Embrapa Uma sessão especial realizada na Assembleia Legislativa do Pará homenageou a Embrapa por 40 anos de trabalho com pesquisa em benefício da sociedade brasileira. O evento ocorreu no dia 3 de abril de 2014 e lotou o auditório principal com a presença de empregados, parceiros institucionais, parlamentares e outras autoridades. Palavras de reconhecimento enalteceram a Embrapa por levar ao campo tecnologia e inovação para melhorar a qualidade de vida da população e pelos serviços prestados pela instituição ao Pará e à Amazônia. Tecnologias, produtos e serviços que impulsionaram a economia do Estado, gerando emprego, renda e desenvolvimento social à população, foram citados em várias áreas, como em recursos naturais, na produção animal, na fruticultura, no plantio de grãos, na pecuária, no ordenamento territorial, entre outras.

‘‘Cá entre Nós’’: comunicação valoriza equipes A Embrapa Amazônia Oriental é a maior unidade descentralizada do sistema Embrapa, com 527 empregados. Em Belém, 450 trabalhadores se dividem entre diversos laboratórios e setores. Há cinco núcleos da instituição no interior do Pará, os Núcleos de Apoio a Pesquisa e Transferência de Tecnologia (Napts). O movimento de entrada de dezenas de novos empregados nos últimos anos agregou novas competências aos recursos humanos. Em uma instituição com esse porte e características, a comunicação revela-se fundamental para encurtar distâncias e aproximar colegas. Tendo isto como objetivo, foi lançada em 2014 a série “Cá entre nós”, uma ação de comunicação interna. O informativo circula internamente, a cada semana, apresentando as atividades e os empregados de uma área de trabalho por meio de imagens e textos curtos. No primeiro ano, foram 16 edições que contemplaram os laboratórios, a Estação de Pis-

cicultura, as ruínas históricas do Engenho Murutucu e o Horto de Plantas Medicinais. Para 2015, está programada a apresentação dos demais setores da empresa.

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Comunicação

Time de craques no campo da pesquisa Além das festividades de São João, o mês de junho de 2014 no Brasil foi marcado pela Copa do Mundo realizada em território nacional. Como forma de integrar o público interno, por duas ocasiões a Embrapa Amazônia Oriental organizou um café da manhã colaborativo entre seus empregados em dias de jogos da seleção brasileira. A proposta foi que todos portassem seus adereços de torcida, além da camiseta verde e amarela comemorativa aos 75 anos de pesquisa agropecuária na Amazônia. Centenas de empregados participaram e guardaram como recordação as fotos da reunião do time de craques da Embrapa.

A tecnologia nas ondas do rádio Ao longo de 2014, a Embrapa Amazônia Oriental esteve por sete vezes nas ondas do rádio, no Prosa Rural, programa que leva informações para melhoria da vida das pessoas do campo, com tecnologia da empresa e de parceiros, música de artistas locais, receitas, poesia e utilidade pública. Em fevereiro, o tema foi “Práticas amigáveis aos polinizadores de fruteiras nativas da Amazônia”, falando ao produtor sobre como manter a agrobiodiversidade dos polinizadores nas propriedades rurais e entorno, para suprir as necessidades de polinização das culturas agrícolas, sem custo para o produtor. Já em março, foram ao ar três programas: “Produção de alimentos da agricultura familiar na região da Transamazônica”, “Frutas nativas da Amazônia e seus benefícios para a saúde” e “Recomendações para obtenção de financiamento e implantação de hortas escolares”, este feito em parceria com o Instituto Federal do Pará (IFPA). “Utilização de Sistemas Agroflorestais (SAFs) na agricultura familiar para a recuperação de áreas alteradas” chegou aos ouvintes em maio. Em junho, o tema foi “Produção de mudas de mogno africano” e, em setembro, “Agroecologia na construção participativa de saberes”. Todos os programas Prosa Rural estão disponíveis no site: www.embrapa.br/prosa-rural


Comunicação

SAFs e produção de mogno africano: Dia de Campo na TV Três temas da Embrapa Amazônia Oriental foram pauta, em 2014, no programa televisivo da Embrapa, o Dia de Campo na TV. Dois trataram de sistemas agroflorestais (SAFs) e o último foi sobre produção de mogno africano. Os SAFs na Amazônia foram apresentados no primeiro programa do ano, em janeiro, com exemplos de sistemas agroflorestais implantados nos estados do Amapá, Amazonas, Pará e Rondônia. O programa foi produzido pela Embrapa Amazônia Oriental em parceria com outras três unidades da Embrapa na região (Amapá, Amazônia Ocidental e Acre). Os exemplos bem sucedidos de SAFs na Amazônia despontam em várias localidades e em diferentes escalas produtivas, como entre assentados rurais que recuperam áreas degradadas no Amazonas; os descendentes de imigrantes japoneses no Pará responsáveis por uma agroindústria de renome internacional; os agricultores familiares paraenses que fazem extensão dos quintais e já pensam em serviços ambientais e produção orgânica; os produtores nas várzeas do Amapá e os agricultores migrantes que investiram no cooperativismo para sobreviverem em Rondônia. No segundo programa do ano dedicado a SAFs, em setembro, o tema voltou às telas do Dia de Campo na TV para enfocar a aplicação junto à agricultura familiar como alternativa para recuperação de áreas alteradas. A produção de mudas de mogno africano (Khaya ivorensis) foi exibida em novembro. O programa apresentou essa espécie madeireira de grande valor comercial, que vem ganhando espaço entre os agricultores por ser uma opção ao mogno nativo da floresta amazônica (Swietenia macrophylla), que teve o corte proibido por causa da exploração predatória. É possível assistir a esses e outros programas no site: www.embrapa.br/dia-de-campo-na-tv

O SAC EM 2014 >>> 1.358 atendimentos via Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC) >>> 25 visitas de escolas e universidades

Entre em contato com o SAC da Embrapa pela internet: www.embrapa.br/fale-conosco

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Ronaldo Rosa

ADMINISTRAÇÃO

60 Administração

10.


Administração

Capacitação aumenta a qualidade de atendimento Empregados qualificados refletem no bom atendimento ao público. Tanto que, para garantir a qualidade técnica e a eficácia da gestão da Embrapa Amazônia Oriental, em 2014 foram disponibilizadas 631 horas de capacitação para 444 funcionários. Nos 23 cursos, entre individuais e coletivos, foram investidos R$ 267 mil. O curso de Gestão Estratégica foi o que registrou o maior número de empregados, com 77 participações entre pesquisadores, analistas e técnicos. A maior carga horária foi registrada no Sistema Brahms Online, com 150 horas de duração. Com o foco em segurança, assistentes dos Núcleos de Apoio a Pesquisa e Transferência de Tecnologia Médio Amazonas (Santarém), com 13 pessoas, e Transamazônica (Altamira), com 16, receberam o curso de Boas Práticas de Experimentação em Campo e Regulagem de Máquinas e Implementos Agrícolas. Já os assistentes de campo lotados em Paragominas e Marajó, num total de dez, participaram do curso de Agentes Químicos para Aplicadores de Agrotóxicos. Os demais cursos e número de participantes foram: Liderança número Transformadora (52); Equipade empregados mento de Proteção Individual e horas de Coletiva em Laboratórios (38); capacitação Programa de Gestão Avançada Middle/Senior–Amanakey número de (2); Liderança Transformadora/ cursos Dom Cabral (2); Gestão Geral investimento de do Patrimônio (15); Indicadores de Gestão Administrativa (25); Formação e Capacitação de Pregoeiro (1); Práticas de Escrita Científica, Oratória e Análise de Dados de Pesquisa (25); Boas Práticas Laboratoriais (20); Metodologia Transferência de Tecnologia de Campo (15); Tecnologia de Articulação e Programação/Redes Sociais (15); Controle de Convênios de Contratos Financeiros (10); Comunicação e Negócios (25); Treinamento ao Ar Livre/Teal (40); Reciclagem de Proteção Auditiva (10); Contratação Direta Sem Licitação (6); Prevenção de Acidentes de Trabalho x Responsabilidade Civil e Criminal (25); e Cálculo de Custo de Obra (1).

631 h

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R$ 267 mil

444

23

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Administração

De olho nas contas: orçamento e patrimônio

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O orçamento geral da Embrapa Amazônia Oriental em 2014 foi de quase R$ 15 milhões (R$ 14.699.883,88). Destes, R$ 11.998.049,63 integram a categoria de custeio, que engloba custos com viagens, material de expediente, vigilância, adubos, limpeza, entre outros. Os demais R$ 2.701.834,25 representam despesas de investimentos, as quais contabilizam aquisição de máquinas, equipamentos e veículos. Os bens adquiridos no ano totalizam R$ 8.056.442,07, dos quais R$ 2.918.280,92 foram gastos com obras em 36 imóveis e R$ 5.138.161,15 na aquisição de 1.558 móveis. Já as benfeitorias em bens imóveis (311) custaram R$ 19.928.814,21. O total do acervo patrimonial, são 12.034 itens, entre bens móveis, imóveis e semoventes, no valor de R$ 37.821.936,68.

Acervo Patrimonial Tipo

Quantidade

Valor (R$)

Bens móveis, imóveis e semoventes

12.034

37.821.936,68

Bens adquiridos em 2014

1.594

8.056.442,07

311

19.928.814,21

Benfeitorias bens imóveis

Orçamento 2014

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Grupo de Despesa

Executado

Custeio

11.998.049,63

Investimento

2.701.834,25

Total geral

14.699.883,88

Fonte: DAF/Ideare/Siafi Gerencial


Administração

Orçamento detalhado 2014 Grupo de Despesa

Executado

Custeio fixas / gestão (vigilância, telefone, energia elétrica, etc)

R$ 7.806.319,29

Custeio macroprogramas (viagens, aquisição de adubos, etc)

R$ 3.373.920,62

Custeio convênio MDA (viagens, combustível, passagens aéreas, etc)

R$ 579.702,60

Custeio convênio Robin/Fapespa (bolsa de estágio, diárias, etc)

R$ 238.107,12

Investimento gestão (equipamentos, máquinas, carros, etc)

R$ 1.997.084,26

Investimento macros (equipamentos, etc)

R$ 539.208,50

Investimento convênio MDA (equipamentos)

R$ 165.541,49

Total geral

R$ 14.699.883,88

Laboratório de Solos de casa nova O Laboratório de Solos foi reinaugurado em 28 de maio de 2014, com novos espaços e aumento na capacidade de atendimento das demandas internas e externas. A reforma trouxe mudanças em toda a estrutura física, com a união dos laboratórios de Solos e Microbiologia de Solo, a construção de salas de pesquisadores no segundo pavimento e a criação de laboratórios na parte térrea. Durante o ano foram realizadas cerca de 8 mil análises. A partir da atualização das instalações, houve um aumento da capacidade analítica do laboratório e na procura por serviços oferecidos tanto para instituições quanto para produtores rurais - demandas não penas do Pará, mas também do Tocantins, Maranhão, Amapá e Amazonas.

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Administração

Ronaldo Rosa

Ronaldo Rosa

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Infraestrutura: área elétrica gera maior demanda O ano de 2014 revelou aumento da eficiência no atendimento às demandas da gestão de infraestrutura em relação a 2013, passando de 80% para 90% em número de soluções e sem uma única ocorrência de acidentes. A maior necessidade se deu na área elétrica, com 596 chamadas atendidas. As demais foram: marcenaria (344), predial (243), hidráulica (228) e refrigeração (174).


Administração

>>>

DESTAQUES 1.585 demandas atendidas. Composição da nova área de marcenaria do setor, após aquisição de novos equipamentos. Número de acidentes durante atendimento das demandas em 2014 = 0 (zero). Entrega do prédio do Laboratório de Sensoriamento Remoto e Laboratório de Agrometeorologia. Entrega do prédio do Laboratório de Solos com área de estacionamento. Entrega do muro da Estrada da Ceasa. Entrega do restaurante com área de estacionamento. Fiscalização na instalação de mais de 300 aparelhos de refrigeração (splits) nos prédios da Unidade. Apoio técnico e estrutural para a instalação de duas novas casas de vegetação.

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Apoio técnico e administrativo para viabilizar a realização das obras do muro da Av. Perimetral e das de revitalização do prédio do Núcleo de Tecnologia da Informação. Apoio técnico na instalação da nova central telefônica da Embrapa Amazônia Oriental.

91 pregões realizados em 2014 A Embrapa Amazônia Oriental executou em 2014 um total de 191 processos, dos quais 72 foram dispensas, 91 pregões eletrônicos, 27 inexigibilidades e 1 tomada de preços.

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TransferĂŞncia de Tecnologia


CGPE 12103

Relatório de Gestão e Atividades 2014 da Embrapa Amazônia Oriental  

Os destaques de 2014 A Embrapa Amazônia Oriental, por meio deste Relatório de Gestão e Atividades 2014, apresenta suas principais contribuiç...

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