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Esporte. 24 Joinville sexta-feira, 22 de outubro DE 2010

JEC. Diretor de futebol Nereu Martinelli fala sobre a eliminação tricolor e o futuro do clube

Após o silêncio, o desabafo Elton Carvalho elton@noticiasdodia.com.br

Acabou o silêncio. Após quatro dias, o diretor de futebol Nereu Martinelli finalmente resolveu falar sobre a eliminação do Joinville na Série D. Na tarde

de ontem, ele recebeu a reportagem do Notícias do Dia em sua empresa. Durante quase duas horas, respondeu a várias questões como o sumiço neste período, a possível interferência na escalação do time, as mordomias dos jogadores, o seu

“paternalismo” e o futuro do clube. Martinelli ainda criticou a falta de profissionalismo de alguns segmentos da imprensa, admitiu que esta foi a pior derrota desde a sua entrada no clube e garantiu que só não deixa o JEC

porque outros diretores o acompanhariam. “Meu cargo está vago. Se alguém se julgar mais capacitado, que apareça no Joinville e assuma meu lugar. Eu não preciso do JEC. Tenho os meus negócios para cuidar.” Carlos Júnior/ND

Sumiço

Quem me conhece sabe que eu não fujo da raia. Não falei no domingo porque não tinha nada para falar. Nada que eu dissesse iria justificar esta derrota ou convencer a torcida. Mesmo assim, atendi todos que me procuraram, como vocês (reportagem do Notícias do Dia) e a rádio Cultura. Não tenho como adivinhar quem me liga. O meu telefone toca várias vezes durante o dia (neste momento, Nereu exibiu sete chamadas perdidas em seu celular). A única pessoa que deveria comentar a eliminação era o Leandro (Machado, técnico). Nos últimos dias, tratei das renovações e das dispensas dos jogadores. Portanto, quem disse que eu fugi está errado. Continuei trabalhando para o Joinville junto com o presidente (Marcio Vogelsanger).

Interferências

Muita gente está dizendo que eu escalei o Marcelo Silva e o Charles na decisão. Perguntem ao Leandro (Machado, técnico) se eu fiz isso. Foi o Leandro quem me disse que mudaria o ataque

No Joinville não tem mordomia. Ou vocês vão me dizer que pagar o salário em dia é mordomia? Oferecer uma boa concentração aos atletas é mordomia? Eu ajudo em apenas três coisas: sou fiador dos apartamentos dos atletas, pago o café da manhã de todo o grupo e dou o estoque de isotônico para a comissão técnica. Se eu não fosse o fiador, os atletas nem teriam apartamento para morar porque o Joinville não pode fazer isso. O café da manhã é simples, tem só pão, margarina e o café. O isotônico o Reverson (Pimentel, preparador físico) busca em meu posto. Isso é o mínimo que se pode oferecer para um time de futebol. Nem campo temos para treinar. Contamos com o favor dos clubes amadores. Como podem dizer que tem mordomia no JEC?

No Joinville não tem mordomia. Ou vocês vão me dizer que pagar o salário em dia é mordomia? Oferecer uma boa concentração é mordomia?”

Críticas

Não me preocupo com as críticas. Como dizia o meu amigo Armando Nogueira (jornalista que faleceu neste ano), “os críticos morrem te criticando”. Não fui eu quem fez matéria com o Fabiano dizendo que ele era o melhor goleiro. Não fui eu quem disse que o Rafael Tesser e Eduardo eram os melhores laterais. Eu não transformei o Ricardinho em ídolo. Eu não dei os apelidos de “O Cara” e “Limatador” para o Marcelo Silva e para o Lima. Até a semana passada, todo mundo dizia que o Joinville era o melhor time do Brasileiro da Série D. A verdade é que falta profissionalismo na imprensa. Precisamos de jornalistas mais profissionais e menos torcedores. Desafio os críticos a ocuparem meu cargo. Aposto que não duram 30 dias.

Mordomias

A derrota

Chateado. Nereu Martinelli não concorda com as críticas feitas durante a semana pelos torcedores e imprensa porque os atacantes não faziam gol há quatro jogos. Ele justificou que o Charles e o Marcelo Silva treinaram muito bem no coletivo. Eu nem vi o coletivo. Jamais interferi na escalação do time ou cobrei alguma coisa de treinador.

Precisamos de jornalistas mais profissionais e menos torcedores. Desafio os críticos a ocuparem meu cargo.”

Penso que precisamos dar o direito de o profissional trabalhar com tranquilidade. Por isso, tenho evitado aparecer na Arena. Antes, eu até era mais presente. Agora, para evitar este tipo de comentário, não tenho aparecido. Muita gente da imprensa influencia a opinião da torcida com coisas que não existem.

Paternalismo

Outra coisa que está saindo na imprensa é que eu sou “paizão”, “passava a mão na cabeça demais dos atletas”. Nunca fui à casa de um

atleta. Eu sequer tenho o telefone deles. Para acertar a renovação dos jogadores, precisei pegar uma lista de contatos com o (Gilson, supervisor) Sagaz. Posso confessar que antes fui muito melhor aos jogadores. Hoje em dia, a única coisa que eu ofereço a eles é um “bicho” (premiação aos atletas por vitória) em parceria com meu irmão e outro empresário. Faço isso porque acho necessário no futebol. Dou dinheiro meu, não é do clube. Quando eu anunciar a lista de dispensas, vocês vão ver como não sou “paternalista”. Muitos jogadores, que vocês julgam protegidos, estarão nesta lista.

Isso eu preciso admitir: foi a pior derrota que tive desde que estou no Joinville. Enfrentamos o pior time da Série D e não conseguimos vencer. Faltou determinação, raça dos atletas. Infelizmente, o time tremeu. Mas eu não tenho culpa se o Charles escorregou na área, se perdemos vários gols etc. Estou muito tranquilo em relação a isso. Quem acha que eu sou o culpado pode assumir meu cargo. Meu cargo está vago. Se alguém se julgar mais capacitado, que apareça no Joinville e assuma meu lugar. Eu não preciso do JEC. Tenho os meus negócios para cuidar. Não faço nada por interesse no Joinville. Faço porque amo esta cidade e o clube. Hoje, sou o maior credor que o Joinville pode ter. Mas nunca irei cobrar nada.

notícias do dia Joinville sexta-feira, 22 de outubro DE 2010

Centralização

Não decido nada sozinho. Nas contratações, sempre tenho a opinião do presidente (Marcio Vogelsanger) e do treinador, em algumas ocasiões. Agora, será da mesma maneira. Decidirei ao lado do presidente e do Leandro (Machado, treinador). Posso até ter errado em algumas contratações, mas ninguém erra porque quer, principalmente as pessoas que doam seu tempo pelo Joinville. Recebi duas propostas do Avaí para trabalhar como diretor de futebol lá, mas não aceitei porque gosto do Joinville e da cidade. Fui eu quem pediu a contratação de um gerente de futebol. Vou escolher esta pessoa a dedo e ela não será da cidade. Será um profissional com experiência em gestão do futebol, mas ele não decidirá quais serão as contratações.

Não vou receber ordem de ninguém. Nunca recebi na vida, não será agora aos 56 anos que eu receberei. As pessoas falam muito em profissionalização do futebol, mas esquecem que o Joinville já fez isso em 2008.” Nova gestão?

Não vou receber ordem de ninguém. Nunca recebi na vida, não será agora aos 56 anos (Nereu Martinelli faz aniversário hoje) que eu receberei. As pessoas falam muito em profissionalização do futebol, mas esquecem que o Joinville já fez isso. Em 2008, todo o staff do Vanderlei Luxemburgo esteve aqui, foi gasto muito dinheiro e os resultados foram piores que os nossos. Hoje, as contratações são feitas na base do relacionamento e amizade com outras pessoas. O gerente de futebol nos ajudará a observar jogadores e fará todo o trabalho junto a eles. Será mais ou menos o que o Lico (Nunes, gerente do JEC em 2001) fazia. Se eu pudesse citar um exemplo, traremos um profissional como era o Márcio Meller (ex-dirigente do Avaí, que faleceu).

Saída?

Em nenhum momento eu pensei em sair do Joinville. A menos que algum conselheiro se pronuncie na reunião de hoje (ontem, o conselho deliberativo do Joinville esteve reunido na sede da Acij para avaliar o desempenho e projetar o futuro do clube) e peça para assumir meu lugar. Hoje, se eu sair, mais diretores do Joinville também sairão. Tivemos uma eleição recentemente e nenhu-

ma chapa apareceu para concorrer. Só a nossa. Por isso, eu repito: meu cargo está vago. Se alguém se julgar mais capacitado, que apareça no Joinville e assuma meu lugar. Eu não preciso do JEC. Tenho os meus negócios para cuidar. E não adianta profissionalizar o departamento de futebol. Nem a empresa do (Vanderlei) Luxemburgo conseguiu resolver.

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De saída. Fabrício Porto/ND

Histórico. Nereu Martinelli já figurava no Joinville desde 1998, quando era apenas conselheiro. Logo após a saída da gestão Vilson Florêncio, assumiu o cargo de diretor financeiro. Em 2000, foi campeão estadual. Em 2001, participou das contratações de Zé Carlos, Adão, Fabrício, Marlon, Selmir e Luiz Fernando para o time bicampeão. Em 2005, retornou ao clube como diretor de futebol e deixou o cargo em 2006. Nas eleições de 2008, fez parte da chapa “Recomeçar” e voltou a ser diretor de futebol, cargo que ocupa até hoje.

Quem fica

O Lima vai continuar. Pode anotar aí: ele tem contrato até o fim de 2011 e continuará no clube. Muita gente reclama, diz que eu sou o “pai” do Lima e, realmente, eu o ajudo bastante. O Lima foi o único jogador, que não é formado pela base, responsável por um grande lucro ao clube. Ele não se adaptou à Coreia, mas trouxe muito dinheiro. As pessoas não têm ideia do valor. Além disso, é o melhor atacante que passou por aqui. Se alguém conseguir um melhor, me avise que eu o dispenso. Eu também gostaria que o Rafael Tesser ficasse. Não há nenhum lateral-direito melhor do que ele. Muitos o criticam sem razão, mas no domingo ele correu até os últimos minutos. O certo é que não ficarão mais do que dez jogadores.

Quem acha que eu sou o culpado pode assumir meu cargo. Meu cargo está vago. Se alguém se julgar mais capacitado, que apareça e assuma meu lugar. Eu não preciso do JEC. Tenho os meus negócios para cuidar.”

Fim do ciclo. Meia Marcelo Silva teve três passagens pelo Joinville, mas não conquistou títulos relevantes

Marcelo Silva e Fabiano deixam o JEC Antônio Tomaz

sagens por aqui e queria fechar com chave de ouro. Infelizmente, não foi possível. Acho que a torcida quer A diretoria do JEC não confir- algo novo. Acabei me apegando mou, mas os dois primeiro joga- ao JEC a ponto de não ser mais um dores a deixarem o clube serão o jogador e sim um torcedor e nunca goleiro Fabiano e o meia-atacante vou deixar de torcer”, afirmou. Marcelo Silva. Os dois estão com a O jogador revelou que tinha conrescisão pronta, que deve ser assi- dições de viajar para Manaus e não nada. De acordo com o presidente foi por opção da comissão técnica. Marcio Vogelsanger, no máximo dez “Eu queria muito ter ido. Na segunjogadores permanecerão no elenco. da-feira, estava liberado e comecei O atacante Pantico e o lateral Rafael os trabalhos físicos. Na sexta-feira, Tesser negociam a permanência. fui liberado para o jogo. Viajaram 20 O goleiro Fabiano não foi encon- jogadores, ficou só eu e o Luis Antrado pela reportagem dré, que estava suspendo Notícias do Dia, mas so. Acho que eu poderia o meia-atacante Mar“Tive três ter viajado e ajudado o celo Silva falou sobre a passagens por aqui Joinville. Depois, entrei eliminação. O jogador e queria fechar aqui com a missão de com chave de afirmou que ainda não resolver. E acho que fiz conversou com a direto- ouro. Infelizmente, o que pude”, revelou. ria sobre a situação dele não foi possível.” Marcelo Silva tamno clube. “Tive três pasMarcelo Silva bém falou sobre o gruantoniotomaz@noticiasdodia.com.br

po estar rachado por causa dele. “Não fiquei sabendo de nada. Mas é sempre assim, quando o time perde, todos procuram culpados. Tenho 32 anos e já passei por situações como esta. Se perde, todos perdem junto e, se ganham, todos ganham juntos. O torcedor pode ter certeza que eu não queria que fosse assim, que entrei em campo e dei o meu máximo.” O meia-atacante reforçou que ainda não decidiu o futuro e deve resolvê-lo na próxima semana. “Tenho contrato com o JEC até o fim do ano e todos os jogadores devem se reapresentar na segunda-feira.” Enquanto prepara as rescisões, a diretoria também trabalha nas renovações. Entre os que devem ficar estariam o goleiro Paulo Sérgio, o lateral Rafael Tesser, o zagueiro Souza, os meias Ricardinho e Marcelinho e o os atacantes Lima, Cris e Pantico.

PUBLICAÇÃO LEGAL

Atletas do Cruzeiro

Está na minha pauta resolver esta questão. Tentei durante o ano falar com o Eduardo Maluf (ex-dirigente do Cruzeiro), mas ele deixou o clube e foi para o Atlético-MG. Cansei de ligar e fazer propostas. Agora, estou procurando outro dirigente. Enviei algumas pessoas a Belo Horizonte, mas não encontramos quatro jogadores com potencial para ajudar o Joinville. Então, vou fazer valer o contrato. Se não vierem quatro, tem de vir pelo menos um com o salário dos quatro (o Cruzeiro ajudará o JEC com R$ 5 mil de salário para cada atleta). Agora, irei procurar o Cuca (atual técnico do Cruzeiro) para nos ajudar nesta questão. O Joinville precisa fazer valer o seu direito de um jeito ou de outro. Ou vem jogador ou vem dinheiro.

Secretaria de Estado da Comunicação Diretoria de Divulgação LISTAGEM OFICIAL DOS EDITAIS DO GOVERNO DE SANTA CATARINA PORTO DE SÃO FRANCISCO DO SUL

AVISO DE LICITAÇÃO Pregão Presencial n° 0033/2010 Objeto: Aquisição de material para confecção de crachás informatizados de acesso á área portuária do Porto de São Francisco do Sul. Entrega dos Envelopes: Até às 14:00 horas do dia 04.11.2010. Abertura dos Envelopes: Às 14:15 horas do dia 04.11.2010. Local para leitura, obtenção de cópia do Edital e informações: O Edital poderá ser obtido através da Internet no site www.apsfs. sc.gov.br, ou junto a Comissão Permanente de Licitação do Porto de São Francisco do Sul, situado na Avenida Engenheiro Leite Ribeiro, 782, em São Francisco do Sul – SC, o horário de atendimento é das 08 às 11 e das 14 às 17 horas, em dias úteis. Fone/Fax: (47) 3471.1205 / (47) 47 3471.1204 E-mail: licitacao@apsfs.sc.gov.br São Francisco do Sul – SC, 21 de Outubro de 2010. CPL/APSFS.


Entrevista Nereu Martinelli