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Ano XIV • Nº 163 • Março 2013 • R$ 15,00

entrevista

Andressa Miranda, da Vapza, fala do desafio de vender no Brasil alimentos processados em bolsas plásticas

especial

Os avanços e as perspectivas para a redução do peso de embalagens no mercado nacional

Braile As novas soluções para incluí-lo em embalagens, para não excluir os consumidores privados da visão

vinhos

Designs incomuns fazem garrafas de marca nacional sobressair nos pontos de venda


Editorial UMA CONVERSA COM O LEITOR

Apesar da Turma do Amendoim A leitura dos

jornais tem nos oferecido motivos de satisfação – não a parte editorial, mas sim, neste período de publicação obrigatória de balanços das empresas, o pipocar de números invariavelmente positivos. Vemos empreendimentos que, em 2012, obtiveram o maior lucro de toda sua centenária história, e excelentes ganhos, ainda que não tão contundentes, foram registrados nos mais diversos setores. Não fazemos coro às tediosas afirmações do ministro Guido Mantega de que de agora em diante tudo vai melhorar, mas nos vemos instados a destacar o que se dá no campo da embalagem em nosso País, onde as coisas parecem não bater com um amplo chororô que a realidade não justifica. Multinacionais aqui instaladas atuantes no setor registraram no ano lucros de até dois dígitos, com desempenho invariavelmente melhor do que o registrado em suas matrizes e em outros países onde têm filiais. Chegam à redação, também, notícias de resultados positivos obtidos em 2012 pela indústria de latas de aço e de alumínio, do plástico, de papel e celulose e de embalagens assépticas. A despeito do crescimento geral acanhado, o consumo das famílias não para de avançar. Em 2012, evoluiu 3,1% – e foi, segundo economistas, o que impediu que o balanço do ano passado não fosse ainda pior do que o pífio “pibinho” alcançado, inferior a 1%. Faz nove anos que o consumo aumenta. A Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio) divulgou que o faturamento do varejo paulista cresceu 5,5% em 2012, alcançando R$ 164,5 bilhões, com destaque para o desempenho das farmácias. Essas são informações que contradizem em parte o Balanço Setorial de

Embalagem contido no recém divulgado Estudo Macroeconômico da Embalagem, feito pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, sob coordenação do economista Salomão Quadros, para a Associação Brasileira de Embalagem (Abre). O balanço mostra que a produção física de embalagens decresceu 1,19% em 2012, devido a uma queda de 4% ocorrida no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, já no segundo semestre a produção reagiu, apresentando expansão de 1,6%, em relação ao mesmo período de 2011. Na previsão do economista, “apesar do começo de ano pouco animador, com o avanço da inflação, e consequentemente do adiamento das decisões e da retração da confiança do consumidor, a produção de embalagem deve crescer até 2% em 2013. Não, não precisamos nos afinar com o pensamento (se é que o conhecêssemos) nem com as afirmações do governo, mas de tudo o que se viu acima pode-se concluir que boa parte das reclamações poluidoras do ambiente de negócios vem dos eternos insatisfeitos renitentes. Eles fazem lembrar a antiga “Turma do Amendoim”, nome dado a uma facção da torcida do Palmeiras. Essa turma ocupava sempre um mesmo local no antigo Parque Antarctica, próximo do banco de reservas, e vivia a reclamar do time e a criticar o treinador do time. Não obstante, o alviverde ganhava jogos e até campeonatos. E, mal comparando, ainda que futebol seja negócio, negócios não são futebol, nem o Brasil é o Palmeiras. É o caso de refletir se tantas queixas têm mesmo razão de ser. Até abril.

WILSON PALHARES

“Na previsão do economista Salomão Quadros, da FGV, em estudo sobre o setor feito para a Abre, apesar do começo de ano pouco animador, a produção de embalagem deve crescer 2% em 2013” Março 2013 |

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Edição 163 • Março 2013

Sumário

Reportagem de capa: Braile Na esteira de normas legais e do maior interesse voluntário das empresas, crescem as opções para adotar, em embalagens, o sistema de leitura tátil para cegos

3 Editorial Ante números que mostram desempenho positivo – em alguns casos, os melhores da história – de empresas e setores da cadeia de embalagem, cabe indagar se as queixas que se ouvem de todos os lados têm mesmo razão de ser

6 Vinhos Produtora gaúcha adota garrafas diferenciadas, que se destacam nos pontos de venda 8 Painel Instituto recém-fundado defende uso adequado de embalagens plásticas com apelo ecológico • Companhia Metalgraphica Paulista (CMP) inaugura nova fábrica de latas de aço • Australiana TNA, fabricante de soluções integradas de embalagem, abre escritório no Brasil • Braskem apresenta nova resina para a produção de shrinks

Por Guilherme Kamio

24 Entrevista Andressa Miranda, gerente de marketing e

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comunicação da Vapza, fala dos desafios e resultados da empresa no trabalho com alimentos embalados a vácuo e cozidos a vapor

28 Investimentos Hi-Cone e Zip-Pak, da americana ITW, inauguram fábrica no Brasil

29 Doces Novo sistema de embalagem eleva produtividade no envase de pastas para decoração de bolos

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30 Aliviamento Primeira reportagem de série especial sobre o tema 3R – Redução, Reutilização e Reciclagem mostra conquistas em diminuição de peso das embalagens da diferentes materiais 34 Publicações Sucesso da Edição Especial de Almanaque EmbalagemMarca mostra força dos veículos que a divulgam

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35 Varejo Fita adesiva que serve de alça pode ser aplicada nos pontos de distribuição 36 Display Embalagens de perfumes da L’Acqua di Fiori se inspiram em bolinho americano • Óleo de coco em pote de vidro remete ao+ fruto • Licor fino de cachaça leva partículas de ouro • Suco de uva tem garrafa diferenciada • Fanta tem minigarrafa de PET • St. Remy tem nova garrafa

42 Almanaque Quando a margarina era cor-de-rosa • Escapou da guilhotina e virou gigante • Ramy, iguaria brasileiríssima • Sabão em pó dava gibis

Empresas que anunciam nesta edição Adecol................................................ 17 Almanaque Edição Especial..........11 Baumgarten...................................... 15 Bosch Packaging...................4ª capa Ciclo de Conhecimento................ 13 Congraf.............................................. 21

Designful............................................ 41 Emibra................................................39 Evertis....................................... 3ª capa Feiplastic............................................ 37 Grandes Cases....................... 22 e 23 GS1...................................................... 27

HP.......................................................... 5 Indexflex............................................... 7 Krones................................................25 MN Design........................................ 12 Moltec................................................ 41 Multivac..............................................33

Diretor de redação: Wilson Palhares | palhares@embalagemmarca.com.br • Editor executivo: Guilherme Kamio | guma@embalagemmarca.com.br • Redação: Flávio Palhares | flavio@embalagemmarca.com.br • Comercial: Karin Trojan | karin@embalagemmarca.com.br • Wagner Ferreira | wagner@embalagemmarca. com.br • Gerente comercial: Roberto Inson | roberto@embalagemmarca.com.br • Diretor de arte: Carlos Gustavo Curado | carlos@embalagemmarca.com.br • Administração: Eunice Fruet | eunice@embalagemmarca.com.br • Marcos Palhares | marcos@embalagemmarca.com.br • Eventos: Marcella Freitas | marcella@embalagemmarca.com.br • Circulação e assinaturas (assinatura anual R$ 150): Kelly Cardoso | assinaturas@embalagemmarca.com.br

Payne.................................................. 31 Prakolar.................................... 2ª capa Roland.................................................. 9 Simbios-Pack.................................... 41 SIMEI...................................................35 Vidro Porto........................................39 Publicação mensal da Bloco Comunicação Ltda. Rua Arcílio Martins, 53 04718-040 • São Paulo, SP (11) 5181-6533 www.embalagemmarca.com.br

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Vinhos

Dois fundos e dupla Garrafa com base variável e produtos geminados se destacam entre opções de vinhos nacionais

Em meio ao avanço do mercado brasileiro de vinhos, a Luiz Argenta, de Flores da Cunha (RS), tem se destacado por elogios de connoisseurs e também por suas embalagens, de formatos incomuns. Surpreendem, em especial, as garrafas adotadas para suas variedades jovens baseadas nas uvas Shiraz, Sauvignon Blanc e Gewürztraminer. De vidro negro, a garrafa do Shiraz sobressai por apresentar duas regiões de apoio: uma convencional, na base, e outra inclinada, situada em seu costado – permitindo, assim, que a embalagem repouse obliquamente sobre mesas ou prateleiras. Já o Sauvignon Blanc e o Gewürztraminer têm embalagens classificadas como “gêmeas” pela vinícola gaúcha. Ambos os vinhos são envasados num mesmo modelo de garrafa, que lembra uma gota cortada ao meio. A diferenciação se dá pela decoração. Um rótulo com desenho de losango define inversamente o que é frente e verso em cada garrafa. Lado a lado, as embalagens parecem metades separadas de um mesmo objeto, transmitindo uma ideia de complementaridade.

Projetadas pela vidraria italiana Bruni Glass, as garrafas de design especial exigiram da Luiz Argenta adaptações na linha de produção. Diz Daiane Argenta, diretora de marketing da vinícola: “O equipamento de envase (fabricado pela gaúcha Sava) sofreu ajustes, porque o processo precisa ser feito muito lentamente e requer bastante atenção. A rotulagem tem de ser manual. Além disso, foi necessário desenvolver caixas de papelão ondulado peculiares, com berços capazes de

6 | Março 2013

Recipiente do Shiraz pode repousar inclinado

Inversão da mesma garrafa diferencia Sauvignon Blanc do Gewürztraminer

acomodar as garrafas adequadamente na posição horizontal.” A operosidade seria o motivo de os lotes de produção dos vinhos em questão serem pequenos (6 000 unidades do Shiraz, 4 000 do Sauvignon Blanc e 2 250 do Gewüztraminer circularam em 2012) e de seus preços serem, segundo a diretora de marketing da Luiz Argenta, “um pouco mais altos”. Preços no ponto de venda não têm ofuscado o valor agregado dos produtos. As primeiras 3 000 unidades do Shiraz, previstas para durar um ano, esgotaram-se em três meses. Lançadas em setembro de 2012, as “gêmeas” também desapareceram das lojas. Além do visual, que serve de chamariz no ponto de venda, as embalagens teriam no reuso outro forte apelo. “Pessoas dificilmente jogam fora as garrafas, reaproveitando-as como vaso, garrafa de água, decanter ou enfeite de mesa”, relata Daiane Argenta. “É um atributo que vai ao encontro da sustentabilidade.”

RÓTULOS

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Painel MOVIMENTAÇÃO NO MUNDO DAS EMBALAGENS E DAS MARCAS

Edição: Guilherme Kamio guma@embalagemmarca.com.br

BIOPLÁSTICOS

Verdes de verdade Novo instituto é fundado para defender o uso correto de embalagens feitas de plásticos com apelo ecológico

Promover no Brasil o uso de embalagens feitas de plásticos “verdes” é a missão de um novo centro de estudos e consultoria, o Instituto Ideais (Instituto de Incentivo e Desenvolvimento de Embalagens Ambientais, Inovação e Sustentabilidade). Fundado em meados de 2012 na região de Campinas (SP), o empreendimento já conta com catorze associados entre fabricantes de invólucros e outros produtos plásticos, e mais oito entre empresas de outros segmentos. Seu presidente, Fernando Figueiredo (foto), proprietário da empresa de gestão ambiental EcoSigma, fala na seguinte entrevista sobre propostas e atividades da iniciativa: Quais os objetivos do instituto? Certificar tecnologias, materiais e produtos, além de criar ações relacionadas à promoção do desenvolvimento e do uso dos diferentes plásticos com atributos sustentáveis: hidrobiodegradáveis, compostáveis, hidrossolúveis e oxi-biodegradáveis. Apoiamos todas as tecnologias que estejam em conformidade com normas vigentes e que tenham fornecido a documentação exigida para nossa certifica-

“Existe muita falsificação, rotulagem enganosa e confusão a respeito de materiais, normas e leis” 8 | Março 2013

ção de aprovação. Queremos fomentar a sustentabilidade socioeconômica e ambiental da atividade, bem como promover campanhas de preservação ambiental e consumo consciente. Quais os principais desafios a serem superados para que os plásticos “verdes” se tornem mais conhecidos no País? Há pouca informação de fácil acesso sobre o que são e a natureza dos plásticos biodegradáveis. Além disso, existe muita falsificação, rotulagem falsa ou enganosa, confusão a respeito de normas, materiais e leis. Um compromisso é a defesa e a promoção da correta rotulagem dos produtos, para que o consumidor não seja enganado por falsas promessas de biodegradabilidade. Que benefícios são obtidos com a associação ao Ideais? Associados desfrutam de benefícios como testes gratuitos, obtenção de certificados para seus clientes, acesso a todo o acervo científico da entidade. Fica possível o uso da marca Ideais nos plásticos produzidos com tecnologias aprovadas e certificadas. Também estamos habilitados a fornecer laudos para aceitação em países onde existem leis sobre biodegradação. E estamos negociando benefícios de descontos na compra de matérias-primas certificadas. De que ações ou trabalhos a entidade já participou? O Ideais é membro com direito a voto na ASTM (American Society for Testing and Materials, entidade americana de normalização) nos comitês de normas sobre plásticos convencionais e plásticos biodegradáveis. Somos

O presidente Fernando Figueiredo: Ideais atuará em várias frentes

também associados da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Fomos convidados e estivemos nas audiências públicas realizadas em Belo Horizonte, a convite de autoridades locais, para apresentar posicionamento e sugestões relacionadas à lei das sacolas plásticas compostáveis naquela cidade. Estamos nos candidatando para o Grupo de Trabalho sobre sacolas no Ministério do Meio Ambiente. Por fim, estamos em contato com instituições de defesa do consumidor e com o comércio com a finalidade de alertar sobre rotulagem enganosa e falsos plásticos biodegradáveis. Realizamos testes sem custos para estas entidades.


Painel MOVIMENTAÇÃO NO MUNDO DAS

EMBALAGENS E DAS MARCAS

METÁLICAS

Capacidade ampliada Foi inaugurada em janeiro último, em Cajamar (SP), a nova fábrica de latas de aço da Companhia Metalgraphica Paulista (CMP). A unidade está instalada em um terreno de 80 000 metros quadrados, tendo 17 000 metros quadrados de área construída e 15 000 metros quadrados dedicados a módulos para locação logística. A obra consumiu 80 milhões de reais na construção e na compra de equipamentos. O novo parque tem capacidade inicial de transformar 3 000 toneladas de aço por mês em latas para tintas e alimentos. Deverá empregar 300 funcionários, sendo 30% deles oriundos da unidade de São Paulo, que será desativada. Os demais serão moradores da região. A CMP conta ainda com fábricas em Morro Agudo (SP) e Anápolis (GO).

Nova fábrica da CMP é capaz de transformar 3 000 toneladas de aço por mês. No detalhe, latas produzidas pela empresa

emb.bz/163cmp

Agora com operação no País, TNA fornece soluções como empacotadoras verticais

10 | Março 2013

EQUIPAMENTOS

FECHAMENTOS

Chegada ao Brasil

Expansão em valvuladas

Fabricante de soluções integradas para embalagem de produtos alimentícios, a multinacional australiana TNA inaugurou em fevereiro último, em São Paulo, seu primeiro escritório no Brasil. A unidade abrigará equipes de vendas e suporte técnico. “Com uma base local, nossos especialistas poderão analisar os desafios reais do País e desenvolver inovações personalizadas para o mercado de embalagens”, afirma Alfredo Blanco, gerente geral da empresa para as Américas. A TNA diz ter mais de 6 000 sistemas instalados em mais de 120 países. Sua linha de produtos inclui equipamentos de aspersão, distribuição, pesagem, inspeção e embalagem, além de soluções de controle e integração de sistemas. Em acondicionamento, oferece, sob a marca Robag, empacotadoras form-fill-seal verticais.

A Bericap, multinacional alemã especializada em sistemas de fechamento, anunciou que ampliará as opções de sua linha BeriValve, composta por tampas plásticas dotadas de válvula para controle de dosagem de produtos viscosos. A expansão de oferta será possível graças à aquisição dos ativos da conterrânea Krallmann, sacramentada no final de 2012. As válvulas são feitas de TPE (elastômero termoplástico), material que, segundo a Bericap, evita a contaminação de processos de reciclagem de PET – problema associado aos modelos concorrentes feitos de silicone.

Bericap promete mais tampas com mecanismo dosador


Já está à venda a edição especial do almanaque EmbalagemMarca, edição especial que mostra o que de melhor foi publicado na seção mais lida da revista peça já o seu exemplar:

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RESINAS

Dedicada a shrinks A Braskem passa a oferecer uma nova resina especialmente formulada para a produção de shrinks, filmes termoencolhíveis utilizados para agrupar latas, garrafas e outras embalagens. Segundo a petroquímica, a novidade, que atende pelo nome HD7600U, apresenta baixo nível

de géis, o que resultaria em maior resistência – e, consequentemente, manutenção do apelo visual dos shrinks. A aliança entre rigidez e encolhimento é garantida por uma combinação entre polietilenos de densidades baixa e alta na formulação do material.

NOTA DE RETRATAÇÃO A MN Design, sediada na Rua Giovani Pattoli, 46, Jd. Avelino, São Paulo-SP, vem a público esclarecer e se retratar do seguinte fato: em outubro de 2002 foi publicada matéria, na página 48 da edição 38 da revista EmbalagemMarca, sobre o lançamento de nova embalagem do leite fermentado Paulista, na época se tratava de um novo produto da Danone, que afirmava: “segundo a MN Design, agência responsável pela criação da embalagem, o fato de o personagem [Tourinho na embalagem do produto] estar presente em todo o ciclo de comunicação – frascos, rótulos, embalagem de papel cartão e cartazes – fortalece a identificação do produto junto ao consumidor”. Essa informação foi dada pelo sr. Mario Stavale, à época diretor da MN Design, e induziu o leitor a erro, fazendo-o acreditar que todo o desenvolvimento da embalagem foi realizado pela MN Design, o que não é verdade, uma vez que a agência responsável pela criação do personagem, de todo o desenvolvimento gráfico e do projeto visual da embalagem foi a Sapien Design (www.sapiendesign.com.br), não mencionada na matéria. A MN Design realizou a adaptação do personagem Tourinho na criação da garrafa plástica/frasco, além de ter realizado os projetos técnicos em 2D e 3D.

A MN Design lamenta o ocorrido e desculpa-se pelo fato de a Sapien Design ter sido prejudicada por não ter recebido os merecidos e devidos créditos pela criação do referido personagem.

São Paulo, 13 de fevereiro de 2012.     Nilson Satoshi Arai

GENTE

Novo líder comercial O administrador de empresas Jorge Luis Grandi (foto) é o novo diretor comercial da Ibema, fabricante brasileira de papéis cartão. Ele assume o posto antes ocupado por Hélio Bustamante, que deixou a empresa. Grandi é egresso da multinacional chilena Masisa, na qual atuou por quinze anos. Antes, trabalhou nas áreas de comércio exterior da fabricante de eletrodomésticos Enxuta e da Cia. Sul Americana.

CARTONADAS ASSÉPTICAS

Operação local em destaque A SIG Combibloc, fornecedora de soluções em embalagens cartonadas assépticas, tem novo site na internet. A página agora conta com um conteúdo específico sobre a atuação da empresa no Brasil. “É possível encontrar informações sobre a fábrica brasileira, iniciativas ligadas à sustentabilidade e casos de sucesso que fazem diferença para nossos clientes”, explica Luciana Galvão, gerente de marketing da SIG Combibloc para a América do Sul. www.sig.biz/brazil

12 | Março 2013


Em 2013, juntaremos a cadeia produtiva de embalagens para fazer uma discussão sobre Análise de Ciclo de Vida (ACV). Quer ser palestrante? Envie sua sugestão de palestra para

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Painel MOVIMENTAÇÃO NO MUNDO DAS

EMBALAGENS E DAS MARCAS

EQUIPAMENTOS

númeroS

31% Cresceu, em 2012, o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) da Klabin, produtora de apéis e cartões para embalagens, caixas de apelão ondulado e sacos industriais. O indicador alcançou 1,352 bilhão de reais. Foi o maior avanço registrado nos 113 anos de história da empresa.

Para inspeção de alimentos A americana Eagle Product Inspection, fabricante de sistemas de inspeção de produtos por raios-X, tem novo representante no Brasil. É a Schur, distribuidora de equipamentos e materiais de embalagem sediada em Barueri (SP). Os equipamentos da Eagle examinam produtos finais e em processo para detectar contaminantes como metais, vidro, pedras e ossos. São capazes também de verificar massa, avaliar os níveis de enchimentos compartimentados e analisar o teor de gordura de carnes. Se-

GENTE

Troca de líderes

A Tetra Pak Brasil anunciou mudanças em seus quadros. Vladimir Bosio (foto à esq.) assumiu o posto de diretor de supply chain, acumulando o cargo de diretor da fábrica que a companhia possui em Monte Mor (SP). Na nova função, Bosio sucede a Benny Heide, que se aposenta após 44 anos de casa. A diretoria técnica também tem novo líder. É o sueco Pekka Matilainen (foto à dir.). O executivo chega ao país para substituir Giulio Mengoli, alçado ao posto de vice-presidente da área Carton Economy DSO.

59 bilhões de reais

Alcançou o consumo aparente de transformados plásticos em 2012, segundo a Associação Brasileira da Indústria Plástica (Abiplast). O valor representa uma evolução de 8,5% em relação a 2011. O setor de embalagens teve alta mais contida: 0,43%.

9%

METÁLICAS

Evoluiu, em 2012, o faturamento da Tetra Pak Brasil, especializada em embalagens cartonadas assépticas. A receita atingiu 4,3 bilhões de reais, puxada especialmente por avanços da demanda entre indústrias de sucos e néctares (25%) e bebidas de soja (15%).

Para divulgar os atributos benéficos das folhas de alumínio em diversas aplicações, entre elas embalagens, a Associação Europeia da Folha de Alumínio (EAFA) lançou o website “Um momento global com a folha de alumínio”. A página mostra usos do material em diversas partes do mundo e tem versão em português, desenvolvida com auxílio da Associação Brasileira do Alumínio (Abal).

Alumínio em foco

www.global-alufoil.org

14 | Março 2013

gundo Roberto W. Schur, diretor da Schur, as tecnologias de inspeção oferecidas podem ajudar a melhorar a eficiência operacional no processamento de alimentos, agilizando as trocas de produção, e favorecem as exportações, por atenderem às regulamentações internacionais de segurança alimentar. “As empresas usuárias não apenas protegem suas marcas de recalls caros, garantindo a lealdade dos clientes, mas também abrem novos mercados para seus produtos”, afirma o executivo.


reportagem de capa

Novos olhares para o braile À luz de imposições e do maior interesse voluntário das empresas, crescem as opções para adotar, nas embalagens, o sistema de leitura tátil para cegos Por Guilherme Kamio

Não se sabe

fotos: carlos curado

com exatidão quantos cegos há no Brasil. Em seu censo mais recente, de 2010, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) identificou pouco mais de 500 000 brasileiros incapazes de enxergar, de um total de 6,6 milhões acometidos por deficiência visual severa. O Conselho Brasileiro de Oftalmologia, por sua vez, calcula que o País tenha algo próximo a 1,2 milhão de pessoas privadas da visão. A despeito dessa incerteza, sobre uma coisa não restam dúvidas: em foco estão consumidores ainda olhados com pouca atenção. É o que se constata, em especial, pela escassez de produtos oferecidos em embalagens com inscrições em braile, acessíveis a esse público. O mercado farmacêutico é uma exceção. Devido a um decreto baixado em 2009 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), medicamentos distribuídos no Brasil são hoje obrigados a ter nome ou princípio ativo gravado em braile na embalagem secundária. Muitos produtores de cartuchos de papel cartão se aparelharam para assegurar a conformidade dos laboratórios com a resolução. Fora isso, algumas iniciativas irromperam em setores como os de alimentos e cosméticos, capitaneadas por marcas como Sadia e Natura. “O volume não é significativo”, avalia Regina Fátima Caldeira de Oliveira, coorde-

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Cartuchos com braile feitos pela Congraf: promessa de dinamismo com marcação executada na etapa de dobra e colagem

nadora de revisão da Fundação Dorina Nowill para Cegos, entidade dedicada à inclusão social de deficientes visuais. Dois fatores, no entanto, inspiram uma expectativa de dias melhores para as experiências de consumo dos cegos. Primeiro, a valorização crescente do chamado design inclusivo, fundamentado na concepção de produtos mais amigáveis, adequados a consumidores com limitações fisiológicas. Em segundo lugar, o avanço de técnicas e tecnologias que viabilizam ou aprimoram a aplicação, em diferentes tipos de embalagem, do sistema de leitura tátil para cegos, criado no século 19 pelo francês Louis Braille.

Baseado em pontos gravados em alto relevo (ver quadro na pág. 19), o braile tem uso primordial e mais difundido em papéis, com fins de educação, sinalização e comunicação em geral. Não surpreende, assim, que as adoções iniciais e mais amplas em packaging tenham ocorrido em embalagens celulósicas – por meio de técnicas que, grosso modo, automatizaram o processo manual de marcação, realizado com o auxílio de instrumentos chamados reglete (placa de metal com orifícios, que funciona como um gabarito) e punção (espécie de agulha com extremidade arredondada). Hoje, gravações indus-

triais em cartuchos de papel cartão, por exemplo, são geralmente realizadas em equipamentos de corte e vinco, com o auxílio de clichês de metal. Uma abordagem apontada como vantajosa, e que ganha espaço no mercado, é a aplicação do braile em etapa posterior, no equipamento de dobra e colagem. A Congraf, de São Paulo, já atua com esse processo. A empresa adquiriu uma dobradeira-coladeira, da suíça Bobst, que garantiria maior qualidade, maior produtividade e menor custo na produção de cartuchos com braile. “A aplicação durante o corte-vinco demanda acerto dos clichês de braile em termos de pressão e linearização do relevo”, explica Sidney Anversa Victor Junior, diretor industrial da gráfica. “Dependendo do formato da folha de impressão e do número de embalagens por folha, todos os clichês precisam de análise e ajuste, o que ocasiona muitas paradas da máquina para regulagem.” As retenções ocasionam, naturalmente, um ônus repassado aos clientes. Já a nova dobradeira-coladeira dispõe de mecanismos de ajuste do clichê e de calibração automática, que reduzem sensivelmente o tempo de setup. “O acerto é muito rápido”, diz o executivo da Congraf, que evita especificar o ganho de velocidade obtido com o novo equipamento. “Além disso, a máquina


verifica em linha se o braile foi aplicado de forma correta.” A aposta é de que a nova tecnologia gere mais adesões de segmentos para além do farmacêutico. Segundo Victor Junior, clientes dos campos de cosméticos, higiene pessoal, alimentos e eletroeletrônicos já solicitam cartuchos com braile, mas em quantidade modesta. “Não chega a um quarto dos pedidos”, estima.

Sadia utiliza braile em todos os cartuchos e até mesmo na bandeja de fatias de pizza para micro-ondas

Outra destacada produtora de cartuchos, a Brasilgrafica, afirma trabalhar também com o método de inscrição de braile na fase de dobra e colagem. “Não há custo nem prejuízo da produtividade”, assegura o coordenador de marketing Célio Coelho de Magalhães. Segundo o executivo, o recurso é um complemento saudável. “É algo que diz respeito à responsabilidade social e que esperamos seja cada vez menos uma preocupação exclusiva das grandes

Globoplast tem método para incluir braile no corpo de bisnagas. Vizcaya aderiu à solução

18 | Março 2013

empresas”, diz. Entre as grandes apoiadoras das embalagens com braile está a Sadia. A empresa afirma ser pioneira mundial no uso de cartuchos de papel cartão com braile na seara dos alimentos, ação encetada no começo da década passada a partir de uma sugestão de um funcionário cego. No final de 2009, a empresa protagonizou outra inovação, ao adotar uma bandeja plástica com braile para as fatias de pizza congelada da linha Hot Pocket. O relevo é obtido a partir de uma inscrição no molde do recipiente. “Foi um desafio e tanto executar esse projeto, pela precisão exigida na moldagem”, declara Eudes Dias Bicalho, diretor comercial da Emplal, fabricante da embalagem. O executivo reporta que, embora a iniciativa tenha servido para comprovar a viabilidade do braile na termoformagem de polipropileno, não atraiu interesse de outros clientes. O uso isolado das bandejas com braile contribui para a sensação de que, se certas companhias veem o braile com empenho e disposição inovadora, a ausência de rigor mandatório desestimula adoções mais amplas. Um exemplo vem do próprio campo da termoformagem. Johannes Mayer, diretor da operação brasileira da alemã Uhlmann, grande fabricante de equipamentos

para o acondicionamento de comprimidos, confirma ser possível acrescentar braile a blisters, durante o processo de moldagem nas máquinas form-fill-seal. “Bastaria haver mais espaço nas embalagens”, informa. Mayer diz desconhecer, porém, laboratórios que adotem tal solução (assim como a norma brasileira, leis sancionadas em outros mercados obrigam medicamentos a terem braile somente na embalagem secundária.). Seria um uso teoricamente aprimorado, por evitar dissociações entre a embalagem e o produto contido. No rol de soluções para a provisão de informações para cegos em embalagens primárias, uma novidade é da Globoplast. A convertedora desenvolveu um método de formação de pontos em relevo nas “paredes” de bisnagas feitas de polietileno. Com apoio técnico da Gráfica e Bureau Laramara, unidade de negócios da entidade homônima que assiste deficientes visuais, bisnagas com dizeres em braile foram encampadas pela Vizcaya em sua linha Botanique de produtos para cabelos. A iniciativa faturou um dos troféus da edição 2012 do prêmio Grandes Cases de Embalagem. Em que pesem avanços assim, nem sempre é possível obter embalagens com braile integrado diretamente. Além de


barreiras técnicas relacionadas a propriedades de materiais e de processos de transformação, há também o aspecto econômico. Nem todas as companhias têm condições de investir em moldes exclusivos para exibir, em braile, dados particulares como marca, sabor, meio de contato com um serviço de atendimento ao consumidor, prazo de validade. E parece fazer pouco sentido ter-se braile em recipientes standard, de uso irrestrito, capazes de ostentar somente dados genéricos. A saída pode ser a decoração.

Como funciona o braile

No mercado de bisnagas plásticas, a C-Pack disponibiliza há quase dois anos uma opção de braile aplicado por meio de decoração serigráfica. “Isso permite que um deficiente visual consiga distinguir facilmente uma bisnaga de xampu de uma de condicionador”, exemplifica Fabio Yassuda, diretor comercial da fornecedora. Até agora, porém, não houve quem apostasse na solução. Abordagens semelhantes, de aplicação do braile através da impressão em vez da gravação por relevo, podem ser também trabalhadas na confecção de rótulos autoadesivos. Isso é possível com o uso da serigrafia, sistema disponível em diversas convertedoras. Nome importante dessa área, a Baumgarten afirma deter tecnologia especial de serigrafia rotativa capaz de realizar as inscrições. José Luiz Litvay, gerente de produto da convertedora, diz que, grosso modo, o processo é feito com pingos de tinta de camada elevada. “Por isso, o bobinamento exige cuidado espe-

CCl Label tem técnica de envernizamento para gravar braile em rótulos

C-Pack oferece bisnagas com braile formado por meio da serigrafia

cial”, alerta. Haveria clientes usuários do recurso, mas Litvay diz não ter autorizações para identificá-los. Caminhos que soam promissores para a inclusão de braile em adereços são métodos especiais de envernizamento. A canadense CCL Label, player de peso no mercado brasileiro de autoadesivos, afirma ter desenvolvido um método desse gênero “bem mais flexível do que o silk screen e a gravação de relevo”. Nesse mesmo campo dos rótulos, a impressão digital soa promissora para

O braile surgiu da modificação de um código criado por Charles Barbier, capitão do exército francês no início do século 19, para a leitura de mensagens pelo tato, durante a noite, sem o risco de expor posições a soldados inimigos. Cego desde os três anos, devido a um acidente sofrido na oficina de seu pai, selador de cavalos, Louis Braille realizou ajustes no método de Barbier e lançou seu sistema em 1829. Graças à simplicidade e à eficácia, o braile se popularizou. Cada caractere é expresso pela marcação, em alto relevo, de pontos dispostos em grupo de seis pontos, formado por duas colunas com três pontos. Esse conjunto, chamado de cela, permite a constituição de 63 símbolos diferentes, utilizados para representar letras, números, sinais de pontuação e notas musicais (ver a imagem). A leitura do sistema é feita da esquerda para a direita. Para a escrita, existem hoje programas de computador para verter textos no alfabeto ocidental para o braile, assim como impressoras domésticas capazes de gravar os pontos em relevo. A aplicação específica em embalagens requer alguns cuidados. No caso de gravações mecânicas (geralmente feitas com auxílio de clichês de metal) e na reprodução por meio de detalhes em moldes, é complicado – e oneroso – trabalhar com muitas variações dos dados. O uso de textos longos, embora factível em áreas generosas, não é recomendado. Outras atenções dependem do tipo da embalagem. Celio Coelho de Magalhães, coordenador de marketing da Brasilgrafica, fornece um exemplo relativo aos cartuchos de papel cartão. “O braile não deve ser posicionado a menos de 5 milímetros dos vincos”, alerta o profissional. Mais detalhes podem ser obtidos junto aos fornecedores de embalagens e a entidades que prestam consultoria sobre o assunto, como as fundações Dorina Nowill e Laramara.

Alfabeto braile a b c d e f g h

i

j k l m n o p q r s t u v w x y z ç á

é

í

ó

ú

â

ê

ô

ü

õ

ã

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sinal de Nº

com este sinal na frente, as letras são entendidas como números até o próximo espaço. exemplo

1

equivalência de letras e números a=1 f=6 b=2 g=7 c=3 h=8 d=4 i=9 e=5 j=0

Março 2013 |

19


o braile, pela maleabilidade resultante da isenção do uso de matrizes. A sueca Convertec, por exemplo, já comercializa uma máquina de impressão e revisão com esse fim, intitulada Braillemaker One. A impressão é feita por meio de vernizes especiais, transparentes. No flanco dos rótulos termoencolhíveis, a oferta de trabalho com braile já foi oficializada pela Sleever International. A empresa de origem francesa, atuante no Brasil, diz ter elaborado um método exclusivo para a marcação de braile em filmes plásticos. O recurso evitaria distorções indesejáveis após a etapa de contração e amoldamento dos rótulos nos recipientes de destino, processo capaz de ser realizado em túneis de vapor ou de raios infravermelhos. As inscrições em braile resistiriam, inclusive, à abrasão. Na Itália, o laboratório Meda já utiliza a solução nos frascos em que são envasados seus antissépticos Bétadine. Vinícola gaúcha integrante do grupo Miolo, a Lovara oferece, desde 2007, seus vinhos premium Gran Lovara numa garrafa de vidro cujo rótulo de papel couché, confeccionado pela Gráfica Reúna, traz em braile informações

Lovara irá ampliar uso de rótulos com braile para vinhos

20 | Março 2013

embalagens cartonadas da empresa, o profissional classifica a ação como positiva. “Não tivemos aumento de custo e acreditamos que os consumidores, assim como seus familiares, se sentiram mais valorizados. Isso não tem preço.” Sleever criou solução para inserir pontos em relevo em rótulos termoencolhíveis

Equipamento sueco faz marcações em braile por meio da impressão digital

Sem perda dos dados sobre procedência, safra, tipo de uva e tempo de envelhecimento. A criação dos adereços coube à Zorzo Design Estratégico. “É uma ação de inclusão social que não tem custo significativo e que gerou uma repercussão muito positiva”, afirma Henrique Benedetti, diretor da Lovara. Segundo o empresário, os produtos receberam centenas de elogios em redes sociais e no canal de telemarketing da Miolo. “Gostamos tanto do resultado que estenderemos o atributo a novos produtos no segundo semestre”, anuncia Benedetti. O balanço da Sadia (BRF) também contribui para a sensação de que apostar no braile vale a pena. “No início, achávamos que o braile seria útil principalmente no momento da compra do produto, no ponto de venda”, comenta Alvaro Azanha, consultor técnico de inovação na diretoria de tecnologia da BRF. “Entretanto, vimos que ela exercia um importante papel no uso doméstico. Antes, um deficiente visual provavelmente só conseguiria identificar um prato pronto após o aquecimento, pois as embalagens de nossas opções são idênticas.” Segundo Azanha, a empresa recebeu inúmeros elogios por meio de seu Serviço de Atendimento ao Consumidor. Passados dez anos desde o início da implantação do braile, hoje presente em todas as

Na Itália, a Sanofi Aventis encontrou uma maneira de impedir que a embalagem secundária de seu antiácido Maalox Plus, dotada de informações em braile, seja dissociada da embalagem primária, isenta de dados para cegos. A empresa passou a acondicionar o produto na Burgopak, solução criada por uma empresa britânica homônima. Consiste em um blister deslizante colocado dentro de uma luva de papel cartão – e que desta não pode ser completamente extraído, graças a uma trava interna. O braile fica gravado somente na peça externa.

Em antiácido, braile e blister são inseparáveis

Baumgarten (47) 3321-6666 www.baumgarten.com.br

C-Pack (11) 5547-1299 www.c-pack.com.br

Globoplast (11) 4156-8400 www.globoplast.com.br

Bobst (11) 4534-9300 www.bobst.com.br

Congraf (11) 3103-0300 www.congraf.com.br

Gráfica e Bureau Laramara (11) 3663-0016 www.graficalaramara.com.br

Brasilgrafica (11) 4133-7777 www.brasilgrafica.com.br

Convertec +46 (31) 336-3090 www.convertec.se

Gráfica Reúna (54) 3441-9200 www.reuna.com.br

Burgopak +44 (20) 7089-1950 www.burgopak.com

Emplal (11) 3795-5000 www.emplal.com.br

Uhlmann (12) 3958-2400 www.uhlmann.de

CCL Label (19) 3876-9300 www.ccllabel.com.br

Fundação Dorina Nowill (11) 5087-0999 www.fundacaodorina.org.br

Zorzo Design Estratégico (51) 3022-3200 www.zorzoweb.com


entrevista

A Vapza é um bom exemplo de como tecnologias de embalagem podem fundamentar negócios. Dezoito anos atrás, a empresa surgiu com uma ideia até então (e ainda hoje) pouco explorada no mercado brasileiro: a oferta de alimentos embalados a vácuo em bolsas plásticas submetidas ao cozimento por vapor – que, graças a isso, adquirem validade prolongada, de até um ano e meio, dispensando refrigeração e sem o uso de conservantes. O início se deu com legumes escoados para restaurantes e merendas escolares. A partir de 2009, o varejo passou a ser valorizado. Aos vegetais somaram-se lançamentos de carnes e pratos prontos, como arroz integral, feijoada e canjica. Bons resultados, bafejados pela maior procura por produtos de apelo natural, permitiram uma recente reestruturação da fábrica, situada em Castro (PR). O output mensal saltou de 600 toneladas para 1 100 toneladas. Agora, a Vapza tem por objetivos difundir ainda mais sua proposta de embalagem entre consumidores e o comércio, diversificar a produção e investir nas exportações. É o que conta Andressa Miranda, gerente de marketing e comunicação da companhia, na seguinte entrevista.

Produtos com sabor diferente Empresa paranaense quer abrir novas frentes de consumo para seus alimentos, cozidos a vapor, sob vácuo, em embalagens plásticas. Andressa Miranda, gerente de marketing da Vapza, fala dos desafios e tradições a superar

24 | Março 2013

A Vapza afirma utilizar tecnologia francesa, variante do processo sous vide, para o cozimento a vapor de carnes e vegetais acondicionados sob vácuo em bolsas plásticas. Que benefícios essa tecnologia oferece? O processamento e a embalagem são nossos grandes diferenciais. A tecnologia que utilizamos nos permite dispensar o uso de conservantes ou quaisquer aditivos químicos. Resultado: alimentos totalmente benéficos à saúde. Nossos vegetais combinam conveniência, uma vez que são descascados, cortados, cozidos e esterilizados, com apelo natural, pois a operação preserva todas as propriedades e todas as características sensoriais: cor, textura e, mais importante, sabor. Os nutrientes não são perdidos. No caso dos pratos prontos, a oferta de praticidade é ainda maior.


Os produtos da empresa concorrem com alimentos refrigerados, congelados ou em conserva, mais familiares ao brasileiro. O que a Vapza tem feito para tornar sua proposta mais conhecida? Por questão de estratégia de negócio, ainda não investimos em publicidade ostensiva, em comerciais de tevê, por exemplo. Priorizamos, até agora, investimentos na produção. Agora estamos em um momento de aportes em distribuição e equipe comercial. Depois, numa terceira fase, queremos entrar em campanhas de mídia de massa. Por enquanto, nossos trabalhos estão focados no ponto de venda. Realizamos muitas degustações em lojas, com promotoras abordando consumidores, explicando a tecnologia e suas vantagens. O fato de os produtos serem saudáveis, naturais e saborosos, mesmo sendo processados, é utilizado em materiais de apoio, em cursos e workshops que promovemos, em nossa comunicação nas redes sociais da internet.

A distribuição é também facilitada pelas características intrínsecas das embalagens? Sem dúvida. A logística não é muito complexa, porque a armazenagem, o transporte e o manuseio dos produtos são facilitados pelas embalagens plásticas. Fizemos um comparativo que comprovou que uma mesma produção de alimentos acondicionada em vidro e em lata precisaria, respectivamen-

te, de 2 632 e 2 500 caminhões de embalagens. No nosso caso, o mesmo volume de produção seria feito com 110 caminhões de embalagens. A economia em transporte é significativa. Nossa embalagem é aproximadamente 25 vezes mais leve que as demais utilizadas para produtos em conserva. No passado, a empresa oferecia seus produtos para o varejo diretamente

As embalagens são utilizadas como mídia nesse sentido? Sim. Elas apresentam alguns selos que procuram reforçar a comunicação dos atributos essenciais dos produtos: a embalagem a vácuo, o cozimento a vapor, o apelo natural e a desnecessidade de refrigeração. Precisamos utilizar todos os recursos possíveis, porque realmente muitos consumidores ainda desconhecem nosso conceito. É comum ouvirmos: “Como é possível um frango ficar fora da refrigeração e ter uma vida tão longa?” Qual é o shelf life dos produtos? Temos produtos com seis a dezoito meses de vida de prateleira. Depende do item. Os vegetais que contêm amido, como as batatas e a mandioquinha, têm seis meses de validade. Os feijões e a canjica, por sua vez, duram nove meses. Já as carnes têm shelf life de dezoito meses. O atributo longa vida é muito positivo. Facilita a entrega em todas as regiões do País ou mesmo fora dele.

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mercadológica. Entendemos que o cartucho permite uma apresentação mais bonita, com fotos mais impactantes dos produtos. O varejo tem exposto os produtos da empresa de forma apropriada? Nossa estratégia é posicionar os produtos na seção de hortifrutigranjeiros dos supermercados, para transmitir com mais força o conceito de alimentos naturais, isentos de conservantes. Procuramos evitar ao máximo que nossos produtos sejam equivocadamente expostos em balcões refrigerados – o que umedece e compromete a embalagem – ou mesmo que fiquem próximos deles, para não passar uma impressão errada ao consumidor. Anos atrás, quando ainda iniciávamos no varejo, os supermercadistas colocavam os produtos onde achavam espaço, até por falta de intimidade com o conceito. Era complicado. Há mais ou menos dois anos começamos a trabalhar trade marketing, em busca de padronização. Investimos em trabalho de campo, com contratação e treinamento de equipes

Números da Vapza 18 anos tem a empresa 1 fábrica, situada em Castro (PR) 47 milhões de reais foi o faturamento em 2012 1 100 toneladas é a produção mensal da companhia 41 itens oferecidos – 19 para food service e 22 para o varejo 56% da receita provêm do food service (43,1% do varejo e 0,9% de exportações) terceirizadas de promoção e o desenvolvimento de novos materiais de apoio no ponto de venda, para a setorização de nossa marca. Melhorou muito. Que efeito essas ações tiveram no desempenho comercial da empresa?

fotos: carlos curado

Bolsas plásticas chegam ao varejo acomodadas em cartuchos de papel cartão. Janela (acima) permite visualizar a embalagem primária

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FONTE: VAPZA | MARÇO 2013

nas bolsas plásticas (pouches) em que são processados. Depois, passou a acomodar essas embalagens em cartuchos de papel cartão. Por quê? Quando trabalhávamos somente com a embalagem flexível, tínhamos alguns problemas de microfuros. A embalagem é resistente, mas qualquer microfuro provoca a perda do produto, por oxidação. Decidimos adotar uma luva de papel cartão, com formato de meio-cartucho, para acomodar os pouches. Mas constatamos acúmulos de sujeiras nesse envoltório, devido à falta de higiene nos estoques de certos supermercados. A saída que encontramos foi o uso do cartucho fechado. O primeiro modelo não era lacrado. Muitos consumidores abriam a embalagem, tiravam a bolsa plástica, manuseavam-na, muitas vezes a apertavam e a amassavam. Isso ocasionava devoluções. Por isso, revisamos a caixa. Agora ela é vedada com uma cola no topo e na base, mas tem uma janela no verso, para permitir que o consumidor visualize a embalagem primária sem comprometer o produto. Houve, ainda, uma motivação


Nossa estratégia é posicionar os produtos na seção de hortifrutigranjeiros, para transmitir com mais força o conceito de alimentos naturais, isentos de conservantes

Não divulgamos muitos números. Mas posso dizer que as vendas no varejo têm crescido de forma bastante expressiva. No Paraná, por exemplo, elas cresceram 300% no último ano. O varejo já representa 43,1% de nosso faturamento, que em 2012 alcançou 47 milhões de reais. Até três anos atrás, os negócios eram fortemente voltados ao food service e à linha institucional – licitações de órgãos públicos, merenda escolar, Exército. A linha de consumo é relativamente nova. E acaba sendo uma vitrine para o food service. A abrangência é difícil de calcular, mas acredito que já estejamos em quase 5 000 pontos de

venda no País. São grandes redes de supermercado, mercados de bairro e até lojas de conveniência. Há planos de atuar em outros segmentos? Temos alguns projetos específicos para redes de franquias, cadeias de fast food. Queremos aprofundar esse atendimento. Apostamos também nas exportações. Hoje elas representam apenas 0,9% de nosso faturamento, mas a meta é chegar a 8% em curto prazo. Já enviamos produtos para Angola, Panamá, Hong Kong, França e Estados Unidos. Em 2012, nossa fábrica foi habilitada

a exportar produtos à base de carnes e aves para a União Europeia e credenciada pelo FDA (Food and Drug Administration) para exportar para os Estados Unidos. No Brasil, nosso forte são as regiões Sul e Sudeste. Queremos crescer no Centro-Oeste e no Nordeste. A empresa é atendida satisfatoriamente pela indústria local de embalagens? Os equipamentos que utilizamos são importados. No início, importávamos o material das embalagens flexíveis, que é de estrutura complexa e que não tinha oferta local. Ultimamente, empresas nacionais, que preferimos não identificar, têm nos atendido de maneira satisfatória em relação a esse insumo, tanto em qualidade quanto em custo. Hoje, só recorremos a importações em casos mais específicos ou de urgência. Quanto aos cartuchos, não há qualquer problema. Temos bons parceiros no mercado.


Investimentos

Produção no Brasil ITW inaugura fábricas da Hi-Cone e da Zip-Pak

Hi-Cone e Zip-Pak , ambas da ITW, funcionam, no mesmo espaço físico em Cabreúva (SP)

Líder mundial em tecnologia de zíperes para embalagens flexíveis, a Zip-Pak, empresa do grupo americano ITW, inaugurou no dia 13 de março sua fábrica no Brasil, localizada em Cabreúva (SP). A partida oficial do empreendimento foi marcada por um evento que contou com a presença de clientes, parceiros e da diretoria global da empresa. Segundo o diretor comercial da Zip-Pak no Brasil, Daniel Richena, com a produção local os zíperes passam a ter preço muito mais competitivo. “Mas os benefícios para os usuários não se restringem a custos, pois todo o suporte em atendimento e serviços fica mais ágil”, explica o executivo. “Apostamos no crescimento de aplicações de conveniência nas embalagens brasileiras, e por isso decidimos construir aqui a oitava planta da Zip-Pak no mundo.”

A Hi-Cone, divisão da ITW que fabrica embalagens multipack, também inaugurou oficialmente, na semana anterior, sua fábrica, que funciona no mesmo espaço físico da Zip-Pak. Segundo o gerente geral da ITW Hi-Cone, João Eder, “a indústria tem capacidade para atender o mercado nacional de latas de alumínio para bebidas e de garrafas de PET”. A fábrica produzirá multiembalagens para quatro, seis, oito, nove, dez, doze ou quinze latas. A embalagem possui uma alça que, além de proteger as latas durante o transporte, substitui

28 | Março 2013

Carrier da Hi-Cone é alternativa a filmes shrink

Produção local da Zip-Pak deve tornar preço de zíperes mais competitivo

os filmes shrink. De acordo com a HiCone, a embalagem tem vantagem de redução de custos diretos e indiretos, com uso de menos material na produção e o fim do túnel de encolhimento utilizado nos shrinks, além de possi-

bilitar a exposição das latinhas com a arte voltada para o consumidor no ponto de venda, graças ao uso de um sistema computadorizado que orienta as latas automaticamente na hora do agrupamento.


Doces

Rápido e prático Novo sistema de embalagem aumenta produtividade no envase de pastas para decoração de bolos

A Arcólor

renovou as embalagens de suas pastas para confeitaria artística. Antes acondicionados em bolsas plásticas protegidas por cartuchos de papel cartão, os produtos à base de açúcar – utilizados para confecção e acabamento de bolos decorados – agora são vendidos em bandejas termoformadas. O envase das pastas é feito por transferência automática da extrusora para dentro da embalagem de APET

(PET amorfo, ou seja, sem orientação e de baixa cristalinidade) grau alimentício em uma máquina termoformadora da Multivac, eliminando qualquer contato manual e aumentando substancialmente o volume de produção. No mesmo equipamento a Arcólor produz três formatos de embalagem: 500 gramas, 800 gramas e dois quilos. “Desenvolvemos um design inovador, em que o produto é envasado

na termoformadora logo após o fundo ser formado em chapa de APET rígido”, afirma Thiago Ribeiro, gerente de operações da Formato IB, agência responsável pelo design das embalagens. “O produto agora pode ser exposto na posição vertical, utilizando a própria estrutura da embalagem como base de sustentação”, explica o profissional. “Isso garante uma exposição de forma mais clara e direta.”

Design

Formato IB (19) 3722-5764 www.formatoib.com.br Embalagens

Multivac (19) 3251-8818 br.multivac.com

s curad foto: carlo

o

Produtos são acondicionados por sistema automático em recipiente capaz de ficar em pé

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especial

A partir desta edição, EmbalagemMarca inicia um levantamento de progressos e novidades acerca dos chamados 3R para o desenvolvimento de embalagens mais amigáveis ao ambiente: Redução, Reutilização e Reciclagem. Neste número, o foco é a redução, centrada nas conquistas do mercado em termos de aliviamento do peso de invólucros. Nesta série não serão tratadas diminuições obtidas por meio de trocas de materiais e sistemas de embalagem. Sugestões para as próximas abordagens podem ser submetidas à redação pelo e-mail redacao@embalagemmarca.com.br.

Menos massa, mais alívio Redução do peso de embalagens se acentua em diversos segmentos, poupando custos, tempo e emissões de poluentes Por Guilherme Kamio

Pressão por cortes de custos, ante o achatamento das margens de lucro e o aumento da concorrência. Pressão por operações mais sustentáveis, insuflada por exigências do varejo e da sociedade em geral. Vivido nos últimos anos pelos mais diferentes produtores de não-duráveis, esse contexto transformou a redução do peso de embalagens numa grande oportunidade para a indústria do packaging. A demanda é naturalmente maior entre fabricantes de produtos de altíssimo giro, como alimentos e bebidas. Para eles, qualquer alívio no consumo de materiais de embalagem, por mais sutil que possa parecer, é capaz de gerar uma economia enorme. “Em produções de bilhões de unidades por ano, um ou dois gramas a menos no peso de cada invólucro resulta em toneladas de matéria-prima e centenas de milhares de reais poupados”, observa Silvio Rotta, diretor comercial da Krones, grande fornecedora de equipamentos para linhas de envase de bebidas. No caso das garrafas de PET, as embalagens utilizadas no Brasil “emagreceram”, em média, 20% nos últimos trinta anos. Uma garrafa para 2 litros de refrigerante, por exemplo, pesava cerca de 60 gramas no início da década de 1990 – descontado o peso das bases plásticas (base cups) então utilizadas para prover sustentação aos recipientes. Hoje, já são comuns exemplares 30 | Março 2013

com 44 ou 46 gramas. Recentemente, a Coca-Cola estabeleceu um marco importante em termos nacionais com a adoção, para a água mineral Crystal, de uma garrafa de 500 mililitros pesando somente 12 gramas. Embalagens de PET utilizadas para o mesmo fim têm peso entre 16 e 18 gramas. Avanços como esses foram possíveis graças a evoluções em equipamentos, na produção de pré-formas e também dos sistemas de fechamento. De cinco anos para cá, a transição para um novo padrão de terminação das garrafas de PET, o PCO 1881, garantiu a disseminação de tampas plásticas de rosca menores, desenvolvidas por fornecedores como America Tampas, Bericap, CSI, Garboni e Mirvi. Isso garantiu um decréscimo ainda maior da massa total dos recipientes.

Garrafa de PET pesando 12 gramas, para meio litro de água mineral: um marco recente e importante

A lata de alumínio para bebidas não escapou à tendência do afinamento. Renault Castro, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas), recapitula avanços históricos. “No início da década de 1970 produziam-se 49 latas de 350 mililitros com 1 quilo de alumínio”, situa o executivo. “Cerca de vinte anos depois, novas tecnologias permitiram produzir 64 latas com a mesma quantidade de metal. No final da década de 1990 chegamos ao nível atual, de 73 latas obtidas com 1 quilo de alumínio.”


Trinta anos atrás, 1 quilo de alumínio originava 49 latas de 350 mililitros. Hoje, a mesma quantidade de material rende 73 recipientes

No flanco vizinho, o das embalagens de aço, Thaís Fagury, gerente executiva da Associação Brasileira da Embalagem de Aço (Abeaço), assinala que nos últimos vinte anos as latas do setor sofreram um abatimento médio de peso da ordem de 40%. A produção de corpos de latas para alimentos em conserva, por exemplo, transitou nos últimos anos do emprego de chapas de 0,21 milímetro de espessura para as de 0,16 milímetro. “Houve redução de mais de 15% no peso específico de cada embalagem, acarretando menor peso de transporte, redução de emissões durante a operação logística e redução no valor da folha de aço para embalagem”, comenta Thaís. Conforme a executiva, já estão em teste na Europa folhas de 0,10 milímetro para latas de conserva, “o que é um enorme avanço.”

Em termos de soluções para a indústria química, a gerente executiva da Abeaço destaca o Barricaço, barrica de aço para massas e revestimentos de paredes desenvolvida pela Brasilata a partir de folha de aço com espessura de 0,22 milímetro. O balde convencional de aço, embalagem em que o novo modelo é inspirado, utiliza folha de aço de 0,34 milímetro, sendo 35% mais pesado. “É um recipiente mais leve e mais barato, porém com as mesmas características de proteção e segurança das latas de aço convencionais”, considera Thaís Fagury. A novidade, já utilizada pela Tintas Anjo, foi uma das vencedoras da edição de 2012 do prêmio Grandes Cases de Embalagem. Avanços significativos em aliviamento também se sucedem nas embalagens de vidro – material cujo peso intrínseco infunde percepção de valor, mas que, pelo ônus causado ao transporte, pode ser considerado prejudicial

para a competitividade de produtos que brigam por preço. Há três anos a Verallia, divisão de embalagens de vidro da multinacional francesa Saint-Gobain, oferece no Brasil uma linha de garrafas de peso reduzido,

Brasilata desenvolveu o Barricaço, barrica de aço produzida com chapa fina. Solução é utilizada para a venda de massa corrida


a Ecova. Graças a aprimoramento no controle dos parâmetros de produção como condicionamento do vidro, refrigeração e desenvolvimento de novos moldes, a empresa desenvolveu garrafas entre 10% e 15% mais leves e com redução média de 15% na emissão de CO2 durante o processo produtivo.

Até poucos meses atrás, a Verallia oferecia uma garrafa de 750 mililitros do tipo Bordeaux (bordalesa), para vinhos, pesando 450 gramas. Um novo exemplar, lançado meses atrás sob o conceito Ecova, tem 370 gramas. Recipientes dessa estirpe já são utilizados por Salton, Aurora e Miolo, entre outras vinícolas nacionais. Outras embalagens de peso aliviado foram adotadas pela Ambev e pela Casa di Conti, no segmento de cervejas, e pela Petrópolis Paulista, no ramo de águas. Grosso modo, afirma Catarina Peres, coordenadora de marketing e desenvolvimento de novos produtos da Verallia, as novas garrafas de menor peso permitem embarcar um palete a mais por caminhão, reduzindo em até 6% a emissão de CO2 no transporte do produto final. “Em um caminhão com trinta paletes de garrafas de vinho, são mais de mil garrafas adicionais”, exemplifica a profissional.

A Owens-Illinois, outra importante fornecedora de embalagens de vidro, também trabalha uma família de garrafas de peso reduzido. Chamada Leve+Verde, a linha já conta com usuários em segmentos como cervejas, vinhos e destilados. A Brasil Kirin (antiga Schincariol), por exemplo, beneficiou-se dessa plataforma ao lançar, em 2012, uma versão de 250 mililitros da cerveja Nova Schin numa garrafinha de apenas 147 gramas. De acordo com dados extraoficiais (a empresa alegou indisponibilidade para atender a reportagem), esforços recentes da OwensIllinois permitiram reduzir o peso da garrafa KS de 290 mililitros da CocaCola de 372 gramas para 273 gramas. A long neck do coquetel Smirnoff Ice, por sua vez, que já pesou 200 gramas, hoje pesaria 166 gramas. É possível abater ainda mais o peso das embalagens? No caso das latas de alumínio, Renault Castro, da Abralatas, entende que a indústria chegou a um limiar, cuja superação provavelmente acarretaria prejuízo ao desempenho. Thaís Fagury, da Abeaço, acredita em avanços, mas pondera que as metalgráficas dependem de desenvolvimentos de novas chapas pelas siderúrgicas. No que diz respeito às garrafas de

Garrafinhas da CocaCola e da cerveja Nova Schin: exemplos de produtos beneficiados por aliviamentos das vidrarias

PET, Silvio Rotta garante que desbastes mais radicais são tecnicamente factíveis. O diretor da Krones lembra que a empresa anunciou pouco tempo atrás, na Europa, a criação de protótipos ultraleves, como um recipiente de apenas 6 gramas para o acondicionamento de meio litro de água. Baterias de testes comprovaram a conformidade desses recipientes aos processos fabris e de distribuição. Rotta reconhece, entretanto, que invólucros desse tipo podem

Emagrecimento geral (reduções de peso ocorridas no mercado brasileiro; variáveis no tempo para cada material)

Garrafa de vidro para vinhos (750 mililitros) Quanto já pesou:

450 gramas

Quanto pesa hoje:

370 gramas

Lata de alumínio para bebidas (350 mililitros) Quanto já pesou:

20,4 gramas

33%

Quanto pesa hoje:

13,7 gramas

Garrafa de PET para refrigerantes (2 litros) Quanto já pesou:

60 gramas

32 | Março 2013

27%

Quanto pesa hoje:

44 gramas

fonte: arquivo EmbalagemMarca

Salton já utiliza novo modelo de garrafa bordalesa para vinhos, produzida pela Verallia com carga reduzida de vidro

18%


sofrer ressalvas do ponto de vista do marketing. “Garrafas de PET muito leves necessitam de estrias e frisos como reforço estrutural, que podem ser considerados indesejáveis em termos visuais”, nota o executivo. “Ademais, pode surgir o receio de que o consumidor interprete um aliviamento mais radical como uma depreciação do produto.”

No caso das embalagens de vidro, Catarina Peres, da Verallia, afirma que aliviamentos mais severos são possíveis de modo geral, mas que devem ser estudados caso a caso. Tudo depende, é claro, da anuência do usuário da embalagem. “Com pequenas mudanças no shape (formato) é possível reduzir um pouco mais o peso”, aponta Catarina. “Mas é necessária a aprovação do cliente ou do mercado a que a inovação se destina.” Um ponto que não pode passar em brancas nuvens para as empresas usuá-

Krones desenvolveu embalagens ultraleves de PET para água. Desafio é agradar ao marketing das empresas usuárias

rias é que o aliviamento de embalagens pode causar implicações às linhas de acondicionamento, gerando a necessidade de ajustes ou mesmo uma atualização do parque fabril. Nos casos das garrafas de vidro e de PET, o investimento em linhas de envase mais eficientes e adequadas aos modelos mais leves é geralmente imperativo. Na opinião dos entrevistados, isso está longe de configurar um obstáculo penoso para as indústrias. Além do payback em curto prazo, devido a reduções no consumo de materiais e de custos com transporte, há mais fatores a se considerar. “Os clientes ganham também na linha de envase, pois o menor esforço assegurado pela redução de peso atenua a manutenção, e nas caixas de papelão e demais embalagens secundárias, que podem igualmente ter estrutura minorada, com consequente queda de custo”, lembra Catarina Peres, da Verallia. As vantagens parecem mesmo convincentes.

America Tampas (11) 2504-7000 www.americatampas.com.br Bericap (15) 3235-4500 www.bericap.com Brasilata (11) 3871-8500 www.brasilata.com.br CSI Closures (11) 4134-2593 www.csiclosures.com Engepack (11) 2149-8800 www.engepack.com.br Garboni (24) 2244-3300 www.garboni.com.br Krones (11) 4075-9500 www.krones.com.br Mirvi (11) 4409-0100 www.mirvibrasil.com.br Owens-Illinois (11) 2542-8084 www.oidobrasil.com.br Verallia (11) 2246-7402 www.verallia.com.br


Publicações

Força e entusiasmo Edição especial de Almanaque EmbalagemMarca tem resultados animadores. Novo volume já está em andamento

O lançamento da primeira Edição Especial de Almanaque EmbalagemMarca, em fevereiro último, serviu como amostra da força de penetração das ferramentas de comunicação oferecidas pela plataforma de conteúdo constituída pelas empresas irmãs Bloco de Comunicação e Ciclo de Conhecimento – com resultados animadores. O Almanaque, um dos componentes daquele conjunto de instrumentos, vem alcançando êxito de receptividade acima das expectativas dos editores, com seguidos pedidos de aquisição de exemplares. Um dos motivos desse sucesso pode ser atribuído à abordagem do tema de embalagens e marcas históricas de forma didática, mas descontraída e com alta atratividade de leitura. Isso foi constatado há bom tempo pela redação de EmbalagemMarca, que desde sua primeira edição, em junho de 1999, publica regularmente na última página a seção com o título Almanaque, se tornou uma das mais lidas da revista. Agora, atendendo pedidos de leitores, foi lançada esta Edição Especial, fruto de criteriosa seleção de notas publicadas ao longo dos últimos treze anos e enfeixadas num volume com 64 páginas, de lombada quadrada, formato 16cm x 23cm, que remete à idéia dos antigos almanaques editados por laboratórios farmacêuticos e que eram intensamente esperados pelos brasileiros. Acreditamos também que o atendimento do desejo das pessoas de ter em mão um volume assim explica em parte o êxito que o Almanaque vem atingindo. Consideramos ainda que a divulgação do lançamento desse volume tem a ver com a boa receptividade do público. Foi muito favorável, em elogios e em pedidos de exemplares avulsos, a resposta à veiculação de anúncios e outros informativos sobre a iniciativa, tanto na edição impressa da revista quanto na versão eletrônica disponível no site, em sua versão para iPad e para plataforma Android, no Facebook, no Twitter e na newsletter semanal eletrônica, sem falar no Almanaque em si. O fato é que a iniciativa “acertou em cheio”, como se costuma dizer. Tanto é que uma segunda Edição Especial de Almanaque EmbalagemMarca já está em preparação, com mais uma seleção de fatos curiosos e atraentes do universo das embalagens e das marcas no Brasil e no mundo. O lançamento será feito em breve, desta vez com maior número de notas inéditas.

Para comprar o seu exemplar, leia o código QR ao lado com seu smartphone ou acesse: almanaque.blog.br/edicao-especial

Empresas que participaram do projeto

34 | Março 2013


Varejo

Fácil, fácil Fita adesiva que serve como alça pode ser aplicada diretamente no varejo Já utilizada em países europeus, nos Estados Unidos, no Chile e na Argentina, a fita adesiva que é utilizada como alça começa a ganhar espaço no mercado brasileiro. A novidade, aqui, fica por conta do formato da fita, que pode ser aplicada manualmente nos pontos de venda, pelos próprios repositores. A fita, comercializada pela filial brasileira da canadense Edelstein RTI e batizada de Alça Fácil, pode ser aplicada em diversos tipos de embalagens, como caixas de papelão ou de papel cartão, multipacks de filmes plásticos, kits promocionais e embalagens de bebidas, entre outras. Os rolos contêm, geralmente, 100 alças, todas picotadas entre si, que são destacadas manualmente na hora da aplicação. A medida da alça, assim como a arte, são

determinadas pelo cliente, de acordo com a embalagem onde ela será aplicada. Segundo o fabricante, uma vantagem da Fita Alça Fácil é a sua resistência. Por ser fabricada com polipropileno orientado, apresenta grande poder de resistência à tração, garantindo que suporte carga de até 20 quilos. “Estamos com diversos novos projetos em andamento, em segmentos muito distintos, compreendendo desde ações promocionais de sucos de caixinhas de 1 litro até galões de tintas de 20 litros”, afirma Viviane Bernardo, coordenadora comercial da Edelstein. “Em recente projeto em parceria com a empresa Johnson Controls, a Fita Alça Fácil foi aplicada nas baterias automotivas Heliar, cujo peso é de 17,5 quilos”, conta a executiva.

Fornecida em rolos, fita Alça Fácil suporta até 20 quilos. Baterias Heliar, de 17,5 quilos, já utilizam o componente

emb.bz/163facil

Edelstein RTI (11) 4997-0753 www.edelstein-rti.com.br


Display O QUE HÁ DE NOVO NOS PONTOS DE VENDA

Edição: flavio palhares flavio@embalagemmarca.com.br

Perfumes

apelo de Bolinho As fragrâncias Napolitano Chic e Caramelo Divertido compõem a nova linha de perfumes Cupcake Me, da L’acqua di Fiori. As embalagens são inspiradas no bolinho americano. O frasco de vidro standard é revestido por duas camadas de EVA e fechado por uma tampa vermelha em formato de cereja, produzida com a resina Surlyn, da DuPont. É acondicionado em uma lata de aço cilíndrica, estampada com motivos alusivos a cupcakes. A criação é da equipe de marketing da L’acqua di Fiori e do designer da empresa, Abner Brito.

Resina (tampa)

DuPont (11) 4166-8000 www.dupont.com.br tampa

Incom (11) 4173-9900 www.incom.com.br enfeites de eva

MG Brindes (31) 3681-0900 www.mgbrindes.com.br frasco

SGD Brasil (11) 3883-4300 www.sgdbrasil.com.br

36 | Março 2013


Display O QUE HÁ DE NOVO NOS PONTOS DE VENDA

1 3

Rótulo

Propack (11) 4785-3700 www.propack.com.br

Cartuchos

Lavezzo (11) 3392-2555 www.lavezzo.com.br

Tampa

Rojek (11) 4447-7900 www.rojek.com.br

Frascos e tampas

Mega Essências (11) 3107-4734 www.megaessencias.com.br

Pote

Wheaton Brasil (11) 4355–1800 www.wheatonbrasil.com.br

Design

OM Design (11) 5661-6790 www.omdesigner.com.br

Óleos

Refrigerantes

Perfumes

Coco no vidro 1

Garrafinha como opção

Lírio sertanejo

A Ducoco está ampliando seu portfólio com o Óleo Ducoco acondicionado num pote de vidro de 200ml que se diferencia das habituais garrafas utilizadas nessa categoria de produto. O rótulo é termoencolhível, e a tampa, de aço. O design foi criado na Ducoco.

O refrigerante Fanta, da Coca-Cola, passa a ser oferecido em garrafinha de PET de 250 mililitros. De início, a novidade será distribuída pela Coca-Cola Femsa em bares do estado de São Paulo, com preço sugerido de 1 real estampado no rótulo.

2

A perfumaria baiana Lírio’s Parfum lança as fragrâncias 24 horas, associadas ao cantor sertanejo Léo Magalhães. Os frascos, de vidro, são acondicionados em cartuchos

Snacks 3

de papel cartão triplex com detalhes em hot stamping dourado. A tampa da versão masculina apresenta textura que simula o couro. A da versão feminina imita um diamante.

4

Design

3 Design Visual (11) 2157-2003 www.3designvisual.com.br Embalagens

2 Garrafa

Amcor Rigid Plastics Brasil (11) 4589-3000 www.amcor.com Rótulo

Converplast (11) 2462-1177 www.converplast.com.br Tampa

CSI Closures (11) 4134-2500 www.csiclosures.com

38 | Março 2013

Converplast (11) 2462-1177 www.converplast.com.br

Para petiscar

4

A Feinkost apresentou em fevereiro o snack Ptisq! em três versões, misturando frutas secas, castanhas e discos de chocolate. As embalagens flexíveis acomodam porções individuais de 35 gramas e 45 gramas.


Bebidas

Toque de ouro

5

Estreia no Brasil o primeiro licor fino de cachaça com flocos de ouro, de 23 quilates. É a Lord 79, combinação de cachaça, mel e casca de limão produzida pela empresa de mesmo nome, em Minas Gerais, e que traz em sua composição partículas comestíveis do metal. A marca faz referência ao elemento químico da tabela periódica número 79, o ouro. A bebida é acondicionada em garrafa de vidro serigrafada, fechada com tampa metálica de rosca.

5 Design

Indústria da Imagem (31) 3889-8192 www.industriadaimagem.com.br Tampa e decoração

Premier Pack (11) 4612-0756 www.premierpack.com.br Garrafa

Verallia (11) 2246-7214 www.verallia.com.br


Display O QUE HÁ DE NOVO NOS PONTOS DE VENDA

1 Rótulos

Baumgarten (47) 3321-6666 www.baumgarten.com.br Design

Designluce (11) 5096-1506 www.designluce.com.br Garrafas

Owens-Illinois (11) 2542-8084 www.o-i.com

3 Embalagens

Kamaro (46) 3220-1393 www.kamaro.ind.br

Bebidas

Dia e noite

1

A Cereser colocou no mercado a edição especial Night & Day da vodca Kadov. As garrafas são decoradas com duas opções de

rótulos termoencolhíveis: Kadov Night, com fundo azul, e Kadov Day, na coloração alaranjada. A produção é limitada a 60 000 unidades.

Cervejas

Alimentos

Bebidas

Ravache também em meia 2

Hambúrguer de peixe 3

Aperitivo jovem 4

A Nativ Pescados lança o Fish Burger, hambúrguer de peixe temperado, empanado e préfrito. O lançamento faz parte da linha Sabores do Mundo.

A tradicional indústria de bebidas Distillerie Stock desenvolveu uma nova embalagem de vidro para o aperitivo St. Remy, com o objetivo de rejuvenescer a marca. A empresa não informou de quem é o design nem quem fornece rótulo e tampa.

A cerveja Ravache Gold, da Refrigerantes Convenção, acaba de ganhar mais uma opção de embalagem. A cerveja passa a ser vendida em embalagens de 300 mililitros. A bebida já era acondicionada em garrafas de vidro descartáveis de 600 mililitros. O design é do marketing da Convenção.

2 Rótulo

Ral Print (19) 3838-8810 www.ralprint.com.br Garrafa

Verallia (11) 2246-7214 www.verallia.com.br

40 | Março 2013

4 Garrafa

Vidroporto (19) 3589-3199 www.vidroporto.com.br


Errata

A arte do rótulo do Suco de Uva Integral Reserva 1L, da Superbom (EmbalagemMarca nº 161, janeiro de 2013), foi criada pela Léo T Design. Léo T Design (11) 5575-2811 www.leot.com.br

sucos

Cilíndrica e cônica A Casa Madeira, grife de produtos gourmet da vinícola Famiglia Valduga, de Bento Gonçalves (RS), adotou nova embalagem de 1 litro para seus sucos de uva varietais. Fornecida pela Verallia, a garrafa de vidro é cilíndrica, cônica e tem o ombro acentuado, com o brasão da marca em relevo. Para atender ao for-

5

mato diferenciado, a garrafa apresenta novo rótulo, mas mantém a identidade da marca. O fechamento é feito com tampa metálica twist-off, da qual o nome do fornecedor não foi informado, assim como o do rótulo. O produto terá distribuição nacional e será exportado para a Argentina.

5 Garrafa

Verallia (11) 2246-7655 www.verallia.com.br

Agosto 2012 |

41


Almanaque Manteiga x margarina Em 1877, atendendo a um lobby da forte indústria de laticínios, que fabricava manteiga, a maioria dos estados americanos restringiu a produção de margarina. A rotulagem devia dizer claramente que não se tratava de manteiga. Restaurantes que utilizavam margarina eram obrigados a afixar um cartaz dizendo “Aqui se usa manteiga artificial”. A margarina amarela foi proibida: em vários estados, leis obrigavam os fabricantes a adicionar corantes cor de rosa, para que o produto parecesse intragável. Para vender o produto com a cor amarela as indústrias tinham de pagar pesadas taxas. O lobby deu certo: de 1877 a 1902, o consumo de margarina nos Estados caiu pela metade. Para aumentar as vendas, os fabricantes forneciam, junto com as embalagens, cápsulas de corante amarelo para ser misturado em casa à gordura vegetal rosa. Algumas leis restritivas à margarina só foram derrubadas no final da década de 1960. No estado de Winsconsin, o consumo do alimento em locais públicos foi proibido até 2011. Mesmo assim, o consumo de margarina é maior do que o de manteiga nos Estados Unidos desde 1957.

Anúncio da década de 60 da margarina amarela Parkay, da Kraft, avisava que produto estava à venda em 26 estados. Nos outros 24, só com o corante rosa

42 | Março 2013

Lavoisier (sentado) e Du Pont

Embalagens por gibis

Iguaria 100% brasileira Em forma de passa, embebidos em espessa calda, os Figos Ramy, da Cica – Companhia Industrial de Conservas Alimentícias, lançados em 1945 em latas cilíndricas semelhantes às de goiabada e marmelada, tornaram-se sucesso imediato de vendas. O produto ganhou status de iguaria fina, de suposta inspiração francesa (ou turca ou libanesa), devido ao nome. Na verdade, a designação foi adotada quando a empresa de Jundiaí (SP) resolveu industrializar uma receita que um empregado de uma cerâmica vizinha, pertencente à família proprietária da Fazenda Rami, preparava, para consumo restrito, no forno da fábrica. Depois que um de seus diretores provou o doce, a Cica contratou aquele funcionário, de nome Carlo, e um confeiteiro, e começou a produzir o que logo viraria item fino como sobremesa. Foi batizado com um “Y” no lugar do “I” da fibra rami que deu nome à fazenda onde nasciam os figos. A produção foi suspensa no final de 1980, devido ao elevado custo de industrialização.

Em 1982, o sabão em pó Omo fez uma promoção em suas embalagens com foco direto nas crianças: a tampa da caixa do detergente podia ser trocada por um gibi do Pato Donald, do Zé Carioca, da Luluzinha ou do Bolinha. Além da tampa, a divulgação da promoção ocupava grande espaço na parte frontal da embalagem. E a propaganda, claro, era feita nos respectivos gibis da Editora Abril.


EmbalagemMarca 163  
EmbalagemMarca 163  

Revista EmbalagemMarca Nº 163 - Março de 2013. Reportagem de capa: Braile

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