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EMATER

PUBLICAÇÃO DA REVISTA EMATER GOIÁS - ANO 2012 - EDIÇÃO Nº 1

EMATER REVISTA Fruteiras do Cerrado Biotecnologia Ação Educativa Metodologias de Extensão Rural

:

E

is a m

Pesquisa e tecnologia no campo Agricultura sustentável

R e vi s t a


LOCALIZAÇÃO DAS UNIDADES DE ATUAÇÃO DA EMATER


ÍNDICE

Expediente Publicação da Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária - EMATER

Autarquia Estadual criada pela Lei nº 17.257/2011 Marconi Ferreira Perillo Júnior Governador do Estado José Eliton Júnior Vice Governador do Estado Antônio Flávio Camilo de Lima Secretário de Estado da Agricultura, Pecuária e Irrigação EMATER

29 Quando o produtor não tem leite derramado

Luiz Humberto de Oliveira Guimarães Presidente Nivaldo Alves da Costa Diretor de Assistência Técnica e Extensão Rural Waldemar Pinto Cerqueira Diretor de Pesquisa Agropecuária Enéas Vieira Pinto Diretor de Gestão, Planejamento e Finanças

09 EMATER mostra como se faz uma piscicultura moderna

Sidineis Cardoso Costa Chefe de Gabinete Carlos César de Queiroz Gerente de Comunicação Organização da Revista André Luiz Simão de Freitas - Fotos Maria Elena Corrêa Peres - Ortografia Myrna de Fátima Gontijo Neiva - Capa Nivaldo Ferreira da Silva - Fotos Oécia Gomes da Silva - Diagramação de texto Wandell Seixas - Assessor de Imprensa Impressão Gráfica da EMATER As matérias desta Revista podem ser reproduzidas na totalidade ou em parte, desde que citada a fonte.

18 EMATER em ação 04 Editorial 05 Biotecnologia um tema ainda recorrente 06 EMATER no desenvolvimento Terrritorial 07 Parceria da EMATER com Ministério Público de Goiás beneficia comunidades de vários municípios 08 Tomate industrial - tudo começou com a ACAR 11 Confinamento de gado em Goiás foi impulsionado pela EMATER 14 EMATER em busca de arroz e feijão resistentes à seca 15 Mel de abelha se destaca no agronegócio 16 Goiás caminha nos trilhos da EMATER 17 Aurilândia em destaque 20 Projeto banana mostra para que veio 22 Fruteiras do cerrado agora e sempre 24 Ação educativa e metodologias de extensão rural 25 Tomate agroecológico - primeiros passos em Goiás 26 Orgânicos têm futuro porque são saudáveis 28 Abóboras e morangas no cardápio de pesquisa da EMATER 31 Certificação de produtos artesanais 32 Localização da Unidades de atuação 33 Comunicar é preciso 34 História e causos de extensionistas


Editorial Diálogo e Realidade

C

ônscia de que o diálogo, inserido no lastro da realidade circundante e alhures, é um instrumento basilar para um processo de gerenciamento moderno, a alta administração da EMATER o tem exercitado com toda energia. Nessa premissa, a Diretoria da EMATER, desde janeiro de 2011, época de sua posse, tem desenvolvido, promovido e participado de reuniões, eventos, mesas redondas e debates sobre o contexto da agropecuária goiana, do mundo rural, da agricultura familiar; tudo sob a ótica de interação com a EMATER. Temos participado de eventos os mais variados: em assentamentos, dias de campo, reuniões com servidores e autoridades em todas as regiões do Estado; encontros de territórios, cooperativas e sindicatos; mesas redondas com dirigentes do Setor Público Agrícola; debates e negociação no âmbito federal via MDA, ASBRAER, CONSEPA e outros fóruns nacionais. Participamos também de sistemáticas discussões para o estabelecimento de posições da Diretoria e equipe central na perspectiva de uma EMATER cada vez mais envolvida e comprometida com as causas desenvolvimentistas e as diretrizes do PPA, documento balizador do caminhamento do Estado para os próximos quatro anos, sob a visualização de um desenvolvimento sustentável, com mais oportunidades, cidadania e efetivo desenvolvimento humano. Nesse processo interativo, compartilhado e construtivo, estamos, aos poucos, construindo uma nova EMATER. Desse modo, já revitalizamos a participação em chamadas públicas, os convênios com as prefeituras (mais de 185 assinados), renegociamos alguns desses com o Governo Federal e ainda ampliamos o uso do crédito rural como instrumento de modernização tecnológica; tudo isso redundando em elevação de renda da própria autarquia, o que há de se traduzir em maior flexibilidade e dinâmica operacional. E mais, estamos evoluindo na área de comunicação por meio do Boletim Online, o Site, do Museu da Extensão Rural, e, brevemente, também por meio dos programas de rádio regionalizados e locais. No que se refere à infraestrutura, está em negociação a compra de veículos e equipamentos de informática. Sob o prisma de institucionalização da EMATER, encontra-se em fase final a elaboração do Regimento Interno, com futuros possíveis rebates positivos para servidores e para a dinâmica das unidades operacionais. Ao lado do Regimento Interno, o Fundo Rotativo, já aprovado, em fase de normatização interna, há de se constituir em fonte de liberdade e agilidade das ações regionais e locais. Paralelamente a essas conquistas, estamos viabilizando, por intermédio da SEGPLAN, a abertura de concurso para a EMATER no presente ano. As perspectivas apontam para um 2012 promissor, com uma EMATER construída e reabilitada de maneira compartilhada, na senda de uma autarquia ágil, presente e operosa no cenário da realidade goiana e no papel de contribuidora para um Goiás polo de desenvolvimento; tudo na base do diálogo respeitoso e fundamentado na realidade, acatando os princípios de humanismo e de participação, conforme a expressão do poeta grego Ésquilo - “audiatur et altera pars” - ouça-se, também, a outra parte.

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Luiz Humberto de Oliveira Guimarães Presidente


ARTIGO

Biotecnologia, um tema ainda recorrente

E

xistem temas que não podem sair da mídia, por mais que sejam discutidos, seja pela sua importância real ou potencial, seja pelo seu inusitado. A biotecnologia é um desses. O processo de desenvolvimento mundial está assentado no uso da tecnologia, que cresce em ritmo acelerado, provocando um “gap” tecnológico num mundo de disparidades econômicas e sociais e, em consequência, os excluídos tecnologicamente tendem a marginalizar-se, não encontrando espaço num ambiente de tamanha mudança. Se, por um lado, a tecnologia é um apanágio da contemporaneidade, há que se examinar alguns movimentos a que as trajetórias tecnológicas nos levam. O custo da produção de uma nova molécula química é centenas de vezes mais alto do que os produtos biologicamente modificados, o que provocou uma migração das empresas multinacionais químicas para a biotecnologia, primeiro comprando indústrias de sementes e, segundo, financiando a introdução de genes que causam uma dependência de outros produtos por elas fabricados. Todas essas empresas estão situadas nos países desenvolvidos. Não deve ser por acaso que a tecnologia anda sempre alinhada com o poder das mais importantes nações nos contextos econômicos, militares e sociais. No Brasil, a agropecuária vem crescendo desde a década de setenta, levando o país a uma posição de destaque no cenário mundial, e a uma liderança incontestável em relação aos países sub-tropicais e tropicais. No que concerne à biotecnologia, a dependência das multinacionais que detêm genes específicos é fato consumado e cada vez mais 5

crescente, chegando a preocupar os bancos genéticos, pois, num futuro não muito longe, haverá pouco material genético que não esteja recombinado com algum tipo de gene. Jeremy Rifkin cita que dez das multinacionais detêm 80% da biotecnologia mundial que, para continuarem hegemônicas não permitem que quaisquer outras empresas ou nações se desenvolvam nessa área, exercendo pressão sobre governos ou comprando as empresas que se destacam em qualquer inovação. Depois do milho e da soja, uma nova investida das multinacionais deveria causar preocupação, pela atuação se dar em um cultivo que se apresenta como o futuro da agricultura e agronegócio nacional, a cana-de-açúcar. As empresas CANVALES e ALELLYS, dedicadas ao melhoramento genético da cana e a pesquisas na área da biotecnologia, passaram para as mãos de grandes grupos, e isto, segundo alguns autores conceituados, faz parte de uma estratégia de dominação atual e futura, colocando os países periféricos como verdadeiros colonos dessas potências. A passividade e, podemos dizer, a falta de patriotismo, têm sido a resposta a essa agressão potencial ao futuro da agropecuária. Pouco se fala sobre o assunto, que dirá adoção de medidas concretas de políticos ou governantes. O investimento reduzido em pesquisa não permite que os pesquisadores, onde há, possam otimizar sua competência e propiciar melhores condições para a construção de um futuro mais justo para a nação brasileira. A falta de estadista, em detrimento de um populismo exacerbado e imediatista ou de uma inércia doentia, serão fatores de um desenvolvimento real pequeno e dependente, ao invés de grande e soberano. Pedro Manuel F. O. Monteiro - Pesquisador aposentado Senior da exEMGOPA e EMATER.


EMATER no Desenvolvimento Territorial

A

política territorial estabelecida pelo Governo Federal, a partir de 2003, foi estruturada com o propósito de oferecer soluções frente aos novos ou antigos desafios da sociedade, tais como a pobreza, a desigualdade regional ou o desenvolvimento sustentável e a sua compatibilidade com o desenvolvimento econômico e social. Essa política trouxe avanços na implementação das políticas públicas e tem proporcionado processos de desenvolvimento social, econômico e ambiental, por Audiência Pública Território Chapada dos meio da melhoria da qualidade de vida, organização da Veadeiros- São João D’Aliança-GO agricultura familiar e geração de trabalho e renda, nas regiões onde os sete territórios rurais e um território da pesca e aquicultura estão organizados em Goiás. Em 2004, o Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável - CEDRS iniciou o processo de apoio à organização dos territórios em Goiás, e o primeiro território criado foi Oeste do Rio Vermelho, e, na sequência, Território Estrada de Ferro, Território das Águas Emendadas (este com a peculiaridade de abranger os estados de Goiás, Minas Gerais e Distrito Federal), Território Médio Araguaia, Território Vale do Rio Vermelho, Território Vale São Patrício, Território Chapada dos Veadeiros e Território Vale do Paranã. O Ministério do Desenvolvimento Agrário - MDA, em 2008, reconheceu quatro territórios em Goiás, que passaram a se denominar de Territórios da Cidadania: Território Vale do Rio Vermelho, Território das Águas Emendadas, Território Chapada dos Veadeiros e Território Vale do Paranã, em 2009. Durante todo o processo de articulação para implementar a política territorial no Estado, a EMATER participou por meio dos/as extensionistas, que prestam os serviços de assistência técnica e extensão rural aos agricultores e agricultoras presentes nos territórios, são atores na mobilização para a ampliação da participação social, estimulam a construção de parcerias entre os diversos atores locais, regionais e promovem processos de capacitação para dinamizar a economia local. A EMATER, presente na maioria dos municípios goianos, atua tendo por base as diferentes demandas locais e regionais. O acúmulo de experiências em organização política social e produtiva, focadas na participação e organização, permite que seus técnicos e técnicas façam o assessoramento aos Colegiados Workshop Aquicultura e Pesca Território Sul – Territoriais que compõem a maioria dos Núcleos Buriti Alegre-GO Técnicos dos Territórios.

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Parceria da EMATER com o Ministério Público de Goiás beneficia comunidades de vários municípios

R

esgatar a cidadania, ou mesmo fomentá-la, se é que se pode assim dizer, é uma necessidade premente no Brasil da atualidade. Afinal, os cidadãos estão conscientes dos seus direitos e deveres na sociedade em que vivem? A resposta pode parecer óbvia, mas não é tanto assim. Até onde vai o direito de um e começa o do outro? Como são estabelecidas as regras da sociedade que queremos? Como participar, pois o governo representativo não basta mais? Os interesses são defendidos de acordo com os objetivos dos outros, ou, em alguns casos, os representantes defendem os seus próprios interesses, por falta total de informações e de fiscalização por parte daqueles que os elegeram. E, mesmo naqueles casos em que há legislação, nem sempre esta é do conhecimento do cidadão comum e até mesmo das autoridades responsáveis. Um caso concreto verificado foi o ocorrido em determinado município, cujo orçamento municipal era elaborado pelo contador de Goiânia e submetido aos vereadores, que também o aprovavam sem se dar conta da real importância do instrumento legal. Esses e outros fatos levaram o Ministério Público de Goiás a firmar convênio com a EMATER, em 2010 e 2011, visando à promoção de ações de aperfeiçoamento, extensão, integração e intercâmbio entre as instituições cooperadas, principalmente na capacitação de articuladores sociais dos projetos "Ser Natureza’’ (preservação ambiental), ‘’Bem Educar’’ (comunidade escolar) e ‘’Parceiros da Paz’’ (melhoria da segurança pública e combate às drogas). Estes três projetos, integrantes do Programa Parceria Cidadã, apresentam uma nova forma de atuação do Ministério Público do Estado de Goiás para a resolução de problemas, identificados a partir da construção de parcerias com a sociedade, promovendo a atuação eficaz e célere que, nessas áreas, é fundamental. Em 2010 foram realizados quatro cursos de produção de mudas de espécies nativas do cerrado e um de agricultura orgânica, para articuladores sociais de vários municípios. Em 2011 foram realizados dois cursos de gestão social e cidadania, um de agroecologia e um de produção de mudas de espécies nativas do cerrado. A EMATER está acompanhando os articuladores sociais no desenvolvimento de ações de educação ambiental do Projeto Ser Natureza, em vários municípios. Como exemplo do projeto Ser Natureza, em Faina está sendo feito um trabalho de conservação de solo e revigoramento das nascentes do Rio do Peixe, importante afluente do Rio Araguaia. A formação de parcerias para as ações recuperatórias das nascentes, o início do plantio de mudas de espécies nativas no local, a capacitação dos articuladores sociais e alunos, são outras ações a serem executadas. A EMATER está participando ativamente deste projeto, disponibilizando técnicos do central, regional e local para elaboração de diagnósticos, capacitação, plano de recuperação de áreas degradadas, projetos técnicos em geral e Curso de produção de mudas acompanhamento na execução dos mesmos. nativas do cerrado. 7


Tomate Industrial - tudo começou com a ACAR Goiás sobressai no cenário nacional como líder produtor e processador de tomate industrial. O incentivo à tomaticultura começou há mais de 30 anos. A partir de então, o tomate industrial se consolidou com maciços investimentos. Novas variedades passaram a ser adotadas e foram introduzidas técnicas contemporâneas de cultivo. Essa liderança na produção e no processamento possui uma longa história. Tudo começou com uma pequena indústria de processamento na região sul goiana. Sua produção era quase artesanal. São Paulo liderava, então, o cultivo e o processamento do tomate. As grandes indústrias estavam instaladas naquele Estado. O advento da Associação de Crédito e Assistência Rural (ACAR-GO), em 1959, e a criação de Brasília, na década de 60, contribuíram para a mudança. A nova Capital, com seu consequente povoamento, exigia um polo produtor de alimentos. O governo sentiu necessidade de um cinturão verde para solucionar o problema de abastecimento. Em Brasília estava sendo montada a Fundação Zoobotânica, e o problema de abastecimento se agravava. O desafio foi repassado à ACAR-GO, com sede em Goiânia, a cerca de 200 km do Distrito Federal. A instituição, que já nascera com o DNA dos bandeirantes, topou a parada. Sem pestanejar, contratou um promissor profissional, Fernando Filgueiras, engenheiro agrônomo, que, com o seu conhecimento e a busca de solução para o problema, montou todo um projeto de competições de variedades de tomates no Estado. Os primeiros cultivares testados em Anápolis, Inhumas e Goiânia, foram originários de ViçosaMinas Gerais. As possibilidades para o cultivo do tomate existiam no Estado, e a experiência de pioneiros já mostrava isto. O Cerrado, com terras planas e baratas, era um convite ao investimento. Filgueiras empolgou-se tanto que, na sequência de seus trabalhos, liderou as ações em prol da realização, em Goiânia, do Congresso Nacional de Olericultura. Com as iniciativas desse profissional, abriu-se o sinal verde para a expansão da olericultura ao redor de Anápolis, Goianápolis, Nerópolis e Inhumas, entre outros municípios. O incentivo à tomaticultura começou há mais de A criação da Empresa Goiana de Pesquisa Agropecuária 30 anos. (Emgopa), no governo Leonino Caiado, fomentou os trabalhos de pesquisa e difusão de tecnologia em tomates e outros produtos assemelhados. De 2002 a 2008, segundo estudos dos economistas Leila Brito e Sérgio Duarte de Castro, do Dieese e Unicamp respectivamente, a produção brasileira de tomate saiu de 3,65 para 3,87 milhões de toneladas. Goiás, nem se discute, já estava no topo do ranking da produção e esmagamento do tomate industrial. Quando João Alves resolveu instalar sua indústria em Goiânia, a primeira pergunta foi se “aqui havia estudos sobre a produção de tomates”. Como industrial, ele não queria entrar numa aventura. Fernando Filgueiras não pensou duas vezes. Entregou ao empresário uma cópia do trabalho publicado pela Emgopa sobre o tema e assentou as bases tecnológicas para a implantação da indústria. Hoje, Goiás tem o maior parque industrial de atomatados do País. A sociedade brasileira deve muito a esse pesquisador, que também publicou o Manual de Olericultura do Brasil. Esta obra até hoje é usada nas principais escolas de agronomia nacionais. Isso tudo foi feito na Estação Experimental de Anápolis, propriedade da EMATER. Fernando Filgueira também exerceu as funções de professor universitário. Faleceu em Anápolis. deixando legado sem precedentes ao Brasil. 8


Emater mostra como se faz uma piscicultura moderna Os pescadores dos municípios limítrofes pescam nas águas goianas e processam ou comercializam o pescado em seus estados, em alguns casos vendem para Goiás.

A

criação de peixes tende a se constituir em mais uma fonte de renda na terra onde reina a pecuária e a agricultura. Em Goiás, o destino concedido aos bois, aos grãos e à cana destinada ao etanol é o mesmo que as autoridades querem dar à piscicultura, seguindo padrões modernos. Sucessivos cursos de capacitação, com esse objetivo, têm sido ministrados pela Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (EMATER). A instituição, para dar andamento ao complexo projeto, conta com o apoio da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação, da PUC-Goiás, da FIA/SP e da CEPTA/Ibama/SP. O mais recente curso de capacitação e tecnologia de produção de peixes ocorreu nos dias 12 e 16 de dezembro de 2011, na Estação Experimental da EMATER em Anápolis. O evento foi realizado pela Fundação de Desenvolvimento, Assistência Técnica e Extensão Rural de Goiás (Fundater) e contou com o custeio do Ministério da Pesca e Aquicultura, dentro do programa de Assistência Técnica, Extensão Pesqueira e Aquícola (Atepa). Segundo o supervisor de Pecuária da EMATER, Jesus Xavier Ferro, trata-se da realização do Módulo I do Curso, que contou com a participação de 18 técnicos da região Serra da Mesa, no Norte do Estado, 03 técnicos da unidade central, 02 de Anápolis e 01 produtor de Santa Rita do Novo Destino, num total de 24 participantes. A área é considerada bastante promissora por causa dos recursos hídricos existentes e propícios ao fomento da piscicultura. Os participantes receberam novos conhecimentos em gerenciamento dos recursos hídricos, licenciamento ambiental para piscicultores, qualidade da água para a produção de peixes, doenças na produção de peixes comerciais, escolha do local de implantação da piscicultura, sistema de produção de peixes, instalações em piscicultura, reprodução de peixes e larvicultura. As bases para uma aquicultura técnica datam da década de 70, quando o então superintendente da Sudepe era o goiano Josias Luiz Guimarães, ex Presidente da ACAR, ex- Secretário da Agricultura de Goiás, que, dentro de uma política nacional de incentivo à aquicultura, financiou, através de convênios, duas estações de piscicultura em Goiás, uma na estação de Anápolis, em convênio com a EMATER e outra com a Universidade Federal de Goiás/Escola de Agronomia e Veterinária, para a formação de profissionais na área, então quase desconhecida em Goiás. A Emgopa engajou-se e montou uma equipe que procedeu a estudos da ictiofauna do Araguaia e do Tocantins. Uma política da pesca, até hoje vigente, impedia que a pesca profissional fosse realizada em Goiás, prejudicando, de alguma forma, os pescadores goianos, já que os rios são limítrofes com outros estados da federação onde a pesca não é proibida. Assim, os pescadores dos municípios limítrofes pescam nas águas goianas e processam ou comercializam o pescado em seus estados, em alguns casos vendem para Goiás. Com o advento dos represamentos em Goiás, verdadeiros mares interiores foram formados, oferecendo oportunidades para investimentos em criatórios em tanques redes, que se multiplicam em 9


vários municípios goianos. Na região Norte do Estado, em que as opções agrícolas são pouco desenvolvidas, o Ministério da Pesca vem fomentando a instalação do Território da Pesca de Serra da Mesa, abrangendo 22 municípios que margeiam o lago. Em Uruaçu, uma indústria processa a produção dos aquicultores, agregando valor à produção local e fixando o homem à região, em melhores condições, pois a maioria deles ficou sem condições de produção, depois do fechamento da represa e da inundação de sua pequena gleba de terra. Mesmo com indenizações, os pequenos produtores não estão habituados nem capacitados a exercerem outras atividades que não a agricultura. Assim, a atividade de aquicultura tornou-se uma opção econômica interessante, vez que com poucos recursos é possível manter a atividade. POTENCIAL DE LÂMINA D’ÁGUA PARA AQUICULTURA NO ESTADO DE GOIÁS LAGOS DE BARRAGENS CONSTRUÍDAS USINA

RIO

MUNICÍPIO

ÁREA INUNDADA km

ESPELHO D’ÁGUA ha

1% ESP. D’ÁGUA ha

PRODUTIVIDADE km/m /ano

PRODUÇÃO TONELADA ANO

1.784,00

178,400

1.784,00

150

2.674.500,00

Serra da Mesa

Tocantins

Cavalcante

Itumbiara

Paranaíba

Itumbiara

760,00

76.000

760,00

150

1.140.000,00

São Simão

Paranaíba

São Simão

722,25

72.225

722,25

150

1.083.375,00

Emborcação

Paranaíba

Catalão/ Araguari

455,32

45.532

150

682.980,00

Cavalcante/ Minaçu

139,00

13.900

139,00

150

208.500,00

74,00

150

111.000,00

150

97.500,00

Cana Brava

Tocantins

455,32

Cachoeira Dourada

Paranaíba

Cachoeira Dourada

74,00

7.400

Corumbá

Corumbá

Caldas Novas/ Corumbaíba

65,00

6.500

65,00

3.999,57

399,95

3.999,57

TOTAL

-

5.997.855,00

Fonte: Câmara Setorial de Aquicultura de Goiás. LAGOS DE BARRAGENS EM CONSTRUÇÃO USINA

Serra do Facão

RIO

São Marcos

MUNICÍPIO

ÁREA INUNDADA km

ESPELHO D’ÁGUA ha

1% ESP. D’ÁGUA ha

PRODUTIVIDADE km/m /ano

PRODUÇÃO TONELADA ANO

Catalão/ Campo Alegre

213,80

21.380

213,80

150

320.700,00

173,30

17.330

173,30

150

259.950,00

Corumbá IV

Corumbá

Luziânia

Salto do Verdinho

Verde

Itarumã/Caçu

74,00

7.400

74,00

150

111.000,00

Corumbá III

Corumbá

Luziânia

72,20

7.220

72,20

150

108.300,00

Salto

Verde

Itarumã/Caçu

72,00

7.200

72,00

150

108.300,00

Olho D’Água

Corrente

Itajá/Itarumã

150

93.000,00

Itumirim

Corrente

Aporé/Serranópolis

58,00

5.800

58,00

150

87.000,00

Cristalina-GO/ Unaí-MG

40,00

4.000

40,00

150

60.000,00

35,00

3.500

35,00

150

52.500,00

800,30

80.030

800,30

Queimado Barra dos Coqueiros

Preto Claro de Jataí

Cachoeira Alta/Caçu

TOTAL

62,00

6.200

Fonte: Câmara Setorial de Aquicultura de Goiás.

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62,00

-

1.200.450,00


Confinamento de gado em Goiás foi impulsionado pela EMATER

O

moderno sistema de confinamento de gado começou a ser implantado em Goiás a partir de 1979. Até então, o sistema era realizado apenas por uns poucos criadores de Goianésia, como Otávio Lage de Siqueira, Gibrail Kinjo e Genervino da Fonseca que implantaram confinamentos com foco em maiores rendimentos com base científica. Na época, o capim jaraguá dominava as pastagens, mas não correspondia no período da seca. O rebanho emagrecia e muitos animais morriam. O assunto chegava ao conhecimento da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER), através de seus escritórios e da sede em Goiânia. Na presidência da empresa, Vicente Benjamim de Albuquerque preocupou-se com o problema, que anualmente se repetia na época da seca. Paulo Roberto Costa Ferreira e Helvécio Magalhães Ribeiro (foto), que acabavam de chegar de mestrado na área da criação de bovinos, foram conclamados a promover estudos que tinham por objetivo uma solução para o problema. Uma das primeiras providências dos dois Goiás transformou-se no maior técnicos foi promover uma visita a Goianésia - GO para confinador brasileiro, e em consequência a EMATER-GO cumpriu o seu papel conhecer o sistema adotado naquele município do Vale de difusor de tecnologia para a do São Patrício. Depois estiveram em Alto Rio Doce, no agropecuária estadual. interior de Minas Gerais, onde a EMATER desenvolvia o projeto de pequenos confinadores. O confinador em Minas Gerais, Senhor Dedé de Paula, iniciou a sua atividade de engorda com 12 animais e se transformou posteriormente em grande confinador. Ele participou do 1º Encontro de Confinadores realizado pela EMATER em Goianésia-GO. Professores da Universidade de São Paulo (USP), expertos na área, foram também consultados pela dupla. Os dois extensionistas de Goiás queriam conhecer ao máximo a ideia do sistema de confinamento. Interessava a implantação do sistema no Estado para oferecer melhor resposta econômica aos pecuaristas. Bons estudiosos e observadores, Helvécio e Paulo Roberto perceberam que o segredo do bom rendimento do gado em regime de confinamento estava restrito a alguns fatores básicos. Entre eles, base alimentar, que naquela região de Minas Gerais era composta de melaço de cana e uréia, sabugo e palha de milho, diferente dos alimentos usados em Goianésia-GO. Usar o composto melaço-uréia, palha e sabugo de milho, não seria possível, já que esses produtos não estavam disponíveis em Goiás. Optou-se por utilizar os produtos aqui existentes, como concentrados: milho grão,

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farelo de arroz, farelo de soja, casca de soja, entre outros; e, como volumosos: silagem de milho e de capim napier e cana de açúcar, sobretudo. Para atender a demanda de grandes confinamentos, posteriormente, foi utilizada a torta de babaçu. “O alto teor de óleo do babaçu e, portanto, de energia, r e d u z i a a necessidade de grandes quantidades de milho na ração, tornando-a mais barata para os confinadores”, observa Helvécio. pelo despertar dos produtores, a EMATER sentiu-se na contingência de ministrar novos cursos, e, em consequência, treinar cerca de 200 técnicos para a orientação segura da nova demanda. A quase totalidade dos que adotaram os novos métodos auferiu vantagens com esses conhecimentos postos em prática, . Em resumo: tiveram lucros. Os confinadores acharam por bem criar a sua associação, cujo primeiro presidente foi o produtor Nivaldo Gomes Gerais. A Encol, tradicional empresa na área da construção civil, implantou, por sua vez, um audacioso programa de confinamento no Estado chegando, naquela época, a confinar 15 mil bois. Helvécio foi convidado a ser o seu coordenador. A Extensão Rural foi, assim, vitoriosa com a adoção do sistema de confinamento. Foram superadas gradual e rapidamente, as dificuldades nas áreas de maquinário agrícola, mão de obra especializada, instalações adequadas para o sistema em uso e o tipo correto de alimentação do rebanho bovino. Alguns subprodutos foram inseridos na alimentação, entre eles a torta de babaçu, quirela de soja e milho e farelo de arroz. Era mais fácil conseguir a torta de babaçu que vinha do Maranhão e do Piauí o farelo de soja ou de algodão, quando eram necessárias grandes quantidades. “O alto teor de gordura do babaçu provoca a redução do consumo de milho, tornando a alimentação dos animais mais barata para os confinadores”, observa Helvécio. A EMATER-GO cumpriu o seu papel de difusor de tecnologia para a agropecuária estadual e, em consequência, Goiás transformou-se no maior confinador brasileiro. Cumpriu, ainda, um papel socioeconômico junto aos pequenos produtores. O recente estudo elaborado e patrocinado pela Associação de Confinadores Nacional (Assacon), realizado em março de 2008 pela EMATER, sob a coordenação de João Nepomuceno e Alessandro da Silva Rangel, com o apoio logístico dos escritórios regionais e o censo feito pelos técnicos das unidades locais em todo o Estado de Goiás, com aplicação de 518 questionários, mostra que cerca de 875.962 animais foram confinados naquele ano. Como pode ser visto, a capilaridade da EMATER permite que rapidamente se obtenha dados de interesse do maior negócio do Estado, que é o agronegócio. O exemplo do confinamento bovino pode ser extrapolado para o associativismo, o leilão de gado e outros. Depois que a atividade ganha corpo e pode andar com suas próprias pernas, o Serviço de Assistência Técnica e Extensão Rural estatal se afasta e vai buscar novas tecnologias, que podem trazer vantagens para o produtor rural.

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Comercialização de Sementes

Plantar é bom, colher bons frutos é ainda melhor, então plante sementes fiscalizadas.

Procure um dos 196 pontos de vendas nas Unidades Locais da EMATER em seu município e compre sementes de arroz e milho ou entre em contato com a Gerência de Comercialização pelo fone: 62 - 3201-8749 ou e-mail: dorivam@emater.go.gov.br

A colheita dos bons frutos só depende da semente que você planta. Henry Nascimento.


EMATER em busca de arroz e feijão resistentes à seca A Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (EMATER) desenvolve, por meio da Estação Experimental de Porangatu, trabalhos visando à obtenção de cultivares de arroz e feijão resistentes ao veranico, como parte de um projeto em parceria com a Embrapa Arroz e Feijão. Goiás foi um dos maiores produtores de arroz do Brasil em décadas passadas, quando o arroz preferido pelos brasileiros era o produzido nas condições de sequeiro. Segundo a literatura, com o Plano Collor o Brasil teve que importar arroz do oriente e, de uma forma célere, os hábitos de consumo mudaram, contrastando com todas as teses sobre o assunto. O diferencial de preço do arroz de sequeiro e do irrigado diminuiu, tornando mais atrativo o consumo do segundo, em detrimento do primeiro. No que diz respeito ao processo produtivo, também houve uma mudança total, o que fez com que Goiás caísse da posição de grande produtor de arroz nacional. Vale lembrar que, na época citada, o “amansamento” dos solos de cerrado era feito com o cultivo do arroz. Desmatava-se, plantava-se arroz e, somente no ano seguinte, a terra estava boa para o plantio do milho, da soja e de outros cultivos. As recomendações técnicas de correção de solo e de adubação foram mudando, novos cultivos incorporados ao processo produtivo e o arroz deixou de ser o cultivo mais interessante no pós-desmatamento. Quando não ocorria veranico, nos meses de janeiro e fevereiro fazia-se riqueza. De outra parte, quando ele ocorria, era a miséria. A incerteza era muito grande, e a soja e o milho, mais resistentes a essa oscilação climática, foram se firmando como cultivos mais econômicos. Mas a demanda brasileira e mundial por arroz é crescente e as possibilidades de produção, via irrigação, estão limitadas com a carência do recurso água em várias regiões do mundo e pela legislação ambiental nacional, que proíbe a produção em várzeas, restando, então, “as terras altas” para o cultivo do arroz com o mesmo nome, como é chamado pelos pesquisadores. Para tanto, ele tem que ser resistente, ou, quando muito, tolerante ao que os pesquisadores chamam de estresses abióticos. Os cultivares de arroz hoje existentes são produtivos e com boa aceitação no mercado, tendo como ponto vulnerável a não resistência ao veranico, pois este, na época em que ocorre, coincide com a floração, período em que não pode faltar água. O feijão é plantado em três épocas distintas no Brasil, sendo que o segundo plantio ocorre nesta época, e também está suscetível ao veranico, que pode comprometer a safra. Com as perspectivas de aquecimento global, a tendência é de que o problema do veranico possa se Mas a demanda brasileira e mundial por arroz é crescente e as agravar e, como tal, inviabilizar a possibilidades de produção, via irrigação estão, limitadas produção de arroz e feijão sem com a carência do recurso água em várias regiões do mundo. irrigação, o que encareceria mais o produto. Na realidade, a precipitação média anual em Goiás gira em torno de 1.700 mm, o que é considerável, não fosse o problema da inconstância climática. Conhecendo-se as condições, ou seja, o que ocorre no solo e na planta nesse período, gera-se um banco de informações que contribuirá para a definição de variáveis a serem levadas em conta na introdução de genes tolerantes às adversidades. 14


Job Carneiro Vanderlei, pesquisador da EMATER na Estação Experimental de Porangatu, acompanha esses trabalhos há mais de ano e mostra-se empolgado com a iniciativa. “O município de Porangatu é o único no Brasil para se fazer os experimentos de resistência das variedades ao estresse hídrico”, ressalta, chamando a atenção para os 38 experimentos de arroz e feijão. Os experimentos são implantados tendo como suporte uma estrutura de irrigação que permite as simulações necessárias. A água que irriga os experimentos é oriunda de uma represa situada no fundo da Estação. Duas bombas de sucção captam a água. Os cultivos são irrigados pelo sistema de aspersão, que simula uma verdadeira chuva nas faixas distintas, onde se encontram os experimentos de arroz e do feijão. Esses trabalhos são voltados para atendimento da agricultura familiar, produtora nessa época do ano, de arroz e feijão, e consumidora durante todo o ano, e que mais necessita, além de ser a mais penalizada. Assim, torna-se quase desnecessário tratar da repercussão social e econômica que esta pesquisa terá se obtiver resultados positivos. Diferentemente do agricultor empresarial, que objetiva o lucro, o familiar necessita desses produtos para sua alimentação, preocupação básica de sua vida, e para a geração de excedente para comercialização.

Mel de abelha se destaca no agronegócio A criação racional de abelhas vem obtendo destaque no âmbito do agronegócio brasileiro desde os anos 80, quando o movimento ruralista passou a divulgar a importância da alimentação natural na melhoria da qualidade de vida do homem. Junto a essa busca, houve aumento do consumo dos produtos da apicultura, possibilitando a valorização do apicultor, e consequentemente, uma melhor remuneração. A criação de abelhas, que era exclusiva das regiões Sul e Sudeste, passou a ser praticada nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Além das possibilidades de produção para suprir o Goiás, por se encontrar no bioma mercado interno e externo, a atividade apresenta uma cerrado, conta com as floradas possibilidade real de aumento de renda para os produtores, naturais, sendo responsável pela principalmente da agricultura familiar e dos assentamentos produção do mel silvestre, rurais, pois pode ser uma atividade rural lucrativa e que exige que é líder na preferência do pouco volume de investimento para iniciar a criação. mercado brasileiro. Outro aspecto positivo é o de não exigir dedicação exclusiva, permitindo aos apicultores desenvolverem outras atividades, assegurando a diversificação da produção na pequena propriedade, além de ser ecologicamente correta e contribuir com a polinização das plantas e das florestas. A consolidação da boa fase de apicultura ocorreu em 2001, com a abertura do mercado internacional para o mel brasileiro. Goiás, por se encontrar no bioma cerrado, conta com as floradas naturais, sendo responsável pela produção do mel silvestre, que é líder na preferência do mercado brasileiro. Para fortalecer a cadeia produtiva do mel no Estado, a Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária - EMATER, em conjunto com os órgãos parceiros, vem trabalhando o programa de DRS (Desenvolvimento Rural Sustentável) do Mel e APL (Arranjo Produtivo Local) Apícolas, nas regiões da Estrada de Ferro, Norte, Noroeste (Serra Dourada), entorno do DF/Nordeste e Sudeste, onde há uma maior concentração de apicultores, floradas nativas de boa qualidade, clima favorável e fronteiras para ampliar a produção. 15


ARTIGO

Goiás caminha nos trilhos da EMATER

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onsiderada o principal elo entre produtor rural, pesquisadores e governo de Goiás, a EMATER faz parte da história recente da agropecuária goiana. Esse trabalho deve ser reconhecido por toda a sociedade goiana. Ela foi fundamental na adoção de tecnologias, na inserção de produtores no mercado comercial da agricultura e ainda na consolidação de inúmeras culturas e de inúmeras atividades agropecuárias aqui no Estado de Goiás. Entendo que seguramente Goiás não seria hoje um potência agrícola nacional se não fosse o trabalho e uma dedicação muito grande de extensionistas, técnicos, servidores, colaboradores e gestores dessa importante instituição. A EMATER tem um papel decisivo e desafiador de tornar viável a atividade agropecuária, em tempos que a economia de Estado sufoca produtores de notável competitividade comercial. Isso é feito por meio do trabalho desenvolvido por pessoas de elevado conhecimento, que fazem parte do quadro da entidade junto aos produtores, e que, assim, conseguem criar oportunidades de sobressair em suas atividades. A EMATER também tem colaborado com bastante eficácia e eficiência nas ações realizadas nos municípios goianos. Posso destacar, entre inúmeras atividades em que o órgão tem um papel extremamente relevante, o apoio ao programa Lavoura Comunitária, que se constitui, exatamente, no programa que cria condições de acesso a alimentos mais baratos para as populações mais carentes do Estado. Esse programa também gera perspectivas de renda para pequenos produtores e agricultores familiares por meio das culturas do arroz e do milho.

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Sei que a EMATER nunca deixou de exercer o seu papel à frente dos anseios do produtor. Se, por um lado, ainda existem dificuldades, sobretudo na consolidação de estudos e de levar o conhecimento ao produtor, por outro, conhecemos histórias de sucesso, que tiveram início após a atuação da agência. Mas Goiás avança e hoje conseguimos manter boa parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Ministérios do Desenvolvimento Agrário, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ministério da Pesca e Aquicultura, universidades, Ceasa, EMATER e Agrodefesa, órgãos hoje imbuídos do importante papel de ajudar na produção de conhecimento e também na divulgação das ações do governo do Estado em prol do agropecuarista. Entendo seguramente que, com o apoio do governador Marconi Perillo, nós teremos uma EMATER à altura do agronegócio goiano, do pequeno agricultor e a altura das expectativas da sociedade. Antônio Flávio Camilo de Lima, Secretário de Agricultura, Pecuária e Irrigação de Goiás.


Aurilândia em destaque

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epois de dezenove anos dedicando-se ao trabalho de Extensão Rural, capacitando, orientando e acompanhando as famílias da agricultura familiar, e ainda, seguindo a linha de desenvolvimento sustentável, a percepção da Supervisão Local de bem estar social é de que o perfil do profissional da Extensão Rural tem que ser diferenciado. Não basta apenas ser um bom profissional da área técnica, é preciso ser também um agente de desenvolvimento, capaz de mobilizar e aglutinar forças em torno de um projeto coletivo. Desenvolver um trabalho de Assistência Técnica e Extensão Rural é um grande aprendizado, o trabalho é um leque de atividades. Orientar famílias a transformar a produção primária em produtos diversificados, melhorar a qualidade nutricional da alimentação, possibilitar a geração de renda e, ainda, proporcionar lazer para o meio rural é o escopo dos trabalhos realizados dentro da Extensão Rural no município de Aurilândia. Com esse objetivo, são oferecidos, pela Unidade Local, cursos de processamento e de pratos à base de guariroba, salgados, roscas, pães, fabricação de queijos, iogurte, alimentação alternativa, desossa de frango e leitoa, tortas salgadas, doces, além de processamento de soja para a produção de doces e salgados. O Projeto mudou Desde o ano de 2008, a EMATER Local - Aurilândia começou a a vida dos trabalhar o Projeto de Aquisição de Alimentos – PAA. No ano de 2009, agricultores familiares. estendeu para mais dois municípios. Hoje, o projeto está presente também nos municípios de São Luís de Montes Belos e Firminópolis, com 170 famílias de agricultores familiares que diversificam a produção com 33 produtos do meio rural. O Projeto atende a 52 entidades, entre as quais: CEMEIs, escolas, abrigos e entidades filantrópicas; totalizando um público direto de 9.590 pessoas, além de produtores que fazem entrega de produtos como pão de queijo e biscoito de queijo, beneficiando indiretamente os produtores de polvilho, queijo e ovos que não estão cadastrados no projeto. O Projeto mudou a vida dos agricultores familiares, que hoje contam com nova renda para a família, melhorando suas propriedades e o rebanho animal. A renda auferida permitiu a aquisição de equipamentos para a entrega de produtos. Com os beneficiários realizam-se reuniões mensais para levar temas ligados à agricultura familiar. A Unidade Local promove, todos os anos, o evento ‘’Mulher Rural’’, para comemorar o Dia Internacional da Mulher. No ano de 2012 acontece o 16° evento com uma excursão à cidade de Goiás. A excursão constituiu-se em um dia de lazer e entretenimento. A EMATER Local Aurilândia acompanha o trabalho de um grupo de mulheres rurais que desenvolve um trabalho de filantropia dentro do município.

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EMATER EM AÇÃO Ministra recepciona equipe de extensionistas em sua posse Com um carinho especial, a Ministra Delaíde Alves Miranda Arantes recebeu, em seu gabinete, antes de sua posse no Tribunal Superior do Trabalho, os técnicos da EMATER Airton Batista de Andrade, Carlos César de Queiroz, o ex-Presidente da ACAR Goiás Josias Luiz Guimarães e o ex-extensionista Onofre Henriques Moreira. Emocionada pelo encontro, que trouxe lembranças de sua juventude no meio rural de Goiás, a Ministra fez questão de registrar esse momento. Segundo depoimento, o Clube de Jovens foi uma fase marcante em sua vida, oportunidade em que, ainda jovem, pode compartilhar experiências no exercício da cidadania. A cordialidade, a simplicidade da Ministra, sua assessoria e familiares cativaram a todos.

EMATER promove curso de processamento de carne em Silvânia Um curso de processamento de carnes defumadas e de embutidos foi realizado em Silvânia, no Aprendizado Marista - Escola Ambiental Padre Lancisio. O curso desenvolvido pela Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (EMATER), apresentou informações para o corte e defumação de carne suína, bovina e aves. Dez alunos da Escola Ambiental Padre Lancisio participaram do curso. As aulas foram ministradas pela extensionista social Luíza Aredes Rodrigues, da Emater Local de Silvânia. Na área de processamento, Aredes ensinou de maneira simples e objetiva as técnicas de preparo da carne suína, bovina e frango; como agregar valor, transformando a carne em salaminho tipo italiano, linguiças diversas e peças inteiras; desossa de leitoa e frango e proporcionou informações para a defumação. Orientou aos participantes sobre a importância, em todas as etapas do trabalho, da limpeza dos equipamentos e da higiene

Assistência técnica e extensão pesqueira e aquícola em Niquelândia Os parceiros do Território da Pesca do Lago Serra da Mesa, Fundater, EMATER, Seagro, P r e f e i t u r a Municipal de Niquelândia, Banco d o B r a s i l , Superintendência d a P e s c a, promoveram o I S e m i n ár i o em Niquelândia para discussão e divulgação do Projeto de Assistência Técnica e Extensão Pesqueira e Aquícola. Fizeram-se presentes as Colônias de Pescadores, Agricultores Familiares, Associações Rurais, Central de Associações de Produtores Rurais de Niquelândia, Cooperativas, Autoridades Locais, Técnicos da EMATER dos Municípios de Niquelândia, Colinas do Sul, Cavalcante, Uruaçu, Campinorte, Barro Alto, Santa Rita do Novo Destino. O objetivo proposto foi o fortalecimento do Território da Pesca e a forma como esse trabalho será desenvolvido. O projeto permite a contratação de técnicos que darão suporte às áreas cultivadas, com tecnologia, comercialização e recursos para atender os municípios que compõem o Território. A EMATER de Niquelândia, juntamente com os parceiros locais, tem desenvolvido atividades que dão apoio a essa macroatividade de piscicultura no município, como por exemplo, os cursos de capacitação ministrados em sete associações de produtores rurais. Esse apoio técnico possibilitou mitigar vários óbices com que se defrontava no desenvolvimento dessa atividade. 18


EMATER EM AÇÃO Curso de processamento de empadão goiano A Unidade Local da Emater de Goianira, em parceria com a Prefeitura Municipal, realizou o curso de processamento de empadão goiano e torta salgada, na Secretaria de Promoção e Assistência Social do município, com a participação de 16 pessoas beneficiárias do programa da renda cidadã. O evento teve como objetivo oferecer opções para a diversificação da alimentação e aumentar a renda alimentar. Foi instrutora do curso a extensionista social Enilda Maria de Castro Monteiro, técnica da Emater.

Empadão Goiano

Desligar o fogo e acrescentar o creme de leite, salsa, cebolinha, pimenta, linguiça de porco frita cortada em pedaços, lombo de porco frito cortado em cubos, palmito cortado em rodelas e queijo minas fresco, cortado em cubos.

Massa Ingredientes/Quantidade 01 kg de farinha de trigo 250 gr de margarina 01 ovo 01 colher de chá de sal 01 colher de (sopa) de fermento em pó royal 01 copo americano de água morna, mais ou menos. Preparo Peneirar a farinha de trigo e acrescentar os demais ingredientes, amassando, colocando água morna aos poucos, sovando bem até ficar uma massa branda e lisa. Descansar por 1 hora e enformar os empadões.

Molho Vermelho Ingredientes/Quantidade 01 lata de pomarola 06 tomates maduros 02 cebolas médias 02 cubos de caldo de galinha 03 dentes de alho 02 cenouras 01 colher de sopa de maisena Sal, pimenta, salsa e cebolinha Preparo Cozinhar os 6 primeiros ingredientes em 02 copos de água . Deixar esfriar, bater no liquidificador e retornar ao fogo em uma panela, com 02 colheres de sopa de óleo. Colocar 01 lata de pomarola e deixar ferver, por 5 minutos. Se o molho estiver mole, colocar a maisena e deixar cozinhar. Provar o tempero e acrescentar a salsa e cebolinha picadinhas.

Recheio 02 cebolas médias cortadas em cubo 02 colheres de sopa de extrato de tomate 500 gr de batatas, cozidas picadas miudinhas 01 frango cozido e desfiado, com o caldo 01 lata de ervilhas 02 cubos de caldo de galinha 02 colheres de farinha de trigo ou maisena Sal, salsa, pimenta, cebolinha, azeitona 01 lata de creme de leite Preparo do Recheio Refogar a cebola, o alho e o extrato de tomate, acrescentar o frango já cozido e desfiado com o caldo. Colocar os demais ingredientes e deixar ferver, juntar a farinha de trigo dissolvida em um copo de água e ferver até obter um creme mole.

Montagem Abrir a massa fina e colocar em formas próprias e untadas. Pôr o recheio já pronto e frio e os demais ingredientes picados ou cortados. Espalhar o molho vermelho por cima e cobrir com a outra parte da massa, dando o arremate nas bordas. Pincele com gema de ovo e leve ao forno para assar.

EMATER promove curso de manejo de colmeias em Jussara A Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (EMATER) em parceria com a Associação dos Apicultores de Jussara e Prefeitura local, promoveram um Curso de Manejo de Colmeias. As aulas teóricas foram realizadas na Escola Agrícola Comendador João Marchesi e as práticas na Estância Vale Verde. O curso teve como objetivo propiciar aos 16 participantes o conhecimento das técnicas e ferramentas para o manejo de colmeias, orientando os apicultores e técnicos a produzirem sempre mais e melhor. Durante o treinamento, a instrutora Dirce Fernandes Rabelo abordou temas sobre divisão de colmeias, orfanação, homogeneização, junção de alimentação de colmeias e boas práticas de manejo de mel com qualidade. 19


Projeto Banana mostra para que veio Com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico, CNPq, a EMATER desenvolve um trabalho de experimentação, validação e disponibilização de tecnologias sobre banana, em parceria com os agricultores familiares. Este projeto tem como objetivo apoiar os agricultores familiares na produção de banan, com inovações tecnológicas e sustentabilidade econômica, social e ambiental. A despeito da capacidade de gerar empregos e ou ocupações no meio rural, de gerar alimentos, os agricultores que se dedicam à produção de alimentos tradicionais, inclusive fruteiras, vivem à margem da modernidade, com baixo nível de adoção de tecnologia, resultando em baixo rendimento por área e menor ingresso de recursos, e, em consequência, renda baixa. A produção da agricultura familiar é estratégica, o que até motivou o criador da Microsoft, Bill Gates, a alocar recursos substanciais para apoiar as atividades mundiais de produção familiar. A maioria dos bananicultores ainda carece de projetos de assistência técnica que modifiquem a sua vida. Desse modo, CNPq e EMATER/FUNDATER, inicialmente no município de Carmo do Rio Verde e atualmente em Buriti Alegre, desenvolvem projetos para tentar modificar esta situação. Um diagnóstico mostrou que havia o uso de mudas retiradas de bananeirais decadentes, infestadas de broca, nematóide e fusariose, que comprometiam os novos plantios: a irrigação era inexistente; a deficiência de nutrientes permeava os bananeirais; a densidade de plantio era inadequada e não havia controle das doenças foliares. Além disso, a falta de cuidados na colheita e a ausência de processamento, agregadoras de valor à banana colhida, aviltavam o preço na hora da venda. A produção era isolada e não havia ideia do associativismo como forma de viabilizar a compra de equipamentos para uso comum e de processamento pós-colheita. Interessante que, mesmo assim, os agricultores insistiam em produzir banana na região. A estratégia de abordagem dos pesquisadores e extensionistas foi a de formar parcerias de modo a somar esforços de investimentos sob a forma de capital financeiro, intelectual e técnico. A sequência de ações mostra como foi conduzida a abordagem: i) reunião de apresentação do projeto com lideranças municipais, bananicultores, líderes, agentes de assistência técnica e outros parceiros; ii) implantação de unidade de “demonstração de resultados”, para servir de base para a difusão de tecnologias e unidade didática de aprendizagem para agricultores e técnicos; iii) implantação de uma unidade de aclimatação artesanal de banana para agregar valor e facilitar o acesso dos produtores ao mercado, entre eles o da merenda escolar; iv) implantação e operacionalização de uma unidade de processamento artesanal de frutas, facilitadora da comercialização; v) excursão técnica, com produtores e técnicos, visando à motivação, conhecimento tecnológico, aprendizagem, benchmarketing, intercâmbio de experiência em polos de bananicultores de sucesso nacional; vi) participação em congresso de fruticultura ou eventos similares para apresentação de trabalho e intercâmbio de conhecimentos e atualização 20


tecnológica; vii) realização de “dias de campo” para difusão de tecnologia que servem, também, para melhorar o relacionamento entre pesquisa ensino, assistência técnica e agricultores, utilizando a unidade demonstrativa como fonte de informação continuada para os técnicos e agricultores. A expectativa dos técnicos é de que o projeto introduzirá uma agricultura em bases ecológicas, com a substituição de pulverizações aéreas e foliares com inseticidas de alto impacto ambiental por injeção axilar de fungicida, com baixo impacto ambiental; a introdução de cultivares de bananeiras tolerantes às principais doenças diminuirá também o uso de fungicidas; introdução de um manejo sem impacto ambiental. Na melhoria da qualidade das bananas usaram-se variedades resistentes à fusariose e à broca do rizoma e mudas meristemadas, isentas de doenças, produzidas em laboratório. Espera-se uma substituição de cerca de 90% do uso de adubos químicos por produtos naturais e/ ou orgânicos, tais como: A estratégia de abordagem dos pesquisadores e calcário, rocha fosfatada, estercos de baixo impacto extensionistas foi a de formar parcerias de ambiental. A substituição da irrigação em sulco por modo a somar esforços de investimentos microaspersor melhorará a eficácia no uso da água. sob a forma de capital financeiro, Os agricultores adotantes precoces intelectual e técnico. começaram a melhorar a qualidade de vida e deram início a adoção de tecnologias que estão irradiando para outros municípios vizinhos, como Itaguaru e Bom Jardim de Goiás, entre outros, sendo motivo de visitas de autoridades, técnicos, agricultores e reportagens nas mídias especializadas do País. Alguns agricultores estão viabilizando a atividade leiteira e vice versa, com a complementaridade de banana e adubação de pastos. É o caso do produtor Reginaldo Jesus de Faria, que, quando iniciou o projeto, tinha uma área plantada de ½ ha de banana infestada de fusariose, hoje cultiva cerca de 6 ha com 9 variedades resistentes e tolerantes a doenças, climatiza as bananas e, quando há espaço na câmara, atende à demanda dos vizinhos. A produção é entregue a redes de supermercados da região. No aspecto social, sua vida e a da família se modificou com o aumento da renda. Segundo o coordenador do Projeto, Lino Francisco de Sá, as modificações provocadas na vida dos agricultores assistidos, para melhor, animam a novos empreendimentos e mostram que o caminho do desenvolvimento no meio rural, passa pela adoção de tecnologia e assistência técnica permanente por meio da equipe local, sem a qual nada disso seria possível. 21


Fruteiras do cerrado agora e sempre

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inquietação da Mestre em Engenharia da Produção, Magda Alves Leite, é notória para os que a conhecem. Quando abraça uma causa vai até as últimas consequências. Ela é daquelas que não aceita o NÃO

como resposta. E o desafio estava posto. Um processo de destruição do cerrado com o empobrecimento dos agricultores de baixa renda, a destruição de fontes de matéria-prima para a medicina, abrigo natural e alimentos para a fauna existente, tudo isso sendo substituido por cultivos, alguns altamente tecnificados e, outros, por pastagens com degradação garantida em quatro anos. Depois de um curso promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, com o apoio do IBAMA, juntamente com colegas, ela saiu da discussão para a prática e elaborou o projeto de Conservação, Produção, Manejo e Agroindustrialização de Fruteiras do Cerrado e em Sistema Agroflorestais, aprovado pelo Ministério do Meio Ambiente. Depois de elaborado o projeto, somaram-se a ele os parceiros Fundater, Embrapa, Faeg, Seagro, PUC -Goiás, Instituto Trópico Sub-Úmido. O projeto é executado em 14 municípios do Território da Estrada de Ferro e em Ipameri com agricultores familiares. No Território, a taxa de alfabetização é de 87,84%, e a atividade predominante é a agropecuária feita por agricultores familiares, em 66,8% das propriedades rurais, representando A abordagem multidisciplinar do projeto permite 12,65% da área. Dos 8.830 imóveis rurais, 6.614 são a compreensão do todo e a interação entre os constituídos por propriedades com área de até conhecimentos técnicos, econômicos, culturais. 4 Módulos Fiscais, ou seja, 74,90% dos proprietários são considerados agricultores familiares. Na região existem 2.424 associações, oito cooperativas com 2.661 cooperados, dois assentamentos rurais, com 60 associados, e quatro agrovilas onde vivem 110 famílias que, por si só, mostram a eficácia do trabalho extensionista, em organização da produção e dos produtores rurais. Mas os elementos que compõem o paradigma de desenvolvimento atual estão exigindo nova abordagem, nova formatação. As abordagens unilaterais vêm provocando um viés produtivista muito ao gosto dos economistas e de arrepio aos ambientalistas, já que o modelo prevê a retirada do cerrado para que o desenvolvimento aconteça e, para alguns, a qualquer preço. Uma agricultura moderna está implantada pelos que dispõem de capital seu ou governamental e uma gama de agricultores ficou alijada desse processo, que consistia em desmatar e implantar lavouras de soja, milho, feijão, tomate, sorgo, pastagens entre outros cultivos. Ao lado disto, o abrigo dos animais silvestres, as riquezas que permitiram populações anteriores à nossa sobreviver na região, foram desprezadas e, por sobre este solo pobre, uma agricultura mecanizada foi implantada. Os estudos sobre os cerrados, sua vegetação, fauna e flora foram deixados para um segundo plano, existindo hoje poucas informações que possam subsidiar projetos de sustentabilidade coerente. A abordagem multidisciplinar do projeto permite a compreensão do todo e a interação entre os conhecimentos técnicos, econômicos, culturais; enfoca os agricultores familiares, jovens, mulheres, assentados da reforma agrária, extensionistas, entidades de representação, com o intuito de incentivar a exploração racional e a preservação do Bioma Cerrado, fortalecendo a agricultura familiar, como 22


agente do processo de desenvolvimento rural sustentável. Para a agricultura tradicional o conhecimento e os instrumentos estão disponíveis e em uso. Para o desenvolvimento sustentável há o desconhecimento de créditos financeiros disponibilizados para inversões em sistemas agroflorestais, em especial, de fruteiras do cerrado, como alternativa de continuidade e expansão da atividade econômica de forma sustentável, usando-se as potencialidades do cerrado e promovendo o bem estar das populações e dos elementos faunísticos, ainda existentes na região. A geração de renda, de riquezas, a expansão do mercado de trabalho serão consequências desta nova abordagem. As ambiciosas metas do projeto envolvem: i) divulgação e lançamento do projeto e sensibilização do público-alvo; ii) criação do Conselho Gestor do projeto; iii) envolvimento das organizações; iv) divulgação das formas de crédito para fomento da atividade de fruteiras do cerrado e essências nativas; v) capacitação em prevenção, conservação, produção, manejo e agroindustrialização de fruteiras e outras essências nativas do Cerrado; vi ) assistência técnica na recomposição de áreas de reserva legal com fruteiras e outras essências nativas do cerrado; vii) assistência técnica em sistemas agroflorestais; viii) incentivo à implantação de arranjos produtivos de espécies fruteiras do cerrado; ix) desenvolvimento da agroindustrialização de frutos do cerrado; x) coordenação, análise e acompanhamento do projeto; e xi) publicação e divulgação do material técnico cientifico. Os primeiros resultados Um dos primeiros obstáculos na execução do Projeto foi a carência de mudas de frutas nativas. Hoje, em parcerias com Prefeituras Municipais vários viveiros de mudas estão em funcionamento. Vale ressaltar o trabalho em Caldazinha, Bela Vista e o da UEG de Ipameri. Em Gameleiras-GO há um viveiro do Território; no Centro de Treinamento da EMATER, em Goiânia, o maior, administrado pelo projeto. Vários agricultores estão integrados ao projeto dentro do modelo preconizado, com unidades plantadas de fruteiras em todos os municípios do Território, destacando-se São Miguel do Passa Quatro e Silvânia. Os agricultores plantam pequi, baru, jatobá, mangaba, araticum, cajuzinho, murici, taperebá, curiola, mama-cadela, gabiroba e, no meio, cultivam produtos de sustentação alimentar, como milho, mandioca, feijão e, em alguns casos, guariroba e ananás. A industrialização está sendo feita pelo Cerrado Goiano, Frutos do Cerrado e este último contribui com sementes para o projeto; alguns agricultores estão entregando sua produção para a firma Baruzeto. Dois livros estão no prelo: um sobre receitas de frutas do Cerrado e outro que trata do diagnóstico e proposições do projeto. A sociedade tem recebido o projeto da melhor forma possível, com demandas de várias prefeituras municipais e o reconhecimento ao Coordenador Técnico do Projeto, Engenheiro Florestal Léo Lince, que foi agraciado, no ano de 2011, pela Sociedade Ambientalista Brasileira do Cerrado, pelos relevantes serviços prestados ao Cerrado e, de igual forma, a Câmara Municipal de Goiânia o agraciou com a Medalha Sulivan Silvestre, pela relevância do seu trabalho. Mas, talvez, o maior resultado do projeto não possa ser medido em números ou de outra forma tradicional – que é a grande discussão que vem provocando acerca do paradigma atual do uso econômico dos Cerrados. 23


Ação educativa e metodologias de extensão rural

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extensão rural é um processo educativo não convencional de ensino. Face às peculiaridades do meio rural e do tipo de ensino, ela serve-se de metodologias próprias que facilitam o processo de adoção de tecnologias. Diferentemente do ensino formal, que repassa principalmente conhecimentos, ela trata de processos, de práticas que incluem a destreza e a habilidade, entre outras. Seu lema é ‘’ensinar a fazer fazendo’’. A demonstração e o comparativo são os pontos principais. Estão vulgarizados, no Brasil, a análise e a compreensão do campo com ferramentas e instrumentos analíticos da cidade, que, por sinal, provocam distorções irreparáveis nas políticas para o setor. Longe de afirmar que os treinamentos que incorporam conhecimentos não façam parte do ensino extensionista, mas o uso somente de conhecimento não é suficiente para transformar a realidade do campo. Paulo Freire ensina que há necessidade de uma troca de saberes entre o prático do homem do campo com o técnico cientifico do extensionista, base para a construção e um novo saber. Sobre os processos de ensino no campo, vulgarmente chamados de “cuspe e giz”, pode-se dizer que sua eficácia é, de uma forma relativa, inversamente proporcional a sua eficiência, ou seja, os agricultores ficam bem informados, mas não adotam o ensinado. A maioria das atividades no campo é no aqui e agora, necessita de uma Seu lema é ensinar atenção permanente. A incidência de uma praga depende de condições a fazer fazendo. biológicas, climáticas, de solo e de outros fatores distintamente diferentes daqueles encontrados por quem trabalha em condições artificiais, em uma loja, em uma fábrica. Depende de outros conhecimentos sob os quais pouca coisa pode fazer. Tem que estar atento a todas as nuances características do ambiente rural. Assim, as unidades demonstrativas, as unidades de observação, os dias de campo, demonstração de métodos, demonstração de resultados, excursões técnicas, como também treinamentos em curso, fazem parte do portfólio de metodologias usadas pelos extensionistas para acelerar o processo de adoção de tecnologia. Em 2011, para atender cerca de 38.000 agricultores a EMATER adotou os seguintes métodos de assistência técnica e extensão rural: 200 cursos, 131 campanhas, 62 propriedades demonstrativas, 80 unidades de observação, 138 unidades demonstrativas, 15 concursos/torneios, 30 dias de campo, 163 dias especiais, 108 encontros, 86 exposições, 45 feiras/leilões e 07 semanas tecnológicas. A EMATER disponibiliza cerca de 80 tipos de cursos para a sociedade goiana: administração rural, ação solidária e segurança alimentar, artesanato, alimentação alternativa, processamento de carnes, processamento de soja na alimentação humana, processamento da guariroba, desidratação de frutas, produção de salgados, produção de tortas, processamento de frutas, panificação e confeitaria, produção de quitandas, congelamento de alimentos, processamento de produtos da mandioca, processamento de pescado, processamento de vegetais e hortaliças, processamento de frutos nativos do cerrado, produção de produtos de higiene e limpeza, produção de licores, processamento de leite, etc. 24


Na industrialização os treinamentos enfocam: produção de cachaça, processamento de cana, rapadura e açúcar mascavo, boas práticas de fabricação (BPF). Em agroecologia e meio ambiente merece citação: revitalização em microbacias, sistema de agrofloresta, conservação do solo e preservação do meio ambiente, produção de eucalipto. No que diz respeito à metodologia foram oferecidos treinamentos em gestão social e cidadania, capacitação de conselheiros municipais, metodologia participativa e metodologia de extensão rural. Em produção animal foram oferecidos 16 diferentes tipos de cursos/treinamentos para atender à demanda de produtores de leite, cuja maioria é agricultores familiares. De igual forma, na área da engenharia rural tratou-se de irrigação, manuseio de GPS, manutenção e conservação de estradas . Na organização rural e na geração de renda tratou-se de associativismo, cooperativismo e Arranjos Produtivos Locais (APL). A produção vegetal propiciou aos demandantes 21 tipos de treinamentos enfocando os principais cultivos de valor econômico em Goiás.

Tomate agroecológico - primeiros passos em Goiás

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produção de tomate de mesa sem resíduo de agrotóxico faz parte dos planos da Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa AgropecuáriaEMATER, entre outras instituições, numa iniciativa apoiada pela Embrapa Solos. Para alcançar esse objetivo, a instituição passou a integrar o Sistema de Produção de Tomate de Mesa Ecologicamente Cultivado (Tomatc). O sistema vai O tomate envolve o trabalho de conservação construir o conhecimento para extensionistas, do solo e água com introdução do produtores, prefeitos, entre outros. O técnico de plantio direto do tomate na palhada. Assistência Técnica e Extensão Rural, Alípio Magalhães de Oliveira, participa do programa ao lado de Marcos Coelho, da área de Pesquisa em Anápolis, e mostra-se entusiasmado. O primeiro tomate sem resíduo de agrotóxico foi produzido em São José de Ubá, no Estado do Rio de Janeiro, por intermédio da Embrapa Solos. O Tomatec envolve o trabalho de conservação do solo e água, com introdução do plantio direto do tomate na palhada. Foram introduzidas, também, técnicas de fertirrigação, manejo integrado de pragas e ensacolamento da penca do tomate, segundo informações da Embrapa Solos. Em alguns municípios de Goiás podem ser selecionados pelo menos uns cinco polos iniciais para a nova prática, conforme informa Alípio Magalhães. A ideia da Embrapa, apoiada pela EMATER, FETAEG, entre outras instituições que participam do projeto, é lidar com a certificação e rastreabilidade e investir na divulgação da tecnologia. Para o pesquisador da Embrapa Solos e coordenador do projeto, José Ronaldo Macedo, o manejo integrado de pragas e ensacolamento da penca do tomate propiciam um produto isento de agrotóxico, a proteção física do saco, o que evita o ataque de brocas e do depósito da calda na casca do tomate. A irrigação do cultivo é feita por gotejamento, prática bastante utilizada em Israel, porque propicia economia de água. Os técnicos que conhecem o modelo veem inúmeras vantagens, entre as quais maior eficiência no uso dos recursos hídricos, combate à erosão, produção de um produto mais saudável, resistente e de excelente aparência, com selo de qualidade e rastreabilidade. Esses fatores contribuem para um melhor preço do produto, o que é bem recebido pelos produtores. 25


Orgânicos têm futuro porque são saudáveis

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s produtos orgânicos estão, de forma gradual, ocupando o seu espaço no concorrido mercado de alimentos do mundo. No Brasil, um ator global, Marcos Palmeira, vai promovendo conquistas e fazendo história. Em Goiás, a EMATER dá a sua contribuição no fomento ao cultivo das hortaliças, frutas e outros alimentos orgânicos. O palco desse novo cenário é o município de Terezópolis de Goiás, a 25 km de Goiânia, pela BR-153. A produção de orgânicos, composta de alface, cenoura, beterraba, tomate cereja e salada, batata doce, almeirão, chicória, couve, agrião, brócolis e as frutas mamão, tangerina poncã, banana, figo, laranja e uva, entre outros, é comercializada em 4 feiras livres em barracas especializadas em produtos orgânicos e em um empório existente em Goiânia. Oriçanga Bastos é quem dá assistência técnica aos produtores na região, através da unidade local da EMATER. É ele quem acompanha as dificuldades diárias dos agricultores, mas também enxerga as perspectivas futuras. O consumo ainda está restrito ao que em economia se chama nicho de mercado. Segundo o coordenador executivo do Projeto Organics Brasil, Ming Liu, a venda dos produtos orgânicos no País deve crescer este ano em 20%. O consumidor brasileiro, em sua opinião, está se voltando para os orgânicos. O seu argumento: se antes as pessoas levavam em consideração apenas os preços, agora elas estão pensando nos riscos e benefícios que o produto traz à saúde. Oriçanga concorda com a opinião do executivo e assegura que a legislação de orgânicos, que entrou em vigor no início do ano, cria mecanismos para aumentar a regulamentação e o estabelecimento de políticas públicas na área. Os produtos passam a ser certificados por uma empresa ou instituição credenciada pelo Ministério da Agricultura. Em Terezópolis de Goiás, a Associação de Desenvolvimento da Agricultura Orgânica (ADAO) assumiu essa parte de certificação e até um selo constitui-se em aval dos produtos do consórcio composto pelos municípios de Goianápolis, Nerópolis, Teresópolis de Goiás, Campo Limpo e Ouro Verde. São 45 os agricultores envolvidos na produção de hortaliças e frutas orgânicas. Mas, os especializados e que têm certificação se restringem a dois, por enquanto. Com a organização que a Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (EMATER) se dispõe a fazer, a perspectiva é de que o segmento cresça. A mudança de mentalidade dos pequenos produtores é aguardada para que eles se transformem em empreendedores rurais da agricultura orgânica. 26


A produção de orgânicos hoje naquela região é de uma tonelada mensal, o correspondente a mil caixas, no pico da safra. Os custos operacionais são estimados em R$ 3.500,00 por hectare. Para o preparo do solo e outras ações, o produtor precisa de um microtrator. A máquina e seus implementos agrícolas são financiados pelo Banco do Brasil, por meio de linha de crédito do Pronaf. O mercado de consumo atual é considerado “satisfatório” por Oriçanga Bastos, que acompanha cada passo dos produtores do cinturão dos orgânicos em Goiás. Os produtores ainda não têm escala para atendimento às grandes redes de supermercados. A agricultura orgânica, numa época em que se fala em sustentabilidade, encontra o seu local na atualidade. Com o envelhecimento da população e com o aumento da renda dos brasileiros, há uma preocupação com a qualidade de vida, e os alimentos têm um papel importante em todo este processo. As dietas estão na ordem do dia das mulheres que querem permanecer jovens ou com aparência de tal e o orgânico pode e dá a sua contribuição. No que diz respeito ao ambiente, as práticas da agricultura orgânica procuram manter o equilíbrio ecológico, permitem a diversificação e rotação de cultivos, a reciclagem da matéria orgânica, melhoram a qualidade do solo e o mantem saudável. A proteção do meio ambiente é um O tripé da sustentabilidade é a atividade fato consumado nesse tipo de agricultura, seja econômica, socialmente recomendável e pela proibição de uso de defensivos agrícolas com preservação do meio ambiente. e pela minimização do uso de fertilizantes químicos. Normalmente usam-se somente os naturais, como calcário, fosfatos de rocha, compostos orgânicos, esterco de animais e incorporação de restos culturais e a adubação verde com o uso de leguminosas. O combate a pragas e doenças é feito com produtos extraídos da própria natureza ou vegetais, como NIM, açafrão, extrato de pimenta, unha de vaca, alho, entre outros. O tripé da sustentabilidade é que a atividade seja econômica, socialmente recomendável e com preservação do meio ambiente. Ora, os nichos de mercado com preços diferenciados, os produtores de orgânicos podem atender perfeitamente os elementos do paradigma da sustentabilidade. O projeto conta com o apoio das prefeituras municipais, pois a região sedia o reservatório da barragem João Leite, que é responsável pelo abastecimento d'água de Goiânia, o que aumenta a necessidade de que o lençol freático não possa ser contaminado. O futuro da agricultura da região estará, sem dúvida, assentado na prática orgânica e com isso, todos ganham

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Abóboras e morangas no cardápio de pesquisa da EMATER

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s abóboras e morangas fazem parte do cardápio alimentar dos brasileiros, e os goianos costumam apreciá-las numa mistura com outros ingredientes, sobretudo com carne bovina. A EMATER, hoje denominada oficialmente de Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária, abriu espaço em seus trabalhos para pesquisar a moranga, por meio de sua unidade de Anápolis, cerca de 50 quilômetros de Goiânia, a capital do Estado. A EMATER destacou-se, inclusive, como a primeira instituição brasileira a desenvolver trabalhos de melhoramento com abóbora do grupo Baianinha, com o lançamento das cultivares Goianinha, Esmeralda e Trindade, conforme relata o estudioso do segmento Ney Peixoto, ainda em 1990. Atualmente, a instituição desenvolve o projeto de avaliação de linhagens de moranga obtidas no Estado. A equipe é composta por Valdivina Lúcia Vidal, engenheira agrônoma, mestre em produção vegetal, pesquisadora, extensionista e coordenadora do projeto. Marcos Coelho, engenheiro agrônomo, mestre em produção vegetal, pesquisador e extensionista, Josimar Alberto Pereira, engenheiro agrônomo, mestre em engenharia agrícola, pesquisador e extensionista e Raimunda Nascimento Sales, socióloga, pesquisadora e extensionista. Quanto às abóboras e morangas para consumo A Emater destacou-se, inclusive, como a de frutos maduros, tem-se destacado no mercado primeira instituição brasileira a desenvolver goiano o híbrido interespecífico japonês Tetsukabuto, trabalhos de melhoramento com abóbora do segundo informa Valdivina Lúcia Vidal, grupo baianinha com o lançamento das coordenadora do projeto. Ela acrescenta que, além de cultivares Goianinha, Esmeralda e Trindade. cultivares e populações de abóbora do grupo Baianinha, predomina a cultivar Goianinha. As abóboras e morangas possuem uma grande importância social e alimentar, visto que seus produtores, na maioria, são de pequeno e médio porte, além de pertencerem ao grupo de fontes de vitamina A (Alfa e beta-caroteno), açúcares, fibras e carboidratos. As sementes possuem efeitos medicinais e vitamina E.

Histórico Os trabalhos de pesquisa com morangas vêm sendo desenvolvidos desde 2000, observa a pesquisadora e coordenadora do Projeto. As ações ocorrem precisamente na Unidade de Horticultura da Estação Experimental de Anápolis. A finalidade é selecionar cultivares de moranga de frutos pequenos, produtivas e com boa qualidade de polpa, que possam constituir alternativas aos consumidores. Os experimentos são realizados com 18 genótipos de moranga e se realizam em regime de campo. Nesses ambientes são avaliadas as características agronômicas e experimentos de pós-colheita e, em consequência, as suas características físicas, químicas e sensoriais. Com essas condições, tem-se a preferência do consumidor, além da vida na prateleira. 28


Quando o produtor não tem leite derramado Há criadores que ‘’chutam o balde’’ sob o argumento de que “leite não dá dinheiro”. Em Abadia de Goiás, cerca de 20 quilômetros de Goiânia, a reportagem foi buscar dois exemplos de produtores que não têm essa queixa. Eles recebem assistência técnica d a E M AT E R . T ê m o s “pepinos”, como são chamados os problemas, mas contornados “numa boa”. Ricardo Rodrigues Barbosa e Wilton Luiz de Freitas contam a sua história de empreendedores na área do leite. Na Chácara Bouganville, Ricardo Rodrigues Barbosa dispõe de uma área de 8.4 hectares, com uma reserva de mata nativa preservada. Sua produção de leite é de 650 litros diários e tem como meta chegar 1.000 diários no próximo ano. Pela Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (o extenso nome da EMATER), ele recebe a assistência técnica do Projeto de Pastejo Intensivo em Capim Panicum maximum, o capim - mombaça originado da Tanzânia, na África. A forrageira é considerada pelos técnicos como de alta produção de matéria seca por hectare, boa aceitabilidade pelos animais, de fácil manejo, rebrota rápida, responde bem à adubação, tanto química quanto orgânica, boa digestibilidade, suporta bem a pisoteio etc. A cultivar no Brasil, foi desenvolvida pela Embrapa e faz sucesso na pecuária brasileira. Na propriedade de Ricardo, o sucesso se repete, o que torna rotineira a visita de estudantes de agronomia e veterinária da Universidade Federal de Goiás e produtores de várias regiões do Estado, que desejam conhecer o sistema. A Chácara Bouganville já completa 18 anos, mas somente há 6 anos Ricardo aderiu ao projeto. O projeto assistido pela EMATER objetiva oferecer alternativas de alta produção de leite por hectare, por meio do aumento da capacidade de suporte, isto é, aumento a lotação das pastagens, aperfeiçoamento da estrutura do solo, produtividade animal, redução da área utilizada para produção de leite a baixo custo com sustentabilidade, ou seja, agricultura de baixo carbono. As áreas para preservação ambiental também serão mantidas, tornando-se fonte de receita através dos Ativos Ambientais que o produtor poderá receber futuramente. Fernando Coelho da Silva, do Escritório Local da EMATER, em Nerópolis, demonstra sua experiência há mais de 21 anos trabalhando com pastejo intensivo dando ênfase, para agricultura familiar, onde Ricardo e Wilton se enquadram. No alpendre da chácara, entre um cafezinho e outro, acompanhado do pão de queijo e fatias de queijo preparado por dona Sandra, Fernando é claro: “Temos que dar esse suporte ao produtor, de olho nos custos e no lucro. O custo da terra, do animal, entre outros fatores, precisam ser avaliados continuamente”. Coloca ainda outros ingredientes, entre eles o do meio ambiente a ser preservado, aliado a uma maior produtividade por hectare. 29


O técnico da EMATER tem consciência da situação, ao observar que as mudanças climáticas exigem cuidados. ‘’Temos que buscar dia a dia maior aperfeiçoamento, aumentar a adubação orgânica e diminuir a adubação química’’, acrescenta, mencionando que ‘’isto reduz custo e melhora a estrutura do solo e contribui com o meio ambiente’’. Neste projeto, Ricardo, no momento, está produzindo 550 litros diários de leite. São 30 as vacas em lactação, o que corresponde a 18,33 litros por matriz/dia, com uma capacidade de lotação da pastagem de 8,33 U.A. (unidade animal) por hectare, enquanto a média brasileira é de 1,0 U.A. (unidade animal) por hectare. Na propriedade do Ricardo, o gado de leite Jersey tem índice de natalidade 82% e o pastejo intensivo rotacionado corresponde a 3,6 ha. O restante da área é composta por 1,68 ha de reserva legal; 0,6 ha para criação de galinha caipira; 0,5 ha área de construções; 2,02 ha de pastejo intensivo em grama “Temos que dar esse suporte ao produtor, de tifton, para criação das ovelhas e bezerros (a). O olho nos custos e no lucro. O custo da terra, primeiro parto das novilhas demanda 24 meses. Um do animal, entre outros fatores precisa ser detalhe interessante: os dejetos captados em avaliado continuamente”. esterqueira são lançados na pastagem como adubação orgânica. Ao analisar o projeto desde sua implantação, o produtor o avalia como muito positivo e fala de sua evolução, na capacidade de lotação da pastagem nestes 6 anos, que, no início do projeto era de 1,5 U.A./ha e a produção de leite ficava em 3.240 l/ha. Hoje, a capacidade de lotação está em 8,3 U.A./ha com uma produção de 41.231,70 litros de leite/ha/ano, mas, mesmo com essa evolução, o proprietário tem suas queixas: falta de mão de obra qualificada, alto custo de implantação do projeto e dificuldade na contratação de empréstimos financeiros. O senhor Wilton Luís de Freitas, Fazenda Dourado em Abadia de Goiás, que completa o 2º ano de adesão ao sistema do Pastejo Intensivo Irrigado em grama tifton 85, já produz 750 litros/dia em 5,0 ha, uma média de 16,66 litros/vaca/dia. Mesmo em fase inicial, o sistema irrigado indica um custo benefício favorável, pois não necessita de produção de volumoso para tratar dos animais no período de entressafra, ficando todo ano no pastejo intensivo irrigado, sobrando mais área para diversificar a produção e aumentar a proteção ambiental. Hoje, a área antes destinada a pastagem deu lugar a uma área de 3,0 ha de plantações de banana, com idade de 18 meses, dando início a diversificação de atividades. O conjunto de irrigação completo custou R$ 27.000,00 com duas bombas e tubulações que servem tanto para fertirrigação do pasto, como para distribuição do chorume que é armazenado em esterqueira e jogado no pasto a cada 5 dias. Esse procedimento tem melhorado consideravelmente a estrutura do solo diminuído a adubação química, e, consequentemente, reduzido o custo final da produção.

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ARTIGO

Certificação de produtos artesanais

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tuando no setor agropecuário durante boa parte da vida tenho participado diretamente do processo de crescimento econômico de Goiás e atesto com segurança que não tem sido pequeno. Mesmo assim, acredito que ainda temos muito a avançar em produção e comercialização de alimentos. Precisamos conquistar novos mercados, sobretudo fora do Brasil, focando em países como o Japão e a China, grandes compradores. Para atingirmos uma maior fatia do mercado internacional é essencial atendermos às exigências dos diferentes consumidores espalhados pelo mundo. Por isso, a certificação da qualidade do produto goiano é uma importante meta a ser alcançada. Uma das propostas da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) para este ano é a criação de um sistema de reconhecimento geográfico para produtos de alta qualidade e com valor agregado, como os artesanais. Um selo personalizado, exclusivo, para produtos como os nossos doces caseiros, queijos, embutidos e mel, por exemplo. O produto artesanal, natural ou não, tem influência do seu meio, ou seja, a atividade está diretamente relacionada aos recursos naturais, ao estilo de vida (hábitos e costumes) da comunidade que a produz, etc. O selo seria um atestado desta certificação, ou seja, que os produtos estão em conformidade com as normas técnicas de produção, sanidade, armazenamento e transporte, e por quê não das particularidades de cada item. Há séculos produtos como o queijo, o vinho, o azeite e o chocolate europeus ganharam ‘identidade’ de acordo com a região onde são produzidos. Hoje, são mundialmente conhecidos e consumidos. Estamos preparando um projeto nesse sentido. Organizar os produtores, definir procedimentos padrões e inspeções periódicas, e a partir daí repassar aos produtores artesanais as normas técnicas, a logística, e aliá-las à 31

tradição e caprichos tradicionais das propriedades rurais goianas é uma receita que tem tudo para dar certo. Vamos oferecer a este setor nova percepção de mercado e alcançar níveis de qualidade internacionais. Os produtos artesanais tem importância social e econômica. Empregam milhares de famílias em todo o Estado, fixando-as no campo, complementam a renda – isso quando não são a principal fonte de rendimento – e melhoram o ganho médio do produtor. A produção de mel, por exemplo, e seus derivados, aos poucos vem ganhado mais espaço e cada vez mais apicultores. A Agência Goiana de Defesa Agropecuária já implantou seu Programa de Sanidade Apícola permitindo aos fiscais estaduais agropecuários atuar na inspeção, colheita e transporte adequados das amostras oriundas de colméias de abelhas Apis mellifera, o que colabora diretamente para a inclusão dos apicultores no processo produtivo. Da mesma forma os doces caseiros pastosos, cristalizados ou em calda, cujo consumo tem aumentado muito entre as famílias. Aliás, em regiões turísticas, como Caldas Novas e Pirenópolis, estes produtos conquistam o paladar de estrangeiros que visitam as cidades. A produção artesanal de queijo não é diferente. É um dos alimentos mais antigos de que se tem notícia na história e talvez por esta razão tenha mercado certo e garantido. Boa parte do queijo fabricado em Goiás é do tipo minas frescal. Com união, apoio e discussão, os produtores podem encontrar uma receita para ‘chamar de nossa’, ou seja, fabricar um produto típico de nossa região. São metas que com trabalho e determinação permitirão a Goiás desfrutar dos benefícios que esse tipo de status promove para a economia, os produtores artesanais e o povo goiano. Antenor Nogueira - Presidente da Agrodefesa


CEASA-GO: A Força do Abastecimento no Coração do Brasil As Centrais de Abastecimento de Goiás S.A (CEASA-GO) é uma empresa de economia mista criada em 1970 constituída nos termos da lei nº 5.577, de 20/10/75 e regulamentada pelo Decreto nº 70.502, integrante do Sistema Nacional de Centrais Abastecimento – SINAC e organizada de acordo com as normas do Conselho Nacional de Abastecimento - CONAB. Com o intuito de regulamentar a comercialização de hortifrutigranjeiros no Estado de Goiás, a CEASA-GO gera cerca 10.000 empregos diretos e 50.000 indiretos, incluindo produtores, comerciantes, compradores, fretistas, servidores, etc. Em 2011 o volume de hortifrutigranjeiros foi de 843.077,63 toneladas ofertadas - com uma média mensal de 70,2 mil toneladas - um aumento de 7,63% em relação ao ano anterior. A movimentação financeira foi estimada em R$ 1,08 bilhões, na qual representa um aumento de 9,25%. Visando minimizar os problemas relacionados ao trânsito no interior da CEASA e atendendo às reivindicações dos usuários, a administração construiu dois estacionamentos com capacidade para 550 veículos de pequeno porte e 200 motocicletas. O próximo passo será a pavimentação asfáltica de 15.000 m² que está em processo de licitação. A meta da administração da CEASA é proporcionar maior conforto e comodidade aos empresários – produtores e compradores – bem como maior mobilidade e segurança aos carregadores que terão pistas menos congestionadas para se locomoverem com seus carrinhos.

Em operação desde 1975, a CEASA-GO é a quarta maior central de abastecimento

Estacionamento alternativo localizado na área do antigo Posto de Combustíveis (400 vagas para veículos).

Ampliação do estacionamento de motocicletas (200 vagas para motos).

Ampliação do Estacionamento da Administração/Divisa com muro da CIFARMA (150 vagas para veículos).


Comunicar é preciso

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logotipo da E M AT E R , uma folha verde, mostrando a cor das plantas e a esperança, em fundo azul do infinito céu, retrata a disposição de inovar. Mas não foi sempre assim, um l o g o t i p o a n t e r i o r, d e propriedade da EMATER, empresa, era usado com marca da instituição. Com a promulgação da lei dos direitos autorais, se fosse usado, estaria a Autarquia apropriando-se indevidamente de um produto intelectual que não lhe pertencia. Um concurso interno, feito entre a “prata da casa”, permitiu a escolha da logomarca atual, que retrata, de forma mais clara, a nova instituição. Foram muitas as discussões para mudar, mas o final foi feliz, pois teve uma boa aceitação, em uma simples enquete feita. São tempos novos e uma nova marca faz parte da diferença. Num mundo em que as informações circulam numa rapidez de pensamento, permitindo que fortunas sejam transferidas em frações de segundos, em que as pessoas veem os acontecimentos “on line”, teve a direção da EMATER a preocupação de priorizar a colocação no ar do site da instituição, também produto da “prata da casa”, que tem permitido uma comunicação mais clara e rápida com todos os servidores da EMATER e com o público em geral. Trata-se de um instrumento de “feed back” que retroalimenta a casa com demandas de agricultores, estudantes e pessoas de um modo geral, que acessam a internet e o site da instituição, a todo o instante. Com a intranet, a comunicação tende a fluir mais rapidamente, aproximando os fatos da realidade em questões de segundos. Espera-se que, de uma maneira rápida, haja condições de infraestrutura, para que os profissionais de ATER e de pesquisa possam comunicar-se com seus pares de uma forma mais célere e resolver os problemas que existirem. O “Boletim on line” da EMATER traz as informações do que está acontecendo em todo o Estado em termos de assistência técnica, extensão rural e pesquisa agropecuária, com notícias atuais dos eventos e das transformações verificadas no meio rural. Os extensionistas têm, neste meio de comunicação uma maneira simples de comunicar entre si e com os usuários e beneficiários de suas ações. Mesmo sendo interno, ele tem sido enviado para as principais lideranças estaduais e nacionais, ligadas ao Estado ou ao segmento da agropecuária. Muitas são as notícias que 33

recebem tratamento de outros órgãos de comunicação, levando longe o nome da EMATER, do trabalho de pesquisa agropecuária, da extensão rural e assistência técnica. Um esforço para o resgate do que foi feito pela extensão rural no Estado de Goiás, ao longo de sua história, está aos poucos sendo catalogado em documentários colhidos com depoimentos dos pioneiros, como Vicente Benjamim Albuquerque, Josias Luiz Guimarães e, aos poucos, vai-se trazendo à luz um pouco da história rica do trabalho extensionista em Goiás. Três exposições foram feitas na sede da EMATER: uma com os desenhos e trabalhos de Evaristo Caetano, um dos pioneiros da Extensão na área de comunicação, outra com retratos de servidoras e uma terceira com objetos da labuta diária do extensionista, inservíveis nos dias de hoje, mas que retratam as dificuldades que tiveram os precursores. A Área de Qualidade que atua na Gerência de Comunicação realizou e realiza permanentemente uma gama de eventos dedicados aos servidores e, em datas especiais, como: no mês de maio, dedicado às mulheres, com exposição de fotos, chá da tarde, semana da saúde, missa com café da manhã; festa junina; confraternização de Natal, com uma ornamentação que chamou a atenção pelo bom gosto e qualidade. Foi realizado, em parceria com a Gerência de Informática, o Manual de Comunicação corporativo, e, em parceria com a Gerência de Pessoas, o passaporte institucional, nos termos da proposta de governo. Vários treinamentos foram ministrados, com vistas ao aprimoramento do atendimento aos clientes da EMATER e a melhoria na comunicação, de uma maneira geral.


História e causos de extensionistas

Cantárida A população do meio rural envelheceu. Os jovens estão vindo para a cidade, onde encontram melhores condições de vida e de empregos, menos estafantes que as do campo. Os que lá permanecem têm muitas histórias para contar e esta é uma diversão nas reuniões. Ainda que sejam repetitivas e quase sempre sobre os mesmos temas, são de uma riqueza que merece ser preservada. O rural vai mudando, mas o homem ainda faz parte da natureza e sempre que entra em contato com ela se revela um outro ser. Pois o homem da roça vive o seu dia a dia com a mãe natureza e é dela que tira o sustento, sua inspiração de vida, seu sonho, sua realização e sua diversão. A prosa estava boa, os temas iam se revesando como também eram revesadas as doses de uma boa cachacinha que emolduravam aquela boca de noite. Na brasa, uma costela de boi enchia de cheiro o ambiente. No outro lado, de quando em vez, se ouvia o grito dos truqueiros: - truco, seis, ladrão, e assim a noite adentrava. A brisa ainda quente das noites goianas, começava a amainar e a abrir o apetite, fustigado pelas doses da bebida. Seu Zé não perdia uma reunião destas, inda mais com a sua capacidade de contar causos, que, ouvidos da boca de outro, não tinham a graça que só ele conseguia, com seu jeito próprio de contar história. Quando o Zé tinha uma estória nova, ouvida, criada por ele ou mesmo acontecida, ele ficava quieto, esperando o momento certo, o que, em outras situações, pode ser chamado de aquecimento. Esperava aquele momento em que as estórias contadas levam ao riso, independentemente de serem ou não engraçadas, pois todos estão com o espírito pronto para ouvir e com disposição para o riso. Pois naquela tarde / noite não foi diferente. Na roda de homens, falava-se sobre masculinidade, mesmo com a idade média do grupo

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acima dos 60 anos, e o tema era os produtos novos lançados no mercado, que deixavam os velhos bem jovens nas coisas de sexo. A maioria, no começo, dizia não precisar, não saber do que se tratava, do já ouvi dizer, até que um cria coragem e assume que é usuário e não lamenta nada, muito antes pelo contrário, aos poucos a confissão vai acontecendo. Quando falaram sobre o azulzinho, que tinha sido o primeiro produto a ser criado pela medicina, Sêo Zé desmentiu categoricamente e tinha como provar. - Oia, eu me alembro do meu avô, ele contô pra nois como se assucedeu o seu conhecimento do assunto. Tava sentindo fraco pra sua mulher e até pras mininas da rua, que tinham um jeito deferente de fazê a coisa. Dispois di tantos anos de casado e com tantos fios num tinha coragem de pedir pra Marica pra fazê essas coisas. Isso num cabia pra esposa, mais que ele gostava, era verdade. Assim, é que de veis em quando ele dava uma escapadinha, sem cumpromisso. Vortando a fraqueza, ele só teve um jeito: procurá o farmacêutico da cidade que tinha um remédio bão dimais. Conversa vai, conversa vem, ele puxa o assunto com o farmacêutico, que de pronto tira um pó azul de um vidro, que chamou de cantárida, era o torrado de um besouro azulim, azulim, que vivia por aquelas banda. É tiro e queda, falou. Levou pra casa, mas resolveu testar em outro, pois o farmacêutico disse que não podia abusar, que matava. Pegou uma dose e deu pro bode velho que cobria as cabras. Ficou assuntando o resultado. Pois num é que o bicho ficou foi doido de tudo. O “trem” aprumou para baixo numa dureza que o bicho berrava, dava pulo, esfregava aquilo no chão que saia faísca qui nem ferro verdadeiro. Então, essa cunversa de que o azulim é de agora, é mintira pura, meu falecido avô que o diga. Carlos César de Queiroz - Engenheiro Agrônomo Ms em Administração Rural e Extensionista.



Revista Emater 01/2012