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POEMA Projeto de Orientação à Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo

POEMA de um sonho coletivo. Sonho por fim realizado. Envolveu pessoas Envolveu anseios Envolveu magia Não fossem tantas mãos, a lírica não seria a mesma. Com o testemunho do tempo Pôde o trabalho de tantas e tão bonitas gerações [de estudantes, de pessoas] Apreender os mais ricos estilos Ouvir os mais certeiros sonetos Transpirar como o mais simbólico Eterno romance Eterno fazer Eterno POEMA


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FeNEA FeNEA é a entidade de representação estudantil que congrega todos os estudantes de Arquitetura e Urbanismo do país, principalmente através dos Centros e Diretórios Acadêmicos. Sua proposta de trabalho está fundamentada no desenvolvimento de diversos projetos, que visam melhorar a formação do profissional arquiteto e urbanista. Dessa forma, busca ampliar nossa participação enquanto estudantes universitários e cidadãos na transformação da realidade e do espaço em que vivemos, por meio de ações que venham a contribuir para a melhoria da situação social do nosso país.


Os Escritórios Modelo na FeNEA No início da década de 90, após a reabertura política e o retorno das atividades nos Centros Acadêmicos e na FeNEA, as discussões sobre as atividades e práticas acadêmicas dos estudantes de Arquitetura e Urbanismo durante a graduação foram retomadas, buscando não somente o complemento da educação universitária, mas também o compromisso com a realidade social brasileira. No seguimento das discussões, na busca de imersão na comunidade, na liberdade da idealização, surgiu o Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo EMAU, um projeto de Extensão Universitária dentro da FeNEA.

POEMA e CARTA de PRINCÍPIOS dos EMAUs Orientação e caracterização O Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo POEMA tem como objetivo orientar e caracterizar os EMAUs, indicando rumos em sua formação, funcionamento e manutenção. O POEMA não tem a pretensão de ser uma receita de como implantar ou manter um EMAU. Ele apenas aponta os meios, com base na experiência dos próprios Escritórios Modelo em funcionamento. A primeira parte do POEMA apresenta as discussões dos estudantes sobre Extensão Universitária, qual sua necessidade e como seria caracterizada a Extensão que mais se encaixa nos princípios de um EMAU. Define ainda, sob linhas gerais, o que é um EMAU e como se dá sua relação com Comunidade e Sociedade. Após esta parte conceitual inicial, está a Carta de Princípios dos Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo. É o documento elaborado pelos estudantes que reúne todas as diretrizes e características de um EMAU. A Carta de Princípios é uma síntese dos diversos pontos comentados aqui no POEMA. Ela funciona como um norte, e, assim como o POEMA, não tem a pretensão de ser uma receita de como implantar ou manter um EMAU. A Carta de Princípios é seguida pelo “E agora José”?, parte do POEMA que apresenta, de maneira geral, as principais dificuldades e


soluções encontradas pelos EMAUs nos momentos de sua implantação e manutenção. Seguindo o “E agora José?”, é apresentado no POEMA alguns históricos de Escritórios Modelo que descrevem suas experiências: quais as características de seus trabalhos, como captaram projetos, como conseguiram apoio de professores, como é o trabalho em grupo dentro de cada EMAU. Também é apresentado um histórico dos EMAUs na FeNEA. Como esta idéia cresceu através do movimento estudantil de arquitetura e se concretizou, principalmente através da realização do SeNEMAU Seminário Nacional de EMAUs, momento máximo de troca de experiências e capacitação de EMAUs. SeNEMAU Existem vários momentos de apresentações e discussões sobre esta forma de Extensão Universitária que são os EMAUs. Encontros Regionais e Nacionais de Estudantes de Arquitetura (ENEAs e EREAs), Seminários Regionais de Ensino (SERES), Conselhos Regionais e Nacionais de Entidades Estudantis de Arquitetura e Urbanismo (COREAs e CONEAs), além de eventos de outras entidades como a ABEA Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura, e o IAB Instituto dos Arquitetos do Brasil. Os SeNEMAUs são os momentos onde ocorrem a maior e mais intensa troca de experiências entre EMAUs (em funcionamento e em formação), tendo servido de arranque inicial para a maioria dos EMAUs existentes hoje. O SeNEMAU proporciona o encontro de pessoas com afinidades e ações em comum, transcendendo a mera formalidade de um seminário. Como conseqüência dessa reunião que trata de educação, sociedade, pessoas, mudanças o SeNEMAU é um momento único, onde o encontro torna as trocas de experiências e os contatos com as comunidades episódios marcantes. Um aprender solidário, libertário, desmistificado num espaço vivo de coletividade e força de vontade. O histórico dos SeNEMAUs e maiores detalhes sobre este Seminário são encontrados no Histórico dos EMAUs.


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Sumário

Pág. A EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA

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EXTENSÃO COMO COMUNICAÇÃO

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EMAUs

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EMAUs E COMUNIDADE

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Carta de Princípios dos EMAU’s

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Histórico dos EMAUs

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EMA

29

IN LOCO

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AMA

39

Estatuto do AMA

49

Casas

62

CÉLULA

66

EMCASA

70

EMAU PUC-Minas

74

9º SeNEMAU

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Histórico dos EMAUs na FeNEA

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POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo A EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA Compondo junto com o Ensino e a Pesquisa a tríade básica e necessária para uma educação de qualidade, a Extensão Universitária é caracterizada pelo contato e pela troca de informações e conhecimentos entre sociedade e Universidade. Entendese que a produção de conhecimento só se realiza plenamente se houver uma unidade entre os elementos dessa tríade, que devem existir em constante comunicação. Entendendo a Universidade como produtora de conhecimento técnico e científico, e como um importante agente de transformação da sociedade, ela apresentase como responsável direta por fazer a comunicação necessária e a troca de saberes com a sociedade. Tendo a Universidade estas responsabilidades, também é dever dos estudantes e professores trabalhar para que existam atividades qualificadas de Extensão. Vale lembrar que a Extensão é atividade que por excelência faz com que a sociedade tome conhecimento da importância da Universidade. Entendese que o elo de ligação Universidade/Sociedade devese dar em função do interesse didático acadêmico através da equalização dos conhecimentos produzidos e acumulados dentro das universidades, tendo em vista o usufruto comum das ciências, artes e tecnologias. Tantas são as formas de como a Extensão pode acontecer, assim como tantas são as parcelas da sociedade que podem ter acesso a um trabalho acadêmico. Cada Curso possui linhas características de ação extensionista: os Cursos de Medicina, Odontologia, Enfermagem e outros na área da saúde atuam em hospitais escola, ambulatórios; os Cursos de Direito atuam na prestação de serviços e assistência jurídica à sociedade; e assim por diante. “Na Universidade a extensão deve ser considerada, enquanto atividade didático pedagógica e como elemento transformador na realidade social, objetivo de modo a propiciar a formação crítica, criativa, independente ao aluno e recolocar a Universidade como local privilegiado ao saber socialmente comprometido com o desenvolvimento social; E por natureza será multidisciplinar e deverá estar sempre ligada ao processo de ensino/aprendizagem retroalimentando os conteúdos dos cursos, atendendo as expectativas e necessidades de estágio dos alunos.” (ABEA texto retirado dos relatos do I Fórum Mundial da Educação Seminário de Educação em Arquitetura e Urbanismo 26 de outubro de 2001 Porto Alegre RS)

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POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo EXTENSÃO COMO COMUNICAÇÃO “A grande generosidade está em lutar para que, cada vez mais, essas mãos, seja de homens ou de povos, se estendam menos, em gestos de súplica. Súplica de humildes a poderosos. E vão fazendo, cada vez mais, mãos humanas, que trabalhem e transformem o mundo” Paulo Freire

A Extensão Universitária pode ser realizada de várias maneiras: pode ser um rápido curso oferecido à sociedade pela Universidade, um trabalho de ação contínua desenvolvido para uma determinada comunidade, a aplicação de questionários para levantamento de dados, assim como muitas outras atividades. Algumas destas formas de Extensão são plenamente vinculadas ao mercado, disponibilizando infraestrutura, material humano, científico e tecnológico das universidades à empresas e outras organizações que têm capacidade de financiar outros profissionais para desenvolver atividades realizadas pelo meio acadêmico. Em contraponto, outras atividades de Extensão são direcionadas a trabalhos sociais em famílias ou comunidades excluídas. Porém, muitas vezes estas atividades assumem caráter assistencialista, ou seja, acabam por se caracterizar como “ajuda ao próximo”, oferecendo trabalhos gratuitos em que a comunidade recebe passivamente o conhecimento gerado na Universidade. Por serem realizados trabalhos de extensão com intenções e resultados tão variados, o Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo busca sua forma de exercer esse diálogo com a sociedade. A própria palavra extensão acaba por ser questionada, como tão bem o faz Paulo Freire. “A expressão ‘extensão educativa' só tem sentido se se toma a educação como prática da ‘domesticação'. Educar e educarse, na prática da liberdade, não é estender algo desde a ‘sede do saber', até a ‘sede da ignorância' para salvar, com este saber, os que habitam nesta” Paulo Freire

Aqui se coloca a crítica a uma Extensão unilateral, onde há um 13


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depositar de conhecimentos de um lado a outro, onde há “educadores” dispostos a “educar” uma determinada parcela da sociedade vazia de conhecimento. É como “dar o peixe e não ensinar a pescar”, não há um processo educativo de diálogo, de troca, que faça com que a comunidade se aproprie do produto gerado, podendo se autosustentar sem a presença da universidade. “Como posso dialogar, se alieno a ignorância, isto é, se a vejo sempre no outro, nunca em mim? Como posso dialogar, se me admito como um homem diferente, virtuoso por herança, diante dos outros, meros “isto”, em que não reconheço “outros eu”? Como posso dialogar, se me sinto participante de um “gueto” de homens puros, donos da verdade e do saber, para quem todos os que estão fora são “essa gente”, ou são “nativos inferiores”? Como posso dialogar, se parto de que a pronúncia do mundo é tarefa de homens seletos e que a presença das massas na história é sinal de sua deterioração que devo evitar? Como posso dialogar se temo a superação e se, só em pensar nela, sofro e definho?” Paulo Freire

Os EMAUs buscam, a partir desse questionamento, uma atividade baseada na troca, no contínuo intercâmbio de informações com as comunidades que trabalham sem opressão ou qualquer tipo de imposição de qualquer uma das partes. Que haja sim, um trabalho com constante participação das comunidades, onde universidade e sociedade troquem conhecimentos de maneira horizontal, e não a simplista “extensão” hierarquizada de uma parte sobre a outra. Buscam uma Extensão como comunicação, onde ambas as partes estendem seus conhecimentos, e só através do exercício desse diálogo constante se chegue a uma forma de educação libertária e condizente com nossa realidade social. “Quem estende? Nós universitários? Ou a extensão é mútua: trocamos, mostrando e aprendendo? Ser assistencialista é manter essa postura rígida, meio erudita, que não abre espaço pra comunicação com a população. E me parece que a gente que está tentando fazer extensão séria tem que questionar o “fazer arquitetura”, ainda na faculdade, propondo um exercício de extensão que faça transparecer a necessidade e importância atual do arquiteto na cidade” Laila Loddi AMA - Ateliê Modelo de Arquitetura UFSC

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POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo EMAUs “O Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo é um grupo 'extensionista', de iniciativa e gestão estudantil que realiza estudos e projetos de arquitetura e urbanismo às comunidades excluídas.” Leonardo S. Rodrigues Ateliê Modelo de Arquitetura AMA UFSC XII CONABEA Congresso Nacional da Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura, Caxias do Sul RS

O EMAU, Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo é uma entidade estudantil que realiza Extensão Universitária, entendida enquanto parte indissociável da Pesquisa e do Ensino de graduação. Fruto de mais de uma década de discussões em Conselhos, Seminários e Encontros da FeNEA, o EMAU é definido em essência pela sua Carta de Princípios, e, de forma mais completa, pelo POEMA. Uma importante particularidade da proposta do EMAU está em sua iniciativa e gestão estudantil. Estudantes que, enquanto sujeitos da ação, têm acesso aos porquês, de onde vieram, aonde querem chegar. Participam do processo, vivenciam. A reflexão surge de teoria e prática colocadas lado a lado na construção do conhecimento. A relação entre estudantes e professoresorientadores deve ser horizontal, garantindo o aproveitamento didático das atividades do EMAU. “Sobretudo o Escritório Modelo de Arquitetura seria um espaço para o exercício concreto da autonomia. Onde todos, 'ensinantes e aprendentes', teriam a possibilidade de extrair um recorte de contribuição ao mundo local e universal em que vivemos.” Antenor Vieira Professor orientador do Escritório Modelo de Arquitetura EMA UFPE

Dessa forma, a base de um EMAU é o trabalho coletivo, tanto em sua gestão interna, como no exercício multidisciplinar e na relação EMAU / Comunidade. O trabalho em grupo leva todos a entender melhor seu papel como cidadãos em uma sociedade de complexas relações humanas. A troca de saberes entre diversos profissionais, e destes com a comunidade, é uma tentativa de realizar um trabalho mais completo. A troca multidisciplinar complementa a formação acadêmica além de fazer com que o trabalho com comunidades organizadas atinja outros níveis de envolvimento, podendo assim o EMAU estimular a mobilização da comunidade (com o auxílio de estudantes de Serviço Social, por exemplo), auxiliar em questões de saúde (estudantes de medicina, biologia...), em questões judiciárias (estudantes de Direito e afins), etc... 15


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A atividade do EMAU parte assim do entendimento da Arquitetura e Urbanismo enquanto área comprometida com uma situação social contraditória. Buscando na prática atual de arquitetura e urbanismo o comprometimento com as camadas excluídas de nossa sociedade, o EMAU direciona sua atividade à essa parcela da população que nem sequer tem acesso ao trabalho de um arquiteto. Trabalhar com comunidades minimamente organizadas em associações, conselhos ou comissões de moradores, evita que o EMAU concentre seus esforços na realização de atividades que atinjam um pequeno número de pessoas. Ou pior, realizar atividades que possam se tornar assistencialistas, com caráter de ajuda ao próximo ou de atividade voluntária. “A questão do assistencialismo confunde muita gente. O que entendo como prática de assistencialismo é fazer, por exemplo, a casa da dona Maria, ou o banheiro do seu José, etc. O importante é procurar trabalhos que beneficiem não só uma só pessoa, e sim uma comunidade ou um grupo delas.” Leonardo Lopes ALMAS PUC Campinas

Uma outra atividade comum dentro das Universidades é o Laboratório de Extensão, que muitas vezes é confundido com os EMAUs, mas possui uma estrutura bastante diferenciada. O Laboratório de Extensão é uma iniciativa da administração dos Cursos e Faculdades de Arquitetura e Urbanismo e suas atividades são coordenadas por professores universitários que selecionam os projetos. Nestes, os estudantes participam como estagiários. Como não existe nenhuma legislação que regulamente o trabalho de estudantes nos EMAUs e nos Laboratórios de Extensão, todos estes são considerados ilegais, pelo fato dos estudantes, aos olhos da lei como ela é hoje, estarem desenvolvendo atribuições de profissionais arquitetos urbanistas. No entanto, os EMAUs não desenvolvem atividades profissionais, e sim atividades acadêmicas com interesse didático dentro das Universidades, constitucionalmente autônomas para desenvolver tais atividades. Além do que, todos os trabalhos desenvolvidos dentro dos EMAUs são acompanhados e orientados por professores universitários, que possuem responsabilidade técnica e legal para os projetos. O Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo não interfere no mercado de trabalho dos profissionais da área, pois trabalham com 16


POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo comunidades sem acesso ao conhecimento do arquiteto e urbanista. Inclusive a atividade do EMAU vêm disseminando a importância deste conhecimento. EMAU Iniciativa de Implantação Gestão/Administração de Recursos Recursos Financeiros Infra-Estrutura Captação e Escolha de Projetos

LABORATÓRIO DE EXTENSÃO

ESCRITÓRIO MODELO (EMAU)

Professor

Estudantes

Professor

Estudantes

Universidade/Mercado Privado Universidade

Universidade Universidade

Professor

Estudantes

Área de Atuação

Qualquer Projeto Escolhido pelo Prof. Coordenador

Comunidades Excluídas e Organizadas

Participação dos Estudantes nos Trabalhos

Seleção de Estudantes feita por Professores

Livre Participação dos Estudantes

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EMAUs E COMUNIDADE “Educar e educarse, na prática da liberdade, é tarefa daqueles que sabem que pouco sabem, em diálogo com aqueles que, quase sempre, pensam que nada sabem, para que estes, transformando seu pensar que nada sabem em saber que pouco sabem, possam igualmente saber mais.” Paulo Freire, em Extensão ou Comunicação? Historicamente, a atuação do arquiteto está voltada à uma elite. Grande parte da população não visualiza a abrangência de ação dos arquitetos, assim como desconhece o próprio significado da profissão. Por essa falta de conhecimento, essa parcela da sociedade se encontra excluída da possibilidade de acesso ao trabalho de um arquiteto. A exclusão desta população, acima de financeira ou social, é cultural. Segundo o geógrafo Milton Santos, “Não existem comunidades excluídas, e sim comunidades perversamente incluídas.” É neste sentido que usamos a expressão “comunidades excluídas”: comunidades incluídas sob um ponto de vista globalizado, porém, incluídas de uma maneira perversa. Essa parcela que compõe a dita “cidade informal” é construtora do espaço urbano, é agente transformador em potencial. Ainda assim, essa cidade autoorganizada (que constitui cerca de 80% da cidade) continua sendo denominada “informal”. “O urbanismo brasileiro (entendido aqui como planejamento e regulação urbanística) não tem comprometimento com a realidade concreta, mas com uma ordem que diz respeito a uma parte da cidade, apenas. Podemos dizer que se trata de idéias fora do lugar porque, pretensiosamente a ordem se refere a todos os indivíduos, de acordo com os princípios do modernismo ou com a realidade burguesa. Mas também podemos dizer que as idéias estão no lugar por isso mesmo: porque elas se aplicam a uma parcela da sociedade reafirmando e reproduzindo desigualdades e privilégios. Para a cidade ilegal não há planos, nem ordem. Aliás ela não é conhecida em suas dimensões e características. Tratase de um lugar fora das idéias” Ermínia Maricato A cidade do pensamento único Desmanchando Consensos

A partir dessa forma de olhar a cidade e reconhecendo a necessidade de uma maior atuação do arquiteto e urbanista nesse “lugar fora das idéias”, o EMAU procura envolverse com as dinâmicas sociais responsáveis pela construção do espaço. Por isso, a proposta de 18


POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo trabalho que o EMAU desenvolve tem como foco principal a comunidade, sendo nesse contexto de cidade “informal” aquela que produz o espaço urbano que ocupa. As cidades hoje necessitam de arquitetos interlocutores, “arquitetosurbanos”, que façam pontes entre os agentes urbanos (comunidades e poder público). Arquitetos que saibam ler a cidade, entender suas nuances e trabalhar a partir delas. “ Não se trata simplesmente de trocar um tipo de arquiteto (arquiteto urbanista) por outro (arquitetourbano), que continuaria mantendo o controle total sobre a construção da cidade, mas sim de mudar o modo de atuar na cidade, o próprio papel do arquiteto. (...) Esse outro tipo de arquiteto teria um outro papel, promoveria e possibilitaria a participação efetiva da população.'' Paola Jacques Berenstein, em Estética da Ginga A arquitetura das favelas através da obra de Hélio Oiticica

O processo projetual, baseado no diálogo entre as partes, objetiva produzir um bem coletivo, podendo resultar na apropriação e conseqüente sustentabilidade da comunidade. Para que haja essa apropriação, além do conhecimento técnico que nós como estudantes de arquitetura e urbanismo trazemos, é fundamental que a comunidade se sinta integrada ao processo de construção coletiva, contribuindo com seu conhecimento empírico. Dessa forma, a ação dos EMAUs nas comunidades não se propõe à realização de propostas prontas e acabadas, trabalha com a possibilidade de uma ação compartilhada e flexível, onde a arquitetura é vivida enquanto processo. É nesse processo envolvendo a comunidade que o EMAU não caracteriza o seu trabalho enquanto assistencialista. “Dar comida a quem tem fome, tratar uma pessoa doente, construir casas ajuda a salvar vidas e dar dignidade a muita gente. Mas o trabalho que busca despertar a consciência , mobilizar grupos sociais, influenciar políticas públicas representa ações no campo da cidadania que fazem parte da transição da democracia representativa para a democracia participativa.” Oded Grajew Diretorpresidente do instituto Ethos “O assistencialismo não avalia o impacto da ação, enquanto a promoção humana busca resgatar as pessoas e colocálas em situação ou em condições mais humanas. O assistencialismo não muda o processo, atua apenas nos sintomas.” Luis Norberto Pascoal Coordenador do Comitê Nacional do Voluntariado

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Trabalhando sempre junto com a comunidade, compreendese seus anseios e necessidades, as relações entre os membros que a compõe e as relações dela com outras comunidades, com entidades externas e com o poder público. Compreendendo melhor estas relações, tanto comunitárias quanto acadêmicas, o trabalho do EMAU procura se distanciar também de uma das principais conseqüências do assistencialismo: o clientelismo. “Quem faz assistencialismo, cria o clientelismo, promove a dependência e com isso, organiza a miséria, através de ações relâmpagos, criando uma espécie de manutenção da miséria organizada. Com esta estratégia, os paraninfos realizam seus planos, difundem a idéia, e em muitos casos, ganham até incentivos fiscais, o lucro fácil e a chegada ao poder.” Paulo Lamego

O trabalho do EMAU, obviamente, não deve ter interesses políticos para com a comunidade. Esse “clientelismo”, aqui colocado como um jogo de interesses, reflete uma possível relação de dependência da comunidade para com o EMAU. Ele pode acontecer se o processo projetual com a comunidade não tiver como principal objetivo garantir a sustentabilidade da mesma. Ou seja, que a comunidade consiga caminhar com as próprias pernas quando a presença do EMAU não for mais possível ou necessária.

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POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo Carta de Princípios dos Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo A Extensão, assim como o Ensino e a Pesquisa, é fundamental para a formação acadêmica. É um instrumento de interação do meio acadêmico com a sociedade, tendo como princípio contribuir para o desenvolvimento desta, através da troca de conhecimento e o compromisso da Universidade com o desenvolvimento do saber. O Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo EMAU é um projeto sem fins lucrativos, conceituado e fomentado pela FeNEA Federação Nacional dos Estudantes de Arquitetura e Urbanismo do Brasil. Visa a melhoria da Educação e da formação profissional, através da vivência social e da experiência teórica e prática como um todo. A Carta de Princípios é o Código de Ética da FeNEA para os Escritórios Modelo, sendo reconhecidos apenas aqueles que sigam os princípios inclusos nesta. O Escritório Modelo segue, como eixo norteador ético, os quatro postulados da UNESCO e União Internacional de Arquitetos para a educação em Arquitetura e Urbanismo:  Garantir qualidade de vida digna para todos os habitantes dos assentamentos humanos;  Uso tecnológico que respeite as necessidades sociais, culturais e estéticas dos povos;  Equilíbrio ecológico e desenvolvimento sustentável do ambiente construído;  Arquitetura valorizada como patrimônio e responsabilidade de todos.

PRINCÍPIOS DO EMAU Ser um projeto de extensão universitária; Propiciar a melhoria da formação acadêmica; Retornar à comunidade acadêmica o conhecimento adquirido em suas atividades; Difundir a atividade de arquitetura e urbanismo, complementando e não competindo com o mercado profissional; Atender a populações sem possibilidades de ter acesso ao 21


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trabalho do arquiteto e urbanista; Ser de livre participação a todos os estudantes de arquitetura e urbanismo e outros interessados, sendo um espaço de debate e produção aberto a toda a sociedade; Proporcionar o trabalho coletivo, visando uma gestão democrática e horizontal; Estabelecer um processo projetual participativo, promovendo a mobilização social; Garantir o trabalho integrado a outras áreas do conhecimento; Ser autônomo em relação a sua gestão e seleção de projetos e orientadores; Ser isento de remuneração pelos beneficiários; Garantir seu funcionamento e continuidade; A Responsabilidade Técnica sobre os projetos elaborados pelos EMAUs segue legislação reguladora dos exercícios das profissões;

E AGORA JOSÉ? “Disse: É tudo inútil, se o último porto só pode ser a cidade infernal, que está lá no fundo e que nos suga num vórtice cada vez mais estreito. E Pólo: O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornarse parte saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, e preserválo, e abrir espaço.” Ítalo Calvino

Quando se pensa em montar um Escritório Modelo, as dúvidas surgem naturalmente, das mais variadas formas. No entanto, os primeiros obstáculos são geralmente muito parecidos nos diversos Cursos do Brasil. Como reunir pessoas interessadas, como encontrar um bom projeto, como conseguir apoio dos professores, da Universidade, espaço físico, bolsas de extensão, como conseguir? Antes de abordar estas questões, é fundamental que cada grupo analise as peculiaridades de seu Curso.

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POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo As pessoas... “Não basta ter belos sonhos para realizálos. Mas ninguém realiza grandes obras se não for capaz de sonhar grande. Podemos mudar o nosso destino, se nos dedicarmos à luta pela realização de nossos ideais. É preciso sonhar, mas com a condição de crer em nosso sonho; de examinar com atenção a vida real; de confrontar nossa observação com nosso sonho, de realizar escrupulosamente nossa fantasia. Sonhos, acredite neles.” Lênin

O EMAU surge a partir do momento em que um grupo de estudantes se une com interesse e determinação em buscar uma educação libertária. A formação do grupo, a relação entre as pessoas, o desejo coletivo e o espírito de grupo são os primeiros e principais impulsos para a realização dos trabalhos, e conseqüente funcionamento do EMAU. Uma questão bastante polêmica é a de quando um EMAU pode ser considerado um EMAU. A resposta que se estabeleceu com a experiência de vários Escritórios foi que, independente de oficialização, estatuto, opinião dos professores ou qualquer outro fator, quando existe um grupo de pessoas trabalhando segundo as diretrizes da Carta de Princípios existe EMAU. Até mesmo alguns Escritórios Modelos que já funcionam a anos, não possuem espaço físico próprio, e alguns não são oficializados junto a Universidade como Escritório Modelo. No entanto isso não significa que eles não existam. São EMAUs como qualquer outro que possua espaço próprio, tenha estatuto registrado ou bolsas de estudo. Nem sempre as necessidades são supridas com grande facilidade. Porém quando os trabalhos começam a se concretizar, e principalmente quando a arquitetura começa a aparecer, a credibilidade dos colegas, e até mesmo dos professores, irá se consolidando gradualmente, fazendo com que o grupo cresça e passe a somar cada vez mais participantes. Importante componente em qualquer trabalho de Extensão Universitária, os professores são o principal cordão umbilical do EMAU com a Universidade, sendo eles o caminho mais curto até as bolsas de extensão, ajudas de custo a materiais e diversas outras beneficiações que têm direito os EMAUs enquanto grupo de extensão. 23


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No entanto, os professores têm um papel muito mais importante do que o de facilitar a viabilidade física e financeira do EMAU. Ele é quem orientarará e será o responsável técnico legal dos projetos frente aos órgãos reguladores da profissão de Arquitetura e Urbanismo. Por isso é importante ressaltar que o professor orientador tem que estar legalmente apto a ser o responsável técnico pelo projeto em questão, assim como emitir anotações de responsabilidade técnica e outros documentos que se façam necessários. Outra característica importante do professor orientador de trabalhos do EMAU é a experiência com comunidades excluídas, assim como a organização política destas. Logo, é importante que na escolha do orientador haja a preocupação em notar suas características quanto a sensibilidade social e política, além de sua didática e conhecimento técnico. Sob uma ótica global dos trabalhos do EMAU onde tudo se soma e nada se subtrai vale lembrar que a necessidade de um professor orientador na elaboração dos projetos não implica que não possa haver outras pessoas, técnicos, profissionais qualificados colaborando com o EMAU. Os colaboradores, ou coorientadores, podem ser qualquer pessoa que tenha conhecimento necessários aos trabalhos desenvolvidos pelo EMAU. Somando todos estes personagens, o EMAU se caracteriza como um ambiente de trabalho compartilhado de maneira horizontal e plural, possibilitando a plena atuação dos estudantes, professores, colaboradores e comunidades. Os projetos... “Por seres tão inventivo e pareceres contínuo, tempo, tempo, tempo, tempo entro num acordo contigo (...) acredito ser possível reunirmonos tempo, tempo, tempo, tempo num outro nível de vínculo” Caetano Veloso

Para que tenha um melhor aproveitamento acadêmico, é importante que os próprios estudantes vão a busca de um projeto que lhes proporcione acúmulo de conhecimentos e experiências enquanto cidadãos e futuros profissionais. 24


POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo Normalmente, o tempo de estudos e projetos dentro do EMAU é diferenciado de projetos acadêmicos hipotéticos, ou de projetos comerciais. O contato direto com a comunidade, o processo projetual participativo, o enriquecimento do projeto com consultas e apoio de outras áreas do conhecimento, são fatores que qualificam muito os projetos dos EMAUs, mas também fazem aumentar seu tempo. Dessa característica do tempo de projeto é que se nota outra importância da existência do trabalho dos EMAUs. Em escritórios de arquitetura privados ou entidades com fins lucrativos seria inviável a captação de projetos com a demanda de tempo absorvida pelo EMAU não de uma maneira desgastante, mas de uma maneira didáticopedagógica. Para encontrar um projeto com um perfil que contemple os princípios defendidos pelos EMAUs, pela FeNEA, podese procurar por associações de bairro, associações de moradores e demais entidades representativas de populações excluídas. Quando trabalhamos com comunidades organizadas temos uma participação, direta ou indireta, mais efetiva dos moradores locais e uma garantia maior da sustentabilidade de qualquer intervenção, seja ela política, social, habitacional ou patrimonial. O Estatuto da Cidade, lei nº 10.257/01, tem contribuído bastante na reunião de representantes das comunidades de diversos municípios. Um espaço deste caráter, onde problemas habitacionais e urbanos são expostos pelos cidadãos mais atingidos, é um local propício para adquirir informações e contatos para descoberta de projetos interessantes. Um segundo espaço de busca neste imenso leque é o meio universitário. Dentro da Universidade existem, em outros Cursos, diversos projetos de extensão que geralmente precisam de estudos e projetos arquitetônicos a serem executados paralelamente ou conjuntamente com a equipe inicial. Existem algumas vantagens quando se parte de um projeto já iniciado, como a existência de um contato com a comunidade, e estudos iniciais desenvolvidos. Quando a opção for pela busca de um projeto partindo de um trabalho de extensão já existente, a procura em outros cursos fora da Arquitetura e Urbanismo pode apresentar mais uma vantagem, que é o de já começar a trabalhar com um grupo multidisciplinar. Esses trabalhos podem ser adequados e complementar perfeitamente os trabalhos do EMAU. 25


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Mais uma via importante a ser considerada para a obtenção de projetos qualificados para os EMAUs são as ONGs (Organizações Não Governamentais) e outras Entidades e grupos autônomos que trabalham pela melhoria da qualidade de vida das populações excluídas, podendo contribuir muito na informação e na viabilização de projetos. Podem também ser consideradas uma fonte de informação e captação de projetos reuniões comunitárias, reuniões de Associação de Moradores e fóruns, como por exemplo o Fórum Social Mundial, que reúne centenas de entidades governamentais e não governamentais, com uma abordagem essencialmente relacionada à qualificação da vida das populações excluídas. O início e término de cada um dos trabalhos do EMAU com a comunidade é uma questão muito relativa a cada projeto, a cada comunidade. Um dos parâmetros indicadores do início do trabalho é o fato do EMAU estar funcionando com a participação da comunidade. Assim como um parâmetro para se analisar o desfecho de um trabalho seria o despertar de multiplicadores dentro da comunidade, quando a comunidade se apropria plenamente dos produtos dos trabalhos do EMAU e pode então caminhar com suas próprias pernas. Estatuto e Regimento Interno... O Estatuto, ou o regimento interno, são documentos que só poderão ser desenvolvidos com segurança quando o EMAU já possuir experiência em seu funcionamento e tempo de vivência de trabalho em grupo. Colocar o carro na frente dos bois, tentando elaborar um Estatuto ou Regimento Interno antes mesmo de dar início à elaboração dos projetos, pode levar o EMAU a enfrentar algumas dificuldades futuras. Escrevendo um Estatuto ou regimento que se baseie na forma com que o grupo tem trabalhado é a maneira mais segura de fazer com que estes princípios iniciais sejam conservados, impedindo, por exemplo, que o EMAU seja transformado futuramente em um Laboratório de Extensão por algum professor, ou então em uma Empresa Júnior por algum grupo de alunos que tenha princípios de intervenções mercadológicas. O Estatuto é o documento que pode ser usado para estabelecer 26


POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo convênios e/ou parcerias com a prefeitura da cidade, com outros órgãos governamentais municipais, regionais e federais, além de conseguir financiamentos em instituições, ONGs e outras entidades nacionais e internacionais. O Estatuto também é fundamental para muitas outras conquistas do EMAU. Na maioria das Universidades, é muito difícil conseguir um espaço físico sem um Estatuto. E como esta normalmente é uma questão decidida por professores, a credibilidade que eles darão ao trabalho do EMAU enquanto grupo de estudantes será muito maior com um Estatuto que regularize e oficialize os trabalhos deste grupo, sendo na maioria dos casos o Estatuto decisivo para a obtenção do local de trabalho. Outras importantes conquistas, muitas vezes desencadeadas pelo Estatuto, são as aquisições de recursos materiais e financeiros das Universidades, bolsas de extensão, fundos de amparo à extensão universitária, e outros benefícios que se tem direito enquanto grupo de extensão. O Regimento Interno do EMAU, como o próprio nome diz, é um conjunto de diretrizes criadas pelos próprios estudantes, estabelecendo como funcionarão as ações do grupo. É um documento que inicialmente pode ser rascunhado pelos estudantes, onde sejam expostas as características de seus trabalhos, como eles serão elaborados e principalmente como serão distribuídos os esforços necessários à realização destes trabalhos dentre as pessoas do grupo. O Regimento Interno facilitará bastante os trabalhos quando for desenvolvido o Estatuto. Podemos chamar o Regimento Interno de um “embrião” de Estatuto. Mais uma importante questão que pode estar presente no Regimento Interno, ou diretamente no Estatuto, é como se dará a sustentabilidade política do EMAU. Ou seja, como será a substituição das pessoas mais antigas, com mais experiência no EMAU, por pessoas mais novas. Esta questão é extremamente peculiar a cada EMAU, não sendo portanto assunto possível de ser generalizado por depender da forma com que cada EMAU irá desenvolver seus trabalhos. Alguns exemplos reais de Estatutos estão presentes logo a seguir, no Histórico dos EMAUs. Vale lembrar que é importante uma assessoria jurídica para a elaboração do Estatuto, é uma orientação que evitará perdas desnecessárias de tempo. 27


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POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo Histórico dos EMAUs EMA Escritório Modelo de Arquitetura UFPE Universidade Federal de Pernambuco Centro de Artes e Comunicações Rua Acadêmico Hélio Ramos, Cidade universitária Recife PE

Diante da movimentação política gerada na UFPE em prol de um Diretório Acadêmico (DEAU) que estava sem gestão a um ano, acrescentado por um quadro de abusos de autoridade por parte dos professores e desânimo dos alunos, criouse uma chapa para o DEAU, e vários estudantes começaram a discutir sobre outros tipos de atuação no Curso que promovessem críticas e novas propostas. Criouse o N.A.D.A. (Núcleo de apoio ao D.A.) Pretendendo acrescentar idéias, opiniões, conselhos e ser um braço de extensão do Diretório Acadêmico junto aos alunos. Em agosto de 2002 o DEAU promove as primeiras assembléias onde cobra a gestão participativa dos alunos, nessas assembléias a Extensão Universitária é indicada como assunto a ser melhor promovido pelo Curso. O DEAU realiza uma palestra de apresentação do que é um Escritório Modelo, onde o professor Antenor Vieira expõe exercícios anteriores de criação e alguns projetos solicitados ao Departamento. É elencado um grupo para coordenar a criação de um Escritório Modelo na UFPE. Em 14 de Setembro de 2002 se realiza a primeira reunião do EMA Escritório Modelo de Arquitetura UFPE, onde de cinco projetos o grupo escolheu atender a solicitação do Centro Religioso Santa Bárbara / Nação Xambá, por ser endereçado expressamente ao Escritório Modelo de Arquitetura, apresentar a oportunidade de se trabalhar um tema não convencional a uma faculdade de arquitetura e pelo conhecimento de que comunidades negras são preconceitualizadas dentro da sociedade recifense. O trabalho solicitado pela Nação Xambá era o de ampliação do salão onde se realizam os cultos e tratamento do recolhimento de águas pluviais e afloramento de água do solo. O EMA começou o projeto por uma equalização cultural, explicando aos membros da comunidade o trabalho do arquiteto, a faculdade de arquitetura e o que se pensava para um Escritório Modelo de Arquitetura. 29


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A comunidade foi aproximando os alunos da realidade de um terreiro de Candomblé e das especificidades de seu espaço. Foram feitos levantamentos de memória oral, físicoarquitetônico e urbano, inserção das pessoas que pertencem ao Xambá dentro da malha urbana. O convívio com a comunidade acrescentou as necessidades do trabalho no terreiro vários itens, elencados pela comunidade e percebidos pelo EMA. Sentiuse a necessidade de incorporar ao trabalho estudantes de biologia e design, pedir assessoramento a engenheiros civis especializados em saneamento e estanqueamento do solo. Fezse um projeto onde foram incorporados todas solicitações da comunidade e pontos levantados pelo EMA. Apresentouse a comunidade em forma de maquete, para a melhor compreensão e apreensão do projeto. Foram feitas críticas e modificações que geraram um projeto final, que foi dividido em etapas de implantação para que se possa construir com as possibilidades de financiamento que dispõe a comunidade. O projeto tem como princípio ecotécnicas que tentam minimizar o impacto do ambiente pela arquitetura. O EMA faz a ligação desses conceitos com os da religião (Candomblé), que considera manifestações de suas entidades, seus deuses, com elementos da natureza, como o rio, o fogo, o vento, e que não devem ser maculados. Com o VIII SeNEMAU em Recife, em fevereiro de 2004, o EMA dá início a produção de tijolos de solo cimento, com material de teste para a reforma do terreiro, banquinhos em ferrocimento e pintura com cal nas casas, nas cores dos orixás, recuperando antigas tradições da comunidade. O evento da FeNEA auxilia no rompimento do preconceito do bairro, do Recife e do Brasil em relação aos integrantes do Xambá. No SeNEMAU foi também iniciado um novo projeto no EMA, o do Maracatu Chuva de Prata, que pretende desenvolver um centro de ensino de cultura popular integrado a sede do Maracatu como forma de dar alternativas de ocupação a juventude do bairro de Rio Doce, em Olinda, em vias de marginalização. Após o SeNEMAU o EMA acolhe ainda o projeto Castainhos, comunidade remanescente de quilombo no interior do estado de Pernambuco. O projeto de uma biblioteca pretende ser modelo de técnica e de gestão em sustentabilidade e autonomia de um povoamento que vive na intenção de afirmação de sua identidade, mesmo que em meio a um sistema que lhe coloca a margem de um município que não se 30


POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo interessa por seus problemas. Após dois anos de trabalho o EMA da UFPE consegue suas primeiras bolsas de extensão com o Projeto Castainhos e com o grupo de biologia do Nação Xambá, a universidade não demonstra maleabilidade suficiente para oficializar o EMA como grupo de extensão, sendo seus projetos oficializados separadamente como projetos de extensão de professores. O espaço físico do EMA restringese a um armário entre os dos alunos de arquitetura, a necessidade de uma sala foi tornada fundamental desde a produção de trabalhos não recolhidos no local, foi intensificada no VIII SeNEMAU de Recife e se torna premente com a multiplicação de projetos.

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IN LOCO Grupo de Pesquisa e Extensão Comunitária Universidade Ritter dos Reis Rua Orfanotrófio, 555 Alto Teresópolis Porto Alegre RS

Formação do Grupo: No primeiro semestre de 2001 alguns alunos do 5º semestre de Arquitetura do Uniritter começaram a se questionar sobre o ensino oferecido pela Faculdade, que não abordava a questão da realidade brasileira em habitação, em nenhum semestre ao longo do curso. Decidiram, então, pesquisar por conta própria arquitetura social, técnicas alternativas de construção e movimentos sociais urbanos. Formouse o Grupo de Extensão Comunitária In Loco tendo apoio de professores que se mostravam ansiosos em ver a discussão sobre o papel do arquiteto neste contexto seguir adiante. Destacase a orientação, apoio e colaboração da Prof. Arq. Maria Isabel Milanez, então Coordenadora de Extensão e hoje Coordenadora da FauUniritter. Durante o primeiro ano o grupo mantevese na parte de pesquisa, travando debates entre seus integrantes e com os mais diversos colaboradores, inclusive de outras áreas do conhecimento tais como História, Direito e Psicologia. Neste período os alunos buscaram entender a função social do arquiteto, procurando entender à realidade das comunidades de baixa renda, onde o grupo pretendia atuar, tomando consciência da responsabilidade que envolve este trabalho e a importância que este faria na vida das pessoas que residem nestas áreas e no próprio ensino da arquitetura. O contato com a FeNEA foi, também, uma importante fonte de discussão e informação sobre Escritório Modelo e Extensão. A partir desses debates o grupo definiu seus princípios e objetivos e a maneira de se relacionar com a comunidade e com a faculdade. O In Loco defende a idéia de que não basta detectar problemas e implantar soluções, mas utilizar a arquitetura como articuladora de ações. Baseiase na relação com a comunidade, que participa de todo o processo, desde o levantamento e análise dos dados até a execução da proposta, contribuindo durante a elaboração do projeto. Para que isso seja possível, esse trabalho deve ser não assistencialista e envolver forte mobilização social coletiva para a melhoria das condições de vida dos próprios moradores, onde os estudantes levam conhecimento técnico e 32


POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo num diálogo franco encontramse soluções para o bem comum. Depois de um ano pesquisando, o In Loco decidiu atuar na Vila Nossa Senhora do Brasil, já que alguns integrantes começaram a conviver com parte desta comunidade, levados pela colega Iazana Guizzo, que fazia trabalho voluntário no Centro Espírita Fraternidade. Esta comunidade faz parte da Grande Cruzeiro (maior complexo de favelas da cidade de Porto Alegre), localizase próxima à faculdade, no morro Santa Teresa. É formada por aproximadamente quatro mil moradores, os mais antigos estão lá há mais de quarenta anos. A Vila conta com abastecimento de água encanada e luz elétrica. Apresenta algumas moradias precárias, mas na sua maioria já foram substituídas por casas de alvenaria; é, portanto uma comunidade consolidada. Através do contato com Seu Castilhos diretor do Centro Espírita Fraternidade, o In Loco começou a se relacionar com a direção da Escola Estadual Afonso Guerreiro Lima, vendo que esta poderia ser um meio para atingir toda a comunidade divulgando o trabalho do grupo. Sabese que para realizar um bom trabalho de arquitetura, que seja realmente apropriado e valorizado pela comunidade, devese conhecer profundamente a realidade sobre qual se atua, mais ainda, quando se pretende que a comunidade seja atuante nesse processo. Assim, para entender as relações existentes na vila, como os moradores se relacionam entre si, com o espaço em que vivem e com o restante da cidade, e mesmo como meio de aproximação entre os estudantes do In Loco e as pessoas da comunidade, o grupo passou a utilizar a arte como uma ferramenta de aproximação. Realizamos eventos como o Circo da Arte, com oficinas de desenho, percussão, fotografia, etc. dadas por artistas convidados, e apresentações de bandas e grupos de dança e de capoeira da própria comunidade. Em janeiro de 2002, durante o 6º SeNEMAU, evento promovido pela 33


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FeNEA, que teve sede em Porto Alegre, o grupo foi convidado a organizar um ateliê. O trabalho consistiu em oficinas de desenho, maquete, etc. Essas oficinas foram feitas com crianças e serviram para apreender a percepção que elas têm da vila, fazendo maquetes e desenhando o caminho que fazem para ir de casa até a escola e à associação de moradores. Os dados obtidos a partir daí serviriam de embasamento para a formulação de projetos para o pátio da escola. O grupo entendia que este espaço devia ser aberto e servir a toda a comunidade, mas a direção da escola não concordava com esta posição, o que impossibilitou que esse trabalho seguisse adiante. Outras parcerias: Essas atividades com as crianças permitiram ao grupo se integrar à comunidade, e a partir do segundo ano, passamos a discutir com os moradores e lideranças sobre uma nova alternativa de ação. Firmou então uma parceria com a Associação de Moradores da Vila Nossa Senhora do Brasil e com o grupo de hiphop da comunidade DNA mc's. Desta parceria resultaram diversos eventos e atividades sociais como festas juninas, dia das crianças, Festa Pela Causa e festa de Natal, que ao mesmo tempo em que beneficiavam a comunidade ajudavam o grupo a se aproximar dos moradores. Paralelamente a estas atividades, no que diz respeito à arquitetura, o grupo optou por trabalhar na qualificação dos espaços públicos, acreditando que a melhoria dos espaços de uso comum estimula os moradores a providenciarem melhorias para suas próprias casas. Na medida em que vêem qualificados os espaços da vila podem valorizar o local onde moram e desenvolver um sentimento ligado ao lugar, podem se sentir orgulhosos de viver nesta vila e, com isso, desejosos de vêla cada vez mais qualificada e de trabalhar para este fim. Projetos: O grupo, com o auxílio dos integrantes do DNA mc's, fez um levantamento do espaço da vila, verificando uso e tipologia das 34


POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo edificações, características das vias de circulação interna e como estas se relacionam com a cidade. Este levantamento permitiu mapear vazios no tecido urbano e pontos que poderiam ser estratégicos para uma intervenção que beneficiasse a vila como um todo. De posse dessas informações, em reuniões na associação de moradores o grupo mais a comunidade decidiram que ideal seria tratar primeiramente de pontos chaves localizados na Rua Nossa Senhora do Brasil. Foram definidos quatro pontos de intervenção que formariam o “Corredor Cultural da Brasil”. Decidiuse por tratar no princípio de dois desses locais, escolhidos por sugestão dos moradores. O primeiro, um vazio numa das extremidades da Rua. N. S. do Brasil, um ponto de ligação com a cidade dita formal. O segundo ponto a meio caminho entre as duas extremidades da via, na entrada de um dos seus diversos becos. Feira da Brasil:

No primeiro local, por ser um ponto de contato com o restante da cidade, imaginouse que seria um bom lugar para a implantação de uma feira que serviria para divulgar o trabalho de artesanato, culinário e serviços feitos pelos moradores. Seria uma alternativa que além de resgatar a identidade e autoestima dessa população, ainda poderia gerar renda. Para este espaço também se pensou em atividades culturais, assim a feira seria projetada de tal forma que o espaço pudesse assumir diferentes configurações para shows e apresentações de teatro, por exemplo. Naturalmente para que pudessem ser implementadas essas atividades seria necessário à profissionalização dos artesãos e o desenvolvimento de todo um programa cultural, que começou a ser feito através de oficinas ministradas por profissionais de diferentes áreas. Algumas dessas oficinas começaram a ser realizada como a de desenho, teatro e audiovisual. Entretanto, o trabalho esbarrou na falta de motivação da população, não tendo o êxito de envolver totalmente a 35


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comunidade. Beco 21: Já no segundo espaço, denominado Beco 21, foi feito, em conjunto com os moradores, levantamento físico, social e ambiental do local. Considerandose crítica a falta de pavimentação e de drenagem da água das chuvas, a presença de instalações elétricas precárias, a falta de um lugar adequado para as crianças brincarem e a falta de segurança. Os moradores, num total de 22 famílias, julgavam necessário resolver em primeiro lugar a questão da pavimentação e do escoamento da água.

A isso o grupo In LoCo conseguiu agregar um projeto de qualificação da paisagem e instalação de mobiliário urbano, propondo para a entrada do beco um local de convívio com bancos que servem também de contenção para a terra do declive, onde seriam plantadas árvores frutíferas. E para a parte de baixo do beco, uma rampa que permitiria acessibilidade a todos os moradores, inclusive os portadores de necessidades especiais. Foram elaborados os desenhos do projeto que já foram alterados e que ainda estão sendo discutidos com os moradores. Um grupo de moradores iniciou por conta própria a pavimentar com concreto à parte do beco em frente às suas casas, e moradores de outra parte do beco já procuram a assessoria técnica do In Loco. Atualmente, no que diz respeito ao 36


POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo Beco 21, os moradores junto com o grupo In Loco estão buscando meios para concluir a obra. O grupo hoje: O In Loco sempre entendeu que qualquer trabalho dependeria da mobilização dos moradores e imaginava que estes estariam motivados a trabalhar cooperativamente para um bem que é coletivo. Porém a iniciativa de trabalhar com um grupo de famílias tem esbarrado na falta de união do grupo de moradores, que estão preocupados apenas com seus problemas específicos, não tendo interesse de se ajudarem mutuamente. Talvez por não considerarem que haja uma grande necessidade de mobilização coletiva, afinal, a vila não corre o risco de ser removida e as condições de vida não são tão precárias, na realidade não existe a cultura de movimento social na comunidade. Talvez ajudar a desenvolver essa cultura seja o desafio do In Loco. Ao mesmo tempo, na Faculdade, o Grupo que começou como uma iniciativa independente, conquistou o apoio de professores e, mostrando o trabalho feito de forma coerente, argumentando sobre o retorno que esta iniciativa poderia ter, o In Loco foi aceito pela instituição, é ligado ao núcleo de extensão e conta com toda a infraestrutura necessária. Apesar de todas essas conquistas, o maior desafio para o grupo tem sido assegurar sua continuidade, motivar os alunos da faculdade tem sido preocupação constante, mas praticamente sem resultado. Por isso o grupo tem procurado retornar à comunidade acadêmica o resultado desse trabalho com palestras e exposições, como a de Junho de 2004, realizada na Faculdade e depois levada para a Associação de Moradores da Brasil. O In Loco é hoje um espaço (conquistado), de discussão, pesquisa e vivência para todos os alunos, é uma alternativa na qualificação do ensino na Ritter dos Reis, é um espaço que precisa ser apropriado pelos estudantes. IN LOCO... POR QUE?... PARA QUEM?... IN LOCO nasceu da VONTADE Da vontade de preencher o vazio e transformálo em LUGAR Da vontade SOLIDÁRIA, da aproximação. Da necessidade existencial de um GRUPO INQUIETO com a exclusão. Com a EXCLUSÃO SOCIAL, com a EXCLUSÃO ESPACIAL. Nasceu da CAPACIDADE DO APRENDIZ DE SONHAR com uma vida mais justa e humana, Com a UTOPIA que alavanca os grandes ACONTECIMENTOS.

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O IN LOCO já não é mais UM GRUPO, é sim uma forma de ver e agir. É CONVICÇÃO que reverbera e propaga uma ARQUITETURA NECESSÁRIA. Necessária por indispensável, por URGENTE. É ARQUITETURA POR INTEIRO, pois seus efeitos agem na ESSÊNCIA DO SÊR atingido. Uma ARQUITETURA SOLIDÁRIA que busca nas relações interpessoais a melhor forma de INCLUSÃO. Construindo não só o habitat, o teto, mas os direitos básicos da CIDADANIA. Se na origem foram alguns o futuro lhe reserva muitos.E o DESEJO é que o FUTURO seja o HOJE PARA QUE MUITOS POSSAM SER O TODO. Por tudo isto, registro minha emoção e orgulho, pois sintome cúmplice deste grupo de alunos excepcionais da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do UniRitter, futuros arquitetos brasileiros mergulhados neste tão doloroso e tão real problema nacional a favela e sua gente. Maria Isabel Marocco Milanez CONTATOS FONE (51) 3230.3333 ramal 3258 inloco@ritterdosreis.br

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POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo AMA Ateliê Modelo de Arquitetura UFSC Universidade Federal de Santa Catarina Rua Antonio Edu Vieira, Cidade Universitária da Trindade Departamento de Arquitetura e Urbanismo Centro Tecnológico Florianópolis SC

“Para um arquiteto o mais importante não é construir bem, mas saber como vive a maioria do povo.” Lina Bo Bardi

O AMA surge a partir de uma inquietação. Surge a partir da vontade de refletir e experimentar um novo tipo de atuação do estudante de arquitetura, e do futuro arquiteto, comprometida socialmente. A partir de um questionamento sobre um ensino alienado às questões de nossa cidade, dentro de uma escola burguesa voltada às elites. A extensão universitária que víamos na escola estava longe de ser um espaço de reflexão e atuação pedagógica. A maioria dos trabalhos dos laboratórios era voltado a pesquisas, dentro de um esquema acadêmico de reprodução de saberes. A possibilidade de formarmos um Escritório Modelo nos pareceu fantástica; uma possibilidade de realizar nossos sonhos. Soubemos que já haviam tentado montar um EMAU em nosso curso duas vezes, sem sucesso. Os arquivos das tentativas passadas nos mostraram muita burocracia e pouca interação com a comunidade. Isso nos estimulou a tentar fazer diferente... Em 2000 tivemos oportunidade de sediar um CONEA na UFSC, onde nos informamos sobre os EMAUs. Em 2001 participamos do Vº Seminário Nacional sobre Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo, SeNEMAU, em Campo Grande. Na vivência em um acampamento semterra, discordamos das atividades propostas pela Comissão Organizadora, que não tinha programado um trabalho onde pudéssemos interagir com a população local efetivamente, mas apenas um trabalho braçal, sem troca de experiências com a comunidade. Animados com as oficinas de coberturas alternativas feitas na segunda Semana da Arquitetura da UFSC, resolvemos realizar algumas pequenas coberturas de caixas de leite reaproveitadas e de grama com estrutura de bambu, tudo feito com os materiais disponíveis no local e com a participação dos “barraqueiros” do local, os responsáveis pelas 39


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construções. O resultado desta atividade a alegria da comunidade por poder minimizar todo aquele sol de Campo Grande com tão pouco custo nos emocionou e nos estimulou a voltar pra Floripa e começar a trabalhar. Durante mais de um ano passamos por um processo lento e gratificante, aonde vimos nosso grupo começar a surgir. Foram horas de discussões e a luta era para que o trabalho fosse feito de maneira coletiva. Porém, foi somente com o primeiro projeto que conseguimos avançar nas discussões e aprender com a vivência prática. Antes de elaborarmos estatuto ou regimento interno, fomos experimentar o contato e a aprendizagem direta, o que nos ajudou muito a, depois, saber quais as melhores formas de nos organizar internamente e assim redigir nosso estatuto. A vivência foi fundamental neste processo. “Porque toda crítica que não se desdobra em prática transformadora, é apenas academicismo, no sentido de distanciamento da realidade, ou erudição, no sentido de elitização de um conhecimento.” (Canteiro Livre Experimental e Comunitário num acampamento do MST. Unesp Bauru 2002)

O primeiro projeto surgiu de um contato com estudantes e professora do Serviço Social, na comunidade Santa Terezinha II, no complexo Monte Cristo, periferia continental da capital. No interesse em construir uma cooperativa de doces e salgados, para atender mulheres desempregadas da comunidade, firmouse uma parceria entre nosso grupo e estudantes e profissionais de outras áreas de conhecimento; o início de um projeto multidisciplinar. Fizemos um projeto arquitetônico tecnicamente simples, devido à urgência com que seria enviado a uma instituição alemã de assistência a obras sociais na América Latina, que financiaria o projeto da cooperativa. Já no ano de 2002, com a participação no VI SeNEMAU Porto Alegre e também no IIº Fórum Social Mundial, conseguimos visualizar a amplitude de projetos que podem ser elaborados pelos EMAUs, levando em consideração a inserção do grupo junto a comunidade. Pudemos perceber o reconhecimento da comunidade pela nossa futura profissão e como um trabalho social como esse amplia o entendimento e os significados da palavra 'arquitetura' pelas comunidades. A troca de conhecimentos, através da arte e do contato, é meio de exercício da prática libertária; da extensão mútua. Percebemos como podemos aprender com essas populações, com o saber popular. E levar nossas 40


POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo experiências, num processo constante de troca. Nos organizamos dentro do grupo, reformulando a estrutura interna do AMA, que passou a ser formado por Comissões de Projeto. Nesta época, em março de 2002, surgiram três projetos, o que nos fez optar por essa organização em comissões. Nosso orientador era (é) o professor Lino Peres, figura importante na vida o AMA, desde o início. Grande estimulador e parceiro. Entretanto, como uma das poucas pessoas dentro do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFSC envolvidas com causas sociais, nosso orientador sempre esteve (está) imerso em várias atividades, fato esse que sempre nos deu liberdade para gerir o AMA, mas um tanto de desamparo também, devido a ausências. Refletindo hoje sobre essa questão, sentimos que essa 'ausência' foi importante para nossa autonomia. Por outro lado, nos trouxe (traz) problemas, tanto na orientação dos projetos, como na captação de recursos. Hoje estamos nos aproximando de outros professores, buscando trazer mais e diferentes profissionais para dentro do AMA. E a captação de recursos veio através de um projeto de extensão, que durante todo ano 2002 nos forneceu três bolsas de extensão, uma para cada Comissão. Foi com essas bolsas que dividíamos dentro das Comissões entre 3 ou 4 pessoas que pudemos viabilizar deslocamentos até as comunidades, material de reprografia, revelação de fotos e todo suporte para a realização dos trabalhos nas três comunidades. Além do recurso que conseguimos junto ao projeto ProExtensão: um computador e um acervo bibliográfico. Não conseguimos renovar estas bolsas e até hoje trabalhamos sem qualquer recurso. O trabalho fica assim prejudicado, com menos idas às comunidades, por exemplo. Comissão Chico Mendes Chico Mendes, mais do que uma favela do continente é uma comunidade com nome de guerreiro, com nome de líder da floresta amazônica, sinônimo de resistência e luta. 'Luta' talvez seja a palavra que melhor defina a vida dos moradores da Chico Mendes. Luta diária contra a pobreza, a insalubridade, a exclusão social, a violência crescente. Luta por direito à voz, à cidadania, a um espaço na cidade e foi pra apoiar essa luta que o AMA envolveuse com essa comunidade, desde março de 2002. O assentamento foi formado no começo dos anos 90, na beira da via expressa. As famílias vieram, na grande maioria, do oeste de Santa Catarina, no conhecido processo de êxodo rural. Saíram do campo, onde 41


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as condições de vida são ruins (fruto da mecanização da produção agrícola, além de outros fatores) e migraram para a cidade. Mas na periferia da capital encontram o desemprego e a miséria. Talvez por ser o mais visível dos assentamentos do continente de Florianópolis, pra quem chega na cidade pela BR 101, a Chico Mendes (além das outras comunidades que compõem o bairro Monte Cristo) foi “beneficiada” pelo programa federal de reurbanização Habitar Brasil, posteriormente financiado pelo BID programa esse realizado em diversas capitais do país. Para conseguir o financiamento, a fundo perdido, a prefeitura municipal teve que afirmar a sustentabilidade da implantação do projeto na localidade. Na prática essa “sustentabilidade” não se efetivou, como apontaram diversos estudos feitos na área. O que se percebe é uma imposição autoritária de um modelo urbanosocial. As casascarimbo, de tamanho muito pequeno independente se a família tem 4 ou 10 membros desconsideram qualquer questão de identidade da população. É imposta uma maneira de morar, uma maneira de viver e por estas casas as famílias assumem financiamentos por até 25 anos. Não é feito nenhum trabalho sócioeconômico eficaz junto à população, perpetuando a ação pública de descaso com a totalidade dos problemas sociais. A mera provisão de habitação não tem resolvido as questões da comunidade, pelo contrário, a violência se agrava a cada dia. Áreas de lazer, áreas culturais e de profissionalização inexistem no projeto, assim como inexiste uma política de integração legal, social e urbana destas comunidades à cidade e seus serviços. A imposição autoritária do projeto tem desarticulado o movimento social e tem feito muitas famílias abandonarem o local, já que não conseguem pagar pelas casas, voltando para o campo, ou, principalmente, formando novos assentamentos em áreas mais distantes da cidade. O processo de segregação aumenta, tanto com a abertura de largas avenidas que fragmentam as comunidades, quanto com a exclusão que se mantém. O trabalho do AMA ao longo desse tempo visou a proposição de alternativas aos pontos do projeto. Estivemos junto aos representantes populares desenhando propostas mais condizentes com os desejos da população e tentamos negociar e firmar parcerias com a prefeitura. Entretanto, autoritarismo e incompetência por parte dos técnicos impossibilitaram maiores trocas e assim o projeto, feito em gabinetes, foi 42


POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo implantado. Hoje existe a perspectiva de um grande parque urbano num terreno nas proximidades da comunidade, que iria atender todo o continente, que carece muito de áreas verdes de lazer. Esperase que tal necessidade seja considerada pelo poder público este que historicamente vem agindo em benefício das classes dominantes. E as classes dominadas permanecem sendo escondidas atrás de fachadas na via expressa. Ou nos morros e guetos da cidade... Comissão Panaia A comunidade da Panaia, localizada no bairro Carianos, ao sul da ilha, pode ser classificada como uma pequena favela. Mas com características bem específicas. Ela está restrita a uma área no interior de um quarteirão, em malha urbana já conformada, com um pequeno acesso que lhe dá forte característica de “gueto”. É formada por duas famílias e seus descendente, que atualmente somam 40 famílias e 164 pessoas. São em sua grande maioria negros e ocupam a área a longos 40 anos de exclusão, preconceito e submissão. Depois de um difícil processo para reverter uma ordem de despejo, fomos chamados para desenvolver, em conjunto com a população, o projeto urbanístico, paisagístico e habitacional para a área em questão. Durante sua elaboração, estivemos em contato com a realidade social e com a conformação espacial já consolidada, isso foi decisivo para chegarmos a um projeto coerente, que contempla o planejamento arquitetônico e os anseios da população. Apesar disto, ele precisou sofrer modificações e adaptações devido a extensas e controversas negociações com a Secretaria de Habitação do município de Florianópolis, além do IPUF, Promotoria Pública, etc. Essa experiência nos fez vivenciar a realidade da política pública, e romper barreiras e preconceitos quanto ao diálogo e trabalho em parceria com as comunidades envolvidas. Hoje podemos comemorar. Devido à luta e persistência da comunidade, junto ao nosso esforço diante do processo, conseguiremos, em um futuro muito próximo, executar o projeto em parceria com a Prefeitura Municipal de Florianópolis. O trabalho que desenvolvemos com esta comunidade, ao longo de dois anos, compreende muito mais do que simples extensão universitária. Conhecer e vivenciar as dificuldades pela qual passam os indivíduos destituídos de cidadania e autoestima nos remete a nossa própria vida e 43


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formação, e nos leva a analisar a realidade de forma ímpar, nunca proporcionada pela academia. Projetar lugares ideais, em situações ideais, está longe de ser aquilo que necessitamos como arquitetos e urbanistas para exercer nosso papel tão essencial e subestimado nas cidades em que vivemos. Certamente, acompanhar as conquistas e modificações que se dão na maneira de encarar o espaço que habitamos, a relação entre o todo e as partes, sua influência direta no modo de vida, são sinceramente essenciais para a formação do verdadeiro cidadão. Comissão Angra dos Reis Angra dos Reis é o nome escolhido para uma comunidade ao norte da ilha de Florianópolis, que luta contra a exclusão social. Para muitos, é uma favela, um gueto em meio ao imenso mar de dunas. Dunas próximas à orla da praia dos Ingleses, dunas que avançam, mas que são impedidas de seguir seu fluxo natural por causa da urbanização. É o homem em confronto direto e diário com as forças da natureza. Porém nem sempre foi assim. Uma grande área que incluía parte das dunas, onde hoje é a comunidade, até a praia foi vendida por um nativo e loteada há cerca de 30 anos. Nessa época, muitos moradores conseguiram licença para a retirada de areia de seu lote, que era fixa com vegetação de restinga. O problema é que além de retirada em excesso, a areia começou a ser comercializada, pois não havia fiscalização pelos órgãos competentes. O resultado foi um grande impacto ambiental na área, e a areia sem vegetação começou a avançar no loteamento. Nessa época, o governador Andrino resolveu embargar o loteamento e fazer um novo limite de construção na área, pois essa vinha crescendo desordenadamente devido à retirada ilegal de areia. É aí que inicia a luta de muitos moradores em conter o avanço das dunas em suas casas, com o plantio de mudas nativas. Qualidade de vida é um sonho para muitos que lá residem. Água, luz? Isso parece ser um direito comum de todos cidadãos, porém não é assim em Angra dos Reis. Mas por que algumas pessoas são restritas a esses serviços básicos, se as mesmas pagam impostos e têm um endereço fixo, além de morar em uma rua cadastrada e reconhecida pela prefeitura da cidade? Próxima a uma área turística, a orla de Ingleses, a comunidade deparase diariamente com a falta de coerência dos órgãos públicos, que 44


POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo alegam a poluição do lençol freático pela comunidade, por estar em área de preservação permanente (APP), sendo que a poucos metros dali encontramos esgotos a céu aberto desembocando diretamente no mar. Esgotos de quem? De hotéis de luxo, restaurantes caros, lojas de grife, até de mansões à beira mar. É evidente que para a cidade, é preciso “esconder” certos tipos de população “nãoapropriadas” a certos espaços urbanos. Esse descaso com a luta dos moradores é evidente na proposta do novo plano diretor, hoje em trâmite na Câmara de Vereadores, proposto pelo IPUF, onde a região de Angra é vista em parte como Área Turística Residencial (ATR), cortada por uma grande via, e desconsiderada no fim da rua, como se ela não existisse. A Associação de Moradores ACARI vem lutando pela legalidade da área, para que não sejam despejados. O pedido está parado no Patrimônio da União desde 2002, e enquanto esperam, os moradores atuam na área, em parceria com o AMA, através de trabalhos constantes. Muros de arrimo com garrafas pet, mutirões de plantio de mais de 2000 mudas de plantas nativas, coleta de mais de 2 toneladas de lixo das dunas, participações em reuniões com o Conselho Comunitário dos Ingleses, com vereadores, entrevistas com a mídia, vem fortalecendo cada vez mais o movimento de resistência desta comunidade. O objetivo do trabalho é a criação de um parque na área estabilizada com vegetação nativa, onde os próprios moradores da comunidade poderão mostrar aos outros moradores da Ilha e aos turistas um pouco sobre o que é viver em harmonia com a natureza; as características ambientais e a história de uma área tão bela e conflituosa; além da criação de um espaço gerador de renda para a população. Comissão Serrinha O projeto na comunidade da Serrinha nasceu da união de algumas ações já consolidadas e novos projetos que surgiram após a disponibilidade de um terreno da Universidade localizado na comunidade. Diversas áreas estão envolvidas: Saúde (através do H.U.), Engenharia Sanitária e Ambiental, Biologia e Desportos. Para a continuidade desses projetos sentiuse a necessidade de um local apropriado, cujo projeto está sendo desenvolvido pelo AMA. Seguindo o princípio de aproximação Universidade Comunidade, o prédio disponibilizará de salas, biblioteca, laboratório da Botânica (cujo objeto de estudo será a Mata Atlântica existente no terreno) e uma sala 45


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para administração da AMOS (Associação de Moradores da Serrinha). A AMOS tem sido grande colaboradora do projeto desempenhando com sucesso seu papel de ligação entre Comunidade e Universidade. Os recursos para a construção estão sendo buscados junto à iniciativa privada e a própria comunidade, uma vez que a mãodeobra já existe no local e pode ser ampliada promovendose a qualificação de novos profissionais. O grupo hoje... Com a projeção dos trabalhos do AMA, e através de constantes divulgações dentro do curso (como coquetéis, exposição de fotos, apresentação de vídeos e momentos de debate) conseguimos um espaço no prédio, uma sala que servia de depósito. Ter nossa sala mudou nossa relação com o curso; transformouse numa referência física, um local onde podíamos ser achadas, onde aconteciam as reuniões semanais, enfim, nossa casa. As reuniões semanais são momentos do grupo todo, momentos coletivos, onde cada comissão expõe a situação atual dos projetos, onde trocamos informações, e passamos um tempo juntos. Sempre houve a vontade de estabelecer nesse horário seminários, para leitura de textos e amadurecimento de idéias, chamando professores e estudantes para encontros informais, debates que possam embasar nossa atuação. Porém ainda não conseguimos consolidar essa prática. No ENEA Curitiba 2002, Floripa foi escolhida para ser sede do VIIº SeNEMAU. A partir daí formamos a Comissão Organizadora do SeNEMAU Floripa, que aconteceu em fevereiro de 2003. Preparamos Ateliês na três comunidades em que estávamos envolvidas e propusemos dinâmicas que integrassem os participantes, numa construção/gestão coletiva do seminário. Os debates foram em torno do tema "extensão como comunicação", e foi a partir daí que começamos e estudar mais as teorias pedagógicas de Paulo Freire, e refletir a atuação da extensão universitária dentro de uma prática de educação libertária. Esta reflexão permeia nosso trabalho sempre. O SeNEMAU em Floripa mexeu com o grupo, aumentou nossos vínculos, expôs nossas deficiências. Aproximounos de nós mesmos e das comunidades. O debate sobre "extensão como comunicação" levamos também para o ENEA Ouro Preto, numa oficina que realizamos durante o encontro. A intenção era estimular nos participantes a percepção de formas de 46


POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo linguagem em comunidades excluídas. Entender a arquitetura e o urbanismo destas comunidades como expressão cultural, assim como a música (samba) e os movimentos de resistência (hip hop). Entender a arquitetura e a configuração espacial nestas comunidades como expressões de identidade própria é essencial para atuações junto à esta população. Mesmo com a experiência crescendo (e os resultados dos projetos tendo grande repercussão, inclusive dentro da Prefeitura Municipal) ainda não éramos oficializados dentro do Departamento. Não éramos reconhecidos, embora já tivéssemos um estatuto pronto, e uma atuação cada vez mais consolidada. Tentamos levar a discussão entre os professores, e regulamentar nosso estatuto nas reuniões de Colegiado. Foram meses de tentativas frustradas, e várias questões levantadas pelo corpo discente do curso a grande maioria fruto do medo pela regulamentação de um grupo de autonomia estudantil. Conseguimos o 'reconhecimento' em novembro de 2003, com a oficialização do Estatuto do AMA. A renovação no grupo sempre foi uma preocupação nossa; motivo pelo qual fizemos divulgações do AMA dentro do curso, e produzimos jornais e informativos. A continuação dos trabalhos, e principalmente da essência do tipo de extensão que defendemos, é a razão de tentarmos estimular a entrada de novos integrantes no AMA. O que tem sido difícil, porque apesar do interesse em participar dos projetos, os novos integrantes, na maioria, ainda enfrentam dificuldades no engajamento nas comissões. Tem sido um desafio estimular uma postura mais ativa por parte dos novos integrantes, para que eles façam parte do processo contínuo de construção do AMA. Desafio esse que percebemos em outros EMAUs com a mesma 'idade' que o AMA: as pessoas vão se formando, vão saindo do grupo, e a dificuldade é que o grupo que permanece dê continuidade aos trabalhos, e se transforme cotidianamente, dando sua cara ao EMAU. Pudemos perceber essa questão em conversas e apresentações dos EMAUs no VIIIº SeNEMAU 2004, em Pernambuco. Os EMAUs tem uma vida em constante modificação, e é necessário que os grupos estejam preparados para isso, para as renovações. Concluímos nesta ocasião que uma maneira de fazer isso é estar sempre conversando; estimulando um pensamento crítico, a respeito não só da arquitetura, como do ensino, das ideologias urbanas, da sociedade. Estimulando o potencial de transformação dos estudantes e futuros profissionais, das 47


comunidades e dos movimentos populares. Alimentando sempre os sonhos. “(...) uma atuação prática que busque e aponte novos modos de produção arquitetural, ao mesmo tempo que aprofunde a crítica ao atual modo de produção, mas isso, via uma prática acadêmica que atrele a universidade pública às camadas populares, na problemática espacial dessas camadas e nas questões sociais envolvidas na produção do espaço. Obviamente com o objetivo de emancipação das camadas populares e concomitante superação das contradições estruturais da sociedade.” (Canteiro Livre Experimental e Comunitário num acampamento do MST. Unesp Bauru 2002)

CONTATOS ama_ufsc@yahoo.com.br (48) 3319393 / 3319550 (DAU UFSC)

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POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo Estatuto do AMA Ateliê Modelo de Arquitetura UFSC Universidade Federal de Santa Catarina Rua Antonio Edu Vieira, Cidade Universitária da Trindade Departamento de Arquitetura e Urbanismo Centro Tecnológico Florianópolis SC Carta de princípios do AMA 1 O Ateliê Modelo de Arquitetura é um grupo de extensão universitária, de iniciativa e gestão estudantil, com o objetivo maior de complementar a formação de Arquitetos e Urbanistas através do exercício de ações práticas junto a comunidades, oferecendo às parcelas mais carentes da sociedade, o conhecimento e a tecnologia gerados e acumulados na Universidade, independente de fins assistencialistas, políticopartidários ou religiosos; 2 O Ateliê Modelo de Arquitetura atenderá somente às comunidades de baixa renda e populações sem possibilidades sócioeconômicas de acesso aos trabalhos desenvolvidos por profissionais da área da Arquitetura e do Urbanismo, distribuindo eticamente a produção universitária e ampliando o campo de trabalho de profissionais em exercício regular da profissão, através da conscientização e do reconhecimento do Arquiteto Urbanista por parte destas populações, que vivem à margem cultural da sociedade; 3 Os estudantes do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UFSC são livres para se organizarem em Comissões de Projeto, a fim de realizarem os trabalhos de extensão, sendo garantida a integração vertical entre os alunos de diferentes turmas, incentivando que estas Comissões se organizem da forma que seja mais conveniente para a realização de seus trabalhos, sendo autônomas em relação à seleção de projetos e de orientadores, e não sendo remuneradas pelos beneficiários pela execução de seus trabalhos; 4 O Ateliê Modelo de Arquitetura é aberto à colaboração e ao assessoramento de grupos de pesquisas, laboratórios universitários, profissionais, docentes e estudantes de diferentes áreas do conhecimento, conforme for a necessidade do projeto a se desenvolver, 49


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visando sempre a integração disciplinar e não restringindo a pesquisa das informações necessárias para o projeto no campo da Arquitetura e do Urbanismo. Destacamos a parceria que deve ser estimulada entre o AMA e os Laboratórios do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFSC. 5 O Ateliê Modelo de Arquitetura divulgará, através de suas Comissões de Projeto, todo o conhecimento obtido através das atividades de extensão realizadas, à comunidade acadêmica da UFSC e aos demais estudantes de Arquitetura principalmente através da Federação Nacional dos Estudantes de Arquitetura e Urbanismo do Brasil FeNEA, a fim de promover a socialização do saber e intercâmbio entre os estudantes e demais interessados.

CAPÍTULO I DENOMINAÇÃO, SEDE E DURAÇÃO Artigo 1º O Ateliê Modelo de Arquitetura, doravante denominado AMA, fundado em data da fundação, é uma associação civil, de personalidade jurídica de direito público, sem fins lucrativos e com prazo de duração indeterminado, com sede e foro em Florianópolis, Santa Catarina, com endereço no Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Catarina Centro Tecnológico, no Campus Universitário da Trindade, que se regerá pelo presente estatuto e pelas disposições legais aplicáveis.

CAPÍTULO II FINALIDADES Artigo 2º O Ateliê Modelo de Arquitetura tem como finalidades: a) Proporcionar aos seus membros Efetivos e Associados as condições necessárias à aplicação prática de conhecimentos técnicos relativos à área de formação profissional; b) Desenvolver atividades de assessoria técnica às comunidades 50


POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo organizadas em projetos nas áreas da arquitetura e urbanismo, como habitação, paisagismo e outras, potencializando a atuação profissional nas parcelas da sociedade impedidas de adquirir esses serviços; c) Tornar disponíveis às comunidades carentes que não têm acesso aos profissionais da área da Arquitetura, recursos humanos, técnicos e científicos da Universidade, capazes de contribuir para a melhoria da qualidade de vida e do ambiente construído; d) Realizar os trabalhos de extensão para o coletivo, atingindo o maior número de beneficiários possível, através de Associações de Moradores, entidades e Conselhos de bairro e demais organizações comunitárias, nunca realizando trabalhos assistencialistas, ou de interesse pessoal; e) Realizar estudos e elaborar diagnósticos, bem como assessorar a implantação de soluções indicadas para os problemas diagnosticados em todo o processo do projeto arquitetônico, dos estudos preliminares ao uso e funcionamento; f) Desenvolver projetos com participação dos beneficiários em todas as etapas do projeto em questão, de modo a garantir a mobilização social e a composição de propostas e intervenções arquitetônicas e urbanísticas que respondam democraticamente às necessidades e anseios das populações beneficiadas pelos trabalhos de extensão; g) Valorizar os estudantes e professores da Universidade Federal de Santa Catarina e a referida instituição junto ao meio acadêmico, ao meio profissional e junto à sociedade, bem como promover o reconhecimento da Arquitetura e do Urbanismo e a necessidade da atuação do profissional arquiteto urbanista pela comunidade; h) Desenvolver atividades permanentes de pesquisa em habitação popular, sustentabilidade sócioeconômica, além de estudos urbanos, paisagísticos e de impacto ambiental; i) Estabelecer convênios com instituições nacionais e internacionais, tanto na área de cooperação e intercâmbio técnico e científico, quanto na área de pesquisa, bem como na obtenção de recursos para a viabilização dos princípios interdisciplinares acima propostos; j) Não remuneração dos serviços prestados pelo AMA por parte dos beneficiários, sendo sua sustentabilidade financeira e a de seus participantes entendida como compromisso da UFSC com a produção de conhecimento e tecnologia, e da extensão destes à sociedade. (Ver artigo 29°) 51


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CAPÍTULO III QUADRO SOCIAL, DIREITOS E DEVERES Artigo 3º Os membros e orientadores do AMA poderão ser de 4 (quatro) categorias: a) Membro Efetivo: todo estudante do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Catarina que, interessado nos trabalhos de extensão desenvolvidos pelo Ateliê Modelo de Arquitetura, e integrado a alguma Comissão de Projeto em exercício, contribua através de prestação de serviços para a condução de suas atividades e consecução de suas finalidades, durante um período préestabelecido. Tal membro terá direito à voz e voto em todas as instâncias deliberativas do AMA, inclusive no Conselho do AMA caso esteja representando sua Comissão de Projeto; b) Membro Associado: todo estudante do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Catarina que terá direito a voto somente nas Assembléias do AMA, porém tendo livre direito à voz na Reunião das Comissões de Projeto, assim como no Conselho do AMA. c) Orientador: todo professor do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Catarina que contribua na difusão dos serviços prestados pelo Ateliê Modelo de Arquitetura, através de atuação como especialista na orientação das atividades desenvolvidas, na medida que haja solicitação para sua área de atuação, e na responsabilidade técnica junto ao CREA/SC pelos projetos executados. d) Coorientador: todo Arquiteto e Urbanista, Engenheiro, docente em outras áreas do conhecimento, e demais profissionais que contribuam no desenvolvimento de trabalhos de extensão multidisciplinares, conforme a carência de cada projeto. Artigo 4º Arquitetura:

São direitos dos membros do Ateliê Modelo de

a) Comparecer e votar nas Assembléias Gerais; b) Solicitar a qualquer tempo, oralmente ou por escrito, informações relativas às atividades do Ateliê Modelo de Arquitetura; c) Utilizar todos os serviços colocados à sua disposição pelo Ateliê Modelo de Arquitetura; 52


POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo d) Requerer a convocação da Assembléia Geral e do Conselho do AMA, na forma prevista neste estatuto. Artigo 5º São deveres de todos os membros do Ateliê Modelo de Arquitetura: a) Respeitar o estatuto bem como as deliberações da Assembléia Geral, do Conselho do AMA e da Reunião das Comissões de Projeto; b) Exercer diligentemente os cargos para os quais tenham sido eleitos; Artigo 6º Perdese a condição de membro do Ateliê Modelo de Arquitetura: a) Pela renúncia; b) Pela conclusão, abandono, cancelamento de matrícula ou jubilamento do curso na UFSC no caso de membros Efetivos; c) Pela morte; d) Por decisão de 2/3 (dois terços) dos membros da Assembléia Geral fundamentada na violação de quaisquer das disposições do presente estatuto; e) Pelo esgotamento do tempo máximo de permanência de (3) três anos, salvo os casos onde o Conselho do AMA decidir pela continuidade da execução das atividades de Membro Efetivo. CAPÍTULO IV INSTÂNCIAS DELIBERATIVAS DO AMA TÍTULO I ASSEMBLÉIA GERAL Artigo 7º A Assembléia Geral é o órgão de deliberação soberano do Ateliê Modelo de Arquitetura e poderá ser de caráter ordinário ou extraordinário. PARÁGRAFO ÚNICO No caso de escolha de projetos, ficará submetido à apreciação e aprovação pelo Colegiado do Departamento de 53


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Arquitetura e Urbanismo. Artigo 8º Todos os membros terão direito à voz e voto nas Assembléias Gerais, correspondendo 1 (hum) voto a cada membro, sendo possível a representação por procuração, assim como o pedido de identificação de estudante do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UFSC feito pelo condutor da Assembléia em exercício. Artigo 9º As Assembléias Gerais poderão ser convocadas através de edital afixado em mural do Curso de Arquitetura da UFSC, pela maioria simples do Conselho do AMA, ou de 1/3 (um terço) do total dos membros, com no mínimo 5 (cinco) dias úteis de antecedência. PARÁGRAFO ÚNICO As Assembléias Gerais poderão ser, ainda, convocadas pelo requerimento de 1/3 (um terço) dos membros Efetivos do Ateliê Modelo de Arquitetura. Artigo 10º A Assembléia Geral Ordinária reunirseá uma vez por ano, dentro dos 5 (cinco) meses subseqüentes ao término do ano civil. Artigo 11º A Assembléia Geral Ordinária destinase a: a) Estabelecer as diretrizes fundamentais do AMA, com base em seus princípios e finalidades; b) Discutir os relatórios de atividades elaborados pelas Comissões de Projeto; c) Apreciar a prestação de contas do Conselho do AMA e deliberar sobre questões financeiras relevantes, quando reivindicadas por alguma Comissão de Projeto; d) Eleger o representante discente e o representante dos orientadores do AMA para comporem, juntamente com os representantes das Comissões de Projeto, o Conselho do AMA; e) Aprovar e emendar regimentos a serem encaminhados pelo Conselho do AMA; f) Aprovar a perda da condição de membro Efetivo do AMA, conforme este estatuto, seus princípios e finalidades; Artigo 12º A Assembléia Geral Extraordinária reunirseá a qualquer tempo, por convocação do Conselho do AMA ou de 1/3 (um terço) do 54


POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo total dos membros, não havendo oposição maior que 2/3 (dois terços) dos membros. Artigo 13º Serão nulas as decisões da Assembléia Geral sobre assuntos não incluídos em sua pauta, a não ser que na Assembléia Geral se encontrem presentes todos os membros Efetivos e não haja oposição de qualquer um deles. Artigo 14º A instalação da Assembléia Geral requer a presença da maioria simples dos membros, e suas decisões serão sempre tomadas por maioria simples de votos dos membros presentes. PARÁGRAFO 1º Se na hora marcada para a Assembléia Geral não houver “quorum” para a sua instalação, a Assembléia será dada como adiada para data conveniente, a ser designada pela maioria simples das Comissões de Projeto, através de seus representantes no Conselho do AMA. PARÁGRAFO 2º Caso a hipótese do parágrafo acima venha a se concretizar, fica estabelecido que a exigência do número de presentes passa a ser desnecessária, ficando todavia respeitado o prazo mínimo de 5 (cinco) dias úteis para a sua realização, sendo convocada na forma estipulada no artigo 9, acatandose como válidas as decisões que por ela se venha tomar. Artigo 15º A Assembléia Geral será inicialmente conduzida por um Conselheiro do AMA, ou pelo representante dos membros que reivindicaram tal Assembléia, e as funções de secretário da Assembléia Geral serão desempenhadas por qualquer dos membros Efetivos ou Associados, escolhidos pela Assembléia Geral. PARÁGRAFO ÚNICO Após iniciada, a Assembléia Geral será conduzida pelo membro escolhido entre e os membros Efetivos e Associados presentes. TÍTULO II CONSELHO DO AMA Artigo 16º O Conselho do AMA é o órgão de deliberação de 55


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encaminhamentos e funções administrativas do Ateliê Modelo de Arquitetura, e compete ao Conselho do AMA: a) Regulamentar as deliberações da Assembléia Geral; b) Examinar e emitir pareceres sobre as demonstrações financeiras, relatórios de atividades e orçamentos do exercício apresentados pelas Comissões de Projeto; c) Propor à Assembléia Geral as diretrizes fundamentais do Ateliê Modelo de Arquitetura; d) Manifestar-se sobre propostas de trabalhos e projetos de extensão que lhe sejam encaminhados pela Reunião das Comissões de Projeto, analisandoos e submetendoos aos princípios do Ateliê Modelo de Arquitetura para posterior aprovação ou reprovação das propostas; e) Analisar a responsabilidade técnica dos orientadores indicados pelas Comissões de Projeto quanto ao exercício legal da profissão, segundo a legislação aplicada ao projeto trabalhado pela Comissão em questão; f) Aceitar convênios, subvenções e legados, sem que interfiram nos princípios do AMA; g) Indicar, contraindicar, nomear e destituir Membros Associados para exercerem cargos administrativos no Conselho do AMA; h) Deliberar sobre a forma de administração com que o Conselho do AMA funcionará, tendo como cargos mínimos a serem indicados e nomeados pelo próprio Conselho, dois Coordenadores e um Secretário, sendo estes cargos exercidos apenas por Membros Efetivos ou Membros Associados do AMA; i) Elaborar e planejar o processo de rotatividade dos cargos administrativos; j) Deliberar sobre os casos omissos nesse estatuto, por solicitação encaminhada pela Comissão de Projeto, com recurso da decisão para a Assembléia Geral. PARÁGRAFO ÚNICO O Conselho do AMA se instalará somente com a presença de 2/3 de seus membros e as decisões serão tomadas por maioria simples de voto dos membros representantes. Artigo 17º O Conselho do AMA é composto por um representante de cada Comissão de Projeto, um representante discente do Curso de Arquitetura e Urbanismo e um representante dos Orientadores do AMA, 56


POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo sendo que o número de membros Efetivos do Ateliê Modelo de Arquitetura, no Conselho do AMA, nunca seja igual ou inferior à metade do total de membros do Conselho do AMA. PARÁGRAFO ÚNICO Caso não se completem as vagas do Conselho do AMA, haverá uma Assembléia Geral Extraordinária onde será feita a indicação de membros Efetivos pelas Comissões de Projeto. Artigo 18º Todos os membros Efetivos de uma Comissão de Projeto são suplentes do representante de sua Comissão no Conselho do AMA, em caso de impedimento do representante de comparecer à reunião do Conselho do AMA. Artigo 19º O representante discente que integrará o Conselho do AMA será indicado pela entidade oficial de representação discente do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UFSC, atualmente o Centro Acadêmico Livre de Arquitetura CALA, caso este membro do Conselho do AMA não seja indicado pela Assembléia Geral. Artigo 20º O Conselho do AMA reunirseá, pelo menos, uma vez a cada trimestre, através de edital afixado em mural do Curso de Arquitetura da UFSC, com antecedência mínima de 5 (cinco) dias úteis. PARÁGRAFO ÚNICO As reuniões do Conselho do AMA deverão ser convocadas por sua administração em exercício, ou por uma Comissão de Projeto, assim como estas partes integrantes do Conselho julgarem necessário, ou mediante requerimento de no mínimo 1/3 de seus membros.

TÍTULO III COMISSÕES DE PROJETO Artigo 21º As Comissões de Projeto são investidas de poderes de representação do Ateliê Modelo de Arquitetura, de forma a assegurar a consecução de suas finalidades, observando e fazendo observar o presente estatuto e as deliberações da Assembléia Geral e do Conselho do AMA. 57


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Artigo 22º Compete às Comissões de Projeto: a) Analisar e escolher a área e o projeto em que a Comissão deseja trabalhar, assim como escolher seus Orientadores, e Coorientadores quando necessário, encaminhando ao Conselho do AMA o pedido de abertura da Comissão de Projeto; b) Reunir-se no mínimo mensalmente às outras Comissões, com o propósito de intercambiar informações de cada Comissão de Projeto, na forma de seminários, exposições, vivências ou outros; c) Divulgar as experiências da Comissão de Projeto, obtidas com os serviços prestados ao AMA e à sociedade, para todos os estudantes de Arquitetura e Urbanismo e de outras áreas do conhecimento, e aos demais colaboradores e interessados na extensão universitária de caráter social; d) Responsabilizar-se pelo contato direto com os clientes durante todas as etapas do projeto, das fases preliminares e estudos iniciais ao uso posterior ao trabalho da Comissão de Projeto; e) Responsabilizar-se, juntamente com seu Orientador, pela aquisição e manutenção de bolsas de extensão universitária aos Membros Efetivos da Comissão de Projeto, e de demais angariações de recursos necessários para a sustentação financeira dos trabalhos, sem que estas angariações interfiram nos princípios do AMA e neste estatuto; f) Decidir, entre todos os Membros Efetivos da Comissão de Projeto, como será empregado o total de recursos arrecadados pela Comissão, sejam estes recursos bolsas de extensão ou demais formas de arrecadação que não interfiram nos princípios do AMA e neste estatuto; g) Dissolver o Conselho do AMA, caso este desrespeite o estatuto e os princípios do AMA, ou não cumpra corretamente as atividades para as quais tenha sido designado; h) Propor ao Conselho do AMA a perda da condição de membro do Ateliê Modelo de Arquitetura, conforme as disposições do presente estatuto. Artigo 23º Em quaisquer atos que envolvam obrigações sociais, inclusive assinaturas de contratos, emissão de procuradores, o Ateliê Modelo de Arquitetura será representado pelos Membros Efetivos da Comissão de Projeto que necessitar de representação para cada caso específico. 58


POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo PARÁGRAFO ÚNICO Nos atos que envolverem questões relativas a mais de uma Comissão de Projeto, responsabilizamse pelas obrigações sociais do AMA os membros do Conselho do AMA.

CAPÍTULO V DISPOSIÇÕES GERAIS Artigo 24º Das reuniões, lavrarseão atas que serão paginadas em seqüência ininterrupta e, sendo aprovadas, receberão as assinaturas de todos os membros presentes. PARÁGRAFO ÚNICO As atas não poderão conter linhas em branco, passíveis de posterior utilização, entrelinhas, rasuras ou emendas. Artigo 25º Das atas constarão necessariamente: a) Transcrição do edital de convocação contendo a natureza da reunião ; b) Hora, dia, mês, ano e local de sua realização; c) Nome de quem a conduziu; d) Expediente recebido remetido; e) Síntese das resoluções tomadas; f) Resultado das votações; g) Qualquer outro fato tratado na reunião. Artigo 26º Os resultados do Ateliê Modelo de Arquitetura que por ventura verificarem ao final de cada exercício social, serão compulsoriamente reinvestidos nas atividades por ele conduzidas. Artigo 27º É vedada a remuneração, por parte dos clientes beneficiários, aos integrantes do Conselho do AMA e das Comissões de Projeto pelo exercício de tais funções, bem como a distribuição de bonificações ou vantagens a dirigentes, Membros Efetivos, Associados, Orientadores ou Coorientadores do Ateliê Modelo de Arquitetura. Artigo 28º Os membros Efetivos que se graduarem no exercício de seus mandatos serão substituídos, em caso de impedimento dos mesmos, da seguinte forma: 59


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a) Sendo Membro Efetivo, caberá a sua Comissão de Projeto indicar substituto e encaminhar o seu nome ao Conselho do AMA para aprovação, com recurso para a Assembléia Geral se necessário; b) Sendo Conselheiro, caberá ao Conselho do AMA indicar o substituto e encaminhar o seu nome à Assembléia Geral. Artigo 29º composto:

O patrimônio do Ateliê Modelo de Arquitetura será

a) Pelo produto das contribuições recebidas; b) Pelo produto dos convênios firmados; c) Por subvenções e legados oferecidos e aceitos pelo Conselho do AMA; PARÁGRAFO ÚNICO Todo convênio ou contribuição oferecida ao Ateliê Modelo de Arquitetura terá que ser aprovado pelo Colegiado de Departamento, sendo este responsável por analisar rigorosamente as propostas, observando se estão de acordo com os princípios do AMA. Artigo 30º O Ateliê Modelo de Arquitetura será extinto a qualquer tempo, por deliberação de no mínimo 2/3 dos membros em Assembléia Geral convocada para essa finalidade. PARÁGRAFO ÚNICO Em caso de extinção do AMA, o seu patrimônio será destinado à alguma instituição sem fins lucrativos de cunho social. Artigo 31º É vedada a utilização do AMA com fins de promoção político/partidária, religiosa ou pessoal. Artigo 32º O presente estatuto poderá ser modificado a qualquer tempo em Assembléia Geral convocada para este fim, pelo voto afirmativo de 2/3 dos membros do AMA. Artigo 33º Os casos omissos neste estatuto serão decididos pelo Conselho do AMA, com recurso para Assembléia Geral. Obs.: Este estatuto foi elaborado de acordo com o Art. 19 da Lei nº 6.015, de 31 de de 1973 Lei dos Registros Públicos e com os Arts.53 ao 60 do Código Civil de 2002. 60


POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo Compõe as Comissões de Projeto do AMA na data de sua fundação, os Membros Efetivos do AMA: Comissão Chico Mendes: - Laila Loddi - Sumara Lisboa (coorientadora) Comissão Panaia - Ana Cláudia Lorenzi - Leonardo Silva Rodrigues - Thaísa Kleinubing Comissão Angra dos Reis - Cíntia Fernandes Compõe o Conselho do AMA, na data de sua fundação: Laila Loddi - Representante da Comissão Chico Mendes Leonardo Rodrigues - Representante da Comissão Panaia Cíntia Fernandes - Representante da Comissão Angra dos Reis Everson Martins - Representante dos Estudantes de Arquitetura e Urbanismo da UFSC, através do CALA Centro Acadêmico Livre de Arquitetura. Lino F. B. Peres - Representante dos Orientadores

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Casas Centro de Ação Social em Arquitetura Sustentável UnB Universidade de Brasilia Fau Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Campus Universitário Darcy Ribeiro Brasilia DF O CASAS Centro de Ação Social em Arquitetura Sustentável é o escritório modelo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília. O processo de construção do CASAS se iniciou em uma greve ocorrida nas Universidades Públicas entre agosto e novembro de 2001. Nesse momento, não existia clara a idéia de EMAU por parte do grupo. Só existia a necessidade de propor alternativas a forma de se aprender a projetar na faculdade. O grupo foi se unindo, juntando pessoas que queriam mais contato com a sociedade, em uma cidade como Brasília, onde as comunidades excluídas estão à margem do projeto para a capital do país. Desde 1958, quando foi criada a primeira cidadesatélite, Taguatinga, a cidade vive um processo de expulsão de toda invasão que ocorra no plano piloto para loteamentos com condições mínimas de infraestrutura, distantes em média 30km do centro planejado. Esse processo constitui por enquanto um modelo polinucleado de ocupação urbana, com cidadesdormitório dependentes economicamente de Brasília. O controle exercido pelo governo, que é distrital e nomeia administradores para cada região administrativa, dificulta a organização de comunidades, até pelo fato de serem cidades recentes, com identidade em construção. PRIMEIRA FASE SeNEMAU POA e freirinhas... A partir do VI SeNEMAU em Porto Alegre, tendo tomado contato com o conceito de EMAU difundido pela FeNEA, o grupo se fortaleceu e se viu diante da oportunidade de trabalhar com uma entidade assistencial atuante em uma cidade satélite, o Gama. Essa foi a primeira experiência do grupo, um trabalho com uma entidade que abriga adolescentes com câncer que chegam a Brasília para se tratar em hospital especializado. O fato de ser uma entidade assistencial tornou o trabalho bastante pragmático, pois lidávamos com prazos curtos e limitações de condições de trabalho. A cidade do Gama se localiza a cerca de 50km da Universidade, fazendo com que tivéssemos que nos 62


POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo deslocar por conta própria e trabalhar aproveitando a infraestrutura oferecida pela faculdade. Esse primeiro projeto tinha como objeto final a construção de um novo abrigo para esses adolescentes, que seria uma ampliação da instituição. A comunidade, liderada por irmãs católicas, possuía uma verba para a construção que exigia prazos curtos para que o projeto estivesse pronto. Isso exigiu do grupo, que estava se estruturando, e cheio de vontade de trabalhar, um projeto de arquitetura elaborado em um curto espaço de tempo, e logo em seguida o início do acompanhamento da obra. A relação com a comunidade foi bastante limitada, não estiveram envolvidos com o processo projetual. A liderança era muito marcante e dificultava as relações com as pessoas da comunidade. De qualquer forma, foi uma excelente maneira do grupo ir se testando, conhecendo as relações e entender a forma como queria funcionar. Desde o princípio, adotamos a postura de trabalhar primeiro pra depois pensar em estatuto e formas de gestão. Houve algumas tentativas de formulação de estatuto, todas foram em vão. Outro projeto com características semelhantes foi iniciado no CASAS logo em seu primeiro ano de funcionamento. Dessa vez, trabalhando com uma ONG, também assistencial, em uma outra cidade satélite do DF. Em Brazlândia, a comunidade solicitou ao EMAU um projeto para reforma de uma creche em funcionamento, e a construção, em um outro terreno adquirido pela instituição, de casaslar para crianças órfãs, lar para velhinhos, espaço para cursos profissionalizantes para adolescentes da comunidade. SEGUNDA FASE depois do SeNEMAU Floripa... Dessa vez, após passar pelo VI SeNEMAU na cidade de Florianópolis, o grupo começou a tentar, através das lideranças da comunidade, um maior contato com a comunidade realmente atendida pelas futuras intervenções do EMAU em Brazlândia. O grupo se manteve essencialmente o mesmo, com algumas entradas e saídas... procuramos difundir o EMAU dentro da Faculdade, para alunos e professores, através de coquetéis de apresentação dos projetos, sempre com o apoio do Centro Acadêmico. Inclusive, a maioria dos membros do CASAS eram também membros do CAFAU. Conseguimos aprovação do Departamento para que funcionássemos, recebemos uma sala e computador. Tudo isso somente depois de mostrar o trabalho de um grupo já existente e atuante. 63


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O ano que se seguiu ao SeNEMAU Floripa foi um ano de muitas reflexões em torno do grupo e das tentativas de intervenção em cidades satélites. Ao mesmo tempo em que o grupo sentia a necessidade de um trabalho com comunidades em que pudéssemos ter um maior contato com a realidade espaçosocial das cidades, sem a interferência de lideranças fortes como havia acontecido nos dois projetos, o grupo se via desgastado e com necessidade de procurar renovação. Após incontáveis discussões, nenhuma nova frente de trabalho iniciada, saídas de alguns membros e até da professora orientadora, o grupo chegou a se reunir para decidir se declarava acabado ou não o CASAS. Mas antes que isso acontecesse, novas pessoas interessadas apareceram, e junto com elas uma oportunidade de trabalho com um grupo do curso de Serviço Social da UnB. A proposta era trabalhar a mobilização de uma associação de feirantes atuantes em uma Feira do Produtor, localizada em uma área próxima a um loteamento de classe alta e um de classe baixa, São Sebastião. A feira apresentava características de elemento integrador dessas duas classes, pela sua localização e tipo de produtos oferecidos. A proposta de mobilização, para daí se utilizar da feira como elemento irradiador, partiu do grupo de Assistentes Sociais. Aliado a esse processo de mobilização estaria a intervenção espacial o espaço onde hoje ocorre a feira, a ser proposto pelo CASAS. Nesse início de projeto participaram seis novos membros e dois membros antigos. Foram feitas atividades lúdicas com os feirantes, discussões em torno do projeto através de desenhos feitos na hora com as pessoas, organização de uma feira de trocas para chamar atenção da população, etc. O contato com a feira durou pouco mais de um mês, e, após o início de 2004 o grupo do Serviço Social se desarticulou e a frente de trabalho encontra-se parada. De qualquer forma, foi através desse trabalho com a Feira do Produtor que se fez a passagem do CASAS. Os novos membros começavam a se apropriar do EMAU... TERCEIRA FASE depois do SeNEMAU Recife... Os “calouros” do CASAS estiveram quase todos presentes ao VIII SeNEMAU, em Recife, onde estava se completando essa passagem. E foi muito importante o fato de estarem juntos novos e velhos membros unidos na construção coletiva do encontro junto aos outros EMAUs. No processo de preparação para a longa viagem, o CASAS se juntou para filmar uma apresentação de seus integrantes e trabalhos. No prazo curto, 64


POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo não conseguimos fechar a apresentação, mas o resultado dos encontros e conversas durante a filmagem foi a retomada do sentimento de grupo, do autoconhecimento. Assim, o CASAS chegou em Recife unido e pronto para se apresentar de qualquer outra maneira terminamos cantando um repente, contagiados que estávamos pela cultura Pernambucana. Voltamos do SeNEMAU empolgados pela energia positiva do encontro, prontos para contagiar os amigos que não puderam ir. E foi com essa energia que pegamos um novo trabalho junto à Faculdade que realizou um convênio com uma ONG, visando capacitar estudantes de comunidades marginais do DF num curso de paisagismo, financiado pelo programa 1° emprego do Governo Federal. O objetivo desse processo é realizar intervenções paisagísticas em praças degradadas do entorno de Brasília. Nesse novo processo estão atuando, predominantemente, os novos membros do grupo, enquanto alguns dos veteranos se afastaram, afinal, têm que se formar algum dia. Esse novo trabalho ainda está em andamento, mas a vivência de até então mostrou que um processo projetual participativo junto às comunidades pode ser muito mais completo do que a velha relação estéril cliente X arquiteto. Mostrou também que as parcerias com entidades como ONGs, Governos, Prefeituras e a própria Faculdade possuem um enorme potencial, mas devem ser pensadas com cautela. Isso porque as relações de interesse são muito desiguais e quase sempre resultam em prazos curtos, “só pra mostrar serviço”. Entendemos que isso não condiz com a realidade do trabalho social com comunidades, cada uma com sua dinâmica, cada processo com seu ritmo. Forjar resultados é, essencialmente, uma prática assistencialista. Quem é e foi o CASAS... Carolina Pescatori, Gabriel Schvarsberg, Denise Vieira, Ricardo Soares, Marcel Sant'Ana, Stepan Krawstchuk, George da Guia, Alessandra Lessinger, Lara Oze, Momchil Stoyanov, Pedro Grilo, Thiago Bom Dia, Gobelly Castilo, Juliana Terra e Lia Bezerra. De outras áreas tem também o Veludinho (Márcio Rocha), do Desenho Industrial, e o Jonas do Serviço Social, lembrando que EMAU é também uma atividade interdisciplinar. Professoras Marta Romero, Eliani e Bahiana (Serviço Social) CONTATO casas_unb@yahoogrupos.com.br 65


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CÉLULA Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo Universidade Federal do Espírito Santo UFES Vitória ES Por que CÉLULA? A célula é o início de tudo... É a unidade fundamental da vida... O curso de Arquitetura e Urbanismo da UFES está localizado no prédio denominado CEMUNI (Célula Modular Universitária) III. E como surgimos? A tentativa de montar um escritório modelo na UFES não é recente. Por três vezes alunos se mobilizaram e objetivaram concluir este sonho. Porém as preocupações iniciais eram sempre uma barreira: não tinham espaço físico, não tinham computadores, materiais ou mesmo não conseguiam definir um estatuto. Foi aí que em 04 de dezembro de 2002 o CALAU Centro Acadêmico Livre de Arquitetura e Urbanismo da UFES, organizou uma reunião com o objetivo de disseminar o ideal dos EMAU's para os alunos do curso. Acreditávamos que nesta primeira reunião o interesse dos alunos seria pequeno, que não haveria ninguém além das pessoas envolvidas com o CALAU. Estávamos enganados. Havia mais de trinta alunos entre membros do CALAU e alunos de todos os períodos, que juntos discutiram e aos poucos descobriam o que era “essa coisa” chamada EMAU. Passamos a nos reunir uma vez por semana e passo a passo o grupo foi se consolidando, surgindo então o Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo da UFES, hoje, o CÉLULA. Nossa preocupação inicial era entender o funcionamento de um EMAU, como trabalhar com comunidades carentes e até discutir o que é o termo “carência”. Desde o início não aspiramos por espaço físico e 66


POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo muito menos reivindicamos computadores ou tentamos aprovar um estatuto, queríamos que estas coisas acontecessem como conseqüência. Por este motivo o CÉLULA funciona até hoje dentro de uma caixa onde reunimos todo o nosso material. Nossa forma de trabalho ... CONCEITUAÇÃO: trabalho com a arquitetura social, na prática da extensão dos conhecimentos adquiridos dentro da universidade e adquirindo conhecimentos que a universidade não contempla. INVESTIGAÇÃO: busca de informações dentro da problemática de cada comunidade trabalhada. AÇÃO: elaboração dos projetos em parceria com as comunidades. MULTIDISCIPLINARIDADE: participação de estudantes e profissionais de outros cursos, ONG's e entidades. Nossa forma de trabalho consiste na horizontalidade e cooperatividade no desenvolvimento de todo o processo projetual. “Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.” Clarice Lispector

Os projetos... O CÉLULA trabalha hoje com dois projetos: a humanização da pediatria do Hospital Dório Silva HDS, no município da Serra e a Cooperativa de Blocos e Facções COOBLOFAC, em Cariacica. HDS Hospital Dório Silva O projeto do HDS surgiu logo depois da formação do CÉLULA, através de um contato feito com a Empresa Junior de Comunicação Social da UFES ECOS, que já estava desenvolvendo um projeto de mudança da imagem pública do hospital. O hospital faz parte da rede pública e atende tanto a população excluída moradora da Serra, quanto da Grande Vitória. Hoje ele está integrado em um projeto do Governo Federal de humanização hospitalar e foi dentro da ação deste projeto que surgiu a ONG HUMANIZAR, composta por funcionários de todos os setores do HDS e nossos 67


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principais parceiros e colaboradores. A princípio, fomos chamados a ajudar na comunicação visual interna e externa do hospital e na elaboração do projeto das três recepções que o mesmo possui. Contudo, após uma visita ao local constatamos duas coisas: a primeira que o projeto da sinalização era uma oportunidade de interdisciplinaridade, visto que os alunos do curso de Desenho Industrial estariam mais habilitados a desenvolvêlo e que poderíamos aprender com isto; a segunda que a estrutura do Hospital se encontra em estado precário e, aí sim, acreditamos que enquanto estudantes de arquitetura poderíamos dar nossa significativa contribuição. Após reuniões com o Grupo Humanizar, de acordo com as possíveis parcerias, definimos nossa área de atuação: a Pediatria. Realizamos então, os primeiros levantamentos, registros fotográficos, fluxogramas, levantamos, com o auxílio dos funcionários, as necessidades Foto 01 Área externa da Pediatria técnicas e produzimos um diagnóstico sobre o qual baseamos o nosso projeto. O projeto já foi concluído e construído junto ao corpo médico e funcionários envolvidos com aquele setor do hospital. Elaboramos uma planilha de orçamentos e agora aguardamos resposta dos possíveis patrocinadores e parceiros do HDS. Foto 02 Enfermaria 308

COOBLOFAC Cooperativa de Blocos e Facções Através da ONG OPS (Organização de Práticas Sociais), um grupo de Vitória formado por alunos e profissionais que atuam na área de direito dentro de comunidades excluídas que buscam se organizar, fomos apresentados a alguns cooperativados da COOBLOFAC Cooperativa de 68


POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo Blocos e Facções do município de Cariacica. A COOBLOFAC foi criada através de um incentivo do movimento missionário da Igreja Católica, objetivando uma fonte de renda para famílias de comunidades carentes daquele município. Nas primeiras aproximações com a cooperativa, as principais solicitações eram de que se desviasse o curso da água que passa não só pelo terreno mas por todo bairro, provocando constantes inundações, e ainda a criação de uma quadra de futebol que proporcionasse uma maior integração Foto 03 O terreno da COOBLOFAC dentro da comunidade na qual a fábrica se insere. Realizados os levantamentos físicos e fotográficos do terreno, constatamos junto com os cooperativados que as necessidades da cooperativa estavam além do solicitado, visto que a própria linha de produção e espaços físicos já existentes poderiam ser otimizados. Foto 04 O Entorno.

Sendo assim, entramos numa nova fase: auxiliar tecnicamente na organização dos espaços, repensando o local visando a coexistência entre indústria de blocos e futura área de lazer. Com a parceria e coorientação de Marcelo e Rita, ele engenheiro civil e ela arquiteta, assim como com a significativa colaboração dos cooperativados envolvidos, hoje estamos realizando o projeto de um galpão para armazenamento e secagem dos blocos produzidos pela fábrica. Alcançar as comunidades tem sido um dos maiores desafios dentro do trabalho dos EMAUs. No caso da COOBLOFAC pretendemos trabalhar a conscientização de toda a comunidade para que possa cuidar do manancial hídrico que possui. Também neste intuito seguiremos realizando o projeto da área de lazer que proporcionará, como já foi dito, a integração entre comunidade e cooperativa

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EMCASA Escritório Modelo de Causas Sociais em Arquitetura UFAL Universidade Federal de alagoas

FORMAÇÃO A Universidade Federal de Alagoas tem um histórico marcante no que diz respeito à participação em trabalhos sob forma de Escritório Modelo. Já existiram duas versões anteriores de grupos de EMAUS na UFAL e Maceió foi a cidade sede do primeiro SENEMAU, que aconteceu em 1984. A vontade de se formar, novamente, um Escritório Modelo na UFAL surgiu no segundo semestre de 2003, após o ENEA Ouro Preto, onde ocorreram discussões sobre o projeto desenvolvido pela FENEA que incentivava a ação dos universitários numa perspectiva social da arquitetura. Vários estudantes se identificaram com a ideologia de um EMAU e, a partir daí, reuniões públicas começaram a acontecer semanalmente para se debater questões referentes ao POEMA e à Carta de Princípios. O próximo passo foi escolher um nome que pudesse representar, de imediato, os interesses de seus integrantes, mostrar o engajamento do grupo em dar um retorno concreto para a sociedade, visando a melhoria da qualidade de vida nas comunidades carentes, bem como a troca de experiências entre a sociedade e os estudantes. Assim, foi escolhido o nome EMCASA, Escritório Modelo de Causas Sociais em Arquitetura. Causa, devido ao fato de que, formalmente, determina a condição de ser do Escritório Modelo e como causa eficiente, significa que o EMAU é capaz de gerar fenômenos em sua área de atuação; Sociais, pela disposição de trabalhar junto às comunidades carentes, visando o crescimento e desenvolvimento da sociedade. Após um tempo de debates, decidiu-se que estava na hora de se elaborar o estatuto do EMCASA, o que mais tarde demonstrou que esta foi uma ação precipitada, devido à imaturidade do grupo o que provocou problemas no que diz respeito à interpretação do estatuto, principalmente no referente ao público que se beneficiaria com o trabalho do Escritório Modelo. A dificuldade foi exposta durante o SENEMAU Recife, e ficou decidido que o estatuto só seria formulado quando o grupo tivesse mais experiência e se sentisse preparado para isto. 70


POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo Com as experiências trocadas no SENEMAU Recife e o apoio do projeto CARAVANAS realizou-se o momento POEMA na UFAL, o que disseminou a idéia do EMAU entre os estudantes de arquitetura. Em seguida houve uma apresentação formal do que era o EMCASA e qual os seus trabalhos para o Departamento do curso, o que rendeu o apoio dos professores. Foi também através desta apresentação que o Escritório Modelo conseguiu captar seus primeiros projetos e professores orientadores. ALTO DA BOA VISTA O primeiro projeto do EMCASA junto à comunidade foi em Guaxuma, um bairro de Maceió em um assentamento conhecido como Alto da Boa Vista. Trata-se de uma área alta, próxima à praia, detentora de uma magnífica vista para o mar, e que atualmente vem sendo vítima da especulação imobiliária. O lugar se encontra no início de um processo de usucapião urbana para fins de moradia coletiva, e dentro deste processo, o EMCASA foi solicitado através da professora Regina Dulce, que tinha contato com a associação de moradores, para realizar um levantamento sócio-econômico e territorial da área, necessário para se ter conhecimento da quantidade de famílias que habitavam o local e para a divisão dos lotes. O primeiro passo foi fazer contato com a população, e conhecer melhor a situação da área. Aos poucos se foi descobrindo as particularidades da área, observou-se: que há ocupação em encostas, e em muitas vezes os caminhos se fazem em descidas íngremes e estreitas; que o campo de futebol é um marco espacial para os habitantes; que a nomeação das ruas se deu a partir do posteamento da região pela companhia de energia do Estado; que existem vales naturais que fazem a drenagem das águas pluviais; e conhecemos até o grupo musical que é formado por alguns jovens do assentamento. Numa segunda ida ao local o grupo foi dividido em equipes, que com a ajuda de alguns moradores fizeram o levantamento programado. Infelizmente, tratava-se de uma batalha jurídica contra uma grande construtora de Alagoas que havia adquirido uma parte das terras, onde está localizada a invasão, num leilão promovido pelo Estado. Até hoje estamos esperando resultados das etapas seguintes do processo, que diz respeito ao levantamento topográfico realizado por técnicos da 71


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prefeitura e à questão jurídica (pedida na defensoria pública), para que o trabalho seja levado adiante. Felizmente contamos com o apoio do curso de Direito da UFAL, que procura estudar o caso e faz o possível para ajudar. MIOSÓTIS O projeto Miosótis consistia na elaboração de um espaço que funcionasse como biblioteca, e na requalificação de uma sala de multiuso numa escola de primeiro grau situada no bairro do Henrique Hequelma, em Maceió. Tal escola é sustentada e comandada por uma ONG, que contactou o EMCASA através da coordenação do curso. Foram feitas várias visitas à escola, onde se procurou fazer o levantamento espacial e de necessidades para a execução do projeto arquitetônico, que devia estar em harmonia com as edificações já existentes e com a vegetação do local, que é uma característica marcante da escola, cheia de fruteiras e flores que dão um aspecto de sítio. Como o trabalho se fazia urgente, devido a sua precisão para viabilização de um projeto de captação de recursos financeiros e reconhecimento da escola junto ao MEC, a interação com as crianças ficou deficiente, pois a intervenção do EMCASA aconteceu no período de férias. FAVELA DO LIXÃO O EMCASA também teve uma pequena participação no cadastro sócio-econômico das famílias que habitam as Vilas Emater I e II, conhecidas como favela do lixão, realizado em parceria com a Caixa Econômica Federal. Os moradores do lugar conseguiram a autorização de financiamento para a construção de suas casas, urbanização e regularização da situação fundiária por parte do Ministério das Cidades. O trabalho era muito parecido com o do Alto da Boa Vista, e com o cadastramento pode-se constatar a realidade de uma parcela da população muito excluída, que possui a carência de tudo, principalmente higiene, observado pelo fato de que estavam morando em meio ao lixo do Lixão de Maceió e todas as pessoas sofrem com problemas de doença de pele, desde idosos até recém nascidos. 72


POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo Como no caso do Alto da Boa Vista o processo jurídico encontra-se em andamento, e neste caso, com problemas na liberação do espaço, pois o terreno destinado para a ocupação destas pessoas está penhorado em mais de quinze diferentes processos contra o Estado de Alagoas.

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EMAU - PUC-MINAS Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo - PUC-Minas Pontifícia Universidade Católicas de Minas Gerais

Quem dera eu achasse um jeito de fazer tudo perfeito, feito a coisa fosse o projeto e tudo já nascesse satisfeito. Quem dera eu visse o outro lado, o lado de lá, lado meio, onde o triângulo é quadrado e o torto parece direito. Quem dera um ângulo reto. Já começo a ficar cheio de não saber quando eu falto, de ser, mim, indireto sujeito.

Sede do EMAU PUC- Minas,foto2004.

LEMISKI, Paulo.Sujeito Indireto

Em 2001, estudantes da PUC-Minas do curso da Arquitetura e Urbanismo, presentes no XXV ENEA (Encontro Nacional dos Estudantes de Arquitetura e Urbanismo), tomaram conhecimento do projeto de Escritórios Modelos de Arquitetura e Urbanismo, fomentado pela FENEA, já havendo, naquele momento, alguns Escritórios Modelos em funcionamento. No segundo semestre do mesmo ano começou, então, o trabalho de implantação do EMAU na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Instalado no espaço onde funcionava a antiga sede do Diretório Acadêmico de Arquitetura e Urbanismo (D.A.A.U.), que a princípio havia sido pleiteado a prefeitura do campus, o escritório teve seu início marcado pela busca de entendimento dos princípios formadores de um Escritório Modelo, bem como pelo estabelecimento de um conceito próprio, caracterizado pela formulação do Regimento Interno e do Estatuto (em anexo). Decorrente de a proposta caracterizar o EMAU como Extensão Universitária tornou-se necessário o reconhecimento do escritório perante a Universidade, ressaltando que o D.A.A.U. e o Departamento do curso o fizeram de imediato. Um projeto para apresentação do Escritório Modelo foi elaborado para a apresentação a Pró Reitoria de Graduação, com o intuito de se obter apoio institucional 74


POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo desta universidade. Dessa apresentação e recorrente reconhecimento, resultou a demanda pelo primeiro projeto, uma creche, em Nova Contagem, município de Contagem, em Minas Gerais. Com uma infra-estrutura ainda precária e com dificuldades financeiras, seus trabalhos eram desenvolvidos por seus membros em suas residências, nas proximidades da Universidade. Somente as reuniões ocorriam na sede do Escritório, a fim de gerar movimento e de assegurar a permanência do espaço físico. Com uma pequena área, aproximadamente 12 m², o escritório está bem situado dentro da Universidade, em uma localidade agradável e de boa visibilidade para alunos do curso e freqüentadores do campus, o que tem mostrado suma importância para coletivizar o conhecimento e os trabalhos nele desenvolvidos. Seu mobiliário foi doado, em parte pelo D.C.E. (Diretório Central dos Estudantes) e pelo D.A.A.U, e adaptado ao escritório pelos membros em suas reformas, em regime de mutirão. Em julho de 2003 o EMAU conseguiu através de uma solicitação à Pró-Reitoria de Infra-estrutura um novo mobiliário, que foi projetado por seus membros e será desenvolvido na marcenaria e serralheria da própria Universidade. Hoje, devido à falta de computadores, desenvolvemos nossos projetos no laboratório de informática do curso de Arquitetura e Urbanismo ou na sede do D.A., debilitando nossas atividades no espaço do escritório, mas sem inviabilizá-las. O escritório conta, desde 2003, com um auxilio financeiro do Diretório Acadêmico, que mensalmente faz um repasse, sendo este fundamental a manutenção de suas atividades. Este repasse possibilita adquirir os materiais necessários no dia-a-dia do escritório, como papéis, esquadros, lápis, materiais de limpeza, dentre outros. Contamos também com um ramal telefônico disponibilizado pelo departamento do Curso. À medida que a demanda de projetos foi surgindo, o escritório foi avaliando as necessidades e viabilidades de atuação no que se refere às relações internas e forma de trabalho, deste modo foi elaborado o Regimento Interno. Sendo assim, a cada projeto ficou determinado um número médio de 4 (quatro) membros, variando de acordo com a demanda do projeto, sendo um deles Coordenador de Projeto. A apresentação do andamento acontece nas Assembléias Gerais Ordinárias que ocorrem toda segunda-feira na sede do escritório, aberta a todos os alunos do curso. Por muitas vezes as discussões não são findadas nessas assembléias, gerando a necessidade de um 75


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prolongamento, onde é suprido, com a organização de um seminário de exposição dos trabalhos, também aberto a toda a comunidade PUC Minas. Para convidar os interessados é feita uma divulgação nas salas de aula através de panfletos que contam um pouco sobre nosso trabalho e objetivo. A inserção de novos membros acontece em função do interesse e disposição do novo integrante. Enquanto não surgem novas demandas no escritório, o candidato pode e deve freqüentar normalmente as Assembléias Ordinárias para melhor compreensão do conceito e do funcionamento do EMAU e participar da gestão do escritório. Ao ser selecionado para participar do desenvolvimento de algum projeto, o candidato não é automaticamente aprovado como membro, isso ocorre somente após um período experimental, onde seu desempenho e interesse são avaliados, podendo-se identificar, desta forma, as pessoas realmente compromissadas com as atividades do EMAU. Os interessados em integrar-se ao corpo do escritório modelo recebem um material informativo juntamente com um formulário, que deve ser preenchido e entregue ao escritório. Quanto à administração: Foram delegados cargos de diretorias no intuito de divisão e atribuição de tarefas; são realizadas Assembléias Ordinárias, toda semana, e Assembléias Extraordinárias, ao menos uma vez por mês, para definir assuntos burocráticos; Atas são redigidas em todas as reuniões, sejam elas ordinárias ou extraordinárias, e registradas em cartório quando assuntos de caráter administrativo ocorrem; O Estatuto, contendo o Regimento interno, foi registrado em cartório e foram providenciados o CNPJ e a isenção de INSS, o que nos trouxe maior liberdade e segurança de atuação. O trabalho desenvolvido pelo EMAU PUC-Minas, caracterizado como extensão universitária, é impulsionado pela prática de aprendizado e crescimento através da troca de vivência e de saberes com as comunidades a que estivermos nos relacionando, caracterizando a todos como agentes produtores e perpetuadores de conhecimento. O propósito deste escritório é restituir à profissão o seu sentido social, público e ético na busca por sociedades mais harmoniosas e cidades mais humanas. Visando a concretização de nosso intuito, projetos foram iniciados e em pequenos resumos, os descrevemos abaixo, uns se encontram em andamento, outros foram findos por diversificados fatores,

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POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo Creche Ipê Amarelo

Imagens do projeto realizadas em 2002

A Pró-Reitoria de Extensão da PUC-Minas iniciou em 1996 um Projeto de Desenvolvimento Comunitário na região de Nova Contagem, município de Contagem, denominado Projeto Cireneu / Estação Nova Contagem. Esse projeto desenvolve atividades de extensão em diversos setores dessa região, como por exemplo: educação, saúde e infância, sempre com o objetivo de apoiar e incentivar a organização comunitária do local. Esse trabalho tem caráter inter e multidisciplinar e conta com a participação de alunos e professores de diversos Departamentos da universidade, incluindo o de Arquitetura e Urbanismo. Conhecendo a proposta de trabalho do EMAU PUC-Minas, o professor Cláudio Listher Marques Bahia, Chefe do Departamento de Arquitetura e Urbanismo, durante o segundo semestre de 2001, convidou o escritório para desenvolver dentro do Projeto Cireneu / Estação Nova Contagem seu primeiro projeto arquitetônico, uma creche para a comunidade do bairro Ipê Amarelo, na Região de Nova Contagem. Os alunos que participaram do desenvolvimento do Projeto da Creche Ipê Amarelo aprenderam a trabalhar em equipe e venceram o desafio de projetar uma creche com qualidade arquitetônica, em um pequeno terreno e com severas limitações financeiras, realidade quase ausente nas salas de aula dos cursos de Arquitetura e Urbanismo do país inteiro. Apesar de simples e compacta, a creche exprimi parte do universo lúdico em que devem envolver-se as crianças, através de suas cores vivas, seu espaço para brincadeiras e seus equipamentos. Além disso, respeita as características do bairro Ipê Amarelo e, provavelmente, será por muito tempo no local o melhor exemplo de uma boa edificação, respeitosa com seu público e com seu entorno. No final de 2003, a comunidade procurou novamente o EMAU PUC MINAS para desenvolver o projeto executivo, que se encontra hoje em andamento.

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Colégio São Francisco Em abril de 2002 o EMAU PUC-Minas foi contactado pelo então Diretor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo, Cláudio Listher Marques Bahia, representando a Pró-Reitoria de Extensão da Universidade, afim de acordar um projeto entre o EMAU e a Universidade, visando a execução de um levantamento arquitetônico do Colégio São Francisco, em Conceição do Mato Dentro, Minas Gerais. Esse levantamento seria o início de um projeto de recuperação da escola-rural, desativada em 1987. A escola era de importância significativa para a cidade e para a região, formando mão-de-obra qualificada para atuação na região, predominantemente rural. Identificada a demanda e discutida a atuação do EMAU no levantamento, foi comunicado ao Diretor Cláudio Bahia a aceitação do projeto pelo EMAU. Ficou então acordada a participação do EMAU apenas no levantamento do Colégio São Francisco, não havendo participação no projeto arquitetônico de adaptação para reativação do mesmo. O trabalho do EMAU foi concluído na entrega do levantamento digitalizado à PUC-Minas.

Predinhos de Santa Tereza

Fotos em 2003, por Rodrigo Bueno Belo

Em março de 2002, o então Pró-Reitor de Extensão, Bonifácio Teixeira, procurou o EMAU PUC-MINAS para a realização de um projeto de adaptação e adequação de dois edifícios abandonados no bairro de Santa Tereza, na rua Clorita, números 64 e 100, em Belo Horizonte, apelidados pelos moradores de Predinhos de Santa Tereza. Os edifícios tiveram suas obras paralisadas em 1995, quando a JET 78


POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo Construtora, responsável pelo empreendimento, pediu falência e abandonou as obras dos edifícios. Com os prédios vazios e seus esqueletos de concreto estagnados, em 1997 moradores de rua apropriaram-se dos edifícios, onde instalaram-se com suas famílias e executaram pequenas obras afim de possibilitar sua habitação. Sem nenhuma infra-estrutura, os moradores ocuparam precariamente os dezessete andares de ambos os edifícios. A atuação do EMAU, sob a orientação da professora e arquiteta Margarete Araújo, ficou acordada como elaboração de infra-estrutura e adaptação das instalações existentes. Iniciaram-se rapidamente os trabalhos de levantamento e diagnóstico dos problemas existentes no local. Os membros envolvidos ficaram, a princípio, responsáveis pela elaboração de um diagnóstico, que seria apresentado à comunidade e entregue aos moradores membros da comissão para guarda do mesmo. Já em 2003, a orientadora sugeriu e argumentou junto aos membros do EMAU, envolvidos ou não no projeto, uma parceria entre o Escritório Modelo e o Escritório de Integração, por ela coordenado. Após algumas semanas de discussão e reflexão, optou-se pela parceria, com a concordância da maioria dos membros do EMAU. A partir desse momento surgiram novas possibilidades de viabilização do projeto. Ao final de 2003, o Governo da Minas Gerais disponibiliza recursos financeiros e reforça apoio legislativo ao trabalho desenvolvido junto aos moradores dos Predinhos de Santa Tereza. Com isso, então, forma-se uma equipe maior, onde são agregados arquitetos recém formados e mais orientadores. Os Predinhos de Santa Tereza são foco da atenção dos meios de comunicação da cidade. O EMAU acabou sendo citado em algumas dessas matérias, o que o evidenciou dentro da Universidade e o fez, por fim, ganhar notoriedade em jornais e em programas da TV PUC. É um projeto com programa extenso, que, por tanto, terá várias gerações de estudantes envolvidos

Plano Diretor do Instituto Raul Soares (I.R.S.) Durante o mês de setembro do ano de 2002, o Professor Fernando Lara e a Gerente do IRS, Instituto Raul Soares, Daniela Dinardi apresentaram ao EMAU uma proposta de elaboração de um Plano Diretor para o Instituto. O I.R.S. é um hospital psiquiátrico, que possui 79


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tombamento municipal de fachadas, volume e conjunto paisagístico, inserido no tombamento do Conjunto da Praça Floriano Peixoto e adjacências. Localiza-se no bairro Santa Efigênia, área hospitalar de Belo Horizonte. A necessidade de um Plano Diretor para o I.R.S. justifica-se pelo fato de algumas alterações serem imprescindíveis para adequar o edifício às novas tendências no tratamento psiquiátrico que vêm se desenhando nas últimas décadas. Tal adequação precisa ser feita sem agredir o conjunto paisagístico e o edifício tombado, nem a sua relação entre os imóveis do entorno imediato. Além disso, outro aspecto muito relevante é o fato de se tratar de um terreno amplo e bem localizado que esta sendo mal utilizado, despertando assim a atenção da especulação imobiliária. Sabe-se que a especulação imobiliária, para atender a interesses privados, pode gerar usos e ocupações inadequados a tal área, inibindo potencialidades que ela tem para uso do hospital e para o uso público da cidade. Um Plano Diretor para o Instituto Raul Soares orientará essas mudanças previstas, bem como resguardará tal área de um eventual uso impróprio. Além disso, auxiliará na recuperação física do edifício e resgate de sua história, que é de significativa importância para a memória da cidade de Belo Horizonte. Desde outubro de 2003 o EMAU vinha tentando viabilizar o projeto do Plano Diretor do I.R.S., sob a orientação do professor Fernando Lara. Mas com a eleição do novo Governador do Estado, alguns diretores e funcionários do Instituto foram substituídos, o que acarretou na quase total paralisação das atividades. Esse fator, associado às dificuldade de se conseguir recursos para a elaboração do projeto, juntamente com as reflexões levantadas sobre a ética do trabalho dentro do escritório, fizeram com que o trabalho fosse encerrado.

Vilas do entorno do Parque do Caraça

www.desvendar.com/parquesereservas/santuariodocaraca

Fotos de 22/03/2003,por Rodrigo Bueno Belo

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POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo Em 2002 a PUC-Minas e a RPPN do Caraça - Reserva Particular de Patrimônio Natural do Caraça (um antigo colégio, fundado ainda no século XVIII, importante mais tarde na formação de diversos políticos da República brasileira e que mereceu, dentre outras, a visita do imperador do Brasil Dom Pedro II, já no século XIX) - firmaram um extenso convênio de atendimento ao Parque e às vilas de seu entorno, envolvendo diversos cursos como Arquitetura, Biologia, Geografia, Serviço Social, Enfermagem e Sociologia, no intuito de dinamizar e preservar a área e as construções históricas de sua responsabilidade, além de oferecer suporte às pequenas vilas que circundam o Parque, buscando formas de beneficiar as comunidades que lá se desenvolveram. A participação do EMAU neste projeto acontece através da investigação das necessidades de intervenção ou reeducação da cultura construtiva local, oferecendo apoio técnico e suporte às futuras intervenções arquitetônicas executadas pelos moradores em suas construções, caracterizando o projeto, em primeira instância, como uma atividade de pesquisa. Hoje, o EMAU, em parceria com o Departamento de Arquitetura e Urbanismo, sob a orientação do professor Cláudio L. M. Bahia, está investigando e fazendo o reconhecimento do sítio urbano e da comunidade residente em Santana do Morro, vila escolhida inicialmente para tal investigação, buscando maior aproximação e maior conhecimento de sua população e de suas demandas, objetivando aprimoramento de propostas, afim de torna-las familiarizadas com a comunidade Santanense.

Sede da Associação Campo dos Sonhos No final de 2002 o EMAU foi procurado por uma estudante de Biologia da PUC-Minas, representando a Associação Campo dos Sonhos, responsável por fornecer refeições e apoio aos moradores de rua de Belo Horizonte, com o pedido de execução do projeto arquitetônico de sua sede. Com um terreno doado em Betim, região metropolitana, de aproximadamente 360m², o escritório foi incubido de conceber um edifício com sala para administração, auditório, banheiros equipados com chuveiros e cozinha industrial para atender às necessidades da Associação. Iniciados os estudos de ocupação do lote e das leis de uso e 81


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ocupação do solo locais, o EMAU defrontou-se com um problema de ordem legal, o loteamento doado à Associação estava irregular, além de localizar-se no perímetro de uma APA - área de proteção ambiental. Em assembléia, colcuiu-se que um projeto arquitetônico, na atual situação, acarretaria possivelmente mais danos que benefícios a área. O escritório busca agora formas de auxiliar a Associação na resolução do problema, para enfim regularizar a situação legal do terreno e efetivar o projeto arquitetônico da sede, dando prosseguimento aos estudos do projeto sob a orientação do arquiteto José Euzébio Teixeira.

Pintando o 7 O Pintando o 7 é um projeto de mobilização social do EMAU PUCMinas, que envolve o corpo discente e docente do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade, com objetivo principal de mostrar aos alunos do 1º período uma faceta da profissão do Arquiteto e Urbanista, que muitas vezes não está dentro de suas expectativas iniciais e/ou é desconhecida por alguns. Além disso, colocar em contato esses alunos com as atividades que ocorrem no EMAU, trabalho que provavelmente terá continuidade com a participação de muitos deles. Ocorreria, assim, através de uma parceria entre o Escritório Modelo e a disciplina de Desenho e Expressão, deslocando o trabalho final, pintura em painéis, para fora do campus, onde estão sendo desenvolvidos trabalhos do escritório com comunidades já organizadas, como ocorre, por exemplo, nos Predinhos de Sta. Tereza. O projeto consiste em pintar casas, muros ou outra peça urbana como trabalho final da disciplina de Desenho e Expressão. Essa intervenção seria previamente acordada entre os moradores e os alunos, provavelmente por intermédio da liderança comunitária, evitando ou diminuindo o risco de uma intervenção indesejada ou indevida no local, podendo ser também trabalhada isoladamente ou como parte de um painel, composto pelas áreas ou peças urbanas beneficiadas. Quanto à viabilização financeira da atividade, pode-se buscar junto à Extensão ou até mesmo ao setor privado o material necessário à sua execução, cabendo ao EMAU PUC-Minas a escolha do local e a interlocução entre a liderança comunitária e a Universidade.

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POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo Mutirão dos Conjuntos Habitacionais Jaqueline e Leblon O projeto de atendimento ao mutirão dos conjuntos habitacionais Jaqueline e Leblon, em parceria com a ASP - Assessoria Social e Pesquisa - é um trabalho de orientação e treinamento para formação de mão-de-obra, capacitada a ler e entender projetos de arquitetura e urbanismo no canteiro de obras,que, permitindo ao operário da construção civil e aos futuros moradores dos conjuntos, busca uma melhor compreensão e participação no processo de construção das moradias. Neste projeto, o EMAU PUC-Minas, dada a insuficiência curricular em abordar o processo construtivo in loco, conseguiu com um dos mestres-de-obras encarregados das obras do campus Coração Eucarístico, em Belo Horizonte, organizar um treinamento em obras de construção civil dividido em dois módulos teórico e prático afim de capacitar e auxiliar os membros do escritório no treinamento dos moradores dos conjuntos em construção. Porém, no ano de 2004 não foi possível a Prefeitura de Belo Horizonte disponibilizar recursos para continuar as edificações o que acarretou a paralisação do mutirão e de nossos trabalhos.

Av. Dom José Gaspar, 500 prédio s/n estacionamento do IPUC - Coração Eucarístico Belo Horizonte - Minas Gerais - CEP: 30535-610 CNPJ: 05.580.853/0001-63 Contatos: emaupucminas@yahoo.com.br

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9º SeNEMAU - Seminário sobre Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo O nosso projeto mais recente foi a realização do SeNEMAU Vitória. Um processo que começou durante o 8º SeNEMAU em Recife e que veio se consolidar no CONEA Brasília, em que, enfim, aceitamos sediar a 9ª edição deste que consideramos um dos mais importantes projetos da FeNEA Federação Nacional de Estudantes de Arquitetura e Urbanismo. A TODOS AQUELES QUE TÊM NO CORAÇÃO UM IDEAL E pensar que um mundo inteiro cabe numa caixa. Um mundo de sonho, um mundo de esperança, um mundo de sorrisos. Uma caixa que de mão em mão, de coração em coração, constrói a História, edifica a vida de tanta gente. Sua tampa se abre e nunca se fecha. Em seu interior, os projetos do Seu João e da Dona Maria, os desenhos da comunidade, o idealismo suado da galera, o olhar desses jovens arquitetos, a paixão desse povo bonito, dessa força jovem que emociona, que grita bem alto que a juventude não deixou de sonhar, não deixou de provocar, não perdeu a vontade de lutar; e que, olhando pela janela, viu com os olhos da beleza e da técnica um mundo melhor para o seu próximo, um mundo digno para o seu povo. Segurem bem forte essa caixa! Não a deixem titubear! Essa idéia é modelo de um escritório social, de um ofício ideal, que pensa coletivo, que acredita que é possível tornar, em verdade, o desejo em realidade. Anderson Buss Woelffel estudante da UFES (texto redigido logo após assistir a apresentação do EMAU para a comunidade acadêmica) 22 de maio de 2003...O EMAU é móvel, pode estar em qualquer lugar...

“... atuar com o EMAU se apresenta como um excelente exercício de ética profissional e, acima de tudo, de cidadania, correspondendo às exigências de uma formação universitária plena e responsável.” Milton Esteves Junior (professor orientador do CÉLULA)

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POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo Histórico dos EMAUs na FeNEA O conceito de estudantes se organizarem dentro de seus Cursos para desempenharem uma função similar à do cotidiano dos profissionais atuantes em suas áreas, com o objetivo de enriquecerem sua formação acadêmica, é empregado nas melhores universidades do mundo desde o século XIX. No Brasil, e mais especificamente na arquitetura, esta preocupação existe praticamente desde a regulamentação da profissão, no início da década de trinta. Com a abertura política no início da década de oitenta, recomeçam as discussões sobre Escritório Modelo e outros tipos de estágios oferecidos aos estudantes. Os encontros regionais e nacionais de estudantes de arquitetura, EREAs e ENEAs, até então proibidos pelo regime militar, voltam a acontecer, e dentro deles as discussões sobre estágio e extensão universitária ganham força. É então, no início dos anos noventa que se tem conhecimento das primeiras atividades de EMAUs , tais como as conhecemos hoje. Com este formato de Extensão de iniciativa e gestão estudantil, multidisciplinariedade, projetos participativos e demais princípios e características apresentadas no POEMA. Estas experiências levaram os estudantes presentes na plenária final do XVIII ENEA Brasília 1994, a deliberarem pela construção do POEMA Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo. Com o POEMA pronto, cresce mais ainda a vontade de se discutir e trabalhar o assunto Escritório Modelo, que então não é mais contemplado apenas nos Conselhos e Encontros da FeNEA. É deliberado então, no XX ENEA Fortaleza 1996, a realização de um SeNEMAU Seminário Nacional sobre Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo, que ocorre na cidade de Maceió, no ano de 1997. Com a participação de vários representantes de Escolas do Brasil, o SeNEMAU em Maceió recorre a arquitetos e estudantes para se discutir teoricamente o que devia ser um EMAU, como poderia funcionar internamente e o que devia buscar como princípios. Decidese realizar mais SeNEMAUs como forma de levar as faculdades as informações que subsidiem a formação de EMAUs. De Maceió em diante, os SeNEMAUs aconteceram ano após ano, 85


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realizandose em seguida nas cidades de Recife PE, em 1998; Palmas TO, em 1999; São Paulo SP, em 2000; Campo Grande MS, em 2001; Porto Alegre RS, em 2002; Florianópolis SC, em 2003; e novamente em Recife PE, em 2004. Em Recife realizase o primeiro SeNEMAU com apresentação de projetos realizados por Escritórios Modelo. Recife promove o encontro com comunidades de baixa renda: favelas, palafitas e cidades históricas do interior de Pernambuco, mesmo sem possuir Escritório Modelo, o que se analisa posteriormente como danoso às comunidades visitadas, pois criaram expectativas que não puderam ser atendidas. Este segundo SeNEMAU foi o primeiro com a apresentação de Escritórios funcionando, o EMAU da UFPE e o EMAU da UFAL. O SeNEMAU Palmas partiu de uma decisão política interna da FeNEA. Foi um evento realizado para mobilizar os estudantes do Tocantins, pois era um novo Curso que não tinha a mobilização necessária para realizar um evento maior, EREA ou ENEA, mas que, para os participantes da época, o SeNEMAU seria o evento ideal para articulação local. Isso também acarretou que este SeNEMAU obteve pouca participação, compareceram apenas estudantes locais e diretores da FeNEA. O III SeNEMAU realizou um ateliê em uma comunidade que obteve grande êxito. Tratavase de uma comunidade que seria relocada por conta da instalação da hidrelétrica de Luis Eduardo Magalhães. O IV SeNEMAU São Paulo, realizado no ano de 2000, foi o primeiro SeNEMAU realizado por um Escritório Modelo já consolidado. Motivo principal que proporcionou um evento de grande sucesso, com seus objetivos alcançados. A Comissão Organizadora era composta pelo LabHabgfau, da FAUUSP, o que permitiu que os ateliês do SeNEMAU fossem realizados nas comunidades onde o EMAU já trabalhava. Percebeuse então que o trabalho anterior e posterior, nas comunidades onde são realizados os ateliês do SeNEMAU, são fundamentais para o sucesso dos trabalhos, tanto para os participantes, quanto para o EMAU e para a comunidade. É no SeNEMAU São Paulo que é desenvolvida a Carta de Princípios dos Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo. Ela é criada devido à necessidade de se possuir um documento que explicite e caracterize a atividade de um Escritório Modelo, pois o POEMA era muito abrangente. 86


POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo Já no V SeNEMAU Campo Grande, realizado em 2001, o sucesso do SeNEMAU anterior não se repetiu. A Comissão Organizadora não tinha experiência em extensão comunitária, tão pouco em Escritório Modelo. Isto fez com que o único ateliê fosse insuficiente para a maioria dos participantes, falha decorrente da ausência de um trabalho e um contato mais profundo entre a Comissão Organizadora e a comunidade, neste caso uma comunidade de trabalhadores rurais semterras. Porém no SeNEMAU Campo Grande não só o ateliê não teve êxito. O Momento de trocas de experiências entre os EMAUs e as discussões da Carta de Princípios e do POEMA foram extremamente prejudicadas pela instabilidade interna da FeNEA, que passava por um momento de reestruturação. O SeNEMAU Campo Grande terminou com uma vontade coletiva de melhorar seu formato, potencializar os ateliês e principalmente permitir que haja a troca de experiências que for necessária entre os EMAUs. A Carta de Princípios sofreu sua primeira revisão neste SeNEMAU, porém as alterações se restringiram em melhorias de texto, reduções de palavras e expressões de duplo sentido, não havendo alterações em sua estrutura. O VI SeNEMAU foi realizado na cidade de Porto Alegre RS, em Janeiro de 2002, na semana anterior do Fórum Social Mundial (FSM). Foi organizado pelo inLoco (em processo de formação) e pelo COLMEA Conselho Livre Metropolitano de Estudantes de Arquitetura, entidade que teve seu início no ENEA Porto Alegre 1997 e obteve sua consolidação com o VI SeNEMAU. A apresentação da proposta deste seminário realizouse no V CoNEA da gestão 00/01 em Taubaté (SP). Foi discutido e deliberado um projeto geral que incluía proposta de data, cronograma, local, apoios e patrocínios, tema e metodologia, assim como um breve resumo sobre as prováveis comunidades para ateliê. O COLMEA estava também diretamente responsável pela organização do II Acampamento Intercontinental da Juventude, do FSM 2002, evento para 15 mil jovens. As duas atividades acabaram por dividir os esforços da organização, refletindo no resultado do VI SeNEMAU. Por outro lado a presença de quatro diretores da FeNEA na Comissão Organizadora facilitou o contato com outras entidades e profissionais pelo Brasil. Mesmo coordenado por diretores, houve dificuldade de comunicação entre a Comissão Local e a FeNEA. 87


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Neste SeNEMAU aconteceram quatro ateliês: em uma tribo indígena da região metropolitana de Porto Alegre; na Vila Nossa Senhora do Brasil, comunidade urbana do Complexo Cruzeiro onde era desenvolvido o trabalho do EMAU da Ritter dos Reis, o In Loco; em uma comunidade semterra onde era desenvolvido um trabalho do grupo de extensão dos estudantes da UFRGS; e um estudo de pósocupação de um conjunto habitacional da prefeitura de Porto Alegre. Teve como palestrante a Arq. Ermínia Maricato, professora da FAUUSP, que relatou a experiência da criação dos Laboratórios de Habitação destacando a relação com escritórios profissionais de assistência técnica e com o Sindicato de Arquitetos. Aconteceu também um grupo de trabalho paralelo aos ateliês, com representativa participação de diversas diretorias da FeNEA, Comissão Organizadora, estudantes e Escritórios Modelo. Este grupo iniciou o processo de reformulação da Carta de Princípios o texto da Carta seria condensado à forma de tópicos bastante sucintos e objetivos e do POEMA, processo que culminou neste documento. Fórum de Legitimidade momento final do seminário, com o objetivo de discutir junto às entidades profissionais e representantes do poder público sobre o reconhecimento e regulamentação da atividade dos EMAUs. Foram convidados: Conselho Federal de Engenharia Arquitetura e Agronomia (CONFEA), Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), Federação Nacional de Arquitetura (FNA), Governo do Estado do RS, através da Secretaria da Habitação e um deputado federal. Destas, apenas o CONFEA não respondeu a convite feito em mãos à assessoria da Presidência. Durante o XXVI ENEA Curitiba 2002 os Escritórios presentes se reuniram e traçaram as primeiras diretrizes para a reformulação do POEMA, para o início de um longo processo onde muitas pessoas e EMAUs participaram, direta e indiretamente. Em Curitiba se decidiu que o POEMA teria que entusiasmar o estudante. Teria que expressar as características principais também em sua programação visual, o contato direto com as comunidades. Seria o documento que conteria todos os assuntos pertinentes aos EMAUs, que tratasse de Extensão Universitária e que realmente orientasse os estudantes nos diversos princípios que os EMAUs seguem. Depois de Curitiba, os EMAUs voltaram a se encontrar no CONEA de transição, realizado em Vitória. Foi então elaborado a nova estrutura que o POEMA se apoiaria para se desenvolver. 88


POEMA - Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo Para que o POEMA contemplasse toda a Carta de Princípios, os princípios foram distribuídos em três temas centrais, que são os três primeiros tópicos do POEMA a Extensão Universitária, as Comunidades e os EMAUs. Após estes tópicos principais, que seriam uma espécie de ensaio teórico sobre os princípios, apresentarseia então a Carta de Princípios, seguida do E agora José e das experiências reais dos EMAUs com seus históricos. O VII SeNEMAU foi organizado pelo Ateliê Modelo de Arquitetura, na cidade de FlorianópolisSC. Vários EMAUs já formados participaram, tornando as discussões mais palpáveis, já que estavam girando em torno de grupos em organização. As discussões em torno de extensão, comunidades e EMAU tomaram os dois primeiros dias do Seminário. Porém, a metodologia inicial foi abandonada: pessoas que já tinham EMAU e pessoas que querendo montar um EMAU estavam em grupos separados. Houve necessidade de discussões entre os dois grupos, que, estando em momentos diferentes, tornariam a troca de experiência mais rica. Assim, cada EMAU existente fez uma apresentação de suas atividades. Nos dias seguintes às discussões, aconteceram ateliês nas três comunidades em que o AMA atuava. Ao final do Seminário, no fórum das comunidades, foram avaliados, por estudantes e comunidades, os resultados dos ateliês. Cada ateliê teve suas peculiaridades, mas o objetivo de todos, a vivência prática da atuação de um EMAU, foi alcançado sobre diferentes olhares. Em Florianópolis, pela primeira vez, foi escolhida a sede do próximo SeNEMAU, que viria a acontecer, em 2004, na cidade de Recife. No ENEA Ouro Preto, em julho de 2003, o grupo de EMAUs havia ganhado forças, e conversavase sobre a criação de uma Comissão Nacional de Escritórios Modelo. Durante o ENEA, os EMAUs se encontraram todos os dias, entre trocas de experiências e discussões em torno do SeNEMAU Recife. Foi recebida uma Carta da junta de arquitetura do sistema CONFEA/CREA, levantando questionamentos quanto à atuação do EMAU. Dentre outros pontos, classificaram o trabalho do EMAU enquanto exercício ilegal da profissão. Em carta resposta elaborada pelos EMAUs durante o encontro, colocouse que a carta do CONFEA foi elaborada com base em documentos antigos da FeNEA sobre EMAUs e que o POEMA estava em processo de reformulação. Também que o EMAU, enquanto atividade acadêmica, não 89


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caracteriza invasão do mercado de trabalho. Em seguida ao ENEA Ouro Preto, a nova Diretoria da FeNEA assume, dessa vez com membros da DIEPE Diretoria de Ensino Pesquisa e Extensão representantes de EMAUs. Durante a gestão, deuse continuidade ao processo de reformulação do POEMA e de difusão da idéia de Escritório Modelo. A Comissão Nacional de EMAUs não chegou a funcionar, tendo ficado mesmo a cargo da DIEPE a reformulação do POEMA. No SeNEMAU Recife, organizado pelo EMA Escritório Modelo de Arquitetura da UFPE, foi invertida a estrutura adotada no SeNEMAU Florianópolis. Em vez de ocorrerem discussões e depois ateliês, a proposta do EMA era que se invertesse para que os participantes pudessem primeiro vivenciar o trabalho do EMA nas comunidades em que atuava, trocando experiências com outros EMAUs presentes, e depois fossem feitas as discussões em torno dos temas do POEMA. Foi dedicado um dia inteiro para a apresentação do trabalho feito pela DIEPE na reformulação do POEMA, que foi plotado em tamanho A1 e colado nas paredes para que todos pudessem ler e rabiscar. A discussão girou em torno de questões essenciais, como o sentido da palavra extensão, como se referir às comunidades em que o EMAU atua... Essas discussões no SeNEMAU e em todos os momentos que se seguiram formaram a base para a construção do POEMA.

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