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notícias do dia Joinville sexta-feira, 30 de julho DE 2010

arquivo/joyce reinert/ND

22

Placar.

elton@noticiasdodia.com.br

Elton Carvalho

R

Arena

ecebi ontem a visita do gerente de patrimônio da Felej, José Novaes Cruz, que trouxe um relatório de ações da Prefeitura no estádio (veja abaixo). Segundo ele, há muitas obras para fazer, mas a Felej está trabalhando na Arena. “O que reparamos são coisas que não aparecem tanto. Nosso maior problema é a infraestrutura”, explica. A Felej alega que perde tempo corrigindo defeitos que não deveriam existir. De fato, há algo errado na Arena. Não sou engenheiro, mas não faz sentido uma obra recente ter tantas rachaduras e desníveis como o estádio apresenta.

Em minha opinião, uma das possíveis explicações para estes problemas da Arena é a precoce inauguração da segunda etapa do estádio em 26 de junho de 2007. Naquela época, os acessos ao terceiro piso, fechados neste ano a pedido do TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), estavam abertos, colocando em risco a vida dos torcedores. Diante destes casos, três perguntas ficam no ar: por que a segunda etapa não foi concluída; se não estava concluída por que foi inaugurada; e como o estádio ficou tantos anos sem estes reparos?

Arena Relatório de Obras da Felej Adequação dos vestiários (piso, aquecedor, pintura e impermeabilização)

Adequação do sistema preventivo de incêndio (extintores e luzes de emergência)

Fechamento dos acessos ao terceiro anel, no setor laranja e verde

Lavação das arquibancadas e parte interna do complexo

Implantação de grade dupla para separar as torcidas Colocação de rede no fosso Guarda-corpo no último degrau da arquibancada descoberta Proteção de vidro na coberta para isolar os torcedores do banco de reservas Túnel removível para acesso de jogadores e árbitro Toldo de acesso ao gramado Mudança do sistema de gás (subterrâneo para aéreo) Reativação do elevador Permissão de uso do estacionamento para a Adej

Mais Arena

Conserto e manutenção de alguns pontos das instalações hidráulicas Colocação de portão nos fundos (entrada dos visitantes) Implantação de câmeras de segurança e do sistema de alarme da sede da Felej Construção de espaço para cadeirantes no andar dos camarotes Colocação de fitas antiderrapantes nas escadas de granito Pintura do estádio (em licitação) Instalação de placar eletrônico de 1,5 x 7m em alta definição (processo de chamamento público).

A primeira pergunta da nota anterior foi respondida no ano passado, pelo ex-prefeito Marco Tebaldi, um dos idealizadores da obra. Em matéria publicada pelo Notícias do Dia, na edição de 26 e 27 de setembro, ele explicou que a escassez de recursos impediu a conclusão da segunda etapa da Arena. “Imaginávamos que o restante do dinheiro viria da venda de espaços para a iniciativa privada. Isso, infelizmente, não aconteceu.” Mas as perguntas seguintes continuam sem resposta. Por isso, em minha opinião, a precoce inauguração da segunda etapa do estádio foi o maior erro cometido pelas autoridades.

Reparos. Felej garante estar trabalhando o tempo todo para deixar a Arena mais adequada ao torcedor

O passado

Pesquisando em jornais da época, encontrei uma declaração otimista, da época em que a Arena Joinville ainda era batizada como Complexo Poliesportivo, Cultural e de Lazer. Infelizmente, analisando o atual estado da obra, dificilmente veremos este sonho se concretizar. Em 2 de julho de 2003, data que marcou a pedra fundamental da obra, o então prefeito Marco Tebaldi disse que “alguns erros cometidos na arena do Atlético-PR não acontecerão na nossa. Tenho certeza que estamos iniciando a construção do mais confortável, seguro e moderno estádio do Brasil.”

O futuro

Vale lembrar que o erro do passado não tira a responsabilidade da atual administração. Por isso, estou acreditando que o relatório apresentado pela Felej não termine por aqui. Segundo José Novaes Cruz, a pintura do estádio e a instalação do placar eletrônico são as próximas prioridades. Mas é preciso dar mais opções de acesso ao torcedor, mais conforto – concluindo o estádio ou montando a cobertura – instalar cadeiras em todas as arquibancadas, adequar os banheiros e, o principal: tornar o estádio auto-sustentável, ocupando os espaços vazios na estrutura.

5 anos e dez

mais de

30 milhões de reais foram

meses é o tempo de existência da Arena Joinville.

gastos na obra até o momento.

10 milhões

10 milhões

de reais é o custo estimado para ampliação para 30 mil pessoas.

de reais é o preço mínimo estimado para a cobertura do estádio.

22 mil

reais é o custo mensal de manutenção da Arena aos cofres da Felej

Do leitor

O leitor Marcos Dias de Oliveira envia e-mail à coluna relatando um fato ocorrido com seu pai, João Dias de Oliveira, de 74 anos. No último jogo do JEC na Arena, contra o Oeste-SP, pelo Brasileiro da Série D, João escorregou numa mistura de poça d’água e limo, nas proximidades de uma das rampas de acesso à arquibancada. Ele caiu e bateu o rosto na mureta, sofrendo um forte arranhão próximo ao olho esquerdo. O fato não é novidade. Ouvi várias vezes relatos parecidos com este. Para evitar novos casos, Marcos cobra mais agilidade da Felej nas obras da Arena e questiona: quando o estádio será definitivamente concluído?

A pergunta de Marcos Dias de Oliveira é excelente, mas penso que dificilmente teremos uma resposta para este questionamento. Até o momento, não há nenhum movimento do governo municipal, estadual ou federal para concluir a Arena Joinville. Segundo o gerente de patrimônio da Felej, a lavação das arquibancadas também é responsabilidade do Joinville Esporte Clube. Felej e JEC dividem a função. Esta coluna ganhou mais espaço hoje excepcionalmente por conta da discussão envolvendo a Arena. Acredito que ela é válida e necessária, pois se trata um equipamento público concebido sob as mais rígidas normas da Fifa. Quem me disse que a Arena foi projetada obedecendo as mais rígidas normas da Fifa foi o engenheiro da Arena, Clóvis Dobner, no ano passado. Ele até me mostrou o caderno de exigências da entidade, utilizado na construção do estádio. Os números ao lado foram revelados pelo presidente da Felej, Jorge Nascimento, o ex-prefeito Marco Tebaldi e o engenheiro Clóvis Dobner. Eles, na verdade, já foram publicados em 26 e 27 de setembro de 2009. Como estamos próximos do sexto aniversário do estádio, julguei interessante republicálos, até para eles não caírem no esquecimento.


Coluna Arena