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EPISTOLA AOS ROMANOS 1 Endereço — 1Paulo, servo de Cristo Jesus, chamado para ser apóstolo, escolhido para o evangelho de Deus, 2que ele já tinha prometido por meio dos seus profetas nas Sagradas Escrituras, 3e que diz respeito a seu Filho, nascido da estirpe de Davi segundo a carne, 4estabelecido Filho de Deus com poder por sua ressurreição dos mortos, segundo o Espírito de santidade, Jesus Cristo nosso Senhor, 5por quem recebemos a graça e a missão de pregar, para louvor do seu nome, a obediência da fé entre todos os gentios, 6dos quais fazeis parte também vós, chamados de Jesus Cristo, 7a vós todos que estais em Roma, amados de Deus e chamados à santidade, graça e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo. Ação de graças e oração — 8Em primeiro lugar, eu dou graças ao meu Deus mediante Jesus Cristo, por todos vós, porque vossa fé é celebrada em todo o mundo. 9Deus, a quem sirvo em meu espírito, anunciando o evangelho do seu Filho, é testemunha de como me lembro 10continuamente de vós em minhas orações, pedindo que, de algum modo, com o beneplácito de Deus, se me apresente uma oportunidade de ir ter convosco. "Realmente, desejo muito ver-vos, para vos comunicar algum dom espiritual, que vos possa confirmar, 12ou melhor, para nos confortar convosco pela fé que nos é comum a vós e a mim. 13E não escondo, irmãos, que muita vezes me propus ir ter convosco — e fui impedido até agora — para colher algum fruto também entre vós, como entre os outros gentios. 14Pois eu me sinto devedor a gregos e a bárbaros, a sábios e a ignorantes. 15Daí meu propósito de levar o evangelho também a vós que estais em Roma. A salvação pela fé 1. A JUSTIFICAÇÃO Enunciação da tese — 16Na verdade, eu não me envergonho do evangelho: ele é força de Deus para a salvação de todo aquele que crê, em primeiro lugar do judeu, mas também do grego. 17Porque nele a justiça de Deus se revela da fé para a fé, conforme está escrito: O justo viverá da fé. A. OS GENTIOS E OS JUDEUS SOB A IRA DE DEUS Os gentios, objeto da ira de Deus — 18Manifesta-se, com efeito, a ira de Deus, do alto do céu, contra toda impiedade e injustiça dos homens que mantêm a verdade prisioneira da injustiça. 19Porque o que se pode conhecer de Deus é manifesto entre eles, pois Deus lho revelou. 20Sua realidade invisível — seu eterno poder e sua divindade — tornou-se inteligível, desde a criação do mundo, através das criaturas, de sorte que não têm desculpa. 21Pois, tendo conhecido a Deus, não o honraram como Deus nem lhe renderam graças; pelo contrário, eles se perderam em vãos arrazoados, e seu coração insensato ficou nas trevas. 22Jactando-se de possuir a sabedoria, tornaram-se tolos e 23 trocaram a glória do Deus incorruptível por imagens do homem corruptível, de aves, quadrúpedes e répteis. 24Por isso Deus os entregou, segundo o desejo dos seus corações, à impureza em que eles mesmos desonraram seus corpos. 25Eles trocaram a verdade de Deus pela mentira e adoraram e serviram à criatura em lugar do Criador, que é bendito pelos séculos. Amém. 26Por isso Deus os entregou a paixões aviltantes: suas mulheres mudaram as relações naturais por relações contra a natureza; 27igualmente os homens,


deixando a relação natural com a mulher, arderam em desejo uns para com os outros, praticando torpezas homens com homens e recebendo em si mesmos a paga da sua aberração. 28E como não julgaram bom ter o conhecimento de Deus, Deus os entregou à sua mente incapaz de julgar, para fazerem o que não convém: 29repletos de toda sorte de injustiça, perversidade, avidez e malícia; cheios de inveja, assassínios, rixas, fraudes e malvadezas; detratores, 30caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, arrogantes, fanfarrões, engenhosos no mal, rebeldes para com os pais, 31insensatos, desleais, sem coração nem piedade. 32Apesar de conhecerem a sentença de Deus que declara dignos de morte os que praticam semelhantes ações, eles não só as fazem, mas ainda aplaudem os que as praticam. 2 Os judeus, por sua vez, objeto da ira divina — 1Por isso és inescusável, ó homem, quem quer que sejas, que te arvoras em juiz. Porque, julgando a outrem, condenas a ti mesmo, pois praticas as mesmas coisas, tu que julgas. 2Sabemos que o julgamento de Deus se exerce segundo a verdade contra aqueles que praticam tais ações. 3Ou pensas tu, ó homem, que julgas os que tais ações praticam e tu mesmo as praticas, que escaparás ao julgamento de Deus? 4Ou desprezas a riqueza da sua bondade, paciência e longanimidade, desconhecendo que a benignidade de Deus te convida à conversão? 5 Ora, com tua obstinação e com teu coração impenitente estás acumulando ira para o dia da ira e da revelação da justa sentença de Deus, 6que retribuirá a cada um segundo suas obras:7a vida eterna para aqueles que pela constância no bem visam à glória, à honra e à incorruptibilidade; 8a ira e a indignação para os egoístas, rebeldes à verdade e submissos à injustiça. 9Tribulação e angústia para toda pessoa que pratica o mal, para o judeu em primeiro lugar, mas também para o grego; 10glória, honra e paz para todo aquele que pratica o bem, para o judeu em primeiro lugar e também para o grego. 11Porque Deus não faz acepção de pessoas. Não obstante a Lei — 12Portanto, todos aqueles que pecaram sem Lei, sem Lei perecerão; e todos aqueles que pecaram com Lei, pela Lei serão julgados. 13Porque não são os que ouvem a Lei que são justos perante Deus, mas os que cumprem a Lei é que serão justificados. 14Quando então os gentios, não tendo Lei, fazem naturalmente o que é prescrito pela Lei, eles, não tendo Lei, para si mesmos são Lei;15eles mostram a obra da lei gravada em seus corações, dando disto testemunho sua consciência e seus pensamentos que alternadamente se acusam ou defendem... 16no dia em que Deus — segundo o meu evangelho — julgará, por Cristo Jesus, as ações ocultas dos homens. 17 Ora, se tu te denominas judeu e descansas na Lei e te glorias em Deus, 18tu que conheces sua vontade e que, instruído pela Lei, sabes discernir o que é melhor, 19que estás convencido de ser o guia dos cegos, a luz dos que andam nas trevas, 20educador dos ignorantes e mestre dos que não sabem,possuindo na Lei a expressão da ciência e da verdade... 21ora tu, que ensinas aos outros, não ensinas a ti mesmo! pregas que não se deve furtar, e furtas! 22proíbes o adultério e cometes adultério! abominas os ídolos e despojas seus templos! 23Tu, que te glorias na Lei, estás desonrando a Deus pela transgressão da Lei, 24pois, como está escrito: por vossa causa o nome de Deus está sendo blasfemado entre os gentios. Não obstante a circuncisão — 25Certamente a circuncisão é útil, se observas a Lei; mas se és um transgressor da Lei, tua circuncisão torna-se incircuncisão. 26Se, portanto, o incircunciso guardar os preceitos da Lei, porventura sua incircuncisão não será considerada circuncisão? 27E o fisicamente incircunciso, cumpridor da Lei, julgará a ti que, apesar da letra e da circuncisão, és transgressor da Lei. 28Pois o verdadeiro judeu


não é aquele que como tal aparece externamente, nem é verdadeira circuncisão a que é visível na carne: 29mas é judeu aquele que o é no interior e a verdadeira circuncisão é a do coração, segundo o espírito e não segundo a letra: aí está quem recebe louvor, não dos homens, mas de Deus. 3 Não obstante as promessas de Deus — 1Que vantagem há então em ser judeu? E qual a utilidade da circuncisão? 2Muita, e sob todos os pontos de vista. Em primeiro lugar, porque foi a eles que foram confiados os oráculos de Deus. 3E que acontece se alguns deles negaram a fé? A infidelidade deles não irá anular a fidelidade de Deus? 4De modo algum! Confirma-se, pelo contrário, que Deus é veraz, enquanto todo homem é mentiroso, conforme está escrito: Para que sejas justificado nas tuas palavras e triunfes quando fores julgado. 5Mas então, se a nossa injustiça realça a justiça de Deus, que diremos? Não cometeria Deus uma injustiça desencadeando sobre nós sua ira? — Falo como homem — . 6De modo algum! Se assim fosse, como poderia Deus julgar o mundo? 7Mas se por minha mentira resplandece mais a verdade de Deus, para sua glória, por que devo eu ser ainda julgado pecador? 8E por que — como aliás alguns afirmam caluniosamente que nós ensinamos — não haveríamos nós de fazer o mal para que venha o bem? Desses tais a condenação é justa. Todos são culpados — 9E daí? Levamos vantagem? De modo algum. Pois acabamos de provar que todos, tanto os judeus como os gregos, estão debaixo do pecado, 10conforme está escrito: Não há homem justo, não há um sequer, 11não há quem entenda, não há quem busque a Deus. 12 Todos se transviaram, todos juntos se corromperam; não há quem faça o bem, não há um sequer. 13Sua garganta é um sepulcro aberto, sua língua profere enganos; há veneno de serpente debaixo de seus lábios, 14sua boca está cheia de maldição e azedume. 15 Seus pés são velozes para derramar sangue; 16há destruição e desgraça em seus caminhos. 17Desconheceram o caminho da paz, 18não há temor de Deus diante de seus olhos. 19

Ora, sabemos que tudo o que a Lei diz é para os que estão sob a Lei que o diz, a fim de que toda boca se cale e o mundo inteiro se reconheça réu em face de Deus, 20porque diante dele ninguém será justificado pelas obras da Lei, pois da Lei vem só o conhecimento do pecado. B. A JUSTIÇA DE DEUS E A FÉ

Revelação da justiça de Deus — 21Agora, porém, independentemente da Lei, se manifestou a justiça de Deus, testemunhada pela Lei e pelos Profetas, 22justiça de Deus que opera pela fé em Jesus Cristo, em favor de todos os que crêem — pois não há diferença, 23sendo que todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus — 24e são justificados gratuitamente, por sua graça, em virtude da redenção realizada em Cristo Jesus: 25Deus o expôs como instrumento de propiciação, por seu próprio sangue, mediante a fé. Ele queria assim manifestar sua justiça, pelo fato de ter deixado sem punição os pecados de outrora, 26no tempo da paciência de Deus; ele queria manifestar a sua justiça no tempo presente para mostrar-se justo" e para justificar aquele que é pela fé em Jesus. Papel da Fé — 27Onde está, então, o motivo de glória? Fica excluído. Em força de que lei? A das obras? De modo algum, mas em força da lei da fé. 28Porquanto nós sustentamos que o homem é justificado pela fé, sem as obras da Lei. 29Ou acaso ele é


Deus só dos judeus? Não é também dos gentios? É certo que também dos gentios, 30pois há um só Deus, que justificará os circuncisos pela fé e também os incircuncisos através da fé. 31Então eliminamos a Lei através da fé? De modo algum! Pelo contrário, a consolidamos. C. O EXEMPLO DE ABRAÃO 4 Abraão justificado por sua fé — 1Que diremos, pois, de Abraão, nosso progenitor segundo a carne?2Ora, se Abraão foi justificado pelas obras, ele tem do que se gloriar. Mas não perante Deus. 3Que diz, com efeito, a Escritura? Abraão creu em Deus, e isto lhe foi levado em conta de justiça.4Ora, a quem faz um trabalho, o salário não é considerado como gratificação, mas como um débito; 5a quem, ao invés, não trabalha, mas crê naquele que justifica o ímpio, é sua fé que é levada em conta de justiça, 6como, aliás, também Davi proclama a bem-aventurança do homem a quem Deus credita a justiça, independentemente das obras: 7 Bem-aventurados aqueles cujas ofensas foram perdoadas e cujos pecados foram cobertos. 8 Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não leva em conta o pecado. Independentemente da circuncisão — 9Ora, esta bem-aventurança é somente para os circuncisos, ou também para os incircuncisos? Dizemos, com efeito, que para Abraão a fé foi levada em conta de justiça. 10Mas como lhe foi levada em conta? Estando circuncidado ou quando ainda incircunciso? Não foi quando estava circuncidado, mas quando ainda era incircunciso; 11e recebeu o sinal da circuncisão como selo da justiça da fé que ele tinha quando incircunciso. Assim ele se tornou pai de todos aqueles que crêem, sem serem circuncidados, para que a eles também seja atribuída a justiça, 12e pai dos circuncisos, que não só receberam a circuncisão, mas que também seguem a trilha da fé que teve Abraão, nosso pai, quando ainda incircunciso. Independentemente da Lei — 13De fato, não foi através da Lei que se fez a promessa a Abraão, ou à sua descendência, de ser o herdeiro do mundo, mas através da justiça da fé. 14Porque, se os herdeiros fossem os da Lei, a fé ficaria esvaziada e a promessa sem efeito. 15Mas o que a Lei produz é a ira, ao passo que onde não há lei, não há transgressão. 16Por conseguinte, a herança vem pela fé, para que seja gratuita e para que a promessa fique garantida a toda a descendência, não só à descendência segundo a Lei, mas também à descendência segundo a fé de Abraão, que é o pai de todos nós, 17 conforme está escrito: Eu te constituí pai de muitos povos — nosso pai em face de Deus em quem creu, o qual faz viver os mortos e chama à existência as coisas que não existem. A fé em Abraão e no cristão — 18Ele, esperando contra toda a esperança, creu e tornouse assim pai de muitos povos, conforme lhe fora dito: Tal será tua descendência. 19E foi sem vacilar na fé que considerou seu corpo já morto — ele tinha cerca de cem anos — e o seio de Sara também morto. 20Ante a promessa de Deus, ele não se deixou abalar pela desconfiança, mas se fortaleceu na fé, dando glória a Deus, 21convencido de que ele podia cumprir o que prometeu. 22Eis porque isto lhe foi levado em conta de justiça. 23 Não foi escrito só para ele: — Foi-lhe levado em conta — 24mas também para nós. Para nós que cremos naquele que ressuscitou dos mortos, Jesus, nosso Senhor, 25o qual foi entregue pelas nossas faltas e ressuscitado para a nossa justificação. 2. A SALVAÇÃO


5 A justificação, penhor de salvação — 1Tendo sido, pois, justificados pela fé, estamos em paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, 2por quem tivemos acesso, pela fé, a esta graça, na qual estamos firmes e nos gloriamos na esperança da glória de Deus. 3E não é só. Nós nos gloriamos também nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a perseverança, 4a perseverança uma virtude comprovada, a virtude comprovada a esperança. 5E a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. 6Foi, com efeito, quando ainda éramos fracos que Cristo, no tempo marcado, morreu pelos ímpios. — 7Dificilmente alguém dá a vida por um justo; por um homem de bem talvez haja alguém que se disponha a morrer. — 8Mas Deus demonstra seu amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando éramos ainda pecadores. 9Quanto mais, então, agora, justificados por seu sangue, seremos por ele salvos da ira. 10Pois se quando éramos inimigos fomos reconciliados com Deus pela morte do seu Filho, muito mais agora, uma vez reconciliados, seremos salvos por sua vida. 11E não é só. Mas nós nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por quem desde agora recebemos a reconciliação. A. A LIBERTAÇÃO DO PECADO, DA MORTE E DA LEI Adão e Jesus Cristo — 12Eis porque, como por meio de um só homem o pecado entrou no mundo e, pelo pecado, a morte, e assim a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram. 13Pois até a Lei havia pecado no mundo; o pecado, porém, não é levado em conta quando não existe lei. 14Todavia, a morte imperou desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram de modo semelhante à transgressão de Adão, que é figura daquele que devia vir... 15Entretanto, não acontece com o dom o mesmo que com a falta. Se pela falta de um só todos morreram, com quanto maior profusão a graça de Deus e o dom gratuito de um só homem, Jesus Cristo, se derramaram sobre todos. 16Também não acontece com o dom como aconteceu com o pecado de um só que pecou: porque o julgamento de um resultou em condenação, ao passo que a graça, a partir de numerosas faltas, resultou em justificação. 17Se, com efeito, pela falta de um só a morte imperou através deste único homem, muito mais os que recebem a abundância da graça e do dom da justiça reinarão na vida por meio de um só, Jesus Cristo. 18Por conseguinte, assim como pela falta de um só resultou a condenação de todos os homens, do mesmo modo, da obra de justiça de um só, resultou para todos os homens justificação que traz a vida. 19De modo que, como pela desobediência de um só homem, todos se tornaram pecadores, assim, pela obediência de um só, todos se tornarão2justos. 20 Ora, a Lei interveio para que avultasse a falta; mas onde avultou o pecado, a graça superabundou, 21para que, como imperou o pecado na morte, assim também imperasse a graça por meio da justiça, para a vida eterna, através de Jesus Cristo, nosso Senhor. 6 O batismo — 1Que diremos, então? Que devemos permanecer no pecado a fim de que a graça atinja sua plenitude? 2De modo algum! Nós, que morremos para o pecado, como haveríamos de viver ainda nele? 3Ou não sabeis que todos os que fomos batizados em Cristo Jesus, é na sua morte que fomos batizados? 4Portanto pelo batismo nós fomos sepultados com ele na morte para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós vivamos vida nova. 5Porque se nos tornamos uma coisa só com ele por uma morte semelhante à sua, seremos uma coisa só com ele também por uma ressurreição semelhante à sua, 6sabendo que nosso velho homem foi crucificado com ele para que fosse destruído este corpo de pecado, e assim não sirvamos mais ao pecado. 7Com efeito, quem morreu, ficou livre do pecado. 8Mas se


morremos com Cristo, temos fé que também viveremos com ele, 9sabendo que Cristo, uma vez ressuscitado dentre os mortos, já não morre, a morte não tem mais domínio sobre ele. 10Porque, morrendo, ele morreu para o pecado uma vez por todas; vivendo, ele vive para Deus. 11Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus em Cristo Jesus. Serviço do pecado e serviço da justiça — 12Portanto, que o pecado não impere mais em vosso corpo mortal, sujeitando-vos às suas paixões; 13nem entregueis vossos membros, como armas de injustiça, ao pecado; pelo contrário, oferecei-vos a Deus como vivos provindos dos mortos e oferecei vossos membros como armas de justiça a serviço de Deus. 14E o pecado não vos dominará, porque não estais debaixo da Lei, mas sob a graça. O cristão é libertado da escravidão do pecado — 15E daí? Vamos pecar, porque não estamos mais debaixo da Lei mas sob a graça? De modo algum! 16Não sabeis que oferecendo-vos a alguém como escravos para obedecer, vos tornais escravos daquele a quem obedeceis, seja do pecado que leva à morte, seja da obediência que conduz à justiça? 17Mas, graças a Deus, vós, outrora escravos do pecado, vos submetestes de coração à forma de doutrina à qual fostes entregues 18e, assim, livres do pecado, vos tornastes servos da justiça. 19— Emprego uma linguagem humana, em consideração de vossa fragilidade. Como outrora entregastes vossos membros à escravidão da impureza e da desordem para viver desregradamente, assim entregai agora vossos membros a serviço da justiça para a santificação. Os frutos do pecado e da justiça — 20Quando éreis escravos do pecado, estáveis livres em relação à justiça. 21E que fruto colhestes então daquelas coisas de que agora vos envergonhais? Pois seu desfecho é a morte. 22Mas agora, libertos do pecado e postos a serviço de Deus, tendes vosso fruto para a santificação e, como desfecho, a vida eterna. 23 Porque o salário do pecado é a morte, e a graça de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. 7 O cristão livre da Lei — 1Ou não sabeis, irmãos, — falo a versados em lei — que a lei domina o homem só enquanto ele está vivo? 2Assim, a mulher casada está ligada por lei ao marido enquanto ele vive; se o marido vier a falecer, ela ficará livre da lei do marido. 3Por isso, estando vivo o marido, ela será chamada adúltera se for viver com outro homem. Se, porém, o marido morrer, ela ficará livre da lei, de sorte que, passando a ser de outro homem, não será adúltera. 4De modo análogo também vós, meus irmãos, pelo corpo de Cristo fostes mortos para a Lei, para pertencerdes a outro, àquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de produzirmos frutos para Deus. 5Quando estávamos na carne, as paixões pecaminosas que através da Lei operavam em nossos membros produziram frutos de morte. 6Agora, porém, estamos livres da Lei, tendo morrido para o que nos mantinha cativos, e assim podermos servir em novidade de espírito e não na caducidade da letra. Papel da Lei — 7Que diremos, então? Que a Lei é pecado? De modo algum! Entretanto, eu não conheci o pecado senão através da Lei, pois eu não teria conhecido a concupiscência se a Lei não tivesse dito: Não cobiçarás. 8Mas o pecado, aproveitando da situação, através do preceito engendrou em mim toda espécie de concupiscência: pois, sem a Lei, o pecado está morto.9Outrora eu vivia sem Lei; mas, sobrevindo o preceito, o pecado reviveu 10e eu morri. Verificou-se assim que o preceito, dado para a


vida, produziu a morte. 11Pois o pecado aproveitou a ocasião, e, servindo-se do preceito, me seduziu e por meio dele me matou. 12De modo que a Lei é santa, e santo, justo e bom é o preceito. 13Portanto, uma coisa boa se transformou em morte para mim? De modo algum. Mas foi o pecado que, para se revelar pecado, produziu em mim a morte através do que é bom. Para que o pecado, através do preceito, aparecesse em toda sua virulência. A luta interior — 14Sabemos que a Lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido como escravo ao pecado. 15Realmente não consigo entender o que faço; pois não pratico o que quero, mas faço o que detesto. 16Ora, se faço o que não quero, eu reconheço que a Lei é boa. 17Na realidade, não sou mais eu que pratico a ação, mas o pecado que habita em mim. 18Eu sei que o bem não mora em mim, isto é, na minha carne. Pois o querer o bem está ao meu alcance, não porém o praticá-lo. 19Com efeito, não faço o bem que eu quero, mas pratico o mal que não quero. 20Ora, se eu faço o que não quero, já não sou eu que estou agindo, e sim o pecado que habita em mim. 21Verifico pois esta lei: quando eu quero fazer o bem, é o mal que se me apresenta. 22Eu me comprazo na lei de Deus segundo o homem interior; 23mas percebo outra lei em meus membros, que peleja contra a lei da minha razão e que me acorrenta à lei do pecado que existe em meus membros. 24Infeliz de mim! Quem me libertará deste corpo de morte? 125Graças sejam dadas a Deus, por Jesus Cristo Senhor nosso.Assim, pois, sou eu mesmo que pela razão sirvo à lei de Deus e pela carne à lei do pecado. B. A VIDA DO CRISTÃO NO ESPÍRITO 8 A vida no Espírito — 1Portanto, não existe mais condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus. 2A Lei do Espírito da vida em Cristo Jesus te libertou da lei do pecado e da morte. 3De fato — coisa impossível à Lei, porque enfraquecida pela carne — Deus, enviando o seu próprio Filho numa carne semelhante à do pecado e em vista do pecado, condenou o pecado na carne, 4a fim de que o preceito da Lei se cumprisse em nós que não vivemos segundo a carne, mas segundo o espírito. 5Com efeito, os que vivem segundo a carne desejam as coisas da carne, e os que vivem segundo o espírito, as coisas que são do espírito. 6De fato, o desejo da carne é morte, ao passo que o desejo do espírito é vida e paz, 7uma vez que o desejo da carne é inimigo de Deus: pois ele não se submete à lei de Deus, e nem o pode, 8pois os que estão na carne não podem agradar a Deus. 9Vós não estais na carne, mas no espírito, se é verdade que o Espírito de Deus habita em vós, pois quem não tem o Espírito de Cristo não pertence a ele. 10Se, porém, Cristo está em vós, o corpo está morto, pelo pecado, mas o Espírito é vida, pela justiça.11E se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos habita em vós, aquele que ressuscitou Cristo Jesus dentre os mortos dará vida também a vossos corpos mortais, mediante o seu Espírito que habita em vós. 12Portanto, irmãos, somos devedores não à carne para vivermos segundo a carne. 13Pois se viverdes segundo a carne, morrereis, mas, se pelo Espírito fizerdes morrer as obras do corpo, vivereis. Filhos de Deus graças ao Espírito — 14Todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. 15Com efeito, não recebestes um espírito de escravos, para recair no temor, mas recebestes um espírito de filhos adotivos, pelo qual clamamos: Abba! Pai! 16O próprio Espírito se une ao nosso espírito para testemunhar que somos filhos de Deus. 17E se somos filhos, somos também herdeiros; herdeiros de Deus e coherdeiros de Cristo, pois sofremos com ele para também com ele sermos glorificados.


Destinados à glória — 18Penso, com efeito, que os sofrimentos do tempo presente não têm proporção com a glória que deverá revelar-se em nós. 19Pois a criação em expectativa anseia pela revelação dos filhos de Deus. 20De fato, a criação foi submetida à vaidade — não por seu querer, mas por vontade daquele que a submeteu — na esperança 21de ela também ser libertada da escravidão da corrupção para entrar na liberdade da glória dos filhos de Deus. 22Pois sabemos que a criação inteira geme e sofre as dores de parto até o presente. 23E não somente ela. Mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos interiormente, suspirando pela redenção do nosso corpo. 24Pois nossa salvação é objeto de esperança; e ver o que se espera não é esperar. Acaso alguém espera o que vê? 25E se esperamos o que não vemos, é na perseverança que o aguardamos. 26Assim também o Espírito socorre a nossa fraqueza. Pois não sabemos o que pedir como convém; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis, 27e aquele que perscruta os corações sabe qual o desejo do Espírito; pois, é segundo Deus que ele intercede pelos santos. O plano da salvação — 28E nós sabemos que Deus coopera em tudo para o bem daqueles que o amam, daqueles que são chamados segundo o seu desígnio.29Porque os que de antemão ele conheceu, esses também predestinou a serem conformes à imagem do seu Filho, a fim de ser ele o primogênito entre muitos irmãos. 30E os que predestinou, também os chamou; e os que chamou, também os justificou, e os que justificou, também os glorificou. Hino ao amor de Deus — 31Depois disto, que nos resta a dizer? Se Deus está conosco, quem estará contra nós? 32Quem não poupou o seu próprio Filho e o entregou por todos nós, como não nos haverá de agraciar em tudo junto com ele? 33Quem acusará os eleitos de Deus? É Deus quem justifica. 34Quem condenará? Cristo Jesus, aquele que morreu, ou melhor, que ressuscitou, aquele que está à direita de Deus e que intercede por nós? 35 Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? 36Segundo está escrito: Por sua causa somos postos à morte o dia todo, somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro. 37Mas em tudo isto somos mais que vencedores, graças àquele que nos amou. 38Pois estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem os poderes, 39nem a altura, nem a profundeza, nem qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus, nosso Senhor. C. A SITUAÇÃO DE ISRAEL 9 Os privilégios de Israel — 1Digo a verdade em Cristo, não minto, e disto me dá testemunho a minha consciência no Espírito Santo: 2tenho uma grande tristeza e uma dor incessante em meu coração. 3Quisera eu mesmo ser anátema, separado de Cristo, em favor de meus irmãos, de meus parentes segundo a carne, 4que são os israelitas, aos quais pertencem a adoção filial, a glória, as alianças, a legislação, o culto, as promessas, 5 aos quais pertencem os patriarcas, e dos quais descende o Cristo, segundo a carne, que é acima de tudo, Deus bendito pelos séculos!6Amém. Deus não é infiel — 6E não é que a palavra de Deus tenha falhado, pois nem todos os que descendem de Israel são Israel, 7como nem todos os descendentes de Abraão são seus filhos, mas de Isaac sairá a descendência que terá teu nome. 8Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas são os filhos da promessa que são tidos


como descendentes. 9Pois os termos da promessa são estes: Por esta época voltarei e Sara terá um filho. 10E não é só. Também Rebeca, que concebera de um só, de Isaac nosso pai, 11quando ainda não haviam nascido, e nada tinham feito de bem ou de mal, — a fim de que ficasse firme a liberdade da escolha de Deus, 12dependendo não das obras, mas daquele que chama — foi-lhe dito: O maior servirá ao menor, 13conforme está escrito: Amei a Jacó e aborreci a Esaú. Deus não é injusto — 14Que diremos então? Que há injustiça por parte de Deus? De modo algum. 15Pois ele diz a Moisés: Farei misericórdia a quem eu fizer misericórdia e terei piedade de quem eu tiver piedade. 16Não depende, portanto, daquele que quer, nem daquele que corre, mas de Deus que faz misericórdia. 17Com efeito, a Escritura diz ao faraó: Eu te suscitei precisamente para mostrar em ti o meu poder e para que meu nome seja celebrado em toda a terra. 18De modo que ele faz misericórdia a quem quer e endurece a quem ele quer. 19Dir-me-ás então: por que ele ainda se queixa? Quem, com efeito, pode resistir à sua vontade? 20Mais exatamente, quem és tu, ó homem, para discutires com Deus? Vai acaso a obra dizer ao artífice: Por que me fizeste assim? 21O oleiro não pode formar da sua massa seja um utensílio para uso nobre, seja outro para uso vil? 22Ora, se Deus, querendo manifestar sua ira e tornar conhecido seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, prontos para a perdição, 23a; fim de que fosse conhecida a riqueza da sua glória para com os vasos de misericórdia, preparados para a glória, 24isto é, para conosco, que ele chamou não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?... Infidelidade e apelo previstos pelo Antigo Testamento — 25Como também diz em Oséias: Chamarei meu povo àquele que não é meu povo e amada àquela que não é amada. 26E acontecerá que no lugar onde lhes foi dito: vós não sois meu povo, lá serão chamados filhos do Deus vivo. 27Isaías, por sua vez, proclama a respeito de Israel: Mesmo que o número dos filhos de Israel fosse como a areia do mar, o resto é que será salvo; 28porque, dando execução e abreviando os tempos, Deus cumprirá sua palavra sobre a terra. 29

E ainda como Isaías havia predito: Se o Senhor dos Exércitos não nos tivesse preservado um germe, teríamos ficado como Sodoma, teríamos ficado como Gomorra. 30

Que diremos, então? Que os gentios, sem procurar a justiça, alcançaram a justiça, isto é, a justiça da fé, 31ao passo que Israel, procurando uma lei de justiça, não conseguiu esta Lei. 32E por quê? Porque não a procurou pela fé, mas como se a conseguisse pelas obras. Esbarraram na pedra de tropeço, 33conforme está escrito: Eis que eu ponho em Sião uma pedra de tropeço, uma rocha de escândalo; mas quem nela crer não será confundido. 10 Os judeus desconheceram a justiça de Deus — 1Irmãos, o desejo do meu coração e a prece que faço a Deus em favor deles é que sejam salvos. 2Porque, eu lhes rendo testemunho de que têm zelo por Deus, mas não é um zelo esclarecido. 3Desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à justiça de Deus. 4Porque a finalidade da Lei é Cristo para a justificação de todo o que crê. Anunciada por Moisés — 5Moisés, com efeito, escreveu a respeito da justiça que provém da Lei: é cumprindo-a que o homem vive por ela; 6ao passo que a justiça que provém da fé assim se exprime: Não digas em teu coração: Quem subirá ao céu? Isto é, para fazer descer a Cristo, 7ou: Quem descerá ao abismo? Isto é, para fazer Cristo levantar-se dentre os mortos. 8Mas o que diz ela? Ao teu alcance está a palavra, em tua


boca e em teu coração; a saber, a palavra da fé que nós pregamos. 9Porque, se confessares com tua boca que Jesus é Senhor e creres em teu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. 10Pois quem crê de coração obtém a justiça, e quem confessa com a boca, a salvação. 11Com efeito, a Escritura diz: Quem nele crê não será confundido. 12De sorte que não há distinção entre judeu e grego, pois ele é Senhor de todos, rico para todos os que o invocam. 13Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Eles não têm desculpa — 14Mas como poderiam invocar aquele em quem não creram? E como poderiam crer naquele que não ouviram? E como poderiam ouvir sem pregador? 15E como podem pregar se não forem enviados? Conforme está escrito: Quão maravilhosos os pés dos que anunciam boas notícias. 16Mas não obedeceram ao evangelho. Diz, com efeito, Isaías: Senhor, quem acreditou em nossa pregação? 17Pois a fé vem da pregação e a pregação é pela palavra de Cristo. 18Ora, eu digo: será que eles não ouviram? Entretanto, pela terra inteira correu sua voz; até os confins do mundo as suas palavras. 19Mas, eu pergunto: Israel não teria entendido? Moisés já dizia: Eu vos enciumarei de um povo que não é povo; contra um povo sem inteligência, excitarei vossa ira. 20E Isaías ousa até dizer: Fui encontrado por aqueles que não me procuram; tornei-me visível aos que não perguntam por mim. 21E a Israel diz: O dia todo estendi as mãos a um povo desobediente e rebelde 11 O resto de Israel — 1Pergunto, então: Não teria Deus, porventura, repudiado seu povo? De modo algum! Pois eu também sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. 2Não repudiou Deus o seu povo que de antemão conhecera. Ou não sabeis o que diz a Escritura a propósito de Elias, como ele interpela a Deus contra Israel? 3Senhor, eles mataram teus profetas, arrasaram teus altares; só fiquei eu e querem tirar- me a vida. 4Mas o que lhe responde o oráculo divino? Reservei para mim sete mil homens que não dobraram o joelho a Baal. 5Assim também no tempo atual constituiu-se um resto segundo a eleição da graça. 6E se é por graça, não é pelas obras; do contrário, a graça não é mais graça. 7Que concluir? Aquilo a que tanto aspira, Israel não conseguiu: conseguiram-no, porém, os escolhidos. E os demais ficaram endurecidos. 8Como está escrito: Deu-lhes Deus um espírito de torpor, olhos para não verem, ouvidos para não ouvirem, até o dia de hoje. 9Diz também Davi: Que sua mesa se transforme em cilada, em armadilha, em motivo de tropeço e justa paga. 10Que seus olhos fiquem escuros para não verem e faze que eles tenham sempre seu dorso encurvado. A restauração futura — 11Então, eu pergunto: teriam eles tropeçado para cair? De modo algum! Mas da sua queda resultou a salvação dos gentios, para lhes excitar o ciúme. 12E se a sua queda reverte em riqueza para o mundo e o seu esvaziamento em riqueza para os gentios, quanto maior fruto não dará a sua plenitude! 13E a vós, gentios, eu digo: enquanto apóstolo dos gentios, eu honro o meu ministério, 14na esperança de provocar o ciúme dos da minha raça e de salvar alguns deles. 15Pois se a sua rejeição resultou na reconciliação do mundo, o que será seu acolhimento senão a vida que vem dos mortos? A oliveira silvestre e a oliveira mansa — 16E se as primícias são santas, a massa também o será; e se a raiz é santa, os ramos também o serão. 17E se alguns dos ramos foram cortados fora, e tu, oliveira silvestre, foste enxertada entre eles, para te beneficiares com eles da seiva da oliveira, 18não te vanglories contra os ramos; e se te


vanglorias, saibas que não és tu que sustenta a raiz, mas a raiz sustenta a ti. 19Porém, dirás: Foram cortados os ramos para que eu fosse enxertada. 20Muito bem! Eles foram cortados pela incredulidade e tu estás firme pela fé; não te ensoberbeças, mas teme,21porque se Deus não poupou os ramos naturais, nem a ti poupará. 22Vê então a bondade e a severidade de Deus: a severidade para com os que caíram, e a bondade de Deus para contigo, se perseverares na bondade; do contrário, também tu serás cortado. 23 E eles, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados, pois Deus é capaz de os enxertar novamente. 24Com efeito, se tu foste cortado da oliveira silvestre por natureza e contra a natureza, foste enxertado na oliveira mansa, com maior razão os ramos naturais serão enxertados na oliveira a que pertencem. A conversão de Israel — 25Não quero que ignoreis, irmãos, este mistério, para que não vos tenhais na conta de sábios: o endurecimento atingiu uma parte de Israel até que chegue a plenitude dos gentios, 26e assim todo Israel será salvo, conforme está escrito: De Sião virá o libertador e afastará as impiedades de Jacó, 27 e esta será minha aliança com eles, quando eu tirar seus pecados. 28Quanto ao Evangelho, eles são inimigos por vossa causa; mas quanto à Eleição, eles são amados, por causa de seus pais. 29Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento. 30Com efeito, como vós outrora fostes desobedientes a Deus e agora obtivestes misericórdia, graças à desobediência deles, 31assim também eles agora são desobedientes graças à misericórdia exercida para convosco, a fim de que eles também obtenham misericórdia no tempo presente. 32Deus encerrou todos na desobediência para a todos fazer misericórdia. Hino à sabedoria misericordiosa — 33Ó abismo da riqueza, da sabedoria e da ciência de Deus! Como são insondáveis seus juízos e impenetráveis seus caminhos! 34Quem, com efeito, conheceu o pensamento do Senhor? Ou quem se tornou seu conselheiro? 35 Ou quem primeiro lhe fez o dom para receber em troca? 36Porque tudo é dele, por ele e para ele. A ele a glória pelos séculos! Amém. Parêntese 12 O culto espiritual — 1Exorto-vos, portanto, irmãos, pela misericórdia de Deus, a que ofereçais vossos corpos como hóstia viva, santa e agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual. 2E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa mente, a fim de poderdes discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, agradável e perfeito. Humildade e caridade na comunidade — 3Em virtude da graça que me foi concedida, eu peço a cada um de vós que não tenha de si mesmo um conceito mais elevado do que convém, mas uma justa estima, ditada pela sabedoria, de acordo com a medida da fé que Deus dispensou a cada um. 4Pois assim como num só corpo temos muitos membros, e os membros não têm todos a mesma função, 5de modo análogo, nós somos muitos e formamos um só corpo em Cristo, sendo membros uns dos outros. 6Tendo, porém, dons diferentes, segundo a graça que nos foi dada, aquele que tem o dom da profecia, que o exerça segundo a proporção da nossa fé; 7aquele que tem o dom do serviço, o exerça servindo; quem o do ensino, ensinando; 8quem o da exortação, exortando. Aquele que distribui seus bens, que o faça com simplicidade; aquele que preside, com diligência; aquele que exerce misericórdia, com alegria. 9Que vosso amor seja sem hipocrisia, detestando o mal e apegados ao bem; 10com amor fraterno, tendo carinho uns para com os outros, cada um considerando o outro como mais digno de estima. 11Sede diligentes,


sem preguiça, fervorosos de espírito, servindo ao Senhor, 12alegrando-vos na esperança, perseverando na tribulação, assíduos na oração, 13tomando parte nas necessidades dos santos, buscando proporcionar a hospitalidade. Amor para com todos os homens, mesmo para com os inimigos — 14Abençoai os que vos perseguem; abençoai e não amaldiçoeis. 15Alegrai- vos com os que se alegram, chorai com os que choram. 16Tende a mesma estima uns pelos outros, sem pretensões de grandeza, mas sentindo-vos solidários com os mais humildes: não vos deis ares de sábios. 17A ninguém pagueis o mal com o mal; seja vossa preocupação fazer o que é bom para todos os homens, 18procurando, se possível, viver em paz com todos, por quanto de vós depende. 19Não façais justiça por vossa conta, caríssimos, mas dai lugar à ira, pois está escrito: A mim pertence a vingança, eu é que retribuirei, diz o Senhor. 20 Antes, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer, se tiver sede, dá-lhe de beber. Agindo desta forma estarás acumulando brasas sobre a cabeça dele. 21Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem. 13 Submissão à autoridade civil — 1Todo homem se submeta às autoridades constituídas, pois não há autoridade que não venha de Deus, e as que existem foram estabelecidas por Deus. 2De modo que aquele que se revolta contra a autoridade, opõese à ordem estabelecida por Deus. E os que se opõem atrairão sobre si a condenação. 3 Os que governam incutem medo quando se pratica o mal, não quando se faz o bem. Queres então não ter medo da autoridade? Pratica o bem e dela receberás elogios, 4pois ela é instrumento de Deus para te conduzir ao bem. Se, porém, praticares o mal, teme, porque não é à toa que ela traz a espada: ela é instrumento de Deus para fazer justiça e punir quem pratica o mal. 5Por isso é necessário submeter-se não somente por temor do castigo, mas também por dever de consciência. 6É também por isso que pagais impostos, pois os que governam são servidores de Deus, que se desincumbem com zelo do seu ofício. 7Dai a cada um o que lhe é devido: o imposto a quem é devido; a taxa a quem é devida; a reverência a quem é devida; a honra a quem é devida. O amor, síntese da Lei — 8Não devais nada a ninguém, a não ser o amor mútuo, pois quem ama o outro cumpriu a Lei. 9De fato, os preceitos: Não cometerás adultério, não matarás, não furtarás, não cobiçarás, e todos os outros se resumem nesta sentença: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. 10A caridade não pratica o mal contra o próximo. Portanto, a caridade é a plenitude da Lei. O cristão é filho da luz — 11Tanto mais que sabeis em que tempo estamos vivendo: já chegou a hora de acordar, pois nossa salvação está mais próxima agora do que quando abraçamos a fé. 12A noite avançou e o dia se aproxima. Portanto, deixemos as obras das trevas e vistamos a armadura da luz. 13Como de dia, andemos decentemente; não em orgias e bebedeiras, nem em devassidão e libertinagem, nem em rixas e ciúmes. 14Mas vesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não procureis satisfazer os desejos da carne. 14 A Amor pelos fracos — 1Acolhei o fraco na fé sem querer discutir suas opiniões. 2 Um acha que pode comer de tudo, ao passo que o fraco só come verdura. 3Quem come não despreze aquele que não come; e aquele que não come não condene aquele que come; porque Deus o acolheu. 4Quem és tu que julgas o servo alheio? Que ele fique em pé ou caia, isso é com seu patrão; mas ele ficará em pé, porque o Senhor tem o poder de o sustentar. 5Há quem faça diferença entre dia e dia e há quem ache todos os dias iguais: cada qual siga sua convicção. 6Aquele que distingue os dias, é para o Senhor que os


distingue, e aquele que come, é para o Senhor que o faz, porque ele dá graças a Deus. E aquele que não come, é para o Senhor que não come, e ele também dá graças a Deus. 7 Pois ninguém de nós vive e ninguém morre para si mesmo, 8porque se vivemos é para o Senhor que vivemos, e se morremos é para o Senhor que morremos. Portanto, quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor. 9Com efeito, Cristo morreu e reviveu para ser o Senhor dos mortos e dos vivos. 10Por que julgas teu irmão? E tu, por que o desprezas? Pois todos nós compareceremos ao tribunal de Deus. 11Com efeito, está escrito: Por minha vida, diz o Senhor, todo joelho se dobrará diante de mim e toda língua dará glória a Deus. 12Assim, cada um de nós prestará contas a Deus de si próprio. 13Deixemos, portanto, de nos julgar uns aos outros; cuidai antes de não colocar tropeço ou escândalo diante de vosso irmão. 14Eu sei e estou convencido no Senhor Jesus que nada é impuro em si. Alguma coisa só é impura para quem a considera impura. 15Entretanto, se por causa de um alimento teu irmão fica contristado, já não procedes com amor. Não faças perecer por causa do teu alimento alguém pelo qual Cristo morreu! 16Que o vosso bem não se torne alvo de injúrias, 17porquanto o Reino de Deus não consiste em comida e bebida, mas é justiça, paz e alegria no Espírito Santo. 18 Quem desta maneira serve a Cristo, torna-se agradável a Deus e aprovado pelos homens. 19Procuremos, portanto, o que favorece a paz e a mútua edificação. 20Não destruas a obra de Deus por uma questão de comida. Tudo é puro, é verdade, mas faz mal o homem que se alimenta dando escândalo. 21É bom se abster de carne, de vinho e de tudo o que seja causa de tropeço, de queda ou de enfraquecimento para teu irmão. 22 A fé esclarecida que tens, guarda-a para ti diante de Deus. Feliz aquele que não se condena na decisão que toma. 23Mas quem duvida e assim mesmo toma o alimento é condenado, porque não procede de boa fé. Pois tudo o que não procede da boa fé é pecado. 15 1Nós, os fortes, devemos carregar as debilidades dos fracos e não buscar a nossa própria satisfação. 2Cada um de nós procure agradar ao próximo, em vista do bem, para edificar. 3Pois também Cristo não buscou a sua própria satisfação, mas, conforme está escrito: Os insultos dos que te injuriaram caíram sobre mim. 4Ora tudo o que se escreveu no passado é para nosso ensinamento que foi escrito, a fim de que, pela perseverança e pela consolação que nos proporcionam as Escrituras, tenhamos a esperança. 5O Deus da perseverança e da consolação vos conceda terdes os mesmos sentimentos uns para com os outros, a exemplo de Cristo Jesus, 6a fim de que, de um só coração e de uma só voz, glorifiqueis o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. 7 Acolhei-vos, portanto, uns aos outros, como também Cristo vos acolheu, para a glória de Deus. 8Pois eu vos asseguro que Cristo se fez ministro dos circuncisos para honrar a fidelidade de Deus, no cumprimento das promessas feitas aos pais; 9ao passo que os gentios glorificam a Deus pondo em realce a sua misericórdia, segundo está escrito: Pelo que eu te confessarei entre as nações e salmodiarei o teu nome. 10Diz ainda: Nações, exultai junto com seu povo. 11E ainda: Nações todas, louvai o Senhor, e que todos os povos o celebrem. 12Isaías, por sua vez, acrescenta: Surgirá o rebento de Jessé, aquele que se levanta para reger as nações. Nele as nações colocarão a sua esperança. 13Que o Deus da esperança vos cumule de toda alegria e paz em vossa fé, a fim de que pela ação do Espírito Santo a vossa esperança transborde. Epilogo O ministério de Paulo — 14Pessoalmente estou convicto, irmãos, de que estais cheios de bondade e repletos de todo conhecimento e em grau de vos poder admoestar mutuamente. 15Contudo, eu vos escrevi, e em parte com certa ousadia, mais no sentido de avivar a vossa memória, em virtude da graça que me foi concedida por Deus 16de ser


o ministro de Cristo Jesus para os gentios, a serviço do evangelho" de Deus, a fim de que a oblação dos gentios se torne agradável, santificada pelo Espírito Santo.17Tenho, portanto, de que me gloriar em Cristo Jesus, naquilo que se refere a Deus, 18pois eu não ousaria falar de coisas que Cristo não tivesse realizado por meio de mim para obter a obediência dos gentios, em palavra e ações, 19pela força de sinais e prodígios, na força do Espírito de Deus: como, desde Jerusalém e arredores até a Ilíria, eu levei a termo o anúncio do Evangelho de Cristo, 20fazendo questão de anunciar o evangelho onde o nome de Cristo ainda não era conhecido, para não construir sobre alicerces lançados por outros, 21mas, conforme está escrito: Vê-lo-ão aqueles a quem não foi anunciado, e conhecê-lo-ão aqueles que dele não ouviram falar. Projetos de viagem — 22Foi justamente isto que sempre me impediu de chegar até vós. Agora, porém, não tendo mais campo para meu trabalho nestas regiões e desejando há muitos anos chegar até vós, 24irei quando for para a Espanha. Espero ver-vos na minha passagem e ser por vós encaminhado para lá, depois de ter saboreado um pouco a alegria de vossa presença. 25Mas agora eu vou a Jerusalém, a serviço dos santos. 26A Macedônia e a Acaia houveram por bem fazer uma coleta em prol dos santos de Jerusalém que estão na pobreza. 27Houveram por bem, é verdade, mas eles lhes eram devedores: porque se os gentios participaram dos bens espirituais, eles devem, por sua vez, servi-los nas coisas temporais. 28Quando pois eu tiver resolvido este encargo e tiver entregue oficialmente o fruto da coleta, passarei por vós a caminho da Espanha. 29Tenho certeza de que indo a vós, irei com a plenitude da bênção de Cristo. 30Contudo, eu vos peço, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo, e pelo amor do Espírito, que luteis comigo, nas orações que fazeis a Deus por mim, 31a fim de que eu possa escapar das mãos dos incrédulos da Judéia, e para que o meu serviço em favor de Jerusalém seja bem aceito pelos santos. 32Assim, se Deus quiser, poderei visitar-vos na alegria e repousar-me junto de vós. 33Que o Deus da paz esteja com todos vós! Amém.

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16 Recomendações e saudações — 1Recomendo-vos Febe, nossa irmã, diaconisa da Igreja de Cencréia, 2para que a recebais no Senhor de modo digno, como convém a santos, e a assistais em tudo o que ela de vós precisar, porque também ela ajudou a muitos, a mim inclusive. 3Saudai Prisca e Áquila, meus colaboradores em Cristo Jesus, 4 que para salvar minha vida expuseram sua cabeça. Não somente eu lhes devo gratidão, mas também todas as Igrejas da gentilidade. 5Saudai também a Igre- ja que se reúne em sua casa. Saudai meu amado Epêneto, primícias da Ásia para Cristo. 6Saudai Maria, que muito fez por vós. 7Saudai Andrônico e Júnia, meus parentes e companheiros de prisão, apóstolos exímios que me precederam na fé em Cristo. 8Saudai Amplíato, meu dileto amigo no Senhor. 9Saudai Urbano, nosso colaborador em Cristo, e meu amado Estáquis. 10 Saudai Apeles, homem provado em Cristo. Saudai os da casa de Aristóbulo. 11Saudai Herodião, meu parente. Saudai os da casa de Narciso no Senhor. 12Saudai Trifena e Trifosa, que se afadigaram no Senhor. Saudai a querida Pérside, que muito se afadigou no Senhor. 13Saudai a Rufo, este eleito do Senhor, e sua mãe, que é também minha. 14 Saudai Asíncrito, Flegonte, Hermes, Pátrobas, Hermas e os irmãos que estão com eles. 15 Saudai Filólogo e Júlia, Nereu e sua irmã, e Olimpas, e todos os santos que estão com eles. 16Saudai-vos uns aos outros com o ósculo santo, Todas as Igrejas de Cristo vos saúdam. Advertência. Primeiro post-scriptum — 17Rogo-vos, entretanto, irmãos, que estejais alerta contra os provocadores de dissensões e escândalos contrários ao ensinamento que recebestes. Evitai-os. 18Porque estes tais não servem a Cristo, nosso Senhor, mas ao


próprio ventre, e com palavras melífluas e lisonjeiras seduzem os corações dos inocentes. 19Vossa obediência tornou-se conhecida de todos e sois para mim motivo de alegria. Mas desejo que sejais sábios para o bem e sem malícia para o mal. 20Pois o Deus da paz não tardará em esmagar Satanás debaixo de vossos pés. Que a graça de nosso Senhor Jesus Cristo esteja convosco! Últimas saudações. Segundo post-scriptum — 21Saúda-vos Timóteo, meu colaborador, e também Lúcio, Jasão e Sosípatro, meus parentes. 22Eu, Tércio, que escrevi esta carta, saúdo-vos no Senhor. 23Saúda-vos Gaio, que hospeda a mim e a toda a Igreja. Saúdavos Erasto, administrador da cidade e o irmão Quarto. [24] Doxologia — 25Àquele que tem o poder de vos confirmar segundo o meu evangelho e a mensagem de Jesus Cristo — revelação de um mistérioenvolvido em silêncio desde os séculos eternos, 26agora, porém, manifestado e, pelos escritos proféticos e por disposição do Deus eterno, dado a conhecer a todos os gentios,para levá-los à obediência da fé — 27a Deus, o único sábio, por meio de Jesus Cristo, seja dada a glória, pelos séculos dos séculos! Amém.


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