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editorial

Salto para o futuro

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este dia 15 de agosto, Sorocaba completa 357 anos de sua fundação. E são muitos os motivos para comemorar. É que as terras “descobertas” por Baltazar Fernandes, das feiras de muares à Estrada de Ferro Sorocabana, passando pelo apogeu da produção têxtil - que consagrou, na década de 1970, o município sob o carinhoso apelido de “Manchester Paulista” - e de forte vocação industrial, preparase, agora, para entrar em uma nova e desafiadora fase de seu desenvolvimento: a era da tecnologia e da inovação. A criação do Parque Tecnológico vai possibilitar a instalação de empresas inovadoras que, certamente, vão potencializar o valor adicionado da produção. Por consequência, significará aumento da arrecadação municipal que, diga-se de passagem, já supera a casa do R$ 1,5 bilhão – maior do que muitas capitais brasileiras. Esse salto para o futuro, todavia, não pode ser visto apenas

Ipanema Sistema Gráfico e Editora Ltda

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Direção: Francisco Pagliato Neto Juliana Camargo Pagliato Consani

Editor: Urbano Martins MtB 36504

Filiação

pelo prisma numérico, com gordurosos e bem-vindos cifrões. É preciso reconhecer que o planejamento da cidade, para abrigar as indústrias de desenvolvimento tecnológico, requer elevada formação e qualificação dos profissionais. Neste sentido, diversas instituições públicas e privadas instaladas em Sorocaba vêm cumprindo esse papel. Aliás, o investimento na educação, não só de dinheiro, mas pessoal - de tempo e dedicação - tende a ser revertido em maiores salários e melhores oportunidades no mercado de trabalho. Sem dúvida alguma, os sorocabanos já comemoram o ingresso da cidade neste futuro promissor. O maior desafio, que não pode ser esquecido pelas indústrias e tampouco pelo poder público, é o de incluir efetivamente toda a sua população neste novo ciclo econômico. Afinal, este ousado salto para o futuro só interessa aos sorocabanos se os avanços e benefícios forem para todos.

Diagramação e Arte: daniel Guedes

Texto e foto: Marianna Barreto

Gerente Geral: Wilson rossi

Fotos: Juliana Moraes Jomar Bellini

Textos: Cida Haddad Felipe Shikama Jônatas rosa Marcel Marques alana damasceno Cida Muniz

Revisão: robson Camargo Súnica Distribuição: Sorocaba e região Tiragem: 30 mil exemplares

Impressão: log&Print Gráfica e logística ltda 4 • Sorocaba Sempre • 2011 | Jornal Ipanema

A foto da capa foi produzida pelo fotógrafo lucas Munhoz, sócio-proprietário do site Colunáveis.com.br. Munhoz vem se especializando em fotos aéreas. o mesmo utiliza-se de um sistema radiocontrolado para o trabalho, viabilizando as fotos aéreas, inclusive de baixa altitude.


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SaNeaMeNto BÁSiCo

a deSpoluição poluição do rio Sorocaba é um graNde preSeNte para a Sociedade

a

despoluição do rio Sorocaba virou um sonho para os moradores de nossa cidade. Ninguém acreditava que, neste rio que corta o município, um dia a vida voltaria a sorrir, mas por incrível que pareça e indo contra todas as previsões, isso é uma realidade. E, como parte do aniversário de Sorocaba, comemorado neste 15 de agosto, a última estação de tratamento de esgoto será inaugurada no dia 31 deste mês, às 17 horas. Esta é a promessa do diretor do Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto), o arquiteto Geraldo de Moura Caiuby. A Estação de Tratamento de Esgoto Aparecidinha (ETE Aparecidinha), última etapa do complexo de obras do Programa de Despoluição do Rio Sorocaba, com a qual se chega a 100% de esgoto tratado, será entregue. São aproximadamente R$ 150 milhões em investimentos, entre recursos próprios e financiamentos. Sorocaba é abastecida com a água retirada da represa de Itupararanga. A outorga concedida pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) ao Saae de Sorocaba permite que a autarquia capte 2 mil litros de água por segundo, detalha Caiuby, e uma nova adutora para captar mais água somente será possível com a ampliação da outorga atual, que já foi solicitada. Um dos grandes problemas da diminuição da água da represa de Itupararanga é a retirada ilegal do líquido por proprietários de chácaras instaladas ao longo da represa, inclusive para a agricul-

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tura. Conforme Caiuby, o Saae não está alheio a este problema. “O Saae de Sorocaba integra o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Sorocaba e Médio Tietê e, por meio de sua participação, tem apresentado a sua preocupação relacionada a todas essas situações, que têm interferido na qualidade da água desse manancial, que abastece a população de Sorocaba e região”, afirma o diretor.

Tratamento da água A água fornecida pelo Saae aos sorocabanos é considerada uma das melhores do país e isso deve melhorar já que a autarquia inaugura as obras de reforma, ampliação, automatização e adequação ambiental da Estação de Tratamento de Água “Dr. Armando Pannunzio”, a ETA Cerrado, que possibilitará o aprimoramento do tratamento da água distribuída em Sorocaba atualmente. A outra Estação de Tratamento de Água da cidade (ETA Éden) também vai receber obras de reforma e ampliação, cujos projetos estão sendo desenvolvidos pela autarquia. Ainda no que diz respeito ao tratamento de água, o Saae aguarda confirmação de financiamento do governo federal (PAC 2) para a implantação da nova ETA Vitória Régia, que terá captação de água diretamente do rio Sorocaba, o que será possível graças ao Programa de Despoluição. Já em relação ao tratamento de esgoto, as seis Estações de Tratamento em operação (S-1, S-2, Pitico, Itanguá, Ipaneminha e Quintais do Imperador) atingem altos índices de eficiência, acima dos índices mínimos exigidos pelos órgãos ambientais.

Fotos: AI/Saae

Sorocaba chega a 100% de eSgoto goto tratado em agoSto ago to Geraldo de Moura Caiuby, diretor do Saae

Desabastecimento e educação Uma das questões mais discutidas na última década é a utilização racional da água. Questionado sobre uma possibilidade de desabastecimento na cidade, Caiuby é enfático: “A água existente no mundo é a mesma desde os primórdios da Terra. O problema reside nas condições em que o ser humano está deixando esse recurso natural. O risco de desabastecimento, neste momento, não existe, mas o futuro vai depender muito de como tratamos a água no presente. O Saae-Sorocaba, por meio da sua equipe de Educação Ambiental, tem procurado conscientizar a população, enfatizando a necessidade do seu uso correto bem como a importância da preservação do nosso meio ambiente”. Caiuby lembra que, com o rio Sorocaba totalmente despoluído em nossa região, será possível contar com mais um importante manancial de abastecimento, cuja captação vai ser possível tão logo a nova ETA Vitória Régia seja construída e comece a operar, sendo uma importante alternativa a Itupararanga. Já pensando no abastecimento de água para a cidade para daqui a 20 anos, Caiuby destaca que o Saae-Sorocaba continuará estudando e planejando todas as diretrizes relacionadas às necessidades atuais e futuras da população, por meio dos seus planos diretores de água, esgoto, drenagem e saneamento, que periodicamente passam por processos de revisão, apontando e mensurando todos os vetores envolvidos no desenvolvidesenvolvi mento populacional, numa expectativa e horizonte de trinta anos.


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traBalHo

mão de obra qualificada

é o graNde deSafio SSafio afio da daSS graNde deSS cidadeS cidade eNtra Na briga com outroSS ceNtroSS em buSca de profiSSioNaiSS qualificadoS

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índice de desenvolvimento de uma cidade também pode ser medido pela qualificação de seus profissionais. No caso de Sorocaba, isso não é diferente. O secretário de Relações do Trabalho de Sorocaba, Luís Alberto Firmino, considera que o mercado de trabalho está em expansão e as empresas, por sua vez, estão mais exigentes em relação à qualificação profissional. “A capacitação de mão de obra para suprir as necessidades atuais e futuras não é um desafio somente de Sorocaba, mas de todas as grandes cidades que estão experimentando desenvolvimento muito superior à média nacional. A Prefeitura tem se preocupado e trabalhado em identificar quais as profissões que mais espaços terão a curto, médio e longo prazo”, afirma o secretário que exemplifica: “a prova disso foi a realização do 1º Fórum Municipal de Qualificação Profissional, que teve como objetivo colher dados do mercado de trabalho para ampliar o número de profissionais qualificados em Sorocaba, fornecendo sustentação às atuais e futuras empresas que se instalarem na cidade”. Para Firmino, “Sorocaba tem cumprido seu papel na capacitação de profissionais e tem intensificado a qualificação nos três níveis de ensino (básico, médio e superior) para atender à demanda de mão de obra que está surgindo em razão do Parque Tecnológico em Sorocaba e 8 • Sorocaba Sempre • 2011 | Jornal Ipanema

das grandes indústrias e empreendimentos que aqui estão se instalando”. Já o trabalho de qualificação que a Universidade do Trabalhador (Unit) faz em conjunto com entidades de ensino técnico e superior, para Firmino, tem mostrado ótimos resultados, “mas o de-

Sorocaba tem cumprido Seu papel Na capacitação de profiSSioNaiS

luíS alberto firmiNo, Secretário de relaçõeS do trabalho rabalho de Sorocaba

safio é grande e sabemos que é preciso estreitar ainda mais a relação entre as escolas, empresas e o poder público a fim de suprir a necessidade que o mercado impõe a cada dia”.

A Unit Firmino explicou como funciona a Unit (Universidade do Trabalhador). “A Unit trabalha com seis programas de qualifi-

cação e requalificação profissional. São eles: Unit Comunidade Centro, Unit Comunidade Éden, Unit Bairro, Unit Casa do Cidadão, Unit Fundação Casa e Unit Vai à Escola. Os cursos são definidos de acordo com a demanda do mercado, em pesquisas feitas junto ao Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT), Senai e indústrias, analisando as deficiências de mão de obra do mercado. Os cursos são disponibilizados de acordo com a programação feita pela Secretaria por meio da Unit, no início de cada ano, observandose também a necessidade e a disponibilidade do local a ser atendido. Os alunos são selecionados da seguinte forma: Unit Comunidade Centro e Éden – por meio de prova seletiva; Unit Bairro e Casa do Cidadão – por meio de inscrição feita no próprio local onde será realizado o curso e o critério de seleção é por ordem de chegada, de acordo com o número de vagas ofertadas; Unit Fundação Casa e Unit Escola – os alunos são selecionados pela coordenação ou direção da unidade onde será desenvolvido o curso. Os cursos da Unit também atendem tanto candidatos em situação de desemprego quanto aqueles que necessitam de requalificação profissional e estão inseridos no mercado de trabalho.

Parcerias produtivas Para qualificar a mão de obra da cidade, a Secretaria de Relações do Trabalho tem


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traBalHo com planejamento é fundamental para estabelecer horizontes de curto, médio e longo prazo”. Para o secretário, “os cursos profissionalizantes são fundamentais para a qualificação de mão-de-obra dos alunos que concluem o ensino médio, uma vez que o ensino médio por si só não qualifica ninguém para o mercado de trabalho. Atualmente, com o mundo em evolução, as chances de quem se qualifica são bem maiores em relação aos demais”.

O futuro O secretário de Relações do Trabalho destaca a importância pelo planejamento em relação ao futuro. “A cultura de fazer o trabalho de forma planejada mostra-se eficiente para pensar uma grande programação. Não há como imaginarmos uma cidade do tamanho de Sorocaba sem considerar um horizonte temporal para 20 anos. Assim, os diversos setores estão dentro deste contexto. As ações até agora pensadas estão consideradas: aumento de espaço físico para qualificação (novo prédio da Unit), com novos cursos em face do mercado de traba-

lho; aumento das vagas das Etec’s, Fatec, novo Senai. Essas medidas não geram efeito imediato, mas são duradouras”, afirma. Neste sentido, Firmino deixar clara a importância de buscar sempre qualificar o trabalhador e prepará-lo ainda mais para acompanhar as exigências do mer mercado de trabalho. “As empresas hoje não estão interessadas apenas em exigir do candidato experiências em determinadas funções, elas buscam também qualificação e atualização constante do candidato para o mercado de trabalho”. O desenvolvimento regional é fundamental para o crescimento da cidade. Na opinião do secretário, “é inegável a condição privilegiada que Sorocaba goza atualmente, a cidade cresce a cada dia, trabalhando sempre pela qualidade de vida de seus moradores e sendo referência para toda região. Sorocaba está em plena expansão também no setor industrial, gerando novos empregos e potenciais consumidores e o tema ‘Desenvolvimento Regional Integrado’ vem ocupando espaço importante na agenda de políticas públicas do município”, conclui.

Foto: Secom/PMS

feito parcerias. Conforme Firmino, a Sert/ Unit já tem parceria com a Universidade de Sorocaba (Uniso) para a realização de cursos ao longo da sua existência. “Também já fizemos parcerias com o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e outras empresas. Atualmente, o nosso sistema para a realização de cur cursos é feito através de pregão eletrônica (via Prefeitura Municipal), onde são contratadas empresas que ministram nossos cursos”. Complementando, o secretário conta que, atualmente, existem cinco turmas do curso de Educação para o Trabalho, ministrado pelo Senai Sorocaba. Os alunos fizeram inscrição na Unit e no PAT e as aulas estão em andamento na Unit Centro”. Firmino informa que as áreas com maior mercado de trabalho hoje nas cidades que apresentam resultados positivos são os setores industrial, de comércio e serviços. Segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), foram mais de 3,5 mil empregos no primeiro semestre do ano. A perspectiva para o futuro próximo são para os setores de máquinas e equipamentos no setor industrial. Já o setor da construção civil preocupa Firmino. “É o grande dilema que precisa ser enfrentado: não há renovação do quadro de profissionais suficiente para atender à demanda, há falta de interesse pela profissão”, avalia.

Novas tecnologias Questionado se Sorocaba tem ferramentas hoje para preparar os profissionais e qualificar os existentes em novas tecnologias, o secretário detalhou que “as instituições de ensino têm se preparado para as constantes necessidades manifestadas pelo mercado. O Poder Público tem articulado pesquisas em diversos setores para conhecer quais são as melhores estratégias. Em face disso, foram ampliados os números de vagas para cursos técnicos (Etec’s) e para cursos tecnológicos (Fatec). E o Parque Tecnológico tem a proposta de ser um espaço gerador de conhecimento e criação de novas tecnologias. Isso demonstra que trabalhar 10 • Sorocaba Sempre • 2011 | Jornal Ipanema

Luís Alberto Firmino, secretário de Relações do Trabalho de Sorocaba


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traBalHo

ServidoreSS públicoS muNicipaiSSão São São 11 mil e preciSam SSam de qualificação hoje é poSSível afirmar que a eNtidade SiNdical eStá eNtre tre aaSS maioreS da cidade

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zação de concursos públicos, implantação de vários benefícios complementares e o plano de carreira, além da concessão de pequenos aumentos reais (tímidos)”.

Áreas deficitárias Na opinião de Ponciano, a área mais deficitária no setor público municipal é a salarial, “pois a diferenciação de tratamento do piso salarial entre os servidores de carreira e os ocupantes de cargos comissionados é muito acentuada. Também é bastante deficitária a política salarial da data-base, que basicamente se restringe à reposição da inflação anual (IPC-FIPE), por ocasião da acordo coletivo, tendo o Sindicato que ‘implorar’ para poder conseguir tímido aumento real”.

Questionado se falta ao servidor púpú blico concursado evoluir em sua área com o tempo de serviço, Ponciano foi claro: “A Constituição Federal, infelizmente, restringe o crescimento da car carreira dentro do serviço público, ou seja, impede a mudança de cargos, existindo somente a possibilidade da evolução funcional (promoção salarial reduzidíssima), por meio de pontuação por assiduidade e por cursos de qualificação. Isto, de certa forma, acaba desestimulando os servidores na busca de uma formação e qualificação de escolaridade de nível técnico ou até superior”. E acrescenta, “essa questão precisa ser mais bem discutida pelos integrantes do Congresso, responsável pela atual legislação que Foto: AI/SPMS

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ara o bom atendimento da população, é necessário que os servidores públicos sejam altamente qualificados. Foi-se a época que o serviço público estava sucateado com equipamento, móveis e até mesmo pela mão de obra. Hoje essa realidade é outra. O servidor é uma ferramenta imprescindível para o bom andamento da qualidade do serviço prestado à população. Segundo Sergio Ponciano de Oliveira, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Sorocaba, existem 11 mil servidores públicos municipais em Sorocaba e eles precisam sempre passar por qualificação. Por considerar o ser servidor público municipal fundamental para o bom andamento da cidade, o Sindicato tem buscado a valorização do servidor. Para Ponciano, “o servidor é imprescindível não só para o bom andamento mas para o crescimento e desenvolvimento sustentável da nossa cidade. O Sindicato dos Servidores Municipais vem buscando incessantemente a valorização profissional dos servidores de Sorocaba, tendo conseguido a implantação do plano de carreira, o combate à terceirização de mão-de-obra no serviço público, a implantação de revisão dos salários de diversos segmentos profissionais, ações de segurança no trabalho, criação de escola de gestão pública, entre outras ações”, comemora. Ponciano afirma que, “nos últimos anos, tanto a Prefeitura como a Câmara vêm focando melhor a valorização e o respeito ao servidor público, com a reali-

o Servidor é impreSciNdível para o deSeNvolvime N Nvolvime Nto SuSteNtável da NoSSa SSa cidade SS

Sergio poNciaNo de oliveira, preSideNte do SiNdicato doS ServidoreS públicoS muNicipaiS de Sorocaba


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traBalHo engessa a valorização e crescimento profissional do servidor público em todas as esferas e instâncias de Poder. As Centrais Sindicais estão tentando conscientizar os congressistas sobre esta necessidade do serviço público.

Saúde e educação As áreas de saúde e educação são as que mais recebem verba do orçamento mas também são as mais criticadas. Ponciano pontua alguns dos problemas nestes setores relativos ao servidor público. “Os atuais modelos de políticas públicas de gestão, de repasses de verbas, de contratação de profissionais e de salários existentes entre as três esferas de governos (federal, estadual e municipal), nas áreas de saúde e de educação, em sua grande maioria não se convergem e, consequentemente, cada mandatário age de acordo com o seu ‘programa de governo’ que julga ser o mais adequado para a sua comunidade/realidade. Essa maneira própria de cada um ‘realizar’ vem interferindo na forma e na qualidade da prestação de serviços/atendimentos, especialmente no controle financeiro e de recursos humanos, já que observam sempre ‘as suas prioridades’. No caso do Município, que é a porta de entrada e saída mais próxima ao cidadão, especialmente daquele que depende exclusivamente do serviço público, certamente, este ‘sente’ mais rapidamente os efeitos ‘nocivos’ desta falta de uniformização e padronização básica de procedimentos entre os entes”, explica. A questão da qualificação do servidor público ainda é um problema a ser debatido. “Até a promulgação da Constituição Federal de 1988, a forma de contratação (regime CLT) era quase que por ‘QI’ – quem indica. Com a exigência dos concursos públicos, a criação de cargos de ingresso passou a ser condicionada ao requisito de escolaridade. No entanto, profissionalmente, o Brasil ainda carece da criação de escolas técnicas e de faculdades especializadas em formar e fornecer mão de obra específica para atender às demandas de serviços públi14 • Sorocaba Sempre • 2011 | Jornal Ipanema

cos (inclusive nas áreas operacionais e administrativas). Por isso, o trabalhador público, mesmo com o ‘canudo’ na mão, encontra enormes dificuldades em se adaptar às necessidades e exigências do serviço público, que é muito peculiar na sua execução, além da falta de política salarial condizente”. Ponciano afirma que o Sindicato dos Servidores vem cobrando da administração pública a implantação de cur cursos, tanto que já foi criada a Escola de Gestão Pública (ao lado da Guarda Civil Municipal) e também vem firmando parcerias/convênios com escolas e faculdades particulares, que começam a pensar neste segmento público e estão facilitando o acesso dos servidores aos

criação de cargoSS de iNgreSSo pa ou a Ser paSS coNdicioNada ao requiSito de eScolaridade

cursos específicos por meio de descontos em mensalidades. Apesar de serem 11 mil servidores públicos municipais em Sorocaba, Ponciano considera que esse quadro tem que melhorar. “Atualmente, existem aproximadamente 11 mil servidores atuando na Prefeitura, Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto, Urbes (Empresa de Desenvolvimento Urbano e Social), Funserv (Fundação dos Servidores Públicos Municipais) e Câmara Municipal. Especificamente em relação ao quadro de servidores da Prefeitura e do Saae, o Sindicato entende que precisa ser mais bem apurada a distribuição do quadro dos funcionários

por unidade/local de trabalho, que efetivamente considere o tipo de serviço frente ao número de atendimento, em face do número excessivo de horas extras mensais, dando-se a impressão que existe um déficit razoável de profissionais, que também pode comprometer a médio prazo a qualidade de vida e de saúde dos servidores”.

Tendência para os próximos anos Mas, afinal, o que podemos esperar do trabalho do servidor público municipal pra os próximos 20 anos? O presidente do Sindicato afirma que “caberá aos futuros gestores eleitos a mudança do foco das políticas públicas na área de gestão de recursos humanos, fortalecendo a profissionalização, a qualificação e a valorização salarial permanente ao ser servidor público. Caso contrário, será difícil conter o crescimento da rotatividade de trabalhadores no serviço público, com consequente comprometimento da qualidade dos serviços prestados. A ampliação do número de servidores será sempre necessária, porém, deverá ser precedida de um rígido controle técnico e estratégico do quadro de funcionários em relação a tipos de serviços disponibilizados e crescimento da demanda populacional, visando à eficácia e eficiência no aproveitamento e distribuição desta mão de obra”, salienta. Concluindo, Ponciano afirma que Sorocaba merece um servidor público qualificado, motivado e comprometido diariamente com a qualidade na prestação de serviços. Igualmente o servidor público merece ter um poder público que o reconheça, valorize e respeite profissionalmente, com implantação de plano de cargos, de salários e de carreiras dignos, visando à sua permanência/efetivação no serviço público. Hoje são utilizados em torno de 40% do total da arrecadação da receita liquida corrente anual, ou seja, R$ 541 milhões (estimativa atualizada pela Secretaria de Finanças, em fevereiro/2011) para pagamento do servidor público municipal.


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CaPaCitaÇÃo

uNiverSidadeS pública públicaSS SSão ão ageNteSS do deSeNvolvimeNto regioNal ufScar c propõeformaçãogratuitaedequalidade car

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co, como a interação com o sistema público de educação, a pesquisa científica, o apoio a empresas, entre outros.

Foco na região Questionado se os cursos oferecidos pela UFSCar são focados nas necessidades da cidade e região, o professor destacou que “desde o início, os cursos foram pensados para contemplar as características regionais, o que já é uma característica da UFSCar. A escolha se deu a partir das características da região – industrializada, interessada no turismo como saída econômica para vários municípios, preocupada com preservação ambiental, possuidora de importantes unidades da indústria da madeira – e a ocorrência de carências gerais como a grande falta de profissionais da computação, a formação de professores em diversas áreas. Atualmente, o câmpus possui sete cursos de graduação integrais (Bacharelado e Licenciatura em Biologia, Bacharelado em Turismo, Engenharia de Produção, Engenharia Florestal, Ciência da Computação e Economia) e sete cursos de graduação noturnos (Licen-

a chegada de NovaS ova ovaS empreSa SaS Sa aS ampliará a NeceSSidade de profiSSioNaiSS em diverSa SaS Sa aS áreaS áreaS

profeSSor iSaíaS torreS, diretor do câmpuS Sorocaba da uNiver iverSidade federal de São carloS (ufScar)

Foto: AI/UFSCar

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desenvolvimento de Sorocaba na última década é inegável, mas, junto a isso, o município tem que se preparar para ter mão de obra qualificada. O diretor do câmpus Sorocaba da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), professor Isaías Torres, alerta para um possível “apagão profissional” dado ao crescimento da cidade. Para o professor, é muito importante a região ter uma universidade federal, isso porque “as universidades públicas são agentes nucleadores do desenvolvimento regional que contribuem sob vários aspectos para isso. Do ponto de vista da formação de profissionais, o momento atual de crescimento do Brasil tem demandado uma grande quantidade de profissionais de várias áreas. Há um risco de apagão profissional. Isso também está presente na região de Sorocaba dado o crescimento que vem experimentando nos últimos anos. O diretor analisa que “a chegada de novas empresas e a implantação do parque tecnológico certamente ampliarão essa necessidade. Sob o aspecto do acesso ao ensino superior, a UFSCar traz para a região a oportunidade para que as pessoas possam estudar gratuitamente em uma universidade reconhecida pela sua qualidade e seriedade. Sob o aspecto do desenvolvimento científico, a chegada da UFSCar aumenta o contingente de pesquisadores que moram na região per permitindo que mais pesquisas sejam feitas com foco nas características e desafios locais. Além disso, a universidade tem contribuído com várias ações relacionadas a iniciativas de interesse social e econômi-


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CaPaCitaÇÃo Foto: AI/UFSCar

ciaturas em Química, Física, Matemática e Biologia, Pedagogia, Geografia e Administração). Além desses, há também o curso de Agronomia para Assentados da Reforma Agrária, em parceria com o Incra/Pronera”.

Câmpus olímpico A UFSCar deve trazer novos cursos para o câmpus de Sorocaba em várias áreas. “Atualmente, encontra-se em desenvolvimento a implantação do Câmpus Olímpico de Sorocaba, que prevê a implantação de quatro novos cursos no espaço: Educação Física, Fisioterapia, Psicologia e Nutrição. A implantação de novos cursos depende da continuidade do programa de expansão do sistema federal de ensino superior, iniciado no governo do presidente Lula”, comemora o professor. A pesquisa também tem sido um foco da universidade em Sorocaba. Conforme o diretor, a UFSCar/Sorocaba tem forte preocupação com essas questões, como tem demonstrado através da atuação de seus vários cursos. “O papel da Agência de Inovação da UFSCar, as participações em fóruns como o Nuplan, Agência de Inovação de Sorocaba, Parque Tecnológico, Comapa, Conselho Regional de Turismo, Comitê de Bacias do Sorocaba-Médio Tietê (entre outros) permitem um maior contato com a realidade regional, subsidiando o desenvolvimento de pesquisas com esse foco. Também as pesquisas feitas no âmbito dos cursos de pós-graduação também podem contribuir nessa questão. Hoje, o câmpus abriga vários cursos de pós-graduação, a saber: Diver Diversidade Biológica e Conservação, Ciência dos Materiais, Economia, Engenharia de Produção, Ensino de Ciências Exatas e Sustentabilidade na Gestão Ambiental”. Já sobre o desenvolvimento de Sorocaba, o diretor afirma que a cidade tem a oportunidade de passar de líder regional a líder nacional em termos de desenvolvimento tecnológico tão logo as ações em curso se consolidem. “Há que se aproveitar o ciclo virtuoso da economia brasileira e fazer investimentos estruturais que propiciem a manutenção da pujança econômica nas próximas três décadas. 18 • Sorocaba Sempre • 2011 | Jornal Ipanema

Outra questão fundamental é almejar o desenvolvimento sustentável com atenção especial às tecnologias verdes e sociais, acrescentando que “se deve buscar também a capitalização dessas oportunidades por toda a região, para evitar que a cidade torne-se uma ilha tecnológica. Também deve-se estar atento à reconstrução das cidades da região para que não se reproduzam erros urbanísticos graves como se vê em São Paulo e outras cidades”.

Parcerias Hoje o câmpus da UFSCar de Sorocaba desenvolve diversas parcerias, exemplificando com o Parque Tecnológico, Incubadora de Empresas, Convênios na Área Educacional, Estagiários (Quinzinho de Barros etc), Censo Florestal, Estudo do sistema de abastecimento de alimentos, Nuplan, luta pela duplicação da rodovia João Leme dos Santos, duplicação do viaduto sobre a rodovia Raposo Tavares, Conselho Municipal de Turismo, Comapa, Comitê de Bacias, Flona Ipanema, ACAdeBio, entre outros. O foco do câmpus de Sorocaba, se-

gundo o professor Torres, é “além da missão de fornecer ensino público gratuito e de qualidade, a UFSCar/Sorocaba tem na sustentabilidade, sob seus vários aspectos, um foco importante de interesse”. Sobre o desenvolvimento de Sorocaba nas próximas duas década, o diretor do câmpus da UFSCar deixa claro que ele “será pautado pelo desenvolvimento sustentável. Várias das ações que hoje vemos na região podem fazer com que Sorocaba saia na frente, materializando de forma consistente essas mudanças de concepção e permitindo que o crescimento se dê em todos os setores da sociedade. Não basta desenvolver a região sem que a vida das pessoas melhore. Certamente uma questão fundamental é a relação entre os núcleos urbanos da região para um entendimento das dinâmicas regionais e discussão de questões importantes como a infraestrutura ur urbana de transporte, saneamento etc. A transformação do Nuplan em empresa pública de planejamento regional e a discussão da Região Metropolitana de Sorocaba são muito importantes”, finaliza.


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uNiverSidade idade tem compromiSSo compromi com a formação do aluNo curSoSS da ffafi e facca faccaS accaS deram origem à uNiSo - uNiverSidade de Sorocaba

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orocaba ficou décadas lutando para ter uma Universidade, até que a união dos cursos da Fafi (Faculdade de Filosofia) e Faccas (Faculdade de Ciências Contábeis), da Fundação Dom Aguirre, fez surgir a Uniso (Universidade de Sorocaba), que tem hoje como reitor o professor Fernando de Sá Del Fiol, reitor da Uniso. Os números da Uniso são impressionantes. Hoje ela oferece 53 cursos de Graduação, três Programas de PósGraduação Stricto Sensu (Mestrado em Ciências Farmacêuticas, Mestrado em Comunicação e Cultura e Mestrado e Doutorado em Educação), além de cur cursos de Pós-Graduação Lato Sensu. São cerca de 9 mil alunos, em média, 340 professores e 280 funcionários. Segundo o professor Del Fiol, a Uniso, quando pensa em montar um curso, “primeiramente, avalia as condições para a abertura do curso, que devem atender plenamente aos parâmetros de qualidade exigidos pelo MEC (Ministério da Educação). Não basta apenas oferecer cursos: é necessário que estes tenham qualidade. O compromisso com a formação do aluno está claramente definido em nossa missão institucional, que é o de formar profissionais para que sejam agentes de transformação. Isso implica refletir sobre o espaço que ele terá para desenvolver seu trabalho”. Perguntado sobre como é o entendimento da Uniso, quanto à sustentabilidade, o reitor destacou que o “sentido de sustentabilidade é muito amplo. Pode-se discutir a sustentabilidade ambiental, financeira etc. No sentido geral, a Universidade entende sustentabilidade como sua

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adaptação ao meio social, de forma orgânica, integrada, ativa e responsável”.

Universidade comunitária A Uniso é uma universidade comunitária e participa da vida da sociedade. Neste sentido, afirma o reitor, “a Uniso, enquanto organismo social vivo, está integrada à sociedade e nela interfere de inúmeras maneiras. Sua principal forma de intervenção se dá através da formação de profissionais que atuarão na cidade e região. Por outro lado, sendo uma Univer Universidade, contribuímos com a construção do conhecimento, por meio de pesquisas que são realizadas no âmbito dos cursos de Graduação, com a iniciação científica, e, especialmente, na Pós-Graduação”. Afirma que “finalmente, através da extensão universitária, a Uniso desenvolve dezenas de projetos na cidade, tendo atendido a milhares de cidadãos durante o ano de 2010 nas diversas áreas do conhecimento, ajudando a construir, todos os dias, uma cidade melhor”. Questionado se os cursos da Uniso focam o mercado de trabalho ou o aspecto mais teórico, o reitor explica que, hoje, o conhecimento e o acesso à informação são muito dinâmicos. “O desafio da Universidade é promover forte embasamento teórico para o aluno, estimulando sua capacidade de aprendizagem para que este, de uma forma rápida, possa adaptar-se ao espaço de trabalho que ele procura”. Já em relação aos alunos que deixam a universidade e entram diretamente no mercado de trabalho, o reitor detalha que será iniciado este levantamento. “Mas temos conhecimento de profissionais formados pela Uniso que estão atuando

em diversas áreas, alguns até no exterior, além dos alunos que iniciam essa relação com o mercado ainda na Graduação, através das atividades de estágio”.

Qualidade dos cursos Nos últimos anos, foram inúmeros os cursos superiores abertos em todo o país e em Sorocaba não é diferente. Para Del Fiol, “a Uniso se mantém competitiva por meio de uma administração enxuta, que proporciona rapidez e dinamismo na tomada de decisões. Além disso, a força de nossa Universidade vem da tradição e da marca de qualidade, que sempre permearam sua trajetória. A Uniso conta hoje com quase 80% de seus docentes com titulação de mestres e doutores”. Já em relação ao que é necessário para melhorar o nível dos cursos superiores, o professor destacou que “falta compromisso governamental para uma política mais austera de acompanhamento das Instituições, com relação à aber abertura e ao reconhecimento de cursos de Graduação. Há inúmeras IES que não têm cumprido a carga horária mínima dos cur cursos de Graduação, formando pseudobacharéis, portadores de um diploma que pouco ou nada agrega à sua formação. Há necessidade de se estabelecer uma política de Estado e não de governo para o ensino superior brasileiro”, opinou.

Biblioteca da Universidade de Sorocaba

Fotos: AI/Uniso

CaPaCitaÇÃo

Fernando Del Fiol, reitor da Uniso


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Laboratório de química da Faculdade Pitágoras

CaPaCitaÇÃo

qualificação profiSSioNal SSioNal deve Ser peNSada NS NSada por quem já eStá No mercado de trabalho Novo perfil uNiverSitário exige adaptação doS curSoS SuperioreS

o

mercado de trabalho brasileiro está em plena expansão. Já se tornou usual dizer que, no Brasil, sobra; o que faltaria, então, é emprego qualificado. A cada ano, quanto mais preparada a pessoa estiver, mais chances ela terá de conseguir uma vaga profissional. A necessidade de se qualificar não atinge apenas quem quer entrar no mercado de trabalho, mas é (ou deveria ser) uma preocupação de quem já está empregado. É o que aponta o diretor da unidade Votorantim/Sorocaba da Faculdade Pitágoras, Antonio Nunes. De acordo com ele, a maioria dos alunos matriculados nos cursos da instituição já está inserida no mercado e geralmente ingressam no ensino superior para aprimorar seus conhecimentos e para progredir na carreira. “Neste sentido, procuramos alinhar as necessidades dos educandos às propostas de formação oferecidas, além de procurar ampliar as oportunidades de empregabilidade”. Essas necessidades, segundo Nunes, são diversas e, de modo geral, afetam o aprendizado dos alunos. Ele diz, por exemplo, que a educação básica não tem sido suficiente para preparar aqueles que desejam ingressar no ensino superior. “Infelizmente, a educação básica no país tem deixado a desejar, impedindo que as diferentes competências a serem desenvolvidas atinjam um nível adequado em um curso superior”, revela. É preciso considerar ainda outros aspectos do perfil de boa parte do universitário contemporâneo. Nunes explica que existe, hoje, o aluno-trabalhador, que tem pouco tempo para estudar e para se 22 • Sorocaba Sempre • 2011 | Jornal Ipanema

dedicar à pesquisa. “O que compromete a produção de conhecimentos, que deve ser inerente à formação acadêmica. Este contexto obriga as instituições a desenvolverem estratégias e recursos para suprir as dificuldades decorrentes da for formação inicial de seus alunos”.

O mercado atual Não é novidade que as áreas de engenharia e administrativas são apontadas por diversos especialistas como as áreas do futuro. Fala-se, inclusive, no risco que o Brasil corre de sofrer um apagão tecnológico, ou seja, as vagas que surgem a cada dia não terão profissionais suficientes para preenchê-las. Atender a essa demanda é um desafio para a Faculdade Pitágoras. “Temos como foco, principalmente, as áreas administrativas e de engenharia, com o compromisso

Antonio Nunes, diretor da unidade Votorantim/ Sorocaba da Faculdade Pitágoras

de atender às demandas das indústrias e do comércio da região”, revela Nunes. A instituição, com cerca de 650 alunos, oferece os cursos de Administração, Ciências da Computação, Engenharia Mecânica, Engenharia de Produção, Engenharia de Controle e Automação. Segundo Nunes, a faculdade deve se preocupar com que o aluno saia totalmente preparado para o mercado de trabalho. A ideia principal é que os universitários consigam resolver qualquer problema que se apresente na vida profissional, sendo teórico ou prático. “A preocupação central dos cursos é tornar os alunos profissionais capazes de lidar com as diferentes demandas do mercado de trabalho”.

A questão social Além de formar profissionais, as faculdades também têm o compromisso de construir uma sociedade mais consciente, tendo em vista o desenvolvimento social, econômico e profissional. De acordo com Nunes, a faculdade Pitágoras segue essa linha de pensamento. “Procuramos contribuir no processo de formação profissional, integrando os estudantes para que se tornem membros capazes de promover uma sociedade mais equitativa e voltada ao bem-estar de todos” comenta. Ele aponta para parcerias da instituição para desenvolver programas que ultrapassem os muros da faculdade. “A unidade tem uma parceria com a Fundação Pitágoras e desenvolve programas de formação continuada de professores das redes municipais de Sorocaba e Araçoiaba da Serra. Além disso, também desenvolve parceria com ONGs da região, particularmente o Projeto Pérola”.


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CaPaCitaÇÃo

preparação do profiSSioNal diaNte da NeceSSidade do mercado AI/Esamc

a qualificação de mão de obra é algo que faz parte da preocupação daS iNStituiçõeS de eNSiNo

Laboratório de informática da Esamc

d

iante do crescimento da área industrial na região de Sorocaba, Sandro Vidotto, diretor da Esamc, diz acreditar que, com tanto desenvolvimento industrial, os funcionários com melhor qualificação serão disputados pelas empresas. Na Esamc, do ponto de vista de cursos, foi feito um alinhamento de três níveis: tecnológico, bacharelado e MBA (Master of Business Administration). “Oferecemos profissionais para a operação, coordenação e comando de uma empresa”, diz. Na opinião de Vidotto, a falta de mão de obra especializada será enfrentada diante do crescimento industrial da cidade, assim como em outras partes do estado. Vidotto conta que a principal descoberta que os profissionais da Esamc fizeram nos últimos anos é que, além de uma formação técnica, as empresas necessitam de formação comportamental e gerencial dos alunos e profissionais. “O erro das pessoas que querem ingressar

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no mercado é achar que basta competência técnica. A pessoa sabe fazer, mas não sabe conviver, lidar com pessoas, gerenciar, e é por causa disso que perde o emprego, muitas vezes”, comenta. Ele destaca que é importante conhecimento, informação e ter flexibilidade. “Falamos sempre para os alunos: cuidado para não criticar seu concorrente por porque pode ser que haja junção das empresas ou que você passe a trabalhar para a concorrente”, diz Vidotto. Os profissionais da instituição participam dos grupos ligados às questões do desenvolvimento econômico de Sorocaba. “Gostamos de ir direto à fonte. Fizemos, por exemplo, uma pesquisa na área do Direito, para saber as reais necessidades do mercado”, lembra.

Ensino de maneira diferente Vidotto cita também mudanças quanto à visão dos profissionais em ensinar. “Nada de conhecimento cristalizado, mas sempre saber o que tem de novo, baseado

na atualidade, o que está acontecendo. Sempre analisamos o que acontece no mercado, necessidades, áreas em crescimento, que irão demandar profissionais do futuro”, afirma. Uma área que ele não esquece é a educação. “O que vemos hoje é que houve uma redução na busca pela carreira de professor em algumas áreas, sobretudo nas licenciaturas”. Existe também uma busca da escola em tornar a educação mais atrativa. “Durante muito tempo, o professor era aquela pessoa que despejava todo o conteúdo, mas hoje, com a questão da tecnologia, é preciso trazer a dinâmica desse processo para a sala de aula”, diz. Vidotto destaca que profissionais da Esamc prepararam o livro “Inovação e métodos de ensino para nativos digitais”, que será lançado sobre o assunto, com série de ideias e sugestões.

Sandro Vidotto, diretor da Esamc


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ForMaÇÃo teCNolÓGiCa

ateNdeNdoàS ààS NeceSSidade idadeS doS aluNoS e do mercado de olho Na demaNda, SeNac ac projeta ampliação de curSoSS para toda região de Sorocaba

o

Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) tem tradição em formar profissionais preparados para atender à demanda de um mercado cada vez mais exigente. Para tanto, é preciso conhecer o mercado e, dessa maneira, adaptar e oferecer cursos que realmente atendam aos anseios tanto do mercado quanto dos alunos. É o caminho que a instituição segue. João Henrique de Freitas Alves, gerente do Senac Sorocaba e do Núcleo Senac de Itu, revela que a instituição sempre busca conhecer as necessidades do mercado e concentra esforços nas áreas que mais demandam qualificação. “Isso através das necessidades das empresas em consonância

com o desejo de qualificação dos alunos”. Um exemplo é a área de prestação de serviço, uma das que mais cresce no país. De acordo com Alves, “o crescimento dos setores de comércio e prestação de serviços é acompanhado pelo Senac, que busca ampliar oferta de cursos para o setor. Pensamos também na diversidade de modalidades de formação e na ampliação da rede física, como a recéminaugurada unidade do Senac na cidade de Americana”. Há 31 anos instalado em Sorocaba, o Senac oferece aproximadamente 32 cur cursos diferentes por mês, desde “cursos livres” até de pós-graduação para pessoas maiores de 14 anos. Alves aponta que, no ano, algo em torno de 380 cursos são

pelo NooSSo eNteNdimeNto, to, qualquer camiNho ho pa paSS SSaa pela SS educação de NoSSa SS SSa geNte te joão heNrique de freitaS alveS, gereNte do SeNac ac Sorocaba e do Núcleo SeNac ac de itu

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ministrados no local. “Acredito que o Senac tenha um papel de grande relevância na formação profissional da região (de Sorocaba). Em algumas áreas, somos os únicos a ofertar programas de formação e, em várias outras, a principal instituição formadora”. Pensar a região, aliás, é outra preocupação do Senac. Alves explica que é feita uma avaliação das cidades em torno de Sorocaba para poder ser feita a oferta de cursos. “Consideramos toda a região de atração desta unidade para os cursos ofertados aqui e as características locais para os programas oferecidos em par parceria nas cidades de nossa região como, por exemplo, em São Roque”. Segundo o gerente do Senac Sorocaba e do Núcleo Senac de Itu, não existe uma pesquisa específica de quantos alunos que passam pelos cursos da instituição saem empregados. “Mesmo porque alguns de nossos alunos já estão empregados quando se inscrevem no curso. Buscam na maior qualificação profissional o aumento salarial ou uma recolocação”. No entanto, Alves acredita que o caminho é sempre a educação. “Pelo nosso entendimento, qualquer caminho passa pela educação de nossa gente”. E nesse sentido, releva os planos do Senac para ampliar a oferta de cursos. “Da parte do Senac, estamos prevendo dobrar nossa capacidade de atendimento com a ampliação de nossa unidade em Sorocaba. Mesmo caminho segue nossa unidade em Itu e a futura instalação de um Senac na cidade de Registro. Isso só para citar as cidades que estão em nossa região de atendimento”, finaliza.


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ForMaÇÃo teCNolÓGiCa

a NçoSS tecNológicoSS já provocam ava carêNcia de algumaS profiSSõeS a faculdade de eNgeNharia de Sorocaba (faceNS) moStra-Se preparada para eNfreNtar o creScimeNto da cidade em fuNção da criação do parque p tecNológico

S

Aluno em sala de estudos da Facens

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AI/Facens

orocaba é uma cidade em desenvolvimento educacional e tecnológico. Muitos setores da sociedade experimentam esse crescimento e as expectativas são as melhores possíveis com a criação do Parque Tecnológico e a instalação de empresas importantes, como a Toyota, por exemplo. O cenário é altamente favorável. O Parque Tecnológico tem a iniciativa de oferecer um ambiente diferenciado para promover o desenvolvimento de Empresas de Base Tecnológica (EBT), visando acelerar o processo de transformação do conhecimento em riqueza, promovendo, assim, a interação entre essas bases de conhecimento – como universidades, centros de pesquisas e institutos – com as bases produtivas – empresas – contando com o apoio do poder público pela lógica da proximidade, facilitando a gestão do conhecimento e seus processos

de geração, codificação e disseminação, entre outros. Em uma pesquisa feita recentemente pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), foi apontado que, apesar desse grande boom tecnológico na cidade, ainda há uma carência de engenheiros, em especial no mercado sorocabano. De acordo com Marcos Carneiro da Silva, diretor da Faculdade de Engenharia de Sorocaba (Facens), o número de engenheiros formado em nosso país é muito pequeno se comparado ao de outros países. Porém, com o constante crescimento tecnológico, a tendência é reverter essa situação e crescer o número na for formação e na atuação desses profissionais no mercado. “Aqui no Brasil, o número de engenheiros que se formam todos os anos é relativamente baixo comparado ao número de engenheiros que outros países do mundo formam. Agora, com esse crescimento, esse número deve aumentar e é importante que isso aconteça porque também aumenta essa oferta no mercado. Se não tomarmos cuidado (com o aumento), vai acabar acontecendo a importação desse tipo de mão de obra especializada”, disse. Silva afirma ainda que todo o processo de crescimento tecnológico está ligado à engenharia. “No fundo, toda a lógica desse crescimento tem muito a ver com a engenharia. Seja na questão de infraestrutura, obras que estão ligadas a engenharia civil, ambiental, aumento da com-

No braS ra il raS o Número de eNgeNheiroSS que Se formam todoS oSS aNoSS é relativameNte baixo

marcoS carNeiro da Silva, diretor da faculdade de eNgeNharia de Sorocaba


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ForMaÇÃo teCNolÓGiCa

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fissionais nessa área. Na Facens, o aluno começa a ser procurado para trabalhar em empresas do ramo desde cedo. Esse é o principal projeto da faculdade. “Nós temos ações na área de empreendedorismo com parceria com a Endeavor, com o Sebrae, e sempre procuramos estimular a postura empreendedora do nosso aluno. Acreditamos que o empreendedor não é só a pessoa que vai ser um empresário futuramente, o próprio funcionário tem que ter uma postura empreendedora também, de propor ideias novas, de querer melhorar o ambiente em que trabalha. Nós procuramos estimular bastante isso durante a formação do aluno dentro da Facens”. Há cinco anos a faculdade vem contabi contabilizando o número de alunos que saem de lá formados e já empregados: a média é de 97%. “É claro que o mercado tem uma certa oscilação. Hoje, por exemplo, o mercado da engenharia civil é mais aquecido e o de elétrica é um pouco menos, mas as empresas estão sempre procurando profissionais em todos esses ramos, criando grandes oportunidades. É o caso da Facens, que contribui para o progresso tecnológico nacional, em especial na região de Sorocaba, formando profissionais capazes de atender a este chamado”, finaliza. O curso de engenharia tem duração de cinco anos e seu currículo é “amar “amarrado”, tentando fazer com que o aluno

conquiste outras oportunidades, além das atividades extracurriculares, onde aparecem cursos específicos para cada área da engenharia, colaborando com o crescimento e rendimento do aluno. “Nós temos um balanço interessantíssimo da parte acadêmica e prática e isso se faz junto às empresas”, afirma o diretor. A Facens conta muito com as empresas no setor de estágio, fazendo com que o aluno tenha um contato maior com a prática da profissão em seu dia a dia. AI/Facens

petitividade das empresas que passam pela automação, engenharia elétrica, mecatrônica, computação, tudo acaba passando pela engenharia”, completa. No caso de Sorocaba, o avanço específico da região tem se mantido acima do crescimento do restante do país, o que eleva a procura pela formação de engenheiros locais e a Facens, segundo Silva, principal reduto de formação de profissionais desta área na região, está preparada para enfrentar este avanço. “Hoje, são cinco os cursos de engenharia oferecidos pela Facens: Civil, Mecânica, Elétrica, Computação e Mecatrônica. Já estamos com o curso de Engenharia Química aprovado agora, em 2011, e Engenharia de Produção, que está prestes a ser aprovado também, mas para o próximo ano. Além do aumento de cursos, também ampliamos o número de vagas para cada curso. Hoje trabalhamos com mais de dois mil alunos dentro da faculdade, devemos chegar a mais de 250 formandos no final de 2011. A tendência desse número é crescente”, explica o diretor da Facens, Marcos Car Carneiro da Silva. O diretor também destaca a impor importância da profissão no mercado. “A for formação do engenheiro demora um pouco. O curso tem duração de cinco anos. A pessoa precisa se dedicar ao máximo para estar se formando, grande parte dos nossos alunos trabalha e nós incentivamos muito isso porque as empresas também acrescentam bastante na formação dos alunos, não só para o crescimento pessoal mas profissional também. Esse é um dos aspectos que nós tratamos com importância dentro da faculdade. Além do incentivo pessoal e profissional, também é de grande importância a criação de oportunidades que nós conseguimos gerar dentro da Facens para esses jovens. Nós somos uma faculdade filantrópica, sem fins lucrativos. As questões econômicas podem ser contornadas através de bolsas e outros tipos de auxílio que oferecemos ao aluno para que ele tenha a oportunidade de se formar”, resume. Hoje, o mercado demanda muitos pro-

Aluno em aula prática, biblioteca e entrada da Facens


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Meio aMBieNte

de olho No futuro

projetoS São peNSadoS para ateNder geraçõeS SeguiNteS

o

Brasil adotou, a partir dos anos 1940, um modelo desenvolvimentista importado dos países de Primeiro Mundo, como Estados Unidos e Inglaterra. A proposta, apesar de trazer inúmeros avanços tecnológicos e garantir emprego para muita gente, teve seu lado negativo. A constante degradação do meio ambiente fez com que, atualmente, sejam necessárias medidas constantes para sua preservação. Em Sorocaba não é diferente. A secretária do Meio Ambiente (Sema), Jussara de Lima Carvalho, explica que a pasta e o Conselho Municipal de Desenvolvimento

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do Meio Ambiente (Comdema) seguem as políticas local, estadual e nacional para a preservação ambiental. Isso é considerado nos aspectos de proteção do solo, da água, do ar, da vegetação, da biodiver biodiversidade e da educação ambiental. “Além disso, a prefeitura segue as diretrizes de cidade saudável e cidade educadora, buscando melhorar a qualidade de vida para todos”, completa. Nesse sentido, trabalhar a conscientização, especialmente dos alunos da rede pública de ensino, tem sido um das prioridades da Secretaria do Meio Ambiente. De acordo com a secretária Jussara de Lima Carvalho, a cidade tem vários

projetos de educação ambiental, com objetivos bem concretos em relação às necessidades do município (queimadas, lixo, água, conservação) e também em relação à sustentabilidade em geral (consumo consciente, entre outros), que acontecem nos parques ecológicos. “Esses projetos são voltados para a comunidade escolar e, a partir deste ano, também para a comunidade em geral, tanto nos próprios parques ecológicos, como também nos bairros, com os programas ‘Meu ambiente’, ‘O Parque vai aos bair bairros’ e ‘Férias Verdes’”. Outra atividade de educação ambiental são os Clubes Ecológicos que já


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Meio aMBieNte existem há muito tempo nos parques. A atividade tem mostrado que muitos par participantes dos clubes são interessados em ecologia e cidadania. “Além disso, muitos alunos se transformaram em biólogos, ecólogos e, mais do que isso, em ativistas na área”, conta Jussara. A política ambiental de Sorocaba é pensada, segundo Jussara, tendo em vista o objetivo de alcançar um nível de desenvolvimento cada vez mais sustentável. Para isso, o governo municipal desenvolve várias ações. Elas incluem ações como o programa de controle da poluição do ar (controle de queimadas e da fumaça preta); o programa de habitação sustentável, na qual o poder público só utiliza madeira com documento de origem florestal em suas obras; o programa Cidade Amiga da Amazônia, que exige madeira certificada, garantindo que não participemos do desmatamento da Amazônia; os programas de recuperação de áreas ciliares, com o plantio de mudas de espécies nativas; a recuperação e proteção das nascentes, entre outros. “Em relação à mata ciliar/ APP, temos um total de 9.395 ha, sendo 3.956 ha preservados e 5.439 ha sujeitos a projetos de preservação. Em relação às

veremoS com certeza uma cidade maiS arborizada, devido aoS plaNtioS realizadoS juSSara de lima carvalho, Secretária do meio ambieNte

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demais áreas urbanas, teremos um melhor indicador quando tivermos os levantamentos do Plano Diretor Ambiental de Sorocaba”, explica Jussara.

Combate à poluição Para as indústrias de médio e grande porte e, portanto, com grande potencial poluidor, a responsabilidade é da Agência Estadual - Cetesb, bem como a inspeção de emissões veiculares em geral. No entanto, a Secretaria do Meio Ambiente realiza o controle de fumaça preta na frota a diesel da Prefeitura. “Além disso, o governo municipal está iniciando o licenciamento ambiental municipalizado de empresas com potencial de impacto local”, conta Jussara.

O futuro é logo ali A secretária Jussara aponta que, nos próximos 20 anos, a previsão é que a área ambiental tenha grande avanço em Sorocaba. “Vinte anos não é tanto tempo assim. Veremos, com certeza, uma cidade mais arborizada devido aos plantios realizados e será ainda maior se houver continuidade das metas traçadas para a arborização urbana, recuperação de ma-

tas ciliares e nascentes”. Além disso, ela aponta que a cidade terá mais parques e áreas de lazer, melhor uso e ocupação do solo em consequência do Plano Diretor Ambiental. “Porém, vemos como um dos gargalos do futuro a emissão de carbono vinculada ao aumento da individualização do transporte e à própria mobilidade, tendo em vista o crescimento da cidade e de sua frota de veículos”. Por isso, ter o selo azul e verde, para a secretária, significa um reconhecimento importante dos avanços do desempenho ambiental do município referentes às dez diretivas do programa. E a repercussão tem aparecido, pelo menos na visão de Jussara de Lima Carvalho, secretária do Meio Ambiente. “Acreditamos que sim, as pessoas estão mais conscientes das questões ambientais, tendo em vista o atendimento voluntário da população sorocabana aos projetos ambientais, sejam de plantio de mudas, oficinas, projetos de educação ambiental, visitação aos parques ecológicos, uso de bicicletas, maior atenção aos impactos ambientais provocados pelas mais diversas formas de agressão ao meio, entre outros”.


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MerCado iMoBiliÁrio

Secovi acompaNha o creScimeNto da cidade com projetoS Na área de habitação o deSeNvolvimeNto Na área iNduStrial em Sorocaba atrai iNveStimeNtoSS em várioSSetoreS

p

ara o vice-presidente do Interior do Secovi-SP (Sindicato da Habitação) e diretor do sindicato em Sorocaba, Flávio Amary, há pontos que precisam ser considerados quando o assunto é habitação. Na opinião dele, é interessante usar a demografia como uma das referências. “Vemos movimento de migração das pessoas, taxa de natalidade, casamento e separação, ou seja, procuramos saber o está acontecendo atualmente em várias cidades”, afirma. Além do crescimento da área industrial, Amary destaca a vinda de universidades, tanto públicas como privadas, o que cria uma demanda por imóveis também para estudantes.

Vetores de crescimento Segundo Amary, não se pode pensar no desenvolvimento de uma cidade só quanto à geografia, “mas é preciso saber o que se quer para ela, qual o vetor de crescimento, para onde a cidade pode crescer, por exemplo, com a criação de um novo Polo Tecnológico; além de reservar áreas da zona rural. Amary garante que é importante que essas questões sejam discutidas com representantes dos setores industrial, educacional, imobiliário, abastecimento de água e esgoto.

Mobilidade Outro ponto destacado por Amary é quanto ao adensamento da cidade por porque, na opinião dele, é preocupante o que está acontecendo hoje com o trânsi36 • Sorocaba Sempre • 2011 | Jornal Ipanema

to em Sorocaba. “É importante o anel viário, mas também pensar no transporte coletivo das pessoas, mobilidade e refletir sobre como podemos fazer com que as pessoas morem mais perto de onde trabalham. “Não precisa ter uma área só residencial, só comercial, só industrial, mas existem, em grandes cidades do mundo, empreendimentos mistos, nos quais as pessoas tenham casas, salas comerciais e estrutura de serviço. Ele conta que o Secovi contratou um urbanista que é especialista em crescimento de cidades e há um calendário de palestras que apresentarão o mercado para uma discussão sobre o crescimento das cidades. Amary comenta também que está sendo feita pesquisa em Sorocaba quanto à venda e oferta de imóvel, principalmente residencial vertical e residencial horizontal. “Temos carência hoje de imóvel de um dormitório para atender os estudantes e as pessoas que vêm trabalhar aqui em Sorocaba e ainda não trazem a família”, diz. Ele cita ainda o setor hoteleiro. “Diante do crescimento da cidade, estamos com déficit de hotel na cidade e de quar quarto para as pessoas, conforme os dias da semana”, complementa.

Solução para a falta de mão de obra Um assunto que é constantemente discutido pelos representantes do Secovi é a falta de mão de obra especializada na área da construção e habitação. Amary comenta que há a Cinlop (Confederação de Imobiliários de Língua Oficial Portuguesa) formada por entidades de Portugal, de Angola, do Brasil, de Moçambique e Cabo Verde. Do Brasil, uma delas é o Secovi e, segundo ele, há interação e troca de informação de temas como mão de obra e é estudada até a vinda de engenheiros de Portugal para trabalhar

de maneira legal no Brasil. “Aqui estamos com falta de profissionais qualificados como engenheiros, por exemplo, que demoram para ter a formação completa, já que a gradução tem duração de cinco anos. “O não-atendimento da demanda é em todo o Brasil, até pelos investimentos feitos em infraestrutura de estradas, aeroportos, estádios com jogos da Copa e as Olimpíadas”. Amary lembra ainda que o Secovi desenvolve um trabalho junto ao Conselho Federal dos Engenheiros. Ainda sobre mão de obra, Amary cita o Sinduscon, que desenvolve parcerias com o Senai e Sesi para fazer trabalhos de qualificação na área de construção.

Ações com as imobiliárias No Secovi, há programas para qualificar representantes de imobiliárias, com temas como gestão do patrimônio e trabalhos no setor de condomínios, com discussões como segurança e coleta seletiva de lixo. Amary comenta também sobre a questão dos chamados empreendimentos sustentáveis. Em parceria com a Fundação Dom Cabral, o Secovi desenvolveu o documento Indicadores de Sustentabilidade Urbana, com o objetivo de elaborar e construir conceitos, temas e indicadores de sustentabilidade. A partir dessa base de conhecimentos, a meta é apresentar recomendações aos setores privado e público para a promoção de cidades mais sustentáveis no Brasil.

Flávio Amary, vice-presidente do Interior do Secovi-SP (Sindicato da Habitação) e diretor do sindicato em Sorocaba


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eNtreviSta

e

m 2012, o orçamento de Sorocaba deverá ultrapassar a casa de R$ 1,5 bilhão – superando, inclusive, a de algumas capitais brasileiras. Grande parte da arrecadação advém das indústrias instaladas no município. Nos próximos anos, a cidade deverá dar um importante salto para a era da inovação tecnológica com a criação do Parque Tecnológico. Em entrevista ao Sorocaba Sempre, o prefeito Vitor Lippi (PSDB) fala sobre a expectativa da “nova etapa do desenvolvimento” na cidade , aponta os avanços conquistados nos últimos anos, reconhece as demandas ainda reprimidas e analisa o desafio de incluir os municípios da região no processo de expansão do desenvolvimento. Sorocaba Sempre - Apesar do cenário nebuloso da economia mundial, os sorocabanos têm se mantido otimistas com o desenvolvimento e o bom momento econômico local. No aniversário da cidade, existem motivos para comemorar? Vitor Lippi - Esse é o meu sentimento também, realmente de otimismo, de or-

gulho e de motivos para comemorar. Sorocaba se destaca no Brasil como a cidade que tem os melhores indicadores de desenvolvimento, de qualidade de vida, é uma das melhores cidades do Brasil para se viver. É uma cidade que oferece as melhores condições de qualidade de vida e de oportunidade. Isso tudo, sem dúvida, é motivo de comemoração. SS - Quais os maiores avanços dos últimos anos o senhor pode apontar? Lippi - Nós estamos comemorando este mês o fato de Sorocaba chegar a cem por cento da despoluição de seu rio, isso é um fato raro no Brasil. São poucas as cidades de grande e médio porte que têm seus rios totalmente despoluídos. Estamos também inaugurando a estação de Aparecidinha, que é a última do complexo de estações de tratamento de esgoto de Sorocaba. Nós temos dezenas de parques, que integram a paisagem e os bairros da cidade. Temos aí uma rede de ciclovias que é a maior do estado de São Paulo e a segunda do Brasil. Temos um reconhecimento internacional em relação aos programas ambientais. Na área

“parque tecNológico marca

a Nova etapa do deSeNvolvimeNto ecoNômico de Sorocaba vitor lippi

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eNtreviSta de educação, temos nos destacado bastante com o reconhecimento nacional e internacional, a melhor avaliação do Ideb são com as crianças daqui de Sorocaba e nós estamos preocupados com o futuro, estamos criando o Parque Tecnológico que vai ser um grande centro de pesquisa e inovação. SS - Quem acompanha o noticiário internacional, o mercado financeiro, tem visto esse momento de enorme turbulência na economia global. O senhor teme que essa crise, que atinge diretamente grandes potências econômicas, possa atrapalhar ou atrasar a instalação da Toyota em Sorocaba? Lippi - Não vejo nenhum risco hoje para mudança do complexo Toyota. Eu estive em reunião com o presidente da Toyota e ele me confirmou que, apesar de todos aqueles problemas no Japão, não alterou o cronograma em Sorocaba, que é uma prioridade absoluta. A Toyota espera que essa planta seja a plataforma para o Brasil. A Toyota é líder mundial de veículos, produz cerca de nove milhões de veículos por ano. É líder nos Estados Unidos, é líder no Japão e está em segundo lugar na Europa. Mas aqui no Brasil ela tem uma participação pequena, de 3 ou 4% do mercado, e ela quer crescer com os novos produtos produzidos em Sorocaba. Então, a planta de Sorocaba já foi prevista para que ela cresça de acordo com a demanda do mercado brasileiro e o mercado internacional. Então Sorocaba é o grande centro da Toyota no Brasil e, com isso, nós temos uma área muito promissora. Sorocaba cada vez mais será importante no cenário da produção automotiva do Brasil. SS - Neste dia 15 de agosto comemoramos o aniversário de Sorocaba, mas as comemorações começaram já no dia 1º, lá no Pelourinho, na avenida Itavuvu que, curiosamente, é próximo ao novo Parque Tecnológico. Lippi - É verdade, foi lá onde começou a cidade. Foi o marco inicial e por onde passa o futuro. Quer dizer, é o nosso pas40 • Sorocaba Sempre • 2011 | Jornal Ipanema

quaNto maiS rápido você creSce, maior é a reSpoNSabilidade NS NSabilidade com o creScimeNto ordeNado

sado e onde hoje nós estamos fazendo o acesso ao novo Complexo Industrial e Parque Tecnológico, onde estamos consolidando esse desenvolvimento sustentado, que tem o objetivo de manter a competitividade e manter as empresas de base tecnológica aqui. Nós não podemos perder as indústrias que nós temos. Porque outras cidades importantes do Brasil também estão criando os seus par parques tecnológicos como São José dos Campos, São Paulo, Campinas. E Sorocaba não pode ficar para trás. Com isso, nós garantimos as indústrias que nós já temos aqui e vamos atrair mais indústrias para Sorocaba e região. Realmente o Parque Tecnológico é um grande centro de pesquisa e inovação e as indústrias precisam

de pesquisa e inovação - e é onde nós vamos desenvolver produtos para o futuro. Isso ajuda a indústria nacional, aumenta a competitividade, melhora a economia e acaba gerando mais empregos para a população. Isso cria uma nova etapa do desenvolvimento econômico da cidade. Sorocaba teve vários ciclos econômicos: o ciclo do tropeirismo, depois das ferrovias, o ciclo têxtil, a fase industrial (que é a atual) e agora estamos entrando na fase tecnológica. Então é um momento muito promissor, no qual a cidade de uma forma ordenada e planejada está construindo o seu futuro. SS - O senhor já está chegando à reta final de seu governo. Dá para apontar a maior demanda, a maior dificuldade, a que ainda não foi dada resposta adequada à população? Lippi - Com essa velocidade de crescimento, o nosso compromisso com o planejamento dobra. Quer dizer, quanto mais rápido você cresce, maior é a responsabilidade com o crescimento ordenado, senão você perde qualidade e é isso que nós não queremos. Esse planejamento a gente tem que prever... o crescimento e mais as demandas antigas. Essas são questões que precisavam de novas respostas com a melhoria e ampliação dos investimentos da prefeitura. Uma delas é a educação. Temos reconhecimento e um bom desempenho, mas nós temos carência de vagas em creche, então, até o ano que vem, nós estamos trabalhando para entregar vinte novas


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eNtreviSta creches. Mais dez escolas de ensino fundamental e mais onze escolas em tempo integral. Estamos trabalhando a questão do trânsito com o programa Sorocaba Total. Sorocaba cresce hoje em direção à zona norte. O restante da cidade está se verticalizando. Realmente a expansão é a zona norte em especial. Nós deveremos crescer até chegar próximos da rodovia Castello Branco, então mais sete quilômetros de cidade a serem ocupados. E ali estamos fazendo investimentos para que todos tenham infraestrutura, novas escolas e creches. E estamos criando o complexo viário Sorocaba Total, que é um investimento de R$ 100 milhões da prefeitura e R$ 100 milhões através de financiamento e esse complexo é o maior complexo viário urbano do interior do estado. Isso deverá criar um sistema viário muito mais moderno do que o que temos hoje. SS - Gostaria que o senhor apontasse qual será o grande desafio do seu sucessor para manter Sorocaba no status que ela se encontra hoje? Lippi - Sem sombra de dúvida, são dois. A questão do trânsito, que é permanente, porque além de a cidade crescer, temos um aumento ainda maior por conta do aumento da qualidade de vida das pessoas, do número de veículos por habitantes. Hoje nós temos quase 350 mil veículos em nossa cidade. É um número extraordinário. Todas as casas, hoje, per capta, têm dois veículos! Para você ter uma ideia do desafio que é para a cidade! E o outro é a segurança, que é sempre uma questão difícil de ser enfrentada porque nós temos um grande inimigo que são os traficantes, o narcotráfico, que é um problema do mundo inteiro. O restante é manter o planejamento e o crescimento ordenado. SS - O senhor, recentemente, disse que a prefeitura de Sorocaba pretende reduzir o ritmo de crescimento industrial no município. Essa declaração, inclusive, recebeu críticas por parte de alguns adversários políticos e, depois, o senhor minimizou, dizendo que aquela 42 • Sorocaba Sempre • 2011 | Jornal Ipanema

declaração havia sido mal interpretada. A ideia, então, é a de reduzir o ritmo do crescimento para elevar a qualidade de vida da população? Exatamente. Melhor que uma cidade desenvolvida, é uma região desenvolvida. Se nós tivermos um equilíbrio de desenvolvimento, nós teremos muito menos problemas e uma migração menor do que a que nós temos hoje. O crescimento muito rápido é impossível evitar, não tem como falar para as pessoas não virem para cá porque elas vêm

Sorocaba creSce hoje em direção à zoNa Norte. o reStaNte da cidade eStá Se verticalizaNdo

já que aqui existem mais oportunidades que nas outras cidades. O que nós precisamos é, também, criar oportunidades nas cidades da região. Mas nós não temos como encaminhar indústrias para lugar algum. É a indústria que escolhe a cidade. Agora, como é que a indústria vai escolher uma cidade? Ela vai onde estão as melhores condições para produzir. E as cidades têm dificuldade de entender isso porque isso exige planejamento e as cidades menores não têm estrutura, não têm profissionais, fazer projetos susten-

tados financeiramente, que realmente sejam viáveis, eles não sabem desenvolver projetos de médio e longo prazo. Por isso, a nossa proposta é criar uma empresa pública de planejamento e desenvolvimento regional. Porque, antes do desenvolvimento, vem o planejamento. Todo mundo ganha com isso. Uma região com mais oportunidades significa menos problemas na saúde de Sorocaba, na habitação. Evitar esse problema migratório porque as cidades menores estão diminuindo cada vez mais e as cidades de porte médio estão crescendo muito rápido. Isso não diminui o desenvolvimento da cidade, mas melhora a qualidade do crescimento da cidade.


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Fotos: Foguinho /SindMetal

MetalúrGiCoS

NovaS ovaS tecNologiaS ovaS ologia São ologiaS S SiNôNimo de avaNço para a Sociedade automação do mercado de trabalho Não SigNifica profiSSioNaiSS deSempregadoS, apoNta preSideNte do SiNdicato doSmetalúrgicoS

a

s novas tecnologias são apontadas, pelos mais diversos autores e especialistas, como sinônimo de avanço para sociedade. Em todo mundo (e no Brasil não é diferente), o investimento em tecnologia de ponta tem sido considerado fundamental para que os mercados cresçam e, consequentemente, tornem-se competitivos. Por outro lado, a automação do mer mercado de trabalho é, em muitos casos,

Ademilson Terto da Silva, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região

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vista de modo negativo. Afinal, se “as máquinas” vão cuidar de toda uma linha de produção, o trabalhador irá servir para quê? Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região, Ademilson Terto da Silva, essa história é antiga. “‘Fantasma’ da automação paira sobre o mercado de trabalho desde as épocas dos métodos fordismo e toyotismo, nas primeiras décadas do século XX”. De acordo com ele, não foi diferente nos anos 1960, quando a entrada dos robôs no mercado de trabalho trouxe o temor de que pessoas fossem substituídas por eles. “(Os trabalhadores) tiveram que se aprimorar para ocupar postos de trabatraba lho mais técnicos.” A partir dos anos 1990, foi a vez da informatização que, segundo Silva, troutrou xe novamente a preocupação com o dede semprego. “Mas, novamente, enquanto algumas profissões se extinguiam, ouou tras surgiam justamente devido à infor informática”, aponta ele. Para que os avanços não sejam um empecilho para os postos de trabalho, Silva explica que é preciso oportunidade

de qualificação dos profissionais. “Contanto que os trabalhadores tenham opor oportunidade de se qualificar para as novas tecnologias e a iniciativa privada aceite investir em inovações sem achatar salários; mas sim reduzindo suas margens de lucros, não vejo grandes prejuízos para o volume de empregos no mercado. Até porque, o Brasil está se desenvolvendo, a economia está estável. Se não houver retrocesso político, o futuro é animador”. Nesse sentido, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos acredita que a vinda da montadora Toyota e das sistêmicas para Sorocaba pode representar um cenário interessante para mercado de trabalho. “A Toyota pode valorizar a mão de obra local e aumentar bastante o número de empregos na cadeia produtiva do setor automotivo. Inclusive, não vamos deixar de cobrar esses benefícios por parte da empresa”. No entanto, ele volta a tocar na questão da qualificação dos profissionais. “Agora, para que sejam realmente aber abertas vagas locais, é preciso investir em qualificação da mão de obra e o poder


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MetalúrGiCoS público deve cobrar essa contrapartida da montadora”.

O papel do Sindicato O Sindicato faz a sua parte. De acordo com Silva, a entidade, que hoje conta com 22 mil associados e representa 44 mil metalúrgicos em catorze cidades da região, oferece dezenas de cursos de qualificação profissional em suas sedes de Sorocaba, Piedade, Iperó e Araçariguama. “Há cursos com descontos para sócios e dependentes, como leitura e interpretação de desenho mecânico, solda, metrologia, logística etc. Há também cursos gratuitos, como Informática e Telecurso, em parceria com o Sesi”. Ele completa que são cerca de três mil pessoas recebendo, por ano, certificados de conclusão de cursos promovidos pelo órgão e pelos parceiros. “Praticamente todas as ações e as estruturas do Sindicato estão voltadas para contribuir na organização da categoria. Pouco adianta termos um contingente de 44 mil trabalhadores reivindicando direitos e melhorias se essa massa não tiver sentimento de unidade em seus anseios e suas lutas”. Todo trabalho do Sindicato, segundo Silva, tem garantido condições justas de trabalho e salário. “O menor salário da categoria hoje é próximo de R$ 1 mil. O salário médio gira em torno de R$ 2 mil. Dependendo da fábrica, o salário médio

é até maior. Esses salários são resultados das lutas sindicais da categoria”. No entanto, ainda não se atingiu o ideal. Silva aponta que, de acordo com Dieese, o salário mínimo deveria ser de R$ 2.297,00 para uma família brasileira viver com dignidade. “Então, o salário médio da nossa categoria é menor que o mínimo necessário. Precisamos ser mais bem valorizados e exigimos isso. Vamos sempre lutar por isso. Além disso, temos sérios problemas de falta de política cla-

a eNtidade coNta com 22 mil aaSSociadoSS e repreSeNta 44 mil metalúrgicoS em 14 cidadeS da região

ademilSoN terto da Silva, preSideNte do SiNdicato doS metalúrgicoS de Sorocaba e região

ra de cargos e salários nas empresas. Há muitas distorções e falta de clareza nas grades salariais de várias fábricas”.

Trânsito e infraestrutura O presidente do Sindicato dos Metalúr Metalúrgicos de Sorocaba e Região, Ademilson Terto da Silva, vê com bons olhos a criação do Parque Tecnológico na cidade. Mas não deixa de apontar para aspectos negativos. “Agora, o parque tecnológico não pode existir somente em função da Toyota, para gerar produtos e projetos para ela e depender dela para funcionar. O parque tem que servir a todas as empresas, inclusive as pequenas, de toda a região”. Ele acrescenta, ainda, que é preciso pensar a questão do trânsito, que Silva descreve como caótico e antiquado. “Essa situação coloca a segurança dos trabalhadores em risco, causa transtornos na entrada e saída dos turnos de trabalho e prejudica o escoamento da produção”. Para Silva, o governo municipal deve, então, pensar em toda uma infraestrutura para garantir que o crescimento industrial não seja prejudicado ou diminuído. “Basicamente, trânsito melhor, todos os bairros com infraestrutura completa e prioridade para a qualificação da mão de obra e valorização do trabalhador. Incluo a melhoria dos bairros, inclusive da periferia, porque sabe-se que a qualidade de vida de uma cidade hoje é fundamental para a atração de investimentos produtivos”.

Sorocaba deve ter liderança regional O presidente do Sindicato dos Metalúr Metalúrgicos completa que é de suma importância que Sorocaba assuma o papel de líder da região. “De pouco adianta Sorocaba se desenvolver e as cidades do entorno não terem apoio para manter suas vocações econômicas, sejam elas a indústria, a agricultura, o turismo etc. Se não houver desenvolvimento regional, a corrente migratória regional rumo a Sorocaba em pouco tempo vai saturar o mercado de trabalho local”. 46 • Sorocaba Sempre • 2011 | Jornal Ipanema


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iNdúStriaS

Sorocaba vive um momeNto promiSSor vice-preSideNte do cieSp afirma que cidade eStá preparada para receber iNdúStriaS triaS de tecNologia de poNta triaS

a

o longo dos 357 anos da história, a produção econômica de Sorocaba passou por inúmeras fases. Até a década de 1960, o município detinha grande vocação têxtil, recebendo, por este motivo, o apelido de “Manchester Paulista”, em alusão à cidade industrial inglesa. A partir daquele período, Sorocaba passou a apostar fortemente no setor metalomecânico. “Esse setor ainda tem evoluído muito”, comenta Erly Syllos, vice-presidente da regional Sorocaba do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). De acordo com Syllos, “o momento promissor” que Sorocaba vive hoje se deve à definição de sua vocação industrial e o planejamento de longo prazo, realizado há cerca de 40 anos - tanto pelo poder público quanto pelas próprias indústrias. “O aspecto social, a segurança, a mão de obra qualificada, enfim, são

vários pontos que a cadeia produtiva analisa (antes de se instalar na cidade). Então, podemos dizer que Sorocaba está totalmente preparada”, comenta. Esse preparo, segundo ele, dá à cidade a condição de ingressar no seleto hall de municípios vocacionados para receber indústrias que desenvolvem tecnologia de ponta. “Sorocaba, daqui para frente, vai ter enfoque mais vocacionado para a inovação tecnológica, pois agrega conhecimento e, consequentemente, os produtos terão maior valor agregado”, prevê o representante do Ciesp, ressaltando que os empregos nesta área têm maior remuneração pois dependem de melhor qualificação dos profissionais. “Isso é uma bola de neve positiva”, emenda. Syllos explica que o parque tecnológico, que está sendo instalado na Zona Nor Norte de Sorocaba, será um local que “vai agregar toda área de conhecimento e

Sorocaba, daqui para freNte, vai ter eNfoque maiS vocacioNado para a iNovação ovação tecNológica ológica

erly SylloS, vice-preSideNte do cieSp/Sorocaba

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centros de pesquisa de indústrias que virão para investir e montar sua empresa”.

Trilha planejada Neste mercado competitivo e globalizado, o sucesso da cidade e das empresas que nela se instalam não depende de sorte. Para Syllos, a chave está no planejamento. “Claro que o planejamento em médio e em curto prazo vai sendo ajustado de acordo com o momento econômico e polí político, mas o planejamento em longo prazo, isto é, até dez anos, é o mais decisivo para o retorno dos bons resultados”, ensina.

Bons exemplos Nesse sentido, o representante do Ciesp aconselha outros municípios a seguirem alguns exemplos de Sorocaba para o incremento do desenvolvimento econômico industrial. “É importante definir e fortalecer a vocação (seja eletroeletrônica, metalomecânica, têxtil, calçadista) e também elaborar um Plano Diretor, que dê ordenamento ao uso do solo, isto é, quais áreas serão residenciais, industriais, enfim, para que dê segurança ao investidor”. Apesar do entusiasmo dos sorocabanos diante da instalação da planta da Toyota – maior montadora de veículos do mundo – e do novo Parque Tecnológico, Syllos ressalta que grande parte do Produto Interno Bruto (PIB) de Sorocaba, atualmente, advém do atual Parque Industrial, que fica nos bairros de Aparecidinha e Éden. “É óbvio que a montadora representa uma fase diferente e muito positiva, mas o Ciesp tem sempre frisado que a atual zona industrial não é obsoleta. Lá, nós temos empresas de alta tecnologia e grandes exportadoras”, conclui.


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aSSoCiaÇÃo CoMerCial

uma importaNte e fuNdameNtal peça da ecoNomia local

o

crescimento industrial e tecnológico de Sorocaba alavanca todos os setores da economia. Primeiro, porque há maior oferta e empregos e, portanto, de renda. Com isso, desperta-se o interesse de instalação de novas empresas de comércio e prestação de serviços, formando-se um círculo virtuoso, com reflexo mesmo na administração pública, que, recebendo mais impostos, consegue investir mais nas áreas de sua atuação. Esta é a opinião

SomoSS uma importaNte e fuNdameNtal peça da ecoNomia da cidade e, por iSSo, co-reSpoNSável NS NSável pelo Seu creScimeNto e deSeNvolvimeNto NiltoN da Silva céSar (NiltoN treze), preSideNte da aSSociação comercial de Sorocaba (acSo)

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de Nilton da Silva César (Nilton Treze), presidente da Associação Comercial de Sorocaba (ACSO). “Sabemos que grandes novos investimentos, nos setores industrial e comercial, já estão em curso, como a instalação da Toyota e seus sistemistas, um Parque Tecnológico e, pelo menos, quatro novos shoppings. Por si só, estes já seriam suficientes para garantir a continuidade do desenvolvimento, mas acabam fortalecendo o tal círculo virtuoso”, ilustra. “Entendemos que a economia de uma localidade é dinâmica e que os próprios agentes trabalham no sentido de fortalecê-la, aprimorá-la e consolidála. O interesse de que ela seja desenvolvida plenamente, o que significa em primeiro lugar que a população tenha qualidade de vida, é de todos”. Em sua opinião, “certamente, o poder público tem papel fundamental nisso, pois é quem dita muitas regras e posturas, podendo ser determinante para o bem ou para o mal de uma coletividade. Seu papel principal é o planejamento mas também o atendimento das demandas necessárias à continuidade do desenvolvimento e da qualidade de vida da população”. Dentro de sua área de atuação, a Associação Comercial de Sorocaba tem procurado contribuir para esse desenvolvimento. “Nosso objetivo é o fortalecimento da entidade, dos setores de comércio e prestação de serviços e de

AI/ACSO

eNtidade quer aprimorar e fortalecer oSSetoreSS do comércio e preStação de ServiçoS

nossos associados. Somos uma impor importante e fundamental peça da economia da cidade e, por isso, corresponsável pelo seu crescimento e desenvolvimento”, diz. “Temos buscado ampliar o quadro associativo e, ao mesmo tempo, procurado aumentar a gama de serviços à disposição dos sócios. A ACSO tem auxiliado bem seus associados, mas nem todos os potenciais sócios sabem exatamente o que fazemos, seja na prestação de serviços ou institucionalmente. Proximamente, vamos encetar ações para que as informações cheguem a todos, sócios ou não, e ampliar o nosso quadro. Mas precisamos ter reconhecimento de nossa importância, para que a ACSO seja cada vez mais partícipe nas discussões de interesse público e coletivo e seja cada vez mais representativa e forte, com o que Sorocaba só tem a ganhar”.


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SiNCoMérCio

evoluir, creScer e deSeNvolver comércio varejiSta de Sorocaba: SSalto para o futuro

e

VT Publicidade

m 2008 o Jornal Ipanema já destacava: “evoluir, crescer e desenvolver tem tudo a ver com o comércio varejista da nossa cidade”. Fruto do dinamismo e da tenacidade do empresariado local, a Sorocaba de 2011 tem muitos eixos, diversificados corredores comerciais, múltiplas virtudes e vocações. Segundo Fernando Soranz, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Sorocaba - Sincomércio, tudo começou na efervescência da 2ª Grande Guerra. As mudanças fizeram com que o Brasil se voltasse para a concepção de mecanismos que garantissem, por um lado, uma sociedade democrática e por outro, legitimaram a representatividade das classes trabalhadoras e empresariais. “Isso gerou” diz Soranz, “um ambiente de paz social entre as duas forças produtivas”. Nesse contexto, lembra o presidente do Sincomércio, nos idos de 1942, surgiu o Sindicato do Comércio Varejista de Sorocaba, resultado da visão empreendedora dos empresários do comércio. “Foi também nesse período, em 1946, que surgiu o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e, posteriormente, o Sesc, Serviço Social do Comércio”, rela-

Fernando Soranz, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Sorocaba

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ta. Fernando Soranz explica que foram concebidas como entidades de vanguarda comportamental, o “Sistema S” certamente representa um dos maiores mecanismos de desenvolvimento social de todo o mundo. Entidades mantidas e administradas pela iniciativa privada. Sorocaba, com o empenho da diretoria do Sindicato do Comércio Varejista, na épo-

ca presidida pelo saudoso José Flores Arruda, ganhou uma das mais modernas unidades do Senac, na avenida Nogueira Padilha. Essa possibilitou a geração de oportunidades de treinamento de mão de obra especializada para o comércio, tendo papel fundamental na evolução e desenvolvimento dos estabelecimentos comerciais sorocabanos.

Sorocaba gaNhará um moderNo SeSc: um doSS maioreS do eStado de São paulo p Inicialmente instalado nas dependências do Senac e posteriormente desenvolvendo seus próprios espaços, o Sesc - Serviço Social do Comér Comércio chegou a Sorocaba com a árdua missão de prover lazer e cultura aos nossos jovens. O esforço obstinado gerou frutos. Na avenida Washington Luiz, encontra-se em fase de acabamento um marco que certamente mudará todos os antigos conceitos, destaca Soranz. O grande canteiro de obras transformou-se numa das maiores unidades do Sesc no estado de São Paulo, a ser inaugurada em breve. Mais cultura, lazer, esportes, cursos, enfim, uma infraestrutura de primeiro mundo para Sorocaba, que merece e conquista novos horizontes de metrópole do interior. O nosso município consagra-se como polo regional de atração de consumidores. Ávidos consumidores de produtos, de serviços, de cultura e lazer enfatiza o presidente do Sincomércio. “É mais uma conquista dos empresários do comércio interagindo com o social, contribuindo com a responsabilidade que lhe compete as-

sumir em todos os setores. É motivo de orgulho para seus colaboradores e para a diretoria do Sincomércio. É certamente um marco significativo na história da entidade de classe que se destaca pela intransigente defesa da livre iniciativa e na busca incessante de crescer sempre, com Sorocaba”, diz Soranz. “Destacamos, finalmente, a importante participação da mídia em Sorocaba. Sem ela, certamente o comércio varejista teria dificuldades em crescer no ritmo acelerado que observamos. Os jornais, as emissoras de rádio, a televisão e os demais veículos de comunicação transfor transformam campanhas e promoções em sucessos de vendas. Mais impostos gerados, mais educação e saúde para a população. O Sincomércio faz parte da história do aniversário de Sorocaba desde as primeiras feiras de muares na cidade. Um orgulho para todo aquele que se dedica à mais antiga arte do mundo: a de ser empresário do comércio e contribuir para Sorocaba dar um salto para o futuro”, finaliza Fernando Soranz.


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Fotos: AI/Urbes

t r â N S i t o e t r a N S P o rt e S

Cruzamento das avenidas Afonso Vergueiro e Eugênio Salerno, importantes vias da região central

oS deSafioS para veNcer oS problemaSSurgidoSS com o exceSSo de veículoSNaS aS ruaS aS ruaS e aveNidaS ida idaS eStudoSS da urbeSS preteNdem priorizar traNSporte coletivo e meioSNão motorizadoS,, como é o ca caSo da bicicleta

d

os velhos caminhos tropeiros até os dias de hoje, a cidade foi geograficamente ganhando novas configurações e traçados, foram surgindo e ampliando ruas e avenidas. Com esse crescimento, Sorocaba ganhou novos contornos, áreas ocupadas e expandidas até suas fronteiras (antes tão distantes do centro). Essa evolução urbanística teve um paralelo: o seu meio de transporte, que ganhou em volume e, consequentemente,

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exige intervenções urgentes e melhorias para fazer frente ao desenvolvimento de Sorocaba, afinal, o futuro é agora. Uma das metas do poder público, para minimizar o problema do aumento dos veículos em circulação no município passa por uma política voltada ao transporte coletivo, que em muito contribuiria para sanar os problemas de congestionamentos, política esta nada fácil, uma vez que o sorocabano, assim como os motoristas de todo o país, demonstram enor enor-

me resistência e, ao menos, diminuir o uso do carro particular e usufruir o transporte coletivo. É claro que a melhoria e modernização desse sistema incentivaria essa opção oferecida ao motorista. Esse parece ser um dos desafios do engenheiro Renato Gianolla, diretor-presidente da Urbes (Empresa de Desenvolvimento Urbano e Social) e secretário de Transportes de Sorocaba. Em sua avaliação, o transporte coletivo de Sorocaba “vem evoluindo nos últimos anos, período em


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t r â N S i t o e t r a N S P o rt e S que destacamos a criação de dois terminais centrais com boa acomodação, segurança e módulos comerciais”. Esses terminais facilitam a locomoção dos usuários. Em um passado de algumas décadas, a situação era lamentável. Antes da existência dos terminais, os passageiros tinham que desembarcar no centro da cidade, com ônibus em horários irregulares e em péssimo estado de conservação. Para quem presenciou este cenário da década de 1980, pode se recordar bem das dificuldades daquele período, estigmatizada pela empresa Vima (Viação Manchester), sinônimo desse abandono e que deixou de circular graças à luta jurídica do então prefeito Antônio Carlos Pannunzio. Ao menos na atualidade, essa triste realidade para quem depende de ônibus melhorou e muito. Com os terminais, outra vantagem destacada por Gianolla é que se trata de um sistema totalmente integrado, com cobrança automática e integração temporal, linhas de ônibus cir circulando perto de todos os bairros da cidade, frota com idade média de 3,48 anos”, bem diferente dos tempos da Vima. O presidente da Urbes ressalta ainda que, dessa frota, 77% dos ônibus são adaptados com elevador na porta central. Outros dados importantes na avaliação do presidente da Urbes é que “existem cinco áreas de transferência junto de casas do cidadão, cinco linhas Interbair Interbairros ligando diretamente os bairros sem circular pela região central agilizando os deslocamentos e, ainda, o transporte especial para pessoas com expressiva mobilidade reduzida”. A proposta é melhorar sempre, uma vez que, segundo ele, existem vários estudos em andamento para reformas futuras como a implantação de nova área de transferência, tratamento especial na acessibilidade e segurança nos pontos de ônibus de maior concentração de usuários, instalação de vigilância embarcada para maior segurança aos usuários, instalação de GPS/GPRS nos ônibus para melhor controle da operação e informação aos usuários com previsão de passagem nos pontos e consulta pela In56 • Sorocaba Sempre • 2011 | Jornal Ipanema

o transporte coletivo é para pessoas de baixa renda ou a de que o brasileiro é louco por carro, contudo, sabemos que só o fato de custar menos que o carro não é um atrativo. São necessários incentivos, priorizando a circulação do transporte coletivo, aumentando sua velocidade média, gerando deslocamento rápido, o que foi possível acontecer, por exemplo, com as linhas Interbairros. Também são necessários investimentos em campanhas educativas e de informação aos usuários, todos previstos em nossos estudos”, conclui.

Em busca de soluções

é NeceSSário SS SSário políticaS de políticaS deSoNeração de cuStoSS do traNSporte coletivo em âmbito NacioNal reNato giaNolla Secretário de traNSporteS e preSideNte da urbeS

ternet e celular. Também estão em estudo: a instalação de mídia nos ônibus com programação especial, a criação de faixas exclusivas, a criação de novas linhas Interbairros, a criação de linha seletiva/executiva com veículo especial, a integração com Trem Metropolitano e a viabilidade do BRT (Bus Rapid Transit).

Transporte público Para uma cidade sustentável, cada vez mais é preciso um transporte coletivo de qualidade. É possível fazer os motoristas deixarem os carros nas garagens e andarem de ônibus ou outro transporte alternativo, conforme já destacado nesta reportagem. Gianolla reforça que esta “é uma questão complexa e envolve, inclusive, questões culturais como a de que

Não tem como ser diferente. Com a cidade cada vez mais em crescimento populacional e geográfica e a modificação, ampliação de ruas e avenidas ou obras que ainda devem ser feitas neste sentido, o trânsito, é claro, é reflexo direto dessas mudanças e com ele, o surgimento de problemas. Na relação trânsito/ transporte coletivo, o presidente da Ur Urbes relaciona “a operação emergencial que limita os investimentos, os gargalos do Sistema Viário que causam lentidão na circulação e atrasos nas linhas de ônibus”. Na ótica de Gianolla, as soluções passam necessariamente “pela questão do Novo Contrato do Lote 1, além de investimentos em novos complexos viários como o Sorocaba Total, priorizar a circulação do transporte coletivo, como já vem ocorrendo com a proibição de estacionamento no lado direito dos principais corredores e, futuramente, com corredores exclusivos”. Com o crescimento de Sorocaba (cada vez mais em direção a municípios vizinhos) uma das questões é: como enfrentar a situação em oferecer transporte com qualidade a preços competitivos? Segundo o presidente da Urbes e secretário de Transportes, Renato Gianolla, o caminho é investir em tecnologia de sistemas, como a bilhetagem eletrônica que permitirá futura integração entre linhas de municípios diferentes, além do monitoramento da frota para melhor controle da operação, e assim, evitar sempre que possível a sobreposição de linhas em cor cor-


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t r â N S i t o e t r a N S P o rt e S redores de ônibus. Não basta essa série de medidas, para ele também “é necessário que existam políticas de desoneração de custos do transporte coletivo em âmbito nacional”. Para enfrentar problemas de circulação excessiva de veículos e fugir de congestionamentos e até mesmo a poluição sonora e do ar, alguns grandes centros urbanos têm buscado alternativas para minorar esses problemas, medidas essas que ganham a simpatia ou antipatia popular, ou seja, dividem opiniões. Entre essas medidas, está o rodízio de veículos, prática que já é uma realidade na cidade de São Paulo, por exemplo. Essa seria uma solução igualmente que poderia ser adotada por Sorocaba. Gianolla garante que “até o momento, não há estudos que indicam essa ação em nosso municí município, todavia, para o futuro, não podemos descartar a hipótese. Vale ressaltar que as cidades que adotaram o rodízio como alternativa, vivenciaram por pouco tempo os benefícios da medida, uma vez que muitas pessoas adquiriram outro veículo, por vezes um veículo mais velho, para fugir da restrição imposta à circulação”, diz e acrescenta: “Para um futuro mais distante, existe a alternativa do ‘pedágio urbano’”.

Programa Sorocaba Total

Via de acesso ao bairro Piazza di Roma

Outra das medidas adotadas pelos grandes centros urbanos para minimizar os problemas dos transportes é a adoção de corredores exclusivos para ônibus, como maneira de agilizar o fluxo do trânsito. O projeto Sorocaba Total, projeto este que possibilitará que o sistema viário de Sorocaba passe a contar com uma rota alternativa para integrar a Zona Nor Nor-

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Ciclovia no bairro Wanel Ville

te e a Zona Industrial, o que representará economia de tempo e mais segurança para milhares de motoristas não prevê a implantação de corredores exclusivos de ônibus, diz Gianolla, e justifica: “Com a implantação do Sorocaba Total, o fluxo de veículos nos corredores principais arteriais hoje existentes diminuirá, o que proporcionará melhorias ao transporte coletivo”. Por outro lado, uma boa noticia virá juntamente com o programa Sorocaba Total, ou seja, a implantação de ciclovias para oferecer à população novas alternativas de deslocamentos. Sorocaba tem como meta ampliar a rede de ciclovias. Esse é o objetivo do prefeito Vitor Lippi, que se orgulha das ciclovias que só perdem em extensão total à cidade do Rio de Janeiro. Alguns municípios também adotaram medidas para minorar os problemas do trânsito, criando vias exclusivas para motocicletas. Em relação a este assunto, Gianolla foi enfático ao afirmar que “o município não pode inovar em matéria de legislação de trânsito porque a mesma não contempla tais vias”. Segundo o presidente da Urbes, atualmente, somente o município de São Paulo possui autorização do Departamento Nacional de Trânsito – Denatran para utilizar as chamadas faixas exclusivas para motocicletas. Ainda sobre as mudanças que serão proporcionadas pelo projeto Sorocaba Total, não há previsão para a implantação de terminais de referência. Porém, o presidente da Urbes e secretário de Transportes adianta: “o que existe são estudos para circulação de linhas Inter Interbairros ligando as regiões da cidade”.

Desenvolvimento sustentável Será que Sorocaba está preparada para um desenvolvimento sustentável – inclusive com mais ônibus a gás natural – na área de transporte? Respondendo a este questionamento, Gianolla explica que, “enquanto gerenciadora, a Urbes está sempre atenta às novas alternativas da matriz energética do setor de transporte, como biodiesel, etanol, gás natural, veículo elétrico e célula de hidrogênio. Contudo, entre essas tecnologias, a mais avançada em termos de recursos técnicos e disponibilidade ainda é o ‘diesel/biodesel’, que gradativamente vem sendo utilizado e gerando menos agentes poluentes”. Quanto ao projeto da utilização de gás natural, o presidente da Urbes e secretário de Transportes diz que que o mesmo não evoluiu em razão da falta de peças de reposição, ou seja, investimentos tanto do governo federal quanto das montadoras de ônibus. Para finalizar, Gianolla destaca a preocupação da Urbes com o transporte coletivo, principalmente em preparar este setor para a cidade nas próximas décadas. Segundo ele, “faz parte dos estudos da Urbes o planejamento do transporte e do trânsito de nossa cidade. Um Plano Diretor Integrado de Mobilidade Urbana nos ajudará no balizamento para ações futuras. Para o horizonte de vinte anos, deveremos esperar maior priorização para o transporte coletivo e meios não-motorizados, notadamente a bicicleta e o modo a pé indo ao encontro da tendência mundial de mobilidade sustentável”.


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SiNdUSCoN

mão de obra Na coNStrução civil deve Ser maiS maiS qualificada

S

orocaba está há, no mínimo, doze anos vivendo um boom na construção civil. Condomínios horizontais e verticais surgem em todo o município, atendendo às classes A, B e C. Loteamentos fechados também têm contribuído para este crescimento. Diante desse desenvolvimento, nada mais natural que faltar mão de obra qualificada no setor. E é o que acontece em Sorocaba. Para Ronaldo Oliveira Leme, diretor da regional Sorocaba do SindusCon (Sindicato da Construção Civil), a resposta é simples. “Quando uma empresa decide se instalar numa determinada região, ela verifica vários municípios daquele local, para ver qual deles atende melhor suas necessidades”. Leme deixa claro que a cidade tem oferecido estrutura para esse crescimento, tanto que “tem atraído várias indústrias” que exigem esses requisitos. Para o diretor da regional do Sindus60 • Sorocaba Sempre • 2011 | Jornal Ipanema

Con, a mão de obra utilizada na construção civil tem sido qualificada, “mas não na velocidade que necessitamos para atender a demanda dos últimos cinco anos”.

Investindo na qualificação Pensando na qualificação da mão de obra, Leme explica que o SindusCon-SP, juntamente com o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), “tem projetos de qualificação de mão de obra. AI/SindusCon

Sorocaba vive um boom No Setor e preciSa SSa ateNder à demaNda

Ronaldo Oliveira Leme, diretor da regional Sorocaba do SindusCon-SP

São nove cursos totalmente gratuitos e voltados especificamente para a qualificação da mão de obra para a construção civil”, detalha. Os números da construção civil em Sorocaba são impressionantes. Confor Conforme Leme, hoje são quase 11 mil trabalhadores no estoque formal, o que corresponde a 10,6% da mão de obra do estado de São Paulo. Para continuar esse crescimento, o SindusCon-SP tem várias frentes de trabalho junto a comissões da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), em Brasília, para estudos de investimentos públicos na área de construção, comemora ele. Determinadas zonas da cidade não têm mais área para crescimento. Em compensação, a zona norte tem muito lugar pra crescer. Questionado se aquela região vai se desenvolver muito ainda no setor de construção civil, a resposta foi objetiva: “Uma vez que as demais regiões estão saturadas, o crescimento para ouou tra área menos desenvolvida é inevitável. Já a respeito sobre qual é a cidade que podemos esperar para daqui a 20 anos, resposta foi: “o SindusCon-SP trabalha para que as suas associadas produzam melhor, com mais qualidaqualida de, respeitando sempre o ser humano e o ambiente à sua volta”.


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Piscina do Sesi de Sorocaba

iNdUStriÁrioS

promover a qualidade de vida do trabalhador da iNdúStria tria e SeuSS depeNdeNteS eSta é a miSSão SSão do SeSi, que eStimula aiNda a geStão SocialmeNte SS reSpoNSável NSável da empreSSa iNduStrial NS

S

orocaba está vivenciando uma nova fase em seu desenvolvimento: a tecnologia de ponta. Diante desta perspectiva é que está sendo implantado o Parque Tecnológico. Essa perspectiva irá exigir das escolas de ensino técnico e universidades a formação de mão de obra especializada para fazer frente a este avanço industrial. Para o Sesi, existe sim a preocupação de qualificar o trabalhador da indústria para que tenhamos, na nossa região, mão de obra preparada para atuar nas atuais e novas empresas que a cada dia se instalam aqui, fazendo de Sorocaba uma cidade de destaque no setor industrial. O Serviço Social da Indústria - Sesi - não oferece cursos técnicos, esta é a função do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - Senai. “O Sesi tem como missão promover a qualidade de vida do trabalhador da indústria e seus dependentes, com foco em educação, saúde e lazer, estimulando a gestão socialmente responsável da empresa industrial”, esclarece Júlio César de Souza Martins, diretor dos Centros de Atividades do Sesi em Sorocaba e Votorantim. Dessa forma, o Sesi atua na formação do futuro trabalhador da indústria desde cedo, oferecendo educação básica de qualidaqualida de, do Ensino Fundamental ao Ensino Médio, para filhos de trabalhadores da indúsindús tria e comunidade. A maiomaio ria dos alunos do Sesi-SP já estuda em tempo integral e tem, além do ensino formal, aulas de teatro, alimentação

Júlio César de Souza Martins, diretor dos Centros de Atividades do Sesi em Sorocaba e Votorantim

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saudável, artes e esportes, passando ainda periodicamente por triagens médicas e odontológicas por profissionais do próprio Sesi. “Também implantamos o Ensino Articulado, pelo qual o aluno, a partir do segundo ano do Ensino Médio, estuda meio período no Sesi e, no outro período, realiza cursos técnicos no Senai gratuitamente”, enfatiza Martins.

Qualidade de vida e cultura

Júlio César de Souza Martins, diretor dos Centros de Atividades do Sesi em Sorocaba e Votorantim ressalta que “para se promover a qualidade de vida, passa-se também pelo processo de oferecer cultura às pessoas. E é isso o que o Sesi faz, gratuitamente, em seus teatros”. São 17 unidades em todo o estado, além de outros que estão sendo inaugurados, onde são apresentadas, semanalmente, peças teatrais, concertos musicais de artistas eruditos e populares e filmes participantes de Festivais de Cinema promovidos pelo Sesi-SP, além das aulas gratuitas de teatro pelos Núcleos de Artes Cênicas. “Levamos, diretamente para dentro das indústrias, exposições fotográficas e bibliotecas itinerantes chamadas ‘Caixa de Cultura’, para que o industriário tenha acesso fácil à leitura, sendo que, só na região de Sorocaba, atendemos mais de 70 empresas com este serviço, gratuitamente”, diz orgulhoso desses projetos desenvolvidos pelo Sesi que atua também em cursos livres, atualmente nas áreas de Artesanato e Artes Plásticas, Costura e Moda e Alimentação, com foco na qualidade de vida do trabalhador, possibilitando também geração de renda. Somando somente esses serviços socioculturais, só no ano passado o Sesi Sorocaba atendeu quase 140 mil pessoas.

Gestão responsável

Para ajudar as indústrias a terem uma gestão socialmente responsável, o Sesi oferece serviços subsidiados com este

foco. Um deles é o Indústria Saudável: uma equipe do Sesi, formada por auxiliares de enfermagem e dentistas, vai até a indústria para fazer uma triagem de saúde com todos os funcionários, oferecendo, assim, um diagnóstico completo sobre o estilo e saúde do trabalhador. Assim, após receber este relatório, a empresa pode preparar ações para melhorar as condições de vida de seus funcionários, com ajuda do Sesi, nas áreas odontológica, de alimentação e também em esportes e atividades físicas e socioculturais, melhorando a qualidade de vida deste público, explica Martins. De 2010 até o momento, a equipe do Sesi Sorocaba já atendeu mais de 15 mil industriários, em 150 empresas com o Indústria Saudável. Há ainda outros programas, ferramentas, palestras e diversos tipos de intervenções que o Sesi oferece para os trabalhadores na indústria, que estimulam a empresa a ser um espaço socialmente responsável e para que os trabalhadores busquem um estilo de vida mais saudável. O Sesi oferece ainda os Centros de Lazer e Esportes (CLE), um espaço onde são atendidos prioritariamente os alunos dos Centros Educacionais e também os trabalhadores da indústria e toda a sua família, além da comunidade. Equipado com piscinas olímpicas aquecidas e infantis, os CLE´s contam com quadras poliesportivas onde são realizados campeonatos entre indústrias e aulas diver diversas como voleibol e outras, além de academias de ginástica equipadas e espaços para lazer. “Todo o trabalho que o Sesi faz é um retorno para as indústrias e seus trabalhadores, para que eles possam ter mais qualidade de vida dentro e fora do ambiente do trabalho. E o Sesi está preparado para atuar junto a essa nova realidade industrial de Sorocaba, levando cada vez mais educação, saúde, cultura e responsabilidade social para esses públicos”, destaca Martins.


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AI/Secom/PMS

eNSiNo

“educação ducação de qualidade para todoS” Secretaria buSca pleNo deSeNvolvimeNto doSS aluNoS

c

om a máxima “Educação de qualidade para todos”, a Secretaria de Educação de Sorocaba tem como desafio trabalhar com as diferentes realidades e oferecer aos alunos muito além do ‘ABC’. É que o aponta a titular da pasta, Teresinha Del Cístia. De acordo com ela, a máxima perseguida pela área utiliza, na rede municipal de ensino, estratégicas pedagógicas com o objetivo de

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contribuir para o pleno desenvolvimento dos alunos. A proposta vem amparada no processo de reorganização das escolas públicas e na municipalização do ensino, implantado pelo governo do estado de São Paulo no final dos anos 1990. “Sorocaba assinou o termo de colaboração e parceria com o governo do estado no atendimento à demanda das séries/anos iniciais do Ensino Fundamental”, revela Teresinha,

“assumindo o déficit de vagas, construindo novos prédios nas diversas regiões da cidade, conforme apontado pelo estudo da demanda feito em conjunto com a Diretoria de Ensino”. A mudança fez com que o município buscasse por caminhos próprios, que atendessem às particularidades de Sorocaba. Segundo Teresinha, a Secretaria de Educação conta atualmente com um sistema próprio de ensino e ainda


é responsável pela formulação da polí política educacional que atinge 113 escolas. “Na cidade, são escolas que oferecem Educação Infantil e Ensino Fundamental Ciclo I. A rede municipal mantém cinco escolas com Ensino Fundamental completo, sendo que quatro delas contam com o Ensino Médio”, diz a secretária.

Tecnologia e didática Para ela, todas as ações desenvolvidas hoje impactam o futuro. Para garantir que os alunos da rede pública saiam das salas de aula sendo, mais do que pessoas intelectualmente preparadas, cidadãos preparados para pensar na sociedade como um todo, o sistema de Sorocaba busca basear o trabalho em valores, competências e habilidades: “respeito, inteligência emocional, conhecimento tecnológico-informático, solidariedade, consciência social, disciplina, cultura e paz, consciência ambiental, leitura, empreendedorismo, ética e responsabilidade”, enumera a titular da pasta. De acordo com Teresinha, Sorocaba une recursos didáticos e tecnológicos para alcançar os objetivos. “A rede municipal de ensino utiliza materiais pedagógicos, como: livros didáticos, recursos audiovisuais, softwares, livros e jogos pedagógicos para o desenvol-

aS louSa aS SaS aS digitaiSS com aceSSo à iNterNet torNaram aram aaS aulaS muito maiS aulaS atrativa atrativaS

tereSiNha del cíStia, Secretária de educação de Sorocaba

vimento das aulas. Outro recurso inovador nas escolas municipais são as lousas digitais com acesso à internet, que tornam a aula muito mais atrativa para o aluno”. Em Sorocaba, todas as unidades municipais de ensino contam com pelo menos um conjunto (lousa, notebook e projetor). Ela completa que preparar os docentes para lidar com as diferentes realidades, com os problemas sociais e com as novas tecnologias também é uma preocupação da pasta. “Quando a rede municipal

faz a aquisição de algum equipamento novo, como lousa digital (recentemente implantada nas unidades escolares), por exemplo, todos os profissionais que atuarão com tal equipamento passam por treinamento para o uso adequado dos mesmos, focando o processo de aprendizagem dos alunos”. O mesmo acontece com as questões sociais, que hoje fazem parte do dia a dia de alunos, professores e funcionários da área de educação (como é o caso do ‘bullying’). “A equipe de especialistas do Centro de Referência em Educação tem percorrido as unidades escolares abordando o tema ‘bullying’ com professores. Também são realizadas palestras com as lideranças abordando violência na escola, inclusive ‘bullying’”.

Investimentos Quanto aos investimentos, o dever é do governo estadual, mas a prefeitura busca fazer sua parte. Diante da responsabilidade do atendimento à demanda das séries finais do ensino fundamental e ensino médio, oito prédios escolares serão construídos nas zonas Norte e Oeste da cidade. As obras na área de educação realizam-se numa parceria municipal/estadual e têm orçamento total próximo de R$ 50 milhões.

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eNSiNo Os investimentos visam, ainda, dar conta da demanda por creches. Dados da própria secretaria de Educação apontam que, atualmente, o déficit de vagas chega a 3.278 crianças. No entanto, a previsão é que as obras previstas pelo poder público amenizem a situação. Foi o que afirmou Teresinha Del Cístia numa audiência pública realizada na Câmara de Vereadores de Sorocaba em julho. “Até 2012, nós teremos 3.278 novas vagas, o que representa aproximadamente 20% a mais de vagas em relação ao (atual) déficit”. De acordo com ela, a prefeitura já assinou convênio junto ao governo federal para a construção de dez novas creches. “Cada prédio padrão dá para atender 110 crianças, no mínimo”. As unidades financiadas pelo governo federal, segundo Teresinha, serão construídas nos seguintes bairros: Ana Paula Eleutério (Habiteto), Jardim São Guilherme, Jardim Califórnia, Jardim Tropical, Horto Florestal, Aparecidinha, Sorocaba Park, Éden, Nova Sorocaba e Nova Ipanema. Um exemplo é a unidade do Jardim São Camilo, inaugurada em julho. Construída em parceria com o empresário Izidro Telo, mantenedor do local, a creche recebeu o nome de “Deus Menino” e conta com 444,80 m2 de área útil, ao custo de R$ 491.903,00, repassado pelo município. Entre outros espaços,

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em Sorocaba, há eSpaçoSS fíS fíSicoS para atividadeS educativaS e educativaS recreativa recreativaS SuficieNteSS para o ateNdimeNto doSS aluNoS

a creche, que vai atender crianças de zero a três anos, conta com berçário, fraldário, playground, área de estar, banheiros, lavatórios e administração. A nova unidade da Creche “Deus Menino” tem capacidade para atender aproximadamente 200 crianças, sendo que metade serão encaminhadas pela prefeitura. A secretária de Educação destaca ainda que a prefeitura também desenvolve um plano de ampliação dos prédios já existentes “onde nós teremos a possibilidade de abrir mais 970 vagas”. Outro recurso apontado no plano de ação do governo municipal para solucionar o problema, segundo Teresinha, será a ampliação de convênios com instituições privadas e filantrópicas. “Teremos também cerca de 500 novas vagas com as creches que já são parceiras do município”. Teresinha afirma que uma criança matriculada em creche recebe cuidados e estimulação para seu desenvolvimento harmônico. Já a criança não matriculada em creche recebe essa estimulação através da convivência com a família. A secretária de Educação finaliza dizendo que, em Sorocaba, há espaços físicos para atividades educativas e recreativas suficientes para o atendimento dos alunos.


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SOROCABA SEMPRE  

Revista em edição especial para comemorar o aniversário de 357 anos da cidade de Sorocaba

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