Page 1

MANUAL DE

O GUIA FUNDAMENTAL PARA DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DE PEQUENOS ANIMAIS DESDE CUIDADOS DE EMERGÊNCIA ATÉ PROCEDIMENTOS DE ROTINA A 9ª edição atualizada de Kirk & Bistner — Manual de Procedimentos Veterinários e Tratamento Emergencial abrange a conduta em situações de emergência e estratégias para lidar com centenas de desafios de diagnósticos e tratamentos não emergenciais em pequenos animais. O formato prático proporciona acesso rápido a informações essenciais — tornando-o indispensável em situações de emergência —, além de ser convenientemente organizado por sistemas corporais e por sinais observados, a fim de auxiliar a elaboração do diagnóstico e tratamento em todas as situações clínicas. Características da consulta fácil e rápida do manual: ‡ Métodos comprovados para reconhecer e tratar emergências, além de informações importantes para a prática diária. ‡ Instruções passo a passo para os principais procedimentos clínicos de emergência e não emergencial. ‡ Dicas e soluções práticas para a realização de um exame completo no animal de pequeno porte. ‡ Diretrizes claras e concisas para a avaliação de sinais clínicos e de dados de testes laboratoriais. ‡ Guia de referência rápida para o tratamento do paciente em emergência. ‡ Formulário de medicamentos abrangente, com medicamentos de emergência em destaque para consulta rápida. ‡ Informações atualizadas sobre avaliação, prevenção e tratamento da dor. ‡ Informações completas sobre a conduta em envenenamento e emergências toxicológicas. ‡ As mais recentes diretrizes sobre vacinação e protocolos recomendados.

Classificação de Arquivo Recomendada EMERGÊNCIA DE PEQUENOS ANIMAIS CLÍNICA DE PEQUENOS ANIMAIS

www.elsevier.com.br/veterinaria

MANUAL DE

9ª EDIÇÃO

PROCEDIMENTOS VETERINÁRIOS E TRATAMENTO EMERGENCIAL

PROCEDIMENTOS VETERINÁRIOS E TRATAMENTO EMERGENCIAL

KIRK & BISTNER

FORD MAZZAFERRO

KIRK & BISTNER

MANUAL DE

PROCEDIMENTOS VETERINÁRIOS E TRATAMENTO EMERGENCIAL

KIRK & BISTNER

5,&+A5D )25D ‡ EL,6A M MA==A)E552 9ª EDIÇÃO

TRADUÇÃO DADA 9ª 9ª EDIÇÃO TRADUÇÃO EDIÇÃO


KIRK & BISTNER C0040.indd i

MANUAL DE

PROCEDIMENTOS VETERINÁRIOS E TRATAMENTO EMERGENCIAL

10/01/13 12:12 PM


Dedicatória

Dr. Robert W. Kirk 22 de maio de 1922 – 19 de janeiro de 2011 Clínico, educador, professor dedicado. Um homem cujo compromisso e contribuições à medicina de animais de companhia são globais na extensão e lendários no escopo.

C0040.indd ii

10/01/13 12:12 PM


KIRK & BISTNER

MANUAL DE

PROCEDIMENTOS VETERINÁRIOS E TRATAMENTO EMERGENCIAL 9ª EDIÇÃO Richard B. Ford, DVM, DACVIM, DACVPM Professor of Medicine Department of Clinical Sciences College of Veterinary Medicine North Carolina State University Raleigh, North Carolina Diplomate, American College of Veterinary Internal Medicine Diplomate (Honorary), American College of Preventive Medicine

Elisa Mazzaferro, MS, DVM, PhD, DACVECC Director of Emergency Services Wheat Ridge Veterinary Specialists Wheat Ridge, Colorado Diplomate, American College of Veterinary Emergency and Critical Care

C0040.indd iii

10/01/13 12:12 PM


©2013 Elsevier Editora Ltda. Tradução autorizada do idioma inglês da edição publicada por Saunders – um selo editorial Elsevier Inc. Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/1998. Nenhuma parte deste livro, sem autorização prévia por escrito da editora, poderá ser reproduzida ou transmitida sejam quais forem os meios empregados: eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravação ou quaisquer outros. ISBN: 978-85-352-5435-8 ISBN (versão eletrônica): 978-85-352-6781-5 Copyright © 2012 by Saunders, an imprint of Elsevier Inc. Previous editions copyrighted 2006, 2000, 1995, 1990, 1985, 1981, 1975, 1969 This edition of Kirk and Bistner's Handbook of Veterinary Procedures and Emergency Treatment, 9th edition by Richard B. Ford, Elisa Mazzaferro is published by arrangement with Elsevier Inc. ISBN: 978-1-4377-0798-4 Capa Folio Design Editoração Eletrônica Thomson Digital Elsevier Editora Ltda. Conhecimento sem Fronteiras Rua Sete de Setembro, n° 111 – 16° andar 20050-006 – Centro – Rio de Janeiro – RJ Rua Quintana, n° 753 – 8° andar 04569-011 – Brooklin – São Paulo – SP Serviço de Atendimento ao Cliente 0800 026 53 40 sac@elsevier.com.br Consulte também nosso catálogo completo, os últimos lançamentos e os serviços exclusivos no site www.elsevier.com.br Nota O conhecimento em veterinária está em permanente mudança. Os cuidados normais de segurança devem ser seguidos, mas, como as novas pesquisas e a experiência clínica ampliam nosso conhecimento, alterações no tratamento e terapia à base de fármacos podem ser necessárias ou apropriadas. Os leitores são aconselhados a checar informações mais atuais dos produtos, fornecidas pelos fabricantes de cada fármaco a ser administrado, para verificar a dose recomendada, o método e a duração da administração e as contraindicações. É responsabilidade do veterinário, com base na experiência e contando com o conhecimento do dono do animal, determinar as dosagens e o melhor tratamento para cada um individualmente. Nem o editor nem o autor assumem qualquer responsabilidade por eventual dano ou perda a pessoas, animais ou a propriedade originada por esta publicação. O Editor CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ F794m Ford, Richard B. Kirk & Bistner, Manual de Procedimentos Veterinários e Tratamento Emergencial/ Richard B. Ford, Elisa M. Mazzaferro; [tradução Ana Helena Pagotto... et al.]. - Rio de Janeiro: Elsevier, 2012. 776p.: 24cm. Tradução de: Kirk and Bistner's handbook of veterinary procedures and emergency treatment, 9th ed. Inclui bibliografia e índice ISBN 978-85-352-5435-8 1. Veterinária. 2. Primeiros socorros para animais. I. Kirk, Robert Warren, 1922-. II. Bistner, Stephen I. III. Mazzaferro, Elisa M. IV. Título. 12-4685.

C0045.indd iv

CDD: 636.0896025 CDU: 619:616-083.98

10/01/13 11:39 AM


Revisão Científica e Tradução REVISORES CIENTÍFICOS Karina Velloso Braga Yazbek Graduada em Medicina Veterinária pela Universidade Paulista (UNIP) Residência no Hospital Veterinário da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP) Doutorado no Departamento de Cirurgia da FMVZ-USP Especialista em Dor pela Sociedade Brasileira de Dor (SBED) Ricardo Duarte Mestre e Doutor em Clínica Veterinária pelo Departamento de Clínica Médica da FMVZ - USP Professor de Clínica Médica de Animais de Pequeno Porte das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) Teresinha Luiza Martins Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo Anestesista Veterinária TRADUTORES Adriana de Siqueira Médica Veterinária pela Universidade Federal do Paraná Mestre pelo Departamento de Patologia da FMVZ - USP Doutoranda no Departamento de Patologia da FMVZ - USP Alcir Costa Fernandes Filho Graduado em Inglês pelo Instituto Brasil-Estados Unidos Certificado de Proficiência em Inglês - University of Michigan Tradutor Inglês/Português pela Universidade Estácio de Sá Aldacilene Souza da Silva Doutora em Imunologia pela USP Mestre em Imunologia pela USP Médica Veterinária pela FMVZ-USP Ana Helena Pagotto Médica Veterinária, Técnica de Apoio à Pesquisa Científica do Instituto Butantan Doutora em Ciências pela Fundação Antonio Prudente Mestre em Ciências pela Fundação Antonio Prudente Daniel Rodrigues Stuginski Mestre em Ciências pelo Instituto de Biociências da USP Médico Veterinário pela FMVZ-USP Dominguita Lühers Graça PhD pela University of Cambridge, Reino Unido

v

C0050.indd v

09/01/13 8:43 AM


VI

REVISÃO CIENTÍFICA E TRADUÇÃO

Professora Titular Aposentada do Departamento de Patologia e Professora Voluntária do Departamento de Clínica de Pequenos Animais da Universidade Federal de Santa Maria, RS Felipe Gazza Romão Mestre pelo departamento de Clínica Veterinária da FMVZ-UNESP, Botucatu, SP Ex-residente da Clínica Médica de Pequenos Animais da FMVZ-UNESP, Botucatu, SP Keila Kazue Ida PhD Student Anestesiologia da Faculdade de Medicina da USP Department of Neuroinflammation, Institute of Neurology (Queen Square), University College London (UCL) Lidianne Narducci Monteiro Médica Veterinária graduada pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) Especialista em Patologia Veterinária pela FMVZ-UNESP, Botucatu, SP Mestranda em Patologia pela Faculdade de Medicina da UNESP, Botucatu, SP Marcelo Fernandes de Souza Castro Mestre em Anatomia Veterinária pela USP (doutorando) Professor de Anatomia Descritiva dos Animais Domésticos da UNIP (Campinas, São José dos Campos e São Paulo) Professor de Anatomia Topográfica Veterinária da UNIP (Campinas, São José dos Campos e São Paulo) Maria Eugênia Laurito Summa Médica Veterinária pela USP Silvia Mariangela Spada Bacharel em Letras pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP Especialista em Tradução pela USP Thaís Rosalen Fernandes Médica Veterinária Patologista pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM), SP Residência em Patologia Veterinária pela FMVZ-UNESP Mestranda em Patologia Veterinária pela FMVZ-UNESP

C0050.indd vi

09/01/13 8:43 AM


Apresentação A 9ª edição de Kirk & Bistner – Manual de Procedimentos Veterinários e Tratamento Emergencial é um exemplo do ritmo das mudanças que ocorrem na medicina veterinária atualmente. O médico veterinário e o paciente continuam a se beneficiar dos impressionantes avanços tecnológicos em emergência e medicina de cuidados críticos, em testes diagnósticos e em terapia. Como editores desta edição, realizamos esforços significativos para incluir técnicas atuais de diagnóstico, procedimentos e recomendações de tratamento consistentes com os padrões de cuidados na medicina de animais de companhia. Para facilitar ␱ acesso rápido e fácil às informações, o texto é dividido em seis seções distintas, com ênfase especial à Seção 1, Cuidados de Emergência. Essa seção é organizada para facilitar o acesso rápido às recomendações de diagnóstico e tratamento do paciente em emergência e para aqueles que necessitam de cuidados críticos. Estão incluídas subseções importantes sobre Manejo Pré-hospitalar, Triagem e Manejo Iniciais de Emergência, Procedimentos de Emergência, Avaliação e Controle da Dor e Tratamento de Emergência de Condições Específicas. As seções 2 a 5 se baseiam nas estratégias diagnósticas, incluindo a avaliação do paciente, identificação de problemas, procedimentos de rotina e avançados e exames/interpretações laboratoriais. Cada uma dessas quatro seções aborda aspectos específicos da apresentação clínica do paciente. A Seção 2, Avaliação do Paciente e Exame dos Sistemas Orgânicos, se baseia na avaliação inicial do paciente e inclui o uso de modelos de registros médicos e planos para diagnósticos avançados. A Seção 3, Sinais Clínicos, consiste em uma abordagem a diagnósticos diferenciais baseada no problema e é reformulada de tal maneira que o problema do paciente seja representado a partir da perspectiva do cliente — do mesmo modo que os problemas são apresentados na prática clínica. A Seção 4 trata do diagnóstico de rotina e do avançado, assim como dos procedimentos terapêuticos. Os procedimentos avançados são agora apresentados em um formato órgão-sistema, para facilitar o acesso aos procedimentos diagnósticos atuais que podem ser necessários ao se avaliar casos complexos. A Seção 5, Diagnóstico Laboratorial e Protocolos de Exame, é uma referência sucinta e altamente estruturada para a realização de testes diagnósticos de rotina e avançados em cães e gatos. Cada teste representado inclui informações sobre a preparação do paciente, o protocolo de teste, o tipo de amostra a ser coletada em comparação ao tipo de amostra a ser submetida ao laboratório, a interpretação dos resultados, entre outras. A Seção 6 consiste em uma compilação das tabelas e quadros clinicamente pertinentes que foram extensivamente revisados e atualizados. Algumas das tabelas incluídas fornecem informações sobre o protocolo Anual de Vacinação para Cães e Gatos nos Estados Unidos e Indicações e Dosagens Comuns de Drogas. Foi o Dr. Robert Kirk que, em 1969, publicou a 1ª edição deste texto. São ao Dr. Kirk que podem ser atribuídos os créditos por estar entre os primeiros acadêmicos que reconheceram o papel exclusivo dos cuidados de emergência na medicina veterinária. Foi essa visão que basicamente acarretou o desenvolvimento e o crescimento de práticas de especialidade na medicina de emergência e de cuidados críticos. Todos nós temos uma dívida com o Dr. Kirk por seu compromisso e dedicação à medicina veterinária. Lamentavelmente, Dr. Kirk faleceu em janeiro de 2011. Entretanto, suas inúmeras contribuições continuarão a prestar serviços à profissão pelos muitos anos que virão. Temos a honra de dedicar esta edição do manual ao Dr. Kirk. Richard B. Ford, DVM, MS Elisa M. Mazzaferro, MS, DVM, PhD vii

C0055.indd vii

10/01/13 11:56 AM


Prefácio

TRATANDO DAS NECESSIDADES DO VETERINÁRIO Um conhecimento completo das manifestações clínicas de doenças comuns, assim como de métodos para os seus diagnósticos e tratamentos é essencial para a compreensão da importância dos resultados dos testes. A 9ª edição ampliada e atualizada deste texto de referência essencial é organizada em seis seções para proporcionar rápido acesso a informações relevantes sobre os sinais clínicos da doença, da avaliação do paciente, dos cuidados de emergência, de procedimentos diagnósticos e terapêuticos e diagnósticos laboratoriais, assim como a quadros de valores normais, protocolos de vacinação e formulários de medicamentos. Estudantes de veterinária considerarão este texto um auxiliar útil a seus estudos. O livro fornece uma rápida referência que permite ao estudante revisar rapidamente as aplicações clínicas dos conceitos básicos, enquanto estuda cursos de base, como anatomia e fisiologia, além de cursos mais avançados nas áreas de patologia clínica, radiologia e farmacologia. Espero que veterinários e estudantes de veterinária incluam este valioso recurso em sua biblioteca particular. Margi Sirois, EdD, MS, RVT

ix

C0060.indd ix

08/01/13 4:18 PM


Sumário

SEÇÃO 1 Cuidados de Emergência, 1 SEÇÃO 2 Avaliação do Paciente e Exame dos Sistemas Orgânicos, 293 SEÇÃO 3 Sinais Clínicos, 379 SEÇÃO 4 Procedimentos Diagnósticos e Terapêuticos, 437 SEÇÃO 5 Diagnóstico Laboratorial e Protocolos de Exames, 546 SEÇÃO 6 Quadros e Tabelas, 629 Raças de Cães Reconhecidas pelo American Kennel Club (AKC), 630 Raças de Gatos Reconhecidas pela Cat Fanciers’ Association (CFA), 632 Informações Úteis sobre Roedores e Coelhos, 633 Determinação do Sexo de Coelhos e Roedores Sexualmente Maduros e Imaturos, 635 Valores Hematológicos e Bioquímica Sanguínea de Roedores e Coelhos, 636 Furões – Dados Fisiológicos, Anatômicos e Reprodutivos, 637 Valores Hematológicos para Furões Normais, 637 Bioquímica Sanguínea para Furões Normais, 638 Dados Eletrocardiográficos para Furões Normais, 638 xi

C0065.indd xi

08/01/13 10:54 AM


XII

SUMÁRIO

Conversão do Peso Corporal em Quilogramas para Área de Superfície Corporal em Metros Quadrados para Cães, 639 Conversão do Peso Corporal em Quilogramas para Área de Superfície Corporal em Metros Quadrados para Gatos, 639 Tabela de Conversão Francesa, 640 Guia de Conversão do Sistema Internacional de Unidades (SI), 641 Unidades de Comprimento, Volume e Massa no Sistema Métrico, 644 Vacinas Licenciadas para Uso em Cães nos Estados Unidos, 645 Vacinas Licenciadas para Uso em Gatos nos Estados Unidos, 647 Recomendações de Vacinação em Cães — Esquema Inicial do Filhote, 649 Recomendações à Vacinação de Cães – Adultos, 650 Recomendações para Vacinação de Gatos – Série Inicial para Filhotes, 651 Recomendações para Vacinação de Gatos – Adultos, 652 Compêndio da Prevenção e Controle da Raiva Animal, 2005 Associação Nacional dos Veterinários do Estado em Saúde Pública (NASPHV), 652 Referências Escritas de Prescrição: o que Fazer e o que Não Fazer, 660 Indicações e Doses de Medicamentos de Uso Rotineiro, 661

Índice, 729

C0065.indd xii

08/01/13 10:54 AM


REFERÊNCIA RÁPIDA PARA O TRATAMENTO DO PACIENTE NA EMERGÊNCIA A Abdômen condição aguda, 77 Abdominocentese (Paracentese), 7 Aborto espontâneo, 138 Acidose metabólica, 33q Alcalose metabólica, 33q Analgesia α2-antagonistas para, 70t epidural, 76 Anestesia despertar durante, 97t epidural, 76 local, infusão, 58f Ânion gap, 39 Arritmias cardíacas, 119 Asma, 267 Azotemia pós-renal, 290 pré-renal, 288

B Bandagem, 9 Bradiarritmias, 122 Bronquite, em gatos, 266 medicamentos utilizados no tratamento de, 267 Bufotoxina, envenenamento por, 151

C Capnometria, 49 Cateterização arterial de demora, manutenção de, 64 intraósseo, 64 percutânea da artéria femoral, 63 veia cefálica, 61 Cérebro (Telencéfalo), lesões no, 362 Cetoacidose diabética, 177 Choque anafilático, 92 cardiogênico, 278 elétrico, 133 hipovolêmico, 277 por calor, 145 séptico, 277 Coagulação, 583 no choque, 284 tempos de coagulação, 564t testes, 586 Coagulação intravascular disseminada, 99 Colapso de traqueia, 257 Colapso laríngeo, 257 Coma, 190 diabético, 192 escala de coma, 191t hepático, 192 Contusões pulmonares, 267 Corpos estranhos em emergências respiratórias, 257 na cavidade oral, 158f no ânus/reto, 163 no esôfago, 159 no intestino grosso, 163 no jejuno, 162f oculares, 199

D Déficits/necessidades hídricas, 40 Dermatite bacteriana, 333t Diabetes hiperosmolar não cetótico, 178

C0070.indd xiii

Dilatação volvogástrica (DVG), 164 Distocia, 137 Distúrbios hemorrágicos, 97 Doença do trato urinário inferior dos gatos, 291 Dor aguda, 65 crônica, 67 definição, 403

E Ecstasy, toxicidade, 236 Edema, 92 angioneurótico, 91q pulmonar, 268 Emergências cardíacas, 110 gástricas, 159 metabólicas, 175 neurológicas, 184 Emergências oncológicas, 204 na cavidade torácica, 207 síndromes paraneoplásicas nas, 205t toxicidade relacionada à quimioterapia, 209 Emergências do trato urinário, 288 Emergências oculares, 195 abrasão corneana das pálpebras, 198 corpo estranho ocular nas pálpebras, 199 da pálpebra, 196 glaucoma agudo, 202 hemorragia subconjuntival das pálpebras, 197 hifema, 200 laceração conjuntival, 197 lesão corneana penetrante, 199 lesões químicas nas pálpebras, 197 proptose, 201 Eméticos, 218t Enema, uso do, 219 Epididimite, 141 Epistaxe, 270

F Fluidoterapia, 40 Feridas aberta, contaminada e infectada, 8 classificação e tratamento das, 272 fechada, 10 tecido mole, superficial, 274 Fisiologia ácido-básica, 34 Fluidos corporais, 559 Fraturas imobilização de, 11 osso peniano, 142 tratamento, 153

G Gasometria arterial e venosa, 577 Gastrite aguda, 170 Gastroenterite hemorrágica, 170 Glaucoma agudo, 202 secundário, a hifema, 202

H Hemostasia, 583 Hemotórax, 264 Hérnia de disco, 187 diafragmática, 265 estrangulada, 169

08/01/13 11:24 AM


Hipercalcemia, 180 Hipercalemia, 36q Hipernatremia, 39q Hipertensão sistêmica, 174 fármacos, 176t Hipertermia, 145 maligna, 146 Hipocalcemia (Tetania puerperal), 179 Hipocalemia, 37q Hipoglicemia, 179 Hiponatremia, 38q Hipotensão, 95 Hipotermia, 145 Hipóxia, tipos de, 46t

I Insuficiência cardíaca congestiva em, 125 Insuficiência renal adrenocortical aguda (HAC, Doença de Addison), 180 intrínseca, 289 Intestino delgado obstrução do, 160 volvo mesentérico do, 167 Intoxicação por rodenticida antagonista de vitamina k, 104 Intubação nasoesofágica, 503 Intussuscepção aguda, 163

L Laparotomia exploratória, 82 Lavagem endotraqueal em cães, 544f em gatos, 538f procedimento, 536 Lavagem orogástrica, 45 Lesão cabeça, 184 medula espinhal, 187 ligamentos, 156 tecidos moles, 272 Lesão química, 109

M-N Medula espinhal, lesão, 187 Meningite, sinais clínicos, 83t Metrite aguda, 136 Micção descontrolada, 418 Mucosa oral, exame, 308 Neurológicas, emergências, 184

O Obstipação, 168 Obstrução das vias aéreas superiores diagnóstico diferencial da, 255q tratamento da, 256 Orquite infecciosa, 141 Otite externa/interna, 132 Oxigênio nasal, 47 Oxigenioterapia, 45 Oximetria de pulso, 48

P Paciente com descompensação rápida, 6 Pancreatite, 171 Parada cardíaca, 110 Parafimose, 143 Paralisia laríngea, 256 Perfuração intestinal, 169 Perfusão renal, manutenção, 222q Pericardiocentese, 129 Piometra, 134 Piotórax, 263

C0070.indd xiv

Pneumonia por aspiração, 267 Pneumotórax, 259 Potássio suplementação intravenosa de, em cães/gatos, 37t testes bioquímicos para, 569 Pressão venosa central (PVC), monitoramento materiais, 31q por imagem, 57f técnica de Seldinger, 56 Prolapso retal, 169 uretral, 143 uterino, 134 vaginal, 137 Proptose, 201 Prostatite aguda, 142 Picada de aranha, 150 Picada de cobra, 147

Q Queimaduras, 105 estimativa do percentual de queimadura: regra dos nove, 106t lesão térmica, 105 Quilotórax, 263

R Radiação, 109 Regra dos nove no paciente queimado, 106t Regra dos vinte no paciente em choque, 279 Ressuscitação cardiorrespiratória cerebral de tórax aberto, 116 Ruptura uterina, 136

S Sangue venoso procedimento de prova cruzada, 22 tubos de coleta, guia para, 551t Síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SIRS), 278t Síndrome das vias aéreas braquicefálicas, 257 Síndrome de grandes alturas, 157 Síndromes paraneoplásicas, 205t

T Taquicardia, 95 medicamentos e doses usadas para tratamento de, 282t Técnicas de acesso vascular, 54 Terapia com hemocomponentes, 25 Tipagem sanguínea, 20 em cães, 594 em gatos, 594 Tireotoxicose, 183 Toracocentese, 50 Torção uterina, 138 Toxinas, 211 Traqueostomia, 52 Trauma/torção testicular, 141 Trauma escrotal, 139 Trauma musculoesquelético, 152 Trombocitopatia, 98q Tromboembolismo pulmonar, 269 sistêmico, 287

U Uroabdome, 291 Uro-hidropropulsão, 543 Urticária, 92

V Ventilação mecânica, 48 Volvo mesentérico, intestino delgado, 167

08/01/13 11:24 AM


VALORES NORMAIS EM PATOLOGIA CLÍNICA Os valores normais de exames laboratoriais são muito variáveis, dependendo do sexo, da raça e da idade do paciente, assim como do laboratório. Os valores apresentados nas tabelas seguintes representam apenas referência aproximada. Valores de Exames Bioquímicos de Rotina Teste

Unidade

Ácido úrico mg/dL Ácidos biliares mmol/L (pós) Ácidos biliares mmol/L (pré) Albumina g/dL ALP U/L ALT U/L Amilase U/L Amônia mg/dL Ânion gap AST U/L Bilirrubina mg/dL total Cálcio mg/dL Creatinina U/L cinase Cloreto mEq/L mEq/L Co2 Colesterol mg/dL Creatinina mg/dL D-xilose mg/dL Fósforo mg/dL GGT U/L Glicose mg/dL Hemoglobina mg/dL plasmática livre Lipase U/L Magnésio mg/dL Metemoglobina mg/dL Osmol Potássio mEq/L Proteína total g/dL Proporção proteína/creatinina anormal limítrofe normal SDH U/L Sódio mEq/L Triglicérides mg/dL Ureia mg/dL sanguínea Ureia sanguínea/ creatinina

Cão

Gato

0,0-0,9 <15

0,2-0,8 <10

0-5

0-3

3-4,2 1-145 5-65 235-870 19-120 6-16 10-56 0,0-0,4

2,3-3,5 1-80 19-91 170-1250 100-300 8-20 9-53 0,0-0,6

9,5-11,5 55-309

8,9-11,3 55-382

108-121 15-26 115-300 0,5-1,5 70-90 2,2-6,6 – 80-125 <10

117-128 12-21 50-150 0,6-1,4

60-500 1,4-2,2 0-5 282-303 3,6-5,6 4,7-7,3

10-220 1,8-2,6 299-319 3,9-6,3 5,5-7,6

>1 0,5-1 <0,5 – 141-151 20-85 6-24

149-158 0-105 14-33

5,1-34,1

6,1-31,7

3,8-8,2 0-4 50-150 <10

Variação de Referência em Gasometria Arterial

C0075.indd xv

mg/dL

4,93-5,65

4,93-5,65

mmol/L mmHg

17-25 24-38 7,35-7,48 85-100

15-22 29-42 7,23-7,43 78-100

mmHg

Teste

Unidade

Cão

Gato

CHCM Fibrinogênio HCM Hemácias Hematócrito Hemoglobina Leucócitos PCT PDW Plaquetas RDW Reticulócitos (Pontilhados) TPP VCM VPM

g/dL g/dL pg ×10−3/mL % g/dL ×10−3/mL % 10 /mL % /mL /mL g/dL fl fl

33,6-36,6 0,2-0,4 21,8-26 5,71-8,29 38,5-56,7 13,5-19,9 4,1-13,3 0,11-0,35 15,3-18,1 160-425 12,5-16,5 0-1,5 0 5,8-7,2 64-73 6-11

31,5-36,5 0,15-0,3 12,9-17,7 5,74-10,5 26,1-46,7 8,8-16 3,4-15,7 0,15-0,89 15,3-19,7 160-489 15,6-21,2 0-0,4 1,4-10,4 5,7-7,5 39,2-50,6 9,3-19,7

Diferencial Basófilos Bastonetes Eosinófilos Linfócitos Monócitos Segmentados

Percentual % % % % % %

0-1 0-1 0-9 8-38 1-9 51-84

0-2 0-1 0-12 7-60 0-5 34-84

Diferencial Basófilos Bastonetes Eosinófilos Linfócitos Monócitos Segmentados

Absoluto ×10−3 ×10−3 ×10−3 ×10−3 ×10−3 ×10−3

0-0,13 0-0,13 0-1,2 0,3-5,1 0-1,2 2,1-11,2

0-0,3 0-0,16 0-1,9 0,2-9,4 0-0,8 12-13,2

CHCM = concentração de hemoglobina corpuscular média; HCM = hemoglobina corpuscular média; PCT = total de células plasmáticas; PDW = extensão ou amplitude de distribuição de plaquetas; TPP = proteína plasmática total; RDW = extensão ou amplitude de distribuição de hemácias; VCM = volume corpuscular médio; VPM = volume plaquetário médio.

Valores Normais na Urinálise

ALP = fosfatase alcalina; ALT = alanina aminotransferase; AST = aspartato aminotransferase; GGT = gama-glutamiltransferase; SDH = sorbitol desidrogenase.

Cálcio ionizado HCO3 PCO2 pH PO2

Hematologia

Cão Bilirrubina Cor Densidade pH Proteínas, cetonas glicose hemoglobina urobilinogênio Turbidez Volume

Gato

Negativa-traço Amarelo-clara 1,015-1,045 5-7 Negativo

Negativa Amarelo-clara 1,015-1,060 5-7 Negativo

Claro 24-40 mL/kg/dia

Claro 22-30 mL/kg/dia

08/01/13 11:56 AM


SEÇÃO 1

Cuidados de Emergência Elisa M. Mazzaferro e Richard B. Ford

Manejo Pré-hospitalar do Animal Traumatizado, 2 Avaliação da Cena, 2 Exame Inicial, 2 Preparação para o Transporte, 3 Exame, Manejo e Triagem Iniciais de Emergência, 3 Avaliação Inicial e Procedimentos de Reanimação Emergenciais, 3 Exames Auxiliares de Diagnóstico, 5 Resumo do Estado do Paciente, 6 O Paciente com Rápida Descompensação, 6 Procedimentos Diagnósticos e Terapêuticos de Emergência, 7 Paracentese Abdominal e Lavado Peritoneal Diagnóstico, 7 Técnicas de Colocação de Bandagem e Tala, 8 Terapia com Hemocomponentes, 19 Mensuração da Pressão Venosa Central, 30 Fluidoterapia, 31 Lavagem Orogástrica, 45 Suplementação de Oxigênio, 45 Oximetria de Pulso, 48 Capnometria (Monitoração da Concentração de Dióxido de Carbono Expirado), 49 Toracocentese, 50 Traqueostomia, 52 Uro-hidropropulsão, 54 Técnicas de Acesso Vascular, 54 Dor: Avaliação, Prevenção e Controle, 65 Impacto Fisiológico da Dor não Tratada, 66 Reconhecimento e Avaliação da Dor, 66 Controle da Dor Aguda em Pacientes Emergenciais Graves ou em Cuidados Intensivos e Traumatizados, 68 Tratamento Farmacológico da Dor: Analgésicos Maiores, 69 Analgésicos Menores, 73 Fármacos Analgésicos Adjuvantes, 73 Técnicas de Anestesia Local e Regional para o Paciente em Emergência, 74 Tratamento de Emergência de Condições Específicas, 77 Abdome Agudo, 77 Terapias Adjuvantes, 79 Choque Anafilático (Anafilactoide), 91 Edema Angioneurótico e Urticária, 92 Complicações e Emergências Anestésicas, 93 Distúrbios Hemorrágicos, 97 Queimaduras, 105 Emergências Cardíacas, 110 Emergências Otológicas, 131 Lesão Elétrica e Choque Elétrico, 133 Emergências da Genitália Feminina e do Trato Reprodutivo, 134 Emergências da Genitália Masculina e do Trato Reprodutivo, 139 Emergências Ambientais e Domésticas, 144 Fraturas e Trauma Musculoesquelético, 152 Emergências Gastrointestinais, 157 Hipertensão Sistêmica, 174 1

C0005.indd 1

26/12/12 11:34 AM


2

1

1

CUIDADOS DE EMERGÊNCIA

Emergências Metabólicas, 176 Emergências Neurológicas, 184 Emergências Oculares, 195 Emergências Oncológicas, 204 Venenos e Toxinas, 211 Emergências Respiratórias, 254 Doenças Pulmonares, 266 Lesões Superficiais de Tecido Mole, 272 Choque, 276 Tratamento do Paciente em Choque, 279 Tromboembolismo: Sistêmico, 286 Emergências do Trato Urinário, 288

MANEJO PRÉ-HOSPITALAR DO ANIMAL TRAUMATIZADO AVALIAÇÃO DA CENA 1. Peça ajuda! Geralmente há necessidade de mais de uma pessoa no local do acidente para dar assistência ao animal e evitar lesão ao animal e às pessoas presentes. 2. Caso o acidente tenha ocorrido em uma zona de tráfego de carros, alerte os motoristas que se aproximarem do animal traumatizado na estrada. O alerta poderá ser feito por meio de uma peça de roupa ou outro objeto que chame a atenção dos motoristas que estiverem se aproximando. Cuidado para não ser ferido por motoristas que podem não vê-lo ou identificá-lo ao se aproximarem! 3. Caso o animal esteja consciente, evite se machucar enquanto o move para um local seguro. Utilize um cinto, corda ou pedaço de pano comprido para fazer uma mordaça e conter a cabeça do animal de forma segura. Caso isso não seja possível, cubra a cabeça do animal com uma toalha, cobertor ou casaco antes de movê-lo para evitar que ele o morda. 4. Caso o animal esteja inconsciente ou imóvel, mova-o para um local seguro com um material de apoio para as costas, que pode ser feito utilizando-se uma caixa, porta, tábua plana, cobertor ou lençol. EXAME INICIAL 1. Há patência de vias aéreas? Caso haja ruídos respiratórios ou o animal esteja em estupor, estenda a cabeça e pescoço delicada e cuidadosamente. Se possível, tracione a língua. Limpe o muco, sangue ou vômito da boca. Em animais inconscientes, mantenha a estabilidade da cabeça e do pescoço. 2. Procure por sinais de respiração. Caso não haja evidência de respiração ou a mucosa oral esteja cianótica, inicie a respiração boca-nariz. Circunde a região do focinho com suas mãos e assopre no interior da narina de 15 a 20 vezes por minuto. 3. Há evidência de função cardíaca? Verifique se há um pulso palpável nos membros pélvicos ou um batimento apical sobre o esterno. Caso não sejam encontrados sinais de função cardíaca, inicie as compressões cardíacas externas de 80 a 120 vezes por minuto. 4. Há alguma hemorragia? Utilize um pano limpo, toalha, papel-toalha, fralda descartável ou absorvente feminino para cobrir o ferimento. Pressione firmemente para reduzir a hemorragia e evitar perdas sanguíneas adicionais. Não utilize um torniquete, pois este poderá causar lesão adicional. Pressione, e, à medida que o sangue penetrar na primeira camada do material da bandagem, coloque uma segunda camada sobre ela. 5. Cubra qualquer ferimento externo. Utilize um material de bandagem limpo embebido em água morna e transporte o animal para um centro de emergência veterinária mais próximo. Investigue imediatamente procurando feridas penetrantes no abdome e tórax. 6. Há alguma fratura evidente? Imobilize fraturas com talas caseiras feitas de jornal, cabo de vassoura ou galhos de árvore. Amordace o animal antes de tentar colocar qualquer tala. Caso uma tala não possa ser colocada de forma segura, envolva o animal com uma toalha ou cobertor e o transporte para um centro de emergência veterinária mais próximo.

C0005.indd 2

26/12/12 11:34 AM


EXAME, MANEJO E TRIAGEM INICIAIS DE EMERGÊNCIA

3

7. Há alguma queimadura? Coloque toalhas geladas e úmidas sobre a área queimada e vá trocando por outras quando as toalhas atingirem a temperatura corporal. 8. Cubra o animal para mantê-lo aquecido. Caso o animal esteja tremendo ou em choque, envolva-o em um cobertor, toalha ou casaco e o transporte para o centro de emergência veterinária mais próximo. 9. O animal está apresentando hipertermia (por intermação/insolação)? Resfrie o animal com toalhas úmidas à temperatura ambiente (não fria) e o transporte para um centro de emergência veterinária mais próximo.

1

PREPARAÇÃO PARA O TRANSPORTE 1. Telefone antes! Informe ao centro veterinário que você está chegando. Esteja preparado com números e locais de emergência disponíveis. 2. Mova o paciente traumatizado cuidadosamente. Utilize a mesma abordagem da retirada do animal da via de tráfego e coloque-o no banco de trás do carro. 3. Dirija com cuidado. Não transforme um acidente em dois. O ideal é que, enquanto uma pessoa dirige o carro, outra esteja com o animal.

EXAME, MANEJO E TRIAGEM INICIAIS DE EMERGÊNCIA O exame do animal com traumatismo agudo que está inconsciente e em choque e apresenta hemorragia aguda ou dificuldade respiratória deve ser feito simultaneamente ao tratamento imediato e agressivo para estabilizar o paciente. Como, em geral, não há tempo para uma anamnese detalhada, o diagnóstico baseia-se principalmente nos achados do exame físico e testes simples de diagnóstico. A triagem é a arte e a habilidade de avaliar pacientes rapidamente e classificá-los de acordo com a urgência requerida do tratamento. O reconhecimento imediato e o pronto atendimento podem salvar o animal. AVALIAÇÃO INICIAL E PROCEDIMENTOS DE REANIMAÇÃO EMERGENCIAIS Realize um exame breve, mas completo e sistemático, de todo animal, considerando o ABC [airway (via aérea); breathing (respiração); circulation (circulação)] mais importantes para qualquer paciente emergencial. ABC A = Via aérea Há patência de vias aéreas? Puxe a língua do paciente para fora e remova qualquer material que esteja obstruindo a via aérea. Talvez seja necessário realizar sucção e utilizar um laringoscópio. Realize a intubação ou coloque uma fonte de oxigênio transtraqueal caso haja necessidade de suplementação de oxigênio. A traqueostomia de emergência poderá ser necessária na ocorrência de obstrução de via aérea superior que não possa ser solucionada imediatamente com os procedimentos anteriores. B = Respiração O animal está respirando? Caso o animal não esteja respirando, intube a traqueia imediatamente e inicie a ventilação artificial com uma fonte de suplementação de oxigênio (ver Parada Cardíaca e Reanimação Cerebrocardiopulmonar, nesta seção). Se o animal estiver respirando, quais são a frequência e o padrão respiratórios? A frequência respiratória está normal, aumentada ou diminuída? O padrão respiratório está normal ou a respiração está rápida e superficial ou lenta e profunda com dificuldade inspiratória? Os ruídos respiratórios estão normais ou há um estridor agudo alto na inspiração, característico de uma obstrução em via aérea superior? O animal está com a cabeça estendida e os cotovelos afastados do corpo, ou seja, ortopneia? As comissuras bucais se movimentam durante a inspiração e expiração? Há evidência de dificuldade expiratória com um esforço abdominal na expiração? Observe a parede torácica lateral. As costelas se movimentam para fora e para dentro com a inspiração e expiração ou há movimento paradoxal da parede torácica em que uma área se move para dentro durante a inspiração e para fora durante a expiração, sugestivo de uma instabilidade torácica? Há algum enfisema subcutâneo sugestivo de lesão de via aérea?

C0005.indd 3

26/12/12 11:34 AM


4

1

1

CUIDADOS DE EMERGÊNCIA

Ausculte o tórax bilateralmente. Os sons respiratórios estão normais? Eles soam ásperos com crepitações decorrentes de pneumonia, edema pulmonar ou contusões pulmonares? Os sons pulmonares estão abafados devido à efusão pleural ou pneumotórax? Há ruídos respiratórios em um gato com bronquite (asma)? Qual é a cor das membranas mucosas? As membranas mucosas estão cor-de-rosa e normais ou pálidas ou cianóticas? Palpe a região cervical para verificar se há deslocamento de traqueia e enfisema subcutâneo, assim como a região torácica para evidenciar fratura de costelas e também enfisema subcutâneo. C = Circulação Qual é a condição circulatória? Qual é a condição da frequência e ritmo cardíaco do paciente? Você consegue ouvir o coração, ou ele está abafado por causa de hipovolemia, efusão pleural ou pericárdica, pneumotórax ou hérnia diafragmática? Palpe o pulso. A qualidade do pulso está forte e regular ou há pulsos filiformes e irregulares? Qual é o ritmo do eletrocardiograma (ECG) e o valor da pressão arterial (PA) do paciente? Há hemorragia arterial? Repare se há presença de algum sangramento. Seja cuidadoso caso haja algum sangue no pelo. Use luvas. O sangue poderá ser do paciente, e as luvas ajudarão a evitar contaminação adicional de qualquer ferimento; ou ainda, o sangue poderá ser de uma pessoa que inicialmente socorreu o animal. Caso haja ferimentos externos, observe suas características e condições. Coloque uma bandagem compressiva sobre qualquer sangramento ou ferimento externo para evitar hemorragia adicional ou contaminação por organismos nosocomiais. Estabeleça um acesso venoso de grande calibre ou intraósseo (ver Técnicas de Acesso Vascular, nesta seção). Caso haja choque hipovolêmico ou hemorrágico, institua imediatamente os procedimentos de reposição volêmica. Inicie com um quarto da dose calculada para os líquidos cristaloides para o tratamento do choque (0,25 × [90 mL/kg] para cães; 0,25 × [44 mL/kg] para gatos) e avalie novamente os parâmetros de perfusão sanguínea: frequência cardíaca, tempo de preenchimento capilar e PA. Caso haja suspeita de contusões pulmonares, o uso de coloides, como o amido hidroxietílico na dose de 5 mL/kg em bolus crescentes, pode melhorar a perfusão sanguínea com um volume menor de fluido administrado. Em casos de traumatismo craniano, a solução de cloreto de sódio hipertônica (7%) pode ser administrada (4 mL/kg em bolus intravenoso) associada ao amido hidroxietílico. A hemorragia abdominal aguda causada por traumatismo pode ser tamponada com uma bandagem compressiva nesta região. Após o ABC imediatos, prossiga com o restante do exame físico e tratamento utilizando o recurso mnemônico A CRASH PLAN: airway (via aérea); cardiovascular (sistema cardiovascular); respiratory (sistema respiratório); abdomen (abdome), spine (coluna vertebral); head (cabeça); pelvis (pelve); limbs (membros); arteries (artérias); nerves (nervos). A CRASH PLAN A = Via aérea C e R = Sistemas Cardiovascular e Respiratório A = Abdome Palpe o abdome do paciente. Há alguma dor ou lesão penetrante? Observe o umbigo do paciente, pois o avermelhamento ao seu redor poderá ser sugestivo de hemorragia intra-abdominal. Há líquido ou neoformação palpável? Examine as regiões inguinal, caudal, torácica e paralombar. Faça tricotomia dos pelos para examinar o paciente quanto à presença de contusões ou feridas perfurantes. Percuta e ausculte o abdome para avaliar a presença de gases e os borborigmos gastrointestinais. S = Coluna Vertebral Palpe a coluna vertebral do animal para verificar a simetria. Há alguma dor ou aumento de volume evidente ou presença de fratura? Realize um exame neurológico desde a primeira vertebral cervical até a última vértebra da cauda. H = Cabeça Examine olhos, ouvidos, boca, dentes e focinho e avalie a resposta à atividade sensorial e motora promovida pelos nervos cranianos. Aplique um corante fluorescente nos olhos para verificar a presença de úlceras de córneas em qualquer ocorrência de traumatismo craniano. Há anisocoria ou síndrome de Horner?

C0005.indd 4

26/12/12 11:34 AM


EXAME, MANEJO E TRIAGEM INICIAIS DE EMERGÊNCIA

5

P = Pelve Realize um exame retal. Palpe para investigar a presença de fratura ou hemorragia. Examine a genitália externa.

1

L = Membros Examine as extremidades torácica e pélvica. Há alguma fratura aberta (exposta) ou fechada evidente? Coloque rapidamente uma tala nos membros para evitar danos adicionais e auxiliar no controle da dor. Examine pele, músculos e tendões. A = Artérias Palpe as artérias periféricas para avaliar os pulsos. Pode-se utilizar o Eco-Doppler para avaliação do pulso caso haja presença de doença tromboembólica. Mensure a PA do paciente. N = Nervos Observe e avalie o grau de consciência, o comportamento e a postura do animal. Verifique frequência, padrão e esforço respiratório. O paciente está consciente, obnubilado ou comatoso? As pupilas estão simétricas e responsivas à luz, ou há anisocoria? O paciente exibe alguma postura anormal, como a postura de Schiff-Sherrington (membros torácicos rígidos e estendidos e paralisia flácida de membros pélvicos), que pode indicar traumatismo grave de coluna com lesão medular? Examine os nervos periféricos para avaliar os estímulos motores e sensoriais de membros e cauda. EXAMES AUXILIARES DE DIAGNÓSTICO TÉCNICAS HEMODINÂMICAS Realize eletrocardiografia, monitoração direta ou indireta da PA e oximetria de pulso em qualquer paciente em emergência. TÉCNICAS DE IMAGEM Obtenha radiografias do tórax e abdome em qualquer animal que tenha sofrido uma lesão traumática quando a sua condição estiver mais estável e possa tolerar o posicionamento para esses procedimentos. Radiografias exploratórias podem revelar pneumotórax, contusões pulmonares, hérnia diafragmática, efusão pleural ou abdominal e pneumoperitônio. AFAST E TFAST1 Têm-se descrito as avaliações centradas no abdome e tórax após o trauma (AFAST e TFAST) para identificação de líquido livre abdominal e de ar e líquido livre torácico (incluindo pericárdio). Durante a ultrassonografia, pode-se avaliar quatro quadrantes abdominais, pela: (1) visualização do diafragma ou fígado na linha média ventral imediatamente caudal ao esterno, (2) visualização esplenorrenal no quadrante lateral esquerdo, (3) visualização cistocólica na linha média ventral sobre a bexiga urinária e (4) visualização hepatorrenal na lateral direita. Para avaliação do tórax, posiciona-se o paciente em decúbito lateral, e o transdutor (probe) do ultrassom é direcionado ao plano horizontal no aspecto dorsal do nono espaço intercostal. Nos planos transverso e longitudinal caudal ao cotovelo, pode-se avaliar a presença de efusão pericárdica e pleural. A avaliação pelo ultrassom é rápida e pode revelar a ocorrência de hemorragia. Assim como em outras técnicas ultrassonográficas, às vezes os resultados do AFAST e TFAST dependem do operador. TESTES DE LABORATÓRIO Os testes de diagnóstico imediatos devem incluir hematócrito, proteínas totais, glicose, nitrogênio não proteico (NNP) e densidade urinária. O hemograma e a contagem de plaquetas, assim como a realização de hemogasometria arterial e eletrólitos, parâmetros de coagulação (tempo de 1Nota da Tradução: Acrônimos de Abdominal and Thoracic Focussed Assessment with Sonography after Trauma.

C0005.indd 5

26/12/12 11:34 AM


6

1

1

CUIDADOS DE EMERGÊNCIA

coagulação ativado [TCA], tempo de protrombina [TP], tempo de tromboplastina parcial ativada [TTPA]), perfil bioquímico sérico, lactato sérico e urinálise, deverão ser considerados para a melhor avaliação clínica do paciente EXAMES INVASIVOS Pode ser necessária a realização de técnicas de exames invasivos de diagnóstico, incluindo-se toracocentese, paracentese abdominal e lavado peritoneal diagnóstico (LPD). RESUMO DO ESTADO DO PACIENTE Após concluir o exame físico inicial, responda às seguintes questões: Qual o tratamento de suporte requerido neste momento? Há necessidade de procedimentos de diagnósticos adicionais? Em caso afirmativo, quais procedimentos; e o paciente está estabilizado o suficiente para tolerá-los sem estresse adicional? Deve-se instituir um período de observação suplementar antes de se iniciar um plano terapêutico mais definitivo? Há necessidade de intervenção cirúrgica imediata? Há necessidade de tratamento de suporte intensivo antes da cirurgia? Quais riscos anestésicos são evidentes? O PACIENTE COM RÁPIDA DESCOMPENSAÇÃO Os animais que não respondem à reanimação inicial geralmente apresentam distúrbios fisiológicos graves contínuos ou preexistentes que contribuem para a grande instabilidade cardiovascular e metabólica. O clínico deverá estar atento à ocorrência de descompensação orgânica em um paciente que não responde ou responde de forma incompleta aos esforços iniciais de reanimação (Quadros 1-1 e 1-2).

QUADRO 1-1

SINAIS CLÍNICOS DE DESCOMPENSAÇÃO

Pulso periférico fraco ou de baixa qualidade Extremidades periféricas frias Cianose ou membranas mucosas acinzentadas Membranas mucosas pálidas Tempo de preenchimento capilar prolongado Temperatura corporal aumentada ou diminuída Débito urinário reduzido em um paciente euvolêmico Confusão ou estado mental alterado

QUADRO 1-2

CAUSAS DE DESCOMPENSAÇÃO AGUDA

Insuficiência renal aguda Síndrome da angústia respiratória aguda Ruptura intestinal e gástrica Arritmia cardíaca Edema e hemorragia no sistema nervoso central e herniação de tronco cerebral Coagulopatias, incluindo-se coagulação intravascular disseminada

C0005.indd 6

Depressão Taquicardia ou bradicardia Hematócrito em declínio Abdome distendido, dolorido Arritmia cardíaca Padrão respiratório anormal Dificuldade ou agonia respiratória Perda sanguínea gastrointestinal via êmese ou pelas fezes

Hemorragia interna Síndrome da falência múltipla de órgãos Pneumotórax Contusão pulmonar Tromboembolismo pulmonar Sepse ou choque séptico Síndrome da resposta inflamatória sistêmica Ruptura de bexiga urinária

26/12/12 11:34 AM


SEÇÃO 2

Avaliação do Paciente e Exame dos Sistemas Orgânicos Richard B. Ford e Elisa M. Mazzaferro Avaliação do Paciente, 293 Avaliação do Proprietário sobre a Saúde do Animal: O Teste “BEETTS”, 293 Avaliação Clínica Inicial: a Lista de Problemas, 295 O Prontuário, 299 Conteúdo do Prontuário, 299 O Exame dos Sistemas Orgânicos, 301 Sistema Digestório, 301 Exame Cardiopulmonar, 312 Tegumento (Pele, Pelagem e Unhas), 324 Exame Oftálmico (Ocular), 335 Exame Ótico (Ouvidos), 341 Exame dos Linfonodos e da Tireoide, 343 Exame Musculoesquelético (Ortopédico), 344 Exame do Sistema Nervoso, 352 Exame dos Órgãos Genitais: Cão – Macho, 364 Exame dos Órgãos Genitais: Cão – Fêmea, 365 Comportamento e Fisiologia Reprodutivos Normais, 367 Exame do Sistema Respiratório Superior, 369 Exame do Sistema Respiratório Inferior, 370 Exame dos Órgãos Urinários, 375

AVALIAÇÃO DO PACIENTE AVALIAÇÃO DO PROPRIETÁRIO SOBRE A SAÚDE DO ANIMAL: O TESTE “BEETTS” A maioria dos proprietários de animais de companhia, particularmente aqueles inexperientes em criação, tem entendimento limitado a respeito da saúde dos animais e, por essa razão, não está bem preparada para reconhecer precocemente sinais da doença em um cão ou gato. Os distúrbios médicos mais comuns não são totalmente reconhecidos pelos proprietários (p. ex., acúmulo de cálculo dentário e úlceras gengivais), ou seu tratamento pode ser adiado até o animal apresentar a doença em estágio avançado. Ironicamente, poucos médicos veterinários usam algum tempo para ensinar aos proprietários dos animais de companhia como avaliar (proativamente) a saúde de seus animais. Educando os proprietários sobre como reconhecer prematuramente as mudanças no estado de saúde, não só o encoraja a estarem atentos precocemente aos problemas de saúde em potencial, como também auxilia na pronta intervenção dos veterinários. Algo simples para lembrar, um exame prescrito para proprietários é o teste BEETTS* (pronunciado “bits”). Este acrônimo representa um recurso para os proprietários dispostos a contribuir em relatar as mudanças importantes na atividade dos animais ou na aparência física dos mesmos, que os alertará para problemas comuns menores e, possivelmente, para os problemas mais sérios de saúde, desse modo evitando as consequências do diagnóstico e tratamento tardios. *Nota da Tradução: Em português o acrônimo é COODDP. 293

C0010.indd 293

27/12/12 5:08 PM


294

2 AVALIAÇÃO DO PACIENTE E EXAME DOS SISTEMAS ORGÂNICOS

C PARA COMPORTAMENTO Conheça seu Animal de Estimação! Os proprietários deveriam estar atentos a mudanças sutis no comportamento, que podem ser o primeiro sinal de uma doença subjacente. Várias mudanças de comportamento – como apetite reduzido ou ausência do mesmo e associado à perda de peso, aumento da sede, necessidade frequente de urinar ou defecar, agressividade sem causa aparente, relutância para brincar, dificuldade de ficar em pé ou lambedura persistente da pele (particularmente em um único local) – podem ser fortes indícios precoces de doença grave. Essas alterações frequentemente justificam a realização de um exame clínico e um perfil laboratorial.

2

O PARA OLHOS A assimetria dos olhos e das pálpebras (denotando dor ou lesão) é tão importante quanto a descoloração do olho (catarata, hemorragia intraocular) ou o acúmulo de muco sobre ou ao redor das pálpebras. Animais com os pelos cobrindo os olhos são razoavelmente considerados como tendo risco para doenças graves dos olhos, devido ao diagnóstico tardio. A avaliação frequente de ambos os olhos para checar a transparência dos cristalinos e córneas e a ausência de irritação é essencial. O PARA ORELHA Os proprietários devem estar alertas para sinais que possam indicar uma doença das orelhas (p. ex., “head-tilt” ou prurido, dor à manipulação, abrasões locais, descoloração, supuração, mau cheiro). Se a orelha pende sob a entrada do conduto auditivo externo, os proprietários devem estar preparados para inspecioná-la. Eles devem ser avisados para evitar inserir qualquer instrumento ou medicação dentro da orelha do animal, a menos que seja especificamente instruído a como fazê-lo. D PARA DENTES (E GENGIVAS) A relação entre a halitose e a doença dental ou gengival grave é importante, e assim a doença pode ser facilmente omitida se os dentes não são examinados regularmente. Os proprietários não são encorajados a abrirem a boca de um cão ou gato. Entretanto, a maioria dos cães permitirá que os proprietários levantem o seu lábio do animal e examine visualmente os dentes a fim de evidenciar danos ou descoloração. Isto é suficiente para o proprietário avaliar ocasionalmente a aparência externa (superfície labial) dos dentes e gengivas, uma ou duas vezes anualmente. O exame dos dentes dos gatos geralmente não é recomendado, por causa do risco de ser mordido. D PARA DEDOS (E UNHAS) A maioria dos proprietários não está atenta a quando ou como examinar as unhas dos animais de estimação. Apesar de as unhas dos gatos serem periodicamente mudadas e, normalmente, não requisitar aparas, as dos cães sedentários que vivem predominantemente dentro de casa merecem atenção mensal. Pelo fato de os cães poderem resistir a qualquer tentativa de manuseio ou exame das suas extremidades, os proprietários são instruídos a ouvir seus cães andando sobre uma superfície sem carpetes. Se o proprietário conseguir ouvir as unhas estalando contra o piso quando o animal andar, o aparo destas é indicado. Ocasionalmente, um proprietário irá expressar interesse em aparar ele mesmo as unhas do seu animal de companhia. É importante avisá-los sobre os riscos inerentes do que pode parecer um procedimento simples: dor, sangramento, resistência agressiva e até mordedura. Os proprietários dispostos a tentar aparar as unhas em casa devem ser instruídos sobre o equipamento a adquirir e como realizar o procedimento com segurança. P PARA PELE (E PELOS) A variedade dos tipos, comprimento e densidade de pelos faz do exame da pele um dos exames caseiros que o proprietário realiza menos frequentemente. A pele é o maior órgão do corpo, e vários distúrbios podem se desenvolver muitas semanas ou meses antes de se tornarem evidentes. Isto é particularmente verdadeiro em cães e gatos de pelos longos. Em complemento à escovação de rotina, que é benéfica em todos os cães e gatos, e os banhos ocasionais, os proprietários são instruídos a tocar completamente a pele e os pelos de seus animais de um modo sistemático. Uma técnica que os proprietários acham encantadora, começa com o proprietário parado atrás do

C0010.indd 294

27/12/12 5:08 PM


AVALIAÇÃO DO PACIENTE

295

animal. Iniciando na cabeça com uma das mãos ao redor de cada orelha do animal de estimação, o proprietário usa seus dedos, deslizando suavemente pela cabeça até a cauda, enquanto gentilmente massageia o animal e toca a superfície inteira da pele sobre o tórax e o abdome. Então, neste momento, comprimindo delicadamente com uma das mãos, o proprietário massageia cada membro da parte mais proximal ao tronco até as extremidades. AVALIAÇÃO CLÍNICA INICIAL: A LISTA DE PROBLEMAS Um diagnóstico correto é baseado na habilidade do clínico para avaliar e definir os problemas que estão afetando o paciente. Isto soa simples o bastante. Entretanto, a não ser que o termo “problema” esteja definido, fazer realmente uma avaliação diagnóstica completa do paciente simplesmente não é possível. Ao procurar um diagnóstico, o clínico astuto trabalha pela clara definição de um problema: 1. O histórico clínico: Qualquer anormalidade descrita pelo proprietário (caso a interpretação do proprietário esteja correta ou não) é um problema. 2. O exame físico: Qualquer anormalidade descoberta durante o exame físico é um problema (ver O Exame dos Sistemas Orgânicos nesta seção). 3. Quaisquer anormalidades de imagem (radiográficas ou ultrassonográficas) ou laboratorial são consideradas problemas. A lista de problemas, uma vez estabelecida, torna-se a base sobre a qual o diagnóstico é construído. Os problemas obviamente relacionados são agrupados e pode-se confirmar o diagnóstico ou sugerir que avaliações diagnósticas adicionais precisam ser realizadas para elucidar o diagnóstico.

2

HISTÓRICO CLÍNICO O histórico clínico é um componente crítico da lista de problemas do paciente e frequentemente é a parte mais relevante da avaliação diagnóstica de um determinado animal. Requer conhecimento único e experiência para elucidar um histórico clínico imparcial e pertinente sobre a doença do animal. Alguns proprietários são observadores e podem facilmente comunicar informações importantes, ao passo que outros podem não ser atentos para certas anormalidades ou podem propositalmente reter informações. O histórico clínico é centrado, mas não limitado à queixa principal. A queixa principal é a razão pela qual o paciente está sendo levado ao clínico. O que deve ser registrado é um sinal (vômito), não um diagnóstico (enterite). Note a duração ou frequência dos sinais. Determine se a duração ou frequência está aumentada, diminuída ou permanece inalterada desde o princípio. É importante determinar se as condições gerais do animal desde o princípio da doença melhoraram, pioraram ou permanecem as mesmas. Faça perguntas abertas – aquelas que não irão prejudicar a resposta do proprietário. Por exemplo: “Fale-me sobre o consumo de água feito pelo seu cão”. Questões que requeiram somente um “sim” ou “não” como resposta tendem a introduzir predisposições – por exemplo: “Seu cão está em dia com a vacinação?” Se a resposta for “sim”, questionamentos adicionais como “qualquer outra coisa?”, “Como você faz?” ou “Fale-me sobre isto” podem induzir o proprietário a elaborar a resposta. Pela ampla utilização de medicações preventivas em animais de estimação (p. ex., dirofilária, pulgas, prevenção de carrapatos), uma completa lista de medicações é uma parte fundamental do histórico clínico. Se a mesma sequência de tomada da história e exame físico é seguida a cada momento, o procedimento gradualmente necessita de menos tempo e fatos importantes se tornam menos comuns de serem omitidos. O histórico clínico não é propriamente distinto do exame físico. Não é incomum o cliente estar completamente sem conhecimento de que uma anormalidade física está presente até ela ser apontada. Quando se examina o paciente, qualquer achado físico incomum ou inesperado justifica perguntas adicionais, como a relação do animal com o meio ambiente, a dieta, a exposição a outros animais, daí por diante. Por exemplo, a descoberta de lesões graves nos coxins plantares deve ser seguida prontamente de novas perguntas sobre as possíveis causas.

Nota: Falhar na obtenção da anamnese é o primeiro passo para um diagnóstico errado!

C0010.indd 295

27/12/12 5:08 PM


296

2 AVALIAÇÃO DO PACIENTE E EXAME DOS SISTEMAS ORGÂNICOS

EXAME FÍSICO O exame físico é o meio pelo qual o clínico avalia o estado de saúde do paciente mediante uma observação prática e sistemática dos sistemas orgânicos. É um passo fundamental na definição do problema e na avaliação diagnóstica objetiva do paciente. O exame físico é baseado na habilidade do clínico em distinguir o normal do anormal. A extensão do exame físico varia em pacientes individualmente. O exame físico do "animal sadio" é normalmente realizado quando se avaliam animais saudáveis trazidos para os cuidados rotineiros de saúde (p. ex., não há uma queixa principal). Os elementos básicos envolvidos no exame físico incluem:

2

Sinais Vitais Temperatura, pulso, respiração e peso são os mais fundamentais parâmetros de saúde ao se examinar o paciente. Tempo de preenchimento capilar (TPC) é comumente mensurado (normal: <2 segundos), mas é ver um teste relativamente ruim para avaliar a perfusão capilar periférica. A pressão sanguínea (ver Seção 4) é mais sensível, mas necessita de operadores experientes para a obtenção de interpretações seguras e múltiplas mensurações a fim de se alcançar valores confiáveis. Embora o peso não seja estritamente um sinal “vital”, todos os pacientes devem ser pesados em todas as visitas. Comportamento e Consciência Observar o comportamento do paciente, a atividade e o estado de alerta na sala de exame pode ser particularmente útil na avaliação do paciente com doença neurológica (encefálica) importante. Mesmo os animais que estão nervosos ou assustados no hospital podem ser avaliados e devem manifestar atenção moderada de seus arredores. Cães e gatos que são particularmente agressivos precisam ser contidos com extremo cuidado e avaliados para possíveis doenças neurológicas. Conformação e Escore da Condição Corpórea (ECC) Existem vários métodos para documentar a conformação e a condição corpórea em cães e gatos. A escala mais comumente aplicada vincula o uso de um sistema de 5 pontos. Fazer anotações apropriadas no prontuário permite ao clínico acessar, a todo tempo, outras mudanças na conformação, além de apenas verificar o peso. Os parâmetros para a escala dos 5 pontos estão listados nos tópicos seguintes: Grau 1/5 – Emaciado • Costelas, vértebras e ossos pélvicos facilmente vistos, mesmo a distância • Sem gordura corporal • Óbvia perda de massa muscular Ver Figura 2-1. Grau 2/5 – Subpeso (Magro) • Costelas podem ser vistas e facilmente sentidas • Ossos pélvicos estão proeminentes • Cintura e prega abdominal óbvias Grau 3/5 – Escore Corporal Normal • Costelas podem ser palpadas • Cintura óbvia quando vista por cima • Prega abdominal evidente Grau 4/5 – Sobrepeso • Costelas difíceis de serem palpadas, cobertas pela gordura • Notáveis depósitos de gordura sobre o dorso e a base da cauda • Cintura e prega abdominal dificilmente discerníveis

C0010.indd 296

27/12/12 5:08 PM


AVALIAÇÃO DO PACIENTE

297

Grau 5/5 – Obeso • Costelas não podem ser palpadas sob a densa capa de gordura • Depósito de gordura compacto sobre o dorso e a base da cauda • Nenhuma cintura ou prega abdominal Ver Figura 2-2.

2

Figura 2-1: Cão com um escore 1/5 da condição corpórea. O Escore da Condição Corpórea de 9 Pontos Uma alternativa que tem sido descrita é o escore da condição corpórea (ECC) de 9 pontos para gatos e cães. Nesse formato de pontuação, um ECC de 4 a 5 representa o peso e a conformação ideal. Um ECC menor do que 4 representa cães e gatos com baixa alimentação e subpeso, enquanto um ECC de 6 a 7 ou mais indica sobrecarga alimentar e animais com sobrepeso.

Figura 2-2: Gato com um escore de condição corpórea de 5/5.

C0010.indd 297

27/12/12 5:08 PM


298

2 AVALIAÇÃO DO PACIENTE E EXAME DOS SISTEMAS ORGÂNICOS

AVALIAÇÃO LABORATORIAL A avaliação clínica do animal doente requer obter um perfil laboratorial para acessar e caracterizar anormalidades hematológicas e bioquímicas. Anormalidades nos testes laboratoriais são componentes importantes da avaliação diagnóstica e são necessariamente incluídas, individualmente, na lista de problemas do paciente. Na clínica de animais de companhia, a realização de um perfil laboratorial é um procedimento-padrão na medicina veterinária. Embora os métodos de testes específicos utilizados e os testes analíticos variem de local para local. Os dados laboratoriais para qualquer cão ou gato doente deveria incluir muitos ou todos os testes listados na Tabela 2-1.

2

TABELA 2-1

Hematologia

Bioquímica

Exame de urina

Parasitas

Outros

Componentes da Base de Dados Laboratorial Mínima (MDB) para Cães e Gatos

Caninos

Felinos

O hemograma inclui o seguinte: • Contagem total de hemácias • Hematócrito ou volume globular • Dosagem de hemoglobina • Contagem de leucócitos totais • Contagem diferencial de células • Proteínas totais • Estimativa do número de plaquetas • Contagem de reticulócitos se o hematócrito do paciente estiver baixo (p. ex., <30%) Nota: Alguns laboratórios também fornecem índices hematimétricos: VCM, HCM e CHCM. Análises individuais incluem painéis bioquímicos que variam entre os laboratórios. (Ver Seção 5 para uma revisão abrangente das várias análises que estão normalmente incluídas.) Inclui o seguinte: • Densidade, cor e aparência • Bioquímica, usualmente inclui proteína, glicose, cetonas, sangue (hemoglobina) e urobilinogênio • Microscopia, inclui uma descrição dos tipos celulares e do número, bem como a presença de cristais, cálculos, bactérias, lipídios Flutuação fecal para parasitas intestinais Teste do antígeno para dirofilária

O hemograma inclui o seguinte: • Contagem total de hemácias • Hematócrito ou volume globular • Dosagem de hemoglobina • Contagem de leucócitos totais • Contagem diferencial de células • Proteínas totais • Estimativa do número de plaquetas • Contagem de reticulócitos agregados se o hematócrito do paciente estiver baixo (p.ex., <30%) Nota: Alguns laboratórios também fornecem índices hematimétricos: VCM, HCM e CHCM. Análises individuais incluem painéis bioquímicos que variam entre os laboratórios. (Ver Seção 5 para uma revisão abrangente das várias análises que estão normalmente incluídas.) Inclui o seguinte: • Densidade, cor e aparência • Bioquímica, usualmente inclui proteína, glicose, cetonas, sangue (hemoglobina) e urobilinogênio • Microscopia, inclui uma descrição dos tipos celulares e do número, bem como a presença de cristais, cálculos, bactérias, lipídios Flutuação fecal para parasitas intestinais Teste do vírus (antígeno) da leucemia felina e teste do vírus (anticorpo) da imunodeficiência felina

HCM, hemoglobina corpuscular média; CHCM, concentração de hemoglobina corpuscular média; VCM, volume corpuscular médio

C0010.indd 298

27/12/12 5:08 PM


SEÇÃO 3

Sinais Clínicos Richard B. Ford e Elisa M. Mazzaferro

Agressividade, 380 Alopecia, ver Perda de Pelos, 381 Ataxia, ver Incoordenação, 381 Aumento da Produção de Urina e do Consumo de Água: Poliúria e Polidipsia, 381 Cegueira, ver Perda Total da Visão, 382 Coceira: Prurido (ver também Perda de Pelos), 382 Coma: Perda de Consciência, 385 Constipação (Obstipação) (ver também Esforço para Defecar), 386 Convulsões (Epilepsia), 388 Defecção Dolorosa: Disquezia, ver Esforço para Defecar, 391 Diarreia Aguda, 391 Diarreia Crônica, 392 Dificuldade para Deglutir: Disfagia, 395 Dificuldade para Respirar ou Angústia Respiratória: Cianose, 396 Dificuldade para Respirar ou Angústia Respiratória: Dispneia, 397 Diminuição da Produção Urinária: Oligúria e Anúria, 398 Distensão Abdominal por Ascite, 400 Distensão Abdominal sem Ascite, 401 Dor, 403 Dor Retal e Anal, ver Esforço para Defecar, 404 Edema Articular: Artropatia, 404 Edema dos Membros, 405 Esforço para Defecar: Disquezia, 407 Esforço para Urinar: Disúria, 408 Espirro e Secreção Nasal, 410 Fraqueza, Letargia, Fadiga, 411 Hemorragia, 414 Icterícia, ver Pele ou Mucosas Amareladas, 416 Incoordenação: Ataxia, 416 Linfonodo Aumentado: Linfadenomegalia, 417 Micção Descontrolada: Incontinência Urinária, 418 Micção Dolorosa: Disúria, ver Esforço para Urinar, 419 Pele ou Mucosas Amareladas: Icterícia, 419 Perda de Pelos: Alopecia, 421 Perda de Peso: Emaciação, Caquexia, 423 Perda do Apetite: Anorexia, 423 Perda Total da Visão, 425 Regurgitação (ver também Dificuldade para Deglutir e Vômito), 427 Sangue na Urina: Hematúria, Hemoglobinúria, Mioglobinúria, 428 Surdez ou Perda de Audição, 430 Tosse, 431 Tosse com Sangue: Hemoptise (ver também Dificuldade para Respirar), 433 Vômito (ver também Regurgitação), 434 Vômito com Sangue: Hematêmese (ver também Vômito), 435

379

C0015.indd 379

26/12/12 10:53 AM


380

3

SINAIS CLÍNICOS

Nota: A seção de Sinais Clínicos desse manual visa facilitar a avaliação rápida e precisa de problemas iniciais individuais tal como eles podem ser interpretados pelo dono do animal de estimação e apresentados ao clínico. Cada sinal clínico é citado pela designação ou a expressão comum que pode ser usada pelos donos para descrever o problema. Um termo médico descritivo para o sinal clínico se segue quando apropriado. A interpretação e a avaliação corretas de sinais clínicos individuais são fundamentais para a avaliação e o diagnóstico de todo e qualquer paciente. Esse é o pilar de sustentação da terapia eficaz. Não reconhecer ou não interpretar os sinais clínicos em pacientes que não são capazes de se comunicar verbalmente é fracassar no esforço diagnóstico. A interpretação de sinais na medicina veterinária continua a ser uma habilidade que requer vigilância persistente, experiência e intuição. Não há absolutamente nenhum teste laboratorial, procedimento cirúrgico ou tecnologia de imagem sofisticada que possa substituir o papel do clínico.

AGRESSIVIDADE DEFINIÇÃO

3

Agressividade é uma condição (normal ou anormal) em cães e gatos caraterizada por comportamento ameaçador, destrutivo ou de ataque, podendo ser classificada como ofensiva ou defensiva. O conhecimento específico do padrão e tipo de agressão é fundamental para uma abordagem clínica efetiva. Deve-se descartar doenças que possam estar relacionadas com comportamento agressivo (p. ex., dor ou neoplasia intracraniana). MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS A agressividade pode ser resultado de distúrbios, particularmente os que afetam o encéfalo. Nesses pacientes, o início do comportamento agressivo é usualmente agudo e pode ser associado a outros sinais neurológicos que sugerem disfunção cerebral (p. ex., convulsões ou andar em círculos). Contudo, animais com dor também podem manifestar comportamento agressivo, como resposta ao estímulo doloroso. Animais com cegueira ou surdez uni ou bilateral podem manifestar agressividade ou esquiva quando manipulados, sem que isso seja necessariamente considerado um padrão de comportamento anormal. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL COMPORTAMENTO AGRESSIVO NO CÃO: DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE ACORDO COM A CAUSA COMPORTAMENTO AGRESSIVO DECORRENTE DE DISTÚRBIO ORGÂNICO Raiva Neoplasia intracraniana Hipoxia cerebral Atividade convulsiva Distúrbios neuroendócrinos

Agressão possessiva Agressão protetora (comida, brinquedos, cama) Agressão predatória Agressão decorrente do medo Agressão entre machos e entre fêmeas Agressão decorrente de dor, castigo e irritação Agressão maternal Agressão redirecionada

COMPORTAMENTO AGRESSIVO TÍPICO DA ESPÉCIE* Agressão por dominância De Young MS: Aggressive behavior. In: Ford RB, ed: Clinical signs and diagnosis in small animal practice, New York, 1988, Churchill Livingstone. *Esses padrões de comportamentos não são distúrbios. Eles são padrões típicos da espécie e, portanto, normais. A familiaridade com o comportamento agressivo normal típico do cão permite a percepção de padrões anormais.

C0015.indd 380

26/12/12 10:53 AM


AUMENTO DA PRODUÇÃO DE URINA E DO CONSUMO DE ÁGUA: POLIÚRIA E POLIDIPSIA

381

MÉTODOS DIAGNÓSTICOS 1. Perfil laboratorial e exame neurológico para avaliar a presença de dor ou doença orgânica subjacente (doença intracraniana). 2. Nota: Não é recomendada a administração de um fármaco psicotrópico como terapia empírica para agressão antes de determinar a causa possível e a tentativa de modificar o comportamento por meio de treinamento. COMPORTAMENTO AGRESSIVO NO GATO: DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE ACORDO COM A CAUSA COMPORTAMENTO AGRESSIVO DECORRENTE DE DISTÚRBIO ORGÂNICO Raiva Neoplasia e lesões intracranianas

COMPORTAMENTO AGRESSIVO TÍPICO DA ESPÉCIE*

Agressão na brincadeira Agressão territorial Agressão decorrente por medo Agressão decorrente dor Agressão maternal Agressão redirecionada

Agressão entre machos Agressão predatória *Esses padrões de comportamento não são necessariamente distúrbios. Eles são padrões de comportamento típicos da espécie e, portanto, normais. A familiaridade com o comportamento agressivo normal típico do gato permite a percepção de padrões anormais.

3

ALOPECIA: Ver Perda de Pelos: Alopecia. ATAXIA Ver Incoordenação: Ataxia. AUMENTO DA PRODUÇÃO DE URINA E DO CONSUMO DE ÁGUA: POLIÚRIA E POLIDIPSIA DEFINIÇÃO Na prática, poliúria e polidipsia, também abreviadas como PU/PD, são, de forma geral, interpretadas como um aumento da eliminação de urina e do consumo de água, respectivamente. Todavia, a PU verdadeira é um aumento anormal da produção de urina, normalmente de baixa densidade. Embora PD seja um aumento anormal ou absoluto do consumo de água, geralmente associado ao aumento da sede, a ingestão de água raramente é quantificada. O uso dos termos poliúria e polidipsia em geral se justifica quando um cliente apresenta um cão ou gato com aumentos subjetivos na frequência da micção e na ingestão de água como o problema primário. Quando não existe uma evidência clara do aumento da micção e do aumento da sede, pode ser necessária comprovação real da ingestão de água e do débito urinário em 24 horas. A PD é um sinal compensatório que se desenvolve subsequentemente à PU. A PD primária com PU compensatória é incomum. A PD primária subsequente ao aumento da sede pode causar PU secundária, mas este é um achado clínico incomum. Ingestão compulsiva de água (PD pseudopsicogênica) é provavelmente o tipo mais importante de PD primária, embora a causa subjacente não seja conhecida. Lesões hipotalâmicas, hipercalcemia e concentrações elevadas de renina plasmática são causas menos comuns de PD primária. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS As manifestações clínicas associadas a PU ou PD são variados e dependem da doença subjacente. Sinais sistêmicos incluem fraqueza, apetite diminuído, perda de peso, diarreia e febre. A polifagia com perda de peso ocorre em animais com diabetes mellitus e em gatos com hipertireoidismo.

C0015.indd 381

26/12/12 10:53 AM


382

3

SINAIS CLÍNICOS

Síndromes paraneoplásicas, especialmente hipercalcemia, podem desenvolver-se em associação a PU/PD. Um exame clínico abrangente e uma avaliação laboratorial se justificam em todos os pacientes que apresentam PU/PD como a queixa principal. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE POLIÚRIA E POLIDIPSIA POLIÚRIA DE ORIGEM RENAL Insuficiência renal Glomerulonefrite Disfunção tubular Disfunção medular renal Diurese pós-obstrutiva (p. ex., síndrome urológica felina) Diabetes insipidus (nefrogênico) Nefropatia hipercalcêmica Síndrome de Fanconi Diminuição da hipertonicidade da medula renal

POLIÚRIA DE CAUSAS NÃO RENAIS Diabetes insipidus (neurogênico) Diabetes mellitus

3

Hiperadrenocorticismo Doença hepática (inespecífica) Piometra Polidipsia pseudopsicogênica

POLIÚRIA INDUZIDA POR MEDICAMENTOS Glicocorticoides (principalmente em cães) Manitol intravenoso Glicose, em concentrações acima de 50 mg/dL (5,0%) Álcool Terapia diurética (p. ex., furosemida) Fenitoína Intoxicação pela vitamina D

MÉTODOS DIAGNÓSTICOS (Fig. 3-1) 1. Histórico e exame físico, para facilitar a verificação do problema, além da determinação de sua duração e dos sinais associados. O conhecimento da administração recente de medicação é de especial importância. 2. Exames laboratoriais básicos. O foco primário do plano de diagnóstico é interpretar resultados de exames laboratoriais, incluindo hemograma, perfil bioquímico, exame de urina, coprocultura, teste de dirofilariose (em cães), testes de FeLV e FIV (em gatos) e urocultura. 3. Coletar urina e mensurar a ingestão de água por um período de 24 horas para documentar o problema, se necessário. 4. Radiografias abdominais, se indicadas. 5. Exames diagnósticos especiais, se indicados, com base nos resultados dos exames laboratoriais: a. Testes de privação de água e de privação de água modificado (contraindicados na presença de azotemia, desidratação ou hipercalcemia) b. Teste da resposta ao hormônio antidiurético (ADH, vasopressina) c. Teste de tolerância à glicose d. Estimulação com ACTH ou teste de supressão com dexametasona e. T4 sérico f. Estudos da função hepática (p. ex., amônia sérica, ácidos biliares) g. Ultrassonografia do abdome h. Biópsia de tecido (p. ex., renal e hepático) i. Laparotomia exploratória

CEGUEIRA Ver Perda Total da Visão. COCEIRA: PRURIDO Ver também Perda de Pelos: Alopecia. DEFINIÇÃO Prurido é uma estimulação epidérmica desagradável, algumas vezes intensa, que causa coceira ou mordedura anormalmente frequentes. Histamina, endopeptidases e outros polipeptídeos liberados pelas células cutâneas servem como mediadores do prurido. A histamina é o mediador primário

C0015.indd 382

26/12/12 10:53 AM


COCEIRA: PRURIDO VER TAMBÉM PERDA DE PELOS: ALOPECIA.

383

História de polidipsia/poliúria Excluir causas iatrogênicas

Exame físico normal

Aparentemente doente

Verificar por meio de mensuração no domicílio, se necessário Hemograma, perfil bioquímico, exame de urina

Negativo

Positivo Excluir (ou confirmar com testes específicos) Hipertireoidismo Insuficiência renal Diabetes mellitus Glicosúria tubular renal Diurese pós-obstrutiva Piometra Hipoadrenocorticismo Hiperadrenocorticismo Insuficiência hepática Policitemia Hipercalcemia Hipocalemia

Não desidratado

3

Desidratado Reidratar

Teste de privação de água

Intermediário Negativo DIC DIC parcial DIN PPA + washout PPA + washout medular IR medular

Normal DIC DIN PPA

Diminuído IR

Reidratar

Positivo PPA

Teste da depuração da creatinina

Teste de HAD exógeno

Positivo DIC

Negativo Intermediário DIN PPA + washout PPA + washout medular medular

Teste de privação parcial de água ou de Hickey-Hare Positivo PPA

Negativo DIN

Chave: PPA ⫽ polidipsia psicogênica aparente DIC ⫽ diabetes insipidus central DIN ⫽ diabetes insipidus nefrogênico MSW ⫽ washout medular IR ⫽ insuficiência renal com diurese de soluto

Figura 3-1: Abordagem clínica para o paciente com polidipsia e poliúria. ADH, Hormônio antidiurético; H, Hemograma. (De Fenner WR: Quick reference to veterinary medicine, ed 2, Philadelphia, 1991, Lippincott.)

C0015.indd 383

26/12/12 10:53 AM


384

3

SINAIS CLÍNICOS

do prurido, associada à reação de pápula-eritema. O prurido mediado por histamina não pode ser completamente inibido por antagonistas de receptores H1 ou H2 (bloqueadores). A estreita associação entre o prurido e inflamação da pele é atribuída ao fato de que muitos dos mediadores e potenciadores endógenos são liberados in situ durante eventos inflamatórios. O prurido, embora seja uma resposta protetora, pode tornar-se mais prejudicial do que útil. Como uma característica da dermatite, os mediadores do prurido não podem ser removidos pelo paciente. Na verdade, o prurido acaba por promover mais inflamação e se perpetua subsequentemente. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

3

Lesões de pele são frequentemente associadas a prurido; todavia, é importante caracterizar as lesões e distinguir as primárias das secundárias ao prurido. Pápulas e pústulas são lesões primárias características que finalmente podem evoluir para lesões secundárias, como crostas, úlceras, escamas em colarinhos e máculas pigmentadas. Vesículas e bolhas, placas e urticária (pápulas) também podem ocorrer como lesões primárias de pele. Crostas lineares, ulceração irregular, liquenificação, descamação difusa e pigmentação, e alopecia em placas, são lesões características que se desenvolvem secundariamente à escoriação. O prurido também pode ocorrer sem lesões primárias (i. e., prurido “essencial”). Este tipo de prurido é uma manifestação de doença sistêmica, embora a mediação possa ser central ou cutânea. As causas incluem atopia, pele ressecada e distúrbios neurológicos e psicogênicos. Uma série de doenças renais, hepáticas, hematopoiéticas, alérgicas e endócrinas está associada a prurido essencial. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE PRURIDO (NÃO É UMA LISTA ABRANGENTE) Dermatite pustular Infecciosa Piodermite dos filhotes Foliculite e furunculose Imunomediada Pênfigo foliáceo Distúrbios formadores de vesícula (p. ex., erupção medicamentosa) Dermatose ␥ por imunoglobulina A (IgA) linear Idiopática Celulite juvenil Dermatose pustular subcorneana

ERUPÇÃO VESICULAR OU BOLHOSA Dermatose bolhosa Lúpus eritematoso sistêmico (LES) Necrólise epidérmica tóxica Erupção medicamentosa Dermatite por contato aguda

FORMAÇÃO DE PLACA Dermatite infecciosa Dermatite imunomediada Neoplasia (p. ex., mastocitoma)

ERUPÇÃO PAPULAR (Cão) Infecciosa Foliculite (bacteriana, fúngica, demodécica)

C0015.indd 384

Parasitária ( Sarcoptes, Cheyletiella , piolhos, pulgas) Vasculite (febre maculosa das Montanhas Rochosas) Imune Alergia (atopia) Autoimune (pênfigo foliáceo, LES) Idiopática

ERUPÇÃO PAPULAR (GATO) Infecciosa (foliculite bacteriana) Dermatofitose Parasitária (sarna otodécica e notoédrica, Cheyletiella, piolhos) Imunomediada (hipersensibilidade a alimentos) Dermatite miliar idiopática

DERMATITE ULCERATIVA LES Vasculite leucocitoclástica Eritema multiforme Necrólise epidérmica tóxica Micose fungoide Complexo da epidermólise bolhosa Dermatomiosite Dermatite por contato aguda Síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada

26/12/12 10:53 AM


COMA: PERDA DE CONSCIÊNCIA

385

MÉTODOS DIAGNÓSTICOS 1. Histórico e exame físico, para caracterizar a lesão de pele e sua distribuição, determinarão se a doença parece ou não ser contagiosa e também se existe ou não uma doença sistêmica. 2. Exames laboratoriais, se houver evidência de que existe doença sistêmica. 3. Exame da pele e pelagem. Realizar vários raspados de pele e examinar pele e pelos com lâmpada de Wood. 4. Exames microbiológicos para bactérias e dermatófitos. 5. Exames imunológicos, incluindo teste de pele intradérmico e teste direto para anticorpos fluorescentes em amostras de biópsia de pele (normal e afetada). 6. Biópsia de pele com exame dermato-histopatológico. 7. Exposição provocadora a agentes ambientais, dieta e medicamentos selecionados.

COMA: PERDA DE CONSCIÊNCIA DEFINIÇÃO O coma é um estado de inconsciência completa, reversível ou irreversível, que pode resultar de doença neurológica ou não neurológica (overdose de fármacos, especialmente em cães). O coma pode ser consequência de lesões multifocais ou difusas no cérebro ou de uma lesão que afeta a porção anterior do tronco encefálico e o sistema de ativação reticular ascendente. Uma variedade de doenças orgânicas do sistema nervoso central (SNC) que conduz a encefalopatia tóxica ou metabólica também pode induzir o coma.

3

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Embora o paciente comatoso esteja inconsciente, deverá ser realizado um exame neuro-oftalmológico completo. Tamanho e respostas pupilares alteradas ao estímulo luminoso usualmente indicam doença do tronco encefálico. A avaliação cardíaca de emergência do paciente inconsciente justifica um eletrocardiograma (ECG) e radiografias torácicas. A avaliação laboratorial do paciente comatoso inclui função hepática, eletrólitos e nível de glicose. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DO COMA

Agudo, não progressivo Agudo, progressivo

Crônica, progressiva

C0015.indd 385

Neurogênico

Não Neurogênico

Hemorragia intracraniana Malformações cerebrais Lesões metastáticas Hemorragia epidural, subdural Meningoencefalite Edema cerebral

– – Hipoglicemia Coma diabético (hiperosmótico) Intermação Encefalopatia hepática ou urêmica Infecção Hipoxia Deficiência de tiamina (gato) Intoxicação por metais pesados e fármacos Intoxicação por monóxido de carbono Intoxicação por metais pesados

Hemorragia (rara) Doenças de depósito Hidrocefalia Encefalite

26/12/12 10:53 AM


386

3

SINAIS CLÍNICOS

MÉTODOS DIAGNÓSTICOS 1. Estado grave: Avaliação das vias aéreas e do sistema cardiovascular (pulso, batimento cardíaco e ECG). Fazer radiografias torácicas se indicadas. Se há suspeita de edema cerebral, administrar ventilação de suporte, agentes hiperosmóticos intravenosos (p. ex., manitol 20%, 1 a 2 g/kg de peso corporal a cada 6 horas) e glicocorticoides. 2. Realizar cuidadoso exame neurológico, avaliando principalmente a função do tronco encefálico, incluindo função motora, respostas pupilares à luz (ou falta delas) e movimento dos olhos. 3. Perfil laboratorial completo, que inclua hematologia, perfil bioquímico e urinálise. 4. Testes diagnósticos especiais: se apropriados: a. Coma metabólico amônia sérica, ácidos biliares, glicose, níveis de chumbo em sangue e urina. b. Coma neurológico: radiografias do crânio, análise de líquor e eletroencefalografia. c. Avaliação da resposta ao manitol intravenoso.

CONSTIPAÇÃO (OBSTIPAÇÃO) Ver também Esforço para Defecar: Disquezia. DEFINIÇÃO

3

Constipação é a diminuição ou dificuldade em evacuar. Obstipação é a constipação intratável que resulta em endurecimento fecal no reto e possivelmente no cólon. A defecação difícil ou dolorosa, provável manifestação de constipação ou obstipação, representa tipicamente o motivo da consulta de um gato ou cão sob essas circunstâncias (ver também Esforço para Defecar: Disquezia). Não há definição precisa da regularidade do intestino; portanto, não há número “normal” de movimentos intestinais diários ou semanais, desvios do qual constitui a constipação. Praticamente, a constipação deve ser considerada quando houver diminuição na frequência de eliminação de fezes ou quando estas apresentarem consistência extremamente dura ou seca. A constipação é classificada em: neurogênica, mecânica (física), muscular (músculo liso) ou iatrogênica (induzida por fármacos). O proprietário que percebe que o seu animal tem dificuldade para defecar pode ter observado também dificuldade para urinar. Isso ocorre especialmente em gatos com distúrbios do trato urinário inferior, como a doença do trato urinário inferior dos felinos (DTUIF). No contexto da discussão, o termo disquezia será abordado somente quando estiver associado à constipação e obstipação (Fig. 3-2).

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS A avaliação do paciente com constipação ou obstipação pode representar um grande desafio para o médico em virtude dos mecanismos complexos envolvidos. Animais com causas neurogênicas podem ter dor retal ou perianal significativa associada a lesões locais. Outros pacientes podem ter doença neurológica não dolorosa ou complicações de longa duração provenientes de trauma pélvico ou espinhal anterior. Causas mecânicas são extraluminais ou intraluminais. É indicada a palpação abdominal ou retal em ambas, tanto em cães e gatos machos e fêmeas. Fezes finas ou tingidas com sangue podem sinalizar a presença de uma lesão intraluminal, ao passo que em pacientes com lesões extraluminais pode não haver sinais clínicos associados. Causas musculares são as menos comuns e, geralmente, são resultado de alterações metabólicas graves. Atonia do cólon de origem idiopática é relatada, mas a constipação também pode resultar de estados catabólicos graves. Evidência laboratorial de doença endócrina e anormalidades eletrolíticas devem ser avaliadas.

C0015.indd 386

26/12/12 10:53 AM


CONSTIPAÇÃO (OBSTIPAÇÃO) VER TAMBÉM ESFORÇO PARA DEFECAR: DISQUEZIA. Dados e histórico

387

Achados positivos

Constipação “aparente” Retenção fecal Prenhez? p. ex., após diarreia prolongada p. ex., confinamento Exame físico

Induzida Comportamento por medicação

Achados positivos

Dor anal/retal Obstrução colorretal feridas/trauma próstata infecção tumor neoplasia fecaloma doença do saco anal estreitamento prolapso/hérnia Biópsia ou tratamento local

Avaliação adicional ou tratamento

3

Avaliação de radiografias abdominais

Fecaloma (obstipação) p. ex., atonia

Déficits neurológicos Fraqueza p. ex., propriocepção muscular consciente generalizada e/ou desidratação Radiografias de coluna Perfil laboratorial Avaliação adicional

Achados positivos (megacólon)

Lesão/doença da Aumento medula espinhal prostático

Avaliação adicional

Avaliação adicional

Tumor intraabdominal Avaliação adicional

Perfil laboratorial

Fratura pélvica consolidada ou trauma pélvico (especialmente gatos)

Achados positivos Sedação ou anestesia geral Avaliação adicional

Hipercalcemia Hipocalemia Hiperparatireodismo Hipotireoidismo Hiperadrenocorticismo

Repetir Proctos- Colonos- RadioLaparotomia exame copia com copia com grafia exploratória retal/anal biópsia biópsia contrastada do cólon

Aspirado Mielograma Biópsia percutâneo muscular da próstata para EMG citologia/cultura

Figura 3-2: Algoritmo clínico para constipação no cão e no gato. EMG, Eletromiografia.

C0015.indd 387

26/12/12 10:53 AM


SEÇÃO 4

Procedimentos Diagnósticos e Terapêuticos Richard B. Ford e Elisa M. Mazzaferro Procedimentos de Rotina, 437 Técnicas de Administração de Medicamentos e Fluidos, 437 Técnicas de Colocação de Bandagem e Tala, 449 Mensuração da Pressão Arterial: Indireta, 449 Técnicas de Coleta de Amostras Diagnósticas, 450 Procedimentos Dermatológicos, 476 Biópsia Cutânea, 476 Limpeza Auricular: Canal Auditivo Externo, 479 Intubação Endotraqueal, 480 Procedimentos Avançados, 482 Abdominocentese, 482 Técnicas de Biópsia: Avançadas, 483 Gases Sanguíneos: Sangue Arterial, 490 Coleta de Líquido Cefalorraquidiano, 491 Eletrocardiografia, 491 Endoscopia: Indicações e Equipamentos Necessários, 498 Procedimentos Gastrointestinais, 503 Intubação Nasoesofágica, 503 Colocação do Tubo de Esofagostomia, 505 Procedimentos Oftálmicos, 511 Radiografia: Estudos Contrastados Avançados, 515 Trato Reprodutor das Fêmeas, 522 Trato Reprodutor dos Machos, 527 Procedimentos do Trato Respiratório, 532 Procedimentos do Trato Urinário, 543

PROCEDIMENTOS DE ROTINA TÉCNICAS DE ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTOS E FLUIDOS ADMINISTRAÇÃO ORAL: COMPRIMIDOS E CÁPSULAS – CÃES Preparação do Paciente Não é necessária. Técnica O método mais simples de administrar comprimidos ou cápsulas aos cães é esconder a medicação no alimento. Ofereça inicialmente pequenas porções de queijo, carne ou alguns dos alimentos favoritos do cão sem incluir a medicação e, em seguida, uma porção de alimento com a medicação incluída. Pill Pockets® Canine Treats* é um petisco próprio para disfarçar comprimidos e cápsulas, disponível comercialmente nos Estados Unidos. *Pill Pockets® Treats para Cães e Pill Pockets® Treats para Gatos; Greenies (www.greenies.com). 437

C0020.indd 437

26/12/12 2:40 PM


438

4

PROCEDIMENTOS DIAGNÓSTICOS E TERAPÊUTICOS

Nota: Frequentemente, a medicação oral é prescrita sem que se atente para a educação do cliente sobre como administrar uma cápsula ou comprimido, ou sem questionar se o cliente é, de fato, fisicamente capaz de administrar medicações. Instruções claras, incluindo a observação da realização da técnica pelo cliente no hospital, melhoram de forma significativa a adesão ao tratamento.

Em cães anoréxicos, ou quando os medicamentos precisam ser administrados sem alimento, o método consiste em dar a medicação rapidamente e de forma decisiva, de tal maneira que o processo seja realizado antes que o animal perceba o que aconteceu. Em cães cooperativos, insira o dedo polegar de uma das mãos no espaço interdental e toque, delicadamente, o palato duro. Isso induzirá o cão a abrir a boca (Fig. 4-1). Utilizando a outra mão (a que está segurando a medicação), pressione delicadamente a mandíbula para baixo, forçando uma abertura ainda maior (Fig. 4-2).

4 Figura 4-1: Use o dedo polegar para abrir a boca de um cão cooperativo.

Figura 4-2: Com a outra mão, coloque o comprimido ou cápsula na porção caudal da língua.

C0020.indd 438

26/12/12 2:40 PM


PROCEDIMENTOS DE ROTINA

439

Ponha rapidamente o comprimido ou a cápsula na porção caudal da língua. Retire a mão com rapidez e feche a boca do cão. Quando o animal lamber o focinho, a medicação provavelmente já terá sido deglutida. Cães que oferecem mais resistência podem ser induzidos a abrir a boca pela compressão dos lábios superiores contra seus dentes. Conforme o cão abre a boca, desloque os lábios medialmente, de forma a serem comprimidos caso ele queira fechar a boca. Outra alternativa seria gotejar água sobre as narinas ou soprar algumas vezes no focinho do paciente, o que o encoraja a aceitar e engolir as medicações orais (comprimidos ou cápsulas). Há disponível no mercado seringas próprias para administração de comprimidos que parecem funcionar bem em alguns cães. Considerações Especiais A administração de medicação oral por parte do proprietário requer habilidade na sua execução. Os animais que resistirem agressivamente à medicação oral devem ser tratados por métodos alternativos – por exemplo, administração parenteral da medicação. É inapropriado e inseguro delegar as responsabilidades do tratamento ao proprietário de um cão (ou gato) que possa feri-lo enquanto tenta tratá-lo. ADMINISTRAÇÃO ORAL: COMPRIMIDOS E CÁPSULAS – GATOS Preparação do Paciente Não é necessária. Técnica Cuidado: Somente indivíduos experientes devem tentar essa técnica de administração de comprimidos ou cápsulas a gatos. Mesmo gatos cooperativos podem se tornar intolerantes e morder. Dessa forma, essa não é uma técnica recomendada para a maioria dos proprietários tentarem em domicílio, ainda que tenham recebido instruções específicas. São utilizados dois métodos de administração de comprimidos e cápsulas em gatos. Em ambos os métodos, a cabeça do gato é ligeiramente elevada com o focinho apontado para o alto. O sucesso na administração da medicação a um gato envolve o sutil equilíbrio entre o que é efetivo e o que é seguro. Em gatos cooperativos pode-se segurar e posicionar a cabeça (Fig. 4-3) com uma mão, e com a outra mão (a que está segurando a medicação) abrir a boca com delicadeza por meio da pressão da mandíbula rostral para baixo (Fig. 4-4). Pressione a pele adjacente aos dentes maxilares delicadamente entre os dentes conforme a boca é aberta, evitando, assim, que o gato feche sua boca.

4

Figura 4-3: Técnica de contenção da cabeça enquanto se administra um comprimido ou uma cápsula a um gato.

C0020.indd 439

26/12/12 2:40 PM


440

4

PROCEDIMENTOS DIAGNÓSTICOS E TERAPÊUTICOS

Figura 4-4: Com a outra mão, pressione delicadamente a mandíbula do gato para baixo antes de colocar um comprimido na porção caudal da cavidade oral.

4

Com a boca aberta, jogue (não empurre) a medicação (tente lubrificar com cuidado o comprimido ou cápsula com manteiga) para dentro da cavidade oral. Poderão ser realizadas batidinhas leves sob o queixo ou na ponta do focinho para facilitar a deglutição. Se o gato se lamber, a administração provavelmente foi bem-sucedida. Outra alternativa seria utilizar uma seringa especial para a administração de comprimidos e cápsulas em gatos. A seringa funciona bem, contanto que seja cuidadosamente inserida e de forma atraumática na boca do gato. No entanto, se houver resistência, a seringa poderá machucar o palato duro durante a tentativa de medicação. Em tentativas subsequentes de utilizar a seringa, pode haver aumento de resistência e, portanto, maior risco de trauma. O sucesso da utilização desse tipo de seringa depende bastante do comportamento do gato. Também existem o Pill Pocket® Treats para gatos, que são fabricados nos sabores frango e peixe. Além disso, como no caso dos cães, alguns gatos responderão à aplicação de gotas de água ou sopro nas narinas para estimular a deglutição do medicamento. Considerações Especiais Quando prescrever medicações orais a gatos, não espere que os clientes forcem um comprimido ou cápsula na boca do animal. Apesar de alguns clientes serem notavelmente capazes e confiantes em relação à sua habilidade de administrar medicações orais a gatos, o risco de acidentes pode ser significativo. Sempre que possível, medicações líquidas ou comprimidos pulverizados devem ser misturados à dieta ou a um petisco prontamente aceito e consumido (ver discussão a seguir). ADMINISTRAÇÃO ORAL: LÍQUIDOS Sem Tubo Gástrico Preparação do Paciente Não é necessária. A técnica é apropriada para ser realizada por proprietários em domicílio. Técnica Pequenas quantidades de medicamento líquido podem ser administradas de maneira bem-sucedida a cães e gatos puxando-se a comissura labial para fora, formando uma bolsa (Fig. 4-5). Deposite a medicação líquida na “bolsa da bochecha”, de onde ela fluirá por entre os dentes conforme a cabeça for ligeiramente posicionada para o alto. Paciência e delicadeza, além da medicação razoavelmente saborosa, contribuem para o sucesso.

C0020.indd 440

26/12/12 2:40 PM


PROCEDIMENTOS DE ROTINA

441

Figura 4-5: Use uma seringa para administrar medicações líquidas na cavidade oral de um gato.

Colheres são ineficazes, uma vez que os líquidos são facilmente expelidos. Uma seringa descartável pode ser utilizada para medir e administrar os líquidos por via oral. Dependendo do líquido administrado, as seringas descartáveis podem ser reutilizadas diversas vezes, desde que sejam lavadas após cada administração. Não é recomendado que medicações diferentes sejam misturadas em uma mesma seringa. Recomenda-se a identificação adequada da seringa para cada tipo de medicação líquida prescrita. Considerações Especiais Também podem ser consideradas as farmácias de manipulação para o preparo de medicações com sabores palatáveis para facilitar a administração oral. Cães com distúrbios de deglutição não devem ser tratados em domicílio com medicações líquidas, pois isso pode provocar complicações associadas à aspiração.

4

Com um Tubo de Administração Preparação do Paciente Não é necessária.

Nota: Esse procedimento é reservado exclusivamente para âmbito hospitalar. A técnica deverá ser realizada apenas por indivíduos treinados.

Técnica A administração de medicações, material de contraste e fluidos reidratantes pode ser realizada com o uso de um tubo de alimentação bem lubrificado, introduzido através das narinas até o estômago ou o esôfago distal. Quando o tubo de alimentação é colocado para uso por longo período (vários dias) e de forma repetida (descrito posteriormente em Procedimentos Gastrointestinais), é geralmente recomendado evitar introduzir a ponta do tubo além do esôfago distal. A razão para a recomendação de intubação nasoesofágica, em vez de intubação nasogástrica, baseia-se no fato de que o peristaltismo reflexo do esôfago contra a passagem de um tubo através da cárdia pode resultar em ulceração significativa da mucosa em 72 horas. Isso não é um problema em pacientes que recebem uma única dose de medicação ou material de contraste.

C0020.indd 441

26/12/12 2:40 PM


442

TABELA 4-1

4

PROCEDIMENTOS DIAGNÓSTICOS E TERAPÊUTICOS

Equivalentes da Escala Francesa de Cateter* Tamanho

4

Escala

Milímetros

Polegadas

3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 22 24 26 28 30 32 34

1 1,35 1,67 2 2,3 2,7 3 3,3 3,7 4 4,3 4,7 5 5,3 5,7 6 6,3 6,7 7,3 8 8,7 9,3 10 10,7 11,3

0,039 0,053 0,066 0,079 0,092 0,105 0,118 0,131 0,144 0,158 0,170 0,184 0,197 0,210 0,223 0,236 0,249 0,263 0,288 0,315 0,341 0,367 0,393 0,419 0,445

*Vários tipos de tubos de poliuretano de alimentação nasogástrica encontram-se disponíveis em tamanhos que variam de 8F a 12F e que acomodam facilmente a administração de medicações líquidas e de fluidos a gatos adultos e filhotes, e a cães de pequeno porte.

O lúmen estreito dos tubos introduzidos através das narinas de cães de pequeno porte e gatos limita a viscosidade das soluções que podem ser administradas. A intubação nasoesofágica pode ser feita com uma variedade de tamanhos e tipos de tubos (Tabela 4-1). Os tubos de poliuretano mais recentes, quando recobertos com gel lubrificante de lidocaína não são irritantes e podem ser deixados no local com a ponta posicionada no esôfago distal. Quando for colocar o tubo nasogástrico, instile de quatro a cinco gotas de proparacaína a 0,5% nas narinas do gato ou do cão de pequeno porte; pode ser necessário instilar de 0,5 a 1 mL de lidocaína a 2% na narina de um cão de raça de porte maior para se alcançar o nível de anestesia tópica requerida para a passagem do tubo através da narina. Com a cabeça elevada, direcione o tubo dorsomedialmente para a dobra alar (Fig. 4-6). A passagem do tubo será facilitada para o meato nasal ventromedial empurrando-se o tubo dorsalmente sobre o filtro nasal e empurrando a narina da lateral para a face medial. Cuidado: A ponta do tubo de alimentação pode ser inadvertidamente introduzida através da glote em direção à traqueia. O anestésico tópico instilado no nariz pode anestesiar as cartilagens aritenoides, bloqueando, assim, o reflexo de tosse ou de deglutição. Após inserir de 1 a 2 cm da ponta no interior da narina, continue avançando com o tubo até alcançar o comprimento desejado. Se os cornetos obstruírem a passagem do tubo, retroceda-o por alguns centímetros. Reavance, então, o tubo, tomando cuidado para direcioná-lo ventralmente através da cavidade nasal. Ocasionalmente, pode ser necessário retirar o tubo completamente da narina e repetir o procedimento. Em pacientes particularmente pequenos ou com lesões obstrutivas

C0020.indd 442

26/12/12 2:40 PM


PROCEDIMENTOS DE ROTINA

443

Figura 4-6: Posicionamento dorsomedial inicial de um tubo nasoesofágico antes da inserção completa. (p. ex., tumor) na cavidade nasal pode não ser possível passar o tubo. Não o force contra uma resistência significativa através da narina. A gavagem, ou a lavagem e alimentação gástrica, em filhotes caninos e felinos pode ser realizada pela passagem de um cateter de borracha macia ou tubo de alimentação para dentro da boca movendo a cabeça do filhote canino ou felino e vendo-o engolir o tubo. A maior parte dos filhotes caninos e felinos irá lutar e vocalizar. Geralmente, eles não vocalizam se o tubo estiver posicionado no interior da traqueia. Um cateter 12F possui um diâmetro adequado para passar livremente, mas é muito grande para cães e gatos com idade inferior a 2 a 3 semanas. Marque no tubo, com uma fita adesiva ou uma caneta, o ponto que identifica a distância da boca à última costela. Simplesmente empurre o tubo para o interior da faringe, em direção ao esôfago, até o nível torácico caudal (no interior do estômago). Verifique o posicionamento do tubo utilizando a mesma técnica de aspiração com uma seringa seca, assegurando-se de que ele está realmente posicionado no esôfago ou no estômago, e não na traqueia. Acople uma seringa à terminação arredondada e injete, lentamente, a medicação ou o alimento. Dependendo do tipo de tubo de alimentação, sua terminação pode ou não acomodar uma seringa. Por exemplo, cateteres urinários de borracha macios são excelentes tubos para se utilizar em administração única. No entanto, a terminação arredondada pode não acomodar uma seringa. Para acoplar uma seringa na terminação externa de um tubo ou cateter de alimentação cônico, insira um adaptador plástico (Fig. 4-7) na terminação livre.

4

Figura 4-7: Adaptador plástico (“árvore de Natal”) para fixar a seringa a um tubo de alimentação nasoesofágico.

C0020.indd 443

26/12/12 2:40 PM


444

4

PROCEDIMENTOS DIAGNÓSTICOS E TERAPÊUTICOS

Considerações Especiais O posicionamento esofágico (versus intratraqueal) do tubo de alimentação pode ser verificado com uma seringa seca e vazia. Acople a seringa vazia à ponta do tubo de alimentação. Em vez de injetar ar ou água na tentativa de auscultar borborigmos no abdome, tente apenas aspirar ar pelo tubo de alimentação. Se não houver nenhuma resistência durante a aspiração e o ar preencher a seringa, o tubo provavelmente está na traqueia. Remova completamente o tubo e repita o procedimento. Entretanto, se repetidas tentativas de aspirar ar encontram resistência imediata e não houver entrada de ar na seringa, a ponta do tubo está posicionada adequadamente dentro do esôfago. Se ainda houver qualquer dúvida relacionada ao posicionamento do tubo, é indicada uma radiografia lateral de rotina. A confirmação definitiva do seu posicionamento adequado pode ser obtida pela instilação no tubo da mistura de 1 a 2 mL de contraste iodado em salina estéril e, então, a realização de radiografia lateral da região toracoabdominal para confirmação da entrada do material de contraste no estômago. ADMINISTRAÇÃO TÓPICA Ocular Preparação do Paciente Não é necessária.

4

Técnica Os métodos usuais de aplicação de medicação diretamente nos olhos incluem líquidos (gotas) e unguentos. A via e a frequência da medicação dependem da doença que está sendo tratada. Líquidos e unguentos são apropriados para a administração pelo proprietário. As medicações líquidas (normalmente, uma ou duas gotas) podem ser aplicadas diretamente sobre a córnea. É importante instruir o proprietário sobre a técnica adequada e enfatizar que, uma vez que os líquidos somente se deslocam para baixo, o focinho do paciente deve ser direcionado para o alto antes de se tentar administrar medicações líquidas nos olhos. É bastante difícil, também, fazer com que uma gota de líquido, conforme é expelida de seu frasco, caia horizontalmente, a despeito das frequentes tentativas de fazê-lo. Particularmente o unguento, na forma de uma linha de 3 mm ou 6 mm, é administrado diretamente sobre a esclera (dorsalmente) ou no fundo do saco conjuntival inferior de tal forma que, conforme as pálpebras se fecham, uma película de unguento é espalhada por toda a córnea. Considerações Especiais Não se deve permitir que a ponta do tubo de aplicação de líquidos e de unguentos entre em contato com o olho ou com a conjuntiva. Isso provavelmente resultará na contaminação da medicação, especialmente se forem líquidas. Ótica Preparação do Paciente Não é necessária. Técnica As soluções líquidas são os veículos mais eficazes para a administração de medicamentos no canal auditivo externo. Pode ser preciso fazer a remoção física de debris em alguns pacientes que necessitam de medicações óticas. Ocasionalmente, também pode ser necessário fazer a suplementação por medicação oral. O ouvido deverá ser gentilmente massageado após a instilação para facilitar a dispersão da medicação no interior do canal auditivo externo. Considerações Especiais Os pós medicinais são normalmente contraindicados no canal auditivo externo. É importante ressaltar que a ponta do aplicador das medicações líquidas não deve entrar em contato direto com a pele. Se isso acontecer, provavelmente haverá contaminação de todo o frasco do medicamento.

C0020.indd 444

26/12/12 2:40 PM


KIRK & BISTNER C0040.indd i

MANUAL DE

PROCEDIMENTOS VETERINÁRIOS E TRATAMENTO EMERGENCIAL

10/01/13 12:12 PM


Dedicatória

D r.R obert W .K irk 22 de maio de 1922 – 19 de janeiro de 2011 C l nico,educador,professor dedicado. U m homem cujo compromisso e contribui ıes medicina de animais de companhia sªo globais na extensªo e lendários no escopo.

C0040.indd ii

10/01/13 12:12 PM


KIRK & BISTNER

MANUAL DE

PROCEDIMENTOS VETERINÁRIOS E TRATAMENTO EMERGENCIAL 9ª EDIÇÃO Richard B. Ford, DVM, DACVIM, DACVPM Professor of Medicine Department of Clinical Sciences College of Veterinary Medicine North Carolina State University Raleigh, North Carolina Diplomate, American College of Veterinary Internal Medicine Diplomate (Honorary), American College of Preventive Medicine

Elisa Mazzaferro, MS, DVM, PhD, DACVECC Director of Emergency Services Wheat Ridge Veterinary Specialists Wheat Ridge, Colorado Diplomate, American College of Veterinary Emergency and Critical Care

C0040.indd iii

10/01/13 12:12 PM


' 2013 Elsevier Editora Ltda. Tradução autorizada do idioma inglês da edição publicada por Saunders – um selo editorial Elsevier Inc. Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/1998. N enhuma parte deste livro, sem autorização prévia por escrito da editora, poderá ser reproduzida ou transmitida sejam quais forem os meios empregados:eletr nicos, mecânicos, fotográficos, gravação ou quaisquer outros. ISBN :978-85-352-5435-8 ISBN (versão eletr nica):978-85-352-6781-5 C opyright ' 2012 by Saunders,an im print of Elsevier Inc. Previous editions copyrighted 2006, 2000, 1995, 1990, 1985, 1981, 1975, 1969 This edition of Kirk and Bistner's H andbook of Veterinary Procedures and Emergency Treatment, 9th edition by Richard B. Ford, Elisa Mazzaferro is published by arrangement w ith Elsevier Inc. ISBN :978-1-4377-0798-4 C apa Folio Design Editoração Eletr nica Thomson Digital Elsevier Editora Ltda. Conhecimento sem Fronteiras Rua Sete de Setembro, n 111 – 16 andar 20050-006 – Centro – Rio de Janeiro – RJ Rua Q uintana, n 753 – 8 andar 04569-011 – Brooklin – São Paulo – SP Serviço de Atendimento ao Cliente 0800 026 53 40 sac@ elsevier.com.br Consulte também nosso catálogo completo, os últimos lançamentos e os serviços exclusivos no site w w w .elsevier.com.br N O conhecimento em veterinária está em permanente mudança. Os cuidados normais de segurança devem ser seguidos, mas, como as novas pesquisas e a experiência clínica ampliam nosso conhecimento, alterações no tratamento e terapia à base de fármacos podem ser necessárias ou apropriadas. Os leitores são aconselhados a checar informações mais atuais dos produtos, fornecidas pelos fabricantes de cada fármaco a ser administrado, para verificar a dose recomendada, o método e a duração da administração e as contraindicações. responsabilidade do veterinário, com base na experiência e contando com o conhecimento do dono do animal, determinar as dosagens e o melhor tratamento para cada um individualmente. N em o editor nem o autor assumem qualquer responsabilidade por eventual dano ou perda a pessoas, animais ou a propriedade originada por esta publicação. O Editor CIP-BRASIL. CATALOGA˙ ˆ O N A FON TE SIN DICATO N ACION AL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ F794m Ford, Richard B. Kirk & Bistner, Manual de Procedimentos Veterinários e Tratamento Emergencial/ Richard B. Ford, Elisa M. Mazzaferro; [tradução Ana H elena Pagotto... et al.]. - Rio de Janeiro:Elsevier, 2012. 776p.:24cm. Tradução de:Kirk and Bistner's handbook of veterinary procedures and emergency treatment, 9th ed. Inclui bibliografia e índice ISBN 978-85-352-5435-8 1. Veterinária. 2. Primeiros socorros para animais. I. Kirk, Robert W arren, 1922-. II. Bistner, Stephen I. III. Mazzaferro, Elisa M. IV. Título. 12-4685.

C0045.indd iv

CDD:636.0896025 CDU:619:616-083.98

10/01/13 11:39 AM


Revisão Científica e Tradução REVISO RES CIENT˝FICO S K arina Velloso Braga Yazbek Graduada em Medicina Veterinária pela Universidade Paulista (UNIP) Residência no Hospital Veterinário da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP) Doutorado no Departamento de Cirurgia da FMVZ-USP Especialista em Dor pela Sociedade Brasileira de Dor (SBED) Ricardo Duarte Mestre e Doutor em Clínica Veterinária pelo Departamento de Clínica Médica da FMVZ - USP Professor de Clínica Médica de Animais de Pequeno Porte das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) Teresinha Luiza M artins Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo Anestesista Veterinária TRADUTO RES Adriana de Siqueira Médica Veterinária pela Universidade Federal do Paraná Mestre pelo Departamento de Patologia da FMVZ - USP Doutoranda no Departamento de Patologia da FMVZ - USP Alcir Costa Fernandes Filho Graduado em Inglês pelo Instituto Brasil-Estados Unidos Certificado de Proficiência em Inglês - University of Michigan Tradutor Inglês/Português pela Universidade Estácio de Sá Aldacilene Souza da Silva Doutora em Imunologia pela USP Mestre em Imunologia pela USP Médica Veterinária pela FMVZ-USP Ana Helena Pagotto Médica Veterinária, Técnica de Apoio à Pesquisa Científica do Instituto Butantan Doutora em Ciências pela Fundação Antonio Prudente Mestre em Ciências pela Fundação Antonio Prudente Daniel Rodrigues Stuginski Mestre em Ciências pelo Instituto de Biociências da USP Médico Veterinário pela FMVZ-USP Dominguita L hers Graça PhD pela University of Cambridge, Reino Unido v

C0050.indd v

09/01/13 8:43 AM


VI

REVISÃO CIENTÍFICA E TRADUÇÃO

Professora Titular Aposentada do Departamento de Patologia e Professora Voluntária do Departamento de Clínica de Pequenos Animais da Universidade Federal de Santa Maria, RS Felipe Gazza Romão Mestre pelo departamento de Clínica Veterinária da FMVZ-UNESP, Botucatu, SP Ex-residente da Clínica Médica de Pequenos Animais da FMVZ-UNESP, Botucatu, SP K eila K azue Ida PhD Student Anestesiologia da Faculdade de Medicina da USP Department of Neuroinflammation, Institute of Neurology (Queen Square), University College London (UCL) Lidianne Narducci M onteiro Médica Veterinária graduada pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) Especialista em Patologia Veterinária pela FMVZ-UNESP, Botucatu, SP Mestranda em Patologia pela Faculdade de Medicina da UNESP, Botucatu, SP M arcelo Fernandes de Souza Castro Mestre em Anatomia Veterinária pela USP (doutorando) Professor de Anatomia Descritiva dos Animais Domésticos da UNIP (Campinas, São José dos Campos e São Paulo) Professor de Anatomia Topográfica Veterinária da UNIP (Campinas, São José dos Campos e São Paulo) M aria Eugênia Laurito Summa Médica Veterinária pela USP Silvia M ariangela Spada Bacharel em Letras pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP Especialista em Tradução pela USP Thaís Rosalen Fernandes Médica Veterinária Patologista pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM), SP Residência em Patologia Veterinária pela FMVZ-UNESP Mestranda em Patologia Veterinária pela FMVZ-UNESP

C0050.indd vi

09/01/13 8:43 AM


Apresentação A 9ª edição de Kirk & Bistner – Manual de Procedimentos Veterinários e Tratamento Emergencial é um exemplo do ritmo das mudanças que ocorrem na medicina veterinária atualmente. O médico veterinário e o paciente continuam a se beneficiar dos impressionantes avanços tecnológicos em emergência e medicina de cuidados críticos, em testes diagnósticos e em terapia. Como editores desta edição, realizamos esforços significativos para incluir técnicas atuais de diagnóstico, procedimentos e recomendações de tratamento consistentes com os padrões de cuidados na medicina de animais de companhia. Para facilitar ␱ acesso rápido e fácil às informações, o texto é dividido em seis seções distintas, com ênfase especial à Seção 1, Cuidados de Emergência. Essa seção é organizada para facilitar o acesso rápido às recomendações de diagnóstico e tratamento do paciente em emergência e para aqueles que necessitam de cuidados críticos. Estão incluídas subseções importantes sobre Manejo Pré-hospitalar, Triagem e Manejo Iniciais de Emergência, Procedimentos de Emergência, Avaliação e Controle da Dor e Tratamento de Emergência de Condições Específicas. As seções 2 a 5 se baseiam nas estratégias diagnósticas, incluindo a avaliação do paciente, identificação de problemas, procedimentos de rotina e avançados e exames/interpretações laboratoriais. Cada uma dessas quatro seções aborda aspectos específicos da apresentação clínica do paciente. A Seção 2, Avaliação do Paciente e Exame dos Sistemas Orgânicos, se baseia na avaliação inicial do paciente e inclui o uso de modelos de registros médicos e planos para diagnósticos avançados. A Seção 3, Sinais Clínicos, consiste em uma abordagem a diagnósticos diferenciais baseada no problema e é reformulada de tal maneira que o problema do paciente seja representado a partir da perspectiva do cliente — do mesmo modo que os problemas são apresentados na prática clínica. A Seção 4 trata do diagnóstico de rotina e do avançado, assim como dos procedimentos terapêuticos. Os procedimentos avançados são agora apresentados em um formato órgão-sistema, para facilitar o acesso aos procedimentos diagnósticos atuais que podem ser necessários ao se avaliar casos complexos. A Seção 5, Diagnóstico Laboratorial e Protocolos de Exame, é uma referência sucinta e altamente estruturada para a realização de testes diagnósticos de rotina e avançados em cães e gatos. Cada teste representado inclui informações sobre a preparação do paciente, o protocolo de teste, o tipo de amostra a ser coletada em comparação ao tipo de amostra a ser submetida ao laboratório, a interpretação dos resultados, entre outras. A Seção 6 consiste em uma compilação das tabelas e quadros clinicamente pertinentes que foram extensivamente revisados e atualizados. Algumas das tabelas incluídas fornecem informações sobre o protocolo Anual de Vacinação para Cães e Gatos nos Estados Unidos e Indicações e Dosagens Comuns de Drogas. Foi o Dr. Robert Kirk que, em 1969, publicou a 1ª edição deste texto. São ao Dr. Kirk que podem ser atribuídos os créditos por estar entre os primeiros acadêmicos que reconheceram o papel exclusivo dos cuidados de emergência na medicina veterinária. Foi essa visão que basicamente acarretou o desenvolvimento e o crescimento de práticas de especialidade na medicina de emergência e de cuidados críticos. Todos nós temos uma dívida com o Dr. Kirk por seu compromisso e dedicação à medicina veterinária. Lamentavelmente, Dr. Kirk faleceu em janeiro de 2011. Entretanto, suas inúmeras contribuições continuarão a prestar serviços à profissão pelos muitos anos que virão. Temos a honra de dedicar esta edição do manual ao Dr. Kirk. Richard B. Ford, DVM, MS Elisa M. Mazzaferro, MS, DVM, PhD vii

C0055.indd vii

10/01/13 11:56 AM


Prefácio

TRATANDO DAS NECESSIDADES DO VETERINÁRIO Um conhecimento completo das manifestaçıes clínicas de doenças comuns, assim como de métodos para os seus diagnósticos e tratamentos é essencial para a compreensão da import ncia dos resultados dos testes. A 9ã edição ampliada e atualizada deste texto de referência essencial é organizada em seis seçıes para proporcionar rápido acesso a informaçıes relevantes sobre os sinais clínicos da doença, da avaliação do paciente, dos cuidados de emergência, de procedimentos diagnósticos e terapêuticos e diagnósticos laboratoriais, assim como a quadros de valores normais, protocolos de vacinação e formulários de medicamentos. Estudantes de veterinária considerarão este texto um auxiliar útil a seus estudos. O livro fornece uma rápida referência que permite ao estudante revisar rapidamente as aplicaçıes clínicas dos conceitos básicos, enquanto estuda cursos de base, como anatomia e fisiologia, além de cursos mais avançados nas áreas de patologia clínica, radiologia e farmacologia. Espero que veterinários e estudantes de veterinária incluam este valioso recurso em sua biblioteca particular. Margi Sirois, EdD, MS, RVT

ix

C0060.indd ix

08/01/13 4:18 PM


Sumário

SEÇÃO 1 Cuidados de Emergência, 1 SEÇÃO 2 Avaliação do Paciente e Exame dos Sistemas Orgânicos, 293 SEÇÃO 3 Sinais Clínicos, 379 SEÇÃO 4 Procedimentos Diagnósticos e Terapêuticos, 437 SEÇÃO 5 Diagnóstico Laboratorial e Protocolos de Exames, 546 SEÇÃO 6 Quadros e Tabelas, 629 Raças de Cães Reconhecidas pelo American Kennel Club (AKC), 630 Raças de Gatos Reconhecidas pela Cat Fanciers’ Association (CFA), 632 Informações Úteis sobre Roedores e Coelhos, 633 Determinação do Sexo de Coelhos e Roedores Sexualmente Maduros e Imaturos, 635 Valores Hematológicos e Bioquímica Sanguínea de Roedores e Coelhos, 636 Furões – Dados Fisiológicos, Anatômicos e Reprodutivos, 637 Valores Hematológicos para Furões Normais, 637 Bioquímica Sanguínea para Furões Normais, 638 Dados Eletrocardiográficos para Furões Normais, 638 xi

C0065.indd xi

08/01/13 10:54 AM


XII

SUMÁRIO

Conversão do Peso Corporal em Quilogramas para Área de Superfície Corporal em Metros Quadrados para Cães, 639 Conversão do Peso Corporal em Quilogramas para Área de Superfície Corporal em Metros Quadrados para Gatos, 639 Tabela de Conversão Francesa, 640 Guia de Conversão do Sistema Internacional de Unidades (SI), 641 Unidades de Comprimento, Volume e Massa no Sistema Métrico, 644 Vacinas Licenciadas para Uso em Cães nos Estados Unidos, 645 Vacinas Licenciadas para Uso em Gatos nos Estados Unidos, 647 Recomendações de Vacinação em Cães — Esquema Inicial do Filhote, 649 Recomendações à Vacinação de Cães – Adultos, 650 Recomendações para Vacinação de Gatos – Série Inicial para Filhotes, 651 Recomendações para Vacinação de Gatos – Adultos, 652 Compêndio da Prevenção e Controle da Raiva Animal, 2005 Associação Nacional dos Veterinários do Estado em Saúde Pública (NASPHV), 652 Referências Escritas de Prescrição: o que Fazer e o que Não Fazer, 660 Indicações e Doses de Medicamentos de Uso Rotineiro, 661

Índice, 729

C0065.indd xii

08/01/13 10:54 AM


REFERÊNCIA RÁPIDA PARA O TRATAMENTO DO PACIENTE NA EMERGÊNCIA A Abdômen condição aguda, 77 Abdominocentese (Paracentese), 7 Aborto espont neo, 138 Acidose metabólica, 33q Alcalose metabólica, 33q Analgesia 2-antagonistas para, 70t epidural, 76 Anestesia despertar durante, 97t epidural, 76 local, infusão, 58f Ânion gap, 39 Arritmias cardíacas, 119 Asma, 267 Azotemia pós-renal, 290 pré-renal, 288

B Bandagem, 9 Bradiarritmias, 122 Bronquite, em gatos, 266 medicamentos utilizados no tratamento de, 267 Bufotoxina, envenenamento por, 151

C Capnometria, 49 Cateterização arterial de demora, manutenção de, 64 intraósseo, 64 percut nea da artéria femoral, 63 veia cefálica, 61 Cérebro (Telencéfalo), lesıes no, 362 Cetoacidose diabética, 177 Choque ana lático, 92 cardiogênico, 278 elétrico, 133 hipovolêmico, 277 por calor, 145 séptico, 277 Coagulação, 583 no choque, 284 tempos de coagulação, 564t testes, 586 Coagulação intravascular disseminada, 99 Colapso de traqueia, 257 Colapso laríngeo, 257 Coma, 190 diabético, 192 escala de coma, 191t hepático, 192 Contusıes pulmonares, 267 Corpos estranhos em emergências respiratórias, 257 na cavidade oral, 158f no nus/reto, 163 no esôfago, 159 no intestino grosso, 163 no jejuno, 162f oculares, 199

D Dé cits/necessidades hídricas, 40 Dermatite bacteriana, 333t Diabetes hiperosmolar não cetótico, 178

C0070.indd xiii

Dilatação volvogástrica (DVG), 164 Distocia, 137 Distúrbios hemorrágicos, 97 Doença do trato urinário inferior dos gatos, 291 Dor aguda, 65 crônica, 67 de nição, 403

E Ecstasy, toxicidade, 236 Edema, 92 angioneurótico, 91q pulmonar, 268 Emergências cardíacas, 110 gástricas, 159 metabólicas, 175 neurológicas, 184 Emergências oncológicas, 204 na cavidade torácica, 207 síndromes paraneoplásicas nas, 205t toxicidade relacionada quimioterapia, 209 Emergências do trato urinário, 288 Emergências oculares, 195 abrasão corneana das pálpebras, 198 corpo estranho ocular nas pálpebras, 199 da pálpebra, 196 glaucoma agudo, 202 hemorragia subconjuntival das pálpebras, 197 hifema, 200 laceração conjuntival, 197 lesão corneana penetrante, 199 lesıes químicas nas pálpebras, 197 proptose, 201 Eméticos, 218t Enema, uso do, 219 Epididimite, 141 Epistaxe, 270

F Fluidoterapia, 40 Feridas aberta, contaminada e infectada, 8 classi cação e tratamento das, 272 fechada, 10 tecido mole, super cial, 274 Fisiologia ácido-básica, 34 Fluidos corporais, 559 Fraturas imobilização de, 11 osso peniano, 142 tratamento, 153

G Gasometria arterial e venosa, 577 Gastrite aguda, 170 Gastroenterite hemorrágica, 170 Glaucoma agudo, 202 secundário, a hifema, 202

H Hemostasia, 583 Hemotórax, 264 Hérnia de disco, 187 diafragmática, 265 estrangulada, 169

08/01/13 11:24 AM


Hipercalcemia, 180 Hipercalemia, 36q Hipernatremia, 39q Hipertensão sistêmica, 174 fármacos, 176t Hipertermia, 145 maligna, 146 Hipocalcemia (Tetania puerperal), 179 Hipocalemia, 37q Hipoglicemia, 179 Hiponatremia, 38q Hipotensão, 95 Hipotermia, 145 Hipóxia, tipos de, 46t

I Insu ciência cardíaca congestiva em, 125 Insu ciência renal adrenocortical aguda (HAC, Doença de Addison), 180 intrínseca, 289 Intestino delgado obstrução do, 160 volvo mesentérico do, 167 Intoxicação por rodenticida antagonista de vitamina k, 104 Intubação nasoesofágica, 503 Intussuscepção aguda, 163

L Laparotomia exploratória, 82 Lavagem endotraqueal em cães, 544f em gatos, 538f procedimento, 536 Lavagem orogástrica, 45 Lesão cabeça, 184 medula espinhal, 187 ligamentos, 156 tecidos moles, 272 Lesão química, 109

M-N Medula espinhal, lesão, 187 Meningite, sinais clínicos, 83t Metrite aguda, 136 Micção descontrolada, 418 Mucosa oral, exame, 308 Neurológicas, emergências, 184

O Obstipação, 168 Obstrução das vias aéreas superiores diagnóstico diferencial da, 255q tratamento da, 256 Orquite infecciosa, 141 Otite externa/interna, 132 Oxigênio nasal, 47 Oxigenioterapia, 45 Oximetria de pulso, 48

P Paciente com descompensação rápida, 6 Pancreatite, 171 Parada cardíaca, 110 Para mose, 143 Paralisia laríngea, 256 Perfuração intestinal, 169 Perfusão renal, manutenção, 222q Pericardiocentese, 129 Piometra, 134 Piotórax, 263

C0070.indd xiv

Pneumonia por aspiração, 267 Pneumotórax, 259 Potássio suplementação intravenosa de, em cães/gatos, 37t testes bioquímicos para, 569 Pressão venosa central (PVC), monitoramento materiais, 31q por imagem, 57f técnica de Seldinger, 56 Prolapso retal, 169 uretral, 143 uterino, 134 vaginal, 137 Proptose, 201 Prostatite aguda, 142 Picada de aranha, 150 Picada de cobra, 147

Q Q ueimaduras, 105 estimativa do percentual de queimadura:regra dos nove, 106t lesão térmica, 105 Q uilotórax, 263

R Radiação, 109 Regra dos nove no paciente queimado, 106t Regra dos vinte no paciente em choque, 279 Ressuscitação cardiorrespiratória cerebral de tórax aberto, 116 Ruptura uterina, 136

S Sangue venoso procedimento de prova cruzada, 22 tubos de coleta, guia para, 551t Síndrome da resposta in amatória sistêmica (SIRS), 278t Síndrome das vias aéreas braquicefálicas, 257 Síndrome de grandes alturas, 157 Síndromes paraneoplásicas, 205t

T Taquicardia, 95 medicamentos e doses usadas para tratamento de, 282t Técnicas de acesso vascular, 54 Terapia com hemocomponentes, 25 Tipagem sanguínea, 20 em cães, 594 em gatos, 594 Tireotoxicose, 183 Toracocentese, 50 Torção uterina, 138 Toxinas, 211 Traqueostomia, 52 Trauma/torção testicular, 141 Trauma escrotal, 139 Trauma musculoesquelético, 152 Trombocitopatia, 98q Tromboembolismo pulmonar, 269 sistêmico, 287

U Uroabdome, 291 Uro-hidropropulsão, 543 Urticária, 92

V Ventilação mec nica, 48 Volvo mesentérico, intestino delgado, 167

08/01/13 11:24 AM


VALORES NORMAIS EM PATOLOGIA CLÍNICA Os valores normais de exames laboratoriais são muito variáveis, dependendo do sexo, da raça e da idade do paciente, assim como do laboratório. Os valores apresentados nas tabelas seguintes representam apenas referência aproximada. Valores de Exames Bioquímicos de Rotina Teste

Unidade

Ácido úrico mg/dL Ácidos biliares mmol/L (pós) Ácidos biliares mmol/L (pré) Albumina g/dL ALP U/L ALT U/L Amilase U/L Amônia mg/dL Ânion gap AST U/L Bilirrubina mg/dL total Cálcio mg/dL Creatinina U/L cinase Cloreto mEq/L mEq/L Co2 Colesterol mg/dL Creatinina mg/dL D-xilose mg/dL Fósforo mg/dL GGT U/L Glicose mg/dL Hemoglobina mg/dL plasmática livre Lipase U/L Magnésio mg/dL Metemoglobina mg/dL Osmol Potássio mEq/L Proteína total g/dL Proporção proteína/creatinina anormal limítrofe normal SDH U/L Sódio mEq/L Triglicérides mg/dL Ureia mg/dL sanguínea Ureia sanguínea/ creatinina

Cão

Gato

0,0-0,9 <15

0,2-0,8 <10

0-5

0-3

3-4,2 1-145 5-65 235-870 19-120 6-16 10-56 0,0-0,4

2,3-3,5 1-80 19-91 170-1250 100-300 8-20 9-53 0,0-0,6

9,5-11,5 55-309

8,9-11,3 55-382

108-121 15-26 115-300 0,5-1,5 70-90 2,2-6,6 – 80-125 <10

117-128 12-21 50-150 0,6-1,4

60-500 1,4-2,2 0-5 282-303 3,6-5,6 4,7-7,3

10-220 1,8-2,6 299-319 3,9-6,3 5,5-7,6

>1 0,5-1 <0,5 – 141-151 20-85 6-24

149-158 0-105 14-33

5,1-34,1

6,1-31,7

3,8-8,2 0-4 50-150 <10

Variação de Referência em Gasometria Arterial

C0075.indd xv

mg/dL

4,93-5,65

4,93-5,65

mmol/L mmHg

17-25 24-38 7,35-7,48 85-100

15-22 29-42 7,23-7,43 78-100

mmHg

Teste

Unidade

Cão

Gato

CHCM Fibrinogênio HCM Hemácias Hematócrito Hemoglobina Leucócitos PCT PDW Plaquetas RDW Reticulócitos (Pontilhados) TPP VCM VPM

g/dL g/dL pg ×10−3/mL % g/dL ×10−3/mL % 10 /mL % /mL /mL g/dL fl fl

33,6-36,6 0,2-0,4 21,8-26 5,71-8,29 38,5-56,7 13,5-19,9 4,1-13,3 0,11-0,35 15,3-18,1 160-425 12,5-16,5 0-1,5 0 5,8-7,2 64-73 6-11

31,5-36,5 0,15-0,3 12,9-17,7 5,74-10,5 26,1-46,7 8,8-16 3,4-15,7 0,15-0,89 15,3-19,7 160-489 15,6-21,2 0-0,4 1,4-10,4 5,7-7,5 39,2-50,6 9,3-19,7

Diferencial Basófilos Bastonetes Eosinófilos Linfócitos Monócitos Segmentados

Percentual % % % % % %

0-1 0-1 0-9 8-38 1-9 51-84

0-2 0-1 0-12 7-60 0-5 34-84

Diferencial Basófilos Bastonetes Eosinófilos Linfócitos Monócitos Segmentados

Absoluto ×10−3 ×10−3 ×10−3 ×10−3 ×10−3 ×10−3

0-0,13 0-0,13 0-1,2 0,3-5,1 0-1,2 2,1-11,2

0-0,3 0-0,16 0-1,9 0,2-9,4 0-0,8 12-13,2

CHCM = concentração de hemoglobina corpuscular média; HCM = hemoglobina corpuscular média; PCT = total de células plasmáticas; PDW = extensão ou amplitude de distribuição de plaquetas; TPP = proteína plasmática total; RDW = extensão ou amplitude de distribuição de hemácias; VCM = volume corpuscular médio; VPM = volume plaquetário médio.

Valores Normais na Urinálise

ALP = fosfatase alcalina; ALT = alanina aminotransferase; AST = aspartato aminotransferase; GGT = gama-glutamiltransferase; SDH = sorbitol desidrogenase.

Cálcio ionizado HCO3 PCO2 pH PO2

Hematologia

Cão Bilirrubina Cor Densidade pH Proteínas, cetonas glicose hemoglobina urobilinogênio Turbidez Volume

Gato

Negativa-traço Amarelo-clara 1,015-1,045 5-7 Negativo

Negativa Amarelo-clara 1,015-1,060 5-7 Negativo

Claro 24-40 mL/kg/dia

Claro 22-30 mL/kg/dia

08/01/13 11:56 AM


SEÇÃO 1

Cuidados de Emergência Elisa M. Mazzaferro e Richard B. Ford

Manejo Pré-hospitalar do Animal Traumatizado, 2 Avaliação da Cena, 2 Exame Inicial, 2 Preparação para o Transporte, 3 Exame, Manejo e Triagem Iniciais de Emergência, 3 Avaliação Inicial e Procedimentos de Reanimação Emergenciais, 3 Exames Auxiliares de Diagnóstico, 5 Resumo do Estado do Paciente, 6 O Paciente com Rápida Descompensação, 6 Procedimentos Diagnósticos e Terapêuticos de Emergência, 7 Paracentese Abdominal e Lavado Peritoneal Diagnóstico, 7 Técnicas de Colocação de Bandagem e Tala, 8 Terapia com Hemocomponentes, 19 Mensuração da Pressão Venosa Central, 30 Fluidoterapia, 31 Lavagem Orogástrica, 45 Suplementação de Oxigênio, 45 Oximetria de Pulso, 48 Capnometria (Monitoração da Concentração de Dióxido de Carbono Expirado), 49 Toracocentese, 50 Traqueostomia, 52 Uro-hidropropulsão, 54 Técnicas de Acesso Vascular, 54 Dor: Avaliação, Prevenção e Controle, 65 Impacto Fisiológico da Dor não Tratada, 66 Reconhecimento e Avaliação da Dor, 66 Controle da Dor Aguda em Pacientes Emergenciais Graves ou em Cuidados Intensivos e Traumatizados, 68 Tratamento Farmacológico da Dor: Analgésicos Maiores, 69 Analgésicos Menores, 73 Fármacos Analgésicos Adjuvantes, 73 Técnicas de Anestesia Local e Regional para o Paciente em Emergência, 74 Tratamento de Emergência de Condições Específicas, 77 Abdome Agudo, 77 Terapias Adjuvantes, 79 Choque Anafilático (Anafilactoide), 91 Edema Angioneurótico e Urticária, 92 Complicações e Emergências Anestésicas, 93 Distúrbios Hemorrágicos, 97 Queimaduras, 105 Emergências Cardíacas, 110 Emergências Otológicas, 131 Lesão Elétrica e Choque Elétrico, 133 Emergências da Genitália Feminina e do Trato Reprodutivo, 134 Emergências da Genitália Masculina e do Trato Reprodutivo, 139 Emergências Ambientais e Domésticas, 144 Fraturas e Trauma Musculoesquelético, 152 Emergências Gastrointestinais, 157 Hipertensão Sistêmica, 174 1


2

1

1

CUIDADOS DE EMERGÊNCIA

Emergências Metabólicas, 176 Emergências Neurológicas, 184 Emergências Oculares, 195 Emergências Oncológicas, 204 Venenos e Toxinas, 211 Emergências Respiratórias, 254 Doenças Pulmonares, 266 Lesões Superficiais de Tecido Mole, 272 Choque, 276 Tratamento do Paciente em Choque, 279 Tromboembolismo: Sistêmico, 286 Emergências do Trato Urinário, 288

MANEJO PRÉ-HOSPITALAR DO ANIMAL TRAUMATIZADO AVALIAÇÃO DA CENA 1. Peça ajuda! Geralmente há necessidade de mais de uma pessoa no local do acidente para dar assistência ao animal e evitar lesão ao animal e às pessoas presentes. 2. Caso o acidente tenha ocorrido em uma zona de tráfego de carros, alerte os motoristas que se aproximarem do animal traumatizado na estrada. O alerta poderá ser feito por meio de uma peça de roupa ou outro objeto que chame a atenção dos motoristas que estiverem se aproximando. Cuidado para não ser ferido por motoristas que podem não vê-lo ou identificá-lo ao se aproximarem! 3. Caso o animal esteja consciente, evite se machucar enquanto o move para um local seguro. Utilize um cinto, corda ou pedaço de pano comprido para fazer uma mordaça e conter a cabeça do animal de forma segura. Caso isso não seja possível, cubra a cabeça do animal com uma toalha, cobertor ou casaco antes de movê-lo para evitar que ele o morda. 4. Caso o animal esteja inconsciente ou imóvel, mova-o para um local seguro com um material de apoio para as costas, que pode ser feito utilizando-se uma caixa, porta, tábua plana, cobertor ou lençol. EXAME INICIAL 1. Há patência de vias aéreas? Caso haja ruídos respiratórios ou o animal esteja em estupor, estenda a cabeça e pescoço delicada e cuidadosamente. Se possível, tracione a língua. Limpe o muco, sangue ou vômito da boca. Em animais inconscientes, mantenha a estabilidade da cabeça e do pescoço. 2. Procure por sinais de respiração. Caso não haja evidência de respiração ou a mucosa oral esteja cianótica, inicie a respiração boca-nariz. Circunde a região do focinho com suas mãos e assopre no interior da narina de 15 a 20 vezes por minuto. 3. Há evidência de função cardíaca? Verifique se há um pulso palpável nos membros pélvicos ou um batimento apical sobre o esterno. Caso não sejam encontrados sinais de função cardíaca, inicie as compressões cardíacas externas de 80 a 120 vezes por minuto. 4. Há alguma hemorragia? Utilize um pano limpo, toalha, papel-toalha, fralda descartável ou absorvente feminino para cobrir o ferimento. Pressione firmemente para reduzir a hemorragia e evitar perdas sanguíneas adicionais. Não utilize um torniquete, pois este poderá causar lesão adicional. Pressione, e, à medida que o sangue penetrar na primeira camada do material da bandagem, coloque uma segunda camada sobre ela. 5. Cubra qualquer ferimento externo. Utilize um material de bandagem limpo embebido em água morna e transporte o animal para um centro de emergência veterinária mais próximo. Investigue imediatamente procurando feridas penetrantes no abdome e tórax. 6. Há alguma fratura evidente? Imobilize fraturas com talas caseiras feitas de jornal, cabo de vassoura ou galhos de árvore. Amordace o animal antes de tentar colocar qualquer tala. Caso uma tala não possa ser colocada de forma segura, envolva o animal com uma toalha ou cobertor e o transporte para um centro de emergência veterinária mais próximo.


EXAME, MANEJO E TRIAGEM INICIAIS DE EMERGÊNCIA

3

7. Há alguma queimadura? Coloque toalhas geladas e úmidas sobre a área queimada e vá trocando por outras quando as toalhas atingirem a temperatura corporal. 8. Cubra o animal para mantê-lo aquecido. Caso o animal esteja tremendo ou em choque, envolva-o em um cobertor, toalha ou casaco e o transporte para o centro de emergência veterinária mais próximo. 9. O animal está apresentando hipertermia (por intermação/insolação)? Resfrie o animal com toalhas úmidas à temperatura ambiente (não fria) e o transporte para um centro de emergência veterinária mais próximo. PREPARAÇÃO PARA O TRANSPORTE 1. Telefone antes! Informe ao centro veterinário que você está chegando. Esteja preparado com números e locais de emergência disponíveis. 2. Mova o paciente traumatizado cuidadosamente. Utilize a mesma abordagem da retirada do animal da via de tráfego e coloque-o no banco de trás do carro. 3. Dirija com cuidado. Não transforme um acidente em dois. O ideal é que, enquanto uma pessoa dirige o carro, outra esteja com o animal.

EXAME, MANEJO E TRIAGEM INICIAIS DE EMERGÊNCIA O exame do animal com traumatismo agudo que está inconsciente e em choque e apresenta hemorragia aguda ou dificuldade respiratória deve ser feito simultaneamente ao tratamento imediato e agressivo para estabilizar o paciente. Como, em geral, não há tempo para uma anamnese detalhada, o diagnóstico baseia-se principalmente nos achados do exame físico e testes simples de diagnóstico. A triagem é a arte e a habilidade de avaliar pacientes rapidamente e classificá-los de acordo com a urgência requerida do tratamento. O reconhecimento imediato e o pronto atendimento podem salvar o animal. AVALIAÇÃO INICIAL E PROCEDIMENTOS DE REANIMAÇÃO EMERGENCIAIS Realize um exame breve, mas completo e sistemático, de todo animal, considerando o ABC [airway (via aérea); breathing (respiração); circulation (circulação)] mais importantes para qualquer paciente emergencial. ABC A = Via aérea Há patência de vias aéreas? Puxe a língua do paciente para fora e remova qualquer material que esteja obstruindo a via aérea. Talvez seja necessário realizar sucção e utilizar um laringoscópio. Realize a intubação ou coloque uma fonte de oxigênio transtraqueal caso haja necessidade de suplementação de oxigênio. A traqueostomia de emergência poderá ser necessária na ocorrência de obstrução de via aérea superior que não possa ser solucionada imediatamente com os procedimentos anteriores. B = Respiração O animal está respirando? Caso o animal não esteja respirando, intube a traqueia imediatamente e inicie a ventilação artificial com uma fonte de suplementação de oxigênio (ver Parada Cardíaca e Reanimação Cerebrocardiopulmonar, nesta seção). Se o animal estiver respirando, quais são a frequência e o padrão respiratórios? A frequência respiratória está normal, aumentada ou diminuída? O padrão respiratório está normal ou a respiração está rápida e superficial ou lenta e profunda com dificuldade inspiratória? Os ruídos respiratórios estão normais ou há um estridor agudo alto na inspiração, característico de uma obstrução em via aérea superior? O animal está com a cabeça estendida e os cotovelos afastados do corpo, ou seja, ortopneia? As comissuras bucais se movimentam durante a inspiração e expiração? Há evidência de dificuldade expiratória com um esforço abdominal na expiração? Observe a parede torácica lateral. As costelas se movimentam para fora e para dentro com a inspiração e expiração ou há movimento paradoxal da parede torácica em que uma área se move para dentro durante a inspiração e para fora durante a expiração, sugestivo de uma instabilidade torácica? Há algum enfisema subcutâneo sugestivo de lesão de via aérea?

1


4

1

1

CUIDADOS DE EMERGÊNCIA

Ausculte o tórax bilateralmente. Os sons respiratórios estão normais? Eles soam ásperos com crepitações decorrentes de pneumonia, edema pulmonar ou contusões pulmonares? Os sons pulmonares estão abafados devido à efusão pleural ou pneumotórax? Há ruídos respiratórios em um gato com bronquite (asma)? Qual é a cor das membranas mucosas? As membranas mucosas estão cor-de-rosa e normais ou pálidas ou cianóticas? Palpe a região cervical para verificar se há deslocamento de traqueia e enfisema subcutâneo, assim como a região torácica para evidenciar fratura de costelas e também enfisema subcutâneo. C = Circulação Qual é a condição circulatória? Qual é a condição da frequência e ritmo cardíaco do paciente? Você consegue ouvir o coração, ou ele está abafado por causa de hipovolemia, efusão pleural ou pericárdica, pneumotórax ou hérnia diafragmática? Palpe o pulso. A qualidade do pulso está forte e regular ou há pulsos filiformes e irregulares? Qual é o ritmo do eletrocardiograma (ECG) e o valor da pressão arterial (PA) do paciente? Há hemorragia arterial? Repare se há presença de algum sangramento. Seja cuidadoso caso haja algum sangue no pelo. Use luvas. O sangue poderá ser do paciente, e as luvas ajudarão a evitar contaminação adicional de qualquer ferimento; ou ainda, o sangue poderá ser de uma pessoa que inicialmente socorreu o animal. Caso haja ferimentos externos, observe suas características e condições. Coloque uma bandagem compressiva sobre qualquer sangramento ou ferimento externo para evitar hemorragia adicional ou contaminação por organismos nosocomiais. Estabeleça um acesso venoso de grande calibre ou intraósseo (ver Técnicas de Acesso Vascular, nesta seção). Caso haja choque hipovolêmico ou hemorrágico, institua imediatamente os procedimentos de reposição volêmica. Inicie com um quarto da dose calculada para os líquidos cristaloides para o tratamento do choque (0,25 × [90 mL/kg] para cães; 0,25 × [44 mL/kg] para gatos) e avalie novamente os parâmetros de perfusão sanguínea: frequência cardíaca, tempo de preenchimento capilar e PA. Caso haja suspeita de contusões pulmonares, o uso de coloides, como o amido hidroxietílico na dose de 5 mL/kg em bolus crescentes, pode melhorar a perfusão sanguínea com um volume menor de fluido administrado. Em casos de traumatismo craniano, a solução de cloreto de sódio hipertônica (7%) pode ser administrada (4 mL/kg em bolus intravenoso) associada ao amido hidroxietílico. A hemorragia abdominal aguda causada por traumatismo pode ser tamponada com uma bandagem compressiva nesta região. Após o ABC imediatos, prossiga com o restante do exame físico e tratamento utilizando o recurso mnemônico A CRASH PLAN: airway (via aérea); cardiovascular (sistema cardiovascular); respiratory (sistema respiratório); abdomen (abdome), spine (coluna vertebral); head (cabeça); pelvis (pelve); limbs (membros); arteries (artérias); nerves (nervos). A CRASH PLAN A = Via aérea C e R = Sistemas Cardiovascular e Respiratório A = Abdome Palpe o abdome do paciente. Há alguma dor ou lesão penetrante? Observe o umbigo do paciente, pois o avermelhamento ao seu redor poderá ser sugestivo de hemorragia intra-abdominal. Há líquido ou neoformação palpável? Examine as regiões inguinal, caudal, torácica e paralombar. Faça tricotomia dos pelos para examinar o paciente quanto à presença de contusões ou feridas perfurantes. Percuta e ausculte o abdome para avaliar a presença de gases e os borborigmos gastrointestinais. S = ColunaV ertebral Palpe a coluna vertebral do animal para verificar a simetria. Há alguma dor ou aumento de volume evidente ou presença de fratura? Realize um exame neurológico desde a primeira vertebral cervical até a última vértebra da cauda. H = Cabeça Examine olhos, ouvidos, boca, dentes e focinho e avalie a resposta à atividade sensorial e motora promovida pelos nervos cranianos. Aplique um corante fluorescente nos olhos para verificar a presença de úlceras de córneas em qualquer ocorrência de traumatismo craniano. Há anisocoria ou síndrome de Horner?


EXAME, MANEJO E TRIAGEM INICIAIS DE EMERGÊNCIA

5

P = Pelve Realize um exame retal. Palpe para investigar a presença de fratura ou hemorragia. Examine a genitália externa. L = Membros Examine as extremidades torácica e pélvica. Há alguma fratura aberta (exposta) ou fechada evidente? Coloque rapidamente uma tala nos membros para evitar danos adicionais e auxiliar no controle da dor. Examine pele, músculos e tendões. A = Artérias Palpe as artérias periféricas para avaliar os pulsos. Pode-se utilizar o Eco-Doppler para avaliação do pulso caso haja presença de doença tromboembólica. Mensure a PA do paciente. N = Nervos Observe e avalie o grau de consciência, o comportamento e a postura do animal. Verifique frequência, padrão e esforço respiratório. O paciente está consciente, obnubilado ou comatoso? As pupilas estão simétricas e responsivas à luz, ou há anisocoria? O paciente exibe alguma postura anormal, como a postura de Schiff-Sherrington (membros torácicos rígidos e estendidos e paralisia flácida de membros pélvicos), que pode indicar traumatismo grave de coluna com lesão medular? Examine os nervos periféricos para avaliar os estímulos motores e sensoriais de membros e cauda. EXAMES AUXILIARES DE DIAGNÓSTICO TÉCNICAS HEMODINÂMICAS Realize eletrocardiografia, monitoração direta ou indireta da PA e oximetria de pulso em qualquer paciente em emergência. TÉCNICAS DE IMAGEM Obtenha radiografias do tórax e abdome em qualquer animal que tenha sofrido uma lesão traumática quando a sua condição estiver mais estável e possa tolerar o posicionamento para esses procedimentos. Radiografias exploratórias podem revelar pneumotórax, contusões pulmonares, hérnia diafragmática, efusão pleural ou abdominal e pneumoperitônio. AFAST E TFAST1 Têm-se descrito as avaliações centradas no abdome e tórax após o trauma (AFAST e TFAST) para identificação de líquido livre abdominal e de ar e líquido livre torácico (incluindo pericárdio). Durante a ultrassonografia, pode-se avaliar quatro quadrantes abdominais, pela: (1) visualização do diafragma ou fígado na linha média ventral imediatamente caudal ao esterno, (2) visualização esplenorrenal no quadrante lateral esquerdo, (3) visualização cistocólica na linha média ventral sobre a bexiga urinária e (4) visualização hepatorrenal na lateral direita. Para avaliação do tórax, posiciona-se o paciente em decúbito lateral, e o transdutor (probe) do ultrassom é direcionado ao plano horizontal no aspecto dorsal do nono espaço intercostal. Nos planos transverso e longitudinal caudal ao cotovelo, pode-se avaliar a presença de efusão pericárdica e pleural. A avaliação pelo ultrassom é rápida e pode revelar a ocorrência de hemorragia. Assim como em outras técnicas ultrassonográficas, às vezes os resultados do AFAST e TFAST dependem do operador. TESTES DE LABORATÓRIO Os testes de diagnóstico imediatos devem incluir hematócrito, proteínas totais, glicose, nitrogênio não proteico (NNP) e densidade urinária. O hemograma e a contagem de plaquetas, assim como a realização de hemogasometria arterial e eletrólitos, parâmetros de coagulação (tempo de Nota da Tradução: Acrônimos de Abdominal and Thoracic Focussed Assessment with Sonography after Trauma.

1

1


6

1

1

CUIDADOS DE EMERGÊNCIA

coagulação ativado [TCA], tempo de protrombina [TP], tempo de tromboplastina parcial ativada [TTPA]), perfil bioquímico sérico, lactato sérico e urinálise, deverão ser considerados para a melhor avaliação clínica do paciente EXAMES INVASIVOS Pode ser necessária a realização de técnicas de exames invasivos de diagnóstico, incluindo-se toracocentese, paracentese abdominal e lavado peritoneal diagnóstico (LPD). RESUMO DO ESTADO DO PACIENTE Após concluir o exame físico inicial, responda às seguintes questões: Qual o tratamento de suporte requerido neste momento? Há necessidade de procedimentos de diagnósticos adicionais? Em caso afirmativo, quais procedimentos; e o paciente está estabilizado o suficiente para tolerá-los sem estresse adicional? Deve-se instituir um período de observação suplementar antes de se iniciar um plano terapêutico mais definitivo? Há necessidade de intervenção cirúrgica imediata? Há necessidade de tratamento de suporte intensivo antes da cirurgia? Quais riscos anestésicos são evidentes? O PACIENTE COM RÁPIDA DESCOMPENSAÇÃO Os animais que não respondem à reanimação inicial geralmente apresentam distúrbios fisiológicos graves contínuos ou preexistentes que contribuem para a grande instabilidade cardiovascular e metabólica. O clínico deverá estar atento à ocorrência de descompensação orgânica em um paciente que não responde ou responde de forma incompleta aos esforços iniciais de reanimação (Quadros 1-1 e 1-2).

QUADRO 1-1

SINAIS CLÍNICOS DE DESCOMPENSAÇÃO

Pulso periférico fraco ou de baixa qualidade Extremidades periféricas frias Cianose ou membranas mucosas acinzentadas Membranas mucosas pálidas Tempo de preenchimento capilar prolongado Temperatura corporal aumentada ou diminuída Débito urinário reduzido em um paciente euvolêmico Confusão ou estado mental alterado

QUADRO 1-2

Depressão Taquicardia ou bradicardia Hematócrito em declínio Abdome distendido, dolorido Arritmia cardíaca Padrão respiratório anormal Dificuldade ou agonia respiratória Perda sanguínea gastrointestinal via êmese ou pelas fezes

CAUSAS DE DESCOMPENSAÇÃO AGUDA

Insuficiência renal aguda Síndrome da angústia respiratória aguda Ruptura intestinal e gástrica Arritmia cardíaca Edema e hemorragia no sistema nervoso central e herniação de tronco cerebral Coagulopatias, incluindo-se coagulação intravascular disseminada

Hemorragia interna Síndrome da falência múltipla de órgãos Pneumotórax Contusão pulmonar Tromboembolismo pulmonar Sepse ou choque séptico Síndrome da resposta inflamatória sistêmica Ruptura de bexiga urinária


SEÇÃO 2

Avaliação do Paciente e Exame dos Sistemas Orgânicos Richard B. Ford e Elisa M. Mazzaferro Avaliação do Paciente, 293 Avaliação do Proprietário sobre a Saúde do Animal: O Teste “BEETTS”, 293 Avaliação Clínica Inicial: a Lista de Problemas, 295 O Prontuário, 299 Conteúdo do Prontuário, 299 O Exame dos Sistemas Orgânicos, 301 Sistema Digestório, 301 Exame Cardiopulmonar, 312 Tegumento (Pele, Pelagem e Unhas), 324 Exame Oftálmico (Ocular), 335 Exame Ótico (Ouvidos), 341 Exame dos Linfonodos e da Tireoide, 343 Exame Musculoesquelético (Ortopédico), 344 Exame do Sistema Nervoso, 352 Exame dos Órgãos Genitais: Cão – Macho, 364 Exame dos Órgãos Genitais: Cão – Fêmea, 365 Comportamento e Fisiologia Reprodutivos Normais, 367 Exame do Sistema Respiratório Superior, 369 Exame do Sistema Respiratório Inferior, 370 Exame dos Órgãos Urinários, 375

AVALIAÇÃO DO PACIENTE AVALIAÇÃO DO PROPRIETÁRIO SOBRE A SAÚDE DO ANIMAL: O TESTE “BEETTS” A maioria dos proprietários de animais de companhia, particularmente aqueles inexperientes em criação, tem entendimento limitado a respeito da saúde dos animais e, por essa razão, não está bem preparada para reconhecer precocemente sinais da doença em um cão ou gato. Os distúrbios médicos mais comuns não são totalmente reconhecidos pelos proprietários (p. ex., acúmulo de cálculo dentário e úlceras gengivais), ou seu tratamento pode ser adiado até o animal apresentar a doença em estágio avançado. Ironicamente, poucos médicos veterinários usam algum tempo para ensinar aos proprietários dos animais de companhia como avaliar (proativamente) a saúde de seus animais. Educando os proprietários sobre como reconhecer prematuramente as mudanças no estado de saúde, não só o encoraja a estarem atentos precocemente aos problemas de saúde em potencial, como também auxilia na pronta intervenção dos veterinários. Algo simples para lembrar, um exame prescrito para proprietários é o teste BEETTS* (pronunciado “bits”). Este acrônimo representa um recurso para os proprietários dispostos a contribuir em relatar as mudanças importantes na atividade dos animais ou na aparência física dos mesmos, que os alertará para problemas comuns menores e, possivelmente, para os problemas mais sérios de saúde, desse modo evitando as consequências do diagnóstico e tratamento tardios. *Nota da Tradução: Em português o acrônimo é COODDP. 293


294

2 AVALIAÇÃO DO PACIENTE E EXAME DOS SISTEMAS ORGÂNICOS

C PARA COMPORTAMENTO Conheça seu Animal de Estimação! Os proprietários deveriam estar atentos a mudanças sutis no comportamento, que podem ser o primeiro sinal de uma doença subjacente. Várias mudanças de comportamento – como apetite reduzido ou ausência do mesmo e associado à perda de peso, aumento da sede, necessidade frequente de urinar ou defecar, agressividade sem causa aparente, relutância para brincar, dificuldade de ficar em pé ou lambedura persistente da pele (particularmente em um único local) – podem ser fortes indícios precoces de doença grave. Essas alterações frequentemente justificam a realização de um exame clínico e um perfil laboratorial.

2

O PARA OLHOS A assimetria dos olhos e das pálpebras (denotando dor ou lesão) é tão importante quanto a descoloração do olho (catarata, hemorragia intraocular) ou o acúmulo de muco sobre ou ao redor das pálpebras. Animais com os pelos cobrindo os olhos são razoavelmente considerados como tendo risco para doenças graves dos olhos, devido ao diagnóstico tardio. A avaliação frequente de ambos os olhos para checar a transparência dos cristalinos e córneas e a ausência de irritação é essencial. O PARA ORELHA Os proprietários devem estar alertas para sinais que possam indicar uma doença das orelhas (p. ex., “head-tilt” ou prurido, dor à manipulação, abrasões locais, descoloração, supuração, mau cheiro). Se a orelha pende sob a entrada do conduto auditivo externo, os proprietários devem estar preparados para inspecioná-la. Eles devem ser avisados para evitar inserir qualquer instrumento ou medicação dentro da orelha do animal, a menos que seja especificamente instruído a como fazê-lo. D PARA DENTES (E GENGIVAS) A relação entre a halitose e a doença dental ou gengival grave é importante, e assim a doença pode ser facilmente omitida se os dentes não são examinados regularmente. Os proprietários não são encorajados a abrirem a boca de um cão ou gato. Entretanto, a maioria dos cães permitirá que os proprietários levantem o seu lábio do animal e examine visualmente os dentes a fim de evidenciar danos ou descoloração. Isto é suficiente para o proprietário avaliar ocasionalmente a aparência externa (superfície labial) dos dentes e gengivas, uma ou duas vezes anualmente. O exame dos dentes dos gatos geralmente não é recomendado, por causa do risco de ser mordido. D PARA DEDOS (E UNHAS) A maioria dos proprietários não está atenta a quando ou como examinar as unhas dos animais de estimação. Apesar de as unhas dos gatos serem periodicamente mudadas e, normalmente, não requisitar aparas, as dos cães sedentários que vivem predominantemente dentro de casa merecem atenção mensal. Pelo fato de os cães poderem resistir a qualquer tentativa de manuseio ou exame das suas extremidades, os proprietários são instruídos a ouvir seus cães andando sobre uma superfície sem carpetes. Se o proprietário conseguir ouvir as unhas estalando contra o piso quando o animal andar, o aparo destas é indicado. Ocasionalmente, um proprietário irá expressar interesse em aparar ele mesmo as unhas do seu animal de companhia. É importante avisá-los sobre os riscos inerentes do que pode parecer um procedimento simples: dor, sangramento, resistência agressiva e até mordedura. Os proprietários dispostos a tentar aparar as unhas em casa devem ser instruídos sobre o equipamento a adquirir e como realizar o procedimento com segurança. P PARA PELE (E PELOS) A variedade dos tipos, comprimento e densidade de pelos faz do exame da pele um dos exames caseiros que o proprietário realiza menos frequentemente. A pele é o maior órgão do corpo, e vários distúrbios podem se desenvolver muitas semanas ou meses antes de se tornarem evidentes. Isto é particularmente verdadeiro em cães e gatos de pelos longos. Em complemento à escovação de rotina, que é benéfica em todos os cães e gatos, e os banhos ocasionais, os proprietários são instruídos a tocar completamente a pele e os pelos de seus animais de um modo sistemático. Uma técnica que os proprietários acham encantadora, começa com o proprietário parado atrás do


AVALIAÇÃO DO PACIENTE

295

animal. Iniciando na cabeça com uma das mãos ao redor de cada orelha do animal de estimação, o proprietário usa seus dedos, deslizando suavemente pela cabeça até a cauda, enquanto gentilmente massageia o animal e toca a superfície inteira da pele sobre o tórax e o abdome. Então, neste momento, comprimindo delicadamente com uma das mãos, o proprietário massageia cada membro da parte mais proximal ao tronco até as extremidades. AVALIAÇÃO CLÍNICA INICIAL: A LISTA DE PROBLEMAS Um diagnóstico correto é baseado na habilidade do clínico para avaliar e definir os problemas que estão afetando o paciente. Isto soa simples o bastante. Entretanto, a não ser que o termo “problema” esteja definido, fazer realmente uma avaliação diagnóstica completa do paciente simplesmente não é possível. Ao procurar um diagnóstico, o clínico astuto trabalha pela clara definição de um problema: 1. O histórico clínico: Qualquer anormalidade descrita pelo proprietário (caso a interpretação do proprietário esteja correta ou não) é um problema. 2. O exame físico: Qualquer anormalidade descoberta durante o exame físico é um problema (ver O Exame dos Sistemas Orgânicos nesta seção). 3. Quaisquer anormalidades de imagem (radiográficas ou ultrassonográficas) ou laboratorial são consideradas problemas. A lista de problemas, uma vez estabelecida, torna-se a base sobre a qual o diagnóstico é construído. Os problemas obviamente relacionados são agrupados e pode-se confirmar o diagnóstico ou sugerir que avaliações diagnósticas adicionais precisam ser realizadas para elucidar o diagnóstico. HISTÓRICO CLÍNICO O histórico clínico é um componente crítico da lista de problemas do paciente e frequentemente é a parte mais relevante da avaliação diagnóstica de um determinado animal. Requer conhecimento único e experiência para elucidar um histórico clínico imparcial e pertinente sobre a doença do animal. Alguns proprietários são observadores e podem facilmente comunicar informações importantes, ao passo que outros podem não ser atentos para certas anormalidades ou podem propositalmente reter informações. O histórico clínico é centrado, mas não limitado à queixa principal. A queixa principal é a razão pela qual o paciente está sendo levado ao clínico. O que deve ser registrado é um sinal (vômito), não um diagnóstico (enterite). Note a duração ou frequência dos sinais. Determine se a duração ou frequência está aumentada, diminuída ou permanece inalterada desde o princípio. É importante determinar se as condições gerais do animal desde o princípio da doença melhoraram, pioraram ou permanecem as mesmas. Faça perguntas abertas – aquelas que não irão prejudicar a resposta do proprietário. Por exemplo: “Fale-me sobre o consumo de água feito pelo seu cão”. Questões que requeiram somente um “sim” ou “não” como resposta tendem a introduzir predisposições – por exemplo: “Seu cão está em dia com a vacinação?” Se a resposta for “sim”, questionamentos adicionais como “qualquer outra coisa?”, “Como você faz?” ou “Fale-me sobre isto” podem induzir o proprietário a elaborar a resposta. Pela ampla utilização de medicações preventivas em animais de estimação (p. ex., dirofilária, pulgas, prevenção de carrapatos), uma completa lista de medicações é uma parte fundamental do histórico clínico. Se a mesma sequência de tomada da história e exame físico é seguida a cada momento, o procedimento gradualmente necessita de menos tempo e fatos importantes se tornam menos comuns de serem omitidos. O histórico clínico não é propriamente distinto do exame físico. Não é incomum o cliente estar completamente sem conhecimento de que uma anormalidade física está presente até ela ser apontada. Quando se examina o paciente, qualquer achado físico incomum ou inesperado justifica perguntas adicionais, como a relação do animal com o meio ambiente, a dieta, a exposição a outros animais, daí por diante. Por exemplo, a descoberta de lesões graves nos coxins plantares deve ser seguida prontamente de novas perguntas sobre as possíveis causas.

Nota: Falhar na obtenção da anamnese é o primeiro passo para um diagnóstico errado!

2


296

2 AVALIAÇÃO DO PACIENTE E EXAME DOS SISTEMAS ORGÂNICOS

EXAME FÍSICO O exame físico é o meio pelo qual o clínico avalia o estado de saúde do paciente mediante uma observação prática e sistemática dos sistemas orgânicos. É um passo fundamental na definição do problema e na avaliação diagnóstica objetiva do paciente. O exame físico é baseado na habilidade do clínico em distinguir o normal do anormal. A extensão do exame físico varia em pacientes individualmente. O exame físico do "animal sadio" é normalmente realizado quando se avaliam animais saudáveis trazidos para os cuidados rotineiros de saúde (p. ex., não há uma queixa principal). Os elementos básicos envolvidos no exame físico incluem:

2

SinaisV itais Temperatura, pulso, respiração e peso são os mais fundamentais parâmetros de saúde ao se examinar o paciente. Tempo de preenchimento capilar (TPC) é comumente mensurado (normal: <2 segundos), mas é ver um teste relativamente ruim para avaliar a perfusão capilar periférica. A pressão sanguínea (ver Seção 4) é mais sensível, mas necessita de operadores experientes para a obtenção de interpretações seguras e múltiplas mensurações a fim de se alcançar valores confiáveis. Embora o peso não seja estritamente um sinal “vital”, todos os pacientes devem ser pesados em todas as visitas. Comportamentoe Consciência Observar o comportamento do paciente, a atividade e o estado de alerta na sala de exame pode ser particularmente útil na avaliação do paciente com doença neurológica (encefálica) importante. Mesmo os animais que estão nervosos ou assustados no hospital podem ser avaliados e devem manifestar atenção moderada de seus arredores. Cães e gatos que são particularmente agressivos precisam ser contidos com extremo cuidado e avaliados para possíveis doenças neurológicas. Conformação e Escore da Condição Corpórea (ECC) Existem vários métodos para documentar a conformação e a condição corpórea em cães e gatos. A escala mais comumente aplicada vincula o uso de um sistema de 5 pontos. Fazer anotações apropriadas no prontuário permite ao clínico acessar, a todo tempo, outras mudanças na conformação, além de apenas verificar o peso. Os parâmetros para a escala dos 5 pontos estão listados nos tópicos seguintes: Grau 1/5 – Emaciado • Costelas, vértebras e ossos pélvicos facilmente vistos, mesmo a distância • Sem gordura corporal • Óbvia perda de massa muscular Ver Figura 2-1. Grau 2/5 – Subpeso (Magro) • Costelas podem ser vistas e facilmente sentidas • Ossos pélvicos estão proeminentes • Cintura e prega abdominal óbvias Grau 3/5 – Escore Corporal Normal • Costelas podem ser palpadas • Cintura óbvia quando vista por cima • Prega abdominal evidente Grau 4/5 – Sobrepeso • Costelas difíceis de serem palpadas, cobertas pela gordura • Notáveis depósitos de gordura sobre o dorso e a base da cauda • Cintura e prega abdominal dificilmente discerníveis


AVALIAÇÃO DO PACIENTE

297

Grau 5/5 – Obeso • Costelas não podem ser palpadas sob a densa capa de gordura • Depósito de gordura compacto sobre o dorso e a base da cauda • Nenhuma cintura ou prega abdominal Ver Figura 2-2.

2

Figura 2-1: Cão com um escore 1/5 da condição corpórea. O Escore da Condição Corpórea de 9 Pontos Uma alternativa que tem sido descrita é o escore da condição corpórea (ECC) de 9 pontos para gatos e cães. Nesse formato de pontuação, um ECC de 4 a 5 representa o peso e a conformação ideal. Um ECC menor do que 4 representa cães e gatos com baixa alimentação e subpeso, enquanto um ECC de 6 a 7 ou mais indica sobrecarga alimentar e animais com sobrepeso.

Figura 2-2: Gato com um escore de condição corpórea de 5/5.


298

2 AVALIAÇÃO DO PACIENTE E EXAME DOS SISTEMAS ORGÂNICOS

AVALIAÇÃO LABORATORIAL A avaliação clínica do animal doente requer obter um perfil laboratorial para acessar e caracterizar anormalidades hematológicas e bioquímicas. Anormalidades nos testes laboratoriais são componentes importantes da avaliação diagnóstica e são necessariamente incluídas, individualmente, na lista de problemas do paciente. Na clínica de animais de companhia, a realização de um perfil laboratorial é um procedimento-padrão na medicina veterinária. Embora os métodos de testes específicos utilizados e os testes analíticos variem de local para local. Os dados laboratoriais para qualquer cão ou gato doente deveria incluir muitos ou todos os testes listados na Tabela 2-1.

2

TABELA 2-1

Hematologia

Bioquímica

Exame de urina

Parasitas

Outros

Componentes da Base de Dados Laboratorial Mínima (MDB) para Cães e Gatos

Caninos

Felinos

O hemograma inclui o seguinte: • Contagem total de hemácias • Hematócrito ou volume globular • Dosagem de hemoglobina • Contagem de leucócitos totais • Contagem diferencial de células • Proteínas totais • Estimativa do número de plaquetas • Contagem de reticulócitos se o hematócrito do paciente estiver baixo (p. ex., <30%) Nota: Alguns laboratórios também fornecem índices hematimétricos: VCM, HCM e CHCM. Análises individuais incluem painéis bioquímicos que variam entre os laboratórios. (Ver Seção 5 para uma revisão abrangente das várias análises que estão normalmente incluídas.) Inclui o seguinte: • Densidade, cor e aparência • Bioquímica, usualmente inclui proteína, glicose, cetonas, sangue (hemoglobina) e urobilinogênio • Microscopia, inclui uma descrição dos tipos celulares e do número, bem como a presença de cristais, cálculos, bactérias, lipídios Flutuação fecal para parasitas intestinais Teste do antígeno para dirofilária

O hemograma inclui o seguinte: • Contagem total de hemácias • Hematócrito ou volume globular • Dosagem de hemoglobina • Contagem de leucócitos totais • Contagem diferencial de células • Proteínas totais • Estimativa do número de plaquetas • Contagem de reticulócitos agregados se o hematócrito do paciente estiver baixo (p.ex., <30%) Nota: Alguns laboratórios também fornecem índices hematimétricos: VCM, HCM e CHCM. Análises individuais incluem painéis bioquímicos que variam entre os laboratórios. (Ver Seção 5 para uma revisão abrangente das várias análises que estão normalmente incluídas.) Inclui o seguinte: • Densidade, cor e aparência • Bioquímica, usualmente inclui proteína, glicose, cetonas, sangue (hemoglobina) e urobilinogênio • Microscopia, inclui uma descrição dos tipos celulares e do número, bem como a presença de cristais, cálculos, bactérias, lipídios Flutuação fecal para parasitas intestinais Teste do vírus (antígeno) da leucemia felina e teste do vírus (anticorpo) da imunodeficiência felina

HCM, hemoglobina corpuscular média; CHCM, concentração de hemoglobina corpuscular média; VCM, volume corpuscular médio


SEÇÃO 3

Sinais Clínicos Richard B. Ford e Elisa M. Mazzaferro

Agressividade, 380 Alopecia, ver Perda de Pelos, 381 Ataxia, ver Incoordenação, 381 Aumento da Produção de Urina e do Consumo de Água: Poliúria e Polidipsia, 381 Cegueira, ver Perda Total da Visão, 382 Coceira: Prurido (ver também Perda de Pelos), 382 Coma: Perda de Consciência, 385 Constipação (Obstipação) (ver também Esforço para Defecar), 386 Convulsões (Epilepsia), 388 Defecção Dolorosa: Disquezia, ver Esforço para Defecar, 391 Diarreia Aguda, 391 Diarreia Crônica, 392 Dificuldade para Deglutir: Disfagia, 395 Dificuldade para Respirar ou Angústia Respiratória: Cianose, 396 Dificuldade para Respirar ou Angústia Respiratória: Dispneia, 397 Diminuição da Produção Urinária: Oligúria e Anúria, 398 Distensão Abdominal por Ascite, 400 Distensão Abdominal sem Ascite, 401 Dor, 403 Dor Retal e Anal, ver Esforço para Defecar, 404 Edema Articular: Artropatia, 404 Edema dos Membros, 405 Esforço para Defecar: Disquezia, 407 Esforço para Urinar: Disúria, 408 Espirro e Secreção Nasal, 410 Fraqueza, Letargia, Fadiga, 411 Hemorragia, 414 Icterícia, ver Pele ou Mucosas Amareladas, 416 Incoordenação: Ataxia, 416 Linfonodo Aumentado: Linfadenomegalia, 417 Micção Descontrolada: Incontinência Urinária, 418 Micção Dolorosa: Disúria, ver Esforço para Urinar, 419 Pele ou Mucosas Amareladas: Icterícia, 419 Perda de Pelos: Alopecia, 421 Perda de Peso: Emaciação, Caquexia, 423 Perda do Apetite: Anorexia, 423 Perda Total da Visão, 425 Regurgitação (ver também Dificuldade para Deglutir e Vômito), 427 Sangue na Urina: Hematúria, Hemoglobinúria, Mioglobinúria, 428 Surdez ou Perda de Audição, 430 Tosse, 431 Tosse com Sangue: Hemoptise (ver também Dificuldade para Respirar), 433 Vômito (ver também Regurgitação), 434 Vômito com Sangue: Hematêmese (ver também Vômito), 435

379


380

3

SINAIS CLÍNICOS

Nota: A seção de Sinais Clínicos desse manual visa facilitar a avaliação rápida e precisa de problemas iniciais individuais tal como eles podem ser interpretados pelo dono do animal de estimação e apresentados ao clínico. Cada sinal clínico é citado pela designação ou a expressão comum que pode ser usada pelos donos para descrever o problema. Um termo médico descritivo para o sinal clínico se segue quando apropriado. A interpretação e a avaliação corretas de sinais clínicos individuais são fundamentais para a avaliação e o diagnóstico de todo e qualquer paciente. Esse é o pilar de sustentação da terapia eficaz. Não reconhecer ou não interpretar os sinais clínicos em pacientes que não são capazes de se comunicar verbalmente é fracassar no esforço diagnóstico. A interpretação de sinais na medicina veterinária continua a ser uma habilidade que requer vigilância persistente, experiência e intuição. Não há absolutamente nenhum teste laboratorial, procedimento cirúrgico ou tecnologia de imagem sofisticada que possa substituir o papel do clínico.

AGRESSIVIDADE DEFINIÇÃO

3

Agressividade é uma condição (normal ou anormal) em cães e gatos caraterizada por comportamento ameaçador, destrutivo ou de ataque, podendo ser classificada como ofensiva ou defensiva. O conhecimento específico do padrão e tipo de agressão é fundamental para uma abordagem clínica efetiva. Deve-se descartar doenças que possam estar relacionadas com comportamento agressivo (p. ex., dor ou neoplasia intracraniana). MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS A agressividade pode ser resultado de distúrbios, particularmente os que afetam o encéfalo. Nesses pacientes, o início do comportamento agressivo é usualmente agudo e pode ser associado a outros sinais neurológicos que sugerem disfunção cerebral (p. ex., convulsões ou andar em círculos). Contudo, animais com dor também podem manifestar comportamento agressivo, como resposta ao estímulo doloroso. Animais com cegueira ou surdez uni ou bilateral podem manifestar agressividade ou esquiva quando manipulados, sem que isso seja necessariamente considerado um padrão de comportamento anormal. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL COMPORTAMENTO AGRESSIVO NO CÃO: DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE ACORDO COM A CAUSA COMPORTAMENTO AGRESSIVO DECORRENTE DE DISTÚRBIO ORGÂNICO Raiva Neoplasia intracraniana Hipoxia cerebral Atividade convulsiva Distúrbios neuroendócrinos

Agressão possessiva Agressão protetora (comida, brinquedos, cama) Agressão predatória Agressão decorrente do medo Agressão entre machos e entre fêmeas Agressão decorrente de dor, castigo e irritação Agressão maternal Agressão redirecionada

COMPORTAMENTO AGRESSIVO TÍPICO DA ESPÉCIE* Agressão por dominância De Young MS: Aggressive behavior. In: Ford RB, ed: Clinical signs and diagnosis in small animal practice, New York, 1988, Churchill Livingstone. *Esses padrões de comportamentos não são distúrbios. Eles são padrões típicos da espécie e, portanto, normais. A familiaridade com o comportamento agressivo normal típico do cão permite a percepção de padrões anormais.


AUMENTO DA PRODUÇÃO DE URINA E DO CONSUMO DE ÁGUA: POLIÚRIA E POLIDIPSIA

381

MÉTODOS DIAGNÓSTICOS 1. Perfil laboratorial e exame neurológico para avaliar a presença de dor ou doença orgânica subjacente (doença intracraniana). 2. Nota: Não é recomendada a administração de um fármaco psicotrópico como terapia empírica para agressão antes de determinar a causa possível e a tentativa de modificar o comportamento por meio de treinamento. COMPORTAMENTO AGRESSIVO NO GATO: DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE ACORDO COM A CAUSA COMPORTAMENTO AGRESSIVO DECORRENTE DE DISTÚRBIO ORGÂNICO Raiva Neoplasia e lesões intracranianas

COMPORTAMENTO AGRESSIVO TÍPICO DA ESPÉCIE*

Agressão na brincadeira Agressão territorial Agressão decorrente por medo Agressão decorrente dor Agressão maternal Agressão redirecionada

Agressão entre machos Agressão predatória *Esses padrões de comportamento não são necessariamente distúrbios. Eles são padrões de comportamento típicos da espécie e, portanto, normais. A familiaridade com o comportamento agressivo normal típico do gato permite a percepção de padrões anormais.

ALOPECIA: Ver Perda de Pelos: Alopecia. ATAXIA Ver Incoordenação: Ataxia. AUMENTO DA PRODUÇÃO DE URINA E DO CONSUMO DE ÁGUA: POLIÚRIA E POLIDIPSIA DEFINIÇÃO Na prática, poliúria e polidipsia, também abreviadas como PU/PD, são, de forma geral, interpretadas como um aumento da eliminação de urina e do consumo de água, respectivamente. Todavia, a PU verdadeira é um aumento anormal da produção de urina, normalmente de baixa densidade. Embora PD seja um aumento anormal ou absoluto do consumo de água, geralmente associado ao aumento da sede, a ingestão de água raramente é quantificada. O uso dos termos poliúria e polidipsia em geral se justifica quando um cliente apresenta um cão ou gato com aumentos subjetivos na frequência da micção e na ingestão de água como o problema primário. Quando não existe uma evidência clara do aumento da micção e do aumento da sede, pode ser necessária comprovação real da ingestão de água e do débito urinário em 24 horas. A PD é um sinal compensatório que se desenvolve subsequentemente à PU. A PD primária com PU compensatória é incomum. A PD primária subsequente ao aumento da sede pode causar PU secundária, mas este é um achado clínico incomum. Ingestão compulsiva de água (PD pseudopsicogênica) é provavelmente o tipo mais importante de PD primária, embora a causa subjacente não seja conhecida. Lesões hipotalâmicas, hipercalcemia e concentrações elevadas de renina plasmática são causas menos comuns de PD primária. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS As manifestações clínicas associadas a PU ou PD são variados e dependem da doença subjacente. Sinais sistêmicos incluem fraqueza, apetite diminuído, perda de peso, diarreia e febre. A polifagia com perda de peso ocorre em animais com diabetes mellitus e em gatos com hipertireoidismo.

3


382

3

SINAIS CLÍNICOS

Síndromes paraneoplásicas, especialmente hipercalcemia, podem desenvolver-se em associação a PU/PD. Um exame clínico abrangente e uma avaliação laboratorial se justificam em todos os pacientes que apresentam PU/PD como a queixa principal. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE POLIÚRIA E POLIDIPSIA POLIÚRIA DE ORIGEM RENAL Insuficiência renal Glomerulonefrite Disfunção tubular Disfunção medular renal Diurese pós-obstrutiva (p. ex., síndrome urológica felina) Diabetes insipidus (nefrogênico) Nefropatia hipercalcêmica Síndrome de Fanconi Diminuição da hipertonicidade da medula renal

POLIÚRIA DE CAUSAS NÃO RENAIS

3

Diabetes insipidus (neurogênico) Diabetes mellitus

Hiperadrenocorticismo Doença hepática (inespecífica) Piometra Polidipsia pseudopsicogênica

POLIÚRIA INDUZIDA POR MEDICAMENTOS Glicocorticoides (principalmente em cães) Manitol intravenoso Glicose, em concentrações acima de 50 mg/dL (5,0%) Álcool Terapia diurética (p. ex., furosemida) Fenitoína Intoxicação pela vitamina D

MÉTODOS DIAGNÓSTICOS (Fig. 3-1) 1. Histórico e exame físico, para facilitar a verificação do problema, além da determinação de sua duração e dos sinais associados. O conhecimento da administração recente de medicação é de especial importância. 2. Exames laboratoriais básicos. O foco primário do plano de diagnóstico é interpretar resultados de exames laboratoriais, incluindo hemograma, perfil bioquímico, exame de urina, coprocultura, teste de dirofilariose (em cães), testes de FeLV e FIV (em gatos) e urocultura. 3. Coletar urina e mensurar a ingestão de água por um período de 24 horas para documentar o problema, se necessário. 4. Radiografias abdominais, se indicadas. 5. Exames diagnósticos especiais, se indicados, com base nos resultados dos exames laboratoriais: a. Testes de privação de água e de privação de água modificado (contraindicados na presença de azotemia, desidratação ou hipercalcemia) b. Teste da resposta ao hormônio antidiurético (ADH, vasopressina) c. Teste de tolerância à glicose d. Estimulação com ACTH ou teste de supressão com dexametasona e. T4 sérico f. Estudos da função hepática (p. ex., amônia sérica, ácidos biliares) g. Ultrassonografia do abdome h. Biópsia de tecido (p. ex., renal e hepático) i. Laparotomia exploratória

CEGUEIRA Ver Perda Total da Visão. COCEIRA: PRURIDO Ver também Perda de Pelos: Alopecia. DEFINIÇÃO Prurido é uma estimulação epidérmica desagradável, algumas vezes intensa, que causa coceira ou mordedura anormalmente frequentes. Histamina, endopeptidases e outros polipeptídeos liberados pelas células cutâneas servem como mediadores do prurido. A histamina é o mediador primário


COCEIRA: PRURIDO VER TAMBÉM PERDA DE PELOS: ALOPECIA.

383

História de polidipsia/poliúria Excluir causas iatrogênicas

Exame físico normal

Aparentemente doente

Verificar por meio de mensuração no domicílio, se necessário Hemograma, perfil bioquímico, exame de urina

Negativo

Positivo Excluir (ou confirmar com testes específicos) Hipertireoidismo Insuficiência renal Diabetes mellitus Glicosúria tubular renal Diurese pós-obstrutiva Piometra Hipoadrenocorticismo Hiperadrenocorticismo Insuficiência hepática Policitemia Hipercalcemia Hipocalemia

Não desidratado

Desidratado Reidratar

Positivo PPA

Intermediário Negativo DIC DIC parcial DIN PPA + washout PPA + washout medular IR medular

Normal DIC DIN PPA

Diminuído IR

Reidratar

Teste da depuração da creatinina

Teste de privação de água

Teste de HAD exógeno

Positivo DIC

Negativo Intermediário DIN PPA + washout PPA + washout medular medular

Teste de privação parcial de água ou de Hickey-Hare Positivo PPA

Negativo DIN

Chave: PPA ⫽ polidipsia psicogênica aparente DIC ⫽ diabetes insipidus central DIN ⫽ diabetes insipidus nefrogênico MSW ⫽ washout medular IR ⫽ insuficiência renal com diurese de soluto

Figura 3-1: Abordagem clínica para o paciente com polidipsia e poliúria. ADH, Hormônio antidiurético; H, Hemograma. (De Fenner WR: Quick reference to veterinary medicine, ed 2, Philadelphia, 1991, Lippincott.)

3


384

3

SINAIS CLÍNICOS

do prurido, associada à reação de pápula-eritema. O prurido mediado por histamina não pode ser completamente inibido por antagonistas de receptores H1 ou H2 (bloqueadores). A estreita associação entre o prurido e inflamação da pele é atribuída ao fato de que muitos dos mediadores e potenciadores endógenos são liberados in situ durante eventos inflamatórios. O prurido, embora seja uma resposta protetora, pode tornar-se mais prejudicial do que útil. Como uma característica da dermatite, os mediadores do prurido não podem ser removidos pelo paciente. Na verdade, o prurido acaba por promover mais inflamação e se perpetua subsequentemente. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

3

Lesões de pele são frequentemente associadas a prurido; todavia, é importante caracterizar as lesões e distinguir as primárias das secundárias ao prurido. Pápulas e pústulas são lesões primárias características que finalmente podem evoluir para lesões secundárias, como crostas, úlceras, escamas em colarinhos e máculas pigmentadas. Vesículas e bolhas, placas e urticária (pápulas) também podem ocorrer como lesões primárias de pele. Crostas lineares, ulceração irregular, liquenificação, descamação difusa e pigmentação, e alopecia em placas, são lesões características que se desenvolvem secundariamente à escoriação. O prurido também pode ocorrer sem lesões primárias (i. e., prurido “essencial”). Este tipo de prurido é uma manifestação de doença sistêmica, embora a mediação possa ser central ou cutânea. As causas incluem atopia, pele ressecada e distúrbios neurológicos e psicogênicos. Uma série de doenças renais, hepáticas, hematopoiéticas, alérgicas e endócrinas está associada a prurido essencial. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE PRURIDO (NÃO É UMA LISTA ABRANGENTE) Dermatite pustular Infecciosa Piodermite dos filhotes Foliculite e furunculose Imunomediada Pênfigo foliáceo Distúrbios formadores de vesícula (p. ex., erupção medicamentosa) Dermatose ␥ por imunoglobulina A (IgA) linear Idiopática Celulite juvenil Dermatose pustular subcorneana

ERUPÇÃO VESICULAR OU BOLHOSA Dermatose bolhosa Lúpus eritematoso sistêmico (LES) Necrólise epidérmica tóxica Erupção medicamentosa Dermatite por contato aguda

FORMAÇÃO DE PLACA Dermatite infecciosa Dermatite imunomediada Neoplasia (p. ex., mastocitoma)

ERUPÇÃO PAPULAR (Cão) Infecciosa Foliculite (bacteriana, fúngica, demodécica)

Parasitária ( Sarcoptes, Cheyletiella , piolhos, pulgas) Vasculite (febre maculosa das Montanhas Rochosas) Imune Alergia (atopia) Autoimune (pênfigo foliáceo, LES) Idiopática

ERUPÇÃO PAPULAR (GATO) Infecciosa (foliculite bacteriana) Dermatofitose Parasitária (sarna otodécica e notoédrica, Cheyletiella, piolhos) Imunomediada (hipersensibilidade a alimentos) Dermatite miliar idiopática

DERMATITE ULCERATIVA LES Vasculite leucocitoclástica Eritema multiforme Necrólise epidérmica tóxica Micose fungoide Complexo da epidermólise bolhosa Dermatomiosite Dermatite por contato aguda Síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada


COMA: PERDA DE CONSCIÊNCIA

385

MÉTODOS DIAGNÓSTICOS 1. Histórico e exame físico, para caracterizar a lesão de pele e sua distribuição, determinarão se a doença parece ou não ser contagiosa e também se existe ou não uma doença sistêmica. 2. Exames laboratoriais, se houver evidência de que existe doença sistêmica. 3. Exame da pele e pelagem. Realizar vários raspados de pele e examinar pele e pelos com lâmpada de Wood. 4. Exames microbiológicos para bactérias e dermatófitos. 5. Exames imunológicos, incluindo teste de pele intradérmico e teste direto para anticorpos fluorescentes em amostras de biópsia de pele (normal e afetada). 6. Biópsia de pele com exame dermato-histopatológico. 7. Exposição provocadora a agentes ambientais, dieta e medicamentos selecionados.

COMA: PERDA DE CONSCIÊNCIA DEFINIÇÃO O coma é um estado de inconsciência completa, reversível ou irreversível, que pode resultar de doença neurológica ou não neurológica (overdose de fármacos, especialmente em cães). O coma pode ser consequência de lesões multifocais ou difusas no cérebro ou de uma lesão que afeta a porção anterior do tronco encefálico e o sistema de ativação reticular ascendente. Uma variedade de doenças orgânicas do sistema nervoso central (SNC) que conduz a encefalopatia tóxica ou metabólica também pode induzir o coma. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Embora o paciente comatoso esteja inconsciente, deverá ser realizado um exame neuro-oftalmológico completo. Tamanho e respostas pupilares alteradas ao estímulo luminoso usualmente indicam doença do tronco encefálico. A avaliação cardíaca de emergência do paciente inconsciente justifica um eletrocardiograma (ECG) e radiografias torácicas. A avaliação laboratorial do paciente comatoso inclui função hepática, eletrólitos e nível de glicose. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DO COMA

Agudo, não progressivo Agudo, progressivo

Crônica, progressiva

Neurogênico

Não Neurogênico

Hemorragia intracraniana Malformações cerebrais Lesões metastáticas Hemorragia epidural, subdural Meningoencefalite Edema cerebral

– – Hipoglicemia Coma diabético (hiperosmótico) Intermação Encefalopatia hepática ou urêmica Infecção Hipoxia Deficiência de tiamina (gato) Intoxicação por metais pesados e fármacos Intoxicação por monóxido de carbono Intoxicação por metais pesados

Hemorragia (rara) Doenças de depósito Hidrocefalia Encefalite

3


386

3

SINAIS CLÍNICOS

MÉTODOS DIAGNÓSTICOS 1. Estado grave: Avaliação das vias aéreas e do sistema cardiovascular (pulso, batimento cardíaco e ECG). Fazer radiografias torácicas se indicadas. Se há suspeita de edema cerebral, administrar ventilação de suporte, agentes hiperosmóticos intravenosos (p. ex., manitol 20%, 1 a 2 g/kg de peso corporal a cada 6 horas) e glicocorticoides. 2. Realizar cuidadoso exame neurológico, avaliando principalmente a função do tronco encefálico, incluindo função motora, respostas pupilares à luz (ou falta delas) e movimento dos olhos. 3. Perfil laboratorial completo, que inclua hematologia, perfil bioquímico e urinálise. 4. Testes diagnósticos especiais: se apropriados: a. Coma metabólico amônia sérica, ácidos biliares, glicose, níveis de chumbo em sangue e urina. b. Coma neurológico: radiografias do crânio, análise de líquor e eletroencefalografia. c. Avaliação da resposta ao manitol intravenoso.

CONSTIPAÇÃO (OBSTIPAÇÃO) Ver também Esforço para Defecar: Disquezia. DEFINIÇÃO

3

Constipação é a diminuição ou dificuldade em evacuar. Obstipação é a constipação intratável que resulta em endurecimento fecal no reto e possivelmente no cólon. A defecação difícil ou dolorosa, provável manifestação de constipação ou obstipação, representa tipicamente o motivo da consulta de um gato ou cão sob essas circunstâncias (ver também Esforço para Defecar: Disquezia). Não há definição precisa da regularidade do intestino; portanto, não há número “normal” de movimentos intestinais diários ou semanais, desvios do qual constitui a constipação. Praticamente, a constipação deve ser considerada quando houver diminuição na frequência de eliminação de fezes ou quando estas apresentarem consistência extremamente dura ou seca. A constipação é classificada em: neurogênica, mecânica (física), muscular (músculo liso) ou iatrogênica (induzida por fármacos). O proprietário que percebe que o seu animal tem dificuldade para defecar pode ter observado também dificuldade para urinar. Isso ocorre especialmente em gatos com distúrbios do trato urinário inferior, como a doença do trato urinário inferior dos felinos (DTUIF). No contexto da discussão, o termo disquezia será abordado somente quando estiver associado à constipação e obstipação (Fig. 3-2).

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS A avaliação do paciente com constipação ou obstipação pode representar um grande desafio para o médico em virtude dos mecanismos complexos envolvidos. Animais com causas neurogênicas podem ter dor retal ou perianal significativa associada a lesões locais. Outros pacientes podem ter doença neurológica não dolorosa ou complicações de longa duração provenientes de trauma pélvico ou espinhal anterior. Causas mecânicas são extraluminais ou intraluminais. É indicada a palpação abdominal ou retal em ambas, tanto em cães e gatos machos e fêmeas. Fezes finas ou tingidas com sangue podem sinalizar a presença de uma lesão intraluminal, ao passo que em pacientes com lesões extraluminais pode não haver sinais clínicos associados. Causas musculares são as menos comuns e, geralmente, são resultado de alterações metabólicas graves. Atonia do cólon de origem idiopática é relatada, mas a constipação também pode resultar de estados catabólicos graves. Evidência laboratorial de doença endócrina e anormalidades eletrolíticas devem ser avaliadas.


CONSTIPAÇÃO (OBSTIPAÇÃO) VER TAMBÉM ESFORÇO PARA DEFECAR: DISQUEZIA. Dados e histórico

387

Achados positivos

Constipação “aparente” Retenção fecal Prenhez? p. ex., após diarreia prolongada p. ex., confinamento Exame físico

Induzida Comportamento por medicação

Achados positivos

Dor anal/retal Obstrução colorretal feridas/trauma próstata infecção tumor neoplasia fecaloma doença do saco anal estreitamento prolapso/hérnia Biópsia ou tratamento local

Avaliação adicional ou tratamento

3

Avaliação de radiografias abdominais

Fecaloma (obstipação) p. ex., atonia

Déficits neurológicos Fraqueza p. ex., propriocepção muscular consciente generalizada e/ou desidratação Radiografias de coluna Perfil laboratorial Avaliação adicional

Achados positivos (megacólon)

Lesão/doença da Aumento medula espinhal prostático

Avaliação adicional

Avaliação adicional

Tumor intraabdominal Avaliação adicional

Perfil laboratorial

Fratura pélvica consolidada ou trauma pélvico (especialmente gatos)

Achados positivos Sedação ou anestesia geral Avaliação adicional

Hipercalcemia Hipocalemia Hiperparatireodismo Hipotireoidismo Hiperadrenocorticismo

Repetir Proctos- Colonos- RadioLaparotomia exame copia com copia com grafia exploratória retal/anal biópsia biópsia contrastada do cólon

Aspirado Mielograma Biópsia percutâneo muscular da próstata para EMG citologia/cultura

Figura 3-2: Algoritmo clínico para constipação no cão e no gato. EMG, Eletromiografia.


SEÇÃO 4

Procedimentos Diagnósticos e Terapêuticos Richard B. Ford e Elisa M. Mazzaferro Procedimentos de Rotina, 437 Técnicas de Administração de Medicamentos e Fluidos, 437 Técnicas de Colocação de Bandagem e Tala, 449 Mensuração da Pressão Arterial: Indireta, 449 Técnicas de Coleta de Amostras Diagnósticas, 450 Procedimentos Dermatológicos, 476 Biópsia Cutânea, 476 Limpeza Auricular: Canal Auditivo Externo, 479 Intubação Endotraqueal, 480 Procedimentos Avançados, 482 Abdominocentese, 482 Técnicas de Biópsia: Avançadas, 483 Gases Sanguíneos: Sangue Arterial, 490 Coleta de Líquido Cefalorraquidiano, 491 Eletrocardiografia, 491 Endoscopia: Indicações e Equipamentos Necessários, 498 Procedimentos Gastrointestinais, 503 Intubação Nasoesofágica, 503 Colocação do Tubo de Esofagostomia, 505 Procedimentos Oftálmicos, 511 Radiografia: Estudos Contrastados Avançados, 515 Trato Reprodutor das Fêmeas, 522 Trato Reprodutor dos Machos, 527 Procedimentos do Trato Respiratório, 532 Procedimentos do Trato Urinário, 543

PROCEDIMENTOS DE ROTINA TÉCNICAS DE ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTOS E FLUIDOS ADMINISTRAÇÃO ORAL: COMPRIMIDOS E CÁPSULAS – CÃES Preparação do Paciente Não é necessária. Técnica O método mais simples de administrar comprimidos ou cápsulas aos cães é esconder a medicação no alimento. Ofereça inicialmente pequenas porções de queijo, carne ou alguns dos alimentos favoritos do cão sem incluir a medicação e, em seguida, uma porção de alimento com a medicação incluída. Pill Pockets® Canine Treats* é um petisco próprio para disfarçar comprimidos e cápsulas, disponível comercialmente nos Estados Unidos. *Pill Pockets® Treats para Cães e Pill Pockets® Treats para Gatos; Greenies (www.greenies.com). 437


438

4

PROCEDIMENTOS DIAGNÓSTICOS E TERAPÊUTICOS

Nota: Frequentemente, a medicação oral é prescrita sem que se atente para a educação do cliente sobre como administrar uma cápsula ou comprimido, ou sem questionar se o cliente é, de fato, fisicamente capaz de administrar medicações. Instruções claras, incluindo a observação da realização da técnica pelo cliente no hospital, melhoram de forma significativa a adesão ao tratamento.

Em cães anoréxicos, ou quando os medicamentos precisam ser administrados sem alimento, o método consiste em dar a medicação rapidamente e de forma decisiva, de tal maneira que o processo seja realizado antes que o animal perceba o que aconteceu. Em cães cooperativos, insira o dedo polegar de uma das mãos no espaço interdental e toque, delicadamente, o palato duro. Isso induzirá o cão a abrir a boca (Fig. 4-1). Utilizando a outra mão (a que está segurando a medicação), pressione delicadamente a mandíbula para baixo, forçando uma abertura ainda maior (Fig. 4-2).

4 Figura 4-1: Use o dedo polegar para abrir a boca de um cão cooperativo.

Figura 4-2: Com a outra mão, coloque o comprimido ou cápsula na porção caudal da língua.


PROCEDIMENTOS DE ROTINA

439

Ponha rapidamente o comprimido ou a cápsula na porção caudal da língua. Retire a mão com rapidez e feche a boca do cão. Quando o animal lamber o focinho, a medicação provavelmente já terá sido deglutida. Cães que oferecem mais resistência podem ser induzidos a abrir a boca pela compressão dos lábios superiores contra seus dentes. Conforme o cão abre a boca, desloque os lábios medialmente, de forma a serem comprimidos caso ele queira fechar a boca. Outra alternativa seria gotejar água sobre as narinas ou soprar algumas vezes no focinho do paciente, o que o encoraja a aceitar e engolir as medicações orais (comprimidos ou cápsulas). Há disponível no mercado seringas próprias para administração de comprimidos que parecem funcionar bem em alguns cães. Considerações Especiais A administração de medicação oral por parte do proprietário requer habilidade na sua execução. Os animais que resistirem agressivamente à medicação oral devem ser tratados por métodos alternativos – por exemplo, administração parenteral da medicação. É inapropriado e inseguro delegar as responsabilidades do tratamento ao proprietário de um cão (ou gato) que possa feri-lo enquanto tenta tratá-lo. ADMINISTRAÇÃO ORAL: COMPRIMIDOS E CÁPSULAS – GATOS Preparação do Paciente Não é necessária. Técnica Cuidado: Somente indivíduos experientes devem tentar essa técnica de administração de comprimidos ou cápsulas a gatos. Mesmo gatos cooperativos podem se tornar intolerantes e morder. Dessa forma, essa não é uma técnica recomendada para a maioria dos proprietários tentarem em domicílio, ainda que tenham recebido instruções específicas. São utilizados dois métodos de administração de comprimidos e cápsulas em gatos. Em ambos os métodos, a cabeça do gato é ligeiramente elevada com o focinho apontado para o alto. O sucesso na administração da medicação a um gato envolve o sutil equilíbrio entre o que é efetivo e o que é seguro. Em gatos cooperativos pode-se segurar e posicionar a cabeça (Fig. 4-3) com uma mão, e com a outra mão (a que está segurando a medicação) abrir a boca com delicadeza por meio da pressão da mandíbula rostral para baixo (Fig. 4-4). Pressione a pele adjacente aos dentes maxilares delicadamente entre os dentes conforme a boca é aberta, evitando, assim, que o gato feche sua boca.

Figura 4-3: Técnica de contenção da cabeça enquanto se administra um comprimido ou uma cápsula a um gato.

4


440

4

PROCEDIMENTOS DIAGNÓSTICOS E TERAPÊUTICOS

Figura 4-4: Com a outra mão, pressione delicadamente a mandíbula do gato para baixo antes de colocar um comprimido na porção caudal da cavidade oral.

4

Com a boca aberta, jogue (não empurre) a medicação (tente lubrificar com cuidado o comprimido ou cápsula com manteiga) para dentro da cavidade oral. Poderão ser realizadas batidinhas leves sob o queixo ou na ponta do focinho para facilitar a deglutição. Se o gato se lamber, a administração provavelmente foi bem-sucedida. Outra alternativa seria utilizar uma seringa especial para a administração de comprimidos e cápsulas em gatos. A seringa funciona bem, contanto que seja cuidadosamente inserida e de forma atraumática na boca do gato. No entanto, se houver resistência, a seringa poderá machucar o palato duro durante a tentativa de medicação. Em tentativas subsequentes de utilizar a seringa, pode haver aumento de resistência e, portanto, maior risco de trauma. O sucesso da utilização desse tipo de seringa depende bastante do comportamento do gato. Também existem o Pill Pocket® Treats para gatos, que são fabricados nos sabores frango e peixe. Além disso, como no caso dos cães, alguns gatos responderão à aplicação de gotas de água ou sopro nas narinas para estimular a deglutição do medicamento. Considerações Especiais Quando prescrever medicações orais a gatos, não espere que os clientes forcem um comprimido ou cápsula na boca do animal. Apesar de alguns clientes serem notavelmente capazes e confiantes em relação à sua habilidade de administrar medicações orais a gatos, o risco de acidentes pode ser significativo. Sempre que possível, medicações líquidas ou comprimidos pulverizados devem ser misturados à dieta ou a um petisco prontamente aceito e consumido (ver discussão a seguir). ADMINISTRAÇÃO ORAL: LÍQUIDOS Sem Tubo Gástrico Preparação do Paciente Não é necessária. A técnica é apropriada para ser realizada por proprietários em domicílio. Técnica Pequenas quantidades de medicamento líquido podem ser administradas de maneira bem-sucedida a cães e gatos puxando-se a comissura labial para fora, formando uma bolsa (Fig. 4-5). Deposite a medicação líquida na “bolsa da bochecha”, de onde ela fluirá por entre os dentes conforme a cabeça for ligeiramente posicionada para o alto. Paciência e delicadeza, além da medicação razoavelmente saborosa, contribuem para o sucesso.


PROCEDIMENTOS DE ROTINA

441

Figura 4-5: Use uma seringa para administrar medicações líquidas na cavidade oral de um gato.

Colheres são ineficazes, uma vez que os líquidos são facilmente expelidos. Uma seringa descartável pode ser utilizada para medir e administrar os líquidos por via oral. Dependendo do líquido administrado, as seringas descartáveis podem ser reutilizadas diversas vezes, desde que sejam lavadas após cada administração. Não é recomendado que medicações diferentes sejam misturadas em uma mesma seringa. Recomenda-se a identificação adequada da seringa para cada tipo de medicação líquida prescrita. Considerações Especiais Também podem ser consideradas as farmácias de manipulação para o preparo de medicações com sabores palatáveis para facilitar a administração oral. Cães com distúrbios de deglutição não devem ser tratados em domicílio com medicações líquidas, pois isso pode provocar complicações associadas à aspiração. Com um Tubo de Administração Preparação do Paciente Não é necessária.

Nota: Esse procedimento é reservado exclusivamente para âmbito hospitalar. A técnica deverá ser realizada apenas por indivíduos treinados.

Técnica A administração de medicações, material de contraste e fluidos reidratantes pode ser realizada com o uso de um tubo de alimentação bem lubrificado, introduzido através das narinas até o estômago ou o esôfago distal. Quando o tubo de alimentação é colocado para uso por longo período (vários dias) e de forma repetida (descrito posteriormente em Procedimentos Gastrointestinais), é geralmente recomendado evitar introduzir a ponta do tubo além do esôfago distal. A razão para a recomendação de intubação nasoesofágica, em vez de intubação nasogástrica, baseia-se no fato de que o peristaltismo reflexo do esôfago contra a passagem de um tubo através da cárdia pode resultar em ulceração significativa da mucosa em 72 horas. Isso não é um problema em pacientes que recebem uma única dose de medicação ou material de contraste.

4


442

TABELA 4-1

4

PROCEDIMENTOS DIAGNÓSTICOS E TERAPÊUTICOS

Equivalentes da Escala Francesa de Cateter* Tamanho

4

Escala

Milímetros

Polegadas

3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 22 24 26 28 30 32 34

1 1,35 1,67 2 2,3 2,7 3 3,3 3,7 4 4,3 4,7 5 5,3 5,7 6 6,3 6,7 7,3 8 8,7 9,3 10 10,7 11,3

0,039 0,053 0,066 0,079 0,092 0,105 0,118 0,131 0,144 0,158 0,170 0,184 0,197 0,210 0,223 0,236 0,249 0,263 0,288 0,315 0,341 0,367 0,393 0,419 0,445

*Vários tipos de tubos de poliuretano de alimentação nasogástrica encontram-se disponíveis em tamanhos que variam de 8F a 12F e que acomodam facilmente a administração de medicações líquidas e de fluidos a gatos adultos e filhotes, e a cães de pequeno porte.

O lúmen estreito dos tubos introduzidos através das narinas de cães de pequeno porte e gatos limita a viscosidade das soluções que podem ser administradas. A intubação nasoesofágica pode ser feita com uma variedade de tamanhos e tipos de tubos (Tabela 4-1). Os tubos de poliuretano mais recentes, quando recobertos com gel lubrificante de lidocaína não são irritantes e podem ser deixados no local com a ponta posicionada no esôfago distal. Quando for colocar o tubo nasogástrico, instile de quatro a cinco gotas de proparacaína a 0,5% nas narinas do gato ou do cão de pequeno porte; pode ser necessário instilar de 0,5 a 1 mL de lidocaína a 2% na narina de um cão de raça de porte maior para se alcançar o nível de anestesia tópica requerida para a passagem do tubo através da narina. Com a cabeça elevada, direcione o tubo dorsomedialmente para a dobra alar (Fig. 4-6). A passagem do tubo será facilitada para o meato nasal ventromedial empurrando-se o tubo dorsalmente sobre o filtro nasal e empurrando a narina da lateral para a face medial. Cuidado: A ponta do tubo de alimentação pode ser inadvertidamente introduzida através da glote em direção à traqueia. O anestésico tópico instilado no nariz pode anestesiar as cartilagens aritenoides, bloqueando, assim, o reflexo de tosse ou de deglutição. Após inserir de 1 a 2 cm da ponta no interior da narina, continue avançando com o tubo até alcançar o comprimento desejado. Se os cornetos obstruírem a passagem do tubo, retroceda-o por alguns centímetros. Reavance, então, o tubo, tomando cuidado para direcioná-lo ventralmente através da cavidade nasal. Ocasionalmente, pode ser necessário retirar o tubo completamente da narina e repetir o procedimento. Em pacientes particularmente pequenos ou com lesões obstrutivas


PROCEDIMENTOS DE ROTINA

443

Figura 4-6: Posicionamento dorsomedial inicial de um tubo nasoesofágico antes da inserção completa. (p. ex., tumor) na cavidade nasal pode não ser possível passar o tubo. Não o force contra uma resistência significativa através da narina. A gavagem, ou a lavagem e alimentação gástrica, em filhotes caninos e felinos pode ser realizada pela passagem de um cateter de borracha macia ou tubo de alimentação para dentro da boca movendo a cabeça do filhote canino ou felino e vendo-o engolir o tubo. A maior parte dos filhotes caninos e felinos irá lutar e vocalizar. Geralmente, eles não vocalizam se o tubo estiver posicionado no interior da traqueia. Um cateter 12F possui um diâmetro adequado para passar livremente, mas é muito grande para cães e gatos com idade inferior a 2 a 3 semanas. Marque no tubo, com uma fita adesiva ou uma caneta, o ponto que identifica a distância da boca à última costela. Simplesmente empurre o tubo para o interior da faringe, em direção ao esôfago, até o nível torácico caudal (no interior do estômago). Verifique o posicionamento do tubo utilizando a mesma técnica de aspiração com uma seringa seca, assegurando-se de que ele está realmente posicionado no esôfago ou no estômago, e não na traqueia. Acople uma seringa à terminação arredondada e injete, lentamente, a medicação ou o alimento. Dependendo do tipo de tubo de alimentação, sua terminação pode ou não acomodar uma seringa. Por exemplo, cateteres urinários de borracha macios são excelentes tubos para se utilizar em administração única. No entanto, a terminação arredondada pode não acomodar uma seringa. Para acoplar uma seringa na terminação externa de um tubo ou cateter de alimentação cônico, insira um adaptador plástico (Fig. 4-7) na terminação livre.

Figura 4-7: Adaptador plástico (“árvore de Natal”) para fixar a seringa a um tubo de alimentação nasoesofágico.

4


444

4

PROCEDIMENTOS DIAGNÓSTICOS E TERAPÊUTICOS

Considerações Especiais O posicionamento esofágico (versus intratraqueal) do tubo de alimentação pode ser verificado com uma seringa seca e vazia. Acople a seringa vazia à ponta do tubo de alimentação. Em vez de injetar ar ou água na tentativa de auscultar borborigmos no abdome, tente apenas aspirar ar pelo tubo de alimentação. Se não houver nenhuma resistência durante a aspiração e o ar preencher a seringa, o tubo provavelmente está na traqueia. Remova completamente o tubo e repita o procedimento. Entretanto, se repetidas tentativas de aspirar ar encontram resistência imediata e não houver entrada de ar na seringa, a ponta do tubo está posicionada adequadamente dentro do esôfago. Se ainda houver qualquer dúvida relacionada ao posicionamento do tubo, é indicada uma radiografia lateral de rotina. A confirmação definitiva do seu posicionamento adequado pode ser obtida pela instilação no tubo da mistura de 1 a 2 mL de contraste iodado em salina estéril e, então, a realização de radiografia lateral da região toracoabdominal para confirmação da entrada do material de contraste no estômago. ADMINISTRAÇÃO TÓPICA Ocular Preparação do Paciente Não é necessária.

4

Técnica Os métodos usuais de aplicação de medicação diretamente nos olhos incluem líquidos (gotas) e unguentos. A via e a frequência da medicação dependem da doença que está sendo tratada. Líquidos e unguentos são apropriados para a administração pelo proprietário. As medicações líquidas (normalmente, uma ou duas gotas) podem ser aplicadas diretamente sobre a córnea. É importante instruir o proprietário sobre a técnica adequada e enfatizar que, uma vez que os líquidos somente se deslocam para baixo, o focinho do paciente deve ser direcionado para o alto antes de se tentar administrar medicações líquidas nos olhos. É bastante difícil, também, fazer com que uma gota de líquido, conforme é expelida de seu frasco, caia horizontalmente, a despeito das frequentes tentativas de fazê-lo. Particularmente o unguento, na forma de uma linha de 3 mm ou 6 mm, é administrado diretamente sobre a esclera (dorsalmente) ou no fundo do saco conjuntival inferior de tal forma que, conforme as pálpebras se fecham, uma película de unguento é espalhada por toda a córnea. Considerações Especiais Não se deve permitir que a ponta do tubo de aplicação de líquidos e de unguentos entre em contato com o olho ou com a conjuntiva. Isso provavelmente resultará na contaminação da medicação, especialmente se forem líquidas. Ótica Preparação do Paciente Não é necessária. Técnica As soluções líquidas são os veículos mais eficazes para a administração de medicamentos no canal auditivo externo. Pode ser preciso fazer a remoção física de debris em alguns pacientes que necessitam de medicações óticas. Ocasionalmente, também pode ser necessário fazer a suplementação por medicação oral. O ouvido deverá ser gentilmente massageado após a instilação para facilitar a dispersão da medicação no interior do canal auditivo externo. Considerações Especiais Os pós medicinais são normalmente contraindicados no canal auditivo externo. É importante ressaltar que a ponta do aplicador das medicações líquidas não deve entrar em contato direto com a pele. Se isso acontecer, provavelmente haverá contaminação de todo o frasco do medicamento.


KIRK & BISTNER C0040.indd i

MANUAL DE

PROCEDIMENTOS VETERINÁRIOS E TRATAMENTO EMERGENCIAL

10/01/13 12:12 PM


Dedicatória

D r.R obert W .K irk 22 de maio de 1922 – 19 de janeiro de 2011 C l nico,educador,professor dedicado. U m homem cujo compromisso e contribui ıes medicina de animais de companhia sªo globais na extensªo e lendários no escopo.

C0040.indd ii

10/01/13 12:12 PM


KIRK & BISTNER

MANUAL DE

PROCEDIMENTOS VETERINÁRIOS E TRATAMENTO EMERGENCIAL 9ª EDIÇÃO Richard B. Ford, DVM, DACVIM, DACVPM Professor of Medicine Department of Clinical Sciences College of Veterinary Medicine North Carolina State University Raleigh, North Carolina Diplomate, American College of Veterinary Internal Medicine Diplomate (Honorary), American College of Preventive Medicine

Elisa Mazzaferro, MS, DVM, PhD, DACVECC Director of Emergency Services Wheat Ridge Veterinary Specialists Wheat Ridge, Colorado Diplomate, American College of Veterinary Emergency and Critical Care

C0040.indd iii

10/01/13 12:12 PM


' 2013 Elsevier Editora Ltda. Tradução autorizada do idioma inglês da edição publicada por Saunders – um selo editorial Elsevier Inc. Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/1998. N enhuma parte deste livro, sem autorização prévia por escrito da editora, poderá ser reproduzida ou transmitida sejam quais forem os meios empregados:eletr nicos, mecânicos, fotográficos, gravação ou quaisquer outros. ISBN :978-85-352-5435-8 ISBN (versão eletr nica):978-85-352-6781-5 C opyright ' 2012 by Saunders,an im print of Elsevier Inc. Previous editions copyrighted 2006, 2000, 1995, 1990, 1985, 1981, 1975, 1969 This edition of Kirk and Bistner's H andbook of Veterinary Procedures and Emergency Treatment, 9th edition by Richard B. Ford, Elisa Mazzaferro is published by arrangement w ith Elsevier Inc. ISBN :978-1-4377-0798-4 C apa Folio Design Editoração Eletr nica Thomson Digital Elsevier Editora Ltda. Conhecimento sem Fronteiras Rua Sete de Setembro, n 111 – 16 andar 20050-006 – Centro – Rio de Janeiro – RJ Rua Q uintana, n 753 – 8 andar 04569-011 – Brooklin – São Paulo – SP Serviço de Atendimento ao Cliente 0800 026 53 40 sac@ elsevier.com.br Consulte também nosso catálogo completo, os últimos lançamentos e os serviços exclusivos no site w w w .elsevier.com.br N O conhecimento em veterinária está em permanente mudança. Os cuidados normais de segurança devem ser seguidos, mas, como as novas pesquisas e a experiência clínica ampliam nosso conhecimento, alterações no tratamento e terapia à base de fármacos podem ser necessárias ou apropriadas. Os leitores são aconselhados a checar informações mais atuais dos produtos, fornecidas pelos fabricantes de cada fármaco a ser administrado, para verificar a dose recomendada, o método e a duração da administração e as contraindicações. responsabilidade do veterinário, com base na experiência e contando com o conhecimento do dono do animal, determinar as dosagens e o melhor tratamento para cada um individualmente. N em o editor nem o autor assumem qualquer responsabilidade por eventual dano ou perda a pessoas, animais ou a propriedade originada por esta publicação. O Editor CIP-BRASIL. CATALOGA˙ ˆ O N A FON TE SIN DICATO N ACION AL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ F794m Ford, Richard B. Kirk & Bistner, Manual de Procedimentos Veterinários e Tratamento Emergencial/ Richard B. Ford, Elisa M. Mazzaferro; [tradução Ana H elena Pagotto... et al.]. - Rio de Janeiro:Elsevier, 2012. 776p.:24cm. Tradução de:Kirk and Bistner's handbook of veterinary procedures and emergency treatment, 9th ed. Inclui bibliografia e índice ISBN 978-85-352-5435-8 1. Veterinária. 2. Primeiros socorros para animais. I. Kirk, Robert W arren, 1922-. II. Bistner, Stephen I. III. Mazzaferro, Elisa M. IV. Título. 12-4685.

C0045.indd iv

CDD:636.0896025 CDU:619:616-083.98

10/01/13 11:39 AM


Revisão Científica e Tradução REVISO RES CIENT˝FICO S K arina Velloso Braga Yazbek Graduada em Medicina Veterinária pela Universidade Paulista (UNIP) Residência no Hospital Veterinário da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP) Doutorado no Departamento de Cirurgia da FMVZ-USP Especialista em Dor pela Sociedade Brasileira de Dor (SBED) Ricardo Duarte Mestre e Doutor em Clínica Veterinária pelo Departamento de Clínica Médica da FMVZ - USP Professor de Clínica Médica de Animais de Pequeno Porte das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) Teresinha Luiza M artins Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo Anestesista Veterinária TRADUTO RES Adriana de Siqueira Médica Veterinária pela Universidade Federal do Paraná Mestre pelo Departamento de Patologia da FMVZ - USP Doutoranda no Departamento de Patologia da FMVZ - USP Alcir Costa Fernandes Filho Graduado em Inglês pelo Instituto Brasil-Estados Unidos Certificado de Proficiência em Inglês - University of Michigan Tradutor Inglês/Português pela Universidade Estácio de Sá Aldacilene Souza da Silva Doutora em Imunologia pela USP Mestre em Imunologia pela USP Médica Veterinária pela FMVZ-USP Ana Helena Pagotto Médica Veterinária, Técnica de Apoio à Pesquisa Científica do Instituto Butantan Doutora em Ciências pela Fundação Antonio Prudente Mestre em Ciências pela Fundação Antonio Prudente Daniel Rodrigues Stuginski Mestre em Ciências pelo Instituto de Biociências da USP Médico Veterinário pela FMVZ-USP Dominguita L hers Graça PhD pela University of Cambridge, Reino Unido v

C0050.indd v

09/01/13 8:43 AM


VI

REVISÃO CIENTÍFICA E TRADUÇÃO

Professora Titular Aposentada do Departamento de Patologia e Professora Voluntária do Departamento de Clínica de Pequenos Animais da Universidade Federal de Santa Maria, RS Felipe Gazza Romão Mestre pelo departamento de Clínica Veterinária da FMVZ-UNESP, Botucatu, SP Ex-residente da Clínica Médica de Pequenos Animais da FMVZ-UNESP, Botucatu, SP K eila K azue Ida PhD Student Anestesiologia da Faculdade de Medicina da USP Department of Neuroinflammation, Institute of Neurology (Queen Square), University College London (UCL) Lidianne Narducci M onteiro Médica Veterinária graduada pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) Especialista em Patologia Veterinária pela FMVZ-UNESP, Botucatu, SP Mestranda em Patologia pela Faculdade de Medicina da UNESP, Botucatu, SP M arcelo Fernandes de Souza Castro Mestre em Anatomia Veterinária pela USP (doutorando) Professor de Anatomia Descritiva dos Animais Domésticos da UNIP (Campinas, São José dos Campos e São Paulo) Professor de Anatomia Topográfica Veterinária da UNIP (Campinas, São José dos Campos e São Paulo) M aria Eugênia Laurito Summa Médica Veterinária pela USP Silvia M ariangela Spada Bacharel em Letras pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP Especialista em Tradução pela USP Thaís Rosalen Fernandes Médica Veterinária Patologista pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM), SP Residência em Patologia Veterinária pela FMVZ-UNESP Mestranda em Patologia Veterinária pela FMVZ-UNESP

C0050.indd vi

09/01/13 8:43 AM


Apresentação A 9ª edição de Kirk & Bistner – Manual de Procedimentos Veterinários e Tratamento Emergencial é um exemplo do ritmo das mudanças que ocorrem na medicina veterinária atualmente. O médico veterinário e o paciente continuam a se beneficiar dos impressionantes avanços tecnológicos em emergência e medicina de cuidados críticos, em testes diagnósticos e em terapia. Como editores desta edição, realizamos esforços significativos para incluir técnicas atuais de diagnóstico, procedimentos e recomendações de tratamento consistentes com os padrões de cuidados na medicina de animais de companhia. Para facilitar ␱ acesso rápido e fácil às informações, o texto é dividido em seis seções distintas, com ênfase especial à Seção 1, Cuidados de Emergência. Essa seção é organizada para facilitar o acesso rápido às recomendações de diagnóstico e tratamento do paciente em emergência e para aqueles que necessitam de cuidados críticos. Estão incluídas subseções importantes sobre Manejo Pré-hospitalar, Triagem e Manejo Iniciais de Emergência, Procedimentos de Emergência, Avaliação e Controle da Dor e Tratamento de Emergência de Condições Específicas. As seções 2 a 5 se baseiam nas estratégias diagnósticas, incluindo a avaliação do paciente, identificação de problemas, procedimentos de rotina e avançados e exames/interpretações laboratoriais. Cada uma dessas quatro seções aborda aspectos específicos da apresentação clínica do paciente. A Seção 2, Avaliação do Paciente e Exame dos Sistemas Orgânicos, se baseia na avaliação inicial do paciente e inclui o uso de modelos de registros médicos e planos para diagnósticos avançados. A Seção 3, Sinais Clínicos, consiste em uma abordagem a diagnósticos diferenciais baseada no problema e é reformulada de tal maneira que o problema do paciente seja representado a partir da perspectiva do cliente — do mesmo modo que os problemas são apresentados na prática clínica. A Seção 4 trata do diagnóstico de rotina e do avançado, assim como dos procedimentos terapêuticos. Os procedimentos avançados são agora apresentados em um formato órgão-sistema, para facilitar o acesso aos procedimentos diagnósticos atuais que podem ser necessários ao se avaliar casos complexos. A Seção 5, Diagnóstico Laboratorial e Protocolos de Exame, é uma referência sucinta e altamente estruturada para a realização de testes diagnósticos de rotina e avançados em cães e gatos. Cada teste representado inclui informações sobre a preparação do paciente, o protocolo de teste, o tipo de amostra a ser coletada em comparação ao tipo de amostra a ser submetida ao laboratório, a interpretação dos resultados, entre outras. A Seção 6 consiste em uma compilação das tabelas e quadros clinicamente pertinentes que foram extensivamente revisados e atualizados. Algumas das tabelas incluídas fornecem informações sobre o protocolo Anual de Vacinação para Cães e Gatos nos Estados Unidos e Indicações e Dosagens Comuns de Drogas. Foi o Dr. Robert Kirk que, em 1969, publicou a 1ª edição deste texto. São ao Dr. Kirk que podem ser atribuídos os créditos por estar entre os primeiros acadêmicos que reconheceram o papel exclusivo dos cuidados de emergência na medicina veterinária. Foi essa visão que basicamente acarretou o desenvolvimento e o crescimento de práticas de especialidade na medicina de emergência e de cuidados críticos. Todos nós temos uma dívida com o Dr. Kirk por seu compromisso e dedicação à medicina veterinária. Lamentavelmente, Dr. Kirk faleceu em janeiro de 2011. Entretanto, suas inúmeras contribuições continuarão a prestar serviços à profissão pelos muitos anos que virão. Temos a honra de dedicar esta edição do manual ao Dr. Kirk. Richard B. Ford, DVM, MS Elisa M. Mazzaferro, MS, DVM, PhD vii

C0055.indd vii

10/01/13 11:56 AM


Prefácio

TRATANDO DAS NECESSIDADES DO VETERINÁRIO Um conhecimento completo das manifestaçıes clínicas de doenças comuns, assim como de métodos para os seus diagnósticos e tratamentos é essencial para a compreensão da import ncia dos resultados dos testes. A 9ã edição ampliada e atualizada deste texto de referência essencial é organizada em seis seçıes para proporcionar rápido acesso a informaçıes relevantes sobre os sinais clínicos da doença, da avaliação do paciente, dos cuidados de emergência, de procedimentos diagnósticos e terapêuticos e diagnósticos laboratoriais, assim como a quadros de valores normais, protocolos de vacinação e formulários de medicamentos. Estudantes de veterinária considerarão este texto um auxiliar útil a seus estudos. O livro fornece uma rápida referência que permite ao estudante revisar rapidamente as aplicaçıes clínicas dos conceitos básicos, enquanto estuda cursos de base, como anatomia e fisiologia, além de cursos mais avançados nas áreas de patologia clínica, radiologia e farmacologia. Espero que veterinários e estudantes de veterinária incluam este valioso recurso em sua biblioteca particular. Margi Sirois, EdD, MS, RVT

ix

C0060.indd ix

08/01/13 4:18 PM


Sumário

SEÇÃO 1 Cuidados de Emergência, 1 SEÇÃO 2 Avaliação do Paciente e Exame dos Sistemas Orgânicos, 293 SEÇÃO 3 Sinais Clínicos, 379 SEÇÃO 4 Procedimentos Diagnósticos e Terapêuticos, 437 SEÇÃO 5 Diagnóstico Laboratorial e Protocolos de Exames, 546 SEÇÃO 6 Quadros e Tabelas, 629 Raças de Cães Reconhecidas pelo American Kennel Club (AKC), 630 Raças de Gatos Reconhecidas pela Cat Fanciers’ Association (CFA), 632 Informações Úteis sobre Roedores e Coelhos, 633 Determinação do Sexo de Coelhos e Roedores Sexualmente Maduros e Imaturos, 635 Valores Hematológicos e Bioquímica Sanguínea de Roedores e Coelhos, 636 Furões – Dados Fisiológicos, Anatômicos e Reprodutivos, 637 Valores Hematológicos para Furões Normais, 637 Bioquímica Sanguínea para Furões Normais, 638 Dados Eletrocardiográficos para Furões Normais, 638 xi

C0065.indd xi

08/01/13 10:54 AM


XII

SUMÁRIO

Conversão do Peso Corporal em Quilogramas para Área de Superfície Corporal em Metros Quadrados para Cães, 639 Conversão do Peso Corporal em Quilogramas para Área de Superfície Corporal em Metros Quadrados para Gatos, 639 Tabela de Conversão Francesa, 640 Guia de Conversão do Sistema Internacional de Unidades (SI), 641 Unidades de Comprimento, Volume e Massa no Sistema Métrico, 644 Vacinas Licenciadas para Uso em Cães nos Estados Unidos, 645 Vacinas Licenciadas para Uso em Gatos nos Estados Unidos, 647 Recomendações de Vacinação em Cães — Esquema Inicial do Filhote, 649 Recomendações à Vacinação de Cães – Adultos, 650 Recomendações para Vacinação de Gatos – Série Inicial para Filhotes, 651 Recomendações para Vacinação de Gatos – Adultos, 652 Compêndio da Prevenção e Controle da Raiva Animal, 2005 Associação Nacional dos Veterinários do Estado em Saúde Pública (NASPHV), 652 Referências Escritas de Prescrição: o que Fazer e o que Não Fazer, 660 Indicações e Doses de Medicamentos de Uso Rotineiro, 661

Índice, 729

C0065.indd xii

08/01/13 10:54 AM


REFERÊNCIA RÁPIDA PARA O TRATAMENTO DO PACIENTE NA EMERGÊNCIA A Abdômen condição aguda, 77 Abdominocentese (Paracentese), 7 Aborto espont neo, 138 Acidose metabólica, 33q Alcalose metabólica, 33q Analgesia 2-antagonistas para, 70t epidural, 76 Anestesia despertar durante, 97t epidural, 76 local, infusão, 58f Ânion gap, 39 Arritmias cardíacas, 119 Asma, 267 Azotemia pós-renal, 290 pré-renal, 288

B Bandagem, 9 Bradiarritmias, 122 Bronquite, em gatos, 266 medicamentos utilizados no tratamento de, 267 Bufotoxina, envenenamento por, 151

C Capnometria, 49 Cateterização arterial de demora, manutenção de, 64 intraósseo, 64 percut nea da artéria femoral, 63 veia cefálica, 61 Cérebro (Telencéfalo), lesıes no, 362 Cetoacidose diabética, 177 Choque ana lático, 92 cardiogênico, 278 elétrico, 133 hipovolêmico, 277 por calor, 145 séptico, 277 Coagulação, 583 no choque, 284 tempos de coagulação, 564t testes, 586 Coagulação intravascular disseminada, 99 Colapso de traqueia, 257 Colapso laríngeo, 257 Coma, 190 diabético, 192 escala de coma, 191t hepático, 192 Contusıes pulmonares, 267 Corpos estranhos em emergências respiratórias, 257 na cavidade oral, 158f no nus/reto, 163 no esôfago, 159 no intestino grosso, 163 no jejuno, 162f oculares, 199

D Dé cits/necessidades hídricas, 40 Dermatite bacteriana, 333t Diabetes hiperosmolar não cetótico, 178

C0070.indd xiii

Dilatação volvogástrica (DVG), 164 Distocia, 137 Distúrbios hemorrágicos, 97 Doença do trato urinário inferior dos gatos, 291 Dor aguda, 65 crônica, 67 de nição, 403

E Ecstasy, toxicidade, 236 Edema, 92 angioneurótico, 91q pulmonar, 268 Emergências cardíacas, 110 gástricas, 159 metabólicas, 175 neurológicas, 184 Emergências oncológicas, 204 na cavidade torácica, 207 síndromes paraneoplásicas nas, 205t toxicidade relacionada quimioterapia, 209 Emergências do trato urinário, 288 Emergências oculares, 195 abrasão corneana das pálpebras, 198 corpo estranho ocular nas pálpebras, 199 da pálpebra, 196 glaucoma agudo, 202 hemorragia subconjuntival das pálpebras, 197 hifema, 200 laceração conjuntival, 197 lesão corneana penetrante, 199 lesıes químicas nas pálpebras, 197 proptose, 201 Eméticos, 218t Enema, uso do, 219 Epididimite, 141 Epistaxe, 270

F Fluidoterapia, 40 Feridas aberta, contaminada e infectada, 8 classi cação e tratamento das, 272 fechada, 10 tecido mole, super cial, 274 Fisiologia ácido-básica, 34 Fluidos corporais, 559 Fraturas imobilização de, 11 osso peniano, 142 tratamento, 153

G Gasometria arterial e venosa, 577 Gastrite aguda, 170 Gastroenterite hemorrágica, 170 Glaucoma agudo, 202 secundário, a hifema, 202

H Hemostasia, 583 Hemotórax, 264 Hérnia de disco, 187 diafragmática, 265 estrangulada, 169

08/01/13 11:24 AM


Hipercalcemia, 180 Hipercalemia, 36q Hipernatremia, 39q Hipertensão sistêmica, 174 fármacos, 176t Hipertermia, 145 maligna, 146 Hipocalcemia (Tetania puerperal), 179 Hipocalemia, 37q Hipoglicemia, 179 Hiponatremia, 38q Hipotensão, 95 Hipotermia, 145 Hipóxia, tipos de, 46t

I Insu ciência cardíaca congestiva em, 125 Insu ciência renal adrenocortical aguda (HAC, Doença de Addison), 180 intrínseca, 289 Intestino delgado obstrução do, 160 volvo mesentérico do, 167 Intoxicação por rodenticida antagonista de vitamina k, 104 Intubação nasoesofágica, 503 Intussuscepção aguda, 163

L Laparotomia exploratória, 82 Lavagem endotraqueal em cães, 544f em gatos, 538f procedimento, 536 Lavagem orogástrica, 45 Lesão cabeça, 184 medula espinhal, 187 ligamentos, 156 tecidos moles, 272 Lesão química, 109

M-N Medula espinhal, lesão, 187 Meningite, sinais clínicos, 83t Metrite aguda, 136 Micção descontrolada, 418 Mucosa oral, exame, 308 Neurológicas, emergências, 184

O Obstipação, 168 Obstrução das vias aéreas superiores diagnóstico diferencial da, 255q tratamento da, 256 Orquite infecciosa, 141 Otite externa/interna, 132 Oxigênio nasal, 47 Oxigenioterapia, 45 Oximetria de pulso, 48

P Paciente com descompensação rápida, 6 Pancreatite, 171 Parada cardíaca, 110 Para mose, 143 Paralisia laríngea, 256 Perfuração intestinal, 169 Perfusão renal, manutenção, 222q Pericardiocentese, 129 Piometra, 134 Piotórax, 263

C0070.indd xiv

Pneumonia por aspiração, 267 Pneumotórax, 259 Potássio suplementação intravenosa de, em cães/gatos, 37t testes bioquímicos para, 569 Pressão venosa central (PVC), monitoramento materiais, 31q por imagem, 57f técnica de Seldinger, 56 Prolapso retal, 169 uretral, 143 uterino, 134 vaginal, 137 Proptose, 201 Prostatite aguda, 142 Picada de aranha, 150 Picada de cobra, 147

Q Q ueimaduras, 105 estimativa do percentual de queimadura:regra dos nove, 106t lesão térmica, 105 Q uilotórax, 263

R Radiação, 109 Regra dos nove no paciente queimado, 106t Regra dos vinte no paciente em choque, 279 Ressuscitação cardiorrespiratória cerebral de tórax aberto, 116 Ruptura uterina, 136

S Sangue venoso procedimento de prova cruzada, 22 tubos de coleta, guia para, 551t Síndrome da resposta in amatória sistêmica (SIRS), 278t Síndrome das vias aéreas braquicefálicas, 257 Síndrome de grandes alturas, 157 Síndromes paraneoplásicas, 205t

T Taquicardia, 95 medicamentos e doses usadas para tratamento de, 282t Técnicas de acesso vascular, 54 Terapia com hemocomponentes, 25 Tipagem sanguínea, 20 em cães, 594 em gatos, 594 Tireotoxicose, 183 Toracocentese, 50 Torção uterina, 138 Toxinas, 211 Traqueostomia, 52 Trauma/torção testicular, 141 Trauma escrotal, 139 Trauma musculoesquelético, 152 Trombocitopatia, 98q Tromboembolismo pulmonar, 269 sistêmico, 287

U Uroabdome, 291 Uro-hidropropulsão, 543 Urticária, 92

V Ventilação mec nica, 48 Volvo mesentérico, intestino delgado, 167

08/01/13 11:24 AM


VALORES NORMAIS EM PATOLOGIA CLÍNICA Os valores normais de exames laboratoriais são muito variáveis, dependendo do sexo, da raça e da idade do paciente, assim como do laboratório. Os valores apresentados nas tabelas seguintes representam apenas referência aproximada. Valores de Exames Bioquímicos de Rotina Teste

Unidade

Ácido úrico mg/dL Ácidos biliares mmol/L (pós) Ácidos biliares mmol/L (pré) Albumina g/dL ALP U/L ALT U/L Amilase U/L Amônia mg/dL Ânion gap AST U/L Bilirrubina mg/dL total Cálcio mg/dL Creatinina U/L cinase Cloreto mEq/L mEq/L Co2 Colesterol mg/dL Creatinina mg/dL D-xilose mg/dL Fósforo mg/dL GGT U/L Glicose mg/dL Hemoglobina mg/dL plasmática livre Lipase U/L Magnésio mg/dL Metemoglobina mg/dL Osmol Potássio mEq/L Proteína total g/dL Proporção proteína/creatinina anormal limítrofe normal SDH U/L Sódio mEq/L Triglicérides mg/dL Ureia mg/dL sanguínea Ureia sanguínea/ creatinina

Cão

Gato

0,0-0,9 <15

0,2-0,8 <10

0-5

0-3

3-4,2 1-145 5-65 235-870 19-120 6-16 10-56 0,0-0,4

2,3-3,5 1-80 19-91 170-1250 100-300 8-20 9-53 0,0-0,6

9,5-11,5 55-309

8,9-11,3 55-382

108-121 15-26 115-300 0,5-1,5 70-90 2,2-6,6 – 80-125 <10

117-128 12-21 50-150 0,6-1,4

60-500 1,4-2,2 0-5 282-303 3,6-5,6 4,7-7,3

10-220 1,8-2,6 299-319 3,9-6,3 5,5-7,6

>1 0,5-1 <0,5 – 141-151 20-85 6-24

149-158 0-105 14-33

5,1-34,1

6,1-31,7

3,8-8,2 0-4 50-150 <10

Variação de Referência em Gasometria Arterial

C0075.indd xv

mg/dL

4,93-5,65

4,93-5,65

mmol/L mmHg

17-25 24-38 7,35-7,48 85-100

15-22 29-42 7,23-7,43 78-100

mmHg

Teste

Unidade

Cão

Gato

CHCM Fibrinogênio HCM Hemácias Hematócrito Hemoglobina Leucócitos PCT PDW Plaquetas RDW Reticulócitos (Pontilhados) TPP VCM VPM

g/dL g/dL pg ×10−3/mL % g/dL ×10−3/mL % 10 /mL % /mL /mL g/dL fl fl

33,6-36,6 0,2-0,4 21,8-26 5,71-8,29 38,5-56,7 13,5-19,9 4,1-13,3 0,11-0,35 15,3-18,1 160-425 12,5-16,5 0-1,5 0 5,8-7,2 64-73 6-11

31,5-36,5 0,15-0,3 12,9-17,7 5,74-10,5 26,1-46,7 8,8-16 3,4-15,7 0,15-0,89 15,3-19,7 160-489 15,6-21,2 0-0,4 1,4-10,4 5,7-7,5 39,2-50,6 9,3-19,7

Diferencial Basófilos Bastonetes Eosinófilos Linfócitos Monócitos Segmentados

Percentual % % % % % %

0-1 0-1 0-9 8-38 1-9 51-84

0-2 0-1 0-12 7-60 0-5 34-84

Diferencial Basófilos Bastonetes Eosinófilos Linfócitos Monócitos Segmentados

Absoluto ×10−3 ×10−3 ×10−3 ×10−3 ×10−3 ×10−3

0-0,13 0-0,13 0-1,2 0,3-5,1 0-1,2 2,1-11,2

0-0,3 0-0,16 0-1,9 0,2-9,4 0-0,8 12-13,2

CHCM = concentração de hemoglobina corpuscular média; HCM = hemoglobina corpuscular média; PCT = total de células plasmáticas; PDW = extensão ou amplitude de distribuição de plaquetas; TPP = proteína plasmática total; RDW = extensão ou amplitude de distribuição de hemácias; VCM = volume corpuscular médio; VPM = volume plaquetário médio.

Valores Normais na Urinálise

ALP = fosfatase alcalina; ALT = alanina aminotransferase; AST = aspartato aminotransferase; GGT = gama-glutamiltransferase; SDH = sorbitol desidrogenase.

Cálcio ionizado HCO3 PCO2 pH PO2

Hematologia

Cão Bilirrubina Cor Densidade pH Proteínas, cetonas glicose hemoglobina urobilinogênio Turbidez Volume

Gato

Negativa-traço Amarelo-clara 1,015-1,045 5-7 Negativo

Negativa Amarelo-clara 1,015-1,060 5-7 Negativo

Claro 24-40 mL/kg/dia

Claro 22-30 mL/kg/dia

08/01/13 11:56 AM


SEÇÃO 1

Cuidados de Emergência Elisa M. Mazzaferro e Richard B. Ford

Manejo Pré-hospitalar do Animal Traumatizado, 2 Avaliação da Cena, 2 Exame Inicial, 2 Preparação para o Transporte, 3 Exame, Manejo e Triagem Iniciais de Emergência, 3 Avaliação Inicial e Procedimentos de Reanimação Emergenciais, 3 Exames Auxiliares de Diagnóstico, 5 Resumo do Estado do Paciente, 6 O Paciente com Rápida Descompensação, 6 Procedimentos Diagnósticos e Terapêuticos de Emergência, 7 Paracentese Abdominal e Lavado Peritoneal Diagnóstico, 7 Técnicas de Colocação de Bandagem e Tala, 8 Terapia com Hemocomponentes, 19 Mensuração da Pressão Venosa Central, 30 Fluidoterapia, 31 Lavagem Orogástrica, 45 Suplementação de Oxigênio, 45 Oximetria de Pulso, 48 Capnometria (Monitoração da Concentração de Dióxido de Carbono Expirado), 49 Toracocentese, 50 Traqueostomia, 52 Uro-hidropropulsão, 54 Técnicas de Acesso Vascular, 54 Dor: Avaliação, Prevenção e Controle, 65 Impacto Fisiológico da Dor não Tratada, 66 Reconhecimento e Avaliação da Dor, 66 Controle da Dor Aguda em Pacientes Emergenciais Graves ou em Cuidados Intensivos e Traumatizados, 68 Tratamento Farmacológico da Dor: Analgésicos Maiores, 69 Analgésicos Menores, 73 Fármacos Analgésicos Adjuvantes, 73 Técnicas de Anestesia Local e Regional para o Paciente em Emergência, 74 Tratamento de Emergência de Condições Específicas, 77 Abdome Agudo, 77 Terapias Adjuvantes, 79 Choque Anafilático (Anafilactoide), 91 Edema Angioneurótico e Urticária, 92 Complicações e Emergências Anestésicas, 93 Distúrbios Hemorrágicos, 97 Queimaduras, 105 Emergências Cardíacas, 110 Emergências Otológicas, 131 Lesão Elétrica e Choque Elétrico, 133 Emergências da Genitália Feminina e do Trato Reprodutivo, 134 Emergências da Genitália Masculina e do Trato Reprodutivo, 139 Emergências Ambientais e Domésticas, 144 Fraturas e Trauma Musculoesquelético, 152 Emergências Gastrointestinais, 157 Hipertensão Sistêmica, 174 1


2

1

1

CUIDADOS DE EMERGÊNCIA

Emergências Metabólicas, 176 Emergências Neurológicas, 184 Emergências Oculares, 195 Emergências Oncológicas, 204 Venenos e Toxinas, 211 Emergências Respiratórias, 254 Doenças Pulmonares, 266 Lesões Superficiais de Tecido Mole, 272 Choque, 276 Tratamento do Paciente em Choque, 279 Tromboembolismo: Sistêmico, 286 Emergências do Trato Urinário, 288

MANEJO PRÉ-HOSPITALAR DO ANIMAL TRAUMATIZADO AVALIAÇÃO DA CENA 1. Peça ajuda! Geralmente há necessidade de mais de uma pessoa no local do acidente para dar assistência ao animal e evitar lesão ao animal e às pessoas presentes. 2. Caso o acidente tenha ocorrido em uma zona de tráfego de carros, alerte os motoristas que se aproximarem do animal traumatizado na estrada. O alerta poderá ser feito por meio de uma peça de roupa ou outro objeto que chame a atenção dos motoristas que estiverem se aproximando. Cuidado para não ser ferido por motoristas que podem não vê-lo ou identificá-lo ao se aproximarem! 3. Caso o animal esteja consciente, evite se machucar enquanto o move para um local seguro. Utilize um cinto, corda ou pedaço de pano comprido para fazer uma mordaça e conter a cabeça do animal de forma segura. Caso isso não seja possível, cubra a cabeça do animal com uma toalha, cobertor ou casaco antes de movê-lo para evitar que ele o morda. 4. Caso o animal esteja inconsciente ou imóvel, mova-o para um local seguro com um material de apoio para as costas, que pode ser feito utilizando-se uma caixa, porta, tábua plana, cobertor ou lençol. EXAME INICIAL 1. Há patência de vias aéreas? Caso haja ruídos respiratórios ou o animal esteja em estupor, estenda a cabeça e pescoço delicada e cuidadosamente. Se possível, tracione a língua. Limpe o muco, sangue ou vômito da boca. Em animais inconscientes, mantenha a estabilidade da cabeça e do pescoço. 2. Procure por sinais de respiração. Caso não haja evidência de respiração ou a mucosa oral esteja cianótica, inicie a respiração boca-nariz. Circunde a região do focinho com suas mãos e assopre no interior da narina de 15 a 20 vezes por minuto. 3. Há evidência de função cardíaca? Verifique se há um pulso palpável nos membros pélvicos ou um batimento apical sobre o esterno. Caso não sejam encontrados sinais de função cardíaca, inicie as compressões cardíacas externas de 80 a 120 vezes por minuto. 4. Há alguma hemorragia? Utilize um pano limpo, toalha, papel-toalha, fralda descartável ou absorvente feminino para cobrir o ferimento. Pressione firmemente para reduzir a hemorragia e evitar perdas sanguíneas adicionais. Não utilize um torniquete, pois este poderá causar lesão adicional. Pressione, e, à medida que o sangue penetrar na primeira camada do material da bandagem, coloque uma segunda camada sobre ela. 5. Cubra qualquer ferimento externo. Utilize um material de bandagem limpo embebido em água morna e transporte o animal para um centro de emergência veterinária mais próximo. Investigue imediatamente procurando feridas penetrantes no abdome e tórax. 6. Há alguma fratura evidente? Imobilize fraturas com talas caseiras feitas de jornal, cabo de vassoura ou galhos de árvore. Amordace o animal antes de tentar colocar qualquer tala. Caso uma tala não possa ser colocada de forma segura, envolva o animal com uma toalha ou cobertor e o transporte para um centro de emergência veterinária mais próximo.


EXAME, MANEJO E TRIAGEM INICIAIS DE EMERGÊNCIA

3

7. Há alguma queimadura? Coloque toalhas geladas e úmidas sobre a área queimada e vá trocando por outras quando as toalhas atingirem a temperatura corporal. 8. Cubra o animal para mantê-lo aquecido. Caso o animal esteja tremendo ou em choque, envolva-o em um cobertor, toalha ou casaco e o transporte para o centro de emergência veterinária mais próximo. 9. O animal está apresentando hipertermia (por intermação/insolação)? Resfrie o animal com toalhas úmidas à temperatura ambiente (não fria) e o transporte para um centro de emergência veterinária mais próximo. PREPARAÇÃO PARA O TRANSPORTE 1. Telefone antes! Informe ao centro veterinário que você está chegando. Esteja preparado com números e locais de emergência disponíveis. 2. Mova o paciente traumatizado cuidadosamente. Utilize a mesma abordagem da retirada do animal da via de tráfego e coloque-o no banco de trás do carro. 3. Dirija com cuidado. Não transforme um acidente em dois. O ideal é que, enquanto uma pessoa dirige o carro, outra esteja com o animal.

EXAME, MANEJO E TRIAGEM INICIAIS DE EMERGÊNCIA O exame do animal com traumatismo agudo que está inconsciente e em choque e apresenta hemorragia aguda ou dificuldade respiratória deve ser feito simultaneamente ao tratamento imediato e agressivo para estabilizar o paciente. Como, em geral, não há tempo para uma anamnese detalhada, o diagnóstico baseia-se principalmente nos achados do exame físico e testes simples de diagnóstico. A triagem é a arte e a habilidade de avaliar pacientes rapidamente e classificá-los de acordo com a urgência requerida do tratamento. O reconhecimento imediato e o pronto atendimento podem salvar o animal. AVALIAÇÃO INICIAL E PROCEDIMENTOS DE REANIMAÇÃO EMERGENCIAIS Realize um exame breve, mas completo e sistemático, de todo animal, considerando o ABC [airway (via aérea); breathing (respiração); circulation (circulação)] mais importantes para qualquer paciente emergencial. ABC A = Via aérea Há patência de vias aéreas? Puxe a língua do paciente para fora e remova qualquer material que esteja obstruindo a via aérea. Talvez seja necessário realizar sucção e utilizar um laringoscópio. Realize a intubação ou coloque uma fonte de oxigênio transtraqueal caso haja necessidade de suplementação de oxigênio. A traqueostomia de emergência poderá ser necessária na ocorrência de obstrução de via aérea superior que não possa ser solucionada imediatamente com os procedimentos anteriores. B = Respiração O animal está respirando? Caso o animal não esteja respirando, intube a traqueia imediatamente e inicie a ventilação artificial com uma fonte de suplementação de oxigênio (ver Parada Cardíaca e Reanimação Cerebrocardiopulmonar, nesta seção). Se o animal estiver respirando, quais são a frequência e o padrão respiratórios? A frequência respiratória está normal, aumentada ou diminuída? O padrão respiratório está normal ou a respiração está rápida e superficial ou lenta e profunda com dificuldade inspiratória? Os ruídos respiratórios estão normais ou há um estridor agudo alto na inspiração, característico de uma obstrução em via aérea superior? O animal está com a cabeça estendida e os cotovelos afastados do corpo, ou seja, ortopneia? As comissuras bucais se movimentam durante a inspiração e expiração? Há evidência de dificuldade expiratória com um esforço abdominal na expiração? Observe a parede torácica lateral. As costelas se movimentam para fora e para dentro com a inspiração e expiração ou há movimento paradoxal da parede torácica em que uma área se move para dentro durante a inspiração e para fora durante a expiração, sugestivo de uma instabilidade torácica? Há algum enfisema subcutâneo sugestivo de lesão de via aérea?

1


4

1

1

CUIDADOS DE EMERGÊNCIA

Ausculte o tórax bilateralmente. Os sons respiratórios estão normais? Eles soam ásperos com crepitações decorrentes de pneumonia, edema pulmonar ou contusões pulmonares? Os sons pulmonares estão abafados devido à efusão pleural ou pneumotórax? Há ruídos respiratórios em um gato com bronquite (asma)? Qual é a cor das membranas mucosas? As membranas mucosas estão cor-de-rosa e normais ou pálidas ou cianóticas? Palpe a região cervical para verificar se há deslocamento de traqueia e enfisema subcutâneo, assim como a região torácica para evidenciar fratura de costelas e também enfisema subcutâneo. C = Circulação Qual é a condição circulatória? Qual é a condição da frequência e ritmo cardíaco do paciente? Você consegue ouvir o coração, ou ele está abafado por causa de hipovolemia, efusão pleural ou pericárdica, pneumotórax ou hérnia diafragmática? Palpe o pulso. A qualidade do pulso está forte e regular ou há pulsos filiformes e irregulares? Qual é o ritmo do eletrocardiograma (ECG) e o valor da pressão arterial (PA) do paciente? Há hemorragia arterial? Repare se há presença de algum sangramento. Seja cuidadoso caso haja algum sangue no pelo. Use luvas. O sangue poderá ser do paciente, e as luvas ajudarão a evitar contaminação adicional de qualquer ferimento; ou ainda, o sangue poderá ser de uma pessoa que inicialmente socorreu o animal. Caso haja ferimentos externos, observe suas características e condições. Coloque uma bandagem compressiva sobre qualquer sangramento ou ferimento externo para evitar hemorragia adicional ou contaminação por organismos nosocomiais. Estabeleça um acesso venoso de grande calibre ou intraósseo (ver Técnicas de Acesso Vascular, nesta seção). Caso haja choque hipovolêmico ou hemorrágico, institua imediatamente os procedimentos de reposição volêmica. Inicie com um quarto da dose calculada para os líquidos cristaloides para o tratamento do choque (0,25 × [90 mL/kg] para cães; 0,25 × [44 mL/kg] para gatos) e avalie novamente os parâmetros de perfusão sanguínea: frequência cardíaca, tempo de preenchimento capilar e PA. Caso haja suspeita de contusões pulmonares, o uso de coloides, como o amido hidroxietílico na dose de 5 mL/kg em bolus crescentes, pode melhorar a perfusão sanguínea com um volume menor de fluido administrado. Em casos de traumatismo craniano, a solução de cloreto de sódio hipertônica (7%) pode ser administrada (4 mL/kg em bolus intravenoso) associada ao amido hidroxietílico. A hemorragia abdominal aguda causada por traumatismo pode ser tamponada com uma bandagem compressiva nesta região. Após o ABC imediatos, prossiga com o restante do exame físico e tratamento utilizando o recurso mnemônico A CRASH PLAN: airway (via aérea); cardiovascular (sistema cardiovascular); respiratory (sistema respiratório); abdomen (abdome), spine (coluna vertebral); head (cabeça); pelvis (pelve); limbs (membros); arteries (artérias); nerves (nervos). A CRASH PLAN A = Via aérea C e R = Sistemas Cardiovascular e Respiratório A = Abdome Palpe o abdome do paciente. Há alguma dor ou lesão penetrante? Observe o umbigo do paciente, pois o avermelhamento ao seu redor poderá ser sugestivo de hemorragia intra-abdominal. Há líquido ou neoformação palpável? Examine as regiões inguinal, caudal, torácica e paralombar. Faça tricotomia dos pelos para examinar o paciente quanto à presença de contusões ou feridas perfurantes. Percuta e ausculte o abdome para avaliar a presença de gases e os borborigmos gastrointestinais. S = ColunaV ertebral Palpe a coluna vertebral do animal para verificar a simetria. Há alguma dor ou aumento de volume evidente ou presença de fratura? Realize um exame neurológico desde a primeira vertebral cervical até a última vértebra da cauda. H = Cabeça Examine olhos, ouvidos, boca, dentes e focinho e avalie a resposta à atividade sensorial e motora promovida pelos nervos cranianos. Aplique um corante fluorescente nos olhos para verificar a presença de úlceras de córneas em qualquer ocorrência de traumatismo craniano. Há anisocoria ou síndrome de Horner?


EXAME, MANEJO E TRIAGEM INICIAIS DE EMERGÊNCIA

5

P = Pelve Realize um exame retal. Palpe para investigar a presença de fratura ou hemorragia. Examine a genitália externa. L = Membros Examine as extremidades torácica e pélvica. Há alguma fratura aberta (exposta) ou fechada evidente? Coloque rapidamente uma tala nos membros para evitar danos adicionais e auxiliar no controle da dor. Examine pele, músculos e tendões. A = Artérias Palpe as artérias periféricas para avaliar os pulsos. Pode-se utilizar o Eco-Doppler para avaliação do pulso caso haja presença de doença tromboembólica. Mensure a PA do paciente. N = Nervos Observe e avalie o grau de consciência, o comportamento e a postura do animal. Verifique frequência, padrão e esforço respiratório. O paciente está consciente, obnubilado ou comatoso? As pupilas estão simétricas e responsivas à luz, ou há anisocoria? O paciente exibe alguma postura anormal, como a postura de Schiff-Sherrington (membros torácicos rígidos e estendidos e paralisia flácida de membros pélvicos), que pode indicar traumatismo grave de coluna com lesão medular? Examine os nervos periféricos para avaliar os estímulos motores e sensoriais de membros e cauda. EXAMES AUXILIARES DE DIAGNÓSTICO TÉCNICAS HEMODINÂMICAS Realize eletrocardiografia, monitoração direta ou indireta da PA e oximetria de pulso em qualquer paciente em emergência. TÉCNICAS DE IMAGEM Obtenha radiografias do tórax e abdome em qualquer animal que tenha sofrido uma lesão traumática quando a sua condição estiver mais estável e possa tolerar o posicionamento para esses procedimentos. Radiografias exploratórias podem revelar pneumotórax, contusões pulmonares, hérnia diafragmática, efusão pleural ou abdominal e pneumoperitônio. AFAST E TFAST1 Têm-se descrito as avaliações centradas no abdome e tórax após o trauma (AFAST e TFAST) para identificação de líquido livre abdominal e de ar e líquido livre torácico (incluindo pericárdio). Durante a ultrassonografia, pode-se avaliar quatro quadrantes abdominais, pela: (1) visualização do diafragma ou fígado na linha média ventral imediatamente caudal ao esterno, (2) visualização esplenorrenal no quadrante lateral esquerdo, (3) visualização cistocólica na linha média ventral sobre a bexiga urinária e (4) visualização hepatorrenal na lateral direita. Para avaliação do tórax, posiciona-se o paciente em decúbito lateral, e o transdutor (probe) do ultrassom é direcionado ao plano horizontal no aspecto dorsal do nono espaço intercostal. Nos planos transverso e longitudinal caudal ao cotovelo, pode-se avaliar a presença de efusão pericárdica e pleural. A avaliação pelo ultrassom é rápida e pode revelar a ocorrência de hemorragia. Assim como em outras técnicas ultrassonográficas, às vezes os resultados do AFAST e TFAST dependem do operador. TESTES DE LABORATÓRIO Os testes de diagnóstico imediatos devem incluir hematócrito, proteínas totais, glicose, nitrogênio não proteico (NNP) e densidade urinária. O hemograma e a contagem de plaquetas, assim como a realização de hemogasometria arterial e eletrólitos, parâmetros de coagulação (tempo de Nota da Tradução: Acrônimos de Abdominal and Thoracic Focussed Assessment with Sonography after Trauma.

1

1


6

1

1

CUIDADOS DE EMERGÊNCIA

coagulação ativado [TCA], tempo de protrombina [TP], tempo de tromboplastina parcial ativada [TTPA]), perfil bioquímico sérico, lactato sérico e urinálise, deverão ser considerados para a melhor avaliação clínica do paciente EXAMES INVASIVOS Pode ser necessária a realização de técnicas de exames invasivos de diagnóstico, incluindo-se toracocentese, paracentese abdominal e lavado peritoneal diagnóstico (LPD). RESUMO DO ESTADO DO PACIENTE Após concluir o exame físico inicial, responda às seguintes questões: Qual o tratamento de suporte requerido neste momento? Há necessidade de procedimentos de diagnósticos adicionais? Em caso afirmativo, quais procedimentos; e o paciente está estabilizado o suficiente para tolerá-los sem estresse adicional? Deve-se instituir um período de observação suplementar antes de se iniciar um plano terapêutico mais definitivo? Há necessidade de intervenção cirúrgica imediata? Há necessidade de tratamento de suporte intensivo antes da cirurgia? Quais riscos anestésicos são evidentes? O PACIENTE COM RÁPIDA DESCOMPENSAÇÃO Os animais que não respondem à reanimação inicial geralmente apresentam distúrbios fisiológicos graves contínuos ou preexistentes que contribuem para a grande instabilidade cardiovascular e metabólica. O clínico deverá estar atento à ocorrência de descompensação orgânica em um paciente que não responde ou responde de forma incompleta aos esforços iniciais de reanimação (Quadros 1-1 e 1-2).

QUADRO 1-1

SINAIS CLÍNICOS DE DESCOMPENSAÇÃO

Pulso periférico fraco ou de baixa qualidade Extremidades periféricas frias Cianose ou membranas mucosas acinzentadas Membranas mucosas pálidas Tempo de preenchimento capilar prolongado Temperatura corporal aumentada ou diminuída Débito urinário reduzido em um paciente euvolêmico Confusão ou estado mental alterado

QUADRO 1-2

Depressão Taquicardia ou bradicardia Hematócrito em declínio Abdome distendido, dolorido Arritmia cardíaca Padrão respiratório anormal Dificuldade ou agonia respiratória Perda sanguínea gastrointestinal via êmese ou pelas fezes

CAUSAS DE DESCOMPENSAÇÃO AGUDA

Insuficiência renal aguda Síndrome da angústia respiratória aguda Ruptura intestinal e gástrica Arritmia cardíaca Edema e hemorragia no sistema nervoso central e herniação de tronco cerebral Coagulopatias, incluindo-se coagulação intravascular disseminada

Hemorragia interna Síndrome da falência múltipla de órgãos Pneumotórax Contusão pulmonar Tromboembolismo pulmonar Sepse ou choque séptico Síndrome da resposta inflamatória sistêmica Ruptura de bexiga urinária


SEÇÃO 2

Avaliação do Paciente e Exame dos Sistemas Orgânicos Richard B. Ford e Elisa M. Mazzaferro Avaliação do Paciente, 293 Avaliação do Proprietário sobre a Saúde do Animal: O Teste “BEETTS”, 293 Avaliação Clínica Inicial: a Lista de Problemas, 295 O Prontuário, 299 Conteúdo do Prontuário, 299 O Exame dos Sistemas Orgânicos, 301 Sistema Digestório, 301 Exame Cardiopulmonar, 312 Tegumento (Pele, Pelagem e Unhas), 324 Exame Oftálmico (Ocular), 335 Exame Ótico (Ouvidos), 341 Exame dos Linfonodos e da Tireoide, 343 Exame Musculoesquelético (Ortopédico), 344 Exame do Sistema Nervoso, 352 Exame dos Órgãos Genitais: Cão – Macho, 364 Exame dos Órgãos Genitais: Cão – Fêmea, 365 Comportamento e Fisiologia Reprodutivos Normais, 367 Exame do Sistema Respiratório Superior, 369 Exame do Sistema Respiratório Inferior, 370 Exame dos Órgãos Urinários, 375

AVALIAÇÃO DO PACIENTE AVALIAÇÃO DO PROPRIETÁRIO SOBRE A SAÚDE DO ANIMAL: O TESTE “BEETTS” A maioria dos proprietários de animais de companhia, particularmente aqueles inexperientes em criação, tem entendimento limitado a respeito da saúde dos animais e, por essa razão, não está bem preparada para reconhecer precocemente sinais da doença em um cão ou gato. Os distúrbios médicos mais comuns não são totalmente reconhecidos pelos proprietários (p. ex., acúmulo de cálculo dentário e úlceras gengivais), ou seu tratamento pode ser adiado até o animal apresentar a doença em estágio avançado. Ironicamente, poucos médicos veterinários usam algum tempo para ensinar aos proprietários dos animais de companhia como avaliar (proativamente) a saúde de seus animais. Educando os proprietários sobre como reconhecer prematuramente as mudanças no estado de saúde, não só o encoraja a estarem atentos precocemente aos problemas de saúde em potencial, como também auxilia na pronta intervenção dos veterinários. Algo simples para lembrar, um exame prescrito para proprietários é o teste BEETTS* (pronunciado “bits”). Este acrônimo representa um recurso para os proprietários dispostos a contribuir em relatar as mudanças importantes na atividade dos animais ou na aparência física dos mesmos, que os alertará para problemas comuns menores e, possivelmente, para os problemas mais sérios de saúde, desse modo evitando as consequências do diagnóstico e tratamento tardios. *Nota da Tradução: Em português o acrônimo é COODDP. 293


294

2 AVALIAÇÃO DO PACIENTE E EXAME DOS SISTEMAS ORGÂNICOS

C PARA COMPORTAMENTO Conheça seu Animal de Estimação! Os proprietários deveriam estar atentos a mudanças sutis no comportamento, que podem ser o primeiro sinal de uma doença subjacente. Várias mudanças de comportamento – como apetite reduzido ou ausência do mesmo e associado à perda de peso, aumento da sede, necessidade frequente de urinar ou defecar, agressividade sem causa aparente, relutância para brincar, dificuldade de ficar em pé ou lambedura persistente da pele (particularmente em um único local) – podem ser fortes indícios precoces de doença grave. Essas alterações frequentemente justificam a realização de um exame clínico e um perfil laboratorial.

2

O PARA OLHOS A assimetria dos olhos e das pálpebras (denotando dor ou lesão) é tão importante quanto a descoloração do olho (catarata, hemorragia intraocular) ou o acúmulo de muco sobre ou ao redor das pálpebras. Animais com os pelos cobrindo os olhos são razoavelmente considerados como tendo risco para doenças graves dos olhos, devido ao diagnóstico tardio. A avaliação frequente de ambos os olhos para checar a transparência dos cristalinos e córneas e a ausência de irritação é essencial. O PARA ORELHA Os proprietários devem estar alertas para sinais que possam indicar uma doença das orelhas (p. ex., “head-tilt” ou prurido, dor à manipulação, abrasões locais, descoloração, supuração, mau cheiro). Se a orelha pende sob a entrada do conduto auditivo externo, os proprietários devem estar preparados para inspecioná-la. Eles devem ser avisados para evitar inserir qualquer instrumento ou medicação dentro da orelha do animal, a menos que seja especificamente instruído a como fazê-lo. D PARA DENTES (E GENGIVAS) A relação entre a halitose e a doença dental ou gengival grave é importante, e assim a doença pode ser facilmente omitida se os dentes não são examinados regularmente. Os proprietários não são encorajados a abrirem a boca de um cão ou gato. Entretanto, a maioria dos cães permitirá que os proprietários levantem o seu lábio do animal e examine visualmente os dentes a fim de evidenciar danos ou descoloração. Isto é suficiente para o proprietário avaliar ocasionalmente a aparência externa (superfície labial) dos dentes e gengivas, uma ou duas vezes anualmente. O exame dos dentes dos gatos geralmente não é recomendado, por causa do risco de ser mordido. D PARA DEDOS (E UNHAS) A maioria dos proprietários não está atenta a quando ou como examinar as unhas dos animais de estimação. Apesar de as unhas dos gatos serem periodicamente mudadas e, normalmente, não requisitar aparas, as dos cães sedentários que vivem predominantemente dentro de casa merecem atenção mensal. Pelo fato de os cães poderem resistir a qualquer tentativa de manuseio ou exame das suas extremidades, os proprietários são instruídos a ouvir seus cães andando sobre uma superfície sem carpetes. Se o proprietário conseguir ouvir as unhas estalando contra o piso quando o animal andar, o aparo destas é indicado. Ocasionalmente, um proprietário irá expressar interesse em aparar ele mesmo as unhas do seu animal de companhia. É importante avisá-los sobre os riscos inerentes do que pode parecer um procedimento simples: dor, sangramento, resistência agressiva e até mordedura. Os proprietários dispostos a tentar aparar as unhas em casa devem ser instruídos sobre o equipamento a adquirir e como realizar o procedimento com segurança. P PARA PELE (E PELOS) A variedade dos tipos, comprimento e densidade de pelos faz do exame da pele um dos exames caseiros que o proprietário realiza menos frequentemente. A pele é o maior órgão do corpo, e vários distúrbios podem se desenvolver muitas semanas ou meses antes de se tornarem evidentes. Isto é particularmente verdadeiro em cães e gatos de pelos longos. Em complemento à escovação de rotina, que é benéfica em todos os cães e gatos, e os banhos ocasionais, os proprietários são instruídos a tocar completamente a pele e os pelos de seus animais de um modo sistemático. Uma técnica que os proprietários acham encantadora, começa com o proprietário parado atrás do


AVALIAÇÃO DO PACIENTE

295

animal. Iniciando na cabeça com uma das mãos ao redor de cada orelha do animal de estimação, o proprietário usa seus dedos, deslizando suavemente pela cabeça até a cauda, enquanto gentilmente massageia o animal e toca a superfície inteira da pele sobre o tórax e o abdome. Então, neste momento, comprimindo delicadamente com uma das mãos, o proprietário massageia cada membro da parte mais proximal ao tronco até as extremidades. AVALIAÇÃO CLÍNICA INICIAL: A LISTA DE PROBLEMAS Um diagnóstico correto é baseado na habilidade do clínico para avaliar e definir os problemas que estão afetando o paciente. Isto soa simples o bastante. Entretanto, a não ser que o termo “problema” esteja definido, fazer realmente uma avaliação diagnóstica completa do paciente simplesmente não é possível. Ao procurar um diagnóstico, o clínico astuto trabalha pela clara definição de um problema: 1. O histórico clínico: Qualquer anormalidade descrita pelo proprietário (caso a interpretação do proprietário esteja correta ou não) é um problema. 2. O exame físico: Qualquer anormalidade descoberta durante o exame físico é um problema (ver O Exame dos Sistemas Orgânicos nesta seção). 3. Quaisquer anormalidades de imagem (radiográficas ou ultrassonográficas) ou laboratorial são consideradas problemas. A lista de problemas, uma vez estabelecida, torna-se a base sobre a qual o diagnóstico é construído. Os problemas obviamente relacionados são agrupados e pode-se confirmar o diagnóstico ou sugerir que avaliações diagnósticas adicionais precisam ser realizadas para elucidar o diagnóstico. HISTÓRICO CLÍNICO O histórico clínico é um componente crítico da lista de problemas do paciente e frequentemente é a parte mais relevante da avaliação diagnóstica de um determinado animal. Requer conhecimento único e experiência para elucidar um histórico clínico imparcial e pertinente sobre a doença do animal. Alguns proprietários são observadores e podem facilmente comunicar informações importantes, ao passo que outros podem não ser atentos para certas anormalidades ou podem propositalmente reter informações. O histórico clínico é centrado, mas não limitado à queixa principal. A queixa principal é a razão pela qual o paciente está sendo levado ao clínico. O que deve ser registrado é um sinal (vômito), não um diagnóstico (enterite). Note a duração ou frequência dos sinais. Determine se a duração ou frequência está aumentada, diminuída ou permanece inalterada desde o princípio. É importante determinar se as condições gerais do animal desde o princípio da doença melhoraram, pioraram ou permanecem as mesmas. Faça perguntas abertas – aquelas que não irão prejudicar a resposta do proprietário. Por exemplo: “Fale-me sobre o consumo de água feito pelo seu cão”. Questões que requeiram somente um “sim” ou “não” como resposta tendem a introduzir predisposições – por exemplo: “Seu cão está em dia com a vacinação?” Se a resposta for “sim”, questionamentos adicionais como “qualquer outra coisa?”, “Como você faz?” ou “Fale-me sobre isto” podem induzir o proprietário a elaborar a resposta. Pela ampla utilização de medicações preventivas em animais de estimação (p. ex., dirofilária, pulgas, prevenção de carrapatos), uma completa lista de medicações é uma parte fundamental do histórico clínico. Se a mesma sequência de tomada da história e exame físico é seguida a cada momento, o procedimento gradualmente necessita de menos tempo e fatos importantes se tornam menos comuns de serem omitidos. O histórico clínico não é propriamente distinto do exame físico. Não é incomum o cliente estar completamente sem conhecimento de que uma anormalidade física está presente até ela ser apontada. Quando se examina o paciente, qualquer achado físico incomum ou inesperado justifica perguntas adicionais, como a relação do animal com o meio ambiente, a dieta, a exposição a outros animais, daí por diante. Por exemplo, a descoberta de lesões graves nos coxins plantares deve ser seguida prontamente de novas perguntas sobre as possíveis causas.

Nota: Falhar na obtenção da anamnese é o primeiro passo para um diagnóstico errado!

2


296

2 AVALIAÇÃO DO PACIENTE E EXAME DOS SISTEMAS ORGÂNICOS

EXAME FÍSICO O exame físico é o meio pelo qual o clínico avalia o estado de saúde do paciente mediante uma observação prática e sistemática dos sistemas orgânicos. É um passo fundamental na definição do problema e na avaliação diagnóstica objetiva do paciente. O exame físico é baseado na habilidade do clínico em distinguir o normal do anormal. A extensão do exame físico varia em pacientes individualmente. O exame físico do "animal sadio" é normalmente realizado quando se avaliam animais saudáveis trazidos para os cuidados rotineiros de saúde (p. ex., não há uma queixa principal). Os elementos básicos envolvidos no exame físico incluem:

2

SinaisV itais Temperatura, pulso, respiração e peso são os mais fundamentais parâmetros de saúde ao se examinar o paciente. Tempo de preenchimento capilar (TPC) é comumente mensurado (normal: <2 segundos), mas é ver um teste relativamente ruim para avaliar a perfusão capilar periférica. A pressão sanguínea (ver Seção 4) é mais sensível, mas necessita de operadores experientes para a obtenção de interpretações seguras e múltiplas mensurações a fim de se alcançar valores confiáveis. Embora o peso não seja estritamente um sinal “vital”, todos os pacientes devem ser pesados em todas as visitas. Comportamentoe Consciência Observar o comportamento do paciente, a atividade e o estado de alerta na sala de exame pode ser particularmente útil na avaliação do paciente com doença neurológica (encefálica) importante. Mesmo os animais que estão nervosos ou assustados no hospital podem ser avaliados e devem manifestar atenção moderada de seus arredores. Cães e gatos que são particularmente agressivos precisam ser contidos com extremo cuidado e avaliados para possíveis doenças neurológicas. Conformação e Escore da Condição Corpórea (ECC) Existem vários métodos para documentar a conformação e a condição corpórea em cães e gatos. A escala mais comumente aplicada vincula o uso de um sistema de 5 pontos. Fazer anotações apropriadas no prontuário permite ao clínico acessar, a todo tempo, outras mudanças na conformação, além de apenas verificar o peso. Os parâmetros para a escala dos 5 pontos estão listados nos tópicos seguintes: Grau 1/5 – Emaciado • Costelas, vértebras e ossos pélvicos facilmente vistos, mesmo a distância • Sem gordura corporal • Óbvia perda de massa muscular Ver Figura 2-1. Grau 2/5 – Subpeso (Magro) • Costelas podem ser vistas e facilmente sentidas • Ossos pélvicos estão proeminentes • Cintura e prega abdominal óbvias Grau 3/5 – Escore Corporal Normal • Costelas podem ser palpadas • Cintura óbvia quando vista por cima • Prega abdominal evidente Grau 4/5 – Sobrepeso • Costelas difíceis de serem palpadas, cobertas pela gordura • Notáveis depósitos de gordura sobre o dorso e a base da cauda • Cintura e prega abdominal dificilmente discerníveis


AVALIAÇÃO DO PACIENTE

297

Grau 5/5 – Obeso • Costelas não podem ser palpadas sob a densa capa de gordura • Depósito de gordura compacto sobre o dorso e a base da cauda • Nenhuma cintura ou prega abdominal Ver Figura 2-2.

2

Figura 2-1: Cão com um escore 1/5 da condição corpórea. O Escore da Condição Corpórea de 9 Pontos Uma alternativa que tem sido descrita é o escore da condição corpórea (ECC) de 9 pontos para gatos e cães. Nesse formato de pontuação, um ECC de 4 a 5 representa o peso e a conformação ideal. Um ECC menor do que 4 representa cães e gatos com baixa alimentação e subpeso, enquanto um ECC de 6 a 7 ou mais indica sobrecarga alimentar e animais com sobrepeso.

Figura 2-2: Gato com um escore de condição corpórea de 5/5.


298

2 AVALIAÇÃO DO PACIENTE E EXAME DOS SISTEMAS ORGÂNICOS

AVALIAÇÃO LABORATORIAL A avaliação clínica do animal doente requer obter um perfil laboratorial para acessar e caracterizar anormalidades hematológicas e bioquímicas. Anormalidades nos testes laboratoriais são componentes importantes da avaliação diagnóstica e são necessariamente incluídas, individualmente, na lista de problemas do paciente. Na clínica de animais de companhia, a realização de um perfil laboratorial é um procedimento-padrão na medicina veterinária. Embora os métodos de testes específicos utilizados e os testes analíticos variem de local para local. Os dados laboratoriais para qualquer cão ou gato doente deveria incluir muitos ou todos os testes listados na Tabela 2-1.

2

TABELA 2-1

Hematologia

Bioquímica

Exame de urina

Parasitas

Outros

Componentes da Base de Dados Laboratorial Mínima (MDB) para Cães e Gatos

Caninos

Felinos

O hemograma inclui o seguinte: • Contagem total de hemácias • Hematócrito ou volume globular • Dosagem de hemoglobina • Contagem de leucócitos totais • Contagem diferencial de células • Proteínas totais • Estimativa do número de plaquetas • Contagem de reticulócitos se o hematócrito do paciente estiver baixo (p. ex., <30%) Nota: Alguns laboratórios também fornecem índices hematimétricos: VCM, HCM e CHCM. Análises individuais incluem painéis bioquímicos que variam entre os laboratórios. (Ver Seção 5 para uma revisão abrangente das várias análises que estão normalmente incluídas.) Inclui o seguinte: • Densidade, cor e aparência • Bioquímica, usualmente inclui proteína, glicose, cetonas, sangue (hemoglobina) e urobilinogênio • Microscopia, inclui uma descrição dos tipos celulares e do número, bem como a presença de cristais, cálculos, bactérias, lipídios Flutuação fecal para parasitas intestinais Teste do antígeno para dirofilária

O hemograma inclui o seguinte: • Contagem total de hemácias • Hematócrito ou volume globular • Dosagem de hemoglobina • Contagem de leucócitos totais • Contagem diferencial de células • Proteínas totais • Estimativa do número de plaquetas • Contagem de reticulócitos agregados se o hematócrito do paciente estiver baixo (p.ex., <30%) Nota: Alguns laboratórios também fornecem índices hematimétricos: VCM, HCM e CHCM. Análises individuais incluem painéis bioquímicos que variam entre os laboratórios. (Ver Seção 5 para uma revisão abrangente das várias análises que estão normalmente incluídas.) Inclui o seguinte: • Densidade, cor e aparência • Bioquímica, usualmente inclui proteína, glicose, cetonas, sangue (hemoglobina) e urobilinogênio • Microscopia, inclui uma descrição dos tipos celulares e do número, bem como a presença de cristais, cálculos, bactérias, lipídios Flutuação fecal para parasitas intestinais Teste do vírus (antígeno) da leucemia felina e teste do vírus (anticorpo) da imunodeficiência felina

HCM, hemoglobina corpuscular média; CHCM, concentração de hemoglobina corpuscular média; VCM, volume corpuscular médio


SEÇÃO 3

Sinais Clínicos Richard B. Ford e Elisa M. Mazzaferro

Agressividade, 380 Alopecia, ver Perda de Pelos, 381 Ataxia, ver Incoordenação, 381 Aumento da Produção de Urina e do Consumo de Água: Poliúria e Polidipsia, 381 Cegueira, ver Perda Total da Visão, 382 Coceira: Prurido (ver também Perda de Pelos), 382 Coma: Perda de Consciência, 385 Constipação (Obstipação) (ver também Esforço para Defecar), 386 Convulsões (Epilepsia), 388 Defecção Dolorosa: Disquezia, ver Esforço para Defecar, 391 Diarreia Aguda, 391 Diarreia Crônica, 392 Dificuldade para Deglutir: Disfagia, 395 Dificuldade para Respirar ou Angústia Respiratória: Cianose, 396 Dificuldade para Respirar ou Angústia Respiratória: Dispneia, 397 Diminuição da Produção Urinária: Oligúria e Anúria, 398 Distensão Abdominal por Ascite, 400 Distensão Abdominal sem Ascite, 401 Dor, 403 Dor Retal e Anal, ver Esforço para Defecar, 404 Edema Articular: Artropatia, 404 Edema dos Membros, 405 Esforço para Defecar: Disquezia, 407 Esforço para Urinar: Disúria, 408 Espirro e Secreção Nasal, 410 Fraqueza, Letargia, Fadiga, 411 Hemorragia, 414 Icterícia, ver Pele ou Mucosas Amareladas, 416 Incoordenação: Ataxia, 416 Linfonodo Aumentado: Linfadenomegalia, 417 Micção Descontrolada: Incontinência Urinária, 418 Micção Dolorosa: Disúria, ver Esforço para Urinar, 419 Pele ou Mucosas Amareladas: Icterícia, 419 Perda de Pelos: Alopecia, 421 Perda de Peso: Emaciação, Caquexia, 423 Perda do Apetite: Anorexia, 423 Perda Total da Visão, 425 Regurgitação (ver também Dificuldade para Deglutir e Vômito), 427 Sangue na Urina: Hematúria, Hemoglobinúria, Mioglobinúria, 428 Surdez ou Perda de Audição, 430 Tosse, 431 Tosse com Sangue: Hemoptise (ver também Dificuldade para Respirar), 433 Vômito (ver também Regurgitação), 434 Vômito com Sangue: Hematêmese (ver também Vômito), 435

379


380

3

SINAIS CLÍNICOS

Nota: A seção de Sinais Clínicos desse manual visa facilitar a avaliação rápida e precisa de problemas iniciais individuais tal como eles podem ser interpretados pelo dono do animal de estimação e apresentados ao clínico. Cada sinal clínico é citado pela designação ou a expressão comum que pode ser usada pelos donos para descrever o problema. Um termo médico descritivo para o sinal clínico se segue quando apropriado. A interpretação e a avaliação corretas de sinais clínicos individuais são fundamentais para a avaliação e o diagnóstico de todo e qualquer paciente. Esse é o pilar de sustentação da terapia eficaz. Não reconhecer ou não interpretar os sinais clínicos em pacientes que não são capazes de se comunicar verbalmente é fracassar no esforço diagnóstico. A interpretação de sinais na medicina veterinária continua a ser uma habilidade que requer vigilância persistente, experiência e intuição. Não há absolutamente nenhum teste laboratorial, procedimento cirúrgico ou tecnologia de imagem sofisticada que possa substituir o papel do clínico.

AGRESSIVIDADE DEFINIÇÃO

3

Agressividade é uma condição (normal ou anormal) em cães e gatos caraterizada por comportamento ameaçador, destrutivo ou de ataque, podendo ser classificada como ofensiva ou defensiva. O conhecimento específico do padrão e tipo de agressão é fundamental para uma abordagem clínica efetiva. Deve-se descartar doenças que possam estar relacionadas com comportamento agressivo (p. ex., dor ou neoplasia intracraniana). MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS A agressividade pode ser resultado de distúrbios, particularmente os que afetam o encéfalo. Nesses pacientes, o início do comportamento agressivo é usualmente agudo e pode ser associado a outros sinais neurológicos que sugerem disfunção cerebral (p. ex., convulsões ou andar em círculos). Contudo, animais com dor também podem manifestar comportamento agressivo, como resposta ao estímulo doloroso. Animais com cegueira ou surdez uni ou bilateral podem manifestar agressividade ou esquiva quando manipulados, sem que isso seja necessariamente considerado um padrão de comportamento anormal. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL COMPORTAMENTO AGRESSIVO NO CÃO: DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE ACORDO COM A CAUSA COMPORTAMENTO AGRESSIVO DECORRENTE DE DISTÚRBIO ORGÂNICO Raiva Neoplasia intracraniana Hipoxia cerebral Atividade convulsiva Distúrbios neuroendócrinos

Agressão possessiva Agressão protetora (comida, brinquedos, cama) Agressão predatória Agressão decorrente do medo Agressão entre machos e entre fêmeas Agressão decorrente de dor, castigo e irritação Agressão maternal Agressão redirecionada

COMPORTAMENTO AGRESSIVO TÍPICO DA ESPÉCIE* Agressão por dominância De Young MS: Aggressive behavior. In: Ford RB, ed: Clinical signs and diagnosis in small animal practice, New York, 1988, Churchill Livingstone. *Esses padrões de comportamentos não são distúrbios. Eles são padrões típicos da espécie e, portanto, normais. A familiaridade com o comportamento agressivo normal típico do cão permite a percepção de padrões anormais.


AUMENTO DA PRODUÇÃO DE URINA E DO CONSUMO DE ÁGUA: POLIÚRIA E POLIDIPSIA

381

MÉTODOS DIAGNÓSTICOS 1. Perfil laboratorial e exame neurológico para avaliar a presença de dor ou doença orgânica subjacente (doença intracraniana). 2. Nota: Não é recomendada a administração de um fármaco psicotrópico como terapia empírica para agressão antes de determinar a causa possível e a tentativa de modificar o comportamento por meio de treinamento. COMPORTAMENTO AGRESSIVO NO GATO: DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE ACORDO COM A CAUSA COMPORTAMENTO AGRESSIVO DECORRENTE DE DISTÚRBIO ORGÂNICO Raiva Neoplasia e lesões intracranianas

COMPORTAMENTO AGRESSIVO TÍPICO DA ESPÉCIE*

Agressão na brincadeira Agressão territorial Agressão decorrente por medo Agressão decorrente dor Agressão maternal Agressão redirecionada

Agressão entre machos Agressão predatória *Esses padrões de comportamento não são necessariamente distúrbios. Eles são padrões de comportamento típicos da espécie e, portanto, normais. A familiaridade com o comportamento agressivo normal típico do gato permite a percepção de padrões anormais.

ALOPECIA: Ver Perda de Pelos: Alopecia. ATAXIA Ver Incoordenação: Ataxia. AUMENTO DA PRODUÇÃO DE URINA E DO CONSUMO DE ÁGUA: POLIÚRIA E POLIDIPSIA DEFINIÇÃO Na prática, poliúria e polidipsia, também abreviadas como PU/PD, são, de forma geral, interpretadas como um aumento da eliminação de urina e do consumo de água, respectivamente. Todavia, a PU verdadeira é um aumento anormal da produção de urina, normalmente de baixa densidade. Embora PD seja um aumento anormal ou absoluto do consumo de água, geralmente associado ao aumento da sede, a ingestão de água raramente é quantificada. O uso dos termos poliúria e polidipsia em geral se justifica quando um cliente apresenta um cão ou gato com aumentos subjetivos na frequência da micção e na ingestão de água como o problema primário. Quando não existe uma evidência clara do aumento da micção e do aumento da sede, pode ser necessária comprovação real da ingestão de água e do débito urinário em 24 horas. A PD é um sinal compensatório que se desenvolve subsequentemente à PU. A PD primária com PU compensatória é incomum. A PD primária subsequente ao aumento da sede pode causar PU secundária, mas este é um achado clínico incomum. Ingestão compulsiva de água (PD pseudopsicogênica) é provavelmente o tipo mais importante de PD primária, embora a causa subjacente não seja conhecida. Lesões hipotalâmicas, hipercalcemia e concentrações elevadas de renina plasmática são causas menos comuns de PD primária. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS As manifestações clínicas associadas a PU ou PD são variados e dependem da doença subjacente. Sinais sistêmicos incluem fraqueza, apetite diminuído, perda de peso, diarreia e febre. A polifagia com perda de peso ocorre em animais com diabetes mellitus e em gatos com hipertireoidismo.

3


382

3

SINAIS CLÍNICOS

Síndromes paraneoplásicas, especialmente hipercalcemia, podem desenvolver-se em associação a PU/PD. Um exame clínico abrangente e uma avaliação laboratorial se justificam em todos os pacientes que apresentam PU/PD como a queixa principal. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE POLIÚRIA E POLIDIPSIA POLIÚRIA DE ORIGEM RENAL Insuficiência renal Glomerulonefrite Disfunção tubular Disfunção medular renal Diurese pós-obstrutiva (p. ex., síndrome urológica felina) Diabetes insipidus (nefrogênico) Nefropatia hipercalcêmica Síndrome de Fanconi Diminuição da hipertonicidade da medula renal

POLIÚRIA DE CAUSAS NÃO RENAIS

3

Diabetes insipidus (neurogênico) Diabetes mellitus

Hiperadrenocorticismo Doença hepática (inespecífica) Piometra Polidipsia pseudopsicogênica

POLIÚRIA INDUZIDA POR MEDICAMENTOS Glicocorticoides (principalmente em cães) Manitol intravenoso Glicose, em concentrações acima de 50 mg/dL (5,0%) Álcool Terapia diurética (p. ex., furosemida) Fenitoína Intoxicação pela vitamina D

MÉTODOS DIAGNÓSTICOS (Fig. 3-1) 1. Histórico e exame físico, para facilitar a verificação do problema, além da determinação de sua duração e dos sinais associados. O conhecimento da administração recente de medicação é de especial importância. 2. Exames laboratoriais básicos. O foco primário do plano de diagnóstico é interpretar resultados de exames laboratoriais, incluindo hemograma, perfil bioquímico, exame de urina, coprocultura, teste de dirofilariose (em cães), testes de FeLV e FIV (em gatos) e urocultura. 3. Coletar urina e mensurar a ingestão de água por um período de 24 horas para documentar o problema, se necessário. 4. Radiografias abdominais, se indicadas. 5. Exames diagnósticos especiais, se indicados, com base nos resultados dos exames laboratoriais: a. Testes de privação de água e de privação de água modificado (contraindicados na presença de azotemia, desidratação ou hipercalcemia) b. Teste da resposta ao hormônio antidiurético (ADH, vasopressina) c. Teste de tolerância à glicose d. Estimulação com ACTH ou teste de supressão com dexametasona e. T4 sérico f. Estudos da função hepática (p. ex., amônia sérica, ácidos biliares) g. Ultrassonografia do abdome h. Biópsia de tecido (p. ex., renal e hepático) i. Laparotomia exploratória

CEGUEIRA Ver Perda Total da Visão. COCEIRA: PRURIDO Ver também Perda de Pelos: Alopecia. DEFINIÇÃO Prurido é uma estimulação epidérmica desagradável, algumas vezes intensa, que causa coceira ou mordedura anormalmente frequentes. Histamina, endopeptidases e outros polipeptídeos liberados pelas células cutâneas servem como mediadores do prurido. A histamina é o mediador primário


COCEIRA: PRURIDO VER TAMBÉM PERDA DE PELOS: ALOPECIA.

383

História de polidipsia/poliúria Excluir causas iatrogênicas

Exame físico normal

Aparentemente doente

Verificar por meio de mensuração no domicílio, se necessário Hemograma, perfil bioquímico, exame de urina

Negativo

Positivo Excluir (ou confirmar com testes específicos) Hipertireoidismo Insuficiência renal Diabetes mellitus Glicosúria tubular renal Diurese pós-obstrutiva Piometra Hipoadrenocorticismo Hiperadrenocorticismo Insuficiência hepática Policitemia Hipercalcemia Hipocalemia

Não desidratado

Desidratado Reidratar

Positivo PPA

Intermediário Negativo DIC DIC parcial DIN PPA + washout PPA + washout medular IR medular

Normal DIC DIN PPA

Diminuído IR

Reidratar

Teste da depuração da creatinina

Teste de privação de água

Teste de HAD exógeno

Positivo DIC

Negativo Intermediário DIN PPA + washout PPA + washout medular medular

Teste de privação parcial de água ou de Hickey-Hare Positivo PPA

Negativo DIN

Chave: PPA ⫽ polidipsia psicogênica aparente DIC ⫽ diabetes insipidus central DIN ⫽ diabetes insipidus nefrogênico MSW ⫽ washout medular IR ⫽ insuficiência renal com diurese de soluto

Figura 3-1: Abordagem clínica para o paciente com polidipsia e poliúria. ADH, Hormônio antidiurético; H, Hemograma. (De Fenner WR: Quick reference to veterinary medicine, ed 2, Philadelphia, 1991, Lippincott.)

3


384

3

SINAIS CLÍNICOS

do prurido, associada à reação de pápula-eritema. O prurido mediado por histamina não pode ser completamente inibido por antagonistas de receptores H1 ou H2 (bloqueadores). A estreita associação entre o prurido e inflamação da pele é atribuída ao fato de que muitos dos mediadores e potenciadores endógenos são liberados in situ durante eventos inflamatórios. O prurido, embora seja uma resposta protetora, pode tornar-se mais prejudicial do que útil. Como uma característica da dermatite, os mediadores do prurido não podem ser removidos pelo paciente. Na verdade, o prurido acaba por promover mais inflamação e se perpetua subsequentemente. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

3

Lesões de pele são frequentemente associadas a prurido; todavia, é importante caracterizar as lesões e distinguir as primárias das secundárias ao prurido. Pápulas e pústulas são lesões primárias características que finalmente podem evoluir para lesões secundárias, como crostas, úlceras, escamas em colarinhos e máculas pigmentadas. Vesículas e bolhas, placas e urticária (pápulas) também podem ocorrer como lesões primárias de pele. Crostas lineares, ulceração irregular, liquenificação, descamação difusa e pigmentação, e alopecia em placas, são lesões características que se desenvolvem secundariamente à escoriação. O prurido também pode ocorrer sem lesões primárias (i. e., prurido “essencial”). Este tipo de prurido é uma manifestação de doença sistêmica, embora a mediação possa ser central ou cutânea. As causas incluem atopia, pele ressecada e distúrbios neurológicos e psicogênicos. Uma série de doenças renais, hepáticas, hematopoiéticas, alérgicas e endócrinas está associada a prurido essencial. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE PRURIDO (NÃO É UMA LISTA ABRANGENTE) Dermatite pustular Infecciosa Piodermite dos filhotes Foliculite e furunculose Imunomediada Pênfigo foliáceo Distúrbios formadores de vesícula (p. ex., erupção medicamentosa) Dermatose ␥ por imunoglobulina A (IgA) linear Idiopática Celulite juvenil Dermatose pustular subcorneana

ERUPÇÃO VESICULAR OU BOLHOSA Dermatose bolhosa Lúpus eritematoso sistêmico (LES) Necrólise epidérmica tóxica Erupção medicamentosa Dermatite por contato aguda

FORMAÇÃO DE PLACA Dermatite infecciosa Dermatite imunomediada Neoplasia (p. ex., mastocitoma)

ERUPÇÃO PAPULAR (Cão) Infecciosa Foliculite (bacteriana, fúngica, demodécica)

Parasitária ( Sarcoptes, Cheyletiella , piolhos, pulgas) Vasculite (febre maculosa das Montanhas Rochosas) Imune Alergia (atopia) Autoimune (pênfigo foliáceo, LES) Idiopática

ERUPÇÃO PAPULAR (GATO) Infecciosa (foliculite bacteriana) Dermatofitose Parasitária (sarna otodécica e notoédrica, Cheyletiella, piolhos) Imunomediada (hipersensibilidade a alimentos) Dermatite miliar idiopática

DERMATITE ULCERATIVA LES Vasculite leucocitoclástica Eritema multiforme Necrólise epidérmica tóxica Micose fungoide Complexo da epidermólise bolhosa Dermatomiosite Dermatite por contato aguda Síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada


COMA: PERDA DE CONSCIÊNCIA

385

MÉTODOS DIAGNÓSTICOS 1. Histórico e exame físico, para caracterizar a lesão de pele e sua distribuição, determinarão se a doença parece ou não ser contagiosa e também se existe ou não uma doença sistêmica. 2. Exames laboratoriais, se houver evidência de que existe doença sistêmica. 3. Exame da pele e pelagem. Realizar vários raspados de pele e examinar pele e pelos com lâmpada de Wood. 4. Exames microbiológicos para bactérias e dermatófitos. 5. Exames imunológicos, incluindo teste de pele intradérmico e teste direto para anticorpos fluorescentes em amostras de biópsia de pele (normal e afetada). 6. Biópsia de pele com exame dermato-histopatológico. 7. Exposição provocadora a agentes ambientais, dieta e medicamentos selecionados.

COMA: PERDA DE CONSCIÊNCIA DEFINIÇÃO O coma é um estado de inconsciência completa, reversível ou irreversível, que pode resultar de doença neurológica ou não neurológica (overdose de fármacos, especialmente em cães). O coma pode ser consequência de lesões multifocais ou difusas no cérebro ou de uma lesão que afeta a porção anterior do tronco encefálico e o sistema de ativação reticular ascendente. Uma variedade de doenças orgânicas do sistema nervoso central (SNC) que conduz a encefalopatia tóxica ou metabólica também pode induzir o coma. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Embora o paciente comatoso esteja inconsciente, deverá ser realizado um exame neuro-oftalmológico completo. Tamanho e respostas pupilares alteradas ao estímulo luminoso usualmente indicam doença do tronco encefálico. A avaliação cardíaca de emergência do paciente inconsciente justifica um eletrocardiograma (ECG) e radiografias torácicas. A avaliação laboratorial do paciente comatoso inclui função hepática, eletrólitos e nível de glicose. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DO COMA

Agudo, não progressivo Agudo, progressivo

Crônica, progressiva

Neurogênico

Não Neurogênico

Hemorragia intracraniana Malformações cerebrais Lesões metastáticas Hemorragia epidural, subdural Meningoencefalite Edema cerebral

– – Hipoglicemia Coma diabético (hiperosmótico) Intermação Encefalopatia hepática ou urêmica Infecção Hipoxia Deficiência de tiamina (gato) Intoxicação por metais pesados e fármacos Intoxicação por monóxido de carbono Intoxicação por metais pesados

Hemorragia (rara) Doenças de depósito Hidrocefalia Encefalite

3


386

3

SINAIS CLÍNICOS

MÉTODOS DIAGNÓSTICOS 1. Estado grave: Avaliação das vias aéreas e do sistema cardiovascular (pulso, batimento cardíaco e ECG). Fazer radiografias torácicas se indicadas. Se há suspeita de edema cerebral, administrar ventilação de suporte, agentes hiperosmóticos intravenosos (p. ex., manitol 20%, 1 a 2 g/kg de peso corporal a cada 6 horas) e glicocorticoides. 2. Realizar cuidadoso exame neurológico, avaliando principalmente a função do tronco encefálico, incluindo função motora, respostas pupilares à luz (ou falta delas) e movimento dos olhos. 3. Perfil laboratorial completo, que inclua hematologia, perfil bioquímico e urinálise. 4. Testes diagnósticos especiais: se apropriados: a. Coma metabólico amônia sérica, ácidos biliares, glicose, níveis de chumbo em sangue e urina. b. Coma neurológico: radiografias do crânio, análise de líquor e eletroencefalografia. c. Avaliação da resposta ao manitol intravenoso.

CONSTIPAÇÃO (OBSTIPAÇÃO) Ver também Esforço para Defecar: Disquezia. DEFINIÇÃO

3

Constipação é a diminuição ou dificuldade em evacuar. Obstipação é a constipação intratável que resulta em endurecimento fecal no reto e possivelmente no cólon. A defecação difícil ou dolorosa, provável manifestação de constipação ou obstipação, representa tipicamente o motivo da consulta de um gato ou cão sob essas circunstâncias (ver também Esforço para Defecar: Disquezia). Não há definição precisa da regularidade do intestino; portanto, não há número “normal” de movimentos intestinais diários ou semanais, desvios do qual constitui a constipação. Praticamente, a constipação deve ser considerada quando houver diminuição na frequência de eliminação de fezes ou quando estas apresentarem consistência extremamente dura ou seca. A constipação é classificada em: neurogênica, mecânica (física), muscular (músculo liso) ou iatrogênica (induzida por fármacos). O proprietário que percebe que o seu animal tem dificuldade para defecar pode ter observado também dificuldade para urinar. Isso ocorre especialmente em gatos com distúrbios do trato urinário inferior, como a doença do trato urinário inferior dos felinos (DTUIF). No contexto da discussão, o termo disquezia será abordado somente quando estiver associado à constipação e obstipação (Fig. 3-2).

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS A avaliação do paciente com constipação ou obstipação pode representar um grande desafio para o médico em virtude dos mecanismos complexos envolvidos. Animais com causas neurogênicas podem ter dor retal ou perianal significativa associada a lesões locais. Outros pacientes podem ter doença neurológica não dolorosa ou complicações de longa duração provenientes de trauma pélvico ou espinhal anterior. Causas mecânicas são extraluminais ou intraluminais. É indicada a palpação abdominal ou retal em ambas, tanto em cães e gatos machos e fêmeas. Fezes finas ou tingidas com sangue podem sinalizar a presença de uma lesão intraluminal, ao passo que em pacientes com lesões extraluminais pode não haver sinais clínicos associados. Causas musculares são as menos comuns e, geralmente, são resultado de alterações metabólicas graves. Atonia do cólon de origem idiopática é relatada, mas a constipação também pode resultar de estados catabólicos graves. Evidência laboratorial de doença endócrina e anormalidades eletrolíticas devem ser avaliadas.


CONSTIPAÇÃO (OBSTIPAÇÃO) VER TAMBÉM ESFORÇO PARA DEFECAR: DISQUEZIA. Dados e histórico

387

Achados positivos

Constipação “aparente” Retenção fecal Prenhez? p. ex., após diarreia prolongada p. ex., confinamento Exame físico

Induzida Comportamento por medicação

Achados positivos

Dor anal/retal Obstrução colorretal feridas/trauma próstata infecção tumor neoplasia fecaloma doença do saco anal estreitamento prolapso/hérnia Biópsia ou tratamento local

Avaliação adicional ou tratamento

3

Avaliação de radiografias abdominais

Fecaloma (obstipação) p. ex., atonia

Déficits neurológicos Fraqueza p. ex., propriocepção muscular consciente generalizada e/ou desidratação Radiografias de coluna Perfil laboratorial Avaliação adicional

Achados positivos (megacólon)

Lesão/doença da Aumento medula espinhal prostático

Avaliação adicional

Avaliação adicional

Tumor intraabdominal Avaliação adicional

Perfil laboratorial

Fratura pélvica consolidada ou trauma pélvico (especialmente gatos)

Achados positivos Sedação ou anestesia geral Avaliação adicional

Hipercalcemia Hipocalemia Hiperparatireodismo Hipotireoidismo Hiperadrenocorticismo

Repetir Proctos- Colonos- RadioLaparotomia exame copia com copia com grafia exploratória retal/anal biópsia biópsia contrastada do cólon

Aspirado Mielograma Biópsia percutâneo muscular da próstata para EMG citologia/cultura

Figura 3-2: Algoritmo clínico para constipação no cão e no gato. EMG, Eletromiografia.


SEÇÃO 4

Procedimentos Diagnósticos e Terapêuticos Richard B. Ford e Elisa M. Mazzaferro Procedimentos de Rotina, 437 Técnicas de Administração de Medicamentos e Fluidos, 437 Técnicas de Colocação de Bandagem e Tala, 449 Mensuração da Pressão Arterial: Indireta, 449 Técnicas de Coleta de Amostras Diagnósticas, 450 Procedimentos Dermatológicos, 476 Biópsia Cutânea, 476 Limpeza Auricular: Canal Auditivo Externo, 479 Intubação Endotraqueal, 480 Procedimentos Avançados, 482 Abdominocentese, 482 Técnicas de Biópsia: Avançadas, 483 Gases Sanguíneos: Sangue Arterial, 490 Coleta de Líquido Cefalorraquidiano, 491 Eletrocardiografia, 491 Endoscopia: Indicações e Equipamentos Necessários, 498 Procedimentos Gastrointestinais, 503 Intubação Nasoesofágica, 503 Colocação do Tubo de Esofagostomia, 505 Procedimentos Oftálmicos, 511 Radiografia: Estudos Contrastados Avançados, 515 Trato Reprodutor das Fêmeas, 522 Trato Reprodutor dos Machos, 527 Procedimentos do Trato Respiratório, 532 Procedimentos do Trato Urinário, 543

PROCEDIMENTOS DE ROTINA TÉCNICAS DE ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTOS E FLUIDOS ADMINISTRAÇÃO ORAL: COMPRIMIDOS E CÁPSULAS – CÃES Preparação do Paciente Não é necessária. Técnica O método mais simples de administrar comprimidos ou cápsulas aos cães é esconder a medicação no alimento. Ofereça inicialmente pequenas porções de queijo, carne ou alguns dos alimentos favoritos do cão sem incluir a medicação e, em seguida, uma porção de alimento com a medicação incluída. Pill Pockets® Canine Treats* é um petisco próprio para disfarçar comprimidos e cápsulas, disponível comercialmente nos Estados Unidos. *Pill Pockets® Treats para Cães e Pill Pockets® Treats para Gatos; Greenies (www.greenies.com). 437


438

4

PROCEDIMENTOS DIAGNÓSTICOS E TERAPÊUTICOS

Nota: Frequentemente, a medicação oral é prescrita sem que se atente para a educação do cliente sobre como administrar uma cápsula ou comprimido, ou sem questionar se o cliente é, de fato, fisicamente capaz de administrar medicações. Instruções claras, incluindo a observação da realização da técnica pelo cliente no hospital, melhoram de forma significativa a adesão ao tratamento.

Em cães anoréxicos, ou quando os medicamentos precisam ser administrados sem alimento, o método consiste em dar a medicação rapidamente e de forma decisiva, de tal maneira que o processo seja realizado antes que o animal perceba o que aconteceu. Em cães cooperativos, insira o dedo polegar de uma das mãos no espaço interdental e toque, delicadamente, o palato duro. Isso induzirá o cão a abrir a boca (Fig. 4-1). Utilizando a outra mão (a que está segurando a medicação), pressione delicadamente a mandíbula para baixo, forçando uma abertura ainda maior (Fig. 4-2).

4 Figura 4-1: Use o dedo polegar para abrir a boca de um cão cooperativo.

Figura 4-2: Com a outra mão, coloque o comprimido ou cápsula na porção caudal da língua.


PROCEDIMENTOS DE ROTINA

439

Ponha rapidamente o comprimido ou a cápsula na porção caudal da língua. Retire a mão com rapidez e feche a boca do cão. Quando o animal lamber o focinho, a medicação provavelmente já terá sido deglutida. Cães que oferecem mais resistência podem ser induzidos a abrir a boca pela compressão dos lábios superiores contra seus dentes. Conforme o cão abre a boca, desloque os lábios medialmente, de forma a serem comprimidos caso ele queira fechar a boca. Outra alternativa seria gotejar água sobre as narinas ou soprar algumas vezes no focinho do paciente, o que o encoraja a aceitar e engolir as medicações orais (comprimidos ou cápsulas). Há disponível no mercado seringas próprias para administração de comprimidos que parecem funcionar bem em alguns cães. Considerações Especiais A administração de medicação oral por parte do proprietário requer habilidade na sua execução. Os animais que resistirem agressivamente à medicação oral devem ser tratados por métodos alternativos – por exemplo, administração parenteral da medicação. É inapropriado e inseguro delegar as responsabilidades do tratamento ao proprietário de um cão (ou gato) que possa feri-lo enquanto tenta tratá-lo. ADMINISTRAÇÃO ORAL: COMPRIMIDOS E CÁPSULAS – GATOS Preparação do Paciente Não é necessária. Técnica Cuidado: Somente indivíduos experientes devem tentar essa técnica de administração de comprimidos ou cápsulas a gatos. Mesmo gatos cooperativos podem se tornar intolerantes e morder. Dessa forma, essa não é uma técnica recomendada para a maioria dos proprietários tentarem em domicílio, ainda que tenham recebido instruções específicas. São utilizados dois métodos de administração de comprimidos e cápsulas em gatos. Em ambos os métodos, a cabeça do gato é ligeiramente elevada com o focinho apontado para o alto. O sucesso na administração da medicação a um gato envolve o sutil equilíbrio entre o que é efetivo e o que é seguro. Em gatos cooperativos pode-se segurar e posicionar a cabeça (Fig. 4-3) com uma mão, e com a outra mão (a que está segurando a medicação) abrir a boca com delicadeza por meio da pressão da mandíbula rostral para baixo (Fig. 4-4). Pressione a pele adjacente aos dentes maxilares delicadamente entre os dentes conforme a boca é aberta, evitando, assim, que o gato feche sua boca.

Figura 4-3: Técnica de contenção da cabeça enquanto se administra um comprimido ou uma cápsula a um gato.

4


440

4

PROCEDIMENTOS DIAGNÓSTICOS E TERAPÊUTICOS

Figura 4-4: Com a outra mão, pressione delicadamente a mandíbula do gato para baixo antes de colocar um comprimido na porção caudal da cavidade oral.

4

Com a boca aberta, jogue (não empurre) a medicação (tente lubrificar com cuidado o comprimido ou cápsula com manteiga) para dentro da cavidade oral. Poderão ser realizadas batidinhas leves sob o queixo ou na ponta do focinho para facilitar a deglutição. Se o gato se lamber, a administração provavelmente foi bem-sucedida. Outra alternativa seria utilizar uma seringa especial para a administração de comprimidos e cápsulas em gatos. A seringa funciona bem, contanto que seja cuidadosamente inserida e de forma atraumática na boca do gato. No entanto, se houver resistência, a seringa poderá machucar o palato duro durante a tentativa de medicação. Em tentativas subsequentes de utilizar a seringa, pode haver aumento de resistência e, portanto, maior risco de trauma. O sucesso da utilização desse tipo de seringa depende bastante do comportamento do gato. Também existem o Pill Pocket® Treats para gatos, que são fabricados nos sabores frango e peixe. Além disso, como no caso dos cães, alguns gatos responderão à aplicação de gotas de água ou sopro nas narinas para estimular a deglutição do medicamento. Considerações Especiais Quando prescrever medicações orais a gatos, não espere que os clientes forcem um comprimido ou cápsula na boca do animal. Apesar de alguns clientes serem notavelmente capazes e confiantes em relação à sua habilidade de administrar medicações orais a gatos, o risco de acidentes pode ser significativo. Sempre que possível, medicações líquidas ou comprimidos pulverizados devem ser misturados à dieta ou a um petisco prontamente aceito e consumido (ver discussão a seguir). ADMINISTRAÇÃO ORAL: LÍQUIDOS Sem Tubo Gástrico Preparação do Paciente Não é necessária. A técnica é apropriada para ser realizada por proprietários em domicílio. Técnica Pequenas quantidades de medicamento líquido podem ser administradas de maneira bem-sucedida a cães e gatos puxando-se a comissura labial para fora, formando uma bolsa (Fig. 4-5). Deposite a medicação líquida na “bolsa da bochecha”, de onde ela fluirá por entre os dentes conforme a cabeça for ligeiramente posicionada para o alto. Paciência e delicadeza, além da medicação razoavelmente saborosa, contribuem para o sucesso.


PROCEDIMENTOS DE ROTINA

441

Figura 4-5: Use uma seringa para administrar medicações líquidas na cavidade oral de um gato.

Colheres são ineficazes, uma vez que os líquidos são facilmente expelidos. Uma seringa descartável pode ser utilizada para medir e administrar os líquidos por via oral. Dependendo do líquido administrado, as seringas descartáveis podem ser reutilizadas diversas vezes, desde que sejam lavadas após cada administração. Não é recomendado que medicações diferentes sejam misturadas em uma mesma seringa. Recomenda-se a identificação adequada da seringa para cada tipo de medicação líquida prescrita. Considerações Especiais Também podem ser consideradas as farmácias de manipulação para o preparo de medicações com sabores palatáveis para facilitar a administração oral. Cães com distúrbios de deglutição não devem ser tratados em domicílio com medicações líquidas, pois isso pode provocar complicações associadas à aspiração. Com um Tubo de Administração Preparação do Paciente Não é necessária.

Nota: Esse procedimento é reservado exclusivamente para âmbito hospitalar. A técnica deverá ser realizada apenas por indivíduos treinados.

Técnica A administração de medicações, material de contraste e fluidos reidratantes pode ser realizada com o uso de um tubo de alimentação bem lubrificado, introduzido através das narinas até o estômago ou o esôfago distal. Quando o tubo de alimentação é colocado para uso por longo período (vários dias) e de forma repetida (descrito posteriormente em Procedimentos Gastrointestinais), é geralmente recomendado evitar introduzir a ponta do tubo além do esôfago distal. A razão para a recomendação de intubação nasoesofágica, em vez de intubação nasogástrica, baseia-se no fato de que o peristaltismo reflexo do esôfago contra a passagem de um tubo através da cárdia pode resultar em ulceração significativa da mucosa em 72 horas. Isso não é um problema em pacientes que recebem uma única dose de medicação ou material de contraste.

4


442

TABELA 4-1

4

PROCEDIMENTOS DIAGNÓSTICOS E TERAPÊUTICOS

Equivalentes da Escala Francesa de Cateter* Tamanho

4

Escala

Milímetros

Polegadas

3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 22 24 26 28 30 32 34

1 1,35 1,67 2 2,3 2,7 3 3,3 3,7 4 4,3 4,7 5 5,3 5,7 6 6,3 6,7 7,3 8 8,7 9,3 10 10,7 11,3

0,039 0,053 0,066 0,079 0,092 0,105 0,118 0,131 0,144 0,158 0,170 0,184 0,197 0,210 0,223 0,236 0,249 0,263 0,288 0,315 0,341 0,367 0,393 0,419 0,445

*Vários tipos de tubos de poliuretano de alimentação nasogástrica encontram-se disponíveis em tamanhos que variam de 8F a 12F e que acomodam facilmente a administração de medicações líquidas e de fluidos a gatos adultos e filhotes, e a cães de pequeno porte.

O lúmen estreito dos tubos introduzidos através das narinas de cães de pequeno porte e gatos limita a viscosidade das soluções que podem ser administradas. A intubação nasoesofágica pode ser feita com uma variedade de tamanhos e tipos de tubos (Tabela 4-1). Os tubos de poliuretano mais recentes, quando recobertos com gel lubrificante de lidocaína não são irritantes e podem ser deixados no local com a ponta posicionada no esôfago distal. Quando for colocar o tubo nasogástrico, instile de quatro a cinco gotas de proparacaína a 0,5% nas narinas do gato ou do cão de pequeno porte; pode ser necessário instilar de 0,5 a 1 mL de lidocaína a 2% na narina de um cão de raça de porte maior para se alcançar o nível de anestesia tópica requerida para a passagem do tubo através da narina. Com a cabeça elevada, direcione o tubo dorsomedialmente para a dobra alar (Fig. 4-6). A passagem do tubo será facilitada para o meato nasal ventromedial empurrando-se o tubo dorsalmente sobre o filtro nasal e empurrando a narina da lateral para a face medial. Cuidado: A ponta do tubo de alimentação pode ser inadvertidamente introduzida através da glote em direção à traqueia. O anestésico tópico instilado no nariz pode anestesiar as cartilagens aritenoides, bloqueando, assim, o reflexo de tosse ou de deglutição. Após inserir de 1 a 2 cm da ponta no interior da narina, continue avançando com o tubo até alcançar o comprimento desejado. Se os cornetos obstruírem a passagem do tubo, retroceda-o por alguns centímetros. Reavance, então, o tubo, tomando cuidado para direcioná-lo ventralmente através da cavidade nasal. Ocasionalmente, pode ser necessário retirar o tubo completamente da narina e repetir o procedimento. Em pacientes particularmente pequenos ou com lesões obstrutivas


PROCEDIMENTOS DE ROTINA

443

Figura 4-6: Posicionamento dorsomedial inicial de um tubo nasoesofágico antes da inserção completa. (p. ex., tumor) na cavidade nasal pode não ser possível passar o tubo. Não o force contra uma resistência significativa através da narina. A gavagem, ou a lavagem e alimentação gástrica, em filhotes caninos e felinos pode ser realizada pela passagem de um cateter de borracha macia ou tubo de alimentação para dentro da boca movendo a cabeça do filhote canino ou felino e vendo-o engolir o tubo. A maior parte dos filhotes caninos e felinos irá lutar e vocalizar. Geralmente, eles não vocalizam se o tubo estiver posicionado no interior da traqueia. Um cateter 12F possui um diâmetro adequado para passar livremente, mas é muito grande para cães e gatos com idade inferior a 2 a 3 semanas. Marque no tubo, com uma fita adesiva ou uma caneta, o ponto que identifica a distância da boca à última costela. Simplesmente empurre o tubo para o interior da faringe, em direção ao esôfago, até o nível torácico caudal (no interior do estômago). Verifique o posicionamento do tubo utilizando a mesma técnica de aspiração com uma seringa seca, assegurando-se de que ele está realmente posicionado no esôfago ou no estômago, e não na traqueia. Acople uma seringa à terminação arredondada e injete, lentamente, a medicação ou o alimento. Dependendo do tipo de tubo de alimentação, sua terminação pode ou não acomodar uma seringa. Por exemplo, cateteres urinários de borracha macios são excelentes tubos para se utilizar em administração única. No entanto, a terminação arredondada pode não acomodar uma seringa. Para acoplar uma seringa na terminação externa de um tubo ou cateter de alimentação cônico, insira um adaptador plástico (Fig. 4-7) na terminação livre.

Figura 4-7: Adaptador plástico (“árvore de Natal”) para fixar a seringa a um tubo de alimentação nasoesofágico.

4


444

4

PROCEDIMENTOS DIAGNÓSTICOS E TERAPÊUTICOS

Considerações Especiais O posicionamento esofágico (versus intratraqueal) do tubo de alimentação pode ser verificado com uma seringa seca e vazia. Acople a seringa vazia à ponta do tubo de alimentação. Em vez de injetar ar ou água na tentativa de auscultar borborigmos no abdome, tente apenas aspirar ar pelo tubo de alimentação. Se não houver nenhuma resistência durante a aspiração e o ar preencher a seringa, o tubo provavelmente está na traqueia. Remova completamente o tubo e repita o procedimento. Entretanto, se repetidas tentativas de aspirar ar encontram resistência imediata e não houver entrada de ar na seringa, a ponta do tubo está posicionada adequadamente dentro do esôfago. Se ainda houver qualquer dúvida relacionada ao posicionamento do tubo, é indicada uma radiografia lateral de rotina. A confirmação definitiva do seu posicionamento adequado pode ser obtida pela instilação no tubo da mistura de 1 a 2 mL de contraste iodado em salina estéril e, então, a realização de radiografia lateral da região toracoabdominal para confirmação da entrada do material de contraste no estômago. ADMINISTRAÇÃO TÓPICA Ocular Preparação do Paciente Não é necessária.

4

Técnica Os métodos usuais de aplicação de medicação diretamente nos olhos incluem líquidos (gotas) e unguentos. A via e a frequência da medicação dependem da doença que está sendo tratada. Líquidos e unguentos são apropriados para a administração pelo proprietário. As medicações líquidas (normalmente, uma ou duas gotas) podem ser aplicadas diretamente sobre a córnea. É importante instruir o proprietário sobre a técnica adequada e enfatizar que, uma vez que os líquidos somente se deslocam para baixo, o focinho do paciente deve ser direcionado para o alto antes de se tentar administrar medicações líquidas nos olhos. É bastante difícil, também, fazer com que uma gota de líquido, conforme é expelida de seu frasco, caia horizontalmente, a despeito das frequentes tentativas de fazê-lo. Particularmente o unguento, na forma de uma linha de 3 mm ou 6 mm, é administrado diretamente sobre a esclera (dorsalmente) ou no fundo do saco conjuntival inferior de tal forma que, conforme as pálpebras se fecham, uma película de unguento é espalhada por toda a córnea. Considerações Especiais Não se deve permitir que a ponta do tubo de aplicação de líquidos e de unguentos entre em contato com o olho ou com a conjuntiva. Isso provavelmente resultará na contaminação da medicação, especialmente se forem líquidas. Ótica Preparação do Paciente Não é necessária. Técnica As soluções líquidas são os veículos mais eficazes para a administração de medicamentos no canal auditivo externo. Pode ser preciso fazer a remoção física de debris em alguns pacientes que necessitam de medicações óticas. Ocasionalmente, também pode ser necessário fazer a suplementação por medicação oral. O ouvido deverá ser gentilmente massageado após a instilação para facilitar a dispersão da medicação no interior do canal auditivo externo. Considerações Especiais Os pós medicinais são normalmente contraindicados no canal auditivo externo. É importante ressaltar que a ponta do aplicador das medicações líquidas não deve entrar em contato direto com a pele. Se isso acontecer, provavelmente haverá contaminação de todo o frasco do medicamento.


KIRK & BISTNER C0040.indd i

MANUAL DE

PROCEDIMENTOS VETERINÁRIOS E TRATAMENTO EMERGENCIAL

10/01/13 12:12 PM


Dedicatória

D r.R obert W .K irk 22 de maio de 1922 – 19 de janeiro de 2011 C l nico,educador,professor dedicado. U m homem cujo compromisso e contribui ıes medicina de animais de companhia sªo globais na extensªo e lendários no escopo.

C0040.indd ii

10/01/13 12:12 PM


KIRK & BISTNER

MANUAL DE

PROCEDIMENTOS VETERINÁRIOS E TRATAMENTO EMERGENCIAL 9ª EDIÇÃO Richard B. Ford, DVM, DACVIM, DACVPM Professor of Medicine Department of Clinical Sciences College of Veterinary Medicine North Carolina State University Raleigh, North Carolina Diplomate, American College of Veterinary Internal Medicine Diplomate (Honorary), American College of Preventive Medicine

Elisa Mazzaferro, MS, DVM, PhD, DACVECC Director of Emergency Services Wheat Ridge Veterinary Specialists Wheat Ridge, Colorado Diplomate, American College of Veterinary Emergency and Critical Care

C0040.indd iii

10/01/13 12:12 PM


' 2013 Elsevier Editora Ltda. Tradução autorizada do idioma inglês da edição publicada por Saunders – um selo editorial Elsevier Inc. Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/1998. N enhuma parte deste livro, sem autorização prévia por escrito da editora, poderá ser reproduzida ou transmitida sejam quais forem os meios empregados:eletr nicos, mecânicos, fotográficos, gravação ou quaisquer outros. ISBN :978-85-352-5435-8 ISBN (versão eletr nica):978-85-352-6781-5 C opyright ' 2012 by Saunders,an im print of Elsevier Inc. Previous editions copyrighted 2006, 2000, 1995, 1990, 1985, 1981, 1975, 1969 This edition of Kirk and Bistner's H andbook of Veterinary Procedures and Emergency Treatment, 9th edition by Richard B. Ford, Elisa Mazzaferro is published by arrangement wi th Elsevier Inc. ISBN :978-1-4377-0798-4 C apa Folio Design Editoração Eletr nica Thomson Digital Elsevier Editora Ltda. Conhecimento sem Fronteiras Rua Sete de Setembro, n 111 – 16 andar 20050-006 – Centro – Rio de Janeiro – RJ Rua Q uintana, n 753 – 8 andar 04569-011 – Brooklin – São Paulo – SP Serviço de Atendimento ao Cliente 0800 026 53 40 sac@ elsevier.com.br Consulte também nosso catálogo completo, os últimos lançamentos e os serviços exclusivos no site w w w .elsevier.com.br N O conhecimento em veterinária está em permanente mudança. Os cuidados normais de segurança devem ser seguidos, mas, como as novas pesquisas e a experiência clínica ampliam nosso conhecimento, alterações no tratamento e terapia à base de fármacos podem ser necessárias ou apropriadas. Os leitores são aconselhados a checar informações mais atuais dos produtos, fornecidas pelos fabricantes de cada fármaco a ser administrado, para verificar a dose recomendada, o método e a duração da administração e as contraindicações. responsabilidade do veterinário, com base na experiência e contando com o conhecimento do dono do animal, determinar as dosagens e o melhor tratamento para cada um individualmente. N em o editor nem o autor assumem qualquer responsabilidade por eventual dano ou perda a pessoas, animais ou a propriedade originada por esta publicação. O Editor CIP-BRASIL. CATALOGA˙ ˆ O N A FON TE SIN DICATO N ACION AL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ F794m Ford, Richard B. Kirk & Bistner, Manual de Procedimentos Veterinários e Tratamento Emergencial/ Richard B. Ford, Elisa M. Mazzaferro; [tradução Ana H elena Pagotto... et al.]. - Rio de Janeiro:Elsevier, 2012. 776p.:24cm. Tradução de:Kirk and Bistner's handbook of veterinary procedures and emergency treatment, 9th ed. Inclui bibliografia e índice ISBN 978-85-352-5435-8 1. Veterinária. 2. Primeiros socorros para animais. I. Kirk, Robert W arren, 1922-. II. Bistner, Stephen I. III. Mazzaferro, Elisa M. IV. Título. 12-4685.

C0045.indd iv

CDD:636.0896025 CDU:619:616-083.98

10/01/13 11:39 AM


Revisão Científica e Tradução REVISO RES CIENT˝FICO S K arina Velloso Braga Yazbek Graduada em Medicina Veterinária pela Universidade Paulista (UNIP) Residência no Hospital Veterinário da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP) Doutorado no Departamento de Cirurgia da FMVZ-USP Especialista em Dor pela Sociedade Brasileira de Dor (SBED) Ricardo Duarte Mestre e Doutor em Clínica Veterinária pelo Departamento de Clínica Médica da FMVZ - USP Professor de Clínica Médica de Animais de Pequeno Porte das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) Teresinha Luiza M artins Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo Anestesista Veterinária TRADUTO RES Adriana de Siqueira Médica Veterinária pela Universidade Federal do Paraná Mestre pelo Departamento de Patologia da FMVZ - USP Doutoranda no Departamento de Patologia da FMVZ - USP Alcir Costa Fernandes Filho Graduado em Inglês pelo Instituto Brasil-Estados Unidos Certificado de Proficiência em Inglês - University of Michigan Tradutor Inglês/Português pela Universidade Estácio de Sá Aldacilene Souza da Silva Doutora em Imunologia pela USP Mestre em Imunologia pela USP Médica Veterinária pela FMVZ-USP Ana Helena Pagotto Médica Veterinária, Técnica de Apoio à Pesquisa Científica do Instituto Butantan Doutora em Ciências pela Fundação Antonio Prudente Mestre em Ciências pela Fundação Antonio Prudente Daniel Rodrigues Stuginski Mestre em Ciências pelo Instituto de Biociências da USP Médico Veterinário pela FMVZ-USP Dominguita L hers Graça PhD pela University of Cambridge, Reino Unido v

C0050.indd v

09/01/13 8:43 AM


VI

REVISÃO CIENTÍFICA E TRADUÇÃO

Professora Titular Aposentada do Departamento de Patologia e Professora Voluntária do Departamento de Clínica de Pequenos Animais da Universidade Federal de Santa Maria, RS Felipe Gazza Romão Mestre pelo departamento de Clínica Veterinária da FMVZ-UNESP, Botucatu, SP Ex-residente da Clínica Médica de Pequenos Animais da FMVZ-UNESP, Botucatu, SP K eila K azue Ida PhD Student Anestesiologia da Faculdade de Medicina da USP Department of Neuroinflammation, Institute of Neurology (Queen Square), University College London (UCL) Lidianne Narducci M onteiro Médica Veterinária graduada pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) Especialista em Patologia Veterinária pela FMVZ-UNESP, Botucatu, SP Mestranda em Patologia pela Faculdade de Medicina da UNESP, Botucatu, SP M arcelo Fernandes de Souza Castro Mestre em Anatomia Veterinária pela USP (doutorando) Professor de Anatomia Descritiva dos Animais Domésticos da UNIP (Campinas, São José dos Campos e São Paulo) Professor de Anatomia Topográfica Veterinária da UNIP (Campinas, São José dos Campos e São Paulo) M aria Eugênia Laurito Summa Médica Veterinária pela USP Silvia M ariangela Spada Bacharel em Letras pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP Especialista em Tradução pela USP Thaís Rosalen Fernandes Médica Veterinária Patologista pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM), SP Residência em Patologia Veterinária pela FMVZ-UNESP Mestranda em Patologia Veterinária pela FMVZ-UNESP

C0050.indd vi

09/01/13 8:43 AM


Apresentação A 9ª edição de Kirk & Bistner – Manual de Procedimentos Veterinários e Tratamento Emergencial é um exemplo do ritmo das mudanças que ocorrem na medicina veterinária atualmente. O médico veterinário e o paciente continuam a se beneficiar dos impressionantes avanços tecnológicos em emergência e medicina de cuidados críticos, em testes diagnósticos e em terapia. Como editores desta edição, realizamos esforços significativos para incluir técnicas atuais de diagnóstico, procedimentos e recomendações de tratamento consistentes com os padrões de cuidados na medicina de animais de companhia. Para facilitar ␱ acesso rápido e fácil às informações, o texto é dividido em seis seções distintas, com ênfase especial à Seção 1, Cuidados de Emergência. Essa seção é organizada para facilitar o acesso rápido às recomendações de diagnóstico e tratamento do paciente em emergência e para aqueles que necessitam de cuidados críticos. Estão incluídas subseções importantes sobre Manejo Pré-hospitalar, Triagem e Manejo Iniciais de Emergência, Procedimentos de Emergência, Avaliação e Controle da Dor e Tratamento de Emergência de Condições Específicas. As seções 2 a 5 se baseiam nas estratégias diagnósticas, incluindo a avaliação do paciente, identificação de problemas, procedimentos de rotina e avançados e exames/interpretações laboratoriais. Cada uma dessas quatro seções aborda aspectos específicos da apresentação clínica do paciente. A Seção 2, Avaliação do Paciente e Exame dos Sistemas Orgânicos, se baseia na avaliação inicial do paciente e inclui o uso de modelos de registros médicos e planos para diagnósticos avançados. A Seção 3, Sinais Clínicos, consiste em uma abordagem a diagnósticos diferenciais baseada no problema e é reformulada de tal maneira que o problema do paciente seja representado a partir da perspectiva do cliente — do mesmo modo que os problemas são apresentados na prática clínica. A Seção 4 trata do diagnóstico de rotina e do avançado, assim como dos procedimentos terapêuticos. Os procedimentos avançados são agora apresentados em um formato órgão-sistema, para facilitar o acesso aos procedimentos diagnósticos atuais que podem ser necessários ao se avaliar casos complexos. A Seção 5, Diagnóstico Laboratorial e Protocolos de Exame, é uma referência sucinta e altamente estruturada para a realização de testes diagnósticos de rotina e avançados em cães e gatos. Cada teste representado inclui informações sobre a preparação do paciente, o protocolo de teste, o tipo de amostra a ser coletada em comparação ao tipo de amostra a ser submetida ao laboratório, a interpretação dos resultados, entre outras. A Seção 6 consiste em uma compilação das tabelas e quadros clinicamente pertinentes que foram extensivamente revisados e atualizados. Algumas das tabelas incluídas fornecem informações sobre o protocolo Anual de Vacinação para Cães e Gatos nos Estados Unidos e Indicações e Dosagens Comuns de Drogas. Foi o Dr. Robert Kirk que, em 1969, publicou a 1ª edição deste texto. São ao Dr. Kirk que podem ser atribuídos os créditos por estar entre os primeiros acadêmicos que reconheceram o papel exclusivo dos cuidados de emergência na medicina veterinária. Foi essa visão que basicamente acarretou o desenvolvimento e o crescimento de práticas de especialidade na medicina de emergência e de cuidados críticos. Todos nós temos uma dívida com o Dr. Kirk por seu compromisso e dedicação à medicina veterinária. Lamentavelmente, Dr. Kirk faleceu em janeiro de 2011. Entretanto, suas inúmeras contribuições continuarão a prestar serviços à profissão pelos muitos anos que virão. Temos a honra de dedicar esta edição do manual ao Dr. Kirk. Richard B. Ford, DVM, MS Elisa M. Mazzaferro, MS, DVM, PhD vii

C0055.indd vii

10/01/13 11:56 AM


Prefácio

TRATANDO DAS NECESSIDADES DO VETERINÁRIO Um conhecimento completo das manifestaçıes clínicas de doenças comuns, assim como de métodos para os seus diagnósticos e tratamentos é essencial para a compreensão da import ncia dos resultados dos testes. A 9ã edição ampliada e atualizada deste texto de referência essencial é organizada em seis seçıes para proporcionar rápido acesso a informaçıes relevantes sobre os sinais clínicos da doença, da avaliação do paciente, dos cuidados de emergência, de procedimentos diagnósticos e terapêuticos e diagnósticos laboratoriais, assim como a quadros de valores normais, protocolos de vacinação e formulários de medicamentos. Estudantes de veterinária considerarão este texto um auxiliar útil a seus estudos. O livro fornece uma rápida referência que permite ao estudante revisar rapidamente as aplicaçıes clínicas dos conceitos básicos, enquanto estuda cursos de base, como anatomia e fisiologia, além de cursos mais avançados nas áreas de patologia clínica, radiologia e farmacologia. Espero que veterinários e estudantes de veterinária incluam este valioso recurso em sua biblioteca particular. Margi Sirois, EdD, MS, RVT

ix

C0060.indd ix

08/01/13 4:18 PM


Sumário

SEÇÃO 1 Cuidados de Emergência, 1 SEÇÃO 2 Avaliação do Paciente e Exame dos Sistemas Orgânicos, 293 SEÇÃO 3 Sinais Clínicos, 379 SEÇÃO 4 Procedimentos Diagnósticos e Terapêuticos, 437 SEÇÃO 5 Diagnóstico Laboratorial e Protocolos de Exames, 546 SEÇÃO 6 Quadros e Tabelas, 629 Raças de Cães Reconhecidas pelo American Kennel Club (AKC), 630 Raças de Gatos Reconhecidas pela Cat Fanciers’ Association (CFA), 632 Informações Úteis sobre Roedores e Coelhos, 633 Determinação do Sexo de Coelhos e Roedores Sexualmente Maduros e Imaturos, 635 Valores Hematológicos e Bioquímica Sanguínea de Roedores e Coelhos, 636 Furões – Dados Fisiológicos, Anatômicos e Reprodutivos, 637 Valores Hematológicos para Furões Normais, 637 Bioquímica Sanguínea para Furões Normais, 638 Dados Eletrocardiográficos para Furões Normais, 638 xi

C0065.indd xi

08/01/13 10:54 AM


XII

SUMÁRIO

Conversão do Peso Corporal em Quilogramas para Área de Superfície Corporal em Metros Quadrados para Cães, 639 Conversão do Peso Corporal em Quilogramas para Área de Superfície Corporal em Metros Quadrados para Gatos, 639 Tabela de Conversão Francesa, 640 Guia de Conversão do Sistema Internacional de Unidades (SI), 641 Unidades de Comprimento, Volume e Massa no Sistema Métrico, 644 Vacinas Licenciadas para Uso em Cães nos Estados Unidos, 645 Vacinas Licenciadas para Uso em Gatos nos Estados Unidos, 647 Recomendações de Vacinação em Cães — Esquema Inicial do Filhote, 649 Recomendações à Vacinação de Cães – Adultos, 650 Recomendações para Vacinação de Gatos – Série Inicial para Filhotes, 651 Recomendações para Vacinação de Gatos – Adultos, 652 Compêndio da Prevenção e Controle da Raiva Animal, 2005 Associação Nacional dos Veterinários do Estado em Saúde Pública (NASPHV), 652 Referências Escritas de Prescrição: o que Fazer e o que Não Fazer, 660 Indicações e Doses de Medicamentos de Uso Rotineiro, 661

Índice, 729

C0065.indd xii

08/01/13 10:54 AM


REFERÊNCIA RÁPIDA PARA O TRATAMENTO DO PACIENTE NA EMERGÊNCIA A Abdômen condição aguda, 77 Abdominocentese (Paracentese), 7 Aborto espont neo, 138 Acidose metabólica, 33q Alcalose metabólica, 33q Analgesia 2-antagonistas para, 70t epidural, 76 Anestesia despertar durante, 97t epidural, 76 local, infusão, 58f Ânion gap, 39 Arritmias cardíacas, 119 Asma, 267 Azotemia pós-renal, 290 pré-renal, 288

B Bandagem, 9 Bradiarritmias, 122 Bronquite, em gatos, 266 medicamentos utilizados no tratamento de, 267 Bufotoxina, envenenamento por, 151

C Capnometria, 49 Cateterização arterial de demora, manutenção de, 64 intraósseo, 64 percut nea da artéria femoral, 63 veia cefálica, 61 Cérebro (Telencéfalo), lesıes no, 362 Cetoacidose diabética, 177 Choque ana lático, 92 cardiogênico, 278 elétrico, 133 hipovolêmico, 277 por calor, 145 séptico, 277 Coagulação, 583 no choque, 284 tempos de coagulação, 564t testes, 586 Coagulação intravascular disseminada, 99 Colapso de traqueia, 257 Colapso laríngeo, 257 Coma, 190 diabético, 192 escala de coma, 191t hepático, 192 Contusıes pulmonares, 267 Corpos estranhos em emergências respiratórias, 257 na cavidade oral, 158f no nus/reto, 163 no esôfago, 159 no intestino grosso, 163 no jejuno, 162f oculares, 199

D Dé cits/necessidades hídricas, 40 Dermatite bacteriana, 333t Diabetes hiperosmolar não cetótico, 178

C0070.indd xiii

Dilatação volvogástrica (DVG), 164 Distocia, 137 Distúrbios hemorrágicos, 97 Doença do trato urinário inferior dos gatos, 291 Dor aguda, 65 crônica, 67 de nição, 403

E Ecstasy, toxicidade, 236 Edema, 92 angioneurótico, 91q pulmonar, 268 Emergências cardíacas, 110 gástricas, 159 metabólicas, 175 neurológicas, 184 Emergências oncológicas, 204 na cavidade torácica, 207 síndromes paraneoplásicas nas, 205t toxicidade relacionada quimioterapia, 209 Emergências do trato urinário, 288 Emergências oculares, 195 abrasão corneana das pálpebras, 198 corpo estranho ocular nas pálpebras, 199 da pálpebra, 196 glaucoma agudo, 202 hemorragia subconjuntival das pálpebras, 197 hifema, 200 laceração conjuntival, 197 lesão corneana penetrante, 199 lesıes químicas nas pálpebras, 197 proptose, 201 Eméticos, 218t Enema, uso do, 219 Epididimite, 141 Epistaxe, 270

F Fluidoterapia, 40 Feridas aberta, contaminada e infectada, 8 classi cação e tratamento das, 272 fechada, 10 tecido mole, super cial, 274 Fisiologia ácido-básica, 34 Fluidos corporais, 559 Fraturas imobilização de, 11 osso peniano, 142 tratamento, 153

G Gasometria arterial e venosa, 577 Gastrite aguda, 170 Gastroenterite hemorrágica, 170 Glaucoma agudo, 202 secundário, a hifema, 202

H Hemostasia, 583 Hemotórax, 264 Hérnia de disco, 187 diafragmática, 265 estrangulada, 169

08/01/13 11:24 AM


Hipercalcemia, 180 Hipercalemia, 36q Hipernatremia, 39q Hipertensão sistêmica, 174 fármacos, 176t Hipertermia, 145 maligna, 146 Hipocalcemia (Tetania puerperal), 179 Hipocalemia, 37q Hipoglicemia, 179 Hiponatremia, 38q Hipotensão, 95 Hipotermia, 145 Hipóxia, tipos de, 46t

I Insu ciência cardíaca congestiva em, 125 Insu ciência renal adrenocortical aguda (HAC, Doença de Addison), 180 intrínseca, 289 Intestino delgado obstrução do, 160 volvo mesentérico do, 167 Intoxicação por rodenticida antagonista de vitamina k, 104 Intubação nasoesofágica, 503 Intussuscepção aguda, 163

L Laparotomia exploratória, 82 Lavagem endotraqueal em cães, 544f em gatos, 538f procedimento, 536 Lavagem orogástrica, 45 Lesão cabeça, 184 medula espinhal, 187 ligamentos, 156 tecidos moles, 272 Lesão química, 109

M-N Medula espinhal, lesão, 187 Meningite, sinais clínicos, 83t Metrite aguda, 136 Micção descontrolada, 418 Mucosa oral, exame, 308 Neurológicas, emergências, 184

O Obstipação, 168 Obstrução das vias aéreas superiores diagnóstico diferencial da, 255q tratamento da, 256 Orquite infecciosa, 141 Otite externa/interna, 132 Oxigênio nasal, 47 Oxigenioterapia, 45 Oximetria de pulso, 48

P Paciente com descompensação rápida, 6 Pancreatite, 171 Parada cardíaca, 110 Para mose, 143 Paralisia laríngea, 256 Perfuração intestinal, 169 Perfusão renal, manutenção, 222q Pericardiocentese, 129 Piometra, 134 Piotórax, 263

C0070.indd xiv

Pneumonia por aspiração, 267 Pneumotórax, 259 Potássio suplementação intravenosa de, em cães/gatos, 37t testes bioquímicos para, 569 Pressão venosa central (PVC), monitoramento materiais, 31q por imagem, 57f técnica de Seldinger, 56 Prolapso retal, 169 uretral, 143 uterino, 134 vaginal, 137 Proptose, 201 Prostatite aguda, 142 Picada de aranha, 150 Picada de cobra, 147

Q Q ueimaduras, 105 estimativa do percentual de queimadura:regra dos nove, 106t lesão térmica, 105 Q uilotórax, 263

R Radiação, 109 Regra dos nove no paciente queimado, 106t Regra dos vinte no paciente em choque, 279 Ressuscitação cardiorrespiratória cerebral de tórax aberto, 116 Ruptura uterina, 136

S Sangue venoso procedimento de prova cruzada, 22 tubos de coleta, guia para, 551t Síndrome da resposta in amatória sistêmica (SIRS), 278t Síndrome das vias aéreas braquicefálicas, 257 Síndrome de grandes alturas, 157 Síndromes paraneoplásicas, 205t

T Taquicardia, 95 medicamentos e doses usadas para tratamento de, 282t Técnicas de acesso vascular, 54 Terapia com hemocomponentes, 25 Tipagem sanguínea, 20 em cães, 594 em gatos, 594 Tireotoxicose, 183 Toracocentese, 50 Torção uterina, 138 Toxinas, 211 Traqueostomia, 52 Trauma/torção testicular, 141 Trauma escrotal, 139 Trauma musculoesquelético, 152 Trombocitopatia, 98q Tromboembolismo pulmonar, 269 sistêmico, 287

U Uroabdome, 291 Uro-hidropropulsão, 543 Urticária, 92

V Ventilação mec nica, 48 Volvo mesentérico, intestino delgado, 167

08/01/13 11:24 AM


VALORES NORMAIS EM PATOLOGIA CLÍNICA Os valores normais de exames laboratoriais são muito variáveis, dependendo do sexo, da raça e da idade do paciente, assim como do laboratório. Os valores apresentados nas tabelas seguintes representam apenas referência aproximada. Valores de Exames Bioquímicos de Rotina Teste

Unidade

Ácido úrico mg/dL Ácidos biliares mmol/L (pós) Ácidos biliares mmol/L (pré) Albumina g/dL ALP U/L ALT U/L Amilase U/L Amônia mg/dL Ânion gap AST U/L Bilirrubina mg/dL total Cálcio mg/dL Creatinina U/L cinase Cloreto mEq/L mEq/L Co2 Colesterol mg/dL Creatinina mg/dL D-xilose mg/dL Fósforo mg/dL GGT U/L Glicose mg/dL Hemoglobina mg/dL plasmática livre Lipase U/L Magnésio mg/dL Metemoglobina mg/dL Osmol Potássio mEq/L Proteína total g/dL Proporção proteína/creatinina anormal limítrofe normal SDH U/L Sódio mEq/L Triglicérides mg/dL Ureia mg/dL sanguínea Ureia sanguínea/ creatinina

Cão

Gato

0,0-0,9 <15

0,2-0,8 <10

0-5

0-3

3-4,2 1-145 5-65 235-870 19-120 6-16 10-56 0,0-0,4

2,3-3,5 1-80 19-91 170-1250 100-300 8-20 9-53 0,0-0,6

9,5-11,5 55-309

8,9-11,3 55-382

108-121 15-26 115-300 0,5-1,5 70-90 2,2-6,6 – 80-125 <10

117-128 12-21 50-150 0,6-1,4

60-500 1,4-2,2 0-5 282-303 3,6-5,6 4,7-7,3

10-220 1,8-2,6 299-319 3,9-6,3 5,5-7,6

>1 0,5-1 <0,5 – 141-151 20-85 6-24

149-158 0-105 14-33

5,1-34,1

6,1-31,7

3,8-8,2 0-4 50-150 <10

Variação de Referência em Gasometria Arterial

C0075.indd xv

mg/dL

4,93-5,65

4,93-5,65

mmol/L mmHg

17-25 24-38 7,35-7,48 85-100

15-22 29-42 7,23-7,43 78-100

mmHg

Teste

Unidade

Cão

Gato

CHCM Fibrinogênio HCM Hemácias Hematócrito Hemoglobina Leucócitos PCT PDW Plaquetas RDW Reticulócitos (Pontilhados) TPP VCM VPM

g/dL g/dL pg ×10−3/mL % g/dL ×10−3/mL % 10 /mL % /mL /mL g/dL fl fl

33,6-36,6 0,2-0,4 21,8-26 5,71-8,29 38,5-56,7 13,5-19,9 4,1-13,3 0,11-0,35 15,3-18,1 160-425 12,5-16,5 0-1,5 0 5,8-7,2 64-73 6-11

31,5-36,5 0,15-0,3 12,9-17,7 5,74-10,5 26,1-46,7 8,8-16 3,4-15,7 0,15-0,89 15,3-19,7 160-489 15,6-21,2 0-0,4 1,4-10,4 5,7-7,5 39,2-50,6 9,3-19,7

Diferencial Basófilos Bastonetes Eosinófilos Linfócitos Monócitos Segmentados

Percentual % % % % % %

0-1 0-1 0-9 8-38 1-9 51-84

0-2 0-1 0-12 7-60 0-5 34-84

Diferencial Basófilos Bastonetes Eosinófilos Linfócitos Monócitos Segmentados

Absoluto ×10−3 ×10−3 ×10−3 ×10−3 ×10−3 ×10−3

0-0,13 0-0,13 0-1,2 0,3-5,1 0-1,2 2,1-11,2

0-0,3 0-0,16 0-1,9 0,2-9,4 0-0,8 12-13,2

CHCM = concentração de hemoglobina corpuscular média; HCM = hemoglobina corpuscular média; PCT = total de células plasmáticas; PDW = extensão ou amplitude de distribuição de plaquetas; TPP = proteína plasmática total; RDW = extensão ou amplitude de distribuição de hemácias; VCM = volume corpuscular médio; VPM = volume plaquetário médio.

Valores Normais na Urinálise

ALP = fosfatase alcalina; ALT = alanina aminotransferase; AST = aspartato aminotransferase; GGT = gama-glutamiltransferase; SDH = sorbitol desidrogenase.

Cálcio ionizado HCO3 PCO2 pH PO2

Hematologia

Cão Bilirrubina Cor Densidade pH Proteínas, cetonas glicose hemoglobina urobilinogênio Turbidez Volume

Gato

Negativa-traço Amarelo-clara 1,015-1,045 5-7 Negativo

Negativa Amarelo-clara 1,015-1,060 5-7 Negativo

Claro 24-40 mL/kg/dia

Claro 22-30 mL/kg/dia

08/01/13 11:56 AM


SEÇÃO 1

Cuidados de Emergência Elisa M. Mazzaferro e Richard B. Ford

Manejo Pré-hospitalar do Animal Traumatizado, 2 Avaliação da Cena, 2 Exame Inicial, 2 Preparação para o Transporte, 3 Exame, Manejo e Triagem Iniciais de Emergência, 3 Avaliação Inicial e Procedimentos de Reanimação Emergenciais, 3 Exames Auxiliares de Diagnóstico, 5 Resumo do Estado do Paciente, 6 O Paciente com Rápida Descompensação, 6 Procedimentos Diagnósticos e Terapêuticos de Emergência, 7 Paracentese Abdominal e Lavado Peritoneal Diagnóstico, 7 Técnicas de Colocação de Bandagem e Tala, 8 Terapia com Hemocomponentes, 19 Mensuração da Pressão Venosa Central, 30 Fluidoterapia, 31 Lavagem Orogástrica, 45 Suplementação de Oxigênio, 45 Oximetria de Pulso, 48 Capnometria (Monitoração da Concentração de Dióxido de Carbono Expirado), 49 Toracocentese, 50 Traqueostomia, 52 Uro-hidropropulsão, 54 Técnicas de Acesso Vascular, 54 Dor: Avaliação, Prevenção e Controle, 65 Impacto Fisiológico da Dor não Tratada, 66 Reconhecimento e Avaliação da Dor, 66 Controle da Dor Aguda em Pacientes Emergenciais Graves ou em Cuidados Intensivos e Traumatizados, 68 Tratamento Farmacológico da Dor: Analgésicos Maiores, 69 Analgésicos Menores, 73 Fármacos Analgésicos Adjuvantes, 73 Técnicas de Anestesia Local e Regional para o Paciente em Emergência, 74 Tratamento de Emergência de Condições Específicas, 77 Abdome Agudo, 77 Terapias Adjuvantes, 79 Choque Anafilático (Anafilactoide), 91 Edema Angioneurótico e Urticária, 92 Complicações e Emergências Anestésicas, 93 Distúrbios Hemorrágicos, 97 Queimaduras, 105 Emergências Cardíacas, 110 Emergências Otológicas, 131 Lesão Elétrica e Choque Elétrico, 133 Emergências da Genitália Feminina e do Trato Reprodutivo, 134 Emergências da Genitália Masculina e do Trato Reprodutivo, 139 Emergências Ambientais e Domésticas, 144 Fraturas e Trauma Musculoesquelético, 152 Emergências Gastrointestinais, 157 Hipertensão Sistêmica, 174 1


2

1

1

CUIDADOS DE EMERGÊNCIA

Emergências Metabólicas, 176 Emergências Neurológicas, 184 Emergências Oculares, 195 Emergências Oncológicas, 204 Venenos e Toxinas, 211 Emergências Respiratórias, 254 Doenças Pulmonares, 266 Lesões Superficiais de Tecido Mole, 272 Choque, 276 Tratamento do Paciente em Choque, 279 Tromboembolismo: Sistêmico, 286 Emergências do Trato Urinário, 288

MANEJO PRÉ-HOSPITALAR DO ANIMAL TRAUMATIZADO AVALIAÇÃO DA CENA 1. Peça ajuda! Geralmente há necessidade de mais de uma pessoa no local do acidente para dar assistência ao animal e evitar lesão ao animal e às pessoas presentes. 2. Caso o acidente tenha ocorrido em uma zona de tráfego de carros, alerte os motoristas que se aproximarem do animal traumatizado na estrada. O alerta poderá ser feito por meio de uma peça de roupa ou outro objeto que chame a atenção dos motoristas que estiverem se aproximando. Cuidado para não ser ferido por motoristas que podem não vê-lo ou identificá-lo ao se aproximarem! 3. Caso o animal esteja consciente, evite se machucar enquanto o move para um local seguro. Utilize um cinto, corda ou pedaço de pano comprido para fazer uma mordaça e conter a cabeça do animal de forma segura. Caso isso não seja possível, cubra a cabeça do animal com uma toalha, cobertor ou casaco antes de movê-lo para evitar que ele o morda. 4. Caso o animal esteja inconsciente ou imóvel, mova-o para um local seguro com um material de apoio para as costas, que pode ser feito utilizando-se uma caixa, porta, tábua plana, cobertor ou lençol. EXAME INICIAL 1. Há patência de vias aéreas? Caso haja ruídos respiratórios ou o animal esteja em estupor, estenda a cabeça e pescoço delicada e cuidadosamente. Se possível, tracione a língua. Limpe o muco, sangue ou vômito da boca. Em animais inconscientes, mantenha a estabilidade da cabeça e do pescoço. 2. Procure por sinais de respiração. Caso não haja evidência de respiração ou a mucosa oral esteja cianótica, inicie a respiração boca-nariz. Circunde a região do focinho com suas mãos e assopre no interior da narina de 15 a 20 vezes por minuto. 3. Há evidência de função cardíaca? Verifique se há um pulso palpável nos membros pélvicos ou um batimento apical sobre o esterno. Caso não sejam encontrados sinais de função cardíaca, inicie as compressões cardíacas externas de 80 a 120 vezes por minuto. 4. Há alguma hemorragia? Utilize um pano limpo, toalha, papel-toalha, fralda descartável ou absorvente feminino para cobrir o ferimento. Pressione firmemente para reduzir a hemorragia e evitar perdas sanguíneas adicionais. Não utilize um torniquete, pois este poderá causar lesão adicional. Pressione, e, à medida que o sangue penetrar na primeira camada do material da bandagem, coloque uma segunda camada sobre ela. 5. Cubra qualquer ferimento externo. Utilize um material de bandagem limpo embebido em água morna e transporte o animal para um centro de emergência veterinária mais próximo. Investigue imediatamente procurando feridas penetrantes no abdome e tórax. 6. Há alguma fratura evidente? Imobilize fraturas com talas caseiras feitas de jornal, cabo de vassoura ou galhos de árvore. Amordace o animal antes de tentar colocar qualquer tala. Caso uma tala não possa ser colocada de forma segura, envolva o animal com uma toalha ou cobertor e o transporte para um centro de emergência veterinária mais próximo.


EXAME, MANEJO E TRIAGEM INICIAIS DE EMERGÊNCIA

3

7. Há alguma queimadura? Coloque toalhas geladas e úmidas sobre a área queimada e vá trocando por outras quando as toalhas atingirem a temperatura corporal. 8. Cubra o animal para mantê-lo aquecido. Caso o animal esteja tremendo ou em choque, envolva-o em um cobertor, toalha ou casaco e o transporte para o centro de emergência veterinária mais próximo. 9. O animal está apresentando hipertermia (por intermação/insolação)? Resfrie o animal com toalhas úmidas à temperatura ambiente (não fria) e o transporte para um centro de emergência veterinária mais próximo. PREPARAÇÃO PARA O TRANSPORTE 1. Telefone antes! Informe ao centro veterinário que você está chegando. Esteja preparado com números e locais de emergência disponíveis. 2. Mova o paciente traumatizado cuidadosamente. Utilize a mesma abordagem da retirada do animal da via de tráfego e coloque-o no banco de trás do carro. 3. Dirija com cuidado. Não transforme um acidente em dois. O ideal é que, enquanto uma pessoa dirige o carro, outra esteja com o animal.

EXAME, MANEJO E TRIAGEM INICIAIS DE EMERGÊNCIA O exame do animal com traumatismo agudo que está inconsciente e em choque e apresenta hemorragia aguda ou dificuldade respiratória deve ser feito simultaneamente ao tratamento imediato e agressivo para estabilizar o paciente. Como, em geral, não há tempo para uma anamnese detalhada, o diagnóstico baseia-se principalmente nos achados do exame físico e testes simples de diagnóstico. A triagem é a arte e a habilidade de avaliar pacientes rapidamente e classificá-los de acordo com a urgência requerida do tratamento. O reconhecimento imediato e o pronto atendimento podem salvar o animal. AVALIAÇÃO INICIAL E PROCEDIMENTOS DE REANIMAÇÃO EMERGENCIAIS Realize um exame breve, mas completo e sistemático, de todo animal, considerando o ABC [airway (via aérea); breathing (respiração); circulation (circulação)] mais importantes para qualquer paciente emergencial. ABC A = Viaa érea Há patência de vias aéreas? Puxe a língua do paciente para fora e remova qualquer material que esteja obstruindo a via aérea. Talvez seja necessário realizar sucção e utilizar um laringoscópio. Realize a intubação ou coloque uma fonte de oxigênio transtraqueal caso haja necessidade de suplementação de oxigênio. A traqueostomia de emergência poderá ser necessária na ocorrência de obstrução de via aérea superior que não possa ser solucionada imediatamente com os procedimentos anteriores. B = Respiração O animal está respirando? Caso o animal não esteja respirando, intube a traqueia imediatamente e inicie a ventilação artificial com uma fonte de suplementação de oxigênio (ver Parada Cardíaca e Reanimação Cerebrocardiopulmonar, nesta seção). Se o animal estiver respirando, quais são a frequência e o padrão respiratórios? A frequência respiratória está normal, aumentada ou diminuída? O padrão respiratório está normal ou a respiração está rápida e superficial ou lenta e profunda com dificuldade inspiratória? Os ruídos respiratórios estão normais ou há um estridor agudo alto na inspiração, característico de uma obstrução em via aérea superior? O animal está com a cabeça estendida e os cotovelos afastados do corpo, ou seja, ortopneia? As comissuras bucais se movimentam durante a inspiração e expiração? Há evidência de dificuldade expiratória com um esforço abdominal na expiração? Observe a parede torácica lateral. As costelas se movimentam para fora e para dentro com a inspiração e expiração ou há movimento paradoxal da parede torácica em que uma área se move para dentro durante a inspiração e para fora durante a expiração, sugestivo de uma instabilidade torácica? Há algum enfisema subcutâneo sugestivo de lesão de via aérea?

1


4

1

1

CUIDADOS DE EMERGÊNCIA

Ausculte o tórax bilateralmente. Os sons respiratórios estão normais? Eles soam ásperos com crepitações decorrentes de pneumonia, edema pulmonar ou contusões pulmonares? Os sons pulmonares estão abafados devido à efusão pleural ou pneumotórax? Há ruídos respiratórios em um gato com bronquite (asma)? Qual é a cor das membranas mucosas? As membranas mucosas estão cor-de-rosa e normais ou pálidas ou cianóticas? Palpe a região cervical para verificar se há deslocamento de traqueia e enfisema subcutâneo, assim como a região torácica para evidenciar fratura de costelas e também enfisema subcutâneo. C = Circulação Qual é a condição circulatória? Qual é a condição da frequência e ritmo cardíaco do paciente? Você consegue ouvir o coração, ou ele está abafado por causa de hipovolemia, efusão pleural ou pericárdica, pneumotórax ou hérnia diafragmática? Palpe o pulso. A qualidade do pulso está forte e regular ou há pulsos filiformes e irregulares? Qual é o ritmo do eletrocardiograma (ECG) e o valor da pressão arterial (PA) do paciente? Há hemorragia arterial? Repare se há presença de algum sangramento. Seja cuidadoso caso haja algum sangue no pelo. Use luvas. O sangue poderá ser do paciente, e as luvas ajudarão a evitar contaminação adicional de qualquer ferimento; ou ainda, o sangue poderá ser de uma pessoa que inicialmente socorreu o animal. Caso haja ferimentos externos, observe suas características e condições. Coloque uma bandagem compressiva sobre qualquer sangramento ou ferimento externo para evitar hemorragia adicional ou contaminação por organismos nosocomiais. Estabeleça um acesso venoso de grande calibre ou intraósseo (ver Técnicas de Acesso Vascular, nesta seção). Caso haja choque hipovolêmico ou hemorrágico, institua imediatamente os procedimentos de reposição volêmica. Inicie com um quarto da dose calculada para os líquidos cristaloides para o tratamento do choque (0,25 × [90 mL/kg] para cães; 0,25 × [44 mL/kg] para gatos) e avalie novamente os parâmetros de perfusão sanguínea: frequência cardíaca, tempo de preenchimento capilar e PA. Caso haja suspeita de contusões pulmonares, o uso de coloides, como o amido hidroxietílico na dose de 5 mL/kg em bolus crescentes, pode melhorar a perfusão sanguínea com um volume menor de fluido administrado. Em casos de traumatismo craniano, a solução de cloreto de sódio hipertônica (7%) pode ser administrada (4 mL/kg em bolus intravenoso) associada ao amido hidroxietílico. A hemorragia abdominal aguda causada por traumatismo pode ser tamponada com uma bandagem compressiva nesta região. Após o ABC imediatos, prossiga com o restante do exame físico e tratamento utilizando o recurso mnemônico A CRASH PLAN: airway (via aérea); cardiovascular (sistema cardiovascular); respiratory (sistema respiratório); abdomen (abdome), spine (coluna vertebral); head (cabeça); pelvis (pelve); limbs (membros); arteries (artérias); nerves (nervos). A CRASH PLAN A = Viaa érea C e R = Sistemas Cardiovascular e Respiratório A = Abdome Palpe o abdome do paciente. Há alguma dor ou lesão penetrante? Observe o umbigo do paciente, pois o avermelhamento ao seu redor poderá ser sugestivo de hemorragia intra-abdominal. Há líquido ou neoformação palpável? Examine as regiões inguinal, caudal, torácica e paralombar. Faça tricotomia dos pelos para examinar o paciente quanto à presença de contusões ou feridas perfurantes. Percuta e ausculte o abdome para avaliar a presença de gases e os borborigmos gastrointestinais. S = ColunaV ertebral Palpe a coluna vertebral do animal para verificar a simetria. Há alguma dor ou aumento de volume evidente ou presença de fratura? Realize um exame neurológico desde a primeira vertebral cervical até a última vértebra da cauda. H = Cabeça Examine olhos, ouvidos, boca, dentes e focinho e avalie a resposta à atividade sensorial e motora promovida pelos nervos cranianos. Aplique um corante fluorescente nos olhos para verificar a presença de úlceras de córneas em qualquer ocorrência de traumatismo craniano. Há anisocoria ou síndrome de Horner?


EXAME, MANEJO E TRIAGEM INICIAIS DE EMERGÊNCIA

5

P = Pelve Realize um exame retal. Palpe para investigar a presença de fratura ou hemorragia. Examine a genitália externa. L = Membros Examine as extremidades torácica e pélvica. Há alguma fratura aberta (exposta) ou fechada evidente? Coloque rapidamente uma tala nos membros para evitar danos adicionais e auxiliar no controle da dor. Examine pele, músculos e tendões. A = Artérias Palpe as artérias periféricas para avaliar os pulsos. Pode-se utilizar o Eco-Doppler para avaliação do pulso caso haja presença de doença tromboembólica. Mensure a PA do paciente. N = Nervos Observe e avalie o grau de consciência, o comportamento e a postura do animal. Verifique frequência, padrão e esforço respiratório. O paciente está consciente, obnubilado ou comatoso? As pupilas estão simétricas e responsivas à luz, ou há anisocoria? O paciente exibe alguma postura anormal, como a postura de Schiff-Sherrington (membros torácicos rígidos e estendidos e paralisia flácida de membros pélvicos), que pode indicar traumatismo grave de coluna com lesão medular? Examine os nervos periféricos para avaliar os estímulos motores e sensoriais de membros e cauda. EXAMES AUXILIARES DE DIAGNÓSTICO TÉCNICAS HEMODINÂMICAS Realize eletrocardiografia, monitoração direta ou indireta da PA e oximetria de pulso em qualquer paciente em emergência. TÉCNICAS DE IMAGEM Obtenha radiografias do tórax e abdome em qualquer animal que tenha sofrido uma lesão traumática quando a sua condição estiver mais estável e possa tolerar o posicionamento para esses procedimentos. Radiografias exploratórias podem revelar pneumotórax, contusões pulmonares, hérnia diafragmática, efusão pleural ou abdominal e pneumoperitônio. AFAST E TFAST1 Têm-se descrito as avaliações centradas no abdome e tórax após o trauma (AFAST e TFAST) para identificação de líquido livre abdominal e de ar e líquido livre torácico (incluindo pericárdio). Durante a ultrassonografia, pode-se avaliar quatro quadrantes abdominais, pela: (1) visualização do diafragma ou fígado na linha média ventral imediatamente caudal ao esterno, (2) visualização esplenorrenal no quadrante lateral esquerdo, (3) visualização cistocólica na linha média ventral sobre a bexiga urinária e (4) visualização hepatorrenal na lateral direita. Para avaliação do tórax, posiciona-se o paciente em decúbito lateral, e o transdutor (probe) do ultrassom é direcionado ao plano horizontal no aspecto dorsal do nono espaço intercostal. Nos planos transverso e longitudinal caudal ao cotovelo, pode-se avaliar a presença de efusão pericárdica e pleural. A avaliação pelo ultrassom é rápida e pode revelar a ocorrência de hemorragia. Assim como em outras técnicas ultrassonográficas, às vezes os resultados do AFAST e TFAST dependem do operador. TESTES DE LABORATÓRIO Os testes de diagnóstico imediatos devem incluir hematócrito, proteínas totais, glicose, nitrogênio não proteico (NNP) e densidade urinária. O hemograma e a contagem de plaquetas, assim como a realização de hemogasometria arterial e eletrólitos, parâmetros de coagulação (tempo de Nota da Tradução: Acrônimos de Abdominal and Thoracic Focussed Assessment with Sonography after Trauma.

1

1


6

1

1

CUIDADOS DE EMERGÊNCIA

coagulação ativado [TCA], tempo de protrombina [TP], tempo de tromboplastina parcial ativada [TTPA]), perfil bioquímico sérico, lactato sérico e urinálise, deverão ser considerados para a melhor avaliação clínica do paciente EXAMES INVASIVOS Pode ser necessária a realização de técnicas de exames invasivos de diagnóstico, incluindo-se toracocentese, paracentese abdominal e lavado peritoneal diagnóstico (LPD). RESUMO DO ESTADO DO PACIENTE Após concluir o exame físico inicial, responda às seguintes questões: Qual o tratamento de suporte requerido neste momento? Há necessidade de procedimentos de diagnósticos adicionais? Em caso afirmativo, quais procedimentos; e o paciente está estabilizado o suficiente para tolerá-los sem estresse adicional? Deve-se instituir um período de observação suplementar antes de se iniciar um plano terapêutico mais definitivo? Há necessidade de intervenção cirúrgica imediata? Há necessidade de tratamento de suporte intensivo antes da cirurgia? Quais riscos anestésicos são evidentes? O PACIENTE COM RÁPIDA DESCOMPENSAÇÃO Os animais que não respondem à reanimação inicial geralmente apresentam distúrbios fisiológicos graves contínuos ou preexistentes que contribuem para a grande instabilidade cardiovascular e metabólica. O clínico deverá estar atento à ocorrência de descompensação orgânica em um paciente que não responde ou responde de forma incompleta aos esforços iniciais de reanimação (Quadros 1-1 e 1-2).

QUADRO 1-1

SINAIS CLÍNICOS DE DESCOMPENSAÇÃO

Pulso periférico fraco ou de baixa qualidade Extremidades periféricas frias Cianose ou membranas mucosas acinzentadas Membranas mucosas pálidas Tempo de preenchimento capilar prolongado Temperatura corporal aumentada ou diminuída Débito urinário reduzido em um paciente euvolêmico Confusão ou estado mental alterado

QUADRO 1-2

Depressão Taquicardia ou bradicardia Hematócrito em declínio Abdome distendido, dolorido Arritmia cardíaca Padrão respiratório anormal Dificuldade ou agonia respiratória Perda sanguínea gastrointestinal via êmese ou pelas fezes

CAUSAS DE DESCOMPENSAÇÃO AGUDA

Insuficiência renal aguda Síndrome da angústia respiratória aguda Ruptura intestinal e gástrica Arritmia cardíaca Edema e hemorragia no sistema nervoso central e herniação de tronco cerebral Coagulopatias, incluindo-se coagulação intravascular disseminada

Hemorragia interna Síndrome da falência múltipla de órgãos Pneumotórax Contusão pulmonar Tromboembolismo pulmonar Sepse ou choque séptico Síndrome da resposta inflamatória sistêmica Ruptura de bexiga urinária


SEÇÃO 2

Avaliação do Paciente e Exame dos Sistemas Orgânicos Richard B. Ford e Elisa M. Mazzaferro Avaliação do Paciente, 293 Avaliação do Proprietário sobre a Saúde do Animal: O Teste “BEETTS”, 293 Avaliação Clínica Inicial: a Lista de Problemas, 295 O Prontuário, 299 Conteúdo do Prontuário, 299 O Exame dos Sistemas Orgânicos, 301 Sistema Digestório, 301 Exame Cardiopulmonar, 312 Tegumento (Pele, Pelagem e Unhas), 324 Exame Oftálmico (Ocular), 335 Exame Ótico (Ouvidos), 341 Exame dos Linfonodos e da Tireoide, 343 Exame Musculoesquelético (Ortopédico), 344 Exame do Sistema Nervoso, 352 Exame dos Órgãos Genitais: Cão – Macho, 364 Exame dos Órgãos Genitais: Cão – Fêmea, 365 Comportamento e Fisiologia Reprodutivos Normais, 367 Exame do Sistema Respiratório Superior, 369 Exame do Sistema Respiratório Inferior, 370 Exame dos Órgãos Urinários, 375

AVALIAÇÃO DO PACIENTE AVALIAÇÃO DO PROPRIETÁRIO SOBRE A SAÚDE DO ANIMAL: O TESTE “BEETTS” A maioria dos proprietários de animais de companhia, particularmente aqueles inexperientes em criação, tem entendimento limitado a respeito da saúde dos animais e, por essa razão, não está bem preparada para reconhecer precocemente sinais da doença em um cão ou gato. Os distúrbios médicos mais comuns não são totalmente reconhecidos pelos proprietários (p. ex., acúmulo de cálculo dentário e úlceras gengivais), ou seu tratamento pode ser adiado até o animal apresentar a doença em estágio avançado. Ironicamente, poucos médicos veterinários usam algum tempo para ensinar aos proprietários dos animais de companhia como avaliar (proativamente) a saúde de seus animais. Educando os proprietários sobre como reconhecer prematuramente as mudanças no estado de saúde, não só o encoraja a estarem atentos precocemente aos problemas de saúde em potencial, como também auxilia na pronta intervenção dos veterinários. Algo simples para lembrar, um exame prescrito para proprietários é o teste BEETTS* (pronunciado “bits”). Este acrônimo representa um recurso para os proprietários dispostos a contribuir em relatar as mudanças importantes na atividade dos animais ou na aparência física dos mesmos, que os alertará para problemas comuns menores e, possivelmente, para os problemas mais sérios de saúde, desse modo evitando as consequências do diagnóstico e tratamento tardios. *Nota da Tradução: Em português o acrônimo é COODDP. 293


294

2 AVALIAÇÃO DO PACIENTE E EXAME DOS SISTEMAS ORGÂNICOS

C PARA COMPORTAMENTO Conheça seu Animal de Estimação! Os proprietários deveriam estar atentos a mudanças sutis no comportamento, que podem ser o primeiro sinal de uma doença subjacente. Várias mudanças de comportamento – como apetite reduzido ou ausência do mesmo e associado à perda de peso, aumento da sede, necessidade frequente de urinar ou defecar, agressividade sem causa aparente, relutância para brincar, dificuldade de ficar em pé ou lambedura persistente da pele (particularmente em um único local) – podem ser fortes indícios precoces de doença grave. Essas alterações frequentemente justificam a realização de um exame clínico e um perfil laboratorial.

2

O PARA OLHOS A assimetria dos olhos e das pálpebras (denotando dor ou lesão) é tão importante quanto a descoloração do olho (catarata, hemorragia intraocular) ou o acúmulo de muco sobre ou ao redor das pálpebras. Animais com os pelos cobrindo os olhos são razoavelmente considerados como tendo risco para doenças graves dos olhos, devido ao diagnóstico tardio. A avaliação frequente de ambos os olhos para checar a transparência dos cristalinos e córneas e a ausência de irritação é essencial. O PARA ORELHA Os proprietários devem estar alertas para sinais que possam indicar uma doença das orelhas (p. ex., “head-tilt” ou prurido, dor à manipulação, abrasões locais, descoloração, supuração, mau cheiro). Se a orelha pende sob a entrada do conduto auditivo externo, os proprietários devem estar preparados para inspecioná-la. Eles devem ser avisados para evitar inserir qualquer instrumento ou medicação dentro da orelha do animal, a menos que seja especificamente instruído a como fazê-lo. D PARA DENTES (E GENGIVAS) A relação entre a halitose e a doença dental ou gengival grave é importante, e assim a doença pode ser facilmente omitida se os dentes não são examinados regularmente. Os proprietários não são encorajados a abrirem a boca de um cão ou gato. Entretanto, a maioria dos cães permitirá que os proprietários levantem o seu lábio do animal e examine visualmente os dentes a fim de evidenciar danos ou descoloração. Isto é suficiente para o proprietário avaliar ocasionalmente a aparência externa (superfície labial) dos dentes e gengivas, uma ou duas vezes anualmente. O exame dos dentes dos gatos geralmente não é recomendado, por causa do risco de ser mordido. D PARA DEDOS (E UNHAS) A maioria dos proprietários não está atenta a quando ou como examinar as unhas dos animais de estimação. Apesar de as unhas dos gatos serem periodicamente mudadas e, normalmente, não requisitar aparas, as dos cães sedentários que vivem predominantemente dentro de casa merecem atenção mensal. Pelo fato de os cães poderem resistir a qualquer tentativa de manuseio ou exame das suas extremidades, os proprietários são instruídos a ouvir seus cães andando sobre uma superfície sem carpetes. Se o proprietário conseguir ouvir as unhas estalando contra o piso quando o animal andar, o aparo destas é indicado. Ocasionalmente, um proprietário irá expressar interesse em aparar ele mesmo as unhas do seu animal de companhia. É importante avisá-los sobre os riscos inerentes do que pode parecer um procedimento simples: dor, sangramento, resistência agressiva e até mordedura. Os proprietários dispostos a tentar aparar as unhas em casa devem ser instruídos sobre o equipamento a adquirir e como realizar o procedimento com segurança. P PARA PELE (E PELOS) A variedade dos tipos, comprimento e densidade de pelos faz do exame da pele um dos exames caseiros que o proprietário realiza menos frequentemente. A pele é o maior órgão do corpo, e vários distúrbios podem se desenvolver muitas semanas ou meses antes de se tornarem evidentes. Isto é particularmente verdadeiro em cães e gatos de pelos longos. Em complemento à escovação de rotina, que é benéfica em todos os cães e gatos, e os banhos ocasionais, os proprietários são instruídos a tocar completamente a pele e os pelos de seus animais de um modo sistemático. Uma técnica que os proprietários acham encantadora, começa com o proprietário parado atrás do


AVALIAÇÃO DO PACIENTE

295

animal. Iniciando na cabeça com uma das mãos ao redor de cada orelha do animal de estimação, o proprietário usa seus dedos, deslizando suavemente pela cabeça até a cauda, enquanto gentilmente massageia o animal e toca a superfície inteira da pele sobre o tórax e o abdome. Então, neste momento, comprimindo delicadamente com uma das mãos, o proprietário massageia cada membro da parte mais proximal ao tronco até as extremidades. AVALIAÇÃO CLÍNICA INICIAL: A LISTA DE PROBLEMAS Um diagnóstico correto é baseado na habilidade do clínico para avaliar e definir os problemas que estão afetando o paciente. Isto soa simples o bastante. Entretanto, a não ser que o termo “problema” esteja definido, fazer realmente uma avaliação diagnóstica completa do paciente simplesmente não é possível. Ao procurar um diagnóstico, o clínico astuto trabalha pela clara definição de um problema: 1. O histórico clínico: Qualquer anormalidade descrita pelo proprietário (caso a interpretação do proprietário esteja correta ou não) é um problema. 2. O exame físico: Qualquer anormalidade descoberta durante o exame físico é um problema (ver O Exame dos Sistemas Orgânicos nesta seção). 3. Quaisquer anormalidades de imagem (radiográficas ou ultrassonográficas) ou laboratorial são consideradas problemas. A lista de problemas, uma vez estabelecida, torna-se a base sobre a qual o diagnóstico é construído. Os problemas obviamente relacionados são agrupados e pode-se confirmar o diagnóstico ou sugerir que avaliações diagnósticas adicionais precisam ser realizadas para elucidar o diagnóstico. HISTÓRICO CLÍNICO O histórico clínico é um componente crítico da lista de problemas do paciente e frequentemente é a parte mais relevante da avaliação diagnóstica de um determinado animal. Requer conhecimento único e experiência para elucidar um histórico clínico imparcial e pertinente sobre a doença do animal. Alguns proprietários são observadores e podem facilmente comunicar informações importantes, ao passo que outros podem não ser atentos para certas anormalidades ou podem propositalmente reter informações. O histórico clínico é centrado, mas não limitado à queixa principal. A queixa principal é a razão pela qual o paciente está sendo levado ao clínico. O que deve ser registrado é um sinal (vômito), não um diagnóstico (enterite). Note a duração ou frequência dos sinais. Determine se a duração ou frequência está aumentada, diminuída ou permanece inalterada desde o princípio. É importante determinar se as condições gerais do animal desde o princípio da doença melhoraram, pioraram ou permanecem as mesmas. Faça perguntas abertas – aquelas que não irão prejudicar a resposta do proprietário. Por exemplo: “Fale-me sobre o consumo de água feito pelo seu cão”. Questões que requeiram somente um “sim” ou “não” como resposta tendem a introduzir predisposições – por exemplo: “Seu cão está em dia com a vacinação?” Se a resposta for “sim”, questionamentos adicionais como “qualquer outra coisa?”, “Como você faz?” ou “Fale-me sobre isto” podem induzir o proprietário a elaborar a resposta. Pela ampla utilização de medicações preventivas em animais de estimação (p. ex., dirofilária, pulgas, prevenção de carrapatos), uma completa lista de medicações é uma parte fundamental do histórico clínico. Se a mesma sequência de tomada da história e exame físico é seguida a cada momento, o procedimento gradualmente necessita de menos tempo e fatos importantes se tornam menos comuns de serem omitidos. O histórico clínico não é propriamente distinto do exame físico. Não é incomum o cliente estar completamente sem conhecimento de que uma anormalidade física está presente até ela ser apontada. Quando se examina o paciente, qualquer achado físico incomum ou inesperado justifica perguntas adicionais, como a relação do animal com o meio ambiente, a dieta, a exposição a outros animais, daí por diante. Por exemplo, a descoberta de lesões graves nos coxins plantares deve ser seguida prontamente de novas perguntas sobre as possíveis causas.

Nota: Falhar na obtenção da anamnese é o primeiro passo para um diagnóstico errado!

2


296

2 AVALIAÇÃO DO PACIENTE E EXAME DOS SISTEMAS ORGÂNICOS

EXAME FÍSICO O exame físico é o meio pelo qual o clínico avalia o estado de saúde do paciente mediante uma observação prática e sistemática dos sistemas orgânicos. É um passo fundamental na definição do problema e na avaliação diagnóstica objetiva do paciente. O exame físico é baseado na habilidade do clínico em distinguir o normal do anormal. A extensão do exame físico varia em pacientes individualmente. O exame físico do "animal sadio" é normalmente realizado quando se avaliam animais saudáveis trazidos para os cuidados rotineiros de saúde (p. ex., não há uma queixa principal). Os elementos básicos envolvidos no exame físico incluem:

2

SinaisV itais Temperatura, pulso, respiração e peso são os mais fundamentais parâmetros de saúde ao se examinar o paciente. Tempo de preenchimento capilar (TPC) é comumente mensurado (normal: <2 segundos), mas é ver um teste relativamente ruim para avaliar a perfusão capilar periférica. A pressão sanguínea (ver Seção 4) é mais sensível, mas necessita de operadores experientes para a obtenção de interpretações seguras e múltiplas mensurações a fim de se alcançar valores confiáveis. Embora o peso não seja estritamente um sinal “vital”, todos os pacientes devem ser pesados em todas as visitas. Comportamentoe Consciência Observar o comportamento do paciente, a atividade e o estado de alerta na sala de exame pode ser particularmente útil na avaliação do paciente com doença neurológica (encefálica) importante. Mesmo os animais que estão nervosos ou assustados no hospital podem ser avaliados e devem manifestar atenção moderada de seus arredores. Cães e gatos que são particularmente agressivos precisam ser contidos com extremo cuidado e avaliados para possíveis doenças neurológicas. Conformação e Escore da Condição Corpórea (ECC) Existem vários métodos para documentar a conformação e a condição corpórea em cães e gatos. A escala mais comumente aplicada vincula o uso de um sistema de 5 pontos. Fazer anotações apropriadas no prontuário permite ao clínico acessar, a todo tempo, outras mudanças na conformação, além de apenas verificar o peso. Os parâmetros para a escala dos 5 pontos estão listados nos tópicos seguintes: Grau 1/5 – Emaciado • Costelas, vértebras e ossos pélvicos facilmente vistos, mesmo a distância • Sem gordura corporal • Óbvia perda de massa muscular Ver Figura 2-1. Grau 2/5 – Subpeso (Magro) • Costelas podem ser vistas e facilmente sentidas • Ossos pélvicos estão proeminentes • Cintura e prega abdominal óbvias Grau 3/5 – Escore Corporal Normal • Costelas podem ser palpadas • Cintura óbvia quando vista por cima • Prega abdominal evidente Grau 4/5 – Sobrepeso • Costelas difíceis de serem palpadas, cobertas pela gordura • Notáveis depósitos de gordura sobre o dorso e a base da cauda • Cintura e prega abdominal dificilmente discerníveis


AVALIAÇÃO DO PACIENTE

297

Grau 5/5 – Obeso • Costelas não podem ser palpadas sob a densa capa de gordura • Depósito de gordura compacto sobre o dorso e a base da cauda • Nenhuma cintura ou prega abdominal Ver Figura 2-2.

2

Figura 2-1: Cão com um escore 1/5 da condição corpórea. O Escore da Condição Corpórea de 9 Pontos Uma alternativa que tem sido descrita é o escore da condição corpórea (ECC) de 9 pontos para gatos e cães. Nesse formato de pontuação, um ECC de 4 a 5 representa o peso e a conformação ideal. Um ECC menor do que 4 representa cães e gatos com baixa alimentação e subpeso, enquanto um ECC de 6 a 7 ou mais indica sobrecarga alimentar e animais com sobrepeso.

Figura 2-2: Gato com um escore de condição corpórea de 5/5.


298

2 AVALIAÇÃO DO PACIENTE E EXAME DOS SISTEMAS ORGÂNICOS

AVALIAÇÃO LABORATORIAL A avaliação clínica do animal doente requer obter um perfil laboratorial para acessar e caracterizar anormalidades hematológicas e bioquímicas. Anormalidades nos testes laboratoriais são componentes importantes da avaliação diagnóstica e são necessariamente incluídas, individualmente, na lista de problemas do paciente. Na clínica de animais de companhia, a realização de um perfil laboratorial é um procedimento-padrão na medicina veterinária. Embora os métodos de testes específicos utilizados e os testes analíticos variem de local para local. Os dados laboratoriais para qualquer cão ou gato doente deveria incluir muitos ou todos os testes listados na Tabela 2-1.

2

TABELA 2-1

Hematologia

Bioquímica

Exame de urina

Parasitas

Outros

Componentes da Base de Dados Laboratorial Mínima (MDB) para Cães e Gatos

Caninos

Felinos

O hemograma inclui o seguinte: • Contagem total de hemácias • Hematócrito ou volume globular • Dosagem de hemoglobina • Contagem de leucócitos totais • Contagem diferencial de células • Proteínas totais • Estimativa do número de plaquetas • Contagem de reticulócitos se o hematócrito do paciente estiver baixo (p. ex., <30%) Nota: Alguns laboratórios também fornecem índices hematimétricos: VCM, HCM e CHCM. Análises individuais incluem painéis bioquímicos que variam entre os laboratórios. (Ver Seção 5 para uma revisão abrangente das várias análises que estão normalmente incluídas.) Inclui o seguinte: • Densidade, cor e aparência • Bioquímica, usualmente inclui proteína, glicose, cetonas, sangue (hemoglobina) e urobilinogênio • Microscopia, inclui uma descrição dos tipos celulares e do número, bem como a presença de cristais, cálculos, bactérias, lipídios Flutuação fecal para parasitas intestinais Teste do antígeno para dirofilária

O hemograma inclui o seguinte: • Contagem total de hemácias • Hematócrito ou volume globular • Dosagem de hemoglobina • Contagem de leucócitos totais • Contagem diferencial de células • Proteínas totais • Estimativa do número de plaquetas • Contagem de reticulócitos agregados se o hematócrito do paciente estiver baixo (p.ex., <30%) Nota: Alguns laboratórios também fornecem índices hematimétricos: VCM, HCM e CHCM. Análises individuais incluem painéis bioquímicos que variam entre os laboratórios. (Ver Seção 5 para uma revisão abrangente das várias análises que estão normalmente incluídas.) Inclui o seguinte: • Densidade, cor e aparência • Bioquímica, usualmente inclui proteína, glicose, cetonas, sangue (hemoglobina) e urobilinogênio • Microscopia, inclui uma descrição dos tipos celulares e do número, bem como a presença de cristais, cálculos, bactérias, lipídios Flutuação fecal para parasitas intestinais Teste do vírus (antígeno) da leucemia felina e teste do vírus (anticorpo) da imunodeficiência felina

HCM, hemoglobina corpuscular média; CHCM, concentração de hemoglobina corpuscular média; VCM, volume corpuscular médio


SEÇÃO 3

Sinais Clínicos Richard B. Ford e Elisa M. Mazzaferro

Agressividade, 380 Alopecia, ver Perda de Pelos, 381 Ataxia, ver Incoordenação, 381 Aumento da Produção de Urina e do Consumo de Água: Poliúria e Polidipsia, 381 Cegueira, ver Perda Total da Visão, 382 Coceira: Prurido (ver também Perda de Pelos), 382 Coma: Perda de Consciência, 385 Constipação (Obstipação) (ver também Esforço para Defecar), 386 Convulsões (Epilepsia), 388 Defecção Dolorosa: Disquezia, ver Esforço para Defecar, 391 Diarreia Aguda, 391 Diarreia Crônica, 392 Dificuldade para Deglutir: Disfagia, 395 Dificuldade para Respirar ou Angústia Respiratória: Cianose, 396 Dificuldade para Respirar ou Angústia Respiratória: Dispneia, 397 Diminuição da Produção Urinária: Oligúria e Anúria, 398 Distensão Abdominal por Ascite, 400 Distensão Abdominal sem Ascite, 401 Dor, 403 Dor Retal e Anal, ver Esforço para Defecar, 404 Edema Articular: Artropatia, 404 Edema dos Membros, 405 Esforço para Defecar: Disquezia, 407 Esforço para Urinar: Disúria, 408 Espirro e Secreção Nasal, 410 Fraqueza, Letargia, Fadiga, 411 Hemorragia, 414 Icterícia, ver Pele ou Mucosas Amareladas, 416 Incoordenação: Ataxia, 416 Linfonodo Aumentado: Linfadenomegalia, 417 Micção Descontrolada: Incontinência Urinária, 418 Micção Dolorosa: Disúria, ver Esforço para Urinar, 419 Pele ou Mucosas Amareladas: Icterícia, 419 Perda de Pelos: Alopecia, 421 Perda de Peso: Emaciação, Caquexia, 423 Perda do Apetite: Anorexia, 423 Perda Total da Visão, 425 Regurgitação (ver também Dificuldade para Deglutir e Vômito), 427 Sangue na Urina: Hematúria, Hemoglobinúria, Mioglobinúria, 428 Surdez ou Perda de Audição, 430 Tosse, 431 Tosse com Sangue: Hemoptise (ver também Dificuldade para Respirar), 433 Vômito (ver também Regurgitação), 434 Vômito com Sangue: Hematêmese (ver também Vômito), 435

379


380

3

SINAIS CLÍNICOS

Nota: A seção de Sinais Clínicos desse manual visa facilitar a avaliação rápida e precisa de problemas iniciais individuais tal como eles podem ser interpretados pelo dono do animal de estimação e apresentados ao clínico. Cada sinal clínico é citado pela designação ou a expressão comum que pode ser usada pelos donos para descrever o problema. Um termo médico descritivo para o sinal clínico se segue quando apropriado. A interpretação e a avaliação corretas de sinais clínicos individuais são fundamentais para a avaliação e o diagnóstico de todo e qualquer paciente. Esse é o pilar de sustentação da terapia eficaz. Não reconhecer ou não interpretar os sinais clínicos em pacientes que não são capazes de se comunicar verbalmente é fracassar no esforço diagnóstico. A interpretação de sinais na medicina veterinária continua a ser uma habilidade que requer vigilância persistente, experiência e intuição. Não há absolutamente nenhum teste laboratorial, procedimento cirúrgico ou tecnologia de imagem sofisticada que possa substituir o papel do clínico.

AGRESSIVIDADE DEFINIÇÃO

3

Agressividade é uma condição (normal ou anormal) em cães e gatos caraterizada por comportamento ameaçador, destrutivo ou de ataque, podendo ser classificada como ofensiva ou defensiva. O conhecimento específico do padrão e tipo de agressão é fundamental para uma abordagem clínica efetiva. Deve-se descartar doenças que possam estar relacionadas com comportamento agressivo (p. ex., dor ou neoplasia intracraniana). MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS A agressividade pode ser resultado de distúrbios, particularmente os que afetam o encéfalo. Nesses pacientes, o início do comportamento agressivo é usualmente agudo e pode ser associado a outros sinais neurológicos que sugerem disfunção cerebral (p. ex., convulsões ou andar em círculos). Contudo, animais com dor também podem manifestar comportamento agressivo, como resposta ao estímulo doloroso. Animais com cegueira ou surdez uni ou bilateral podem manifestar agressividade ou esquiva quando manipulados, sem que isso seja necessariamente considerado um padrão de comportamento anormal. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL COMPORTAMENTO AGRESSIVO NO CÃO: DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE ACORDO COM A CAUSA COMPORTAMENTO AGRESSIVO DECORRENTE DE DISTÚRBIO ORGÂNICO Raiva Neoplasia intracraniana Hipoxia cerebral Atividade convulsiva Distúrbios neuroendócrinos

Agressão possessiva Agressão protetora (comida, brinquedos, cama) Agressão predatória Agressão decorrente do medo Agressão entre machos e entre fêmeas Agressão decorrente de dor, castigo e irritação Agressão maternal Agressão redirecionada

COMPORTAMENTO AGRESSIVO TÍPICO DA ESPÉCIE* Agressão por dominância De Young MS: Aggressive behavior. In: Ford RB, ed: Clinical signs and diagnosis in small animal practice, New York, 1988, Churchill Livingstone. *Esses padrões de comportamentos não são distúrbios. Eles são padrões típicos da espécie e, portanto, normais. A familiaridade com o comportamento agressivo normal típico do cão permite a percepção de padrões anormais.


AUMENTO DA PRODUÇÃO DE URINA E DO CONSUMO DE ÁGUA: POLIÚRIA E POLIDIPSIA

381

MÉTODOS DIAGNÓSTICOS 1. Perfil laboratorial e exame neurológico para avaliar a presença de dor ou doença orgânica subjacente (doença intracraniana). 2. Nota: Não é recomendada a administração de um fármaco psicotrópico como terapia empírica para agressão antes de determinar a causa possível e a tentativa de modificar o comportamento por meio de treinamento. COMPORTAMENTO AGRESSIVO NO GATO: DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE ACORDO COM A CAUSA COMPORTAMENTO AGRESSIVO DECORRENTE DE DISTÚRBIO ORGÂNICO Raiva Neoplasia e lesões intracranianas

COMPORTAMENTO AGRESSIVO TÍPICO DA ESPÉCIE*

Agressão na brincadeira Agressão territorial Agressão decorrente por medo Agressão decorrente dor Agressão maternal Agressão redirecionada

Agressão entre machos Agressão predatória *Esses padrões de comportamento não são necessariamente distúrbios. Eles são padrões de comportamento típicos da espécie e, portanto, normais. A familiaridade com o comportamento agressivo normal típico do gato permite a percepção de padrões anormais.

ALOPECIA: Ver Perda de Pelos: Alopecia. ATAXIA Ver Incoordenação: Ataxia. AUMENTO DA PRODUÇÃO DE URINA E DO CONSUMO DE ÁGUA: POLIÚRIA E POLIDIPSIA DEFINIÇÃO Na prática, poliúria e polidipsia, também abreviadas como PU/PD, são, de forma geral, interpretadas como um aumento da eliminação de urina e do consumo de água, respectivamente. Todavia, a PU verdadeira é um aumento anormal da produção de urina, normalmente de baixa densidade. Embora PD seja um aumento anormal ou absoluto do consumo de água, geralmente associado ao aumento da sede, a ingestão de água raramente é quantificada. O uso dos termos poliúria e polidipsia em geral se justifica quando um cliente apresenta um cão ou gato com aumentos subjetivos na frequência da micção e na ingestão de água como o problema primário. Quando não existe uma evidência clara do aumento da micção e do aumento da sede, pode ser necessária comprovação real da ingestão de água e do débito urinário em 24 horas. A PD é um sinal compensatório que se desenvolve subsequentemente à PU. A PD primária com PU compensatória é incomum. A PD primária subsequente ao aumento da sede pode causar PU secundária, mas este é um achado clínico incomum. Ingestão compulsiva de água (PD pseudopsicogênica) é provavelmente o tipo mais importante de PD primária, embora a causa subjacente não seja conhecida. Lesões hipotalâmicas, hipercalcemia e concentrações elevadas de renina plasmática são causas menos comuns de PD primária. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS As manifestações clínicas associadas a PU ou PD são variados e dependem da doença subjacente. Sinais sistêmicos incluem fraqueza, apetite diminuído, perda de peso, diarreia e febre. A polifagia com perda de peso ocorre em animais com diabetes mellitus e em gatos com hipertireoidismo.

3


382

3

SINAIS CLÍNICOS

Síndromes paraneoplásicas, especialmente hipercalcemia, podem desenvolver-se em associação a PU/PD. Um exame clínico abrangente e uma avaliação laboratorial se justificam em todos os pacientes que apresentam PU/PD como a queixa principal. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE POLIÚRIA E POLIDIPSIA POLIÚRIA DE ORIGEM RENAL Insuficiência renal Glomerulonefrite Disfunção tubular Disfunção medular renal Diurese pós-obstrutiva (p. ex., síndrome urológica felina) Diabetes insipidus (nefrogênico) Nefropatia hipercalcêmica Síndrome de Fanconi Diminuição da hipertonicidade da medula renal

POLIÚRIA DE CAUSAS NÃO RENAIS

3

Diabetes insipidus (neurogênico) Diabetes mellitus

Hiperadrenocorticismo Doença hepática (inespecífica) Piometra Polidipsia pseudopsicogênica

POLIÚRIA INDUZIDA POR MEDICAMENTOS Glicocorticoides (principalmente em cães) Manitol intravenoso Glicose, em concentrações acima de 50 mg/dL (5,0%) Álcool Terapia diurética (p. ex., furosemida) Fenitoína Intoxicação pela vitamina D

MÉTODOS DIAGNÓSTICOS (Fig. 3-1) 1. Histórico e exame físico, para facilitar a verificação do problema, além da determinação de sua duração e dos sinais associados. O conhecimento da administração recente de medicação é de especial importância. 2. Exames laboratoriais básicos. O foco primário do plano de diagnóstico é interpretar resultados de exames laboratoriais, incluindo hemograma, perfil bioquímico, exame de urina, coprocultura, teste de dirofilariose (em cães), testes de FeLV e FIV (em gatos) e urocultura. 3. Coletar urina e mensurar a ingestão de água por um período de 24 horas para documentar o problema, se necessário. 4. Radiografias abdominais, se indicadas. 5. Exames diagnósticos especiais, se indicados, com base nos resultados dos exames laboratoriais: a. Testes de privação de água e de privação de água modificado (contraindicados na presença de azotemia, desidratação ou hipercalcemia) b. Teste da resposta ao hormônio antidiurético (ADH, vasopressina) c. Teste de tolerância à glicose d. Estimulação com ACTH ou teste de supressão com dexametasona e. T4 sérico f. Estudos da função hepática (p. ex., amônia sérica, ácidos biliares) g. Ultrassonografia do abdome h. Biópsia de tecido (p. ex., renal e hepático) i. Laparotomia exploratória

CEGUEIRA Ver Perda Total da Visão. COCEIRA: PRURIDO Ver também Perda de Pelos: Alopecia. DEFINIÇÃO Prurido é uma estimulação epidérmica desagradável, algumas vezes intensa, que causa coceira ou mordedura anormalmente frequentes. Histamina, endopeptidases e outros polipeptídeos liberados pelas células cutâneas servem como mediadores do prurido. A histamina é o mediador primário


COCEIRA: PRURIDO VER TAMBÉM PERDA DE PELOS: ALOPECIA.

383

História de polidipsia/poliúria Excluir causas iatrogênicas

Exame físico normal

Aparentemente doente

Verificar por meio de mensuração no domicílio, se necessário Hemograma, perfil bioquímico, exame de urina

Negativo

Positivo Excluir (ou confirmar com testes específicos) Hipertireoidismo Insuficiência renal Diabetes mellitus Glicosúria tubular renal Diurese pós-obstrutiva Piometra Hipoadrenocorticismo Hiperadrenocorticismo Insuficiência hepática Policitemia Hipercalcemia Hipocalemia

Não desidratado

Desidratado Reidratar

Positivo PPA

Intermediário Negativo DIC DIC parcial DIN PPA + washout PPA + washout medular IR medular

Normal DIC DIN PPA

Diminuído IR

Reidratar

Teste da depuração da creatinina

Teste de privação de água

Teste de HAD exógeno

Positivo DIC

Negativo Intermediário DIN PPA + washout PPA + washout medular medular

Teste de privação parcial de água ou de Hickey-Hare Positivo PPA

Negativo DIN

Chave: PPA ⫽ polidipsia psicogênica aparente DIC ⫽ diabetes insipidus central DIN ⫽ diabetes insipidus nefrogênico MSW ⫽ washout medular IR ⫽ insuficiência renal com diurese de soluto

Figura 3-1: Abordagem clínica para o paciente com polidipsia e poliúria. ADH, Hormônio antidiurético; H, Hemograma. (De Fenner WR: Quick reference to veterinary medicine, ed 2, Philadelphia, 1991, Lippincott.)

3


384

3

SINAIS CLÍNICOS

do prurido, associada à reação de pápula-eritema. O prurido mediado por histamina não pode ser completamente inibido por antagonistas de receptores H1 ou H2 (bloqueadores). A estreita associação entre o prurido e inflamação da pele é atribuída ao fato de que muitos dos mediadores e potenciadores endógenos são liberados in situ durante eventos inflamatórios. O prurido, embora seja uma resposta protetora, pode tornar-se mais prejudicial do que útil. Como uma característica da dermatite, os mediadores do prurido não podem ser removidos pelo paciente. Na verdade, o prurido acaba por promover mais inflamação e se perpetua subsequentemente. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

3

Lesões de pele são frequentemente associadas a prurido; todavia, é importante caracterizar as lesões e distinguir as primárias das secundárias ao prurido. Pápulas e pústulas são lesões primárias características que finalmente podem evoluir para lesões secundárias, como crostas, úlceras, escamas em colarinhos e máculas pigmentadas. Vesículas e bolhas, placas e urticária (pápulas) também podem ocorrer como lesões primárias de pele. Crostas lineares, ulceração irregular, liquenificação, descamação difusa e pigmentação, e alopecia em placas, são lesões características que se desenvolvem secundariamente à escoriação. O prurido também pode ocorrer sem lesões primárias (i. e., prurido “essencial”). Este tipo de prurido é uma manifestação de doença sistêmica, embora a mediação possa ser central ou cutânea. As causas incluem atopia, pele ressecada e distúrbios neurológicos e psicogênicos. Uma série de doenças renais, hepáticas, hematopoiéticas, alérgicas e endócrinas está associada a prurido essencial. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE PRURIDO (NÃO É UMA LISTA ABRANGENTE) Dermatite pustular Infecciosa Piodermite dos filhotes Foliculite e furunculose Imunomediada Pênfigo foliáceo Distúrbios formadores de vesícula (p. ex., erupção medicamentosa) Dermatose ␥ por imunoglobulina A (IgA) linear Idiopática Celulite juvenil Dermatose pustular subcorneana

ERUPÇÃO VESICULAR OU BOLHOSA Dermatose bolhosa Lúpus eritematoso sistêmico (LES) Necrólise epidérmica tóxica Erupção medicamentosa Dermatite por contato aguda

FORMAÇÃO DE PLACA Dermatite infecciosa Dermatite imunomediada Neoplasia (p. ex., mastocitoma)

ERUPÇÃO PAPULAR (Cão) Infecciosa Foliculite (bacteriana, fúngica, demodécica)

Parasitária ( Sarcoptes, Cheyletiella , piolhos, pulgas) Vasculite (febre maculosa das Montanhas Rochosas) Imune Alergia (atopia) Autoimune (pênfigo foliáceo, LES) Idiopática

ERUPÇÃO PAPULAR (GATO) Infecciosa (foliculite bacteriana) Dermatofitose Parasitária (sarna otodécica e notoédrica, Cheyletiella, piolhos) Imunomediada (hipersensibilidade a alimentos) Dermatite miliar idiopática

DERMATITE ULCERATIVA LES Vasculite leucocitoclástica Eritema multiforme Necrólise epidérmica tóxica Micose fungoide Complexo da epidermólise bolhosa Dermatomiosite Dermatite por contato aguda Síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada


COMA: PERDA DE CONSCIÊNCIA

385

MÉTODOS DIAGNÓSTICOS 1. Histórico e exame físico, para caracterizar a lesão de pele e sua distribuição, determinarão se a doença parece ou não ser contagiosa e também se existe ou não uma doença sistêmica. 2. Exames laboratoriais, se houver evidência de que existe doença sistêmica. 3. Exame da pele e pelagem. Realizar vários raspados de pele e examinar pele e pelos com lâmpada de Wood. 4. Exames microbiológicos para bactérias e dermatófitos. 5. Exames imunológicos, incluindo teste de pele intradérmico e teste direto para anticorpos fluorescentes em amostras de biópsia de pele (normal e afetada). 6. Biópsia de pele com exame dermato-histopatológico. 7. Exposição provocadora a agentes ambientais, dieta e medicamentos selecionados.

COMA: PERDA DE CONSCIÊNCIA DEFINIÇÃO O coma é um estado de inconsciência completa, reversível ou irreversível, que pode resultar de doença neurológica ou não neurológica (overdose de fármacos, especialmente em cães). O coma pode ser consequência de lesões multifocais ou difusas no cérebro ou de uma lesão que afeta a porção anterior do tronco encefálico e o sistema de ativação reticular ascendente. Uma variedade de doenças orgânicas do sistema nervoso central (SNC) que conduz a encefalopatia tóxica ou metabólica também pode induzir o coma. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Embora o paciente comatoso esteja inconsciente, deverá ser realizado um exame neuro-oftalmológico completo. Tamanho e respostas pupilares alteradas ao estímulo luminoso usualmente indicam doença do tronco encefálico. A avaliação cardíaca de emergência do paciente inconsciente justifica um eletrocardiograma (ECG) e radiografias torácicas. A avaliação laboratorial do paciente comatoso inclui função hepática, eletrólitos e nível de glicose. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DO COMA

Agudo, não progressivo Agudo, progressivo

Crônica, progressiva

Neurogênico

Não Neurogênico

Hemorragia intracraniana Malformações cerebrais Lesões metastáticas Hemorragia epidural, subdural Meningoencefalite Edema cerebral

– – Hipoglicemia Coma diabético (hiperosmótico) Intermação Encefalopatia hepática ou urêmica Infecção Hipoxia Deficiência de tiamina (gato) Intoxicação por metais pesados e fármacos Intoxicação por monóxido de carbono Intoxicação por metais pesados

Hemorragia (rara) Doenças de depósito Hidrocefalia Encefalite

3


386

3

SINAIS CLÍNICOS

MÉTODOS DIAGNÓSTICOS 1. Estado grave: Avaliação das vias aéreas e do sistema cardiovascular (pulso, batimento cardíaco e ECG). Fazer radiografias torácicas se indicadas. Se há suspeita de edema cerebral, administrar ventilação de suporte, agentes hiperosmóticos intravenosos (p. ex., manitol 20%, 1 a 2 g/kg de peso corporal a cada 6 horas) e glicocorticoides. 2. Realizar cuidadoso exame neurológico, avaliando principalmente a função do tronco encefálico, incluindo função motora, respostas pupilares à luz (ou falta delas) e movimento dos olhos. 3. Perfil laboratorial completo, que inclua hematologia, perfil bioquímico e urinálise. 4. Testes diagnósticos especiais: se apropriados: a. Coma metabólico amônia sérica, ácidos biliares, glicose, níveis de chumbo em sangue e urina. b. Coma neurológico: radiografias do crânio, análise de líquor e eletroencefalografia. c. Avaliação da resposta ao manitol intravenoso.

CONSTIPAÇÃO (OBSTIPAÇÃO) Ver também Esforço para Defecar: Disquezia. DEFINIÇÃO

3

Constipação é a diminuição ou dificuldade em evacuar. Obstipação é a constipação intratável que resulta em endurecimento fecal no reto e possivelmente no cólon. A defecação difícil ou dolorosa, provável manifestação de constipação ou obstipação, representa tipicamente o motivo da consulta de um gato ou cão sob essas circunstâncias (ver também Esforço para Defecar: Disquezia). Não há definição precisa da regularidade do intestino; portanto, não há número “normal” de movimentos intestinais diários ou semanais, desvios do qual constitui a constipação. Praticamente, a constipação deve ser considerada quando houver diminuição na frequência de eliminação de fezes ou quando estas apresentarem consistência extremamente dura ou seca. A constipação é classificada em: neurogênica, mecânica (física), muscular (músculo liso) ou iatrogênica (induzida por fármacos). O proprietário que percebe que o seu animal tem dificuldade para defecar pode ter observado também dificuldade para urinar. Isso ocorre especialmente em gatos com distúrbios do trato urinário inferior, como a doença do trato urinário inferior dos felinos (DTUIF). No contexto da discussão, o termo disquezia será abordado somente quando estiver associado à constipação e obstipação (Fig. 3-2).

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS A avaliação do paciente com constipação ou obstipação pode representar um grande desafio para o médico em virtude dos mecanismos complexos envolvidos. Animais com causas neurogênicas podem ter dor retal ou perianal significativa associada a lesões locais. Outros pacientes podem ter doença neurológica não dolorosa ou complicações de longa duração provenientes de trauma pélvico ou espinhal anterior. Causas mecânicas são extraluminais ou intraluminais. É indicada a palpação abdominal ou retal em ambas, tanto em cães e gatos machos e fêmeas. Fezes finas ou tingidas com sangue podem sinalizar a presença de uma lesão intraluminal, ao passo que em pacientes com lesões extraluminais pode não haver sinais clínicos associados. Causas musculares são as menos comuns e, geralmente, são resultado de alterações metabólicas graves. Atonia do cólon de origem idiopática é relatada, mas a constipação também pode resultar de estados catabólicos graves. Evidência laboratorial de doença endócrina e anormalidades eletrolíticas devem ser avaliadas.


CONSTIPAÇÃO (OBSTIPAÇÃO) VER TAMBÉM ESFORÇO PARA DEFECAR: DISQUEZIA. Dados e histórico

387

Achados positivos

Constipação “aparente” Retenção fecal Prenhez? p. ex., após diarreia prolongada p. ex., confinamento Exame físico

Induzida Comportamento por medicação

Achados positivos

Dor anal/retal Obstrução colorretal feridas/trauma próstata infecção tumor neoplasia fecaloma doença do saco anal estreitamento prolapso/hérnia Biópsia ou tratamento local

Avaliação adicional ou tratamento

3

Avaliação de radiografias abdominais

Fecaloma (obstipação) p. ex., atonia

Déficits neurológicos Fraqueza p. ex., propriocepção muscular consciente generalizada e/ou desidratação Radiografias de coluna Perfil laboratorial Avaliação adicional

Achados positivos (megacólon)

Lesão/doença da Aumento medula espinhal prostático

Avaliação adicional

Avaliação adicional

Tumor intraabdominal Avaliação adicional

Perfil laboratorial

Fratura pélvica consolidada ou trauma pélvico (especialmente gatos)

Achados positivos Sedação ou anestesia geral Avaliação adicional

Hipercalcemia Hipocalemia Hiperparatireodismo Hipotireoidismo Hiperadrenocorticismo

Repetir Proctos- Colonos- RadioLaparotomia exame copia com copia com grafia exploratória retal/anal biópsia biópsia contrastada do cólon

Aspirado Mielograma Biópsia percutâneo muscular da próstata para EMG citologia/cultura

Figura 3-2: Algoritmo clínico para constipação no cão e no gato. EMG, Eletromiografia.


SEÇÃO 4

Procedimentos Diagnósticos e Terapêuticos Richard B. Ford e Elisa M. Mazzaferro Procedimentos de Rotina, 437 Técnicas de Administração de Medicamentos e Fluidos, 437 Técnicas de Colocação de Bandagem e Tala, 449 Mensuração da Pressão Arterial: Indireta, 449 Técnicas de Coleta de Amostras Diagnósticas, 450 Procedimentos Dermatológicos, 476 Biópsia Cutânea, 476 Limpeza Auricular: Canal Auditivo Externo, 479 Intubação Endotraqueal, 480 Procedimentos Avançados, 482 Abdominocentese, 482 Técnicas de Biópsia: Avançadas, 483 Gases Sanguíneos: Sangue Arterial, 490 Coleta de Líquido Cefalorraquidiano, 491 Eletrocardiografia, 491 Endoscopia: Indicações e Equipamentos Necessários, 498 Procedimentos Gastrointestinais, 503 Intubação Nasoesofágica, 503 Colocação do Tubo de Esofagostomia, 505 Procedimentos Oftálmicos, 511 Radiografia: Estudos Contrastados Avançados, 515 Trato Reprodutor das Fêmeas, 522 Trato Reprodutor dos Machos, 527 Procedimentos do Trato Respiratório, 532 Procedimentos do Trato Urinário, 543

PROCEDIMENTOS DE ROTINA TÉCNICAS DE ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTOS E FLUIDOS ADMINISTRAÇÃO ORAL: COMPRIMIDOS E CÁPSULAS – CÃES Preparação do Paciente Não é necessária. Técnica O método mais simples de administrar comprimidos ou cápsulas aos cães é esconder a medicação no alimento. Ofereça inicialmente pequenas porções de queijo, carne ou alguns dos alimentos favoritos do cão sem incluir a medicação e, em seguida, uma porção de alimento com a medicação incluída. Pill Pockets® Canine Treats* é um petisco próprio para disfarçar comprimidos e cápsulas, disponível comercialmente nos Estados Unidos. *Pill Pockets® Treats para Cães e Pill Pockets® Treats para Gatos; Greenies (www.greenies.com). 437


438

4

PROCEDIMENTOS DIAGNÓSTICOS E TERAPÊUTICOS

Nota: Frequentemente, a medicação oral é prescrita sem que se atente para a educação do cliente sobre como administrar uma cápsula ou comprimido, ou sem questionar se o cliente é, de fato, fisicamente capaz de administrar medicações. Instruções claras, incluindo a observação da realização da técnica pelo cliente no hospital, melhoram de forma significativa a adesão ao tratamento.

Em cães anoréxicos, ou quando os medicamentos precisam ser administrados sem alimento, o método consiste em dar a medicação rapidamente e de forma decisiva, de tal maneira que o processo seja realizado antes que o animal perceba o que aconteceu. Em cães cooperativos, insira o dedo polegar de uma das mãos no espaço interdental e toque, delicadamente, o palato duro. Isso induzirá o cão a abrir a boca (Fig. 4-1). Utilizando a outra mão (a que está segurando a medicação), pressione delicadamente a mandíbula para baixo, forçando uma abertura ainda maior (Fig. 4-2).

4 Figura 4-1: Use o dedo polegar para abrir a boca de um cão cooperativo.

Figura 4-2: Com a outra mão, coloque o comprimido ou cápsula na porção caudal da língua.


PROCEDIMENTOS DE ROTINA

439

Ponha rapidamente o comprimido ou a cápsula na porção caudal da língua. Retire a mão com rapidez e feche a boca do cão. Quando o animal lamber o focinho, a medicação provavelmente já terá sido deglutida. Cães que oferecem mais resistência podem ser induzidos a abrir a boca pela compressão dos lábios superiores contra seus dentes. Conforme o cão abre a boca, desloque os lábios medialmente, de forma a serem comprimidos caso ele queira fechar a boca. Outra alternativa seria gotejar água sobre as narinas ou soprar algumas vezes no focinho do paciente, o que o encoraja a aceitar e engolir as medicações orais (comprimidos ou cápsulas). Há disponível no mercado seringas próprias para administração de comprimidos que parecem funcionar bem em alguns cães. Considerações Especiais A administração de medicação oral por parte do proprietário requer habilidade na sua execução. Os animais que resistirem agressivamente à medicação oral devem ser tratados por métodos alternativos – por exemplo, administração parenteral da medicação. É inapropriado e inseguro delegar as responsabilidades do tratamento ao proprietário de um cão (ou gato) que possa feri-lo enquanto tenta tratá-lo. ADMINISTRAÇÃO ORAL: COMPRIMIDOS E CÁPSULAS – GATOS Preparação do Paciente Não é necessária. Técnica Cuidado: Somente indivíduos experientes devem tentar essa técnica de administração de comprimidos ou cápsulas a gatos. Mesmo gatos cooperativos podem se tornar intolerantes e morder. Dessa forma, essa não é uma técnica recomendada para a maioria dos proprietários tentarem em domicílio, ainda que tenham recebido instruções específicas. São utilizados dois métodos de administração de comprimidos e cápsulas em gatos. Em ambos os métodos, a cabeça do gato é ligeiramente elevada com o focinho apontado para o alto. O sucesso na administração da medicação a um gato envolve o sutil equilíbrio entre o que é efetivo e o que é seguro. Em gatos cooperativos pode-se segurar e posicionar a cabeça (Fig. 4-3) com uma mão, e com a outra mão (a que está segurando a medicação) abrir a boca com delicadeza por meio da pressão da mandíbula rostral para baixo (Fig. 4-4). Pressione a pele adjacente aos dentes maxilares delicadamente entre os dentes conforme a boca é aberta, evitando, assim, que o gato feche sua boca.

Figura 4-3: Técnica de contenção da cabeça enquanto se administra um comprimido ou uma cápsula a um gato.

4


440

4

PROCEDIMENTOS DIAGNÓSTICOS E TERAPÊUTICOS

Figura 4-4: Com a outra mão, pressione delicadamente a mandíbula do gato para baixo antes de colocar um comprimido na porção caudal da cavidade oral.

4

Com a boca aberta, jogue (não empurre) a medicação (tente lubrificar com cuidado o comprimido ou cápsula com manteiga) para dentro da cavidade oral. Poderão ser realizadas batidinhas leves sob o queixo ou na ponta do focinho para facilitar a deglutição. Se o gato se lamber, a administração provavelmente foi bem-sucedida. Outra alternativa seria utilizar uma seringa especial para a administração de comprimidos e cápsulas em gatos. A seringa funciona bem, contanto que seja cuidadosamente inserida e de forma atraumática na boca do gato. No entanto, se houver resistência, a seringa poderá machucar o palato duro durante a tentativa de medicação. Em tentativas subsequentes de utilizar a seringa, pode haver aumento de resistência e, portanto, maior risco de trauma. O sucesso da utilização desse tipo de seringa depende bastante do comportamento do gato. Também existem o Pill Pocket® Treats para gatos, que são fabricados nos sabores frango e peixe. Além disso, como no caso dos cães, alguns gatos responderão à aplicação de gotas de água ou sopro nas narinas para estimular a deglutição do medicamento. Considerações Especiais Quando prescrever medicações orais a gatos, não espere que os clientes forcem um comprimido ou cápsula na boca do animal. Apesar de alguns clientes serem notavelmente capazes e confiantes em relação à sua habilidade de administrar medicações orais a gatos, o risco de acidentes pode ser significativo. Sempre que possível, medicações líquidas ou comprimidos pulverizados devem ser misturados à dieta ou a um petisco prontamente aceito e consumido (ver discussão a seguir). ADMINISTRAÇÃO ORAL: LÍQUIDOS Sem Tubo Gástrico Preparação do Paciente Não é necessária. A técnica é apropriada para ser realizada por proprietários em domicílio. Técnica Pequenas quantidades de medicamento líquido podem ser administradas de maneira bem-sucedida a cães e gatos puxando-se a comissura labial para fora, formando uma bolsa (Fig. 4-5). Deposite a medicação líquida na “bolsa da bochecha”, de onde ela fluirá por entre os dentes conforme a cabeça for ligeiramente posicionada para o alto. Paciência e delicadeza, além da medicação razoavelmente saborosa, contribuem para o sucesso.


PROCEDIMENTOS DE ROTINA

441

Figura 4-5: Use uma seringa para administrar medicações líquidas na cavidade oral de um gato.

Colheres são ineficazes, uma vez que os líquidos são facilmente expelidos. Uma seringa descartável pode ser utilizada para medir e administrar os líquidos por via oral. Dependendo do líquido administrado, as seringas descartáveis podem ser reutilizadas diversas vezes, desde que sejam lavadas após cada administração. Não é recomendado que medicações diferentes sejam misturadas em uma mesma seringa. Recomenda-se a identificação adequada da seringa para cada tipo de medicação líquida prescrita. Considerações Especiais Também podem ser consideradas as farmácias de manipulação para o preparo de medicações com sabores palatáveis para facilitar a administração oral. Cães com distúrbios de deglutição não devem ser tratados em domicílio com medicações líquidas, pois isso pode provocar complicações associadas à aspiração. Com um Tubo de Administração Preparação do Paciente Não é necessária.

Nota: Esse procedimento é reservado exclusivamente para âmbito hospitalar. A técnica deverá ser realizada apenas por indivíduos treinados.

Técnica A administração de medicações, material de contraste e fluidos reidratantes pode ser realizada com o uso de um tubo de alimentação bem lubrificado, introduzido através das narinas até o estômago ou o esôfago distal. Quando o tubo de alimentação é colocado para uso por longo período (vários dias) e de forma repetida (descrito posteriormente em Procedimentos Gastrointestinais), é geralmente recomendado evitar introduzir a ponta do tubo além do esôfago distal. A razão para a recomendação de intubação nasoesofágica, em vez de intubação nasogástrica, baseia-se no fato de que o peristaltismo reflexo do esôfago contra a passagem de um tubo através da cárdia pode resultar em ulceração significativa da mucosa em 72 horas. Isso não é um problema em pacientes que recebem uma única dose de medicação ou material de contraste.

4


442

TABELA 4-1

4

PROCEDIMENTOS DIAGNÓSTICOS E TERAPÊUTICOS

Equivalentes da Escala Francesa de Cateter* Tamanho

4

Escala

Milímetros

Polegadas

3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 22 24 26 28 30 32 34

1 1,35 1,67 2 2,3 2,7 3 3,3 3,7 4 4,3 4,7 5 5,3 5,7 6 6,3 6,7 7,3 8 8,7 9,3 10 10,7 11,3

0,039 0,053 0,066 0,079 0,092 0,105 0,118 0,131 0,144 0,158 0,170 0,184 0,197 0,210 0,223 0,236 0,249 0,263 0,288 0,315 0,341 0,367 0,393 0,419 0,445

*Vários tipos de tubos de poliuretano de alimentação nasogástrica encontram-se disponíveis em tamanhos que variam de 8F a 12F e que acomodam facilmente a administração de medicações líquidas e de fluidos a gatos adultos e filhotes, e a cães de pequeno porte.

O lúmen estreito dos tubos introduzidos através das narinas de cães de pequeno porte e gatos limita a viscosidade das soluções que podem ser administradas. A intubação nasoesofágica pode ser feita com uma variedade de tamanhos e tipos de tubos (Tabela 4-1). Os tubos de poliuretano mais recentes, quando recobertos com gel lubrificante de lidocaína não são irritantes e podem ser deixados no local com a ponta posicionada no esôfago distal. Quando for colocar o tubo nasogástrico, instile de quatro a cinco gotas de proparacaína a 0,5% nas narinas do gato ou do cão de pequeno porte; pode ser necessário instilar de 0,5 a 1 mL de lidocaína a 2% na narina de um cão de raça de porte maior para se alcançar o nível de anestesia tópica requerida para a passagem do tubo através da narina. Com a cabeça elevada, direcione o tubo dorsomedialmente para a dobra alar (Fig. 4-6). A passagem do tubo será facilitada para o meato nasal ventromedial empurrando-se o tubo dorsalmente sobre o filtro nasal e empurrando a narina da lateral para a face medial. Cuidado: A ponta do tubo de alimentação pode ser inadvertidamente introduzida através da glote em direção à traqueia. O anestésico tópico instilado no nariz pode anestesiar as cartilagens aritenoides, bloqueando, assim, o reflexo de tosse ou de deglutição. Após inserir de 1 a 2 cm da ponta no interior da narina, continue avançando com o tubo até alcançar o comprimento desejado. Se os cornetos obstruírem a passagem do tubo, retroceda-o por alguns centímetros. Reavance, então, o tubo, tomando cuidado para direcioná-lo ventralmente através da cavidade nasal. Ocasionalmente, pode ser necessário retirar o tubo completamente da narina e repetir o procedimento. Em pacientes particularmente pequenos ou com lesões obstrutivas


PROCEDIMENTOS DE ROTINA

443

Figura 4-6: Posicionamento dorsomedial inicial de um tubo nasoesofágico antes da inserção completa. (p. ex., tumor) na cavidade nasal pode não ser possível passar o tubo. Não o force contra uma resistência significativa através da narina. A gavagem, ou a lavagem e alimentação gástrica, em filhotes caninos e felinos pode ser realizada pela passagem de um cateter de borracha macia ou tubo de alimentação para dentro da boca movendo a cabeça do filhote canino ou felino e vendo-o engolir o tubo. A maior parte dos filhotes caninos e felinos irá lutar e vocalizar. Geralmente, eles não vocalizam se o tubo estiver posicionado no interior da traqueia. Um cateter 12F possui um diâmetro adequado para passar livremente, mas é muito grande para cães e gatos com idade inferior a 2 a 3 semanas. Marque no tubo, com uma fita adesiva ou uma caneta, o ponto que identifica a distância da boca à última costela. Simplesmente empurre o tubo para o interior da faringe, em direção ao esôfago, até o nível torácico caudal (no interior do estômago). Verifique o posicionamento do tubo utilizando a mesma técnica de aspiração com uma seringa seca, assegurando-se de que ele está realmente posicionado no esôfago ou no estômago, e não na traqueia. Acople uma seringa à terminação arredondada e injete, lentamente, a medicação ou o alimento. Dependendo do tipo de tubo de alimentação, sua terminação pode ou não acomodar uma seringa. Por exemplo, cateteres urinários de borracha macios são excelentes tubos para se utilizar em administração única. No entanto, a terminação arredondada pode não acomodar uma seringa. Para acoplar uma seringa na terminação externa de um tubo ou cateter de alimentação cônico, insira um adaptador plástico (Fig. 4-7) na terminação livre.

Figura 4-7: Adaptador plástico (“árvore de Natal”) para fixar a seringa a um tubo de alimentação nasoesofágico.

4


444

4

PROCEDIMENTOS DIAGNÓSTICOS E TERAPÊUTICOS

Considerações Especiais O posicionamento esofágico (versus intratraqueal) do tubo de alimentação pode ser verificado com uma seringa seca e vazia. Acople a seringa vazia à ponta do tubo de alimentação. Em vez de injetar ar ou água na tentativa de auscultar borborigmos no abdome, tente apenas aspirar ar pelo tubo de alimentação. Se não houver nenhuma resistência durante a aspiração e o ar preencher a seringa, o tubo provavelmente está na traqueia. Remova completamente o tubo e repita o procedimento. Entretanto, se repetidas tentativas de aspirar ar encontram resistência imediata e não houver entrada de ar na seringa, a ponta do tubo está posicionada adequadamente dentro do esôfago. Se ainda houver qualquer dúvida relacionada ao posicionamento do tubo, é indicada uma radiografia lateral de rotina. A confirmação definitiva do seu posicionamento adequado pode ser obtida pela instilação no tubo da mistura de 1 a 2 mL de contraste iodado em salina estéril e, então, a realização de radiografia lateral da região toracoabdominal para confirmação da entrada do material de contraste no estômago. ADMINISTRAÇÃO TÓPICA Ocular Preparação do Paciente Não é necessária.

4

Técnica Os métodos usuais de aplicação de medicação diretamente nos olhos incluem líquidos (gotas) e unguentos. A via e a frequência da medicação dependem da doença que está sendo tratada. Líquidos e unguentos são apropriados para a administração pelo proprietário. As medicações líquidas (normalmente, uma ou duas gotas) podem ser aplicadas diretamente sobre a córnea. É importante instruir o proprietário sobre a técnica adequada e enfatizar que, uma vez que os líquidos somente se deslocam para baixo, o focinho do paciente deve ser direcionado para o alto antes de se tentar administrar medicações líquidas nos olhos. É bastante difícil, também, fazer com que uma gota de líquido, conforme é expelida de seu frasco, caia horizontalmente, a despeito das frequentes tentativas de fazê-lo. Particularmente o unguento, na forma de uma linha de 3 mm ou 6 mm, é administrado diretamente sobre a esclera (dorsalmente) ou no fundo do saco conjuntival inferior de tal forma que, conforme as pálpebras se fecham, uma película de unguento é espalhada por toda a córnea. Considerações Especiais Não se deve permitir que a ponta do tubo de aplicação de líquidos e de unguentos entre em contato com o olho ou com a conjuntiva. Isso provavelmente resultará na contaminação da medicação, especialmente se forem líquidas. Ótica Preparação do Paciente Não é necessária. Técnica As soluções líquidas são os veículos mais eficazes para a administração de medicamentos no canal auditivo externo. Pode ser preciso fazer a remoção física de debris em alguns pacientes que necessitam de medicações óticas. Ocasionalmente, também pode ser necessário fazer a suplementação por medicação oral. O ouvido deverá ser gentilmente massageado após a instilação para facilitar a dispersão da medicação no interior do canal auditivo externo. Considerações Especiais Os pós medicinais são normalmente contraindicados no canal auditivo externo. É importante ressaltar que a ponta do aplicador das medicações líquidas não deve entrar em contato direto com a pele. Se isso acontecer, provavelmente haverá contaminação de todo o frasco do medicamento.

KIRK & BISTNER MANUAL DE PROCEDIMENTOS VETERINARIOS E TRATAMENTO EMERGENCIAL 9ª EDICAO!  

O Guia Fundamental para Diagnóstico e Tratamento de Pequenos Animais! Desde Cuidados de Emergência até Procedimentos de Rotina. A 9ª ediçã...

KIRK & BISTNER MANUAL DE PROCEDIMENTOS VETERINARIOS E TRATAMENTO EMERGENCIAL 9ª EDICAO!  

O Guia Fundamental para Diagnóstico e Tratamento de Pequenos Animais! Desde Cuidados de Emergência até Procedimentos de Rotina. A 9ª ediçã...

Advertisement